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FISIOLOGIA DO PARTO - COMO TUDO ACONTECE

O parto é um processo involuntário conduzido por partes “arcaicas” do cérebro


portanto, quando uma mulher está em trabalho de parto, a parte mais ativa de seu
corpo é o cérebro - primitivo, o sistema límbico: hipotálamo e a hipófise, que nós
compartilhamos com todos os mamíferos. O neocórtex (parte racional de nosso
cérebro) é quem é capaz de nos inibir durante este processo.

Para parir a mulher libera um coquetel de hormônios; ​ocitocina responsável pela


contração uterina e ejeção de leite - HORMÔNIO DO AMOR; ​endorfinas
responsáveis pela diminuição da sensação dolorosa; prolactina; responsável pela
produção de leite; ​ACTH (hormônio adreno - corticotrófico) em resposta aos
hormônios que o feto libera, mostrando que está pronto e desencadeando as ações
hormonais do corpo materno; ​prostaglandinas que preparam o colo uterino e o útero
para responder a ocitocina com a dilatação.

Qualquer situação que estimule a produção de hormônios da família da adrenalina,


estimula a atividade do neocórtex e pode inibir o processo do parto. O que pode
desencadear a produção de adrenalina?? ​Frio, mau humor, medo, auto piedade,
conflitos situacionais, dúvidas e inseguranças, distrações, falta de
privacidade, vergonha, excesso de toques, expectativas, internação precoce,
preocupações, conversas excessivas (incluindo perguntas), ambiente muito
iluminado, barulhento.

Podem existir dois ciclos rondando este processo de trabalho de parto e parto:

NEGATIVO – Medo – Dor – Tensão


POSITIVO – Aceitar – Aproveitar –Relaxar

Portanto a mulher em trabalho de parto necessita do respeito a fisiologia de seu


corpo, precisa ser permitida e permitir seu corpo agir. Para isso é necessário:
sentir-se protegida, segura e apoiada, confortável, relaxada, estar em um
ambiente aconchegante, quente, agradável com penumbra e silêncio, ter
privacidade, não sentir-se observada e ter liberdade.

A dilatação e o nascimento acontecem em diversas fases e forma progressiva, é


comum mulheres terem contrações que podem se manter durante horas e depois
passar, podem ser incômodas ou tão fracas que você pode continuar fazendo as
atividades do dia a dia, chamamos isso de “falso trabalho de parto” ou “pródomos de
trabalho de parto” O importante neste momento é descansar, se alimentar, segurar
a ansiedade, aproveitar os últimos momentos de barrigão e...
NÃO ficar triste pois estas contrações são importantes e úteis para: a centralização
do colo, o amolecimento do mesmo, a insinuação e descida do bebê na pelve
materna , etc.

Podem ocorrer também: perda do tampão mucoso – secreção espessa, consistente


com ou sem raias de sangue – pode acontecer no início do TP ou durante o TP. Às
vezes depois da perda do tampão o trabalho de parto pode demorar alguns dias
para ser efetivo; rompimento da bolsa – uma grande ou pequena quantidade líquido
escorre pelas pernas, um rompimento cedo da bolsa (fora de trabalho de parto)
ocorre em 6 – 19% dos partos a termo ( idade gestacional maior que 37 semanas) e
então 70% dessas mulheres darão à luz em até 24h e outras 30% em 48h,
importante comunicar o médico e/ou sua parteira; uma dor contínua e maçante na
região lombar, que pode ser causada pelas contrações uterinas ou uma diarréia,
pois existe uma tendência natural de esvaziar o intestino no período que antecede o
início do trabalho de parto.

O ​trabalho de parto​ se divide “didaticamente” em duas fases:

FASE LATENTE:
Dilatação entre 2 a 3 cm; o colo do útero ​mais afina do que dilata​, com duração
média de 8 horas em mães de primeira viagem e 5 horas em mães com mais de um
parto. As contrações acontecem a cada 20 ou 30 min com duração de 20 a 30
segundos.
O que fazer neste momento?? Conversar com sua doula, obstetra ou parteira,
alimentar-se, descansar, passear, enfim...aproveitar e economizar energia para a
próxima etapa.

FASE ATIVA:
Dilatação maior ou igual a 4 cm, aumentando progressivamente; o colo do útero
mais dilata do que ​afina​; com duração média 6 a 12 horas, as contrações
aumentam progressivamente até que na fase final de dilatação chegam a ter
intervalos de um minuto e meio e podem durar cerca de 60 a 90 segundos.
O que fazer na fase ativa do trabalho de parto?? Ter a companhia de sua doula,
familiares de seu desejo, estar em um ambiente calmo, familiar, aquecido,
aconchegante, tomar uma ducha gostosa, ficar na banheira, dançar, ouvir música,
se alimentar, fazer exercícios na bola, caminhar, receber massagens, gritar, enfim...
o que você tiver vontade: permita o seu corpo!!!
O ​parto​ é dividido “didaticamente“ em 4 períodos:

Dilatação ​que é trabalho de parto, o ​expulsivo que inicia-se com 10 cm e presença


de vontade de empurrar ​(​puxos) e se entende até saída do bebê; a ​dequitação que
inicia-se após o nascimento do bebê até o término do desprendimento da placenta e
o ​período de Greenberg ​que é um período de recuperação e contração do útero,
para que não aconteça hemorragia, se estende a 1 hora após o término do parto
(saída da placenta), momento em que se procede os cuidados como medicações e
sutura se necessário. Portanto como podemos ver o parto só termina quando a
placenta sai.

A adrenalina que nós queríamos lá no início do trabalho de parto, agora é muito


bem vinda pois, têm um papel de interação entre mãe e bebê após o parto e durante
as últimas contrações antes do nascimento, seu nível de adrenalina se eleva
bruscamente, é por isso que assim que se iniciam os PUXOS as mulheres ficam
ALERTAS, tendem a optar pela posição vertical, cheias de energia e com uma
súbita necessidade de se agarrar a alguém ou algo. Para o bebê o afluxo de
noradrenalina possibilita que se adapte a privação de oxigênio, e que esteja alerta
ao seio da Mãe. O bebê ativo abre os olhos e busca o contato com a Mãe, o que
libera mais ocitocina, fundamental para os momentos seguintes do processo como
dequitação da placenta e amamentação.

O coquetel de hormônios necessário para o nascimento está em nosso corpo e


quando protegemos a fisiologia permitindo o corpo atuar, percebemos o quão é
importante para o nascimento, desenvolvimento do bebê e vínculos afetivos.
Atualmente a rotina hospitalar atual é caracterizada por uma violência ( frio, luz
forte, manuseio grosseiro, isolamento). O bebê é induzido desnecessariamente a
um estado de estresse, que provoca a liberação de cortisol que pode prejudicar o
desenvolvimento cerebral. Em contra partida no processo de nascimento fisiológico
a Mãe secreta endorfinas e hoje sabemos que o bebê também, portanto logo após o
parto o cérebro dos dois estão impregnados de opiáceos e dopaminas que induzem
dependência e vínculo.

Optar e se preparar para um trabalho de parto e parto ATIVOS e de forma


NATURAL é ser respeitada, permitir-se fazer o que tiver vontade; ser instintiva;
mudar de posições, entregar-se, assumir posições verticais que ajudam a aumentar
a dimensão da pelve, a gravidade ajuda a descida do bebê, rotação interna do bebê
e circulação sanguínea útero-placentária. E acima de tudo ter autonomia sobre o
seu corpo e ter corresponsabilidade no processo do nascimento de sua família.
Optar por intervenções é assumir riscos, começando pelo risco de precisar de mais
de uma intervenção, o uso de hormônios sintéticos (ocitocina), medicações
(anestésicos ou analgésicos) e condições de atendimento e ambiente não
adequadas podem interferir e/ou interromper a rede fisiológica hormonal e a
sequência do trabalho de parto e parto. Os hormônios sintéticos causam efeitos
físicos em determinadas partes do corpo, mas não comportamentais como os
produzidos pelo próprio cérebro. A ocitocina materna atravessa a placenta e entra
no cérebro do bebê durante o trabalho de parto, agindo para proteger as células
cerebrais fetais “desligando-as” e diminuindo o consumo de oxigênio, em um
momento em que os níveis de oxigênio disponíveis para o feto são
NATURALMENTE baixos. A ocitocina sintética, porém, não têm a capacidade de
ultrapassar a parede placentária portanto, não atingirá o organismo do bebê.

Acredite no seu corpo, dedique-se a você, leia, participe de grupo e busque os


melhores profissionais e alternativas para o seu parto. ​VOCÊ PODE!!!

Bibliografia:

- Parto Ativo - Janet Balaskas. Ed. Ground

- WorkShop: “ Parto como escapar das armadilhas” – Michel Odent.Julho de 2011, São Paulo.
Anotações pessoais: Adriana de Lima Mello

- A cientificação do Amor – Michel Odent

- Parto, aborto e puerpério – Ministério da Saúde.

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