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UNIVERSIDADE DE FORTALEZA - UNIFOR

CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS


CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL

ANDRÉ MACÊDO HERNÁNDEZ

Estudo da Eficiência de Contraventamento Treliçado em Edifícios Altos de Aço

Fortaleza
2018
André Macêdo Hernández

Estudo da Eficiência de Contraventamento Treliçado em Edifícios Altos de Aço

Trabalho de conclusão de curso apresentado à


banca examinadora como requisito parcial à
obtenção do título de graduado em Engenharia
Civil.
Área de concentração: Estruturas Metálicas

Orientador: Prof. Dr. Iuri Alves.

Fortaleza
2018
Dedico este trabalho a Deus, à Virgem Maria e
à minha família, alicerce da minha vida.
AGRADECIMENTOS

Agradeço, em primeiro lugar, a Deus por ter sido sempre fiel a mim e nunca ter me
desamparado com sua graça, durante estes anos de graduação.
À Virgem Maria pela sua constante intercessão por mim.
À minha família que sempre se mostrou pronta para me dar o que fosse de melhor
para a minha formação pessoal e profissional.
À minha namorada Amanda pelo amor e companheirismo, fundamentais para que eu
concluísse esse trabalho com todo empenho.
Ao prof. Dr. Iuri Alves, pela orientação e lições que me foram ensinadas durante este
ano de produção deste trabalho.
Ao caro engenheiro e mestre participante da banca, Raimundo Calixto de Melo Neto,
pelas contribuições, sugestões de melhoria e inspiração para mim.
Ao professor participante da banca examinadora, José Ricardo Brígido de Moura,
pela disponibilidade em ajudar a fazer este trabalho e por ser uma referência para mim, devido
a sua maneira apaixonada de olhar para engenharia.
Por fim, agradeço a todos os meus amigos do curso de engenharia pelo suporte que
me proporcionaram, simplesmente pelo fato de estarem ao meu lado, durante esse período da
minha vida.
“O fato de os engenheiros realizarem-se em
seu trabalho sustenta a visão de que o trabalho
de engenharia usando a criatividade pode ser
prazeroso, talvez tão prazeroso quanto
escrever, pintar ou executar música.”
H.P.J. Taylor, Presidente do The Institution of
Structural Engineers em 1993-1994.
RESUMO

Palavras-chave: Contraventamento. Edifícios Altos. Edifícios em Aço.

É fácil percebermos a crescente verticalização das principais cidades do mundo no último


século. No Brasil, entretanto, essa verticalização está bem atrasada, quando comparamos a
países com um potencial econômico similar ao nosso. Dessa forma, faz-se necessário uma
série de estudos que deem suporte aos atuais e futuros engenheiros estruturais que irão atuar
nesta área em nosso país. Um dos principais fatores a serem analisados por esse profissional é
o sistema que irá resistir aos carregamentos gerados pelo vento, devido principalmente ao
aumento na velocidade do vento com a altitude. No presente trabalho, limitaremos nossa
análise aos edifícios com estrutura em aço, devido à falta de edifícios altos desse tipo em
nosso território. Um breve estudo sobre o acervo desse tema na literatura foi feito e foram
elaboradas sete simulações diferentes, a fim de encontrar um melhor tipo de
contraventamento, usando diagonais, para um edifício comercial genérico. Dentre as diversas
conclusões obtidas com este estudo, podemos citar a maior eficiência das diagonais de
contraventamento, quando estas estão localizadas na fachada da edificação do que quando
estas são colocadas apenas no perímetro da caixa de escada e elevadores. Além disso, nota-se
uma maior eficiência estrutural nos edifícios que possuem diagonais simples quando
comparadas aos que possuem diagonais em ‘X’.
ABSTRACT

Keywords: Bracing frames. High rise buidings. Steel buildings.

It is easy to see the increasing verticalization of the world's major cities in the last century. In
Brazil, however, this verticalization is well behind, when compared to countries with similar
economic potential. Therefore, it is necessary a series of studies that support the current and
the future structural engineers that will act in this area in our country. One of the main factors
to be carefully considered is the system that will withstand wind loading. In the present work,
we will limit our analysis to buildings with steel structure, due to the lack of tall buildings of
this type in our country. A brief study on the collection of this topic in the literature was done
and seven different simulations were elaborated in order to find the best type of bracing using
diagonals for a generic commercial building. . Among the several conclusions obtained with
this study, we can mention the greater efficiency of the bracing, when these are located in the
facade of the building than when they are placed only in the perimeter of the stair case and
elevators. In addition, a greater structural efficiency was observed in buildings that have
simple diagonals when compared to those that have diagonals in 'X'.
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Modelo Estrutural Analisado no Estudo de Caso. ......................................... 14


Figura 2 – O crescimento em altura dos arranha-céus americanos ................................ 17
Figura 3 – Construção do Home Insurance Building em Chicago ................................ 18
Figura 4 – O Templo Maçônico em Chicago ................................................................. 18
Figura 5 - Empire State Building em Nova York ........................................................... 19
Figura 6 - Burj Khalifa e outros arranha-céus em Dubai, EAU ..................................... 20
Figura 7 - Concordia Corporate em Nova Lima ............................................................ 23
Figura 8 - Diferentes tipos de análises e suas implicações ............................................ 24
Figura 9 - Imperfeições Geométricas iniciais. ............................................................... 26
Figura 10- Efeito P-Delta em Pórticos ........................................................................... 27
Figura 11 – (a) Resposta de um pórtico com ligações rígidas a carregamentos
horizontais. (b) Flexão de vigas e colunas devido a ligação rígida. ......................................... 30
Figura 12 - Variação no deslocamento lateral com a introdução de contraventamento
em X ......................................................................................................................................... 30
Figura 13 - Sistemas Estruturais em Função da Altura da Edificação ........................... 32
Figura 14 - Peso de aço em função do número de pavimentos em um edifício, unidade
no Sistema Imperial. ................................................................................................................. 33
Figura 15- Contraventamento Treliçado Externo........................................................... 34
Figura 16 - Montagem das diagonais de contraventamento no John Hancock Center em
Chicago ..................................................................................................................................... 34
Figura 17 - John Hancock Center em Chicago .............................................................. 35
Figura 18 - Tipos de Contraventamento de Triangulos Totais ....................................... 35
Figura 19 - Tipos de Contraventamentos de Triangulos Parciais .................................. 36
Figura 20 - Planta Baixa do Pavimento Tipo, comum a todos os edifícios do estudo. .. 38
Figura 21 - Exemplo de Pórtico utilizado nos edifícios do estudo. ............................... 41
Figura 22 - Características do aço utilizado nas análises. .............................................. 42
Figura 23 - Vista Isométrica do edifício 1...................................................................... 43
Figura 24 – À esquerda: Vista isométrica do edifício 2. ................................................ 44
Figura 25 - Corte no interior do edifício 2. .................................................................... 45
Figura 26 - Pequeno núcleo de aço com diagonais em 'X'. ............................................ 45
Figura 27 - À esquerda: Vista isométrica do edifício 3. ................................................. 46
Figura 28 - Corte no interior do edifício 3. .................................................................... 47
Figura 29 - À esquerda: Vista isométrica do edifício 4.................................................. 48
Figura 30 - Fachada do edifício 4. ................................................................................. 49
Figura 31 – John Hancock Building em Chicago. ......................................................... 49
Figura 32 - À esquerda: Vista isométrica do edifício 5. ................................................. 50
Figura 33 - Fachada do edifício 5. ................................................................................. 51
Figura 34 - Edifício em Nova York com diagonais simples .......................................... 51
Figura 35 - À esquerda: Vista isométrica do edifício 6. ................................................. 52
Figura 36 - Corte no interior do edifício 6. .................................................................... 53
Figura 37 - Fachada do edifício 6. ................................................................................. 54
Figura 38 - À esquerda: Vista isométrica do edifício 7. ................................................. 55
Figura 39 - Corte no interior do edifício 7. .................................................................... 56
Figura 40 - Fachada do edifício 7. ................................................................................. 57
Figura 41 - Perfil do vento na direção de 0º, unidades em kN/m2. ............................... 60
Figura 42 - Perfil do vento na direção de 90º, unidades em kN/m2. ............................. 61
Figura 43 - Nó analisado no modelo para determinação do deslocamento horizontal .. 64
Figura 44 - Reação My (kNm) nas fundações para vento a 0º - EDIFÍCIO 1. .............. 66
Figura 45 - Reação My (kNm) nas fundações para vento a 0º - EDIFÍCIO 2. .............. 67
Figura 46 - Reação My (kNm) nas fundações para vento a 0º - EDIFÍCIO 3. .............. 67
Figura 47 - Reação My (kNm) nas fundações para vento a 0º - EDIFÍCIO 4. .............. 68
Figura 48 - Reação My (kNm) nas fundações para vento a 0º - EDIFÍCIO 5. .............. 68
Figura 49 - Reação My (kNm) nas fundações para vento a 0º - EDIFÍCIO 6. .............. 69
Figura 50 - Reação My (kNm) nas fundações para vento a 0º - EDIFÍCIO 7. .............. 69
Figura 51 - Reação Fz (kN) nas fundações para vento a 0º - EDIFÍCIO 1. ................... 70
Figura 52 - Reação Fz (kN) nas fundações para vento a 0º - EDIFÍCIO 2. ................... 70
Figura 53 - Reação Fz (kN) nas fundações para vento a 0º - EDIFÍCIO 3. ................... 71
Figura 54 - Reação Fz (kN) nas fundações para vento a 0º - EDIFÍCIO 4. ................... 71
Figura 55 - Reação Fz (kN) nas fundações para vento a 0º - EDIFÍCIO 5. ................... 72
Figura 56 - Reação Fz (kN) nas fundações para vento a 0º - EDIFÍCIO 6. ................... 72
Figura 57 - Reação Fz (kN) nas fundações para vento a 0º - EDIFÍCIO 7. ................... 73
Figura 58 - Reação Mx (kNm) nas fundações para vento a 90º - EDIFÍCIO 1. ............ 73
Figura 59 - Reação Mx (kNm) nas fundações para vento a 90º - EDIFÍCIO 2. ............ 74
Figura 60 - Reação Mx (kNm) nas fundações para vento a 90º - EDIFÍCIO 3. ............ 74
Figura 61 - Reação Mx (kNm) nas fundações para vento a 90º - EDIFÍCIO 4. ............ 75
Figura 62 - Reação Mx (kNm) nas fundações para vento a 90º - EDIFÍCIO 5. ............ 75
Figura 63 - Reação Mx (kNm) nas fundações para vento a 90º - EDIFÍCIO 6. ............ 76
Figura 64 - Reação Mx (kNm) nas fundações para vento a 90º - EDIFÍCIO 7. ............ 76
Figura 65 - Reação Fz (kN) nas fundações para vento a 90º - EDIFÍCIO 1. ................. 77
Figura 66 - Reação Fz (kN) nas fundações para vento a 90º - EDIFÍCIO 2. ................. 77
Figura 67 - Reação Fz (kN) nas fundações para vento a 90º - EDIFÍCIO 3. ................. 78
Figura 68 - Reação Fz (kN) nas fundações para vento a 90º - EDIFÍCIO 4. ................. 78
Figura 69 - Reação Fz (kN) nas fundações para vento a 90º - EDIFÍCIO 5. ................. 79
Figura 70 - Reação Fz (kN) nas fundações para vento a 90º - EDIFÍCIO 6. ................. 79
Figura 71 - Reação Fz (kN) nas fundações para vento a 90º - EDIFÍCIO 7. ................. 80
LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 - Aumento em altura em relação ao antigo maior prédio do mundo .............. 13


LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Os cem prédios mais altos do mundo por localização................................... 20


Tabela 2 - Os cem prédios mais altos do mundo por função .......................................... 21
Tabela 3 - Descrição dos Pilares utilizados no estudo.................................................... 39
Tabela 4 - Descrição dos contraventamentos utilizados no estudo. ............................... 40
Tabela 5 - Redução Percentual da Sobrecarga. .............................................................. 59
Tabela 6 - Adaptação de valores das cargas de vento para o presente estudo. Verificar
Anexo A. ................................................................................................................................... 61
Tabela 7 - Dimensionamento dos Grupos com a Norma Americana ANSI/AISC 360-10
- LFRD...................................................................................................................................... 63
Tabela 8 - Descrição dos edifícios em análise. ............................................................... 65
Tabela 9 - Deslocamentos horizontais no topo do edifício e peso das diagonais de cada
edifício. ..................................................................................................................................... 65
Tabela 10 - Quantidade de conexões adicionais geradas pelas diagonais de cada
edifício. ..................................................................................................................................... 66
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 12

1.1 Justificativa .......................................................................................................... 13

1.2 Objetivo ................................................................................................................ 14

1.3 Metodologia ......................................................................................................... 15

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ............................................................................. 16

2.1 Edifícios Altos ...................................................................................................... 16

2.1.1 Resumo histórico ..................................................................................................... 16

2.1.2 Brasil no cenário internacional ................................................................................ 21

2.2 Análise da Estabilidade em Edifícios Altos de Aço ........................................... 23

2.2.1 Conceitos ................................................................................................................. 23

2.2.2 Fatores que contribuem para a instabilidade de pórticos ......................................... 25

2.2.3 Efeitos de Segunda Ordem ...................................................................................... 26

2.3 Contraventamentos ............................................................................................. 28

2.3.1 Conceituação ........................................................................................................... 28

2.3.2 Contraventamentos em edifícios altos ..................................................................... 31

2.3.3 Contraventamentos treliçados em edifícios altos de aço ......................................... 33

3 ESTUDO DE CASO................................................................................................... 37

3.1 Descrição das Estruturas ................................................................................... 37

3.1.1 Edifício 1: ................................................................................................................ 43

3.1.2 Edifício 2: ................................................................................................................ 44

3.1.3 Edifício 3: ................................................................................................................ 46

3.1.4 Edifício 4: ................................................................................................................ 48

3.1.5 Edifício 5: ................................................................................................................ 50

3.1.6 Edifício 6: ................................................................................................................ 52

3.1.7 Edifício 7: ................................................................................................................ 55

3.2 Considerações de cálculo ................................................................................... 57

3.3 Carregamentos adotados ................................................................................... 58


3.4 Combinações de carregamentos geradas ................................................................ 62

4 RESULTADOS ........................................................................................................... 64

4.1 Reações, My, para vento atuando a 0º, nas fundações dos edifícios..................... 66

4.2 Reações, Fz, para vento atuando a 0º, nas fundações dos edifícios. ..................... 70

4.3 Reações, Mx, para vento atuando a 90º, nas fundações dos edifícios. ................. 73

4.4 Reações, Fz, para vento atuando a 90º, nas fundações dos edifícios. ................... 77

5 CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS .................... 81

5.1 Conclusões das reações nas fundações. ................................................................... 82

5.2 Considerações finais e sugestões para trabalhos futuros. ..................................... 83

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................83
ANEXO A – CÁLCULOS PARA DEFINIÇÃO DAS CARGAS DE VENTO
ANEXO B – PERCENTUAL QUE REPRESENTA OS MOMENTOS GERADOS
NAS FUNDAÇÕES ENTRE OS EDIFÍCIOS ESTUDADOS COM O EDIFÍCIO
1.
12

1 INTRODUÇÃO

Desde os tempos da antiguidade era comum observar o esforço de cada império em


possuir as mais imponentes obras arquitetônicas, a fim de demonstrar o seu poderio. A
pirâmide Quéops no Egito, por exemplo, construída há mais de 4000 anos, que com sua
geometria favorável ultrapassa a marca de 140 metros de altura, foi e ainda é um ícone do
poderio daquela civilização. Portanto, é comum observarmos até os dias atuais uma enorme
corrida das grandes potências do mundo para obter um acervo cada vez maior de obras de
engenharia. Estas podem gerar não apenas uma melhor qualidade de vida para a população,
mas também podem se tornar um incentivo para atrair investimentos externos.

No Brasil, entretanto, é perceptível a falta de grandes obras de engenharia, quando


comparado a outros países que estão no mesmo patamar econômico que o nosso. Para se ter
uma ideia, a seguinte comparação é importante. De acordo com o conselho de prédios altos e
habitat urbanos, CTBUH, em se tratando de edifícios com mais de 150 metros de altura, o
Brasil ocupa a 19ª colocação no ranking mundial, contando com apenas 31 edificações,
ficando atrás de países como Panamá, Turquia, Índia, Malásia e Indonésia, esta última
contando com um acervo de 83 edifícios dentro dessa categoria. Apesar desse ranking não ser
um indicador fiel do desenvolvimento econômico de uma nação, é visível que a verticalização
dos centros financeiros das principais cidades do mundo não é uma mera coincidência. O
aumento da densidade populacional feito de uma forma inteligente no centro de uma
determinada cidade gera uma série de benefícios para seus habitantes, como menos tempo
gasta no transito e aumento da área não desmatada.

Dessa forma, faz-se necessário um estudo mais aprofundado sobre edifícios altos a fim
de que se crie uma cultura mais forte de verticalização dos centros urbanos das principais
cidades brasileiras. Sabendo que isso não é tarefa fácil, cabe a uma série de profissionais de
diferentes áreas de atuação colaborar com esse trabalho. É papel dos engenheiros estruturais
analisar, dentro das condições de legislação vigentes, e verificar qual o tipo de estrutura mais
apropriada ao se construir um prédio de 160 metros no centro de uma metrópole, por
exemplo. Contamos com um acervo considerável de artigos, monografias e dissertações nessa
área, quando voltamos o nosso foco a outros países, entretanto, no Brasil, o número de
estudos qualitativos ainda carece.
13

Gráfico 1 - Aumento em altura em relação ao antigo maior prédio do mundo

Fonte: http://www.ctbuh.org/AboutCTBUH/History/MeasuringTall/tabid/1320/language/en-
GB/Default.aspx
Acesso em: 1 de Junho de 2018

1.1 Justificativa

No Brasil, o sistema estrutural para edifícios multipavimentos mais comum é o de


pórtico com núcleos rígidos em concreto e paredes de cisalhamento. Esse sistema, entretanto,
é econômico e viável apenas para estruturas em concreto armado. Por isso, faz-se necessário
um amplo estudo para o cenário brasileiro em engenharia estrutural, utilizando o aço,
atendendo as normas aqui vigentes, principalmente a NBR8800/2008, para atender a nova
demanda de edifícios cada vez mais altos e esbeltos dos grandes centros urbanos compostos
de aço estrutural. O partido estrutural que utiliza um sistema de contraventamento com
diagonais em aço, seja no entorno do edifício ou também ao redor da caixa de elevadores, é
uma excelente alternativa para edifícios de grande altura, como nos relata PATEL, DARIJ e
PARIKH (2015). Esse sistema estrutural é conhecido internacionalmente como trussed tube-
in-tube, ou, traduzido ao português, tubo em tubo treliçado (ver figura 1); e foi o sistema
escolhido para o estudo de caso.
14

Figura 1 - Modelo Estrutural Analisado no Estudo de Caso.

Fonte: Autor.

1.2 Objetivo

1.2.1 Objetivo Geral

Comparar a eficiência entre seis tipos de arranjos estruturais diferentes para as


diagonais que formam o sistema de contraventamento de um edifício,
considerado alto para os parâmetros de Fortaleza-CE.

1.2.2 Objetivos Específicos

 Comparar o deslocamento horizontal no topo de cada edifício e o peso utilizado


para formar cada sistema de contraventamento.
 Verificar a influência dos efeitos de segunda ordem nos casos em análises, por
meio do processo P-delta.
 Verificar o comportamento das reações nas fundações dos edifícios analisados
devido a arranjos diferentes das diagonais.
 Analisar as consequências construtivas e arquitetônicas para os diferentes tipos
de sistemas de contraventamentos.
15

1.3 Metodologia

 Compor um referencial teórico através de uma revisão bibliográfica a respeito


do tema deste trabalho.

 Utilizar o software Autodesk Robot Structural Analysis Professional 2018 para


fazer a análise estática de sete edifícios comerciais genéricos de 160 metros de
altura e possuindo as mesmas características em planta, sob efeito das
combinações de Estado Limite de Serviço segundo a NBR8800/2008, para,
assim, encontrar o arranjo estrutural mais eficiente para o sistema de
contraventamento da estrutura em estudo.
16

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 Edifícios Altos

Inicialmente, é necessário entender que o termo “edifício alto” é relativo, pois a


grandeza de qualquer coisa mensurável, como no caso de edifícios, sempre depende com o
que se compara. Além disso, é de suma importância entender os períodos históricos e o
cenário socioeconômico de um determinado local para afirmarmos se tal estrutura pode ser
considerada alta ou não. Por exemplo, para a antiguidade, devido ao limitado
desenvolvimento tecnológico de materiais e técnicas construtivas, é fácil afirmarmos que
construções com quatro andares eram consideradas altas, o que não é verdade para os dias
atuais. De fato, segundo SMITH e COULL (1991), a altura de uma edificação é uma questão
da percepção das pessoas em uma determinada circunstância; portanto, uma definição
universal de um edifício alto não pode ser aplicada.
Dessa forma, um edifício alto hoje em uma metrópole brasileira pode não ser
considerado alto se este mesmo for visto em uma metrópole norte americana, por exemplo.

2.1.1 Resumo histórico

É de extrema importância entender o cenário cultural e politico das diferentes épocas da


história da humanidade para percebermos os motivos que levaram ao aparecimento de
edifícios altos, e as consequências que a construções destes tiveram, para entendermos a
importância do tema aqui tratado.
Querer construir algo significante é parte intrínseca da natureza do homem. Por isso,
desde o tempo da civilização egípcia e do império romano vemos grandes construções. Apesar
de viverem com uma limitação muito grande em vários aspectos, cada um desses povos
conseguiu deixar seus traços na história da engenharia estrutural.
De acordo com SMITH e COULL (1991), prédios de quatro andares feitos com
madeira, utilizando pilares e vergas eram comuns no antigo império romano. Segundo esses
autores, nos séculos subsequentes, os materiais mais comuns usados em construção foram a
madeira e a alvenaria de pedra.
Com o advento tecnológico e o surgimento da primeira revolução industrial, ocorrendo
primeiramente na Inglaterra na segunda metade do século XVIII, e depois em outros países,
17

houve uma profunda alteração nos hábitos da sociedade de maneira geral. A sociedade, que
era em sua grande maioria rural, passou a se concentrar cada vez mais nos centros urbanos. A
demanda por espaço aumentou, e, consequentemente, as barreiras que limitavam o
aparecimento de um edifício alto, necessitavam ser quebradas. Primeiramente com a invenção
do elevador por Elis Graves Otis em 1853, e depois, com o desenvolvimento da indústria
siderúrgica, os detentores do poder daquela época viram-se cada vez mais capazes de
construírem edifícios mais altos.
Em 1883 na cidade de Chicago-EUA, surge então o primeiro prédio totalmente
suportado por estruturas metálicas. Seu nome era Home Insurance Building, e com seus 10
andares, possuindo grandes espaços livres internamente, movia aquela sociedade a acreditar
que estruturas daquele tipo seriam de grande relevância para o futuro. E eles estavam certos. A
demanda, principalmente dos grandes empresários da época, por espaços nesses edifícios
comerciais aumentava consideravelmente, pois as grandes empresas entendiam que era uma
enorme propaganda estarem com os seus nomes ligados a esses edifícios icônicos.
(TARANATH, 1988).

Figura 2 – O crescimento em altura dos arranha-céus americanos

Fonte: SMITH e COULL (1991)


18

Figura 3 – Construção do Home Insurance Building em Chicago

Fonte: http://www.worldofbuildings.com/bldg_profile.php?bldg_id=6844
Acesso em: 24 de Maio de 2018

Nove anos depois da construção do Home Insurance Building em Chicago, aquela


cidade ganhou um arranha-céu, chamado de o templo Maçônico, que tinha praticamente o
dobro de andares do antecessor e possuía um grande diferencial em relação ao sistema
estrutural dos demais: pórticos contraventados em aço, dando maior estabilidade à edificação.
(SMITH e COULL, 1991).

Figura 4 – O Templo Maçônico em Chicago

Fonte: https://chicagology.com/goldenage/goldenage026/
Acesso em: 24 de Maio de 2018
19

De acordo com Gonçalves (2000),

Nas primeiras décadas do século 20, os Estados Unidos emergiram como


potencia econômica mundial. A entrada de grandes quantidades de capital no
pais permitia que a arquitetura e a engenharia pudessem testar os limites da
tecnologia do edifício alto. Os edifícios dessa época ainda figuram no cenário
internacional como algumas das torres mais contempladas da humanidade,
como o Empire State Building, inaugurado em 1932, com mais de 300 metros
de altura e capacidade para 25 mil ocupantes. Essa torre, em particular, tornou-
se um símbolo duradouro de uma cultura e de um povo.

Figura 5 - Empire State Building em Nova York

Fonte: https://www.pinterest.co.uk/pin/277041814548363031/
Acesso em: 24 de Maio de 2018

A partir da década de 70, com a ascensão tecnológica e econômica dos tigres asiáticos, o
mundo ia conhecendo novas nações que contribuíram significativamente no desenvolvimento
da engenharia estrutural para edifícios altos. Conforme pode ser observado na tabela 1,
verificamos que hoje a Ásia representa o continente com maior número de arranha-céus na
lista dos 100 maiores do mundo. É importante ressaltar a importância nessa área da
engenharia estrutural os seguintes países desse continente: China, Emirados Árabes Unidos,
Japão e Coréia Do Sul.
Atualmente, de acordo com o CTBUH, temos construídos três prédios maiores que
600 metros de altura; e o edifício que tem marcado essa nova geração de estruturas mega altas
é o Burj Khalifa, com 828 metros de altura, localizado em Dubai, Emirados Árabes Unidos.
20

Figura 6 - Burj Khalifa e outros arranha-céus em Dubai, EAU

Fonte: https://www.forbesmiddleeast.com/en/dubai-real-estate-predictions-2017/
Acesso em: 24 de Maio de 2018

Tabela 1 - Os cem prédios mais altos do mundo por localização

Fonte: Council on Tall Buildings and Urban Habitat (CTBUH). Publicação: The Global Tall Building
Picture: Impact of 2017.

A concepção de um projeto estrutural de um arranha céu é estreitamente ligada com o


tipo de função que este possui. É importantíssimo ressaltar que, a nível mundial, o tipo de uso
deles tem tido uma mudança significativa nos últimos 20 anos. De acordo com o Conselho de
Prédios Altos e Habitats Urbanos, 83 dos 100 edifícios mais altos do mundo eram comerciais
na virada do século. Apenas 17 anos depois, esse número cai para 38. Essa queda é justificada
21

pelo aumento no número de edifícios que utilizam várias funções em uma única construção,
como é o caso do Burj Khalifa. Essa, claramente, é a tendência mundial para os próximos
anos, pois escritórios, residências e escolas em uma mesma edificação, por exemplo, pode
significar um grande alivio para o transito das grandes cidades.

Tabela 2 - Os cem prédios mais altos do mundo por função

Fonte: Council on Tall Buildings and Urban Habitat (CTBUH). Publicação: The Global Tall Building
Picture: Impact of 2017.

2.1.2 Brasil no cenário internacional

Primeiramente, é importante analisarmos alguns aspectos históricos, econômicos e


sociais para entendermos a atual situação do Brasil no que diz respeito a edifícios altos.
Sabe-se que o carvão mineral, mais especificamente a hulha, foi o principal combustível
usado pela indústria no século XIX, na revolução industrial. O Brasil, todavia, não conseguiu
entrar na lista de países industrializados nessa época, e permaneceu como uma nação agrícola.
Existem dois principais fatores para isso ter acontecido: por sofrer uma politica exploratória
portuguesa e por não possuir hulha de boa qualidade. (FRANCA, 2003).
Franca (2003, p.3) lembra que “Só em 1943 com a instalação da usina siderúrgica de
volta redonda, que trabalhava com 70% de carvão mineral importado e 30% nacional, é que
22

finalmente o país ingressa na civilização do aço.”.


Nesse período, porém, o Brasil já possuía alguns arranha céus de destaque, pois, com a
urbanização na cidade de São Paulo ocorrendo no inicio do século XX, a demanda da
sociedade por espaço era enorme. Os edifícios ‘A Noite’ e ‘Martinelli’, concluídos ambos no
final da década de 20 daquele século, por exemplo, chegaram a ultrapassar a marca dos 100
metros, e eram feitos em concreto armado.
Com esse atraso na produção de aço no mercado interno somado a mão de obra barata e
não qualificada da época, o Brasil foi desenvolvendo no século passado uma forte cultura de
concreto armado nas edificações de grande porte. Com o passar do tempo, o aço começou a
ganhar espaço no território nacional, devido a esse sistema construtivo já ser consolidado no
exterior e por possuir grandes vantagens quando comparado ao concreto para construção de
alguns tipos de edificação. Tempo de execução, sustentabilidade e capacidade de vencer
grandes vãos são pontos fortes para o maior aparecimento do aço em nosso país.
Atualmente, de acordo com o CTBUH, dentre os 10 maiores edifícios construídos em
nosso pais, apenas 1 deles, o ‘Concordia Corporate’ (figura 6) em Nova Lima, MG, possui sua
estrutura mista, com a utilização de aço e concreto agindo de maneira combinada. Em todos
os outros 9, utiliza-se apenas o concreto armado como material estrutural.
Além dessa informação, vale ressaltar que, atualmente, não temos nenhum edifício em
nosso território com mais de 180 metros de altura. Entretanto, verificamos que grandes
corporações, juntamente com arquitetos e engenheiros renomados, vêm propondo cada vez
mais novos arranha céus para o Brasil. A cidade brasileira que merece ser mencionada no
presente trabalho devido ao amplo acervo em edificios altos modernos é a de Balneário
Camburiú, em Santa Catarina.
23

Figura 7 - Concordia Corporate em Nova Lima

Fonte: http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=1584324&page=6&langid=5
Acesso em: 2 de Junho de 2018

2.2 Análise da Estabilidade em Edifícios Altos de Aço

2.2.1 Conceitos

Com o aumento no número de pavimentos dos edifícios, os engenheiros estruturais têm


começado a estudar e a se aprofundar em fatores que, antigamente, eram raramente levados
em consideração.
Segundo MACHADO (2012), tradicionalmente, é considerada uma estrutura idealizada,
quando estamos na etapa de análise estrutural do projeto, ou seja, fazemos uma análise
elástica linear e sem imperfeições iniciais. Apesar dessa situação de modelagem e avaliação
estrutural ser confortável para o projetista, ela não apresenta a realidade.
Dessa forma, ao final da análise é necessário levar em conta todos os aspectos que,
porventura, podem aparecer durante o processo de construção do edifício, para evitar que a
estrutura perca sua estabilidade.
Um projeto estrutural de qualquer edifício deve garantir que ele nunca atinja o estado
limite último de instabilidade, isto é, a perda da capacidade resistente da estrutura causada
pelo aumento das deformações. Independente do número de pavimentos, pilares e dimensões,
qualquer edifício deve ter verificado se o seu sistema de travamento, sistema que contém as
24

cargas horizontais da edificação, está devidamente adequado e dimensionado. (Fernando


Wordell, 2003).
De acordo com a NBR8800/2008, a análise estrutural de um edifício pode ser
classificada em dois tipos, segundo a consideração do material e segundo aos efeitos de
deslocamento da estrutura.
Quanto à natureza dos materiais, podemos considerá-los: elásticos (análise global
elástica) ou plásticos (análise global plástica). No presente trabalho focaremos nossa atenção
na analise global elástica, pois essa é a mais comum de se trabalhar. Quando analisamos uma
estrutura e diminuímos a rigidez das barras, por exemplo, estamos já considerando,
indiretamente, a não linearidade desse material.
Já em relação aos deslocamentos, os esforços internos da estrutura podem ser de
primeira ordem (com base na geometria não deformada da estrutura) ou de segunda ordem
(com base na geometria deformada). Somente quando estes deslocamentos afetarem de forma
significativa os esforços internos da estrutura consideraremos a análise de segunda ordem em
nossos cálculos.
De acordo com a figura 8, é fácil notar que o deslocamento que nossa estrutura vai
sofrer devido aos carregamentos dependerá do tipo de analise que procedermos.

Figura 8 - Diferentes tipos de análises e suas implicações

Fonte: ZIEMIAN, 2010.

A NBR 8800/2008 faz uma classificação importantíssima para o tema aqui discutido.
Ela classifica as estruturas quanto a sua deslocabilidade por meio de análises de primeira e de
segunda ordem utilizando combinações últimas.
25

Quando a razão do deslocamento relativo do andar em consideração em relação à base


da edificação obtido na analise de primeira ordem e o mesmo deslocamento obtido por analise
de segunda ordem, for menor que 1,1 a estrutura é dita de pequena deslocabilidade. Quando
essa razão estiver entre 1,1 e 1,4 a estrutura é classificada como de média deslocabilidade.
Para valores maiores que 1,4 trata-se de uma estrutura de grande deslocabilidade.
Para cada uma dessas categorias tratadas acima, a NBR 8800/2008 em seu item 4.9,
descreve quais parâmetros devem ser adotados para rigidez das barras, consideração ou não
das imperfeições dos elementos etc.

2.2.2 Fatores que contribuem para a instabilidade de pórticos

Para a análise da estabilidade de uma edificação aporticada, segundo Galambos (1998),


os fatores que devem ser destacados em projeto, que apresentam grande influência, são:
- Efeito P-∆: Força axial associada à rotação da corda (Figura 9);
- Efeito P-δ: Força axial associada ao deslocamento do eixo da barra em relação à corda
(Figura 9);
- Imperfeições geométricas locais e globais;
- Tensões residuais;
- Plastificação ao longo dos elementos;
- Condição de vínculo dos elementos;
- Sistema estrutural englobando ligações e contraventamentos;

De acordo com MACHADO(2012):

Quanto às imperfeições geométricas iniciais, caracterizam-se: pelo


desalinhamento do elemento (local), decorrente do processo de fabricação,
armazenagem e transporte; e pelo desalinhamento da estrutura (global), resultante
do processo de montagem. (Figura 09)

Aplicar essas imperfeições geométricas iniciais, globais ou locais ((b) e (a)


respectivamente na figura 09), no modelo não é tarefa prática e usual. O que a NBR8800/2008
recomenda é representar as imperfeições globais por meio da utilização de um método de
análise chamado Método da Análise Direta, que ‘compensa’ essa imperfeição, por meio da
aplicação de uma força horizontal fictícia aplicadas aos níveis dos pavimentos (chamada de
força nocional).
26

Nas estruturas cujo efeito P- δ é de controle rigoroso, ou seja, estruturas que possuem
alto grau de deslocabilidade lateral, as imperfeições geométricas possuem uma contribuição
significativa na perda de capacidade de carregamento da estrutura. (MATOS, 2014).

Figura 9 - Imperfeições Geométricas iniciais.

Fonte: DÓRIA, 2007.

Os efeitos P-∆ e P-δ podem ser mensurados empregando-se uma análise estrutural de
segunda ordem ou por meio de expressões aproximadas de amplificação dos esforços
internos. (DÓRIA, 2007).

2.2.3 Efeitos de Segunda Ordem

Os efeitos que os carregamentos horizontais geram, sendo as cargas de vento a principal


delas no Brasil, quando associados às cargas gravitacionais, é um dos desafios para o
dimensionamento de edifícios com grande altura.
Quando estamos fazendo a análise de um edifício em primeira ordem, consideramos os
efeitos causados pelo carregamento horizontal e vertical separadamente, sendo, depois,
justapostos. Ou seja, não há interação entre eles. Isto ocorre porque o equilíbrio é calculado
sobre a geometria indeformada da estrutura. Entretanto, isso não é o que ocorre na prática.
Sempre existe interação entre esses efeitos, horizontal e vertical. Dessa forma, devemos levar
em consideração os efeitos de segunda ordem para determinadas estruturas, a fim de que não
tenhamos um colapso da edificação por causa dessa interação de solicitações.
A análise de segunda ordem pode ter como base teorias geometricamente exatas,
teorias aproximadas ou adaptações a resultados da teoria de primeira ordem.
27

(NBR8800/2008).
Quando aparecerem grandes deslocamentos na estrutura da edificação devido aos
carregamentos verticais somados aos horizontais, é necessário fazer uma análise de segunda
ordem ainda mais rigorosa, a fim de que problemas relacionados a instabilidade não apareçam
na edificação.
Segundo MACHADO (2010):

A ABNT NBR 8800:2008, assim como ANSI/AISC 360-10, adota o método da


amplificação dos esforços como uma aproximação aceitável para uma análise de
segunda ordem. Esse método consiste na amplificação dos esforços internos
obtidos por meio de análises de primeira ordem.

O efeito P-∆ é também conhecido como efeito global de segunda ordem. Por meio desse
efeito um prédio pode perder sua estabilidade devido à excentricidade de suas paredes e
colunas em relação ao seu eixo; ou mesmo devido a uma baixa rigidez de seus elementos para
resistir ao esforço cortante, normal e de momento causados pelas forças atuantes na
edificação.

Figura 10- Efeito P-Delta em Pórticos

Fonte: MACHADO, 2010.

Segundo Carneiro e Martins (2008), a magnitude do efeito de P-Delta é relacionada


com:

• A magnitude de P (carga de axial);


• A rigidez, flexibilidade e deformabilidade da estrutura como um todo e de cada um de
seus elementos estruturais.
28

Além desse efeito P-∆ que gera uma translação no edifício, existe um outro caso em que
pode acontecer esse efeito de maneira diferente, aponta SMITH e COULL (1991), é quando
este gera uma torção no edifício devido a excentricidade das paredes em relação ao centro de
rotação do edifício. A ideia do efeito é a mesma, só que ao invés de verificarmos um
deslocamento lateral, verificaremos uma torção no edifício. Quanto mais afastados do centro
de rotação estão locadas as vigas, pilares e diagonais de um edifício melhor será para resistir a
esse torque adicional gerado por esse outro tipo de P-∆.

2.3 Contraventamentos

2.3.1 Conceituação

Sabe-se que na analise e no dimensionamento de um prédio, deve-se alcançar o


equilíbrio estático e dinâmico de sua estrutura. Muitas vezes, é inviável aumentar a rigidez
dos pilares, vigas, lajes e ligações de uma estrutura a fim de que ela possa resistir a todos os
carregamentos atuantes na estrutura, pois uma seção de pilar muito robusta ou uma viga com
uma altura muito grande pode tornar inviável a execução do empreendimento.
Dessa forma, a fim de aumentar a rigidez das estruturas foi criado um elemento auxiliar
que é o tema central deste trabalho: os contraventamentos.
Ao sistema de proteção contra as ações de ventos nas edificações dá-se o nome de
contraventamentos. Ou seja, para alguns casos, os contraventamentos serão os elementos
tradicionais de uma edificação: vigas, lajes e pilares; já em outros serão uma estrutura
auxiliar.
A análise do sistema que resiste aos carregamentos horizontais de uma edificação não é
tarefa simples, pois vários fatores estão envolvidos. A Norma 8800/2008 destaca para este
assunto uma classificação muito importante.
Segundo ela, existem dentro das edificações subestruturas que possuem uma elevada
rigidez a ponto de resistir aos carregamentos horizontais, chamadas de subestruturas de
contraventamento. Elas podem ser pórticos em forma de treliça, paredes de cisalhamento e
pórticos com ligações rígidas.
A outra categoria de elementos dentro de uma edificação que a norma descreve são os
elementos contraventados, possuindo a função de transmitir os esforços provenientes do
vento para essas outras estruturas de maior rigidez. Por fim, existem os elementos isolados,
29

que são aqueles que compõem a estrutura de um prédio, porém não dependem da subestrutura
de contraventamento para a sua estabilidade.

Segundo CARNEIRO e MARTINS (2011), existem dois motivos fundamentais para


usarmos contraventamentos em nossas estruturas:
1 – Para limitar os deslocamentos das estruturas, a fim de restringir o aparecimento dos
efeitos de segunda ordem e para verificação do Estado Limite de Serviço.
2 – Para absorver forças de sismo ou de vento nos casos em que a estrutura principal
não está capacitada para suportar sozinha; e outras forças secundárias de natureza indireta,
como o travamento de peças comprimidas.
Para sistemas estruturais em concreto armado de até 30 pavimentos, geralmente, as
vigas, pilares e lajes conseguem resistir a ações do vento sozinhas sem a necessidade de se
criar uma estrutura auxiliar, pois as ligações rígidas entre esses elementos e a rigidez dos
próprios elementos já conferem rigidez suficiente para resistir a ações do vento. Nesses casos,
a rigidez lateral do sistema estrutural vai depender da rigidez das colunas e vigas que a
constituem, pois estas vão ser responsáveis por resistir à flexão, como mostrado na figura 10.
Acima desses 30 andares, sistemas em pórticos planos, tornam-se inviáveis economicamente,
devido ao considerado aumento nas seções que deve ser feito para satisfazer as condições de
rigidez. A grande vantagem desse sistema é não causar qualquer interferência com janelas,
portas ou com livre circulação no ambiente. (TARANATH, 1988).
30

Figura 11 – (a) Resposta de um pórtico com ligações rígidas a carregamentos horizontais. (b)
Flexão de vigas e colunas devido a ligação rígida.

Fonte: TARANATH (1988)

Todavia, para estruturas metálicas, foco deste trabalho, devido a menor rigidez de seus
elementos e de suas ligações, é necessário introduzirmos uma estrutura auxiliar chamada de
contraventamento, trabalhando a tração ou compressão, a fim de que os pórticos passem de
deslocáveis para indeslocáveis, conforme a figura 11, aumentando assim a estabilidade e
rigidez da estrutura como um todo.

Figura 12 - Variação no deslocamento lateral com a introdução de contraventamento em X

Fonte: Carneiro e Martins (2008)


31

2.3.2 Contraventamentos em edifícios altos

À medida que aumentamos a altura de uma edificação, maior será a influencia do vento
que esta irá sofrer. Dessa forma, é necessário escolher o sistema estrutural correto para resistir
a esses carregamentos de vento, a fim de que a estrutura possa ser viável.
A figura 13 mostra-nos esquematicamente diversos sistemas de contraventamentos em
edifícios em função da altura. É interessante percebermos que em edifícios com mais de 60
andares as soluções estruturais começam a ficar mais arrojadas, fazendo-se necessário que a
estrutura periférica da edificação participe em conjunto com o núcleo central para resistir a
esses esforços de vento.
Carneiro e Martins (2008) destacam que a “tendência em edifícios extremamente altos é
assemelhar a estrutura (e a própria construção) o mais possível a um tubo verdadeiro, sendo
hoje a aproximação arquitetônica a um tubo circular uma realidade”. Isso se dá devido à
característica geométrica de um tubo favorecer a resistência à flexão, e, principalmente, à
torção causada pelos carregamentos horizontais.
Como podemos ver na figura 13, existem casos em que o sistema estrutural resistente a
forças horizontais escolhido será híbrido, contendo núcleo de alta rigidez em seu interior, seja
ele de concreto ou feito com pórticos treliçados em aço de alta rigidez, associados a uma
estrutura periférica também formadas por diagonais.
32

Figura 13 - Sistemas Estruturais em Função da Altura da Edificação

Fonte: Carneiro e Martins, 2008.

Na figura 14 observamos a importância que os contraventamentos possuem à medida


em que aumentamos o numero de andares em uma edificação. Nota-se que o sistema de piso,
vigas e lajes, juntamente com as colunas, não sofrem alterações significativas no peso com o
33

ganho de pavimentos. Entretanto, o peso do sistema responsável por resistir aos


carregamentos de vento, contraventamentos, aumenta de forma significativa com o ganho de
altura.

Figura 14 - Peso de aço em função do número de pavimentos em um edifício, unidade no


Sistema Imperial.

Fonte: SMITH e COULL, 1991.

2.3.3 Contraventamentos treliçados em edifícios altos de aço

Os contraventamentos treliçados de um edifício funcionam basicamente como uma


treliça vertical, onde as vigas e as diagonais fazem o papel da alma e as colunas funcionam
como mesas. Isso traz uma consequência muito positiva, pois os membros da estrutura
passam a resistir basicamente apenas a esforços axiais.
Um sistema estrutural contraventado treliçado tem o esforço cortante do edifício
absorvido pelas diagonais e não pelas vigas, como era o caso das estruturas de nós fixos, isso
alivia a flexão nas vigas fazendo-as mais viáveis para a execução no que diz respeito ao
tamanho de suas seções.
Um fator negativo quando adicionamos essas diagonais, seja ela no interior do edifício
ou no exterior, é a interferência arquitetônica que essas diagonais causam, podendo ser uma
dor de cabeça para a alocação dentro de uma edificação residencial, por exemplo. Já em
34

edificações comerciais, é mais comum verificarmos esse tipo de estrutura, pois os arquitetos
possuem uma liberdade maior para coloca-las nas fachadas desses edifícios, como mostra a
figura 15, 16 e 17.

Figura 15- Contraventamento Treliçado Externo

Fonte: IBS/CBCA, 2014

Figura 16 - Montagem das diagonais de contraventamento no John Hancock Center em Chicago

Fonte: https://www.som.com/projects/875_north_michigan_avenue__structural_engineering
35

Acesso em: 1 de Junho de 2018


Figura 17 - John Hancock Center em Chicago

Fonte: http://photobucket.com/gallery/user/skyscraperrot/media/bWVkaWFJZDo2MjM2MDQzMg==/?ref=
Acesso em: 1 de Junho de 2018

Os tipos de contraventamentos mais eficientes, segundo SMITH e COULL, 1991, são


os mais obstrutivos. Ou seja, aqueles que formam triângulos totais com a estrutura. Dessa
forma, a colocação destes se dá em locais em que a passagem de pessoas não é necessária,
como nas caixas de elevadores, escadas e serviços. (Figura 16).
Aqueles que formam triângulos parciais com as estruturas (Figura 17) já não possuem a
mesma eficiência estrutural, pois exigem um maior grau de flexão nas vigas, apesar de terem
um grande beneficio arquitetônico: vãos mais livres no interior do pórtico.

Figura 18 - Tipos de Contraventamento de Triangulos Totais

Fonte: Franca , 2003.


36

Figura 19 - Tipos de Contraventamentos de Triangulos Parciais

Fonte: Franca, 2003.


37

3 Estudo de Caso

3.1 Descrição das Estruturas:

Os edifícios em estudo foram criados pelo autor do presente trabalho e visa obedecer de
maneira mais real possível, salvo as devidas simplificações necessárias, as estruturas
modeladas em escritórios de cálculo estruturais. O edifício foi desenvolvido com o propósito
de assemelhar-se a um edifício de forma retangular comercial possuindo as seguintes
características:

 Número de Pavimentos: 40.


 Eixo a eixo de vigas: 4.0m.
 Altura Total: 160m.
 Área por pavimento = 1020m².

Sabe-se que os elementos estruturais responsáveis pela resistência ao carregamento


vertical, peso próprio e sobrecargas, atuante em uma edificação comum são os seguintes:
lajes, vigas e pilares. Sabendo disso, e a fim de analisar o melhor sistema estrutural resistente
aos carregamentos laterais em um edifício genérico, foram modelados sete edifícios com
sistemas de contraventamentos diferentes, mas possuindo todos um esqueleto em comum, ou
seja, os pilares, vigas e lajes são iguais para todos.
38

Figura 20 - Planta Baixa do Pavimento Tipo, comum a todos os edifícios do estudo.

Fonte: Autor.

Como indicado por Willis (2016), engenheiros estruturais geralmente consideram


arranha-céus esbeltos quando sua esbeltez (lado menor em planta: altura) está em torno de
1:10 e 1:12, apesar de identificarmos, em diversos edifícios ao redor do mundo, esbeltez
muito maiores do que esta. Portanto, podemos dizer que a edificação em análise não pode ser
considerada esbelta, já que possui uma esbeltez aproximada de 1:6.
As lajes dos modelos foram consideradas de concreto armado maciça de 12cm de
espessura. Estas não foram dimensionadas, somente estimadas, pois o comportamento
estrutural destas para o estudo não possui consideração. Elas, entretanto, foram consideradas,
para efeito de cálculo, atuando como diafragmas rígidos, ou seja, transferindo todos os
esforços horizontais para pilares e contraventamentos.
O dimensionamento dos pilares e das vigas está explicado no item 3.4 deste capítulo.
Vale mencionar aqui que o comprimento destravado considerado para as análises feitas no
presente estudo não correspondem fielmente aos considerados geralmente pelos calculistas
para esse tipo de estrutura. Para efeitos de simplificação nos cálculos (e sabendo que estamos
a favor da segurança) esta consideração não foi realizada. Normalmente considera-se o
39

comprimento destravado dos perfis muito menor do adotado neste trabalho, devido ao
travamento que as vigas periféricas fazem nas diagonais.
Nas tabela 3 e 4 podemos observar os perfis utilizados nos modelos, reunidas em grupos
para facilitar o dimensionamento. Observa-se ainda que os pilares foram dimensionados para
cada 10 andares do edifício estudado, a fim de se obter uma maior proximidade com a
realidade executada pelos calculistas. A numeração de cada pilar encontra-se na figura 20.

Tabela 3 - Descrição dos Pilares utilizados no estudo.

Fonte: Autor.
40

Tabela 4 - Descrição dos contraventamentos utilizados no estudo.

Fonte: Autor.

De acordo com os estudos realizados por Far (2018), não foi observado uma diferença
significativa no deslocamento lateral da edificação quando esta possuía um sistema estrutural
com paredes de cisalhamento e de pórtico tubular. Mas, foi visto um resultado melhor quando
o sistema estrutural adotado foi de treliça tubular. Diante disso, faz-se necessário um estudo
mais minuncioso sobre este sistema para descobrirmos qual o arranjo que confere as melhores
características estruturais e estéticas ao sistema.
Sabe-se, de acordo com PATEL, DARIJ e PARIKH (2015), que a posição mais
satisfatória de uma diagonal em um pórtico, para edifícios com essa altura, para resistir aos
carregamentos horizontais é quando esta forma um ângulo de 45º com as vigas e pilares.
Devido a isso, todas as simulações foram feitas fixando este ângulo, já que, se fosse realizada
de outra maneira, haveria uma vantagem nas diagonais que formariam um ângulo de 45º.
41

Figura 21 - Exemplo de Pórtico utilizado nos edifícios do estudo.

Fonte: Autor.

As propriedades do aço utilizado nas analises encontra-se na figura 22. Essas


características são as mesmas encontradas no aço A572/GR50, que se referem a aços
estruturais de alta resistência e baixa liga.
42

Figura 22 - Características do aço utilizado nas análises.

Fonte: Autor (Retirado do Robot).


43

3.1.1 Edifício 1:

Figura 23 - Vista Isométrica do edifício 1.

Fonte: Autor (Retirado do Robot).

O edifício 1 foi modelado sem a presença de diagonais, conforme a figura 23. Desse
modo, a resistência lateral desta edificação fica sob a responsabilidade exclusiva das ligações
rígidas viga-pilar, que transferem momento.
44

3.1.2 Edifício 2:

Figura 24 – À esquerda: Vista isométrica do edifício 2.


À direita: Vista isométrica com destaque dado ao sistema de contraventamento.

Fonte: Autor (Retirado do Robot).

O edifício 2 foi modelado contendo diagonais em ‘X’ nas faces de menor dimensão da
caixa de elevador e escada, conforme a figura 24. Para essas diagonais foram usados os perfis
W 14 x 99, conforme consta na tabela 4. Na figura 25 observamos a maneira como essas
diagonais foram dispostas ao longo da edificação, possuindo ligações em cada andar da
edificação. Dessa forma, o comprimento destravado de cada diagonal desse edifício é a
hipotenusa do triângulo reto 4m x 4m, igual a 5.66m. A resistência lateral desta edificação fica
sob a responsabilidade das ligações rígidas viga-pilar, que transferem momento, e das
diagonais no interior do edifício. Na figura 26 encontramos um edifício que possui esse
sistema de contraventamento em sua estrutura.
45

Figura 25 - Corte no interior do edifício 2.

Fonte: Autor (Retirado do Robot).

Figura 26 - Pequeno núcleo de aço com diagonais em 'X'.

Fonte: https://www.steelconstruction.info/Concept_design
Acesso em: 29 de Novembro de 2018
46

3.1.3 Edifício 3:

Figura 27 - À esquerda: Vista isométrica do edifício 3.


À direita: Vista isométrica com destaque dado ao sistema de contraventamento.

Fonte: Autor (Retirado do Robot).

O edifício 3 foi modelado contendo diagonais simples nas faces de menor dimensão da
caixa de elevador e escada, conforme a figura 27. Para essas diagonais foram usados os perfis
W 14 x 193, conforme consta na tabela 4. Na figura 28 observamos a maneira como essas
diagonais foram dispostas ao longo da edificação, possuindo ligações em cada andar da
edificação. Dessa forma, o comprimento destravado de cada diagonal desse edifício é o
mesmo do edifício 2, 5.66m. Vale ressaltar que, para esse modelo, foi usado a metade de
diagonais do edifício 2. A resistência lateral desta edificação fica sob a responsabilidade das
ligações rígidas viga-pilar, que transferem momento, e das diagonais simples no interior do
edifício.
47

Figura 28 - Corte no interior do edifício 3.

Fonte: Autor (Retirado do Robot).


48

3.1.4 Edifício 4:

Figura 29 - À esquerda: Vista isométrica do edifício 4.


À direita: Vista isométrica com destaque dado ao sistema de contraventamento.

Fonte: Autor (Retirado do Robot).

O edifício 4 foi modelado contendo diagonais em ‘X’ nas faces de menor dimensão da
fachada da edificação, conforme a figura 29. Para essas diagonais foram usados os perfis W
14 x 99, conforme consta na tabela 4. Na figura 30 observamos a maneira como essas
diagonais foram dispostas ao longo da edificação, possuindo ligações a cada 3 andares. Dessa
forma, o comprimento destravado de cada diagonal desse edifício é igual à hipotenusa do
triângulo reto 12m x 12m, igual a 16.97m. A resistência lateral desta edificação fica sob a
responsabilidade das ligações rígidas viga-pilar, que transferem momento, e das diagonais no
exterior do edifício. Na figura 31 encontramos um edifício muito famoso em Chicago, que usa
esse tipo de bracing.
49

Figura 30 - Fachada do edifício 4.

Fonte: Autor (Retirado do Robot).

Figura 31 – John Hancock Building em Chicago.

Fonte: https://www.dailyherald.com/article/20180213/business/302139930
Acesso em: 29 de Novembro de 2018
50

3.1.5 Edifício 5:

Figura 32 - À esquerda: Vista isométrica do edifício 5.


À direita: Vista isométrica com destaque dado ao sistema de contraventamento.

Fonte: Autor (Retirado do Robot).

O edifício 5 foi modelado contendo diagonais simples nas faces de menor dimensão da
fachada da edificação, conforme a figura 32. Para essas diagonais foram usados os perfis W
14 x 193, conforme consta na tabela 4. Na figura 33 observamos a maneira como essas
diagonais foram dispostas ao longo da edificação, possuindo ligações somente a cada seis
andares. Dessa forma, o comprimento destravado de cada diagonal desse edifício é o dobro do
edifício 4, 33,94 m. Decidiu-se aumentar esse comprimento a fim de, alguma forma, mensurar
a importância que o travamento dessas diagonais geram no sistema de contraventamento. Vale
ressaltar, ainda, que, para esse modelo, foi usado a metade de diagonais do edifício 4. A
resistência lateral desta edificação fica sob a responsabilidade das ligações rígidas viga-pilar,
que transferem momento, e das diagonais no exterior do edifício. Outro detalhe que vale
considerar para este modelo é a redução das diagonais no topo do edifício, devido à
incompatibilidade geométrica, conforme a figura 30. Na figura 34 encontramos um edifício
que possui esse tipo de diagonais na sua fachada.
51

Figura 33 - Fachada do edifício 5.

Fonte: Autor (Retirado do Robot).

Figura 34 - Edifício em Nova York com diagonais simples

Fonte: http://www.780third.com/
Acesso em: 1 de Junho de 2018
52

3.1.6 Edifício 6:

Figura 35 - À esquerda: Vista isométrica do edifício 6.


À direita: Vista isométrica com destaque dado ao sistema de contraventamento.

Fonte: Autor (Retirado do Robot).

Para o edifício 6, decidiu-se juntar o sistema de contraventamento dos edifícios 4 e 2, a


fim de ver qual o resultado que essa união geraria na estrutura. Nas figuras 36 e 37
observamos a maneira como essas diagonais foram dispostas ao longo da edificação,
exatamente iguais aos edifícios 4 e 2. A resistência lateral desta edificação fica sob a
responsabilidade das ligações rígidas viga-pilar, que transferem momento, e das diagonais no
exterior e no interior do edifício.
53

Figura 36 - Corte no interior do edifício 6.

Fonte: Autor (Retirado do Robot).


54

Figura 37 - Fachada do edifício 6.

Fonte: Autor (Retirado do Robot).


55

3.1.7 Edifício 7:

Figura 38 - À esquerda: Vista isométrica do edifício 7.


À direita: Vista isométrica com destaque dado ao sistema de contraventamento.

Fonte: Autor (Retirado do Robot).

Para o edifício 7, decidiu-se juntar o sistema de contraventamento dos edifícios 5 e 3, a


fim de ver qual o resultado que essa união geraria na estrutura. Nas figuras 39 e 40
observamos a maneira como essas diagonais foram dispostas ao longo da edificação,
exatamente iguais aos edifícios 5 e 3. A resistência lateral desta edificação fica sob a
responsabilidade das ligações rígidas viga-pilar, que transferem momento, e das diagonais no
exterior e no interior do edifício. Vale ressaltar que, para esse modelo, foi usado a metade de
diagonais do edifício 6.
56

Figura 39 - Corte no interior do edifício 7.

Fonte: Autor (Retirado do Robot).


57

Figura 40 - Fachada do edifício 7.

Fonte: Autor (Retirado do Robot).

3.2 Considerações de cálculo:

Seguem algumas considerações importantes concernentes às configurações de análise e


verificação do Robot:

 P-Delta não foi levado em consideração no dimensionamento, apenas na análise.


 Lajes dimensionadas como diafragmas rígidos e a distribuição dos
carregamentos nela incididos foi considerado em duas direções, X e Y.
 Todos os pilares considerados engastados na base (fundação).
 A distribuição dos carregamentos horizontais na fachada do edifício foi adotada
como sendo dividida nas duas direções do plano das fachadas, X e Y.
 As barras diagonais foram todas consideradas resistindo somente aos esforços
axiais, ou seja, o momento fletor e o cortante foram desprezados na análise, já
que esse modelo pode ser considerado uma treliça vertical.
58

 Os Coeficientes de flambagem das colunas foram automaticamente


determinados pelo software, levando em consideração a rigidez dos elementos
conectados a cada uma delas e as respectivas condições de apoio.

As ligações entre vigas e de vigas com pilares foram consideradas todas sendo rígidas, a
fim de evitar um problema recorrente no processamento da estrutura no Robot, que gera uma
instabilidade em alguns nós da edificação, se fosse adotado ligações rotuladas. Apesar de
serem adotados diferentemente na prática pelos calculistas, quando modelam suas estruturas,
eles consideram geralmente rotulados em ligações de vigas com vigas, isso não compromete o
objetivo geral do presente estudo, já que a deslocabilidade lateral de toda a edificação é pouco
afetada pela presença dessas rotulas nessas ligações. Além disso, todas as análises foram
processadas considerando o mesmo tipo de ligação, ou seja, esse fator está igual para todos os
casos.

3.3 Carregamentos adotados:

Os carregamentos adotados no modelo da edificação estão de acordo com a NBR6120 e


podem ser divididos em três tipos.
O primeiro tipo de carregamento é o permanente (G), composto dos seguintes
elementos:

 Peso próprio dos elementos modelados: gerados automaticamente pelo software. (Foi
adotada uma laje maciça de 12cm de espessura para composição do peso próprio
desta.)
 Peso próprio das paredes de alvenaria: 1KN/m², no perímetro da caixa de elevadores.
 Peso próprio das placas de vidro: 0.25KN/m², no perímetro do edifício.
 Peso do revestimento: 1KN/m².

O segundo tipo é a sobrecarga (Q). Esta foi adotada no modelo de acordo com a
NBR6120, e possui um valor de 2KN/m². Além disso, foi levada em consideração uma
redução destas cargas nos diferentes pavimentos da edificação, como propõe esta mesma
59

norma. Podemos observar a tabela 3, para entendermos essa redução.

Tabela 5 - Redução Percentual da Sobrecarga.

Fonte: Autor, baseado na NBR6120.

O terceiro tipo é o carregamento de vento (W). Para este, foram adotados os valores
achados por FRANCA (2003) – já que os dois edifícios possuem as mesmas dimensões e
praticamente mesma altura, não identificou-se problema em adotar estes valores, já que os
coeficientes de arrasto irão ser os mesmos – e adaptados ao modelo em estudo, alterando o
valor do pé direito, devido à diferença nos dois modelos. Além disso, decidiu-se transformar o
valor da carga pontual em carga atuando sobre a área do edifício, a fim de aproximar mais da
realidade.
Parâmetros de vento atribuídos ao modelo:
 Velocidade básica: 30m/s.
 Fator topográfico, S1 = 1,0.
 Fator estatístico, S3 = 1,0.
 Categoria: IV.
 Classe: C.

Abaixo encontra-se as figuras mostrando o perfil de vento em diferentes direções


adotado em todas as análises. Para as direções do vento a 180º e 270º, considerar direções
opostas aos ventos de 0º e 90º, respectivamente.
60

Figura 41 - Perfil do vento na direção de 0º, unidades em kN/m2.

Fonte: Autor (Retirado do Robot).


61

Figura 42 - Perfil do vento na direção de 90º, unidades em kN/m2.

Fonte: Autor (Retirado do Robot).

Com os valores encontrados por FRANCA (2003), foi elaborada a Tabela 6, a fim de
adaptar os valores por ele encontrados ao presente estudo.

Tabela 6 - Adaptação de valores das cargas de vento para o presente estudo. Verificar Anexo A.

Fonte: Autor.
62

3.4 Combinações de carregamentos geradas:

Devido à complexidade do projeto e às inúmeras variáveis existentes no mesmo, todas


as vigas e pilares foram dimensionados a partir da primeira configuração do edifício, ou seja,
aquela que não contém a presença de nenhuma diagonal contraventando a estrutura.
As combinações de carregamentos adotadas no projeto para a verificação do E.L.U das
vigas e colunas foi a seguinte:

 Carregamento Permanente da estrutura (G) + Sobrecarga (Q).


1,3G + 1,5Q

No presente trabalho foram feitas uma série de processamentos a fim de encontrar os


perfis que ‘passassem’ no cálculo, possuindo tamanhos razoáveis para o tipo de edifício em
estudo. Preferiu-se adotar apenas a combinação acima, somente com carregamento vertical,
para a verificação dos perfis, pois, de acordo com PATEL, DARIJ e PARIKH (2015), os
pilares, em edifícios dessa altura que utilizam um sistema de contraventamento com
diagonais, precisam ser dimensionados apenas para esse carregamento.
Como o programa Robot não possui em sua versão original a NBR8800 para o
dimensionamento de estruturas metálicas, foi adotado a norma americana ANSI/AISC360-10
utilizando o método de dimensionamento chamado de LFRD, Load Resistance Factor Design,
extremamente parecido com o método de dimensionamento utilizado pela NBR8800, muitas
vezes usados em escritórios de cálculos estruturais no Brasil. A tabela 7 mostra o resultado
desse dimensionamento realizado pelo software Robot, com os respectivos valores do Ratio,
porcentagem que os grupos estão sendo exigidos, de acordo com seu esforço solicitante e sua
resistência.
Para a verificação do E.L.S foi adotada a combinação rara de acordo com a NBR
8800/2008 atuando na edificação, a fim de maximizar os esforços laterais, e, assim, chegar a
um resultado mais claro a respeito do propósito deste trabalho. Segue a combinação efetuada
para a verificação da estrutura quanto à sua deslocabilidade.

 Carregamento Permanente da estrutura (G) + Sobrecarga (Q) + Vento (W):


1,0G + 0,4Q + 1,0W
63

Tabela 7 - Dimensionamento dos Grupos com a Norma Americana ANSI/AISC 360-10 - LFRD.

Fonte: Autor (Retirado do Robot).


64

4 RESULTADOS

Nos modelos estudados foram analisados os deslocamentos laterais no topo dos


edifícios, a quantidade de conexões utilizadas em cada modelo e, ainda, foi elaborada uma
série de imagens contendo as reações (Fz, My e Mx) para duas situações de vento diferentes
(0º e 90º) nas fundações de cada edifício. Assim, tentou-se abordar um maior número de
variáveis, para ajudar a identificar qual o partido estrutural mais adequado para o edifício em
questão.
Para efeito de cálculo do deslocamento horizontal no topo dos edifícios, foi analisado o
deslocamento do mesmo nó para todas as estruturas, de acordo com a figura 43.

Figura 43 - Nó analisado no modelo para determinação do deslocamento horizontal

Fonte: Autor (Retirado do Robot).

Vale ressaltar que a NBR8800 limita o valor desse deslocamento, não podendo ser
superior a H/400, sendo H a altura do edifício. Dessa forma, a fim de respeitarmos esse item
da norma devemos limitar o nosso deslocamento horizontal, Uy, no valor máximo de 35cm,
como demonstrado abaixo:

 Deslocamento horizontal máximo permitido pela NBR8800/2008:


65

H/400 = 140 m/400 = 0.35 m = 35 cm.


Portanto, obedecendo a esse valor de 35 cm de deslocamento horizontal, podemos
eliminar os edifícios 1, 2 e 3 como alternativas viáveis de execução, já que nestes o valor do
deslocamento é superior ao máximo permitido pela norma, conforme nos mostra a tabela 8.
As tabelas 8, 9 e 10 foram separadas por três linhas pretas cada, a fim de separar os
resultados por grupos de modelos estruturais concorrentes. Para exemplificar, observemos que
os edifícios 2 e 3 possuem diagonais no perímetro da caixa de escada, ou ‘core’, então, estes
são classificados dentro da mesma categoria.

Tabela 8 - Descrição dos edifícios em análise.

Fonte: Produzido pelo Autor.

Tabela 9 - Deslocamentos horizontais no topo do edifício e peso das diagonais de cada edifício.

Fonte: Produzido pelo Autor.


66

Tabela 10 - Quantidade de conexões adicionais geradas pelas diagonais de cada edifício.

Fonte: Produzido pelo Autor.

4.1 Reações, My, para vento atuando a 0º, nas fundações dos edifícios.

Nas figuras a seguir encontram-se os valores das reações My, em kNm, nas fundações
de cada edifício para o vento atuando a 0º na estrutura.

Figura 44 - Reação My (kNm) nas fundações para vento a 0º - EDIFÍCIO 1.

Fonte: Produzido pelo Autor.


67

Figura 45 - Reação My (kNm) nas fundações para vento a 0º - EDIFÍCIO 2.

Fonte: Produzido pelo Autor.

Figura 46 - Reação My (kNm) nas fundações para vento a 0º - EDIFÍCIO 3.

Fonte: Produzido pelo Autor.


68

Figura 47 - Reação My (kNm) nas fundações para vento a 0º - EDIFÍCIO 4.

Fonte: Produzido pelo Autor.

Figura 48 - Reação My (kNm) nas fundações para vento a 0º - EDIFÍCIO 5.

Fonte: Produzido pelo Autor.


69

Figura 49 - Reação My (kNm) nas fundações para vento a 0º - EDIFÍCIO 6.

Fonte: Produzido pelo Autor.

Figura 50 - Reação My (kNm) nas fundações para vento a 0º - EDIFÍCIO 7.

Fonte: Produzido pelo Autor.


70

4.2 Reações, Fz, para vento atuando a 0º, nas fundações dos edifícios.

Nas figuras a seguir encontram-se os valores das reações Fz, em kN, nas fundações de
cada edifício para o vento atuando a 0º na estrutura.

Figura 51 - Reação Fz (kN) nas fundações para vento a 0º - EDIFÍCIO 1.

Fonte: Produzido pelo Autor.

Figura 52 - Reação Fz (kN) nas fundações para vento a 0º - EDIFÍCIO 2.

Fonte: Produzido pelo Autor.


71

Figura 53 - Reação Fz (kN) nas fundações para vento a 0º - EDIFÍCIO 3.

Fonte: Produzido pelo Autor.

Figura 54 - Reação Fz (kN) nas fundações para vento a 0º - EDIFÍCIO 4.

Fonte: Produzido pelo Autor.


72

Figura 55 - Reação Fz (kN) nas fundações para vento a 0º - EDIFÍCIO 5.

Fonte: Produzido pelo Autor.

Figura 56 - Reação Fz (kN) nas fundações para vento a 0º - EDIFÍCIO 6.

Fonte: Produzido pelo Autor.


73

Figura 57 - Reação Fz (kN) nas fundações para vento a 0º - EDIFÍCIO 7.

Fonte: Produzido pelo Autor.

4.3 Reações, Mx, para vento atuando a 90º, nas fundações dos edifícios.

Nas figuras a seguir encontram-se os valores das reações Mx, em kNm, nas fundações
de cada edifício para o vento atuando a 0º na estrutura.

Figura 58 - Reação Mx (kNm) nas fundações para vento a 90º - EDIFÍCIO 1.

Fonte: Produzido pelo Autor.


74

Figura 59 - Reação Mx (kNm) nas fundações para vento a 90º - EDIFÍCIO 2.

Fonte: Produzido pelo Autor.

Figura 60 - Reação Mx (kNm) nas fundações para vento a 90º - EDIFÍCIO 3.

Fonte: Produzido pelo Autor.


75

Figura 61 - Reação Mx (kNm) nas fundações para vento a 90º - EDIFÍCIO 4.

Fonte: Produzido pelo Autor.

Figura 62 - Reação Mx (kNm) nas fundações para vento a 90º - EDIFÍCIO 5.

Fonte: Produzido pelo Autor.


76

Figura 63 - Reação Mx (kNm) nas fundações para vento a 90º - EDIFÍCIO 6.

Fonte: Produzido pelo Autor.

Figura 64 - Reação Mx (kNm) nas fundações para vento a 90º - EDIFÍCIO 7.

Fonte: Produzido pelo Autor.


77

4.4 Reações, Fz, para vento atuando a 90º, nas fundações dos edifícios.

Nas figuras a seguir encontram-se os valores das reações Fz, em kNm, nas fundações de
cada edifício para o vento atuando a 90º na estrutura.

Figura 65 - Reação Fz (kN) nas fundações para vento a 90º - EDIFÍCIO 1.

Fonte: Produzido pelo Autor.

Figura 66 - Reação Fz (kN) nas fundações para vento a 90º - EDIFÍCIO 2.

Fonte: Produzido pelo Autor.


78

Figura 67 - Reação Fz (kN) nas fundações para vento a 90º - EDIFÍCIO 3.

Fonte: Produzido pelo Autor.

Figura 68 - Reação Fz (kN) nas fundações para vento a 90º - EDIFÍCIO 4.

Fonte: Produzido pelo Autor.


79

Figura 69 - Reação Fz (kN) nas fundações para vento a 90º - EDIFÍCIO 5.

Fonte: Produzido pelo Autor.

Figura 70 - Reação Fz (kN) nas fundações para vento a 90º - EDIFÍCIO 6.

Fonte: Produzido pelo Autor.


80

Figura 71 - Reação Fz (kN) nas fundações para vento a 90º - EDIFÍCIO 7.

Fonte: Produzido pelo Autor.


81

5 CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS

Não é fácil chegarmos a uma conclusão única com todos os resultados obtidos por meio
deste trabalho, pois no dia a dia a interferência de uma variável sobre a outra não é tão parcial
como da forma que analisamos aqui. Desse modo, analisaremos item por item estudado e
daremos conclusões a respeito de cada um, individualmente, para depois tentarmos ponderar
todas as variáveis e chegar a uma conclusão razoável.
Primeiramente, nota-se, de acordo com a tabela 9, que o resultado da análise feita
levando em consideração o efeito P-delta é somente significantemente diferente dos valores
encontrados para deslocamento horizontal sem este efeito para o edifício 1 (essa diferença é
de 14% neste caso, sendo classificada como estrutura de média deslocabilidade). Em todos os
outros casos essa diferença não passa de 9%, sendo classificadas, portanto, de acordo com a
NBR8800, como estruturas de pequena deslocabilidade. Apesar de todos os edifícios
possuírem a mesma altura e dimensões em planta, devido à diferença na rigidez lateral de
cada edifício com a introdução das diagonais, as diferenças no que concerne este efeito não
são as mesmas entre os edifícios; e percebe-se que quanto mais rigidez lateral o edifício
adquire menor é essa diferença.
Analisando friamente apenas a quantidade de conexões adicionais geradas devido a
introdução das diagonais, percebemos que os edifícios que possuem as diagonais cobrindo um
maior número de pavimentos levam uma maior vantagem quando comparada ao de diagonais
menores, já que se faz necessário para este último mais que o dobro de conexões das
diagonais nos nós, como nos mostra a tabela 10. O que significa um custo considerável, tanto
de fabricação como de montagem, para uma obra feita em aço.
Verificando apenas a tabela 9, podemos concluir que os edifícios que adotaram um
sistema de contraventamento no exterior do edifício levam uma grande vantagem, a nível de
peso necessário usado pelas diagonais para se obter a mesma redução no deslocamento
vertical, quando comparados aos edifícios que possuem as diagonais no núcleo. Nota-se
também que não há muita diferença entre os valores encontrados para o deslocamento
horizontal no topo do edifício, quando comparamos os edifícios com diagonais simples e
edifícios com diagonais em X, usando um peso aproximado para as diagonais.
82

5.1 Conclusões das reações nas fundações.

Praticamente não existem implicações relevantes a serem tiradas, devido ao tipo de


sistema de contraventamento utilizado, dentre os edifícios estudados, para os valores de My e
Fz quando o vento atua a 0º, já que em todos os casos não há significativas mudanças desses
valores nas fundações (ver itens 4.1 e 4.2). Isto pode ser facilmente explicado devido ao fato
das diagonais estarem atuando no outro sentido da edificação.
Para os valores de Mx nas fundações, quando o vento atua a 90º, entretanto, muitas
conclusões relevantes podem ser tiradas (ver item 4.3 e anexo B). Primeiramente, nota-se uma
enorme diminuição dessas cargas nas fundações devido à introdução de diagonais no sistema.
O valor desse alívio chega a ser de 99% no caso das fundações dos pilares P2 e P4 do edifício
5, por exemplo, quando comparado ao edifício sem diagonais. O valor médio de alívio é em
torno de 80% quando comparamos todos os edifícios com diagonais ao edifício 1, sem
diagonais. Isso pode ser facilmente entendido como um benéficio muito relevante para
determinadas obras em que há dificuldade no engaste da fundação junto ao solo, devido a
características próprias do solo; sem falar na economia que isso vai gerar para a fabricação
das fundações.
Além disso, percebemos que a redistribuição das reações verticais, Fz, das fundações do
edifício, quando o vento atua a 90º, devido à introdução das diagonais, segue uma certa lógica
(ver item 4.4). Percebeu-se que, quando adicionadas as diagonais no exterior do edifício,
houve uma redistribuição muito maior das cargas de fundação do que quando adicionadas as
diagonais no núcleo. Isso se dá devido a maior eficiência em se colocar as diagonais no
exterior do que no núcleo, pois a anterior cria um painel rígido treliçado com uma extensão
maior – a largura da fachada – enquanto na última este painel tem apenas a largura do núcleo,
gerando menos rigidez lateral para o edifício como um todo, conforme nos mostra a tabela 9.
No caso dos edifícios 4 e 5, por exemplo, houve uma redução de mais de 100% nessas cargas
das fundações dos pilares P1 e P5 (conforme a figura 20), somente com o acréscimo das
diagonais no exterior do edifício. Obviamente que a diminuição dessa carga nessas fundações
precisam ser compensada com as outras fundações. Para exemplificarmos, nota-se que os
pilares P20 e P24 ‘sofrem’ bastante com essa redistribuição, devido a sua localização em
planta. Eles chegam a aumentar em mais de 50% no valor de sua reação, quando comparado
ao edifício sem diagonais.
83

5.2 Considerações finais e sugestões para trabalhos futuros.

Dessa forma, com todos esses fatores levados em consideração, conclui-se que edifícios
com diagonais simples podem ter uma maior vantagem sobre os de diagonais em X,
principalmente devido à diferença no número de conexões. Além disso, o percentual da
fachada que fica obstruída por conta dos perfis neste segundo caso é praticamente o dobro o
que gera consequências arquitetônicas desfavoráveis para o projeto. Outro ponto que vale
mencionar é o custo relacionado à pintura intumescente dos perfis, em edifícios desse tipo
os perfis são tratados com argamassa projetada a fim de se aumentar a resistência ao fogo
desses elementos; nos casos dos edifícios com diagonais em X este custo será praticamente o
dobro, devido ao dobro da área, o que pode acarretar em uma enorme economia no fim da
obra devido à escolha correta desse elemento estrutural.
Finalmente, seguem algumas indicações para trabalhos futuros dentro da temática ora
abordada, a fim de ajudar os profissionais desta área a desempenhar de uma maneira mais
efetiva seus trabalhos.

 Analisar sistemas de contraventamentos que não formam triângulos totais.


 Analisar a contribuição de diferentes tipos de lajes, sem considera-las como
diafragmas rígidos no cálculo, no contraventamento dos edifícios.
 Analisar a contribuição da geometria da planta de diferentes edificações para
diminuir os efeitos de instabilidade em edifícios altos.
84

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Estruturas de Aço e de Estruturas Mistas de Aço e Concreto de Edifícios. Rio de Janeiro:
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devido ao vento em Edificações. Rio de Janeiro: ABNT, 1980.

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87

ANEXO A – CÁLCULOS PARA DEFINIÇÃO DAS CARGAS DE VENTO


(Documento criado por MARCELO (2003).)
88
89
90

ANEXO B – PERCENTUAL QUE REPRESENTA OS MOMENTOS GERADOS NAS


FUNDAÇÕES ENTRE OS EDIFÍCIOS ESTUDADOS COM O EDIFÍCIO 1.
91
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95

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