Você está na página 1de 38

Os números são de um levantamento feito pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) calculados com base

nas taxas de mortalidade dos estados e capitais em todo o país.

Câncer de Pele
É um proliferação incontrolável de células cutâneas anormais. É o tipo mais comum na população e
divide-se em dois tipos: melanomas e não melanomas.

Os melanomas são originados nas células produtoras de melanina, substância responsável pela
pigmentação da pele. É considerada a forma mais série da doença cutânea. Já os não melanomas
representam a maioria dos casos, cerca de 96%. As pessoas devem ficar atentas a qualquer lesão na
pele que tenha um aspecto de nódulo, tumor ou parecido com alguma mancha.

A maioria é causado pela irradiação solar, portanto, é imprescindível o uso de filtro solar.

Câncer de próstata
A próstata é um órgão situado entre a bexiga e a região pélvica, atravessada pela parte inicial da uretra
(canal por onde passa a urina) e produz parte do líquido que forma o esperma.

Esse é o mais comum câncer do tipo sólido entre os homens. As chances dele aparecer ficam maiores
conforme a idade vai avançando. Os homens com mais de 50 anos devem fazer os exames preventivos
pelo menos uma vez por ano.

A doença pode ser diagnosticada por uma alteração no PSA, uma proteína da próstata. Se essa dosagem
estiver acima do nível ideal pode indicar um problema no órgão.

Esse tipo de câncer é dividido em três grupos, sendo o primeiro o mais agressivo, que necessita de um
tratamento mais radical. O segundo é o intermediário e o último, mais comum entre os pacientes, é de
baixo risco.

Câncer de cólon e reto


O câncer colorretal é uma neoplasia que se origina em qualquer parte do cólon, reto ou canal anal. A
doença começa na camada superficial do revestimento intestinal e com o tempo vai atingindo as camadas
mais profundas.

Esse tipo de câncer atinge pessoas de qualquer sexo e idade, mas é mais comum após os 50 anos. A
maioria se inicia com uma lesão benigna que evolui lentamente até se transformar em um tumor maligno.

Câncer de pulmão
Esse tipo de câncer é altamente letal e frequente na população. Na região Sul, Sudeste e Centro-oeste do
país, é um dos mais, perdendo apenas para os de pele e próstata.

O Câncer de pulmão é uma doença que não apresenta sintomas em suas fases iniciais, tornando o
diagnóstico mais difícil de ser feito e, por isso, a maioria descobre quando o câncer já está avançado.

Câncer de mama
Como em todos os outros tipos, as células possuem informações – os genes – que mostram como as
tarefas devem ser realizadas. Quando esses genes são alterados, as células perdem sua função normal e
passam a desenvolver atividades anormais, como um crescimento desorganizado, formando um tumor.

A melhor forma de prevenir o câncer de mama é realizar os exames de mamografia regularmente. Se


diagnosticado precocemente, as chances de cura chegam em até 95%.

Câncer de estômago
Grande parte desse tumor ocorre na cama mucosa, de revestimento interna, surgindo na forma de
irregulares lesões com ulcerações (rompimento do tecido). Conforme a evolução da doença, essas
células cancerígenas vão gradualmente substituindo o tecido normal do órgão, migrando para outras
partes, podendo até chegar em outros lugares do organismo.

É o segundo tumor maligno mais frequente do mundo, tendo alta incidência no Leste Europeu, Japão e
Américas do Sul e Central.

O câncer de estômago se apresenta em três diferentes tipos: o adenocarcinoma – responsável por 95%
dos tumores; linfoma – diagnosticado em 3%; e o leiomiossarcoma – com início em tecidos que dão
origem aos músculos e aos ossos.
Câncer de boca
versão para Profissionais de Saúde

Última modificação: 19/11/2018 | 13h11

O câncer da boca (também conhecido como câncer de lábio e cavidade oral) é um


tumor maligno que afeta lábios, estruturas da boca, como gengivas, bochechas,
céu da boca, língua (principalmente as bordas) e a região embaixo da língua. É
mais comum em homens acima dos 40 anos, sendo o quarto tumor mais frequente
no sexo masculino na região Sudeste. A maioria dos casos é diagnosticada em
estágios avançados.
A parte posterior da língua, as amígdalas e o palato fibroso fazem parte da região
chamada orofaringe e seus tumores têm comportamento diferente do câncer de
cavidade oral.

Estatísticas
Estimativa de novos casos: 14.700, sendo 11.200 homens e 3.500 mulheres
(2018 - INCA)
Número de mortes: 5.898 sendo 4.672 homens e 1.226 mulheres (SIM - 2015)
Atenção: A informação existente neste portal pretende apoiar e não substituir a
consulta médica. Procure sempre uma avaliação pessoal com o Serviço de Saúde.

O que aumenta o risco?

 Tabagismo: Quem fuma cigarro ou utiliza outros produtos derivados do


tabaco, como cigarro de palha, de Bali, de cravo ou kreteks, fumo de rolo,
tabaco mascado, charutos, cachimbos e narguilé, entre outros,tem risco muito
maior de desenvolver câncer de boca e de faringe do que não fumantes.
Quanto maior o número de cigarros fumados, maior o risco de câncer.
 Consumo regular de bebidas alcoólicas.
 Exposição ao sol sem proteção representa risco importante para o câncer de
lábios.
 Excesso de gordura corporal aumenta o risco de câncer de boca.
 Exposição a óleo de corte, amianto, poeira de madeira, poeira de couro,
poeira de cimento, de cereais, têxtil e couro, amianto, formaldeído, sílica,
fuligem de carvão, solventes orgânicos e agrotóxico está associada ao
desenvolvimento de câncer de boca. Os trabalhadores da agricultura e
criação de animais, indústria têxtil, de couro, metalúrgica, borracha,
construção civil, oficina mecânica, fundição, mineração de carvão, assim
como profissionais cabeleireiros, carpinteiros, encanadores, instaladores de
carpete, moldadores e modeladores de vidro, oleiros, açougueiros, barbeiros,
mineiros, canteiros, pintores e mecânicos de automóveis podem apresentar
risco aumentado de desenvolvimento da doença.
 Infecção pelo vírus HPV está relacionado a alguns casos de câncer de
orofaringe.
Como prevenir?

 Não fumar
 Evitar o consumo de bebidas alcoólicas
 Ter alimentação rica em frutas verduras e legumes
 Manter boa higiene bucal
 Usar preservativo (camisinha) na prática do sexo oral

Sinais e sintomas
Os principais sinais que devem ser observados são:

 Lesões (feridas) na cavidade oral ou nos lábios que não cicatrizam por mais
de 15 dias, que podem apresentar sangramentos e estejam crescendo.
 Manchas/placas vermelhas ou esbranquiçadas na língua, gengivas, céu da
boca ou bochechas
 Nódulos (caroços) no pescoço
 Rouquidão persistente

Nos casos mais avançados observa-se:

 Dificuldade de mastigação e de engolir


 Dificuldade na fala
 Sensação de que há algo preso na garganta
 Dificuldade para movimentar a língua

Fique atento a esses sinais e a mudanças na coloração ou aspecto da sua boca.


No caso de anormalidades, procure um profissional de saúde.

Detecção precoce
É imprescindível estar atento ao surgimento de qualquer sinal de alerta. Diante de
alguma lesão que não cicatrize em um prazo máximo de 15 dias deve-se procurar
um profissional de saúde (dentista ou médico para a realização do exame
completo da boca). Aproveite as consultas com o dentista para tirar dúvidas e,
principalmente, relatar qualquer sinal ou sintoma diferente. Pessoas com maior
risco para desenvolver câncer de boca (fumantes e consumidores frequentes de
bebidas alcoólicas) devem ter cuidado redobrado e fazer visitas periódicas ao
dentista. Uma vez diante de uma lesão suspeita, a biópsia (exame de um
fragmento da lesão) deve ser realizada, e o paciente encaminhado a médico
especializado.

Diagnóstico
O diagnóstico do câncer de cavidade oral normalmente pode ser feito com o
exame clínico (visual), mas a confirmação depende da biópsia. Esse
procedimento, na grande maioria das vezes, pode ser feito de forma ambulatorial,
com anestesia local, por um profissional treinado. Alguns exames de imagem,
como a tomografia computadorizada, também auxiliam no diagnóstico, e,
principalmente, ajudam a avaliar a extensão do tumor. O exame clínico associado
à biópsia, com o estudo da lesão por tomografia (nos casos indicados) permitem
ao cirurgião definir o tratamento adequado. As lesões muito iniciais podem ser
avaliadas sem a necessidade de exame de imagem num primeiro momento. O
diagnóstico inicial permite tratamento com melhor resultado funcional, visto que
tumores diagnosticados em estágios mais avançados vão implicar em tratamentos
mais agressivos com maior chance de sequelas.

Tratamento
Na grande maioria das vezes é cirúrgico, tanto para lesões menores, com cirurgias
mais simples, como para tumores maiores. O cirurgião de Cabeça e Pescoço é o
profissional que vai avaliar o estágio da doença. Essa avaliação, associada a
exames complementares determinará o tratamento mais indicado. A radioterapia e
a quimioterapia são indicadas quando a cirurgia não é possível ou quando o
tratamento cirúrgico traria sequelas funcionais importantes e complicadas para a
reabilitação funcional e a qualidade de vida do paciente.
A cirurgia normalmente consiste na retirada da área afetada pelo tumor associada
à remoção dos linfonodos do pescoço e algum tipo de reconstrução quando
necessário. Nas lesões mais simples, muitas vezes é necessário apenas a retirada
da lesão. Nos casos mais complexos, além do tratamento cirúrgico, é necessária
realização de radioterapia para complementar o tratamento e obter melhor
resultado curativo. Em todas as etapas do tratamento é importante o aspecto
interdisciplinar (com a participação de vários profissionais de saúde) visando a
prevenir complicações e sequelas.

Câncer de intestino
versão para Profissionais de Saúde

Última modificação: 06/11/2018 | 14h29

O câncer de intestino abrange os tumores que se iniciam na parte do intestino


grosso chamada cólon e no reto (final do intestino, imediatamente antes do ânus) e
ânus. Também é conhecido como câncer de cólon e reto ou colorretal.
É tratável e, na maioria dos casos, curável, ao ser detectado precocemente,
quando ainda não se espalhou para outros órgãos. Grande parte desses tumores
se inicia a partir de pólipos, lesões benignas que podem crescer na parede interna
do intestino grosso.
Atenção: As informações neste portal pretendem apoiar e não substituir a consulta
médica. Procure sempre uma avaliação no Serviço de Saúde.

Estatísticas
Estimativa de novos casos: 36.360, sendo 17.380 homens e 18.980 mulheres
(2018 - INCA)
Número de mortes: 16.697; sendo 8.163 homens e 8.533 mulheres (2015 - Atlas
de Mortalidade por Câncer)

O que aumenta o risco?


Os principais fatores relacionados ao maior risco de desenvolver câncer do
intestino são: idade igual ou acima de 50 anos, excesso de peso corporal e
alimentação não saudável (ou seja, pobre em frutas, vegetais e outros alimentos
que contenham fibras). O consumo de carnes processadas (salsicha, mortadela,
linguiça, presunto, bacon, blanquet de peru, peito de peru e salame) e a ingestão
excessiva de carne vermelha (acima de 500 gramas de carne cozida por semana)
também aumentam o risco para este tipo de câncer.
Outros fatores relacionados à maior chance de desenvolvimento da doença são
história familiar de câncer de intestino, história pessoal de câncer de intestino,
ovário, útero ou mama, além de tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas.
Doenças inflamatórias do intestino, como retocolite ulcerativa crônica e doença de
Crohn, também aumentam o risco de câncer do intestino, bem como doenças
hereditárias, como polipose adenomatosa familiar (FAP) e câncer colorretal
hereditário sem polipose (HNPCC). Pacientes com essas doenças devem ter
acompanhamento individualizado.
A exposição ocupacional à radiação ionizante, como aos raios X e gama, pode
aumentar o risco para câncer de cólon. Assim, profissionais do ramo da radiologia
(industrial e médica) devem estar mais atentos.

Como prevenir?
A manutenção do peso corporal adequado, a prática de atividade física, assim
como a alimentação saudável são fundamentais para a prevenção do câncer de
intestino. Uma alimentação saudável é composta, principalmente, por alimentos in
natura e minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, cereais
integrais, feijões e outras leguminosas, grãos e sementes. Esse padrão de
alimentação é rico em fibras e, além de promover o bom funcionamento do
intestino, também ajuda no controle do peso corporal. Manter o peso dentro dos
limites da normalidade e fazer atividade física, movimentando-se diariamente ou
na maior parte da semana, são fatores importantes para a prevenção deste tipo de
câncer.
Verifique se seu peso está adequado com uma calculadora de IMC.
Não fumar e não se expor ao tabagismo.

Sinais e sintomas
Os sintomas mais frequentemente associados ao câncer do intestino são:

 sangue nas fezes;


 alteração do hábito intestinal (diarreia e prisão de ventre alternados);
 dor ou desconforto abdominal;
 fraqueza e anemia;
 perda de peso sem causa aparente.
 alteração na forma das fezes (fezes muito finas e compridas)
 massa (tumoração) abdominal
Esses sinais e sintomas também estão presentes em problemas como
hemorroidas, verminose, úlcera gástrica e outros, e devem ser investigados para
seu diagnóstico correto e tratamento especifico.
Na maior parte das vezes esses sintomas não são causados por câncer, mas é
importante que eles sejam investigados por um médico, principalmente se não
melhorarem em alguns dias.

Detecção precoce
A detecção precoce do câncer é uma estratégia para encontrar um tumor numa
fase inicial e, assim, possibilitar maior chance de tratamento.
A detecção pode ser feita por meio da investigação com exames clínicos,
laboratoriais ou radiológicos, de pessoas com sinais e sintomas sugestivos da
doença (diagnóstico precoce), ou com o uso de exames em pessoas sem sinais ou
sintomas (rastreamento) mas pertencentes a grupos com maior chance de ter a
doença.
Os tumores de cólon e reto (ou colorretal) podem ser detectados precocemente
através de dois exames principais: pesquisa de sangue oculto nas fezes e
endoscopias (colonoscopia ou retossigmoidoscopias).
Os principais sinais e sintomas sugestivos deste câncer são:
· Sangramento nas fezes
· Massa (tumoração) abdominal
· Dor abdominal
· Perda de peso e Anemia
· Mudança de hábito intestinal
Na maior parte das vezes esses sintomas não são causados por câncer, mas é
importante que eles sejam investigados por um médico, principalmente se não
melhorarem em alguns dias.

Além do diagnóstico precoce, a Organização Mundial da Saúde preconiza que os


países com condições de garantir a confirmação diagnóstica, referência e
tratamento, realizem o rastreamento do câncer do colon e reto em pessoas acima
de 50 anos, por meio do exame de sangue oculto de fezes. Os casos positivos
neste exame deverão fazer uma colonoscopia ou retossigmoidoscopia, onde o
médico visualizará a parte interna do intestino buscando o câncer ou pólipos que
possam vir a se transformar em câncer.

Diagnóstico
O diagnóstico requer biópsia (exame de pequeno pedaço de tecido retirado da
lesão suspeita). A retirada da amostra é feita por meio de aparelho introduzido pelo
reto (endoscópio).

Tratamento
O câncer de intestino é uma doença tratável e frequentemente curável. A cirurgia é
o tratamento inicial, retirando a parte do intestino afetada e os gânglios linfáticos
(pequenas estruturas que fazem parte do sistema de defesa do corpo) dentro do
abdome. Outras etapas do tratamento incluem a radioterapia (uso de radiação),
associada ou não à quimioterapia (uso de medicamentos), para diminuir a
possibilidade de recidiva (retorno) do tumor.
O tratamento depende principalmente do tamanho, localização e extensão do
tumor. Quando a doença está espalhada, com metástases para o fígado, pulmão
ou outros órgãos, as chances de cura ficam reduzidas.
Após o tratamento, é importante realizar o acompanhamento médico para
monitoramento de recidivas ou novos tumores.

Câncer de esôfago
versão para Profissionais de Saúde

Última modificação: 22/10/2018 | 11h22

No Brasil, o câncer de esôfago (tubo que liga a garganta ao estômago) é o sexto


mais frequente entre os homens e o 15º entre as mulheres, excetuando-se o
câncer de pele não melanoma. É o oitavo mais frequente no mundo e a incidência
em homens é cerca de duas vezes maior do que em mulheres.
O tipo de câncer de esôfago mais frequente é o carcinoma epidermoide escamoso,
responsável por 96% dos casos. Outro tipo, o adenocarcinoma, vem aumentando
significativamente.
Atenção: A informação existente neste portal pretende apoiar e não substituir a
consulta médica. Procure sempre uma avaliação pessoal com o Serviço de Saúde.

Estatísticas
Estimativa de novos casos: 10.790, sendo 8.240 homens e 2.550 mulheres
(2018 - INCA).
Número de mortes: 8.402, sendo 6.525 homens e 1.876 mulheres (2015 - Atlas
de Mortalidade por Câncer).

O que aumenta o risco?

 O consumo frequente de bebidas muito quentes como chimarrão, chá e café,


em temperatura de 65ºC ou mais, pode levar ao câncer de esôfago.
 O consumo de bebidas alcoólicas pode causar câncer de esôfago, não
havendo níveis seguros de ingestão. É importante destacar que, não só o
consumo regular, como também o consumo excessivo e esporádico de
qualquer tipo de bebida alcóolica.
 O excesso de gordura corporal favorece o desenvolvimento de câncer de
esôfago. A obesidade também facilita o desenvolvimento da doença do
refluxo gastroesofagiano (DRGE), importante fator de risco para o
desenvolvimento da doença.
 Consumo de carnes processadas (exemplo: salsicha, presunto, blanquette de
peru, entre outros).
 O tabagismo isoladamente é responsável por 25% dos casos de câncer de
esôfago. O risco aumenta rapidamente com a quantidade de cigarros
consumida. Mesmo as pessoas que já fumaram, mas interromperam,
possuem risco aumentado de desenvolver este câncer quando comparadas
aos que nunca fumaram.
 Estão associadas à maior incidência desse tumor história pessoal de câncer
de cabeça, pescoço ou pulmão.
 Infecção pelo Papilomavírus humano (HPV).
 Tilose (espessamento da pele nas palmas das mãos e na planta dos pés),
acalasia (falta de relaxamento do esfíncter entre o esôfago e o estômago),
esôfago de Barrett (crescimento anormal de células do tipo colunar para
dentro do esôfago), lesões cáusticas (queimaduras) no esôfago e Síndrome
de Plummer-Vinson (deficiência de ferro).
 Exposição a poeiras da construção civil, de carvão e de metal, vapores de
combustíveis fósseis, óleo mineral, herbicidas, ácido sulfúrico e negro de
fumo está associada ao desenvolvimento de câncer de esôfago. Os
trabalhadores da construção civil, metalurgia, indústria de couro, eletrônica,
mineração e agricultura, engenheiros eletricistas, mecânicos, extratores de
petróleo, motoristas de veículos a motor, trabalhadores de
lavanderias/lavagem a seco e serviços gerais podem apresentar risco
aumentado de desenvolvimento da doença.

Como prevenir?

 Não fumar e não se expor ao tabagismo passivo. Parar de fumar sempre vale
a pena em qualquer momento da vida, mesmo que o fumante já esteja com
alguma doença causada pelo tabagismo.
 Evitar o consumo bebidas alcoólicas.
 Comer mais frutas e vegetais e menos carne vermelha e gorduras.
 Manter o peso corporal adequado.
 Identificar e tratar a doença do refluxo gastroesofagiano (DRGE).
 Consumir bebidas quentes como chimarrão, café e chá em temperaturas
inferiores a 60ºC. Para garantir a temperatura adequada para consumo, após
o preparo, deve-se esperar em torno de cinco minutos para ingerir a bebida.
 Fazer atividade física.
 Utilizar camisinha durante a relação sexual.

Sinais e sintomas
Em sua fase inicial, o câncer de esôfago não apresenta sinais. Porém, com a
progressão da doença, podem surgir sintomas tais como dificuldade ou dor ao
engolir, dor retroesternal (atrás do osso do meio do peito), dor torácica, sensação
de obstrução à passagem do alimento, náuseas, vômitos e perda do apetite.
Na maioria das vezes, a dificuldade de engolir (disfagia) já sinaliza doença em
estado avançado. A disfagia progride de alimentos sólidos até pastosos e líquidos.
A perda de peso pode chegar a até 10% do peso corporal.

Detecção precoce
A detecção precoce do câncer é uma estratégia para encontrar um tumor em fase
inicial e, assim, possibilitar maior chance de tratamento.

A detecção pode ser feita por meio da investigação com exames clínicos,
laboratoriais ou radiológicos, de pessoas com sinais e sintomas sugestivos da
doença (diagnóstico precoce), ou com o uso de exames periódicos em pessoas
sem sinais ou sintomas (rastreamento), mas pertencentes a grupos com maior
chance de ter a doença.

Não há evidência científica de que o rastreamento do câncer de esôfago traga


mais benefícios do que riscos e, portanto, até o momento, ele não é recomendado.

Já o diagnóstico precoce desse tipo de câncer é possível em apenas parte dos


casos, pois a maioria só apresenta sinais e sintomas em fases mais avançadas da
doença. Os sinais e sintomas mais comuns e que devem ser investigados são:

 Dificuldade em engolir.
 Refluxo.
 Dor epigástrica (parte alta do abdômen).
 Perda de peso.

Na maior parte das vezes, esses sintomas não são causados por câncer, mas é
importante que eles sejam investigados por um médico, principalmente se não
melhorarem em poucos dias.

Diagnóstico
É feito por meio da endoscopia digestiva, um exame que investiga o interior do
tubo digestivo e que permite a realização de biópsias para confirmação do
diagnóstico. Quando o tumor é detectado precocemente, as chances de cura
aumentam muito.

Tratamento
De forma geral, o tratamento pode ser feito com cirurgia, radioterapia e
quimioterapia, de forma isolada ou combinada, de acordo com o estágio da doença
e das condições clínicas do paciente. Casos selecionados de tumores iniciais
podem ser tratados por ressecção local durante a endoscopia, sem a necessidade
de procedimento cirúrgico formal.
Nos casos onde o objetivo é a cura, os pacientes são inicialmente submetidos a
um tratamento combinado com quimioterapia e radioterapia, e posteriormente é
feita a cirurgia. Para os tumores muito avançados ou no caso de pacientes muito
debilitados, o tratamento tem caráter paliativo (sem finalidade curativa) e é feito por
radioterapia combinada ou não à quimioterapia.
No leque de cuidados paliativos também encontram-se disponíveis as dilatações
com endoscopia, colocação de próteses autoexpansivas (para impedir o
estreitamento do esôfago) e braquiterapia (radioterapia com sementes radioativas).

Câncer de estômago
versão para Profissionais de Saúde

Última modificação: 09/10/2018 | 16h36

O câncer de estômago também é chamado de câncer gástrico. O tipo


adenocarcinoma é responsável por cerca de 95% dos casos de tumor do
estômago.
Outros tipos de tumores, como linfomas e sarcomas, também podem ocorrer no
estômago. Os linfomas são diagnosticados em cerca de 3% dos casos. Sarcomas
são tumores raros, iniciados nos tecidos que dão origem a músculos, ossos e
cartilagens. Um tipo que pode afetar o estômago é o tumor estromal
gastrointestinal, mais conhecido como GIST.
O adenocarcinoma de estômago atinge, em sua maioria, homens por volta dos 60-
70 anos. Cerca de 65% dos pacientes têm mais de 50 anos.
No Brasil, o câncer de estômago é o terceiro tipo mais frequente entre homens e o
quinto entre as mulheres.
Atenção: As informações neste portal pretendem apoiar e não substituir a consulta
médica. Procure sempre uma avaliação no Serviço de Saúde.

Estatísticas
Estimativas de novos casos: 21.290, sendo 13.540 homens e 7.750 mulheres
(2018 - INCA).

Número de mortes: 14.264, sendo 9.132 em homens e 5.132 mulheres (2015)

O que aumenta o risco?

 Excesso de peso e obesidade


 Consumo de álcool
 Consumo excessivo de sal, alimentos salgados ou conservados no sal
 Tabagismo
 Ingestão de água proveniente de poços com alta concentração de nitrato
 Doenças pré-existentes, como anemia perniciosa, lesões pré-cancerosas
(como gastrite atrófica e metaplasia intestinal) e infecções pela bactéria
Helicobacter pylori (H. pylori)
 Combinação de tabagismo com bebidas alcoólicas ou com cirurgia anterior do
estômago
 Exposição ocupacional à radiação ionizante, como raios X e gama, em
indústrias ou em instituições médicas
 Exposição de trabalhadores rurais a uma série de compostos químicos, em
especial agrotóxicos
 Exposição ocupacional, na produção da borracha, a vários compostos
químicos, muitos classificados como reconhecidamente cancerígenos, como
benzeno, óleos minerais, produtos de alcatrão de hulha, compostos de zinco
e uma série de pigmentos
 Ter parentes de primeiro grau com câncer de estômago

Como prevenir?
Para prevenir o câncer de estômago recomenda-se manter o peso corporal dentro
dos limites da normalidade, evitar o consumo de bebidas alcoólicas e de alimentos
salgados e preservados em sal.
Também é importante não fumar.
Para saber se seu peso está adequado, clique aqui

Sinais e sintomas
Não há sintomas específicos do câncer de estômago. Porém, alguns sinais, como
perda de peso e de apetite, fadiga, sensação de estômago cheio, vômitos,
náuseas e desconforto abdominal persistente podem indicar tanto uma doença
benigna (úlcera, gastrite, etc.) como um tumor de estômago. Durante o exame
físico, o paciente com câncer pode sentir dor no momento em que o estômago é
palpado.
Sangramentos gástricos são incomuns no câncer de estômago, entretanto, o
vômito com sangue ocorre em cerca de 10% a 15% dos casos. Também podem
surgir sangue nas fezes, fezes escurecidas, pastosas e com odor muito forte
(indicativo de sangue digerido).

Massa palpável na parte superior do abdômen, aumento do tamanho do fígado e


presença de íngua na área inferior esquerda do pescoço e nódulos ao redor do
umbigo indicam estágio avançado da doença.

Detecção precoce
A detecção precoce do câncer é uma estratégia para encontrar um tumor em fase
inicial e, assim, possibilitar maior chance de tratamento.
A detecção pode ser feita por meio da investigação com exames clínicos,
laboratoriais ou radiológicos em pessoas com sinais e sintomas sugestivos da
doença (diagnóstico precoce), ou com exames periódicos em pessoas sem sinais
ou sintomas (rastreamento), mas pertencentes a grupos com maior chance de ter
a doença.
Não há evidência científica de que o rastreamento do câncer de estômago traga
mais benefícios do que riscos e, portanto, até o momento, ele não é recomendado.
Já o diagnóstico precoce desse tipo de câncer possibilita melhores resultados em
seu tratamento e deve ser buscado com a investigação de sinais e sintomas como:
 Massa (tumor) na parte superior do abdômen
 Dor na parte superior do abdômen
 Perda de peso e de apetite
 Refluxo e indigestão
Na maior parte das vezes, esses sintomas não são causados por câncer, mas é
importante que eles sejam investigados por um médico, principalmente se não
melhorarem em alguns dias.

Diagnóstico
O diagnóstico é feito pela endoscopia digestiva alta. Para realizar esse exame, o
paciente recebe sedação e é aplicado anestésico na região da garganta. A seguir,
um tubo é introduzido pela boca. A endoscopia digestiva alta permite ao médico
visualizar o esôfago e o estômago, além de fazer biópsias (retirada de pequenos
fragmentos do tecido). O material da biópsia é enviado a um laboratório para que
seja confirmado (ou não) o diagnóstico de tumor maligno e definido qual o tipo de
tumor.
Caso o diagnóstico de câncer gástrico seja confirmado, geralmente é necessária a
realização de tomografias computadorizadas para avaliar a extensão do tumor. Em
alguns casos, quando o câncer parece ser de estágio mais inicial, pode ser
solicitada ultrassonografia endoscópica (exame semelhante à endoscopia digestiva
alta, em que na ponta do tubo introduzido pela garganta há um aparelho de
ultrassom).

Tratamento
- Doença localizada
O câncer de estômago é considerado localizado quando está restrito ao órgão e
aos gânglios linfáticos ao redor. Neste caso, o principal tratamento é a cirurgia.
Durante o procedimento, o cirurgião primeiramente faz um exame visual do interior
da cavidade abdominal, para verificar se não há disseminação do tumor que não
foi constatada nos exames pré-operatórios. A decisão de retirar todo o estômago
ou apenas parte dele depende de fatores como a localização específica do tumor,
a extensão da lesão e o subtipo de câncer. Em algumas situações, como quando o
tumor invade a artéria aorta, a cirurgia pode não ser possível.
A realização da quimioterapia, antes e/ou após a cirurgia, em geral, aumenta as
chances de cura (exceto nos tumores mais iniciais). Em casos selecionados,
também pode ser necessário o tratamento com radioterapia após a cirurgia.
- Câncer inoperável ou metastático
Nas situações em que não é possível retirar o tumor com cirurgia ou em que há
metástases (câncer espalhado para outros órgãos), o tratamento é paliativo. As
metástases do câncer gástrico em geral estão localizadas no peritônio (membrana
que recobre os órgãos digestivos e a parede interna da cavidade abdominal),
fígado, pulmões, ossos, gânglios linfáticos distantes do estômago, cérebro e
glândula adrenal.
O objetivo do tratamento paliativo é aliviar ou evitar sintomas, melhorar a qualidade
de vida e prolongar a sobrevida. A escolha do tipo de tratamento paliativo depende
dos sintomas presentes, da extensão do tumor e, principalmente, das condições
físicas do paciente.
O sangramento tumoral em geral é de pequena quantidade e crônico, mas, em
alguns casos, pode ser mais agudo. A avaliação médica define o tratamento
necessário para cada paciente, que pode incluir: observação, medicamentos,
transfusões sanguíneas, procedimentos endoscópicos ou vasculares (embolização
para cessar o sangramento), cirurgia ou radioterapia paliativa.
Outros sintomas frequentes são náuseas, vômitos, caquexia e a obstrução do
trânsito intestinal. Em casos mais brandos, modificações de dieta e o uso de
medicamentos podem aliviar. Em outras situações, a depender da causa da
obstrução e das condições físicas do paciente, a melhora pode ocorrer com
quimioterapia, radioterapia, procedimentos endoscópicos ou cirúrgicos. A
colocação de um cateter pelo nariz até o estômago para fazer a descompressão
gástrica e a drenagem de secreção, ou mesmo a sedação paliativa, podem ser
necessários em quadros clínicos mais graves.
A quimioterapia paliativa pode, em alguns casos, prolongar a sobrevida e melhorar
a qualidade de vida. É importante que esse tratamento seja feito de forma
simultânea ao controle dos sintomas (medidas para controle de dor, sangramento,
vômitos, etc.) e do suporte psicossocial ao paciente e familiares.

- Linfoma gástrico
O tratamento, que depende do tipo de linfoma e da extensão da doença, pode
incluir uma ou mais das seguintes modalidades: tratamento da infecção pela H.
pylori; cirurgia; radioterapia; quimioterapia; anticorpo contra linfócitos B.
- GIST
O tratamento pode incluir cirurgia e uso de medicamentos via oral.

Câncer de mama
versão para Profissionais de Saúde

Última modificação: 11/10/2018 | 16h41

O câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação desordenada de


células da mama. Esse processo gera células anormais que se multiplicam,
formando um tumor.
Há vários tipos de câncer de mama. Por isso, a doença pode evoluir de diferentes
formas. Alguns tipos têm desenvolvimento rápido, enquanto outros crescem mais
lentamente. Esses comportamentos distintos se devem a característica próprias de
cada tumor.
O câncer de mama é o tipo da doença mais comum entre as mulheres no mundo e
no Brasil, depois do de pele não melanoma, correspondendo a cerca de 25% dos
casos novos a cada ano. No Brasil, esse percentual é de 29%.
Para 2018, são esperados 59.700 casos novos de câncer de mama no Brasil.
Excluído o câncer de pele não melanoma, é o mais frequente nas mulheres das
regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. O câncer de mama também
acomete homens, porém é raro, representando apenas 1% do total de casos da
doença.
Existe tratamento para câncer de mama, e o Ministério da Saúde oferece
atendimento por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
Atenção: A informação existente neste portal pretende apoiar e não substituir a
consulta médica. Procure sempre uma avaliação pessoal com o Serviço de Saúde.

Estatísticas
Estimativa de novos casos: 59.700 (2018 - INCA)
Número de mortes: 15.593, sendo 15.403 mulheres e 187 homens (2015 - Atlas de
Mortalidade por Câncer)

O que aumenta o risco?


O câncer de mama não tem somente uma causa. A idade é um dos mais
importantes fatores de risco para a doença (cerca de quatro em cada cinco casos
ocorrem após os 50 anos).
Outros fatores que aumentam o risco da doença são:

Fatores ambientais e Fatores da história reprodutiva e


Fatores genéticos e hereditários*
comportamentais hormonal
Obesidade e sobrepeso após a História familiar de câncer de
Primeira menstruação antes de 12 anos;
menopausa; ovário;
Sedentarismo e inatividade Casos de câncer de mama na família,
Não ter tido filhos;
física; principalmente antes dos 50 anos;
História familiar de câncer de mama
Consumo de bebida alcoólica; Primeira gravidez após os 30 anos;
em homens;
Exposição frequente a Parar de menstruar (menopausa) após os Alteração genética, especialmente
radiações ionizantes (Raios-X). 55 anos; nos genes BRCA1 e BRCA2.
Uso de contraceptivos hormonais
(estrogênio-progesterona);
Ter feito reposição hormonal pós-
menopausa, principalmente por mais de
cinco anos.

*A mulher que possui um ou mais desses fatores genéticos/hereditários é


considerada com risco elevado para desenvolver câncer de mama.
O câncer de mama de caráter genético/hereditário corresponde a apenas 5% a
10% do total de casos da doença.
Atenção: a presença de um ou mais desses fatores de risco não significa que a
mulher necessariamente terá a doença.
É importante ressaltar que não ter amamentado não é fator de risco para câncer
de mama. Amamentar o máximo de tempo possível é um fator de proteção para o
câncer. Então, o não aleitamento promove a perda de um fator de proteção, o que
é diferente de significar fator de risco.
Exposição a determinadas substâncias e ambientes, como agrotóxicos, benzeno,
campos eletromagnéticos de baixa frequência, campos magnéticos, compostos
orgânicos voláteis (componentes químicos presentes em diversos tipos de
materiais sintéticos ou naturais, caracterizados por sua alta pressão de vapor sob
condições normais, fazendo com que se transformem em gás ao entrar em contato
com a atmosfera), hormônios e dioxinas (poluentes orgânicos persistentes
altamente tóxicos ao ambiente. São normalmente subprodutos de processos
industriais e de combustão) pode estar associada ao desenvolvimento da doença.
Os profissionais que apresentam risco aumentado de desenvolvimento de câncer
de mama são os cabeleireiros, operadores de rádio e telefone, enfermeiros e
auxiliares de enfermagem, comissários de bordo, trabalhadores noturnos. As
atividades econômicas que mais se relacionam ao desenvolvimento da doença são
as da indústria da borracha e plástico, química e refinaria de petróleo.

Como prevenir?
Cerca de 30% dos casos de câncer de mama podem ser evitados com a adoção
de hábitos saudáveis como:

 Praticar atividade física;


 Alimentar-se de forma saudável;
 Manter o peso corporal adequado;
 Evitar o consumo de bebidas alcoólicas;
 Amamentar
 Evitar uso de hormônios sintéticos, como anticoncepcionais e terapias de
reposição hormonal.

Sinais e sintomas
O câncer de mama pode ser percebido em fases iniciais, na maioria dos casos, por
meio dos seguintes sinais e sintomas:

 Nódulo (caroço), fixo e geralmente indolor: é a principal manifestação da


doença, estando presente em cerca de 90% dos casos quando o câncer é
percebido pela própria mulher
 Pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja
 Alterações no bico do peito (mamilo)
 Pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço
 Saída espontânea de líquido anormal pelos mamilos
Esses sinais e sintomas devem sempre ser investigados por um médico para que
seja avaliado o risco de se tratar de câncer.
É importante que as mulheres observem suas mamas sempre que se sentirem
confortáveis para tal (seja no banho, no momento da troca de roupa ou em outra
situação do cotidiano), sem técnica específica, valorizando a descoberta casual de
pequenas alterações mamárias.
Em caso de permanecerem as alterações, elas devem procurar logo os serviços
de saúde para avaliação diagnóstica.
A postura atenta das mulheres em relação à saúde das mamas é fundamental
para a detecção precoce do câncer da mama.

Detecção precoce
O câncer de mama pode ser detectado em fases iniciais, em grande parte dos
casos, aumentando assim a possibilidade de tratamentos menos agressivos e com
taxas de sucesso satisfatórias.
Todas as mulheres, independentemente da idade, devem ser estimuladas a
conhecer seu corpo para saber o que é e o que não é normal em suas mamas. A
maior parte dos cânceres de mama é descoberta pelas próprias mulheres.
Além disso, o Ministério da Saúde recomenda que a mamografia de rastreamento
(exame realizado quando não há sinais nem sintomas suspeitos) seja ofertada
para mulheres entre 50 e 69 anos, a cada dois anos.
A recomendação brasileira segue a orientação da Organização Mundial da Saúde
e de países que adotam o rastreamento mamográfico.
Mamografia é uma radiografia das mamas feita por um equipamento de raios X
chamado mamógrafo, capaz de identificar alterações suspeitas de câncer antes do
surgimento dos sintomas, ou seja, antes que seja palpada qualquer alteração nas
mamas.
Mulheres com risco elevado de câncer de mama devem conversar com seu
médico para avaliação do risco e definição da conduta a ser adotada.
A mamografia de rastreamento pode ajudar a reduzir a mortalidade por câncer de
mama, mas também expõe a mulher a alguns riscos. Os principais benefícios e
riscos desse exame são:
Benefícios:

 Encontrar o câncer no início e permitir um tratamento menos agressivo.


 Menor chance de a paciente morrer por câncer de mama, em função do
tratamento precoce.
Riscos:

 Resultados incorretos:
o Suspeita de câncer de mama, sem que se confirme a doença. Esse
alarme falso (resultado falso positivo) gera ansiedade e estresse, além
da necessidade de outros exames.
o Câncer existente, mas resultado normal (resultado falso negativo).
Esse erro gera falsa segurança à mulher.
 Ser diagnosticada e submetida a tratamento, com cirurgia (retirada parcial ou
total da mama), quimioterapia e/ou radioterapia, de um câncer que não
ameaçaria a vida. Isso ocorre em virtude do crescimento lento de certos tipos
de câncer de mama.
 Exposição aos Raios X. Raramente causa câncer, mas há um discreto
aumento do risco quanto mais frequente é a exposição. Esse dado não deve
desestimular as mulheres a se submeterem à mamografia, já que a exposição
ao Raio X durante esse exame é bem pequena, tornando o método bastante
seguro para a detecção precoce.
A mamografia diagnóstica, exame realizado com a finalidade de investigação de
lesões suspeitas da mama, pode ser solicitada em qualquer idade, a critério
médico. Ainda assim, a mamografia diagnóstica não apresenta uma boa
sensibilidade em mulheres jovens, pois nessa idade as mamas são mais densas, e
o exame apresenta muitos resultados incorretos.
O SUS oferece exame de mamografia para todas as idades, conforme indicação
médica.
Saiba mais em Cartilha Câncer de mama: é preciso falar disso.

Diagnóstico
Um nódulo ou outro sintoma suspeito nas mamas deve ser investigado para
confirmar se é ou não câncer de mama. Para a investigação, além do exame
clínico das mamas, exames de imagem podem ser recomendados, como
mamografia, ultrassonografia ou ressonância magnética. A confirmação
diagnóstica só é feita, porém, por meio da biópsia, técnica que consiste na retirada
de um fragmento do nódulo ou da lesão suspeita por meio de punções (extração
por agulha) ou de uma pequena cirurgia. O material retirado é analisado pelo
patologista para a definição do diagnóstico.

Tratamento
Muitos avanços vêm ocorrendo no tratamento do câncer de mama nas últimas
décadas. Há hoje mais conhecimento sobre as variadas formas de apresentação
da doença e diversas terapêuticas estão disponíveis.
O tratamento do câncer de mama depende da fase em que a doença se encontra
(estadiamento) e do tipo do tumor. Pode incluir cirurgia, radioterapia,
quimioterapia, hormonioterapia e terapia biológica (terapia alvo).
Quando a doença é diagnosticada no início, o tratamento tem maior potencial
curativo. No caso de a doença já possuir metástases (quando o câncer se
espalhou para outros órgãos), o tratamento busca prolongar a sobrevida e
melhorar a qualidade de vida.

ESTADIAMENTO
O tratamento varia de acordo com o estadiamento da doença, as características
biológicas do tumor e as condições da paciente (idade, se já passou ou não pela
menopausa, doenças preexistentes e preferências).
As modalidades de tratamento do câncer de mama podem ser divididas em:
- Tratamento local: cirurgia e radioterapia.
- Tratamento sistêmico: quimioterapia, hormonioterapia e terapia biológica.
Estádios I e II
A conduta habitual nas fases iniciais do câncer de mama é a cirurgia, que pode ser
conservadora (retirada apenas do tumor) ou mastectomia (retirada da mama)
parcial ou total, seguida ou não de reconstrução mamária.
Após a cirurgia, tratamento complementar com radioterapia pode ser indicado em
algumas situações. Já a reconstrução mamária deve ser sempre considerada nos
casos de retirada da mama para minimizar os danos físicos e emocionais do
tratamento.
O tratamento sistêmico, após o tratamento local, será indicado de acordo com a
avaliação de risco de a doença retornar (recorrência ou recidiva) e considera a
idade da paciente, o tamanho e o tipo do tumor e se há comprometimento dos
linfonodos axilares.
A mensuração (medição) dos receptores hormonais (receptor de estrogênio e
progesterona) do tumor, por meio do exame de imunohistoquímica, é fundamental
para saber se a hormonioterapia pode ser indicada (tratamento de uso prolongado
em forma de comprimidos para diminuir a produção dos hormônios femininos do
organismo). A informação sobre a presença do HER-2 (fator de crescimento
epidérmico 2) também é obtida por meio desse exame e poderá indicar a
necessidade de terapia biológica anti-HER-2.
Para algumas pacientes com tumores medindo entre 2,1cm e 5cm com
comprometimento dos linfonodos axilares, embora sejam entendidas como
estadiamento II, pode ser considerado iniciar o tratamento por terapias sistêmicas
(quimioterapia) dependendo da imuno-histoquímica (o chamado down
stage [redução de estágio]. Essa decisão individualizada permite que pacientes
que seriam submetidas à retirada da mama e dos linfonodos axilares possam,
eventualmente, ter essas áreas preservadas.
Estádio III
Pacientes com tumores maiores que 5cm, porém ainda localizados, enquadram-se
no estádio III. Nessa situação, o tratamento sistêmico (na maioria das vezes, com
quimioterapia) é a opção inicial. Após a redução do tumor promovida pela
quimioterapia, segue-se com o tratamento local (cirurgia e radioterapia).
Estádio IV
Nessa fase, em que já há metástase (o câncer se espalhou para outros órgãos) é
fundamental buscar o equilíbrio entre o controle da doença e o possível aumento
da sobrevida, levando-se em consideração os potenciais efeitos colaterais do
tratamento.
A atenção à qualidade de vida da paciente com câncer de mama deve ser
preocupação dos profissionais de saúde ao longo de todo o processo terapêutico.

Câncer de pele não melanoma


versão para Profissionais de Saúde

Última modificação: 23/11/2018 | 15h40


O câncer de pele não melanoma é o mais frequente no Brasil e corresponde a
cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país. Apresenta altos
percentuais de cura, se for detectado e tratado precocemente. Entre os tumores de
pele, é o mais frequente e de menor mortalidade, porém, se não tratado
adequadamente pode deixar mutilações bastante expressivas.
Mais comum em pessoas com mais de 40 anos, o câncer de pele é raro em
crianças e negros, com exceção daqueles já portadores de doenças cutâneas.
Porém, com a constante exposição de jovens aos raios solares, a média de idade
dos pacientes vem diminuindo.
Pessoas de pele clara, sensíveis à ação dos raios solares, com história pessoal ou
familiar deste câncer ou com doenças cutâneas prévias são as mais atingidas.
O câncer de pele não melanoma apresenta tumores de diferentes tipos. Os mais
frequentes são o carcinoma basocelular (o mais comum e também o menos
agressivo) e o carcinoma epidermoide.
Atenção: As informações neste portal pretendem apoiar e não substituir a consulta
médica. Procure sempre uma avaliação no Serviço de Saúde.

Estatísticas
Estimativa de novos casos no Brasil: 165.580, sendo 85.170 homens e 80.140
mulheres (2018 - INCA)
Número de mortes no Brasil: 1.958, sendo 1.137 homens e 821 mulheres (2015
– SIM)

O que aumenta o risco?

 Exposição prolongada e repetida ao sol (raios ultravioletas - UV),


principalmente na infância e adolescência.
 Ter pele e olhos claros, com cabelos ruivos ou loiros, ou ser albino.
 Ter história familiar ou pessoal de câncer de pele.
Os tumores de pele estão relacionados a alguns fatores de risco, principalmente, à
exposição aos raios ultravioletas do sol. Pessoas que trabalham sob exposição
direta ao sol são mais vulneráveis ao câncer de pele não-melanoma.
Outros fatores de risco incluem indivíduos com sistema imune debilitado e
exposição à radiação artificial.

Como prevenir?

1. Evitar exposição prolongada ao sol entre 10h e 16h.

2. Procurar lugares com sombra.

3. Usar proteção adequada, como roupas, bonés ou chapéus de abas largas,


óculos escuros com proteção UV, sombrinhas e barracas.

4. Aplicar na pele, antes de se expor ao sol, filtro (protetor) solar com fator de
proteção 15, no mínimo.
5. Usar filtro solar próprio para os lábios.

Tipos e Subtipos
Para auxiliar na prevenção e detecção precoce do câncer de pele não-melanoma,
consulte o informativo.
Caso encontre qualquer diferença ou alteração, procure orientação médica.

Sinais e sintomas
O câncer de pele não melanoma ocorre principalmente nas áreas do corpo mais
expostas ao sol, como rosto, pescoço e orelhas, podendo destruir estas estruturas.
Apresenta-se como:

 Manchas na pele que coçam, ardem, descamam ou sangram.


 Feridas que não cicatrizam em até quatro semanas
Nesses casos, deve-se procurar o mais rápido possível o médico dermatologista
(especialista em pele).

Detecção precoce
Os dois tipos de câncer de pele não melanoma mais comuns são:

1. O carcinoma basocelular, que se caracteriza por uma lesão (ferida ou


nódulo), e apresenta evolução lenta.

2. O carcinoma epidermoide, que também surge por meio de uma ferida ou


sobre uma cicatriz, principalmente aquelas decorrentes de queimadura. A
maior gravidade do carcinoma epidermoide se deve à possibilidade de
apresentar metástase (espalhar-se para outros órgãos).

Deve-se suspeitar de qualquer mudança persistente na pele, seja o aparecimento


de um nódulo, uma ferida que não cicatriza em até quatro semanas, uma mancha
vermelha, um nódulo ou ferida que sangra ou forma crosta. Diante dessas lesões
suspeitas, um especialista deve ser procurado para confirmação do diagnóstico e
tratamento. Quanto mais precoce for sua identificação, melhores serão os
resultados do tratamento.
As pessoas devem ser sensibilizadas a conhecer seu corpo e estar atentas a
quaisquer alterações em sua pele.
Para auxiliar na prevenção e detecção precoce do câncer de pele não-melanoma,
consulte o informativo.

Diagnóstico
O diagnóstico normalmente é feito pelo dermatologista, através de exame clínico.
Em algumas situações, é necessário que o especialista utilize a dermatoscopia,
exame no qual se usa um aparelho que permite visualizar algumas camadas da
pele não vistas a olho nu. Alguns casos exigem um exame invasivo, que é a
biópsia.
Tratamento
A cirurgia é o tratamento mais indicado tanto nos casos de carcinoma basocelular
como de carcinoma epidermoide. Eventualmente, pode-se associar a radioterapia
à cirurgia.
A terapia fotodinâmica (uso de um creme fotossensível e posterior aplicação de
uma fonte de luz) é uma opção terapêutica para a ceratose actínica (lesão
precursora do câncer de pele), carcinoma basocelular superficial e carcinoma
epidermoide "in situ" (Doença de Bowen).
A criocirurgia e a imunoterapia tópica são também opções para o tratamento
desses cânceres. No entanto, exigem indicação precisa feita por um especialista
experiente.

Câncer de próstata
versão para Profissionais de Saúde

Última modificação: 21/11/2018 | 10h48

No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás


apenas do câncer de pele não-melanoma). Em valores absolutos e considerando
ambos os sexos, é o segundo tipo mais comum. A taxa de incidência é maior nos
países desenvolvidos em comparação aos países em desenvolvimento.
A próstata é uma glândula que só o homem possui e que se localiza na parte baixa
do abdômen. Ela é um órgão pequeno, tem a forma de maçã e se situa logo
abaixo da bexiga e à frente do reto (parte final do intestino grosso). A próstata
envolve a porção inicial da uretra, tubo pelo qual a urina armazenada na bexiga é
eliminada. A próstata produz parte do sêmen, líquido espesso que contém os
espermatozoides, liberado durante o ato sexual.
Mais do que qualquer outro tipo, é considerado um câncer da terceira idade, já que
cerca de 75% dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. O aumento
observado nas taxas de incidência no Brasil pode ser parcialmente justificado pela
evolução dos métodos diagnósticos (exames), pela melhoria na qualidade dos
sistemas de informação do país e pelo aumento na expectativa de vida.
Alguns desses tumores podem crescer de forma rápida, espalhando-se para
outros órgãos e podendo levar à morte. A maioria, porém, cresce de forma tão
lenta (leva cerca de 15 anos para atingir 1 cm³ ) que não chega a dar sinais
durante a vida e nem a ameaçar a saúde do homem.
Atenção: A informação existente neste portal pretende apoiar e não substituir a
consulta médica. Procure sempre uma avaliação pessoal com o Serviço de
Saúde.

Estatísticas
Estimativa de novos casos: 68.220 (2018 - INCA).
Número de mortes: 14.484 (2015 - Atlas de Mortalidade por Câncer.

O que aumenta o risco?

 A idade é um fator de risco importante, uma vez que tanto a incidência quanto
a mortalidade aumentam significativamente após os 50 anos.
 Pai ou irmão com câncer de próstata antes dos 60 anos, podendo refletir tanto
fatores genéticos (hereditários) quanto hábitos alimentares ou estilo de vida
de risco de algumas famílias.
 Excesso de gordura corporal aumenta o risco de câncer de próstata
avançado.
 Exposições a aminas aromáticas (comuns nas indústrias química, mecânica e
de transformação de alumínio) arsênio (usado como conservante de madeira
e como agrotóxico), produtos de petróleo, motor de escape de veículo,
hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPA), fuligem e dioxinas estão
associadas ao câncer de próstata.

Sinais e sintomas
Em sua fase inicial, o câncer da próstata tem evolução silenciosa. Muitos pacientes
não apresentam nenhum sintoma ou, quando apresentam, são semelhantes aos
do crescimento benigno da próstata (dificuldade de urinar, necessidade de urinar
mais vezes durante o dia ou à noite). Na fase avançada, pode provocar dor óssea,
sintomas urinários ou, quando mais grave, infecção generalizada ou insuficiência
renal.

Detecção precoce
A detecção precoce do câncer é uma estratégia para encontrar o tumor em fase
inicial e, assim, possibilitar melhor chance de tratamento.
A detecção pode ser feita por meio da investigação, com exames clínicos,
laboratoriais ou radiológicos, de pessoas com sinais e sintomas sugestivos da
doença (diagnóstico precoce), ou com o uso de exames periódicos em pessoas
sem sinais ou sintomas (rastreamento), mas pertencentes a grupos com maior
chance de ter a doença. No caso do câncer de próstata, esses exames são o
toque retal e o exame de sangue para avaliar a dosagem do PSA (antígeno
prostático específico).
Não há evidência científica de que o rastreamento do câncer de próstata traga
mais benefícios do que riscos e, portanto, até o momento, recomenda-se que o
paciente converse com o médico sobre os riscos e benefícios de se submeter ou
não ao rastreamento.
Já o diagnóstico precoce desse tipo de câncer possibilita melhores resultados no
tratamento e deve ser buscado com a investigação de sinais e sintomas como:

 Dificuldade de urinar
 Diminuição do jato de urina
 Necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite
 Sangue na urina
Na maior parte das vezes, esses sintomas não são causados por câncer, mas é
importante que eles sejam investigados por um médico.

Diagnóstico
O câncer da próstata pode ser identificado com a combinação de dois exames:

 Dosagem de PSA: exame de sangue que avalia a quantidade do antígeno


prostático específico
 Toque retal: como a glândula fica em frente ao reto, o exame permite ao
médico palpar a próstata e perceber se há nódulos (caroços) ou tecidos
endurecidos (possível estágio inicial da doença). O toque é feito com o dedo
protegido por luva lubrificada. É rápido e indolor, apesar de alguns homens
relatarem incômodo e terem enorme resistência em realizar o exame.
Na maioria dos homens, o nível de PSA costuma permanecer abaixo de 4 ng/ml.
Alguns pacientes com nível normal de PSA podem ter um tumor maligno, que pode
até ser mais agressivo, por isso esse exame, feito de forma isolada, não pode ser
a única forma de diagnóstico.
Nenhum dos dois exames têm 100% de precisão. Por isso, podem ser necessários
exames complementares.
A biópsia é o único procedimento capaz de confirmar o câncer. A retirada de
amostras de tecido da glândula para análise é feita com auxílio da
ultrassonografia. Pode haver desconforto e presença de sangue na urina ou no
sêmen nos dias seguintes ao procedimento, e há risco de infecção, o que é
resolvido com o uso de antibióticos.
Outros exames de imagem também podem ser solicitados, como tomografia
computadorizada, ressonância magnética e cintilografia óssea (para verificar se os
ossos foram atingidos).

Tratamento
Para doença localizada (que só atingiu a próstata e não se espalhou para outros
órgãos), cirurgia, radioterapia e até mesmo observação vigilante (em algumas
situações especiais) podem ser oferecidos. Para doença localmente avançada,
radioterapia ou cirurgia em combinação com tratamento hormonal têm sido
utilizados. Para doença metastática (quando o tumor já se espalhou para outras
partes do corpo), o tratamento mais indicado é a terapia hormonal.
A escolha do tratamento mais adequado deve ser individualizada e definida após
médico e paciente discutirem os riscos e benefícios de cada um.

Câncer de pulmão
versão para Profissionais de Saúde
Última modificação: 23/11/2018 | 15h27

O câncer de pulmão é o segundo mais comum em homens e mulheres no Brasil


(sem contar o câncer de pele não melanoma). É o primeiro em todo o mundo
desde 1985, tanto em incidência quanto em mortalidade. Cerca de 13% de todos
os casos novos de câncer são de pulmão.
A última estimativa mundial (2012) apontou incidência de 1,8 milhão de casos
novos, sendo 1,24 milhão em homens e 583 mil em mulheres.
A taxa de incidência vem diminuindo desde meados da década de 1980 entre
homens e desde meados dos anos 2000 entre as mulheres. Essa diferença deve-
se aos padrões de adesão e cessação do tabagismo constatados nos diferentes
sexos.
No Brasil, a doença foi responsável por 26.498 mortes em 2015. No fim do século
XX, o câncer de pulmão se tornou uma das principais causas de morte evitáveis.
O tabagismo e a exposição passiva ao tabaco são importantes fatores de risco
para o desenvolvimento de câncer de pulmão.
Em cerca de 85% dos casos diagnosticados, o câncer de pulmão está associado
ao consumo de derivados de tabaco.
O cigarro é, de longe, o mais importante fator de risco para o desenvolvimento do
câncer de pulmão. A taxa de mortalidade de 2011 para 2015 diminuiu 3,8% ao ano
em homens e, 2,3% ao ano em mulheres, devido à redução na prevalência do
tabagismo.
A taxa de sobrevida relativa em cinco anos para câncer de pulmão é de 18% (15%
para homens e 21% para mulheres). Apenas 16% dos cânceres são
diagnosticados em estágio inicial (câncer localizado), para o qual a taxa de
sobrevida de cinco anos é de 56%.
Atenção: A informação existente neste portal pretende apoiar e não substituir a
consulta médica. Procure sempre uma avaliação pessoal com o Serviço de Saúde.

Estatísticas
Estimativas de novos casos: 31.270, sendo 18.740 homens e 12.530 mulheres
(2018 - INCA);
Número de mortes: 26.498, sendo 15.514 homens e 10.978 mulheres (2015,
Atlas de Mortalidade por Câncer - INCA)

O que aumenta o risco?


O tabagismo é a principal causa de câncer de pulmão.
A exposição à poluição do ar, infecções pulmonares de repetição, deficiência e
excesso de vitamina A, doença pulmonar obstrutiva crônica (enfisema pulmonar e
bronquite crônica), fatores genéticos e história familiar de câncer de pulmão
favorecem ao desenvolvimento desse tipo de câncer.
Idade avançada: a maior parte dos casos afeta pessoas entre 50 e 70 anos.
O risco de ocorrência do câncer de pulmão e de morte pela doença aumenta
quanto maior a intensidade da exposição ao tabagismo. A mortalidade por câncer
de pulmão entre fumantes é cerca de 15 vezes maior do que entre pessoas que
nunca fumaram, enquanto entre ex-fumantes é cerca de quatro vezes maior.
Outros fatores de risco são: exposição ocupacional a agentes químicos ou físicos
(asbesto, sílica, urânio, cromo, agentes alquilantes, radônio entre outros), água
potável contendo arsênico, altas doses de suplementos de betacaroteno em
fumantes e ex-fumantes.
Os trabalhadores rurais, da construção civil, curtume, fundição de metais,
indústrias (alumínio, borracha, cimento e gesso, gráfica e papel, têxtil, metalúrgica,
metal pesado, nuclear, eletroeletrônicos, aeronaves, aparelhos médicos, vidro;
fertilizantes), mineração, fábrica de baterias, produção de pigmentos, bombeiros
hidráulicos, encanadores, eletricistas, mecânicos de automóvel, mineiros, pintores,
soldadores, sopradores de vidro, trabalho com isolamento, em navios e docas,
conservação do couro, limpeza e manutenção podem apresentar risco aumentado
de desenvolvimento da doença.
Se o trabalhador exposto a algum dos agentes ou circunstâncias de exposição
citados acima também fumar, o risco de câncer pode ser bem maior, devido ao
efeito sinérgico entre tabagismo e alguns agentes químicos e/ou físicos.

Como prevenir?
As seguintes práticas contribuem para prevenção do câncer de pulmão:

 Não fumar
 Evitar o tabagismo passivo
 Evitar a exposição a agentes químicos (como arsênico, asbesto, berílio,
cromo, radônio, urânio, níquel, cádmio, cloreto de vinila e éter de clorometil),
presentes em determinados ambientes de trabalho.

Sinais e sintomas
Os sintomas geralmente não ocorrem até que o câncer esteja avançado, mas
algumas pessoas com câncer de pulmão em estágio inicial apresentam sintomas.
Os mais comuns são:

 Tosse persistente
 Escarro com sangue
 Dor no peito
 Rouquidão
 Piora da falta de ar
 Perda de peso e de apetite
 Pneumonia recorrente ou bronquite
 Sentir-se cansado ou fraco
 Nos fumantes, o ritmo habitual da tosse é alterado e aparecem crises em
horários incomuns
Se você for ao médico quando perceber algum desses sintomas pela primeira vez
e estiver com câncer de pulmão, a doença pode ser diagnosticada em estágio
inicial, quando é mais provável que o tratamento seja efetivo.
Detecção precoce
A detecção precoce do câncer é uma estratégia para encontrar um tumor em fase
inicial e, assim, possibilitar maior chance de tratamento.
A detecção pode ser feita por meio da investigação com exames clínicos,
laboratoriais ou radiológicos, de pessoas com sinais e sintomas sugestivos da
doença (diagnóstico precoce), ou com o uso de exames periódicos em pessoas
sem sinais ou sintomas (rastreamento), mas pertencentes a grupos com maior
chance de ter a doença.
Não há evidência científica de que o rastreamento do câncer de pulmão na
população geral traga mais benefícios do que riscos e, portanto, até o momento,
ele não é recomendado. Estudos recentes mostraram a possibilidade de que a
realização de uma tomografia de baixa dose de radiação em grandes fumantes
(um maço por dia por 30 anos), com mais de 55 anos de idade, possa reduzir a
mortalidade por esse câncer. Entretanto, há riscos ligados à investigação que se
segue nos casos positivos. Por isso, a decisão de fazer ou não esse exame deve
ser discutida entre o paciente e o médico.
Já o diagnóstico precoce do câncer de pulmão é possível em apenas parte dos
casos, pois a maioria dos pacientes só apresenta sinais e sintomas em fases mais
avançadas da doença. Os sinais e sintomas mais comuns e que devem ser
investigados são:

 Tosse e rouquidão persistentes


 Sangramento pelas vias respiratórias
 Dor no peito
 Dificuldade de respirar
 Fraqueza e perda de peso sem causa aparente
Na maior parte das vezes esses sintomas não são causados por câncer, mas é
importante que eles sejam investigados por um médico, principalmente se não
melhorarem em poucos dias.

Diagnóstico
Raio-X do tórax, complementado por tomografia computadorizada são os exames
iniciais para investigar uma suspeita de câncer de pulmão. Em pacientes
assintomáticos sob risco de câncer de pulmão ou com sintomas precoces
sugestivos (emagrecimento, tosse persistente, padrão de tosse diferente do
habitual) a realização do Raio-X de tórax é de grande valor.
A broncoscopia (endoscopia respiratória) deve ser feita para avaliar a árvore
traquebrônquica e, eventualmente, permitir a biópsia (retirada de pedacinhos do
tumor com uma agulha para exame). É fundamental obter um diagnóstico de
certeza pela patologia.
Uma vez obtida a confirmação da doença, é feito o estadiamento, que avalia o
estágio de evolução, ou seja, verifica se a doença está restrita ao pulmão ou
disseminada para outros órgãos. O estadiamento é feito por meio de vários
exames, como biópsia pulmonar guiada por tomografia, biópsia por broncoscopia,
tomografia de tórax, ressonância nuclear, PET-CT, cintilografia óssea,
mediastinoscopia, ecobroncoscopia, entre outros.
Tratamento
O tratamento do câncer de pulmão requer a participação de um grupo
multidisciplinar, formado por oncologista, cirurgião torácico, pneumologista,
radioterapeuta, radiologista intervencionista, médico nuclear, enfermeiro,
fisioterapeuta, nutricionista e assistente social.
Para o adequado planejamento do tratamento, é necessário fazer o diagnóstico
histológico e o estadiamento para definir se a doença está localizada no pulmão ou
se existem focos em outros órgãos. Para os pacientes com doença localizada, e,
particularmente, sem linfonodo (gânglio) aumentado (íngua) no mediastino (região
entre os dois pulmões), o tratamento é cirúrgico, seguido ou não de quimioterapia
e/ou radioterapia.
Para aqueles com doença localizada no pulmão e nos linfonodos, o tratamento é
feito com radioterapia e quimioterapia ao mesmo tempo.
Em pacientes que apresentam metástases a distância, o tratamento é com
quimioterapia ou, em casos selecionados, com medicação baseada em terapia-
alvo.
Portanto, o tratamento do câncer de pulmão depende do tipo histológico e do
estágio da doença, podendo ser tratado com cirurgia, quimioterapia ou
radioterapia, e/ou modalidades combinadas.

Modalidades de tratamento
Cirurgia
A cirurgia, quando possível, consiste na retirada do tumor com uma margem de
segurança, além da remoção dos linfonodos próximos ao pulmão e localizados no
mediastino. É o tratamento de escolha por proporcionar melhores resultados e
controle da doença. Cerca de 20% dos casos são passiveis de tratamento
cirúrgico. Porém, na grande maioria (80-90% dos casos) a cirurgia não é possível
na ocasião do diagnóstico, devido à extensão da doença (estágio avançado) ou à
condição clínica debilitada do paciente.

As cirurgias para tratamento do câncer de pulmão podem ser:

Segmentectomia e ressecção em cunha: Quando se retira uma parte pequena


do pulmão (somente o segmento ou parte do segmento que envolve o tumor),
reservada para pacientes com tumores pequenos e que não suportam cirurgias
maiores por apresentarem idade ou condições clínicas e/ou respiratórias limitadas.
Lobectomia: É a cirurgia de escolha para o tratamento do câncer de pulmão.
Retira-se todo o lobo pulmonar (grupo de segmentos), onde o tumor está situado.
É o mais adequado por remover toda a doença de forma anatômica.
Pneumectomia: É a retirada de um pulmão inteiro (suas indicações são limitadas
e restritas). Procedimento com morbidade maior e não tolerado por alguns
pacientes.
Quimioterapia
O tratamento quimioterápico visa a destruir as células cancerígenas, assim como
reduzir o crescimento do tumor ou amenizar os sintomas da doença. Pode
apresentar efeitos colaterais indesejáveis, não sendo tolerada por todos os
pacientes.

Radioterapia
Utiliza radiação para destruir as células cancerígenas. Pode ser utilizada antes ou
após a cirurgia. Também pode ocasionar uma série de efeitos colaterais (como
pneumonite e esofagite).

Terapia-alvo:
Trata-se de uma nova forma de tratamento de câncer, frequentemente usada em
pacientes cujo tumor tenha determinadas características moleculares (genéticas).
Essas medicações têm sido reservadas para o tratamento de doenças avançadas.
Novos estudos estão em andamento para selecionar o grupo de pacientes que
melhor se beneficiará deste tratamento.

Câncer do colo do útero


versão para Profissionais de Saúde

Última modificação: 06/11/2018 | 14h26

O câncer do colo do útero, também chamado de câncer cervical, é causado pela


infecção persistente por alguns tipos do Papilomavírus Humano - HPV (chamados
de tipos oncogênicos).
A infecção genital por esse vírus é muito frequente e não causa doença na maioria
das vezes. Entretanto, em alguns casos, ocorrem alterações celulares que podem
evoluir para o câncer. Essas alterações são descobertas facilmente no exame
preventivo (conhecido também como Papanicolaou ou Papanicolau), e são
curáveis na quase totalidade dos casos. Por isso, é importante a realização
periódica desse exame.
Excetuando-se o câncer de pele não melanoma, é o terceiro tumor maligno mais
frequente na população feminina (atrás do câncer de mama e do colorretal), e a
quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil.
Atenção: A informação existente neste portal pretende apoiar e não substituir a
consulta médica. Procure sempre uma avaliação pessoal no Serviço de Saúde.

Estatísticas
Estimativas de novos casos: 16.370 (2018 - INCA)
Número de mortes: 5.727 (2015 - SIM)

O que aumenta o risco?

 Início precoce da atividade sexual e múltiplos parceiros.


 Tabagismo (a doença está diretamente relacionada à quantidade de cigarros
fumados).
 Uso prolongado de pílulas anticoncepcionais.

Como prevenir?
A prevenção primária do câncer do colo do útero está relacionada à diminuição do
risco de contágio pelo Papilomavírus Humano (HPV). A transmissão da infecção
ocorre por via sexual, presumidamente por meio de abrasões microscópicas na
mucosa ou na pele da região anogenital. Consequentemente, o uso de
preservativos (camisinha masculina ou feminina) durante a relação sexual com
penetração protege parcialmente do contágio pelo HPV, que também pode ocorrer
pelo contato com a pele da vulva, região perineal, perianal e bolsa escrotal.
Vacinação contra o HPV
O Ministério da Saúde implementou no calendário vacinal, em 2014, a vacina
tetravalente contra o HPV para meninas de 9 a 13 anos. A partir de 2017, o
Ministério estendeu a vacina para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14
anos. Essa vacina protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV. Os dois
primeiros causam verrugas genitais e os dois últimos são responsáveis por cerca
de 70% dos casos de câncer do colo do útero.
A vacinação e a realização do exame preventivo (Papanicolau) se complementam
como ações de prevenção desse tipo de câncer. Mesmo as mulheres vacinadas,
quando alcançarem a idade preconizada (a partir dos 25 anos), deverão fazer o
exame preventivo periodicamente, pois a vacina não protege contra todos os tipos
oncogênicos do HPV.

Sinais e sintomas
O câncer do colo do útero é uma doença de desenvolvimento lento, que pode não
apresentar sintomas em fase inicial. Nos casos mais avançados, pode evoluir para
sangramento vaginal intermitente (que vai e volta) ou após a relação sexual,
secreção vaginal anormal e dor abdominal associada a queixas urinárias ou
intestinais.

Detecção precoce
A detecção precoce do câncer é uma estratégia para encontrar um tumor numa
fase inicial e, assim, possibilitar maior chance de tratamento.
A detecção pode ser feita por meio da investigação com exames clínicos,
laboratoriais ou radiológicos, de pessoas com sinais e sintomas sugestivos da
doença (diagnóstico precoce), ou com o uso de exames periódicos em pessoas
sem sinais ou sintomas (rastreamento) mas pertencentes a grupos com maior
chance de ter a doença.
Existe uma fase pré-clínica (sem sintomas) do câncer do colo do útero, em que a
detecção de lesões precursoras (que antecedem o aparecimento da doença) pode
ser feita através do exame preventivo (Papanicolaou). Quando diagnosticado na
fase inicial, as chances de cura do câncer cervical são de 100%. A doença é
silenciosa em seu início e sinais e sintomas como sangramento vaginal, corrimento
e dor aparecem em fases mais avançadas da doença

Exame preventivo
O exame preventivo do câncer do colo do útero (Papanicolau) é a principal
estratégia para detectar lesões precursoras e fazer o diagnóstico precoce da
doença. O exame pode ser feito em postos ou unidades de saúde da rede pública
que tenham profissionais capacitados. Sua realização periódica permite reduzir a
ocorrência e a mortalidade pela doença.
O exame preventivo é indolor, simples e rápido. Pode, no máximo, causar um
pequeno desconforto. Para garantir um resultado correto, a mulher não deve ter
relações sexuais (mesmo com camisinha) no dia anterior ao exame; evitar também
o uso de duchas, medicamentos vaginais e anticoncepcionais locais nas 48 horas
anteriores à realização do exame. É importante também que não esteja
menstruada, porque a presença de sangue pode alterar o resultado. Mulheres
grávidas também podem se submeter ao exame, sem prejuízo para sua saúde ou
a do bebê.
Como é feito o exame

 Para a coleta do material, é introduzido na vagina um instrumento chamado


espéculo (conhecido popularmente como “bico de pato”, devido ao seu
formato);
 O profissional de saúde faz a inspeção visual do interior da vagina e do colo
do útero;
 O profissional promove a escamação da superfície externa e interna do colo
do útero com uma espátula de madeira e uma escovinha;
 As células colhidas são colocadas numa lâmina de vidro para análise em
laboratório especializado em citopatologia.
Quem deve fazer e quando fazer o exame preventivo
Toda mulher que tem ou já teve vida sexual e que estão entre 25 e 64 anos de
idade. Devido à longa evolução da doença, o exame pode ser realizado a cada
três anos. Para maior segurança do diagnóstico, os dois primeiros exames devem
ser anuais. Se os resultados estiverem normais, sua repetição só será necessária
após três anos.
O que fazer após o exame?
A mulher deve retornar ao local onde foi realizado o exame (ambulatório, posto
ou centro de saúde) na data marcada para saber o resultado e receber
instruções. Tão importante quanto realizar o exame é buscar o resultado e
apresentá-lo ao médico.
Resultado
Se o seu exame acusou:

 Negativo para câncer: Se esse for o seu primeiro resultado negativo, você
deverá fazer novo exame preventivo daqui a um ano. Se você já tem um
resultado negativo no ano anterior, deverá fazer o próximo exame preventivo
daqui a três anos;
 Infecção pelo HPV ou lesão de baixo grau: Você deverá repetir o exame
daqui a seis meses;
 Lesão de alto grau: O médico decidirá a melhor conduta. Você vai precisar
fazer outros exames, como a colposcopia;
 Amostra insatisfatória: A quantidade coletada de material não foi suficiente
para fazer o exame. Você deve repetir o exame logo que for possível.
Em todos as situações, é importante seguir as recomendações médicas.

Diagnóstico
Os seguintes testes podem ser utilizados:

1. Exame pélvico e história clínica: exame da vagina, colo do útero, útero, ovário
e reto através de avaliação com espéculo, Papanicolau, toque vaginal e toque
retal.

2. Exame Preventivo (Papanicolau)

3. Colposcopia – exame que permite visualizar a vagina e o colo de útero com


um aparelho chamado colposcópio, capaz de detectar lesões anormais
nessas regiões

4. Biópsia – se células anormais são detectadas no exame preventivo


(Papanicolau), é necessário realizar uma biópsia, com a retirada de pequena
amostra de tecido para análise no microscópio.

Tratamento
O tratamento para cada caso deve ser avaliado e orientado por um médico. Entre
os tratamentos para o câncer do colo do útero estão a cirurgia, a quimioterapia e a
radioterapia. O tipo de tratamento dependerá do estadiamento (estágio de
evolução) da doença, tamanho do tumor e fatores pessoais, como idade da
paciente e desejo de ter filhos.
Se confirmada a presença de lesão precursora, ela poderá ser tratada a nível
ambulatorial, por meio de uma eletrocirurgia.

Leucemia
versão para Profissionais de Saúde

Última modificação: 10/10/2018 | 14h38

A leucemia é uma doença maligna dos glóbulos brancos, geralmente, de origem


desconhecida. Tem como principal característica o acúmulo de células doentes na
medula óssea, que substituem as células sanguíneas normais.
A medula óssea é o local de fabricação das células sanguíneas e ocupa a
cavidade dos ossos, sendo popularmente conhecida por tutano. Nela são
encontradas as células que dão origem aos glóbulos brancos (leucócitos), aos
glóbulos vermelhos (hemácias ou eritrócitos) e às plaquetas.
Na leucemia, uma célula sanguínea que ainda não atingiu a maturidade sofre uma
mutação genética que a transforma em uma célula cancerosa. Essa célula anormal
não funciona de forma adequada, multiplica-se mais rápido e morre menos do que
as células normais. Dessa forma, as células sanguíneas saudáveis da medula
óssea vão sendo substituídas por células anormais cancerosas.
Existem mais de 12 tipos de leucemia, sendo que os quatro primários são
leucemia mieloide aguda (LMA), leucemia mieloide crônica (LMC), leucemia
linfocítica aguda (LLA) e leucemia linfocítica crônica (CLL).
Atenção: A informação existente neste portal pretende apoiar e não substituir a
consulta médica. Procure sempre uma avaliação pessoal com o Serviço de Saúde.

Estatísticas
Estimativas de novos casos: 10.800, sendo 5.940 homens e 4.860 mulheres
(2018 - INCA).
Número de mortes: 6.837, sendo 3.692 homens e 3.145 mulheres (2015- Atlas de
Mortalidade por Câncer)

O que aumenta o risco?


Muitos estudos examinaram o papel dos fatores de risco em leucemia mieloide
aguda e Leucemia linfocítica aguda. A radiação ionizante e o benzeno são os
fatores ambientais que até agora foram comprovadamente associados à leucemia
aguda. Há outros fatores ambientais menos ligados à leucemia aguda.
As causas da leucemia ainda não estão definidas, mas, suspeita-se da associação
entre determinados fatores com o risco aumentado de desenvolver alguns tipos
específicos da doença:

 Tabagismo: leucemia mieloide aguda.


 Benzeno (encontrado na gasolina e largamente usado na indústria química):
leucemia mieloide aguda e crônica, leucemia linfoide aguda.
 Radiação ionizante (raios X e gama) proveniente de procedimentos médicos
(radioterapia). O grau de risco depende da idade, da dose de radiação e da
exposição: leucemia mieloide aguda e crônica e leucemia linfoide aguda;
 Quimioterapia (algumas classes de medicamentos usados no tratamento do
câncer e doenças auto-imunes): leucemia mieloide aguda e leucemia linfoide
aguda;
 Formaldeído: exposição ocupacional em indústrias (química, têxtil, entre
outras), área biomédica/saúde (hospitais e laboratórios: antisséptico,
desinfetante, fixador histológico e solvente), além do uso não autorizado pela
Anvisa desta substância em alguns salões de beleza (procedimento de
alisamento capilar);
 Produção de borracha: leucemias;
 Síndrome de Down e outras doenças hereditárias: leucemia mieloide aguda;
 Síndrome mielodisplásica e outras desordens sanguíneas: leucemia mieloide
aguda;
 História familiar: Leucemia mieloide aguda e leucemia linfoide crônica.
 Idade: quanto maior a idade maior o risco de desenvolver leucemia. Exceto a
leucemia linfoide aguda, que é mais comum em crianças. Todas as outras
formas são mais comuns em idosos.
 Exposição a agrotóxicos, solventes, diesel, poeiras, infecção por vírus de
hepatite B e C: leucemias

Como prevenir?
Na maior parte das vezes, os pacientes que desenvolvem leucemia não
apresentam nenhum fator de risco conhecido que possa ser modificado. Por isso,
a maioria dos casos de leucemia não podem ser evitados.
No entanto, o tabagismo se correlaciona com aumento do risco de Leucemia
Mieloide Aguda. Esse é um fator de risco modificável, relacionado a diversos
outros tipos de câncer (pulmão, boca, bexiga) e outras doenças graves também,
como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral.
Parar de fumar sempre vale a pena em qualquer momento da vida, mesmo que o
fumante já esteja com alguma doença causada pelo cigarro, tais como câncer,
enfisema ou derrame. A qualidade de vida melhora muito ao parar de fumar e os
riscos de adoecer diminuem.

Os raros casos de leucemia secundária ao tratamento de outros cânceres, em


decorrência do uso de certos agentes quimioterápicos e/ou de radioterapia,
dificilmente poderiam ser evitados, pois o tratamento de uma doença
potencialmente fatal é prioritário. Mas em diversos tipos de câncer estão sendo
estudadas novas alternativas de tratamentos que não envolvem o risco de
desenvolvimento futuro de leucemias secundárias. Informe-se no Serviço de
Saúde.

Tipos e Subtipos
As leucemias podem ser agrupadas com base na velocidade em que a doença
evolui e torna-se grave. Sob esse aspecto, a doença pode ser do tipo crônica (que
geralmente agrava-se lentamente) ou aguda (que costuma piorar de maneira
rápida):

 Crônica: no início da doença, as células leucêmicas ainda conseguem fazer


algum trabalho dos glóbulos brancos normais. Médicos geralmente
descobrem a doença durante exame de sangue de rotina. Lentamente, a
leucemia crônica se agrava. À medida que o número de células leucêmicas
aumenta, aparecem inchaço nos linfonodos (ínguas) ou infecções. Quando
surgem, os sintomas são brandos, agravando-se gradualmente.
 Aguda: as células leucêmicas não podem fazer nenhum trabalho das células
sanguíneas normais. O número de células leucêmicas cresce de maneira
rápida e a doença agrava-se num curto intervalo de tempo.
As leucemias também podem ser agrupadas baseando-se nos tipos de glóbulos
brancos que elas afetam: linfoides ou mieloides. As que afetam as células linfoides
são chamadas de linfoide, linfocítica ou linfoblástica. A leucemia que afeta as
células mieloides são chamadas mieloide ou mieloblástica.

Combinando as duas classificações, existem quatro tipos mais comuns de


leucemia:

 Leucemia linfoide crônica: afeta células linfoides e se desenvolve de forma


lenta. A maioria das pessoas diagnosticadas com esse tipo da doença tem
mais de 55 anos. Raramente afeta crianças.
 Leucemia mieloide crônica: afeta células mieloides e se desenvolve
vagarosamente, a princípio. Acomete principalmente adultos.
 Leucemia linfoide aguda: afeta células linfoides e agrava-se de maneira
rápida. É o tipo mais comum em crianças pequenas, mas também ocorre em
adultos.
 Leucemia mieloide aguda: afeta as células mieloides e avança rapidamente.
Ocorre tanto em adultos como em crianças, mas a incidência aumenta com o
aumento da idade.

Sinais e sintomas
Os principais sintomas decorrem do acúmulo de células defeituosas na medula
óssea, prejudicando ou impedindo a produção das células sanguíneas normais. A
diminuição dos glóbulos vermelhos ocasiona anemia, cujos sintomas incluem:
fadiga, falta de ar, palpitação, dor de cabeça, entre outros. A redução dos glóbulos
brancos provoca baixa da imunidade, deixando o organismo mais sujeito a
infecções muitas vezes graves ou recorrentes. A diminuição das plaquetas
ocasiona sangramentos, sendo os mais comuns das gengivas e pelo nariz e
manchas roxas (equimoses) e/ou pontos roxos (petéquias) na pele.
O paciente pode apresentar gânglios linfáticos inchados, mas sem dor,
principalmente na região do pescoço e das axilas; febre ou suores noturnos; perda
de peso sem motivo aparente; desconforto abdominal (provocado pelo inchaço do
baço ou fígado); dores nos ossos e nas articulações. Caso a doença afete o
Sistema Nervoso Central (SNC), podem surgir dores de cabeça, náuseas, vômitos,
visão dupla e desorientação.
Depois de instalada, a doença progride rapidamente, exigindo que o tratamento
seja iniciado logo após o diagnóstico e a classificação da leucemia.

Detecção precoce
A detecção precoce do câncer é uma estratégia para encontrar um tumor em fase
inicial e, assim, possibilitar maior chance de tratamento.

A detecção pode ser feita por meio da investigação com exames clínicos,
laboratoriais ou radiológicos, de pessoas com sinais e sintomas sugestivos da
doença (diagnóstico precoce), ou com o uso de exames periódicos em pessoas
sem sinais ou sintomas (rastreamento), mas pertencentes a grupos com maior
chance de ter a doença.
Não há evidência científica de que o rastreamento das leucemias traga mais
benefícios do que riscos e, portanto, até o momento, ele não é recomendado.

Já o diagnóstico precoce desse tipo de câncer possibilita melhores resultados em


seu tratamento e deve ser buscado com a investigação de sinais e sintomas como:

 Palidez, cansaço e febre.


 Aumento de gânglios.
 Infecções persistentes ou recorrentes.
 Hematomas, petéquias e sangramentos inexplicados.
 Aumento do baço e do fígado.

Na maior parte das vezes esses sintomas não são causados por câncer, mas é
importante que sejam investigados por um médico.

Diagnóstico
Diante da suspeita de um quadro de leucemia, o paciente deverá realizar exames
de sangue e deverá ser referenciado para um hematologista, para avaliação
médica específica.
O principal exame de sangue para confirmação da suspeita de leucemia é o
hemograma. Em caso positivo, o hemograma estará alterado, mostrando na
maioria das vezes um aumento do número de leucócitos (na minoria das vezes o
número estará diminuído), associado ou não à diminuição das hemácias e
plaquetas. Outras análises laboratoriais devem ser realizadas, como exames de
bioquímica e da coagulação, e poderão estar alteradas.
A confirmação diagnóstica é feita com o exame da medula óssea (mielograma).
Nesse exame, retira-se uma pequena quantidade de sangue, proveniente do
material esponjoso de dentro do osso, para análise citológica (avaliação da forma
das células), citogenética (avaliação dos cromossomos das células), molecular
(avaliação de mutações genéticas) e imunofenotípica (avaliação do fenótipo das
células).
Algumas vezes pode ser necessária a realização da biópsia da medula óssea.
Nesse caso, um pequeno pedaço do osso da bacia é enviado para análise por um
patologista.

Tratamento
Tem o objetivo de destruir as células leucêmicas para que a medula óssea volte a
produzir células normais.
Nas leucemias agudas, o processo de tratamento envolve quimioterapia
(combinações de quimioterápicos), controle das complicações infecciosas e
hemorrágicas e prevenção ou combate da doença no Sistema Nervoso Central
(cérebro e medula espinhal). Para alguns casos, é indicado o transplante de
medula óssea.
O tratamento é feito em etapas. A primeira tem a finalidade de obter a remissão
completa, ou seja, um estado de aparente normalidade após a poliquimioterapia.
Esse resultado é alcançado em torno de um mês após o início do tratamento (fase
de indução de remissão), quando os exames (de sangue e da medula óssea) não
mais evidenciam células anormais.
Entretanto, pesquisas comprovam que ainda restam no organismo muitas células
leucêmicas (doença residual), o que obriga a continuação do tratamento para não
haver recaída. Nas etapas seguintes, o tratamento varia de acordo com o tipo de
célula afetada pela leucemia. Nas linfoides, pode durar mais de dois anos, e nas
mieloides, menos de um ano, exceto nos casos de Leucemia promielocítica aguda,
que também dura mais de 2 anos.
Na leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), o tratamento é composto de três fases:
Indução de remissão, consolidação (tratamento intensivo com quimioterápicos não
empregadas anteriormente); e manutenção (o tratamento é mais brando e
contínuo por vários meses). Durante todo o tratamento, pode ser necessária a
internação do paciente por infecção decorrente da queda dos glóbulos brancos
normais e por outras complicações do próprio tratamento.
Na Leucemia Mieloide Aguda (LMA), a etapa de manutenção só é necessária para
os casos de Leucemia promielocítica aguda - subtipo especial de LMA, muito
relacionado com hemorragias graves no diagnóstico. Nesses casos, existe uma
mutação genética específica que pode ser detectada nos exames da medula
óssea e o tratamento com uma combinação de quimioterapia com um comprimido
oral (tretinoina) possibilita taxas de cura bastante elevadas.
O tratamento da Leucemia Mieloide Crônica (LMC) não é feito com quimioterapia.
Essa leucemia decorre do surgimento de um gene específico (gene BCR-ABL)
capaz de aumentar a multiplicação celular através de uma proteína tirosina
quinase. O tratamento é feito com um medicamento oral da classe dos inibidores
de tirosina quinase, que inibe especificamente essa proteína anormal, que é a
causa da LMC. É um tratamento considerado “alvo específico”, porque o
medicamento inibe a multiplicação das células cancerosas, mas não das células
normais do organismo. Alguns casos de resistência ou falha ao tratamento inicial
podem necessitar de quimioterapia e transplante de medula óssea.
Na leucemia Linfocítica Crônica (LLC) agentes quimioterápicos, imunológicos
(anticorpos monoclonais) e agentes orais podem ser utilizados no tratamento. A
escolha dependerá de aspectos clínicos do paciente (como idade, presença de
outras doenças, capacidade de tolerar quimioterapia) e da doença.

Câncer anal
versão para Profissionais de Saúde

Última modificação: 14/08/2018 | 17h53

O câncer anal ocorre no canal e nas bordas externas do ânus. Os tumores


malignos surgem em tipos diferentes de tecidos, sendo o carcinoma epidermoide
responsável por 85% dos casos. O câncer anal é raro e representa de 1 a 2% de
todos os tumores colorretais.
Atenção: A informação existente neste portal pretende apoiar e não substituir a
consulta médica. Procure sempre uma avaliação pessoal com o Serviço de Saúde.

Estatísticas
Estimativa de novos casos: não disponível
Número de mortes: 406, sendo 148 homens e 258 mulheres (2015 - Atlas de
Mortalidade por Câncer)

O que aumenta o risco?

 Algumas infecções, como as causadas pelo HPV e pelo HIV


 Infecções sexualmente transmissíveis (IST), como condilomatose, gonorreia,
herpes genital e clamídia
 Prática do sexo anal
 Tabagismo
 Fístula anal crônica (ligação anormal entre a superfície do canal anal e o
tecido em volta do ânus, com secreção purulenta)
 Pacientes imunodeprimidos que se submeteram a transplantes de rim ou
coração
 Condições precárias de higiene e irritação crônica do ânus

Como prevenir?
Algumas infecções, como as causadas pelo papilomavírus humano (HPV) e pelo
HIV (vírus da imunodeficiência humana), são apontadas como responsáveis pelo
aumento da incidência de tumores anais. Outras infecções sexualmente
transmissíveis (IST), como condilomatose, gonorreia, herpes genital e clamídia,
assim como a prática do sexo anal, tabagismo e fístula anal crônica (ligação
anormal entre a superfície do canal anal e o tecido em volta do ânus, com
secreção purulenta) são relacionadas ao desenvolvimento desse tipo de câncer.
Por isso, utilize o preservativo (camisinha) em todas as relações sexuais. Caso
seja fumante, pare de fumar. Quanto mais cedo você parar de fumar, menos
chances terá de adoecer por doenças tabacorrelacionadas.

Sinais e sintomas
Alterações de hábitos intestinais e presença de sangue nas fezes são razões para
consultar o médico. O sintoma mais comum é o sangramento anal vivo durante a
evacuação, associado à dor na região do ânus. Outros sinais de alerta são coceira,
ardor, secreções incomuns, feridas na região anal e incontinência fecal
(impossibilidade para controlar a saída das fezes).

Detecção precoce
A detecção precoce do câncer é uma estratégia para encontrar um tumor numa
fase inicial e, assim, possibilitar maior chance de tratamento.

A detecção pode ser feita por meio da investigação com exames clínicos,
laboratoriais ou radiológicos, de pessoas com sinais e sintomas sugestivos da
doença (diagnóstico precoce), ou com o uso de exames periódicos em pessoas
sem sinais ou sintomas (rastreamento), mas pertencentes a grupos com maior
chance de ter a doença.

Não há evidência científica de que o rastreamento do câncer de ânus traga mais


benefícios do que riscos e, portanto, até o momento, ele não é recomendado.

Já o diagnóstico precoce desse tipo de câncer possibilita melhores resultados em


seu tratamento e deve ser buscado com a investigação de sinais e sintomas como:

 Tumoração ou úlcera inexplicadas no ânus


 Sangramento anal
 Perda do controle intestinal.
Na maior parte das vezes, esses sintomas não são causados por câncer, mas é
importante que eles sejam investigados por um médico.

Diagnóstico
Inicialmente, faz-se o exame de toque e, caso necessário, a anuscopia e a
proctoscopia. O diagnóstico é feito por biópsia de uma amostra do tecido. Outros
exames, como ressonância magnética, podem ser solicitados pelo médico para
detectar a extensão do tumor e orientar na escolha do melhor tratamento.

Tratamento
A definição do tratamento depende do estadiamento do tumor, o que será avaliado
pelo diagnóstico. O tratamento pode ser clínico e/ou cirúrgico. O mais utilizado é a
combinação de quimioterapia e radioterapia.