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AV1 - Terapia Existencial Humanista

Abril de 2019
Kenia Soares Maia
Aluna (o): Amanda Martinelli / Jenniffer Braga Cardoso
Matrícula: 201409005488 / 201301638803

- Analise o caso clínico a seguir a partir da abordagem Fenomenológico-


Existencial. Nesta análise do caso utilize os conceitos apresentados na disciplina
e apresente um direcionamento para o caso que exponha as suspensões
fenomenológicas possíveis de serem necessárias. Apresente o contexto
ético/político do caso em suas análises.

Caso Clínico:

Cláudia, com 42 anos de idade, procura terapia devido aos sintomas que
vem sentindo. Sente palpitações no peito, tremores e tontura. Na última consulta
no atendimento médico, foi encaminhada para psicologia para avaliar questões
emocionais. Cláudia é casada, têm três filhos: um filho de quinze, uma filha de
nove e um menino de dois anos. Desde que conheceu o atual marido e pai de
seu filho mais novo, vem sentindo esses sintomas. O relacionamento é muito
tenso e ele sempre ameaça Cláudia, diz coisas agressivas, xingamentos e gritos
são constantes. Ela depende dele financeiramente e agora que o mais novo está
mais crescido ela quer trabalhar, mas o marido não permite. Seu filho mais velho
está muito agressivo também e fica a maior parte do tempo fora de casa. A
menina está gaga e com dificuldades de aprendizado. Os pais dos mais velhos
não participam da educação dos filhos e pouco os veem.

Cláudia diz que precisa se separar do marido mas tem medo, sente medo
que o mais velho esteja se envolvendo com o tráfico de drogas e precisa ajudar
sua filha, mas não sabe como. O bebê pode ir para a creche ou a avó materna
poderia ajudar, mas ela não tem coragem de trabalhar em função das ameaças
do marido e da tontura. Busca terapia para cuidar dos sintomas que sente e que
acha que são emocionais.

Na primeira entrevista sua narrativa ao ser perguntada sobre como se


sente quando o marido xinga e grita Cláudia diz: “Normal, eu não sinto nada. Ele
sempre foi assim, já acostumei. Só sinto a tontura quando nada está
acontecendo. Não sei por que isso está acontecendo agora comigo.” E pergunta:
“Doutora, como a senhora vai fazer essa tontura parar? Eu quero trabalhar, mas
vou tentar fazer isso escondido dele, porque ele não quer, mas preciso que a
senhora me ajude a não ficar tonta!”

Para iniciar a análise, ressalto que a compreensão do paciente ocorre na relação


terapeuta-paciente, a partir da própria maneira de viver dele, do seu existir humano como
Dasein e ser-no-mundo.

Sendo assim, o terapeuta deve ouvir toda a fala de Cláudia, aceitando e


respeitando sua singularidade quando fala, por exemplo, de seus sintomas físicos, seu
medo de se separar de seu marido, sua preocupação com o filho mais velo e etc.

O terapeuta precisa também praticar a epoché (suspensão fenomenológica), a


modificação do olhar, visando uma compreensão do aqui e agora no contexto terapeuta-
paciente. O terapeuta precisa então compreender o fenômeno, se destituindo de saberes a
priori, pra que possa compreender o paciente em sua essência. Nesse caso, o terapeuta
pode precisar utilizar da suspensão fenomenológica quanto a Cláudia preferir permanecer
casada com seu marido por medo, ao invés de enfrentá-lo para que o afaste de seus filhos,
com quem ela já se preocupa que esteja ficando igual ao pai, da mesma forma, o terapeuta
pode também precisar suspender a ideia de que Cláudia procura a terapia para lidar apenas
com a tontura, e não para se fortalecer em relação ao marido, já que essas questões são
do terapeuta e não da existência de Cláudia.

A partir daí, o terapeuta deve procurar achar o sentido fundamental de cada


experiência que for relatada por Cláudia, buscando as relações de sentido entre as
experiências e como elas construíram a história de vida dela, sem deixar de se ater as
significações que ela fizer, já que a terapia fenomenológica-existencial tem por objetivo
fazer o paciente refletir sobre si para que ele mesmo possa encontrar maneiras menos
sofridas de se relacionar com o mundo que o cerca.
O caso de Cláudia tem ainda uma outra vertente que precisa ser cuidada. Cláudia
é vítima de violência psicológica, patrimonial e moral, atos criminosos. Por isso, além da
técnica habitual, o terapeuta deverá buscar um vínculo de confiança ainda maio com
Cláudia, para que ela possa se enxergar como vítima de violência doméstica e para que
possa se enxergar como sujeito. Para esse caso, o Conselho Federal de Psicologia nos
orienta, de forma obrigatória, que sejam notificados todos os casos de violência contra a
mulher, seja ela de qualquer tipo, através de notificação compulsória. A notificação
compulsória segue um processo interno dentro da Saúde Pública, pode ser baixada no site
do Ministério da Saúde e deve ser encaminhada a vigilância epidemiológica do município,
e não é considerada quebra de sigilo. O sigilo só poderá ser quebrado (para comunicação
a polícia, por exemplo) quando a mulher, seus filhos ou qualquer pessoa próxima, estiver
correndo risco de vida, o que não vem a ser o caso de Cláudia.

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