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27/07/2014

às 10:46 \ Guerras, História, Religião, Terrorismo

Seria Israel um país invasor e, portanto, ilegítimo?

A primeira acusação que alguns fazem a Israel diz respeito ao próprio direito de a nação judaica existir.
Judeus vivem naquela região há milênios. Os judeus europeus começaram a se mudar para onde hoje é Israel
em números significativos desde 1880. Quem aceita a Austrália, para dar um exemplo, como sendo
legitimamente uma nação, não pode questionar a legitimidade da presença judaica onde hoje é Israel. Várias
nações surgiram por decisões políticas e diplomáticas, mas Israel parece ser a única julgada como não
merecedora do direito de existir.

As terras adquiridas no Oriente Médio pelos judeus não foram fruto de colonização, mas sim compradas,
muitas vezes de especuladores árabes que viviam no Líbano. Eram terras pobres, e os compradores eram
refugiados de regimes opressivos que procuravam uma nova vida num lugar em que seus ancestrais viveram
e foram expulsos.

A Judeia mudou de nome para Palestina no começo da era pós-Cristo, quando os judeus foram expulsos
pelos romanos. Mas a região nunca deixou de contar com numeroso contingente judaico. Muitos viviam
pacificamente com árabes, até que Maomé desferiu atrocidades contra seu novo inimigo, chegando a
massacrar homens, mulheres e crianças judias. Suas ordens eram claras: “Jamais podem existir duas religiões
na Arábia”. Ainda assim, Tel Aviv foi uma cidade predominantemente judaica desde a sua fundação em
1909. O argumento de que o Estado de Israel é colonizador na origem e não tem sequer o direito à existência
é injusto e falso.

A Palestina sempre foi dividida em várias partes territoriais, sendo que a maior delas era governada de
Damasco por um paxá. Mas não se pode dizer que os palestinos habitavam uma “nação” da Palestina antes
da criação de Israel. A edição de 1911 da Encyclopaedia Britannica descreveu a população da Palestina
como compreendendo grupos “étnicos” muito diferentes, falando não menos do que 50 línguas.

Eram vastas milhas sem habitação alguma, e tribos de beduínos espalhadas pelo território. Nunca houve uma
união em forma de nação, formando uma Palestina. Os judeus ocuparam, legal e pacificamente, uma
pequena parcela desse vasto território, transformada em nação por medidas de segurança após a Segunda
Guerra, quando ficou evidente a insustentabilidade de convivência mútua entre judeus e muçulmanos, cujos
líderes haviam apoiado abertamente o nazismo de Hitler.
Já na Primeira Guerra, os árabes muçulmanos lutaram, em sua maioria, ao lado dos imperialistas otomanos,
e mesmo derrotados, ficaram com cerca de 80% do território. O primeiro Estado estabelecido na Palestina
foi um emirado, chamado Transjordânia, exclusivamente árabe. Mas havia clara oposição à formação de um
Estado judaico, e os líderes árabes começaram a exigir a eliminação de qualquer presença judaica na
Palestina.

Muitos gritavam que “a religião de Maomé nasceu com a espada”. Os ocidentais, em especial os britânicos,
acreditaram que a centralização do poder nas mãos de um religioso ou político facilitaria o controle da
região. Husseini foi escolhido, mas se tratava de um antissemita virulento, com declarado ódio aos judeus. O
líder dos palestinos aproximou-se de Hitler, e insistiu que sua “solução final” chegasse à Palestina,
liquidando os judeus do mapa. Em 1929, ocorreu o massacre de Hebron, quando 60 judeus foram mortos e o
restante foi expulso da cidade.

Em 1937, a divisão em dois Estados foi proposta, e os judeus aceitaram de imediato, enquanto os árabes
rejeitaram, alegando que a Palestina fosse toda colocada sob o controle árabe, com os judeus sendo
transferidos para outro país. Durante o Holocausto, a suástica tornou-se um símbolo bem recebido entre
muitos palestinos, e a SS deu tanto apoio financeiro como logístico aos pogroms antissemitas na Palestina.

Em 1944, uma unidade de comando árabe-alemã sob as ordens de Husseini foi lançada na Palestina num
esforço para envenenar os poços de Tel Aviv. Mesmo estando novamente do lado perdedor da guerra, várias
vantagens foram oferecidas aos palestinos após a queda de Hitler. Mas não era suficiente. Os judeus tinham
de sumir dali, e a criação de Israel, para proteção dos judeus, nunca foi aceita.

Várias nações muçulmanas, lideradas pelo Egito, atacaram Israel, tendo como alvos civis inocentes. Suas
bases militares eram deliberadamente cercadas por escudos civis, para qualquer reação de Israel causar
danos a inocentes, afetando sua imagem frente à opinião pública. Apenas a perfídia impede alguém de notar
a diferença moral entre alvejar expressamente civis e atingir acidentalmente civis, defendendo-se.

Em 1967, uma nova guerra contra os judeus teve início, pelas claras iniciativas de Nasser. Os exércitos
árabes estavam aglomerados ao longo da fronteira de Israel, prontos para atacar. Os planos de guerra
egípcios incluíam o massacre da população civil de Tel Aviv. Israel derrotou seus inimigos na Guerra dos
Seis Dias, com um número de baixas civis árabes menor que em qualquer guerra comparável.

Em outubro de 1973, o Egito e a Síria desfecharam ataques-surpresa contra Israel no Yom Kippur, o dia
mais sagrado do ano judaico. Israel tem armas nucleares desde os anos de 1960, mas jamais as usou, mesmo
nessa guerra absurda. Ainda assim acusam de genocida aquele que se defendia de forma moderada dos
inimigos fanáticos.

Israel simplesmente não podia existir. O terrorismo seria adotado como prática comum para esse objetivo
final: exterminar o povo judeu. Nada além disso seria aceito pelos líderes palestinos, cuja existência do
inimigo externo serve como escusa para o totalitarismo interno. O falecido terrorista Yasser Arafat não
negou tal objetivo, ao declarar que a OLP planejava “eliminar o Estado de Israel e estabelecer um Estado
puramente palestino”.

O sobrinho de Husseini, acusado de desviar milhões de dólares da OLP, continuou, afirmando que tornaria
“a vida impossível para os judeus através de guerra psicológica e explosão populacional”. Enquanto a
mulher e filha de Arafat viviam confortavelmente na França, filhos de palestinos, alguns com apenas 13
anos, eram mandados pelo líder como bombas humanas para o assassinato de crianças, mulheres e idosos
judeus.
Até mesmo um deficiente físico foi jogado no mar em um seqüestro de um navio pelos terroristas palestinos.
Suas ações incluem bombas em sinagogas, discotecas, jardim-de-infância, aviões e shopping centers. Ainda
assim, a ONU recebia Arafat como um respeitado líder. O método estava funcionando, e os ataques
terroristas se intensificavam. Hoje, a OLP é vista como “moderada” e o grupo terrorista Hamas é o radical
que muitos querem na mesa de negociação. O vetor resultante caminha na direção do radicalismo.

O duplo padão do julgamento internacional deixa evidente o viés antissemita. A ocupação da Palestina pela
Jordânia e pelo Egito jamais foi condenada pela ONU, nem foi alvo de preocupação dos grupos de direitos
humanos. O fato de os próprios árabes e muçulmanos serem os maiores assassinos dos palestinos nunca foi
duramente criticado. São sempre dois pesos e duas medidas. Israel é sempre o culpado.

O Tibete foi ocupado pela China comunista, teve boa parte de seu povo dizimada sem qualquer motivo, mas
a “ocupação” de Israel na Palestina merece infinitamente mais atenção da mídia, e a ONU jamais condenou a
China por isso. Se Israel consegue matar um terrorista palestino em um ataque cirúrgico, é acusado de
“terrorismo de Estado”. Até mesmo um muro construído por Israel foi condenado, e comparado ao Muro de
Berlim, ignorando a obviedade de que um tenta impedir a entrada de terroristas, e o outro a saída do próprio
povo escravo.

Não adianta: qualquer ação que Israel tome para combater o terrorismo será vista como condenável. É a sua
própria existência que não aceitam.

Rodrigo Constantino