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Geoquímica dos Isótopos

Estáveis e Instáveis
Suas Aplicações
GEOLOGIA ISOTÓPICA
O estudo dos isótopos em geologia permite:

1. Determinar as idades absolutas de rochas


e/ou minerais;

2. Caracterizar processos geológicos e áreas


fonte.
O QUE É UM ISÓTOPO DE UM ELEMENTO?

Chamam-se isótopos de um elemento aos átomos desse


elemento cujo núcleo contém o mesmo nº de protões e
diferente nº de neutrões.
Os isótopos podem dividir-se em três grupos:
isótopos radioactivos – isótopos que apresentam
radioactividade natural (ex: 87Rb, 235U, 14C, etc.),
transformando-se por desintegração noutros isótopos; a
abundância destes isótopos vai decrescendo com o
tempo.
isótopos radiogénicos – isótopos resultantes da
desintegração de um isótopo radioactivo (ex: 87Sr, 206Pb,
234Th, etc.); os isótopos radiogénicos podem ser por sua
vez radioactivos (ex: 234Th, etc.), ou ser estáveis (ex:
87Sr, 206Pb, etc.) isótopos estáveis – isótopos não
radioactivos (ex: sistemas H/D, C, S, N, 18O/16O, Fe, Ag).
DECAIMENTO RADIOACTIVO E ISÓTOPOS RADIOGÉNICOS

O decaimento radioactivo é a transformação


espontânea do átomo de um elemento (isótopo-pai)
no átomo de outro elemento (isótopo-filho) através da
emissão de matéria ou energia.
MECANISMOS DE DECAÍMENTO RADIOACTIVO

Os mecanismos fundamentais de decaimento


radioactivo são:
1. Emissão b
2. Captura electrónica
3. Emissão a
EMISSÃO b
Conversão de 1 neutrão do átomo do isótopo-pai
em 1 protão + 1 electrão (partícula b).
A partícula b é expulsa do núcleo.
87 Rb  87Sr + e
CAPTURA ELECTRÓNICA
Conversão de 1 protão do núcleo do átomo
do isótopo-pai em 1 neutrão por captura de
1 electrão (partícula b).
40 K + e- 40Ar
EMISSÃO a
Expulsão de 2 neutrões + 2 protões
(partícula a) do núcleo do átomo do isótopo-
pai.
235 U  231Th + 4He (partícula a)
Geocronologia

Geocronologia e um termo geral para o subcampo de


geologia com interesse de determinação de idade
isotópica e história isotópica dos materiais geológicos.

Os isótopos de urânio foram os primeiros estudados em


detalhes, devido a sua abundancia.

Os dois isótopos de urânio mais abundantes são 235U e


238U, foram encontrados como mães de longa-vida de
séries de decaimento diferentes consistindo de um
número de filhos radioactivos de curta-vida e finalmente
em isótopos estáveis 207Pb e 206Pb, respectivamente
(Tab. seguinte).
A terceira série de radioctividade foi encontrada iniciando com 232Th e
terminando com 208Pb estavel.
Nestas series revelou-se que todos elementos com nr atomico maior que 83
(bismuto) ocorrem na ntureza apenas como isotopos radioctivos. A maioria
dos outros isotopos q ocorrem naturalmente envolvem apenas um isotopo
mae e um isotopo filho estavel.

Os pares isotopicos mais usados na geocronologia estao listados na tabela.


Com a excepcao do potassio, os elementos pertinentes nao sao abundantes em
rochas comuns e minerais. Concentracoes tipicas destes elementos em varias
rochas e minerais sao dadas na tabela.
PRINCÍPIOS DE DECAIMENTO RADIOACTIVO
Com o passar do tempo, os mecanismos de desintegração
radioactiva levam a um progressivo aumento da quantidade
de isótopo-filho (radiogénico) e a uma diminuição da
abundância de isótopo-pai (radioactivo) no sistema.
Se a velocidade de decaimento radioactivo for conhecida,
pode usar-se o aumento da quantidade de isótopo
radiogénico para medir o tempo.
Demonstra-se matematicamente que a velocidade de
decaimento radioactivo do isótopo-pai (isótopo radioactivo) é
directamente proporcional ao nº de átomos desse isótopo
que estão presentes no sistema ao fim de um tempo t.
-dN/dt = lN; em que:
N - nº de átomos do isótopo-pai remanescentes no
sistema ao fim do tempo t
l – constante de decaimento
PRINCÍPIOS DE DECAIMENTO RADIOACTIVO
Integrando a expressão dada, obtém-se:
• N = Noe-lt
sendo N = nº de átomos do isótopo – pai presentes
o

na altura em que a amostra se formou


O nº de átomos do isótopo radiogénico (D*)
produzido pelo decaimento do isótopo-pai desde a
data da formação da amostra é dado por:
D*= No - N
O nº total de átomos do isótopo-filho será dado por:
D = Do + D*; em que:
D - nº de átomos do isótopo–filho presente na altura
o

em que a amostra se formou.


PRINCÍPIOS DE DECAIMENTO RADIOACTIVO
Combinando as duas equações, obtém-se:
D = Do + No - N
Substituindo N por N 𝑒
o
−𝜆𝑡 e
simplificando, obtém-se a equação
fundamental:
TEMPO DE MEIA-VIDA
Chama-se tempo-de meia-vida (t1/2)de um
isótopo radioactivo ao tempo necessário para
que metade dos átomos do isótopo-pai se
transformem no isótopo-filho. O tempo-de
meia-vida está relacionado com a constante de
decaimento pela expressão:
TEMPO DE MEIA-VIDA
TEMPO DE MEIA-VIDA
O TEMPO DE MEIA VIDA DE UM DADO ELEMENTO:

• é constante
• pode ser usado para determinar a idade
• dependendo do elemento, pode variar de fracções de
segundo a biliões de anos.
• conhecendo a razão isótopo-pai / isótopo-filho e o tempo de
meia-vida, pode determinar-se a idade
SISTEMAS ISOTÓPICOS USADOS PARA
DATAÇÃO EM GEOLOGIA
A maioria dos isótopos radioactivos têm velocidades
de decaimento muito rápidas (tempos de meia-vida
muito pequenos) e perdem a sua radioactividade
nalguns dias ou anos.
No entanto, há isótopos radioactivos que decaem
muito lentamente e são, por isso, usados como
relógios geológicos.
Os sistemas isotópicos mais usados para determinar
as idades de rochas antigas estão listados na Tabela
seguinte.
SISTEMAS ISOTÓPICOS MAIS USADOS PARA
DATAÇÃO EM GEOLOGIA

Com o advento das técnicas de datação radioactiva tornou-se possível


exprimir as idades das rochas através de um valor numérico – idade
absoluta.
A escala dos tempos geológico inicialmente definida em termos de idades
relativas passou a combinar os dados de idade relativa e absoluta.
DATAÇÃO PELO MÉTODO RADIOCARBONO
Para além dos sistemas isotópicos referidos, é importante
acrescentar ainda o método de datação radiocarbono.
O radiocarbono (carbono–14) é produzido continuamente
na atmosfera terrestre como consequência do
bombardeamento dos átomos de azoto por neutrões dos
raios cósmicos.
Tem um tempo de meia-vida de 5.730 anos e mistura-se
com o carbono não radioactivo para formar o dióxido de
carbono (CO2) do ar que é utilizado pelas plantas e
animais.
Todo o carbono presente nos organismos vivos tem uma
proporção constante de carbono radioactivo e não
radioactivo.
DATAÇÃO PELO MÉTODO RADIOCARBONO

Depois da morte de um organismo, a quantidade de carbono


radioactivo começa a diminuir gradualmente (14C).
Medindo a quantidade de radioactividade que ainda subsiste
nos materiais orgânicos, pode calcular-se a quantidade de
carbono-14 e determinar-se a idade.
Por exemplo, se o 14C presente numa amostra de madeira for
metade do que existe numa planta viva, a idade da amostra de
madeira será de 5.730 anos.
O método de datação radiocarbono tornou-se extremamente
útil para datar episódios da pré-história recente e da história do
homem embora não possa ser aplicado na determinação de
idades superiores a 50.000 anos.
DATAÇÃO PELO MÉTODO
RADIOCARBONO
A datação radiocarbonica
pode ser feita numa longa
série de materiais.
As substâncias mais comuns
datadas são carvão e madeira.
Também para conchas, ossos,
papel tecido, cabelos,
hidrocarbonetos e solos
contendo material orgânico.
Praticamente qualquer
objecto relacionado com o
carbono pode ser datado.
SISTEMA Rb-Sr
O Rb tem dois isótopos naturais 87Rb (radioactivo) e 85Rb (estável).
O Sr tem quatro isótopos naturais 84Sr, 86Sr e 88Sr (estáveis) e 87Sr
(radiogénico)

A aplicação da equação fundamental do decaimento radioactivo ao


sistema Rb-Sr permite escrever:
Onde 87Srinicial representa átomos originalmente
presentes e tirados numa amostra no tempo da sua
formação. 87Sr é medido pelos métodos geoquímicos.
SISTEMA Rb-Sr

Na prática, é muito mais fácil medir uma razão de isótopos numa


amostra de rocha ou mineral do que as suas abundâncias absolutas e,
por isso, usa-se um dos isótopos estáveis como denominador (86 Sr):

Nota-se que um isótopo não radiogénico é usado no denominador

Para obter a idade de uma amostra de mineral, tem que se


determinar por analises químicas as razões 87Sr/86Sr e 87Rb/86Sr
da amostra. Além disso, a razão inicial 87Sr/86Sr tem de ser
estimada (através de um mineral coexistente inalterado que contem
pouco ou sem rubidio-ex: apatite e Ca-plagioclase) e um valor
seleccionado de constante de decaimento.
Com estas informações, a equação anterior pode nos dar a idade t.
SISTEMA Rb-Sr

Para uma rocha ígnea derivada de um magma isotopicamente


homogéneo pode assumir-se que:

1) todos os minerais que cristalizaram a partir desse magma


apresentam a mesma razão inicial 87Sr/86Sr;

2) o Rb e o Sr têm propriedades geoquímicas diferentes pelo que


alguns minerais incorporam preferencialmente Rb (micas) e outros
mostram preferência pelo Sr (plagioclase);

3) As razões Rb/Sr serão diferentes em minerais diferentes;

4) depois de algum tempo, as fases minerais com razões Rb/Sr mais


altas apresentarão razões 87Sr/86Sr mais altas.
DATAÇÃO DE ROCHAS E MINERAIS USANDO O SISTEMA Rb-Sr

Se determinarmos as razões 87Sr/86Sr e 87Rb/86Sr num


conjunto de amostras do mesmo corpo ígneos, é possível
construir uma isócrona de rocha total e obter a sua idade, desde
que sejam satisfeitos os seguintes pressupostos:

a) as razões Rb/Sr nas diferentes partes do corpo devem ser


variáveis. Se as razões Rb/Sr forem homogéneas, a dispersão no
eixo dos XX e dos YY não permitirá construir a isócrona.
b) o sistema deve ter-se mantido fechado a ganhos ou perdas de
Sr ou de Rb desde a altura em que se deu a cristalização.
c) o corpo deve ter-se formado há tempo suficiente para poder
ocorrer a desintegração radioactiva do 87Rb para 87Sr.

Na prática, não se costuma usar o sistema Rb-Sr para determinar


idades inferiores a 5 milhões de anos.
A equação derivada anteriormente corresponde à
equação de uma recta y = b + mx, em que:
y - 87Sr/ 86Sr (medido)
x - 87Rb/ 86Sr (medido)
b - 87Sr/ 86Sr inicial (ordenada na origem)
m – declive (D87Sr/ 86Sr / D87Rb/ 86Sr)
A partir da determinação das razões 87Sr/86Sr e 87Rb/86Sr numa
amostra de rocha e nos seus constituintes minerais pode obter-se
uma isócrona interna e determinar a sua idade.
SISTEMA Sm-Nd
O principio do estudo é o mesmo que o do sistema Rb-Sr.
Contudo há diferenças significantes entre os dois
sistemas.
O decaimento de 147Sm para 143Nd envolve uma
partícula alfa (ao em vez de beta para o decaimento de
Rb) e os dois elementos no sistema Sm-Nd pertencem ao
grupo de terras-raras e assim são geoquimicamente
similar (Rb e Sr não são geoquimicamente similar,
portanto são diferentemente afectados pelos processos
naturais).
É muito difícil a separação de um elemento terras-raras
do outro, por esta razão o uso do sistema Sm-Nd nas
aplicações geoquímicas, ocorreu mais tarde que o uso do
sistema Rb-Sr.
SISTEMA Sm-Nd
Tanto o Sm como o Nd pertencem ao grupo das Terras Raras Leves.
São elementos incompatíveis (KD < 1) que tendem a concentrar-se
nos líquidos durante os processos de fusão parcial e a permanecer
no magma durante os processos de cristalização fraccionada. No
entanto, o Nd é mais incompatível que o Sm.
O Sm tem sete isótopos naturais: 147Sm (radioactivo) e 144Sm,
148Sm, 149Sm 150Sm, 152Sm e 154Sm (estáveis).
O Nd tem também sete isótopos naturais: 142Nd, 144Nd, 145Nd,
146Nd, 148Nd, 150Nd, (estáveis) e 143Nd (radiogénico).
O Sm 147 decai para Nd 143 por emissão de uma partícula α.
SISTEMA Sm-Nd

Como no sistema do Rb-Sr, pode-se escrever uma equação


para o número total de átomos 143Nd numa amostra:

143Ndmedido=143Ndinicial+143Sm(e lt  1 )
SISTEMA Sm-Nd
Na prática, é muito mais fácil medir uma razão de isótopos numa
amostra de rocha ou mineral do que as suas abundâncias
absolutas. No caso do sistema Sm-Nd, usa-se o isótopo estável 144
Nd como denominador e a equação anterior passa a:

No sistema Sm-Nd, a utilização da equação isocrónica faz-se


exactamente da mesma maneira que no sistema Rb-Sr.
No entanto, a dispersão de razões Sm/Nd na maior parte dos
materiais geológicos é muito menor do que a das razões Rb/Sr,
pelo que a aplicação do método Sm-Nd para efeitos de datação se
baseia essencialmente no traçado de isócronas internas (rocha-
total + minerais).
A figura abaixo mostra os dados isotópicos Sm-Nd obtidos em
cristais de schelite de um depósito de Au do Zimbabwe

Isócrona Sm-Nd para schelites de depósitos de Au do Zimbabwe


SISTEMA Sm-Nd

O sistema Sm-Nd é usado extensivamente para datar


rochas ígneas e metamórficas, particularmente aquelas
que não podem ser datadas por outros métodos devido a
baixa abundância de elementos apropriados ou, no caso
de rochas metamórficas ou meteorizadas, pois estes
elementos tem sido ganhos ou perdidos durante o
metamorfismo ou a meteorização.

.Minerais geralmente analisadas incluem feldspatos,


piroxenas, anfíbolas, granadas titanite e zircão.
SISTEMA Urânio-Tório-Chumbo

Este sistema é o mais complicado dos principais métodos


usados na geocronologia por duas razões:

• Estão envolvidos Três isótopos mães diferentes;


• Cada isótopo passa por umas séries de decaimento
extensivas antes do isótopo de Chumbo estável ser
formado.

Por outro lado, estas complicações podem ser usadas


para ganhar informações adicionais acerca da história
das rochas e minerais.
As tres series de decaimento sao 238U 206Pb, 235U 207Pb e
232Th 208Pb.

As equacoes basicas do sistema Uranio-Torio-Chumbo usadas para o


calculo de idade sao obtidas apartir de D  Do e lt  1 que vai dar:

206Pb=238Uel 238t  1


207Pb=235U e l 235t  1 
208Pb=232The  1
l 232t

Tem que se representar o chumbo originalmente presente numa


amostra de mineral quando este se formou (chumbo inicial).

A quantidade total de 208Pb, 287Pb e 206Pb encontrada numa


amostra é igual ao chumbo inicial mais chumbo radiogenico. Assim,
206Pbmedido=206Pbinicial+238Ue 
l 238t
1


207Pbmedido=207Pbinicial+235U e l 235t  1 
208Pbmedido=208Pbinicial+232U e l 232t
 1

Finalmente, os valores mais precisos podem ser obtidos


por medição das razões isotópicas do que por medição das
suas substâncias absolutas.

Uma vez que o isótopo não radiogénico (204Pb) ocorre


com outros isótopos, dividimos as equações acima por
abundancia deste isótopo para encontrar a equação básica
da idade do sistema Urânio-tório-chumbo:
 206 Pb 
 204 
 Pb medido 
 206 Pb 
  204 
Pb inicial 

 238U  l 238t
  204  e
Pb 

1

 207 Pb 
 204 
 207 Pb 
  204  
 235U  l 235t
  204  e 1 
 Pb medido  Pb inicial  Pb 

 208 Pb 
 204 
 208 Pb 
  204  
 232Th  l 232t
  204  e 1 
 Pb medido  Pb inicial  Pb 
Os valores para o chumbo inicial sao obtidos por determinacao de
composicao isotopica do chumbo no ambiente em tempo da formacao de
amostra.

Uma maneira de fazer correccao e analizar um mineral de chumbo (tal


como galena) numa amostra de igual rocha ou ambiente geologico.
SISTEMA Potássio-Árgon

O decaimento radioactivo de 40K produz dois filhos 40Ca e 40Ar,


formados como um resultado de decaimento de beta normal e captura
de electrão, respectivamente.

O árgon e inerte, e pouco provável que possa novamente formar


minerais, portanto, a maioria se não todo, árgon num mineral é um
resultado de decaimento radioactivo. O isótopo mais abundante do
cálcio é 40Ca, e cálcio e mais abundante do que potássio na crusta
terrestre.
Por estas razões, a datação é mais segura usando o filho do isótopo do
árgon do que o do isótopo do cálcio, embora 89% de todo decaimento
de 40K é para 40Ca. Da equação fundamental obtém-se:

40
Ar  40K
lk
lk  lb
e
l k  l b t

1

Onde lb é a constante do decaimento de beta normal de 40Ca e


lk constante de decaimento por captura de electrao, de 40Ar. A constante
de decaimento total de 40K é dada pela soma das duas constantes.
l
Apenas decaimento de 40K para 40Ar é considerado. A razao l k é
b
conhecida como razão de desintegração. Resolvendo a equação
anterior em ordem a t,

1   lk  lb  40 Ar 
t ln 1    40 
lk  lb   lk  K 
A quantidade de 40K numa amostra é determinada directamente com
um espectrómetro de massa ou por medição do teor do potássio total.

A principal fonte de erro no método potássio-árgon, é a fuga do árgon a


partir de mineral ou rocha, por este ser um gás. Isto faz com que
normalmente as idades sejam muito inferior.

Certas rochas e minerais, devido a existência de condições anómalas


durante a sua formação contem excesso de 40Ar. Neste caso idades
medidas são muto elevadas.

Assim, a maior parte das datações são feitas em minerais separados


que tendem a reter o seu árgon, isto e, que são resistentes a perca do
árgon por qualquer fenómeno.
Por outro lado, o aquecimento devido ao metamorfismo tem sido a
principal causa da difusão do árgon. Se todo árgon for retirado do
mineral ou rocha por um evento metamórfico, o tempo de
metamorfismo pode ser determinado por datação do material.

O método potássio-árgon é particularmente útil por varias razões:


• Potássio é abundante e é encontrado em muitos minerais;
• Datação de rochas sedimentares (desde que contenham glauconite)
as quais geralmente não podem ser datadas por outros métodos
radiogénicos;
• Rochas vulcânicas intercaladas com as sedimentares podem
também serem datadas
• Aplicado para amostras tão antigas como a terra e tão novas como
5000 anos, devido a meia-vida do 40K e a rápida detectabilidade do
40Ar radiogénico
• Duas idades independentes podem ser, muita das vezes obtidas para
mesma amostra, como rubídio é encontrado com potássio em muitos
minerais.
A tabela mostra resultados onde seis diferentes metodos de datacao
isotopica sao aplicados para a mesma rocha.
7.4. Isotopos estaveis
(Brownlow, A.H.(1979)-Geochemistry)

O número total de isótopos ocorrendo


naturalmente está acima de 300
(incluindo ambos isótopos, estaveis e
instaveis), estes variam em
abundância, de quantidades maiores
para extremamente pequenas (tab
2.13)
Os isótopos mais abundantes são aqueles que tem
um tipo de nucleo relativamente estavel (mesmo nr
de protoes e mesmo nr de neutroes).
ISÓTOPOS RADIOGÉNICOS E A EVOLUÇÃO DA TERRA
ISÓTOPOS RADIOGÉNICOS E A EVOLUÇÃO DA TERRA
Usando os dados de meteoritos formados na mesma altura
que a Terra, foi possível estimar a razão isotópica 87Sr/86Sr
do planeta há 4600 Ma (0.699).

As razões 87Sr/86Sr das rochas crustais dependem da sua


idade e da concentração de Rb.

As rochas mais antigas têm valores mais altos de 87Sr/86Sr


(0.705 - 0.720) enquanto as rochas crustais, derivadas do
manto mais recentemente, apresentam razões 87Sr/86Sr
mais próximas das do manto.

Com base nas análises isotópicas de basaltos das cristas


médias oceânicas, gerados directamente a partir da fusão
parcial do manto, verificou-se que a razão 87Sr/86Sr actual
do manto é de cerca de 0.704.
ISÓTOPOS RADIOGÉNICOS E A EVOLUÇÃO DA TERRA
Contudo, o manto não é homogéneo. Sempre que uma porção
de crusta é extraida, a razão Rb/Sr no manto baixa, o que faz
com que a razão 87Sr/86Sr cresça mais devagar.

Por essas razões, as porções de manto que foram envolvidas


em processos de fusão parcial mais antigos terão razões
87Sr/86Sr mais baixas do que aquelas que só fundiram há pouco
tempo ou que nem sequer sofreram qualquer evento de fusão
parcial.

Admite-se, assim, que as razões 87Sr/86Sr do manto variem


entre 0.702-0.705, na actualidade.

O mesmo tipo de raciocínio pode ser aplicado ao sistema Sm-Nd


embora com as adaptações resultantes do seu comportamento
ser precisamente o oposto do do sistema Rb-Sr.
Evolução isotópica do Rb e do Sr no manto superior, assumindo que um
evento de fusão parcial de grande escala produziu rochas continentais de
tipo granitóide aos 3 biliões de anos (Wilson, 1989).
Evolução isotópica do Sm e do Nd no manto superior, assumindo que um
evento de fusão parcial de grande escala produziu rochas continentais de
tipo granitóide aos 3 biliões de anos (Wilson, 1989).
Diagrama de correlação das razões isotópicas 143Nd/144Nd vs 87Sr/86Sr (e εNd vs
εSr). A maior parte dos reservatórios do manto está no quadrante superior esquerdo
do diagrama, ao passo que a maior parte das rochas crustais estão no quadrante
inferior direito, as crustas superior, intermédia e inferior, tendem a estar projectadas
em diferentes no quadrante crustal (adaptado de DePaolo e Wasserburg, 1979, por
Rollinson, 1995).

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