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Curso FMB Direito Individual do Trabalho

Direito do Trabalho – aula dia 09/04/10

Grupo econômico rural


Conforme o art. 2º, § 2º da CLT grupo econômico urbano se forma por uma relação de
subordinação entre as pessoas. Mas de acordo com o art. 3, § 2º da CLT da Lei 5.889/73 o grupo
econômico rural pode formar-se por relação de subordinação, mas também pela mera coordenação
entre as pessoas

A diferença legal entre o grupo urbano e rural consiste que o segundo admite mera relação de
coordenação, o que o primeiro não admite.

Condomínio rural
Tem-se condomínio rural quando dois ou mais produtores rurais desenvolvem a mesma
atividade agroeconômica, no mesmo estabelecimento agrário, em regime de sociedade. Não há
previsão legal para isso, mas existe solidariedade entre os condôminos.

A
B
C
D

Consórcio de empregadores rurais


O consórcio é previsto no art. 25-A da Lei 8.212/91 (lei de custeio da previdência) e Portaria
1.964 de 01/12/99.
O consórcio de empregadores rurais se forma quando um grupo de produtores rurais,
necessariamente pessoas físicas, explora atividades agroeconômicas próprias em estabelecimentos
agrários distintos, unidos por um pacto de solidariedade registrado em cartório de títulos e
documentos, cuja finalidade é explorar em conjunto a mão de obra dos mesmos trabalhadores rurais.
Não tem personalidade jurídica ou civil.
Neste caso os integrantes do consórcio são solidariamente responsáveis pelas obrigações
decorrentes.

Regras especiais aplicáveis ao trabalhador rural

a) Quanto à duração do trabalho


- Intervalo intrajornada: conforme o art. 5º da Le 5.889/73, o intervalo intrajornada do rural
para trabalho com mais de seis horas de duração deve obedecer aos usos e costumes da região.
Significa que o intervalo pode ser superior de duas horas sem necessidade de acordo escrito,
diferente do exigido no caput do art. 71 da CLT.
Quanto ao mínimo de uma hora, existem três opiniões distintas: 1) é obrigatório o mínimo de
uma hora, conforme o art. 5º, § 1º do decreto 73.626/74 – a crítica com relação a esta tese é que o
decreto fala mais que a lei, portanto é inválido; 2) considerar que o mínimo de uma hora previsto no
caput do art. 71 da CLT não é incompatível com o art. 5º da Lei 5.889/73, portanto deve ser
considerado – é a mais utilizada e a que deverá prevalecer; 3) o art. 5 da Lei 5.889/73 exclui a
aplicação do art. 71 da CLT, isto por força do art. 1º de referida lei, pois havendo regra própria na lei
de rural não pode ser aplicada a CLT.

- Nos serviços intermitentes assim considerados com intervalo de mais de cinco horas entre
uma parte e outra da execução da tarefa diária, o intervalo não é computado na duração da jornada
(art. 6º da Lei 5.889/73 e art. 10, § único do decreto) – ex. retireiro (aquele que tira o leite da vaca)

- Trabalho noturno: considera-se horário noturno o trabalho na agricultura das 21 as 5 horas e


na pecuária das 20 as 4 horas (art. 7º da Lei 5.889/73).
Não há redução da hora noturna, mas o adicional é de 25%.

b) Quanto ao salário

- Limites de desconto: os descontos a título de moradia e de alimentação não podem superar


a 20% e 25% do salário mínimo, respectivamente. Se a moradia for concedida a vários
trabalhadores, o desconto deve ser proporcional a este número (divide-se pelo número de
trabalhadores). É vedada a moradia coletiva de famílias (art. 9, alienas “a” e “b” e § 2º).

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- A cessão da moradia e de sua infraestrutura básica e de bens destinados a subsistência do


empregado (de forma gratuita) não constituem salário in natura se assim for previsto em contrato
escrito, com assinatura de testemunhas e notificação obrigatória ao sindicato dos empregados (§ 5º
do art. 9º da lei).

c) Quanto à extinção do contrato


- Na dispensa sem justa causa, a redução da jornada no aviso prévio é de um dia por semana
(art. 15 da lei 5.889/73).

Contratos agrários
a) contrato de safra: é um contrato a prazo determinado a termo incerto, cuja duração
depende das variações estacionais da atividade agrária, compreendida entre o preparo do solo para
cultivo e a colheita.
O contrato de safra só é admitido nas culturas cujo ciclo de produção depende das variações
das estações do ano (ex. café e cana de açúcar).
O contrato pode ser celebrado apenas para o período de colheita (safra) ou apenas para o
período de preparo do solo e plantio (denominado popularmente de entressafra). Não se admite
contrato que abranja os períodos de safra e entressafra.

b) contrato por pequeno prazo para atividade temporária: é um contrato a prazo determinado
a termo certo para atividades de natureza temporária, que só pode ser celebrado por empregador
pessoa física por no máximo dois meses no período de um ano (art. 14/a da Lei 5.889/73).
Este contrato não exige necessariamente anotação na CTPS, que pode ser dispensada se
houver contrato escrito e isto for autorizado por acordo ou convenção coletiva. Porém, em qualquer
caso são obrigatórios os recolhimentos das contribuições a Previdência e ao FGTS e o pagamento
dos demais direitos trabalhistas proporcionais aos dias trabalhados.
Porém não são devidos o aviso prévio e a indenização de 40% do FGTS, por se tratar de
contrato a termo.
A não inclusão do trabalhador na GFIP (o não recolhimento do INSS e FGTS) pressupõe
inexistência da contratação a termo, sem prejuízo da comprovação de relação jurídica diversa por
parte deste empregador.

c) contrato de parceria rural: é um contrato civil em que uma das partes (chamada de parceiro
proprietário) cede a outra (chamada de parceiro produtor – agricultor ou pecuarista) prédio rústico
para ser cultivado (parceria agrícola) ou animais para serem criados (parceria pecuária), mediante
participação nos frutos naturais.
Trata-se de um tipo de contrato de sociedade, em que o risco da atividade é assumido por
ambos os parceiros.
A parceria é regulada pela lei 4.504/64, art. 96 e pelo decreto 59.566/66 nos artigos 34 a 37,
também chamado de estatuto da terra.
A parceria difere da relação de emprego por não haver subordinação entre o parceiro
proprietário e o produtor, pois se houver o que se tem é relação de emprego e não parceria. Assim,
na justiça do trabalho não se julga os contratos de parceria.

d) arrendamento rural: também se trata de um contrato civil em que uma parte (arrendante)
cede à outra (arrendatário) o uso e gozo de imóvel rural mediante certa retribuição em dinheiro (fruto
civil). Trata-se de um contrato de locação, em que o risco da atividade é exclusivo do arrendatário.
Também é regulado pela lei 4.504/64, art. 95 e pelo decreto 59.566/66, artigos 16 a 33.

 Empregado doméstico – Lei 5.859/72 e Decreto 71.885/73

É a pessoa física, que presta serviços pessoalmente, de natureza contínua mediante


remuneração e subordinação à pessoa ou família no âmbito residencial, em atividade não lucrativa.
São quatro os elementos que distinguem o empregado doméstico dos demais:
1) Continuidade: conforme a jurisprudência a expressão natureza contínua contida no art. 1º
da lei 5.859/72 difere da expressão natureza não eventual contida no art. 3º da CLT. Isto implica que
doméstico é o que trabalha durante toda a semana, salvo o repouso semanal. E contrariamente não é
empregado doméstico o trabalhador diarista, que presta serviços até três vezes por semana, porque
não faz de maneira contínua.
2) Trabalho para pessoa ou família: empregador doméstico é necessariamente pessoa
física ou entidade familiar (vínculo civil ou meramente afetivo)

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3) Trabalho no âmbito residencial: o trabalho se dá no âmbito da vida privada do


empregador, o que inclui a residência e todas as extensões do lar (casas de campo, praia).
4) Trabalhar em atividade não lucrativa: o trabalho desenvolvido pelo empregado não se
volta a uma atividade econômica do empregador – ex. se o empregador tiver um sítio de lazer que
aluga para terceiros, este trabalhador não é doméstico, mas sim urbano - se este mesmo sítio
também for utilizado para o lazer do empregado, estamos diante de uma situação híbrida e, portanto,
devemos resolvê-la de acordo com o critério da preponderância.
Nas situações híbridas em que se desenvolvem atividades econômicas e não econômicas,
deve ser considerada a atividade preponderante do empregado e se não houver preponderância, a
que for mais favorável. Porém, prevalecem sempre as situações especiais como, por exemplo, o do
piloto de aeronave que é considerado aeronauta – Lei 7.183/74.
Não é doméstico o empregado de condomínio residencial, desde a Lei 2.757/56.

Direitos dos domésticos:


- anotação da CTPS;
- salário mínimo (art. 7º, IV, CF) – observando-se também os pisos regionais;
- irredutibilidade do salário (art. 7º VI da CF);
- 13º salário (art. 7º VIII da CF);
- repouso semanal remunerado (art. 7º XV da CF);
- férias remuneradas de 30 dias por ano (Lei 5.859/72, art. 3º) – o art. 2º do Decreto
71.855/73 determina a aplicação do capítulo de férias da CLT, mas se entende predominantemente
que esta norma é inválida porque excede a lei 5.859/72 e contraria o art. 7, alínea “a” da CLT.
Existem divergências quanto a serem devidos aos domésticos férias proporcionais e em dobro e a se
aplicar o escalonamento do art. 130 da CLT.
- acréscimo de 1/3 (art. 7º, XVII, CF);
- licença maternidade de 120 dias (art. 7º, CF, XVIII);
- garantia no emprego, desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto (Lei
5.859/72, art. 4º-A);
- licença paternidade (art. 7º, XIX, CF);
- aplica-se o art. 482 da CLT sobre justa causa, salvo as alíneas “c” (negociação habitual) e
“g”(violação de segredo de empresa) - Lei 5.859/72, art. 6º-A, § 2º.
- aviso prévio de 30 dias (art. 7º, XXI, CF);
- FGTS e seguro desemprego opcionais (opção do empregador) - Lei 5.859/72, art. 3º-A) – a
opção pode ser feita a qualquer tempo e com efeitos ex nunc, e é irretratável.
- Previdência Social (art. 7º, § único da CF);
- são vedados descontos a título de alimentação, vestuário, higiene e moradia, salvo se a
moradia for fornecida em local diverso da prestação de serviços e houver autorização expressa para
o desconto (Lei 5.859/72, art. 2º-A). Estas prestações não constituem salário in natura.