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Abril / 2019 VERSÃO 1.

PASSO A
PASSO DO
ORÇAMENTO
DE OBRAS

GUIA PARA INICIANTES


DO ZERO AO BDI

Produzido por : Paulo Andrade


Sumário
1 - Introdução 02
2 - Importância do Orçamento de Obras em Sua Vida Profissional 03
3 - Conhecendo o Orçamento de Obras 06
3.1 - Orçamentação x Orçamento 07
3.2 - Propriedades do Orçamento 07
3.2.1 - Aproximação 08
3.2.2 - Especificidade 08
3.2.3 - Temporalidade 09
4 - Guia Definitivo do Orçamento de Obras 10
4.1 - Estudo das Condicionantes 12
4.1.1 - Edital 13
4.1.2 - Projeto 14
4.1.3 - Visita Técnica 15
4.2 - Formação dos Custos 16
4.2.1 - Identificação das Tarefas ou Serviços 17
4.2.2 - Levantamento dos Quantitativos 20
4.2.3 - Composição dos Custos Diretos 21
4.2.4 - Composição dos Custos Indiretos 22
4.2.5 - Cotação dos Insumos 23
4.2.6- Encargos sobre Mão de Obra 23
4.3 - Conclusão do Orçamento 26
4.3.1 - Composição do BDI / Preço de Venda 27
5 - Locais de Pesquisa 29
6 - Orçamento na Prática 31
7 - Sobre o Autor 36
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1- Introdução
Eu sei o que você está esperando deste e-book. Provavelmente, assim como eu,
quando conheci o mundo do orçamento de obras, você está esperando ter um
mapa completo e, apenas apertando um botão, você terá aprendido tudo do dia
para a noite, não é?

Então, tenho uma notícia ruim para você: ORÇAMENTO DE OBRAS NÃO SE
APRENDE DO DIA PARA A NOITE!

Por experiência própria, entre acertos e erros, descobri que orçamento de obras
tem um guia a se seguir que lhe ajuda na produção do orçamento e ainda
diminui sua possibilidade de erros.

Por isso, neste e-book, trago este guia e a releitura de algumas definições dentro
do orçamento, pontuadas no livro " Como Preparar Orçamento de Obras", do
autor Aldo Dórea Mattos, acrescentado à dicas e experiências pessoais, que
facilitam o entendimento e a execução correta da orçamentação, e são de suma
importância para a carreira na área de construção civil.

VAMOS INICIAR !
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2- Importância
do Orçamento
de Obras em
sua Vida
Profissional
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Este tópico é um raciocínio lógico, simples e fácil de acompanhar.
Imagine comigo você aí que já é formado ou estudante da área de construção
civil, que está procurando uma vaga de estágio/trainee, e me responda uma
pergunta: Qual é o local de maior inserção de estagiários?

Opção 1- Canteiro de Obras


Opção 2 – Escritório

Bom, agora guarde sua resposta que eu vou explicar outro fundamento e logo
tudo fará sentido.

Esse fundamento é a razão de você estar aqui. Sim, o orçamento é uma das
tarefas mais importantes dentro de qualquer empreendimento e se torna
indispensável para o sucesso das empresas em seus projetos.

O orçamento se torna peça fundamental para as melhores decisões no


planejamento, colaborando com a negociação de contratos de prestação de
serviços, implicando, também, no preço final do empreendimento.
Dentre os diversos benefícios do orçamento de obras, estes são os 5 mais
interessantes:

1- Coerência no Planejamento da obra


2- Grande controle do canteiro da obra
3- Poder de negociação com fornecedores
4- Obtenção de base de dados de serviços
5- Garantia da rentabilidade nas vendas

Logo de início, já deu para perceber a grande importância do orçamento de


obras nos dias de hoje.

Agora, voltando para a pergunta que fiz logo atrás. Claramente a maioria
respondeu a opção 2, pois é mais comum; a maioria dos estagiários começam a
sua jornada em um escritório e aos poucos vão se inserindo no campo.
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Reconhecendo o pouco conhecimento na área de orçamento – e a sua real
importância - e a inexperiência em canteiro de obras que a maioria dos
estagiários tem, pare e reflita quanta vantagem competitiva sobre seus
concorrentes você teria ao receber conhecimento pleno em orçamento de
obras. Enquanto você reflete, eu lhe digo: MUITA VANTAGEM!

Qualquer selecionador vai ficar entusiasmado no mesmo momento em que


descobrir sua capacidade sobre orçamento de obras. E digo mais: se você já faz
estágio ou trabalha na área, adicionar ao seu currículo o conhecimento sobre
orçamento pode multiplicar suas chances de crescimento no mercado de
trabalho. Minha experiência nesta área me trouxe diversas oportunidades em
todas as empresas nas quais trabalhei, pois na maioria das vezes, esse assunto é
pouco explorado na faculdade, passando despercebido por muitos alunos que
não conhecem sua real importância. Então, quem tem esse conhecimento se
torna a “galinha dos ovos de ouro”. Sim, isso mesmo, TODA EMPRESA DESEJA
UM PROFISSIONAL QUE SAIBA DE ORÇAMENTO!

Agora vamos lá. Primeiro vou passar para vocês algumas definições dentro do
nosso tema, e em seguida, o guia prático que vai te direcionar na execução de
sua própria orçamentação.
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3- Conhecendo
Orçamento
de
Obras
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3.1 - Orçamentação x Orçamento
Recebo muitas perguntas em minha página do Instagram(@eng.pauloandade)
e vejo que existe uma confusão entre ORÇAMENTAÇÃO e ORÇAMENTO.

O primeiro, é todo o processo e trabalho na execução do orçamento, e vai desde


a interpretação dos projetos, passando pela escolha da melhor maneira para
iniciar a obra, até a definição das possíveis dificuldades que serão encontradas.
Ou seja, todo serviço de estudo, composição e precificação do projeto é a
orçamentação, e a sua qualidade garante o grau de excelência do produto, que
é orçamento.

Sendo assim, o orçamento é o produto final, resultado da composição feita pela


soma dos itens:
Custos Diretos
+
(Custos Indiretos + Impostos + Lucro) – o tão famoso BDI, que será
abordado mais adiante.

3.2 - Propriedades do Orçamento

Sim, o orçamento tem propriedades a ser consideradas, não são apenas


números retirados de uma tabela. O orçamento deve ser o mais fiel possível à
realidade da obra, e, apensar de nunca ser exato, devemos realizá-lo de forma
precisa.

O autor Aldo Dórea Mattos , explica que APROXIMAÇÃO, ESPECIFICIDADE e


TEMPORALIDADE são as 3 propriedades do orçamento.
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3.2.1 - Aproximação
Começando pela APROXIMAÇÃO, devemos lembrar que toda orçamentação é
uma previsão, portanto todo orçamento é aproximado.

Para exemplificar, digamos que em sua orçamentação você considere que o


pedreiro gaste 1 hora por m² para execução de contrapiso. Esta estimativa já é
uma aproximação, pois ela está diretamente ligada a produção total do serviço e
relacionada à eficiência da mão de obra.

A propriedade da aproximação se faz presente em praticamente todos itens,


como material, mão de obra e até no rendimento dos equipamentos que serão
utilizados.

3.2.2 - Especificidade
A ESPECIFICIDADE é uma propriedade bem simples e muito importante na
execução de qualquer orçamento, e o seu desconhecimento leva a grandes
defasagens no orçamento e ao decorrer da obra.

Digamos que você foi contratado como orçamentista por uma empresa que está
investindo em casas térreas de médio padrão em diversas cidades, com o
mesmo projeto base, ou seja, as casas são iguais. Então, você conclui que será
necessário fazer o orçamento apenas uma vez, e replicá-lo para todas as
construções – beleza!.

NÃO FAÇA ISSO! Por mais que os projetos sejam iguais, cada orçamento tem
sua especificidade e precisa ser adaptado de acordo com vários fatores, como:
política interna da empresa, custos dos funcionários, clima do local, eficiência
da mão de obra, impostos e leis que podem incidir diferentemente em cada
cidade, e até a facilidade de acesso aos insumos da construção.
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3.2.3 - Temporalidade
Todo orçamento tem prazo de validade e deve ser respeitado. O trabalho de
orçamentação é realizado com preços de insumos e mão de obra atuais,
portanto, se uma obra é orçada em 2019 e por algum motivo sua execução vai
ocorrer em 2025, obviamente este orçamento precisará ser ajustado e
atualizado, conforme a oscilação dos preços e os métodos construtivos
existentes.

Dica: sempre que executar algum orçamento é muito importante adicionar a


data de execução e estipular uma data de validade.
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4- Guia
Definitivo do
Orçamento de
Obras
11
Bom, agora que você já aprendeu a importância do orçamento de obras em sua
vida profissional, entendeu a diferença entre orçamentação e orçamento e
compreendeu sobre as propriedades do orçamento de obras, é o momento de
lhe introduzir as etapas que compõe um orçamento de sucesso.

Todo orçamentista tem um ritual em sua orçamentação e alguns passos que


gosta de seguir, porém, quero lhe passar um guia como base para acompanhar
e algumas dicas que vão lhe ajudar muito em sua carreira.

Tradicionalmente as etapas são: Estudo das Condicionantes, Formação dos


Custos e Conclusão do Orçamento. Essas etapas também são subdivididas em
tópicos que serão apresentados a seguir.
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4.1- Estudo
Das
Condicionantes
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4.1.1 - Edital
Para quem não conhece, o edital se refere ao documento de divulgação oficial
de atos administrativos, podendo ser de diversas naturezas, entre elas, o edital
de licitação, no qual estamos particularmente interessados.

No edital de licitação se encontram as informações essenciais para o


orçamento, que devem ser lidas e consideradas na execução da orçamentação
e formulação da proposta comercial.

Lembrando que este edital pode ser público (Municipal, Estadual e Federal) ou
privado, como é o caso de grandes empresas, que realizam licitações para
contratação de serviços especializados.

Dica: Sempre que estiver analisando algum edital, vai perceber que tem
muitas informações a serem relevadas. Leia tudo atenciosamente e grife os
seguintes itens:
- Prazo da Obra
- Datas de Contrato
- Método de Medição da Obra
- Documentação Exigida para Participação
- Limitação de Dias e Horários de Trabalho
- Possível penalidade por atraso
- Técnico requerido para execução dos trabalhos
- Formas e Prazos de de Pagamento
- Facilidades fornecidas pelo contratante (Instalações de água, luz)
- Preço global ou por administração
- Seguros de Obras solicitados

Tendo esses itens devidamente anotados e em mente no momento da


execução do orçamento, suas chances de uma proposta equalizada com a
necessidade do cliente fica maximizada, sendo de extrema importância que,
caso algum desses itens não estiverem descritos no edital, você, como
proponente, exija seu direito e questione os responsáveis.
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4.1.2 - Projeto
Iniciando esse tópico de projeto dentro do estudo das condicionantes, gostaria
de deixar bem claro que não há orçamento sem projeto. Você aprendeu no
início deste e-book que o orçamento, por mais bem executado que seja, ainda é
uma PREVISÃO, que fica prejudicada caso esteja em desacordo com o projeto.
Portanto, para seu próprio bem, sempre que lhe pedirem estimativa de
construção sem um projeto como base, deixe claro que, este serviço sendo
realizado apenas com conhecimentos prévios de outras construções já
executadas, faz com que a proposta seja apenas uma ESTIMATIVA, estando
além de sua responsabilidade arcar com valores , quantidades e informações
que estiverem fora do seu alcance.

O projeto é o documento que transmite ao orçamentista todos os trabalhos que


deverão ser executados, juntamente com suas quantidades e tipo de materiais
necessários. Todo projeto deve ser estudado com muita cautela e atenção,
principalmente em obras de maior escala, onde se tem 10, 20 ou 30 pranchas
de projeto, juntamente com hidráulico, elétrico, estrutural, s.p.d.a e incêndio, é
dever do orçamentista estudar e assimilar a obra como um todo.

Este estudo do projeto é um dos fatores que define a qualidade do


orçamentista, e está muito ligado a experiência. Quanto mais você estuda os
projetos, mais você é capaz de determinar com clareza todas as tarefas que
precisam ser executadas e isso gera um banco de dados em sua memória, que
auxilia para que um próximo orçamento seja feito com mais facilidade.

Junto com o projeto, também é importante a leitura dos documentos anexos


como memoriais descritivos e especificações técnicas, pois nesses
documentos, se encontram informações necessárias como: resistência do
concreto a ser utilizado na obra, grau de compactação necessária em aterro,
tipos de ensaios exigidos, entre outros.
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As pessoas sem muita experiência podem estudar um projeto e executar um
orçamento, porém, o tempo e atenção na leitura e interpretação do projeto tem
que ser redobrados, incluindo leituras complementares quando necessário. É
neste ponto que muitos iniciantes em orçamento se perdem.

Dica: Não tenha medo de perder bastante tempo na interpretação dos


projetos, e na pesquisa e estudos complementares, inerentes ao assunto,
principalmente no início de sua carreira, pois isso irá contribuir com seu
crescimento profissional e diminuir sua probabilidade de erros.

4.1.3 - Visita Técnica

Entende-se a visita técnica como parte primordial da orçamentação, sendo


praticamente impossível executar qualquer orçamento, por mais simples que
seja, sem a visita técnica ao local.

A visita técnica tem por finalidade a visualização, na prática, de todos os itens


que você já estudou no edital e no projeto, juntamente com a coleta de
informações importantes como: vias de acesso ao local da obra, mão de obra
disponível, materiais que serão aplicados e equipamentos.

Existem alguns modelos de relatório na internet, em forma de checklist, com


itens importantes a se considerar em uma visita técnica. Meu conselho é que
você os use como base, mas crie seu próprio relatório, constando os itens que
identificar como sendo importantes para cada tipo de obra, individualizando
cada projeto, terreno, cidade, materiais e outras atividades que serão
executadas.

É importante também que haja sempre o registro fotográfico completo do local,


pois elimina problemas na hora da orçamentação, como não lembrar de algum
detalhe da obra, quando houver dificuldade para fazer uma nova visita, como
uma cidade distante ou problemas de acesso.

Dica: Os orçamentos de reforma/retrofit parecem simples, mas são os mais


complicados em questão de detalhes a serem considerados. Portanto,
realize a visita técnica com muita atenção e tire muitas fotos do local.
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4.2- Formação
dos
Custos
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4.2.1 - Identificação das Tarefas
ou Serviços
Chegamos ao momento de transcrever todo o projeto e o edital em uma grande
lista de tarefas ou serviços, que após serem orçados, resultarão no custo total da
obra.

É aqui que o trabalho do orçamentista é comparado com o de uma formiguinha,


que de pouco em pouco, tarefa em tarefa, vai compondo e criando o orçamento
do empreendimento

Se o estudo do projeto foi bem feito, como discutido anteriormente no item


sobre condicionantes, você não terá dificuldades. Basicamente, se não se tratar
de uma licitação, provavelmente não existirá uma planilha pronta da obra,
então, damos início à montagem de uma planilha geral.

Os itens de um modelo básico de etapas de obra seria:

1- Serviço Preliminares e Gerais (despesas com locações, demolições,


locação da obra, fechamento com tapume, instalação de barracão, limpeza
terreno)

2- Terraplanagem (escavações, cortes, aterros, nivelamentos, compactação


de solo)

3- Infraestrutura (todos os serviços de fundação, diretas, blocos, sapatas,


cortinas, muros de contenção e arrimos)

4- Superestrutura (todas as estruturas de concreto, madeira ou metálicas,


sendo lajes, pilares, vigas e etc.)
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5- Elementos de Vedação (paredes, painéis, divisórias, elementos de
proteção)

6- Cobertura (todos os tipos de telhados, fechamentos, impermeabilização


de terraços)

7- Revestimentos (revestimentos internos e externos, chapisco, reboco,


emboço, azulejos e pisos)

8- Esquadrias e Vidros (todos as esquadrias metálicas, em madeira ou em


vidro, como portas, janelas, grades e portões)

9- Pintura (todo o serviço de preparação da superfície como seladores,


fundo preparador e sua respectiva pintura, assim como a pintura e
envernização das esquadrias)

10- Instalações elétricas (encaminhamentos elétricos, cabos, circuitos


elétricos, iluminação, quadro de distribuição, e outros serviços que abrangem
as instalações)

11- Instalações hidráulicas (instalações hidrossanitárias do


empreendimento, tubulações, registros, conexões, metais sanitários e louças)

12- Serviços complementares (serviços finais e complementares como


paisagismo, ligação definitiva de água e esgoto, serviços de complementação
artística, e limpeza de obra)
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Após isso, é indicado começar a identificar os serviços na mesma ordem
cronológica de uma obra básica, ou seja, pelos serviços preliminares, depois
terraplanagem, seguido pela infraestrutura, e assim por diante. Seguir essa
ordem garante uma segurança maior do controle geral das tarefas da obra.

Vamos considerar que, na prática, você já esteja na etapa 5 (Elementos de


Vedação). Dentro deste item, é necessário analisar no projeto todos os serviços
que se enquadrem nesta etapa, por exemplo:

5- Elementos de Vedação

5.1 Alvenaria de vedação de blocos cerâmicos furados na horizontal 9x19x39

5.2 Alvenaria de tijolo cerâmico maciço 5x10x20 1 vez

Este é um exemplo fictício da discriminação dos serviços de uma obra, porém o


conceito deve ser seguido desta forma, lembrando que os itens discutidos são
adaptativos para cada tipo de obra e cada orçamentista, que pode criar sua
própria lista de etapas e sub-etapas que serão executadas.
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4.2.2 - Levantamento dos Quantitativos
Após a listagem de todos os serviços da obra, inicia-se o processo de obtenção
das respectivas quantidades destes serviços. Chegamos no momento em que
todo orçamentista se fecha para o mundo exterior e foca apenas nos projetos e
em sua planilha. Não é brincadeira quando digo isso, pois o levantamento dos
quantitativos é o trabalho que mais requer atenção e energia mental do
orçamentista, pois junto do contínuo estudo ao projeto, se iniciam os constantes
cálculos de áreas, volumes e pesquisas por tabelas de fornecedores,
rendimentos de materiais, mão de obra, conversões de unidade de medida e
etc.

Nesta etapa, fica evidente a necessidade do projeto e de um memorial, já


citados no início deste e-book, assim como a impossibilidade de ter um
orçamento com alto grau de excelência sem estes itens. Digamos que você
esteja quantificando os pisos e revestimentos de uma casa, e por sua
experiência, sabe quais são as áreas nas quais se aplicam o piso cerâmico: a
falta do projeto e memorial detalhados, impede que você saiba se o mesmo tipo
de material é aplicado em todos os ambientes, se este piso é da mesma marca e
referência em toda a casa, e se devem ser quantificados separadamente pela
variação de custos.

Do mesmo modo, o memorial de cálculo é de grande importância, tando para


sua própria conferência em um dia futuro, como também para apresentá-lo à
outras pessoas envolvidas na execução ou fiscalização do projeto, como é
exigido em alguns órgãos públicos. Inclusive, se ocorrer alguma mudança de
projeto durante a orçamentação, esse memorial vai lhe ajudar a efetuar essas
alterações de quantitativo mais rapidamente.

Tomando como base o exemplo anterior, imagine que se tem um quantitativo


de alvenaria em uma parede de 2m de altura por 3m de comprimento. O
memorial de cálculo ficaria assim:
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5- Elementos de Vedação Quant.

5.1 Alvenaria de vedação de blocos cerâmicos furados na horizontal... (2*3)=6m²

Lembrando que: o quantitativo vai em um documento separado, na planilha


final de orçamento apenas consta o valor total de 6m².

4.2.3 - Composição dos Custos Diretos


Pois bem, agora que sua planilha já está dividida por etapas e dentro delas
estão os serviços detalhados, juntamente com suas respectivas quantidades,
vamos listar todos os insumos que estão inseridos em cada serviço, pois a
junção deles nos levarão ao custo unitário.

Estes insumos podem ser:


· Mão de obra
· Material
· Equipamento

Vamos ao exemplo prático:


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Como se pode ver, neste serviço de instalação de luva simples de PVC branco
para esgoto (1 ½”), são listados os materiais e a mão de obra necessária para
execução de uma unidade de luva.

Devemos atentar sempre para as unidades relacionadas; como consta na tabela


acima, a instalação da luva simples é calculada por unidade, então vemos que
para cada unidade de luva o encanador gasta 0,14 horas. Alguns serviços
podem ser calculados por metro quadrado (m²); como alvenarias e
revestimentos, ou por metro cúbico (m³); como concretos, argamassas e afins.

Eu sei que você já deve estar se perguntando como e onde se consegue essa
composição de serviços tão detalhada. Um dos meios é pela TCPO (Tabela de
Composição de Preços para Orçamento), que é produzida e distribuída pela
editora PINI, usada como a tabela de referência mais difundida no mercado.
Outra maneira é pela SINAPI (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices
da Construção Civil), que fica sob responsabilidade da Caixa Econômica
Federal.

Essas tabelas de referência trazem milhares de composições de serviços


separados por etapa de obra, então seu manuseio e utilização é bem simples e
muito intuitivo. Porém, é indicado que cada orçamentista, ao decorrer de sua
experiencia em obras, crie sua própria referência de composição com o banco
de dados das obras anteriores.

4.2.4 - Composição dos Custos Indiretos


Basicamente, os custos indiretos são definidos por exclusão; todo item que não
estiver na planilha de custos diretos definido como serviço, mas é essencial para
que esses serviços possam ser realizados, é chamado de custo indireto.

Inclusos nesses custos estão as equipes de suporte (secretárias, vigilantes),


equipes técnicas (engenheiros, encarregados, estagiários, mestres), equipes de
apoio (almoxarife, apontado), despesas gerais de obra (materiais para escritório,
materiais de limpeza) e gastos extras com o canteiro de obras.

Estes custos indiretos são utilizados para composição do B.D.I (Benefícios e


Despesas Indiretas) que será abordado mais à frente.
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4.2.5 - Cotação dos Insumos
Com a lista completa de todos os insumos que constituem o empreendimento,
se inicia a pesquisa de mercado para obtenção dos preços dos diferentes
custos da obra, podendo ser direto ou indireto. Se o trabalho for em uma grande
construtora, nesta etapa entra em ação o apoio do setor de suprimentos na
realização da cotação e suporte ao banco de dados de fornecedores da
empresa.

Temos sempre que atentar para insumos que contemplem custos de frete ou
impostos de translado entre estados, cujo valor pode ser adicionado ao preço
unitário do produto ou serviço e até em seu custo indireto.

Dica: Orçamentistas com mais experiência sabem que determinado insumo


demanda mais tempo para ser cotado com o fornecedor, como uma peça
especial de concreto, uma obra de arte ou até uma serralheria diferenciada,
então, estes itens devem ser cotados com prioridade.

4.2.6 - Encargos sobre Mão de Obra


Em seu processo de orçamentação, na composição dos custos, primeiramente
deve-se estimar a quantidade de mão de obra de cada serviço, e, após precificá-
la, soma-se à ela os encargos sobre direitos sociais e trabalhistas, que se aplicam
sobre pedreiros, eletricistas, encanadores, ajudantes, pintores, azulejistas, etc.

O custo da mão de obra respeita a fórmula: CUSTO M.O = SALÁRIO +


ENCARGOS. Estes encargos estão representados na tabela a seguir, segundo
o Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil):
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52
Percebe-se que todos esses encargos são direitos e benefícios do trabalhador,
alguns que ele certamente vai utilizar, como férias e 13º salário, e outros que
talvez nunca necessite, como a licença paternidade. Mas a realidade é que o
seu dever como orçamentista e administrador é sempre pensar no futuro e não
omitir a possibilidade da utilização desses benefícios pelo trabalhador.

Levando por base essa referência do mês de fevereiro/2019 SINDUSCON-SP, os


encargos totais são 177,30%, sendo que são adicionados ao salário e resulta no
custo total da mão de obra, conforme a formula anterior.

Construtoras e empreiteiras já têm por base esses encargos definidos e


estipulados pelos seus escritórios de contabilidade e recursos humanos,
portanto, o próprio escritório de contabilidade passa para o orçamentista o
custo da hora da mão de obra, já contemplando os encargos sociais.
62
4.3- Conclusão
do
Orçamento
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4.3.1 - Composição do BDI / Preço de Venda
Seu bolo já está assado, com recheio e cobertura, agora só falta a cereja!
Brincadeiras à parte, é praticamente isso, você já identificou os serviços, já os
quantificou e depois precificou, incluindo os encargos da mão de obra. No
momento final do orçamento, chegamos ao preço de venda aplicando o
percentual que representa a lucratividade desejada para a obra e os custos
indiretos.

Esse percentual, que na verdade é um fator de majoração, é o BDI (Benefícios e


Despesas Indiretas), sendo essa majoração a responsável por diluir esses custos
dentro dos preços finais dos custos diretos.
Em meu Instagram, produzi um vídeo bem legal e muito importante, que explica
mais facilmente a composição do BDI. Você pode acessá-lo clicando aqui >
VÍDEO BDI

Como você acompanhou no vídeo, o BDI é formado por:


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A fórmula que eu aconselho para a composição do BDI de sua obra é:

BDI = ( 1 + CI% ) x ( 1 + AC% + CF% +IC% )


----------------------------------------------------------------
1 – ( LO% + IMP% )

sendo:
CI% = Custo indireto (porcentagem sobre o custo direto)
AC% = Administração central (porcentagem sobre os custos diretos + indiretos)
CF% = Custo financeiro (porcentagem sobre os custos diretos + indiretos)
IC% = Imprevistos e contingências (porcentagem sobre os custos diretos +
indiretos)
LO% = Lucro operacional (porcentagem sobre o preço de venda)
IMP% = Impostos (porcentagem sobre o preço de venda )
Fonte da fórmula: Como preparar orçamento de obras, de Aldo Dórea Mattos.

Dica: Nunca reutilize o BDI, ou seja, nunca copie o BDI de uma obra e utilize
em outra, por mais parecida que a obra seja. Cada obra tem suas
individualidades e desafios a serem previstos e a prática deste ato pode levar
sua empresa a falência.

Chegada a porcentagem final do BDI, podemos partir para o preço de venda,


obtido pela relação:

PV = CD x (1 + BDI%)

sendo:
PV = Preço de venda
CD = Custo direto
BDI% = Benefícios e Despesas Indiretas
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5- Locais
De
Pesquisa
03
Como você viu anteriormente, necessitamos das composições dos serviços ou
tarefas e de bases de preços para a cotação dos insumos.
Sempre é recomendável que cada orçamentista tenha suas próprias
composições e sua própria base de preços regionais, ainda mais para quem
trabalha em construtoras, empreiteiras e etc. Porém, como este e-book é para
quem está começando no mundo do orçamento, e que ainda não possui um
acervo próprio para essa composição, estou deixando os links de locais
confiáveis, onde todo orçamentista pode encontrar um suporte para iniciar seus
orçamentos.

TCPO - Lançada pela editora PINI, tem milhares de composições de serviços. É a


base de composição mais disseminada no mercado, porém é paga.

SINAPI - Mantida pela Caixa Econômica Federal, tem centenas de composições


de serviços, juntamente com seus preços desonerados ou não desonerados por
região, sendo gratuita e muito utilizada para fins de financiamento habitacional.

CPOS – a Companhia Paulista de Obras e Serviços tem centenas de


composições, juntamente com seus preços desonerados e não desonerados
por região, muito solicitada por órgãos públicos em licitações. A plataforma é
paga mensalmente e, como seu sistema é online, as planilhas podem ser
baixadas direto para o computador.

FDE – a Fundação para o Desenvolvimento da Educação foi criada como base


de licitações do governo na área escolar, possui centenas de composições de
serviços juntamente com seus preços, e seu acesso é gratuito.

DER – o Departamento de Estradas de Rodagem possui centenas de


composições com seus preços, sendo mais voltada para a parte de
infraestrutura, como seu próprio nome sugere.

Esses locais de pesquisa serão de grande ajuda para quem está começando. Eu
mesmo utilizo a TCPO juntamente com o SINAPI, tentando criar uma
composição minha, somada à experiências de obras anteriores, e considerando
sempre a cotação de insumos locais.
13
6- Orçamento
Na
Prática
23
Tendo em vista os aspectos mencionados, é imprescindível que todos se
conscientizem de que orçamento de obras é indispensável para o sucesso de
qualquer empreendimento. Seu aprendizado pode não ser tão fácil, porém, com
estudo, dedicação e o auxílio de pessoas já experientes no assunto, você
poderá realizar seus orçamentos tranquilamente.

O estudo do orçamento e planejamento se faz necessário para nós, eternos


estudantes da construção civil, que se aprimoram todos os dias, pensando não
somente em nossos méritos, mas também em mudar a visão do “jeitinho
brasileiro”, que faz tudo sem planejamento e controle, principalmente em
pequenas obras.

O passo a passo apresentado aqui neste e-book é só uma mínima parte do que
é o orçamento de obras, porém, se faz necessário para melhor compreensão e
fixação dos conceitos importantes para os iniciantes em orçamento de obra,
sendo de tal modo que o e-book funcione como um guia de cabeceira, sendo
necessária sua consulta no inicio de toda orçamentação.

Para você que quer se aprofundar ainda mais em orçamento de obras,


realmente ver na prática como executar um orçamento de obras seguro e
preciso, eu criei um programa chamado "Guia do Orçamento de Obras - Do Zero
ao Bdi", que é um treinamento interativo em vídeo, ensinando passo a passo,
com riqueza de detalhes, como fazer um orçamento.

Todo programa é baseado na geração de resultados através da tomada de


ação. Não é um programa focado simplesmente no prazer de aprender. Guia do
Orçamento é esse aprendizado colocado em prática no mundo real para gerar
resultados acima da média.

O programa é divido em 10 módulos + 5 super bônus exclusivos , e são eles :

MÓDULO 1: INTRODUÇÃO
É mostrado um breve resumo de como será o treinamento para você se
programar como irá consumir o conteúdo. Além disso é passado os canais de
suporte e atendimento para dúvidas pertinentes de cada aluno.
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MÓDULO 2: O QUE É ORÇAMENTO DE OBRAS
Nesse módulo você vai aprender verdadeiramente o que é orçamento de obras,
conhecendo suas características e propriedades, junto das oportunidades de
negócios que se abrem ao aprender orçamento.

MÓDULO 3: GRAU DE DETALHAMENTO DO ORÇAMENTO


É apresentado ao aluno os tipos de detalhamento que existem em um
orçamento. Ao final você já consegue fazer seus primeiros orçamentos
estimativos ou preliminares, podendo atuar como orçamentista.

MÓDULO 4: ESTUDO DAS CONDICIONANTES (ETAPAS DA


ORÇAMENTAÇÃO)
Neste modulo se dá início ao passo a passo de um orçamento seguro e preciso.
São expostas ao aluno as condicionantes que envolvem um orçamento de
obras, analisando item por item de importância dentro do edital, projeto e visita
técnica.

MÓDULO 5: FORMAÇÃO DOS CUSTOS (ETAPAS DA ORÇAMENTAÇÃO)


Aqui você aprende a parte mais importante da orçamentação, que é a divisão da
obra em etapas, serviços e sub serviços, junto de seus quantitativo e a
composição dos custos diretos e indiretos de uma obra. Após esse módulo você
já consegue ter uma visão maior da composição de uma obra, auxiliando não só
em orçamento como também para acompanhamento e gestão de obra.

MÓDULO 6: FECHAMENTO DO ORÇAMENTO (ETAPAS DA


ORÇAMENTAÇÃO)
Você sabia que B.D.I não é apenas o lucro de uma obra? Neste módulo você
aprende tudo que compõe o BDI, descobrindo como chegar a um preço de
venda ideal para a obra, fechando seu orçamento.

MÓDULO 7: ORÇANDO NA PRÁTICA ( PRELIMINARES, TERRAPLANAGEM,


FUNDAÇÕES e SUPERESTRUTURA )
Chegou o momento, neste módulo você e eu iniciaremos um orçamento do
zero juntos. Começaremos pelos serviços preliminares, Terraplanagem,
Fundações e Superestrutura de um projeto real, passo a passo.
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MÓDULO 8: ORÇANDO NA PRÁTICA ( ELEMENTOS DE VEDAÇÃO,
COBERTURA, REVESTIMENTOS E ESQUADRIAS )
Continuação do Orçamento na Prática, onde faremos juntos a quantificação,
composição e precificação dos elementos de vedação, cobertura, revestimento
e esquadrias.

MÓDULO 9: ORÇANDO NA PRÁTICA (PINTURA, INSTALAÇÕES ELÉTRICAS,


INSTALAÇÕES HIDRÁULICAS E SERVIÇOS COMPLEMENTARES)
Em obras de pequeno e médio porte é recorrente a falta de projetos
complementares, como hidráulica e elétrica. E o que fazer?
Neste módulo além de orçar a hidráulica e elétrica com projeto, você vai
aprender o que fazer quando não dispor desses projetos.

MÓDULO 10: ORÇANDO NA PRÁTICA ( BDI, PREÇO DE VENDA,


CRONOGRAMA e CURVA ABC)
Vamos juntos compor o B.D.I dessa obra e chegar a um preço de venda ideal,
com seu cronograma de execução físico-financeiro. O aluno também vai
aprender a fazer algumas análises no pós-orçamento de obra, como a curva
ABC, onde conseguimos visualizar os itens de maior importância dentro do
orçamento para maior segurança da obra e eficiência do orçamentista.

BÔNUS EXCLUSIVOS

BÔNUS 1 – ORÇAMENTO PARA FINANCIAMENTO


Este bônus será entregue ao final do curso onde o aluno aprende como é feito
um orçamento, os tipos de financiamento atuais e o preenchimento da Planilha
do Banco Caixa Econômica Federal, focada para Financiamento de Imóveis,
gerando um leque de oportunidades de trabalho para você, onde simplesmente
um orçamento de uma residência para financiamento na categoria "minha casa
minha vida", em que o aluno gasta no máximo 5 horas para fazer, pode ser
cobrado até R$700.
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BÔNUS 2 – UTILIDADES PARA ORÇAMENTO
Todo aluno vai ganhar um combo completo com todas as tabelas e ferramentas
necessárias para realização do orçamento, como:
Tabela de conversão de aço;
Tabela de quantidade de blocos por m2 de alvenaria;
Fator de cálculo para área de telhado;
Tabela de perda de insumos;
Tabela de vida útil de equipamentos;
Fatores de empolamento de materiais;
E outras.

BÔNUS 3 – ATENDIMENTO POR MÓDULO


Sessão de tira dúvidas com cada aluno ao final de cada módulo; você tem
direito a 10 atendimentos comigo,engenheiro Paulo Andrade, 1 a cada módulo,
para sanar suas dúvidas.

BÔNUS 4 – COMUNIDADE SECRETA


Comunidade Secreta do Programa Guia do Orçamento no Facebook; uma
comunidade exclusiva para os alunos trocarem experiências sobre orçamento
de obras. Essa não vai ser uma comunidade qualquer, eu planejei essa
comunidade e estarei ativo nela, tirando dúvidas e compartilhando informações
para garantir seu crescimento.

BÔNUS 5 – CERTIFICADO DE CONCLUSÃO


Sim, ao final do programa você vai receber um certificado atestando sua
participação, comprovando suas horas complementares obrigatórias na
faculdade ou curso técnico, e principalmente, acrescentando valor ao seu
currículo.

Acesse o link abaixo para maiores informações sobre o programa e para


aproveitar essa super oportunidade, onde você realmente vai aprender
orçamento de obras na prática, se tornando o profissional mais desejado do
mercado.

PROGRAMA GUIA DO ORÇAMENTO DE OBRAS ( DO ZERO AO BDI )


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7 - Sobre o Autor
Paulo Andrade é engenheiro civil, empreendedor e apaixonado
por orçamento de obras, trabalha com engenharia de custos
desde 2013.

Um não conformista, Paulo acredita que a reciprocidade, amor


ao próximo e a transmissão de conhecimento com conteúdo de
valor são ferramentas que transformam o mundo.

Com essa visão, Paulo está criando uma comunidade de


orçamento de obras, na qual a missão é dar o máximo de
conteúdo de valor a todos participantes.

Veja os Canais de Transmissão de conteúdo:

Orçamento no dia a dia


Imagens, dicas, perguntas e repostas.Interação constante para te ajudar
todos os dias e a rotina de Paulo Andrade.

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