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A VENERÁVEL FIGURA DO MESTRE CEDAIOR (1872-1943)

(Compilação organizada por Thoth, 3º Patriarca da Igreja Expectante,a partir de biografia


elaborada pelo 2º Patriarca, Sri Sevãnanda Swami, na obra “O Mestre Philippe, de Lyon”,
Volume II, páginas 139 a 151,e publicada em La Iniciación, revista mensal do Grupo
Independente de Estudos Esotéricos, editada em Buenos Aires, Argentina,numa série de
sete artigos, com início em março de 1943.)

Meus queridos discípulos e amigos: vou propor-me a uma tarefa que reputo difícil e árdua.
Entretanto, movido pelo amor e veneração, procurarei compilar dados o máximo possível
para trazer à luz do conhecimento público os fatos da vida do Mestre Cedaior.

A pretensão de executar este artigo é devido a este mês de agosto, dia 17, a Igreja
Expectante completar 59 anos de existência.

Como não poderia deixar de ser vamos homenagear seu fundador e primeiro
Patriarca relatando fatos e flagrantes de sua vida pessoal, numa rústica biografia pela qual
de antemão peço as devidas escusas sem, no entanto, deixar de fazer o máximo esforço
possível para atingir o objetivo. Segue um excerto do texto do Mestre Sevãnanda...

Em 1º de setembro de 1872, nascia em Valence (Departamento de


Drôme, sul da França), não longe de Lyon, na casa que fora outrora do
lendário Cavalheiro Bayard (le chevalier sans peur et sans reproche), e
filho de Marie Delmas e de Eloy Cotet ou Costet, visconde de
Mascheville (e mais outros títulos como: du Peuch, de la Chèvrerie, de
Benhayes, etc., nessa família aparentada com os de Livron, de Taillfer,
de Segur, de Narbonne, de Rastignac e outros). O nome “Cotet” vem,
aliás, de um antepassado árabe: Abbon Cat, enobrecido, lá pelo ano 700,
por motivos que meu pai e Mestre me contava, na minha infância,
revolvendo velhos pergaminhos e brasões – junto com a do nosso
antepassado que fora buscar na Inglaterra o Rei João-sem-Terra – quando o Príncipe Negro
o liberou... De Cat: Cati, Coti, Cote, Cotet, etc.

O menino assim nascido chamou-se Albert Raymond. Não foi uma criança vulgar:
aos 5 anos, certo dia em que a mãe ralhava com ele, reagiu exigindo “mais consideração
que lhe era devida, desde aquele dia em que ela, mãe, o jogara nervosamente sobre a cama,
quando ainda estava enfaixado e impossibilitado de se ‘defender’ na queda”. Já vimos que
essa prodigiosa memória-consciência da meninice é típica dos que “não perdem a
consciência” facilmente!

Era o mais velho dos filhos de um celta e de uma latina. O segundo, Daniel, de
grande talento como pintor, faleceu relativamente jovem.
Com esses dados vamos primeiro tratar da vida, do homem, o que nos dará a
compreensão da vida do Mestre, ou melhor: o preço que o HOMEM teve que pagar para
poder trabalhar como INICIADO.

No seu lar paterno, em plena infância, passa pela oposição na sua precoce vocação
musical, onde muitos meninos desistiam mediante tamanha dificuldade. Porém, o Mestre
Cedaior mostra já a sua força de vontade e obtém, aos 9 anos de idade, as lições gratuitas
do célebre violinista francês Charles Dancla, cujos métodos são de fama mundial. Revela
em sua puberdade uma grande virtuosidade e, sobretudo, uma sonoridade e grande
expressão interpretativa que permaneceriam para sempre como suas características de
violinista.

Aos 13 anos de idade consegue “arrastar” seus pais a Lyon para obter, por
recomendação de Charles Dancla, apoio para ingressar no Conservatório de Paris. Antes
de partir de sua terra natal – a Valência francesa, que não fica longe de Lyon – ele tinha um
amigo, mais velho que ele e que contava pouco mais de 13 anos.

Eu não me lembro, mas meu Mestre me assegurou, reiteradamente, que esse amigo
dele, jovem químico chamado L. B. morreu lá pouco antes de o jovem Albert viajar e que
esse amigo... sou eu...

E nessa idade, já lá em cima, as forças superiores começam a intensificar o trabalho


para o seu desenvolvimento espiritual, pois foi nessa famosa passagem por Lyon que ele
conheceu o Muito Excelso Mestre Amo Philippe.

Cedaior consegue, pois, antes dos 15 anos, ser enviado a sós a Paris. E na Cidade
Luz não se deixou levar pelo superficial e pelo frívolo.

Para desespero de seus professores, toca nas noites, em orquestras de segunda


categoria, a fim de ganhar o necessário para a sua subsistência. Leva essa vida durante
alguns anos, até que obtém o primeiro prêmio do Conservatório de Paris e ganha logo, por
concurso, a nomeação de professor do Conservatório de Nancy, posto que não assume.

Em 1890, aos 18 anos, já se interessa profundamente pelos assuntos místicos e


passa a dividir o seu tempo entre eles e sua atividade artística, que cresce, pois já dá alguns
concertos em teatros conhecidos de Paris, como o Trocadero, no qual debuta
brilhantemente.

Em 1891 inicia voluntariamente o serviço militar, que se estenderia por quatro


anos. Isso por razões econômicas e para poder arranjar colocação melhor em Paris.
Relaciona-se nesta época com pessoas que influirão sobre sua carreira iniciática.

Já em 1895 vamos encontrá-lo no Egito, em missão oficial do governo francês,


fazendo oficialmente estudos sobre os instrumentos de acústica das civilizações antigas. E
ali também estava em missão especial das Ordens Martinista e Rosa+Cruz Kabalística.

Perto do ano de 1900 aumenta a sua atividade material, realiza várias invenções
relacionadas com a música: surdina para violino, metrônomos, etc. E consegue
sucessivamente elevados postos, chegando a tocar nos grandes concertos de Colonne,
Lamoureux e, finalmente, na Ópera Cômica de Paris. Foi também uma época em que teve
uma grande atividade Maçônica, Martinista e Kabalística.

Em 1906 vamos encontrá-lo com uma casa editora de música e de aluguel e venda
de pianos. Era membro da Sociedade de Autores de Paris, assim como sua esposa,
brilhante pianista e compositora com a qual se casara anos antes e de cuja união nasceu,
em 1901, seu primeiro filho, Visconde Léo Alvarez Costet de Mascheville, o querido Sri
Sevãnanda Swami.

Em 1910, desgostoso com a vida européia e os ódios raciais que já se


manifestavam, embarca para a República Argentina, onde se faz conhecer como
concertista e maestro. Funda conservatórios em Buenos Aires, Olivos e San Isidro, com
sua companheira, e o casal chega a estabelecer rapidamente uma boa base material de
vida.

Porém, em 1914, pouco antes do nascimento do seu segundo filho, o INICIADO


começa a cativar cada vez mais o HOMEM e a situação material de Cedaior sofre as
conseqüências do desprendimento assim motivado. E, ao toque do clarim, tudo confiou ao
Criador: esposa, filhos, lugar... Porque acreditou no Dever e no Sacrifício... E em linda
visão deparou com maravilhoso Ser, daqueles que mui respeitosamente chamamos Mestre,
que, dirigindo-se a ele disse: “Cedaior, teu dever aqui está, e não lá (referindo-se à
Europa). O teu lema deve ser: AMOR e SACRIFÍCIO em teu nome. Tudo o que é passado
não virá mais a ti”. Era 1915 e desde então passa a receber e ensinar a Nova Doutrina.

Fazendo já quatro anos que dava Instruções, ensinamentos da Luminosa Lei de


Vayu, que procura ativar o conhecimento da Reencarnação, e atravessando uma fase de
grandes atividades e de estudos ocultos, publicou a sua famosa obra “Libro de las Leyes de
Vayu” e em 17 de agosto deste ano de 1919 fundou, junto com um grupo de Discípulos
seus, a IGREJA EXPECTANTE, a qual ficou registrada no referido livro.

Desfazendo-se do seu primitivo lugar, se lança sozinho a explorar região que o


atraía: a Cordilheira dos Andes.

Em 1921 o vemos chegar a Mendoza, onde viverá modestamente de lições de


francês e de música até 1924, data em que uma nova missão oculta o leva ao Brasil.

No Brasil começará o que se poderia chamar de a segunda fase da vida do Homem


e do Mestre. Faz várias tentativas, que examinaremos detidamente mais tarde, de fundar
colônias naturistas e “olímpicas” (isto é, sobre a base explicada em seu livro). Todas, por
diversas razões, fracassam, e sempre é o mestre um dos que mais sofrem, material e
moralmente, as consequências. Assim transcorre a vida de Cedaior, primeiro em Santa
Catarina, depois no Paraná – onde conhece sua segunda companheira, futura mãe dos
cinco filhos do seu segundo matrimônio – depois em Goiás, novamente no Paraná e
finalmente no Rio Grande do Sul, onde passará os dez últimos anos de sua vida, com
exceção de três, passados em São Paulo, no meio de lutas de toda espécie.
Tempos antes de sua desencarnação, já a espera e a anuncia aos que o rodeiam.
Declara uns dias antes de sua morte, ainda com boa saúde: “terminei o que tinha que fazer
por esta vez; vou dar uma olhadinha lá em cima e voltarei logo para continuar”.

No dia 12 dá suas instruções para depois de sua partida. No dia 14 aparecem os


primeiros sintomas. Instala-se uma congestão pulmonar e segue a uremia. O seu tema natal
“morrerás só e abandonado, longe dos teus” cumpria-se, pois, não obstante o carinho de
sua segunda esposa e dos filhos desse matrimônio, bem como de certos de seus Discípulos,
ele ficou “largado” nos corredores da Santa Casa, transportado pela delicadeza do Dr.
Antônio Pereira Júnior à casa de saúde do mesmo, onde, por curioso conjunto de
circunstâncias, expirou sem nenhum dos seus junto a ele. Que bela morte, sossegada e
tranqüila!

O Venerável Mestre Cedaior passa suavemente ao outro plano às 16h55 do dia 22


de janeiro do ano de 1943 e uma forte chuva vem confirmar, na hora da entrega de seus
despojos à terra, suas palavras de dias antes, de que “tinha que mexer um pouco em cima
para interromper a seca”.

Vimos assim, sumariamente, a vida social e material do HOMEM. Veremos mais


tarde a atividade do MESTRE, sobre cuja tumba ressoou, carinhosamente, a voz dos
representantes da Loja Maçônica Moreira Guimarães do Centro Vivekananda; da Irmã
Hipathia, representando o Soberano Delegado Geral da Ordem Martinista e sobre a qual se
estendeu a mão amiga dos Veneráveis Mestres em seus primeiros passos iniciáticos desta
encarnação e aos quais sempre SERVIU o melhor que pôde e ao preço de qualquer
SACRIFÍCIO: Amo Philippe – Papus – Vayusattwa – Sédir.

Que as Rosas floresçam sobre a Cruz


De tua tumba, como floresceram na Luz
Emanada de teu Sacrifício, de teu Coração,
E siga fecunda a trajetória de tua Missão.
OM et AMÉM.

PARTE II - PUBLICADA ORIGINALMENTE EM PORTUGUÊS NO JORNAL


OFICIAL DA IGREJA EXPECTANTE, O SEMEADOR DA NOVA RAÇA, AGO-
SET/1978.

No número anterior do nosso jornalzinho fiz referência panorâmica à vida do homem, à


vida material e social daquele que como Mestre e irmão conhecemos como “Mestre
Cedaior”. Iniciarei neste artigo a história de sua vida iniciática.
Já lhes disse que quando Cedaior era ainda menino, aos 13 anos de idade, havia entrado
pela primeira vez em contato com o MEM Amo Philippe. Efetivamente, um senhor, amigo
da família de Cedaior, o levou à presença do Mestre Amo por haver achado algumas
particularidades no menino. O Mestre Amo lhe olhou demoradamente, seguramente com a
vista interna sobre o todo, e resumindo sua impressão com um sorriso perguntou ao
menino: “Diga-me, pequeno, te agradaria ser útil em ajudar uma senhora que sofre de
um terrível martírio?”.
O menino Cedaior não vacilou em responder com a afirmativa. Então o MEM lhe colocou
a mão sobre a cabeça por alguns instantes e disse: “Diariamente o senhor que te trouxe até
aqui te levará até o hospital no qual se acha a dita senhora, QUE TEM UM GRAVE
CÂNCER NO SEIO. Tu colocarás as tuas pequenas mãos sobre o mal DURANTE UMA
HORA, desejarás que se cure e pedirás a JESUS”.
Com perseverante alegria o menino Cedaior fez durante dez dias o que o Mestre mandara
e, ao término dos dez dias, a senhora saía do hospital completamente curada. Que
misterioso laço se estabeleceu entre o Espírito do Plano Crístico, o MEM, a vitalidade e o
bom coração do menino Cedaior e a enferma assim curada?... A meditação lhes dirá se é
que já não lhes disse sem nada dizer.
Profunda impressão deixou no menino Cedaior o fato referido. E, ao chegar a Paris para
estudar no Conservatório, como já foi dito, seus pensamentos e sua leitura eram de uma
seriedade pouco comum em pessoa de tão pouca idade, e dedicava-se a temas místicos e
iniciáticos.
Aos 18 anos de idade cria uma “Sociedade Secreta” com alguns companheiros, na qual
celebram ritos que eram uma síntese de adaptação dos mistérios egípcios e outros, visando
especialmente à obtenção de estados de transe voluntário e consciente. Graves juramentos
obrigavam os componentes. E um punhal de ondulada folha e cabo de marfim gravado
com hieróglifos era, ao mesmo tempo, objeto de reconhecimento e de lembrança sobre o
silêncio aceito.
Vários membros da sociedade chegaram a resultados curiosos. O próprio Cedaior já
chamava a atenção de seus companheiros pela facilidade com que conseguia pôr-se em
catalepsia por um período de tempo pré-fixado e sempre exatamente verificado, contando,
no seu “regresso” ou despertar, tudo o que havia feito e visto, havendo muitos fatos que
foram verificados como exatas visões à distância, do presente e do passado, e alguns até
como previsões (pré-visões) de fatos ainda não acontecidos e que se realizaram tal como
os descrevia o iniciado Cedaior.
Foi nessa época que visões e comunicações várias lhe anunciavam o nascimento de seus
filhos. O primeiro devia ser reencarnação de um seu amigo de muito mais idade, químico e
que efetivamente morreu quando Cedaior ainda não tinha seus 20 anos. O segundo devia
ser retorno de um “Chela” brahmânico que tinha com Cedaior laços anteriores.
Em 1892, sendo já militar (como oboé solista e subchefe da banda do seu regimento)
Cedaior conheceu o sargento Montagne, que o colocou em contato com o Grupo
Independente de Estudos Esotéricos no qual Cedaior conheceu Papus, Barlet, Sédir e
outros Mestres da época, inclusive dois magnetizadores que se fizeram muito amigos de
Cedaior e que foram também seus futuros companheiros no Martinismo, Raymond e
Moutin.
No mesmo 1892 Cedaior foi iniciado na Ordem Martinista pelo grande místico Sédir e
recebeu os seguintes nomes: “Cedaior”, nome místico e simbólico, e o nome esotérico
SDR/2-H (o que indica que foi ele o oitavo discípulo iniciado por Sédir).
Em 1893 achamos Cedaior como iniciado Martinista e logo como S.I. (terceiro grau) e na
função de Mestre de Cerimônias da Loja Martinista Mística “HERMANUBIS”, que se
dedicava especialmente à Via Mística e, dentro dela, preferentemente a parte oriental da
doutrina.
É possível que isto tenha influenciado para “reavivar” o seu passado oriental (todos nós
devemos ter um, Carolei!), pois que, durante certa época, os seus desdobramentos
voluntários foram assistidos por Mestres do Tibet e de Allahabad, que até o levaram a
prestar certos compromissos perante a chamada “Grande Loja Branca”, compromissos que
lhe foram lembrados e exigidos mais tarde, como consta de seu “Libro de las Leyes de
Vayu”.
Entre tais mestres, um deles chegou a “materializar-se” (sem a intervenção de fenômenos
mediúnicos, é claro) em Paris, e fazer “prova de fé”... como aquela na qual Cedaior
recebeu ordem para apontar um revólver para o peito de sua jovem esposa... e atirar...
ficando a bala tremendo no ar e caindo no chão, ante o espanto dos quatro ou cinco que,
com Cedaior, compunham um grupo muito fechado.
Embora não me seja possível fazer uma biografia “dia por dia”, devo citar aqui alguns
fatos anedóticos que, para os que sabem, mostrarão que o então iniciado Cedaior tinha já
sua Via bem traçada e que já havia sido permitido sabê-lo.
Certa vez Cedaior disse a Papus que tinha a possibilidade de fazer uma pequena excursão
pelo interior da França, pelos lados de Rouen. Então Papus, que provavelmente tinha “suas
razões” para isso, lhe deu uma carta coberta de sinais especiais para que, com ela, se
apresentasse a um determinado ADEPTO, naquela época Patriarca Gnóstico, que vivia na
calma província francesa.
Cedaior, jovem e solteiro ainda, não viu nenhum inconveniente em se fazer acompanhar
em sua excursão por uma “amiguinha” que, por sinal, era pessoa mui curiosa, pois sua
profissão era de “encantadora de serpentes”, com o que ganhava a vida em pequenos
teatros.
Quando chegaram à cidade do interior na qual vivia o ADEPTO, Cedaior deixou sua
amiguinha com as serpentes e se dirigiu só para visitar o Mestre, não sabendo exatamente
a quem ia encontrar, pois Papus não lhe deu maiores detalhes, deixando assim o ADEPTO
com plena liberdade de falar ou calar, conforme o que VISSE em Cedaior.
Perguntando pelo nome civil do ADEPTO, Chegou Cedaior no curtume no qual o dono, a
pessoa indicada por Papus, o recebeu afavelmente e o fez visitar a indústria e, com grande
surpresa de Cedaior, não disse uma só palavra de assuntos iniciáticos durante toda a
manhã. Cedaior respeitou o silêncio, que podia ser uma prova. Perto do meio-dia o ancião
anfitrião, de barba branca e imponente figura, disse a Cedaior: “Venha você almoçar
comigo e assim poderemos conversar um pouco mais”.
Efetivamente, ao chegar a sobremesa, o Venerável ancião começou a falar de simbolismo,
de sua interpretação, da Luz Astral e, de repente disse, mui afavelmente a Cedaior: “Creio
que você já sabe que em todos os tempos a ‘serpente’ representou a luz astral, a vida e...
também as paixões ou, pelo menos, a parte sexual da vida...” É claro que ao jovem
Cedaior tais palavras pareceram uma direta alusão a sua companheira e uma prova de
vidência do Mestre, o qual seguiu dando a Cedaior formosas explicações sobre a Doutrina.
Porém, no meio delas sempre se arranjava para deixar claro ao Iniciado Cedaior que todo o
seu passado familiar, material, moral, espiritual, enfim, de toda espécie, era para ele como
um livro aberto.
No final de tal conversação Cedaior se sentia cheio de respeito pelo ADEPTO que de
forma tão sutil lhe provava seus poderes e sua ampla tolerância para as debilidades
humanas. Foi então quando o ADEPTO lhe disse ao despedir-se: “Você consagrará algum
dia toda a sua atividade à Via Iniciática; irá a países de ultramar e ali terá sua missão
mais efetiva e fecunda. Sangrará por seu caminho, porém os espinhos que lhe firam serão
partes da planta que leva luminosas e fecundas rosas”.
Regressou Cedaior a Paris, cheio de entusiasmo pelos Mestres aos quais o mesmo Papus,
por modéstia, indubitavelmente, reverenciava tão humildemente, e seguiu os caminhos que
haviam sido indicados.
No Martinismo fez rápidos progressos, galgando a hierarquia iniciática. Em 1893 já era
S.I. e Gnóstico. Em 1894 foi sagrado Bispo, por “Valentinius”, em Orleáns mesmo, e nessa
oportunidade o Patriarca (Jules Doinel) lhe fez demonstração de vários poderes, inclusive
o da profecia, ao dizer-lhe: “Tudo que fazes na França é apenas preparatório para ti. A tua
missão pessoal é do outro lado do mar”.
Efetivamente, não obstante uma missão oficial no Egito, onde recebeu iniciações também,
e tornou-se amigo de Mariette-Bey, o conservador do Museu do Cairo, após o casamento
que motivara esta viagem, ficou ainda em Paris até 1910 somente. Foi nesses anos, pois,
que trabalhou com Papus, com Sédir e com outros, tendo havido certo assombro, por
ocasião de uma viagem do MEM Philippe a Paris, na qual diferentes Martinistas deviam
Lhe ser “apresentados”, tendo Cedaior declarado que já O conhecia... E, pela primeira vez,
referiu-se publicamente ao fato já narrado, ocorrido na sua juventude, em Lyon.
Em 1895 o encontramos já S::I:: (isto é, INICIADOR com poderes para formar
discípulos). Tinha então 23 anos de idade e Papus o nomeou Delegado Especial do
Supremo Conselho da Ordem Martinista.
Em tal qualidade Cedaior inspecionou muitas corporações e viveu com os Superiores
Incógnitos do Supremo Conselho horas fecundas de aprendizagem, tanto da Doutrina
como de suas aplicações. Já pertencia também à Ordem Kabalística da Rosa+Cruz e
entrava assim em contato mais íntimo com Mestres tais como Stanislas de Guaita, Saint-
Yves d’Alveydre, Péladan, Barlet, Oswald Wirth, Papus, Sédir, Lermina e tantos outros.
PARTE III - PUBLICADA ORIGINALMENTE EM PORTUGUÊS NO JORNAL
OFICIAL DA IGREJA EXPECTANTE, O SEMEADOR DA NOVA RAÇA, AGO-
SET/1978.

Como dizíamos, em 1895 achamos o irmão Cedaior, já S::I::, organizando Lojas


Martinistas no interior da França, inspecionando e instruindo outras.
Também nesta época se dirige ao Egito em missão oficial do governo francês como
investigador em matéria científica (acústica) e arqueológica (estudos das formas
instrumentais dos antigos egípcios). Porém, esta missão oficial obtida, diga-se de
passagem, por influência de irmãos Martinistas das esferas oficiais, pois que, na realidade,
Cedaior é enviado ao Egito em missão confidencial da Ordem Martinista e da Ordem da
Rosa+Cruz Kabalística para entrar em contato com certas Fraternidades de lá e verificar
“in loco” certos estudos sobre simbolismo e cerimoniais iniciáticos.
Os resultados de sua missão oculta não foram jamais publicados, porém se sabe, nas
Ordens, que permitiram a Sédir e a Papus documentar melhor certos pontos da antiga
estrutura dos Templos e de seus ensinamentos, pois Cedaior percorreu desde Damieta e
Alexandria até Karnak, tendo permanecido longo tempo no Cairo, onde manteve grande
amizade com Mariette-Bey, que era o conservador do Museu do Cairo e que lhe prestou
relevantes serviços.
Sua missão oficial foi coroada de êxito, pois o governo francês, não podendo, devido à
idade de Cedaior, outorgar-lhe a Legion de Honor, premiou os seus trabalhos com a Palma
Oficial da Academia.
Seu regresso a Paris marca a época de sua vida na qual mais ativamente se ocupará da
Maçonaria, Martinismo e Orientalismo.
Seus trabalhos, desde 1898 até mais ou menos 1909, se orientam sucessivamente na forma
seguinte, junto com os irmãos de que falarei na continuação: Com Sédir (que fora seu
iniciador, como já vimos) fez uma quantidade de experiências destinadas a verificar pela
psicometria e pela visão astral direta da “Memória da Natureza” as buscas feitas no Egito e
no Líbano. Cerca de mil fotos servem de documentação a tais trabalhos, assim como
pequenos fragmentos dos Templos de Karnak, das pirâmides e da Esfinge, assim como de
“certos outros Templos Subterrâneos do Egito”.
Algumas irmãs Martinistas, psicômetras, se propuseram a servir de instrumentos de
pesquisa e verificação de assuntos magnéticos. Entre eles a Irmã Allopair, minha Mãe,
também Martinista que, além de talentos de grande pianista e compositora, tinha notáveis
dons “psicométricos”. Ela, ao colocar uma pedrinha ou um fragmentozinho na testa,
proveniente de um lugar ou monumento do Egito, passava a “ver” e a descrever,
minuciosamente, e indo para trás no tempo, as gentes, acontecimentos e até cerimônias ou
civilizações que tenham sido “presenciadas” por aquele fragmento.
Com Moutin, de Rochas e outros Cedaior faz experiências sobre exteriorização da
sensibilidade, da motricidade e sobre levitação de corpos vivos, chegando, entre outras
experiências, a fazer levitar em posição vertical um cidadão inglês que por certo levou um
susto ao se ver suspenso no ar com os pés a uns 30 centímetros do solo.
Cedaior, com Oswaldo Wirth, faz um ciclo de conferências pelas Lojas Maçônicas de
Paris e arredores para estimular o estudo da Tradição, do Simbolismo e do Esoterismo. É
lamentável ter que registrar o quase absoluto fracasso de tal campanha: A Maçonaria
Francesa quer ser uma “potência social e política” e o estudo da Ciência Oculta e a
superação individual não mais interessam às Lojas... pois se deseja “reformar a
humanidade” por decretos... como se isso fosse possível. No entanto, isso não impede que
Oswaldo Wirth, Cedaior e outros recebam, das ditas Lojas, formosas medalhas
comemorativas do Ciclo de Conferências, suave mania bem européia e, sobretudo, bem
francesa de conceder condecorações... antes do “arquive-se”.
Com o martinista Champion e o maçom Boissy d’Anglas, seguindo as orientações de
Papus, o qual mediante a vidência e outros meios ocultos lhes indica onde achar as fontes,
Cedaior e outros formam o chamado “Comitê da Sobrevivência” e, depois de conseguir
revolver os arquivos secretos da Biblioteca do Arsenal e da Polícia Judiciária, conseguem
DOCUMENTAR o fato de que Luiz XVII, o “rei menino”, o infeliz Dauphin, o “Golfinho
Perdido”, não foi morto na prisão “du Temple”, como afirmam os textos históricos, e que
seus descendentes legítimos ainda vivem. Toda esta busca tem uma enorme importância,
pois sua realização traz, simultaneamente, três resultados:
1º) Aclara o mistério histórico de sobrevivência do rei menino e, ao mesmo tempo, o
aparentemente inexplicável fuzilamento do Duque de Enghien, que foi sacrificado
justamente porque era partidário do regresso de Luiz XVII ao Trono de França. Aclara,
também, certas misteriosas atividades de Josefina de Beauharnais, que, depois do seu
divórcio com Napoleão, freqüenta, com o general Charrette, misteriosas reuniões cujas
atividades eram tipicamente monarquistas;
2º) Obriga o governo francês a devolver aos descendentes de Luiz XVII sua nacionalidade
francesa, seu nome civil real e reparar assim, na medida do possível, o sacrifício do
“Golfinho” que viveu miseravelmente ou quase na Suíça, Prússia e, finalmente, na
Holanda, onde morreu em Delft, com a idade de 63 anos, encontrando-se sua tumba na
dita cidade;
3º) O resultado mais importante para a Ordem Martinista: fica moralmente reabilitada a
atividade das sociedades iniciáticas durante a Revolução Francesa, pois, se por um lado
fica evidente que muitos ritos Maçônicos foram arrastados para o lado popular e violento
daquela “revolução”, de outra sorte a Ordem Martinista e outras ordens iniciáticas reais
seguiam imutavelmente o ritmo “evolutivo” e tratavam de minorar o mal e a violência,
como fez o próprio “Filósofo Desconhecido”, o Venerável Mestre Visconde Louis Claude
de Saint Martin, que estava de guarda na prisão “du Temple” na noite em que se fazia
evadir dela o pequeno rei, o Mártir da Revolução Francesa e o Mártir da Ordem
Martinista, já que, de sua vida, que durou uns 63 anos, passou quase dois terços em várias
prisões, como veremos quando estudarmos separadamente este interessante assunto, que
foi durante muitos anos “um” dos segredos que a Ordem Martinista guardava zelosamente,
pois nele estava a chave de compreensão do laço que a ligava à atividade de muitas seitas
místicas em sua silenciosa luta contra a violência e a tendência material e popular que se
instalaria cada vez mais nos ritos externos.
A atividade de Cedaior em Paris é, pois, essencialmente de colaboração com Stanislas de
Guaita, Papus, Sédir, Barlet, Lermina e outros, na parte de busca sobre a Tradição,
especialmente egípcia e oriental em geral, e de divulgação do simbolismo dos ambientes
maçônicos e outros.
Sua atividade na França como Iniciador Martinista propriamente dito é limitada em
quantidade, porém bons elementos são ligados por ele a nossa Venerável Ordem e, sendo
hoje todos já falecidos, e personagens dos quais já não se falam mais no ambiente profano,
podemos citar os ditos elementos de sua cadeia iniciática européia que foram:
1 CDR/A Hno. Allopair – Concertista de piano e psicometrista notável na época;
2 CDR/B Hno. Baudry – Dedicado ao estudo das tradições orientais;
3 CDR/C Hno. Jeho (René Oudeyer) – idem;
4 CDR/D Hno. Horéme – Poeta egípcio de grande valor literário e místico. Morreu
jovem;
5 CDR/E Hno. Jarson – Místico do tipo de Sédir;
6 CDR/F Hno. Quinisset – Astrônomo especializado em fotografias celestes. Foi um
dos diretores do Observatório de Juvisy, perto de Paris. Astrólogo e kabalista.
Esta corrente iniciática de Cedaior continuou na América do Sul, como veremos nos
artigos seguintes, pois em 1910, como já dissemos ao iniciar esta série biográfica, o Irmão
Cedaior iniciou sua Missão Pessoal, saindo para a América do Sul à procura de terra e
gente de menos acumulação cármica, e onde a promessa de maiores ciclos de paz
permitisse construir algo estável. Iniciava-se assim o cumprimento da profecia que o
Mestre Gnóstico lhe fizera.

PARTE IV - PUBLICADA ORIGINALMENTE EM PORTUGUÊS NO JORNAL


OFICIALDA IGREJA EXPECTANTE, O SEMEADOR DA NOVA RAÇA, AGO-
SET/1978.

Chega, pois, a Buenos Aires, no princípio de 1910, o Venerável Mestre Cedaior, e começa
a “adaptar-se” ao ambiente, estudando as condições de vida, idioma, etc. E lançando as
bases materiais necessárias ao sustento de sua família (esposa e filho) e dele mesmo.
Desde 1910 até 1914 suas atividades no terreno iniciático são bem mais reduzidas,
compondo-se de visitas esporádicas a Lojas Maçônicas, a grupos teosóficos, a sociedades
espiritualistas e a tomar contato individual com pessoas que pudessem chegar a ser futuros
colaboradores de algo mais concreto. Do Martinismo e da Rosa+Cruz Kabalística nem
sequer fala... Observa, classifica, compara.
Em 1914, pouco antes da tormenta mundial que ia converter-se em hecatombe, um dos
Mestres Orientais com os quais Cedaior estivera em contato por várias vezes através de
suas “saídas astrais” em épocas anteriores, especialmente entre 1895 e 1900, e ao qual, se
pode dizer, viu materializado em mais de uma reunião de certos grupos místicos muito
reservados, em Paris, um desses Mestres, como disse, “aparece” a Cedaior e lhe declara
que “é chegado o momento” de cumprir uma missão que ele, Cedaior, aceitara uma vez,
em certa reunião da Grande Fraternidade Branca, para a qual fora espiritualmente levado.
Afirma o Mestre: “Virá a guerra, te chamarão, porém não irás”.
Cedaior afastado, como disse, das atividades superiores da iniciação, estranha esse
regresso “não provocado por ele” do contato com os Grandes Mestres e espera que
acontecimentos visíveis do mundo concreto venham confirmar as palavras do Mestre.
Efetivamente, surge a mobilização francesa, Cedaior é chamado e se apresenta ao
consulado francês de Buenos Aires, no qual, com sua surpresa, lhe declaram “inapto” para
todo serviço, em virtude de um defeito que permaneceu em um joelho, em conseqüência
de uma queda ocorrida um ou dois anos antes no campo.
Volta a manifestar-se o Mestre Vayusattwa e Cedaior se inclina reverentemente,
declarando-se “pronto” para executar o que lhe for indicado “a qualquer preço”. Segue-se
a esse fato uma quantidade de acontecimentos que seria longo detalhar, porém cuja
sucessão tratarei de resumir o tanto quanto possível:
1º) Nasce o segundo filho de Cedaior, em condições curiosas que são, para Cedaior, a
chave da descoberta da Lei da Astrologênese e da Reencarnação Consciente ligada à
Procriação Consciente, cujo detalhamento expõe em sua obra “Libro de las Leyes de
Vayu”;
2º) De 1914 até 1919 a atividade iniciática do Mestre Cedaior se pode considerar
caracterizada como segue:
a) Longos retiros e silêncio, nas meditações atento às instruções de seu Guru, cujas
manifestações são quase diárias. Sob sua direção Cedaior escreve quase todo o “Libro de
las Leyes de Vayu”. Algumas partes são somente comentários feitos por Cedaior à doutrina
revelada pelo Guru e que constitui como um “evangelho” reservado aos que deverão
constituir um dos núcleos precursores da Sexta Sub-Raça, nascida “potencial e
cosmicamente” em 13 de fevereiro de 1916, segundo os ensinamentos de Vayusattwa.
b) Como é natural, o espírito de Cedaior, em união estreita com o seu Guru, se encontra
cada vez mais afastado da atividade mundana e quatro longos anos de absoluta castidade,
um desinteresse cada vez mais acentuado pela atividade profana e profissional
desequilibram (se quisermos assim chamar) a situação material e familiar de Cedaior, que
é cada vez mais poderosamente “levado” a romper todo laço para entregar-se à via livre
aceitada.
c) Trata de difundir, nos ambientes em que está iniciaticamente relacionado, as
revelações que tem obtido e, salvo poucas pessoas, sua ação não interessa às sociedades
senão sob o aspecto cultural que interessa quase mais a Cedaior, pois o que ele busca é a
realização de um núcleo inicial de seres que se preparem para a nova vida.
Sem dúvida, alguns teósofos, maçons e livres estudantes ouvem seus ensinamentos com
interesse e, em homenagem à memória de uma dedicadíssima Colaboradora do Mestre,
devo citar a extinta senhora Rose L. de Robinson, que ajudou a realizar uma versão inglesa
do Livro de las Leyes de Vayu e colaborou muito moral, espiritual e materialmente em
todas as empresas de Cedaior naquela época.
Uma das tentativas de Cedaior para difundir, simultaneamente, os ensinamentos gnósticos
e rosacruzes, assim como a Doutrina da Nova Sub-Raça, foi a fundação da Igreja
Expectante, em 17 de agosto de 1919 (ver o suplemento no fim do Livro de las Leyes de
Vayu), tentativa que fracassa como organização, porém de cujo espírito a semente fecunda
permaneceu em muitos corações e mentes de pessoas que hoje, todavia, se acham ligadas
de uma forma ou de outra à obra do Mestre.
Um detalhe interessante, kabalisticamente falando, é que enquanto todas essas atividades
se realizavam Cedaior vivia em “Olivos” e a sede de seu grupo em Buenos Aires estava na
rua “Viamonte, 666”. Analisem: Via Monte dos Olivos – chave numérica 666: o número
do Apocalipse, que tem longo comentário em seu livro.
Tal “Via – Monte” devia ser efetivamente cada vez mais a via-crúcis individual do
Mestre, pois numerosas tentativas com espiritualistas locais, com "Henri Denil"
(pseudônimo do Comandante Deuil) chefe do movimento europeu "Les Veilleurs"
(dirigido por Gastón Revel) e autor de um belíssimo livro "Progres et Ordre" (comentários
sobre a Sinarquia) e com muitos outros, levam Cedaior à seguinte conclusão: muitos
acham a Doutrina "belíssima teoria", mas quando se trata de "largar os três centavos ou os
três ladrilhos que possuem" para realizar algo em um ambiente novo... todos preferem suas
casas, o biógrafo da esquina, a reunião de sua Loja ou grupo, uma vez por semana...
Cedaior fez uma viagem ao sul da Argentina (Chubut, Neuquén e até o Chile) para estudar
várias coisas ao mesmo tempo:
1º) Astro-sismologia, ou seja, a previsão de fenômenos sísmicos mediante a Astrologia,
ciência na qual chega a ser realmente notável, como veremos mais tarde;

2º) Verificar “in loco” a existência de certos remanescentes de velhas tradições entre
aborígines. Mediante os dados que obtém, por um lado pelo Sr. Curutchet, de Buenos
Aires, por outro lado pelo engenheiro Saurel - em Neuquén – e, finalmente, por um
cacique de uma tribo de índios brancos de olhos azuis e cabelos quase ruivos do sul da
Argentina, Cedaior reconstitui elos perdidos da tradição ameríndia e enlaça estes estudos
com os que já fizera, “akasicamente”, sobre a Ilha Vayu (ou Ilha de Páscoa);

3º) Verifica o que lhe havia sido dito por seu Guru: que em certos pontos da Cordilheira
dos Andes se estabelecem "centros de força" para o governo espiritual do Continente e que
certos seres - uns humanos e outros dévicos – vão fixando sua atenção – ou, às vezes, sua
residência – nos citados pontos.
Cedaior tenta a fundação de uma Colônia "Olímpica", ou seja, da Sexta Sub-Raça nas ditas
regiões, mas como sempre o fracasso surge pela falta de colaboração dos "idealistas
citadinos" que não querem deixar suas macias poltronas. E, sem dúvida, ele, o Mestre fez
todas essas viagens a cavalo, a pé, como era possível, utilizando seu violino, com o qual se
fizera outrora conhecido como grande concertista, como um simples meio de ganhar o pão
e o transporte, tocando até em armazéns (barzinhos) dos Pampas ou da pré-Cordilheira.

PARTE V - PUBLICADA ORIGINALMENTE EM PORTUGUÊS NO JORNAL


OFICIAL DA IGREJA EXPECTANTE, O SEMEADOR DA NOVA RAÇA, AGO-
SET/1978.

No artigo anterior vimos que Cedaior havia feito uma longa viagem à Cordilheira dos
Andes, onde fracassou uma tentativa de fundação de uma “Colônia Olímpica”, que seria
localizada perto de Nahual-Huapi.
Regressa então Cedaior a Buenos Aires, onde se achava seu filho Léo Alvarez Costet de
Mascheville (que então tinha o nome místico de JEHEL), que era, já desde alguns anos,
ajudante do Mestre. Nessa época – 1921 – Cedaior toma uma resolução bem característica
daqueles que confiam inteiramente em que “sempre tudo se cumpre como deve ser
realizado”. Abandona definitivamente suas atividades urbanas e se prepara para uma nova
viagem pela região dos Pampas e pela região Andina, que deverá depois leva-lo a fixar
residência em Mendoza.
Ao partir de Buenos Aires deixa a seus raros discípulos a escolha de seguir ou não o
caminho, a direção por ele indicada, e deixa a seu próprio filho, Jehel, em plena liberdade
para seguir a “vida normal”, quer dizer, de criatura desejosa de realizar-se numa situação
comercial e civil “brilhante” ou seguir o caminho áspero da Realização Espiritual. Nem
sequer tem Cedaior esse paternal e humano “egoísmo” de querer levar consigo ou até seu
ideal o seu próprio filho, apesar de este já há alguns anos se interessar profundamente
pelas coisas iniciáticas. Antes de sair, sem dúvida, põe Jehel em contato com um Rosacruz
alemão, doutor em filosofia e letras, membro de várias academias européias, e que havia
abandonado tudo para levar uma vida de iogue errante no Continente Sul-Americano, em
virtude de uma missão especial, de natureza espiritual, recebida. O dito iniciado, mui
elevado, respondia civilmente pelo nome de WALTER BAUER. Tinha cabelos longos até
a cintura e barba dourada que lhe davam um aspecto místico que a pureza de seus grandes
olhos azuis, transparentes como os de um menino, completavam admiravelmente. Poderia
ter naquela altura uns trinta e cinco anos e era casto desde o seu nascimento, o que já
indica de que se tratava de um ser muito evoluído, já que fisicamente era de uma perfeição
rara de forma, proporções e beleza.
Cedaior chega, pois, em princípios de 1922, a Mendoza, onde se encontra com Jehel, que
já havia chegado, tendo feito uma longa viagem a pé durante meses seguindo Walter
Bauer, levando uma vida parecida com a dos “Sanyasines” orientais: sempre a pé,
dormindo ao relento, apesar das geadas, e comendo o que a natureza oferece ou o que a
caridade outorga ao viajante. Walter Bauer, a partir de certo ponto do itinerário, tomou
outro rumo, no qual não desejava ser acompanhado por ninguém. Parece oportuno
ressaltar do pouco, muito pouco do que Bauer dissera, que um dos objetivos de sua missão
era de servir de PONTO DE IRRADIAÇÃO de certas correntes de força espiritual que
começavam a fixar-se na parte sul da Argentina.
Em Mendoza, utilizando suas possibilidades como professores de idiomas e música,
Cedaior e Jehel fazem estudos sobre sismologia e, naquela época, Cedaior prevê e publica
com antecipação os dias e as horas de grandes terremotos, como o do Japão (1921), o da
Bolívia, que quase destruiu os mais importantes edifícios de La Paz, e o de San Rafael,
Mendoza – sem contar muitos outros de menor importância – avisando sempre antes aos
governos respectivos... que nunca deram – é claro! – a menor atenção!
Também prosseguiu nos estudos sobre “astrometeorologia”, chegando a predizer o tempo:
secas, chuvas, ventos, tormentas, com bastante precisão, para qualquer zona do mundo da
qual se conhecesse bem as determinadas kabalístico-astrológicas. Esse ramo do saber está
longe, aliás, na minha opinião, de ter sido resolvido pelo Mestre Cedaior, que apenas
pretendeu orientar a investigação dos estudiosos.
Todos os terremotos dos quais falamos foram preditos com uma exatidão que chamou a
atenção de várias pessoas que rodeiam o Mestre e um grupo entusiasta começa a
interessar-se por fundar em Mendoza uma Colônia como projetara Cedaior, desde antes,
como já vimos. Foi possível também, para Cedaior, salvar a vida do então governador de
Mendoza, Dr. Lencinas (mediante visão antecipada de um atentado, cujo autor foi
desarmado no gabinete da vítima, o que comprovou o aviso...). Com isso certa proteção
oficial é dada ao Mestre e, pouco tempo depois, o Dr. Lencinas lhe oferece de presente
grande parte do belo Vale de Sonda, para estabelecer sua colônia. No entanto, uma das
condições é a de aguardar quase dois anos para que o governo provincial faça os trabalhos
de canalização que permitam a irrigação do vale. Cedaior, já sozinho, pois Jehel havia
partido para a França em missão especial de retomar contato com as Ordens Tradicionais
(Martinismo, Rosa+Cruz Kabalística e Les Veilleurs) resolve não aguardar tanto tempo e,
juntamente com alguns amigos e discípulos, entre os quais lembraremos o fiel Yanácare,
comprar um terreno na zona de San Rafael para estabelecer a primeira Colônia.
E é neste momento quando se produz um fato que tem enorme importância, pois mudará
toda a vida e a realização do Mestre. Cedaior mantinha correspondência já havia muito
tempo com a iniciada IDA HOFFMAN, conhecida nas ordens iniciáticas como Sóror
Peregrina, por ter sido a colaboradora mais íntima de THEODOR REUSS (Fráter
Peregrino), o sucessor de Rudolf Steiner. Ida Hoffman (rosacruz, co-maçom, membro da
Ordo Templi Orientis - O. T. O.) havia conseguido por correspondência a promessa de
Cedaior, de colaborar com ela, se chegasse a vir ao Continente Sul-Americano, para
formar uma Colônia Olímpica e Naturista, pois Ida Hoffman conhecia bem tais
organizações, por ter sido colaboradora íntima de HENRI OEDENKOVEN, o fundador do
célebre sanatório e colônia naturista de “Monte Veritá”, situado perto de Ascona.
Falaremos sobre esta pessoa mais tarde.
Cedaior, escravo de sua palavra, recebe EXATAMENTE NO DIA em que ia assinar a
escritura de compra do terreno para a colônia de Mendoza, uma carta de Ida Hoffman,
comunicando que já se encontrava no Brasil, que já havia comprado o terreno e que ali o
esperava, segundo o convencionado entre ambos. Não resta, pois, a Cedaior, outro
caminho senão o de partir para o Brasil e deixar a seus poucos companheiros de Mendoza
a tarefa de realizar o que havia sido projetado, segundo seus ensinamentos. Parte para o
Brasil passando por Buenos Aires, em cuja cidade tem um rápido e último contato com
seus restantes fiéis discípulos, entre os quais a Sra. Rose de Robinson, já citada, e o Dr.
Miguel Angel Márquez, de quem voltaremos a falar oportunamente.
De passagem, rumo ao Brasil, Cedaior desembarca em Montevidéu, em cuja cidade o
obrigam a permanecer por algumas semanas e onde fez grandes e profundas amizades com
as senhoritas de Roldán, com as quais se ocupa do sistema musical de Menchaça, idéia que
o Mestre não abandonará nunca mais, como veremos, e com Juan Geiss, Queirolo, Cotello,
de la Sierra e muitos outros, tanto no ambiente teosófico, no qual dá várias conferências,
como no ambiente maçônico e espiritualista em geral. Vários laços daquela época
subsistem ainda.
Finalmente, em 1923, chega ao Brasil, no estado de Santa Catarina, na cidade de Joinville,
na qual, com Ida Hoffman, estabelece o que ela alegremente chamava “o Quartel General
Olímpico”. Fecundas terras, com a superfície de 120 hectares (24 alqueires) compradas a
40 quilômetros da cidade, num lugar acidentado e pitoresco de nome Palmital (hoje
pertencente ao município de Garuva, extremo nordeste do estado), e que se chamou a
Colônia “Monte do Sol”.
Iniciam-se os trabalhos e um jovem alemão (Tuitenhof) se encarrega de tomar conta das
primeiras plantações de arroz e cortes de madeira do monte da Colônia. Porém, procede
sem bom senso e só abusa da hospitalidade de Ida e Cedaior, que trabalham dia e noite
com lições e tocando em orquestras até de cafés para sustentar a incipiente colônia. É bom
ter em conta que naquela época Ida Hoffman tinha uns 60 anos de idade e Cedaior, 51.
Que ambos são europeus, de climas frios e realizam este esforço em um lugar de clima
subtropical, com um entusiasmo e um espírito de sacrifício admiráveis. Como são ambos
vegetarianos, resistem mais facilmente ao clima da cidade, porém na colônia a febre
malária, endêmica naquela região, já se havia feito sentir.
Antes de abandonar este período é bom citar um fato notável para aqueles que sabem
observar como “Lá de Cima” somos constantemente guiados. Quando Cedaior estava em
Mendoza, um pastor alemão, escritor conhecido, o Reverendo WILHELM BREPHOL –
casado com uma irmã de Ida Hoffman – mas que não tinha relação alguma nem sequer
epistolar com Cedaior, já havia enviado por correio sua enorme biblioteca a Mendoza,
onde desejava fixar residência. Quando Cedaior parte de Mendoza,
SIMULTANEAMENTE e sem que houvesse aparentemente razões poderosas para isto, o
pastor Brephol muda de idéia, faz voltar os milhares de livros enviados a Mendoza e inicia
trâmites com as igrejas que representa como missionário para ser enviado ao Brasil, o que
ocorrerá em 1925. Veremos mais tarde a importância desta mudança, indiscutivelmente
ORDENADA pelos que guiam constantemente nossos passos, ainda que nem sempre e até
freqüentemente não tenhamos consciência disso, se não somos ou iluminados ou
observadores minuciosos.

PARTE VI - Publicada originalmente em Português no jornal oficial


da Igreja Expectante, O Semeador da Nova Raça, AGO-SET/1978.

No final de 1924, mais exatamente a 30 de novembro de 1924, chega ao Brasil o irmão


Jehel (Sri Sevãnanda Swami), que regressa de uma estada de dois anos na Europa, onde
realizou três coisas: seu serviço militar, pagando assim à França sua primeira educação; a
missão recebida de observar o estado das Ordens Martinista e Rosa+Cruz Kabalística no
Velho Continente e, finalmente, casou-se com uma parisiense, pessoa sumamente pura e
mística, que nas ordens ficou conhecida como a Irmã Lothusia. Inicia-se, com o seu
regresso, uma nova época de atividades.
Efetivamente, Jehel e Lothusia vão se instalar em plena selva, na “Colônia Monte Sol”.
Porém, em pouco tempo, dada a mais absoluta preguiça dos poucos “colonos naturistas”
que se haviam apresentado e a intensidade da febre malária que reinava, atacando aos
colonos, a Lothusia e a Jehel, apesar de serem todos vegetarianos e quase exclusivamente
frugívoros, Jehel se convence da inutilidade de lutar em tais condições de inferioridade.
Cedaior também se cansa de lutar contra o clima demasiado quente e, de comum acordo,
todos se mudam para os planaltos do Paraná, para a bonita cidade de Curitiba, na qual
Cedaior já tinha relações por correspondência com o poeta e filósofo Dário Veloso.
Em Curitiba, Jehel insiste na revivificação da Ordem Martinista e, como Dário Veloso
(XDR/8 era S:: I:: IV) iniciado por Papus e até tinha sido nomeado, em 1904, por carta
patente nº 141, como Soberano Delegado Geral para o Brasil, pelo Supremo Conselho,
presidido por Papus, Jehel o convida a tomar parte em tal movimento de reorganização da
Ordem Martinista no continente.. O irmão Dário, que já havia tentado, sem grande êxito,
algo semelhante em anos muito anteriores, e havia abandonado a tudo para dedicar-se
unicamente à fundação de seu INSTITUTO NEOPITAGÓRICO, declara não achar-se
disposto a novas lutas, em face de sua idade e estado de saúde e as funções de seu cargo
foram por ele deixadas ao cuidado de Cedaior também.
Permaneceu, sem dúvida, na ordem sendo sempre um dedicado amigo de Cedaior e Jehel.
E é com emoção que oferecemos hoje a nossos leitores uma histórica fotografia, tirada em
1926, na Biblioteca “Templo das Musas” do Instituto Neopitagórico. Esta imagem tem
hoje um valor emotivo apreciável, pois os três iniciados que nela figuram já regressaram
ao Astral: De pé, o Mestre Cedaior ao violino, executando o final de uma obra de Haendel.
Ao piano, Ida Hoffman. Sentado: Dário Veloso.
Iniciaticamente, as características destes três Mestres são estas:
Dário Veloso (Apolônio): C:.K:.(30:.) N:./P:. S::I:: IV
Ida Hoffman (Peregrina): 33:. O:.T:.O:. R+C (escola de Steiner-Reuss)
Cedaior: 33:. S::I:: VII – Dr. Kab:. – M.S.T. – C:.E:.P:. – O.E.O. – O:.T:.O:. – Bispo da
Igreja Gnóstica - Soberano Delegado Geral da Ordem Martinista - Presidente da Ordem da
Rosa+Cruz Kabalística (as duas últimas, para a América do Sul).
Durante o ano de 1925, Cedaior e Jehel iniciam a alguns novos Martinistas e vários deles
são hoje ativos iniciadores, por sua vez. Intercalam-se a esta altura da vida do Mestre dois
fatos novos, ambos de suma importância:
1º) Ida Hoffman nunca tinha perdido a esperança de conseguir estabelecer a colaboração
entre Cedaior – rico espiritualmente e pobre materialmente – com o ex-fundador do
Sanatório Naturista de Monte Veritá, o milionário belga Henri Oedenkoven. Precisamente
no ano de 1925 este último chega ao Brasil e, depois de percorrer grande parte do enorme
país num Ford de campanha, havia adquirido grande extensão de terras no estado de
Goiás.
2º) Nesta mesma época chegava a Curitiba a família do Pastor Brephol, cuja filha mais
velha, hoje nossa Irmã Lorelair (nome místico da senhora Emma Costet de Mascheville) e
Cedaior se reconheceram rapidamente como seres destinados a unir-se, como efetivamente
o celebraram em pouco tempo. Lorelair se constituiria desde então na mais admirável
companheira que o Mestre pudesse haver sonhado, já que seu valor como mulher, Iniciada
e Mãe é digno de todas as homenagens, além de sua extraordinária resistência a todos os
embates da vida, como o provaria depois na existência de contínuas lutas materiais junto a
Cedaior, a quem daria todavia cinco formosos filhos, 4 homens e por último uma filha.
Em 1926, depois de um “Conselho Deliberativo” no qual o único voto discordante foi o de
Jehel, se resolveu tentar a fundação de uma Colônia em Goiás e marcharam em
“vanguarda” para lá Cedaior, Lorelair, Lothusia e Jehel, seguidos de perto por outro
Martinista, o (já falecido agora) Irmão Nerval e sua família. Em Goiás se iniciaram alguns
raros elementos para o Martinismo e chegou a fundar-se uma loja (Resp. Loja “Papus”,
Jehel, Fil... Desc... ).
Da Colônia resultou um grande fracasso, pois o naturalista belga não cumpriu com suas
promessas, nem de ordem doutrinária, nem de ordem material. Basta dizer que depois de
terem passado até fome em Goiás, Nerval e família regressaram a São Paulo; Lorelair e
Cedaior se foram outra vez para o estado do Paraná e Jehel e Lothusia permaneceram
algum tempo mais em Goiás, até pagar as dívidas que existiram em virtude do abandono
material provocado por Oedenkoven.
É lamentável que a necessidade de ser sintético neste ensaio biográfico do Mestre Cedaior
me impeça de relatar passagens, umas belas, outras quase trágicas, de suas lutas em tais
condições, em climas tão difíceis de suportar para um europeu de alguma idade e com as
contínuas desilusões com seus colaboradores.
Depois de instalar-se por algum tempo na Lapa (região metropolitana de Curitiba,
Paraná), lugar no qual Cedaior recebe a notícia da perda total da biblioteca maravilhosa
reunida por ele, Peregrina e Jehel, sobrevém também o falecimento de Ida Hoffman, que
não pôde ter em seus últimos meses de vida a felicidade de ver realizado seu ideal de
colônia naturalista-espiritualista.
Cedaior já tem mais um filho e Jehel uma filha quando ambos, em Curitiba (novamente)
organizam mais amplamente o Martinismo, que já conta com Iniciados em vários estados
do Brasil e com uma Loja funcionando em Curitiba (Resp. Loja Hermanubis, Fil... Desc...
Jehel) que havia sido fundada em 1925, antes da saída para Goiás.
Desde 1927 até 1931 Cedaior e Jehel vivem quase sempre em cidades diferentes e o
Mestre trabalha em seus manuscritos perdidos sobre a sismologia, a nova raça, a doutrina
olímpica, etc., enquanto crescem os filhos que em 1931 já são dois.
Em 1931, ambos se reúnem novamente no sul do Brasil, primeiro em Caxias, depois em
Porto Alegre. Nesta altura começa o movimento mais forte dentro do Martinismo. Cedaior
está agora, além de seus estudos pessoais sobre a nova raça, ocupado em tratar de dar à
Maçonaria do Brasil uma renovação de espiritualidade e, sobretudo, de espírito de união.
Não insistiremos sobre as tais tentativas, nas quais muitos Martinistas receberam ordem de
trabalhar ativamente e o fizeram, no entanto, sem conseguir grandes resultados.
Em 1932 Cedaior é ajudado materialmente pela “sorte grande” da loteria (comprada em
um dia de miséria absoluta, por indicação de Lorelair, que já era nesta época excelente
astróloga) e vivem assim algum tempo de relativa tranqüilidade em uma casa de campo
que constroem nos arredores de Porto Alegre, cidade na qual nascem seus três últimos
filhos.
Sua atividade iniciática Martinista é relativa, porém sua influência espiritual é cada vez
maior, pois seu amplo ponto de vista já lhe dificulta a adaptar-se a um método
determinado. O que ele busca é desenvolver nos seres a percepção do caminho humano
pelas reencarnações em condições CADA VEZ MELHORES AO SER CADA VEZ MAIS
CONSCIENTE. Por isso, a Procriação Consciente e a preparação de Mães e Pais dispostos
a senti-la e vivê-la permanecerão sua preocupação fundamental.
Em 1936 terminam para o Mestre Cedaior duas atividades: perde sua casa de Porto
Alegre, sua situação neste lugar se torna difícil e é convidado por um grupo de
espiritualistas para ir residir em São Paulo. Antes de mudar-se para esta cidade, entrega ao
Irmão Jehel o cargo de Presidente da Ordem Martinista e, de comum acordo, decidem que
o Martinismo se desinteressará do esforço feito desde alguns anos por revitalizar a parte
espiritual da Maçonaria e voltará a sua finalidade única traçada por Papus: “A difusão do
esoterismo, principalmente cristão, e o estudo dos fenômenos da natureza”.
Cedaior, Lorelair e seus filhos passam, pois, a residir durante dois anos e meio na cidade
de São Paulo, na qual, se por um lado suas desilusões são muitas, pois grande parte dos
espiritualistas que os haviam convidado a ir para lá mostram posteriormente pouca
disposição por realizações verdadeiras, por outro lado é a época em que vários Martinistas
de São Paulo rodeiam o Mestre de um carinho especial e se assentam assim as bases do
que mais tarde será o movimento Martinista daquela metrópole brasileira.
De outra parte, e no que pese as constantes dificuldades de ordem material, o Mestre
Cedaior continua divulgando a Doutrina Olímpica amplamente e se dedica ao estudo de
problemas transcendentais de aspecto matemático e filosófico da escola platônica,
resolvendo, entre outros, o famoso teorema de “Fermat”, ou seja, o dividir um cubo em
dois e em três cubos, trabalho que algum dia será publicado com suas conseqüências
filosóficas e outras.
Lorelair, por sua vez, se torna astróloga de uma amplitude e profundidade cada vez
maiores, fazendo predições sobre acontecimentos mundiais e estudos sobre a biologia da
evolução humana e cósmica pela via astrológica, que são interessantíssimos e se religam
diretamente a real “astrosofia” que Saint Yves, Barlet e Papus haviam reintroduzido nos
altos graus do Martinismo. É interessante notar, sem dúvida, que Lorelair realiza tudo isto
quase sem partir das bases de trabalhos de seus predecessores, fazendo suas pesquisas
somente pela observação, meditação e intuição pessoais, sob os auspícios dos Veneráveis
Mestres e incentivada por seu maravilhoso companheiro e Mestre Cedaior.
Em 1939, Jehel havia organizado novamente a ORDEM MARTINISTA DA AMÉRICA
DO SUL, à semelhança e miniatura daquela que o Venerável Mestre Papus fizera em 1887
na Europa e já o Grande Conselho, situado naquela época em Porto Alegre, consegue
reunir condições para que o Mestre Cedaior, Lorelair e sua família passem a residir
naquela cidade, na qual os trabalhos seguem seu curso, com a Loja Central do Martinismo,
que tinha tomado como título distintivo o nome de “CEDAIOR”.
É na dita cidade de Porto Alegre que Cedaior terminará seus trabalhos já citados sobre o
“cubo” e problemas subjacentes, assim como a preparação de vários elementos que irão
seguir sua obra em seus diversos aspectos. Tudo isto até chegar à época na qual, como
dissemos no primeiro artigo, pronuncia a frase “Terminei o que devia fazer desta vez,
agora darei uma espiada lá em cima e depois voltarei”, frase serena dessa linguagem
simples com a qual os Iniciados Ocidentais costumam apresentar sem ostentação
ensinamentos às vezes muito importantes. Efetivamente, pouco depois Cedaior deixava
seu veículo “de Mascheville” para regressar ao Plano Espiritual (em 22 de janeiro de
1943) e continuar ali sua tarefa, a serviço da Cavalaria Cristã (Rosa+Cruz) da qual falava
Papus.
Será suave a seu coração, Carolei, lembrar alguns aspectos do meu Mestre, que também
pode ser o seu, ou seja: um dos caminhos que levam ao MEM PHILIPPE...
Mestre Cedaior tinha tipo celto-latino. Esbelto, de cútis tão alva que só os Jupterianos a
têm, cabelos castanhos, olhos cor de avelã que às vezes tomavam nuances cinzento-
azuladas... Como todos os nascidos com Ascendente Sagitário e, bom tema, gostava das
coisas singelas, um pouco primitivo até. Amava a Natureza em forma ilimitada. Adorava o
Egito como a Índia, e a França como o Brasil. Tinha respeitosa amizade por Papus e Sédir,
adoração por Mestre Philippe, a quem chamava de Amo, com certa reserva sorridente...
Foi, para mim, por toda a sua vida, o maior, o melhor, para não dizer o único amigo,
embora fôssemos tão diferentes. Era um artista e um precursor. Tinha o futuro sempre
presente. Eu sou ainda da velha raça e apóio no passado um presente que para mim é tudo.
O Mestre Cedaior tinha predileção por música sacra, grave. De Nardini a Beethoven; de
Bach a Mozart. Suas composições pessoais são essencialmente bucólicas de forma,
angélicas ou elegíacas de sentir.
Amava muito as flores. Lembro ainda os longos passeios na França e, mais tarde, nos
quais ele colhia o “Églantier” (rosa-de-cão) cujas quatro singelas pétalas de Rosa Silvestre,
com o dourado centro de geração, o encantavam.
Antes de terminar esta série, tão sintética – demasiadamente sintética – de artigos sobre a
vida objetiva do Mestre, devo completar o quadro de seus iniciados Martinistas. Já citei os
6 Martinistas que Cedaior havia iniciado na Europa. Na América do sul, sua corrente não
foi muito ampla nem numerosa, mas, como veremos, foi fecunda pela proporção muito
elevada de elementos que chegaram a SERVIR à Ordem, quer dizer, ao Ideal!
Efetivamente, aos 6 Iniciados da Europa, Cedaior acrescenta a sua corrente, na América
do Sul, somente mais 14 Iniciados. Destes, cinco já são Iniciadores com funções
importantes na Ordem, e sabemos que, no Martinismo, tais funções não são “títulos
decorativos”, senão RESULTADO DE MUITO TRABALHO E OBRIGAÇÃO DE
TRABALHAR MAIS AINDA DEPOIS DE OBTER OU ACEITAR TAIS FUNÇÕES:
07 CDR/3G – JEHEL – Atual Presidente do Grande Conselho da Ordem;
08 CDR/3H – de NERVAL – S::I::III, já falecido;
09 CDR/3I – XBRGS/B-4 – Já Iniciador e Delegado da Ordem na cidade de São Paulo;
10 CDR/3J – BRDDL/C-4 – Já Iniciador e Delegado da Ordem na cidade de Curitiba;
11 CDR/34 – XLRLR/D-4 – Já Iniciador e atual membro do Grande Conselho;
12 CDR/3L – de FERSEN – Já felecido;
13 CDR/3M – Estudante;
14 CDR/3N – PARACELSO – Já S::I::III dedicado à divulgação da Doutrina Olímpica;
15 CDR/3O – TTH/E-4 – Já Iniciador y atual Presidente de Corporação Martinista;
16 CDR/3P – Fiel Martinista, atual Del::Mart:: em Porto Alegre;
17 CDR/3Q – Atual Del::Mart:: em Rivera, dedicado com carinho a curas e estudos;
18 CDR/3R – Dedicado Martinista já adiantado;
19 CDR/3S – Dedicado Martinista já adiantado;
20 CDR/3T – Martinista Livre.
Basta meditar sobre esta lista de Iniciados para verificar que o Mestre Cedaior soube
eleger seus "Seres de Desejo" e conduzi-los a alimentar o Fogo Sagrado, a realizar-se
verdadeiramente e, coisa especialmente importante, por SER A AUTÊNTICA
CARACTERÍSTICA DO MARTINISTA: REALIZAR PARA OS DEMAIS, DANDO
SEMPRE TUDO O QUE RECEBEU, buscando ativamente como dá-lo, adaptá-lo, fazê-lo
fecundo e vivo.
Por isso conseguiu o Mestre Cedaior que alguns de seus Iniciados se tornassem não
somente Iniciadores, por sua vez preenchendo com eficiência funções de constante
sacrifício na nossa Venerável Ordem, como também conseguiu que alguns tantos se
fizessem dignos de ingresso na "Ordem Kabalística da Rosa+Cruz", isto é,
ENTREGASSEM SUA VIDA à "CAUSA", VIVENDO PARA O IDEAL EM FORMA
TOTAL E DEFINITIVA.
Os que conhecem a história secreta da Ordem, a vida pessoal do Mestre e o porquê e
como de muitas de suas realizações, sabem que preço de sacrifício material, moral e de
toda espécie teve que pagar para SERVIR realmente, e é por isso que, ao pronunciar, outra
vez, ao fim deste último artigo, a saudação que lhe dirijo em nome de todos os
Rosa+Cruzes Kabalistas e de todos os Martinistas, que fique claro que não é apenas mais
uma fórmula vã, é a evocação de uma realidade sobre este Plano e o Outro: Cedaior,
querido Mestre que sempre Serviste o melhor possível, ao preço de qualquer sacrifício, a
SÉDIR – AMO – PAPUS – VAYUSATTWA.

Que as Rosas floresçam sobre a Cruz


De tua tumba, como floresceram na Luz
Emanada de teu Sacrifício, de teu Coração,
E siga fecunda a trajetória de tua Missão.
OM et AMÉM.

FONTE DE PESQUISA
http://www.igrejaexpectante.org/patriarcas_cedaior.htm