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CEFSL – Centro de Estudos Fundação São Lucas

CURSO TÉCNICO EM ENFERMAGEM

ANDREZZA SANTOS LEMOS


JOSENILDE DE JESUS SANTOS
JULIETE SANTOS OLIVEIRA
TAMIRES OLIVEIRA SANTOS
THALITA DE AZEVEDO TRINDADE

POLIDRÂMNIO E OLIGODRÂMNIO

Aracaju/SE
Agosto/2019
ANDREZZA SANTOS LEMOS
JOSENILDE DE JESUS SANTOS
JULIETE SANTOS OLIVEIRA
TAMIRES OLIVEIRA SANTOS
THALITA DE AZEVEDO TRINDADE

POLIDRÂMNIO E OLIGODRÂMNIO

Trabalho apresentado à disciplina de


Enfermagem da Saúde da Mulher como
requisito parcial para obtenção de nota da
2ª avaliação.

Orientadora: Prof.ª Fernanda Barros.

Aracaju/SE
Agosto/2019
POLIDRÂMNIO E OLIGODRÂMNIO

Andrezza Santos Lemos


Josenilde de Jesus Oliveira
Juliete Santos Oliveira
Tamires Oliveira Santos
Thalita de Azevedo Trindade

RESUMO

O presente trabalho aborda sobre gestações de alto risco com alterações do volume
de líquido amniótico (VLA). Essas patologias são conhecidas como oligodrâmnio e
polidrâmnio que significam a diminuição e aumento do VLA, respectivamente.
Tratamos nesse texto de explicar de forma mais detalhada a definição dessas
patologias, suas principais causas, os meios de diagnóstico e os possíveis
tratamentos, estes utilizados para diminuir o risco da gestação e o possível sofrimento
fetal. Para o desenvolvimento do atual trabalho fez-se necessário a utilização de livros,
manuais e artigos publicados em revistas nacionais e internacionais. Tal material foi
extraído de diversas plataformas de pesquisa científica, como por exemplo Scientific
Eletronic Library Online (SciELO), Google Scholar e a Biblioteca Virtual em Saúde do
Ministério da Saúde (BVSMS).

PALAVRAS-CHAVE: OLIGODRÂMNIO. POLIDRÂMNIO. LÍQUIDO AMNIÓTICO.


FETO. GESTAÇÃO.
1 INTRODUÇÃO

Sabemos que a obstetrícia é o segmento da medicina que se dedica ao


estudo do período gestacional até o momento do parto. Quando a mulher está grávida
é de suma importância monitorar a saúde do binômio, mãe e feto, durante e após a
gestação. Salvo poucas exceções, o ambiente intrauterino é o local ideal para que o
feto possa se desenvolver sem prejuízo à sua saúde. No entanto, várias são as
patologias que podem prejudicam a saúde da mãe ou do feto e, nesses casos, é
necessário que seja realizada uma intervenção médica. No atual trabalho, falaremos
um pouco sobre as alterações do volume do líquido amniótico, suas consequências,
fatores que predispõem à essas patologias e o prognóstico.
Segundo dados do Ministério da Saúde (2012), de 0,5 a 5% das gestações
apresentavam a redução patológica do volume de líquido amniótico (oligohidrâmnio
ou oligodrâmnio), por outro lado, cerca de 0,5 a 1,5% das gestações apresentavam o
aumento excessivo do volume do líquido amniótico (polihidrâmnio ou polidrâmnio). Em
gestações normais a variação do volume do líquido amniótico é uma mudança
fisiológica. Esse volume será considerado excessivo quando superior a 2000ml em
gestações acima de 30 semanas, o que classificamos como um caso de polidrâmnio.
Por outro lado, caracterizamos o oligodrâmnio como volume de líquido amniótico
menor que 500ml.
Apesar das porcentagens consideráveis em que ocorrem casos de
polihidrâmnio e oligohidrâmnio, quando diagnosticados no primeiro trimestre,
raramente indicam um prognóstico crítico para o neonato. No entanto, quando
diagnosticados no segundo ou terceiro trimestre estão associados ao aumento das
taxas de mortalidade e morbidade perinatal. Desde os anos 60 a variação do líquido
amniótico vem sendo estudado, e foi percebido que até a 30ª semana de gestação o
volume do líquido amniótico aumenta. Até a 37ª esse volume permanece constante,
apresentando uma diminuição progressiva após esse período. E, a partir da 42ª
semana o volume de líquido amniótico decresce rapidamente, indicando o fim da
gestação a termo. (PERROTTI et al., 2000)
Inicialmente o diagnóstico de oligohidrâmnio e polidrâmnio era realizado a
partir da palpação abdominal e da medição da altura uterina. Atualmente, com o
avanço da tecnologia, o diagnóstico é mais fidedigno devido a ultrassonografia, por
meio de técnicas qualitativas e semiquantitativas. Esta última determina o volume de
líquido amniótico de acordo com a técnica dos quatro quadrantes que denomina o
índice de líquido amniótico (ILA). Cada uma dessas alterações do volume do líquido
amniótico tem como agente inicial ouras patologias de base, sejam elas por causas
maternas, por causas fetais ou por causas anexiais.
Deste modo, esses e outros aspectos serão abordados de maneira mais
detalhada à medida que a pesquisa se aprofunde no tema. Buscaremos explicar,
neste trabalho, cada um dos tópicos pertinentes de maneira simples, com o objetivo
de tornar acessível ao leitor o entendimento do tema abordado.

2 MATERIAIS E MÉTODOS

Para o desenvolvimento deste trabalho foram utilizados livros, manuais e


artigos publicados em revistas nacionais e internacionais, os quais foram obtidos nas
plataformas de pesquisa Scientific Eletronic Library Online (SciELO), Google Scholar
e na Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde (BVSMS).
A seleção do tema foi predefinida pela professora orientadora como meio
de incentivo à pesquisa de temas relacionados a matéria de Enfermagem da Saúde
da Mulher. De início foi feita a coleta do material necessário para o entendimento do
tema. Posteriormente o tema foi estudado, a partir das referências bibliográficas
pesquisadas, para poder construir o desenvolvimento do trabalho, assim como sua
introdução e conclusão.

3 ANÁLISE E DISCUSSÃO

Como falamos no início desse trabalho, o ambiente intrauterino é o espaço


ideal para o completo desenvolvimento do feto durante todo período gestacional. Para
que o ambiente intrauterino favoreça o desenvolvimento fetal vários fatores devem ser
levados em consideração, sendo um deles o volume do líquido amniótico (VLA). O
líquido amniótico é fundamental para o bem-estar do feto, sendo ele fruto da troca de
água entre a mãe, o feto e a placenta. As alterações, tanto para mais quanto para
menos, do VLA podem causar prejuízos à saúde do feto, podendo causar até mesmo
abortos espontâneos.
A produção do líquido amniótico pode ser dividida em dois períodos. Na
primeira metade da gestação o LA é produzido pelo feto e por compartimentos
maternos. Esse líquido é composto por água e soluto, e atravessa a pele do feto, o
âmnio e o córion. Durante esse período o LA é idêntico ao plasma do feto e da mãe,
apenas com níveis de proteínas diminuídos. A partir do segundo trimestre da
gestação, o feto fica impossibilitado de realizar a difusão do LA devido a
“queratinação” de sua pele. Nesse estágio o feto apenas irá contribuir para o VLA por
meio da urina, que é composto por ureia, ácido úrico e creatinina (à medida que ocorre
a maturação dos rins). (FISCHER, 2008)
Assim como a produção do líquido amniótico é um processo fisiológico, sua
eliminação também é. O VLA, como dissemos anteriormente, varia de acordo com o
período gestacional. Estima-se que até a 12ª semana de gestação o VLA seja de 60ml,
chegando até 175ml na 16ª semana. Estudos mostram que o VLA cresce de maneira
constante até o período entre 34ª a 38ª semana, chegando ao máximo de 1200ml.
Esses valores podem variar entre gestações a depender de vários fatores, sendo um
dele o peso do feto. Após esse período o VLA decresce em média 125ml por semana,
chegando 800ml na 40ª semana. Em uma gestação pós-termo, na 43ª semana estima-
se que o VLA reduza para 250ml. (FISCHER, 2008)
A gestação que apresenta alteração significativa do volume de líquido
amniótico é considerada uma gestação de alto risco, e deve receber atenção e
cuidados específicos para minimizar o sofrimento fetal. O diagnóstico de oligodrâmnio
e polidrâmnio é realizado de duas formas: diagnóstico clínico ou diagnóstico
ultrassonográfico. Segundo The American College of Obstetrician and Gynecology, o
método mais fidedigno para diagnosticar as alterações do volume do líquido amniótico
é por meio do índice do líquido amniótico (ILA). (ADEBAYO, 2017)
Para calcular o ILA primeiro dividimos o útero da gestante em quatro
quadrantes usando a linha nigra para dividir os lados direito e esquerdo, e a cicatriz
umbilical para dividir os quadrantes superiores e inferiores. Após essa divisão são
avaliados os maiores bolsões de cada região no seu diâmetro anteroposterior em cm,
a soma dessas medições resultará no valor do ILA. (COADY; BOWER, 2014) A
classificação, segundo o Ministério da Saúde (2012), ocorre da seguinte maneira:
normal, se ILA de 8 – 18cm; oligohidrâmnio, se ILA inferior a 5cm; intermediário, se
ILA entre 5 a 8cm; polihidrâmnio, se ILA maior que 18cm.
Tanto o oligoâmnio quanto o polidrâmnio podem ser provocados por
inúmeros fatores, podendo estes serem maternos, fetais ou placentários. De acordo
com o Ministério da Saúde (2012), as principais causas de polidrâmnio são: diabetes
mellitus, gemelaridade, anomalias congênitas (anencefalia, hidrocefalia, microcefalia,
atrésia do esôfago, atrésia do duodeno, onfalocele, pâncreas anular, hérnia
diafragmática, entre outras), infecções congênitas (sífilis, rubéola, toxoplasmose,
etc.), placenta circunvalada, síndrome da transfusão gtêmelo-gemelar, transfusão
feto-materna.
Já o oligodrâmnio é causado principalmente pela “[...] ruptura prematura de
membranas, [...]”, não sendo está a única causa. Sabemos que outros fatores causa
oligodrâmnio, sendo eles: síndrome hipertensiva, diabetes com vasculopatia, doenças
do colágeno, síndrome antifosfolipide, ingestão de fármacos, sofrimento fetal crônico,
RCIU (restrição de crescimento intrauterino), malformações do sistema urinário fetal,
infecções congênitas, cromossomopatias, amniorrexe prematura, insuficiência
placentária, prenhez prolongada, deslocamento prematuro da placenta (crônico).
(BRASIL, 2012)
Para o que o diagnóstico ultrassonográfico seja mais efetivo, é primordial
que seja realizada avaliações periódicas da gestante durante todo o pré-natal. As
alterações do VLA provocam sinais e sintomas característicos de cada patologia. Para
casos de oligodrâmnio, os principais sinais são percebidos na fácil palpação das
partes fetais, na diminuição medida do fundo do útero e na desaceleração da
frequência cardíaca fetal. Já em casos de polidrâmnio, são percebidos sinais como:
hiper-distensão do útero e a compressão dos órgãos intratorácicos e intra-abdominais.
Outros sintomas também são sentidos pela mãe, como por exemplo dispneia
(causada pela elevação do diafragma), desconforto no abdômen e nas costas, assim
como vômitos e náuseas, além de edema dos membros inferiores devido a
compressão da veia cava inferior. (FISCHER, 2008)
Após o diagnóstico ser confirmado, intervenções precisam ser feitas. O
tratamento de polidrâmnio pode ser clínico ou cirúrgico, a depender da causa, da
severidade, da idade gestacional de quando o diagnóstico foi feito e da presença de
anomalias. Se o polidrâmnio for classificado como não agudo ou grave e não estiver
associada com má formação fetal, então a paciente deve ser examinada
periodicamente para avaliar a progressão do VLA, e nesses casos não são
observadas sequelas para o feto. Caso seja notado um crescimento rápido do
polidrâmnio e a paciente estiver sofrendo com dispneia, dor nas costas ou parto pré-
maturo, é indicado que a paciente seja hospitalizada e, se necessário, realização de
amniocentese (retirada do líquido amniótico) ou tocólise (recurso disponível para
tentar adiar o parto por meio de uso de corticoterapia). (FISCHER, 2008)
A conduta aceita para o tratamento de oligodrâmnio ainda vem sendo muito
discutida. A depender da etiologia do oligodrâmnio não existe tratamento, como “[...]
nos casos de alterações renais com ausência de função (displasias renais), e na
ausência dos rins (agenesia) [...]”. Para casos de anomalias fetais de caráter
obstrutiva, poderá ser tratado “[...] através da colocação de cateter de derivação para
a cavidade amniótica, [...]”. “Nos casos de alteração da perfusão placentária (como
hipertensão arterial), medidas clínicas, como o repouso, podem ter alguma valia.”
(BRASIL, 2012) Caso o oligodrâmnio ocorra em uma gestação a termo, é indicado
que o parto seja realizado dentro de 24 a 48 horas após o diagnóstico. Se for
detectado redução da frequência cardíaca fetal, é indicado que o parto seja feito o
mais urgente possível, de modo a diminuir o risco de morbidade tanto precoce quanto
tardia do recém-nascido. (FISCHER, 2008)

4 CONCLUSÃO

Se compararmos o índice de prevalência de oligodrâmnio e polidrâmnio ao


de outras patologias que acometem gestantes, percebemos que as alterações do
volume do líquido amniótico ocorrem em uma menor porcentagem. No entanto, como
equipe de enfermagem, precisamos orientar a gestante a seguir com o pré-natal
regular, com o objetivo de detectar quaisquer anomalias o mais cedo possível e desta
forma iniciar o tratamento.
As alterações do volume de líquido amniótico indicam que o feto possa está
em sofrimento, ou que ele apresente alguma anomalia. A avaliação clínica e o exame
ultrassonográfico são de suma importância para monitorar a saúde fetal, e
diagnosticar, não só o oligodrâmnio e o polidrâmnio, mas também os possíveis fatores
causadores dessas alterações.
Por fim, vale ressaltar que os profissionais de saúdem devem estar atentos
a sintomatologia apresentada pelas pacientes. É também válido citar que quanto mais
especializada é a equipe, o índice de morbimortalidade deixa de crescer devido a
falhas do sistema de diagnóstico e tratamento.
REFERÊNCIAS

ADEBAYO, Francis Olayemi, et. al. Comparison of Amniotic Fluid Index at Different
Gestacional Age in Normal Pregnancy. Journal of Women’s Health Care, v. 6, n. 4,
2017.

BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de


Ações Programáticas Estratégicas. Gestação de alto risco: manual técnico. 5ª ed.
Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2012.

COADY, Anne Marie; BOWER, Sarah. Twining’s Textbook of Fetal Abnormalities.


3. ed. Churchill Livingstone, 2014.

FEIRE, Djacyr Magna Cabral; CECATTI, José Guilherme; PAIVA, Cláudio Sérgio
Medeiros. A altura uterina é capaz de diagnosticar os desvios do volume de líquido
amniótico? Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, v. 35, n. 2, p. 49 – 54,
2013.

FISCHER, R. L. Amniotic Fluid: Physiology and Assessment. The Global Library of


Wemen’s Medicine, 2008. Disponível em:
<https://www.glowm.com/section_view/heading/Amniotic%20Fluid:%20Physiology%2
0and%20Assessment/item/208>. [Acessado em: 18/08/2019].

PERROTTI, Maria Regina Machado, et. al. Diagnóstico de oligoâmnio pela


ultrassonografia: Uso de diferentes medidas do maior bolsão comparadas ao ILA.
Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, v. 22, n. 1, p. 7 – 12, 2000.

VARELA, Patrícia Louise Rodrigues, et. al. Intercorrências na gravides em puérperas


brasileiras atendidas nos sistemas público e privado de saúde. Revista Latino-
Americana de Enfermagem, v. 25, e2949, 2017.

VOLANTE, Enrico, et. al. Alterations of the amniotic fluid and neonatal outcome. Acta.
Bio Medica Ateneo Parmense, v. 75, n. 1, p. 71 – 75, 2004.