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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ

SETOR DE TECNOLOGIA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA

CINTHIA JOST EVALDT

MARCELO LUIS HOSTINS FILHO

MARCO ANDREY SALLE FILHO

MARINA MARTELO MIOTTO

MICHEL NEVES DE MIRANDA

PRÁTICA 06 – PRESSÃO DE VAPOR E ENTALPIA DE VAPORIZAÇÃO

Curitiba

2019
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ

SETOR DE TECNOLOGIA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA

CINTHIA JOST EVALDT

MARCELO LUIS HOSTINS FILHO

MARCO ANDREY SALLE FILHO

MARINA MARTELO MIOTTO

MICHEL NEVES DE MIRANDA

PRÁTICA 06 – PRESSÃO DE VAPOR E ENTALPIA DE VAPORIZAÇÃO

Relatório sobre pressão de vapor e entalpia


de vaporização, prática realizada na sexta
aula experimental da matéria Físico-
Química Experimental I do curso de
Engenharia Química.

Orientadora: Profª. Drª. Liliana Micaroni.

Curitiba

2019
Objetivos

Realizada no dia 23 de abril de 2019, a sexta prática (pressão de vapor e


entalpia de vaporização) objetivou mostrar a relação existente entre a pressão de
vapor e a temperatura, além de ter como meta a obtenção da entalpia de vaporização
molar da água. O valor obtido no experimento foi então comparado com o verdadeiro
valor, aproximadamente 40,6 kJ/mol.
Primeiramente foi realizada a preparação do arranjo utilizado (do banho
termostático, do condensador e do termômetro) para então realizarmos as medições
das grandezas que seriam utilizadas nas análises (altura do gás, altura da água e
temperatura da água em cada medição). Utilizando gelo e o banho termostático para
mudar e estabilizar a temperatura. Já os dados de alturas foram obtidos de um
condensador.
Com os dados compilados, foi feita a etapa de cálculos, visando obter as
relações objetivadas descritas no primeiro parágrafo através de um gráfico.
Resultados

Primeiramente foi obtido o valor da pressão do ar utilizando os dados coletados,


sendo eles a pressão atmosférica local, o valor da densidade da água em 0°C
(presente na apostila) e a diferença de altura do líquido, após o condensador estar
devidamente posicionado e condicionado para a temperatura de fusão da água
(colocando gelo para atingi-la).

𝑝𝑎𝑟 = 𝑝𝑎𝑡𝑚 − 𝜌𝑔∆ℎ𝑙í𝑞

𝑛𝑅𝑇 𝑛𝑅𝑇
𝑝𝑎𝑟 = =
𝑉𝑎𝑟 𝜋 𝑟 2 ∆ℎ𝑔á𝑠

Com a primeira equação acima, foi descoberto o valor da 𝑝𝑎𝑟 inicial (T=0°C).
que é 88939,63 Pa. Substituindo na segunda Eq., sabendo que o raio é 0,0045 m e
utilizando todos os valores no Sistema Internacional, achou-se o número de mols
como sendo 0,000237.

Depois, a temperatura foi aumentada gradativamente (de 5 em 5 K, a partir da


T= 323,15K), ao mesmo tempo em que medições das diferenças de altura do gás e
do líquido eram anotadas. Com esses dados e utilizando a última equação novamente,
com o 𝑛 constante achado anteriormente, foi possível calcular todas as outras 𝑝𝑎𝑟 em
função da temperatura (K). Assim tendo todo o necessário para preencher a tabela
abaixo.

Tabela 1- Resultados do Experimento

∆h líq/ ∆h gás/ V gás/ ln pv /


T/ (°C) T/ (K) (m) (m) (m^3) Par/ (Pa) Pv/ (Pa) T^-1/ (K^-1) (pv/Pa)
0 273,15 0,334 0,095 6,0436E-06 88939,63 - - -
50 323,15 0,301 0,128 8,143E-06 78092,96 11203,96 0,003094538 9,324022533
55 328,15 0,297 0,132 8,3975E-06 76898,2 12444,2 0,003047387 9,429009791
60 333,15 0,289 0,14 8,9064E-06 73608,76 15817,8 0,003001651 9,668891196
65 338,15 0,274 0,155 9,8607E-06 67483,16 22094,74 0,002957267 10,0030947
70 343,15 0,261 0,168 1,0688E-05 63181,86 26527,82 0,002914177 10,1859493
75 348,15 0,234 0,195 1,2405E-05 55226,75 34747,8 0,002872325 10,45587162
80 353,15 0,194 0,225 1,4314E-05 48550,58 41811,12 0,002831658 10,64091763

Fonte: Os autores, 2019

Modificando a equação de Clausius-Clapeyron, obtemos:


𝑝 ∆𝐻 1
ln = − + 𝑐𝑡𝑒
𝑝𝑜 𝑅 𝑇

Que nesse formato, pode ser vista como uma equação do primeiro grau com
𝑝 1 ∆𝐻
ln 𝑝𝑜 sendo o y, e 𝑇 sendo o x, deixando − como o coeficiente angular, possibilitando
𝑅

encontrar assim o valor de ∆𝐻. Para isso, os dados da tabela foram usados na
formação do gráfico em posição subsequente.

Gráfico 1- Ln da Pv em função de 1/T

10,8
10,6
Ln da Pressão de Vapor (pv/Pa)

10,4
10,2
10
9,8
9,6
9,4
9,2 y = -5311,5x + 25,68

9
0,0028 0,00285 0,0029 0,00295 0,003 0,00305 0,0031 0,00315
1/Temperatura (K^-1)

Fonte: Os autores, 2019

Todos os dados e cálculos são em relação a água, então o valor de ∆𝐻 achado


a partir do gráfico acima é na verdade o ∆𝐻𝑣𝑎𝑝 da água, sendo ele 44136,991 J/mol –
o que varia um pouco do valor esperado, que segundo Atkins (2017) é de
aproximadamente 40,6 kJ/mol para condições padrão. Assim o erro relativo é:

|∆𝐻𝑒𝑠𝑝𝑒𝑟𝑎𝑑𝑜 − ∆𝐻𝑜𝑏𝑡𝑖𝑑𝑜 |
𝐸𝑟𝑒𝑙𝑎𝑡𝑖𝑣𝑜 = 100 = 8,47%
∆𝐻𝑒𝑠𝑝𝑒𝑟𝑎𝑑𝑜

Usando a relação obtida por meio do gráfico é possível extrapolar a pressão


de vapor para outras temperaturas. Para 25 °C:

𝑝 44136,991 1
ln 𝑜
=− + 25,68
𝑝 8,314 298,15
𝑝 = 2604,88 𝑃𝑎 = 0,026 𝑏𝑎𝑟

Segundo Borgnakke et al. a pressão de vapor da água tabelada para a


temperatura em questão é de 3169,1 Pa. Assim o erro relativo é:

|𝑝𝑒𝑠𝑝𝑒𝑟𝑎𝑑𝑎 − 𝑝𝑜𝑏𝑡𝑖𝑑𝑎 |
𝐸𝑟𝑒𝑙𝑎𝑡𝑖𝑣𝑜 = 100 = 17,8%
𝑝𝑒𝑠𝑝𝑒𝑟𝑎𝑑𝑎
Discussão

Dados os significativos erros relativos obtidos, é possível separar as causas


destes erros em duas categorias principais: os teóricos, ou seja, o embasamento
teórico do experimento, as premissas das quais ele parte; e os experimentais, ou seja,
àqueles relativos à prática do experimento em si.

O experimento parte da premissa de que o vapor da água nas condições


avaliadas é um gás ideal, como dito no roteiro do experimento. Segundo Smith, Van
Ness e Abbott (2007) um gás ideal deve ter caráter apolar, pois não existem forças
repulsivas ou atrativas entre as suas moléculas, e, para considerar um gás ideal a
temperatura da análise deve ser alta e a pressão baixa. No experimento é analisado
o vapor da água que, como de conhecimento geral, é uma substância fortemente
polar, e a temperatura da análise é relativamente baixa, esses fatores podem
atrapalhar na aproximação do vapor da água como gás ideal.

Outra premissa do experimento é que a entalpia de vaporização é constante


em toda a faixa analisada, o que é apenas uma aproximação, pois como pode ser
verificado em tabelas termodinâmicas o ∆𝐻𝑣𝑎𝑝 da água a 50 °C é de 2382,7 KJ/Kg,
enquanto que a 75 °C é de 2321,4 KJ/Kg. Essa diferença de entalpia de vaporização
pode influenciar nos resultados, piorando a aproximação.

Quando a pressão de vapor é extrapolada para valores fora dos analisados, é


possível verificar um aumento significativo do erro relativo da análise como um todo.
Este acontecimento está de acordo com o esperado de uma análise por meio da
equação de Clausius-Clapeyron. Pois segundo Poling, Prausnitz e Reid (1987),
quando a equação é utilizada para extrapolações em raios maiores de temperaturas
é possível observar erros percentuais acentuados.

No que diz respeito aos erros da prática experimental, a acurácia e a precisão


de um certo dado medido estarão sempre limitadas tanto pela sofisticação do
equipamento utilizado quanto pelas habilidades dos alunos que realizam a medida.
Desse modo, percebe-se que, quando o processo de medida for repetido inúmeras
vezes em condições supostamente idênticas, diversas leituras do instrumento não
serão todas iguais – o que significa que nunca é possível garantir condições
perfeitamente idênticas para cada tentativa. Isso deve-se também aos efeitos das
condições ambientais, pressão atmosférica, temperatura e umidade.
Isto posto, a medição da temperatura, por exemplo, é um fator de inexatidão,
visto que o acompanhamento dela não é exato pois é feito através de um termômetro.
Assim, caso as temperaturas medidas fossem menores, o ∆𝐻𝑣𝑎𝑝 encontrado também
seria menor.

Sendo as alturas obtidas dados de extrema importância para o cálculo do


∆𝐻𝑣𝑎𝑝 , compreende-se a necessidade da precisão de seus valores; tal precisão,
contudo, não foi alcançada, uma vez que as alturas foram medidas através de réguas
inexatas e com o condensador levemente torto em relação à mesa.
Ademais, os valores também podem estar comprometidos devido à impureza
presente no gelo – em razão do contato com os membros que realizaram o
experimento e com a mesa não estéril.
Em vista disso, afirma-se que tanto as incertezas teóricas quanto as
experimentais contribuíram com o erro de 8,47% no valor da entalpia de vaporização
molar da água.
Conclusão

Tendo em vista os erros discutidos de imprecisão experimental e nas premissas


tomadas para a realização da prática em questão, pode-se compreender a existência
dos erros relativamente altos previamente calculados.

Práticas como esta pode ser entendidas como grandes fontes de


enriquecimento no viés educacional em diversas esferas. Isso porque, além do
conhecimento teórico agregado acerca da relação existente entre a pressão de vapor
e a temperatura e acerca da obtenção da entalpia de vaporização molar da água, a
equipe pôde adquirir mais experiência na prática laboratorial, que requer muitas
habilidades que foram desenvolvidas durante o experimento, como a atenção e a
meticulosidade, necessárias para o rigor científico.

Além disso, o experimento em questão possibilitou aos alunos uma maior


experiência no trabalho de análise de dados e, consequentemente, seus pré-
requisitos, tais como imparcialidade e auto criticidade, permitindo uma reflexão sobre
as imprecisões e erros inerentes a qualquer prática laboratorial.

Dessa forma, a prática contribuiu para o conhecimento teórico da equipe, bem


como para evitar erros futuros em possíveis novas práticas realizadas pelos membros.
Bibliografia

ATKINS, P.; De Paula, J. Físico Química. 10 ed. Rio de Janeiro: LTC, 2017. v. 2.

BORGNAKKE, C. et al. Fundamentos da Temodinâmica. 2 ed. São Paulo: Blucher,


2018.

Reid, R.C.; Prausnitz, J.M.; Poling, B.E. The Properties of Gases and Liquids (4th
ed.). McGraw-Hill, 1987.

SÁ, E. L. d., NETO, J. D. D. M., MICARONI, L. Roteiro de aulas Das Disciplinas. CQ


050: Físico Química Experimental 1. 2019/1. Prática 06 – Pressão de Vapor e Entalpia
de Vaporização. Universidade Federal do Paraná.

SMITH, J. M.; VAN NESS, H. C.; ABBOTT, M. M. Introdulçao a Termodinâmica na


Engenharia Química (7th ed.). Tradução de Eduardo Mach Queiroz e Fernando Luiz
Pellegrini Pessoa. Rio de Janeiro. LTC, 2007

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