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VERIFICAÇÃO DA FADIGA EM ESTRUTURAS DE CONCRETO

• FADIGA:
Fenômeno associado às ações dinâmicas repetidas

• DEFINIÇÃO:
Processo de modificações progressivas e permanentes da
estrutura interna de um material submetido a tensões repetidas.

Fenômeno da diminuição da resistência dos materiais pela


formação e propagação de trincas na estrutura interna em
conseqüência de esforços repetidos.

O fenômeno da fadiga já era conhecido desde o princípio do século XIX.

Os primeiros estudos são devidos ao engenheiro alemão Wöhler (1850)

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Em estruturas de concreto armado, a fadiga do concreto não é
um caso crítico.

Normalmente verifica-se apenas a fadiga das armaduras

ENSAIO DE VIGAS DE CONCRETO ARMADO


COM CARGA PULSANTE
• Ruptura da armadura para ss,max < fy
mantendo-se constante ∆ ss = ss,max - ss,min

• A resistência da armadura à fadiga (∆ ss ) diminui com o aumento


da repetição do carregamento, até ficar praticamente constante
após 2x106 repetições

• O valor de ∆ss é pouco influenciado pelo tipo de aço (fy) e por ss,min
• O valor de ∆ss é muito influenciado pela conformação superficial
da barra (aderência)

• Valor médio experimental de ∆ss = 220 MPa


• Barras lisas podem resistir a ∆ss maiores
• Emendas soldadas têm baixa resistência à fadiga ∆ss = 80 MPa

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NORMA NBR 6118:2003
Capítulo 23- Ações dinâmicas e fadiga
23.5 Estado limite último de fadiga

2 casos de ações de fadiga:


a) Fadiga de alta intensidade: danos com menos de 20.000 repetições
b) Fadiga de média e baixa intensidade: 2.000.000 repetições
A norma trata apenas do caso (b)

É válida a regra de Palmgren-Miner:


supõe-se que os danos de fadiga acumulam-se linearmente com o
número de ciclos aplicado a certo nível de tensões
deve-se obedecer a seguinte expressão:
Σ (ni / Ni) ≤ 1
ni = número de repetições aplicadas sob condição particular de
tensões
Ni = número de repetições que causaria a ruptura por fadiga para a
mesma condição de tensões aplicadas

Combinações de ações a considerar


Combinação freqüente de ações
Fd = Fgk + ψ 1.Fqk

ψ 1 = 0,5 para verificação das vigas


= 0,7 para verificação das transversinas
= 0,8 para verificação das lajes do tabuleiro
= 1,0 para pontes ferroviárias
= 1,0 vigas de rolamento de pontes rolantes

A norma NBR 8681 – Ações e segurança nas estruturas


apresenta outros valores para ψ 1

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NBR 8681 : Tabela7 – Valores dos fatores de redução para combinação freqüente de fadiga

Carga móvel e seus efeitos dinâmicos ψ1,fad N


Passarela de pedestres 0 -
Pontes rodoviárias:
Lajes do tabuleiro 0,8 2 x 106
Vigas transversais 0,7 2 x 106
Vigas longitudinais (1):

- vão ≤ 100 m 0,5 2 x 106


- vão = 200 m 0,4 2 x 106
- vão ≥ 300 m 0,3 2 x 106
- meso e infraestrutura (6) 0 2 x 106
Pontes em ferrovias especializadas 1,0 2 x 106
Pontes em ferrovias não especializadas 0,8 2 x 106
Pontes rolantes (5):

Leves ou de uso eventual 0 20.000


Moderadas (2) 1,0 100.000
Pesadas (3) 1,0 500.000
Severas (4) 1,0 2 x 106

(1) O valor de ψ1,fad pode ser interpolado linearmente entre 100m e 300m.
(2) Caso em que 50% dos ciclos ocorrem sob carga nominal.
(3) Caso em que 65% dos ciclos ocorrem sob carga nominal.
(4) Caso em que 80% dos ciclos ocorrem sob carga nominal.
(5) Na falta de indicação precisa do ciclo operacional da ponte rolante, permite-se o uso dos valores fornecidos nesta tabela.
(6) Desde que ligadas à super apenas por aparelhos de apoio. Não é o caso, por exemplo, de pontes em pórtico ou estaiadas.

Modelo de cálculo
Tensões de flexão no estádio II

Tensões da força cortante no modelo I (ou II)


reduzindo a contribuição do concreto
fator de redução = 0,5 no modelo I

Coeficientes de ponderação:
γf = 1,0 γc = 1,4 γs = 1,0

αe = Es / Ec = 10

Fadiga da armadura
γf.∆σs ≤ ∆fsd,fad

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Tabela 23.2 – Parâmetros para as curvas S-N (Woeller) para aços dentro do concreto (1)

Armadura passiva - Aço CA-50


Valores de ∆ fsd,fad,min para 2x106 ciclos (MPa)
φ (mm)
Caso
10 12,5 16 20 22 25 32 40 Tipo (2)

Barras retas ou
190 190 190 185 180 175 165 150 T1
dobradas com D ≥ 25 φ

Barras dobradas com D < 25 φ


D = 5 φ para φ < 20 mm 105 105 105 105 100 95 90 85 T1
D = 8 φ para φ ≥ 20 mm

Estribos
85 85 85 - - - - - T1
D = 3 φ para φ ≤ 10 mm

Ambiente marinho
65 65 65 65 65 65 65 65 T4
Classe IV

Barras soldadas (incluindo solda por ponto ou


das extremidades) e 85 85 85 85 85 85 85 85 T4
conectores mecânicos

(1) Admite-se, para certificação de processos produtivos, justificar os valores desta tabela em ensaios de barras ao ar.
A flutuação de tensões deve ser medida a partir da tensão máxima de 80% da tensão de escoamento e freqüência
de 5Hz a 10Hz.

(2) Ver tabela 23.3

Tabela 23.2 – Parâmetros para as curvas S-N (Woeller) para aços dentro do concreto (1)

(continuação)

Armadura ativa
Valores de ∆ fpd,fad,min para 2x106 ciclos (MPa) Tipo (2)
Pré-tração, fio ou cordoalha retos 150 T1
Pós-tração, cabos curvos 110 T2
Cabos retos 150 T1
Conectores mecânicos e ancoragens (caso de cordoalha
70 T3
engraxada)

(1) Admite-se, para certificação de processos produtivos, justificar os valores desta tabela em ensaios de barras ao ar.
A flutuação de tensões deve ser medida a partir da tensão máxima de 80% da tensão de escoamento e freqüência
de 5Hz a 10Hz.

(2) Ver tabela 23.3

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Tabela 23.3 – Tipos da curva S-N

Tipo N* k1 k2
T1 106 5 9
T2 106 3 7
T3 106 3 5
T4 107 3 5

(∆fsd,fad)m x N = constante

CÁLCULO DAS TENSÕES NA ARMADURA DE FLEXÃO NO ESTÁDIO II


(cálculo simplificado conforme Walter Pfeil – Concreto Armado)

a) Para seção retangular


σc
Rcc
M

h d z

As σs
Rst
b

z ≈ 0,87 ⋅ d
M R st M M
R st = R cc = ⇒ σs = = ≈
z A s z ⋅ A s 0,87 ⋅ d ⋅ A s

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b) Para seção T ou I

bf
σc
Rcc
hf M

h d z

As σs
Rst
bw

hf
z ≈ d−
2
M R st M M
R st = R cc = ⇒ σs = = ≈
z As z ⋅ As hf
(d − ) ⋅ A s
2

c) Para armadura comprimida em seção retangular, T, ou I

Cálculo no estádio I, utilizando o momento de inércia da seção de concreto (Ic)

+
CG
M
σc = ⋅ ys
+ Ic
ys
M -σ σs
As c ⇒ σs = α e ⋅ σc

Es
com αe = = 10
Ec
+
CG

+
ys

As
M -σ c σs

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CÁLCULO DAS TENSÕES NA ARMADURA DE CISALHAMENTO
(estribos verticais)
NBR 6118 (2003) : VRd3 = Vc + Vsw

Fadiga no modelo de cálculo I ⇒ contribuição do concreto = 0,5 Vc


A 
Vsw =  sw  ⋅ 0,9 ⋅ d ⋅ f ywd
 s 
Tensão no estribo para a força cortante V:

VRd3 = V ⇒ V = 0,5 Vc + Vsw


A 
fywd = σsw ⇒ Vsw =  sw  ⋅ 0,9 ⋅ d ⋅ σ sw
 s 
A  V − 0,5 ⋅ Vc
V = 0,5 ⋅ Vc +  sw  ⋅ 0,9 ⋅ d ⋅ σ sw ⇒ σ sw =
 s  A sw
⋅ 0,9 ⋅ d
s
Observações:
σsw não pode resultar negativo (compressão)

Se V < 0,5 Vc ⇒ σsw = 0

Se Vmax e Vmin tiverem sinais contrários


σsw,max = valor calculado com o maior entre Vmax e Vmin
σsw,min = 0