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) é no campo das relações internacionais onde melhor sobressai a subversão


cósmica de valores e de conceitos que ora nos condena a total aniquilamento, se não
souber a Humanidade resolver a tempo as contradições profundas que aquela
subversão por si mesma denuncia. (pag. 21)

Os progressos surpreendentes da técnica e a industrialização acelerada rompem (...)


a escala de todas as compartimentações espaciais, em que se educara o espirito
moderno. Os países fortes tornam-se cada vez mais fortes e os fracos, dia a dia, mais
fracos (...) (pag. 22)

A estrutura intima do Estado – estrutura política, econômica, social – vê-se forçada,


portanto, a amoldar-se às exigências e às limitações impostas pelo sistema vigente
de relações internacionais – o sistema chamado dos múltiplos Estados soberanos (...)
cuja principal consequência foi, sem dúvida, o principio pragmático do equilíbrio ou
balança de poderes (...) (pag. 23)

A geopolítica “considera a situação no âmbito mundial, no espaço regional e no


relacionamento inter-regional; aprecia a acessibilidade às correntes internacionais do
tráfego oceânico e aéreo, bem assim o grau de dependência em relação ao comércio
exterior; analisa a proximidade ou afastamento relativamente aos grandes centros
dinâmicos do poder que dominam a conjuntura nacional, discernindo a direção e
intensidade de pressões externas que já se manifestam ou possam vir a se manifestar”
(...) (pag. 35)

(...) o próprio fato local só pode ser bem avaliado à vista de seu condicionamento
externo (...) (pag. 35)

(...) tanto na posição como no espaço, influi decisivamente, como fácil é concluir, um
fator capital – a circulação – pois esta é que vincula os espaços políticos internos ou
externos, que conquista, desperta e vitaliza o território, que canaliza as pressões e
orienta as reações defensivas e que dá significação concreta a extensão, à forma, à
situação. (pag. 35)
OBS: Escola da Ecologia Política (White, Renner, Van Valkenburg). Estudos dos
ajustamentos políticos-geográficos dos grupos sociais ao meio natural, com
interpretação geográfica das relações internacionais.

(...) sobre tal base física que pela extensão abrange regiões naturais várias
caracteristicamente diversificadas e oferece amplas possibilidades de gêneros de vida
e atividades econômicas complementares, com um clima que, na verdade, não é tão
desfavorável como se tem apregoado por ignorância ou preconceito (...) (pag. 41)

(...) o hemisfério em que vivemos não pode escapar à sombra possante da grande
nação irmã do Norte que fez do Mar das Antilhas um grande lago norte-americano (...)
(pag. 49)

(...) ceder por um prato de lentilhas. (pag. 52)

“o preço do poder é a responsabilidade”, como proclama Brooks Emeny.

(...) o oceano mais vivificado do mundo, caminho sem igual das civilizações modernas,
que nos liga aos centros de produção e de cultura do hemisfério norte, de onde nos
vêm e virão os impulsos mais fortes de renovação e de progresso, toda a técnica
moderna, as ciências e as artes, do qual dependerão sempre a nossa prosperidade
e, talvez em grau muito maior no futuro, a nossa segurança (...) (pag. 61)

(...) nem por isso perde um sentido objetivo a compartimentação do continente em


áreas estratégicas distintas, antes ganha cada vez maior significação, entendidas
estas, a uma conjunção voluntaria de esforços nacionais para tarefas construtivas de
paz. (pag. 87)

(...) subsiste e subsistirá sempre uma Geopolítica da paz, voltada para os valores
muito mais altos e generosos da solidariedade internacional, da comunhão voluntária
dos povos, do progresso incessante da civilização e da cultura. (pag. 94)

Os Objetivos Nacionais Permanentes, como é evidente, são de natureza


essencialmente política e traduzem, devem traduzir, em dado período histórico, as
aspirações e interesses de toda a coletividade nacional. Sobrevivência da nação como
nação e, pois, soberania, integração crescente, prosperidade, bem-estar e prestigio
são as categorias intemporais em que tais interesses e aspirações necessariamente
se inscrevem. (pag. 101)

(...) um desenvolvimento econômico e social, em ritmo embora ainda inferior ao que


seria desejável, depende sem dúvida, em muito, de contribuições maciças do exterior
(...) (pag. 110)

Nada do que um Estado resolva ou deixe de fazer no cenário internacional ou mesmo


no próprio âmbito interno – já que estas últimas atividades necessariamente terão
sempre repercussões exteriores, por enfraquecerem ou fortalecerem, em maior ou
menor grau, o seu próprio potencial nacional – poderá ser realmente indiferente, nos
dias de hoje, a outro Estado qualquer. (pag. 143)

Em que interfere, favorável ou desfavoravelmente, com a estratégia própria desse


Ocidente? Ou, em outras palavras: em que o Ocidente precisa do Brasil, para a sua
estratégia? Em que, ao revés, depende o Brasil, desse Ocidente, para a sua própria
estratégia nacional? (pag. 219)

“Energia, intolerância e pensamento abstrato distinguiriam sempre as melhores


épocas da Europa das épocas melhores do Oriente. ” (pag. 223)

(...) o Brasil, pelo prestigio de que já goza no continente e no mundo, pelas suas
variadas riquezas naturais, pelo seu elevado potencial humano e, além disso, pela
sua inigualável posição geopolítica ao largo do Atlântico Sul, ocupa situação de
importância singular (...) (pag. 246)