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GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA

SECRETARIA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO


UNIVERSIDADE ESTADUAIS( UNEB, UEFS, UESB e UESC)
PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS

PLANO DE AULA – AULA PÚBLICA


TEMA “Triste Bahia , quão dessemelhante!”

OBJETIVOS
GERAL
Despertar a consciência crítica acerca da sátira enquanto manifestação artística
na poesia brasileira.
ESPECÍFICOS(Nesta aula você vai:)

Ler poemas de Gregório de Matos;

identificar, em textos do autor, marcas discursivas e ideológicas desse gênero e


seus efeitos de sentido;

relacionar características discursivas e ideológicas ao contexto histórico de


produção, circulação e recepção;

posicionar-se, como pessoa e como cidadão, frente a valores, ideologias e


propostas estéticas representadas em poemas satíricos do autor.

CONTEÚDO

METODOLOGIA

Professor, antes de iniciar a aula, retome com seus alunos os


conhecimentos que eles adquiriram sobre o Barroco. Instigue-os a demonstrarem
através de exemplos e conceitos o que seriam as principais marcas deste período
histórico-artístico. Certamente, a oposição entre a religiosidade e os valores
mundanos surgirá desta discussão. O Barroco é uma época marcada pela
contradição e pela tensão, pelo conflito, onde se misturam religiosidade e
sensualismo, misticismo e erotismo.

A dialética entre a CARNE/ MATÉRIA X ESPÍRITO ou entre a visão


ANTROPOCÊNTRICA X TEOCÊNTRICA é traço marcante na arte barroca.

Gregório de Matos Guerra (1633-1696), nosso principal poeta do século


XVII, produziu uma variedade de poemas em que essa contradição sentimental é
clara.

Explique a seus alunos que o poeta Gregório será a fonte para os textos
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que serão pesquisados nesta aula, porém, suas poesias líricas serão deixadas a
parte para que façam a apreciação de uma outra vertente de sua poética, aquela
que lhe valeu o apelido de BOCA DO INFERNO e tem a sátira como elemento
principal e bastante recorrente.

A poesia satírica tem em comparação com a lírica a particularidade de ser


ofensiva, crítica e maledicente. A sátira de Gregório é debochada e denunciadora
dos maus costumes e tem também fundamentos religiosos, morais e políticos. A
sátira do “Boca do Inferno”, que critica a corrupção, os desmandos administrativos
e as hipocrisias da fidalguia local, fez com que fosse deportado para Angola.

Numa sociedade colonial, com a principal fonte econômica passando por


uma crise: a produção açucareira dos engenhos; ao mesmo tempo em que uma
burguesia comercial, formada por mestiços e portugueses, e enriquecida às
custas desta crise aspira à nobreza, além da intensificação das restrições
comerciais ao Brasil, feitas pela Metrópole, Gregório de Matos encontrará material
vasto para desferir suas críticas.

Veja como José Miguel Wisnik define os motivos para a sátira do poeta
baiano:

"Num primeiro nível, podemos dizer que a poesia satírica de Gregório


registra em vários pontos essas tensões: a crise; a debilitação das câmaras; a
ascensão do negociante português; a opressão colonial. Mas não se trata apenas
de registrar: Gregório está embrenhado nas contradições que aponta, e
empenhado em dar-lhes uma resposta. O filho do senhor de engenho encontra o
engenho em plena crise, e seu mundo, usurpado por aquilo que ele vê com o
arrivismo oportunista dos pretensos e falsos nobres, os negociantes portugueses.
O bacharel, naufragado no purgatório colonial, vive a farsa das instituições
jurídicas que se sobrepõem de modo deslocado à prática multifacetada da vida da
Colônia. O poeta culto se vê num meio iletrado; a literatura, sufocada nos
“auditórios – de igreja, academias, comemoração, praticada por sacerdotes,
juristas, administradores, realiza a apologia subjacente de um status quo que soa,
como se vê, incômodo para Gregório de Matos".

(WISNIK, José Miguel. Gregório de Matos: poemas escolhidos. São Paulo:


Cultrix, 1997, p. 15).

Portanto, percebe-se que as causas para a maior parte da sátira praticada


por Gregório serão também pessoais. Trata-se de uma revolta pela situação de
decadência econômica que vive o filho de senhor de engenho. Além disso, o
despreparo cultural e a "impureza" do sangue da nova "nobreza" que se
estabelecia na Bahia às custas do comércio serão motivos para que Gregório
tenha maior ódio da gente que o rodeia.

Atividade 1
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Professor, para a primeira atividade indique a seus alunos a pesquisa do


soneto dirigido "À cidade da Bahia".

À CIDADE DA BAHIA

Triste Bahia! ó quão dessemelhante

Estás e estou do nosso antigo estado!

Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,

Rica te vi eu já, tu a mi abundante.

A ti trocou-te a máquina mercante,

Que em tua larga barra tem entrado,

A mim foi-me trocando, e tem trocado,

Tanto negócio e tanto negociante.

Deste em dar tanto açúcar excelente,

Pelas drogas inúteis, que abelhuda,

Simples aceitas do sagaz Brichote.

Oh se quisera Deus, que de repente,

Um dia amanheceras tão sisuda

Que fôra de algodão o teu capote.

http://www2.ufba.br/~gmg/cidade.html
Após a leitura:

(1) divida os alunos em quatro grupos.

(2) para cada grupo escolha uma estrofe do soneto.


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(3) sobre a estrofe peça para identificarem:

a) o tema da sátira.

b) os elementos textuais (verbos, nomes e seus caracterizadores) que


indiquem as ações de quem se dirige a sátira.

c) há crítica política, social, econômica ou racial? Justificar.

Após a atividade realizada pelos grupos:

(4) peça para apresentarem oralmente (se quiserem usar o quadro para
anotar) as marcas da crítica de Gregório e seus alvos (a quem ela se dirige).

AVALIAÇÃO
Para a avaliação, divida a turma em grupos e indique a pesquisa do seguinte link:

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?
select_action=&co_obra=1827

Após a pesquisa peça para cada grupo escolher um poema satírico e fazer a
leitura para a turma esclarecendo os seguintes pontos:

a) o tema.

b) a figura ou instituição satirizada.

c) as metáforas utilizadas pelo poeta na sátira (rebaixamento, chulas, eróticas


etc).

Opinião de quem acessou

REFERÊNCIAS
 Básica

 Complementar