Você está na página 1de 6

O 5 CONGRESSO DO PAN AFRICANISMO EM MANCHESTER

Du Bois e o Pan-africanismo

O sociólogo, historiador e ativista William Edward Burghardt


Du Bois, nascido em 23 de fevereiro de 1868, no estado de Massachusetts (EUA), foi, ao longo
da primeira metade do século XX, um dos principais nomes da luta pela justiça social e contra
o racismo e é, até hoje, celebrado como o pai do movimento de tomada de consciência pelo
povo negro da constante violência e violação de direitos a que era submetida.

Em 1895, concluiu o doutorado em História pela Universidade de Harvard, tornando-se o


primeiro afro-americano a receber o título de doutor nessa instituição.

No ano de 1905, Du Bois, juntamente com outros ativistas afro-americanos (dentre os quais:
Fredrick L. McGhee, Jesse Max Barber e William Monroe Trotter), fundou o Movimento
Niágara, cujas principais bandeiras eram a luta pelos plenos direitos civis e o aumento da
representação política dos negros nos Estados Unidos. Para o grupo, não bastava garantir
oportunidades básicas de educação e sustento, mas sim que os afro-americanos precisavam
de chances reais para obter uma formação avançada e desenvolver sua liderança.

Du Bois foi um ferrenho crítico das legislações segregacionistas (Leis de Jim Crow, que
afetavam também asiáticos e outras minorias) e das práticas racistas que existiam em seu
tempo, a exemplo dos linchamentos sofridos por mulheres e homens negros.

Esse grande líder fundou, escreveu e editou importantes publicações criadas com o intuito de
propagar as ideias e ideais da luta pela igualdade de direitos entre brancos e negros a outros
afro-americanos. Alguns dos principais periódicos com os quais colaborou foram Moon
Illustrated Weekly, The Horizon: a Journal of the Color Line e The Crisis.

Em 1909, participou da fundação do NAACP (National Association for the Advancement of


Colored People). Ao longo de 25 anos, foi diretor de pesquisa e publicidade, membro do corpo
de diretores e editor da The Crisis, revista mensal da associação.

Inspirado por Sylvester Willians, um advogado de Trinidad, que, em 1900, organizara a


Primeira Conferência Pan-africana, na cidade de Londres (Inglaterra), com o objetivo de
inaugurar um movimento capaz de gerar um sentimento de solidariedade com relação às
populações negras das colônias, em 1919, Du Bois realizou em Paris (França) o I Congresso
Pan-Africano.

Du Bois liderou as quatro edições subsequentes do Congresso Pan-africano (Londres – 1921 e


1923, Nova Iorque – 1927 e Manchester – 1945). Foi eleito presidente do V Congresso com o
apoio de novas lideranças como George Padmore e Kwame Nkrumah, que encabeçaram o
movimento de independência de Gana e Trinidad, respectivamente.

Nos últimos anos de vida, Du Bois morou em Gana, onde, a pedido de Nkrumah, agora
presidente, iniciou pesquisa para confecção da primeira Enciclopédia Africana.

Du Bois, que já era considerado um dos precursores e pedra angular do movimento negro
internacional, morreu em 27 de agosto de 1963, na capital ganesa, Acra, exatamente um dia
antes da Grande Marcha de Washington, liderada por Martin Luther King. No ano seguinte, o
governo dos Estados Unidos promulgava o Civil Rights Act, garantindo direitos iguais a brancos
e negros.

Pan-africanismo

Embora possuindo o mote de unificar os povos da África, retalhados por fronteiras insensíveis
à realidade da região e de suas sociedades, consequência da Conferência de Berlim (1885),
que dividiu o continente em zonas de influência das potencias europeias, os ideais do pan-
africanismo surgiram primeiro entre os negros afro-americanos.

O I Congresso Pan-africano ocorreu em 19 de fevereiro de 1919, na cidade de Paris e teve


como principal resolução a adoção de um Código de Proteção Internacional aos Indígenas da
África, que lhes garantisse o direito à terra, à educação e ao trabalho livre.

Ao longo do século XX, os objetivos do pan-africanismo tiveram sua dimensão e complexidade


amplificadas, tornando-se cada vez mais ambiciosos e radicais. No IV Congresso (Nova Iorque,
1927), por exemplo, o comunicador e ativista jamaicano Marcus Garvey pregava o retorno dos
negros à África, empreendimento que, de fato, ajudou a concretizar.

Enquanto isso, no V Congresso (Manchester, 1945), ganhava notoriedade outro líder natural de
Trinidad, George Padmore, que lançou e aprovou manifesto que proclamava: “Resolvemos ser
livres… Povos colonizados e subjugados do mundo, uni-vos.”

O Pan-africanismo influenciou a geração que constituiria os futuros líderes da África


independente, dentre eles: Jomo Kenyatta (Quênia), Peter Abrahams (África do Sul), Hailé
Sellasié (Etiópia), Namdi Azikiwe (Nigéria), Julius Nyerere (Tanzânia), Kenneth Kaunda
(Zâmbia) e Kwame Nkrumah (Gana).

Os encontros seguintes, em Kumasi (1953) e Acra (1958), testemunharam a ruptura do


movimento em duas correntes, as quais divergiam quanto aos rumos políticos a serem
tomados após a efetivação do processo de descolonização do continente africano. De um lado,
o grupo Casablanca, liderado pelos presidentes Kwame Nkrumah (Gana) e Gamal Abdel
Nasser (Egito), de viés maximalista, defendia o fim da divisão geopolítica imposta pela
Conferência de Berlim (1885), em prol da unificação da África em uma só nação, o que
garantiria posição de centralidade no cenário político, econômico e militar mundial. Do outro, o
grupo Monrovia, liderado pelos presidentes da Costa do Marfim, Félix Houphouet Boigny, e do
Senegal, Léopold Sédar Senghor, e partidários de um pan-africanismo minimalista, entendia as
fronteiras herdadas da colonização como intocáveis. Para representar os interesses do
continente, esse grupo deu origem à Organização da Unidade Africana (OUA).

Não obstante, sua história nos remeter ao início do século passado, o sonho pan-africano de
provocar a emergência de um sentimento de solidariedade e a consciência de uma origem
comum entre os negros de todo o mundo continua a reverberar na atualidade, seja nas formas
de organização política das nações africanas (em 2001, a União Africana veio a substituir a
OUA), seja na linguagem utilizada pelos negros estadunidenses, os quais tratam-se uns aos
outros pelo termo “irmão”, seja por meio da cultura Hip Hop ou através de reflexões
acadêmicas que explicitam essa influência, como pode ser visto no livro Atlântico Negro:
modernidade e dupla consciência, de Paul Gilroy.

O 5º Congresso Pan-Africano, realizado na cidade


de Manchester, no ano de 1945, representou uma
virada política no movimento negro. Entre as
reivindicações do congresso podemos citar: I) a
luta pela independência total dos países africanos.
II) a defesa das leis racistas e discriminatórias para
a América III) o direito de voto e elegibilidade aos
negros. Estão corretas as afirmações contidas em:
I, II e III II e III apenas I e II apenas I e III apenas II
apenas

As origens do Pan-africanismo

Apesar de elencar como uma de suas prioridades a união entre os diferentes países africanos, a
ideia de união pan-africana não nasceu no continente negro. Aliás, teve sua origem muito longe:
no continente americano. Um de seus principais líderes foi Sylvester Willians, um advogado de
Trinidad que conseguiu organizar a Primeira Conferência Pan-Africana em 1900, na cidade de
Londres. Essa conferência teve como objetivo primordial a criação de um movimento que gerasse
um sentimento de solidariedade com relação às populações negras das colônias. Sylvester Willians
era um dos vários intelectuais negros da região do Caribe e sul dos Estados Unidos que juntos
buscavam uma condição mais digna para as populações negras das áreas colonizadas.

Uma das primeiras resoluções dessa conferência realizada em Londres foi em defesa dos negros
da atual África do Sul que estavam sofrendo com o confisco de terras por parte de ingleses e de
descendentes de holandeses (africânderes).

Outro líder importante nos primórdios do pan-africanismo foi Burghart Du Bois, que fundou a
Associação Americana para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP) e, em seguida, organizou o
Primeiro Congresso Pan-Africano em Paris, no ano de 1919.

Já em 1945, outro líder de Trinidad organizou na cidade de Manchester o V Congresso Pan-


Africano, no qual foi aprovado um lema que mostrava bem o objetivo do movimento: “Resolvemos
ser livres; povos colonizados e subjugados do mundo inteiro, uni-vos”.

A partir desse congresso tais ideias já criavam raízes e eram adotadas por vários líderes que
viviam em território africano, sejam eles políticos ou intelectuais, que as colocariam em prática,
numa luta em geral sangrenta contra os até então poderosos impérios colonialistas europeus, em
especial França e Inglaterra. Entre esses novos líderes, destacam-se: Jomo Kenyatta (Quênia),
Peter Abrahams (África do Sul), Hailé Sellasié (Etiópia), Namdi Azikiwe (Nigéria), Julius Nyerere
(Tanzânia), Kenneth Kaunda (Zâmbia) e Kwame Nkrumah (Gana).
Crédito: Corel Stock Photos

O PANAFRICANISMO
O Panafricanismo é o pensamento (filosofia) político-ideológico que defendia de uma forma
aberta o nacionalismo africano. Surge no início do século XX, no fim de um período
extremamente triste de uma época histórica - a da Escravatura Transatlântica e o começo
de uma era também triste, o Colonialismo.

O primeiro encontro histórico dos africanos teve lugar em 1900, marcando o início do fim de um
sistema - o Colonial. O encontro foi preparado por William Silvestre, estiveram presentes um
reduzido número de intelectuais das Índias ocidentais britânicas e afro-
americanos, reclamando um melhor tratamento para a África. Os negros norte americanos,
conhecidos por afro-americanos, tomaram a peito à questão... os mais conhecidos foram:
* W. E. Du Bois
* William silvestre
* Marcus Garvey

De 1919 - 1945 os fundadores da ideologia Pan-africanista intensificaram seus esforços,


conseguindo grandes avanços e atingindo experiências e maturidade para a sua causa.

Foram realizados 5 (cinco) Congressos Pan-africanos, o tema central refletia-se


precisamente nos problemas dos negros nos continentes americanos e africano:
1º Congresso (Paris 1919)
2º Congresso (Londres 1921)
3º Congresso (Londres e Lisboa 1923)
4º Congresso (Nova York 1927) com 208 delegados e nenhuma representação africana
efectiva.
5º Congresso (Manchester 1945)

O Pan-africanismo influenciou os africanos no interior e no exterior do continente,


pronunciando-se contra o colonialismo, a descriminação racial e a favor da autodeterminação
dos povos das colónias, partindo da unidade.

Cabe aqui ressaltar o quinto Congresso Pan-africano que já será realizado em


1945, após a guerra, quando já se estava configurando um outro cenário no
contexto internacional, as potências européias enfraquecidas, a formação de
uma bipolaridade política, econômico e ideológica e também a organização e
fortalecimentos de movimentos de resistências anti-coloniais.
O Congresso Pan-africano de Manchester já pode contar com a
presença de “políticos, sindicalistas e estudantes, basicamente
representantes das colônias inglesas e a independência imediata e
incondicional foi enfatizada como a maior de todas as
reivindicações”33 Destacando a presença de lideranças africanas como
Kwame Nkrumah34, Wallace Johnson35, da Serra Leoa, e Jomo36Kenyatta. 37
Pela primeira vez há uma manifestação objetiva e clara anti-
colonialista e anti-imperialista, sendo reivindicada a independência nacional e
já um direcionamento, um alinhamento junto ao socialismo ou socialismo-
marxista38. George Padmore39 “propõea adoção de um manifesto em que se
opunha à discriminação racial e condenava o apartheid na África do Sul além
de afirmar que os africanos estavam resolvidos a serem livres, conclamando a
unir-se contra o colonialismo40”. Nesse ponto percebemos nas palavras de
Padmore o componente de unidade racial característico do pan-africanismo.
Ele conclama o povo negro, o povo africano, para se unir contra um inimigo
comum, o colonialismo.
E ainda nesse congresso a Resolução Final “assumiu a condenação
global do capitalismo europeu nos territórios africanos.”41. Adotando
claramente uma postura de influência marxista que vai influenciar inúmeros
intelectuais e líderes políticos africanos tanto nesse período como no pós-
independência.
A partir do Congresso de Manchester foi dado um novo impulso ao
Pan-Africanismo, que agora passa a ter uma participação africana mais direta,
o pan-africanismo passa a ser um instrumento significativo para os africanos
que passam a utilizar a concepção de solidariedade racial para promover a luta
pela independência do continente africano.
Da realização do V Congresso Pan-Africano houve um intervalo de
mais de 10 anos para a realização de uma série de conferências e congressos
que vão acabar resultando na constituição da OUA, nesse intervalo ocorreu
um importante encontro que foi a Conferência de Bandung. O movimento
pan-africanista vai se tornar mais atuante, especialmente no continente
africano, após a realização dessa conferência que embora não fosse um
encontro estritamente de interesse das colônias africanas tem direta relação ao
continente africano por representar “o marco do aparecimento formal do
Terceiro Mundo como uma unidade ideológica” 42

Você também pode gostar