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MISSÕES, EVANGELISMO E O DESAFIO DA

COMPREENSÃO DA IGREJA.
Jeferson Alfredo Pereira1

RESUMO.

Missões é um tema de muito interesse e discussão na atualidade. Talvez em tempos


passados tenha tido ainda mais influência nos meios acadêmicos e nos cultos dominicais. Os
pastores tinham prazer em falar sobre missões, citar a famosa sentença do Dr. Oswald Smith:
“Se o propósito de Deus é alcançar o mundo inteiro em missões, e o desejo de Deus é que
todo homem o conheça, e o grande propósito do Senhor é que toda a terra venha ao seu
conhecimento, e você, - ou seja, a igreja - não está interessado em evangelismo e missões, há
uma grande probabilidade de você nunca ter nascido de novo”. Aquilo parecia uma sentença
de condenação a todos aqueles que ainda não haviam, de alguma maneira, se envolvido de
modo bíblico em missões.
O presente artigo trata de algumas dificuldades de cunho cultural e teológico que
através dos anos vem permeando a igreja evangélica brasileira. Ora fazendo com que o
ministério de missões avance, ora fazendo com que esse mesmo ministério tenha sérios
problemas para ser desenvolvido.

PALAVRAS CHAVE: Missões, Evangelismo, Igreja Brasileira, Interpretação bíblica.

1
O autor é Evangelista da Igreja Presbiteriana do Brasil, pastor de Jovens e Adolescentes na IPB Central
de Presidente Prudente, aluno do 1º ano do Curso Avançado de Teologia do Seminário Martin Bucer.
2

INTRODUÇÃO.

Missionário e pastor, evangelismo e panfletagem, dízimo e responsabilidade. O que


esses termos possuem de importante para a vida do cristão nos dias pós modernos? Esses
termos fazem parte de um quadro maior de equívocos no meio da igreja evangélica brasileira.
Tais equívocos vêm se repetindo desde que a Bíblia Sagrada perdeu seu lugar de primazia e a
doutrina começou a desfalecer diante do pragmatismo empregado na obtenção de números,
que substituíram outro importante termo: vidas! Hoje em inúmeras igrejas evangélicas
brasileiras muito se fala sobre ganhar almas, mas pouco se fala sobre o cuidar de vidas.
Nem o surgimento de novas tecnologias, nem o avanço da troca de informação através
da internet poderá substituir o cerne do serviço cristão: A compreensão da vontade de Deus!

1. ENTENDENDO MISSÕES.

O conceito de “missões” tem sido incompreendido há muito tempo. Talvez, por existir
uma ausência do conceito bíblico de missões, ou uma compreensão bíblica das mesmas. Por
um lado se vê centenas de pessoas alvoroçadas falando, postulando, discutindo sobre a
necessidade de sermos missionários onde quer que andemos. Em outro extremo pode ser visto
uma igreja despreocupada com a grande maioria dos temas bíblicos, entre eles, missões. John
Piper declara:

“As missões não são o alvo fundamental da igreja. A adoração é. As missões


existem porque não há adoração. A adoração é fundamental, não as missões, porque
Deus é essencial, não o homem. Quando esta era se encerrar e os incontáveis
milhões de redimidos estiverem perante o trono de Deus, não haverá mais missões.
Elas são uma necessidade temporária. A adoração, porém, permanece para sempre.
A adoração é, portanto, o combustível e a meta das missões”.2

Pode soar estranho, mas ao analisar a maioria dos conceitos “eclesiásticos” tal
estranheza pode aumentar e muito, devido os disparates encontrados entre a cristandade. Não
é de se admirar, haja vista, uma “igreja” que foge das Sagradas Escrituras e alimenta seu povo
com os frutos do pragmatismo, mais cedo ou mais tarde acabaria sofrendo com esse tipo de
dificuldade. Possivelmente, a outra grande dificuldade é a interpretação da maioria das igrejas
com respeito as suas responsabilidades como indivíduos. Compreender corretamente o que
está sendo transmitido de maneira falada ou escrita é fundamental para que se tenha um
2
PIPER, John. Alegrem-se os povos: a supremacia de Deus em missões. São Paulo: Editora Cultura
Cristã, 2001. 15p.
3

conceito correto sobre missões ou outro qualquer assunto tratado. O ponto central não é sobre
hermenêutica apenas. Observa-se no meio da igreja uma série de dificuldades que ninguém
ousa tratar, muito “se fala” de missão transcultural, mas pouco se pensa sobre a cultura
retrógrada de certas igrejas locais. Em certas denominações, por exemplo, quando os
integrantes da igreja conversam sobre evangelismo, o conceito que se tem, é que é de
responsabilidade apenas do ministro, do evangelista, do missionário que está no campo,
afinal, a igreja já oferta, já devolve o dízimo. “O que mais tenho haver com isso? O
missionário é que tem esse chamado”.
Parece que há uma releitura – infernal - no meio do povo de Deus onde conceitos
sólidos são reformulados do dia para a noite em pequenos processos de separação. Algo
como: Evangelismo é uma coisa, missões é outra, culto também é outra... Uma necessidade de
falsa profissionalização de delegar a qualquer um menos a quem pertence às
responsabilidades que a Bíblia sagrada ensina a cada cristão.
“A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de
novo, não pode ver o reino de Deus”. (Jo. 3:3 ARA)

2. SAINDO PARA FORA.

Houve uma época em que se falava sobre o Brasil ser o celeiro missionário do mundo.
Que a nação brasileira representava a “resposta de Deus para missões”. Pois, bem. E hoje?
John Piper citando David Barrett, em World Christian Encyclopedia, p.19, declara:

“Um fato é o tremendo inacabado dever diante da igreja de Cristo. Dependendo de


como você define os grupos étnicos, existe entre 1.000 e 17.000 povos não
alcançados na terra. O próprio John Stone sugere cerca de 3.000 povos não
alcançados. Em qualquer um destes casos, é fato que cerca da metade das 5.2 bilhões
de pessoas do mundo vivem em um destes grupos, onde a igreja é inexistente ou tão
pequena e fraca que necessita de ajuda externa para a evangelização do seu povo.
Isto significa que cerca da metade dos indivíduos no mundo são culturalmente
privados do testemunho do evangelho. Portanto, a necessidade de missionários
transculturais é ainda extraordinariamente grande. Este é um fato deixado claro neste
livro. O dever missionário está inacabado!”.3

Paul Washer ao falar sobre o teor da mensagem missionária afirma que: “O evangelho
de Cristo é o maior tesouro já dado à igreja em geral e ao cristão individualmente. Não é uma

3
PIPER, John. Uma teologia para missões. Disponível em:<http:// www.veritas.com/ebooks/> acesso
em: 31 de ago. 2016.
4

mensagem entre muitas, mas a mensagem acima de todas”.4 Sendo assim, se os cristãos
souberem – verdadeiramente - o teor da mensagem que possuem em suas mãos, se
entenderem biblicamente o “ide” imperativo para missões, surge um segundo questionamento:
“Como cumprir corretamente tal orientação divina?” A resposta pode estar na motivação em
que está sendo baseado tal convite. A própria palavra de Deus, alerta para a importância do
fundamento não somente o conceito, mas a importância da prática desse fundamento. A Bíblia
Sagrada nunca foi apenas um compêndio de regras e leis, ela sempre foi um manual de vida,
de regra de fé e prática de todo ser que nascido de novo, agora vive para a glória de Deus.
Citando João Calvino: “A palavra de Deus é semente frutífera por sua própria
natureza”5 e ainda, “Assim, a pessoa que faz um correto uso da Escritura, não carece de nada,
nem para a salvação, nem para um viver saudável”.6
Talvez por isso observa-se que Deus permitiu que o trabalho feito até hoje, fosse
baseado no poder divino e realizado através de seus filhos. Eles possuíam um elemento
essencial e insubstituível, a verdadeira motivação providenciada por Deus através das
Escrituras.
John Piper fala sobre essa motivação:

“Como decidimos qual é a tarefa das missões ou mesmo se elas deveriam existir?
Uma resposta seria que o amor assim o define e requer. Se pessoas do mundo inteiro
estão sob condenação por causa do pecado e excluídas da vida eterna (Ef. 2:2-3, 12;
4:17; 5:6) e se invocar Jesus é a única esperança delas para a comunhão eterna e
jubilosa com Deus [...] então o amor requer as missões”.7

Certo missionário brasileiro disse que o segredo para se “fazer missões”, biblicamente
falando, é unicamente confiar em Deus. Que ao ter sede, indo ao “bebedouro”, a fé deveria ser
o agente fundamental para que no caminho, houvesse a certeza que ali haveria água.
A Bíblia ensina que todos foram chamados “para fora”, todos os cristãos fazem parte da
igreja (do grego εκκλησία [ekklesía] através do latim ecclesia), a palavra grega ekklesía é
composta de dois radicais gregos: “ek”, que significa para fora, e “klesía”, que significa
chamados. Sendo assim, o tempo de permanência na igreja deveria equivaler a uma
preparação, um discipulado para sair e proclamar a mensagem de Cristo (Hb. 13:13).
Proclamar o Evangelho e propagar a doutrina da salvação entre os perdidos de maneira eficaz.

4
WASHER, Paul. O poder do evangelho e sua mensagem. São Paulo: Editora Fiel, 2013. 7p.
5
CALVINO, João. 1Coríntios: Série comentários bíblicos. São José dos Campos: Editora Fiel, 2009. 57
6
CALVINO, João. Pastorais: Série comentários bíblicos. São José dos Campos: Editora Fiel, 2009. 264 p.
7
PIPER, John. Alegrem-se os povos: a supremacia de Deus em missões. São Paulo: Editora Cultura
Cristã, 2001. 161 p.
5

Mas que tipo de homem tem essa coragem? Essa disposição? De “tomar sua cruz,
negar-se a si mesmo e seguir a Cristo?” Lawson parece responder quando diz:

“Quem são esses grandes homens da história? Eles foram os pregadores mais
fascinados por Deus do seu tempo, os mestres mais saturados pela Palavra da sua
época, os homens que, na maior parte, marcaram os seus tempos em sua ênfase na
glória de Deus. Eles foram os heróis da fé, as colunas mais sólidas da igreja, homens
que impactaram nações e influenciaram continentes por e para Cristo, homens que
fizeram eclodir reformas e que acenderam despertamentos espirituais. Eles foram os
valentes guerreiros do reino de Deus, que traduziram as Escrituras para as línguas
maternas dos seus respectivos povos - e que foram presos a estacas e queimados por
realizarem esse trabalho. Foram homens que fundaram denominações baseadas na
Bíblia e lançaram missões para a propagação do Evangelho - homens que legaram
um impacto eterno sobre a vida da igreja. Eles estão entre os mais estimados
pastores, os mais distinguidos teólogos e os mais prolíficos escritores das suas
respectivas gerações. Eles foram os evangelistas mais apaixonados, eruditos
professores e veneráveis presidentes de colégios e seminários bíblicos - homens que
defenderam o padrão das sãs palavras. São os homens que foram os verdadeiros
campeões das doutrinas da graça”.8

Os pessimistas alegam que os tempos mudaram. Homens que tenham um profundo


amor pela palavra de Deus, pela igreja e por missões, hoje são raros de se encontrar. Nada se
pode dizer sobre isso que já não fosse predito pela Bíblia Sagrada: “E, por se multiplicar a
iniquidade, o amor se esfriará de quase todos. (Mt. 24:12 ARA). A igreja brasileira vive dias
em que, se encontrando quem ame “uma dessas coisas” o pastor já se dá por satisfeito:
“Aquele irmão ali não ora, mas oferta, ele não evangeliza, mas canta bem, ele não faz isso,
mas “pelo menos” faz aquilo”. É lamentável! E além disso, uma triste realidade.
Onde se encontra a raiz do problema? Se fosse fácil responder essa pergunta é possível
que já não houvesse mais a discussão sobre essa triste realidade, mas talvez, uma das
respostas possa ser a incompreensão básica de importantes doutrinas concernentes à vida
cristã. Uma contrariedade ao estudo da teologia que foi imposto por algumas igrejas
emergentes décadas atrás e que agora cobra caro seus dividendos. O Dr. Vanhoozer afirma
que: “Atualmente os teólogos não são muito respeitados, seja no mundo acadêmico, na
sociedade ou na igreja. Por que as pessoas estão dizendo coisas terríveis sobre teologia? Não
há duvida que as razões são complexas, mas um fator importante é a morte da doutrina”. 9
Uma má exegese foi disseminada baseada em textos do tipo: “A letra mata e o espírito
vivifica”, que hoje resulta em uma série de denominações neopentecostais, recheadas de
sofismas, comércio da palavra de Deus e vergonha para os verdadeiros cristãos. Tal

8
LAWSON, Steve J. Fundamentos da graça: 1400 a.C. - 100 d.C: longa linha de vultos piedosos. São
José dos Campos: Editora Fiel, 2012. 40 p.
9
VANHOOZER, Kevin J.. A trindade, as escrituras e a função do teólogo: contribuições para uma
teologia evangélica. São Paulo: Vida Nova, 2015. 91 p.
6

comportamento ocasiona uma mancha terrível no cristianismo. Aquilo que o cristão chama de
"testemunho", o mundo secular interpreta como "caráter". Diante disso, cada vez que um
verdadeiro cristão sai às ruas para evangelizar, não se depara apenas a resistência comum do
ser humano, encontra o trauma gerado pela má fama daquele "pregador" que vendeu uma
"fronha da bênção" prometendo que "todos os sonhos de Deus se cumpririam". Não se
cumpriram? Ora bolas, não eram sonhos de Deus, eram apenas seus... O sincero evangelista
encontra o cidadão simples e ingênuo magoado com o "pa$tor" que embolsou o dízimo e a
oferta - ambas bíblicas - mas também levou a confiança e o "nome limpo" daquele inocente
ao pedir que o mesmo fosse "fiador" em um "negócio de Deus".
Relatos como esses, existem em centenas de milhares no cotidiano comum das igrejas
evangélicas brasileiras. Infelizmente na atual realidade, quanto mais "emergente", quanto
menos tradicional, quanto mais "nova", mais histórias traumáticas como essas, tais "igrejas"
produzirão.
Um dos maiores nomes no campo de missões, o Rev. Ronaldo Lidório afirma que:

“Uma das maiores barreiras na evangelização é a nossa própria compreensão do


Evangelho. Por diferentes motivos humanizamos o Evangelho nas últimas décadas
em um processo reducionista e passamos a igualá-lo a nós mesmos. Quando se diz
que o Evangelho está crescendo, ou está sofrendo oposição, o que de fato desejamos
comunicar é que a “Igreja” está crescendo ou sofrendo oposição. Paulo, escrevendo
aos Romanos no primeiro capítulo, porém, deixa bem claro algo que parece estar
esquecido em nossos dias: nós não somos o Evangelho – o Evangelho é Jesus Cristo.
Portanto, apresentar a Igreja não é evangelizar. Expor a ética cristã para a família
não é evangelizar. Anunciar a própria denominação não é evangelizar. Evangelizar é
apresentar Jesus Cristo, sua vida, morte e ressurreição, para salvação de todo aquele
que crê”.10

Deste modo a compreensão correta de missões, do evangelho e da vontade de Deus está


intrinsicamente ligada para a prática bíblica da obra do Senhor. Entretanto, se analisarmos a
história da igreja, conclui-se que a “má compreensão” não é um problema que assola apenas o
mundo pós-moderno. Spurgeon relata sua indignação quando diz:

“Eu penso ser capaz de mostrar algumas razões pelas quais a nossa santa fé não é tão
próspera quanto costumava ser. Em primeiro lugar, nós não temos mais homens
apostólicos. Em segundo lugar, os missionários não iniciaram seu trabalho no estilo
apostólico. Em terceiro lugar, nós não temos igrejas apostólicas para apoiá-los. E em
quarto lugar, nós não temos a influência apostólica do Espírito Santo na mesma
medida em que eles tiveram nos tempos passados”.11

10
JEFERSON PEREIRA. Estratégias para plantio e revitalização de igrejas. Disponível em:
<http://jefersonpereira.com.br/page/blog/2016/09/01/lidorio/>. Acesso em: 31 ago. 2016.
11
SPURGEON, Charles Haddon. Sermão pregado na manhã de Sábado, 27 de Abril de 1856. Disponível
em: <http://projetospurgeon.com.br/>. Acesso em: 31 ago. 2016.
7

Segundo Spurgeon, a igreja precisa de “homens apostólicos que façam o trabalho de


Deus no estilo apostólico”. É bem provável que quando Spurgeon falava a esse respeito, tinha
em mente a figura do apóstolo Paulo que foi o maior missionário depois de Cristo no novo
testamento. Ainda hoje há uma necessidade de homens como Paulo que afirmavam “estar
crucificados com Cristo, e dessa maneira, viver uma vida integralmente pela fé!” (Gl. 2.20).

3. CONCLUSÃO

Grandes dificuldades assolam o vocacionado em missões. Desde a ausência de


segurança por parte do missionário enviado em relação à igreja local, até a distância da
família, amigos, e da pátria materna. Podem ser outros inúmeros temores humanos que
cerceiam o candidato à grande comissão. Nos dias de hoje, os pais possuem dezenas de
sonhos para seus filhos, mas ao que parece “missões” não se encontra no topo da lista de
profissões desejadas ou faculdades a serem concursadas para o futuro de um filho querido.
O cumprimento do “ide” requer mais do que um “chamado”, requer coragem e fé que
atendem a esse chamado. Para isso, a Bíblia declara que Deus é aquele que chama e que
completa a boa obra, mas o homem é o alvo de Deus. O Dr. Hendriksen comentando a carta
de Paulo aos Filipenses diz: “Ainda que seja verdade que Deus inicia sua obra para completá-
la, também é verdade que, uma vez tenha Deus começado sua obra nos homens, estes jamais
permanecem como meros instrumentos passivos!”. 12 É interessante que o alvo de Deus, os
eleitos, é secundário a outro alvo de Deus, os agentes proclamadores da mensagem.
Como Calvino disse:

“É nessa mesma conexão que ele chama Deus nosso Salvador, pois de qual fonte
obtemos a salvação senão da imerecida generosidade divina? O mesmo Deus que já
nos conduziu à sua salvação pode, ao mesmo tempo, estender a mesma graça
também a eles. Aquele que nos atraiu a si pode uni-los também a nós. O apóstolo
considera como um argumento indiscutível o fato de Deus agir assim entre todas as
classes e todas as nações, porque isso foi predito pelos profetas”.13

A coragem necessária para aceitar o desafio provém mais uma vez, da interpretação da
Palavra de Deus e da compreensão da extensão e urgência desse chamado, que é verificado
pelo “vocacionado do missionário”. O pastor Paul Washer refletindo sobre 1Co 15:3-4
“Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados,

12
HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento: exposição dos livros de Efésios e
Filipenses. 2 ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2005. 416 p.
13
CALVINO, João. Pastorais: Série comentários bíblicos. São José dos Campos: Editora Fiel, 2009. 57-
58 p.
8

segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as


Escrituras”, comenta acertadamente:

“No texto acima, aprendemos duas importantes verdades sobre o evangelho.


Primeiro, não foi o resultado de uma invenção humana, mas de homens movidos
pelo Espirito Santo (2Pe. 1:21). Logo, ele carrega a plena autoridade da Escritura
como uma mensagem soprada por Deus (2Tm. 3:16). Segundo, foi uma mensagem
entregue de uma vez por todas aos santos, e cada geração de cristãos é responsável
por transmiti-lo inalterado para a geração seguinte. (Jd. 3)”.14

Em suma, o homem de Deus que é chamado para tão nobre tarefa, vence seus medos
diante do amor de Deus e através do seu poder, pronunciado nas sagradas letras da Bíblia.
Stuart Olyott relata uma grandiosa verdade quando diz: “Deus opera onde você não
espera que ele opere”.

“Agora, se tivessem dito a você, dois mil anos atrás, que o Deus encarnado estava no
muno, onde você o procuraria? E onde você o encontraria? Na pequena Nazaré, na
oficina do carpinteiro. Se você estivesse no século XVIII, procurando pelo maior
pregador que o mundo britânico já conheceu, e alguém disse para você: “ele ainda é
um garotinho, mas será o maior pregador de todos”, onde você o encontraria? Você
teria de ir à cidade de Gloster, encontrar um pequeno bar na esquina e subir um a um
pequeno apartamento que ficava em cima do bar. Ali você encontraria um garotinho
que se chamava George – George Whitefield.
Deus opera onde você não espera que ele opere!
E onde Deus está operando hoje? Não olhe nos olhos de nenhuma criança e a
despreze. Vamos caminhar pelas ruas de um vilarejo completamente esquecido: os
meninos estão brincando e correndo, mas um deles não está. Ele é um pouquinho
gordo, ele gosta de livros, ele prefere brincar no escritório do seu avô e ler. Ele não
está interessado em jogadores de futebol. Qual o nome dele? C. H. Spurgeon.
Onde Deus está operando? [...] Deus opera nos lugares mais surpreendentes”.15

Que Deus possa abrir os olhos do seu povo (Gn. 21:19), tocar nesse tempo em corações
de pedra, transformando-os em corações sensíveis ao seu chamado (Ez. 36:26), que Deus
queira nesse tempo dar ouvidos de erudito e língua de erudito a uma nova geração de
proclamadores da verdade, que falam a boa palavra ao cansado (Is. 50:4), que Ele se agrade
na simplicidade daquele que não sabe falar (Ex. 6:12) mas que distribui um panfleto com a
mensagem escrita do Evangelho que salva. Que o alvo de missões seja alcançado finalmente:

“Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas
ouvirão a minha voz; então, haverá um rebanho e um pastor”. (Jo. 10:16 ARA)

14
WASHER, Paul. O poder do evangelho e sua mensagem. São Paulo: Editora Fiel, 2013. 45 p.
15
OLYOTT, Stuart. Jonas: o missionário bem sucedido que fracassou. São José dos Campos: Editora
Fiel, 2012. 15 p.
9

ABSTRACT

Missions has been a topic of great interest and major discussion today. Perhaps in times
past has also had more influence in academia and Sunday services at the churc. The leaders
were happy to talk about missions, to quote the famous phrase of Dr. Oswald Smith: "If God's
purpose is to reach the whole world in missions, and God's desire is that every man knows it,
and the great purpose of Lord is that all the earth come to its attention, and you, - the church -
is not interested in evangelism and missions, there is a high probability you will never be born
again." It looked like a sentence of condemnation to those who had not yet, somehow, is
involved in biblical way missions.
This article some of the difficulties of cultural and theological nature which over the
years has been permeating the Brazilian evangelical church. Now making the ministry of
missions advance, sometimes making the same ministry has serious problems to develop.

KEY WORDS: Missions; Evangelism; Brazilian Church; Biblical Interpretation.

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