Saneamento básico/ 2007

Técnico em Gestão Ambiental

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Saneamento
Professora Sueli Noriko Kariatsumari 2º. Gestão Ambiental / 2007

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SANEAMENTO
PEQUENO HISTÓRICO DO SANEAMENTO O ser humano não consegue viver longe da água que bebe e dos resíduos que produz. Essa parece ser uma preocupação que acompanha as civilizações desde as épocas mais remotas. Embora, com o passar dos tempos, a humanidade tenha aperfeiçoado muitas técnicas para coletar água e afastar os detritos, o problema permanece até os dias de hoje. Os povos primitivos utilizavam métodos simples para recolher as águas das chuvas, dos rios e dos lagos. Na sua fase nômade, em que mudava constantemente de lugar, o ser humano deixava restos de alimentos e desejos acumulando-se dentro da própria habitação. Posteriormente, quando começou a se fixar em uma mesma região, ele sentiu a necessidade de limpar a moralidade, jogando fora os resíduos resultantes de suas atividades, que giravam em torno da caça e da pesca. A quantidade de detritos produzidos era insuficiente para causar alterações ambientais. Isso se deve aos hábitos extremamente simples da população primitiva, que consumia apenas o essencial para a sobrevivência, além, é claro, da existência de poucas pessoas na época. A partir do momento em que a humanidade passou a desenvolver o desmatamento e a agricultura e as agriculturas tiveram início os processos de modificação dos recursos naturais como o solo e a água. Os locais mais propícios à plantação, criação e extração de minerais não eram mais abandonados, e as principais aldeias foram sem formadas. O lixo, os esgotos e outros detritos começaram a acumular-se, o que favoreceu a proliferação de ratos e insetos e a poluição dos rios. As doenças transmitidas por esses seres veículos começaram a atingir maior número de pessoas, originando as epidemias. Com o decorrer do tempo, as necessidades humanas e o crescimento da população passaram a exigir quantidade cada vez maior de água e facilidade de acesso às fontes existentes. Na tentativa de evitar a escassez, principalmente nas estações de engenharia para condução e armazenamento da água. Ao mesmo tempo, procuravam novas fontes de suprimento até mesmo no subsolo. O método empregado para o aproveitamento da água subterrânea foi a perfuração de poços, no inicio rasos, mas que foram aumentando progressivamente (os chineses chegaram a extrair água de até cerca de 450 metros de profundidade). Na América, os incas e mesmo as civilizações mais antigas já construíram numerosos sistemas de canalizações de águas para irrigação, principalmente nas terras áridas da costa do Peru. Os egípcios dominavam técnicas sofisticadas de irrigação do solo na agricultura e métodos de armazenamento de líquido, pois dependiam das enchentes dório Nilo. As construções destinadas ao transporte de água, chamadas de aquedutos, eram grandiosas, principalmente entre os romanos. Essas obras abasteciam dezenas de termas (ou banhos públicos), muito apreciadas pela população da época. Além disso, os aquedutos supriam os lagos e as fontes artificiais, utilizados como decoração e lazer nos palácios e nas moradias mais requintadas. Os romanos também se destacaram na construção de redes de esgoto e de canalizações para escoamento das águas de chuvas nas cidades. Por volta do ano 300 d.C., existiam em Roma mais de trezentos banhos públicos. Consumiam-se cerca de 3 milhões de litros de água por dia. As termas eram construções sofisticadas, com piscinas de água quente, morna ou fria, ao lado de salas para a prática de esportes e massagem. Os hábitos de higiene na Antiguidade As residências construídas na Antiguidade, inclusive as pertencentes à nobreza, não possuíam sanitários. Nas cidades e no campo eram comum as pessoas evacuarem diretamente no solo. A camada mais rica da população usava recipientes para fazer suas necessidades e em seguida descarregava o conteúdo em local próximo das moradias. Quando chovia, as fezes eram levadas pelas enxurradas até os rios, contaminando as águas e disseminando doenças. Naquela época, alguns povos já aravam o solo para o plantio da lavoura, sem adotar medidas que evitassem o transporte de terra pelas enxurradas, tornando as águas mais sujas de barro. Ainda hoje, persistem em muitos povos os hábitos de higiene da Antiguidade. Em algumas ilhas da Indonésia, as pessoas evacuavam diretamente nos canais que irrigam as plantações de arroz, disseminando doenças pela água. Para tornar a água limpa antes de ser utilizada nas atividades domésticas, certa povos, principalmente os egípcios e japoneses, filtravam o liquido em casos de porcelana.

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No Egito, costumava-se armazenar água em grandes potes de barro durante aproximadamente um ano, tempo suficiente para que a sujeira se depositasse no fundo do recipiente, resultando num liquido transparente e potável. Os métodos utilizados pelos egípcios para depuração de água foram descobertos por meio de inscrições e gravuras registradas em túmulos. A purificação da água também era feita pelos chineses e japoneses com base no processo da capilaridade. O liquido era passado de uma vasilha a outra por meio de tiras de tecido, que removiam a sujeira. Embora ainda não se imaginasse que muitas doenças eram transmitidas por micróbios, os processos de filtração e armazenamento removiam a maior parte dos parasitas. Assim, a pessoa que tomasse água suja ficaria mais vulnerável às doenças. Provavelmente foi a partir dessa associação que surgiu o falso conceito, ainda hoje aceito por pessoas desinformadas, de que águas transparentes e de bom aspecto nunca causam moléstias. Da idade média à sociedade industrial Durante a Idade Média, os hábitos de higiene dos camponeses e senhores feudais eram semelhantes àqueles praticados pelas civilizações passadas. A situação de higiene se agravou com o inicio do desenvolvimento industrial, em meados do século XVIII, quando as fábricas de tecidos levaram os artesãos em massa para os grandes centros urbanos. Na Inglaterra, França, Bélgica e Alemanha, as condições de vida nas cidades eram assustadoras. As moradias ficavam superlotadas e sem as mínimas condições de higiene. Os detritos eram acumulados em recipientes e transferidos mensalmente para reservatórios públicos. As áreas industriais cresciam rapidamente e os serviços de saneamento básico, como suprimento de água e limpeza de ruas, não acompanhavam essa expansão. Em conseqüência, o período foi marcado pela volta de graves epidemias, sobretudo do cólera e da febre tifóide, transmitidos pela água contaminada, que fizeram milhares de vítimas. Diante desse quadro, os governos passaram a investir muitos recursos em pesquisa na área médica. Pasteur e outros cientistas descobriram que doenças infecciosas eram causadas por microrganismos patogênicos. A partir de então foi possível entender os processos de transmissão de doenças pela água e outros meios contaminados. Inicialmente a Inglaterra e em seguida outros países europeus realizaram uma grande reforma sanitária. Para remover as fezes e os detritos que ficavam acumulados nos edifícios, causando incômodos terríveis, foram instaladas as descargas liquidas, semelhantes às utilizadas atualmente, transportando os detritos para as canalizações de águas pluviais. Embora esse mecanismo solucionasse os problemas domésticos, os esgotos eram lançados em tamanha por toda a cidade. Ao mesmo tempo, a rápida proliferação de industrias que lançavam seus resíduos nas águas contribuiu para agravar o problema de poluição ambiental. Essa situação obrigou as populações a procurar soluções de sanemaneto para tratar os esgotos sanitários e abastecer os centros urbanos com água de boa qualidade. O desenvolvimento da ciência e da tecnologia permitiu que fontes contaminadas se tornassem potável após tratamento. Atualmente, existem métodos diversificados para que o esgoto e o lixo não afetem a saúde e o meio ambiente. Em toda a história da humanidade, porém, a deterioração dos recursos naturais nunca atingiu tamanha proporção como nos dias atuais. De acordo com dados publicados na Revista Brasileira de Sanemaneto e Meio Ambiente – BIO (Ano XI no. 18) em 2001, a água contaminada e a ausência de saneamento matavam 12 milhões de pessoas em todo o mundo, a maior parte delas vivendo em países em desenvolvimento. O Equador se destacava com um dos paises da América Latina com maior quantidade de doenças ocasionadas pela falta de água potável e contaminação de rios. Início e evolução do Saneamento no Brasil Os registros dos jesuítas vindo ao Brasil no século XVI exaltavam o ótimo estado de saúde dos indígenas. A chegada do colonizador europeu e dos africanos trazidos como escravos, no entanto, alterou a situação existente. Os estrangeiros foram responsáveis pela introdução de várias moléstias que rapidamente se espalham em epidemias que freqüentemente matavam os índios. Os colonizadores trouxeram também a preocupação com os serviços de saúde pública. As leis determinavam as medidas de higiene que deviam ser tomadas, como a limpeza de ruas e quintais. Fontes e chafarizes foram construídos em praças publicas e serviam à distribuição de água à população. Os escravos eram encarregados do transporte do liquido, enchendo recipientes e levando-os às residências.

a construção de infra-estrutura de saneamento básico para servir a população com água potável ou recolhimento de lixo e esgoto nunca acompanhou o ritmo de crescimento das áreas urbanas. Entre 1830 e 1840 ressurgiram epidemias de cólera e tifo. o incentivo ao desenvolvimento do país levou à construção de um grande número de fábricas. lançados diretamente nos córregos e represas. o que impôs o desenvolvimento da tecnologia de saneamento básico no Brasil. A esquistossomose. Devido à gravidade da situação. embora muitas regiões ainda hoje não tenham sistema de canalização de água e esgotos. sem qualquer sistema de coleta de esgoto e de recolhimento de lixo. O crescimento populacional acelerado. o Brasil era conhecido no exterior por ser um local onde proliferavam epidemias de febre amarela. Para sobreviver. Atualmente o cólera e a dengue constituem uma realidade em alguns estados brasileiros. especialmente na periferia das cidades. Com alternativas. respirável. não havia mais pessoas que executassem os serviços de transporte de água e dejetos. O Brasil foi um dos primeiros países do mundo a implantar redes de coleta para escoamento das águas das chuvas. mesmo as casas mais sofisticadas aqui no Brasil eram construídas sem sanitários. habitável. criando leis mais severas para evitar a deterioração dos recursos naturais. poucas pessoas se preocupavam com o meio ambiente. A manutenção de sua saúde e de seu bem-estar solicita-lhe. De acordo com levantamentos realizados no território nacional. 1988. cada vez mais. infestou nesse mesmo ao 40 milhões de pessoas. o médico Emílio ribas realizou uma campanha de combate à febre amarela em São Paulo. ele vem transformando a natureza pra satisfazer necessidades básicas de alimentação e habitação. muitas pessoas saíram do interior para morar nas metrópoles. Em conseqüência. os ingleses vieram ao Brasil fazer investimentos. formados em grande parte por favelas. para incentivar as obras de saneamento básico e melhorar as condições de vida das populações. Em 1981. o que exigiu obras muito caras para transportar a água às cidades. Era necessário encontrar novas soluções. Medidas de alcance coletivo que garantam o equilíbrio da natureza e da própria sobrevivência do ser humano e de todos os recursos e elementos indispensáveis à vida humana é a maneira mais eficaz para que o homem continue existindo e viva em harmonia com sua principal aliada: a natureza. agradável”. poluindo suas águas. maior consciência de que conservar a natureza é condição primordial para sua sobrevivência. a cada 24 minutos em média. doença de ocorrência mais restrita ao Nordeste. atacando focos do mosquito transmissor da doença. Foram criadas leis que fiscalizavam os portos e evitavam a entrada de navios com pessoas doentes. A partir de 1950. Os bairros dessas regiões. especialmente na cidade de São Paulo. passaram a produzir grande quantidade de detritos. foi necessário utilizar mananciais cada vez mais distantes das metrópoles. onde eram lavados para serem novamente utilizados. Após o término da escravatura. em 1888. Esse sistema. pernilongos e outros vetores de doenças. Chamado Planasa. construindo principalmente estradas de ferro em troca de recursos naturais. que formavam às vezes verdadeiros parques industriais. o país adotou também a Política Nacional de Meio Ambiente. implantaram vários sistemas de distribuição de água. Ao longa da história. Atraídas pela oferta de emprego. O Brasil no século XX No final do século XIX. As condições de saúde nos centros urbanos eram piores que as do campo e continuaram a se deteriorar. Seguindo os costumes europeus da época. porém. foi instalado somente no Rio de Janeiro e atendia à área da cidade onde estava instalada a aristocracia. Somente a partir de 1973 foi criado um plano nacional. o quadro de meio ambiente e de saúde pública no Brasil ainda apresenta sérios problemas. Como necessitavam de infra-estrutura.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 4 Com a vinda da Família Real portuguesa ao Brasil. varíola e peste bubônica. As cidades eram viveiros de ratos. houve importante avanço nos serviços de saneamento. Nessa época. SANEAMENTO BÁSICO Sanear é “tornar são. em 1808. o homem necessita tornar o meio em que vive próprio para sua subsistência. sendo Manaus uma das primeiras cidades beneficiadas. Saneamento do meio: . Mesmo assim. levou ao desmatamento progressivo das áreas onde se encontravam os reservatórios de abastecimento. uma criança morria de diarréia. No século XX. Escravos recolhiam potes e barricas cheios de fezes e levavam até os rios.

• Disposição de esgotos sanitários. O objetivo do saneamento básico é controlar os fatores que afetam o ambiente físico. • Controlar vetores (roedores e artrópodes) causadores de zoonoses. com detergentes e outros poluentes) o equivalente a seu consumo diário de água. • Acondicionamento. • Garantir saneamento nas situações de emergência: enchentes. • Águas pluviais. águas servidas.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 5 O saneamento do meio é uma das formas de contribuir para a manutenção do equilíbrio da natureza e. em média. “é a ciência e a arte de promover. • Controlar a qualidade dos alimentos. Representa o controle de todos os fatores do meio ambiente humano que exercem ou podem exercer efeito nocivo sobre o bem-estar físico. • Promover a drenagem e a disposição de águas residuais.. trazem prejuízo à saúde e reduzem a marcha de desenvolvimento da comunidade. 1 kg de lixo doméstico por dia. escolar. • Promover acondicionamento. tratamento e/ ou destino do lixo e limpeza urbana. • Diariamente cada pessoa utiliza. mental e social do homem. • Cuidar do saneamento e do planejamento territoriais. Segundo a Organização Mundial da saúde (OMS). Saneamento básico O saneamento básico é a parte do saneamento do meio voltada especificamente para os serviços de: • Abastecimento de água. 150 a 200 litros de água em alimentação e higiene (esses valores referem-se a cerca de 50% da população que tem acesso aos serviços de abastecimento de água). clubes. • Cada pessoa produz em termos de esgotos (dejetos. hospitais habitações. transporte. em média. terremotos. do ar e do solo. para própria sobrevivência do ser humano e de todos os recursos e elementos indispensáveis à vida humana. • Garantir o saneamento de locais de trabalho. • Esgotos sanitários. portanto. • Resíduos líquidos industriais. coleta. etc. • Combater a poluição das águas. etc. coleta. restaurantes. Para tanto deve: • Garantir o abastecimento de água potável suficiente e adequada ao consumo. devendo constituir a primeira ação da Saúde Pública. Trata-se de serviços de fundamental importância para a comunidade. tendo em vista os seguintes dados: • Cada pessoa produz. • Sanear os meios de transporte. Águas Rios e Reservatórios Informações . transporte e destinação do lixo.. • Controlar a poluição sonora. proteger e recuperar a saúde por meio de medidas de alcance coletivo e recuperar a saúde por meio de medidas de alcance coletivo e de motivação da população”.

pH da água . nutrientes e bactérias). defensivos agrícolas. Seus múltiplos usos são indispensáveis a um largo espectro das atividades humanas. a preservação. Desses 33 parâmetros. São realizadas amostragens bimestrais. a CETESB selecionou 35 com base na sua alta representatividade. Clostridium e Estreptococos fecais. são também levantados parâmetros específicos tais como: Teste de Ames (para avaliação de mutagenicidade). As disponibilidades de água doce na natureza são limitadas pelo alto custo da sua obtenção nas formas menos convencionais. Fósforo total . mas também das variações climáticas. portanto. potencial de formação de THMs. efluentes industriais (poluentes orgânicos e inorgânicos. A boa gestão da água deve ser objeto de um plano que contemple os múltiplos usos desse recurso. Monitoramento da Qualidade das Águas São determinados 33 parâmetros físicos. Parâmetros Químicos . entretanto. Coliformes fecais . Ressalta-se que nos pontos de amostragem da Rede de Monitoramento coincidentes com captações utilizadas para o abastecimento público. a qualidade melhora por duas causas: a capacidade de autodepuração dos próprios rios e a diluição dos contaminantes pelo recebimento de melhor qualidade de seus afluentes. a produção de energia elétrica e as atividades de lazer e recreação. A crescente expansão demográfica e industrial observada nas últimas décadas trouxe como conseqüência o comprometimento das águas dos rios. A medida que o rio avança. tratamento e recuperação de nossos mananciais. São eles: . pela impossibilidade da aplicação de medidas corretivas para reverter a situação.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 6 A água é o elemento fundamental da vida. É muito difícil a recuperação ser total. Esta recuperação . Nitrogênio total . A falta de recursos financeiros nos países em desenvolvimento tem agravado esse problema. Carbono orgânico dissolvido. na qualidade das águas doces. absorbância no UV. Deve ser. Oxigênio dissolvido (OD) . em função de fatores meteorológicos e da eventual sazonalidade de lançamentos poluidores e das vazões. como é o caso da água do mar e das águas subterrâneas. atinge apenas os níveis de qualidade aceitável ou boa. nove compõem o Índice da qualidade das águas (IQA). Sólidos totais . o controle e a utilização racional das águas doces superficiais. ao longo do ano. A poluição das águas é gerada por: efluentes domésticos (poluentes orgânicos biodegradáveis. Dentre os parâmetros físico-químicos e microbiológicos que caracterizam a qualidade das águas. o abastecimento público e industrial. onde se destacam. dependendo da atividade industrial). a irrigação agrícola. a fim de se observar as variações que ocorrem. entre outros. em função. bem como a preservação da vida aquática. lagos e reservatórios. Giardia / Cryptosporidium. Turbidez Na sua interpretação devem ser levados em consideração fatores importantes: A qualidade das águas muda ao longo do ano. fezes de animais e material em suspensão). não só das atividades humanas. desenvolvendo e aperfeiçoando as técnicas de utilização. químicos e microbiológicos de qualidade da água em análise em laboratório. e que são amostrados na Rede de Monitoramento. da maior prioridade. Temperatura da água . carga difusa urbana e agrícola (poluentes advindos da drenagem destas áreas: fertilizantes. Demanda bioquímica de oxigênio (DQO) .

Sais minerais: São inúmeros os minerais possíveis de ocorrerem na água. É medida a 20º C. Portanto. Nesses casos a água tem mau cheiro. Em dosagens elevadas podem provocar sérios problemas sérios problemas. através dos organismos indicadores de contaminação FECAL do grupo dos COLIFORMES. Por exemplo: Alumínio. Os microorganismos desempenham diversas funções de fundamental importância para a qualidade das águas. gorduras. P. Berílio. gosto desagradável e ocorre morte generalizada de peixes. pois revela a possibilidade de manutenção de vida dos organismos aeróbios. por exemplo. Haverá muito alimento à disposição e conseqüentemente proliferação dos seres vivos. Hg. Se a quantidade de matéria orgânica é muito grande a poluição das águas é alta e uma série de processos vão ser alterados. Cobre. A escassez de OD pode levar ao desaparecimento dos peixes de um determinado corpo d'água. protozoários e vírus. etc. óleos e graxas. Alguns poços em zonas rurais acumulam nitratos provocando envenenamentos em quem consome suas águas. Participam das diversas transformações da matéria nos ciclos biogeoquímicos como o do N. Existem também minerais indesejáveis que podem ocorrer nas águas e sua concentração vai limitar o uso. S. O Nitrogênio e o Fósforo dependendo de quantidade são importantes porque são responsáveis pela alimentação de algas. Mercúrio. Cromo. a determinação da potencialidade de um corpo d'água ser portador de agentes causadores de doenças pode ser feita de forma indireta. Arsínio. Vai haver maior consumo de oxigênio que ocasionará a diminuição de Oxigênio dissolvido provocando a mortalidade de peixes. Pode também ocasionar mau cheiro. Boro. aminoácidos. Os principais componentes de matéria orgânica encontrados na água são proteínas. Cobalto. É difícil se restabelecer o equilíbrio se o processos poluidores não são controlados. Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO):É o parâmetro mais comumente utilizado para a medida do consumo de oxigênio na água. Cádmio. causando o fenômeno conhecido como eutrofização (boa nutrição) de lagos e represas. principalmente bactérias. Lítio.. O consumo de água de poços deve ser feito após análise periódica de suas águas. os resíduos de plantas e animais carregados para as águas e também o LIXO e os ESGOTOS nela jogados. São produtos nocivos os metais pesados.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 7 Oxigênio Dissolvido (OD):É um dos parâmetros mais importantes para exame da qualidade da água. pesticidas e herbicidas. Bário. dado que esses organismos são extremamente sensíveis à diminuição do OD de seu meio. além de uréia. como peixes. carboidratos. Os coliformes estão presentes em grandes quantidades nas fezes do ser humano e dos animais de . C e da água.. vegetais superiores e outros organismos aquáticos . surfactantes e fenóis. Principais Parâmetros Biológicos A quantidade de matéria orgânica presente nos corpos d'água depende de uma série de fatores incluindo todos os organismos que aí vivem. A detecção dos agentes patogênicos. Representa a quantidade de oxigênio do meio que é consumido pelos peixes e outros organismos aeróbicos e que gasta de oxidação de matéria orgânica presente na água. em razão de suas baixas concentrações. em uma amostra de água é extremamente difícil. Estanho. Outro aspecto de grande relevância em termos de qualidade biológica da água é a presença de agentes patogênicos e a transmissão de doenças. como proliferação excessiva de algas.

variando da Classe Especial. PROBLEMAS MAIS COMUNS NA ÁGUA TURBIDEZ . a menos nobre. Porém. como de bolor.A turbidez é a presença de partículas de sujeira. O sabor da água pode apresentar-se metálico. essa água pode manchar pias e sanitários. que é estabelecida segundo seus usos preponderantes. A presença de coliformes na água não representa. Os principais indicadores de contaminação fecal são as concentrações de coliformes totais e coliformes fecais. a presença de cloro prejudica o sabor e o cheiro da água que vai ser utilizada para beber ou na culinária em geral.O cloro é usado pelas estações de tratamento para desinfetar a água. Padrões e parâmetros de qualidade Para realizar o controle da poluição das águas de nossos rios e reservatórios. Parâmetros de Qualidade Alumínio Bário Cádmio Chumbo Cloreto Clorofila-a / Feofitina-a Cobre Coliformes Fecais Coloração da Água Condutividade Específica Cromo Total Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO 5. mas indica a possível presença de outros organismos causadores de problemas à saúde. produzido por bactérias que se encontram em poços profundos e fontes de águas estagnadas por longos períodos.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 8 sangue quente.Gostos e cheiros indesejáveis. barro e areia. mesmo que visualmente a coloração esteja normal. nas águas para abastecimento o limite de Coliformes Fecais legalmente tolerável não deve ultrapassar 4. por si só. que definem os limites de concentração a que cada substância presente na água deve obedecer. que retiram o aspecto cristalino da água. até a Classe 4. pois a coloração enferrujada só aparece depois de alguns minutos em contato com o ar. humus e outros detritos que naturalmente estão presentes nas fontes de água como rios e lagos. De modo geral. expressa em número de organismos por 100 ml de água.A presença de ferro e cobre pode deixá-la amarronzada. GOSTOS E CHEIROS ESTRANHOS . são causados pela presença de algas. deixando-a com uma aparência túrbida e opaca.000 coliformes fecais em 100 ml de água em 80% das amostras colhidas em qualquer período do ano.O excesso de ferro e de outros metais alteram o sabor e aparência da água. A água que causa manchas pretas possui partículas de manganís. de terra ou de peixe. COR ESTRANHA . a mais nobre. um perigo à saúde. utilizam-se os padrões de qualidade. Esses padrões dependem da classificação das Águas Interiores. por legislação específica. Além do aspecto visual. GOSTO DE FERRUGEM/GOSTO METÁLICO . CHEIRO DE OVO PODRE .20) Demanda Química de Oxigênio (DQO) Fenóis Ferro Total Fósforo Total Manganês Mercúrio Microtox Níquel Nitrogênio Amoniacal Nitrogênio Kjeldahl Total Nitrogênio Nitrato Nitrogênio Nitrito Oxigênio Dissolvido (OD) Ortofosfato Solúvel pH Resíduo Não Filtrável Resíduo Total Surfactantes Temperatura da Água Temperatura do Ar Teste de Toxicidade Crônica Turbidez Zinco Controle de Qualidade da água . GOSTO E CHEIRO DE CLORO .Este cheiro é causado pela presença de hidrogênio sulfídrico.

O teor de alumínio e cloro residual é feito não só na água para consumo como também nas etapas de tratamento. citamos. Águas com ferro e manganês. Sendo assim. Tratamento convencional para obtenção de água potável 1. carbamatos. limpeza manual. xileno. manganês. gramíneo ou mofo à água. b) Materiais em suspensão: bactérias. São analisados os teores de resíduos de pesticidas organofosforados. de limpeza mecânica. apresentam de 4 a 10 cm de espaçamento.Grades médias. Na analise da qualidade da água são consideradas as etapas de tratamento da mesma.Processos para retirada de sabor e odor Entre as principais causas de gostos e odores nos suprimentos públicos de água. monoclorobenzeno. bem como corpos flutuantes. sulfeto de hidrogênio. algas. é diária pois em função do tamanho da malha ocorre um acumulo muito grande de resíduo. gás sulfidrico dissolvido provoca alteração no sabor e odor. que conferem um gosto de terra. com malhas que variam de 0. Em vez do uso de grades. podemos classificá-las. em geral. lodos. normalmente 2. a qualidade da água captada para o tratamento e também a inocuidade do produto quanto à presença de substâncias prejudiciais à saúde. . especialmente as algas azuis. torna-se necessário uma manutenção com a retirada dos resíduos. etilbenzeno. apresentam espaçamento entre 1. . II – grades mecanizadas. limpeza destas telas.0 cm. registros e tubulações. também como responsáveis pela presença de odor e sabor em águas. resíduos industriais. c) Materiais dissolvidos. os materiais que impurificam as águas podem ser assim classificados: a) Materiais que flutuam. galvanizadas.Gradeamento De maneira geral.Grades grosseiras. Tendo como finalidade a proteção de dispositivos de transporte da água contra obstrução. complexação e de oxiredução. . tolueno. d) Colóides: matéria orgânica. despejos industriais. As elas de malha fina em geral são feitas de arame. estes compostos estão associado a determinados microrganismos. O espaçamento útil entre as barras é escolhido em função do tipo de material que se que deter e dos equipamentos a proteger. Estas telas devem ser constituídas de arames resistentes a corrosão.0 a 2. sílica. por exemplo. em geral. As grades são classificadas de acordo com o modo de limpeza: I – Grades simples. 2.. a saber. de mesma espessura igualmente espaçadas.5 cm. Cita-se ainda. etc.6-cis-nonadienal e 3-cis-hexenol. tais como bombas. algas e protozoários. esgoto. precipitação. que compostos como 2-trans. uma vez por semana. As análises feitas se baseiam em reações de neutralização. com inclinação de 45 a 90º. Com a horizontal. após clarificação e cloração respectivamente. são formas solúveis que se não removidos formam óxidos amarronzados que alteram cor e sabor da água. Destinam-se à remoção de sólidos grosseiros em suspensão. . Este tipo de grade é colocada no ponto de chagada da água. Dentre os compostos orgânicos produzidos por microrganismos.80 cm2 de área limpa.30 a 0.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 9 O controle de qualidade físico-química da água é uma boa oportunidade para conhecer a química quantitativa. gases dissolvidos e matéria mineral dissolvida. automática ou não. turbinas. As níveis de nanograma já causam alterações organolépticas na água. são instaladas à montante de bombas de grades dimensões. inclinação de 30 a 40º com a horizontal. com menor espaçamento entre as barras. podemos utilizar as telas de malhas largas com aproximadamente 6 cm2 de área livre. os mais comumente identificados como sendo responsáveis pro problemas de odor e sabor são os compostos 2-metil-isoborneol e o geosmim.Grades finas. surfactantes. Grades são definidas como dispositivos foram dos de barras metálicas. paralelas. Um tratamento de água sempre se inicia com a remoção dos materiais que flutuam ou então suspensos com o uso de grades e telas. zinco entre outros.

reduzindo o teor de gás carbônico.Algas douradas (Chrysophyceae) Processo de Clarificação Os sólidos em suspensão são removidos por sedimentação simples ou sedimentação por coagulação e filtração. Em geral. . Nos aeradores de repuxo. A aeração consegue reduzir a concentração de CO2 na água a níveis de 2 a 5 mg de CO2/L. A aeração tem a finalidade proporcionar o contato do ar com água. ser indicada para redução da corrosividade. Os aeradores de ventilação forçada são constituídos de tanques fechados. podem ser em plano inclinado.Sugere-se que este processo de desinfecção não seja utilizado pelas estações de tratamento de água. Na Holanda. d) Sulfato de cobre Quando se demonstrou que algumas formas de algas são também responsáveis pelo odor e sabor das águas. onde as algas são consideradas um dos problemas sérios. citamos. a água é lançada no ar. as concentrações máximas aceitas para as algas verde-azuladas é 200µg/L e 60µg/L para outros grupos de algas.Algas verde-azuladas (Cyanophyceae). hipoclorito de cálcio e cloro gás é bastante eficiente no processo de redução de sabor e odor da água. Estamos habituados a utilizar águas com esses gases e notamos com facilidade a ausência de oxigênio. em função do elevado conteúdo de substâncias húmicas. sendo recolhido em nível inferior. em função do poder oxidante.Diatomeas (Bacillariophyceae). onde a água é exposta ao ar atmosférico e. como nitrogênio e oxigênio e o gás carbônico. a fim de que nesta seja efetivada a dissolução ou o desprendimento de gases ou a intoxicação de compostos. pode também. sob pressão. como o sulfato de alumínio. Existem quatro grupos principais de algas que são capazes de originar problemas nas águas: . o material pode ser aplicado como pó seco diretamente na água. por exemplo. em um ou mais pontos precedendo a filtração ou a sedimentação. ferrosos. escada. dos derivados clorados de origem inorgânica. Atualmente o controle está voltado para as algas verde-azuladas. nos aeradores de ar difuso e de ventilação forçada. os aeradores de gravidade ou de repuxo. após o uso de uma pré-cloração. a água passa pro um leito de carvão ativado para retirada do excesso de cloro. numa água recentemente fervida e que não satisfaz nosso paladar. com hipoclorito de sódio é inviável para águas de abastecimento público. Os aeradores de gravidade. c) Carvão ativado na remoção dos gostos e odores da água pelo carvão ativado. . como hipoclorito de sódio.Algas verdes (Chlorophyceae). ou a água pode ser passada através de um leito de carvão ativado.Saneamento básico/ 2007 Os principais métodos para a remoção de gostos e odores são: a) aeração b) pré-cloração c) uso do sulfato de cobre. b) Pré-cloração A cloração da água bruta. . Microrganismos também são removidos pelos métodos de eliminação de sólidos em suspensão. Como principais tipos de aeradores. onde a água desprende-se livremente para apresentar grande superfície de contato com o ar. . providos de bandejas horizontais perfurados. mas ressalta-se que a redução dos microrganismos a níveis considerados seguros se obtém com o processo de desinfecção. o sulfato de cobre passou a ser utilizado por sua ação algicida. Pode ser aplicado também acompanhando substancias químicas do processo de tratamento. o que leva a formação de trihalometanos em valores superiores pela legislação pertinente. faz-se o ar pela água. Técnico em Gestão Ambiental 10 a)Aeração As águas naturais normalmente apresentam gases dissolvidos. cascata ou tabuleiros perfurados. Este processo tem sido questionado pois os resultados experimentais de pesquisas permitem concluir que a desinfecção da água por meio da pré-cloração. predominando os constituintes do ar atmosférico.

Óxido insolúvel na superfície. resultando caga negativa. A sedimentação simples ocorre de maneira natural. A maior parte das partículas e moléculas de substancias húmicas. a sílica torna-se mais negativa.Grupos presentes na superfície sólida podem ao reagir com a água. depende de algumas características. mas é considerada como processo preliminar. consiste no transporte das espécies hidrolisadas para que haja contanto com as impurezas presentes na água. Ou seja. como a água. a partícula adquire velocidade constante. que formam flocos mais densos que precipitam com uma maior velocidade. A velocidade de sedimentação é proporcional ao peso e tamanho da partícula. . para aumentar de tamanho. b) Sedimentação com uso de coagulantes Sedimentação simples não remove cor da água. Com o aumenta do pH diminui a concentração de prótons e o equilíbrio nas reações desloca-se para a direita. ou seja. até que a resistência do fluido se aproxime. Também um cátion divalente. que resulta em carga superficial negativa. temperatura. Como a capacidade de transporte da água é proporcional à sexta potencia da velocidade da água. como pH. que se repelem. geralmente apresentam-se com carga negativa em valores de pH acima de 5. O pH é fator preponderante nas reações para formação da carga superficial da partícula sólida. receber ou doar prótons. em grandezas. liberam prótons. as substâncias coagulantes reagem com alcalinidade (natural e/ou adicionada) formando polímeros com carga superficial atraem carga negativa dos colóides em suspensão. como etapas do processo de sedimentação com coagulantes: • Mistura rápida (Câmara de mistura rápida): consiste nas reações do coagulante com a água e na formação de espécie hidrolisadas com carga positiva e depende da concentração do metal e pH final da mistura. O processo de clarificação de água consiste na manutenção de condições físico-químicas tais que os sólidos suspensos na água são removidos por uma sedimentação. * Para clarificação das águas é necessário: . Plaquetas de sílica tetrédrica são cruzadas por plaquetas de alumina octaédrica de modo que. em lagos e represas.Imperfeições na estrutura da partícula são responsáveis por parcela substancial da carga das argilas minerais. denominada velocidade de decantação. tornando a superfície sólida mais negativa. amino e fenólico. O processo é rápido. Quando isto ocorre. se um átomo de silício é substituído por um alumínio durante a formação da plaqueta. é o tempo que as partículas gastas para depositar. Citam-se. As reações de formação dos complexos. O problema envolvido. desce verticalmente com movimento acelerado. . depende do pH da água. variando de décimos de segundo a cerca de 100 segundos. A carga negativa recebe o nome de potencial zeta. . . A sedimentação simples é empregada para separar partículas suspensas com tamanho acima de 10 microns. A justificativa da presença das cargas negativas é devida a: . além do tamanho diminuto das partículas. • Formação do floco (Câmara de floculação): Fundamentalmente físico. vamos considerar a sílica como um óxido representativo. . como a sílica como o grupo silanol (SiOH) pode se tornar positivo ou negativo. para aliviar as cargas sobre os processos subseqüentes. que é a matéria mais finamente divida. sendo necessário trabalhar em conjunto com as cargas das partículas para se obter um resultado da sedimentação. enquanto que os grupos carboxílico. quantidade de . formando partículas maiores denominadas flocos.Substâncias orgânicas podem conter grupos fenólicos fenólicos. é mantida em suspensão porque possuem carga elétrica negativa. uma partícula sob a ação da gravidade. da força propulsora dessa mesma partícula. como magnésio ou ferroso pode substituir um átomo no óxido de alumínio da estrutura octaédrica.Grupos superficiais podem reagir na água com outros solutos além de prótons. o que inviabiliza somente a sedimentação simples para retirada da turbidez de um manancial para sua utilização no abastecimento público. Em pH superior a 2.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 11 a) Sedimentação simples Num fluido em repouso e de baixa densidade. neste processo.Aglutinação das partículas. carboxílicos e amina. que envolvem grupos superficiais da partícula e solutos adsorvíveis dependem do pH. conclui-se que a velocidade de sedimentação das partículas é tanto maior quanto menor for a velocidade de escoamento da água.Neutralização das cargas negativas da matéria em suspensão.

para não desintegrar o floco. ascendente ou descendente. A faixa de pH. caracterizando o mecanismo da varredura. Nesta etapa há necessidade de agitação relativamente lenta. pois o flocos obtidos são facilmente removidos nos decantadores. para águas com concentrações relativamente baixas de partículas colidais. muito solúvel em água. em valores de pH acima de 9. Essa região é considerada ideal para a coagulação quando se tem a filtração direta.8. temperatura e tempo de decantação.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 12 • impureza. normalmente utilizado para remover manganês. o que em geral. Decantação ou sedimentação (decantador): a velocidade nesta etapa é ainda mais lenta para permitir a completa deposição dos floco no fundo do decantador. A quantidade de coagulante a se utilizada é definida no dia a dia a ETA através do teste do jarro. O aparelho para teste do jarro consta de misturar com seis pás. tem causado este fenômeno. delimita-se a dosagem de sulfato de alumínio entre 2 e 30 mg/L e pH de coagulação de 5 a 6. antes da filtração. é dispensável na forma de material granular marronavermelhada. quantidade do produto químico. mas a solução do sulfato ferroso é mais agressiva e uma segunda desvantagem é ter sempre que utilizar cal para melhorar o processo de floculação. ótimo de coagulação. para que ocorram choques entre as impurezas. com pH em torno de 6. maiores velocidade tendem a dividir os flocos e retardam a decantação.FeCl3 Cloreto férrico FeCl3. onde se monitora a velocidade de agitação. cuja velocidade de rotação pode ser ajustada a velocidade deve variar a agitação de 0.18H2O Sulfato ferroso FeSO4 . A coagulação realizada nesse mecanismo é a recomendada quando se tem tratamento completo. em pH baixo é efetivo na remoção de cor.3 a 0. floculação e decantação. Para dosagens de coagulantes compreendidos entre 3 e 30 mg/L. Caparrosa clorada . está entre 8.6H2O Aluminato de sódio NaAl2O4 Fonte: AQUATEC Sulfato de alumínio octadeca hidratado Também chamado de alumen. de forma que as partículas coloidais são aprisionados nos mesmos.5 e 11. O produto é cristalino. é que concentrações relativamente altas de anions como fosfato. Sulfato ferroso hepta hidratado Denominado de caparrosa verde. Sulfato férrico Também chamado de Ferri-floc ou ferrisol. a um valor próximo de 30 mg/L em valores de pH de 6 a 8 tende a ocorrer formação excessiva dos precipitados de hidróxido de alumínio. Al2(SO4)3 . Em dosagens superiores.4 m/s. silicatos e sulfato podem impedir a reversão de carga e a reestabilização.7H2O Sulfato férrico Fe2(SO4)3 Caparrosa clorada Fe2(SO4)3 . a faixa de atuação está no pH 5 a 11. caracteriza as águas superficiais utilizadas no abastecimento público. em águas naturais a presença do íons sulfato a níveis de 12 mg/L. pH. com a coagulação. as quantidades são iguais ou pouco superiores que as de sulfato de alumínio. outro aspecto importante.8 xiste uma região conhecida como corona na qual o mecanismo de coagulação é devido à neutralização de carga pelo hidróxido de alumínio positivo. o colóide que se forma é o hidróxido férrico. sua solução é corrosiva colocando em risco o manipulador. se apresenta como cristais verdes solúveis na água. Ressalta-se ainda que. Principais agentes coagulantes Principais substâncias químicas utilizadas como agentes floculantes Coagulante Fórmula Sulfato de alumínio Al2(SO4)3 .18H2O é o produto mais utilizado.

é muito usado no tratamento de águas para caldeiras. Através da experiência descobriu-se que após a passagem da água através da areia. não-iônico. • Neutralizar 85% da alcalinidade da solução por meio de um ácido forte. Os polieletrólitos são divididos em duas subclasses fracos e fortes. Polímeros não-iônicos não são considerados polieletrólitos. Quando utilizada com sulfato ferros ou alumínio. Tanto os polímeros sintéticos como os naturais. o ponto de adição do produto será encontrado de forma experimental. utiliza-se de uma solução parcialmente neutralizada de silicato de sódio. o peso molecular e o grupo funcional do polímero. Aluminato de sódio Sob certas condições o seu uso é vantajoso. • Agitar e diluir com água até concentração final. em função das características das águas e sólidos suspensos são utilizados os aniônicos e nãoiônicos. que em função do diâmetro dos poros. que são mais densos e resistentes. que varia de 0. A sílica ativada tem elevada carga negativa. a resistência e na redução da dosagem do coagulante primário. Sua ação é considerada superior a sílica além de apresentarem menor custo. A forma comercial tem pureza de 88%. Os sintéticos são utilizados para aumentar a velocidade de sedimentação. aniônico. de acordo com a carga da cadeia polimérica. Segunda guerra Mundial. Já os naturais são utilizados para reduzir a ocorrência da transpasse dos flocos no filtro e aumentar a chamada taxa de filtração. A coagulação é decorrente do mecanismo de varredura. não deve ser utilizada em águas de caldeira.5%. Em função da floculação é lavado em consideração a carga. Polieletrólitos São polímeros originários de proteínas e polissacarídeos de natureza sintética ou naturais. mas são incluídos nesta categoria em função da semelhança de suas aplicações. alguns componentes químicos são alterados e até numero de microrganismo é reduzido. Principais agentes coadjuvantes de floculação É considerado todo produto que. São três tipos: catiônico. No Brasil.5 a 1% como SiO2. de alguma forma. Os principais coadjuvantes são a sílica ativada e os polieletrólitos. Sendo que.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 13 É obtida pela injeção de gás cloro num tubo contendo uma solução de sulfato ferroso. A quantidade de sílica a ser utilizada corresponde a faixa de 7 a 11% da dosagem de sulfato de alumínio. representado em sua maioria pelo amido. • Deixar em repouso por uma hora. porque não há necessidade de álcali adicional. pois leva a formação de incrustações. O efeito coagulante atinge uma faixa de pH que varia de 5 a 9.4. na proporção de 1 parte de cloro para 7. aumenta sensivelmente a performance do processo de coagulação. com o pH compreendido entre 6 a 9. logo. deve-se utilizar soluções mais diluídas. Existe a possibilidade desta solução se gelificar após 2 horas. Cloreto férrico hexa-hidratado Apresenta as mesmas características do sulfato férrico. Não necessita de alta alcalinidade para formação do floco. após a passagem haverá a remoção das partículas em suspensão e até a carga bacteriana será reduzida. aumenta o tamanho dos flocos. A técnica de preparo da solução de sílica ativada é: • Fazer solução de silicato de sódio em águas a 1. . quando usados em conjunto com os agentes coagulantes. como H2SO4 até pH 8. são considerados auxiliares de floculação e filtração. Sílica ativada Foi desenvolvida antes da 2ª.8 partes de caparrosa. O efeito necessita de alta alcalinidade para formação do floco. sendo a dosagem de cloreto férrico hexa-hidratado variando entre 27 e 270 mg/L. se remove matéria em suspensão e coloidal. Processo de filtração A filtração consiste em fazer a água atravessar uma camada de material poroso.

o que permite taxas de filtração ainda maiores. para clarificação de águas de baixa turbidez e de baixo conteúdo mineral. em menor nível. Os espaços vazios entre os grãos de areia. Não sendo necessário a formação dos flocos convencionais relativamente grandes e pesados para sedimentar posteriormente. permitindo que novas unidades são facilmente incorporadas. A coagulação e floculação são realizadas no meio poroso. ocorrem de maneira mais significantes.efeitos elétricos. Quando usados em piscinas. levam as partículas em suspensão a aderirem às paredes dos espaços vazios. e pode ainda. nas quais as forças de gravidade terrestre. pode reagir com o cascalho e a areia. Sendo considerado que é possível que partículas de qualquer tamanho sejam retidas em pontos próximos ou nos pontos de contato entre grãos de areia. Nos filtros de fluxo ascendente durante o processo da passagem da água ocorrem dois processos de modo simultâneo. Técnico em Gestão Ambiental 14 Filtração mecânica é considerada como responsável pela remoção de grandes partículas na superfície da areia. ou clarificadores de contato. Num filtro lento de areia. Há formação de micro-aglomerados de flocos que acabam por ficarem retidos na camada de areia. ou seja. dentro das quais a água se desloca de cima para baixo sob pressão. serão classificados em filtros simples e filtros duplos. Em um filtro rápido de areia. Considera-se como maior mérito da filtração ascendente. São usados quando a água aser filtrada é fornecida sob pressão e quando a água filtrada deve ser distribuída sem bombeamento adicional. o processo leva a uma economia de 15 a 30% de reagentes. Em média a taxa nominal de filtração dos filtros de uma camada. no caso da água quente. como a finalidade de obter economia. Esta camada é denominada schmutzdecke. porque a água quente.alterações biológicas. a substituição do processo coágulosedimentação completada pela filtração convencional. também conhecidos como filtros russos. o meio filtrante deve ser o carvão. Filtros de fluxo ascendente Os filtros de corrente ascendente. em função da água que é enviada para o filtro por recirculação é de baixa turbidez. sendo que a remoção de partículas nestes pontos é chamada de filtração intersticial. a mesma ação filtrante ocorre em todo o leito de areia. sendo que a maior parcela da ação filtrante ocorre na parte superior do filtro. a remoção das partículas em suspensão na água ou dos microrganismos aglomerados através da sua aderência aos grãos de areia e a ainda previamente presas.são utilizados principalmente na antiga URSS. para os filtros simples é inferior a 70m2 e para os filtros duplos superior a 40m2. . a sedimentação e adsorção. em geral a área envolvida.dia Os filtros de gravidade de grande área. já incluído o valor do coagulante aplicado. podem ser subdivida em duas câmaras. basta que o coagulante seja adicionado na água bruta na entrada do filtro. está compreendida entre 120 e 360 m3/m2. Este tipo de filtro é preferido nas instalações industriais em função de ocuparem pouco espaços. principalmente. hermeticamente fechadas.Saneamento básico/ 2007 O processo de filtração se baseia em quatro ações: . ocorre numa camada delgada de areia e de material depositado próximo ou na superfície do filtro. possuir uma outra camada de um meio poroso mais grosso e menos denso. Quando muito. a filtração mecânica. que atuam diminutas câmaras de sedimentação. que é colocado sobre a areia. Tanto no filtro lento ou rápido. por toda a sua altura. a água alcalina quente. Filtros rápidos por gravidade O filtro rápido é formado de uma camada de areia. existe uma camada gelatinosa. geralmente dispensam tratamento prévio por coágulo-sedimentação.o coagulante é aplicado na entrada dos filtros.filtração mecânica.sedimentação e adsorção . os efeitos elétricos e as alterações biológicas. contaminando a água com sílica. Filtros de pressão São constituídos por unidades metálicas de forma cilíndrica. e assim. sendo. da atração gravitacional das partículas de matéria e a atração eletrostática entre partículas de cargas diferentes. que significa pele suja. devido a camada gelatinosa previamente depositada pelas partículas que foram removidas. mas especialmente no filtro lento de areia. a maior parte da ação filtrante. caso ocupem uma linha de fluxo próxima aos pontos de contato. que estão fracamente aderidas aos . Podem ser empregados para filtrar água fria ou quente. . indica-se o limite de 150 mg/L de matéria em suspensão. como o antracito.

sua produção deve ocorrer no próprio local de utilização. se reconhece ainda a possibilidade de contaminação da parte superior do filtro pela própria água de lavagem. uma forma alotrópica do oxigênio. os superfiltros com dupla filtração. Sua utilização é recente. dois tipos de lâmpadas especiais: lâmpadas de argônio-mercúrio. Desinfecção A etapa anterior. reduzindo a área física da ETA. sua eficiência decresce com o tempo de utilização da lâmpada e pela não manutenção de residual. Outro fator que impede sua maior utilização é o custo. sendo questionada. a sedimentação e a filtração da água. O processo físico de desinfecção por exposição a radiação UV é capaz de inativar quase toso os microrganismos encontrados em água. mas mesmo assim. câmaras de recicagens para microbiologia e em plástico para embalagem de leite. Para isso usam-se lâmpadas que emitem radiação ultravioleta na faixa de comprimento de onda de 900 a 3800 A. odor e cor. menor de consumo de reagentes. em função do exposto. em função da perda de carga. Não podem ser aplicados no tratamento de águas de qualquer recurso hídrico. Ultra-violeta A luz ultra-violeta tem sido usada para a redução de microrganismo de áreas de processamento. que apresenta como vantagens o custo de instalação de área física comparada com uma ETA tradicional. pois é possível durante o processo de filtração. b) é um poderoso oxidante com atuação rápida sobre a matéria orgânica. o que permiti futuras recontaminações da água. Logicamente. o UV não forma trihalometanos. indicadas para pequenas áreas e de mercúrio-quartzo recomendadas para instalações maiores e funcionamento sob pressão. O processo utilizando ultra-violeta em alguns países já tem sido utilizado para produção de água em larga escala. sendo pouco estável. principalmente bactérias coliformes. não e é suficiente para garantir a qualidade microbiológica de uma água. Processos de desinfecção utilizados em água de abastecimento público Existem basicamente dois processos de desinfecção o físico e o químico. o que transforma os filtros numa importante barreira sanitária para produção de água para abastecimento público. comercialmente. alguns organismo patogênicos. Em função dos problemas ressaltados. surgiu a idéia de um tipo de instalação para tratamento de água. ressalta-se que. Encontram-se. .Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 15 grãos de areia. é muito volátil e pouco solúvel em água. é eficiente no processo de remoção de microrganismo da água. para produção de água para abastecimento publico o calor fica inviabilizado em função do consumo de energia necessário para aquecimento de uma grande quantidade de água. aproximadamente 254 nanômetros. que uni as vantagens dos clarificadores de contato e a segurança dos filtros rápidos convencionais. que atualmente está muito acima do cloro e do ozônio. Super-filtração ou dupla-filtração Este tipo de filtro realiza com eficiência a floculação. o consumo de reagentes. Como vantagens do ozônio são citadas: a) redução de problemas complexos de sabor. facilidade de operação. surge então. Este tipo de filtro é projetado ara produzir taxas de filtração compreendidos entre 120 e 150 m3/m2. ocorra a fluidificação das camadas superiores permitindo que impurezas e flocos retidos no topo do leito filtrante passe para o efluente. bem como.dia. Ressalta-se ainda que. alguns tipos de vírus e cercarias são resistentes à desinfecção por derivados clorados. No processo físico podemos utilizar o calor e a radiação ultra-violeta. laboratórios. Em função da sua pouca estabilidade. como os cistos de Entamoeba histolitica. efeito este provocado pelas forças hidrodinâmicas do escoamento pelo aumento da velocidade. a redução da área física. não apresenta odor peculiar. filtração. Ozônio O Ozônio (O3). Este aspecto reforça a tese de que os filtros ascendentes tem restrições ao uso. a desinfecção é de fundamental importância na garantia da qualidade sanitária de uma água. pois atua somente à nível superficial. sendo a zona mais letal em torno de 2600 A.

em torno de 10 a 15 vezes superiores ao do uso do cloro. Portanto. cloraminas orgânicas e dióxido de cloro. produzindo mais de 50 000 litros de água por dia. instalação e operação são altos. A concentração máxima permissível desse gás na atmosfera é de 0. continuando o processo da absorção de ozônio e provocando a circulação de grandes quantidades de água dentro do reservatório. também. sais de sódio. ou seja. Segundo o fabricante o ozônio não remove nitratos. quando adiciona-se cloro são formados compostos que apresentam ação sanificante.1 mg/m3. necessita de mão de obra especializada para sua manipulação. quando foi recomendada o cloro como agente de sanificação de equipamentos. Se a amônia ou compostos amoniacais estão presentes na água. filtração e circulação contínua da água. A OMS não recomenda o uso de ozônio em águas que contém brometos. A ação oxidante e sanificante do cloro é controlada pelo ácido hipocloroso. Estes compostos são resultante da reação da amônia com HClO.Logo. onde se incluem energia elétrica. sulfatos. hipoclorito de cálcio. b) Não existem técnicas analíticas suficientemente especificas ou sensíveis para o controle de seu residual de forma imediata e eficiente após aplicação. tem contribuído para o controle das doenças de origem hídrica. ao contrario da tricloroamina. sólidos dissolvidos. uma bomba de ar comprimido e um módulo de filtro que fica suspenso dentro do reservatório e inclui um difusor de ozônio destinado a gerar milhões de bolhas saturadas de ozônio. Com empecilhos aos uso mais intenso. d) a não existência de riscos à saúde humana em casos de doses excessivas e) não forma trihalometanos. Derivados clorados O uso de derivados clorados. Dessa forma. para gerar as bolhas saturadas de ozônio. Quando o ar comprimido é bombeado através da câmara UV. A dicloramina apresenta. citam-se: a) É um gás venenoso. A maior ação bactericida e explicada pela baixa constante de hidrólise da monocloramina formando pouca quantidade de HClO. o sistema completo permite a purificação. sendo que sua ação sanificante é associada somente à sua molécula. o resultado é conversão parcial do oxigênio do ar em ozônio. Dentro do gerador há uma lâmpada ultravioleta de alta intensidade que simula a produção de raios UV pelo sol. elas continuam a subir ao longo de 2m no reservatório.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 16 c) ação rápida sobre bactéria. Em 1939. os compostos clorados são mais efetivos em valores d pH baixos quando a presença de ácido HClO é dominante. principalmente no Brasil. na sanificação de pisos. que não apresenta odor nem cor perceptível. que é um produto da hidrólise da substância clorada. O uso do cloro contínuo só ocorreu a partir de 1902. aumentando a capacidade de efetuar seu trabalho. O processo de cloração nas estações de tratamento de água (ETA) . À medida que as bolhas sobem e saem da tubulação ascendente. isto é. Dessa forma. O dióxido de cloro é derivado clorado que não hidrolisa em solução aquosa. com o chamado refinamento da cloração. A monocloramina e a dicloroamina têm função bactericida. hipocloritos de sódio. O sistema é proposto consiste de um gerador de ozônio. o atrito das bolhas de ozônio arrastem através do filtro e da tubulação ascendente. determinação das formas de cloro combinado e livre e a cloração baseada em controles bacteriológicas. d) Os custos operacionais. A saída do gerador de ozônio é ligada diretamente ao difusor dentro do modulo de filtragem. ação três vezes maior que a monocloramina. a água exposta às pequenas bolhas de ozônio é filtrada. paredes e utensílios. denominados cloraminas. Estes se oxidam para bromatos e são considerados carcinogênicos e genotóxicos. sua utilização já era uma prática totalmente difundida. c) Não apresenta ação sanificante posterior. As indústrias de alimentos também rapidamente aderiram ao uso do cloro para melhorar a qualidade da água que utilizavam e. À medida que essas atravessam a tubulação ascendente do modulo de filtragem. cloretos e fluoretos. na Bélgica. em certos casos. como gás cloro.

Deve-se ressaltar ainda. tanto das técnicas de analise e monitoramento da água quanto dos estudos epidemiológicos. já que o derivado clorado será rapidamente consumido. É o processo utilizado em águas que contêm matéria orgânica na forma de fenóis. O ponto em que o cloro adicionado libera somente HClO e CLO. O cloro continua a ser adicionado até que os compostos cloro-nitrogenados também seja oxidados. pois alguns compostos químicos tóxicos. A evolução. A amônia-cloração corresponde à adição de amônia e do derivado clorado simultaneamente.5 vezes maior oxidante do que o gás cloro e de apresentar boa ação esporicida. formando as cloraminas. adicionando cloro até que a demanda seja satisfeita. principalmente na industria de alimentos. O cloro residual total é a soma das concentrações do cloro residual livre e do cloro residual combinado. pois estes compostos são os responsáveis por sabor e odor característicos dos derivados clorados. reage com menor intensidade com a matéria orgânica.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 17 Quando um derivado clorado é adicionado à água ocorre. logo após a captação da água do manancial. evidenciam essa limitação do atual sistema convencional de tratamento de água para abastecimento publico. que são responsáveis por odores e sabores. pois grande quantidade de matéria de matéria orgânica é retirada pelo processo de clarificação (sedimentação com agentes floculantes). que recebe o nome de demanda do cloro. em primeiro lugar. que ao fim de determinado tempo de contato o residual esteja entre 0. a amônia cloração e a cloração ao “break-point” ou “ponto de quebra”. O dióxido de cloro tem sido largamente pesquisado para a cloração da água. manuseio e de exigir capacidade técnica para sua utilização. pois além de originarem o cheiro irritante de cloro à água. tanto no aspecto organoléptico de sabor e odor. A principal causa é o desenvolvimento das algas verde-azuladas. Na pré-cloração a adição do derivado clorado faz-se antes de qualquer tratamento. o derivado clorado reage com a amônia. Já foram identificadas mais de 13 variedade de toxinas. que são denominadas de cloro residual combinado.2 mg/L. Possui maior estabilidade em soluções aquosas. Segundo a OMS as toxinas liberadas pelas algas nos mananciais de abastecimento publico podem chegar a casa do consumidor. a reação de oxidação da matéria orgânica. Se o conceito da cloração simples for mal aplicado em águas poluídas. O processo de desinfecção com a cloração ao “break-point” pode ser aplicado na pré-cloração. bem como na sua maior estabilidade. As algas comprometem a água. consomem o cloro residual livre. tem-se a presença do chamado cloro livre. Estas toxinas podem ser classificados como: . o cloro não apresentará efeito bactericida adequado. Eficiência do tratamento convencional A qualidade final da água tratada depende das características do manancial que a fornece. é denominado ponto de quebra ou “break-point”. Satisfeita a demanda. por apresentar vantagens quando comparado aos demais compostos clorados. evitando a formação dos chamados clorofenóis. (HClO e ClO) A presença da cloramina inorgânica deve ser sempre evitadas em águas para abastecimento publico. diminuindo a possibilidade de sabores e odores. Na pós-cloração o derivado clorado é aplicado após o processo de filtração. A escolha deste processo baseia-se no menor poder oxidante das cloraminas. que é considerado suficiente para garantia da qualidade microbiológica da água. Na cloração simples não existe a preocupação de satisfazer a demanda. ou seja. que é constituído do ácido hipocloroso e do íon hipoclorito.1 e 0. apesar de ser cerca de 2. Há basicamente três métodos de aplicação de cloro: a cloração simples. evitando contaminações no interior das canalizações. com a finalidade somente de desinfecção. dificilmente são removidos pelos tratamentos convencionais. simplesmente aplica-se o derivado clorado. hidrolisa compostos fenólicos. que a forma de cloração a ser utilizada para águas utilizadas no abastecimento publico é a cloração ao break-point. ou na pós-cloração. Já a cloração ao “break-point”ocorre sob condições controladas. reduzindo a demanda do cloro. O seu uso é restrito e de apresentar boa ação de estocagem. sempre procurando ter apenas o cloro residual livre. sejam de origem química ou biológicas. neste casos o consumo de cloro é menor. Após a formação das cloraminas. conseguindo manter um residual na rede de distribuição. como aspecto químico da presença de toxinas.

Considerando que o enquadramento dos corpos d'água deve estar baseado não necessariamente no seu estado atual.6-triclorofenol. O ideal para ingestão de flúor é de 0. bem como o equilíbrio ecológico aquático. Considerando que os custos do controle de poluição podem ser melhor adequados quando os níveis de qualidade exigidos. 2. que é responsável pelo desfiguramento do esmalte. sem risco de ocorrer a fluorose.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 18 a) Hepatoxinas. Os compostos mais utilizados no processo de fluoretação são: . arsêncio. Considerando a necessidade de se criar instrumentos para avaliar a evolução da qualidade das águas.U. de modo a assegurar seus usos preponderantes.351. de 5 de junho de 1984.56 mg/dia. inciso lX. 1. Alguns parâmetros físico-químicos e microbiológicos da Resolução 20 – CONAMA e portaria 36 Ministério da Saúde. Fluoretação Não é considerada tratamento e sim uma complementação do tratamento convencional. para um determinado corpo d'água ou seus diferentes trechos. mas nos níveis de qualidade que deveriam possuir para atender às necessidades da comunidade.O.3-dicloropropeno. de forma a facilitar a fixação e controle de metas visando atingir gradativamente os objetivos permanentes. que é o excesso da concentração do íon fluoreto na água. bromatos. causadoras de intoxicações agudas ou crônicas.2-dicloroetano. não devem ser afetados como conseqüência da deterioração da qualidade das águas. sem prejuízo de posterior aperfeiçoamento . para melhor distribuir os usos. de 1º de junho de 1983. Microcystis viridis. que afetam o sistema nervoso. São alcalóides. . Outra preocupação da OMS se relaciona com os subprodutos da desinfecção com derivados clorado. Considerando a necessidade de reformular a classificação existente. em relação aos níveis estabelecidos no enquadramento. produzidos principalmente pelas algas Anabaena flos-aquae e Oscillatoria formosa. do Decreto 88. b) Neurotoxinas.fluorsilicato de amônio que apresenta cristais brancos. de 30/07/86 O CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE . são considerados ideais para se alcançar um máximo de proteção contra as caries. de 18 de junho de 1986 Publicado no D. Considerando ser a classificação das águas doces. . que são os tratamento convencional. As principais fontes dessas toxinas são a algas Microcystis aeruginosas. nodularia spumigena e Cylindrospermopsis raciborskii. 1. e por espécies do gêneros Aphanizomenon e Cyindrospermum. . Como exemplo citamos. cuja toxina é alcalóide. contemplar as águas salinas e salobras e melhor especificar os parâmetros e limites associados aos níveis de qualidade requeridos. hexaclorobenzeno. cloreto de vinila.4. 7º.CONAMA. Os relatórios da OMS recomendam atenção para a presença de 14 compostos de características cancerígenas. estão de acordo com os usos que se pretende dar aos mesmos. salobras e salinas essencial à defesa de seus níveis de qualidade.2 mg/L. RESOLUÇÃO CONAMA Nº 20. no uso das atribuições que lhe confere o art.fluoreto de sódio sob a forma de pó e fluorsilicato de sódio.0 a 1. e o que estabelece a RESOLUÇÃO CONAMA Nº 003. avaliados por parâmetros e indicadores específicos.fluorita ou fluoreto de cálcio na forma de pó. Em geral de aminoácidos. Considerando que a saúde e o bem-estar humano. -ácido fluorsilicíco com um liquido altamente corrosivo. causando manchas nos dentes. Ressalta-se que níveis que variam entre 1.

águas destinadas: . b) à proteção das comunidades aquáticas. as águas doces.águas destinadas: a) ao abastecimento doméstico após tratamento simplificado. lV .águas destinadas: a) ao abastecimento doméstico. segundo seus usos preponderantes. d) à irrigação de hortaliças e plantas frutíferas.Classe Especial .Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 19 RESOLVE estabelecer a seguinte classificação das águas. em nove classes. b) à proteção das comunidades aquáticas. b) à irrigação de culturas arbóreas. e) à criação natural e/ou intensiva (aquicultura) de espécies destinadas á alimentação humana. c) à dessedentação de animais. 1º . cerealíferas e forrageiras. d) à irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas que se desenvolvam rentes ao Solo e que sejam ingeridas cruas sem remoção de película.Classe 5 . V . e) à criação natural e/ou intensiva (aquicultura) de espécies destinadas à alimentação humana.Classe 3 . natação e mergulho). salobras e salinas do Território Nacional: Art.águas destinadas: a) à navegação. esqui aquático e mergulho). salobras e salinas do Território Nacional : ÁGUAS DOCES 1 . c) aos usos menos exigentes.Classe 2 .Classe 4 .São classificadas. doces. ÁGUAS SALINAS VI . após tratamento convencional. ll .Classe 1 . c) à recreação de contato primário (natação. b) à preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas. b) à harmonia paisagística.águas destinadas: a) ao abastecimento doméstico sem prévia ou com simples desinfecção.águas destinadas: a) ao abastecimento doméstico. c) à recreação de contato primário (esqui aquático. lll . após tratamento convencional.

VII .águas destinadas: a) à navegação comercial. são estabelecidos os limites e/ou condições seguintes: COLIFORMES: para o uso de abastecimento sem prévia desinfecção os coliformes totais deverão estar ausentes em qualquer amostra.Saneamento básico/ 2007 a) à recreação de contato primário. g) ÁGUAS SALINAS: águas com salinidade igual ou superior a 30 %o. em termos dos usos possíveis com segurança adequada. a) CLASSIFICAÇÃO: qualificação das águas doces. b) à proteção das comunidades aquáticas. e 30 %o.Classe 8 . ÁGUAS SALOBRAS VIII . b) à harmonia paisagística.águas destinadas: a) à recreação de contato primário. 4º . c) CONDIÇÃO: qualificação do nível de qualidade apresentado por um segmento de corpo d'água. b) à harmonia paisagística. Art. b) à proteção das comunidades aquáticas.Classe 6 .Para as águas de Classe Especial. 2º . b) ENQUADRAMENTO: estabelecimento do nível de qualidade (classe) a ser alcançado e/ou mantido em um segmento de corpo d'água ao longo do tempo. salobras e salinas com base nos usos preponderantes (sistema de classes de qualidade). num determinado momento.5 %o. são estabelecidos os limites e/ou condições seguintes: . Art.Classe 7 . c) à recreação de contato secundário. c) à recreação de contato secundário Art. Técnico em Gestão Ambiental 20 c) à criação natural e/ou intensiva (aquicultura) de espécies destinadas à alimentação humana.50 %o. d) EFETIVAÇÃO DO ENQUADRAMENTO: conjunto de medidas necessárias para colocar e/ou manter a condição de um segmento de corpo d'água em correspondência com a sua classe. IX . e) ÁGUAS DOCES: águas com salinidade igual ou inferior a 0. c) à criação natural e/ou intensiva (aquicultura) de espécies destinadas à alimentação humana. f) ÁGUAS SALOBRAS: águas com salinidade igual ou inferior a 0.Para as águas de classe 1.águas destinadas: a) à navegação comercial. 3º .Para efeito desta resolução são adotadas as seguintes definições.

03 mg/l Pb 250 mg/l CI 0.000 coliformes totais por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês.0 mg/l Sn 0. 26 desta Resolução.0 mg/l Ba.0 a 9. não deverá ser excedido um limite de 200 coliformes fecais por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês. m) substâncias potencialmente prejudiciais (teores máximos) : Alumínio: Amônia não ionizável: Arsênio: Bário: Berílio: Boro: Benzeno : Benzo-a-pireno: Cádmio: Cianetos: Chumbo: Cloretos: Cloro Residual: Cobalto: Cobre: Cromo Trivalente: Cromo Hexavalente: 1. ressaltando-se a necessidade de inspeções sanitárias periódicas.01 mg/l 2. As águas utilizadas para a irrigação de hortaliças ou plantas frutíferas que se desenvolvam rentes ao Solo e que são consumidas cruas.0. Índice de Fenóis: Ferro solúvel: Fluoretos: Fosfato total: Lítio: Manganês: 0.01 mg/l 0. Para os demais usos.75 mg/l B 0. no caso de não haver na região meios disponíveis para o exame de coliformes fecais. j) cor: nível de cor natural do corpo de água em mg Pt/l l) pH: 6.1 mg/l Al 0.1 mg/l Mn .001 mg/l C6H5OH 0.025 mg/l P 2. sem remoção de casca ou película.01 mg/l Cl 0. c) substâncias que comuniquem gosto ou odor: virtualmente ausentes. o índice limite será de 1. h) OD.1 dicloroeteno : 1. não inferior a 6 mg/lO2. d) corantes artificiais: virtualmente ausentes.00001 mg/l 0. g) DBO5 dias a 20°C até 3 mg/l O2.3 mg/l Fe 1. inclusive espumas não naturais: virtualmente ausentes.01 mg/l CN 0.2 mg/l Co 0. 0.02 mg/l Cu 0.5 mg/l Cr 0.5 mg/l Li 0. f) coliformes: para o uso de recreação de contato primário deverá ser obedecido o Art.2 dicloroetano: Estanho.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 21 a) materiais flutuantes.4 mg/l F 0. em qualquer amostra. 0. b) óleos e graxas: virtualmente ausentes. não devem ser poluídas por excrementos humanos. i) Turbidez até 40 unidades nefelométrica de turbidez (UNT).05 mg/l As 1.001 mg/l Cd 0.02 mg/l NH3.1 mg/l Be 0. e) substâncias que formem depósitos objetáveis: virtualmente ausentes.0003 mg/l 0.05 mg/l Cr 0.

1 µg/l 0.005 µg/l 0.1 mg/l V 0.0 µg/l em Paration 4. sedimentação e filtração convencionais.TP: 2. são estabelecidos os mesmos limites ou condições da Classe 1.0 µg/l 10. 5º .000 coliformes totais por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês.04 µg/l 0.4 .01 µg/l 0.02 mg/l U 0. c) Cor: até 75 mg Pt/l . 4.4.Para as águas de Classe 2.04 µg/l 0. no caso de não haver.Saneamento básico/ 2007 Mercúrio: Níquel: Nitrato: Nitrito: Prata: Pentaclorofenol: Selênio: Sólidos dissolvidos totais: Substâncias tenso-ativas quereagem com o azul de metileno : Sulfatos: Sulfetos (como H2S não dissociado): Tetracloroeteno: Tricloroeteno: Tetracloreto de carbono: 2. meios disponíveis para o exame de coliformes fecais.01 mg/l 0.002 mg/l S 0. não deverá ser excedido uma limite de 1.004 µg/l 0.18 mg/l Zn 0.02 µg/l 0.025 mg/l Ni 10 mg/l N 1.03 mg/l 0. b) Coliformes: para uso de recreação de contato primário deverá ser obedecido o Art.005 µg/l 0. 26 desta Resolução.5 mg/l LAS 250 mg/l SO4 0. 6 triclorofenol: Urânio total: Vanádio: Zinco: Aldrin: Clordano: DDT.001 µg/l 0.01 µg/l 0.BHC) Metoxicloro: Dodecacloro + Nonacloro: Bifenilas Policloradas (PCB'S): Toxafeno: Demeton: Gution: Malation: Paration: Carbaril: Compostos organofosforados e carbamatos totais: 2.003 mg/l 0.0 µg/l 2.0 mg/l N 0. Para os demais usos.4.0002 mg/l Hg 0.002 µg/l 0.D: 2.T: 0. o índice limite será de até 5.01 µg/l 0.01 mg/l 0.03 µg/l 0.02 µg/l 10.01mg/l Ag 0.001 µg/l 0.0 µg/l Técnico em Gestão Ambiental 22 Art.01mg/l Se 500 mg/l 0. à exceção dos seguintes: a) não será permitida a presença de corantes artificiais que não sejam removíveis por processo de coagulação.01 mg/l 0.5 .5 .01 mg/l 0.1 µg/l 0.000 coliformes fecais por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês. Dieldrin: Endrin: Endossulfan: Epôxido de Heptacloro: Heptacloro: Lindano (gama.056 µg/l 0. na região.

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d) Turbidez: até 100 UNT; e) DBO5 dias a 20°C até 5 mg/l O2; f) OD, em qualquer amostra, não inferior a 5 mg/l O2.

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Art. 6º - Para as águas de Classe 3 são estabelecidos os limites ou condições seguintes: a) materiais flutuantes, inclusive espumas não naturais: virtualmente ausentes; b) óleos e graxas: virtualmente ausentes; c) substâncias que comuniquem gosto ou odor: virtualmente ausentes; d) não será permitida a presença de corantes artificiais que não sejam removíveis por processo de coagula ção, sedimentação e filtração convencionais; e) substâncias que formem depósitos objetáveis: virtualmente ausentes; f) número de coliformes fecais até 4.000 por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês; no caso de não haver, na região, meios disponíveis para o exame de coliformes fecais, índice limite será de até 20.000 coliformes totais por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês; g) DBO5 dias a 20°C até 10 mg/l O2; h) OD, em qualquer amostra, não inferior a 4 mg/I O2 1) Turbidez: até 100 UNT; j) Cor: até 75 mg Pt/l; l) pH: 6,0 a 9,0 m) Substâncias potencialmente prejudiciais (teores máximos) : Alumínio: Arsênio: Bário: Berílio: Boro: Benzeno: Benzo-a-pireno: Cádmio: Cianetos: Chumbo: Cloretos: Cobalto: Cobre: Cromo Trivalente: Cromo Hexavalente: 1,1 dicloroeteno: 1.2 dicloroetano: Estanho: Índice de Fenóis: Ferro solúvel: Fluoretos: 0,1 mg/l Al 0,05 mg/l As 1,0 mg/l Ba 0,1 mg/l Be 0,75 mg/l B 0,01 mg/l 0,00001 mg/l 0,01 mg/l Cd 0,2 mg/l CN 0,05 mg/l Pb 250 mg/l Cl 0,2 mg/l Co 0,5 mg/l Cu 0,5 mg/l Cr 0,05 mg/l Cr 0,0003 mg/l 0,01 mg/l 2,0 mg/l Sn 0,3 mg/l C6H5OH 5,0 mg/l Fe 1,4 mg/l F

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Fosfato total: Lítio: Manganês: Mercúrio: Níquel: Nitrato: Nitrito: Nitrogênio amoniacal: Prata: Pentaclorofenol: Selênio: Sólidos dissolvidos totais: Substâncias tenso-ativas que reagem com o azul de metileno: Sulfatos: Sulfatos (como H2S não dissociado): Tetracloroetano: Tricloroetano: Tetracloreto de Carbono: 2, 4, 6 triclorofenol: Urânio total: Vanádio: Zinco: Aldrin: Clordano: DDT: Dieldrin: Endrin: Endossulfan: Epóxido de Heptacloro: Heptacloro: Lindano (gama-BHC): Metoxicloro: Dodecacloro + Nonacloro: Bifenilas Policloradas (PCB'S): Toxafeno: Demeton: Gution: Malation: Paration: Carbaril: Compostos organofosforados e carbamatos totais em Paration: 2,4 - D: 2,4,5 - TP: 2,4,5 - T: 0,025 mg/l P 2,5 mg/l Li 0,5 mg/l Mn 0,002 mg/l Hg 0,025 mg/l Ni 10 mg/l N 1,0 mg/l N 1,0 mg/l N 0,05 mg/l Ag 0,01 mg/l 0,01mg/l Se 500 mg/l 0,5 mg/l LAS 250 mg/l SO4 0,3 mg/l S 0,01 mg/l 0,03 mg/l 0,003 mg/l 0,01 mg/l 0,02 mg/l U 0,1 mg/l V 5,0 mg/l Zn 0,03 µg/l 0,3 µg/l 1,0 µg/l 0,03 µg/l 0,2 µg/l 150 µg/l 0,1 µg/l 0,1 µg/l 3,0 µg/l 30,0 µg/l 0,001 µg/l 0,001 µg/l 5,0 µg/l 14,0 µg/l 0,005 µg/l 100,0 µg/l 35,0 µg/l 70,0 µg/l 100,0 µg/l 20,0 µg/l 10,0 µg/l 2,0 µg/l

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Art. 7º - Para as águas de Classe 4, são estabelecidos os limites ou condições seguintes: a) materiais flutuantes, inclusive espumas não naturais: virtualmente ausentes; b) odor e aspecto: não objetáveis; c) óleos e graxas: toleram-se iridicências;

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d) substâncias facilmente sedimentáveis que contribuam para o assoreamento de canais de navegação: virtualmente ausentes; e) índice de fenóis até 1,0 mg/l C6H5OH ; f) OD superior a 2,0 mg/l O2, em qualquer amostra; g) pH: 6 a 9. ÁGUAS SALINAS Art. 8º - Para as águas de Classe 5, são estabelecidos os limites ou condições seguintes: a) materiais flutuantes: virtualmente ausentes; b) óleos e graxas: virtualmente ausentes; c) substâncias que produzem odor e turbidez: virtualmente ausentes; d) corantes artificiais: virtualmente ausentes; e) substâncias que formem depósitos objetáveis: virtualmente ausentes; f) coliformes: para o uso de recreação de contato primário deverá ser obedecido o Art. 26 desta Resolução. Para o uso de criação natural e/ou intensiva de espécies destinadas à alimentação humana e que serão ingeridas cruas, não deverá ser excedida uma concentração média de 14 coliformes fecais por 100 mililitros, com não mais de 10% das amostras excedendo 43 coliformes fecais por 100 mililitros. Para os demais usos não deverá ser excedido um limite de 1,000 coliformes fecais por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês; no caso de não haver, na região, meios disponíveis para o exame de coliformes fecais, o índice limite será de até 5,000 coliformes totais por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês; g) DBO5 dias a 20°C até 5 mg/l O2 ; h) OD, em qualquer amostra, não inferior a 6 mg/l O2 ; i) pH: 6,5 à 8,5, não devendo haver uma mudança do pH natural maior do que 0,2 unidade; j) substâncias potencialmente prejudiciais (teores máximos) : Alumínio: Amônia não ionizável: Arsênio: Bário: Berílio: Boro: Cádmio: Chumbo: Cianetos: Cloro residual: Cobre: Cromo hexavalente: Estanho: Índice de fenóis: Ferro: Fluoretos: Manganês: 1,5 mg/l AI 0,4 mg/l NH3 0,05 mg/l As 1,0 mg/l Ba 1,5 mg/l Be 5,0 mg/l B 0,005 mg/l Cd 0,01 mg/l Pb 0,005 mg/l CN 0,01 mg/l Cl 0,05 mg/l Cu 0,05 mg/l Cr 2,0 mg/l Sn 0,001 mg/l C6H5OH 0,3 mg/l Fe 1,4 mg/l F 0,1 mg/l Mn

LAS 0.BHC): Dodecacloro + Nonadoro: Gution: Malation: Paration: Toxafeno: Compostos organofosforados e carbamatos totais: 2. virtualmente ausentes: b) óleos e graxas: toleram-se iridicências.000 coliformes fecais por 100 ml em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês.Para as águas de Classe 6.5 mg/l U 0.005 µg/l 10. 9º .4 . g) DBO5 dias a 20°C até 10 mg/l O2 h) OD.001 µg/l 0.04 µg/l 0.0 µg/l 10.001 µg/l 0. não inferior a 4 mg/l O2.5.0 µg/l 10.01 µg/l 0. não devendo haver uma mudança do pH natural maior do que 0. f) coliformes: não deverá ser excedido um limite de 4.1 mg/l Tl 0.T 0. .0 mg/ N 0.004 µg/l 0. em qualquer amostra.TP: 2.1 µg/l 0.0 µg/l Técnico em Gestão Ambiental 26 Art. c) substâncias que produzem odor e turbidez: virtualmente ausentes. i) pH: 6.Saneamento básico/ 2007 Mercúrio: Níquel: Nitrato: Nitrito: Prata: Selênio: Substâncias tensoativas que reagem com o azul de metileno: Sulfetos com H2S: Tálio: Urânio Total: Zinco: Aldrin: Clordano: DDT: Demeton: Dieldrin: Endossulfan: Endrin: Epóxido de Heptacloro: Heptacloro: Metoxicloro: Lindano (gama . 4.005 m/l Ag 0.01 mg/l Se 0.D: 2.000 coliformes totais por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês. d) corantes artificiais: virtualmente ausentes.0001 mg/l Hg 0.001 µg/l 0.0 mg/l N 1..2 unidades. 5 .5.004 µg/l 0.002 mg/l S 0. são estabelecidos os limites ou condições seguintes: a) materiais flutuantes. no caso de não haver na região meio disponível para o exame de coliformes fecais.5 mg/l .004 µg/l 0. 4.003 µg/l 0.001 µg/l 0. e) substâncias que formem depósitos objetáveis: virtualmente ausentes.034 µg/l 0.1 µg/l 0.003 µg/l 0.1 mg/l Ni 10. 5 .17 mg/l Zn 0. o índice limite será de 20.0 µg/l em Paration 10. a 8.03 µg/l 0.

1 µg/l 0.000 coliformes totais por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais.001 mg/l C6H5OH 1.001 µg/l 0.001 µg/l 0. 26 desta Resolução.05 mg/l Cr 0. BHC): Malation: Metoxicloro: Dodecacloro + Nonacloro: Paration: 0.Saneamento básico/ 2007 ÁGUAS SALOBRAS Técnico em Gestão Ambiental 27 Art.003 µg/l 0.4 mg/l NH3 0. meios disponíveis para o exame de coliformes fecais.005 mg/l Cd 0.005 mg/l CN 0. não inferior a 5 mg/l O2.4 mg/l F 0. Para o uso de criação natural e/ou intensiva de espécies destinadas à alimentação humana e que serão ingeridas cruas.001 µg/l 0. f) substâncias que produzem cor.003 µg/l 0. i) substâncias potencialmente prejudiciais (teores máximos) . no caso de não haver na região.Para as águas de Classe 7. para uso de recreação de contato primário deverá ser obedecido o Art.17 mg/l Zn 0. Para os demais usos não deverá ser excedido um limite de 1. 10 . b) OD. g) substâncias que formem depósitos objetáveis: virtualmente ausentes.01 µg/l 0.002 mg/l S 0. h) coliformes.5 d) óleos e graxas: virtualmente ausentes: e) materiais flutuantes: virtualmente ausentes.05 mg/l As 0.01 mg/l Pb 0.004 µg/l 0.000 coliformes fecais por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais.0001 mg/l Hg 0.5 a 8. odor e turbidez: virtualmente ausentes. colhidas em qualquer mês.001 µg/l 0. o índice limite será de até 5. c) pH: 6. são estabelecidos os limites ou condições seguintes: a) DBO5 dias a 20°C até 5 mg/l O2.004 µg/l 0. Amônia: Arsênio: Cádmio: Cianetos: Chumbo: Cobre: Cromo hexavalente: Índice de fenóis: Fluoretos: Mercúrio: Níquel: Sulfetos como H2S: Zinco: Aldrin: Clordano: DDT: Demeton: Dieldrin: Endrin: Endossulfan: Epóxido de heptacloro: Gution: Heptacloro: Lindano (gama .004 µg/l 0.04 µg/l . não deverá ser excedido uma concentração média de 14 coliformes fecais por 100 mililitros com não mais de 10% das amostras excedendo 43 coliformes fecais por 100 mililitros.034 µg/l 0. colhidas em qualquer mês.03 µg/l 0.1 mg/l Ni 0.1 µg/l 0.05 mg/l Cu 0. em qualquer amostra.

4.T: 2.10. odor e turbidez: virtualmente ausentes. Art. quantificá-los para cada caso. Art. reprodução ou fisiologia da vida. os sedimentos e/ou biota aquática deverão ser investigados quanto a presença eventual dessas substâncias.Para as águas de Classe 8.005 µg/l 10. quando necessário. = Q 7.As substâncias potencialmente prejudiciais a que se refere esta Resolução. meios disponíveis para o exame de coliformes recais. c) óleos e graxas: toleram-se iridicências. e) substâncias que produzem cor.000 coliformes totais por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês. d) materiais flutuantes: virtualmente ausentes. Considerando eventuais ações sinergéticas entre as mesmas. Art.10.Para os efeitos desta Resolução. Art. são estabelecidos os limites ou condições seguintes: a) pH: 5 a 9 b) OD. f) substâncias facilmente sedimentáveis que contribuam para o assoreamento de canais de navegação: virtualmente ausentes. § 2º .TP: 0. 14 . poderão ser elevados. consideram-se entes. o índice será de 20. 4. g) coliformes: não deverá ser excedido um limite de 4. previstos.0 µg/l em Paration 10. Nos casos onde a metodologia analítica disponível for insuficiente para quantificar as concentrações dessas substâncias nas águas.Considerando as limitações de ordem técnica para a quantificação dos níveis dessas substâncias. 17 . § 1º . os laboratórios dos organismos competentes deverão estruturar-se para atenderem às condições propostas. na região. 13 . não inferior a 3. tendo em vista as condições locais. nas condições críticas de vazão (Qcrit.Os limites de DBO.Os padrões de qualidade das águas estabelecidos nesta Resolução constituem-se em limites individuais para cada substância. caso o estudo da capacidade de autodepuração do corpo receptor demonstre que os teores mínimos de OD.0 µg/l 10.4 . . não serão desobedecidos em nenhum ponto do mesmo. Art. no caso de não haver. 5 .Saneamento básico/ 2007 Toxafeno: Compostos organofosforados e carbamatos totais: 2. 15 . estabelecidos para as Classes 2 e 3. onde Q 7. 12 . em qualquer amostra. 16 . deverão ser investigadas sempre que houver suspeita de sua presença. cabendo aos órgãos de controle ambiental.11 .000 coliformes fecais por 100 ml em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais colhidas em qualquer mês. desde que tais usos não prejudiquem a qualidade estabelecida para essas águas. é a média das mínimas de 7 (sete) dias consecutivos em 10 (dez) anos de recorrência de cada seção do corpo receptor).D: 2.Não será permitido o lançamento de poluentes nos mananciais sub-superficiais.0 mg/l O2. Art.0 µg/l Técnico em Gestão Ambiental 28 Art. estas ou outras não especificadas.Não há impedimento no aproveitamento de águas de melhor qualidade em usos menos exigentes.Os órgãos de controle ambiental poderão acrescentar outros parâmetros ou tornar mais restritivos os estabelecidos nesta Resolução.0 µg/l 10. não poderão conferir às águas características capazes de causarem efeitos letais ou alteração de comportamento. 5 .

g) os programas de acompanhamento da condição dos corpos de água seguirão normas e procedimentos a serem estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente . apresentar condição em desacordo com a sua classe (qualidade inferior à estabelecida. na data de enquadramento. porém. e) os corpos de água já enquadrados na legislação anterior. desde que. d) os órgão competentes definirão as condições especificas de qualidade dos corpos de água intermitentes. domésticas e industriais. 18 . f) enquanto não forem feitos os enquadramentos.CEEIBH e outras entidades públicas ou privadas interessadas. c) materiais sedimentáveis: até 1 ml/litro em teste de 1 hora em cone Imhoff. Para o lançamento em lagos e lagoas. e) óleos e graxas: . na data da publicação desta Resolução. Art.Nas águas de Classe Especial não serão tolerados lançamentos de águas residuárias. não venham a fazer com que os limites estabelecidos para as respectivas classes sejam ultrapassados.CONAMA. c ) o enquadramento das águas estaduais será efetuado pelo órgão estadual competente. substâncias potencialmente tóxicas.). ouvidos o Comitê Especial de Estudos Integrados de Bacias Hidrográfica. cuja velocidade de circulação seja praticamente nula. Art. 19 . obedecendo ao seguinte: a) o corpo de água que. Art. será objeto de providências com prazo determinado visando a sua recuperação. defensivos agrícolas.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 29 Art.5 vezes a vazão média do período de atividade diária do agente poluidor. os órgãos competentes enquadrarão as águas e estabelecerão programas de controle de poluição para a efetivação dos respectivos enquadramentos. direta ou indiretamente. Caso sejam utilizadas para o abastecimento doméstico deverão ser submetidas a uma inspeção sanitária preliminar.óleos vegetais e gorduras animais até 50 mg/l.Nas águas das Classes 1 a 8 serão tolerados lançamentos de desejos. f) ausência de materiais flutuantes. os materiais sedimentáveis deverão estar virtualmente ausentes. mesmo tratados. fertilizantes químicos e outros poluentes. d) regime de lançamento com vazão máxima de até 1.Os efluentes de qualquer fonte poluidora somente poderão ser lançados.Tendo em vista os usos fixados para as Classes. b) o enquadramento das águas federais na classificação será procedido pela SEMA. 21 desta Resolução. serão objetos de reestudo a fim de a ela se adaptarem. . 20 . além de atenderem ao disposto no Art. excetuados os parâmetros que excedam aos limites devido às condições naturais. aquelas enquadradas na legislação anterior permanecerão na mesma classe até o reenquadramento. as águas doces serão consideradas Classe 2. . lixo e outros resíduos sólidos.óleos minerais até 20 mg/l . b) temperatura : inferior a 40°C. as salinas Classe 5 e as salobras Classe 7. sendo que a elevação de temperatura do corpo receptor não deverá exceder a 3°C. ouvidas outras entidades públicas ou privadas interessadas. nos corpos de água desde que obedeçam às seguintes condições: a) pH entre 5 a 9. 21 .

0 mg/l Compostos organoclorados não listados acima 0.0 mg/l Sn Índice de fenóis: 0.0 mg/l Dicloroeteno: 1. no Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater APHA-AWWA-WPCF.0 mg/l F Manganês solúvel: 1. 23 . tais como água. o competente poderá autorizar lançamentos acima dos limites estabelecidos no Art.05 mg/l Se Sulfetos: 1.Na hipótese de fonte de poluição geradora de diferentes despejos ou emissões individualizadas.0 mg/l Zn Compostos organofosforados e carbonatos 1.05 mg/l (pesticidas.0 mg/l Mn Mercúrio: 0.Resguardados os padrões de qualidade do corpo receptor. se provierem de hospitais e outros estabelecimentos nos quais haja despejos infectados com microorganismos patogênicos. demonstrado por estudo de impacto ambiental realizado pela entidade responsável pela emissão. Parágrafo Único .Os métodos de coleta e análise« das águas devem ser os especificados nas normas aprovadas pelo Instituto Nacional de Metrologia.0 mg/l Cu Cromo hexavelente: 0. a critério do órgão competente.0 mg/l Tetracloreto de Carbono: 1. 21.1 mg/l Ag Selênio: 0. fixando o tipo de tratamento e as condições para esse lançamento.Não será permitida a diluição de efluentes industriais com aluas não poluídas.01 mg/l Hg Níquel: 2. água de mar e água de refrigeração. h) tratamento especial. Art. Normatização e Qualidade Industrial .5 mg/l C6H5OH Ferro solúvel: 15. última .0 mg/l B Cádmio: 0.5 mg/l As Bário: 5.0 mg/l N Arsênio total: 0.0 mg/l Tricloroeteno: 1. Parágrafo Único .Os efluentes não poderão conferir ao corpo receptor características em desacordo com o seu enquadramento nos termos desta Resolução.0 mg/l Cr Estanho: 4. etc): outras substâncias em concentrações que poderiam ser prejudiciais: de acordo com limites a serem fixados pelo CONAMA. 24 . 22 . Art.0 mg/l Ni Prata: 0. na ausência delas.0 mg/l Clorofórmio : 1. de abastecimento.0 mg/ Ba Boro: 5.Saneamento básico/ 2007 g) valores máximos admissíveis das seguintes substâncias: Técnico em Gestão Ambiental 30 Amônia: 5. os limites constantes desta regulamentação aplicar-se-ão a cada um deles ou ao conjunto após a mistura.5 mg/l Cr Cromo trivalente: 2.0 mg/l em Paration totais: Sulfeto de carbono: 1.0 mg/l S03 Zinco: 5. solventes.2 mg/l CN Chumbo: 0.5 mg/l Pb Cobre: 1.2 mg/l Cd Cianetos: 0.INMETRO ou.0 mg/l S Sulfito: 1. Art.0 mg/l Fe Fluoretos: 10.

000 coliformes totais por 100 mililitros. graxas e outras substâncias.5 . outros fatores que contra-indiquem. colhidas no mesmo local. d) IMPRÓPRIAS: Quando ocorrer. 6. houver. até que se cumpram as disposições desta Resolução. no máximo 1. condições de funcionamento e demais características para as quais foram aprovadas. qualquer uma das seguintes circunstâncias: 1.00 mililitros ou 1.000 coliformes recais por 100 mililitros ou 5. presença. recebimento regular.No acompanhamento da condição das praias ou balneários as categorias EXCELENTE. 25 . pH menor que 5 ou maior que 8. 500 coliformes fecais por 100 mililitros ou 2. 250 coliformes fecais por l. caso em que os avisos de interdição ou alerta deverão mencionar especificamente esse risco sanitário.500 coliformes totais por 100 mililitros. terão prazo de três (3) anos. 9. 3. nas águas doces. não enquadramento em nenhuma das categorias anteriores. de moluscos transmissores potenciais de esquistossomo. na água. possuírem instalações ou projetos de tratamento de seus despejos. b) MUITO BOAS (2 estrelas): Quando em 80% ou mais de um conjunto de amostras obtidas em cada uma das 5 semanas anteriores. BALNEABILIDADE Art. que atendam à legislação anteriormente em vigor.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 31 edição. prorrogáveis até cinco (5) anos. de esgotos por intermédio de valas. para se enquadrarem nas exigências desta Resolução. c) SATISFATÓRIAS (1 estrela): Quando em 80% ou mais de um conjunto de amostras obtidas em cada uma das 5 semanas anteriores. mesmo que seja de forma diluída. a critério das autoridades sanitárias. 27 . 26 . No entanto. a critério do Estadual Local. colhidas no mesmo local. . MUITO BOA e SATISFATÓRIA poderão ser reunidas numa única categoria denominada PRÓPRIA. Art. no trecho considerado. por terem ultrapassado os índices bacteriológicos nelas admitidos. temporariamente ou permanentemente. 16ª edição. MUITO BOA. 2. O índice de fenóis deverá ser determina do conforme o método 510 B do Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater. no máximo. de incidência relativamente elevada ou anormal de enfermidades transmissíveis por via hídrica. corpos d'água ou canalizações. 4. as citadas instalações de tratamento deverão ser mantidas em operação com a capacidade. SATISFATÔRIA e IMPRÓPRIA. houver.As águas doces. o exercício da recreação de contato primário. capazes de oferecer riscos à saúde ou tornar desagradável a recreação. salobras e salinas destinadas à balneabilidade (recreação de contato primário) serão enquadradas e terão sua condição avaliada nas categorias EXCELENTE. na data da publicação desta Resolução. inclusive galerias de águas pluviais. no máximo. sinais de poluição por esgotos. na região. sólidos ou líquidos. de 1985. 5. colhidas no mesmo local. ocorrência. ressalvado o disposto no Art. inclusive óleos. intermitente ou esporádico. presença de resíduos ou despejos. 8.As indústrias que. perceptíveis pelo olfato ou visão. presença. da seguinte forma: a) EXCELENTE (3 estrelas) : Quando em 80% ou mais de um conjunto de amostras obtidas em cada uma das 5 semanas anteriores.250 coliformes totais por 100 mililitros. Art. 12. houver. 7. de parasitas que afetem o homem ou a constatação da existência de seus hospedeiros intermediários infectados. aprovados por órgão integrante do Sistema Nacional do Meio Ambiente SISNAMA.

em qualquer dos seus níveis (Municipal. pela entidade responsável.À beira mar. através dos respectivos órgãos de controle ambiental. 40 . bem como seus planos de ação de emergência. pelo menos. apresentar falhas. 33 . sempre que houver uma afluência ou extravasamento de esgotos capaz de oferecer sério perigo em praias ou outros balneários.Se a deterioração da qualidade das praias ou balneários ficar caracterizada como decorrência da lavagem de vias públicas pelas águas da chuva.Os estaduais de controle ambiental manterão a Secretaria Especial do Meio Ambiente informada sobre os enquadramentos dos corpos de água que efetuarem. 39 . Art. em caráter supletivo. DISPOSIÇÕES GERAIS Art. Art. Art. se a identificação e contagem forem difíceis ou impossíveis. 30 . ainda que os corpos de água prejudicados não sejam de seu domínio ou jurisdição. que causam ou possam causar poluição das águas. realizada nas condições de maré que apresentem. revogadas as disposições em contrário. Art.Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação. Territórios e o Distrito Federal. 41 . 32 .Os exames de colimetria. de 31 de agosto de 1981. desde que cada um desses períodos seja especificado e tenham sido colhidas e examinadas. nos dias de maior afluência do público às praias ou balneários. de preferência.Na inexistência de entidade estadual encarregada do controle ambiental ou se. deverão exercer sua atividade orientadora. Art.A coleta de amostras será feita. se referir a períodos menores que 5 semanas. o trecho afetado deverá ser sinalizado. ao IBGE (SEPLAN) e ao DNAEE (MME).938. sob pena das sanções cabíveis. 37 . Art. . Art. costumeiramente. devem informar ao órgão de controle ambiental. a coleta de amostra para a determinação do número de coliformes fecais ou totais deve ser. 5 amostras durante o tempo mencionado. 38 . no local. 31 .Sem prejuízo do disposto no artigo anterior. fiscalizadora e punitiva das atividades potencialmente poluidoras instaladas em seu território. essa circunstância deverá ser mencionada no Boletim de condição das praias e balneários. Art. 34 . constatar que a má qualidade das águas de recreação primária justifica a medida. existindo. e sua regulamentação pelo Decreto nº 88. a Secretaria Especial do Meio Ambiente poderá agir diretamente. Art. Art. os equipamentos e dispositivos antipoluidores existentes. Estadual ou Federal). contagens bacteriológicas mais elevadas.O não cumprimento ao disposto nesta Resolução acarretará aos infratores as sanções previstas na Lei nº 6. ou como conseqüência de outra causa qualquer. serão feitos para a identificação e contagem de coliformes fecais. ficando o referido órgão obrigado a enviar cópia dessas informações ao IBAMA.351.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 32 Art. também. Art. 36 . sempre que possível. cabendo-lhes a fiscalização para o cumprimento da legislação. com bandeiras vermelhas constando a palavra POLUÍDA em cor negra.As praias e outros balneários deverão ser interditados se o órgão de controle ambiental.Os estabelecimentos industriais. o volume e o tipo de seus efluentes. omissões ou prejuízo sensíveis aos usos estabelecidos para as águas. de 01 de junho de 1983. previstos nesta Resolução. à STI (MIC). 35 .Os resultados dos exames poderão. sendo permitida a utilização de índices expressos em coliformes totais. 29 .Aos órgãos de controle ambiental compete a aplicação desta Resolução. Art. inclusive a interdição de atividades industriais poluidoras. bem como a aplicação das penalidades previstas. preferencialmente. bem como das normas e padrões complementares que estabelecerem.Os Estados. 28 .

podem ser utilizados os seguintes indicadores: . As vezes são ligeiramente alcalinas devido à presença de carbonatos e bicarbonatos. A alcalinidade representa a capacidade que um sistema aquoso tem de neutralizar (tamponar) ácidos a ele adicionados. ao realizarem fotossíntese. pois fornecem inúmeras informações a respeito da qualidade da água.+ OH. principalmente bicarbonatos. chegando a 9 ou até mais.4 = carbonatos e bicarbonatos 4. acima de 3. o íon bicarbonato age como se fosse um acido fraco na presença de uma base forte: HCO3. utilizando-se para isso um peagâmetro digital.3 a 9. Esta capacidade depende de alguns compostos. retiram muito gás carbônico.Indicador misto: constituído de vermelho de metila e de verde de bromocresol.4 apresenta coloração amarela e abaixo de 4. em função da reação química do íon bicarbonato com o íon hidróxido. ocorrendo a reação de neutralização. em pH menor que 8.Vermelho de metila: faixa de pH de atuação varia de 4. sendo assim reagente quimicamente com soluções ácidas. o indicador mais utilizado é a fenolftaleína. o pH reflete o tipo de solo por onde a água percorre. os quais denotam vários graus de acidez ou alcalinidade.1 apresenta coloração vermelha e abaixo de 3.2.Metilorange. A importância do conhecimento das concentrações deste íon permite a definição de dosagens de agentes floculantes.3 < pH < 9. Para determinação final da reação de neutralização iremos utilizar um indicador. enquanto valores de 7 a 14 indicam aumento da basicidade. Valores abaixo de 7 e próximos de zero indicam aumento de acidez.1 a 4.8. fornece informações sobre as características corrosivas ou incrustantes da água analisada. Naturalmente. ou seja.3 não apresenta coloração (incolor) enquanto acima de 8. acima de 4. .3 assume a cor rosa. . é o modo de expressar a concentração de íons de hidrogênio nessa solução. sua faixa pH de atuação é de 8. o pH pode subir muito. Geralmente um pH muito ácido ou muito alcalino está associado à presença de despejos industriais. As medidas de pH são de extrema utilidade.4 < pH < 8. Isso porque as algas.1 assume a cor laranja.6.e CO32-.Saneamento básico/ 2007 Deni Lineu Schwartz Presidente Técnico em Gestão Ambiental 33 pH e alcalinidade O termo pH (potencial hidrogeniônico) é usado universalmente para expressar o grau de acidez ou basicidade de uma solução. . A determinação do pH é feita através do método eletrométrico.------H2O + CO32- Para quantificação dos íons OH. As águas superficiais possuem um pH entre 4 e 9. solubilizados em álcool etílico ou isopropílico.4 = hidróxidos e carbonatos 8. A escala de pH é constituída de uma série de números variando de 0 a 14. Em lagoas com grande população de algas.4 = apenas bicarbonatos Não é possível a coexistência das três formas de alcalinidade numa mesma amostra. na análise de alcalinidade utilizaremos dois indicadores. cuja faixa de pH de atuação varia de 3.4 assume a cor vermelha. A alcalinidade é determinada através da titulação.4 a 6. carbonatos e hidróxidos. que passa da cor azul para a cor salmão. nesses casos. nos dias ensolarados. Na quantificação dos íons HCO3-. Todos os íon causadores da alcalinidade tem características básica. com pontos de viragem em função das diversas formas de alcalinidade. que é a principal fonte natural de acidez da água. pH > 9.

+ 2 CO2 Ressalta-se que a neutralização do carbonato não é completa passando primeiro a bicarbonato. para o sabor da água. à presença de íons OH-(hidroxila). RESULTADOS OH- ALCALINIDADES CO32- HCO3- . sendo necessário levar em conta este aspecto nos cálculos estequiométricos. Ao adicionarmos fenolftaleína à amostra. A alcalinidade da água natural é. tipicamente. para inativação do residual de cloro. A Alcalinidade não é normalmente encontrada em águas naturais. Alcalinidades. surgindo uma coloração rosa. podendo ser adicionada sob a forma de produtos cáusticos.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 34 A presença de cloro residual influencia na coloração dos indicadores. que adicionado quantitativamente à amostra neutralizara a alcalinidade presente. carbonato e bicarbonato. caso a amostra tome a coloração laranja ou avermelhada a alcalinidade ao metilorange é zero. É determinada por titulação com ácido forte em presença de alaranjado de metila. Se após a adição de fenolftaleína a amostra se mantiver incolor. irá ocorrer primeiro a reação com o íon mais básico e a seguir com os mais fracos. Na água potável. iremos testar a presença de alcalinidade ao metilorange (ou vermelho de metila). É geralmente composta por íons carbonato (CO32-) e bicarbonato (HCO3-). Ao se iniciar a adição de solução ácida. A alcalinidade à fenolftaleína será quantificada utilizando um ácido de concentração conhecida. ou de carbonato. mudando a cor de rosa para incolor. agindo como um estabilizador do valor de pH. uma combinação de íons bicarbonato (HCO3-). teremos: H2SO4 + 2 OH. íons carbonato (CO32-) e hidroxilas (OH-).-------H2SO4 + 2CO32. afirmamos que a alcalinidade à fenolftaleína é igual a zero. Estes são realizados através da determinação de pH. iremos avaliar a alcalinidade ao metilorange com o mesmo ácido utilizado na quantificação da alcalinidade à fenolftaleína. ou hidróxido/carbonato simultaneamente na amostra de água. Após o teste de alcalinidade a fenolftaleína. Alcalinidade (Alcalinidade Hidróxida OH) Alcalinidade de hidróxidos ou causticidade é uma componente da alcalinidade total devida. alcalinidade total). Com relação ao comportamento do carbonato podemos afirmar que metade da sua concentração será titulada com a fenolftaleína e a outra metade da sua concentração será titulada com o metilorange. Sendo a ordem de basicidade: hidróxido.------H2SO4 + 2 HCO3. exclusivamente. ph e Dureza afetam a toxicidade de várias substancias na água. também. Alcalinidade Total (Alcalinidade M) A alcalinidade da água é uma medida de sua capacidade em reagir com ácidos fortes para atingir determinado valor de pH. Quando se utiliza o metilorange. significa a possibilidade da presença de hidróxido. torna-se necessário a utilização de uma solução de uma solução de tiossulfato de sódio. Alcalinidade Parcial (Alcalinidade P) É determinada por titulação com ácido forte em presença de fenolftaleína (v. Os indicadores quando adicionamos à amostra apresentam colorações que indicam a presença ou não de um ou mais tipos de alcalinidade.----- 2 H2O + SO422 HCO3. Não se deve confundir Alcalinidade com a medida de íons H+ ou OHlivres. Se a amostra apresenta coloração amarela. a alcalinidade contribui.+ SO422 H2O + SO42.

MgCO3) que agregam à composição da água uma quantidade excessiva de íons Ca2+ e Mg2+. Os processos de remoção de dureza da água são muito dispendiosos e muito freqüentemente os sistemas de abastecimento distribuem água com teores superiores aos convencionais de potabilidade. • mancha louças. Os zeolitos têm a propriedade de trocar o sódio. tais como: diminuição da eficiência na geração do vapor e aumento da temperatura de película do metal. como o calcário (CaCO3) ou a dolomita (CaCO3. a água passa a ser classificada da seguinte maneira: água branda (com teores entre 0 e 40 mg/L). Essa água é imprópria para o abastecimento de equipamentos geradores de vapor. água muito dura (com teores entre 300 e 500 mg/L) e água extremamente dura (com teores acima de 500 mg/L). com ela. na forma de bicarbonatos (HCO3-). além da possibilidade de rompimento de tubos e explosões.Saneamento básico/ 2007 P=0 P<M/2 P=M/2 P>M/2 P=M Zero Zero Zero 2P – M M Zero 2P 2P=M 2(M . pela maior ou a menor facilidade que se tem de obter. de zeólitos ou o de osmose inversa. Em altas temperaturas cristalizam-se formando incrustações. individualmente. reduzindo a sua dureza. água dura (com teores entre 100 e 300 mg/L). Em situações específicas convém conhecer-se as durezas devidas ao cálcio e ao magnésio. Dependendo da concentração deles. água moderada (com teores entre 40 e 100 mg/L). Na prática do tratamento a dureza é um parâmetro de utilização limitada a certos métodos baseados em reações de precipitação como é o caso do tratamento com cal.P) Zero Técnico em Gestão Ambiental 35 M M . causando sérios danos às caldeiras. considerando-se sua tolerância pelo organismo humano e os custos finais de produção. A água dura tem uma série de inconvenientes: • é desagradável ao paladar. O termo água dura foi originado em razão da dificuldade de lavagem de roupas. com águas contendo elevada concentração de certos íons minerais.2P Zero Zero Zero ÁGUA DURA E ABRANDAMENTO ÁGUA DURA. Este é o caso do processo cal-soda de abrandamento de água no qual tem-se necessidade de conhecer a fração da dureza de magnésio para estimar a demanda de cal. • deposita sais em equipamentos e vasilhames empregados no cozimento de alimentos ou no aquecimento de água. Os principais processos de remoção de dureza da água são o da cal-solda. cloretos (Cl-) e sulfatos (SO42-). • gasta muito sabão para formar espuma e dificulta atividades de higiene. nitratos (NO3--). • dá lugar a depósitos perigosos nas caldeiras e aquecedores. As caldeiras indústrias requerem o uso de água com baixa dureza. pois o cálcio e magnésio possuem características naturais de se agregarem nas paredes das tubulações. quando não há mananciais alternativos. que entra na sua composição. o que resultaria em um produto mais caro para o consumidor. Domesticamente reconhece-se que uma água é mais dura ou menos dura. pelo cálcio ou magnésio dos sais presentes na água dura. Os íons são provenientes de depósitos subterrâneos. espuma de sabão. A tecnologia de osmose inversa . Esses íons reagem com sabões formando precipitados e evitam a formação de espuma.

para a produção de água de qualidade superior. com reduzido consumo de energia. enroladas em espiral. conseqüentemente. A osmose é um fenômeno natural físico-químico que ocorre quando duas soluções. pois a água abrandada ainda possui dureza-cálcio em torno de 30 ppm de CaCO3. _ Necessidade de ajustes finais. enquanto o carbonato de sódio pode fornecer a alcalinidade para a reação e também os íons carbonato necessários. descobertas em 1978. _ Produção de lodo. Estas membranas operam com baixa pressão e. Metodologia: O processo se dá por adição de cal (CaO) e carbonato de sódio (Na2CO3). as membranas de película fina compostas. ABRANDAMENTO O tratamento da água dura para a retirada de Ca2+ e Mg2+ é conhecido por abrandamento e pode ser realizado de duas maneiras: Precipitação química e troca iônica. A coluna de solução mais concentrada estará acima da coluna da solução mais diluída e esta diferença se denomina de pressão osmótica. O processo de osmose inversa consiste na aplicação mecânica de uma pressão superior à pressão osmótica do lado da solução mais concentrada. Desvantagens: _ Utilização de produtos químicos. Abrandamento por precipitação química. com diferentes concentrações. são colocadas em um mesmo recipiente separado por uma membrana semipermeável. até que se encontre o equilíbrio. Abrandamento por Troca catiônica: Metodologia: . _ Possibilita remover da água contaminantes tais como metais pesados e outros _ Tecnologia bem estabelecida. A cal é utilizada para elevar o pH da água fornecendo a alcalinidade necessária. onde ocorre naturalmente a passagem do solvente da solução mais diluída para a solução mais concentrada. disseminando-se seu uso na produção industrial a partir da década seguinte e popularizou-se a partir do início da década de 80 com a descoberta da segunda geração de membranas. Reações: Vantagens: _ Geralmente aplicado para águas com dureza elevada.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 36 teve origem na década de 60.

Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 37 Consiste em fazer a água atravessar uma resina catiônica que captura os íons Ca2+ e Mg2+. Esta saturação recebe o nome de ciclo. O gás sob pressão é forçado da câmara de combustão por meio de difusores imersos numa bacia de tratamento. 5. tais como o Na+. As resinas possuem limites para a troca iônica. das necessidades e da disponibilidade de recursos de cada empresa. CO2 + Ca(OH)2 → CaCO3 + H2O Ca(HCO3)2 + Ca(OH)2 → 2CaCO3 + H2O Mg(HCO3)2 + Ca(OH)2 → CaCO3 + 2H2O + MgCO3 MgCO3 + Ca(OH)2 → CaCO3 + Mg(OH)2 Mg(HCO3)2 + 2Ca(OH)2→ 2CaCO3 + Mg(OH)2 + 2H2O MgSO4 + Ca(OH)2 → Mg(OH)2 + CaSO4 CaSO4 + Na2CO3 → CaCO3 + Na2SO4 2NaHCO3 + Ca(OH)2 → CaCO3 +Na2CO3 + 2H2O . deve ser feita a regeneração da resina. Outros Processos de Abrandamento de água Abrandamento com cal e carbonato de sódio: O dióxido de carbono é um gás incolor usado para a recarbonatação . 7. 4. substituindo-os por íons que formarão compostos solúveis e não prejudiciais ao homem. _ Requer o tratamento do efluente da regeneração. _ As resinas podem ser regeneradas. no processo de estabilização da água abrandada com cal. que acontece com a adição de solução de Cloreto de Sódio (NaCl). exigindo a sua regeneração. 6. A escolha entre os processos depende das características da água a ser tratada. Vantagens: _ Alta eficiência para remoção dos íons responsáveis pela dureza. O gás é produzido pela queima de um combustível como o carvão. As reações seguem abaixo. Desvantagens: _ Requer um pré-tratamento da água. 3. _ Não há formação de lodo no processo. _ Ocorre saturação da resina. completado o ciclo. ficando saturadas de Ca2+ e Mg2+ . Vale ressaltar que a Kurita detém a tecnologia e comercializa resinas catiônicas para o abrandamento de água. As reações seguem abaixo. Para remoção de Ca2+ a dureza resultante atinge valores menores que 1mg/L de CaCO3. 2. óleo ou gás. As reações químicas no abrandamento por precipitação são: 1. o coque. 8. Após.

devido a formação de CO2 e este ser altamente corrosivo Este processo reduz a totalidade dos sólidos dissolvidos na água de alimentação para as caldeiras. Pode-se extrair o óxido de ferro impregnado na resina pela passagem no leito de solução de HCl a 5-10 %. A principal vantagem do abrandamento com cal é que os sólidos totais dissolvidos são drasticamente reduzidos. aplica se a passagem da solução regenerante (NaCl). além da dureza. a resina utilizada deverá ser uma catiônica de hidrogênio. a cal reage com o bicarbonato de cálcio presente(2). Neste caso. Uma vez efetuada a regeneração o leito de resinas é lavado em contra-corrente. CO2 + 2NaOH → Na2CO3 + H2O Ca(HCO3)2 + 2NaOH → CaCO3 + Na2CO3 + 2H2O Mg(HCO3)2 + 4NaOH → Mg(OH)2 + 2 Na2CO3 + 2H2O Abrandamento com cal a quente: É efetuado a temperaturas superiores à 100 ° C. Troca iônica: A troca iônica é uma reação química reversível através de substâncias polimericas insolúveis em água que tem uma alta capacidade de trocar íons dissolvidos na água. Em seguida. Abrandamento e dealcalinização: Neste processo. O processo de abrandamento a quente sempre é provido de sistema de filtração com carvão para a remoção dos flocos arrastados. com água desmineralizada para remover o excesso de NaCl. Águas para caldeiras deverão ser isentas de bicarbonatos de sódio. consiste em utiliza a soda caustica (NaOH) em lugar da barrilha(Na2CO3). Esta regeneração é efetuada com uma solução de NaCl a 10 %. . A recarbonatação da água tratada com CO2. com o CO2 livre. primeiramente. Um equivalente de cal combina com um equivalente de CO2 ou Ca(OH)2. Dois equivalentes de cal são necessários para remover um equivalente de bicarbonato de magnésio. produz estabilização da água (neutraliza o excesso de cal). Este tipo de abrandamento reduz a dureza total a níveis de 5ppm de CaCO3. Os limites práticos de abrandamento para o sistema cal-soda (precipitação) são cerca de 30 a 40 mg/l de CaCO3 e de 10 ml/g de Mg(OH)2. A dureza não-carbonato (sulfatos de Ca ou Mg ou cloretos) requer a adição de carbonatos de sódio(barrilha) para a precipitação. A cal é empregada conjuntamente com a barrilha. reduzindo a possível precipitação de carbonatos nas tubulações: Ca(OH)2 + CO2→ CaCO3 + H2O CaCO3 + CO2 + H2O → Ca(HCO3)2 Outra rota alternativa do processo cal/soda.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 38 A cal adicionada à água reage. é utilizado quando no processo existe necessidade de reposição de água para alimentação de caldeiras a vapor. O óxido de ferro proveniente das tubulações são grandes responsáveis por perda de capacidade de troca pelas resinas. formando um precipitado de CaCO3. é removida a alcalinidade contida nas águas representadas por carbonatos e bicarbonatos de sódio. Após isto.(1).

Quando se requer uma água com dureza zero ou próxima de zero existe a necessidade de um sistema de troca iônica. Resinas trocadoras de íons: As resinas trocadoras de íons utilizadas no tratamento de água são polímeros ou copolímeros orgânicos tais como fenóis. de caráter forte (ácido sulfônico) ou de caráter fraco (ácido carboxilico). Quando numa resina catiônica. A troca iônica no tratamento da água pode ser utilizada em vários níveis. A facilidade ou dificuldade para a troca de cátions pela reação de troca iônica é dada pela série de Hoffmeister a seguir.). elas poderão ser classificadas em resinas catiônicas e aniônicas. onde -H. Normalmente faz-se primeiramente um abrandamento com cal-soda para depois aplicar os leitos de resinas. Esta resina. tais como: remoção da dureza somente (abrandamento). R. consiste do cátion inorgânico relevante na troca.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 39 Dependendo do tipo de radical contido na resina. A troca iônica é um processo pratico e flexível no tratamento de águas para caldeiras de alta pressão. aldeídos. teremos uma resina catiônica sódica. Na fabricação das resinas são adicionados via reação química de grupos ácidos ou básicos. A capacidade da resina é brutalmente reduzida pela presença de cations monovalentes na água bruta. alem de remover a dureza representada pelos sais de Ca Mg. A maioria são sólidos granulares. Um exemplo clássico de resina trocadora de íons é a resina derivada do poliestireno: Nas posições meta o poliestireno. ou . até 120 C em meio acido. Quando a água bruta contiver teor de dureza baixa (30-50 ppm de CaCO3) é conveniente fazer uma clarificação convencional e.Na. possui alta capacidade de troca. Este grupo sulfonico se comporta como uma resina trocadora de hidrogênio. A resina de troca catiônica ao sódio. aplicar um leito de resina catiônica (abrandamento). Estes ions hidrogênio são capazes de reação de troca com outros cátions contidos na água. principalmente quando a dureza da água de processo(clarificada) for menor do que 100 ppm. Sendo. a matriz orgânica polimérica. até 95 °C. são compostas por uma matriz orgânica polimérica (R). com propriedades físicas e químicas adequadas(resistência à abrasão. resiste às mais diversas condições de pH. Mn e Al. pois pode ser comercializada na forma sódica e na forma hidrogenionica. pode-se obter resinas que trocam cátions e outras que trocam ânions. assim podemos expressar de modo geral uma reação de troca iônica com resinas catiônicas contendo o cátion Hidrogênio. depois. ela é denominada . possui hidrogênio que poderão ser substituídos por grupos derivados do ácido sulfonico. remove também os sais solúveis contendo Fe. é mais utilizada no circuito de desmineralização ou desionisação de águas. capacidade de troca. Resinas trocadoras de íons catiônicas: As resinas trocadoras de íons catiônicas (R-H. A afinidade geral de íons pela resina é dada pela série de Hoffmeisteir ou Schoeller: H+ > Rb+> Ba++ > Sr++>Ca++> Mg++ > K+>Na+>Li+. em meio alcalino e. o número de hidrogênio (cátions) ionizáveis contidos na resina trocadora. E perfeitamente adequada para abrandamento e desmineralização. etc. A resina catiônica do grupo do Hidrogênio (R-H2). Trocando-se o H pelo sódio. o cátion contido nela é o sódio(Na). remoção da dureza e alcalinidade e desmineralização. e n(H). Em solução aquosa. estirenos e derivados de vinil. ou R-Na). Desta forma.

lembrar a serie de Hoffmeister). ao findar-se o ciclo da resina. O efluente das resinas catiônica possui pH baixo. RNH3Cl + NaOH → RNH2 + NaCl +H2O. não removem ácidos fracos como o ácido silícico e ácido carbônico. a água passa pelo leito das aniônicas que são mais fracas tanto química quanto mecanicamente. A deionização também pode ser efetuada num único leito o qual seja composto de resinas catiônicas e aniônicas(leito misto). a adição de um álcali regenera a resina: 2. A medida do teor de sódio é um parâmetro importante para avaliar a capacidade do leito de resina catiônica (o sódio é monovalente. Para efeito de simplicidade representa-se a resina com a fórmula R-OH. Este processo também é denominado deionização. Resinas trocadoras de íons aniônicas: São resinas sintéticas do tipo fenol-formaldeido e do grupo poliestireno do qual foram tornadas aniônicas pela introdução na molécula polimérica de grupos amina básicos(aniônicos) Resinas fortemente básicas: reagem com ácidos de acordo com a reação: 1. R-Na2 + CaSO4 ⇔ R-Ca + Na2SO4 Para uma resina catiônica do grupo do hidrogênio. primeiro deixa-se a água passar pelo leito das catiônicas. primeiro faz passar a água pelo leito de resinas catiônicas. Por último. Numa desmineralização. para depois ir para o leito das aniônicas. o pH aumenta(diminui a acidez mineral livre). Pode ser efetuado fazendo-se passar a água através de leitos de resinas catiônicas do grupo do hidrogênio e leitos de resinas aniônicas. Assim se expressa a troca catiônica utilizando uma resina do grupo do sódio: Ex. pois são adequadas para remover ácidos fortes provenientes da coluna de resinas catiônicas durante esse processo. Desmineralização de águas: É o processo de remoção praticamente total dos íons presentes numa água. assim será a reação de troca: ⇔ 2R-H + Ca(HCO3)2 R2Ca + 2 H2O + 2CO2 As resinas de troca catiônicas R-Na. RNH2 + HCl → RNH3Cl. Estas resinas na presença de ácidos minerais fortes teriam o seguinte comportamento: R1NH3-OH + HCl → R1NH3Cl + H2O Estas resinas são muito utilizadas para desmineralizar águas que contenham determinadas concentrações de cloretos e sulfatos. . pois as catiônicas são mais resistentes tanto química quanto mecanicamente(abrasão).Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 40 resina catiônica do grupo do sódio (R-Na). Na eliminação da dureza de águas com tratamento por resinas catiônicas e aniônicas. sendo muito utilizada na remoção de dureza e desalcalininzação de águas. remove a dureza das águas mas conserva sua alcalinidade e as resinas R-H remove a dureza e cria uma certa acidez livre no seu efluente. pois estas são mais resistentes química e mecanicamente.

É um processo descontínuo com reações reversíveis. sulfetos e cloro.. Mg. o cálcio. No processo espontâneo de osmose como acontece nas células dos organismos vivos(parede celular das plantas). As membranas são do tipo de filmes finos e de triacetato de celulose(CTA). Fe. sílica. o magnésio. Existe basicamente dois tipos de resinas: resina catiônica e resina aniônica. A água de alimentação deverá ter baixo teor de sólidos. O carvão adsorve moléculas orgânicas. As membranas de filmes finos. Na. após passagem pelo leito de resinas catiônicas. O carvão também retira os peróxidos. A água a ser desmineralizada é forçada através de grandes pressões a entrar de um lado do cilindro espiralado contendo a camada de membrana e a ser permeada(coletada no outro extremo do cilindro). maior será a condutividade elétrica da água.). Normalmente a primeira etapa da troca. são mais sensíveis ao cloro do que as de CTA. Mn.. O processo industrial de osmose reversa. alcalinidade de bicarbonatos e carbonatos. O processo de osmose reversa utiliza-se de altas pressões para conseguir reverter o processo espontâneo da osmose. cloretos. utiliza-se de uma montagem especial no qual as membranas semipermeáveis ficam numa forma de espiral cilíndrica com o objetivo de aumentar a área disponível para a passagem dos íons.. a concentração de sais flui de uma região mais concentrada deste sal para outra região menos concentrada. A resina catiônica remove parte ou todos os cations da água(Ca. carbonatos. Até seis membranas podem ser conectadas em série. Poderemos recircular uma parte do rejeitem sistemas de passo múltiplo. os íons diretamente responsáveis pelos valores da condutividade são.5. que são partículas carregadas eletricamente.. o sódio. devendo ser previamente filtrada em filtro de carvão ativado para eliminar o material em suspensão e o cloro. Condutividade Elétrica A condutividade elétrica é a capacidade que a água possui de conduzir corrente elétrica. entre outros. permitindo uma taxa de captura de 84 %(rejeitando 16 %). Num leito de resinas também é importante evitar a presença de matéria orgânica e compostos clorados. A qualidade de uma água desmineralizada deverá ser feita pela medida do teor de sílica coloidal ou reativa.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 41 Águas ricas em bicarbonatos produzem muito CO2 livre. Unidade de osmose reversa. Isto ajuda a prevenção do entupimento da camada de membranas e também manter o sistema limpo. o potássio. Existe uma taxa de rejeição. estas substancias deterioram a capacidade das resinas principalmente das aniônicas. tendo uma recuperação em torno de 92 %. Nem toda água alimentada sai no permeado. .5-6. para prevenir o entupimento do cilindro contendo as membranas. cromatos. Para isso. Desmineralização por osmose reversa: A osmose reversa é um processo de desmineralização de águas através da utilização de membranas semipermeáveis. Fig. A água de alimentação de um sistema de osmose reversa deverá ter o pH ajustado para 5. Para se fazer isto precisaremos de bombas mais potentes. As resinas aniônicas removem parte ou todos os ânions da água (CO2. Quanto maior for a quantidade de íons dissolvidos. por isso é importante a instalação de desgaseificadores para a remoção de gases. sulfatos. para manter esta vazão alta. Pois a sílica é um dos ânions de maior dificuldade de ser trocado pela resina. antes do leito a água deverá passar por filtros de carvão ativado. ácido nítrico e cloro que poderiam danificar as membranas. Este parâmetro está relacionado com a presença de íons dissolvidos na água.). Em águas continentais.

A determinação da condutividade pode ser feita através do método eletrométrico. ou menos oxidados. Em geral. . Despejos orgânicos. Em águas cujos valores de pH se localizam nas faixas extremas (pH>9 ou pH< 5). utilizada para exprimir o valor da poluição produzida por matéria orgânica oxidável biologicamente. Por essa razão. tais como: compostos orgânicos quaternários. Os compostos de fósforo são um dos mais importantes fatores limitantes à vida dos organismos aquáticos e a sua economia. graças principalmente à presença de bactérias nitrificantes. realizado em poucas horas. utilizando-se para isso um condutivímetro digital. A condutividade elétrica da água pode variar de acordo com a temperatura e a concentração total de substâncias ionizadas dissolvidas. é de importância fundamental no controle ecológico das algas.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 42 carbonetos. especialmente esgotos domésticos. em geral. dentre os quais os mais freqüentes são o H+ e o OH-. quais os íons que estão presentes em determinada amostra de água. sulfatos e cloretos. além disso. em uma massa d’água. Compostos de Nitrogênio e Fósforo As águas naturais. O teste de Demanda Química de Oxigênio (DQO) baseia-se no fato de que todos os compostos orgânicos. Essa demanda pode ser suficientemente grande. bem como alguns tipos de despejos industriais. O parâmetro condutividade elétrica não determina. os valores de condutividade são devidos apenas às altas concentrações de poucos íons em solução. A vantagem é o tempo de teste. quando mantida a uma dada temperatura por um espaço de tempo convencionado. esgotos. amônia e nitritos. constituem um importante índice da presença de despejos orgânicos recentes. enquanto o teste de DBO requer no mínimo 5 dias (período de incubação). incluindo-se aí os organismos planctônicos (fito e zooplâncton). o material em suspensão é o material particulado não dissolvido. Demanda Biológica do Oxigênio (DBO) e Demanda Química do Oxigênio (DQO) A expressão Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO). a primeira determinada pelo teste de DBO. encontrado suspenso no corpo d’água. na oxidação biológica. o que condiciona a morte de todos os organismos aeróbios de respiração subaquática. Os valores para o material em suspensão podem ser obtidos através da filtragem da água com a utilização de filtros especiais e posterior análise espectrofotométrica. podem enriquecer as águas com esse elemento. Sua principal influência é na diminuição na transparência da água. corresponde à quantidade de oxigênio que é consumida pelos microorganismos do esgoto ou águas poluídas. Material em Suspensão Como o próprio nome já diz. especificamente. contém nitratos em solução e. impedindo a penetração da luz. uma vez que essas substâncias são oxidadas rapidamente na água. a presença destes denuncia a existência de poluição recente. podem ser oxidados pela ação de um agente oxidante forte em meio ácido. Uma das limitações entretanto é o fato de que o teste não diferencia matéria orgânica biodegradável e matéria orgânica não-biodegradável. mas pode contribuir para possíveis reconhecimentos de impactos ambientais que ocorram na bacia de drenagem ocasionados por lançamentos de resíduos industriais. podem conter quantidades variáveis de compostos mais complexos. com poucas exceções. principalmente tratando-se de águas que recebem esgotos. para consumir todo o oxigênio dissolvido da água. etc. mineração. composto por substâncias inorgânicas e orgânicas.

Especial cuidado deve ser tomado na anotação do pH em que foi realizada a medida. Para ser potável uma água não deve apresentar nenhuma cor de considerável intensidade. poucos miligramas por litro de alguns sais ( ferro e cobre por exemplo) é detectável. Em regiões vulcânicas ou de falhamentos profundos águas aquecidas podem aflorar na superfície dando origem às fontes termais. sua temperatura não é influenciada pelas mudanças da temperatura atmosférica. Da mesma forma a cor é influenciada por matérias sólidas em suspensão (turbidez). Odor e sabor Odor e sabor são duas sensações que se manifestam conjuntamente. isto é. Neste caso a cor obtida é referida como sendo aparente. é negra e. Uma unidade de cor corresponde àquela produzida por 1mg/L de platina. pois sua intensidade aumenta com o pH. é arroxeada. enquanto que várias centenas de miligramas de cloreto de sódio não é apercebida. Como o paladar humano tem sensibilidade distinta para os diversos sais. Para águas relativamente límpidas a determinação pode ser feita sem a preocupação com a turbidez.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 43 Propriedades Físicas Temperatura: As águas subterrâneas têm uma amplitude térmica pequena. o que torna difícil sua separação. Cloreto de sódio (NaCl) Sulfato de Sódio ( Na2 SO4) Bicarbonato de Sódio (Na H CO3) Carbonato de Sódio (Na2 CO3) Cloreto de Cálcio (Ca Cl2) Sulfato de Cálcio (Ca SO4) Salgado Ligeiramente salgado Ligeiramente salgado a doce Amargo e salgado Fortemente amargo Ligeiramente amargo . Quando rica em ferro. Segundo a OMS o índice máximo permitido deve ser 20mg Pt/L. No aqüífero Botucatu (Guarani) são comuns temperaturas de 40 a 50ºC em sua partes mais profundas. Algumas fontes termais podem exalar cheiro de ovo podre devido ao seu conteúdo de H2S (gás sulfídrico). e em grandes volumes. Da mesma maneira águas que percolam matérias orgânicas em decomposição (turfa por exemplo) podem apresentar H2S. Em geral as águas subterrâneas apresentam valores de cor inferiores a 5mg de platina. a água é azulada. é amarelada. Cor A cor de uma água é conseqüência de substâncias dissolvidas. Em profundidades maiores a temperatura da água é influenciada pelo grau geotérmico local ( em média 1ºC a cada 30 m). Em geral as águas subterrâneas são desprovidas de odor. Quando rica em manganês. que devem ser eliminadas antes da medida. na forma de íon cloroplatinado. Quando pura. A medida da cor de uma água é feita pela comparação com soluções conhecidas de platina-cobalto ou com discos de vidro corados calibrados com a solução de platina-cobalto. O odor e o sabor de uma água dependem dos sais e gases dissolvidos. Exceções são os aqüíferos freáticos pouco profundos. quando rica em ácidos húmicos.

matéria orgânica. Os valores são expressos em Unidade Nefelométrica de Turbidez (UNT). Composição Média da Crosta Continental SiO2 TiO2 Al2O3 Fe2O3 FeO 61.9 % 0. dois elementos que ocorrem com concentrações muito próximas na crosta continental (vide tabela) participam em quantidades sensivelmente diferentes nas águas subterrâneas. Em aqüíferos cársticos e fissurais as aberturas das fendas podem permitir a passagem das partículas mais finas (argila. Principais Constituintes Iônicos: As águas subterrâneas tendem a ser mais ricas em sais dissolvidos do que as águas superficiais. podem apresentar uma elevação de sua turbidez quando entram em contato com o oxigênio do ar. As águas subterrâneas em geral não possuem sólidos em suspensão e quando um poço está produzindo água com significativo teor de sólidos em suspensão é geralmente como conseqüência de mal dimensionamento do filtro ou do pré-filtro ou completação insuficiente do aqüífero ao redor do filtro. Como há sensíveis variações nas composições químicas das rochas. As águas subterrâneas normalmente não apresentam problemas devido ao excesso de turbidez. Quanto maior o espalhamento maior será a turbidez.6 % 3. silte) aumentando assim o conteúdo em sólidos em suspensão. etc. É necessário. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).8 % 15. comparando-se o espalhamento de um feixe de luz ao passar pela amostra com o espalhamento de um feixe de igual intensidade ao passar por uma suspensão padrão.9 % Bário (Ba) Estrôncio (Sr) Zircônio (Zr) Cobre (Cu) Escândio (Sc) 425mg/L 375mg/L 165mg/L 55mg/L 22mg/L . águas ricas em íons Fe. As quantidades presentes refletem não somente os substratos rochosos percolados mas variam também em função do comportamento geoquímico dos compostos químicos envolvidos. Desta forma o sódio e o potássio. frisar que o comportamento geoquímico dos compostos e elementos é o fator preponderante na sua distribuição nas águas.). argila. A cor da água interfere negativamente na medida da turbidez devido à sua propriedade de absorver luz . A turbidez é causada por matérias sólidas em suspensão (silte. colóides. contudo. picante É a medida da dificuldade de um feixe de luz atravessar uma certa quantidade de água. Em alguns casos.6 % 2. o limite máximo de turbidez em água potável deve ser 5 UNT. Sólidos em Suspensão: Corresponde à carga sólida em suspensão e que pode ser separada por simples filtração ou mesmo decantação. é de se esperar uma certa relação entre sua composição da água e das rochas preponderantes na área. A turbidez é medida através do turbidímetro.Saneamento básico/ 2007 Sulfato de Magnésio (Mg SO4) Cloreto de Magnésio (MgCl2) Gás Carbônico (CO2) Turbidez Técnico em Gestão Ambiental 44 Ligeiramente amargo em saturação Amargo e doce Adstringente.

A reação resultante é a seguinte: Ca CO3 + CO2 + H2O → Ca (CO3)2 H2 Toda variação de temperatura e de pressão que levam à modificação do CO2 dissolvido na água refletirá sobre seu conteúdo em Ca. O cálcio ocorre nas águas na forma de bicarbonato e sua solubilidade está em função da quantidade de gás carbônico dissolvido.0007 a 0. ora levam à sua precipitação. fogos de artifício.07mg/L 0.1 % 3. portanto. inibição no crescimento. arterosclerose. A quantidade de CO2 dissolvida depende da temperatura e da pressão. o que possibilita sua entrada na cadeia alimentar. entre outros. fatores que vão determinar a solubilidade do bicarbonato de cálcio.08mg/L 0. Pela resolução 20 do CONAMA. ou feldspatos ricos em Ba.001 mg/L.7 % 3.0 mg/L. podendo chegar ao homem. onde é empregado em lamas de perfuração. geralmente inferiores a 0. onde ocorre na forma de barita (BaSO4).1 % 2. Segundo a Resolução 20 do CONAMA. Cádmio (Ca) Normalmente está presente nas águas naturais em pequenas concentrações. em teores de 0.004mg/L O Bário é um elemento raro nas águas naturais.001mg/L. soldas. lubrificantes.O cálcio é o principal elemento responsável pela dureza de uma água. defensivos químicos.1 % 5. É um elemento muito tóxico acima deste teor. produção de pigmentos.9 % 0.5mg/L 2. calcita. podemos citar: Perfuração de poços. Sua ingestão provoca elevação da pressão sanguínea. equipamentos eletrônicos. por vasoconstrição e bloqueio do sistema nervoso. Sua ingestão provoca disfunção renal. . apatita. As principais fontes de cálcio são os plagioclásios cálcicos. pigmentos. É um metal de elevado potencial tóxico. de 10 a 100mg/L. No caso das águas subterrâneas estas variações ora levam à solubilização do carbonato de cálcio.9 mg/L.3 % Chumbo (Pb) Urânio (U) Mercúrio (Hg) Prata (Ag) Ouro (Au) Técnico em Gestão Ambiental 45 12. corrosão de tubos galvanizados e refinarias de minérios. acessórios fotográficos. é de 1. normalmente veios. hipertensão. que se acumula em organismos aquáticos.7mg/L 0. Entre as atividades humanas que introduzem bário no meio ambiente. baterias. vidros e defensivos agrícolas. As principais fontes naturais são: Intemperismo e erosão de depósitos naturais. que são. As principais fontes humanas de liberação de cádmio são: Combustíveis fósseis.Saneamento básico/ 2007 MnO MgO CaO Na2O K2O P2O5 Bário (Ba) 0. Cálcio (Ca+) O teor de cálcio nas águas subterrâneas varia. dolomita. O carbonato de cálcio é muito pouco solúvel em água pura. A incrustação de um filtro de poço por Ca CO3 é uma das conseqüências deste processo. de uma forma geral. doenças crônicas em idosos e câncer. o teor máximo permitido é 0. o limite permitido de Ba em águas de abastecimento.

o teor máximo permitido em águas de abastecimento público é 0. perda da concentração e diminuição da capacidade cognitiva. perda de memória. o grande compositor alemão. um efeito cumulativo nestes pacientes. na região do Vale do Rio Ribeira. inflamação gastrointestinal. o chumbo provoca retardamento físico e mental. algicidas. Cobre (Cu) O cobre é um elemento que ocorre. Os portadores da Doença de Wilson podem ser seriamente afetados pela presença de cobre na água. metalurgia. esta é uma das principais fontes de poluição por este elemento. hoje mais comum em trabalhadores que estão muito expostos à contaminação. antes de construir a represa. irritação e corrosão da mucosa. detectaram chumbo em níveis 60 vezes superiores ao comum. devido sua pequena solubilidade. da população e dos animais aquáticos. Cloretos (Cl-) O cloro está presente em teores inferiores a 100mg/L. foi detectada intoxicação. tintas. No Brasil. fundição. A poluição é proveniente de rejeitos da mineração de chumbo. Segundo a Resolução 20 do CONAMA. plásticos. Teores anômalos são indicadores de contaminação por água do mar. vômitos e diarréias. o teor máximo de chumbo na água de abastecimento deve ser 0.020 mg/L e nas águas subterrâneas é inferior a 1µg/L. Forma compostos muito solúveis e tende a se enriquecer . normalmente. ouro e prata. sabor metálico na boca. este teor tem substancialmente menor. junto com o sódio. a partir das zonas de recarga das águas subterrâneas. Análises realizadas em amostras de cabelo de Beethoven. irritabilidade. oriundo de antigos encanamentos de chumbo. Para os portadores da Doença de Wilson.Saneamento básico/ 2007 Chumbo (Pb) Técnico em Gestão Ambiental 46 Apesar de não ser um elemento comum nas águas naturais. e por aterros sanitários.5 mg/L. problemas hepáticos. As áreas onde estão os rejeitos foram adquiridas pela empresa CBA. bem menores que 0. Em países em que o chumbo tetraetila é adicionado à gasolina. No sul do Estado de São Paulo e norte do Estado do Paraná. irritação do sistema nervoso e depressão. porque eles não conseguem eliminar o cobre do organismo. provocando uma doença crônica chamada saturnismo. dor de cabeça. renais. em larga escala. Em crianças. A ingestão de altas doses pode acarretar. É um metal que tem efeito cumulativo no organismo. Alguns pesquisadores acreditam que uma intoxicação aguda por chumbo pode explicar muitas das dores que Beethoven sentia e do seu comportamento irritadiço e solitário. no homem.05 mg/L. Os efeitos da intoxicação por chumbo são: tontura. que ali pretende construir uma barragem. pois. em baixas concentrações na água subterrânea. o chumbo tem sido responsável por sérios problemas de intoxicação. . Segundo a Resolução 20 do CONAMA. tais como: encanamentos e soldas. Nas águas superficiais são. seu uso na gasolina foi substituído por álcool etílico. que tem. As atividades humanas responsáveis pela introdução de cobre na água são: corrosão de tubos de cobre e de latão por águas ácidas. galvanoplastia e refino. Em adultos são comuns problemas nos rins e aumento da pressão arterial. A intoxicação aguda caracteriza-se pela sede intensa. Recentemente a imprensa noticiou a presença de chumbo na água de abastecimento do bairro de Copacabana. devido ao fato de que é introduzido facilmente no meio ambiente a partir de uma série de processos e produtos humanos. O problema de saúde pública na região já se configura como sério e poderá piorar se a CBA não tomar as medidas necessárias. em geral. pigmentos. fungicidas usados na preservação da madeira e indústria de mineração. que ali existiu até 1996. No passado a taxa de intoxicação era muito elevada devido ao uso de canecas e vasilhames de chumbo.

tingindo fortemente a água.1 a 2.3mg/L.0mg/L). apatita. e diminuindo o consumo de sabão. biotita. evitando as indesejáveis incrustações. assim como o manganês. fabricação do alumínio. os padrões de potabilidade exigem que uma água de abastecimento público não ultrapasse os 0. ao saírem do poço são incolores. Águas ferruginosas são aeradas antes da filtração para eliminar o ferro. passa a ser prejudicial. Este uso está em declínio devido a restrições legais. Estas atividades são responsáveis pela sua introdução no ciclo hidrológico pelo lançamento na atmosfera ou em corpos hídricos superficiais. O flúor liberado pelo intemperismo destes minerais passa para as soluções aquosas supergênicas na forma do íon fluoreto. de louças e esmaltados. Suas fontes são minerais escuros (máficos) portadores de Fe: magnetita. A fluorose se caracteriza pelo escurecimento dos dentes e a perda de resistência dos dentes e ossos. Em virtude de afinidades geoquímicas quase sempre é acompanhado pelo Manganês. promovendo o endurecimento da matriz mineral dos dentes e esqueleto e tem se mostrado como o agente químico mais eficiente na prevenção da cárie dentária. Estas substâncias complexantes são também usadas para evitar a precipitação de sais de Ca e Mg em águas duras. O uso de substâncias orgânicas emulsificantes e polifosfatos nos processos de perfuração e desenvolvimento dos poços criam condições para que as ferro-bactérias. topázio e mica. é benéfico à saúde humana.3mg/L. naturalmente ocorrente nos aqüíferos. Em ambientes oxidantes o Fe²+ passa a Fe³+ dando origem ao hidróxido férrico. Os . piroxênios. teflon. azulejos. Na forma de clorofluorcarbono (CFC) o flúor foi amplamente utilizado como propelente de aerossóis. turmalina. Fe. podendo também ser complexado tanto com o Fe como com o Al na forma de fosfatos. fazendo-se necessário uma boa limpeza no processo de complexação do poço. Desta forma. à base de fosfato. e ainda adiciona mais produto químico (fosfatos) à mesma. O inconveniente deste processo é que ele não elimina o ferro e o manganês presentes na água. o que lhes confere uma aparência nada agradável. A precipitação de ferro presente nas águas é a principal responsável pela perda da capacidade específica de poços profundos. Como produto da ação humana o flúor é originado de atividades industriais: siderurgia. Outra forma de evitar os inconvenientes da precipitação de sais deste elemento químico é usar substâncias complexantes. que é insolúvel e se precipita. acima de certos teores. pois o CFC agride e destrói a camada de ozônio que circunda a Terra. mas ao entrarem em contato com o oxigênio do ar ficam amarelada. Diversamente de outros halogênios ele pode formar complexos estáveis com elementos como Al. causando fluorose dental e esquelética. entre outras. Flúor (F-) O flúor é um elemento que ocorre naturalmente e em pequenas quantidades nas águas naturais (0. Contudo. roupas. fundições. Apesar do organismo humano necessitar de até 19mg de ferro por dia. e desta forma mantendo-as permanentemente em solução. em pequenas quantidades. Desta forma no ciclo geoquímico o flúor pode ser removido das águas pela coprecitação com óxidos secundários de Fe. principalmente hidróxidos.Saneamento básico/ 2007 Observação: No capítulo "FAQ" há mais sobre Doença de Wilson. águas com alto conteúdo de Fe. principalmente em crianças. O ferro. O ferro no estado ferroso (Fe²+) forma compostos solúveis. manchando-as. vidro. que encapsulam as moléculas dos sais de Fe e Mn. pirita. de alta mobilidade. Ferro (Fe-) Técnico em Gestão Ambiental 47 É um elemento persistentemente presente em quase todas as águas subterrâneas em teores abaixo de 0. É produto do intemperismo de minerais no qual é elemento principal ou secundário: fluorita. daí sua adição nos sistemas de abastecimentos públicos de água ser uma prática muito difundida. não oxidáveis nem através de forte cloração. flúor-apatita. ao se oxidarem se precipitam sobre as louças sanitárias. É sabido que o flúor. Estas incrustações são produtos da atividade das ferro-bactérias. anfibólios. formando compostos estáveis. tanto em seres humanos como em animais. Este limite é estabelecido em função de problemas estéticos relacionados à presença do ferro na água e do sabor ruim que o ferro lhe confere. proliferem com mais facilidade. B e Ca.

nitrato e amônia. que são substâncias carcinógenas. a relação Mg/Ca é um elemento caracterizador da contaminação por água marinha. dando origem a precipitados negros. Crianças com menos de três meses de idade possuem. que se oxida em presença do ar. Diferentemente do cálcio. Níquel (Ni) O teor de níquel nas águas está ao redor de o. por isso seu teor nas águas subterrâneas é significativamente menor do que aquele. Estes minerais são mais estáveis diante do intemperismo químico. bem acima do teor de cálcio (cerca de 480mg/L). forma sais mais solúveis.2mg/L. A deficiência em oxigênio leva a danos . Nitrogênio inorgânico pode existir no estado livre como gás. Os minerais mais comuns fornecedores de magnésio para as águas subterrâneas são: biotita. Nitrato (NO3. altas doses levam à intoxicação. Pequeno teor de nitrito e amônia é sinal de poluição orgânica recente.2mg/L. o teor máximo permitido em águas de abastecimento é 0. o mineral dolomita é um importante fornecedor de Mg. anfibólios e piroxênios. segundo as médias de temperaturas anuais (18 ° C=1. Nos países tropicais. Segundo a Organização Mundial da Saúde o teor de flúor estabelecido como ótimo na água potável varia entre 0. O nitrogênio é continuamente reciclado pelas plantas e animais. As principais fontes antropomórficas de níquel são: queima de combustíveis fósseis. pois são rapidamente convertidos a nitrato pelas bactérias. é o principal responsável pela dureza das águas.0 mg/L podem ser encontradas em áreas de mineração. Pode causar dermatites em pessoas sensíveis. Concentrações superiores a 11. Em região de rochas carbonáticas.9mg/L. 27 ° C=07mg/L).7 a 1. Nas águas subterrâneas ocorre com teores entre 1 e 40mg/L. acompanha este elemento. No ser humano. No sistema digestivo o nitrato é transformado em nitrosaminas. contudo. uma água não deve ter mais do que 10mg/L de NO3-.1 mg/L. galvanoplastia. impedindoas de transportarem oxigênio para as células do organismo. Nitritos e amônia são ausentes. o nitrogênio e seus compostos não são encontrados nas rochas da crosta terrestre. afetando nervos. do que os minerais fornecedores de cálcio. Magnésio (Mg²+) O magnésio é um elemento cujo comportamento geoquímico é muito parecido com o do cálcio e. bactérias que reduzem o nitrato a nitrito. Como um componente essencial das proteínas ele é encontrado nas células de todos os organismos vivos. depois do cálcio. 19-26 ° C=0. coração e sistema respiratório. em linhas gerais.025 mg/L. Ocorre em teores abaixo de 0. nitrito. em seu aparelho digestivo. Segundo o padrão de potabilidade da OMS.) O nitrogênio perfaz cerca de 80 por cento do ar que respiramos. fundição e ligas. Nas águas subterrâneas os nitratos ocorrem em teores em geral abaixo de 5mg/L. Manganês (Mn+) É um elemento que acompanha o ferro em virtude de seu comportamento geoquímico. Este se liga muito fortemente a moléculas de hemoglobina. onde a ingestão diária de água é maior.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 48 teores máximos permitidos são estabelecidos em função da idade do consumidor e da quantidade de água ingerida diariamente. quase sempre como óxido de manganês bivalente. Segundo a Resolução 20 do CONAMA. O magnésio. Em águas subterrâneas de regiões litorâneas. admite-se que se deva ser mais rigoroso no controle de flúor nas águas de abastecimento público. Na água do mar o magnésio ocorre em teores de cerca 1400 mg/L.2mg/L. Com exceção de algumas ocorrências como sais evaporíticos.

Conseqüentemente. a presença de sódio na água poderá estar relacionada à intrusão da água do mar. Infelizmente (para os aquariofilistas). é mais barata e fácil de usar.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 49 neurológicos permanentes. sendo mais freqüente valores entre 1 e 5mg/L. pois é facilmente fixado pelas argilas e intensivamente consumido pelos vegetais. Nas águas subterrâneas o teor de sódio varia entre 0. S. Potássio (K+) O potássio é um elemento químico abundante na crosta terrestre. Outro problema potencial tem a ver com as variações nas propriedades químicas do fornecimento de água ao longo do tempo (e. Se essa água tiver propriedades químicas diferentes (e. Nas águas subterrâneas seu teor médio é inferior a 10mg/L. em todo território norte-americano. pouco resistentes aos intemperismo físico e químico. as companhias da água adicionam químicos à água de modo a torná-la segura para beber (e. principalmente os químicos. não se tem idéia da extensão do problema. dificuldade de respiração (falta de ar) e em casos mais sérios à morte por asfixia. Em aqüíferos litorâneos.g. Em conseqüência. Cloro . No Brasil. aqui o problema está mais associado a poços poluídos por esgotos domésticos do que ao uso intensivo de fertilizante. dureza).g. o valor máximo recomendável de sódio na água potável é 200mg/L Água Canalizada Muitas pessoas usam água da torneira no aquário.. Em geral o cloro e a cloramina são os dois aditivos que causam maiores problemas. Seus principais minerais fonte (feldspatos plagioclásios) são pouco resistentes aos processos intempéricos. altos níveis de bactérias são um problema maior no Verão do que no Inverno. sendo que há um enriquecimento gradativo deste metal a partir das zonas de recarga. constatou que cerca de 75 000 crianças com menos de dez meses de idade estavam expostas ao consumo de água com mais de 10 mg/L de nitrato. mas ocorre em pequena quantidade nas águas subterrâneas. A quantidade de sódio presente na água é um elemento limitante de seu uso na agricultura.. não é invulgar as companhias usarem mais cloro nos meses de Verão para manter as bactérias sob controlo. Algumas zonas não têm água suficiente. Pesquisa realizada pela USEPA ( U. Sódio (Na+) O sódio é um elemento químico quase sempre presente nas águas subterrâneas. cloramina para matar as bactérias). Até mesmo os fatores como o tempo local podem ter impacto.g. cloro. a química da água da torneira vai também variar. a água da torneira tem de ser especialmente tratada antes de ser utilizada com segurança em aquários de peixes. matando as bactérias redutoras de nitrato. Mais recentemente. Os sais formados nestes processos são muito solúveis. Como exemplo comum. preocupações acerca da água em velhos tubos de chumbo provocou que se começasse a adicionar químicos que aumentam o pH à água (porque o chumbo dissolve-se menos em água alcalina). vendo-se assim obrigadas a comprar água a zonas vizinhas em tempo de escassez. Aparentemente. mês a mês). Seus principais minerais fontes são: feldspato potássico. fortes chuvas podem ter como causa uma baixa na dureza do seu fornecimento de água à medida que os reservatórios locais se enchem. mica moscovita e biotita. especialmente em climas quentes. Segundo a OMS. Environmental Protection Agency) no decorrer do ano de 1992. Aos seis meses de idade a concentração de ácido hidroclórico aumenta no estômago. Note que estas duas substâncias são MUITO DIFERENTES! Assegure-se que sabe o que existe na água da sua torneira e trate-a de forma correta.1 e 100mg/L.

3 ppm matarão a maioria dos peixes bastante depressa. A cloramina coloca duas significativas dores de cabeça aos aquariofilistas. deixando o problema maior: a mortal amônia. Uma das principais razões para efetuar mudanças parciais de água regulares prende-se com a remoção de nitratos que se acumulam. Muitos outros tratamentos são muito mais caros a longo prazo. Conseqüentemente. quanto cloro é inicialmente adicionado. muitas companhias mudaram do cloro para a cloramina.003 ppm. Felizmente o cloro pode ser facilmente removido da água através do químico tiossulfato de sódio. o tempo que demora a fazê-lo pode ser superior à capacidade de resistência dos peixes.2 ppm de cloro para serem mantidas sob controlo). você terá provavelmente uma concentração muito superior no aquário. Embora o filtro biológico do aquário converta (eventualmente) a amônia em nitratos. O tiossulfato de sódio neutraliza o cloro instantaneamente. Cloramina Um dos problemas ao usar cloro para tratar a agua é que este se decompõe muito rapidamente. O segundo problema está relacionado com as mudanças de água parciais. Leia os rótulos cuidadosamente. os únicos produtos neutralizadores de cloro. a concentração de cloro que surge em sua casa é menor do que a que é colocada na origem. que neutralizam ambos os compostos. A cloramina é um composto que contém cloro e amônia. a amônia e o cloro. as orientações exigem que a água da rede em qualquer torneira contenha uma concentração mínima de cloro de 0. Concentrações tão baixas como 0. isso não significa que o cloro não esteja a afetar os peixes. uma família de cancerígenos. tiossulfato de sódio é tudo o que precisa. está a colocar o azoto novamente no aquário e é impossível reduzir os nitratos abaixo da concentração da torneira. escapando-se para a atmosfera por si próprio. é muito mais estável do que o cloro. Muitas pessoas na net dizem que não fazem qualquer tratamento à água da torneira sempre que efetuam mudanças parciais de água. as concentrações da água da torneira são relativamente baixas (1 ou 2 ppm). A cloramina pode ser neutralizada com segurança através de produtos como Amquel. Dado que os removedores de cloro são tão baratos a segurança que fornecem não deve ser desprezada. Tenha em atenção que. podem requerer um colher de chá (ou mais) por cada 4 litros! O cloro é relativamente instável na água.g. Assim a concentração exata na torneira depende da distância do abastecimento. Se a sua água contém apenas cloro (ao contrário da cloramina). O tratamento com um custo mais eficiente consiste numa gota por cada 4 litros de água. na associação com certas matérias orgânicas. Primeiro. O cloro em altas concentrações é fatal para os peixes. quanto tempo demora a chegar do abastecimento a sua casa. trialometanos. mais outras substâncias que podem ou não ser úteis. A água num balde (ou aquário) com adequada circulação (e. Outra preocupação com o uso de cloro é que podem surgir. Inevitavelmente. só neutralizam a parte de cloro. Note que existem muitos produtos de "tratamento de água" publicitados como "torna a água da torneira segura". embora os peixes não exibam APARENTEMENTE sinais de doença. todos os que neutralizam o cloro contém tiossulfato de sódio. Se a água de substituição contém amônia. em baixas concentrações perturba os peixes danificando-lhes as guelras. que depende de muitos outros fatores (incluindo a percentagem de água adicionada). disponível em lojas de peixes nas mais variadas marcas. O nível de perturbação depende do nível de cloro introduzido no aquário. Dado que o cloro se decompõe com o tempo. Felizmente. . das moléculas de cloramina. do tipo tiossulfato de sódio.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 50 Nos EUA. Para prevenir perturbações as concentrações máximas admissíveis são da ordem de 0. reduzindo assim a concentração de bactérias (estas podem exigir mais do que 0.2-0. As conseqüências podem ser devastadoras para os peixes. filtro ou pedra difusora) ficará sem cloro ao fim de 24 horas ou menos.2ppm. A amônia neutralizada ainda será convertida para nitritos e nitratos via filtro biológico.

Por lei. a água de poços é freqüentemente muito mais dura do que a água disponível através de serviços locais.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 51 Outro método de neutralizar o cloramina é envelhecer a água à medida que se faz filtragem biológica. uma benfeitoria complementar às moradias . Alternativamente. a amônia pode ser removida filtrando a água através de zeolite ou carvão ativado antes de a adicionar ao seu aquário. Um dos problemas ao usar água de poços é que freqüentemente contém altas concentrações de gases dissolvidos (que podem ser perigosos para os peixes). Em alternativa. Por exemplo. Por uma questão de segurança. retém a parte sólida e inicia o processo biológico de purificação da parte líquida (efluente). Note: é necessário juntar tiossulfato de sódio para neutralizar o cloro. Água do Poço Pode ser que tenha acesso à água de poço ou furo em vez de água da rede municipal. o que baixa o seu pH. peça-lhe para lhe mandarem uma cópia do relatório periódico que fornecem à EPA. Peça para falar com o "químico da água". Se tiver experiências concretas (positivas ou negativas). pois evitam o lançamento dos dejetos humanos diretamente em rios. O seu uso é essencial para a melhoria das condições de higiene das populações rurais. nitratos. Por exemplo. Consulte a secção algas desta FAQ para mais detalhes. São fundamentais no combate à doenças. Uma vez o CO2 libertado. o relatório está disponível para inspeção publica. após o que pode ser adicionada ao seu aquário com segurança. verminoses e endemias (como a cólera. Outras impurezas da água a que deve estar atento Além dos aditivos descritos acima (cloro e cloramina). Altos níveis de ferro (1ppm ou mais) também têm sido ligados à ameaça das algas. a água canalizada pode conter outros elementos que o aquariofilista precisará de conhecer. Mas é preciso que esses efluentes sejam infiltrados no solo para completar o processo . GH e KH da sua água. Uma loja de peixes local (se pertence ao mesmo conselho) deve ser capaz de o informar. Como saber quais os aditivos usados que a sua companhia de água local O mais simples é perguntar a quem sabe. o filtro biológico converte a amônia em nitrato. Por fim (nos EUA) se quer mesmo detalhes. por favor avise a equipa de manutenção desta FAQ. Uma vantagem é que não tem de lidar com cloro ou cloramina. Por outro lado. Uma estratégia de controle de algas pode exigir a remoção de fosfatos. a água de poços está freqüentemente saturada com CO2. encha-o de água. diga-lhe que é um aquariofilista e que quer saber quais são os valores do pH. Noutros locais. lagos ou mesmo na superfície do solo. Esse tipo de fossa nada mais é do que um tanque enterrado. Nota: há notícias divergentes sobre o sucesso deste método). ferro. por exemplo).g. Contém uma lista detalhada e exata do que a sua água contém e em que concentrações (e. e então ligue um filtro biológico já estabelecido. Além disso a única forma de saber a sua composição (GH. Os peixes não devem estar sujeitos a tais flutuações temporárias do pH. que recebe os esgotos (dejetos e águas servidas). bem como a variação das características da água ao longo dos meses. o pH aumentará.) é efetuar testes. Elevada concentração de fosfatos tem sido ligada a problemas com algas. FOSSAS SÉPTICAS As fossas sépticas. A água em alguns locais contém realmente nitratos. KH. fosfatos. elimine o cloro com tiossulfato de sódio. telefone para o escritório da companhia de água. areje a água de poços convenientemente várias horas antes de a adicionar ao seu aquário. etc. etc. senão o cloro mata as bactérias do filtro biológico. arranje um contentor de lixo (plástico) de tamanho apropriado. Tal como no seu aquário. Em alternativa há empresas que efetuam análises detalhadas do seu conteúdo embora essas análises possam ser dispendiosas.). a água contém elevadas concentrações de fosfatos (1ppm ou mais).

O tamanho da fossa séptica depende do número de pessoas da moradia. As que não seguem essas normas não funcionam bem. é preciso fazer uma camada de concreto magro. ou seja. Ela é dimensionada em função de um consumo médio de 200 litros de água por pessoa. principalmente quando a fossa for de anéis sobrepostos. nivelado e coberto com uma camada de 5cm de concreto magro. nunca deve ser inferior a 1. Ao comprar fossas sépticas pré-moldadas. Preste atenção neste detalhe.Feitas no local. As fossas sépticas pré-moldadas podem ser adquiridas diretamente dos seus fabricantes. . a fossa pré-moldada é colocada no lugar. para que a fossa funcione bem. elas devem ter as seguintes dimensões: . devido ao caimento da tubulação). A tubulação que liga a caixa de inspeção (da rede de esgoto da moradia) a fossa séptica deve ter um caimento de 2%.Pré-moldadas. o topo do buraco da fossa deverá ficar num nível inferior ao da saída da caixa de inspeção. com encaixes macho e fêmea. Eles também dão cotações sobre a sua montagem no local. sempre dê preferência àquelas fabricadas segundo as Normas Técnicas Brasileiras". Nas fossas de anéis sobrepostos. para sobreposição. por dia. em geral sob o título "Concreto . 2cm por metro de tubulação. sobre uma camada de concreto magro . A instalação de uma fossa séptica pré-moldada começa pela escavação do buraco onde ela vai ficar enterrada no terreno. A distância recomendada é 6m. 1) Fossas sépticas pré-moldadas As fossas sépticas pré-moldadas têm formato cilíndrico. Os seus endereços constam das páginas amarelas das listas telefônicas. entretanto. Para tanto.000 litros. No mercado há dois tipos. em seguida. a 30m de distância).Inteiriças. Também devem ficar num nível mais baixo do terreno e longe de poços ou de qualquer outra fonte de captação de água (no mínimo. que são mais caras e exigem fossa mais profundas.Pré-moldados". Para funcionar bem. . 2)Fossas sépticas feitas no local As fossas sépticas feitas no local têm formato retangular. Para volumes maiores é recomendável que a altura não seja maior que o dobro do diâmetro.Saneamento básico/ 2007 biológico de purificação e eliminar os riscos de contaminação. constituídas de uma única peça. As fossa sépticas podem ser de dois tipos: . para evitar curvas nas canalizações. para evitar contaminações. independentemente de sua capacidade: .De anéis. o fundo do buraco deve ser compactado. no caso de um eventual vazamento. Finalmente. no mínimo. é preciso fazer uma laje de 7cm de concreto armado do fundo do buraco. Técnico em Gestão Ambiental 52 As fossa sépticas não devem ficar muito perto das moradias (par evitar mau cheiro) nem muito longe (para evitar tubulações muito longas. Nas fossas de anéis sobrepostos. Sua capacidade. Elas devem ser construídas do lado do banheiro.

3 0. para evitar a aderência do concreto ao piso onde é feita a concretagem. que serve para fazer a manutenção periódica da tubulação. facilitando o desentupimento. já devem ser colocados os tubos de limpeza (esgotamento). em caso de necessidade. em caso de necessidade. nivelado e coberto com uma camada de 5cm de concreto magro.7 1. A tampa é subdividida em duas ou mais placas. As paredes feitas com blocos de concreto de 15cm ou de 20cm de largura. A concretagem das placas deve ser feita sobre uma superfície bem lisa. .9 1. uma vez que as fôrmas não têm fundo.5 2160 até 10 2.9 1. é feita uma laje de concreto armado de 7cm de espessura.2 1. As paredes internas das câmara (chicanas) e a tampa da fossa são feitas com placas pré-moldadas de concreto. onde a fossa vai ficar enterrada no terreno. dependendo do tamanho da fossa para facilitar sua execução e até a sua remoção. Durante a execução da alvenaria.5 2700 até 21 2.5 2480 até 14 2. Essas placas têm 5cm de espessura e a sua armadura também é feita em forma de tela.5 0. Uma maneira fácil e econômica de construir esse tipo de fossa é usar blocos de concreto e placas pré-moldadas de concreto. O fundo do buraco deve ser compactado. Essas placas têm 4cm de espessura e a armadura em forma de tela.Saneamento básico/ 2007 FÓSSAS SÉPTICAS RETANGULARES Dimensões internas Número de Capacidades pessoas (litros) Comprimento Largura Altura até 7 2 0. de entrada e de saída da fossa e deixadas ranhuras para encaixe das placas de separação das câmaras. As da tampa são simplesmente apoiadas sobre as paredes da fossa.9 1. LIGAÇÃO DA REDE DE ESGOTO À FOSSA A rede de esgoto da moradia deve passar inicialmente por uma caixa de inspeção.2 1. Para a separação das câmaras são necessárias cinco placas: duas de entrada e três de saída.5 4600 Técnico em Gestão Ambiental 53 A execução desse tipo de fossa também começa pela escavação do buraco. revestida de papel. As paredes internas da fossa devem ser revestidas com argamassas à base de cimento.2 1. As placas prontas das chicanas são encaixadas nas ranhuras deixadas nas paredes da fossa.5 3890 até 24 3.

DISTRIBUIÇÃO DOS EFLUENTES NO SOLO Há duas maneiras de distribuir os efluentes no solo: . Os tubos devem ter 10cm de diâmetro e ser assentados sobre uma camada de 10cm de pedra britada ou cascalho. Quando o terreno não permite a construção das valetas nas quantidades e nos comprimentos necessários. cada linha de tubos não deve ter mais que 30m de comprimento. O fundo e as paredes dessa caixa devem ser revestidos com uma argamassa à base de cimento.Sumidouros.5m a 1m. Deve ser construída a cerca de 2m de distância da casa. ao longo do seu comprimento. no sentido da caixa de inspeção para a fossa séptica. As paredes da caixa podem ser feitas com blocos de concreto de 10cm de largura. É o caso da ocorrência de obstáculos (uma árvore ou rocha) ou da inexistência de espaço suficiente.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 54 Essa caixa deve ter 60cm X 60cm e profundidade de 50cm. Em terrenos mais porosos (como arenosos). Os quatro primeiros tubos que saem da . com profundidade de 0. O fundo desse buraco deve ser bem compactado e receber uma camada de concreto magro. Em terrenos menos porosos (como os argilosos). assentados numa valeta e bem unidos entre si.Valetas de infiltração. . num buraco de 1m X 1m. nas quais são colocados tubos que permitem. escoar para dentro do solo os efluentes provenientes das fossa séptica. 1) Valetas de infiltração Esse sistema consiste na escavação de uma ou mais valetas. A utilização de um ou outro vai depender do tipo do solo (mais poroso ou menos poroso) e dos recursos disponíveis para a sua execução. O comprimento total das linhas de tubos depende do tipo de solo e da quantidade de efluente a ser tratada. são necessários 12 m de tubo por pessoa. 8m de tubos por pessoa são suficientes. O fundo da valeta deve ter caimento de 2%. (limite da propriedade. colocadas no fundo das valetas de infiltração. para um bom funcionamento de sistema . ser bem nivelado e compactado. Entretanto. A caixa de inspeção é coberta com uma placa pré-moldada de concreto com 5cm de espessura. pode ser feito um número maior de ramificações. A ligação da rede de esgoto da moradia à fossa séptica deve ser feita com tubos de 10cm de diâmetro. de comprimentos menores.

Se as paredes forem feitas com anéis pré-moldados de concreto. Elas podem ser executadas no próprio local ou adquiridas diretamente dos fabricantes de pré-moldados ou artefatos de cimento da região. A construção de um sumidouro começa pela escavação do buraco no local escolhido. os tubos devem ser cobertos (apenas na parte de cima com um pedaço de lona plástica ou outro material impermeável. para permitir o vazamento do efluente à medida que ele desce pelos tubos. 2) Sumidouro O sumidouro é um poço sem laje de fundo que permite a penetração do efluente da fossa séptica no solo. Em seguida as valetas são fechadas com uma camada de brita. para evitar a entrada de terra na tubulação. Os sumidouros podem ser feitos com blocos de concreto ou com anéis pré-moldados de concreto. Esses anéis podem ser adquiridos diretamente de fabricantes locais de pré-moldados de concreto ou de artefatos de cimento. As juntas verticais não devem receber argamassa de assentamento. . para facilitar o escoamento dos efluentes por gravidade. Nos entroncamentos ou ramificações de tubos é recomendável o uso de caixas de distribuição. O diâmetro e a profundidade dos sumidouros depende das quantidades de efluentes e do tipo de solo. A laje ou tampa dos sumidouros pode ser feita com uma ou mais placas de concreto.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 55 fossa devem ser unidos entre si. Entre os demais tubos deve ser deixado um espaço de 0. Mas não devem ter menos que 1m de diâmetro e mais que 3m de profundidade. para facilitar oi escoamento dos efluentes.5cm . sem nenhum rejuntamento. até meia altura e o restante co m o próprio solo. para permitir o escoamento dos efluentes. a cerca de 3m da fossa séptica e num nível um pouco mais baixo.5m para facilitar o assentamento. Os blocos só podem se assentados com argamassa de cimento e areia nas juntas horizontais. A profundidade do buraco deve ser 80cm maior que a altura final do sumidouro. eles devem ser apenas colocados uns sobre os outros. Junto a esses espaços. É recomendável que o diâmetro dos sumidouros com paredes de blocos de concreto não seja inferior a 1.

Disponibilidade e grau de instrução da equipe operacional responsável pelo sistema.999 Tipo de tratamento Preliminar Primário Secundário Terciário . tem como finalidade a remoção complementar da matéria orgânica. 1988) Nutrientes (% remoção nutrientes) Não remove Não remove Pode remover Até 99 Bactérias (% remoção) 10 – 20 25 –75 70 – 99 Até 99. A estimativa de eficiência esperada nos diversos níveis de tratamento incorporados numa ETE podem ser avaliadas no Quadro V. Esta etapa tem a finalidade de proteger as unidades de tratamento subseqüentes e dispositivos de transporte como por exemplo bombas e tubulações. Quadro V – Estimativa da eficiência esperada nos diversos níveis de tratamento incorporados numa ETE. Matéria orgânica (% remoção de DBO) 5 – 10 25 –50 80 –95 40 . De acordo com a área. dentre eles. utilizando-se de mecanismos físicos como método de tratamento.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 56 TECNOLOGIAS PARA TRATAMENTO DE ESGOTOS SANITÁRIOS No campo de tecnologias para o tratamento de esgotos sanitários. podem ser citados: • • • • • • • • Área disponível para implantação da ETE. O tratamento secundário. geralmente constituído de unidade de tratamento físico-químico. Os reatores biológicos empregados para essa etapa do tratamento reproduzem os fenômenos naturais da estabilização da matéria orgânica que ocorreriam no corpo receptor. Clima e variações de temperatura da região. podendo remover parcela dos nutrientes como nitrogênio e fósforo. geralmente constituído por reator biológico. Características do corpo receptor de esgotos tratados. remove grande parte da matéria orgânica. Disponibilidade de locais e/ou sistemas de reaproveitamento e/ou disposição adequados dos resíduos gerados pela ETE. Disponibilidade e custos operacionais de consumo de energia elétrica. Topografia dos possíveis locais de implantação e das bacias de drenagem e esgotamento sanitário. O tratamento terciário. O tratamento primário além dos sólidos sedimentáveis remove também uma pequena parte da matéria orgânica. nem sempre presente. dos nutrientes. a escolha entre as diversas alternativas disponíveis é ampla e depende de diversos fatores. São utilizados apenas mecanismos físicos (gradeamento e sedimentação por gravidade) como método de tratamento. além de proteção dos corpos receptores quanto aos aspectos estéticos. O tratamento de esgotos pode ser dividido em níveis de acordo com o grau de remoção de poluentes ao qual se deseja atingir. um ou outro processo de tratamento pode ser mais adequado. de poluentes específicos e a desinfecção dos esgotos tratados. Volumes diários a serem tratados e variações horárias e sazonais da vazão de esgotos. com os recursos financeiros disponíveis e com o grau de eficiência que se deseja obter.99 Sólidos em suspensão (% remoção SS) 5 –20 40 –70 65 –95 80 – 99 Fonte: (CETESB. O tratamento preliminar destina-se a remoção de sólidos grosseiros em suspensão ( materiais de maiores dimensões e o sólidos decantáveis como areia e gordura).

o esgoto sofre os processos que irão resultar em sua purificação. Este sofre tratamento anaeróbio na zona anaeróbia da lagoa. além da sua satisfatória resistência a variações de carga. Nesta zona há necessidade da presença de oxigênio. portanto. podem ser empregados os seguintes tipos de sistemas de lagoas de estabilização: Lagoas facultativas Sistema de lagoas anaeróbias seguidas por lagoas facultativas (Sistema Australiano) Lagoas aeradas facultativas Sistema de lagoas aeradas de mistura completa seguida por lagoas de decantação Um outro tipo de lagoa empregada no tratamento de esgoto é a lagoa de maturação. O efluente entra por uma extremidade da lagoa e sai pela outra. LAGOAS As lagoas de estabilização são consideradas como uma das técnicas mais simples de tratamento de esgotos. Para isso há necessidade de suficiente iluminação solar. estas lagoas devem ser implantadas em lugares de baixa nebulosidade e grande radiação solar. Durante este caminho. Porém esta tem como objetivo a remoção de patogênicos ao contrário das demais citadas que são destinadas a remoção de matéria orgânica. Uma grande desvantagem é a necessidade de grandes áreas para a construção. Nela a estabilização de matéria orgânica ocorre por . Este é fornecido por trocas gasosas da superfície líquida com a atmosfera e pela fotossíntese realizada pelas algas presentes. onde pode ocorrer ausência ou presença de oxigênio é denominada zona facultativa. as algas produzem oxigênio e consomem gás carbônico na realização da fotossíntese. topografia do terreno e grau de eficiência desejado.(SPERLING. Esta zona. enquanto que a respiração continua ocorrendo. Na zona aeróbia há um equilíbrio entre o consumo e a produção de oxigênio e gás carbônico. Dependendo da área disponível. Estas sofrerão tratamento aeróbio nas zonas mais superficiais da lagoa (zona aeróbia). Enquanto as bactérias produzem gás carbônico e consomem oxigênio através da respiração. zona aeróbia e zona facultativa. As principais vantagens de um sistema de lagoas são a facilidade de construção. Também durante a noite não há realização de fotossíntese. a matéria orgânica em suspensão (DBO particulada) começa a sedimentar formando o lodo de fundo.1996) LAGOAS FACULTATIVAS O processo de tratamento por lagoas facultativas é muito simples e constitui-se unicamente por processos naturais. que pode demorar vários dias. Já a matéria orgânica dissolvida (DBO solúvel) e a em suspensão de pequenas dimensões (DBO finamente particulada) permanecem dispersas na massa líquida. Após a entrada do efluente na lagoa. fundamentais ao processo. Estes podem ocorrer em três zonas da lagoa: zona anaeróbia. operação e manutenção e respectivos custos reduzidos.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 57 Algumas das principais tecnologias utilizadas para tratamento de esgotos sanitários estão descritas nos itens apresentados a seguir. As reações são praticamente as mesmas com direções opostas: Fotossíntese: CO2 + H2O + Energia Solar ==> Matéria Orgânica + O2 Respiração: Matéria Orgânica + O2 ==> CO2 + H2O +Energia A medida que afasta-se da superfície da lagoa a concentração de oxigênio diminui devido a menor ocorrência da fotossíntese.

variando entre 4 a 5 metros. com volumes elevados. Como a atividade fundamental do processo consiste no desenvolvimento das algas e estas da presença de luz.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 58 meio de bactérias facultativas. há uma redução significativa no volume necessário para esse tipo de sistema. A profundidade tem a finalidade de impedir que o oxigênio produzido pela camada superficial seja transmitido às camadas inferiores. O sistema lagoa anaeróbia + lagoa facultativa representa uma economia de cerca de 1/3 da área ocupada por uma lagoa facultativa trabalhando como unidade única para tratar a mesma quantidade de esgoto. ao invés de ser produzido por fotossíntese realizada pelas algas. Devido a introdução de equipamentos eletro-mecânicos a complexidade e manutenção operacional do sistema é aumentada. Como a DBO efluente é ainda elevada. porém não é suficiente para a manutenção dos sólidos em suspensão e bactérias dispersos na massa líquida.5 e 2. A lagoa aerada pode . longe de bairros residenciais. de forma a permitir a manutenção de grandes períodos de detenção. em geral de 15 a 20 dias. No processo anaeróbio a decomposição da matéria orgânica gera subprodutos de alto poder energético (biogás) e. além da necessidade de consumo de energia elétrica. Portanto ocorre sedimentação da matéria orgânica formando o lodo de fundo que será estabilizado anaerobiamete como em uma lagoa facultativa convencional. Por este motivo este sistema deve ser localizado em áreas afastadas.1996) LAGOAS AERADAS FACULTATIVAS A principal diferença entre este tipo de sistema e uma lagoa facultativa convencional é que o oxigênio. Com isto o consumo de oxigênio será superior ao reposto pelas camadas superficiais. As lagoas facultativas dependem da fotossíntese para a produção de oxigênio. sendo suficiente um tempo de detenção hidráulica variando entre 5 a 10 dias. e como conseqüência. provenientes da liberação de gás sulfídrico. Estes constituem-se de equipamentos providos de turbinas rotativas de eixo vertical que causam um grande turbilhonamento na água através de rotação em grande velocidade. maus odores. A eficiência de remoção de DBO por uma lagoa anaeróbia é da ordem de 50% a 60%. As lagoas anaeróbias é normalmente profunda. SISTEMAS DE LAGOAS ANAERÓBIAS SEGUIDAS POR LAGOAS FACULTATIVAS (SISTEMA AUSTRALIANO) Este sistema de tratamento de esgoto constituído por lagoas anaeróbias seguidas por lagoas facultativas. a disponibilidade de energia para a reprodução e metabolismo das bactérias é menor que no processo aeróbio. Tendo em vista a maior introdução de oxigênio na massa líquida do que é possível numa lagoa facultativa convencional.0 m. também conhecido como sistema australiano. Devido a presença da lagoa anaeróbia. O turbilhonamento da água facilita a penetração e dissolução do oxigênio. Para garantir as condições de anaerobiose é lançado uma grande quantidade de efluente por unidade de volume da lagoa. o requisito de área é menor. que podem sobreviver tanto na ausência quanto na presença de oxigênio. A lagoa aerada pode ser utilizada quando se deseja um sistema predominantemente aeróbio e a disponibilidade de área é insuficiente para a instalação de uma lagoa facultativa convencional. Desta forma. o oxigênio produzido pelas algas e o proveniente da reaeração atmosférica são considerados desprezíveis. as profundidades das lagoas restringem-se a valores variáveis entre 1. Como a superfície da lagoa é pequena comparada com sua profundidade. porém. existe a necessidade de uma outra unidade de tratamento. podendo a chegar a valores de 70 a 90 % de remoção de DBO. podem ocorrer como conseqüência de problemas operacionais. como já foi dito anteriormente. (SPERLING. Neste caso esta unidade constitui-se de uma lagoa facultativa. desta forma. O grau de energia introduzido na lagoa através dos aeradores é suficiente apenas para a obtenção de oxigênio. porém esta necessitará de uma área menor devido ao pré-tratamento do esgoto na lagoa anaeróbia. é fornecido por aeradores mecânicos. a eficiência desse tipo de sistema de tratamento depende da disponibilidade de grandes áreas para que a exposição à luz solar seja adequada.

A presença de biomassa no efluente final devido a dificuldade de sedimentar em um decantador secundário sobrecarregado e a dificuldade de transferência de oxigênio para todas as células no reator são exemplos destes. Esta permite que o tempo de detenção hidráulico seja pequeno e conseqüentemente também o reator possua pequenas dimensões.1996) SISTEMAS DE LAGOAS AERADAS DE MISTURA COMPLETA SEGUIDAS POR LAGOAS DE DECANTAÇÃO O grau de energia introduzido é suficiente para garantir a oxigenação da lagoa e manter os sólidos em suspensão e a biomassa dispersos na massa líquida. A alta eficiência deste sistema é em grande parte devido a recirculação de lodo. Para que ocorra a sedimentação e estabilização destes sólidos é necessária a inclusão de unidade de tratamento complementar. (SPERLING.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 59 também ser uma solução para lagoas facultativas que operam de forma saturada e não possuem área suficiente para sua expansão. O acumulo de lodo nas lagoas de decantação é baixo e sua remoção geralmente é feita com intervalos de 1 a 5 anos. onde ocorre a remoção da matéria orgânica e depois pelo decantador. o efluente que sai de uma lagoa aerada de mistura completa. Este sistema ocupa uma menor área que outros sistemas compostos por lagoas. para ser ter uma idéia. Os requisitos energéticos são maiores que os exigidos por outros sistemas compostos por lagoas. (SPERLING. A recirculação de sólidos também ocasiona com que os sólidos permaneçam mais tempo no sistema que a massa líquida. O tanque de aeração ou reator.1996) Lodos Ativados O sistema de lodos ativados não exige grandes requisitos de áreas como por exemplo as lagoas. Porém uma taxa equivalente ao crescimento das bactérias (lodo biológico excedente) deve der retirada. alguns problemas poderiam ocorrer. No entanto há um alto grau de mecanização e um elevado consumo de energia elétrica. pois se fosse permitido que as bactérias se reproduzissem continuamente. de onde sai clarificado após a sedimentação dos sólidos (biomassa) que formam o lodo de fundo. O efluente passa pelo reator. porém a remoção de coliformes é geralmente baixa devido ao pequeno tempo de detenção hidráulico e normalmente insuficiente para o lançamento no corpo receptor. O sistema de lodos ativados possui algumas variantes e pode ser: . O tempo de detenção nas lagoas aeradas é da ordem de 2 a 4 dias e nas lagoas de decantação da ordem de 2 dias. Devido a isto. Este é formado por bactérias ainda ávidas por matéria orgânica que são enviadas novamente para o reator (através da recirculação de lodo). são as lagoas de decantação. o tanque de decantação e a recirculação de lodo são partes integrantes deste sistema.1996) LAGOAS DE MATURAÇÃO A função desta lagoa é a remoção de patogênicos. esta é mais de 10 vezes maior que a de uma lagoa aerada de mistura completa sem recirculação. Este tempo de permanência da biomassa no sistema é chamado de Idade do Lodo. (SPERLING. Esta é uma alternativa mais barata à outros métodos como por exemplo a desinfecção por cloração. Com isso há um aumento da concentração de bactérias em suspensão no tanque de aeração. que neste caso. possui uma grande quantidade de sólidos suspensos e não é adequado para ser lançado diretamente no corpo receptor. Além da matéria orgânica carbonácea o sistema de lodos ativados pode remover também nitrogênio e fósforo.

1997) SISTEMA DE LODOS ATIVADOS DE FLUXO INTERMITENTE (BATELADA) Neste sistema há apenas uma unidade e todas as etapas de tratamento do esgoto ocorrem dentro do reator. Este sistema pode funcionar tanto como um de lodos ativados convencional como um de aeração prolongada. há a necessidade de ser ter mais de um tanque de aeração trabalhando em paralelo. Como o lodo retirado ainda é jovem e possui grande quantidade de matéria orgânica em suas células. 1995) .Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 60 SISTEMA DE LODOS ATIVADOS CONVENCIONAL O sistema de lodos ativados convencional é constituído por reator e decantadores primário e secundário. O diâmetro máximo dos discos é reduzido sendo necessário um grande número de discos para vazões maiores. Quando esta película cresce demasiadamente. 1997) BIODISCOS Neste sistema um conjunto de discos. Assim. Este sistema é limitado para o tratamento de pequenas vazões.1997). o lodo já sairá estabilizado do tanque de aeração. Estas passam a ser seqüências no tempo e não mais unidades distintas. Porém. Com isso o reator terá que possuir maiores dimensões e consequentemente existirá menor concentração de matéria orgânica por unidade de volume e menor disponibilidade de alimento. SISTEMA DE LODOS ATIVADOS DE AERAÇÃO PROLONGADA (FLUXO CONTÍNUO) A diferença deste sistema para o sistema convencional é que a biomassa permanece mais tempo no reator (18 a 30 dias). porém continua recebendo a mesma carga de DBO. Como a estabilização do lodo ocorre de forma aeróbia no reator. Em sistemas que recebem esgotos de forma contínua.(SPERLING. As bactérias formam uma película aderida ao disco que quando exposta ao ar é oxigenada. Esta quando novamente em contato com o efluente contribui para a oxigenação deste.(SPERLING. esvaziamento e repouso.(SPERLING. Este sistema também não possui decantador primário para evitar a necessidade de uma unidade de estabilização do lodo resultante deste. da ordem de 6 a 8 horas e a idade do lodo em torno de 4 a 10 dias. há um maior consumo de energia elétrica. como por exemplo as estações que recebem esgotos domésticos. Para sobreviver as bactérias passam a consumir a matéria orgânica existente em suas células em seus metabolismos. este é um sistema de maior eficiência de remoção de DBO dentre os que funcionam com lodos ativados. há necessidade de uma etapa de estabilização do lodo. A biomassa permanece no tanque e não havendo necessidade de sistema de recirculação de lodo. São estes: enchimento. Pois um tanque que esta no ciclo de decantação não pode estar recebendo esgotos e para isso deve haver um outro tanque que esteja no ciclo de enchimento. reação. não havendo necessidade de se ter um biodigestor. giram em torno de um eixo horizontal. geralmente de plástico de baixo peso. Este sistema possui decantador primário para que a matéria orgânica em suspensão sedimentável seja retirada ante do tanque de aeração gerando assim uma economia no consumo de energia. sedimentação. Um sistema de lodos ativados fluxo intermitente possui ciclos bem definidos de operação. ela se desgarra do disco e permanece em suspensão do meio líquido devido ao movimento destes contribuindo para um aumento da eficiência.(SPERLING. Metade do disco é imerso no esgoto a ser tratado enquanto a outra metade fica exposta ao ar. O tempo de detenção hidráulico é bem baixo.

FILTRO ANAERÓBIO Este sistema possui menores dimensões devido a sua condição anaeróbia. Os maus odores podem ser evitados com um projeto adequado. A produção de lodo é baixa e este já sai estabilizado. O efluente entra em baixo do reator e possui fluxo ascendente. (SPERLING. mas esta pode ser evitada por um projeto. A concentração de bactérias é bastante elevada formando uma manta de lodo. planejamento e manutenção adequados. Este já sai estabilizado porém com muitos patogênicos.RAFA OU UASB) No reator a biomassa cresce dispersa no meio formando pequenos grânulos. O efluente passa através da fossa e a matéria orgânica sedimentável forma um lodo de fundo que sofrerá digestão anaeróbia.(SPERLING.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 61 A FOSSA SÉPTICA . os vazios são preenchidos com o efluente. Esta possibilita a separação dos gases resultantes do processo anaeróbio ( gás carbônico e metano) da biomassa. Por isso o leito é afogado. No topo do reator há uma estrutura cônica ou piramidal. e do efluente. Por ser um processo anaeróbio há a possibilidade de geração de maus odores. porém há uma baixa produção de lodo e este já sai estabilizado. REATOR ANAERÓBIO DE MANTA DE LODO (REATORANAERÓBIO DE FLUXO ASCENDENTE . onde se forma uma película de bactérias. 1995). O efluente entra na parte inferior do filtro e atravessa o leito em um fluxo ascendente. Por ser um processo anaeróbio as dimensões do filtro são reduzidas e a unidade é fechada. Vivendo Com Utilização das Águas Pluviais . É menos eficiente que os sistemas aeróbios. que sedimenta no cone sendo devolvida ao reator. Este motivo e também a alta concentração de matéria orgânica por unidade de volume fazem com que as bactérias envolvidas neste processo sejam anaeróbias. normalmente de pedras. A área deste sistema é bastante reduzida devido a alta concentração das bactérias. ou seja. A fossa séptica possui pouca eficiência e geralmente é utilizada como processo complementar.1995) Fazendo Cidades Mais Confortáveis. O filtro anaeróbio é constituído por um leito.

para benefício da comunidade local. Como resultado. Em Tóquio vivem 12 milhões de pessoas em uma área de 1778 km2. quase duas vezes a média mundial. um Sistema de Utilização das Águas Pluviais foi introduzido na construção do Ryogoku Kokugikan. No Japão. e remeteram-nas às autoridades municipais como sugestões e recomendações. quando da construção do Ginásio de Sumô goku Kokugikan foi decidida. mas não entendem porque deveriam se preocupar com as chuvas intensas que precipitam todos os anos. A precipitação média anual no Japão é aproximadamente 1800mm. Em 1989. Eles consideraram que a utilização das águas pluviais não só deveria ser promovida individualmente. ou seja. 120 milhões de pessoas vivem numa área muito pequena. porém não para fins potáveis. a utilização das águas pluviais. renova-se a cada 4 ou 5 dias. assim a demanda "per capita" anual de Tóquio é de aproximadamente 207 m\ representando apenas 0. a quantidade média por vapor de água presente na atmosfera é aproximadamente 22 mm por ano. Esta média do vapor de água no ar significa uma alternância de 81 vezes por ano aproximadamente.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 62 Em 1982. os membros pediram à Associação de Sumô. Na ocasião. ⇒ Desperdiçando 1500 mm de Águas Pluviais por Ano . A demanda "per capita" anual no Japão é aproximadamente 6000 m\ o que representa somente 20% da média "per capita" no mundo. mas também regional e comunitariamente. os membros do Grupo Pingos de Chuva compilaram as suas idéias e colocaram na publicação “Conceito Oásis da Cidade de Sumida”. por alguns membros do Grupo Pingos de Chuva. no escritório da Cidade de Sumida.6% da média "per capita" no mundo. Fundamentos Para Utilização das águas Pluviais Grandes cidades Continuam na Dependência de Grandes Reservatórios de Armazenamento Muitos japoneses entendem que a utilização das águas pluviais é importante nos países com escassez de chuva. Porém. Estas são as combinações de freqüência com as quais os centros de baixa pressão atravessam o arquipélago Japonês. que seria mais efetiva. para utilizar as águas pluviais que precipitam sobre o telhado.

Ao mesmo tempo. Como as calhas com 70 mm de largura acumulam partículas finas de solo (poeiras) e outras sujeiras (folhas. Por exemplo. os ambientes são refrigerados através da circulação das águas pluviais por tubulações instaladas nas lajes. decidiu instalar um grande reservatório de armazenamento subterrâneo para utilização das águas pluviais. nós temos um pensamento egoísta: "É realmente muito problemático quando chove em Tóquio. os condutores verticais são dotados de telas e grelhas evitando a entrada na canalização do reservatório de armazenamento. em vez de Esta casa foi construída em 1987. Estes são os nossos principais objetivos para incentivar a utilização das águas pluviais. planejar uma adução de águas para o consumo em sistema independente do sistema de abastecimento público. Além disso. um tributário do Rio Ara. etc. sem muitos critérios e considerações. O resfriamento da casa também é feito pela água armazenada que é aspergida sobre o telhado. ele também deseja obter a água pluvial o mais limpa possível. Sato disse que consegue viver confortavelmente mesmo sob o calor escaldante do verão japonês. As águas pluviais coletadas no telhado são armazenadas em um reservatório subterrâneo de 40 m3 de capacidade.). que continuam sendo lançadas nas redes de águas pluviais. Diversas idéias quanto a utilização das águas pluviais em residências são demonstradas nesta casa. por meio de telhados gramados para retenção e. onde ocorrem freqüentes enchentes sob chuvas intensas. reservarmos essa água. Resumindo. se necessitarmos mais água para o consumo. Para esse recurso potencial de água deveremos construir um grande número de “mini reservatório” (reservatórios de águas pluviais) nas áreas urbanas. sendo utilizadas principalmente para a descarga nos vasos sanitários e.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 63 As águas pluviais em Tóquio representam um recurso natural muito importante. pensando que isso viria a ajudar no controle das enchentes. Está localizada na bacia do Rio Shingashi. pois nós queremos que chova muito nas áreas das bacias hidrográficas dos reservatórios de abastecimento em vez de chover sobre a cidade". Desde então. a partir de agora. pensamos que sempre poderemos construir grandes barragens novas. se houver o suficiente. Assim. A temperatura ambiente diminui cerca de 3°C quando as águas pluviais escoam pelas tubulações. Porém. nós continuamos lançando nas redes de águas pluviais. é considerar a importância das águas pluviais. utilizando apenas alguns ventiladores elétricos como complemento ao sistema. Exemplos de Utilização das Águas Pluviais (Visitando Locais com Sistemas de Utilização) A Casa de Kiyoshi Sato: Caixa de descarga acoplada ao vaso Sanitário . Quando o arquiteto Kiyoshi Sato projetou sua nova casa. também são utilizadas numa máquina de lavar roupas. muitas revistas e jornais têm se reportado a ela como a precursora das estruturas que empregam integralmente sistemas de utilização das águas pluviais. o que se deve ser feito.

As crianças da vizinhança lavam suas mãos com água e os pássaros se aproximam da mini fonte para bebê-la. um da Universidade de Ciências de Tóquio. escoa nas proximidades. O lago também serve como fonte de água emergencial. formando uma diminuta cachoeira. Então. produzindo pequenas ondas na superfície do laguinho. passando pela escada. reconhecido como um dos principais especializados em paisagismo utilizando Em frente a sala de estar. ela infiltra lentamente no solo. Na sacada do primeiro andar há um reservatório. Um banco feito de bambu preto. que jorra água. . durante as chuvas intensas. Este é o melhor exemplo de como utilizar as pluviais em uma casa. temporariamente.onde às águas pluviais desenham figuras interessantes. com uma mini fonte ao cantro. da entrada da casa. há um painel de policarbonato que serve de janela tipo clarabóia. um pequeno lago artificial. estrutura professor arquitetos águas. para incorporar as pluviais na vida cotidiana dos seus e conviver em harmonia com as chuvas. forma uma combinação requintada.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 64 Teto e piso com tubulação de refrigeração Bomba ⇒ A casa do Professor Suzuki águas foram águas moradores. A foi projetada por Nobuhiro Suzuki. que também funcionam como uma bacia de detenção. no segundo andar. desaguando por um tubo de aço inoxidável em um lavatório de pedra embaixo da sacada. As águas pluviais escoam por uma tubulação de PVC colorida. Muitos equipamentos introduzidos nesta casa. a fim de reter as águas pluviais. A água que transborda da mini fonte de pedras. ao lado do laguinho. umedecendo as pedras brancas do pequeno jardim. e fornece água para resfriar o telhado da casa.

porém. A idéia do “Tensuinson”. para uma emergência. a chuva pode exceder a capacidade do reservatório. em tempos de chuva prolongada ou intensa. descarregada nas sarjetas e o restante infiltrado no solo. ⇒ Controlando a Quantidade de Águas Pluviais com Reservatório Todas as águas pluviais coletadas não podem ser armazenadas em reservatórios como “Tensuison”. a água escoará no canal para o reservatório. o objetivo era reaviver os canais perdidos. que significam "ruas ecológicas". Você também os encontrará na frente das casas. pintados na cor púrpura e dotados com torneiras. nas mais variadas formas e maneiras. você encontrará uma rua chamada "Eco-Roji" ("roji" significa rua em japonês) onde existem dispositivos chamados "Rojison". na Cidade de Sumida. O excesso de água pode transbordar de um reservatório para um canal por meio de uma cascata. A capacidade de um reservatório de armazenamento de águas pluviais é calculada pela chuva média do local. foi implementada no distrito de Inchitera-kototoi. nascidas na publicação “Conceito Oásis de Sumida”. quando faltar água no reservatório. No “Conceito Oásis de Sumida”. A cascata .Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 65 ⇒ A Velha Tina das Águas Pluviais Quando você caminhar nos arredores do distrito de IchiteraKototoi. O "Rojison" é um reservatório subterrâneo com capacidade de 10 m3 de águas pluviais dotado de uma bomba manual. Este armazenamento serve como recurso hídrico para regar plantas e. Então. na falta do abastecimento público. sendo parte da água excedente (transbordamento).

o protótipo foi construído pela iniciativa privada como “Eco-Sento”. localizado em Ishihara. mais conhecido pelo nome de “Mikokuyu”. que supriria utilizando o Infelizmente o “Tensuison Sento” (“Banheiro Público”) ficou só na idéia. mas também um centro para atividades ambientais às pessoas da região. e teria logomarca do Período Edo 1867). ⇒“ECO-SENTO" . regar e. As águas pluviais seriam bombeadas de um reservatório de o reservatório subterrâneo para as necessidades no banheiro publico escoamento por gravidade. uma pequena torre com um reservatório elevado seriam construídos ao lado lagoa. na Cidade de Sumida.Saneamento básico/ 2007 é uma cachoeira projetada na forma de degraus. "Mikokuyu" se tornou um "Centro-Ecológico" não só como um centro para comunicação.Banheiro Público Ecológico Porém. De acordo com a proposta. Os banheiros públicos eram bem populares e serviam as comunidades nos centros urbanos. . porém. para beber combater incêndios. utiliza as Conceito pluviais banheiro descargas plantas e nome uma (1603 árvores dessa armazenamento elevado. o do banheiro público seria "Tensuison Sento". mas foram desaparecendo um a um. Uma lagoa de águas pluviais com pequenas ficariam no jardim e. As águas coletadas no telhado do público seriam utilizadas para nos vasos sanitários. nas emergências. projetado por Shigeru Ito. Técnico em Gestão Ambiental 66 ⇒ "Tensuison Sento" (Banheiro Público) Um banheiro público que águas pluviais foi proposto no Oásis de Sumida.

as águas pluviais coletadas no telhado do banheiro público eram utilizadas numa pequena lagoa e nos vasos sanitários. este Workshop abre possibilidades interessantes para empresas japonesas e brasileiras. empresas japonesas do setor elétrico convidaram o representante brasileiro da Econergy. como o tratamento de efluentes. o Japão já aderiu à mistura do álcool à gasolina. Marcelo Schunn Diniz Junqueira. De olho no setor canavieiro. bem como de representantes de instituições de ensino e pesquisa do Brasil. Muito embora a mistura do álcool na gasolina seja uma medida ainda dependente de soluções político-econômicas. reuso de resíduos sólidos. As latas vazias podiam ser lavadas com as águas pluviais coletadas no "Rojison". tratamento de resíduos sólidos e líquidos e novas tecnologias aliados ao intercâmbio da pesquisa e perspectivas de abrir novos canais de cooperação internacional de interesse estratégico entre instituições japonesas e brasileiras. meio ambiente. para iniciar as negociações dos investimentos no Brasil. Sustentabilidade e Meio- . foi construído um "centro de reciclagem". debater no evento. No plano interno de redução dos gases de efeito estufa. universidades e centros de pesquisas estarem discutindo os temas propostos. Embora a água para as tinas de banho e para os chuveiros fosse água do abastecimento público e água mineral. preocupado com o aquecimento global. os pesquisadores de ambos os países envolvidos.Existe um grande interesse destas instituições em atuar tanto na redução da emissão de gases de efeito estufa através da mistura de álcool na gasolina como em adquirir créditos de carbono gerados em projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo em países como o Brasil. autoridades brasileiras e japonesas. sustentabilidade e meio-ambiente . No Japão. onde se concentra a maior parte dos pequenos e médios empreendimentos de energia renovável. especializada em soluções financeiras inovadoras voltadas a empreendedores de tecnologias limpas. propiciando a oportunidades de troca de experiências. beneficiando o país. O Japão é um dos países que. e depositadas no centro de reciclagem até que os caminhões pudessem transportáIas ao destino final. "O Brasil pode receber investimentos de aproximadamente US$ 20 milhões apenas com o potencial das pequenas e médias empresas de energia renovável. na área de energia. os importantes temas Energia. tanto do Brasil como do Japão. Anexos: Projetos de energia limpa atraem investidores japoneses Os projetos de energia renovável da América Latina estão despertando a atenção de empresas japonesas. Através deste evento espera-se. começa a analisar projetos cujos investimentos tenham como retorno dos créditos de carbono.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 67 O conceito de utilização das águas pluviais foi aplicado quando “Mikokuyu” foi remodelado em 1991. Além disso. biomassa. além de estar implantando um plano de redução de gases de efeito nocivo à camada de ozônio. Realização da terceira versão do Workshop Brasil-Japão: Implicações Regionais e Globais. combustíveis alternativos e qualidade do ar. para reciclagem de latas e vasilhames vazios. sobre Energia. da iniciativa privada e universidade. além de ampliar o conhecimento entre os dois países através de troca de experiências. a compra dos créditos de carbono já começou". bem como. a possibilidade de fomentar a realização de novas atividades conjuntas que possam propiciar a integração e desenvolvimento. uma oportunidade para fomentar a realização de novas iniciativas conjuntas para o desenvolvimento de projetos que possam ser benéficos para ambos os países. já ratificou o protocolo de Kyoto e. Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável visando a obtenção e discussão de informações atuais dos programas governamentais. sustentabilidade. Com a finalidade de desenvolver tecnologias para satisfazer necessidades imediatas na área de energia. explica Marcelo”.

Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 68 Ambiente. contemplando ações internas e externas. ampliando e consolidando as relações existentes entre o Brasil e o Japão. eficiente e eficaz. A empresa . (4) Comprometer-se com o atendimento a legislação e normas aplicáveis e demais requisitos subscritos pela organização. com a responsabilidade social atrelada às suas atividades-fim. A NSK desenvolve. (3) Corresponder a confiança depositada pelos nossos clientes através do comprometimento com a melhoria contínua. Hoje. buscando trazer à comunidade brasileiras algumas das soluções adotadas pelo Japão. a NSK busca não só conscientizar seus colaboradores sobre a importância do voluntariado e do desenvolvimento comunitário. Empresas Japonesas NSK Responsabilidade Social: A NSK Brasil Ltda. aprimoramento do padrão de qualidade e com a prevenção de poluição. produzir. atualmente. duas frentes de responsabilidade social: o projeto NSK Cidadã. mas também valorizar os profissionais responsáveis pelo sucesso da empresa. em sua filosofia. o desenvolvimento de estratégias efetivas e o desenvolvimento sustentável. (2) Preservar e melhorar o meio ambiente através da integração com a comunidade local. Com a participação de todos os funcionários. praticando conceitos de parceria com órgãos governamentais e indústrias no aprimoramento das atividades de utilização racional dos recursos naturais. Esse é o principal objetivo de qualquer empresa que trabalhe. Por meio de iniciativas diversas. empresa multinacional situada em Suzano e uma das líderes de mercado no segmento de rolamentos. voltadas para as comunidades em que se insere. Conforme o Instituto Ethos. Integrar-se com a comunidade. (6) Colaborar com a formação profissional e social dos funcionários através de instruções e treinamentos adequados. extremamente vantajosa no sentido de que podermos obter como resultado a superação de obstáculos. não há como dissociar este tipo de comprometimento de instituições envolvidas com a melhoria da qualidade de vida de seu públicoalvo e da sociedade em geral. (5) Promover medidas de redução do consumo de energia e da geração de resíduos industriais. portanto. realiza suas atividades baseada num Sistema de Gestão da Qualidade e Meio ambiente. buscando atuar de modo a unir produtividade e benefícios para a população. beneficiando a sociedade como um todo. e a Responsabilidade Social Interna – RSI . A troca de experiências e expectativas entre acadêmicos de instituições de ensino e pesquisa é. cumpre os seguintes propósitos: (1) Desenvolver. utilizando os recursos técnicos e conhecimentos especializados disponíveis. com vistas ao bem-estar de seus próprios colaboradores. fornecer produtos e colaborar com o desenvolvimento da indústria e da sociedade através da fabricação de rolamentos de esferas que satisfaçam as necessidades dos nossos clientes. Estes temas são extremamente relevantes para a conjunta brasileira. “responsabilidade social empresarial é uma forma de conduzir os negócios que torna a empresa parceira e co-responsável pelo desenvolvimento social.

Em 2006 novas atividades. A Caminhada teve encerramento em um parque local. não apenas dos acionistas ou proprietários”. fabrica para o mercado latino americano. Komatsu: “Trabalhando com o Futuro” Responsabilidade social é prioridade na Komatsu do Brasil: desde sua fundação em 1975. a Komatsu criou o projeto chamado “Trabalhando com o Futuro”. e na inclusão contínua dos princípios do desenvolvimento sustentável por meio de gestão ambiental. Este projeto rendeu a Komatsu do Brasil o 1º Premio Mogi News de responsabilidade social empresarial do Alto Tietê. hoje a Komatsu do Brasil é a base de fabricação mundial dos tratores de esteira de médio porte. responsável por encaminhar os voluntários. alem de promover através de peça teatral aos alunos do ensino fundamental e médio. prestadores de serviço. O reconhecimento da busca constante pela excelência em qualidade se reflete através da certificação ISO9001: 2000. novos voluntários podem aderir e cooperar. os quais exporta para o mundo todo. respeito ao meio ambiente e contribuição para o desenvolvimento da comunidade em que atua. os colaboradores são acionados sempre que estiver em curso alguma ação voluntária do núcleo ao qual pertencem. Amparo aos Necessitados. a NSK também apóia a Fundação Abrinq. governo e meio ambiente) e conseguir incorporá-los ao planejamento de suas atividades. São esses os quatro Núcleos NSK de Ação Social – NNAS's – dos quais fazem parte vários colaboradores da empresa. Durante essas ações. Iniciado em setembro de 2004 reuniu alunos na faixa de 14 anos de uma Escola da rede Estadual de Ensino em uma visita a fábrica. Por meio da “1ª Caminhada em prol do meio ambiente”. . conforme a área de interesse de cada um. Ao longo desses 31 anos. Educação. Para promover a conscientização ambiental e o desenvolvimento sócio-cultural de seus funcionários. organizações não-governamentais (ONGs) e os cidadãos. além da rede de revendedores e fornecedores. Eles são direcionados por um comitê específico. consumidores. foram arrecadados 890 quilos alimentos e doados a uma entidade local. onde através de palestras e jogos introduziu o conceito de conscientização ambiental. A partir de então. exposição cultural sobre as regiões brasileiras e a semana do meio ambiente para os funcionários da Komatsu do Brasil serão desenvolvidas. governo. onde alunos das Escolas participantes tiveram a oportunidade de expor trabalhos sobre preservação do meio ambiente. incentivando e ampliando iniciativas de cunho social. relacionamento familiar e autoestima. O projeto NSK Cidadã visa colaborar com o desenvolvimento comunitário. Além disso.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 69 socialmente responsável é aquela que possui a capacidade de ouvir os interesses das diferentes partes (acionistas. familiares e de toda a Comunidade de Suzano onde está localizada. estendeu o ciclo de palestras sobre coleta seletiva aos seus funcionários e educadores da rede pública local. buscando atender às demandas de todos. a empresa vem exercendo a cidadania corporativa através de 3 fundamentos: a valorização dos funcionários. funcionários. comunidade. No ano seguinte. são executadas duas ações permanentes e cinco semanas de atividades internas que trazem resultados significativos para a comunidade. fornecedores. Além disso. aberta a toda a comunidade e contando com funcionários como voluntários. Comunidade. pás carregadeiras e motoniveladoras. a 2ª caminhada em prol do meio ambiente. desde a mobilização até a prestação de serviços essenciais à população. promovendo ações integradas com empresas. tais como palestras e peças em 5 escolas da rede Estadual. Meio Ambiente. conceitos sobre a preservação do meio. Por meio do projeto. através da certificação ISO14001. escavadeiras. Com 730 colaboradores diretos.

A melhor saída é coletar o esgoto e tratá-lo para diminuir a poluição". um manancial precisa de cuidados especiais. por exemplo. Infelizmente. a expansão das grandes cidades aconteceu de forma superbagunçada. comprometendo as fontes d' água próximas às metrópoles.e triste . Pior para as cidades populosas do interior: com rios sujos e com pouca água potável. O problema é que boa parte dessas reservas está comprometida. Mananciais Mananciais são todas as fontes de água. antes dessa nojeira toda. o Paraíba do Sul engrossa o volume do Guandu seis vezes em . o jeito é retirar água de lençóis subterrâneos. a cidade começou a se expandir em direção à represa de Guarapiranga.5 milhão de habitantes. garantidos nas chamadas leis estaduais de proteção a mananciais.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 70 É dessa forma que a Komatsu do Brasil procura contribuir para o desenvolvimento do país e para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos brasileiros. A partir da década de 70. não é viável remover as pessoas de lá. Nessas regras. lagos. Para cumprir sua função. Para piorar as coisas para os paulistanos.é o do rio Tietê. o ponto principal é evitar a poluição das águas. contamos um pouco mais sobre o drama da represa de Guarapiranga e mais quatro casos de desrespeito às fontes de água em outras metrópoles. enquanto o rio das Velhas acabou contaminado por metais pesados despejados pelas usinas siderúrgicas construídas junto às suas margens. um dos principais mananciais da capital carioca precisa da ajuda do rio Paraíba do Sul para diminuir sua poluição. Como resultado. a superexploração fez baixar o nível dos reservatórios. represas e lençóis freáticos. "Hoje. com milhares de ocupações clandestinas que despejam esgoto no manancial sem nenhum tratamento. afirma o sociólogo Ricardo Araújo. o mais famoso rio paulista poderia ser um manancial para milhões de habitantes. A boa notícia é que o rio das Velhas já dá sinais de melhora depois de um processo de revitalização iniciado nos anos 90 BACIA DO RIO PIRACICABA (interior de São Paulo) A água desse rio e de seus principais afluentes fica poluída depois de passar na área de grandes cidades como Campinas e Limeira. São Paulo não é o único lugar do Brasil onde os mananciais estão em perigo. Segundo. A represa de Vargem das Flores recebe esgoto das casas de seu entorno. Isso inclui. Em tese. a população na região saltou de 330 mil habitantes nos anos 80 para 750 mil no ano 2000. a represa de Guarapiranga sofreu com a explosão demográfica: segundo a Sabesp. SP) Poluída pelo esgoto de loteamentos irregulares e favelas. a capital paulista "rouba" desse sistema cerca de 50% de sua capacidade de abastecimento. da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). O exemplo mais conhecido . Primeiro. Por aqui. MG) A capital mineira é abastecida por esses dois mananciais com problemas de poluição. que podem ser usadas para o abastecimento público. a grande quantidade de esgoto não coletada se infiltra no solo e polui os lençóis. superficiais ou subterrâneas. Como retirar toda essa gente é inviável. coisa muito difícil de se conseguir em um país como o Brasil. o governo do estado promete investir na urbanização de favelas e aumentar a rede de esgoto no entorno do principal reservatório da cidade RIO DAS VELHAS E REPRESA VARGEM DAS FLORES (Belo Horizonte. os custos com o tratamento de água aumentaram dez vezes nos últimos 15 anos. Hoje. Mas. mas quase 100 anos de poluição acabaram transformando o rio em um enorme esgoto a céu aberto. os racionamentos e rodízios de água já começam a se tornar comuns na região ÁGUAS SUBTERRÂNEAS (Recife. deixando a água com muito sal e prejudicando o consumo RIO GUANDU (Rio de Janeiro. que corta a capital de São Paulo e boa parte do interior. rios. No quadro ao lado. RESERVATÓRIOS EM RISCO Crescimento desordenado ameaça a qualidade da água nas maiores áreas urbanas do país REPRESA DE GUARAPIRANGA (São Paulo. PE) Como a capital pernambucana não tem rios permanentes capazes de fornecer água a seu 1. RJ) Emporcalhado pelo esgoto. outras importantes reservas de água estão ficando comprometidas.

para a implantação de culturas agrícolas e de pastagens. dadas as dimensões continentais do País. na maioria dos casos. A noção de recursos naturais inesgotáveis. ou outros tipos de cobertura vegetal nativa. sem qualquer tipo de produção. É necessário que as autoridades responsáveis pela conservação ambiental adotem uma postura rígida no sentido de preservarem as florestas ciliares que ainda restam. pelo contrário. afetando diretamente a quantidade e a qualidade da água e conseqüentemente a fauna aquática e a população humana.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 71 relação à vazão original. Ao longo da história do País. as matas ciliares sofrem pressão antrópica por uma série de fatores: são as áreas diretamente mais afetadas na construção de hidrelétricas. cedendo espaço para as culturas agrícolas. facilitando o deslocamento da fauna e o fluxo gênico entre as populações de espécies animais e vegetais. para a agricultura e a pecuária e. cada vez mais aprimorados. e avança rapidamente para o Centro-Oeste e Norte. como a extinção de várias espécies da fauna e da flora. em variado estado de degradação. por florestas secundárias. As matas ciliares funcionam como filtros. as florestas ciliares continuam sendo eliminadas cedendo lugar para a especulação imobiliária. que ficam às margens de rios. Apesar da reconhecida importância ecológica. exercem a proteção do solo contra os processos erosivos. em muitos casos. O nome “mata ciliar” vem do fato de serem tão importantes para a proteção de rios e lagos como são os cílios para nossos olhos. retendo defensivos agrícolas. Basta considerar que muitas cidades foram formadas às margens de rios. para os pecuaristas. e que os produtores rurais e a população em geral seja conscientizada sobre a importância da conservação desta vegetação. as pastagens e as cidades. é fundamental a intensificação de ações na área da educação ambiental. o Sudeste e o Sul. e de outras áreas degradadas que possibilitam. sendo transformadas apenas em áreas degradadas. que torna obrigatória a preservação das mesmas. visando conscientizar tanto as crianças quanto os adultos sobre os benefícios da conservação das áreas ciliares. São importantes também como corredores ecológicos. igarapés. lagos. portanto. a erosão dos solos e o assoreamento dos cursos d' água. poluentes e sedimentos que seriam transportados para os cursos d'água. eliminando-se todo tipo de vegetação ciliar. a restauração relativamente rápida da cobertura florestal e a . as matas ciliares não escaparam da destruição. Neste panorama. em que a água vem sendo considerada o recurso natural mais importante para a humanidade. ligando fragmentos florestais e. Este processo de eliminação das florestas resultou num conjunto de problemas ambientais. A definição de modelos de recuperação de matas ciliares. e muitas acabam pagando um preço alto por isto. foi sendo fragmentada. O processo de ocupação do Brasil caracterizou-se pela falta de planejamento e conseqüente destruição dos recursos naturais. ainda mais evidente nesta virada de século e de milênio. particularmente das florestas. Este processo de degradação das formações ciliares. além de desrespeitar a legislação. ou seja. nas regiões com topografia acidentada. com uma manutenção da produtividade das áreas já cultivadas. o processo de fragmentação florestal é intenso nas regiões economicamente mais desenvolvidas. as mudanças climáticas locais. olhos d´água e represas. ficando a vegetação arbórea nativa representada. pelo menos. Além das técnicas de recuperação propostas neste trabalho. principalmente. a cobertura florestal nativa. através de inundações constantes. são as áreas preferenciais para a abertura de estradas. Mas a sujeira não foi diluída o suficiente para o abastecimento direto da cidade do Rio e o Paraíba do Sul ficou com menos água para prover as cidades do sul do estado . foram alvo de todo o tipo de degradação. representam obstáculos de acesso do gado ao curso d 'água etc. salvo algumas reservas de florestas bem conservadas. Assim. resulta em vários problemas ambientais. estimulou e ainda estimula a expansão da fronteira agrícola sem a preocupação com o aumento ou. Além do processo de urbanização. representada pelos diferentes biomas. Matas ciliares O que são as matas ciliares e as reservas legais? São florestas. Em regiões com topografia acidentada.

Estas peculiaridades conferem às matas ciliares um grande aparato de leis. o processo de degradação é antigo. Assim toda a vegetação natural (arbórea ou não) presente ao longo das margens dos rios e ao redor de nascentes e de reservatórios deve ser preservada. a extração de areia nos rios. banco de plântulas e de sementes no solo. Uma floresta ciliar está sujeita a distúrbios naturais como queda de árvores. a degradação pode ser agravada através da redução da fertilidade do solo pela exportação de nutrientes pelas culturas e. Situação Largura Mínima da Faixa Rios com menos de 10 m de largura 30 m em cada margem Rios com 10 a 50 m de largura 50 m em cada margem Rios com 50 a 200 m de largura 100 m em cada margem Rios com 200 a 600 m de largura 200 m em cada margem Rios com largura superior a 600 m 500 m em cada margem Nascentes Raio de 50 m Lagos ou reservatórios em áreas urbanas 30 m ao redor do espelho d'água Lagos ou reservatórios em zona rural. lagos. portanto.777/65) desde 1965 inclui as matas ciliares na categoria de áreas de preservação permanente. o ideal é que todo tipo de atividade antrópica seja bem planejada. se constituírem nos únicos remanescentes florestais das propriedades rurais sendo. Dependendo da intensidade do distúrbio. fatores essenciais para a manutenção da resiliência como.. Distúrbios provocados por atividades humanas têm. De acordo com o artigo 2° desta lei. que são cicatrizadas através da colonização por espécies pioneiras seguidas de espécies secundárias. para expansão de áreas urbanas e para obtenção de madeira. a largura da faixa de mata ciliar a ser preservada está relacionada com a largura do curso d' água. e que principalmente a vegetação ciliar seja poupada de qualquer forma de degradação. Pelo contrário. raios etc. etc.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 72 proteção dos recursos hídricos. que resultam em clareiras. além de. Em muitas áreas ciliares. não implica que novas áreas possam ser degradadas. os incêndios. em muitos casos. da compactação e da erosão do solo pelo pisoteio do gado e pelo trânsito de máquinas agrícolas. dependendo da intensidade de uso. . aberturas no dossel. capacidade de rebrota das espécies. decretos e resoluções visando sua preservação. 100 m ao redor do espelho d'água com área igual ou superior a 20 ha Represas de hidrelétricas 100 m ao redor do espelho d'água Um ecossistema torna-se degradado quando perde sua capacidade de recuperação natural após distúrbios. ou seja. O novo Código Florestal (Lei n. dificultando o processo de regeneração natural ou tornando-o extremamente lento. os empreendimentos turísticos mal planejados etc. A tabela apresenta as dimensões das faixas de mata ciliar em relação à largura dos rios. deslizamentos de terra. dentre outros. perde sua resilitência. essenciais para a conservação da fauna. 50 m ao redor do espelho d'água com área menor que 20 ha Lagos ou reservatórios em zona rural. Com o passar do tempo e. ou. maior intensidade do que os naturais. podem ser perdidos. chuva de sementes. tendo iniciado com o desmatamento para transformação da área em campo de cultivo ou em pastagem. pela prática da queima de restos vegetais e de pastagens. As principais causas de degradação das matas ciliares são o desmatamento para extensão da área cultivada nas propriedades rurais. na maioria das vezes. comprometendo a sucessão secundária na área afetada.° 4. As matas ciliares exercem importante papel na proteção dos cursos d' água contra o assoreamento e a contaminação com defensivos agrícolas. já que poderiam ser recuperadas. ou seja.

possibilita a identificação do estágio seral e a evolução da mesma. é função das metas e dos objetivos pretendidos com ela. as abelhas e os besouros. Uma estratificação vertical auxilia o entendimento da dinâmica da regeneração natural. modelos de recuperação mais complexos.Regeneração Natural: O monitoramento da comunidade jovem. Estudos mais detalhados determinam categorias de tamanho para a análise da regeneração. Neste caso é necessário algum tipo de intervenção.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 73 O conhecimento dos aspectos hidrológicos da área é de suma importância na elaboração de um projeto de recuperação de mata ciliar. quando comparados com outros indicadores biológicos. os cupins. envolvendo uma diversidade inicial maior de espécies.Banco de Sementes: . Através destes indicadores. de indivíduos. ou. Assim. percebe-se indicativo de que a sucessão está muito lenta na área e que as espécies tardias não estão conseguindo chegar até o local ou. Neste aspecto. secundárias iniciais. quando associada com a classificação sucessional das espécies (pioneiras. há uma sucessão de organismos da meso e macrofauna que estão presentes em cada etapa da recuperação destas áreas. Estes indicadores apresentam a vantagem de serem de quantificação relativamente fácil. bem como determinar o momento em que a floresta plantada passa a ser auto-sustentável. é possível definir se o projeto necessita sofrer novas interferências ou até mesmo ser redirecionado. tendem a promover uma recuperação mais rápida da biodiversidade e da funcionalidade do ecossistema.MG. lançadas na floresta. A menor unidade de estudo a ser adotada é a microbacia hidrográfica. secundárias tardias e climáticas). Fonte resumida: Recuperação de matas ciliares. A regeneração natural é analisada através de medições de diâmetro. Em nível de solo nas áreas em processos de recuperação. sugerindo que possam ser encontrados bioindicadores de cada uma destas etapas. Os insetos têm sido considerados bons indicadores ecológicos da recuperação. no nível do solo. por algum motivo não estão conseguindo se estabelecer. Sebastião Venâncio Martins. Estas informações são extremamente importantes na seleção das espécies a serem plantadas. banco de sementes. espécies típicas dos estágios iniciais da sucessão (pioneiras e secundárias iniciais) predominam em número de espécie e. Viçosa . as vespas. do ponto de vista estrutural estático e dinâmico. A quantificação da regeneração. 2001. Quando. embora estejam chegando. Editora Aprenda Fácil. Vários estudos têm proposto um conjunto de indicadores de avaliação da recuperação e da sustentabilidade dos projetos de restauração e. presentes em pequenas parcelas amostrais. as análises da regeneração natural são essenciais para se avaliar o sucesso da recuperação. compõe um indicador extremamente útil das condições de recuperação e de sustentabilidade da floresta ciliar. ao passo que outras só sobrevivem nestas condições. definida como aquela cuja área é tão pequena que a sensibilidade a chuvas de alta intensidade e às diferenças de uso do solo não seja suprimida pelas características da rede de drenagem. já que muitas espécies não se adaptam a condições de solo encharcado. Indicadores de Recuperação O sucesso de um projeto de recuperação de mata ciliar deve ser avaliado por meio de indicadores de recuperação. 2 . ou. principalmente as formigas. Não se pode cobrar uma elevada diversidade biológica em um projeto cujo objetivo tenha sido o de proteger o solo e o curso d'água dos efeitos negativos da erosão do solo de uma área extremamente degradada. É claro que a análise deve levar em consideração o tempo em que a floresta foi implantada. visando acelerar o processo de sucessão e de restauração das funções da mata ciliar. a produção de serapilheira e silvigênese. Em nível de microbacia hidrográfica é possível identificar a extensão das áreas que são inundadas periodicamente pelo regime de cheias dos rios e a duração do período de inundação. A avaliação da recuperação. Outros indicadores vegetativos podem ser medidos como: chuva de sementes. dispensando intervenções antrópicas. através de indicadores. manejo das florestas. 1 . na regeneração natural. e da altura das plântulas e plantas jovens.

o dossel normalmente encontra-se mais aberto. 4 . Transferindo para a casa de vegetação e livre de contaminações externas. Um banco rico em sementes de espécies invasoras ou ruderais sugere que. numa profundidade de 0-5 cm. É importante destacar que o banco de sementes é formado. Nas florestas maduras. Este processo é particularmente importante na restauração da fertilidade do solo nas áreas em início de sucessão ecológica. Em florestas secundárias jovens. Se a produção de serapilheira da área em avaliação está muito baixa em comparação com outras comunidades ciliares pode estar ocorrendo problemas. à medida em que as árvores cresçam e que suas copas se encontrem. a menos que ocorra um distúrbio. cabe ressaltar que este indicador deve ser combinado com outros principalmente com a regeneração natural. ou seja a cobertura superior da floresta formada pelas copas das árvores. Contudo. devem ser tomadas medidas visando estimular sua chegada na área. O importante é determinar a riqueza de espécies do banco de sementes e a proporção entre espécies nativas e invasoras. apresentam dispersão a longa distância e. Em uma área ciliar em recuperação. Porém.5 cm. normalmente. A quantificação da serapilheira. com grandes espaços entre as copas das árvores. necessariamente. estas espécies poderão vir a colonizar a área. recebendo entradas via vegetação e. bem como a riqueza e a diversidade. permite estimar a produção anual por hectare. principalmente. causando maior sombreamento no sub-bosque e favorecendo a regeneração das espécies tardias. presentes na vegetação arbórea local. uma vez que são as espécies pioneiras que irão desencadear o processo de colonização de uma área. em menor proporção. portanto. por sua vez. Após um determinado tempo. esta informação é muito importante. lançada na superfície do solo. sem posterior replantio. Como as espécies pioneiras são mais importantes na definição da estrutura da floresta. assim. espera-se que o dossel torne-se cada vez mais fechado. como a abertura de clareiras. formadoras de bancos de plântulas. as sementes germinadas são contadas e as plântulas identificadas. esperase que estas espécies pioneiras presentes no banco não encontrem condições favoráveis à germinação e ao estabelecimento. Numa área ciliar em processo de restauração. permitindo maior passagem de luz e. casas. especialmente as climáticas. decompondo-se e suprindo o solo e as raízes com nutrientes e com matéria orgânica. em termos ecológicos apresenta uma grande influência na regeneração das espécies arbustivo-arbóreas. pois é possível se obter um dossel muito fechado. o dossel apresentará muitas falhas. o nível de abertura do dossel pode ser um bom indicador da recuperação de uma mata ciliar. o dossel é mais fechado.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 74 O banco de sementes compreende as sementes viáveis presentes na camada superficial do solo. podendo competir com as espécies nativas. Através de uma moldura de 05 X 0. que retém a maior parte das sementes. rasos. Contudo. o acúmulo de serapilheira e o tempo de sua remoção podem produzir mudança radical na estrutura. o material de origem vegetal (folhas. pois possibilita a comparação com outros estudos realizados em áreas ciliares. ao longo do ano. protegendo o solo da erosão. frutos e sementes) e.Produção de Serapilheira e Chuva de Sementes: A serapilheira compreende. com bom sombreamento e boa cobertura do solo em reflorestamentos homogêneos. após um distúrbio. este aspecto não diminui a importância do banco de sementes como indicador de recuperação e de sustentabilidade. flores. em nível de ciclagem de nutrientes. inibindo a regeneração de espécies não pioneiras. Em condições de boa cobertura vegetal e com bom sombreamento do solo. afetando a sustentabilidade da floresta ciliar. Desta maneira. A ausência ou a baixa densidade de sementes de espécies não pioneiras na chuva de sementes significa que estas espécies terão dificuldades de regeneração na área em recuperação. frente a um distúrbio natural. por espécies pioneiras que. além de atuar como barreira física às gotas de chuva.Abertura do Dossel: O dossel da floresta. em áreas em que ocorreu mortalidade elevada de mudas. coleta-se toda a serapilheira e o solo. e a regeneração natural de espécies não pioneiras poderá ser prejudicada. principalmente. o de origem animal (restos animais e material fecal) depositado na superfície do solo de uma floresta. Em comunidades sucessionais. 3 . e que. são fornecidas condições de luz e de umidade necessárias para a germinação das sementes. apesar da . Atua como um sistema de entrada e saída. afetando a substituição de espécies dominantes. não estão.

Manual de Saneamento e Proteção Ambiental para os Municípios. 1998. Editora Aprenda Fácil. ZOJER. determinando-se a proporção entre as áreas cobertas e as abertas. 1996. Belo Horizonte: DESA/UFMG. Minas Gerais: ABES.OZAWA. V. CAESB. Biblioteca de Tecnologias Ambientais: Uma proposta para a Engenharia Civil . em nível de cobertura do solo. Para Pensar o Desenvolvimento Sustentável. FELDMANN. Armando. 1994.DF.04. Marcos. 17. TOSETTO. Mariana S. MENDES. Hans. R. VON SPERLING. Marcos. VON SPERLING. OPÇÕES PARA TRATAMENTO DE ESGOTOS DE PEQUENAS COMUNIDADES. São Paulo:Brasiliense. Carlos A. CHERNICHARO. Consumo Sustentável. não são considerados auto-sustentáveis e são pouco eficientes na recuperação da biodiversidade. 1995. Anais do III Congresso Científico da Unicamp (painel)-1999. & VON SPERLING. Saneamento Ambiental. Uso Sustentado de Recursos Hídricos.. 2001. FUNDAÇÃO INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – FIBGE. É um método subjetivo.MG. Fonte resumida: Recuperação de matas ciliares. A. Laís A. HELLER. Silvia. Brasília . v. L. mas que possibilita uma visão geral do estado de recuperação de uma floresta. Pesquisa nacional de saneamento básico. Marcos.. T. v. Viçosa . Sebastião Venâncio Martins.. 2: Saneamento.. Tokyo – Japan. L. CETESB.Saneamento básico/ 2007 Técnico em Gestão Ambiental 75 proteção ao solo. Saneamento Ambiental. Fabio. V. . 1990. 1989. São Paulo: Governo do Estado de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente. Sumida City. 1995. Princípios do Tratamento Biológico de Águas Residuárias – Lodos Ativados.Tecnologia e perspectivas para o futuro. CHERNICHARO. Rio de Janeiro: FIBGE. L. BARROS. CATÁLOGO BRASILEIRO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL – CABES (1192/93).10:15-29pp-1998. Existem vários métodos para se estimar a abertura do dossel. A abertura do dossel também pode ser estimada através da projeção das copas das árvores. 45:20-23pp1997. Seminário Internacional de tratamento e disposição de esgotos sanitários . Sanare. NEGREIROS. O Impacto do Meio Ambiente nos Negócios.01. v. • • • • • • • • • • • • • • . ALVES. Bibliografia Tradução do livro: Rainwater & You: 100 Ways To Use Rainwateer Group Raindrops.. VON SPERLING. sendo a utilização de fotografias hemisféricas o método mais prático e preciso. Rio de Janeiro: ABES. Francisco.03. Minas Gerais: ABES. Princípios do Tratamento Biológico de Águas Residuárias – Lagoas de Estabilização. Sabriana P.46:5pp-1997. 1996. Minas Gerais: ABES. YWASHIMA. C. 1995. M. 221 p. 1997. v. Tratamento anaeróbio de esgotos: Situação atual e perspectivas. Princípios do Tratamento Biológico de Águas Residuárias – Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos.

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