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Início Psicologia Transtorno Do Déficit De Atenção E Hiperatividade: Sua Legitimação E
Reconhecimento Como...
Psicologia
TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE: SUA LEGITIMAÇÃO E
RECONHECIMENTO COMO TRANSTORNO NEUROBIOLÓGICO
Por Elaine da Câmara - RC: 23868 - 20/12/20181647
DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/psicologia/deficit-de-atencao
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ARTIGO ORIGINAL

CÂMARA, Elaine [1]

CÂMARA, Elaine. Transtorno Do Déficit De Atenção E Hiperatividade: Sua Legitimação E


Reconhecimento Como Transtorno Neurobiológico. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do
Conhecimento. Ano 03, Ed. 12, Vol. 04, pp. 31- 44 Dezembro de 2018. ISSN:2448-0959

Contents [hide]

RESUMO
INTRODUÇÃO
ATUALMENTE HÁ MAIS PESSOAS COM O TRANSTORNO?
TDAH É SINÔNIMO DE HIPERATIVIDADE?
PESQUISAS SOBRE O TDAH E SUAS FAIXAS ETÁRIAS
O QUE É INTEGRAÇÃO SENSORIAL?
COMO LIDAR COM O TDAH EM SALA DE AULA?
COMO FAZER O DIAGNÓSTICO TDAH?
QUAL O TRATAMENTO MAIS ADEQUADO PARA O TDAH?
POLÍTICAS PÚBLICAS E O TDAH
CONSIDERAÇÕES FINAIS
BIBLIOGRAFIA
RESUMO
Este artigo apresenta a definição de TDAH, sua diferenciação da hiperatividade, bem como a
história da evolução deste conceito através dos anos, visões do desenvolvimento do transtorno com
o crescimento da pessoa desde os primeiros sinais dos sintomas até a vida adulta, os principais
sintomas e como tais sintomas podem apontar para um diagnóstico de TDAH, os problemas e riscos
que podem ser desencadeados pela falta de tratamento do transtorno, a definição de integração
sensorial e os benefícios da terapia em crianças que apresentam TDAH, uma visão das crianças que
tem o transtorno em sala de aula bem como meios para integrá-los com o ambiente e o restante da
classe, a maneira de diagnosticar o TDAH de acordo com o DSM – 5, tratamentos empregados para
amenizar os sintomas do TDAH por meio de medicamentos e quais os efeitos deles no sistema
nervoso da pessoa que o utiliza, alertas quanto a descontinuidade do tratamento e os riscos da
automedicação com tais medicamentos ou o uso deles sem haver a necessidade, problemas causados
pela falta de amparo por meio de leis e órgãos regulatórios.

Palavras-chave: transtorno, atenção, hiperatividade, constituição, conceito, diagnóstico, tratamento,


políticas públicas.

INTRODUÇÃO
O Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é uma síndrome que pode ser
caracterizada pela desatenção, impulsividade e/ou hiperatividade. Apesar dos grandes avanços dos
estudos genéticos e das técnicas de neuroimagem, ainda não há um consenso definitivo sobre a
etiologia do transtorno.

Para as pesquisas científicas trata-se de uma síndrome heterogênea de origem multifatorial,


integrando fatores genéticos, neurobiológicos, ambientais e múltiplos genes associados, exigindo
atenção dos pais e de profissionais de áreas interdisciplinares. Este transtorno é considerado
atualmente uma das condições médicas mais pesquisadas e posta à prova de evidências científicas.

“O transtorno de déficit de atenção/ hiperatividade frequentemente compromete o rendimento


escolar e convívio social da criança, sendo que a atenção seletiva a estímulos relevantes é requisito
para a ocorrência das aprendizagens em geral”. (MOOJEN; DORNELES; COSTA, 2003).

Desde 1850 se conhece o transtorno, porém somente em 1902 surgiram os primeiros relatos e o
primeiro artigo publicado sobre o assunto e seus mecanismos neurobiológicos.

Nesta época George Still pediatra inglês, o primeiro professor de doenças infantis do King’s
College Hospital e autor de vários livros sobre o comportamento infantil normal e patológico.

Na história do diagnóstico do TDAH, de sua vasta produção, são retomadas três conferências
proferidas diante do Royal College of Physicians, no ano 1902, intitulado Algumas condições
psíquicas anormais em crianças, publicadas no The Lancet, no mesmo ano (Still, 1902).

Entre os anos 50 e 60 o padrão foi bem definido, mas somente foi reconhecido como transtorno em
1980.

A partir dessas pesquisas comprovou-se que o TDAH leva a alterações de funcionamento


neurológico, problemas motores, atraso de desenvolvimento neuropsicomotor, disfunções
cognitivas, prejuízos de rendimento no trabalho e nas atividades acadêmicas, por levar a excessivo
déficit atencional seletivo e sustentado, problemas de memória operacional, severas restrições na
autoestima, risco maior de insucesso profissional, traumas, quedas e hospitalizações, desagregação
familiar, separação conjugal e maior risco de suicídio.

ATUALMENTE HÁ MAIS PESSOAS COM O TRANSTORNO?


O que temos hoje são informações mais completas e esclarecidas graças ao auxílio da tecnologia.
Com mais informações, os casos e relatos ficam mais frequentes, nos dando a falsa impressão de
que há mais casos de crianças com TDAH atualmente do que na época de nossos avós. O que
podemos dizer de fato é que estamos mais alerta para identificá-lo.
Além disso, pesquisas recentes mostram que a incidência do TDAH é mais ou menos igual em todo
o planeta, independente do nível social e da cultura de cada país.

O transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é uma condição muito comum que
afeta cerca de 5% das crianças, e na maioria dos casos, os sintomas persistem na vida adulta. Ainda
muito estigmatizado, o transtorno se manifesta como desatenção, agitação e impulsividade.

No maior estudo já conduzido, médicos e cientistas de 23 centros de pesquisa ao redor do mundo


observaram atraso no desenvolvimento do cérebro dos pacientes com TDAH.

Neste estudo, mais de 3 mil pessoas (pacientes com TDAH e indivíduos saudáveis) entre 4 e 63
anos, foram submetidos a exames de neuroimagem estrutural por Ressonância Magnética, técnica
que permite estudar com precisão a estrutura do cérebro.

Em seguida, cada região cerebral foi avaliada através de um mesmo protocolo padronizado de
análise em todos os diferentes centros, obtendo-se informações específicas, como o tamanho e
volume de cada região. Desse modo, os pesquisadores puderam comparar cada uma das estruturas
cerebrais de indivíduos com e sem o transtorno.

Os resultados revelaram que estruturas como a amígdala cerebral, acúmbens e hipocampo,


responsáveis pela regulação das emoções, motivação e o chamado sistema de recompensa (que
modifica nosso comportamento através de recompensas) são menores nos pacientes com TDAH.

Quando se levou em conta a idade dos pacientes, observou-se que estas alterações são mais leves
em pacientes adultos, o que sugere que existe uma compensação ao menos parcial com o passar dos
anos.

Esses resultados são a sustentação mais sólida até o momento que o TDAH é um transtorno
relacionado ao atraso na maturação de regiões cerebrais reguladoras das emoções, pois essas
estruturas estão menos desenvolvidas, principalmente nas crianças.

Outro achado muito importante foi destacado no estudo: tais alterações não se devem ao uso de
medicamentos para tratamento do TDAH e nem à presença de outros problemas que podem surgir
associados ao transtorno, como ansiedade e depressão.

Baseado nessas informações pode afirmar que o TDAH é um transtorno que compromete o
desenvolvimento de regiões cerebrais importantes, como aquelas responsáveis por emoções,
motivação e sistema de recompensa.

Além disso, os primeiros sinais já podem ser sentidos e observados antes dos 5 anos de idade, com
efeitos no sono, na alimentação, no controle dos esfíncteres, no padrão motor, na linguagem e nas
dificuldades em memorizar e aprender sequências.

Por se tratar de um transtorno leva a problemas em todos os aspectos da vida do indivíduo e


daqueles que convivem com ele, pois atinge além dos níveis cognitivos, os afetivos, os sociais, de
autoestima, de autoimagem, agressividade, impulsividade e desatenção.

TDAH É SINÔNIMO DE HIPERATIVIDADE?


TDAH e hiperatividade não são sinônimos. A hiperatividade e a agitação não significam um
transtorno, porém podem ser sinais componentes do TDAH.
A agitação pode ser um padrão normal, dependendo da idade e se não causar prejuízos a quem a
tem, mas se estiver associada à dificuldade de se controlar de acordo com a necessidade e
exigências do contexto, esquecimentos frequentes, desorganização motora e espacial, incapacidade
de aprender com o erro, baixo rendimento em atividades que exijam prazo, tempo, espaço,
sequência, excessiva desatenção, inadequação social, problemas recorrentes de humor e aversão
grave as frustrações e a necessidade de esperar podem ser indícios de TDAH.

O problema não resulta da má educação, nem da falta de limites, mas sim de disfunções
neurológicas, segundo Dr. Paulo Mattos:

“esses achados são importantes para médicos e pais, pois demonstram claramente que o TDAH não
é “uma doença inventada”, não é meramente um “rótulo” para crianças difíceis e não se deve a
falhas na educação pelos pais”. (MATTOS, Paulo. 2017).

Por esse motivo temos que ter muito cuidado ao querer rotular uma criança impulsiva e hiperativa
como uma criança com TDAH.

PESQUISAS SOBRE O TDAH E SUAS FAIXAS ETÁRIAS


De acordo com pesquisas realizadas sobre o assunto, o paciente com TDAH manifesta um dos
sintomas relacionados ao transtorno, mas a predominância pode mudar durante as fases da vida. Ou
seja, uma criança com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, predominantemente
desatenta pode, em outro momento da vida, apresentar traço impulsivo ou hiperativo, e assim por
diante.

A tríade sintomatológica do TDAH é composta por: déficit de atenção, hiperatividade e


impulsividade. Mas não há uma necessidade de que os sintomas se manifestam em conjunto – ou
seja, pode haver predomínio desatenção, de hiperatividade ou, no maior grupo, um tipo de TDAH
combinado, quando a criança apresenta tanto hiperatividade, quanto impulsividade e desatenção.

A manifestação pontual ou isolada de alguns dos sintomas do TDAH não significa de forma alguma
que a criança, adolescente ou adulto tem o transtorno. Por isso, é preciso ter bastante cautela antes
de diagnosticar ou rotular alguém, a partir da observação das atitudes dessa pessoa em um único
ambiente (apenas na escola, ou apenas em casa, por exemplo).

Para que um sintoma seja atribuído ao transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, é necessário
que ele se apresente em combinação com outras manifestações, seja crônico e que traga prejuízos
para o paciente em ao menos três ambientes de sua vida, entre outras características.

Na infância, principalmente na idade pré-escolar e escolar podemos destacar alguns sintomas


característicos como:

– impulsividade e excesso de agitação: criança que tem seus relacionamentos afetados e perturba o
ambiente escolar, geralmente não se atenta as atividades a executar, está sempre em movimento,
tem dificuldade em se controlar no grupo e normalmente é vista como uma criança problemática.

– desatenção: crianças com dificuldade de completar as tarefas e atividades propostas é distraída e


desorganizada. Agindo desta forma têm prejuízos no desempenho escolar.

Segundo ROTTA temos:

“Nas crianças em idade pré-escolar, os sintomas mais comuns do TDAH são a dificuldade de
prestar atenção e os erros ocasionados por descuido – quando passa uma mosquinha a criança já
devia e perde a atenção. Ainda nessa idade a inquietude pode ser manifestar, o que impacta os
relacionamentos da criança e aumenta sua agressividade”. (ROTTA; BRIDI FILHO; BRIDI; 2016)

Na adolescência, a agitação e a necessidade de movimentação diminuem, consequentemente há


redução da hiperatividade motora.

Entretanto, alguns sintomas do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade permanecem como


a dificuldade de organização e planejamento; a dificuldade de manter a atenção na leitura; e a
dificuldade de controlar os impulsos.

Outro grave prejuízo nesta fase da vida pode ser em relação à autoestima, que fica bastante abalada.

Por conta da impulsividade excessiva, não é raro que adolescentes com TDAH (que não estão sendo
adequadamente tratados) se envolvam em situações potencialmente perigosas. Isto inclui desde
brigas, direção perigosa e esportes de risco, até o aumento da possibilidade do consumo e abuso de
álcool e outras drogas.

Vários estudos mostram que crianças com TDAH não tratadas tornam-se adolescentes com mais
prejuízos. O adolescente com TDAH sem tratamento tem histórico de reprovação escolar, mudanças
sucessivas de escolas, aumento na chance de quadro depressivo, transtorno de ansiedade e também
o risco de envolvimento com drogas – resultante da impulsividade e até mesmo como uma tentativa
independente de se livrar dos sintomas do TDAH.

Por isso, dizemos que a medicação para o tratamento do TDAH exerce um fator de proteção em
relação ao uso de drogas na adolescência, no caso de pessoas com TDAH.

De acordo com o Instituto para Pesquisas Cerebrais, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts


(MIT), cerca de 50% das crianças carregam os sintomas do TDAH para a vida adulta.

“Nos adultos, menos anos de estudos e a dificuldade de relacionamento resultam em uma vida
turbulenta, piores empregos, piores remunerações, agravamento na dificuldade de relacionamento
com colegas de trabalho, socialmente e na vida afetiva.” (Associação Brasileira do déficit de
atenção)

Quando não tratado de forma adequada, algumas das manifestações do transtorno de déficit de
atenção e hiperatividade nesta fase são:

Procrastinação;
Aproveitamento insatisfatório do tempo;
Desorganização com compromissos;
Dificuldade na execução de tarefas;
Sensação de inquietude;
Dificuldade de priorização;
Impulsividade, tanto no trabalho quanto das relações interpessoais;
Prejuízo na autoestima;
Brigas constantes com superiores no trabalho;
Alta frequência na mudança de empregos;
Acidentes de carro;
Gestação não planejada;
Abuso/dependência de drogas.
Adultos com TDAH podem naturalmente aprender a controlar seus sintomas ou compensá-los de
diferentes formas, como programando um tempo maior para executar determinadas tarefas,
utilizando agendas para se lembrar dos compromissos, etc.

Tabela – Principais manifestações do TDAH em cada etapa do desenvolvimento. Fonte: este quadro
é uma adaptação de Polanczyk e Rohde, 2012.

Fonte: autor
ATENÇÃO: a manifestação pontual e/ou isolada de algum sintoma de TDAH descrito no quadro
acima não significa de forma alguma que a criança, adolescente ou adulto tenha o transtorno.

O QUE É INTEGRAÇÃO SENSORIAL?


O terapeuta ocupacional trabalha com uma abordagem terapêutica utilizada para desenvolver a
organização das sensações, de modo que a criança possa usar o corpo de forma efetiva no meio
ambiente, respondendo aos desafios impostos pelo ambiente para aprendizagem. A essa abordagem
damos o nome de Integração Sensorial. Segundo ROTTA (2006) temos:

“… o ato de aprender se passa no sistema nervoso central (SNC), onde ocorrem modificações
funcionais e comportamentais, que dependem do contingente genético de cada indivíduo, associado
ao ambiente onde ele está inserido. O ambiente é responsável pela contribuição sensitivo, que
contribui com os aspectos afetivo-emocionais da aprendizagem”.

Nossos sistemas sensoriais: tátil, visual, olfativo, auditivo, gustativo, vestibular e proprioceptivo são
responsáveis pela captação de toda informação ou sensação que recebemos.

Desta maneira as experimentações e vivências das crianças combinadas as informações sensoriais


geram respostas adaptativas adequadas. A partir dessas respostas o sistema nervoso armazenará o
conhecimento adquirido, transformando-o em experiência para responder as vivências futuras.

A esse processo damos o nome de integração sensorial, o que facilita a compreensão de como as
sensações afetam o aprendizado, influenciando o desenvolvimento cognitivo, emocional e social do
indivíduo.

No caso de crianças com TDAH o que ocorre é a dificuldade no processamento dessas informações
sensoriais, resultando numa falha de comunicação entre os sentidos recebidos e os que chegam ao
cérebro, causando problemas de comportamento.

COMO LIDAR COM O TDAH EM SALA DE AULA?


Dificuldades escolares constituem queixa frequente, sendo motivo de encaminhamento à
especialistas e infelizmente a primeira reação de um profissional da educação diante da
possibilidade de ter um aluno com TDAH em sala de aula é de medo e insegurança.

Primeiramente por desconhecer estratégias pedagógicas que favoreçam a aprendizagem daqueles


que se mostram diferentes ou que desafiam uma rotina escolar, qual a melhor metodologia a
empregar durante as atividades, em segundo lugar o desafio de estabelecer uma relação satisfatória
entre docente e discente e o restante da turma.

Na graduação em Pedagogia, ou até mesmo no Magistério, muito pouco se ensina sobre o tema e a
carência na abordagem do assunto, sem um embasamento teórico e prático deixa a mercê de
achismos. Por esse motivo separamos algumas dicas que podem auxiliar esse profissional no seu
cotidiano:
– Estabelecer a confiança demonstrando atenção e interesse na criança: no caso de um aluno
desatento e que mostre dificuldade na compreensão dos conteúdos, é fundamental que o educador
desperte na criança a segurança que ele tanto precisa;

– Crie rotinas: a criação de um esquema de tarefas é um meio de desenvolver na criança a


habilidade de se organizar em itens importantes, como a organização da mochila, a produção dos
deveres de casa, o asseio da mesa e da cadeira usada durante as aulas;

– Aulas dinâmicas: para facilitar o entendimento da criança em relação aos conteúdos dados em sala
de aula, nada melhor que atrair a atenção do pequeno. Teatros, dinâmicas, músicas, desenhos e
gravuras contam bastante ponto na hora de agradar crianças, sobretudo aquelas que precisam de
uma concentração a mais;

– Esteja pronto para tirar dúvida do estudante: o ato de responder todas as dúvidas do aluno reforça
sua explicação e, consequentemente, a fixação do conteúdo na mente do pequeno;

– Tente puxar as aulas para a vida do aluno: isso significa que sua metodologia deve se aproximar
mais e mais do pequeno, para que ele possa assimilar os conteúdos com mais facilidade;

– Forme uma parceria com a criança: é importante que o pequeno sinta que está sendo visto e
valorizado em sala. Além dos deveres que são pertinentes ao estudante, tente atraí-lo para perto de
si, principalmente solicitando sua ajuda para vigiar a sala, ser seu ajudante em funções leves e que
podem ser feitas por uma criança;

– Tente sempre manter contato com o pequeno: durante a explicação em sala, tente ganhar a atenção
da criança com a exposição de exemplos de temas que podem o interessar.

É importante que haja uma parceria entre educadores, pais, profissionais da área da saúde e a
criança. Apenas com tal compreensão e determinação, a criança com TDAH encontrará formas de
viver melhor em todos os ambientes.

COMO FAZER O DIAGNÓSTICO TDAH?


O TDAH é um transtorno sem marcador biológico. Por ser um problema que se identifica pela
observação do comportamento, da cognição e do rendimento em situações sociais afetivas e
acadêmicas, não é diagnosticado por exames clínicos, como sangue e urina.

Porém pelos critérios diagnósticos do DSM – 5 e por meio de escalas de avaliação com lastro
científico confiável o transtorno pode ser identificado.

O DSM – 5 é um manual diagnóstico e estatístico feito pela Associação Americana de Psiquiatria


para diagnosticar os transtornos mentais e utilizado por psicólogos, psiquiatras, médicos e
terapeutas ocupacionais de todo o mundo.

De acordo com os critérios do Manual DSM – 5 o diagnóstico é obtido quando o paciente apresenta
pelo menos seis dos nove critérios de um dos domínios da síndrome no quesito desatenção e pelo
menos seis dos nove critérios do outro domínio hiperatividade e impulsividade; em pelo menos dois
locais de avaliação distintos, como por exemplo, na residência do paciente e na escola.

Atualmente existe uma lista de 18 sintomas, dos quais as nove primeiras se referem a desatenção e
as nove últimas a hiperatividade e impulsividade. Dentro deste contexto se a criança apresentar seis
ou mais sintomas de desatenção, ela será considerada TDAH predominante desatenta. Em
contrapartida se apresentar seis ou mais sintomas de hiperatividade e impulsividade será
considerada TDAH predominante hiperativa impulsiva.

Também descobriu-se que a principal causa do TDAH é genética e os sintomas ficam em maior
evidência na idade escolar. De acordo com suas características trata-se de um dos transtornos
crônicos mais frequentes entre crianças e adolescentes em idade escolar, que são encaminhados aos
serviços ambulatoriais especializados em saúde mental.

Nem todo profissional sabe diagnosticar o TDAH mesmo sendo especialista em neurologia ou
psiquiatria. No geral os neuropediatras e os psiquiatras infantis são os profissionais mais aptos para
o acompanhamento nestes casos e mesmo assim podemos ter diagnósticos equivocados. Dessa
maneira é importante salientar que:

“É preciso deixar claro que o TDAH é um transtorno do desenvolvimento associado a alterações no


nosso cérebro, e que precisa perder o estigma e ser tratado de modo apropriado”. MATTOS, Paulo
2017.

Caso contrário o diagnóstico errôneo pode acarretar sérios problemas, estigmatizando a criança e ou
o adolescente e causando mais danos.

QUAL O TRATAMENTO MAIS ADEQUADO PARA O TDAH?


Com relação ao tratamento ouve-se muito falar sobre a Ritalina. Criada por volta de 1950, a este
medicamento foi desenvolvido inicialmente apenas para crianças com transtorno de atenção ou
déficit e hiperatividade. Porém, com o passar dos anos, este medicamento passou e ficar famoso e
ser consumido entre os adultos.

A Ritalina é um medicamento que tem como princípio ativo o Cloridrato de Metilfenidrato,


composto usado para combater a sonolência excessiva, mantendo o sistema nervoso central em
estado de alerta, auxiliando na concentração e no controle mental.

No cérebro humano o Metilfenidrato é um potente inibidor da recaptação da dopamina e da


noradrenalina. No caso da noradrenalina temos o aumento da atenção e no caso da dopamina o
controle dos centros motores.

O Metilfenidrato bloqueia a captura das catecolaminas pelas terminações das células nervosas pré-
sinápticas, impede que sejam removidas do espaço sináptico, sendo assim a dopamina e
noradrenalina extracelulares permanecem ativas por mais tempo, aumentando significativamente a
concentração desses neurotransmissores nas sinapses, elevando o nível de alerta do sistema nervoso
central, incrementando os mecanismos excitatórios do cérebro.

A eficácia do uso deste medicamento à base de psicoestimulantes é sustentada por pesquisas que
indicam melhora no desempenho em testes de tempo de reação e atenção concentrada. Isto resulta
numa melhor concentração, coordenação motora, controle dos impulsos e foco para realizar
qualquer tarefa do dia a dia, bem como sensações de bem estar e disposição.

O fato de o médico prescrever o uso de Ritalina em pacientes diagnosticados com TDAH é baseado
no que a ciência preconiza e não justifica generalizar e achar que todo o médico que dá essa
indicação é controlado ou seduzido pela indústria farmacêutica.

Conforme Collares e Moysés (2010) o uso da medicação para o tratamento do TDAH e/ou déficit
de atenção cresceu em larga escala, no Brasil:
“O Brasil é o segundo maior consumidor deste medicamento. A adesão dos pais ao medicamento
deve-se, provavelmente, à melhora da capacidade da atenção e ao controle da agitação. Entretanto,
quando os pais são questionados sobre os efeitos adversos do medicamento, é possível constatar que
não há uma compreensão dos familiares sobre os possíveis efeitos colaterais que este pode causar.
Além disso, o uso do medicamento é a forma mais evidente de concretizar que o problema/erro é
exclusivo da criança, e que o remédio irá corrigir, como o próprio nome sugere (Concerta®)”.

Segundo estudo da ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária (2012) o consumo do


medicamento é reduzido nos meses de férias. O fato alertante neste caso é que de acordo com
muitos profissionais da área da saúde o TDAH é um transtorno neurológico e crônico, o que não
justifica a descontinuidade do tratamento neste período.

Ao contrário aquele que induz ao abandono do tratamento comete ato lesivo muito pior, pois se
engana e alienia o seu filho, destinando a não ter as mesmas oportunidades que os outros.

Se por um lado há um maior conhecimento e identificação dos problemas e suas causas a partir de
seu uso, por outro lado quando usado de maneira indevida e sem prescrição médica, no caso de
pessoas que querem melhorar sua concentração, prepararem-se para concursos públicos, provas,
vestibulares ou em festas raves. O que em longo prazo pode vir a causar danos.

POLÍTICAS PÚBLICAS E O TDAH


A falta de políticas públicas para regulamentar e não proibir ou coibir o uso da Ritalina vem
causando problemas.

Para falarmos de políticas públicas devemos lembrar que é fundamental o conhecimento da


patologia, bem como sua incidência demográfica e quais os recursos que serão destinados e
mobilizados para a prevenção da mesma.

“Para os órgãos governamentais que elaboram e planejam as políticas de assistência à saúde, torna-
se fundamental o conhecimento da prevalência de uma determinada patologia na população para a
alocação e priorização de recursos destinados à prevenção, proteção e promoção da saúde”. (Díaz et
al., 2013)

Segundo o relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) as investigações científicas tem sido
indispensáveis no desenvolvimento da saúde pública, pois além de investigar a distribuição da
enfermidade na população global, possibilitam a análise dos possíveis fatores determinantes da
patologia.

Apesar dessas descobertas, há limitações que precisam ser superadas como a metodologia aplicada
para a amostragem da população alvo, a localização demográfica, a precisão diagnóstica de acordo
com os fatores sociais e as fontes utilizadas como formas de rastreamento.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste artigo pretendemos compreender a história oficial do TDAH, sua legitimação e
reconhecimento como transtorno neurobiológico.

Esta pesquisa foi realizada a partir de dados coletados por meio de várias fontes, dentre elas, livros,
artigos e sites.

A princípio descobrimos que desde 1850 se conhece o transtorno, porém somente em 1902 surgiram
os primeiros relatos e o primeiro artigo publicado sobre o assunto.
Em 1980 a patologia foi reconhecida como “transtorno”, termo que passou a ser usado nos
diagnósticos posteriores.

Após essas datas as queixas escolares intensificaram-se e a necessidade de diagnosticar tal


transtorno em crianças hiperativas e consideradas destoantes do restante da turma se tornou uma
regra.

Infelizmente esses diagnósticos muitas vezes eram precoces e errôneos, o que acabava por acarretar
danos irreversíveis no que tange a autoestima desses indivíduos.

Esses equívocos encontrados nos diagnósticos nos levaram a estigmatização daqueles que assim
foram diagnosticados e posteriormente rotulados como portadores de tal patologia, nos fazendo
pensar na complexidade e na problemática de se chegar a um diagnóstico real e preciso.

A partir de então, iniciou-se uma discussão sobre o assunto e após algum tempo descobriu-se a
diferenciação entre o TDAH e a hiperatividade.

Foi com base nestes fatos que a Organização Mundial de Saúde publicou um estudo minucioso que
posteriormente resultou no DSM-5, atual manual diagnóstico e estatístico feito pela Associação
Americana de Psiquiatria para diagnosticar os transtornos mentais, validado no mundo todo.

Dentro deste contexto e amparados pela tecnologia foi possível mapear o cérebro humano e
verificar que áreas responsáveis pelos processos de recompensa, emoções e motivação são menores
nos pacientes com TDAH.

A busca por um tratamento eficaz levou a adotar o uso medicamentoso conhecido como Ritalina ou
Concerta, cujo princípio ativo o Cloridrato de Metilfenidrato, composto usado para manter o
sistema nervoso central em estado de alerta, auxiliando na concentração e no controle mental.

Segundo dados coletados pela ANVISA o Brasil é o segundo maior consumidor deste medicamento.
Se considerarmos que a prevalência mundial do transtorno é estimada em torno de 5% teremos um
número desnecessário de pacientes que fazem uso da medicação.

Por outro lado, se reforçam as informações de que precisa tomar o remédio para se concentrar, e
para poder, assim, “ser normal”.

Aliado a esse tratamento temos também o que chamamos de Integração Sensorial. Nesse tratamento
o Terapeuta Ocupacional trabalha para desenvolver a organização das sensações, de modo que a
criança possa usar o corpo de forma efetiva no meio ambiente, respondendo aos desafios impostos
pelo ambiente para aprendizagem.

Outro fator relevante é que os sintomas do TDAH iniciam-se na infância e persistem na


adolescência e na idade adulta em um número considerável dos casos.

Posteriormente relatamos que o medo e o despreparo do profissional da área de educação para lidar
com um aluno diagnosticado com TDAH em sala de aula tornaram-se um divisor de águas na busca
de estratégias e metodologias adequadas para esses casos.

Outro fator relevante é a interrupção do tratamento por parte de alguns pais em época de férias e
feriados prolongados, como se o tratamento estivesse unicamente vinculado a frequência escolar.
E para piorar a situação a falta de políticas públicas voltadas ao tema, nos leva a refletir sobre a
importância das pesquisas e descobertas relevantes que possibilitarão a metodologia aplicada para a
amostragem da população alvo, a localização demográfica, a precisão diagnóstica de acordo com os
fatores sociais e as fontes utilizadas como formas de rastreamento.

Cabe aqui ressaltar que cursos de especialização como o de Pós-graduação em


Neuropsicopedagogia, voltado a qualificar profissionais das áreas de Pedagogia, Psicologia,
Neurociências, Terapia Ocupacional e áreas afins, no sentido de instrumentalizá-los a partir de uma
fundamentação teórica e técnica em suas práticas diárias são essenciais.

Por ser a Neuropsicopedagogia uma ciência transdisciplinar nos possibilita fazer a co-relação entre
os processos neurocognitivos, as estratégias pedagógicas e os recursos que podem ser utilizados nos
diferentes âmbitos escolares, voltados ao processo de ensino- aprendizagem.

Além disso, capacitar os profissionais frente à compreensão do papel do cérebro do ser humano,
bem como suas funções, o desenvolvimento da linguagem, da escrita, do sistema psicomotor, dos
processos psíquicos e cognitivos do indivíduo são necessários para intervenções seguras e bem
fundamentadas.

Conhecemos hoje uma gama de patologias relacionadas aos problemas de aprendizagem, dentre
eles podemos citar como distúrbios mais comuns: a disgrafia (dificuldade na elaboração da língua
escrita), a discalculia (dificuldade de aprender tudo que esteja direta ou indiretamente ligado a
questões que envolvem números), a dislexia (dificuldade de decodificar palavras), as deficiências
como a auditiva, visual, intelectual e múltipla, as Síndromes como Down, Asperger e os transtornos
como o TDAH, que motivou esta pesquisa.

Adquirir clareza de como elas atuam no indivíduo, quais os seus sintomas, o seu diagnóstico, bem
como os tratamentos recomendados também fazem parte desse estudo.

Cabe ao Neuropsicopedagogo, aliado aos demais profissionais do cenário educativo, transformar a


realidade desses indivíduos, propondo novas metodologias voltadas às limitações de cada caso, com
olhares educativos, pautados na inclusão do indivíduo, facilitando assim a aprendizagem.

Agindo dessa maneira e compreendendo o aspecto da inclusão como uma oportunidade abrangente
de proporcionar a equidade entre os educandos, o profissional Neuropsicopedagogo é visto como
peça fundamental e necessária não só no ambiente escolar como na sociedade em si.

Acreditamos que este estudo não se encerra aqui, mas temos a convicção que o mesmo dará vazão
para outras pesquisas que virão a contribuir cada vez mais para o melhor entendimento do TDAH.

BIBLIOGRAFIA
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos
mentais: DSM-5. 5ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

COLLARES, C. A. L., & MOYSES, M. A. A. (2010). Dislexia e TDAH: uma análise a partir da
ciência médica. Em Conselho Regional de Psicologia de São Paulo e grupo interinstitucional queixa
escolar (Orgs.), Medicalização de Crianças e Adolescentes: Conflitos silenciados pela redução de
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Associação brasileira do déficit de atenção http://tdah.org.br/ 12/10/2017 às 9hs.

[1] Pós-Graduanda em Neuropsicopedagogia pela faculdade (FACAB). Professora de Educação


Infantil e Ensino Fundamental I na Prefeitura de SP.

Enviado: Março, 2018

Aprovado: Dezembro, 2018

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Elaine da Câmara
Pós-Graduanda em Neuropsicopedagogia pela faculdade (FACAB). Professora de Educação Infantil
e Ensino Fundamental I na Prefeitura de SP.
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1 COMENTÁRIO
Glaucia Barros 30/12/2018 at 10:48 pm
Mestre Uberto Gama, sou médica pediatra e me deparo no dia a dia com muitos casos de TDAH.
Seu artigo foi de grande valia! Obrigada!

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