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Informativo Eletrônico

33ª Edição

Panceflô - Janeiro/2017
Informativo Eletrônico

Governo do Estado de Mato Grosso


José Pedro Gonçalves Taques

Secretaria de Estado do Meio Ambiente


Carlos Henrique Baqueta Fávaro

Secretaria Executiva
André Luis Torres Baby

Secretaria Adjunta de Gestão Ambiental


Alex Sandro A. Marega

Secretaria Adjunta de Administração Sistêmica


Valdinei Valério da Silva

Secretaria Adjunta de Licenciamento Ambiental


Mauren Lazzaretti

Superintendência de Educação Ambiental


Marcos Antônio Camargo Ferreira

Coordenadoria de Educação Ambiental


Vânia Márcia Montalvão Guédes Cézar

Gerência do Conhecimento Ambiental


Joelma Aparecida Cavalcanti de Castro

33ª Edição

Panceflô -Janeiro/2017
Informativo Eletrônico

Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso - SEMA-MT.


Superintendência de Educação Ambiental.
Coordenadoria de Educação Ambiental.

ORGANIZAÇÃO: Gerência do Conhecimento A ­ mbiental,


Biblioteca “Arne Sucksdorff”.
PROJETO GRÁFICO/ARTE: Leonardo Nogueira.
REVISÃO ORTOGRÁFICA: Marcos Antônio Camargo Ferreira.

Colaboradores desta Edição:


Domingos de Jesus Rodrigues
Geferson Andrade de Souza
Ildisneya Velasco Dambro
Jean Carlos Ferreira
Márcia Cléia Vilela Dos Santos
Marcos Antônio Camargo Ferreira
Mariana Soares Moretti
Wallenstein Maia Santana
Sheila Sebalhos Santana
Solange Fátima de Oliveira Cruz
Wanessa Medrado de Souza Neves

Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem,


necessariamente, a opinião desta Secretaria de Estado de Meio Ambiente.

Panceflô - Janeiro/2017
SUMÁRIO

1
As medidas preventivas aos incêndios florestais em Mato Grosso
Estado da arte da prevenção dos incêndios florestais;
Conclusões.
P.06

2
Os polos madeireiros no Estado de Mato Grosso
Introdução;
Municípios do estado de Mato Grosso e seus principais biomas;
Rodovias, Hot Spot e Cold Spot madeireiros no estado de Mato Grosso;
P.11 Produção de madeira nativa em tora (m3) por microrregião do estado de Mato Grosso;
Conclusões.

3
A educação ambiental: fase vital para a prevenção de incêndios florestais no estado
de Mato Grosso
A Educação Ambiental;
Os Incêndios Florestais;
P.20
Danos aos Ambientes Florestais;
Campanhas;
Prevenção de Incêndios Florestais;
Conclusões.

Estimativa de Biomassa em Lianas em Áreas de Manejo Florestal no sul da

4
P.26
Amazônia
Resumo;
Área de Estudo;
Material e Método;
Conclusões.

5
Normas aplicadas ao manejo de florestas nativas no estado de Mato Grosso
Desenvolvimento;
Manejo Florestal Sustentável: Princípios; A função Ambiental, Social e Econômica possuem
como escopo; Modalidades de Plano de Manejo; Terra Indígena; Entorno de Unidades de
P.34 Conservação; Sobreposição de Áreas; Intensidade de corte proposta no PMFS; Diâmetro
Mínimo de Corte - DMC; Estudos Técnicos; Aproveitamanto de Resíduos; Atividades do
Engenheiro Florestal; Sanções Administrativas; Verificadas irregularidades na execução do
PMFS; Vistorias;
Conclusões.

Panceflô - nº33 - Janeiro/2017


Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

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Gestão de Resíduos Sólidos para Sustentabilidade Ambiental
A problemática dos resíduos sólidos urbanos;
Aspectos Legais;
Lincenciamento Ambiental;
P.42 Cenários possíveis para a minimização da problemática dos resíduos;
Sugestões e recomendações para gestão de residuos solidos nos municípios;
Conclusões.

7
Impacto dos incêndios florestais sobre a vegetação no bioma cerrado
Relação entre fogo e cerrado e interações antrópicas;
Ação Antrópica;
A influência do fogo sobre a estrutura fitofisionômica;
P.57 Resiliência;
Impactos na estrutura fitofisionomica;
O aspecto temporal e influência antrópica;
Conclusão.

8
O Gerenciamento de Resíduos Químicos do Laboratório de Ensino de Química Analítica,
Departamento de Química, UFMT.
Introdução;
Desenvolvimento;
P.63 Aspectos conceituais e legais;
O programa de gerenciamento de resíduos químicos;
O gerenciamento dos resíduos químicos nos laboratórios da Universidade Federal de
Mato Grosso;
Elaboração do rótulos;
Levantamento dos frascos;
Contratação de uma empresa especializada;
Neutralização de rejeitos ácidos e básicos;
Resultados e discussão: descarte do resíduo; conscientização e treinamento; Vistorias
dos frascos e quantificação dos resíduos;
Conclusões.

9
Novidadeiro
Meio Ambiente

P.85

5
Informativo Eletrônico

Seção Artigos

AS MEDIDAS PREVENTIVAS AOS INCENDIOS


01 FLORESTAIS EM MATO GROSSO
Sheila Sebalhos Santana & Marcos Antônio Camargo Ferreira

SHEILA - Major do Corpo de Bombeiros Militar do MARCOS - Engenheiro Florestal, Doutor,


de Mato Grosso. Graduada em Riscos Coletivos pelo Superintendente de Educação Ambiental da Secretaria
Instituto de Ensino de Segurança do Pará, Aluna do de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso.
Curso de Pós Graduação em Prevenção, Controle e Professor no Curso de Pós Graduação em Prevenção,
Combate a Incêndios Florestais do Corpo de Bombeiros Controle e Combate a Incêndios Florestais do Corpo de
Militar do Estado de Mato Grosso. Bombeiros Militar do Estado de Mato Grosso.

D urante a Conferência Global do Clima - COP 21, realizada em dezembro de 2015 em Paris, o Governo
de Mato Grosso apresentou uma proposta ousada para a redução de emissões de CO2 que pode chegar
a 6 gigatoneladas até 2030.

E ssa redução deverá ocorrer aliada ao aumento da produção, da conservação florestal, inclusão
socioeconômica da agricultura familiar e populações tradicionais.

O Estado de Mato Grosso também assinou o Under2 MOU (Memorando de Entendimento) se


comprometendo com ações para conter o aquecimento global. O grupo de signatários deste memorando
congrega 57 estados subnacionais de 20 países, dos quais 15 estão reunidos se reuniram na COP 21. No
Brasil, integram a lista Acre e agora Mato Grosso.

Panceflô - nº33 - Janeiro/2017


Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

A liado a isso, em conformidade com os Macros Objetivos Estratégicos definidos para o período de 2014
2018, a SEMA-MT, deverá reduzir o desmatamento ilegal, realizar a efetiva implantação e proteção das
unidades de conservação, reduzir a poluição das águas, promover a recuperação de áreas degradadas do
estado, trabalhar na conservação da biodiversidade e conservação dos solos.

U ma das maiores ameaças a esta meta estabelecida são os incêndios florestais. Segundo Soares (2007), o
incêndio florestal pode ser definido como um fogo incontrolado que se propaga livremente e consome
os diversos tipos de material combustível existentes em uma floresta.

O s incêndios florestais afetam, anualmente, uma área semelhante à metade da China, ou seja, cerca de
4.600.000km², segundo TNC (2004).

T odavia, segundo SOARES (2007), considerando que quase todos os incêndios florestais são provenientes
de causas humanas, eles são, em sua maioria, teoricamente evitáveis.

A incidência dos incêndios florestais nos diversos ecossistemas traz consequências danosas a diversos
segmentos da sociedade e afeta direta ou indiretamente todos os ecossistemas onde ocorrem e com
quais se relacionam.

D esta forma, considerando a importância do tema, o presente trabalho, vem ressaltar a adoção de
medidas prevencionistas no estado de Mato Grosso, uma vez que são contabilizados incêndios, em
níveis críticos, todos os anos nos biomas existentes no estado, alocando-o entre os primeiros em número
de focos de incêndios.

A abordagem aqui tratará de alguns conceitos, evidenciadeciará os viabilizadores para que esta prevenção
seja aplicada com vistas à redução na incidência dos focos no território estadual.

ESTADO DA ARTE DOS DA


PREVENÇÃO DOS INCÊNDIOS
FLORESTAIS

O s danos causados pelos incêndios afetam o solo, a vegetação, a fauna, consequentemente, direta ou
indiretamente a população. Por isso, medidas mitigadoras e preventivas são de suma importância para
evitar/minimizar a incidência e/ou os efeitos causados ao ecossistema.

E stado de Mato Grosso que possui grande extensão territorial, onde abriga três tipos de biomas
diferentes em toda a sua extensão territorial, o Cerrado (39,6%), a Floresta Amazônica (53,6%) e o
Pantanal (6,8%) necessita adotar essas medidas prevencionistas eficientes para manter o seu equilíbrio.

Figura 1: Mapa dos biomas de Mato Grosso


Fonte: Comitê Estadual de Gestão do Fogo

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Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

V ale ressaltar que o período proibitivo de queimadas acontece em cerca de três meses no ano. Nos
demais meses, caso as ações sejam efetivas, o reflexo dar-se-á na incidência de mais ou menos focos.
Por isso é necessário elaborar um cronograma no qual se estabeleça metas para a redução, com o devido
planejamento e organização da rotina de trabalho a ser adotada.

O estado da arte no que diz respeito a essas medidas deve acompanhar as necessidades atuais de forma
proativa. Conhecer os custos da prevenção e combate aos incêndios é uma maneira de dimensionar, em
termos econômicos, no que é mais viável investir e o que é mais eficaz.

S obre o tema, o Relatório das ações de 2015 do Comitê Estadual de Gestão do Fogo em Mato Grosso
apontou que foram gastos R$ 24.530,00 na prevenção passiva - educação ambiental, como, por exemplo,
palestras, campanhas educativas e audiências públicas, entre o mês de abril a julho - contra R$ 192.336,00
com a resposta.

A elaboração de planos de prevenção de incêndios florestais, presença de um batalhão de bombeiros e


brigadas de combate aos incêndios florestais são de grande utilidade para campanhas de prevenção e
combate ao fogo, mas a maioria dos municípios brasileiros está despreparada por ausência de programas
ambientais efetivos e que, realmente, se encaixem em seu perfil. (RIBEIRO et al., 2008).

N esse campo, alguns órgãos públicos são aliados e tem atribuições específicas na prevenção de incêndios
no estado, podendo citar o Prevfogo do IBAMA, o ICMBIO, o Comitê Estadual de Gestao do Fogo da
SEMA, bem como as prefeituras municipais, através das suas secretarias do meio ambiente.

O Relatório das ações de 2015 do Comitê Estadual de Gestão do Fogo em Mato Grosso apontou que “a
contratação temporária de brigadistas apresentou excelentes resultados” com rotinas de prevenção,
dentre outras.

T odavia esse sistema, que iniciou em 2001 com competência do PREVFOGO foi se remodelando ao longo
dos anos, sendo de atribuição do ICMBIO em 2009 em Unidades de Conservação Federal.

O PREVFOGO em 2011, com a Lei Complementar nº 140 passou a atuar fundamentalmente em Terras
Indígenas e Áreas da Reforma Agrária, efetivadas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária - INCRA , culminando em áreas federais com a criação do programa de brigadas federais em 2013.

O utro ente fundamental nas medidas preventivas é o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE
que apresenta o risco de fogo em vegetações, com períodos que podem variar em até 120 dias, além da
realização de previsões com maior intervalo.

N a esfera do governo municipal, em Sinop, um programa com boa visibilidade é o projeto Paranka que
visa a “sensibilização da população para a não realização de queimadas em áreas urbanas e rurais,
buscando à melhoria das condições de saúde e de qualidade de vida”. São distribuídos panfletos e realizadas
palestras para a conscientização da população no município.

O projeto que começou no ano de 2011, apresentou uma redução no número de focos de calor, em 2012,
em 17% se comparado ao ano anterior. Já no estado, no mesmo ano, houve um aumento de quase
100%.

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Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

Figura 2: Projeto Paranka


Fonte: Relatório final projeto paranka 2012

E m outra frente, os principios normativos previstos nas legislações e seu cumprimento também são
instrumentos valiosos na prevenção, já que a ação do homem é a maior causa dos incêndios florestais.
Dentre os diversos instrumentos legais existentes no país acerca do tema citam-se dois preceitos que já
dão a clareza para a proibição aos agentes causadores de incêndios florestais: a Lei Federal n° 9.605, de
12 de fevereiro de 1998, que trata dos Crimes Ambientais, em seu artigo n°41 quando prevê crime ao
“Provocar incêndio em mata ou floresta”, com pena de reclusão de dois a quatro anos e multa. No estado, a
Lei Complementar n° 233/2005, que trata da Política Florestal, o artigo n°. 10 quando diz que “É proibido
o uso de fogo nas florestas e demais formas de vegetação”.

N este sentido, ainda no período preventivo, é válido levar ao conhecimento da população e fazer a devida
conscientização das sansões a que está sujeita para quem infringir a legislação, através da educação
ambiental, campanhas educativas, utilização da mídia como aliada, dentre outras ações.

T odavia, como ficou evidenciado, apesar de obrigatório, o cumprimento à legislação não é mais eficaz
e nem mais econômico quanto a adoção de medidas efetivas que visem à antecipação dos fatores
causadores dos incêndios.

CONCLUSÕES

N o estado de Mato Grosso, a contratação de brigadas mistas se mostrou um agente efetivo para essa
prevenção e conscientização da população.

E m termos econômicos, as medidas de prevenção por meio de educação ambiental e campanhas


informativas, são ações muito importantes, e mais baratas do que dispender recursos humanos e
materiais apenas para combater os incêndios florestais.

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Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

REFERÊNCIAS

BATISTA, Antônio Carlos; SOARES, Ronaldo Viana. Incêndios Florestais: Controle, efeitos e uso do fogo.
Curitiba, 2007;

BRASIL, Lei Complementar nº 140 de 08 de dezembro de 2011;

BRASIL, Lei Federal n° 9.605 de 12 de fevereiro de 1998;

CONSERVANCY, The nature. El fuego, los ecossistemas y la gente: uma evaluación preliminar del fuego
como um tema global de conservación. Tallahassee, 2004;

INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS, disponível em: <http://www.inpe.br/>. Acesso em:


15/03/ 2016;

MATO GROSSO, Lei Complementar n° 233 de 21 de dezembro de 2005;

PREFEITURA DE SINOP, Relatório final Projeto Paranka - Sinop sem fogo. Sinop, 2012;

RIBEIRO, L. et al. Percepção e uso do fogo por produtores rurais do município de Novo Mundo, Amazônia
Mato-grossense, Brasil. In: SIMPÓSIO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS FLORESTAIS, 5., 2008, Brasília.
Anais... Brasília, 2008. p. 9;

SEMA, Relatório das ações de 2015, Comitê Estadual de Gestão do Fogo. Cuiabá, 2015;

WIKIPEDIA, disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_da_arte. Acesso em: 15/03/2016.

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Informativo Eletrônico

Seção Artigos

02 OS POLOS MADEIREIROS NO ESTADO DE MATO GROSSO

Mariana Soares Moretti

O setor de base florestal impulsiona a economia


dos municípios da Amazônia, principalmente
de Mato Grosso. Em 2009, Mato Grosso possuía
592 empresas madeireiras (SFB, 2010), consumo
de 3.920.627 m3 de madeira em tora (IBGE,
2015), produção de 1.795.000 m3 de madeira
processada, gerando 56.932 empregos diretos e
indiretos e receita brutade R$ 1.598.000,00 (SFB,
2010), demonstrando a importância do setor para
Mato Grosso. Segundo o IBGE (2015), a produção
de madeira em toras decresceu 32,07% nos anos
de 2010 (2.124.343 m3) a 2013 (1.441.082 m3).

E ste fato ocorreu, provavelmente, devido


ao aumento da fiscalização por parte
dos órgãos ambientais, as crises econômicas
mundiais no setor madeireiro (ALMEIDA et al.,
2012; ABIMCI, 2009), aumento da produção
MARIANA - Engenheira Florestal pela Universidade do de madeira de reflorestamento (IBGE, 2013),
Estado de Mato Grosso - Unemat, Mestra em Ciências escassez das principais espécies florestais
Florestais e Ambientais pela UFMT, Doutoranda em comercializadas, diminuição das áreas florestais
Ciências Florestais pela Universidade de Brasília – UnB (SILVA et al., 2010), substituição de madeira
e Analista de Meio Ambiente da Secretaria de Estado de tropical por produtos concorrentes como forros
Meio Ambiente – SEMA-MT.
de PVC, esquadrias de alumínio, fôrmas de metal
utilizadas na construção civil (SFB, 2010), preço
da madeira e entre outros.

A pesar do estado de Mato Grosso comercializar grande quantidade de produtos e subprodutos florestais
(CIPEM, 2015), parte desta matéria-prima é extraída e comercializada ilegalmente (Araújo, 2015).
Segundo Asner et al. (2005); Souza Junior (2005) e Nepstad et al. (2009), o manejo florestal realizado de
maneira predatória provoca danos substanciais as árvores remanescentes, ao sub-bosque (diminuição da
diversidade de plantas e da cobertura florestal e aumento da incidência solar) e ao solo (ressecamento dos
detritos), além do aumento da vulnerabilidade da floresta ao fogo e da perda de carbono para a atmosfera
(ASNER, 2014).

Panceflô - nº33 - Janeiro/2017


Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

A quantidade de produtos florestais explorados e comercializados por um município caracteriza uma


zona madeireira (SFB, 2010) ou um polo madeireiro (LENTINI et al., 2005). As Empresas madeireiras
aglomeraram-se em centros urbanos criados ao longo das rodovias, em áreas de concentração de serviços,
com infraestrutura e mão de obra disponível, próximas às áreas onde há cobertura florestal e boa logística
de transporte para a madeira em tora e processada. Uma aglomeração de empresas é considerada como
um polo madeireiro quando o volume de sua extração e processamento anual em tora é igual ou superior
a 100.000 m3 (VERÍSSIMO et al., 1998). Até 2004, as madeireiras localizavam-se ao longo do eixo da BR-
163 (Cuiabá-Santarém) no estado de Mato Grosso (LENTINI et al., 2005), sendo que atualmente situam-se
na região noroeste do Estado. Em 2009 o Estado possuía 20 polos madeireiros (SFB, 2010), decrescendo
23,07% entre os anos de 2004a 2009 (LENTINIet al., 2005).

O conhecimento do setor industrial madeireiro é de grande importância para caracterizar a situação


e dinâmica do setor madeireiro, identificando seus pontos fracos dessa migração de empresas
madeireiras para outras regiões do Estado. Segundo Ângelo et al. (2014), para a formulação de políticas
públicas para uso racional dos recursos florestais, o ordenamento da atividade do estado (zoneamento
ecológico e econômico) e garantir a sustentabilidade ambiental. Outra possibilidade é a distribuição de
incentivos fiscais (como a redução do ICMS) para a comercialização de madeira do Estado para outras
localidades. Além disso, pode verificar se o sistema atual de produção de madeira nativa (florestas naturais)
ou plantada (reflorestamento) garante o suprimento de madeira cada vez crescente no Brasil e no Exterior.
Diante disso, esta pesquisa possui o objetivo de identificar e analisar a evolução dos polos madeireiros
no estado de Mato Grosso entre os anos de 1990 a 2013, relacionando com as taxas de desmatamento da
Amazônia Legal. Além de verificar a situação da produção de madeira em tora durante esse período.

DESENVOLVIMENTO

O estado de Mato Grosso é dividido em três áreas distintas segundo o tipo de vegetação: Pantanal,
ocupando aproximadamente 10% da área territorial; Cerrado, com aproximadamente 40%, e Floresta
Amazônica, com 50% do território (RIBEIRO JUNIOR, 2003). Mato Grosso possui 141 municípios (Figura
1) (IBGE, 2010), distribuídos em 5 mesorregiões (Norte, Nordeste, Centro-Sul, Sudeste e Sudoeste) e 22
microrregiões (IBGE,2015).
Figura 1 –
Municípios do
estado de
Mato Grosso e
seus principais
biomas.

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O s dados referentes ao volume comercialização de madeira e valor da produção de madeira em tora


(nativa) do estado de Mato Grosso foram obtidos através da análise de séries históricas (1990-2013)
disponíveis no SIDRA (IBGE, 2015). Também foram consultados shapefiles relacionados às mesorregiões,
microrregiões e municípios de MT do ano de 2013, na escala de 1:250.000 (IBGE, 2015a) (Figura
1), a base cartográfica do sistema viário na escala 1:250.000 (SEPLAN, 2015), os biomas Amazônico e
Cerradoadquiridos do banco de imagens do Ministério do Meio Ambiente (MMA, 2015) e do PRODES (INPE,
2015) (Figura 2). Considerou-se polo madeireiro os municípios que extraíram e consumiram anualmente
madeira em tora igual ou superior a 100.000 m3 (VERÍSSIMO et al., 1998).

Figura 2 – Rodovias do estado de Mato Grosso.

O s polos madeireiros de Mato Grosso (Hotspot) apresentaram mudanças entre os anos de 1990 e 2013.
Em 1990, existiam 92 municípios que comercializaram madeira nativa em tora, sendo que apenas 11
foram considerados Hot Spot (Figura 3), localizados principalmente nas microrregiões de Sinop e Alto
Teles Pires. Destes, cinco municípios foram considerados polos madeireiros (Figura 4).

E m 1995, ocorreu um aumento de 40% na quantidade de polos madeireiros em relação ao ano de 1990.
Ocorreu uma redução no número de polos em 2013, alcançando a mesma quantidade encontrada
em 2005. Observa-se que esses polos localizavam-se ao longo da BR-163 (Cuiabá-Santarém), sendo esta
rodovia considerada, segundo Araújo (2008), como a que contribuiu para a colonização e divisão das terras
da Amazônia Matogrossense, principalmente na região Centro-Norte do Estado. Esse comportamento
seguiu até 2004, segundo Lentini et al. (2005).

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Figura 3 – Hot Spot e Cold Spot madeireiros no estado de Mato Grosso.

S egundo Rosendo e Teixeira (2004), a exploração madeireira iniciou na década de 1970, e havia muitas
espécies de valor próximas das madeireiras. A partir da década de 1990, essas espécies foram tornando-
se cada vez mais raras e tornou-se necessário buscá-las cada vez mais longe para obtê-las. Umas das causas
dessa migração é que a atividade madeireira na Amazônia foi realizada sem preocupação com o manejo
florestal, deixando a área explorada bastante degradada.

A nalisando a expansão madeireira na Amazônia Legal, verifica-se que em 2004, as madeireiras situadas
ao longo da BR-163 (Santarém-Cuiabá) eram responsáveis por 28% da madeira produzida na Amazônia.
O restante (13%) estava disperso no noroeste do Mato Grosso, sul de Rondônia e em Roraima (REVISTA DA
MADEIRA, 2006).

A té 2005, a microrregião de Sinop se destacava como grande exploradora de madeira nativa em tora,
principalmente entre os anos de 1994 e 1996 e entre 2002 a 2003 (Figura 5). No entanto a partir de
2011, iniciou uma diminuição da extração madeireira, provavelmente devido à diminuição da quantidade
de madeira disponível para comercialização. Zarim et al. (2005) considera a degradação florestal como um
fator para a diminuição da produção principalmente em polos antigos madeireiros.

A queda na produção de madeira em 2005 pode ser atribuída ao aumento da fiscalização pelos órgãos de
meio ambiente. Uma das operações mais conhecidas nessa época foram a Curupira1 (nos municípios
de Sinop, Cuiabá, Pontes e Lacerda, Cáceres, Alta Floresta, Aripuanã e Juara) e a Curupira 2 (no noroeste de
Mato Grosso). Foi iniciada em março de 2004 pela Policia Federal, se tornando assunto destaque na mídia
em 03/06/2005. O volume de madeira cortada ilegalmente na Amazônia Legal foi de aproximadamente

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Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

1,98 milhão de m3, retirados inclusive, de áreas indígenas, segundo Moura (2006). Essas operações foram
responsáveis pelo fechamento de várias madeireiras em todo o Estado de Mato Grosso.

A produção de madeira decresceu entre os anos de 2007 e 2008 (Figura 5), apresentando como causa o
aumento da fiscalização ambiental (SFB, 2010). Em 2007 o IBAMA realizou 134 operações, resultando
na apreensão de 228.450 m3 de madeira (IBAMA, 2008). Entre 2008 e 2009 houve uma intensificação da
fiscalização contra a extração ilegal de madeira, no âmbito do Programa Arco de Fogo, cujo foco era os 36
municípios críticos no desmatamento da Amazônia (SFB, 2010).

A queda da produção de madeira entre 2011 e 2012 proveniente das florestas naturais, segundo o IBGE
(2012), pode ser atribuída a fatores como: retração da demanda industrial, preços, disponibilidade de
mão de obra na coleta de determinados produtos e atuação de órgãos de controle ambiental e fiscalizadores.
Segundo o Serviço Florestal Brasileiro (2014), a redução dos investimentos no setor, em função da crise
econômica global em 2008, causou impactos negativos no segmento de madeira sólida, que ainda são
percebidos na atual dinâmica produtiva.

A indústria madeireira de Mato Grosso migrou para a região noroeste do estado ao longo do período de
estudo (Figura 3). Verifica-se que a indústria madeireira migrou-se, principalmente nas microrregiões
de Aripuanã (479.107 m3), Alta Floresta (255.367 m3) e Arinos (387.966 m3) (Figura 4). Segundo Lentini
et al (2005), as indústrias se expandiram para os polos madeireiros considerados mais recentes como os
de Aripuanã e Colniza.

A indústria madeireira está associada à oferta abundante de madeira de diversas espécies. Diante disso,
a migração das indústrias para novas fronteiras pode estar associada às dificuldades cada vez maiores
de se conseguir matéria-prima florestal, principalmente em fronteiras antigas (ÂNGELO et al., 2004).

A diminuição da produção madeireira durante o período analisado pode estar relacionado também com
o aumento da participação da silvicultura na produção madeireira nacional. Segundo IBGE (2013), de
uma produção total de 144.477.528 m3 de madeira em tora, 90,5% foram oriundos de florestas plantadas
e apenas 9,5% do extrativismo vegetal.

Figura 4 – Produção de madeira nativa em tora (m3) por microrregião do estado de Mato
Grosso para o período de 1990 a 2013.

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Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

A queda no consumo de madeira em tora pode estar associada à substituição da madeira nativa por
produtos concorrentes de madeira tropical. Esses produtos incluem forros de PVC, esquadrias de
alumínio, fôrmas de metal, utilizadas na construção civil vertical, MDF feito a partir de madeira plantada
(SFB, 2010). Segundo o IBGE (2012), a produção de madeira em tora oriunda do extrativismo vegetal em
2012 apresentou aumento de 5,2% em relação ao ano anterior. O licenciamento para corte de áreas de
manejo florestal sustentável, de desmatamento autorizado e de supressão de vegetação contribuíram para
este aumento.

A produção de tora vem registrando aumentos desde 2009, exceto nos anos de 2010, 2011 e 2013
(Figura 5). A produção de madeira nativa apresentou incrementos menos significativos entre 2012 a
2014, ao contrário da produção das florestas plantadas que registraram aumentos desde 2009. Este fato é
congruente com a diminuição do desmatamento (SFB, 2014). Segundo IBGE (2013), a atuação de órgãos
de controle ambiental e fiscalizadores, que ora intensificam a fiscalização, através da aplicação de multas,
fechando serrarias e carvoarias são fatores que explicam as oscilações na produção do extrativismo vegetal.

O utros fatores afetam a oferta de madeira no mercado interno e externo. Entre esses fatores citam-
se os custos de transporte, carência de pesquisa e informações técnicas, o baixo nível tecnológico, o
pequeno número de espécies utilizadas, a falta de linhas de crédito para produção e o descompasso entre
as atividades produtivas e os organismos oficiais normativos (ÂNGELO et al., 2004).

A nalisando o desmatamento total nos anos de 2000, 2005 e 2012, verifica-se que ocorreu uma
redução em 2012, sendo seu maior pico o ano de 2000. Os maiores valores foram obtidos nas regiões
consideradas áreas consolidadas e também polos madeireiros considerados antigos apresentaram as
maiores taxas de desmatamento. Em 2012 as áreas desmatadas avançaram em direção à região noroeste
do Estado, consideradas polo madeireiro recente (Figura 8). No entanto, verifica-se a existência de muitas
áreas florestais. Isso prova que a atividade madeireira não é responsável diretamente pelo aumento da
taxa de desmatamento (INPE, 2015; DOMINGUES e BERMANN, 2012). Segundo Walker et al. (2013), após
o auge da exploração florestal e finalização da atividade pelos madeireiros, proporciona a vinda de outros
empresários para esta área, convertendo a outro tipo de uso da terra, primeiramente com o desenvolvimento
da pecuária e posteriormente da agricultura.

D e acordo com a Figura 6, até 1996, a taxa de desmatamento em Mato Grosso seguiu aumentando.
Segundo Lapola et al. (2014) o desmatamento ocorrido na região amazônica antes da década de 1990
ocorreu devido a colonização de novas áreas, incentivos ao desenvolvimento da agricultura e da criação
de gado, os baixos preços da terra que atraíram muitos colonizadores e a expansão da fronteira. O pico de
desmatamento foi encontrado em 1998. Em 1997 e de 2004 a 2012, ocorreu uma queda no desmatamento.

16
Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

Figura 6 – Desmatamento total por município de


Mato Grosso entre 1990 e 2012.

CONCLUSÕES

A migração de indústrias madeireiras pode ser provocada por diversos motivos, entre eles está a elevada
exploração de madeiras com maior valor comercial, causando a diminuição da quantidade de madeiras
e fazendo com que os empresários tenham que buscar a matéria-prima cada vez mais longe. Dessa forma,
a empresa tem duas opções: fechar ou mudar para regiões mais próximas da matéria-prima.

O desmatamento diminuiu entre os anos de 1990 e 2012, indicando que a atividade madeireira não é
diretamente responsável pelo aumento do desmatamento na Amazônia.

17
Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

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19
Informativo Eletrônico

Seção Artigos

03 A EDUCAÇÃO AMBIENTAL: FASE VITAL PARA A PREVENÇÃO DE


INCÊNDIOS FLORESTAIS NO ESTADO DE MATO GROSSO
Wallenstein Maia Santana & Marcos Antônio Camargo Ferreira

WALLENSTEIN - Capitão do Corpo de Bombeiros MARCOS - Engenheiro Florestal, Doutor,


Militar de Mato Grosso, Tecnólogo em Gestão Superintendente de Educação Ambiental da Secretaria
Ambiental, Esp. em Politica Pública e Direitos Humanos de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso.
– UFMT, Aluno do Curso de Pós Graduação em Professor no Curso de Pós Graduação em Prevenção,
Prevenção, Controle e Combate a Incêndios Florestais. Controle e Combate a Incêndios Florestais do Corpo de
Bombeiros Militar do Estado de Mato Grosso.

N o Brasil, os incêndios florestais ainda perpetuam como protagonistas na degradação ambiental, tendo
os períodos críticos durante as estiagens com aumento dos números de focos, tamanho das extensões
da área queimada, que por sua vez gera os danos e prejuízos da flora e fauna do meio ambiente.

O fogo desempenha um importante papel na manutenção de alguns ecossistemas naturais e artificiais,


todavia representam grande preocupação, em função de sua ocorrência de forma descontrolada
representar uma fonte de perturbação permanente, acarretando perdas e danos materiais (PARIZOTTO,
2006).

Panceflô - nº33 - Janeiro/2017


Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

C onforme Parizotto (2006), a Educação Ambiental é a principal forma de atingir sensivelmente uma das
principais causas dos Incêndios Florestais que é o agente antrópico, utilizando assim a ferramenta mais
eficiente da conscientização e sensibilização para prevenção por meio de campanhas educativas contínuas

A EDUCAÇÃO AMBIENTAL

D o ponto de vista legal, a Educação Ambiental é definida nacionalmente como: “um componente essencial
e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis
e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal” conforme a Lei Nº 9.795, de 27 de
abril de 1999 que dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental

N o Estado de Mato Grosso, a Política Estadual de Educação Ambiental é regulada pela Lei Estadual nº
7.888/2003, que trata de Políticas de Educação Ambiental.

T rata-se de processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais,
conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente,
bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade.

N esse sentido, a educação ambiental de acordo com Reigota (1998) aponta para propostas pedagógicas
centradas na conscientização, mudança de comportamento, desenvolvimento de competências,
capacidade de avaliação e participação dos educandos.

P ara Zeppone (1999) a falta da Educação Ambiental é responsável pela “perda de qualidade de vida em
várias partes do mundo, e pela crescente queda de qualidade ambiental produzida pela ganância dos
lucros a qualquer custo, através da exploração predatória”.

S egundo o Mineiro (2001) que descreve a conscientização através da educação ambiental deve interiorizar,
de forma efetiva, cooperativa com todos os atores envolvidos na questão de Incêndio Florestal.

P ara Pádua e Tabanez (1998), a educação ambiental propicia o aumento de conhecimentos, mudança
de valores e aperfeiçoamento de habilidades, condições básicas para estimular maior integração e
harmonia dos indivíduos com o meio ambiente.

N esse contexto, Sorrentino (1998) afirma que os grandes desafios para os educadores ambientais são,
de um lado, o resgate e o desenvolvimento de valores e comportamentos (confiança, respeito mútuo,
responsabilidade, compromisso, solidariedade e iniciativa) e de outro, o estímulo a uma visão global
e crítica das questões ambientais e a promoção de um enfoque interdisciplinar que resgate e construa
saberes.

É importante ressaltar que o principal eixo de atuação da educação ambiental é o dever da busca, acima
de tudo, a solidariedade, a igualdade e o respeito à diferença através de formas democráticas de atuação
baseadas em práticas interativas e dialógicas. Isto se consubstancia no objetivo de criar novas atitudes e
comportamentos diante do consumo na nossa sociedade e de estimular a mudança de valores individuais
e coletivos (JACOBI, 1997).

N esse contexto, de acordo com o Jacobi (2003) aponta na atualidade o desafio de fortalecer uma
educação ambiental convergente e multirreferencial é prioritário para viabilizar uma prática educativa
que articule de forma incisiva a necessidade de se enfrentar concomitantemente a degradação ambiental
decorrente dos Incêndios Florestais.

21
Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

D e acordo com Dias (1998), que é necessário a importância da educação ambiental para a preservação
da natureza e a transformação social perante a conscientização ambiental em relação aos Incêndios
Florestais.

P rova disso, aponta Zeppone (1999), que foram os movimentos ambientalistas que muito contribuíram
para o surgimento e desenvolvimento da Educação Ambiental, pois tornaram conhecido para a
população os riscos das queimadas e da destruição da fauna e da flora.

OS INCÊNDIOS FLORESTAIS DANOS AOS AMBIENTES FLORESTAIS

I ncêndio florestal é uma reação química de


oxidação com desprendimento de luz e calor,
ou seja, combustão sem controle que se propaga O s efeitos dos Incêndios Florestais sobre o
ambiente florestal, conforme Fiedler (2003),
livremente no consumo de combustíveis naturais ainda têm sido ignorados em sua magnitude de
de uma floresta ou vegetação, tendo às variáveis diversidade de fauna e flora dos ecossistemas
e propagação o clima, topografia, ambiente e afetada pelo Incêndio Florestal.

O
combustíveis naturais (CARVALHO, 2009, 31). s Incêndios Florestais, independentemente

A fase inicial do incêndio florestal é denominada de suas origens, invadem matas adjacentes
superficial sempre começa através de um e florestas que tenham sido objeto de cortes
pequeno foco, sendo por fósforo aceso, toco de predatórios, cujo aumento do volume de biomassa
cigarro, fagulha, pequena fogueira, que tende seca e altamente combustível, a retroalimenta
a se propagar para todos os lados, de forma o ciclo dos incêndios florestais. Durante o
aproximadamente circular. Já o segundo estágio período da seca, os incêndios costumam invadir
do incêndio florestal é a forma alterada pela ação campos, reservas, pastagens e mesmo áreas de
do vento e da topografia. (SOARES, 1985). floresta primária, causando danos econômicos e
ambientais catastróficos para as populações locais
O s Incêndios Florestais têm como principal
causa a ação de pessoas conforme evidenciado
e para o meio ambiente (SAUER, 2005).
nos dados estatísticos apurados nos laudos
conclusivos da Perícia de Incêndios Florestais. S egundo Cochrane (2000) é necessário e urgente,
portanto, substituir as práticas tradicionais
de exploração econômica, como os Incêndios
É importante analisar que onde ocorrem os
incêndios florestais, quando eles ocorrem
e conhecer suas principais causas, porque, ao
Florestais, por técnicas de menor impacto no
equilíbrio ambiental.
se conhecerem as causas, pode-se estabelecer
um meio eficaz para prevenir ou minimizar suas D e acordo com Acselrad (2001), relata que
certamente encontrar a ausência de políticas
de prevenção aos incêndios florestais são
consequências (SANTOS, 2004).
vinculados ao livre curso dos grandes interesses
T al preocupação da utilização da fase de
prevenção nas ações necessárias que possam
pecuaristas e especulativos na região amazônica.
impedir as causas dos Incêndios Florestais a fim de
mitigar e, até mesmo, evitar os efeitos dos danos e O s incêndios florestais têm causado danos
ambientais, sociais e econômicos, sendo que
a ocorrência destes eventos varia em função da
prejuízos na flora e na fauna ambiental.
época do ano, causa, localização geográfica, tipo
de vegetação e área atingida (TETTO; BATISTA;
PIVOVAR, 2008).

22
Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

CAMPANHAS

A importância da funcionalidade das instituições governamentais e não governamentais é o poder de


disseminar movimentos de conscientização por meio de divulgações de informações que afligem e
afeta o estado de equilibrio do meio ambiente.

O grande esforço para implantar a consciencia ambiental por meio da Educação Ambiental para
conscientizar e sensibilizar a comunidade perante a necessidade de atuar na prevenção de Incêndios
Florestais que geram inúmeros danos e prejuízos ambientais economicos e sociais.

PREVENÇÃO DE INCÊNDIOS
FLORESTAIS

V elez (2000) afirma que as medidas de prevenção são classificadas em dois grupos: prevenção das fontes
de fogo e prevenção do fogo.

P ara Silva (2003) a educação ambiental deve utilizar mídia televisiva, rádio, jornais, palestras, seminários,
debates, cursos e treinamentos, deve integrar com outras instituições particulares, com Organizações
Não Governamentais e entidades governamentais, para tornar mais eficaz.

N esse sentido, Mineiro (2001) aponta que a importância das diversas instituições integradas atuando
na educação e prevenção dos Incêndios Florestais para a conscientização da sociedade.

A s escolas são ambientes bastante produtivos, onde o tema “meio ambiente” já inserido de maneira
significativa, devido ao esforço de inúmeros professores e pela ação de entidades que promovem a
sensibilização sobre o tema nas escolas.

P revenção conforme Botelho (1996) é um conjunto de ações que pretendem evitar que um sinistro
ocorra.

D e acordo com Soares; Batista (2003) um “incêndio é resultado de uma combinação crítica de
circunstâncias que poderiam ser evitadas ou impedidas de acontecer”.

N a grande maioria das vezes, o homem é o principal causador dos incêndios florestais, pois a grande
maioria deles é iniciada em decorrência de algum tipo de atividade humana (SANTOS, 2004).

O s meios de prevenção de Incêndios Florestais utilizadas são as campanhas educativas, a aplicação da


legislação ou de medidas coercitivas (MOORE et al., 1989).

D e acordo com o Soares (2001) a prevenção é a primeira linha de defesa contra os incêndios florestais.
Caso as ocorrências de incêndios em áreas florestadas ou reflorestadas pudesse ser totalmente
prevenida.

S egundo Heikkilã et al (1993), a melhor forma de reduzir a ocorrência e as causas de incêndios florestais
é por meio da prevenção em medidas educativas ambientais, por meio da realização de projetos e
programas educacionais, utilizando as mais diversas formas de comunicação para conscientizar a sociedade
da região que convive com o cenário das consequências do Incêndio Florestais.

A redução de ocorrências de incêndios pode ocorrer por meio da educação ambiental e fiscalização
vigorosas das legislações pertinentes sobre a proteção do meio ambiente (COUTO; CÂNDIDO, 1995).

M aus (1999) afirma com muita propriedade, que “não há nenhuma glória de combater um incêndio
que poderia ter sido evitado” evidenciando a importância da prevenção para reduzir a ocorrência de
Incêndio Florestal.

23
Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

CONCLUSÕES

C onforme a literatura consultada, a instituições públicas e privadas poderão reduzir custo na mobilização
de recursos humanos, materiais, equipamentos e viaturas para o Combate à Incêndios Florestais no
Estado de Mato Grosso, bem como na preservação da biodiversidade e manutenção do equilíbrio ambiental
nos ecossistemas do Estado de Mato Grosso com a ampliação e efetiva execução das atividades de Educação
Ambiental formal e não formal, para toda a sociedade mato-grossense.

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25
Informativo Eletrônico

Seção Artigos

Estimativa de Biomassa em Lianas em Áreas de Manejo


04 Florestal no sul da Amazônia
Márcia Cléia Vilela Dos Santos & Domingos de Jesus Rodrigues

MÁRCIA - Biologa, Doutora em Ecologia e Conservação DOMINGOS - Doutor em Biologia (Ecologia)


da Biodiversidade pela Universidade Federal de Mato pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia,
Grosso, Análista de Meio Ambiente e Coordenadora de Brasil(2006). Professor Associado I da Universidade
Indústria da Secretaria de Estado de Meio Ambiente. Federal de Mato Grosso.

RESUMO

A s lianas fazem parte da composição florística da maioria das florestas tropicais, e podem afetar a
diversidade de espécies arbóreas. A dinâmica de crescimento desse grupo pode alterar a composição
de árvores, a armazenagem de carbono e os fluxos de nutrientes e água dentro da floresta. Este estudo
registrou a distribuição, a composição de espécies, a densidade e a estimativa de biomassa de lianas na
grande escala amazônica e a interação entre clima seco, fragmentação florestal, intensidade e o histórico
do manejo florestal. Também analisou os impactos sobre a densidade de lianas, o balanço na relação lianas
e árvores, a composição florística e a biomassa. O estudo foi realizado na Amazônia mato-grossense nos
municípios de Claudia, região com alto número de planos de manejo florestal, no norte do Estado de Mato
Grosso. E também no Município de Cotriguaçu na fazenda São Nicolau. O protocolo de coletas de lianas
usado foi o sistema RAPELD e o conjunto de trilhas e parcelas disponibilizados pelo programa PPBio. Para
os cálculos de biomassa foram utilizadas equações alométricas.
Palavras chave: Manejo Florestal, Biodiversidade, Plantas Tropicais.

Panceflô - nº33 - Dezembro/2016


Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

A transformação e/ou descaracterização das


florestas tropicais nativas têm sido muito
rápida, resultando na eliminação ou fragmentação
perturbações naturais que ocorrem nas florestas.
No entanto, diferenças na composição florística e
densidade das árvores estão fortemente associadas
da floresta, acarretando perda da diversidade a características do solo e clima, dificultando a
biológica existente pela diminuição da riqueza de identificação de uma variável única como efeito
espécies e do tamanho das populações (Laurance causal da mortalidade (Condit et al. 1995; Ter
et al. 2001; Laurance et al. 2014), e alteração dos Steege et al. 2000, 2006; Chao et al. 2008).
processos relacionados com a manutenção da Devido a essas variações é imprescindível avaliar
diversidade (Morton et al. 2006). Essas alterações a quantidade de serrapilheira grossa e/ou
estão relacionadas com as mudanças estruturais necromassa, pois elas contribuem para o aumento
das florestas como, por exemplo, o aumento da de CO2 na atmosfera e na redução do estoque
abundância e biomassa de lianas (Schnitzer e de carbono em florestas (Harmon et al. 1990).
Bongers 2011). Pequenas alterações nas taxas de mortalidade

N o presente estudo, o termo liana foi adotado


de acordo com (Müller-Dombois e Ellemberg
1974; Gentry 1991), que consideraram lianas
de árvores e na decomposição de madeira em
florestas tropicais podem provocar a liberação de
grandes quantidades de carbono para a atmosfera
as plantas que germinam no solo, mantêm-se e acelerar o processo de mudanças climáticas
enraizadas durante toda a vida e escalam um (Phillips et al. 2009).

A
suporte. s lianas fazem parte da composição florística

A s lianas podem ser consideradas como um


componente importante em cenários de
extensos desmatamentos e mudanças climáticas
da maioria das florestas tropicais e podem
afetar a diversidade de espécies. A dinâmica
de crescimento desse grupo pode alterar a
(Laurance et al. 2001; Granados e Korner 2002; composição de árvores da comunidade, a
Phillips et al. 2002). As folhas de lianas com armazenagem de carbono e os fluxos de nutrientes
diâmetro a altura do peito maior que cinco e água dentro da floresta. Vários trabalhos foram
centímetros (DAP > 5,0 cm) são importantes no realizados em florestas tropicais úmidas, mas são
processo de sucessão primária por possuírem escassos os estudos desenvolvidos em florestas
uma maior e mais rápida produção de biomassa tropicais secas (ou em florestas amazônicas com
do que as árvores (Putz 1983), pois as suas folhas características ambientais predominantemente
apresentam em geral um menor tempo de vida mais seca, como são em determinadas áreas em
(Hegarty 1990) e contribuem com mais de 20% Mato Grosso) e áreas antropizadas (Schnitzer e
da biomassa foliar do dossel em florestas tropicais Carson 2000, 2001; Schnitzer et al. 2000, 2005;
(Hegarty 1988). Podendo controlar a temperatura T'abanez e Viana, 2000).

E
dentro da floresta, influenciando quando mortas sse trabalho teve como objetivos gerais:
podem se decompor com maior velocidade que Entender a dinâmica da comunidade de lianas
árvores no chão de floresta, contribuindo na em termos de composição de espécies, espécies
ciclagem de nutrientes, acúmulo de bioamassa dominantes, biomassa e diversidade de espécies;
dentre outros fatores. Além disso, as lianas para a e Conhecer os fatores que afetam a distribuição de
liberação de CO2 para a atmosfera, visto que 50% Lianas no norte de Mato Grosso.
da biomassa vegetal é composta por carbono (Alvin
1990; DeWalt et al. 2010 e Schinitzer e Bongers
ÁREA DE ESTUDO
2011) e a metade deste carbono é incorporado à
atmosfera sob forma de CO2 (Sabogal et. al. 2000).

N a Amazônia, duas grandes fontes de


variabilidade espacial da mortalidade de
O estudo foi realizado em quatro módulos
de amostragens padronizada da rede de
pesquisas ecológicas de longa duração (PELD) do
árvores são a fertilidade do solo e a intensidade Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio),
do período seco (Phillips et al. 2004), além das localizados no sul da Amazônia, no município de

27
Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

Cláudia, estado de Mato Grosso (Módulo I: 11°34’S,


55°17’W; Módulo II: 11°35’S, 55°17’W; e Módulo
III: 11°39’S, 55°04’W. Figura 1) e no município
O s módulos I e II (Figura 1) são compostos por
duas trilhas paralelas de 5 km, distantes 1
km entre si. As parcelas permanentes possuem a
de Cotriguaçu (Fazenda São Nicolau: 09°52’S, dimensão de 40 x 250 m, e foram instaladas a cada
58°13’W: módulo IV). As áreas do município de 1 km, totalizando 12 parcelas permanentes em
Claudia estão inseridas na ecorregião denominada ambos os módulos. O módulo III (Figura 1) é um
Florestas Secas de Mato Grosso, que abrange parte remanescente de vegetação nativa e é composto por
dos estados de Mato Grosso (norte) e Pará (sul), e duas trilhas paralelas de 3 km, também distantes
corresponde a cerca de 10% do Bioma Amazônia, 1 km entre si. Todas as parcelas permanentes
constituindo uma zona de transição, limitada seguem a curva de nível do terreno para reduzir
ao norte e a oeste pela floresta úmida e ao leste a variação de solo e topografia. A distância média
e sul pelo Cerrado (Carvalho 2006). A vegetação entre os módulos foi de 20 km. Foram amostradas
arbórea nos módulos I, II e III é típica de floresta 32 parcelas totalizando 32ha de área amostrada.
Amazônica semidecídua e composta por espécies Os três módulos foram explorados para a retirada
características de floresta de transição Amazônia- de madeira e apresentam diferentes idades pós-
Cerrado, como Tovomita schomburgkii Planch. e exploração (anos de exploração: 2002, 1995 e
Triana, Protium sagotianum March, e Brosimum 1981, para os módulos I, II, e III, respectivamente).
lactescens S. Moore (Priante-Filho et al. 2004; O solo difere entre as áreas de estudo, com
Almeida et al. 2015). predominância do Latossolo Vermelho-Amarelo
distrófico nos módulos I, II e III (RADAMBRASIL
1980).

Figura 1: Localização das áreas de estudo em floresta manejada no sul da Amazônia (I, II e III) no município
de Claudia e IV no município de Cotriguaçu, Mato Grosso.

28
Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

MATERIAL E MÉTODO

Coleta de dados

E ste trabalho seguiu a metodologia RAPELD utilizada no PPBio (Costa e Magnusson, 2010). As lianas
foram amostradas em duas faixas de diferentes larguras conforme o seu Diâmetro a Altura do Peito
(DAP). Lianas com DAP de 1 a 4,9 cm foram medidas em uma faixa de 10 m de largura, sendo 5 m para cada
lado da linha central que possui 250m de comprimento. Lianas com DAP equivalente e acima de 5 cm foram
mensuradas em faixa de 40 m de largura, sendo 20 m para cada lado da linha central.

A penas as trepadeiras lenhosas foram estudadas. Todos os sarmentos de lianas com diâmetro ≥ 1cm
foram medidos a 130cm do ponto de enraizamento (DAP) e logo após foram numerados e mapeados
de acordo com protocolo estabelecido por Gerwing et al. (2006). Os genets e ramets (perfilhos) também
foram incluídos na amostragem conforme a modificação feita por Schnitzer et al. (2006).

P ara a estimativa de biomassa viva acima do solo foi utilizado o método indireto que consiste em
correlacioná-la com alguma variável (ambiental) se for o caso é de fácil obtenção e que não requer a
destruição do material vegetal. Para os cálculos de biomassa foi utilizado a equação alométrica proposta
por Schnitzer et al. (2006) e o resultado foi utilizado para descrever a variação das estimativas de biomassa
e testar as hipóteses sobre as relações entre a biomassa e a abundância de árvores com amostragens feitas
na parcelas: ln (LAGB)= -1.484+2.657*ln(DAP) Sendo: LAGB é a biomassa viva de lianas acima do solo e
DAP é diâmetro à altura do peito.

O s dados de abundância de árvores (arbóreas e arbustos) por parcela foram cedidos pela equipe da
vegetação e foram coletados conforme protocolo de amostragem do PPBio para a mensuração da
estrutura da floresta (http://ppbio.inpa.gov.br).

Amostragens de Lianas

A s coletas foram realizadas nas 32 parcelas amostrais nos móduos I, II e III e 12 parcelas no modulo
IV conforme descrição acima. Foram mensuradas lianas acima de 1cm de DAP. As medidas dos ramos
(gamets) e do caule (rametes) principal das lianas foram realizadas a uma altura de 130 cm do enraizamento,
conforme protocolo adaptado de Gerwing et al (2006) e Schnitzer et al (2006) (Figura 2).

29
Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

Figura 2: Método de amostragem para lianas, incluindo os ramets e genets (Schnitzer et al 2006). (A)
Medir o diâmetro de todas as lianas (≥ 1cm ) 130 centímetros a partir do ponto de enraizamento principal à
superfície do solo. (B) Medida das lianas com entrelaçamento 130 centímetros do ponto de enraizamento, ao
longo do tronco da liana. (C) Se os ramos das lianas estiverem abaixo 130 centímetros (mas 40 centímetros
a partir das raízes), medir 20 centímetros abaixo do ponto de ramificação. (D) Se “loop” para o solo e raiz
é ascendente de frente para o dossel, ignorar e medir 130 centímetros a partir da última (não pode ser
facilmente retirados) enraizamento ponto substancial ao longo do tronco que ascendem ao dossel. (E) Se
“loop” das lianas está para o solo e raiz (como em D), mas os laços têm “ramets” que ascendem ao dossel,
medir cada raiz e caule do indivíduo separadamente e considerar como tronco múltiplo.

T odos os indivíduos com diâmetro inferior a 5 cm tiveram a secção máxima e mínima medidas através de
um paquímetro e calculada a secção média para posterior uso nas análises, conforme fórmula abaixo
proposta por Gerwing et al. 2006.
Fórmula: SeçãoMédia = √SeçãoMáxima*Seção Mínima
As lianas acima de 5 cm de diâmetro tiveram medidas com fita diamétrica, independente do seu
grau de irregularidade.

P ara a identificação das espécies e análises de composição foram coletadas amostras férteis e estéreis,
porem somente as férteis foram incluídas em herbários como material testemunho. As exsicatas foram
tombadas no Herbário Centro Norte Matogrossensse CNMT-Acervo Biológico da Amazônia Meridional
(ABAM/UFMT/campus SINOP). O material fértil foi acondicionado na sala de preparo do herbário para
posteriores consultas.

Análise dos dados

P ara testar a hipótese da influência da intensidade do manejo florestal na estrutura e distribuição de


lianas foram usados os dados de Tempo Pós Manejo (anos de 2002, 1995, e 1981, para os módulos I, II,
e III, respectivamente) e Área Basal dos troncos dos indivíduos (AB) cortados durante o manejo dentro de
cada parcela. Os troncos das árvores exploradas foram medidos na base usando fita diamétrica, referindo-
se assim a um valor de cobertura, por plantas, de uma determinada área. Para estimar os valores de Área
Basal foi feito o cálculo a partir da fórmula r = P/2. Π, Onde r é o raio e P é o perímetro medido de cada
tronco morto de árvore.

A estrutura horizontal de lianas foi caracterizada pelos valores dos descritores da dominância, através
dos cálculos dos parâmetros fitossociológicos de densidade absoluta (DA) e densidade relativa (DR),
freqüência absoluta (FA) e relativa (FR), dominância absoluta (DoA) dominância relativa (DoR) e Índice de
Valor de Importância (IV) (Mueller-Dombois & Ellemberg, 1974). Esses descritores fitossociológicos foram
estimados usando o programa FITOPAC 1 (Shepherd, 1994).

Resultados

F oram amostrados 7890 indivíduos de lianas distribuídos em 133 espécies, 77 gêneros e 37 famílias,
sendo que 13 dessas espécies foram endêmicas para o Brasil, e 18 foram registradas pela primeira vez
para o estado de Mato Grosso. Dos indivíduos amostrados nas parcelas, 6530 possuíam caules ≤ 4.9 cm,
1360 possuíam caules ≥ 5 cm de diâmetro (17% do total) e, desses, somente 276 possuem caules > 10 cm
de diâmetro (3.5% do total). As três espécies mais importantes, como determinado por número de caules
e o índice de valor de importância foram: Deguelia negrensis, Abuta rufescens e Uncaria guianensis, as

30
Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

espécies mais comuns entre as áreas estão representadas na Figura 3 . O modelo determinado pela função
(Glm) caracteriza os módulos com indicativos de áreas com regeneração mostrando que a estrutura de
lianas responde a padrões de colonização diretamente ligados a estrutura de vegetação arbórea. Foi possível
observar uma relação negativa e significativa entre a abundância de árvores e a abundância de ramets de
lianas/ha, havendo, assim, forte tendência de diminuição de ramets com o aumento da abundância de
árvores. Este resultado sugere um padrão de sucessão onde a floresta é colonizada por espécies de lianas
com reprodução clonal característico de áreas com alto índice de entrada de luz. Assim, os resultados
obtidos são importantes para o estabelecimento de novas ações voltadas para o manejo e conservação de
lianas.

Figura 3 - (A) Curcubitaceae -


Gurania sp.,
(B) Apocynaceae - Prestonia sp.,

(C)Bignoniaceae,
Adenocalymma purpurascens,
(D) Passifloraceae - Passiflora,

(E) Curcubitaceae - Gurania sp.,


(F) Sapindaceae - Paullinia sp.,

(G) Combretaceae -
Combretum sp.,
(H) Dilleniaceae -Davilla sp.

31
Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

CONCLUSÕES

D e uma forma em geral as áreas de manejo florestal independente do tempo pós manejo aqui estudadas
em relação à densidade, biomassa e composição florística de lianas possuem características peculiares
quando comparadas a outras áreas de floresta amazônica. Com novos registros de ocorrência evidenciando
lacunas ainda na amostragem desse grupo, maiores densidades de lianas com reprodução do tipo clonal e
dominância de duas outras famílias (Rubiaceae e Menispermaceae), que ainda não tinham sido amostradas
com essas características de agrupamento. Essas evidências nos levam a crer que o manejo foi realizado de
forma controlada ainda mesmo que esse trabalho seja considerado pioneiro para a região.

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Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

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33
Informativo Eletrônico

Seção Artigos

NORMAS APLICADAS AO MANEJO DE FLORESTAS


05 NATIVAS NO ESTADO DE MATO GROSSO
Jean Carlos Ferreira

O manejo florestal sustentável aplica-se em


áreas de reserva legal, áreas de vegetação
nativa passíveis para o uso alternativo e
também em áreas de usos restritos como áreas
úmidas e com inclinação entre 25° e 45°. Já
o reflorestamento de espécies nativas e os
sistemas agroflorestais, são alternativas que
possibilitam a exploração madeireira de forma
racional.

E m um breve histórico sobre a exploração


florestal no Brasil, observa-se a legislação
na época de 1934 que as florestas constituem
bem de interesse comum a todos os habitantes,
exercendo-se os direitos de propriedade com as
limitações que as leis em geral, estabelecem.

JEAN - Engenheiro Florestal, Mestre em


Ciências Florestais e Ambientais, Análista de
F oram classificadas as florestas em 4 tipos:
protetoras, remanescentes, modelo e de
rendimento. As florestas protetoras possuíam
Meio Ambiente da Secretaria de Estado de Meio
características de proteção das águas, nascentes,
Ambiente de Mato Grosso – SEMA-MT, Cuiabá-
beiras de rios, evitarem erosões, sítios com
MT, Brasil.
belezas cênicas, fixar dunas, assegurar

A exploração madeireira no Estado de Mato


Grosso possui características marcantes
de extrativismo vegetal predatório, ou seja,
condições de salubridade pública. As declaradas
remanescentes são para conservação das
espécies preciosas, parques nacionais, estaduais
catação com pouca preocupação no estoque das ou municipais, e de usos públicos. As florestas
diversas espécies com fins comerciais, falhas plantadas, artificiais, com uma única espécie
de identificação de gêneros e espécies, muitos nativa ou exótica, são classificadas como modelo.
nomes populares para árvores nas diversas E por fim, as demais florestas são de rendimento.
fitofisionomias como floresta ombrófila, São produtos florestais, para efeitos do código, o
floresta semidecidual, cerradão, entre outras. lenho, raízes, tubérculos, cascas, folhas, flores,
O desmatamento para o uso alternativo do solo frutos, fibras, resinas, seivas, e em geral, tudo o
com o avanço do uso de correntão conectado que destacado de qualquer planta florestal.
entre dois ou mais tratores de esteira, contribui
de forma muito rápida para a degradação
florestal e a extinção das espécies.
Panceflô - n°33 - Dezembro/2016
Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

P ara a utilização racional da exploração de florestas de rendimento em domínio público e particular,


sempre necessitava de autorização para supressão, possuía limites e critérios de exploração
por espécies, acompanhava termo de compromisso de reposição florestal e também de planos de
suprimentos para as empresas de ferrovias e siderurgias.

O Decreto n º23.793 de 1934 proibia o uso do fogo, derrubar vegetação escassa, derrubar matas nas
margens de cursos d’água, cortar árvores em florestas protetoras e remanescentes, cortar árvores
em encosta de morros.

C om a evolução do conhecimento sobre as florestas e os diversos impactos sobre o meio ambiente,


estabeleceu a Lei nº4.771 em 1965 denominado o Novo Código Florestal, atualmente revogada
pela Lei nº12.651/2012, que dispõe sobre a proteção da vegetação nativa.

E ntre esse período, surgiram leis sobre a polícia nacional do meio ambiente, resoluções do Conselho
Nacional do Meio Ambiente, criação de institutos ambientais, estímulos financeiros e fiscais e a
Constituição da República, sendo esta última a regra primordial como linha de base para os avanços
das pesquisas e tecnologias voltadas para a sadia qualidade de vida da população em diversos temas.

F oi criada em 1995, a Lei Complementar nº 38, que dispõe sobre o código ambiental no Estado de
Mato Grosso, na qual se destaca para o tema em questão, sobre a exploração florestal em regime
de manejo florestal, desmatamento para uso alternativo do solo, unidades de conservação, áreas de
preservação permanente, áreas de reserva legal, proibição do uso do fogo, mitigação de impactos
ambientais, compensação ambiental, processos de licenciamentos ambientais e outras restrições.

A ssim, neste contexto, apresentam-se as principais normas vigentes no Estado de Mato Grosso,
referente aos procedimentos para diagnosticar, inventariar, elaborar, planejar, projetar, licenciar,
autorizar, executar, avaliar, monitorar e fiscalizar as atividades de manejo florestal sustentável, com
foco no bioma Amazônia.

DESENVOLVIMENTO

A partir da publicação da Lei nº 12.651/2012, alguns Analistas de Meio Ambiente da SEMA-MT


foram convocados através de portaria para compor um grupo e estudar a Política Florestal do
Estado de Mato Grosso entre outras matérias ambientais ligadas recuperação de áreas degradadas,
na qual o resultado foi a proposta de um projeto de lei complementar no ano de 2014 para adequar
tecnicamente essa Política (MENSAGEM 73/2014). Porém, com a transição de governo e deputados
estaduais, o projeto de lei foi discutido com algumas emendas, retirado da Assembleia Legislativa em
2015 e devolvido para o gabinete do governador.

E ntre as normas ambientais sobre o manejo florestal sustentável da vegetação nativa e recuperação
de áreas degradadas estudadas durante as pesquisas junto ao Programa de Pós-Graduação em,
Ciências Florestais e Ambientais da Universidade Federal de Mato Grosso (FERREIRA, 2015), destaca-
se sobre manejo florestal:
• Decreto 23.793/1934 (Revogado); • Resolução CONAMA 237/1997;
• Lei 4.771/1965 (Novo Código Florestal - • Lei 233/2005;
Revogado); • Decreto 8.188/2006;
• Lei 6.938/1981; • Decreto 6.514/2008;
• Resolução CONAMA 001/1986; • Resolução CONAMA 406/2009 (bioma
• Constituição Federal de 1988; Amazônia);
•Constituição do Estado de Mato Grosso de 1989, • Resolução CONAMA 411/2009;
Art. 23, 24, 87, 170, 186 e 255;
• Lei 38/1995;

35
Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

• Lei 12.651/2012; • Instrução Normativa 06/2014;


• Resolução 3/2009; • Lei 10.242/2014;
• Resolução 4/2010; • Portaria 443/2014;
• Decreto 571/2011; • Instrução Normativa 01/2015;
• Decreto 1.184/2012; • Portaria 726/2015;
• Resolução 1/2013; • Decreto 420/2016 (CAR e PRA);
• Decreto 2.212/2014 (ICMS); • Instrução Normativa 16/2016;
• Decreto 2.152/2014 (Manejo);
• Instrução Normativa 05/2014;

Legenda:
Preto – Norma Federal Vermelho – Norma Estadual Verde – Norma Estadual detalhada neste trabalho.

E stas normas são encontradas no âmbito federal, no sítio eletrônico do Planalto <http://www2.planalto.
gov.br/>. No âmbito do Estado de Mato Grosso, no sítio eletrônico denominado Portal Transparência
da SEMA, em Legislação <http://www.sema.mt.gov.br/>. Também se encontram disponíveis em roteiros
da Superintendência de Gestão Florestal na Coordenadoria de Recursos Florestais. Algumas normas do
Estado estão disponíveis no Portal da Legislação da SEFAZ <http://www.sefaz.mt.gov.br/>.

MANEJO FLORESTAL SUSTENTÁVEL

Princípios IV - planejamento da produção VIII - medidas para proteção da


florestal com base nos floresta que permitam manter a
I - conservação dos recursos resultados dos inventários integridade da área de manejo
naturais; florestais e na produtividade florestal durante o tempo de
II - preservação da estrutura dos da floresta que permita um pousio;
biomas e de suas funções; equilíbrio entre a intensidade de IX - medidas mitigadoras do
III - manutenção da diversidade corte e tempo necessário para impacto sobre solo, água, flora
biológica; restabelecimento do volume e fauna nas áreas de manejo
extraído da floresta de modo florestal.
IV - desenvolvimento
a garantir a produção florestal
socioeconômico regional.
contínua; A função social possui
A função ambiental V - sistema de exploração como escopo
possui como escopo florestal observando técnicas e
procedimentos para redução de Os critérios das funções sociais
I - diagnóstico florestal da AMF; impactos sobre a floresta; devem atender simultaneamente:
II - macrozoneamento da área de VI - procedimentos que I - aproveitamento racional e
manejo florestal que discrimine possibilitem o controle da adequado;
as áreas produtivas para manejo origem da produção a partir da II - utilização adequada dos
florestal, áreas de preservação sua localização na floresta; recursos naturais disponíveis e
permanente, de reserva legal VII - atividades pós-exploratórias preservação do meio ambiente;
e aquelas não produtivas ou e monitoramento da qualidade III - observância das disposições
destinadas a outros usos do solo; e produtividade da floresta que regulam as relações de
III - sistema silvicultural manejada; trabalho;
adequado às peculiaridades e IV - exploração que favoreça o
característica da floresta; bem-estar dos proprietários e
dos trabalhadores.

36
Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

A função econômica à Fundação Nacional do Índio- Intensidade de corte


possui como escopo FUNAI, com responsabilidade proposta no PMFS
dos proprietários ou possuidores
de imóveis rurais apresentarem
I - Tributos; cópia do protocolo da FUNAI I - estimativa da produção anual
II - Limites de Faturamentos no processo de manejo florestal da floresta a ser manejada para
Anuais; junto à SEMA, dispensando-se o grupo de espécies de interesse
III - Projetos Operacionais essa providência na hipótese comercial;
Anuais; do empreendimento estar fora II - ciclo de corte inicial não
IV - Linhas de Financiamentos do entorno de área indígena, ou inferior a 25 (vinte e cinco) e
para o Manejo Florestal; quando tratar-se de pequena máximo de 35 (trinta e cinco)
propriedade rural ou posse rural anos;
V - Análises de viabilidade
técnica e econômica. familiar. III - capacidade produtiva da
floresta a ser definida com base no
Entorno de Unidades inventário amostral prospectivo
Modalidades de de Conservação detalhado, conforme Instrução
Plano de Manejo
Normativa, identificando o
I - Plano de Manejo Florestal A SEMA enviará ofício ao órgão estoque disponível por espécie
Sustentável de Pequena Escala responsável informando do e grupo de espécies, devendo
- PMFS-PE: utilizado para requerimento de PMFS. constar:
propriedades rurais com área I - em Unidade de Conservação a) os resultados do
até 4 (quatro) módulos fiscais; – UC administrada ou de inventário amostral;
II - Plano de Manejo Florestal responsabilidade do Governo do b) os critérios de seleção de
Sustentável em Escala Estado de Mato Grosso, o analista árvores para o corte, previstos
Empresarial - PMFS-EE: utilizado do PMFS deverá encaminhar os no PMFS;
para propriedades rurais autos ao setor responsável pelas
Unidades de Conservação para c) as diretrizes descritas no
com área acima de 4 (quatro) Art. 6°, deste decreto.
módulos fiscais; elaboração de parecer.
IV - intensidade da exploração
III - Plano de Manejo Florestal em volume sem casca até 30
Sobreposição de
Sustentável Comunitário - m3/ha comprovado por meio
Áreas
PMFS-C: utilizado por intermédio do inventário florestal 100%,
de associações ou cooperativas Acima de 10 metros entre o podendo ser alterado com
de legítimos possuidores com polígono da área de Unidade de amparo em estudos técnicos
área até 4 (quatro) módulos Produção Anual (UPA) com área devidamente analisados e
fiscais. de outra propriedade, o processo aprovados pela Câmara Técnica
será sobrestado até a solução do de Gestão Floresta.
Terra Indígena conflito.
I - mídia digital do Diâmetro Mínimo de
georreferenciamento, Corte - DMC
A autorização para
exploração de florestas e Certificação expedida pelo
INCRA, averbada à margem da I - distribuição diamétrica do
formações sucessoras que número de árvores por hectare
envolva manejo de florestas matrícula do imóvel rural;
(N/ha), área basal por hectare
e formações sucessoras em Observar a Portaria 726/2015. (G/ha) e volume por hectare
imóveis rurais numa faixa (V/ha), a partir de 10 cm
de 10 km (dez quilômetros) (dez centímetro) de DAP com
no entorno de terra indígena intervalo nas classes de diâmetro
demarcada deverá ser precedida de 10 cm (dez centímetro), com
de informação georreferenciada

37
Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

base no resultado do inventário florestal amostral da AMF;


II - atendimento às características ecológicas da regeneração natural, diversidade de espécies, agregação e
raridade relevantes para a sustentabilidade do PMFS;
III - o uso a que se destinam.
§ 1º Fica estabelecido o DMC de 50 cm para todas as espécies que ainda não se estabeleceu as diretrizes
técnicas para o DMC específico.
§ 2º As espécies inventariadas que não apresentarem remanescentes com DMC inferior ao estabelecido
deverão permanecer como remanescentes com DMC até 15 cm superior ao estabelecido, ou apresentar
proposta técnica que garanta o estoque florestal do próximo ciclo para todas as espécies de interesse
comercial do projeto.
§ 3º O incremento médio anual a ser adotado será de 0,86m³/ha/ano, de forma a garantir, no mínimo, o
volume solicitado na exploração.

Estudos Técnicos

I - caracterização do meio físico e biológico;


II - determinação do estoque existente;
III - intensidade de exploração compatível com a capacidade da floresta;
IV - ciclo de corte compatível com o tempo de restabelecimento do volume de produto extraído da floresta;
V - promoção da regeneração natural da floresta;
VI - adoção de sistema silvicultural adequado;
VII - adoção de sistema de exploração adequado;
VIII - monitoramento do desenvolvimento da floresta remanescente; e
IX - adoção de medidas mitigadoras dos impactos ambientais.

Aproveitamanto de Resíduos

O s métodos e procedimentos a serem adotados para a extração e mensuração dos resíduos da exploração
florestal deverão ser descritos no PMFS, assim como o uso a que se destinam.

O volume autorizado para aproveitamento de resíduos da exploração florestal, no primeiro ano, ficará
limitado a 1,0 (um) metro cúbico de resíduo por metro cúbico de tora autorizada, ou definido por meio
de cubagem.

A partir da segunda autorização de aproveitamento dos resíduos da exploração florestal, deverá ser
precedida de estudo baseado em relação dendrométrica desenvolvida para a AMF ou em inventário de
resíduos definidos conforme diretriz técnica.

O volume de resíduos da exploração florestal autorizado não será computado na intensidade de corte
prevista no PMFS e no POA para a produção de madeira.

Atividades do Engenheiro
Florestal

Controle da origem da produção por meio do rastreamento da madeira das árvores exploradas.
Substituição de responsável técnico (Prazo 10 dias).
Reformulação do PMFS.

38
Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

Transferência do Detendor (documentações).


Novas espécies e inclusão para exploração (Vigência da AUTEX).

O volume de exploração por hectare será estabelecido com base nos seguintes parâmetros:
I - volume existente na UPA;
II - regeneração natural de cada espécie a ser explorada na UPA;
III - capacidade de regeneração das espécies sob manejo.
A cada 200 (duzentos) hectares de AMF será estabelecida uma parcela permanente, cujos dados
deverão ser apresentados no POA, sendo que em AMF inferior à 200 ha deverá ter, no mínimo, 01 (uma)
parcela.
Monitoramento: com mensuração antes e imediatamente após a exploração, no terceiro ano e
sucessivamente a cada 5 anos.
Apresentar no PMFS, mapas e informações sobre processos de manejo florestal junto ao IBAMA,
número de protocolos dos processos, mapas etc;
As situações ocorridas por eventos naturais, ventos, raios, fogo, que interfira na estrutura da floresta
deverão ser informadas no POA, assim como identificado nos mapas;
A exploração seletiva sem autorização deverá ser informada no POA, assim como identificado nos
mapas;
Acompanhamento das vistorias;
Relatório Técnico Anual.

Sanções Administrativas

I - advertência, nas hipóteses de descumprimento de verificadores que não comprometam a


sustentabilidade do PMFS, conforme na Instrução Normativa.
II - multa de R$ 1.000,00 (um mil reais) por hectare ou fração, quando executar manejo florestal
sem autorização prévia do órgão ambiental competente, sem observar os requisitos técnicos estabelecidos
em PMFS ou em desacordo com a autorização concedida;
III - suspensão da execução do PMFS e do cadastro no CC-SEMA, nos casos de:
a) reincidência em conduta já sancionada com advertência, no período de dois anos da data da
aplicação da sanção;
b) exploração florestal com a AUTEX vencida;
c) prática de ato que embarace, dificulte ou impeça a realização da Vistoria Técnica;
d) deixar de cumprir os requisitos estabelecidos em diretrizes técnicas pelo órgão ambiental
competente no POA ou prestar informações incorretas;
e) executar o PMFS em desacordo com o autorizado ou sem a aprovação de sua reformulação
pelo órgão ambiental competente;
f) deixar de encaminhar o Relatório de Atividades no prazo previsto no cronograma do PMFS
ou encaminhá-lo com informações fraudulentas;
g) transferir o PMFS sem atendimento dos requisitos previstos no Art. 14, deste decreto;
h) substituir os responsáveis pela execução do PMFS e das ARTs sem atendimento dos requisitos
previstos neste decreto.

39
Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

IV - embargo do PMFS, nos casos de:


a) transportar, fora do imóvel rural, produtos florestais oriundos da UPA sem Guia Florestal
válida;
b) utilizar a AUTEX para explorar recursos florestais fora da UPA;
c) utilizar créditos da AUTEX de maneira irregular ou fraudulenta;
d) ação ou omissão dolosa que cause dano aos recursos florestais na AMF, que extrapolem
àqueles inerentes ao PMFS.

Verificadas irregularidades na
execução do PMFS

I - instaurará processo administrativo para apuração das irregularidades;


II - encaminhará ofício ao Ministério Público;
III - representará ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura - CREA, em que estiver
registrado o responsável técnico pelo PMFS; e
IV - efetuará a inibição do registro do profissional no Cadastro Técnico junto a SEMA-MT.

Vistorias

M anual de Vistoria de Acompanhamento de Plano de Manejo Florestal Sustentável – PMFS com 55


verificadores (Anexos da IN 05/2014).

CONCLUSÕES

A Política Florestal do Estado de Mato Grosso em conjunto com os regulamentos é confusa em diversos
dispositivos referente ao manejo florestal sustentável, manejo da vegetação nativa e supressão de
vegetação nativa para uso alternativo do solo.

E sta política desestimula o manejo não madeireiro, inviabiliza a utilização racional dos usos múltiplos
dos recursos florestais e falta monitoramento.

O manejo do cerrado necessita de uma Instrução Normativa como um passo importante para orientar a
atuação da SEMA e do IBAMA, em vista da carência de normas sobre o manejo específico para o Cerrado.
Outros estados possuem processos de manejo sustentável do cerrado e da caatinga, principalmente para
extração de lenha e transformação para carvão e energia, não esquecendo dos múltiplos usos do produtos
não madeireiros na geração de renda e melhoria na qualidade de vida.

A tualmente, o instrumento previsto para integrar e planejar em conjunto o plano de produção industrial
e a formação de estoque de matéria-prima é o Plano de Suprimento Sustentável (PSS) e o Manejo
Florestal Sustentável (Lei 12.651/2012).

C onforme o aumento da Unidade Padrão Fiscal (UPF/MT) durante os últimos anos, a metodologia de
valoração dos recursos florestais para reposição florestal na forma da Lei Complementar nº233/2005
é inviável para o Estado.

C om o Projeto de Lei, o impacto na mudança da legislação é positivo para que a SEMA continue sua
reestruturação com novo modelo de procedimentos para análise de planos de supressão de vegetação
para uso alternativo do solo e a cobrança da taxa de reposição ou compensação florestal.

40
Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

C om a redução das porcentagens das taxas, o MT-Floresta continua como uma boa opção para comprovação
da reposição florestal e com um único critério para valoração dos recursos florestais madeireiros de
forma a contabilizar o estoque de carbono no Estado.

A sugestão do critério para valoração dos recursos madeireiros com comprovação da reposição junto
ao MT Floresta é de 20% (vinte por cento) da UPF/MT por metro cúbico para material lenhoso com
circunferência igual ou maior que 15 cm, a se calculada sobre o consumo utilizado e/ou supressão realizada.

C om novo modelo sugerido no Projeto de Lei para a gestão do MT Floresta, as vantagens são:
a) Mostrar a realidade do Estado na efetividade do licenciamento ambiental e reposição florestal;
b) Reduzir o custo social do controle ambiental;
c) Gerar receitas adicionais;
d) Permitir atuar com políticas compensatórias;
e) Incentivar tecnologias inovadoras e modernas;
f) Aumentar a competitividade do setor de base florestal e sua legalidade;
g) Regulamentar a compensação florestal (art. 26, §4º, II, Lei 12.651/2012)

AGRADECIMENTOS
Aos Analistas de Meio Ambiente da Coordenadoria de Recursos Florestais da SEMA-MT, aos amigos da
UFMT, UNEMAT, EMBRAPA, CREA, AMEF e IBAMA.

REFERÊNCIAS

Mensagem 73/2014. Dispõe sobre a Política Florestal e proteção da vegetação nativa no Estado de Mato
Grosso e normas em caráter específico e suplementar sobre o Programa de Regularização Ambiental – PRA
das propriedades e imóveis rurais, criado pela Lei Federal nº 12.651/2012; altera e revoga dispositivos
da Lei Complementar nº 38, de 21 de novembro de 1995; revoga dispositivos da Lei Complementar nº
232, de 21 de dezembro de 2005; revoga a Lei Complementar nº 233, de 21 de dezembro de 2005 e a Lei
Complementar nº343, de 24 de dezembro de 2008; revoga dispositivos da Lei nº 8.830, de 21 de janeiro de
2008, e dá outras providências.SILVAL DA CUNHA BARBOSA. Governador do Estado Palácio Paiaguás, em
Cuiabá, 29 de outubro de 2014. Acesso em < http://www.al.mt.gov.br/>.

FERREIRA, J. C. Sistema web para gestão e elaboração de projetos de recuperação de áreas degradadas:
uma avaliação. Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Mato Grosso, Faculdade de Engenharia
Florestal, Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais e Ambientais, Cuiabá, 2015.

41
Informativo Eletrônico

Seção Artigos

06 GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS PARA A


SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL
Solange Fátima de Oliveira Cruz & Ildisneya Velasco Dambro

SOLANGE - Bióloga, Mestra em Ecologia e Conservação


da Biodiversidade, Especialista em Perícia, Auditoria ILDISNEIA - Engenheira Sanitarista e Mestra em
e Gestão Ambiental e em Entomologia Médica e Recursos Hídricos - Universidade Federal de Mato
Saúde Pública. Servidora da Secretaria de Estado de Grosso.
Meio Ambiente - SEMA-MT.

O acúmulo de resíduos é um fenômeno exclusivo das sociedades humanas. Em um sistema natural


equilibrado não haveria resíduos: o que não servia mais para um ser vivo seria absorvido por outros,
de maneira contínua.

N o entanto, nosso modo de vida produz diariamente, uma quantidade e variedade de resíduos muito
grande, estando diretamente relacionada ao modo de vida, a condição socioeconômica e a facilidade de
acesso aos bens de consumo; ocasionando a poluição do solo, das águas e do ar, propiciando a proliferação
de vetores de doenças, e como conseqüência trazendo impactos ao meio ambiente e a saúde da população.

H á pouco menos de uma década, questões como estas ficavam restritas a grupos de ambientalistas e/ou
especialistas da área ambiental, os “ecochatos” (Ribeiro, 2009). Porém diante do notável e acelerado
crescimento na degradação do meio ambiente, houve também o crescimento nas discussões e debates
nas diversas esferas de governo, em torno dos problemas associados à geração demasiada e à disposição
inadequada de resíduos sólidos.

Panceflô - nº33 - Janeiro/2017


Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

N o Brasil, as primeiras iniciativas legislativas para a definição de diretrizes voltadas aos resíduos sólidos
surgiram no final da década de 80. Desde então, foram elaborados mais de 100 projetos de lei, os quais,
por força de dispositivos do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, foram apensados ao Projeto de
Lei nº 203, de 1991 que dispõe sobre acondicionamento, coleta, tratamento, transporte e destinação dos
resíduos de serviços de saúde.

S egundo a Agenda 21, documento proveniente das discussões ocorridas durante a Conferência das
Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, promovida pela ONU no Rio de Janeiro, em
1992 (ECO 92 apud Ribeiro, 2009),

“ aproximadamente 5,2 milhões de pessoas – incluindo 4 milhões de crianças


– morrem por ano de doenças relacionadas com o lixo. Metade da população
urbana dos países em desenvolvimento não tem serviços de despejo de lixo
sólido. Globalmente, o volume de lixo municipal produzido deve dobrar até o
final do século e dobrar novamente antes do ano de 2025.”

P reocupadas com os dados alarmantes, enquanto era preparado um marco regulatório para os resíduos
sólidos, algumas das administrações municipais isoladamente ou com apoio dos governos Estaduais
e Federal buscavam mecanismos de solução, optando pela instalação de aterros sanitários, que mesmo
sendo uma forma ambientalmente correta de dispor os resíduos, não resolviam totalmente a problemática
contida na gestão adequada dos resíduos. Alguns estados brasileiros se adiantaram e sete deles editaram
suas Políticas Estaduais de Resíduos Sólidos, como o caso de Mato Grosso que publicou em 2002 a Lei
Estadual no 7.862.

E m outubro de 2007 foi implantada pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso (SEMA)
a Coordenadoria de Gestão de Resíduos Sólidos - CGRS, por meio de Decreto Estadual nº 6721, de 31
de outubro de 2005.

A CGRS foi constituída com duas gerências, a Gerência de Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos e
Hospitalares e a Gerência de Gestão de Resíduos Sólidos Industriais e Agrícolas e atribuiu-se a essa
Coordenadoria e às suas Gerências, a missão de promover a melhor adequação ambiental no trato,
transporte, modificação e armazenamento dos resíduos sólidos e sua regularização.

A expansão da consciência coletiva com relação ao meio ambiente e a complexidade das atuais
demandas ambientais, políticas, sociais e econômicas, induzem a um novo posicionamento dos três
níveis de governo, da sociedade civil e da iniciativa privada em face de tais questões, o que culminou na
instituição de legislações específicas e necessárias ao desenvolvimento sustentável, como a Lei Federal nº
12.305/2010 que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos(PNRS), que altera a Lei nº 9.605/1998
(Lei de Crimes Ambientais), integra a Política Nacional de Meio Ambiente e articula-se com as Políticas
Nacionais de Educação Ambiental, de Saneamento Básico, Recursos Hídricos, Consórcios Públicos e
Mudanças Climáticas, tem como princípios a prevenção e a precaução; o poluidor-pagador e o protetror-
recebedor; a visão sistêmica na gestão dos resíduos que considere as variáveis ambiental, social, cultural,
econômica, tecnológica e de saúde pública; o desenvolvimento sustentável reduzindo tanto consumo de
recursos naturais quanto os impactos ambientais que comprometem a biodiversidade.

A chegada da Política Nacional de Resíduos Sólidos no ordenamento jurídico brasileiro e sua integração
à Política Nacional de Meio Ambiente e à Política de Saneamento Básico, completaram o arcabouço
regulatório necessário para propiciar o desenvolvimento da gestão de resíduos no Brasil, implicando,
contudo, em necessárias mudanças nos sistemas adotados até agora (ABRELPE: Panorama dos Resíduos
Sólidos no Brasil, 2010).

43
Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

O assunto foi introduzido nas agendas de pesquisas, e verifica-se que está em evidência na atualidade,
sendo alvo de continuados debates em decorrência das exigências, prazos e penalizações existentes
para a solução destes problemas que nunca antes haviam sido priorizados.

N a gestão dos resíduos sólidos, a sustentabilidade se constrói a partir de modelos integrados, que
possibilitem tanto a redução como a reutilização e a reciclagem de materiais que possam servir de
matéria-prima para processos produtivos, diminuindo o desperdício e gerando renda. É conveniente
destacar que as ações não podem ficar restritas a apenas uma área técnica, pois a busca para a solução dos
problemas tem como fator determinante a integração das referidas áreas com as áreas sociais, tais como
educação, saúde, fazendária e de planejamento.

T odo o apoio das esferas superiores revela-se necessário, pois as municipalidades sofrem de deficiência
gerencial, técnica, financeira e de participação social diante das tecnologias aplicáveis ao manejo
adequado dos resíduos sólidos. Prova disso é que em muitos municípios são manejados conjuntamente
os resíduos domésticos, hospitalares e industriais, demonstrando uma perigosa miscelânea, tolerada ou
ignorada pelos gestores municipais, que coloca em risco a saúde da população.

N esse contexto, a firme atuação do Ministério Público tem propiciado melhorias no gerenciamento e na
disposição adequada dos resíduos nos municípios, pois em muitos casos as dificuldades para resolver
a situação se mostram estruturais.

É , portanto, somente com a convergência de ações em busca pelo bem comum por parte de cada cidadão,
de cada esfera de governo, dos órgãos fiscalizadores e regulamentadores e da sociedade civil que se
pode alcançar a tão almejada regularização e sustentabilidade ambiental.

N esse contexto, esse artigo visa elucidar alguns aspectos da questão sobre resíduos sólidos de forma a
contribuir com aplicação de ações para a mudança do cenário atual em prol do saneamento ambiental,
através do entendimento da dinâmica necessária para ações proativas em busca da sustentabilidade de
forma participativa e com responsabilidade individual e coletiva, conforme regem as legislações pertinentes.

R essalte-se, contudo, que este trabalho não pretende esgotar o tema, mas apenas reunir informações que
possam nortear a gestão de resíduos sólidos rumo ao respeito para com a conservação das diversas
formas vida, condição sine qua nom para a sustentabilidade ambiental.

A PROBLEMÁTICA DOS RESÍDUOS


SÓLIDOS URBANOS

O s problemas relacionados aos resíduos


sólidos não são peculiares a este século. O
consumo e a conseqüente geração de resíduos
“lixões” e facilitando a proliferação de vetores,
contaminando inclusive fontes de abastecimento
de águas.

A
sempre estiveram, mais que qualquer outro qui podemos inferir que a atual situação caótica
fator, relacionados à abundância dos recursos instalada na capital e em outros municípios
disponíveis (POLETO, 2010). de Mato Grosso, com relação aos índices dos

S egundo Poleto, a má disposição de resíduos


sólidos trouxe ao longo da história diversos
problemas relacionados à saúde pública. A peste
Agravos à saúde humana como a Dengue, Zica
e Chikungunya com certeza se estabeleceram
devido ao mau gerenciamento de resíduos sólidos.
bubônica, cólera, febre tifoide, entre outras, foram Esse mau gerenciamento disponibiliza recipientes
doenças que afetaram a população da Europa e criadouros de mosquitos e transportes ativo e
influenciaram monarquias. Estes males foram passivos desses vetores pelo transito ocorrido na
perpetuados em função da disposição inadequada coleta de descartáveis por catadores. Por isso, a
de resíduos, formando o que denominamos de

44
Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

PNRS tem centro à inclusão produtiva dos catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis, priorizando a
participação de cooperativas ou de outras formas de associação, desses agentes, constituídas por pessoas
físicas de baixa renda. Nesse contexto, o lixo deixará de ser um problema e passará a ser parte da solução
para um mundo melhor, harmônico com a natureza.

A figura 01 demonstra alguns dos inconvenientes advindos dos lixões.

INCONVENIENTES DOS LIXÕES


 DEGRADAÇÃO AMBIENTAL
 POLUIÇÃO DO AR;
 POLUIÇÃO DO SOLO: Física, Biológica, Química, Estrutural
 POLUIÇÃO DAS ÁGUAS: Superficiais e Subterrâneas
 PROBLEMAS DE SAÚDE PÚBLICA
 PRESENÇA DE VETORES DE DOENÇAS: INSETOS, ROEDORES, OUTROS
 DOENÇAS VEICULADAS POR VETORES

 PROBLEMAS SOCIAIS
 ESTRUTURAÇÃO INFORMAL DO TRABALHO
 FALTA DE ASSISTÊNCIA À SEGURANÇA E MEDICINA DO TRABALHO
 EXPLORAÇÃO DO TRABALHO NO MERCADO DE RECICLAGEM
 AUSÊNCIA DE MERCADO DESENVOLVIDO PARA OS DIVERSOS MATERIAIS RECICLÁVEIS
 POBREZA E EXCLUSÃO SOCIAL
 DIFICULDADES GERENCIAIS
 AUSÊNCIA DE UMA POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS
 LIMITAÇÕES FINANCEIRAS
 FALTA DE CAPACITAÇÃO TÉCNICA E PROFISSIONAL DA EQUIPE DE LIMPEZA URBANA
 FORMA INSTITUCIONAL E ESTRUTURA ADMINISTRATIVA INCOMPATÍVEIS COM A
AUTONOMIA E FLEXIBILIDADE DE AÇÃO EXIGIDA PARA O GERENCIAMENTO DOS
RESÍDUOS SÓLIDOS
 DESCONTINUIDADES POLÍTICA E ADMINISTRATIVA
 FALTA DE CONTROLE AMBIENTAL E DE PARTICIPAÇÃO DA POPULAÇÃO

MEB/2005

Figura 01 – Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil


Fonte: Abrelpe, 2010

O Saneamento básico é atualmente visto com maior ênfase e como um grande desafio ambiental para os
gestores públicos no Brasil, pois os subprodutos gerados na “indústria do saneamento”, que até pouco
tempo atrás eram ignorados, hoje correspondem a resíduos com necessidade de tratamento e disposição
final adequada. Tais subprodutos vêm aumentando com o desenvolvimento das regiões e com o crescimento
populacional, sendo considerados um dos maiores poluidores urbanos do meio ambiente.

O s Resíduos Sólidos Urbanos, regulamentados como um dos vetores que compõem o Saneamento
Básico (conforme Art.2º da Lei 11.445/2007), guardam uma forte relação com a sustentabilidade por
envolverem aspectos ligados a questões ambientais, econômicas e sociais. Atualmente, a situação da gestão
dos resíduos sólidos se apresenta em cada cidade brasileira de forma diversa, prevalecendo, entretanto,
uma situação nada alentadora.

A preocupação com a gestão desses resíduos vem crescendo devido ao entendimento da interface
existente entre o saneamento e os agravos à saúde. O quadro caótico compromete cada vez mais
a já combalida saúde da população e afeta negativamente os recursos naturais, especialmente o solo e

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Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

os recursos hídricos. A interdependência dos conceitos de meio ambiente, saúde e saneamento é hoje
bastante evidente o que reforça a necessidade de integração das ações desses setores em prol da melhoria
da qualidade de vida da população brasileira.

E m Mato Grosso, esse quadro não é diferente, dos 12 (doze) aterros sanitários implantados devidamente
licenciados em Mato Grosso, somente 06 (seis) possuem licença de operação vigente. A preocupação
é, entretanto, geral e alguns desses municípios necessitam de ajustes e/ou adequações técnicas urgentes.
Desses 06 (seis), 02 (dois) são empreendimentos privados, sendo que 01 (um) atende a 12 (doze)
municípios.

O s administradores públicos que estão atentos à questão enfrentam vários problemas, como a carência
financeira das prefeituras, falta de capacitação técnica dos servidores que trabalham com a limpeza
urbana, carência de informações sobre a forma de pleitear financiamento para as soluções sanitárias a
serem implementadas e ausência de preparo para a gestão pública no tocante ao correto gerenciamento
integrado de resíduos sólidos. Merece atenção, ainda, o fato de que os municípios não possuem uma Política
de Gestão de Resíduos Sólidos, definida em Lei Municipal, que possibilite a previsão orçamentária para o
setor.

D entre os problemas mais comuns enfrentados pelas prefeituras, está a disponibilidade de área para a
implantação de aterros sanitários, destacando-se a frequente proximidade de unidades de conservação
e/ou de áreas indígenas e áreas de segurança aeroportuária (ASA), (Resolução CONAMA 04/1995), em
regiões consideradas para instalação de aterros.

O utro aspecto preocupante a ser considerado é a presença de catadores nas áreas de disposição final
dos resíduos. Segundo a PNSB 2000, cerca de 25.000 catadores trabalham nessas áreas sem qualquer
instrução ou segurança, dos quais 22,3% têm até 14 anos de idade. Há, ainda, catadores que vivem dispersos
nas ruas das grandes cidades brasileiras, o que revela a situação de milhares de famílias que se alimentam de
restos descartados no lixo e sobrevivem economicamente com a venda dos materiais recicláveis coletados.

E m junho de 2001 foi realizado em Brasília o 1º Congresso Nacional dos Catadores de Materiais
Recicláveis, que contou com a participação de 1.600 congressistas, entre catadores, técnicos e agentes
sociais de 17 estados brasileiros. Como resultado, foi promovida a 1ª Marcha Nacional da População de
Rua, com 3.000 participantes que apresentaram à sociedade e às autoridades a necessidade da efetivação
de políticas públicas voltadas aos catadores de lixo. No ano seguinte, Mato Grosso publicou a Lei Estadual
nº 7862/2002 que dispõe sobre a Política Estadual de Resíduos Sólidos.

E m decorrência disso, foi realizado em Caxias do Sul em janeiro de 2003, o I Congresso Latino-
americano de Catadores de Lixo, que buscou fortalecer o processo de organização destes trabalhadores
em associações ou cooperativas, através da elaboração de um documento que propõe sua capacitação e
formação profissional, além da erradicação dos lixões e a responsabilização dos geradores de resíduos,
entre outros temas.

E m setembro de 2003 foi criado o Comitê Interministerial de Inclusão Social dos Catadores de Lixo,
integrado por diversos ministérios no intuito de propor ações capazes de solucionar os problemas
enfrentados por este grupo social.

A degradação do meio ambiente pela disposição inadequada dos Resíduos Sólidos pode ser retratada
conforme a ilustração a seguir.

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Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

Desestímulo a
implantação Pressão sobre os
de empresa recursos naturais para Aumento do gasto
de reciclagem retirada de matéria energético
E prima
F Desvalorização
imobiliária
E Prejuízo
Prejuízo
I Econômico
Social
T Aumento de
Poluição
O doenças
visual
Contaminação do
vinculadas solo, água e ar
S Poluição do
solo, água e ar

Degradação do meio ambiente pela


PROBLEMA gerenciamento inadequado dos
resíduos sólidos

Descomprometimento Elevado índice de


político Desordenamento Coleta acidentes ambientais
C das ações ineficiente

A
U Custo Municípios sem recursos humanos e
operacional Destinação financeiro para gerenciamento dos
S elevado inadequada dos resíduos sólidos
A resíduos sólidos
S
Elevada produção de Quantidade insuficiente de Estado com estrutura física,
resíduos pelas organizacional e humana
empresas de reciclagem, Quantidade de
atividades insuficiente para atender as
reaproveitamento e aterros sanitários
econômicas demandas
tratamento insuficiente

Fonte: CGRS/SEMA, 2011.

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Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

ASPECTOS LEGAIS

A Constituição Federal de 1988 determina as instituições responsáveis pelos resíduos sólidos nos
âmbitos nacional, estadual e municipal, através dos seguintes artigos:
Art. 23, incisos VI e IX estabelecem ser competência comum da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos municípios proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer das suas formas,
bem como promover programas de construção de moradias e a melhoria do saneamento básico;
Art. 30, incisos I e V do estabelecem como atribuição municipal legislar sobre assuntos de interesse
local, especialmente quanto à organização dos seus serviços públicos, como é o caso da limpeza urbana.

A Lei Federal 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, reúne um conjunto de
princípios, objetivos, instrumentos, diretrizes, metas e ações a serem adotadas pelo governo federal,
estadual, municipal e por particulares, com vistas à gestão integrada e ao gerenciamento ambientalmente
adequado dos resíduos sólidos, incluindo aqueles definidos como perigosos.

R eferida lei estabelece a responsabilidade compartilhada, por parte de todos os atores sociais, poder
público, setor empresarial e coletividade pelo ciclo de vida dos produtos. Via de consequência, cada
cidadão ou consumidor que gera diariamente os seus resíduos sólidos domiciliares, aqueles que produzem
resíduos diários em maiores quantidades – chamados “grandes geradores” – e poder público, estão todos
envolvidos na proteção e preservação ambiental.

A lei fixa prazos para a elaboração de Planos de Gestão de Resíduos Sólidos, priorizando a destinação de
recursos federais voltados a gestão de resíduos dos municípios que incluírem Cooperativa de Catadores
de Materiais Recicláveis nos seus Planos Municipais de Gestão, e fomenta, por conseguinte, a inclusão social
para catadores, ao passo que disciplina a coleta seletiva nas esferas: municipal, regional, estadual e federal.

S eu artigo 1º, a propósito, estabelece as diretrizes relativas à gestão integrada e ao gerenciamento de


resíduos sólidos, às responsabilidades dos geradores e do poder público e aos instrumentos econômicos
aplicáveis. Seu parágrafo 1o dispõe:

“ Estão sujeitas à observância desta Lei as pessoas físicas ou jurídicas, de


direito público ou privado, responsáveis, direta ou indiretamente, pela
geração de resíduos sólidos e as que desenvolvam ações relacionadas à gestão
integrada ou ao gerenciamento de resíduos sólidos.”

D ois prazos claros são estabelecidos, na Lei, para Estados e Municípios:

• 02/08/2012 - para elaboração dos Planos de Gestão Integrada, estadual, distrital


e municipal;
• 02/08/2014 - para disposição final ambientalmente adequada em aterros
sanitários, o que significa na prática a implantação da coleta seletiva e a extinção
dos lixões ou aterros controlados.

48
Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

Nota 1: A elaboração dos Planos é condição para os Municípios, o Distrito Federal e os Estados terem acesso
a recursos da União, a recursos por ela controlados e incentivos ou financiamentos de entidades federais
de crédito ou fomento destinados a empreendimentos e serviços relacionados à gestão de resíduos sólidos.

Nota 2: Terão prioridade no acesso aos recursos da União os municípios que optarem por soluções
consorciadas intermunicipais ou que se aderirem voluntariamente nos planos microrregionais com a
implantação da coleta seletiva e participação de cooperativas ou outras formas de associação de catadores.

D

e acordo com o artigo 9º da presente Lei, os processos de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos
deverão observar a seguinte ordem de prioridade:
1º - Não geração 4º - Reciclagem
2º - Redução 5º - Tratamento
3º - Reutilização 6º - Disposição final adequada dos rejeitos.
A implantação de sistemas de recuperação energética somente poderá ser autorizada quando comprovada
a viabilidade técnica e ambiental, e com a implantação de programa de monitoramento de emissão de
gases tóxicos aprovado pelo órgão

O Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos tem conteúdo simplificado para municípios
com menos de 20 mil habitantes, conforme o Decreto 7.404/2010.

O Plano de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos (PGIRS) pode ser incluso no plano de saneamento.
Entretanto, o PGIRS deve atender ao nível de detalhamento disposto na Lei Federal 12.305/2010, além de
atentar que o plano de gerenciamento tem prazo para 2012 e o plano de saneamento para 2013.

O bserva-se que além da Lei 12.305/2010 e da Lei 11.445/2007, há outras legislações que buscam a
implementação da coleta seletiva nos municípios com o objetivo de minimizar os resíduos a serem
encaminhados para a destinação final, assim como de alcançar a inclusão social e econômica dos catadores
de lixo.

A coleta seletiva é definida como a coleta de resíduos sólidos previamente separados conforme sua
constituição ou composição. Quando estabelecido o Sistema de Coleta Seletiva pelo Plano Municipal
de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, cada cidadão é obrigado a acondicionar adequadamente e de
forma diferenciada os resíduos sólidos gerados e a disponibilizar de maneira correta os resíduos sólidos
reutilizáveis e recicláveis para coleta ou devolução.

A ssim, diante das dificuldades financeiras para a implementação da referida coleta em veículos
apropriados, na maioria dos municípios do estado a coleta dos resíduos sólidos ocorre de forma
conjunta, ou seja, não há condições financeiras e estruturais para a realização da coleta seletiva. Em virtude
disso, é comum se ouvir a seguinte expressão:

49
Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

“Porque vamos separar o nosso lixo de hoje se os caminhões coletam tudo misturado...”

N ão obstante, é certo que os catadores de lixo, de maneira formal ou não, realizam a separação dos
materiais recicláveis para geração de renda pessoal, diminuindo, como consequência, a quantidade de
resíduos que serão encaminhados para a destinação final. Isso é bastante relevante se considerarmos que
em alguns casos, quando o município não possui um sistema de tratamento de resíduos sólidos adequado,
todo o resíduo coletado pode ser lançado diretamente ao solo, causando severa degradação do meio
ambiente.

S e cada cidadão separasse pelo menos em duas sacolas distintas o resíduo que gera em orgânico (restos
de comida e materiais putrescíveis) e seco ou reciclável (plásticos, papéis, papelões, embalagens
tretrapaks, etc.), haveria grande contribuição para a proteção e preservação ambiental, mesmo porque
ainda que os caminhões prensem as sacolas que acondicionam o lixo, grande parte delas permanece intacta,
permitindo a identificação dos resíduos nelas contidos e possibilitando, assim, a sua separação.

C omo sugestão para facilitar essa “separação prévia” dos resíduos, pode-se adotar o uso de contêineres,
tanto em locais privados como públicos, para que seja o lixo devidamente separado.

50
Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

O utro fator determinante e impactante na Lei nº 12.305/2010, que exige uma mudança cultural e
abrangente na gestão dos resíduos sólidos, é a Logística Reversa, caracterizada por um conjunto de
ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor
empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final
ambientalmente adequada.

O s fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes são obrigados a estruturar, implementar


e operacionalizar sistemas de logística reversa para os produtos citados no artigo 33 da referida Lei,
por meio do retorno após seu uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza
urbana e de manejo dos resíduos sólidos.

C aso o poder público municipal, por acordo setorial ou termo de compromisso firmado com o setor
empresarial, se encarregue das atividades de responsabilidade dos fabricantes, importadores,
distribuidores e comerciantes nos sistemas de logística reversa de seus produtos e embalagens, as ações
do poder público devem ser devidamente remuneradas, em forma previamente acordada entre as partes.
Assim, verifica-se:

Responsabilidade Coleta Acordos Logística


Compartilhada Seletiva
Setoriais Reversa

51
Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

LICENCIAMENTO AMBIENTAL

É um procedimento pelo qual o órgão ambiental


competente permite a localização, instalação,
ampliação e operação de empreendimentos e
N esse contexto, a Secretaria de Estado do
Meio Ambiente (Sema) expede as seguintes
licenças:

L
atividades utilizadoras de recursos ambientais, icença Prévia (LP): concedida na fase preliminar
e que possam ser consideradas efetiva ou do planejamento do empreendimento ou
potencialmente poluidoras, ou daquelas que, atividade aprovando sua localização e concepção
sob qualquer forma, possam causar degradação e atestando sua viabilidade ambiental, em
ambiental. observância aos planos municipais, estaduais

S egundo a Resolução Conama nº 01/1968,


aterros sanitários, processamento e destino
final de resíduos tóxicos ou perigosos são passíveis
e federais de uso dos recursos naturais,
e estabelecendo os requisitos básicos e
condicionantes a serem atendidos nas próximas
de Estudo de Impacto Ambiental. Esta resolução, fases de sua implementação.

L
contudo, não faz distinção com relação aos portes icença de Instalação (LI): autoriza a instalação
dos aterros sanitários. do empreendimento ou atividade de acordo

J á a Resolução Conama nº 404, de 11 de novembro


de 2008, estabelece critérios e diretrizes para
o licenciamento ambiental de aterro sanitário
com as especificações constantes dos planos,
programas e projetos aprovados, incluindo-
se as medidas de controle ambiental e demais
de pequeno porte de resíduos sólidos urbanos, condicionantes.

L
considerando que a disposição inadequada de icença de Operação (LO): é concedida após
resíduos sólidos constitui ameaça à saúde pública cumpridas todas as exigências feitas por
e agrava a degradação ambiental, comprometendo ocasião da expedição da LI, autorizando o início
a qualidade de vida da população. A resolução do empreendimento ou atividade licenciada e o
considera, ainda, as dificuldades que os municípios funcionamento de seus equipamentos de controle
de pequeno porte enfrentam na implantação e ambiental, de acordo com o previsto nas Licenças
operação de aterro sanitário de resíduos sólidos, Prévias (LP) e de Instalação (LI).
para atendimento às exigências do processo de
licenciamento ambiental, determinando que a
implantação de aterro sanitário de resíduos sólidos P
são:
ara os aterros sanitários que comportam até 20
toneladas ao dia, os passos a serem seguidos
urbanos deve ser precedida de Licenciamento
Ambiental por órgão ambiental competente, nos O município apresenta para a SEMA três áreas e
termos da legislação vigente. para realização de vistoria. Sobre essas áreas a

A ssim, o Conama (Resolução 404/2008) SEMA emite um Relatório de vistoria indicando


resolve: ou não a viabilidade da área.

Art. 1º Estabelecer que os procedimentos


de licenciamento ambiental de aterros
sanitários de pequeno porte sejam realizados de Na indicação de viabilidade, o município realiza
forma simplificada de acordo com os critérios e os estudos ambientais relacionados no roteiro
diretrizes definidos nesta Resolução. para LP.

§ 1º Para efeito desta Resolução são


considerados aterros sanitários de pequeno
porte aqueles com disposição diária de até 20ton
(vinte toneladas) de resíduos sólidos urbanos.

52
Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

N o licenciamento ambiental de atividades que impliquem na elaboração de Estudo de Impacto Ambiental


(EIA), a Sema promoverá, sempre que solicitada, a realização de audiência pública para apresentação
do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA).
DIRETRIZES PARA A
ELABORAÇÃO DO EIA/RIMA
EIA/RIMA aprovado (LP)
Caracterização do
Empreendimento
Licença de Instalação
(Instala) Informações Área de
Gerais Influência
Vistoria
Programa de
EIA
Diagnostico
Monitoramento Ambiental
Licença de Operação
Vistoria
Medidas Ánalise dos
Mitigadoras Impactos Ambientais
Renovação de Licença de Operação

RIMA

CENÁRIOS POSSÍVEIS PARA A MINIMIZAÇÃO DA


PROBLEMÁTICA DOS RESÍDUOS

C om base nas legislações pertinentes e nas


realidades de cada município do Estado
de Mato Grosso, verifica-se que é possível o
P ara o gerenciamento adequado dos resíduos
sólidos pode ser necessária a adoção de metas
intermediárias e progressivas. O quadro a seguir
estabelecimento de metas para o cumprimento ilustra algumas das ações necessárias para a
dos prazos estabelecidos para os planos de gestão redução ou minimização da degradação causada
e de saneamento por meio de ações e discussões pelo gerenciamento inadequado dos resíduos
conjuntas entre o poder público e a comunidade. sólidos.

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Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

Redução na Redução da Instalação de


contaminação do Despoluição
poluição ar, água empresa de
solo, água e ar visual
e solo reciclagem

Não
desvalorização Redução do Redução de Redução da
Redução do
imobiliária prejuízo doenças utilização dos
gasto energético
econômico vinculadas recursos naturais

Redução da degradação ambiental pelo


gerenciamento adequado dos resíduos

Comprometimento
público
Implantação de Aterros
Destinação dos Coleta seletiva empresa de sanitários
Ordenamento
Resíduos sólidos eficiente reciclagem implantados
das ações
Adequada
Municípios com
recursos humanos e
financeiros para
gerenciamento de Redução da
resíduos Diminuição de Custo operacional
produção de
acidentes reduzido dos
resíduos do setor
ambientais aterros sanitários
produtivo

Estrutura física,
organizacional,
humana suficiente Fonte: CGRS/SEMA, 2011.
para atender à
demanda

SUGESTÕES E RECOMENDAÇÕES PARA GESTÃO


DE RESIDUOS SOLIDOS NOS MUNICÍPIOS

A s soluções vêm sendo apresentadas de formas


variadas, envolvendo desde as tecnologias
mais simples às mais complexas.
ordem. Faz-se necessária a implantação de
técnicas de gerenciamento mais eficientes, com
alternativas locacionais e tecnológicas adequadas

O momento presente revela-se como uma fase para disposição final dos resíduos sólidos gerados
de planejamento, estudos, universalização nos municípios, em observância às legislações
de linguagens, disseminação de informações e existentes.
busca de soluções conjuntas com o objetivo de
minimizar os impactos ambientais provocados
pela disposição inadequada dos resíduos e evitar
A necessidade da conservação dos recursos
naturais e a questão de saúde pública associada
aos resíduos sólidos indicam que a sua gestão
a ocorrência de novos problemas da mesma integrada e os processos de tecnologia limpa são

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Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

os caminhos mais ambientalmente saudáveis,


economicamente viáveis e ecoeficientes e tendem
a ser cada vez mais demandados pela sociedade.
A bster-se de realizar queimadas nas áreas onde
estão dispostos os resíduos do município
(lixão);

A tenção deve ser dada aos grandes geradores


de resíduos, como indústrias, supermercados, E laborar e executar um plano de varrição das
ruas do município;

R
restaurantes, sendo importante incentivá-los ealizar reuniões com mobilizadores;
a diminuírem a própria geração, repensando o
modo de venda de seus produtos com o objetivo de

E
gerar menos resíduos sólidos ao longo da cadeia stabelecer roteiros e freqüências da coleta
de consumo. de lixo de maneira que o sistema atenda

A lém disso, os Termos de Ajustamento de indistintamente, toda a zona urbana da cidade e


Conduta (TACs), que podem ser firmados seja realizado pelo menos três vezes por semana,
entre as Prefeituras Municipais e o Ministério no mínimo admissível sob o ponto de vista
Público, destacam-se com medidas paliativas a sanitário;

C
serem implementadas nos lixões. onfeccionar panfletos educativos a todos os

A propósito, são medidas identificadas como moradores do município contendo a explicação


necessárias ao TAC durante o processo de de como deve ser acondicionado o lixo residencial
implantação do Aterro Sanitário as definidas pela (em sacos plásticos e em recipientes com
Resolução Conama nº 020 (Norma NBR – 8849): tampas), distribuindo-os em todas as residências,
estabelecimentos comerciais, industriais e nas
R ecobrir o lixo com terra ou entulho, no
mínimo, três vezes por semana, para evitar a
escolas localizadas no município;
proliferação de urubus e roedores em geral;
C adastrar todas as unidades geradoras de
lixo resultante de serviços de saúde, tais
I solar o local com arbustos ou árvores que
contribuam para dificultar o acesso de pessoas
e animais;
como hospitais, unidades e postos de saúde,
clínicas médicas e odontológicas, farmácias e
congêneres e efetuar a coleta diariamente nesses

P roibir a permanência de pessoas no local para


fins de catação de lixo;
estabelecimentos, separando o que for considerado
potencialmente perigosos do lixo comum,

E ncaminhar relatórios bimestralmente para a encaminhando relatórios dessas unidades.


SEMA;

C ercar a área de depósito os resíduos sólidos


do município (lixão), para evitar a presença de
pessoas não autorizadas;

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Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A gestão eficiente dos resíduos sólidos tornou-se urgente e necessária diante da enorme quantidade e
diversidade de resíduos gerados e dos impactos que causam ao meio ambiente.

S egundo o BNDES (2014), a implantação de tecnologias para tratamento de resíduos sólidos deve passar
por um planejamento adequado, que se integre a região de forma a trazer equilíbrio ambiental, social
e econômico.

E ncontrar soluções ambientalmente sustentáveis, socialmente justas e economicamente viáveis tem


se transformado num desafio para os gestores municipais, que devem se unir em busca de soluções
conjuntas de forma a minimizar os impactos causados ao meio ambiente. Infelizmente, em se tratando de
saneamento, principalmente no que tange aos resíduos sólidos, o gerenciamento requer altos investimentos
em razão da herança de um passado de descaso, em que nunca se priorizaram os investimentos nessa área.

A ineficiência na gestão dos resíduos sólidos tem causado problemas de ordem social (associados à
pobreza) e ambiental (relacionados à contaminação do solo, do ar e da água), com sérios reflexos
econômicos para a sociedade em geral.

P or se tratar de um problema estrutural de ordem local, equacionar os problemas causados pela


degradação ambiental proveniente da complexa destinação final dos resíduos sólidos tem sido o maior
desafio para os gestores municipais.

REFERÊNCIAS
ABRELPE. Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil. 2010. Disponível em: www.abrelpe.or.br.

BNDES. Análise das diversas tecnologias de tratamento e disposição final de resíduos sólidos urbanos
no Brasil, Europa, Estados Unidos e Japão. Jaboatão dos Guararapes, PE: Fundação de Apoio ao
Desenvolvimento da Universidade Federal de Pernanbuco - Grupo de Resíduos Sólidos, 2014.

BRASIL. Lei 11.107/05, regulamentada pelo Decreto 6.017/07. Disponível em: http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/Lei/L11107.htm

___. Lei 11.445/2007. Política Nacional do Saneamento Básico, regulamentada pelo Decreto nº
7.217/2010.

___. Lei Federal 12.305/2010. Política Nacional de Resíduos Sólidos, regulamentada pelo Decreto nº
7404/2010.

MATO GROSSO. Lei Estadual 7.862/2002. Política Estadual de Resíduos Sólidos.


POLETO, C. (Org.). Introdução ao Gerenciamento Ambiental.

RIBEIRO, D. V.; MORELLI, M. R. Resíduos Sólidos. Problema ou Oportunidade. Rio de Janeiro: Ed.
Interamericana, 2009.

56
Informativo Eletrônico

Seção Artigos

IMPACTO DOS INCENDIOS FLORESTAIS SOBRE A


07 VEGETAÇÃO NO BIOMA CERRADO
Wanessa Medrado de Souza Neves e Marcos Antônio Camargo Ferreira

WANESSA - Graduada em Ciências Biológicas pela MARCOS - Engenheiro Florestal, Doutor em Ciências
Universidade Federal de Mato Grosso, Aluna do Curso Florestais pela Universidade de Brasília – UnB,
de Pós Graduação em Prevenção, Controle e Combate a Superintendente de Educação Ambiental da Secretaria
Incêndios Florestais do Corpo de Bombeiros Militar do de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso.
Estado de Mato Grosso. Analista Ambiental do Instituto Professor no Curso de Pós Graduação em Prevenção,
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Controle e Combate a Incêndios Florestais do Corpo de
Renováveis – IBAMA. Bombeiros Militar do Estado de Mato Grosso.

R econhecido como a savana mais rica em biodiversidade do mundo, o Cerrado brasileiro abriga
mais de 11 mil espécies de plantas, cerca de 200 espécies de mamíferos e 837 espécies da avifauna,
além de um número elevado de peixes, répteis e anfíbios, segundo o Ministério do Meio Ambiente.

É um sistema natural presente em 13 estados brasileiros, com sua maior porção no Planalto Central
do país, apresentando áreas de contato com outros biomas brasileiros como a Amazônia, a Caatinga,
a Mata Atlântica e Pantanal.

Panceflô - n°33 - Dezembro/2016


Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

S ua conservação é fundamental em função da relevante importância na geração de água. Neste


bioma é onde se encontram as principais nascentes de grandes bacias hidrográficas do País, como
as do Araguaia/Tocantins, do São Francisco e do Paraná/Paraguai, tornando desta maneira, parte
fundamental no planejamento estratégico de gestão dos recursos hídricos.

A pesar de sua importância, o Cerrado tem sido um dos biomas mais ameaçados no país. A
ocorrência de incêndios florestais acarreta em impactos negativos sobre o ambiente, tais como a
perda de diversidade, alterações nas composições de espécies e na densidade de indivíduos da flora e
fragmentação de ecossistemas, afetando diretamente a fauna local e a população.

E ste trabalho aborda de forma modesta a relação entre o fogo e o Bioma Cerrado, ressaltando
principalmente os impactos sobre os aspectos florísticos nesta paisagem.

O bjetiva ainda pesquisar e agrupar informações acadêmicas, acerca da dinâmica fitofisionômica


do cerrado relacionadas à ocorrência do fogo, ressaltando ainda as influências antrópicas nesta
interação.

RELAÇÃO ENTRE FOGO E CERRADO


E INTERAÇÕES ANTRÓPICAS

E m uma análise reducionista o cerrado se apresenta como um conjunto de plantas retorcidas sem
valor comercial, todavia uma analise mais completa considerando a composição da fauna, em
especial de espécies ameaçadas, considerando ainda a estrutura morfológica de uma vegetação que tem
a maior parte de sua biomassa abaixo do solo contribuindo para o sequestro e estocagem de carbono
atmosférico, e ainda o fato de que cerca de três milhões de hectares por ano são substituídos por
atividades agrosilvipastoris, fez com que o cerrado fosse considerado um “hotspot” para a conservação.
O termo “hotspot” foi proposto pelo ecólogo inglês Norman Myers com a finalidade de contribuir com
a definição de quais as áreas mais importantes para preservar a biodiversidade no planeta.

É o segundo maior bioma do Brasil composto por diversas paisagens, as quais apresentam grande
diversidade florística de espécies, muitas das quais endêmicas (SILVA & BATES, 2002; GIULIETTI
et al. 2000; RATTER et al. 2000, apud FIEDLER et al, 2004). Abriga mais de 12 mil espécies vasculares
(MENDONÇA et al., 2008 apud SOUCHIE, 2015), muitas delas endêmicas (KLINK; MACHADO, 2005;
MITTERMEIER et al., 2005; MYERS et al., 2000 apud SOUCHIE, 2015).

A partir da fisionomia (forma) e de aspectos ambientais relacionados aos fatores edáficos e


composição florística é classificado em 11 fitofisionomias principais, “divididas em formações
florestais (Mata Ciliar, Mata de Galeria, Mata Seca e Cerradão), campestres (Campo sujo, Campo Limpo
e Campo Rupestre) e propriamente as formações savânicas (Palmeiral, Vereda, Parque Cerrado e
Cerrado sentido restrito (IBAMA, 2007).

A s fitofisionomias do Cerrado são resultantes de vários fatores, os quais incluem: a fertilidade,


profundidade dos solos, sazonalidade climática (EITEN, 1972, 1983; FURLEY et al., 1988;
HARIDASAN, 1992; WALTER; RIBEIRO, 2010; FURLEY, 1999; SILVA et al., 2008 apud SOUCHIE, 2015)

E xcluídas as ocorrências de relação antrópica, a influência natural do fogo na composição do Cerrado


se relaciona às queimas originadas por raios de ocorrência frequentes relacionadas à transição
seca-chuva. O que justamente não relaciona essas ocorrências de fogo a grandes áreas, visto que as
chuvas subsequentes evitam incêndios severos (RAMOS-NETO, 2000; FIEDLER & MEDEIROS, 2002
apud FIEDLER et al., 2004). No entanto, a presença do fogo no Cerrado pode ser maior 32.000 anos,
podendo ser uma das principais evidências de sua ocorrência: a atual composição florística do bioma,
com predominância de espécies com características mais adaptadas a sua ocorrência (SALGADO-
LABOURIAU; FERRAZ-VICENTE, 1994; CLARKE et al., 2013; ROITMAN et al., 2008; SILVA et al., 2005;
WALTER; RIBEIRO, 2010 apud SOUCHIE, 2015).

58
Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

AÇÃO ANTRÓPICA

A Proposta de Emenda a Constituição do Senador Gervasio Oliveira (Amapá), a PEC 115/1995,


apresentada em 06 de junho de 1995 que propõe modificar o § 4º do art. 225 da Constituição Federal,
e incluir o Cerrado na relação dos biomas considerados patrimônio nacional, foi apensada à outra PEC, a
504/2010 proposta pelo Senador Demóstenes Torres (Goiás), que apresenta a mesma proposição, ainda
não foi votada.

A proposta de instituir a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável do Cerrado, o Projeto de Lei


do Senado nº 214, de 2012, do Senador Rodrigo Rollemberg do Distrito Federal, que objetiva à proteção
do uso dos recursos ambientais do bioma cerrado, está em posse da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do
Consumidor e Fiscalização e Controle desde 18 de setembro de 2013.

O fogo de origem desconhecida ou não recomendado, possivelmente, em muitos casos, relacionado


às ações antrópicas, é a causa determinante da diversidade fitofisionomia e “riqueza de espécies”
(MIRANDA; SATO, 2005; HOFFMANN; MOREIRA, 2002; MENDONÇA et al., 2008; MIRANDA et al., 2002
apud SOUCHIE, 2015). As ocorrências de fogo não prescritas podem ser relacionadas às ações de renovação
de pastagens e limpeza de áreas descritas por Fiedler et al (2004) como ações realizadas, muitas vezes,
sem os cuidados necessários para o controle do evento.

D e acordo com Henriques, (2003); MMA, (2007) apud Sena et al, (2008), a redução significativa da vegetal
original do cerrado está relacionada a cinco décadas de ocupação antrópica, restando, atualmente,
apenas 46,74% de áreas naturais preservadas. Eventos de incêndios de causas antrópicas estão associados
aos diversos outros fatores que potencializam a destruição do Cerrado, colocando em risco o conhecimento
que pode advir desse bioma.

P ortanto, atualmente, de acordo com Fiedler et al., (2004):


De modo geral, o bioma Cerrado encontra-se bastante ameaçado. Espécies nativas importantes,
comercial e ecologicamente, estão desaparecendo em função da ocupação desordenada,
da expansão urbana e agropecuária, da exploração irracional e do uso indiscriminado do
fogo.

A INFLUÊNCIA DO FOGO SOBRE A


ESTRUTURA FITOFISIONÔMICA

A formação de uma comunidade vegetal pode ser influenciada por vários fatores, como o fogo, por
exemplo, o qual também modula a paisagem sob interações com outros fatores, como ambientais e de
tempo e espaço (COLLINS & GIBSON, 1990; STEUTER & McPHERSON, 1995 apud Heringer et al., 2001).

A ocorrência de fogo, no Cerrado, está intimamente relacionada ao crescimento, à sobrevivência, à


reprodução das plantas e à dinâmica do banco de sementes. Já tendo sido observada a relação positiva
entre fogo e dispersão de sementes e a indução de floração na vegetação herbácea (COUTINHO, 1976;
OLIVEIRA et al., 1996; Coutinho (1977), apud FIEDLER et al., 2004).

N o entanto, a severidade do evento de fogo na vegetação (MEDEIROS; MIRANDA, 2008; RIBEIRO et al.,
2012 apud SOUCHIE, 2015), “É um dos poucos distúrbios que mata plantas adultas, abrindo espaços
e promovendo a sucessão vegetal [...]” (STEUTER & McPHERSON, 1995; BOND & WILGEN, 1996 apud
HERINGER et al., 2001).

59
Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

O fogo estressa individualmente as plantas por consumir reservas que sustentam o crescimento,
resultando em respostas morfológicas; em um conjunto, influencia a dinâmica e estrutura de
populações de plantas, na medida em que acarreta redução e até mesmo a substituição de espécies
mais vulneráveis em áreas submetidas a maior frequência de queima e, de modo geral, influenciando o
ecossistema, o que inclui alterações em outros elementos ambientais, como a compactação, diminuição
da umidade e fertilidade do solo em sua camada superficial (MEDEIROS; MIRANDA, 2005; MEDEIROS;
MIRANDA, 2008; MOREIRA, 2000; RIBEIRO et al., 2012 apud SOUCHIE, 2015; GRIME & CAMPBELL, 1991;
STEUTER & McPHERSON, 1995; BOND & WILGEN, 1996 apud Heringer et al., 2001; PIVELLO et al., 1999;
MARTINS et al., 2004 apud SENA et al., 2008).

RESILIÊNCIA

A resiliência é definida, por Aciesp, (1997) apud


Sena et al., (2008), como: “a capacidade de
um ambiente absorver distúrbios sem que mude
F atores relacionados á sobrevivência de
espécies vegetais a ocorrência de fogo também
incluem: nível de proteção das gemas; o nível de
qualitativamente seu comportamento, enquanto a chamuscação e o intervalo de ocorrência do fogo
condição de equilíbrio é modificada.” (STEUTER & McPHERSON, 1995 apud Heringer,

D iversos estudos apontam que muitas 2001).


espécies lenhosas apresentam adaptações
morfofisiológicas estratégicas para resistência
ou sobrevivência após a ocorrência de fogo
C onsiderando que dentre tais características,
a “espessura de casca e o diâmetro” são
de elevada importância para a sobrevivência
(COUTINHO, 1990; PAINE et al., 2010; SATO et de indivíduos de espécies lenhosas aos danos
al., 2010 apud SOUCHIE, 2015; RIZZINI, 1976; causados pelo fogo (DANTAS; PAUSAS, 2013;
COUTINHO, 1977; STEUTER & McPHERSON, 1995 HOFFMANN; SOLBRIG, 2003; HOFFMANN et al.,
apud Heringer et al., 2001). Tais características 2009; MEDEIROS; MIRANDA, 2005; MIRANDA;
podem refletir a resiliência da vegetação, SATO, 2005; MOREIRA et al., 2008 apud SOUCHIE,
estando esta também relacionada ao tempo de 2015 apud SOUCHIE, 2015; Heringer 2001), visto
recuperação do ambiente ao estágio anterior ou que confere isolamento térmico e proteção contra
próximo a ele, porém estando as características as chamas evitando ou diminuindo agressões
de resiliência vinculadas a cada espécie (ACIESP, às partes vitais do tronco (MIRANDA; SATO,
1997; HALPERN, 1988 apud SENA et al. 2008). 2005; PAUSAS, 2014 apud SOUCHIE, 2015). Por

E ntre estas características, podem-se destacar: outro lado, ausência de tais características pode
“ritidomas espessos e corticosos”, “órgãos acarretar danos ao floema, que, ao comprometer
de reserva subterrâneos”, elevado investimento o transporte de seiva elabora, compromete toda
em biomassa de raiz (HOFFMANN et al., 2009 fisiologia vegetal a ponto de causas a morte do
; HOFFMANN, W. A et al., 2004; MIRANDA et al., indivíduo de casca não resistente. (TAIZ; ZEIGER,
2002; HOFFMANN; FRANCO, 2003; OLIVEIRA 2004 apud SOUCHIE, 2015).
et al., 2005 apud SOUCHIE, 2015), proteção
das sementes em função das características
adaptativas dos frutos (LANDIM & HAY, 1995;
A altura dos indivíduos também é outra
importante caraterística que pode conferir
maior proteção à planta em ocorrências de fogo
CIRNE, 2002 apud FIEDLER, 2004); eficiente (MEDEIROS E MIRANDA, 2005 apud SOUCHIE,
armazenamento de água e carboidratos no caule 2015; HOFFMANN & MOREIRA, 2002 apud RECH
e órgãos subterrâneos; ativa rebrota (COUTINHO, et al., 2011), o que pode auxiliar na indicação do
1990; MIRANDA et al., 2002,2008; MOREIRA et al., nível de danos, quando da ocorrência de fogo no
2007; PAINE et al., 2010; PAUSAS; KEELEY, 2014; Cerrado sentido restrito
HOFFMANN, 1998; FRANCO, 2003; BUCCI et al.,
2004; CLARKE et al., 2013; OLIVEIRA et al., 2005;
apud SOUCHIE, 2015).

60
Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

Á reas perturbadas pelo fogo apresentam muitas brotações de raízes durante a regeneração quando
comparadas com áreas preservadas (Ramos, 1990 apud Sena et al, 2008), tendo sido essa a justificativa
usada por Sena et al (2008) para explicar regeneração naturalmente apenas por rebrota de raízes em área
perturbada na qual desenvolveu seu estudo.

IMPACTOS NA ESTRUTURA
FITOFISIONOMICA

A cerca da recuperação da vegetação após o fogo, plantas com pouca perda de biomassa se recuperação
através da produção de frutos e, em contraposição, nos casos de considerada perda de biomassa, só
se restabelecerão se existente banco de sementes (Heringer et al, 2001; BOND & WILGEN, 1996 apud
Heringer et al, 2001).

R ibeiro et al. (2012) apud Souchi (2015), constataram que, para as lenhosas no Cerrado sentido restrito,
a riqueza de espécies diminuiu (2,4%) com fogo em intervalo de dois anos e aumentou (6,3%) quando
esse intervalo subiu para cinco anos. Medeiros; Miranda (2008) apud Souchie, 2015, indicam que:

“ estudos sobre rebrota de espécies lenhosas no Cerrado, após queimadas controladas, mostraram que intervalos
de um ano não são suficientes para que os brotos sobrevivam aos danos causados pelo fogo e que, após cada
queima, há diminuição do número de emissão de brotos basais.”,.

C ita Fiedler et al (2004), que, após três anos de ocorrência do fogo, em sua área de estudo, a espécie mais
expressiva foi a Leguminosae, com especial destaque à espécie arbustiva Mimosa claussenii. Espécie a
qual, segundo Rezende (2002) apud Fiedler et al (2004), é espécie de ciclo curto, abundante em áreas que
sofreram a passagem de fogo. Podendo, portanto, indicar distúrbios por fogo.

S ouchie, (2015), concluiu em seus estudos que “a recuperação completa da biomassa aérea a partir dos
brotos basais é um processo relativamente lento, se comparado com outros atributos do ecossistema.”
Tendo, as gramíneas, melhor capacidade regenerativa após o fogo. (DAUBENMIRE, 1968; VOGL, 1974;
COUTINHO, 1994 apud HERINGER et al., 2001).

O ASPECTO TEMPORAL E
INFLUÊNCIA ANTRÓPICA

Q uanto à frequência do fogo no Cerrado, conforme aponta Coutinho (1990) apud Rech et al (2011),
nos últimos anos, tem sido de 1 a 3 anos e com frequência resultante do manejo de pastagens. Essas
ocorrências de fogo em curtos intervalos de tempo podem ser prejudiciais ao restabelecimento deste
Bioma em um nível de sucessão mais diversos.

A frequência e a intensidade do fogo são determinantes na geração de resultados negativos para a


vegetação do cerrado, entre os quais estão o baixo recrutamento de espécies lenhosas, diminuição
da densidade arbórea e consequente diversidade de espécies (FILDLER, 2004; SAMBUICHI, 1991 apud
FIEDLER et al 2004).

A inda que, em ecossistemas tolerantes, quando se considera eventos de fogos em pequena escala, o
fogo tenha importância no estímulo à sucessão ecológica; ocorrências frequentes de fogo podem ter
efeitos contrários quanto à sucessão (COLLINS & GIBSON, 1990; MUELLERDOMBOIS & ELLENBERG, 1974;
GRIME, 1979 apud HERINGER et al., 2001).

61
Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

CONCLUSÃO

A ocorrência de fogo no ambiente, em princípio, é um fenômeno natural, ligado à ocorrência de raios e


que, por milhares de anos, segundo evidências, juntamente com outros fatores, pode ter sido um dos
principais fatores de modulação das características das paisagens do Cerrado.

N o entanto, a espécie humana interferiu e tem interferido de maneira cada vez mais significativa na
relação entre fogo e flora do cerrado. O que conjugado a outros distúrbios pode levar a alterações
relevantes dessa paisagem, visto que, apesar das caraterísticas adaptadas da flora do Cerrado ao fogo, tais
adaptações estão voltadas a responder de forma positivas aos distúrbios naturais e podem não suportar ou
responder da melhor forma aos distúrbios antrópicos de grande intensidade e frequência.

REFERÊNCIAS
FIEDLER, Nilton Cesar; AZEVEDO, Isaac Nuno Carvalho de; REZENDE, Alba Valéria; MEDEIROS, Marcelo
Brilhante de; VENTUROILI, Fábio. Efeito De Incêndios Florestais Na Estrutura E Composição Florística
De Uma Área De Cerrado Sensu Stricto Na Fazenda Água Limpa-Df1- Revista Sociedade de Investigações
Florestais. R. Árvore, Viçosa-MG, v.28, p.129-138, 2004. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/%0D/
rarv/v28n1/a17v28n1.pdf
HERINGER, Ingrid; JACQUES Aino Victor Ávila. Adaptação Das Plantas Ao Fogo: Enfoque Na Transição
Floresta – Campo Plants Adaptation To Burning: Forest Grassland Transition Ciência Rural, Santa Maria,
v.31, n.6, p.1085-1090, 2001. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/%0D/cr/v31n6/a28v31n6.pdf
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Naturais Recursos Renováveis. Biodiversidade do Cerrado e
Pantanal: áreas e ações prioritárias para a conservação/Ministério do Meio Ambiente – Brasília: MMA,
2007.
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. O Bioma Cerrado. Disponível em: http://www.mma.gov.br/biomas/
cerrado
RECH, André Rodrigo; ABRAHÃO, Anna; et al. Caracteres morfológicos e ocorrência de fogo em fragmentos de
Cerrado.Programa de Pós-Graduação em Ecologia, (PPGECO), Instituto de Biologia-Universidade Estadual
de Campinas – (UNICAMP). Disponível em : http://www2.ib.unicamp.br/profs/fsantos/ecocampo/2011/
Relatorios/R1c.pdf
SENA, Ayuni Larissa Mendes; PINTO, José Roberto Rodrigues. Regeneração Natural Em Áreas Degradadas
Com Enfoque Na Capacidade De Resiliência Das Es Pécies Lenhosas Do Cerrado. IX Simpósio Nacional
Cerrado, 2008. Disponível em: http://simposio.cpac.embrapa.br/simposio/trabalhos_pdf/00278_trab1_
ap.pdf
SOUCHI, Fabiane Furlaneto. Rebrota De Indivíduos Lenhosos Em Área De Cerrado Sentido Restrito Como
Resposta Ao Fogo. 20/03/2015. Dissertação. Universidade de Brasília. Brasília/DF, 20 de março de 2015.
Disponível em: http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/18129/1/2015_FabianeFurlanetoSouchie.
pdf

62
Informativo Eletrônico

Seção Artigos

08 O Gerenciamento de Resíduos Químicos do Laboratório de Ensino


de Química Analítica, Departamento de Química, UFMT.
Geferson Andrade de Souza & Solange Fátima de Oliveira Cruz

GEFERSON - Licenciatura plena em Química


SOLANGE - Bióloga, Mestra em Ecologia e Conservação
pela Universidade Federal de Mato Grosso (2010);
da Biodiversidade, Especialista em Perícia, Auditoria
Especialização (Lato Sensu) em Gestão e Perícia
e Gestão Ambiental e em Entomologia Médica e
Ambiental pela Universidade Federal de Mato Grosso
Saúde Pública. Servidora da Secretaria de Estado de
(2013). Mestrando (Stricto Sensu) pelo programa de pós
Meio Ambiente - SEMA-MT.
graduação em química da UFMT (Química Analítica) e
coordenador do programa de gerenciamento de resíduos
da Universidade Federal de Mato Grosso.

INTRODUÇÃO

O s resíduos gerados pelos seres humanos nas diversas atividades são um dos graves problemas
enfrentados por toda civilização. O descarte inadequado de resíduos produz passivos ambientais
capazes de comprometerem os recursos naturais e a qualidade de vida das atuais e futuras gerações.

N a medida em que a civilização se desenvolve, acompanhada pelo acréscimo do poder aquisitivo,


ocorre também um aumento na geração quali-quantitativa dos resíduos, decorrente do uso de novos
produtos. Dentre esses, as substâncias químicas – em especial- nos preocupa. As substâncias químicas
têm se tornado indispensáveis, em nossas vidas, mantendo muitas de nossas atividades, prevenindo e

Panceflô - nº33 - Janeiro/2017


Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

controlando numerosas doenças e aumentando forma correta pode vir a ser responsável pelo
a produtividade agrícola. Os benefícios são aparecimento de surtos de contaminações do
incalculáveis, mas, por outro lado, elas podem meio ambiente e de forma direta e/ou cruzada dos
colocar em risco nossa saúde e contaminar nosso seres vivos que residem no entorno do local do
ambiente. O uso destes produtos e seus estudos despejo. O gerenciamento de resíduos químicos
são necessários para o crescimento intelectual leva em consideração a forma de tratamento e
e econômico de uma região, mas também gera o local mais adequado para disposição final do
resíduos que se não tratados de forma correta resíduo descartado, seja no estado sólido, líquido
podem acarretar grandes problemas gerados pelos ou gasoso. Atualmente a disposição de resíduos
impactos ambientais que podem vir a ocorrer. químicos é um problema a ser resolvido, pois

E m muitos casos é dado destaque para não é um procedimento que pode ser realizado
desastres ambientais com derramamento de facilmente, uma vez que a natureza e a variedade
produtos químicos em larga escala e que podem dos resíduos são elevadas. Os procedimentos
causar danos ao ambiente e à saúde humana de mais comuns para a eliminação de resíduos são:
forma imediata. Porém é pouco falado, talvez pela o aterramento, e a incineração. Porém outros
dificuldade de mensurar as consequências de uma meios estão sendo desenvolvidos para tentar
contaminação geradas por níveis reduzidos de dar destinação final correta para cada tipo de
substâncias Químicas, dos pequenos geradores resíduo. A disposição destes resíduos nos aterros
de substâncias poluentes, que existem em grande sanitários deve ser feita de forma separada dos
quantidade e contribuem para o agravamento do demais resíduos gerados nos outros setores que
problema da poluição. Neste contexto podemos compõem uma cidade.
citar os vários laboratórios existentes dentro das
instituições de ensino seja ela na escala estadual
ou federal, bem como os laboratórios dos órgãos
O processo de prevenção da poluição através
de produtos químicos passa por um profundo
programa de conscientização dos agentes
públicos como perícia oficial de identificação envolvidos de que é preciso usar com moderação
técnica - POLITEC, Instituto Médico Legal -IML, as tecnologias à nossa disposição.

D
empresa mato-grossense de pesquisa, assistência iante desse contexto, este trabalho
e extensão rural - EMPAER, Secretaria de Estado monográfico objetivou implementar o
do Meio Ambiente – SEMA etc, e também nos programa de gerenciamento de resíduos químicos
laboratórios das indústrias e/ou iniciativa privada do laboratório de ensino de Química Analítica
que, muitas vezes, despejam pequenas quantidades do Departamento de Química da UFMT. Para tal,
de produtos químicos (Substâncias contendo objetivou-se, especificamente, contribuir para
metais pesados, Ácidos e Bases fortes, Substâncias minimizar os impactos causados pela exposição
com poder oxidante) em suas redes de esgoto de de forma lenta e gradual dos resíduos gerados,
forma indiscriminada e sem qualquer controle. no laboratório de ensino de Química Analítica,
O número de pequenos geradores de resíduos é no solo, lençóis freáticos, na fauna e na flora;
grande e seus resíduos possuem natureza variada, promover uma sensibilização da comunidade
incluindo metais pesados, solventes halogenados, acadêmica dos perigos decorrentes da exposição
radioisótopos e material infectante, por isso, estas a estes resíduos e do prejuízo local e escalar
atividades também são causadoras de poluição, e que eles provocam; selecionar, identificar e
o impacto ambiental causado por estes geradores agrupar os passivos já existentes de acordo com a
é bastante significativo. Os pequenos geradores compatibilidade química e a legislação pertinente;
não são tão perigosos pela quantidade de resíduos fazer a destinação final dos passivos com empresa
que geram e sim pela heterogeneidade destes e contratada via licitação; e propor uma Implantação
pelo seu alto potencial de risco. um sistema de coleta seletiva de produtos químicos

A destinação final adequada dos resíduos


químicos é uma questão de consciência
ambiental e saúde pública e se não tratada da
padronizada.

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Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

DESENVOLVIMENTO

I nicialmente foi realizado o levantamento da problemática acerca do assunto, no Departamento de


Química/Campus Cuiabá da UFMT . A partir deste ponto foi definido um plano de ação para execução
planejada das atividades. Os diversos tipos de resíduos gerados pelos laboratórios do Departamento de
Química foram acondicionados em recipientes adequados às suas características, com tipo e tamanho,
respeitando a incompatibilidade química entre resíduo-resíduo e resíduo-recipiente. Os recipientes
coletores utilizados possuem alta vedação e foram condicionados de material estável. As tabelas a seguir
trazem maiores informações sobre o tipo de recipiente mais adequado para diferentes tipos de resíduos:

Quadro 1: compatibilidade de recipientes e reagentes.

Especificações do solvente Tipo de Recipiente Coletor


Solventes orgânicos isentos de halogênios A/B
Solventes orgânicos contendo halogênios A/B
Reagentes orgânicos relativamente inertes, do
ponto de vista químico, se contiver halogênios A/B

Reagentes orgânicos relativamente inertes, do


ponto de vista químico, se contiver resíduos C
sólidos
Resíduos sólidos de produtos orgânicos C
Soluções aquosas de ácidos orgânicos A/B
Bases orgânicas e aminas na forma associada.
(para evitar odores, neutralizar cuidadosamente G
com ácido diluído)

Nitrilos e mercaptanas A/B


Nitrilos e mercaptanas – fases aquosa e orgânica
(eliminar o excesso de oxidantes com tiossulfato F
de sódio)
Aldeídos hidrossolúveis e derivados A/B
Compostos organometálicos – fase aquosa A
Compostos organometálicos – fase orgânica A/D
Produtos carcinogênicos e compostos
combustíveis classificados como muito tóxicos F
ou tóxicos.
Peróxidos orgânicos identificáveis em soluções
aquosas (dissolvidos e desativados com A/B
reagentes específicos) – resíduos orgânicos

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Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

Peróxidos orgânicos identificáveis emsoluções


aquosas (dissolvidos e desativados com D
reagentes específicos) – soluções aquosas.
Halogênios de ácidos B
Compostos combustíveis tóxicos F

Quadro 2: Embalagens e recipientes.

Tipo de coletor Embalagens e recipientes


A Utilizar recipientes de vidro de 1 a 4L.

B Utilizar recipientes de plástico (bombonas) de 5 ou 10L.

Utilizar recipientes de plástico (bombonas) de 10 ou


C 20L, com cinta e vedação ou rosca.
Utilizar recipientes resistentes à rompimento, de
D
preferência de plástico e fechado firmemente
Utilizar recipientes resistentes com alta vedação,
E evitando a emanação de vapores para o ambiente.
Utilizar recipientes de vidro com alta vedação,
F evitando a emanação de vapores para o ambiente.
Resíduos de sais metálicos regeneráveis, cada metal de
G vede ser recolhido separadamente. Utilizar recipientes
de vidro com alta vedação
H Recipientes plásticos resistentes ao rompimento.
Material radioativo. Utilizar recipientes adequados de
acordo com a emissão das partículas alfa, beta ou gama,
I
seguir corretamente a legislação do IPEN e normas do
CNEN.

A pós a destinação do espaço reservado para estocagem destes materiais, com bacia de contenção, para
o caso de vazamentos e outros meios que se façam necessários, foi realizado um treinamento com a
presença de um funcionário da empresa contratada de como segregar, como rotular, como fazer o manejo
e o transporte até o local reservado para estocagem para fazer a destinação final dos resíduos gerados no
Departamento de Química da UFMT. Como etapa intermediária a este processo, também foi ministrado um
curso para os servidores técnicos do Departamento de Química voltado para etapas burocráticas da UFMT
como processos administrativos que vai desde a criação do Termo de referência para compra de materiais
até a finalização do processo licitatório e geração da ata.

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Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

ASPECTOS CONCEITUAIS E LEGAIS

T odo este trabalho foi baseado nos aspectos conceituais e legais contidos na Constituição Brasileira
em seu artigo 225; na NBR 10.004/04 (Resíduos Sólidos – Classificação) da Associação Brasileira de
Normas Técnicas; na Resolução da Diretoria Colegiada RDC nº 306/04 da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (BRASIL, 2004); na Resolução CONAMA 358 de 29 de abril de 2005; na Lei nº 6.938, de 31 de
agosto de 1981, dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação
e aplicação, e da outras providências; na Lei nº 6803 de 02 de julho de 1980 dispõe sobre as diretrizes
básicas para o zoneamento industrial nas áreas criticas de poluição, e dá outras providências; na lei 12.305
de 02 de agosto de 2010 institui a política nacional de resíduos sólidos; na Lei 7.862 de 19 de dezembro
de 2002 que dispõe sobre a política estadual de resíduos sólidos e dá outras providências; na NBR 12.235
que dispõe sobre o armazenamento de resíduos sólidos perigosos; nas Resoluções do CONAMA (Conselho
Nacional do Meio Ambiente) nº 20 de 1986 que regulamenta o lançamento de efluentes industriais líquidos,
estabelecendo as concentrações máximas de uma série de elementos e compostos permitidos no efluente,
dependendo da classe na qual o corpo receptor foi enquadrado; CONAMA nº 23 de 12 de dezembro de
1996, define critérios de classificação de resíduos perigosos, regulamentando a importação e o uso destes
resíduos; A resolução nº 257 de 30 de junho de 1999 determina o gerenciamento de descarte de pilhas
e baterias usadas; A resolução nº 258 de 26 de agosto de 1999 estabelece aplicações aos fabricantes e
importadores de pneumáticos que não servem para coleta e destinação final, ambientalmente adequada,
incluindo fiscalização.
Quadro 3
Substâncias potencialmente prejudiciais (teores máximos) quando encontrados em corpos de água
doce:
Alumínio: 0,1 mg/l Al Lítio: 2,5 mg/l Li
Amônia não ionizável: 0,02 mg/l NH3. Manganês: 0,1 mg/l Mn
Arsênio: 0,05 mg/l As Mercúrio: 0,0002 mg/l Hg
Bário: 1,0 mg/l Ba. Níquel: 0,025 mg/l Ni
Berílio: 0,1 mg/l Be Nitrato: 10 mg/l N
Boro: 0,75 mg/l B Nitrito: 1,0 mg/l N
Benzeno : 0,01 mg/l Prata: 0,01mg/l Ag
Benzo-a-pireno: 0,00001 mg/l Pentaclorofenol: 0,01 mg/l
Cádmio: 0,001 mg/l Cd Selênio: 0,01mg/l Se
Cianetos: 0,01 mg/l CN Sólidos dissolvidos totais: 500 mg/l
Chumbo: 0,03 mg/l Pb Substâncias tenso-ativas quereagem com o azul
Cloretos: 250 mg/l CI de metileno : 0,5 mg/l LAS
Cloro Residual: 0,01 mg/l Cl Sulfatos: 250 mg/l SO4
Cobalto: 0,2 mg/l Co Sulfetos (como H2S não
Cobre: 0,02 mg/l Cu dissociado): 0,002 mg/l S
Cromo Trivalente: 0,5 mg/l Cr Tetracloroeteno: 0,01 mg/l
Cromo Hexavalente: 0,05 mg/l Cr Tricloroeteno: 0,03 mg/l
1,1 dicloroeteno : 0,0003 mg/l Tetracloreto de carbono: 0,003 mg/l
1,2 dicloroetano: 0,01 mg/l 2, 4, 6 triclorofenol: 0,01 mg/l
Estanho; 2,0 mg/l Sn Urânio total: 0,02 mg/l U
Índice de Fenóis: 0,001 mg/l C6H5OH Vanádio: 0,1 mg/l V
Ferro solúvel: 0,3 mg/l Fe Zinco: 0,18 mg/l Zn
Fluoretos: 1,4 mg/l F Aldrin: 0,01 mg/l
Fosfato total: 0,025 mg/l P Clordano: 0,04 µg/l

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Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

DDT; 0,002 µg/l Toxafeno: 0,01 µg/l


Dieldrin: 0,005 µg/l Demeton: 0,1 µg/l
Endrin: 0,004 µg/l Gution: 0,005 µg/l
Endossulfan: 0,056 µg/l Malation: 0,1 µg/l
Epôxido de Heptacloro: 0,01 µg/l Paration: 0,04 µg/l
Heptacloro: 0,01 µg/l Carbaril: 0,02 µg/l
Lindano (gama.BHC) 0,02 µg/l Compostos organofosforados
Metoxicloro: 0,03 µg/l e carbamatos totais: 10,0 µg/l em Paration
Dodecacloro + Nonacloro: 0,001 µg/l 2,4 - D: 4,0 µg/l
Bifenilas Policloradas 2,4,5 - TP: 10,0 µg/l
(PCB’S): 0,001 µg/l 2,4,5 - T 2,0 µg/l

Fonte: Resolução CONAMA 20 acessado em


http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res86/
res2086.html

O PROGRAMA DE GERENCIAMENTO DE
RESÍDUOS QUÍMICOS

A pesar de não existir uma legislação específica para este tema, para o desenvolvimento dos trabalhos
com rejeitos de laboratório, algumas medidas devem ser observadas. Em sua grande maioria, são as
mesmas que os químicos já estão acostumados a seguir em sua rotina de trabalho, mas deve-se observar
alguns tópicos e buscar sempre a prevenção no intuito de evitar acidentes.

A caracterização dos passivos (rejeitos estocados ao longo dos anos por terceiros) é apresentada como o
maior desafio dentro de um PGRQ, e por isso é importante que se destine à caracterização e destinação
final deste passivo, recursos humanos e financeiros bem dosados, de tal modo a não comprometer o futuro
do programa. A caracterização preliminar de um resíduo líquido e gasoso deve seguir passos bem definidos,
procurando-se identificar, numa primeira abordagem, se o resíduo apresenta as seguintes características:
a-) Inflamabilidade c-) Reatividade
b-) Corrosividade d-) Toxicidade (opcional)

A implementação de um programa de gerenciamento de resíduos não traz resultados imediatos, mas a


longo e médio prazo e exige realimentação contínua. Depois de implementado, o programa deverá ter
atuação perpétua, o que exige que todos aqueles que cuidam da sua manutenção o discutam, o equacionem
e o assimilem, para que a atuação da atividade na unidade geradora seja um sucesso. As premissas para
sustentar um programa dessa natureza são:
1) O apoio institucional irrestrito ao Programa;
2) Priorizar o lado humano frente ao tecnológico;
3) Divulgar as metas estipuladas dentro das várias fases do Programa;
4) Reavaliar continuamente os resultados obtidos e as metas estipuladas

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Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

O uso de muitos reagentes altamente tóxicos pode ser evitado por simples substituição de
experimentos; a minimização de experimentos surge como uma alternativa econômica dentro dos
laboratórios de pesquisa e pode muito bem ser executada nos laboratórios de ensino (por exemplo,
substituindo as titulações em macro-escala por experimento similares em micro-escala). O reuso
dos resíduos (uso do resíduo como insumo, sem que o mesmo sofra qualquer pré-tratamento) e a
reciclagem (uso dos resíduos ou do seu conteúdo energético após algum tipo de tratamento) deve ser
pesquisado e praticado nas unidades, como forma de tornar úteis os resíduos gerados, minimizando a
quantidade de rejeitos a serem encaminhados para disposição final. Por fim, a unidade geradora terá
estocado a quantidade mínima de resíduo, que deverá sofrer tratamento e, se for o caso, encaminhado
para a disposição final.

O GERENCIAMENTO DOS RESÍDUOS QUÍMICOS NOS LABORATÓRIOS DA


UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

A Universidade Federal de Mato Grosso (campus Cuiabá) dispões atualmente de cerca de 54 cursos
de Graduação e 26 cursos de pós graduação (stricto sensu) dentre os quais pelo menos 38 destes
cursos fazem uso direto dos laboratórios que lá existem. Não estão computados nos números mencionados
anteriormente os cursos de especialização (lato sensu), que com toda certeza contribuiria para aumentar
o número de discentes e docentes atuando dentro dos laboratórios da UFMT. No entanto, a implantação
de um programa de gerenciamento de resíduos foi feita de forma setorizada e utilizando como piloto o
laboratório de ensino de química analítica.

Figura 01 - Estoque de resíduos do Figura 02 - – Foto de frasco com Figura 03 - Foto que ilustra a
laboratório de ensino de Química resíduo de cromato de potássio situação dos frascos que estão
Analítica do Departamento de utilizado em aula prática. armazenando os resíduos ao longo
Química da UFMT. Fonte: Souza, G. A. 2012. dos anos.
Fonte: Souza, G. A. 2012. Fonte: Souza, G. A. 2012.

O método utilizado foi o de elaborar um estudo preliminar a cerca dos resíduos gerados em aulas
anteriores e assim identificar os passivos armazenados ao longo dos anos (figura 5, 6 e 7), relacionando
as aulas práticas ministradas neste laboratório com os tipos de resíduos gerados.

A nalizando os roteiros das aulas práticas, foi possível identificar alguns reagentes que poderiam
facilmente ser substituídos por outros menos agressivos e que pudessem ser feito o descarte de forma
simples. Também notou-se que a quantidade de soluções preparadas não eram adequadas, assim observou-
se que a forma macro escalar de trabalho poderia ser substituída pela micro escala gerando um menor
volume de rejeitos.

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ELABORAÇÃO DO RÓTULOS

P ara facilitar o gerenciamento do Programa, foi necessário que os resíduos fossem devidamente
identificados em cada etapa do Programa, ou seja, desde a coleta, até a sua reutilização ou
armazenamento. Criou-se um modelo de rótulo que serviu como padrão para a confecção dos demais.

LEVANTAMENTO DOS FRASCOS

R ealizou-se um levantamento dos frascos vazios disponíveis nos Laboratórios de Ensino de Química
analítica e nas dependencias do Departamento de química, que poderiam ser utilizados como frascos
de coleta e de armazenamento. Constatou-se a existência de vários frascos de vidro de 1,0 L e alguns frascos
de vidro de 4,0 L que, na maioria das vezes, eram as embalagens originais dos reagentes comprados pela
instituição. No entanto, foi necessário fazer a aquisição de bombonas de 5, 10 e 20 litros, todas fabricadas
em material plastico com tampa com alto poder de vedação (rosca) para eliminar riscos de vazamento de
vapores e líquidos.

Figura 04 – Frascos de armazenamento.


Fonte: Souza, G. A. 2013.

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Figura 05 – Bombonas de armazenamento.


Fonte: Souza, G. A. 2013.

CONTRATAÇÃO DE UMA EMPRESA


ESPECIALIZADA

C om a preocupação de fazer a destinação final correta para os resíduos gerados dentro do campus da
UFMT, em 2011 deu-se inicio, através de um processo licitatório, a um contrato de prestação de serviço
entre uma empresa com atividade fim de coleta, transporte, tratamento e destinação final de resíduos e a
Universidade Federal de Mato Grosso. A UFMT é responsável pela geração, segregação correta, e destinação
final de seus resíduos em todas as etapas deste processo. Para isso foram implantados pontos de coletas
dentro do campus para receber provisoriamente estes resíduos.

Figura 06 e 07 – Ponto de coleta de resíduos da prefeitura do campus.


Fonte: Souza, G. A. 2013.

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N o entanto, estas instalações não são e nem estão adequadas para receber este tipo de material. Estes
resíduos não devem ficar expostos à ação do tempo como chuva, sol, vento, etc., nem ao transito de
pessoas. Devem possuir bacias de contenção para minimizar danos causados no caso de um vazamento,
devem ter canalização de águas de lavagem e pontos de água para higiene pessoal próximo, bem com
extintores ou outros meios de proteção individual ou coletiva que possam ser usados no caso de um sinistro.
Um projeto mais elaborado (figura 8) e que está em uma escala maior que a descrita neste trabalho está
sendo desenvolvido para se montar um central de coleta de resíduos que receberá estes rejeitos de todo o
campus Cuiabá. A sequencia lógica de implantação do PGRQ ocorreu na seguinte ordem cronológica:

figura 08 – Planta
baixa da central de
coleta de resíduos .

A sequencia lógica de implantação do PGRQ ocorreu na seguinte ordem cronológica:

• Analisar os roteiros de aulas práticas com o intuido de identificar quais os resíduos que poderiam
ser gerados.
• Fazer a seleção dos materiais/recipientes para o armazenamento.
• Prover a identificação dos frascos coletores com os rótulos já preenchidos(figuras 09 e 10) e com a
ficha de informação de segurança de produtos químicos – FISPQ do produto químico;

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Figura 09 - Resíduos para rotulagem.

Figura 10 - Resíduos para rotulagem.

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•Coletar os resíduos gerados e armazenar em local adequado até o transporte para o ponto de coleta
mais próximo (figura 11).

Figura 11 - Armazenamento
temporário dentro do
Laboratório.
Fonte: Souza, G. A. 2013

P assada estas etapas, o programa de gerenciamento de resíduos químicos – PGRQ começou a funcionar
segundo mostra o fluxograma abaixo:

Figura 12 - Fluxograma de funcionamento do PGRQ.

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A Medida que o volume de resíduos se tornava razoavelmente grande, os frascos de coletas eram
transportados do laboratório para o ponto de coleta dentro da prefeitura do campus da UFMT. Uma
ficha de identificação, denominada ficha do grupo B, era gerada afim de quantificar os resíduos no ato da
pesagem no momento do embarque no caminhão e assim, facilitar o controle de saída dos resíduos.

NEUTRALIZAÇÃO DE REJEITOS
ÁCIDOS E BÁSICOS

T odos os rejeitos possíveis de serem neutralizados sem a produção de produtos potencialmente


degradante ao meio ambiente, tais como ácidos e bases mais comuns, foram tratados dessa forma. A
partir deste ponto, os resíduos que não eram possivel de se fazer a reutilização ou o tratamento e descarte
dentro do próprio laboratório, eram destinados aos pontos de coleta onde a empresa contratada procede
a pesagem, e na sequencia o tranporte, o tratamento e a destinação final.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
DESCARTE DOS RESÍDUOS

C onvencionou-se que os usuários do laboratório de ensino de química analítica realizariam o descarte de


forma autônoma. Inicialmente foi idealizado que os responsáveis fariam visitas semanais ao laboratório
de ensino de química analítica para que fosse efetuada a solução de dúvidas que os usuários do laboratório
pudessem ter a respeito do descarte dos resíduos. Mas como o funcionamento do Programa se tornou cada
vez mais complexo, as visitas foram executadas periodicamente, mas em intervalos de tempo maiores.
Observou-se também a necessidade de criação de novas correntes de segregação. Algumas dificuldades
como a organização de recipientes próprios para o descarte foi encontrada por motivos adversos aos
planejados como por exemplo a falta de comunicação docente x técnico.

CONSCIENTIZAÇÃO E TREINAMENTO

C omo estratégia de conscientização, tanto dos alunos quanto dos professores do Departamento, antes
do início das aulas do semestre fosse reservado 15 minutos para discussão a respeito de segurança
laboratorial e segregação e descarte de resíduos. Também aconteceram duas reuniões uma no segundo
semestre de 2012 e outra no primeiro semestre de 2013, com grande parte do corpo docente do
Departamento e um número expressivo de alunos do curso de química para tratar do assunto.

VISTORIAS DOS FRASCOS

A vistoria dos frascos, executada periodicamente permitiu aos responsáveis pelo Programa detectar
alguns problemas que ocorriam durante o descarte dos resíduos no laboratório, tais como:
• A degradação dos rótulos devido aos pequenos derramamentos que ocorriam durante o
descarte dos resíduos líquidos; A grande quantidade de resíduo estocado (figura 16 e 17), bem como
a falta de equipamentos adequados para o manueseio foi os maiores propulsores deste problema.

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Figura 13 - Vistoria dos frascos.

Figura 14 - Passivos
estocados no
laboratório de ensino
de química.
Fonte: Souza, G. A.
2012.

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• Liberação de alguns gases, devido a reações lentas e/ou incidencia de raios solares, danificando
a embalagem de armazenamento; O local de armazenamento foi rearranjado para evitar incidencia de
raios solares, bem como foi implementado a análise de compatibilidade química. Aquecimento ou
resfriamento, precipitação de sólidos, liberação de vapores ou qualquer outra evidência de reação
química era um sinal de que o resíduo era incompatível e deveria ser descartado em um frasco ou
recipiente devidamente identificado, para que os responsáveis pelo Programa efetuassem o descarte
adequado;
• A dificuldade no armazenamento devido à heterogenoeidade dos resíduos em frascos
diferentes. Para isso começou-se a usar as próprias embalagens originais dos químicos.

QUANTIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS

F oi possível caracterizar e quantificar os resíduos gerados pelo laboratório de ensino de química


analítica do Departamento de química da UFMT. Uma característica desses rejeitos é que grande
parte são considerados inorgânicos fazendo com que o percentual de resíduos orgânicos fosse
desprezado. Alguns com grande potencial de contaminação do meio ambiente, outros com menor
potencial, mas todos os rejeitos eram nocivos ao meio ambiente e ao homem.

O quadro abaixo mostra os resíduos e as quantidades retiradas durante o trabalho:

Quandro 4
Caracterização e Quantificação do Resíduo Coletado

Resíduo Grupo Nome Comercial e/ou Técnico Características Físicas Qtd

Rejeito B Solução de formol e álcool 10% Líquido 13 L


Rejeito B Solução de Glifosato Líquido 16 L
Rejeito B Etanol Líquido 26 L
Rejeito B Amônia Solução Líquido 11 L
Rejeito B Hidróxido de amônio Líquido 12 L
Rejeito B Sol. Iodato Iodeto de potássio Líquido 3 L
Rejeito B Acetonitrila Líquido 0,6 L
Rejeito B Hidróxido de Sódio Líquido 22 L
Rejeito B Sulfato de hidrazina Sólido 0,05 Kg
Rejeito B Tiossulfato de sódio Sólido 0,3 Kg
Rejeito B Anidrido acético Sólido 0,4 Kg
Rejeito B Sulfato ferroso Sólido 1,4 Kg
Rejeito B Molibdato de sódio Sólido 0,235 Kg
Rejeito B Sulfato de potássio Sólido 0,6 Kg
Rejeito B Azul de metileno Sólido 0,03 Kg
Rejeito B Cloreto de magnésio Sólido 0,8 Kg
Rejeito B Carbonato de sódio Sólido 2,3 Kg
Rejeito B Acetato de cobre Sólido 0,7 Kg
Rejeito B Fucsina básica Sólido 0,3 Kg
Rejeito B Cloreto de potássio Sólido 0,45 Kg
Rejeito B Sulfato de cobre Sólido 0,6 Kg
Rejeito B Fosfato de potássio Sólido 1,2 Kg
Rejeito B Sacarose Sólido 0,9 Kg

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Resíduo Grupo Nome Comercial e/ou Técnico Características Físicas Qtd

Rejeito B Bicarbonato de sódio Sólido 0,25 Kg


Rejeito B Cloreto de cálcio Sólido 0,8 Kg
Rejeito B Sulfato de amônio Sólido 1,0 Kg
Rejeito B Cloreto de zinco Sólido 0,3 Kg
Rejeito B Azul de timol Sólido 0,025 Kg
Rejeito B Vaselina líquida Líquido 0,2 L
Rejeito B Permanganato de potássio Líquido 135 L
Rejeito B Acetamida Sólido 0,1 Kg
Rejeito B Acetato de magnésio Sólido 0,56 Kg
Rejeito B Benzoato de sódio Sólido 0,6 Kg
Rejeito B Oxalato de amônia Sólido 0,9 Kg
Rejeito B Cloreto de mercúrio Sólido 1,2 Kg
Rejeito B Cliclomato de sódio Sólido 2,3 Kg
Rejeito B Sulfato de mercúrio II Sólido 1,1 Kg
Rejeito B Metabissulfito de sódio Sólido 0,3 Kg
Rejeito B Hidróxido de Cálcio Líquido 6,7 L
Rejeito B Cumarina Sólido 0,4 Kg
Rejeito B Gluconato de Zinco Sólido 0,1 Kg
Rejeito B Verde de bromocresol Sólido 0,05 Kg
Rejeito B Cloreto de potássio Sólido 0,5 Kg
Rejeito B Azul de bromotimol Sólido 0,01 Kg
Rejeito B Hidróxido de potássio Líquido 10 L
Rejeito B Óxido de mercúrio Sólido 0,5 Kg
Rejeito B Tiossulfato de sódio Sólido 0,3 Kg
Rejeito B Fluoreto de lítio Sólido 0,06 Kg
Rejeito B Acetato de etila Líquido 2,3 L
Rejeito B Hidroxilamina Líquido 0,45 L
Rejeito B Tiocianato de amônio Líquido 0,97 L
Rejeito B Biftalato de potássio Sólido 0,3 Kg
Rejeito B Iodato de potássio Líquido 0,6 L
Rejeito B Óxido de magnésio Sólido 0,12 Kg
Rejeito B Cloreto de estanho II Sólido 0,8 Kg
Rejeito B Cloreto de sódio Sólido 2,4 Kg
Rejeito B Vermelho de metila Líquido 0,04 L
Rejeito B Cloreto de ferro III Sólido 0,56 Kg
Rejeito B Dicromato de Potássio Líquido 0,9 L
Rejeito B Ácido Pícrico Líquido 0,9 L
Rejeito B Tartarato de Sódio e Potássio Sólido 0,2 Kg
Rejeito B Oxalato de Sódio Sólido 0,34 Kg
Rejeito B Ácido Tartárico Sólido 0,45 Kg
Rejeito B Cloreto de Níquel II Sólido 0,6 Kg
Rejeito B Cloreto de Cobalto II Sólido 0,6 Kg
Rejeito B Magnésio Sólido 0,05 Kg
Rejeito B Nitrato de Ferro III Sólido 0,3 Kg
Rejeito B Ácido Salicílico Sólido 0,15 Kg
Rejeito B Carbonato de Lítio Sólido 0,3 Kg

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Resíduo Grupo Nome Comercial e/ou Técnico Características Físicas Qtd

Rejeito B Oxalato de Sódio Líquido 0,2 L


Rejeito B Cloreto de Mercúrio Sólido 0,74 Kg
Rejeito B Glicerina Sólido 2,7 Kg
Rejeito B Carbonato de Zinco Sólido 0,5 Kg
Rejeito B Sulfato de Magnésio Líquido 0,9 L
Rejeito B Carbonato de Magnésio Sólido 0,74 Kg
Rejeito B Carbeto de Cálcio Sólido 0,2 Kg
Rejeito B Sulfato de Cálcio Sólido 0,45 Kg
Rejeito B Ácido Oxálico Sólido 0,3 Kg
Rejeito B Cloreto de Níquel II Sólido 0,4 Kg
Rejeito B Ferricianeto de Potássio Sólido 0,1 Kg
Rejeito B Vaselina Sólido 0,05 Kg
Rejeito B Ácido Cítrico Líquido 0,6 L
Rejeito B Brometo de Potássio Sólido 0,35 Kg
Rejeito B Tartarato de Sódio Sólido 0,2 Kg
Rejeito B Agar Agar Sólido 2,3 Kg
Rejeito B Nitrato de Mercúrio II Líquido 0,54 L
Rejeito B Nitrato de Estrôncio Sólido 0,35 Kg
Rejeito B Fluoreto de Sódio Sólido 0,225 Kg
Rejeito B Nitrato de Zinco Sólido 0,47 Kg
Rejeito B Cloreto de Alumínio Sólido 0,65 Kg
Rejeito B Carbonato de Zinco Sólido 1,56 Kg
Rejeito B Nitrato de Bário Líquido 0,45 L
Rejeito B Ácido Fosfórico Xaroposo Líquido 1,8 L
Rejeito B Grafite Sólido 0,05 Kg
Rejeito B Carbonato de Chumbo Sólido 0,9 Kg
Rejeito B Cloreto de Amônio Sólido 0,86 Kg
Rejeito B Sulfato de Chumbo Sólido 0,75 Kg
Rejeito B Nitrato de Cobre Sólido 0,45 Kg
Rejeito B Nitrato de Alumínio Sólido 0,65 Kg
Rejeito B Cloreto de Potássio Líquido 0,74 L
Rejeito B Sulfato de Zinco Sólido 0,55 Kg
Rejeito B Cloreto de Cobre II Sólido 1,0 Kg
Rejeito B Carvão Ativo Sólido 0,2 Kg
Rejeito B Monohidrogeno Fosfato de Sódio Sólido 0,35 Kg
Rejeito B Dihidrogeno Fosfato de Sódio Sólido 0,25 Kg
Rejeito B Fosfato de Sódio Tribásico Sólido 0,15 Kg
Rejeito B Carbonato de Cálcio Sólido 2,1 Kg
Rejeito B Ácido Bórico Sólido 0,3 Kg
Rejeito B Oxalato de Amônio Sólido 0,4 Kg
Rejeito B Tiossulfato de Sódio Líquido 0,41 L
Rejeito B Borato de Sódio Sólido 0,25 Kg
Rejeito B Sulfato de Sódio e Potássio Sólido 0,23 Kg
Rejeito B Nitrato de Estrôncio Sólido 0,34 Kg
Rejeito B Acetona Líquido 2,6 L
Rejeito B Ácido Sulfúrico Líquido 4,3 L

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Resíduo Grupo Nome Comercial e/ou Técnico Características Físicas Qtd

Rejeito B Nitrato de Zinco Sólido 0,6 Kg


Rejeito B Lugol Sólido 0,5 Kg
Rejeito B Naftaleno Sólido 0,06 Kg
Rejeito B Sulfato Ferroso Líquido 0,5 L
Rejeito B Acetato de Sódio Sólido 0,33 Kg
Rejeito B Nitrato de Alumínio Líquido 0,45 L
Rejeito B Nitrato de Mercúrio II Líquido 0,25 L
Rejeito B Cloreto de Estrôncio Sólido 0,8 Kg
Rejeito B Carbonato de Chumbo ólido 0,59 Kg
Rejeito B Nitrato de Potássio Sólido 0,35 Kg
Rejeito B Cloreto de Lítio Sólido 0,47 Kg
Rejeito B Carbonato de Cobre II Sólido 0,3 Kg
Rejeito B Cloreto de Potássio Sólido 0,45 Kg
Rejeito B Ácido Benzóico Sólido 0,1 Kg
Rejeito B Ácido Oxálico Sólido 0,05 Kg
Rejeito B Cloreto de Ferro II Sólido 0,36 Kg
Rejeito B 3,3-diaminobenzidina Sólido 0,254 Kg
Rejeito B L-Teonina Sólido 0,1 Kg
Rejeito B Nitrato de Cobalto Sólido 0,15 Kg
Rejeito B Mercúrio Cromo Sólido 0,01 Kg
Rejeito B Solução de Ácido Acético Líquido 0,956 L
Rejeito B Óxido de Cálcio Sólido 0,07 Kg
Rejeito B Solução Sulfato de Ferro (II) e Amônio Sólido 1,3 Kg
Rejeito B Solução de Sulfato de Cobre Líquido 0,85 L
Rejeito B Nitrato de Prata Sólido 0,56 Kg
Rejeito B Ferrocianeto de Potássio Sólido 0,45 Kg
Rejeito B Solução de Alfa Naftol Líquido 0,23 L
Rejeito B Bálsamo do Canadá Sólido 0,025 Kg
Rejeito B Iodeto de Sódio Sólido 0,85 Kg
Rejeito B Frasco Vazio Solido 613 und.

Total de rejeitos líquidos 277,436 Litros


Total de rejeitos sólidos 61,384 Kilos
Total de frascos vazios 613 unidades

CONSIDERAÇÕES

D iante da situação do gerenciamento dos resíduos químicos analisada, concluiu-se que o gerenciamento
desses rejeitos necessita de melhoramentos para conformidade com as normas e legislações vigentes.

P elo fato da UFMT não possuir o PGRS consolidado, o gerenciamento dos resíduos do laboratório de
ensino de Química Analítica apresentou algumas falhas, sendo necessários estudos para adequação
à implementação desse plano. O PGRQ implantado vai ao encontro do fortalecimento e implementação
definitiva do PGRS da instituição para não contaminar o meio ambiente pela destinação final inadequada
dos resíduos gerados naquele local.

80
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A través das reuniões colegiadas promovidas entre docentes e discentes do departamento de química
conseguiu-se promover a conscientização local a cerca da geração, segregação, tratamento e destinação
final dos resíduos químicos.

M anter e aperfeiçoar este programa se faz necessário para que dessa forma ocorra um gerenciamento
adequado dos rejeitos químicos produzidos durante as aulas práticas, contribuindo para a redução
dos riscos ocupacionais das pessoas que trabalham com estes materiais bem como deixar de realizar
lançamentos que podem vir a contaminar o ambiente do entorno do prédio, prejudicando os seres vivos
que ali habitam.

M ais importante que manter e aperfeiçoar, é buscar incansavelmente a ampliação deste programa
passando a trabalhar também com laboratórios de pesquisa e com os outros laboratórios de ensino
que fazem uso de produtos químicos não só do Departamento de Química mas também dos vários outros
cursos que possuem laboratórios em seus espaços de lactação.

O utro ponto importante é buscar incorporar no projeto pedagógico dos cursos ofertados a sensibilização
sobre o gerenciamento adequado dos resíduos que são gerados para que os egressos desta instituição
reconheçam a importância do gerenciamento de resíduos como condition sine qua nom para a saúde
humana e ambiental e, consequentemente, para a conservação da biodiversidade.

REFERÊNCIAS

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Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

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82
Panceflô - nª33 - Janeiro/2017

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RESOLUÇÃO CONAMA Nº 20 DE 1986 – estabelece a classificação das águas, doces, salobras e salinas do
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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT - NBR 10.004 de 2004 – classifica os resíduos
sólidos quanto aos seus riscos potenciais ao meio ambiente e à saúde pública, para que possam ser
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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT – NBR 12.235 que dispõe sobre o
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RESOLUÇÃO CONAMA Nº 23 de 12 de dezembro de 1996, define critérios de classificação de resíduos


perigosos. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=222> acessado
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RESOLUÇÃO CONAMA Nº 257 de 30 de junho de 1999 determina o gerenciamento de descarte de pilhas


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RESOLUÇÃO CONAMA Nº 258, de 26 de agosto de 1999 que determina que as empresas fabricantes
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http://www.fertiouroverde.com.br acessado em 02/10/2012.

Portal R7 – noticias: < http://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/noticias/vazamento-de-oleo-na-bacia-de-


campos-destroi-toda-a-vida-marinha-dizem-ambientalistas-20111116.html> acessado em 18/10/2013.

Jornal bom dia RS – Notícias: <http://jornalbomdiars.com.br/policia-federal-pode-apurar-causas-do-


incendio-em-municipio-catarinense/> acessado em 18/10/2013

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Novidadeiro

o vidadeiro
N
O

Estima-se que existam no planeta cerca de


4.600 espécies de mamíferos, 31.000 espécies
de peixes e mais de 900.000 espécies de insetos,
muitos dos quais ainda não estão identificados.
Estima-se que em cada ano se extinguem de
17.000 a 25.000 espécies de seres vivos em
todo o Mundo. Só na Europa há cerca de 1.500 plantas
em risco de extinção ou já extintas.

Os rios amazônicos são os rios com maior diversidade de espécies de


peixe no mundo. Já foram descritas mais de 1500 espécies, mas
estima-se que existam pelo menos o dobro. Este número é quinze vezes
maior do que o número de espécies encontradas nos rios da Europa.
(Dom Escobar, 2010)
https://www.portaleducacao.com.br/biologia/
artigos/17696/curiosidade-sobre-o-meio-ambiente

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