Você está na página 1de 90

EDIÇÃO E DISTRIBUIÇÃO

Lidei - edições técnicas, Ida

SEDE: R. D. Estefânia, 183, r/c Dto. 1049-057 Lisboa


Internet: 21 354 14 18 - livrarialx@lidelpt Revenda: 21 351
14 43 - revenda@lidel.pt Formação1Marketing: 21 351 14 48 -
formacao@lidel.pt - naarketing @lidei .pt
Ensino Línguas/Exportação: 21 351 14 42 - depinternational@lidel.pt
Fax: 21 357 78 27 - 21 352 26 84
Linhas de Autores: 21 317 32 50 -
editee@lidel.pt Fax: 21 317 32 59

LIVRARIAS/FILIAL LISBOA: Av. Praia da Vitória, 14 - 1000-247 -


Tel.: 21 354 14 18 Fax: 21 317 32 59
PORTO: Rua Damião de Góis, 452 - 4050-224 - delporto@lidel.pt
Tel.: 22 557 35 10 Fax: 22 550 11 19

Copyright O Janeiro de 2009


L I D E L - E d i ç õ e s T é c n i c a s , L i mi t a d a

Impressão e Acabamento: Tipografia Lousanense, Lda. -


Lousã Dep. Legai n.° 287912/09
ISB N 978-972- 757-495 -7

Capa : J osé Ma nuel Reis

Este pictograma merece uma explicação. O seu propósito é alertar o leitor para ameaça que representa para o futuro
da escrita, nomeadamente na área da edição técnica e universitária, o desenvolvimento massivo da fotocópia.
O Código do Direito de Autor estabelece que é crime punido por lei, a fotocópia sem autorização dos proprietários do
copyright. No entanto, esta prática generalizou-se, sobretudo no ensino superior, provocando uma queda substanciai na
compra de livros técnicos. Assim, num país em que a literatura técnica é tão escassa, os autores não sentem motivação
para criar obras inéditas e fazê-las publicar, ficando os leitores impossibilitados de ter bibliografia em português.
Lembramos, portanto, que é expressamente proibida a reprodução, no todo ou em parte, da presente obra sem
autorização da editora.
Índice
Nota Prévia .................................................................................................................................................................IX
CAPÍTULO 1— A Empresa e a Actividade Económica ...............................................................1
1.1. A Empresa e o Circuito Económico .................................................................... 2
1.2. Os Ciclos da Actividade da Empresa ................................................................... 5
1.3. As Funções e os Órgãos da Empresa ................................................................... 10

CAPÍTULO II — A Função Financeira ........................................................................................................ 15


2.1. A Função Financeira, a Análise Económica e Financeira e a Gestão
Financeira ............................................................................................................16
2.2. Os Objectivos da Função Financeira .................................................................... 21
2.3. A Função Financeira e a Contabilidade .................................................................. 23
2.4. A Necessidade de Informação ................................................................................... 25
2.5. As Decisões Financeiras ........................................................................................ 26
2.6. A Análise Financeira e o Valor ........................................................................... 27

CAPÍTULO 111 — Técnicas e Instrumentos de Análise Económica e Financeira 29


3.1. Documentos Contabilísticos .................................................................................. 31
3.1.1. O Balanço .............................................................................................. 32
3.1.1.1. As rubricas do Balanço ............................................................... 34
3.10. A aplicação dos princípios contabilísticos ao Balanço.. 36
3.1.2. A Demonstração dos resultados ................................................................. 40
3.1.2.1. A Demonstração dos resultados por natureza ........................... 40
3.1.2.2. A Demonstração dos resultados por funções ......................... 43
3.1.3. A Demonstração de origem e aplicação de fundos .................................. 45
3.1.4. A Demonstração dos fluxos de caixa ......................................................... 45
3.2, As Informações Extracontabilísticas ..................................................................... 47
3.3. Limitações dos Documentos Contabilísticos ........................................................ 49
3.4. O Balanço Funcional .............................................................................................. 50
3.5. O Balanço Financeiro ............................................................................................. 55
3.6. Métodos e Técnicas de Análise ............................................................................... 56
3.6.1. Método dos indicadores e dos rácios ....................................................... 56
3.6.2. A Central de Balanços PME ....................................................................... 63

CAPÍTULO IV — Análise Económica ............................................................................................................................65


4.1. Medidas de Eficiência da Gestão .......................................................................... 66
4.1.1. Resultado de exploração ................................................................................ 66
4.1.2. Valor acrescentado ....................................................................... 67
4.1.3. Excedente bruto de exploração .................................................... 70
4.1.4. Produtividade ................................................................................. 73
4.1.5. Rendibilidade ................................................................................. 79
4.2. O Ponto Crítico das Vendas .................................................................... 99
4.3. Competitividade Empresarial ................................................................105
4.3.1. Noção de competitividade económica ................................... 106
4.3.2. Equação da competitividade económica ...................................106
4.3.3. Estratégias de competitividade .............................................. 107
4.4. A Rendibilidade e o Crescimento da Empresa ....................................109
4.4.1. O financiamento e o crescimento .......................................... 110
4.4.2. Taxa de crescimento interno .................................................. 110
4.4.3. Taxa de crescimento sustentável ..............................................112
4.5. Exercícios .................................................................................... 114

CAPÍTULO V — Análise Financeira .....................................................................119


- -

5.1. Equilíbrio Financeiro .......................................................................... 120


5.1.1. Análise patrimonial do equilíbrio financeiro ............................ 120
5.1.1.1. Fundo de maneio .........................................................121
5.1.1.2. Rácios de liquidez .................................................... 124
5.1.1.3. Críticas à metodologia tradicional ........................... 125
5.1.2. Análise funcional do equilíbrio financeiro ............................. 125
5.1.2.1. Fundo de maneio funcional (FMF) .......................... 127
5.1.2.2. Necessidades de fundo de maneio (NFM) ...............128
5.1.2.3. Tesouraria líquida (TRL) .......................................... 129
5.2. Indicadores do Ciclo de Exploração ................................................... 131
5.3. Exercícios ..................................................................................... 134

CAPÍTULO VI — O Risco e a Análise Financeira .............................................139


6.1. Noção e Tipos de Risco .................................................................. 140
6.1.1. Riscos de mercado ......................................................................141
6.1.2. Risco específico ou diversificável ........................................... 146
6.2. Técnicas e Análises de Risco .................................................................148
6.2.1. Análise dos documentos contabilísticos ................................148
6.2.2. Indicadores de mercado .......................................................... 154
6.2.2.1. Custo dos capitais ...................................................... 154
6.2.2.2. Rendibilidade e risco ..............................................155
6.2.2.3. Modelo de equilíbrio dos activos financeiros (CAPM)
158
6.2.2.4. Decomposição do indicador de risco ....................... 162
6.3. Exercícios ..................................................................................... 165
CAPÍTULO VII — Análise dos Fluxos Financeiros .................................................................................... 171

7.1. O Mapa de Origens e Aplicações de Fundos (MOAF) ..................................................... 172


7.1.1. Elaboração ........................................................................................................ 172
7.1.2. Rubricas .......................................................................................................174
7.1.3. interpretação .......................................................................................................... 176
7.1.4. Limitações ....................................................................................................179
7.2. A Demonstração dos Fluxos de Caixa ................................................................................ 180
7.2.1. Objectivos .................................................................................................. 181
7.2.2. Classificação dos fluxos de caixa ...................................................................... 182
7.2.3. Os fluxos e a análise financeira ........................................................................... 184

CAPÍTULO VIII — Caso Prático: AERO Passeias Turísticos, SA .............................................. 195

Índice Remissivo ......................................................................................................................................... 225


. Nota Prévia
Em todas as empresas, qualquer que seja a sua natureza e dimensão, há uma
política de investimento e problemas de gestão a resolver que exigem uni conhecimento
exacto da sua situação financeira, de modo a permitir a tomada de decisões oportunas.
Muitas empresas com problemas financeiros sentem dificuldades na sua resolução, em
virtude de não analisarem convenientemente a sua vertente financeira que se encontra
subjacente a toda a actividade empresarial.

Para além das preocupações técnicas de produção e comercialização, há a


considerar em qualquer empresa um conjunto de tarefas relacionadas com a gestão
da tesouraria, com a política de investimento, financiamento e de distribuição de
resultados e com a análise e controlo da rendibilidade previsional e efectiva das
aplicações financeiras. Tarefas a considerar na função financeira, um dos elementos
básicos da sua gestão.

Este livro integra-se no domínio da Análise económica e financeira que utiliza um


conjunto de técnicas que se baseiam, fundamentalmente, no Balanço e na Demons-
tração dos resultados e que tem por fim avaliar e interpretar a situação económica e
financeira da empresa, nomeadamente no que diz respeito ao crescimento, rendibilidade
e criação de valor, à liquidez e solvabilidade, e ao risco. As análises do risco e do cash
flow são alguns dos assuntos fulcrais da Análise económica e financeira moderna a
estudar neste livro.

Este livro visa sobretudo:

■ Delimitar os domínios da Função financeira, da Análise económica e financeira


e da Gestão financeira;
■ Realçar a importância da Análise económica e financeira como instrumento
específico da gestão;

■ Caracterizar os documentos contabilísticos que servem de base à Análise


económica e financeira;
 Referir as limitações da Análise económica e financeira tradicional e introduzir a
abordagem funcional;
 Utilizar o Método dos rácios;
 Relacionar o Risco, a Rendibilidade e o Crescimento com a criação de valor;
 Elaborar o Mapa de origens e aplicações de fundos e o Mapa de fluxos
monetários.
De modo a fornecer uma base técnica a todos aqueles, directa ou indirectamente, relacionados
com a função financeira da empresa e, ainda. a permitir que o estudante universitário aprofunde os
seus conhecimentos sobre estas matérias.

Aproveitamos a oportunidade para referir que o P00 foi actualizado de acordo com o DL
35/2005 de 17 de Fevereiro.

Assim sendo, algumas contas e documentos contabilisticos referidos neste livro foram
sujeitos a alterações.

Para mais informações consultar o nosso site www.esfgabinete.com. Estamos

receptivos a sugestões.

Os Autores

Carlos Nabais Francisco Nabais


C A P Í T U L O I

A Empresa
e a Actividade Económica
a A Empresa e a Actividade
Económica
Todos nós temos necessidades por satisfazer que se caracterizam por estados de insatisfação
e desejo de dispor de um meio capaz de os diminuir ou eliminar. As necessidades
satisfazem-se mediante o recurso a um meio — bens e serviços. A produção de bens e
serviços é o resultado da acção conjunta de recursos financeiros, materiais e humanos, os quais
constituem os factores produtivos de um país ou de uma unidade económica. As
necessidades e a produção de bens e serviços são realizadas e obtidas no nosso quotidiano.
Estamos perante uma actividade económica-. que é dinamizada por vários agentes económicos,
onde se salienta a empresa como célula económica, conjunto de meios e célula social.

É precisamente sobre a empresa que nos vamos debruçar ao longo do livro, como uma
entidade de aplicação de recursos e de criação de riqueza.

1.1. A Empresa e o Circuito Economico


Pode considerar-se unidade produtiva qualquer indivíduo, sociedade ou organismo público
que crie e adicione valor. O tipo mais corrente de unidade produtiva é a empresa, unidade
básica do sistema económico capitalista. Ela é um con junto complexo e estruturado
que exige uma direcção e organização e que exerce uma actividade remuneradora através da
produção e/ou distribuição dos bens ou serviços.

As empresas desenvolvem a sua actividade num quadro político, económico e social vasto,
complexo e interdependente, que transcende o país onde se localiza, e estabelece múltiplas relações
entre os diversos intervenientes ou agentes económicos, originando fluxos reais e fluxos
financeiros.
No desenvolvimento da sua actividade económica, a empresa estabelece relações com o exterior,
na forma de apresentações recebidas (compras de matérias-primas, ferramentas, maquinas,
mercadorias e serviços) e de prestações cedidas (vendas de produtos e prestações de serviços).
Estas relações traduzem-se por fluxos de bens e serviços, aos quais correspondem sempre fluxos
monetários de sentido inverso (os recebimentos e os pagamentos), e que se podem traduzir
positiva (Proveitos) ou negativamente (Custos) nos resultados. A venda de bens a pronto ou a
prazo constitui um proveito, e o pagamento do seguro, um custo. Pode haver proveito sem que haja
recebimento (venda a prazo de mercadorias) e pode haver recebimentos sem que haja proveito
(cobrança de dívidas a clientes).

Os custos e os proveitos estão limitados a um determinado período económico, de modo que o


resultado do exercício seja correcto. No apuramento dos resultados de um exercício devemos
considerar somente os custos e os proveitos do referido exercício.

1. Despesa
Factura nº 500, referente á compra de mercadorias, no valor de 5000,00 Euros
2. Receita e Proveito
Venda a crédito de 25% das mercadorias (2000,00 Euros) por 3500,00 Euros
O montante das mercadorias avaliadas a preço de custo (2000,00 Euros) é um custo para a empresa
3. DespesaePagamento
Aquisição por 10340,60 Euros de uma viatura para transporte (Factura recibo nº 18). O montante das
amortizações (desgaste da viatura) que corresponde a um consumo é um custo para a empresas
4. Recebimento
Os clientes pagaram 20% da dívida: 230,56 Euros
5. Despesa, PagamentoeCusto
Pagamento da electricidade referente ao mês de Dezembro de 2003: 80,30 Euros. E um pagamento
em 2004 e um custo de 2003
6. Despesa, Pagamento e Custo Parcial
Pagamento do seguro referente a 1/10/2003 a 30/9/2004: 1200.00 Euros. O custo de 2003 será de
300,00 Euros correspondente a 3 meses de 2003, O pagamento em 2003 foi de 1200,00 Euros.

Na actividade da empresa podem ser consideradas três ópticas:


A primeira óptica é a financeira e está directamente relacionada com as despesas, que
correspondem à remuneração dos factores produtivos, e as receitas, que correspondem à
remuneração das vendas efectuadas e/ou dos serviços prestados.
Emsuma:
As despesas dizem respeito a factos que originam uma obrigação de pagar
um certo montante. Irão provocar uma saída de meios monetários.
—As receitas dizem respeito a factos que originam um direito de receber um certo
montante. Irão provocar urna entrada de meios monetários.

A segunda óptica é a económica ou produtiva, e está relacionada com a transfor-


mação e incorporação dos diversos materiais, mão-de-obra, etc., até se atingir o
produto (bem ou serviço) final. Os valores incorporados e gastos na produção
designam-se, no exercício económico, por custos. Por sua vez, os produtos acabados
e as mercadorias vendidas e os serviços prestados designam-se, no exercício
económico, por proveitos. Em síntese, a empresa ao consumir bens e serviços tem
custos; ao vendê-los tem proveitos.

Por último, a terceira óptica é a de tesouraria (ou de caixa) e corresponde às


entradas e às saídas monetárias da empresa. Nesta óptica, podemos distinguir os
recebimentos, que correspondem à entrada de valores monetários para a empresa,
e os pagamentos, que dizem respeito às saídas de valores monetários.
Voltaremos a este assunto no capítulo VII.

1.2. Os Ciclos da Actividade da Empresa


A empresa mantém, como se viu, relações diversas com os outros agentes econó-
micos, quer recebendo quer cedendo prestações. Estas correspondem a:

■ Um fluxo real ou fluxos económicos de entrada (prestações recebidas do


exterior) e de saída (Prestações cedidas ao exterior).
Decorem de operações de investimento e desinvestimento em capital fixo e das ope-
rações de exploração: aquisição de bens de activos reais, de matérias-primas e merca-
dorias, fornecimentos e serviços externos e da venda de bens e da prestação de serviços.

Os fluxos reais ou económicos designam-se por:

 Fluxos económicos de exploração, que se referem às aquisições de


matérias-primas, mercadorias, fornecimentos de serviços externos e à venda
de bens e à prestação de serviços.
 Fluxos económicos autónomos, que se relacionam com as transferências de
activos fixos (imobilizado) na sequência de investimentos e desinvestimentos:
transferência de mobilizações em curso para imobilizações corpóreas.

■ Um fluxo financeiro de contrapartida ou não do fluxo real.


É um circuito económico-financeiro renovador. A fluxos financeiros d.e saída deriva-
dos de prestações recebidas seguem-se fluxos financeiros de entrada, em consequência
das prestações cedidas.
Os fluxos financeiros podem não ser uma contrapartida aos fluxos reais. como se
pode observar na caracterização dos vários tipos de fluxos financeiros.
Os Fluxos financeiros designam-se por:

 Induzidos pelos fluxos reais ou económicos, isto é, correspondem à compo-


nente financeira destes fluxos. Englobam os fluxos financeiros resultantes
da exploração e das decisões de investimento e de desinvestimento em activos
reais
 Autónomos, que não decorrem de fluxos reais e correspondem a operações
financeiras autónomas, como são as contratações ou concessões de emprés-
timos, os aumentos de capital, as amortizações de empréstimos;
 Directos, que desenvolvem apenas dois agentes económicos intervenientes na
transacção;
 Indirectos, que envolvem a intervenção de um terceiro agente (desconto de letras,
factoring).

Os fluxos financeiros induzidos directos classificam-se em:

 Imediatos, quando os fluxos real e financeiro coincidem no tempo;


 Diferidos, quando os fluxos real e financeiro não são coincidentes no tempo,
havendo um dos agentes económicos intervenientes na transacção que concede
(obtém) crédito.

Este conjunto de fluxos financeiros que assegÜa as operações entre a empresa e


os outros agentes económicos designa-se por ciclo financeiro.

Nas empresas há que distinguir fundamentalmente três ciclos


financeiros, tendo em conta a sua natureza e duração:

1 — Ciclo de investimento

Engloba o conjunto de actividades e decisões respeitantes á análise e selecção de


investimentos ou desinvestimentos em activo fixo, assegurando desta forma a renovação
e o crescimento da empresa.
Repercute-se na estrutura do imobilizado, com reflexos a nível técnico, produtivo,
administrativo ou comercial, e na estrutura dos activos financeiros, por opções estra-
tégicas de domínio ou simples participação.
2 - Ciclo de exploração
Engloba o conjunto de actividades e decisões relacionadas com o aprovisionamento, a
produção e a comercialização. Este cicio corresponde ao consumo de matérias-
primas, trabalho e fornecimentos diversos, com o objectivo de assegurar a venda de bens
e a prestação de serviços. Operações que vão corresponder aos custos e proveitos operacionais
a figurar na Demonstração dos resultados. No Balanço este ciclo provoca necessidades de
recursos para financiar as dívidas dos clientes e as existências e origina débitos
comerciais para com os fornecedores.

Na exploração consideram-se os seguintes ciclos:


O ciclo de exploração industrial — Cicio longo que se encontra relacionado com o
consumo de matérias-primas e a consequente fabricação dos produtos. Este ciclo
financeiro inicia-se em simultâneo com o ciclo económico de exploração e termina com o
recebimento efectivo da venda de produtos acabados. Corresponde aos fluxos
financeiros traduzidos em pagamentos e recebimentos. A duração do ciclo de
exploração é influenciada pela actividade desenvolvida e influencia o nível das
necessidades financeiras de exploração e a rendibilidade da empresa. Deve-se por isso
tentar encurtar ao máximo.

L
O ciclo de exploração comercial — Relacionado com as vendas de mercadorias da
empresa comercial e com a venda de produtos acabados da empresa industrial.

Corresponde às actividades de obtenção de fundos adequados aos investimentos


e às necessidades de financiamento do ciclo de exploração. As operações financeiras
dizem respeito:

 Às operações de capitai — Em que a finalidade é obter recursos estáveis para o


financiamento de activos estáveis. Engloba decisões financeiras derivadas de opções
de investimento (capital fixo, participações financeiras e fundo de maneio necessário)
e de opções estritamente financeiras ligadas aos fluxos financeiros autónomos e que
afectam a tesouraria;
 Às operações de tesouraria — Operações que visam gerir as disponibilidades e
assegurar os fundos necessários no caso de tesouraria insuficiente.

No ciclo de operações financeiras a empresa encaixa as receitas, paga as dívidas,


procede à distribuição dos resultados e investe em activos financeiros
As decisões financeiras centram-se na selecção das fontes e produtos de finan-
ciamento mais adequados e no equilíbrio estrutural de tesouraria (política de
financiamento).

O ciclo de financiamento pode esquematizar-se do seguinte modo:

A interacção entre os ciclos é captada no ciclo de caixa.

A empresa inicia a sua actividade com fundos próprios (Capital social) e/ou com
fundos alheios (empréstimos bancários...).

Esses fundos são utilizados para adquirir activos fixos e pagar as despesas iniciais
com a constituição da firma.
A empresa industrial adquire matérias-primas a pronto ou a crédito movimentando
uma conta de existências. Uma compra a pronto origina uma saída de caixa, e a prazo a
movimentação da conta Fornecedores.

A produção de bens implica o seu armazenamento e a movimentação da


conta Produtos acabados, que posteriormente serão vendidos a pronto ou a prazo. No
primeiro caso há uma entrada em caixa e no segundo há um débito na conta clientes.
A empresa comercial adquire mercadorias a pronto ou a prazo, pelo que haverá uma
saída de caixa no primeiro caso e o aumento da dívida para com os fornecedores no
segundo caso. A conta Mercadorias será debitada pelas aquisições e acreditada pelo preço
de custo das mercadorias vendidas. A venda de mercadorias, se for a pronto, implica uma
entrada em caixa, caso contrário, passará a ser débito dos clientes. Os pagamentos
diminuem a caixa e os recebimentos repõem o saldo.
O ciclo caixa é um dos temas a abordar neste livro.

As actividades operacionais, de investimento e de financiamento estão expressas na


Demonstração de fluxos de caixa, onde se destaca o Ciclo de Caixa, uma vez que se evidenciam
os recebimentos e os pagamentos das despesas operacionais, os impostos e as dívidas
financeiras.

A Demonstração de fluxos de caixa é um documento financeiro que completa a


informação apresentada no Balanço e no Mapa de origens e aplicações de fundos. Voltaremos a
este assunto no capítulo VII.

A análise dos ciclos financeiros da empresa constitui o princípio básico da


abordagem funcional da situação financeira da empresa, contribuindo para a valorização da sua
análise que assentava na abordagem tradicional.
O ciclo de actividade da empresa, anteriormente caracterizado, é um dos conceitos básicos
para analisar a situação financeira de uma empresa, tal como iremos ver nos próximos capítulos.
O ciclo de actividade, o equilíbrio financeiro, a rendibilidade, a liquidez, a solvabilidade
e o risco apresentam diferentes perspectivas de análise da realidade económico-financeira da
empresa.

1.3. As Funções e os Órgãos da Empresa


O desenvolvimento da actividade económica fez evoluir o conceito de empresa e,
paralelanente, a sua estrutura organizacional e as técnicas de gestão, tendo em vista a melhor
utilização dos recursos humanos, técnicos e financeiros no alcance dos objectivos previamente
definidos. Começa a ser cada vez mais importante a estruturação da empresa e o papel do gestor
nas organizações. Para que a função de direcção possa ser desempenhada com eficiência, necessita
de ser apoiada por outras funções, afectas a uma determinada actividade específica da empresa
relacionada com a produção, venda, pessoal, aprovisionamento e financiamento.
Pelo que foi dito anteriormente, a empresa e qualquer outra unidade económica terá de
ser estruturada, de modo a realizar a sua actividade e alcançar os objectivos que
prossegue. Uma empresa, como unidade organizada que deve ser, possui na sua
estrutura organizacional os seguintes elementos:

 Funções Conjunto de tarefas a empreender numa actividade específica da


empresa. A divisão do trabalho origina a especialização de actividades e a existência


de várias funções da empresa;
 Pessoas O elemento humano é distribuído pelas várias tarefas em que se

divide o processo de trabalho;


 Órgãos As pessoas e as funções são agrupadas em órgãos;
 Relações A estabelecer entre órgãos, pessoas e funções.

A estrutura organizacional a implementar contribui para o alcance dos objectivos


empresariais do seguinte modo:

 Como estrutura básica Contribui para a implementação eficiente das pessoas


e dos recursos para as tarefas a desenvolver e proporciona mecanismos para a sua


coordenação;
 Como mecanismo de operação Indica clara e objectivamente aquilo que se

pretende dos recursos disponíveis;


 Como mecanismo de decisão Permite o processo de tomada de decisões

com base num sistema de informação eficiente.


A
A implementação da estrutura organizacional pressupõe a existência de actividade
de natureza diferente a desempenhar pelos diversos órgãos da empresa. As actividades
a realizar em qualquer unidade produtiva estão intimamente relacionadas com a técnica
a utilizar. Assim, encontram-se em qualquer unidade produtiva especializações em
técnicas e domínios empresariais diferentes.

Esse conjunto de actividades a realizar numa unidade económica designa-se por


função.

É frequente utilizar a seguinte estrutura de funções:

■ Função Direcção

Abrange as tarefas relacionadas com a gestão global da empresa, subordinada a


interesses de carácter geral e não afecta especificamente uma determinada tarefa.
 Função Produção

Engloba as actividades relacionadas com a:

—Organização de produção;
 Adequação do trabalho à produção;
— A racionalização e melhoria dos processos de fabrico;
—Controlo da produção.

 Função Aprovisionamento

Esta função tem por objectivo assegurar, em diferentes sectores e departamentos da


empresa, as quantidades de bens e serviços que necessitam e, ainda, proceder à
gestão material, administrativa e económica dos stocks, nomeadamente:

—Proceder ao armazenamento dos bens no espaço;


—Determinar o momento ideal da encomenda e a quantidade económica que
minimiza os custos;
—Proceder à gestão das compras.

 Função Comercial

Abrange um conjunto de actividades relacionadas com:


—Estudo fl mercado;
—Estudo comercial do produto;
—Escolha dos canais de comercialização;
—Previsão das vendas;
—Promoção das vendas;

 Análise e controlo das vendas,

 Função de Pessoal

Compreende as tarefas relacionadas com a gestão dos recursos humanos,


nomeadamente:
— O recrutamento, selecção e formação do pessoal;

 Remunerações e incentivos de produtividade;

—Resolução de situações relacionadas com o pessoal: baixas por doença, ajudas


de custo.
■ Função Financeira
A função financeira integra todas as tarefas relacionadas com a
obtenção e aplicação dos recursos financeiros.

Entre essas tarefas há a destacar:


— Recebimentos e pagamentos (Gestão da tesouraria);
— Análise da situação económica e financeira da empresa;
— Gestão do activo circulante e dos débitos a c/p;
— Obtenção vantajosa de recursos financeiros;
— Aplicação racional de recursos financeiros;
— Elaboração dos diversos programas e orçamentos enquadrados no
planeamento financeiro da empresa.
A função financeira consiste na preparação, na tomada, na execução,
na avaliação e no controlo das decisões financeiras da empresa. É uma das
funções centrais da empresa e de qualquer organização. O departamento
financeiro que desempenha a função financeira é uma das áreas autónomas
em que se organiza a empresa.

NAS GRANDES EMPRESAS, ESSE DEPARTAMENTO ESTÁ DIVIDIDO EM:

 Tesouraria — Responsável pela gestão de caixa, bancos, crédito,


existências e fornecedores;
 Planeamento estratégico — Responsável pela política de investimento
e de financiamento da empresa;
 Controlo — Engloba a Contabilidade, Auditoria interna, elaboração de
orçamentos e o processamento de impostos;
 Secretariado — Responsável pelas comunicações entre o
Departamento financeiro e os outros departamentos da empresa.

A função financeira não existe isoladamente, ela encontra-se intimamente


relacionada com as restantes funções anteriormente mencionadas. A
existência de interdepen-dências entre a função financeira e as restantes
áreas funcionais da empresa gera sinergias dinamizadoras da actividade da
empresa.
POR EXEMPLO:
 A aquisição de matérias-primas e as condições de compras acordadas
(preço, condições de entrega, descontos e condições de pagamento)
têm repercussões
económicas e financeiras (no prazo médio de pagamento, na gestão do fundo
de maneio, etc....). Assim sendo, deve-se tentar proceder a um aumento de
eficiência das compras e do aprovisionamento das matérias.

• A venda de mercadorias e de produtos acabados feita em condições


desfavoráveis provoca a diminuição dos resultados e, por consequência,
menos meios financeiros e com reflexos no prazo médio de recebimento.

• As políticas de desconto e de prazo de recebimento dos clientes têm


implicações na quota de mercado e na política de marketing.

Numa empresa flexível e dinâmica, a interdependência tem de ser


considerada no momento da tomada de decisão, de forma a que seja uma
decisão racional e eficiente.
C A P Í T U L O II

A Função Financeira
A Função Financeira
A função financeira e a necessidade de uma gestão eficaz dos problemas
financeiros, embora estejam implementadas, nunca foram verdadeiramente sentidas
nas empresas portuguesas até à década de 60.

Pelo contrário, nas décadas posteriores, o papel da função financeira ganha


maior importância, em resultado da escassez de recursos financeiros. das
necessidades de investimento e, sobretudo. como consequência do dinamismo da
actividade económica e do aumento da competitividade ao nível internacional.

Se considerarmos que a situação económica e financeira da empresa é um


reflexo do seu nível de competitividade e da estabilidade dos mercados, podemos
afirmar que a função financeira tem um papel primordial nos dias de hoje, pelo
que se justifica o seu estudo de acordo com as perspectivas:

 De identificação do domínio de actuação da função financeira;


 De definição do objecto e da utilização das técnicas da análise económica e
financeira para o estudo da empresa;
 Da abordagem da gestão financeira de curto e de médio e longo prazo.

2,1. A Função Financeira, a Análise Económica


e Financeira e a Gestão Financeira
Numa primeira fase, a função financeira tinha como principais tarefas efectuar
os recebimentos e os pagamentos decorrentes da realização da sua
actividade e a manutenção de um saldo de disponibilidades que permitisse o
normal funcionamento da empresa. A função financeira estava relacionada com
as tarefas do Tesoureiro. Com a dinamização da actividade económica e com as
novas responsabilidades da empresa, surgem novas tarefas na função financeira,'e
que se encontram relacionadas com as decisões de investimento e de
financiamento, ultrapassando, assim, o domínio das decisões operacionais.

ENTRE ESSAS TAREFAS DESTACAMOS:

 A inventariação das necessidades de recursos financeiros;


 A obtenção vantajosa de recursos financeiros;
 A aplicação racional dos recursos financeiros.
Estas tarefas estão sujeitas a critérios que se prendem com o alcance de níveis de
rendibilidade aceitáveis e de equilíbrios financeiros.

A concepção tradicional da função financeira relacionada com a gestão das


disponibilidades ou da tesouraria transforma-se gradualmente numa concepção
moderna e que se traduz na participação da*função financeira nas decisões de
investimento, distribuição de resultados e na elaboração do plano de médio e longo prazo
da empresa e no controlo da rendibilidade das aplicações de fundos.

Para alcançar os seus objectivos, a função financeira reparte as suas tarefas pela
Análise económica e financeira e pela Gestão financeira.

Análise económica e financeira

Esta disciplina compreende um conjunto de técnicas que visam o estudo da situação


económica e financeira da empresa através da análise de documentos contabilísticos (o
Balanço, a Demonstração dos resultados, a Demonstração dos fluxos de caixa e o Mapa
de origens e aplicações de fundos) e visa dotar os responsáveis da
organização e outras entidades de informação económica e financeira adequada para a
tomada de decisões.

A ANÁLISE ECONÓMICA E FINANCEIRA É A RESPONSÁVEL:

 Pelo estudo da situação económica (estrutura de activos, composição da


conta de resultados, análise da eficiência económica, rendibilidades e risco
económico) e da estrutura financeira (relação capitais próprios e capitais
alheios, situação da tesouraria e da liquidez, equilíbrio financeiro e risco financeiro)
e demais informações sobre a actividade, competitividade e estratégia da empresa.
 Pela apreciação crítica da função financeira, nomeadamente determinar o montante do
valor criado para os accionistas numa análise histórica e, também, previsional e,
ainda, explicar a situação que originou ou não a criação de valor da empresa de
forma a aferir da sua capacidade competitiva e servir de base à formulação de
uma estratégia futura.
Gestão financeira

Esta disciplina gere as tarefas que integram a função financeira. Ela abrangerá,
essencialmente, um conjunto de técnicas que visam a melhoria das decisões
financeiras a tomar, de forma a levar a cabo, eficazmente, os objectivos da função
financeira.
A moderna gestão financeira abrange um conjunto de técnicas que actuam nos seguintes domínios:

1 — Curto prazo (Gestão de tesouraria) — Abrange as acções a desenvolver na:

 Gestão das operações financeiras a curto prazo, saldos de tesouraria, aplicação das
disponibilidades e financiamentos a cip;
 Políticas de gestão dos activos e passivos circulantes de exploração e extra-exploração, as quais
condicionam o nível e a estrutura dos activos e passivos de funcionamento e têm
implicações nas necessidades de financiamento;
 Políticas de financiamento que garantam o equilíbrio financeiro a cip e o equilíbrio a
médio e longo prazo (equilíbrio financeiro estrutural);
 Planeamento financeiro a curto prazo: previsão das necessidades ou excedentes de
tesouraria e seu financiamento ou aplicação das melhores condições.

2 — Médio e longo prazo (Estratégia financeira) — Abrange:

A. As políticas de:

1. Investimento;
2. Financiamento;
3. Distribuição de resultados e/ou retenção de dividendos, com vista a garantir o
autofinanciamento adequado e a aumentar o valor de mercado da empresa;
4. Definição de políticas de crescimento dos dividendos ou resultados (lucros)
distribuídos;
5. Estabelecimento das formas de remuneração dos capitais próprios: dividendos ou
distribuição de resultados (lucros).

B. A gestão de riscos financeiros:

Trata-se de uma área bastante recente com reflexos significativos no valor da empresa e
que se poderá, numa perspectiva mais ampla, enquadrar no âmbito da gestão financeira.

A gestão de riscos financeiros engloba a cobertura de riscos financeiros: risco de preços,


risco de taxas de juro e risco de carteiras de títulos.

A gestão de riscos financeiros recorre a instrumentos financeiros designados por activos


financeiros derivados que permitem eliminar ou reduzir os riscos financeiros: forward, futuros,
opções, swaps, FRA (Forward Rate Agreement), c a p , f l o o r e c o l a r .
O documento base de apoio da gestão financeira a curto prazo é o Orçamento
de tesouraria, que resume os diversos orçamentos da empresa (vendas,
produção, fornecimentos e serviços externos...) em termos de pagamentos e
recebimentos previsionais.

ORÇAMENTO DE TESOURARIA

2005 2006 2007 2008


Recebimentos
(1)Saldo de clientes n-1 (cobrável)
(2)Vendas ÷ R Serviços
(3)IVA liquidado
(4)Saldo de clientes • do ano
Valor liquidado recebido (1 -I- (2) + (3)—(4)
: (6) Outros Proveitos Operacionais
(7) Capital Social
(8) Suprimentos
(9) Financiamento Bancário
(10) Subsídio a Fundo Perdido
(11) Proveitos Financeiros
TOTALDOSRECEBIMENTOS
Pagamentos
(1) Saldo de fornecedores do ano anterior
(2) Compras do ano
(3) IVA Dedutivel
(4) Saldo a fornecedores do ano
(1) + (2) + (3) - (4).

(1) Saldo de outros credores do ano anterior


(2) Fornecimentos e Serviços Externos
(3) Impostos
(4) Outros Custos Operacionais
(5) IVA Dedutivel
(6) Saldo de outros credores para o ano Seguinte
(1 + (2) + (3) + (4) + (5) - (6)

Investimento de Capital Fixo — Leasing


Fornecedores de imobilizado
Reembolsos de empréstimos
M/L/PRAZO
C/PRAZO
E. financeiros de funcionamento
Encargos financeiros da 2611
Encargos financeiros de leasing
E. financeiros de financiamento
(a continuar)
Despesas com pessoal
IVA liquidado — IVA Dedutível
Recuperação do IRC pago por conta

Saldos que transitam do ano anterior


(1)— IVA a pagar
(2) — IRC a pagar
(3) IAS retido aos trabalhadores
(4) — SEG. SOCIAL — parte patronal
(5) — SEG. SOCIAL— parte empregados
(6)— Seguros de acidentes de trabalho

(5) —LUCROS AOS SÓCIOS


Total do saldo que transita de n-1

saldosALLIL1 ri$Itamjwj_aLtilo [lin —


(1) — IVA a pagar
(2)— MC a pagar
(3) !RS retido aos trabalhadores
(4) — SEG. SOCIAL parte patronal
(5) — Seguros
(6)— SEG. SOCIAL— parte empregados
TOTAL

PAGAMENTOS

A) RECEBIMENTOS—PAGAMENTOS

B) Disponibilidades Iniciais
C) Disponibilidades Pretendidas

DEFICIT/EXCEDENTE(A+13—C)

NOTA: O orçamento de tesouraria de 2005, por exemplo, seria elaborado por meses.

Agestão financeira de médio e longo prazo tem como base de apoio o plano
financeiro onde se comparam as origens com as aplicações de fundos, de modo que
possibilite a tomada de decisões para tentar reduzir os desequilíbrios.
ORÇAMENTO FINANCEIRO
2005 2006 2007 2008

APLICAÇÕES DE FUNDOS
Cobertura do défice
Imposto de selo de abertura de crédito
Encargos financeiros
Encargos financeiros — Suprimentos
IRC do ano anterior
Pagamentos por conta
Amortização do empréstimo
Lucros distribuídos
Acréscimo nas disponibilidades
TOTAL

ORIGENS DE FUNDOS
Excedentes de tesouraria
Aumento de capitai
Prestações suplementares
Recuperação do pagamento por conta
Decréscimo de disponibilidades
TOTAL
EVOLUÇÃO DA DÍVIDA

Empréstimos

Como já se referiu na introdução, o presente livro centrar-se-á na análise económica


e financeira. A gestão financeira é abordada no Prática Financeira, volume II.

2.2. Os Objectivos da Função Financeira


Após a caracterização da função financeira e da sua distinção em relação à análise
económica e financeira e à gestão financeira, passemos à questão dos objectivos desta
área funcional da empresa.
A teoria financeira tradicional, uma variante da visão microeconómica da empresa,
considera que o objectivo da empresa é a maximização do lucro, um factor importante
que explica o aumento do valor da empresa. Trata-se de uma perspectiva empresarial
muito restrita, visto que o lucro é uma medida subjectiva e condicionada pelas
normas e princípios contabilísticos-emanados do Plano Oficial de Contabilidade. O
conceito de lucro não é muito relevante para a análise económica e financeira e para a
Gestão Financeira, que se preocupa, sobretudo, com a formação e montante dos
fluxos monetários e que se traduz no cálculo do cash flow. Medida que leva em
conta. além do risco, valor do dinheiro no tempo. A maximização da riqueza dos
accionistas que deve ser entendida como o valor actual dos fluxos monetários é o
indicador mais adequado para medir o valor da empresa. Esta medida tende a ser
dominante no contexto da teoria financeira moderna.

Resumo:
Podemos referir que a função financeira prossegue,: entre outros, os seguintes objectivos:

Globais

 Criar valor para os accionistas/sócios;


II Maximizar o valor da empresa versus maximizar os resultados ou ganhos por acção ou por unidade
de capital

O resultado por acção(RPA), a estudar no capítulo ivé um dos rocios mais utilizados. pelos analistas financeiros,
,

quando conjugado com outras informações, para avaliar o desempenho económico da gesto e para estimar
a sua actividade futura. É um rocio preferido em relação à rendibilidade do capital próprio
(Lucro/Capital próprio) porque exprime melhor o valor das acções.

Específicos

 Avaliar as decisões de investimento éril função da rendibilidade esperada e dos riscos econômico e
 financeiro;
 Dotar a empresa com estrutura de capitais adequada;
-

 Promover a obtenção e a aplicação dos recursos financeiros nas condições mais vantajosas;
 Avaliar e controlar as decisões de investimentos em função da rendibilidade esperada e dos riscos
 Económicos e financeiros.
 Definir as políticas de crescimento dos dividendos;
 Prever as necessidades ou excedentes de tesouraria (Orçamento de tesouraria) e o seu
financiamento ou aplicação, em condições vantajosas (Orçamento financeiro);
 Eliminar ou reduzir o risco financeiro através de instrumentos designados por activos financeiros
derivados (forward, opções, swaps, cap, floor e colar).

derivados (Forward, opções, swaps, cap, floor e cofiar),


2.3. A Função Financeira e a Contabilidade
A análise económica e financeira manipula variáveis económicas e financeiras
registadas pela Contabilidade por forma a que os gestores maximizem os
objectivos da empresa e respondam a determinadas questões que se colocam no
dia-a-dia da empresa, tais como:

 A empresa está endividada?


 Qual o grau de dependência financeira?
 Que investimentos a realizar e como financiá-los?
 Qual a rendibilidade das vendas?
 Qual o valor do fundo de maneio e o valor do rácio de liquidez?

São estas e outras questões que a análise económica e financeira tenta responder,
com o objectivo de diagnosticar a situação da empresa. Este diagnóstico diz-se
económico uma vez que apura e analisa o VAB, a produtividade, a rendibilidade e os
resultados gerados. Por sua vez, designa-se por financeiro porque determina e
analisa a liquidez e a solvabilidade do património e, ainda, mede a capacidade de a
empresa responder aos seus compromissos a curto prazo.

A INFORMAÇÃO A OBTER DA CONTABILIDADE DISTRIBUI-SE POR VÁRIOS


DOMÍNIOS, QUE PODEMOS SINTETIZAR EM:

 Contabilidade geral ou financeira, que nos fornece dados sobre as rubricas


do ABalanço e da Demonstração dos resultados;
 Contabilidade analítica de exploração, que nos fornece dados sobre os custos dos
produtos e das secções e permite apurar os desvios entre o que foi orçamentado
e o real.

Debrucemo-nos sobre a prática contabilística das empresas (), que no âmbito da


Contabilidade Geral se resume ás seguintes fases:

1. Abertura de contas nos Diários (Caixa, Clientes, Fornecedores...) e no


Razão;
2. Lançamento das operações mensais nos Diários e no Razão;
3. Apuramento trimestral (mensal) do IVA;
4. Trabálho fim de exercício no final de Dezembro de cada ano, que
consiste:

— No Inventário;
— Nos lançamentos de rectificação (amortizações, acréscimos e
diferimentos, provisões, ajustamentos...);
(1) Consultar Prática Contabilística, volume II e II dos mesmos autores e da mesma colecção.
— Na elaboração do Balancete retificado;
— No apuramento dos resultados;
— Na elaboração do Balanço, da Demonstração dos resultados, no Mapa de
origens e aplicações de fundos, na Demonstração dos fluxos de caixa e no
Relatório de gestão;
 Na entrega até Maio do ano seguinte da declaração Modelo 22 referente aos
rendimentos do ano corrente;
— No preenchimento das declarações anuais do IVA, dos mapas recapitulativos
de clientes e fornecedores...;
 Na prestação de contas e no seu respectivo registo na Conservatória do
Registo Comercial;
 No encerramento das contas.

A Prática contabilística vai ser útil para a Análise económica e financeira e para
a Gestão financeira. A Contabilidade, como sistema de informação, pretende ser
rigorosa, objectiva e facilmente verificável por entidades externas, pelo que está
sujeita a regras. Estas são materializadas na existência de princípios e normas
contabilísticos que são fundamentais para a execução do trabalho contabilístico
referido anteriormente, e, ainda, para a análise económica e financeira entre em-
presas. A normalização contabilística que espelha a realidade anterior é um conceito
mais abrangente. É muito mais do que um conjunto de normas e princípios con-
tabilísticos; é, igualmente, uma estrutura de contas com regras de movimentação a
débito e a crédito, em que os seus elementos patrimoniais estão sujeitos a critérios
de valorimetria.

A normalização contabilística é um processo em evolução como se poderá justificar


pela publicação do Plano Oficial de Contabilidade em Portugal e das Directrizes
Contabilísticas nacionais e da União Europeia.

análise económica e financeira é realizada com base em documentos de natureza


contabilística: O Balanço, a Demonstração dos resultados, o Mapa de origens e
aplicações de fundos, e a Demonstração dos fluxos de caixa.

Como iremos ver no capítulo III, estes documentos não respondem totalmente às
necessidades da análise económica e financeira. Há limitações nos documentos
contabilísticos, em consequência de divergência conceptual entre a prática contabilística
e a prática financeira. Os documentos contabilísticos estão sujeitos a preparação e
tratamento prévios e a uma adequação para se proceder a uma análise económica e
financeira.
2.4. A Necessidade de Informação
A função financeira tradicional era urna actividade orientada para a gestão do fundo de
maneio e, em particular, para a gestão da tesouraria. A função financeira desenrolava-se
num espaço restrito, muito ligado ao ambiente tarefa (bancos, fornecedores. clientes e
concorrentes), onde se destacavam duas tarefas:

1. A relação com os bancos.


O gestor financeiro mantinha um contacto estreito com os bancos, nomeada-
mente na obtenção de financiamento e na aplicação de fundos;
2. Controlo de caixa, clientes, fornecedores e gestão de stocks, o controlo das
contas bancárias e o processamento de ordenados.

Contudo, com a internacionalização da economia, o desenvolvimento dos mercados


financeiros, das comunicações e da Internet, alargaram-se os horizontes da empresa, e,
em particular, da função financeira. As informações que a empresa necessita não se
podem circunscrever ao mercado interno e ao ambiente tarefa. Há um alargamento do
espaço em aspectos quantitativos e qualitativos, pelo que o gestor financeiro se sente
obrigado a recolher outros tipos de informação.

A informação sobre o meio político, social e económico passou a constituir um


elemento decisivo para o desempenho das tarefas por parte do gestor financeiro.
nomeadamente, sobre:

 A evoluçãolos mercados e do sector onde a empresa está inserida, de modo a


inventariar as necessidades dos consumidores, medir a quota de mercado e o nível de
competitividade da empresa e dos concorrentes.

 A situação macroeconómica nacional e internacional.


É de máximo interesse ter informações sobre a evolução do PIB, taxa de desemprego,
taxa de inflação e da taxa de juro.

 A política económica do governo (política monetária, orçamental, fiscal...).


Documentos de apoio:

— Orçamento do Estado — política orçamental e fiscal;


— Banco de Portugal — Política monetária e cambial;
— Leis, Decretos-leis, Portarias e despachos.

 A Bolsa e Bancos.
O gestor financeiro deve ter acesso à informação sobre as cotações das acções da
empresa e das concorrentes, sendo uma forma que os responsáveis das empresas têm
de aceder à avaliação que o mercado faz do valor da empresa.

Por sua vez. o acesso às informações sobre o mercado de crédito permite ao gestor actuar
na gestão das aplicações financeiras, o que vai permitir conhecer a envolvente global em que a
empresa está inserida, tornar contacto com a evolução do sector a que pertence e perspectivar o
seu futuro.

 A Economia internacional
 As diversas políticas da União Europeia

As informações anteriores complementam as informações que a Análise económica e


financeira fornece e que será urna base de apoio à tomada de decisões no âmbito da Gestão
financeira.

2.5 As Decisões Financeiras

As decisões financeiras incluídas no âmbito da Gestão financeira são tradicional-mente


classificadas de curto prazo e de médio e longo prazo.

As decisões financeiras de curto prazo centram-se na gestão do fundo de maneio e na


gestão da tesouraria, a saber:

 Gestão do Activo circulante — As decisões a tomar centram-se nas disponibilidades,


no controlo do crédito concedido aos clientes, no controlo financeiro dos stocks e na
aplicação dos excedentes temporários de tesouraria em depósitos a prazo e em títulos
negociáveis;
 Gestão dos Débitos a curto prazo — As decisões a tornar têm por domínio de
actuação os créditos obtidos dos fornecedores e de outros credores e a cobertura dos
défices temporários de tesouraria.

Os documentos centrais da gestão financeira de curto prazo são o orçamento de tesouraria e


o orçamento financeiro previsionais.

As decisões financeiras de médio e longo prazo. inseridas na estratégia financeira da


empresa, estão relacionadas com a política de investimento, de financiamento e a distribuição
dos resultados. Podemos igualmente elaborar o Orçamento de tesouraria e o Orçamento
financeiro, não para os 12 meses do ano, tal como acontece na gestão financeira de curto prazo,
mas, por exemplo, para quatro anos. Estes temas, incluídos na Gestão financeira, são objecto de
estudo no livro Prática Financeira, volume II.
2.6. A Análise Financeira e o Valor
A análise financeira tradicional debruça-se fundamentalmente sobre os aspectos
financeiros da empresa. Actualmente, tem surgido uma nova metodologia de análise
financeira que tem em conta o meio e o sector onde a empresa está inserida, com a
finalidade de analisar a atractividade da actividade e a posição concorrencial da
empresa, de modo a identificar as vantagens competitivas e as perspectivas futuras da
empresa como factores determinantes no processo de criação de valor.

A situação económico-financeira da empresa é o reflexo não só das estratégias


desenvolvidas da segmentação e da penetração nos mercados, redução de custos, ou
qualidade do produto, como também da competitividade económica que a empresa
possui no mercado. Assim sendo, uma análise económico-financeira da empresa passa pela
análise dos documentos da empresa (Balanço e Demonstração dos resultados) e pela
identificação e estudo de variáveis extrafinanceiras (concorrência, imagem, marca, quota de
mercado e vantagens competitivas).

Compete à análise económica e financeira não só medir a rendibilidade, a liquidez e


a solvabilidade, mas também medir a sua atractividade, identificar as vantagens, o risco
do negócio da actividade e verificar se a empresa cria valor para os seus accionistas
numa perspectiva histórica e previsional. Deve ainda explicar o processo de criação de
valor.

Um dos objectivos a atingir neste livro está relacionado com a análise dos aspectos
extrafinanceiros, de modo a enriquecer a análise e a medir o impacto das decisões de
gestão na variabilidade dos fluxos monetários, procedendo-se à relação entre o risco e
a rendibilidade da empresa.

No capítulo VII, com a finalidade de analisar a situação anterior, elabora-se o Mapa de


origens e aplicações de fundos e o Mapa de fluxos. Este, com uma concepção mais moderna
e elaborado com base nos ciclos financeiros da empresa e nos tipos de decisão, calcula
o cash flow ou meios libertos e fornece-nos informações sobre a variação das
disponibilidades. O cash flow é um elemento fundamental na análise do processo e criação
de valor.

Como dois aspectos da gestão que concorrem para a análise da criação de valor, a
rendibilidade elevada e o risco reduzido são factores determinantes no aumento do valor.

Em conclusão, os aspectos referidos anteriormente não podem ser esquecidos numa


análise económica e financeira moderna sob pena de tirarmos ilações insuficientes
sobre o desempenho económico e financeiro da empresa.
CAP I TULO III

Técnicas e Instrumentos de
Análise Económica e
Financeira
t Técnicas e Instrumentos
de Análise Económica e Financeira
A análise da situação económica e financeira da empresa centra-se num conjunto de
temas considerados fundamentais para a sobrevivência e crescimento da mesma, tais
como:

 Ciclo de actividade;
 Equilíbrio financeiro;
 Rendibilidade;
 Liquidez;
 Solvabilidade;
 Risco;
 Vantagem competitiva da empresa e a sua relação com o processo de criação de valor.

Estes conceitos representam diferentes perspectivas de olhar para a realidade


empresarial e inserem-se num processo de gestão fundamental para as diferentes partes
interessadas na actividade da empresa:

■ Os gestores têm necessidade de acompanhar a evolução da situação económica e


financeira para tomar decisões na tentativa de resolver os problemas que surgem,
promovendo a estabilidade e o desenvolvimento da empresa.
■ Os investidores e os accionistas estão interessados em conhecer a situação actual
e futura de forma a medir a liquidez, a solvabilidade e os riscos do negócio e financeiro,
para poderem tirar conclusões sobre a rendibilidade do investimento e do risco que
correm.

■ Os fornecedores e outros credores têm a preocupação de conhecer a liquidez da


empresa, de forma a determinar o grau de pagamento dos seus créditos e a
assegurar o pagamento dos respectivos valores.

■ Os bancos, como agente económico do lado da oferta de fundos, estão, também,


interessados em conhecer a situação actual e futura, de forma a medir a liquidez e a
solvabilidade da empresa que sirvam de garantia, aos empréstimos concedidos.
Os trabalhadores justificam o seu interesse pela gestão, porque uma empresa
estável e equilibrada garante os postos de trabalho e a fonte de rendimento.
 Os concorrentes poderão ter o interesse em conhecer outras empresas, como mera
informação que seja útil para a definição da respectiva estratégia.
 O Estado tem interesse na actividade empresarial, sobretudo no aspecto
contabilístico, para aferir da veracidade das contas que justificam o pagamento de
impostos.
Ao Estado também interessa o aspecto financeiro para tirar ilacções sobre as
repercussões que a instabilidade da empresa tem sobre o emprego, o investimento
e o rendimento. É igualmente útil o conhecimento da situação económica e financeira
da empresa para os organismos públicos que concedem incentivos ao investimento
dentro ou não do III Quadro Comunitário (Ex.: projectos de investimento no âmbito
do SIPIE ou do SIME).

A empresa e as entidades anteriormente referidas procedem, de uma forma habitual,


à análise económica e financeira da actividade empresarial de acordo com os interesses
e os objectivos que perseguem, utilizando as técnicas que conhecem e compreendem.
Apesar de a análise e a interpretação da realidade empresarial originarem questões e
conclusões diversas, as entidades interessadas recorrem à Contabilidade que sintetiza
um conjunto de informações económico-financeiras.

No intuito de esclarecer a situação e de proceder à convergência dos diferentes


pontos de vista sobre este tema. vamos utilizar técnicas e interpretações que são
instrumentos e conclusões de analistas financeiros modernos. Só deste modo as
entidades referidas anteriormente conseguirão uma uniformização de técnicas que
possibilitarão uma certa convergência nas interpretações da realidade empresarial.

3.1. Documentos Contabilísticos


A analise económica e financeira é um processo continuo que tem por finalidade
avaliar a situação patrimonial da empresa no tempo e no espaço, e utiliza um conjunto
de técnicas que se baseiam na actividade extracontabilística (capacidade e espírito
profissional dos dirigentes, situação conjuntural do país, imagem da empresa, nível
de competitividade, viabilidade económica dos seus produtos...) e nos documentos
co_ntabilísticos que resumem um conjunto alargado de informações económico-
-financeiras,

DOCUMENTOS CONTABILÍSTICOS DE BASE:

 O Balanço;
 A Demonstração dos resultados líquidos;
 O Mapa de origens e aplicações de fundos;
 A Demonstração dos fluxos de caixa ou Mapa de fluxos monetários.
 Documento relacionado com os ciclos financeiros da empresa (cicio de investimento,
 ciclo de exploração e ciclo de operações financeiras) e que nos dá informações sobre
 o montante e origem das disponibilidades. Este mapa será estudado no capítulo VII.
Interessa, pois, medir, analisar e interpretar as informações contidas nesses
mapas, para que de seguida se forneçam dados à Gestão financeira, de modo
que esta tome as respectivas decisões e proceda aos ajustamentos necessários.
3.1.1. O Balanço
O Balanço, na perspectiva contabilística, expressa a situação patrimonial da empresa,
a situação económica e financeira derivada dos fluxos económicos, dos fluxos financeiros
induzidos e dos fluxos financeiros autónomos, núma determinada data. Tem por base
critérios de legalidade. É o mapa financeiro mais importante e engloba as contas das
classes 1 a 5 e, ainda, a conta 8.8. — Resultados líquidos do exercício. Os seus elementos
patrimoniais são agrupados em três massas patrimoniais gerais: Activo, Passivo e Capital
próprio, que, por sua vez, ainda se subdividem.

O Activo figura no primeiro membro da igualdade, o Passivo e o Capital


próprio no segundo membro.

Então, viria: A CP + P

À igualdade anterior chama-se Balanço. A comparação anterior permite


distinguir Balanço de Inventário. Assim, enquanto que inventario constitui apenas
uma listagem dos valores activos e passivos, o Balanço compara ou procede ao
balanceamento entre os valores activos e passivos, evidenciando o valor do
património.

O conceito de Balanço apresentado reduz -se a uma expressão


matemática, A = CP + P, que constitui a equação fundamental da Contabilidade.
O Balanço também se pode identificar pelo documento ou mapa em que se
expressa a comparação anterior, ou seja, é o quadro resumido do inventário, o
mapa da situação patrimonial da empresa num determinado momento.

O BALANÇO TRADUZ SIMULTANEAMENTE TRÊS IDEIAS FUNDAMENTAIS:

 A comparação entre o Activo e o Passivo, evidenciando o Capital próprio;


 Um conjunto de contas, com valores de sinal contrário, em equilíbrio;
 Um mapa ou documento em que se representa aquela comparação e o equilíbrio
das contas.

MUITOS OUTROS CONCEITOS PODIAM SER APRESENTADOS, QUE PODEMOS RESUMIR


NOS SEGUINTES:
 Para os juristas, o Balanço representa a situação patrimonial da empresa em
dado momento;
• Para os economistas, o Balanço representa a estrutura financeira da empresa num
dado momento.

Segundo a óptica dos economistas, o Balanço é urna síntese das origens e das
aplicações dos fundos postos à disposição da empresa.

De modo geral, o Activo (aquisição de máquinas, mercadorias, depósitos...)


discrimina a aplicação de fundos e o Capital próprio (entrada inicial dos sócios,
lucros...), e o Passivo (crédito de fornecedores e empréstimos bancários), a origem de
fundos. É fundamentalmente esta noção que interessa à análise económica e financeira.

O Balanço é elaborado com o objectivo de revelar a estrutura cpnómica__e financeira da


empresa em determinado momento e constitui uma fonte de informação fundamental
não só para a própria empresa mas também para aqueles que estejam directa ou
indirectamente ligados a ela, como é o caso dos obrigacionistas, dos sócios, dos
fornecedores, do Estado e do público em geral.

Se o Balanço é considerado urna fonte de informações importante para diversas


entidades, na sua elaboração terão de se seguir determinados requisitos:

Clareza
O Balanço deve ser apresentado de forma clara, de modo a .facilitar a sua
interpretação.
A clareza do Balanço depende das contas utilizadas, dos seus títulos e da respectiva
seriação.

Exactidão
Os valores das diversas contas correspondem ao valor real dos respectivos
elementos patrimoniais.
Esses valores devem ser determinados com base em critérios valorimétricos objectivos,
levando em conta a subjectividade da avaliação de certos elementos patrimoniais.

Integralidade
Inclui todos os valores patrimoniais activos e passivos e as rubricas do Capital
próprio, respeitando o princípio da proibição das compensações, isto é, as contas
mistas não devem apresentar um único saldo.
Por exemplo, se a conta Outros devedores e credores apresenta dívidas a receber de
100,00 euros e dívidas a pagar de 300,00 euros, deve figurar nos dois membros do
Balanço com os respectivos saldos devedores e credores.

Consistência
Na sua elaboração deverá utilizar-se os mesmos critérios e normas.
Uniformidade
Devem utilizar-se os mesmos critérios e normas ao nível nacional ou

sectorial. Sinceridade

A sinceridade do Balanço exige que os seus elementos patrimoniais sejam avaliados


correctamente, isto é, com base em factos objectivos. Contudo, deve minimizar-se ao
máximo a subjectividade de certas rubricas, como:
— Provisões e ajustamentos;

 Amortizações:
—Existências.

3.1.1.1. As rubricas do Balanço


■ Activo
Esta massa patrimonial é ordenada por ordem crescente de liquidez. No Activo
exibe-se a utilização que a empresa fez dos capitais e representa, geralmente, a
aplicacão de fundos.
 Fixo
A liquidez destes elementos patrimoniais é

reduzida, Contas:

4.3. — Imobilizações
incorpóreas 4.2. —
Imobilizações corpóreas 4.1.
— Imobilizações financeiras
 Circulante Os elementos patrimoniais que integra têm maiores e

diferentes graus de liquidez.

—Existências;
—Dívidas de terceiros a médio/longo prazo;
—Dívidas de terceiros a curto prazo;
—Títulos negociáveis;
—Depósitos bancários e caixa.
Contas:
3.2. — Mercadorias
3.9. Ajustamentos de existências

2.1. Clientes

2.8. — Ajustamentos de dívidas a receber
2.2. — Fornecedores (Saldo devedor)
2.4. — Estado (Saldo devedor)
1.2. — Depósitos à ordem
1.5. — Títulos negociáveis

• Acréscimo e diferimentos

Contas:

2.7.1. - Acréscimo de proveitos — proveitos do exercício que ainda não é possível


comprovar e cujas receitas ocorrerão no(s) exercício(s) seguintes.

2.7.2. — Custos diferidos — despesas verificadas no exercício, cujos custos devem


ser reconhecidos no exercício seguinte.

 Capital próprio
Tem exigibilidade nula ou quase nula.

Contas:

5.1.— Capital Social


5.2.— Acções, quotas, próprias
5.3. — Prestações Suplementares
5.4. — Prémios — emissão de acções (quotas)
5.5. — Ajustamento partes de capital (filiais e associadas)
5.6. — Reservas de reavaliação
5.7, — Reservas
5.9.— Resultados transitados
8.8.— Resultados líquidos do exercício
8.9.— Dividendos antecipados

 Passivo
Débitos a curto/médio/longo prazo

Esta rubrica abrange diferentes graus de exigibilidade,


— Provisões;
— Dividas a terceiros a médio/longo prazo;
— Dívidas a terceiros de curto prazo.
Contas:

2.2. — Fornecedores
2.3. — Empréstimos obtidos
2.4. — Estado
2.6. — Outros credores
2.1. — Clientes (Saldo credor)
2.9. — Provisões

• Acréscimos e diferimentos

Contas:

2.7.3. — Acréscimo de custos — custos do exercício que ainda não é possível


comprovar e cujas despesas ocorrerão no exercício seguinte.

2.7.4. — Proveitos diferidos — receitas verificadas no exercício, cujos proveitos


devem ser reconhecidos no(s) exercício(s) seguinte(s).

O total do Capital próprio e do Passivo constituem origens de fundos (capitais


próprios e capitais alheios).

3.1.1.2. A aplicação dos princípios contabilísticos ao Balanço

O Balanço e a própria Contabilidade estão sujeitos a princípios contabilísticos e a


critérios de valorimetria definidos no POC.

Um dos problemas básicos e mais controversos da Contabilidade está relacionado


com a valorimetria dos elementos patrimoniais (existências, imobilizado...). Neste
contexto surgem os princípios e critérios contabilísticos apresentando soluções e
criando uma uniformização entre as empresas.

O Balanço e a Contabilidade regem-se por uma série de princípios contabilísticos


que são fundamentais para compreender a actividade contabilística da empresa e
conferem rigor e objectividade à informação contabilística.

A valorimetria dos elementos patrimoniais activos e passivos, em especial das


existências e do imobilizado, é um dos problemas básicos e controversos da
Contabilidade. Na compreensão da valorimetria desses elementos recorremos aos
seguintes princípios:
■ Princípio do custo histórico — Os registos contabilísticos baseiam-se em
custos de aquisição ou de produção. Na aquisição de um equipamento, a
empresa regista-o na Contabilidade pelo valor de compra.

O valor do Activo bruto 12 000,00 representa o valor de aquisição e não o valor


de mercado e o mesmo se passa com o valor das existências.
O princípio do custo histórico pretende evitar os subjectivismos das avaliações e é uma
maneira de proteger a posição de terceiros em relação à empresa, que não têm
informações adequadas nem poder de decisão.

O princípio do custo histórico é posto em causa em períodos de inflação, uma vez


que não dá uma imagem real do Balanço.
Por exemplo, se a empresa adquiriu um edifício para a actividade, em 1999, por 150
000,00 euros e que se regista a débito na conta 422. Em 2004, por exemplo. se o seu
valor de mercado é de 175 000,00 euros, qual o valor a figurar no Balanço?

Conta Activobruto Amortizações Activo líquido

42 150 000,00 18 000,00 132 000,00

Figura no Activo bruto o valor de aquisição, nas amortizações, o valor do desgaste à


taxa de 2% durante 6 anos, e no Activo líquido, 132 000,00 euros.

Como se verifica, o Balanço não está a dar uma imagem verdadeira da situação
patrimonial da empresa, então, para resolver esta situação, a legislação portuguesa
permite a reavaliação do imobilizado: 4:

—Reavaliações legais de acordo com o D.L. 31/98, de 11 de Fevereiro;


—Reservas livres de acordo com as directrizes contabilísticas.

Esta actualização de valores só é permitida para o imobilizado corpóreo e para os inves-


timentos financeiros em imóveis, não sendo possível aplicá-la em existências, nem em
qualquer outro activo, o que não deixa de ser uma limitação à interpretação do Balanço.

A mesma situação se pode colocar no caso da alienação da empresa ou de aumento de


capital. Por exemplo, no caso de um aumento de capital, por quanto lançar as acções
para subscrição? Ao valor nominal, contabilístico ou de mercado?

Assim sendo, a valorimetria e a contabilização dos elementos patrimoniais a preços de


mercado não é viável porque o referido valor não é facilmente calculável. Como se referiu
antes, a Contabilidade, seguindo critérios rigorosos e objectivos, valoriza esses elementos
patrimoniais ao custo de aquisição ou de produção. Estas valorizações são feitas segundo
o princípio da continuidade, ou seja, as empresas, quando apresentam o seu Balanço,
não o fazem na perspectiva de liquidação e, consequentemente, na venda de activos,
mas antes na perspectiva de que a maioria desses activos continuará a ser utilizado na
actividade da empresa.

Princípio da prudência — De acordo com este principio, a Contabilidade


deve registar as perdas potenciais e nunca Os ganhos potenc4is. Estes são
registados no caso de se tornarem efectivos. Os custos potenciais serão
registados de acordo com limites fixados na lei, no que diz respeito as
existências e aos clientes em mora. como custos do exercício na conta 6.7.—
Provisões do exercício.
Exemplo:
Valores em Euros:
3,2. — Mercadorias: 4000,00
3.9. — Ajustamentos de existências: 400,00
2.1. — Clientes: 1800,00
2.8. — Ajustamentos de dividas a receber: 100,00
1.5.— Títulos negociáveis: Va = 800,00 Cotação: 750,00
Va = 900,00 Cotação: 930,00
Coma registar estes valores no Balanço?
Conta Activo Bruto Amort./Prov. Activo Liquid°

42 12 000,00 2000,00 10 000,00


36 4 000,00 400,00 3600,00
21 1800,00 100,00 1700,00
15 1700,00 50,00 1650,00

São considerados três montantes nas contas, segundo os princípios do


custo histórico, da prudência e da recuperado dos valores patrimoniais
.
Após a elaboração do Balanco, uma questão se colon: como interpretar um
Balanco?
O Balanco contabilístico é um documento importante para a analise
financeira, contudo, 6 conveniente que o Activo, tal como o Passivo, sejam
reordenados, em função do seu grau de liquidez e de exigibilidade,
respectivamente. Como iremos ver mais adiante, em termos de analise
económica e financeira, o Balanco contabilístico tem de ser transformado no
Balanco funcional e de seguida no Balanco financeiro, devido ao facto de
apresentar algumas limitações em termos de analise.
Como veremos mais a frente, o Balanco pode ser analisado através de:
— Balancos sucessivos;
- Rácios de endividamentos e da estrutura financeira.
3.1.2. A Demonstração dos resultados
As contas incluídas nas oito primeiras classes do Plano Oficial de
Contabilidade são de dois tipos: contas do Balanço e contas de resultados.

As contas do Activo, Passivo e Capital próprio, referidas anteriormente, são


contas do Balanço. O Balanço é elaborado com as contas das classes 1 a 5 e
com a conta 8.8. — Resultados líquidos do exercício.

A Demonstração dos resultados líquidos abrange as contas das classes 6 —


Custos, 7 — Proveitos e 8 — Resultados, e é um documento complementar do
Balanço. Enquanto que este nos da uma imagem da situação financeira da
empresa em termos de liquidez, de solvabilidade, de dependência financeira e de
fundo de maneio, a Demonstração dos resultados evidencia a formação dos
resultados líquidos da empresa durante um exercício económico.

A conta 8.8. — Resultados líquidos do exercício, é, simultaneamente, uma


conta do Balanço e uma conta de resultados, e corresponde ao resultado
algébrico de várias contas de resultados, sendo movimentada no final do exercício
pela transferência das extensões das contas subsidiárias.

As contas das classes 6 e 7 são vulgarmente designadas por contas de gestão,


precisamente por serem uma fonte de informações importante para o
funcionamento da actividade normal da empresa.

As demonstrações de carácter económico tem por finalidade evidenciar os


resultados obtidos pela empresa. Os resultados são expressos segundo duas
perspectivas:

— Natureza dos custos e dos proveitos: demonstração dos resultados por


natureza;
— Afectação funcional dos custos e proveitos: demonstração dos resultados
por funções.

3.1.2.1. A Demonstração dos resultados por natureza

Esta Demonstração evidencia os custos e perdas e os proveitos e ganhos


atendendo à natureza e dá a conhecer os resultados operacionais, os resultados
financeiros, os resultados correntes, os resultados antes dos impostos e o
resultado líquido do exercício.

Os resultados correntes dizem respeito aos, lucros e prejuízos obtidos com a


actividade da empresa, ou seja, aquela para a qual os seus recursos foram mais
vocacionados.
Resultados Correntes = Resultados operacionais + Resultados financeiros
Resultados financeiros evidenciam os proveitos e custos decorrentes de decisões
financeiras, quer no que se refere à aplicação de excedentes quer no que se refere ao
financiamento das necessidades financeiras.

Resultados antes dos Impostos = Resultados correntes + Resultados extraordinários


_

Resultados extraordinária referem-se a valores ocasionais ou eventuais e resultam


de operações aleatórias que são imprevisíveis.
Há várias demonstrações que são importantes para apreciar a situação
económica da empresa.
Demonstração dos resultados operacionais ou económicos
Engloba o lucro ou prejuízo obtido na actividade principal da empresa. Evidencia a
capacidade do negócio da empresa em gerar excedentes, pelo que traduz a
viabilidade económica ou não do negócio.
Em síntese, temos:

Custos e perdas Proveitos e ganhos

61 — CMV 71 — Vendas
62 — F.S. Externos 72 — Prestação de serviços
63 — Impostos Variação de existência de produção
64 — Custos com o pessoal 73 — Proveitos suplementares
65 — Outros custos operacionais 74 — Subsídios à exploração
66 — Amort. e ajustamentos do exercício 75 — T.P. Empresa
67 — Provisões do exercício 76 — O. proveitos operacionais
81 — Resultado operacional 77 — Reversões de amort. e ajustamentos
Demonstração dos resultados operacionais ou económicos

Demonstração dos resultados financeiros

Esta demonstração evidencia o lucro ou prejuízo que resulta das decisões finan-
ceiras relacionadas com a aplicação dos excedentes e com o financiamento das
necessidades financeiras.
Demonstração dos resultados financeiros

Custos e perdas Proveitos e ganhos

681 — Juros 781 Juros obtidos


682 — Perdas em empresas do grupo 782 — Ganhos em empresas do...


683 — Amort.dos
Demonstração inv. em imóveis
Resultados 783
da Sociedade Lirnalex, —em
Lda., Rendimentos de imóveis
31/12/2004 (Euros)
684 — Ajustamentos de aplic. financeiras 784 — R. de participações de capital
685 — Diferenças de câmbio desfav. 785 — Diferenças de câmbio favor.
686 — Descontos de pp concedidos 786 — Descontos de pp obtidos
687 — Perdas na alienação a. tesour. 787 — Ganhos na alienação de A. tesour.
688 — O. custos e perdas financeiras 788 — O. proveitos e ganhos financ.
82 — Resultado financeiro

As duas demonstrações anteriores possibilitam o apuramento do resultado corrente


ou de exploração.

Demonstração dos resultados extraordinários

É um quadro demonstrativo que evidencia os custos e proveitos meramente


ocasionais ou eventuais, com carácter imprevisível e aleatório.

Demonstração dos resultados extraordinários

Custos e perdas Proves e ganhos ..,


681 — Donativos 791 — Restituição de impostos
692 — Dívidas incobráveis 792 — Recuperação de dívidas
693 — Perdas em existências 793 — Ganhos em existências
694 — Perdas em imobilizações 794 — Ganhos em imobilizações
695 — Multas e penalidades 795 — Benefícios de pen. contratuais
696 — Aumentos de provisões 796 — Reduções de provisões
697 — Correcções... 797 — Correcções...
698 — O. custos e perdas extraord. 798 — O. proveitos e ganhos extraord.
84 — Resultado extraordinário

Seguindo o modelo do POC, teríamos a seguinte Demonstração dos resultados


líquidos.
Com base na Demonstração dos resultados é possível ter uma imagem do desempenho
económico da empresa recorrendo a vários indicadores como o VAB, o EBE, a rendibilidade
do investimento e do capital próprio e da produtividade, a estudar no capítulo III.

2004

785 500,00
Á

Proveitos e ganhos extraordinários


(F)

3.1.2.2. A Demonstração dos resultados por funções --


No âmbito da Contabilidade analítica, os resultados são apurados com base na
origem ou afectação dos custos e dos proveitos. O resultado está de acordo com as
funções empresariais da empresa: comercial, produção, administrativa e financeira.
Na análise da conta de exploração é fundamental separar as actividades operacional,
financeira e extraordinária. A empresa pode ter saldo positivo na conta 81 e negativo.
nas contas 82, 83, 84 e 88. Neste caso a empresa possui viabilidade técnica, mas a
estrutura financeira não permite que os resultados aumentem o capital próprio da
empresa.
1
A Demonstração de resultados por funções é um documento obrigatório para os
exercícios que começaram em, ou a partir de, 1 de aneiro de 2000, relativamente às
entidades abrangidas Deo que tenham ultrapassado 2 ou 3 limites referidos
no artigo 262º do Código das Sociedades Comerciais, a partir do exercício
seguinte ao da respectiva ocorrência.
Quando houver lugar a esta demonstração de resultados, deve também
proceder-se à elaboração da Demonstração do custo das vendas e das prestações
de serviços que deve ser inserida na nota 42 do Anexo ao balanço e à demonstração
dos resultados (Directriz contabilística nº 20 e nº 8 do Decreto-Lei 43/99 de 12 de
Fevereiro). Pela importância que tem para a gestão é conveniente ter um
conhecimento do comportamento dos custos, daí a identificação dos custos em
fixos e variáveis, para se proceder à análise do risco económico e ao cálculo do
grau de alavanca operacional.
Demonstração tipo:
3.1.3. A Demonstração de origem e aplicação de fundos
A Demonstração de origem e aplicação de fundos diz respeito a um quadro de
informação financeira que engloba valores que correspondem a um período ou a um intervalo
de tempo e não apenas a urna data precisa.
Numa perspetiva financeira, o Balanço traduz um conjunto de aplicações e de origens
de fundos:

— Aplicações de capital em: imobilizações, existências, dívidas de terceiros,


investimentos financeiros.
— Fontes de financiamento: capital social, dívidas a terceiros e os resultados
gerados pela empresa.

O Balanço é uma demonstração financeira estática, uma vez que os valores nele incluídos
referem-se a uma determinada data. Contudo, é importante recorrer a uma análise dinâmica
das aplicações e origens-de fundos, daí a necessidade de desenvolver a Demonstração de
origens e aplicações- de fundos (DOAF) ou o Mapa de origens e aplicações de fundos (MOAF).
Esta demonstração é elaborada com base na análise comparativa de balanços sucessivos.

A DOAF é um instrumento tradicional da análise financeira e constitui um excelente elemento


de apoio ao estudo da liquidez, tal corno iremos estudar no capítulo VII, mas e necessário
levar em conta várias condicionantes, entre as quais os aspectos contabilísticos que
caracterizam as diversas operações que a empresa efectua.

3.1.4. A Demonstração dos fluxos de caixa

A Demonstração dos fluxos de caixa é um documento de informação referente aos fluxos de


dinheiro gerados e utilizados pelas actividades operacionais, de investimento e de
financiamento das empresas. É um documento obrigatório apenas para as sociedades
com acções cotadas em Bolsa (Directriz contabilística nº 14, da Comissão de Normalização
Contabilística, e regulamento da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários n° 93/11, de
30 de Novembro).

Objectivos

Esta Demonstração dos fluxos de caixa (DFC) complementa a informação recolhida nas
outras demonstrações económicas e financeiras: o Balanço, a Demonstração dos resultados
e o Mapa de origens e aplicações de fundos (MOAF).
A Demonstração de fluxos de caixa distingue-se do MOAF. Enquanto que este se organiza
em termos de origens e aplicações de fundos, aquela organiza-se em termos
de actividades.

Modelos da Demonstração dos fluxos de caixa

Na estruturação da demonstração financeira é adoptada uma classificação por


actividades com a finalidade de permitir aos utentes avaliar o impacto que têm na situação
financeira da empresa e de conhecer as correspondentes quantias geradas e utilizadas, bem
como a interligação entre as actividades.

OS FLUXOS DE CAIXA DEVEM SER CLASSIFICADOS DE ACORDO COM O TIPO DE


ACTIVIDADE QUE OS ORIGINOU:

 Actividades operacionais

São as que constituem o objectivo das actividades da empresa e outras que não sejam de
considerar, como actividades de investimento ou de financiamento.

 Actividades de investimento

Compreendem a aquisição e alienação de imobilizações corpóreas e incorpóreas, e aplicações


financeiras não consideradas como equivalentes de caixa.

 Actividades de financiamento

São as que resultam de alterações na extensão e composição dos empréstimos obtidos e dos
capitais próprios da empresa.
Cada uma destas classes compreende elementos específicos dos fluxos de caixa, com vista a
possibilitar um quadro completo das diferentes actividades empresariais da empresa.

O fluxo das actividades operacionais indica-nos em que medida a empresa tem capacidade
para gerar recursos, a partir da sua actividade principal. Se apresentar valores elevados, a
empresa vai poder responder aos investimentos realizados, aos juros e aos dividendos e pagar
aos fornecedores. É possível que numa fase de arranque da actividade o fluxo da actividade
operacional seja negativo, mas com o desenrolar da sua actividade pode ser suficiente para
cobrir parte da actividade de investimento e da actividade financeira. Uma empresa que
apresente um fluxo de actividade operativa negativa ou insuficiente para cobrir o pagamento de
juros, dividendos e investimentos de substituição é uma empresa dificuldades de tesouraria
Saliente-se, ainda, a importância de comparar os resultados operacionais com o fluxo de
actividades operacionais, já que a capacidade de gerar resultados positivos não é sinónimo
de capacidade para gerar fluxos monetários e vice-versa.

■ Caixa e seus equivalentes


Conforme a Directriz Contabilística n' 14 da CNC, são considerados corno componentes
positivos dos equivalentes de caixa os outros depósitos bancários e os investimentos de
curto prazo cuja conversão em numerário possa efectuar-se sem grandes riscos de alteração
de valor no prazo máximo de três meses a contar da data da sua constituição ou aquisição,
e os descobertos bancários são considerados como componentes negativos dos
equivalentes de caixa.

De início a Contabilidade baseava-se sobretudo no Balanço patrimonial e, ainda, na


Demonstração dos Resultados, que explica a formação dos resultados. Actualmente, está a
dar-se importância à Demonstração de fluxos de caixa e a análise dos fluxos financeiros para
explicar a formação das disponibilidades. Enquanto os resultados mostram a evolução
económica da empresa, os fluxos de caixa mostram a evolução financeira.

Da análise anterior conclui-se que nem sempre existe uma correlação entre os resultados
apurados e os fluxos de caixa, isto é, o facto de uma empresa apurar lucros não significa
necessariamente que disponha de dinheiro para pagar, por exemplo, impostos, dividendos
ou empréstimos. Voltaremos a este assunto no capítulo VII.

3.2. As Informações Extracontabilísticas


As informações contabilísticas constituem o suporte principal da análise da situação financeira
da empresa, mas são, geralmente, insuficientes para proceder a um estudo rigoroso e objectivo.
É importante recorrer a outras fontes de informação sobre aspectos que estejam a
afectar a situação económica e financeira.

O ANALISTA FINANCEIRO DEVE PROCEDER À RECOLHA DE INFORMAÇÕES SOBRE:

■ A empresa como entidade jurídica (actividade, composição do capital, a


capacidade de gestão dos seus dirigentes)
A actividade condiciona e é condicionada pela estrutura financeira. A estrutura de capitais é
determinada pelo tipo de actividade a desenvolver.
É importante saber, ainda, quem são os principais accionistas da empresa e quais as
ligações que têm com outras empresas.
No que diz respeito à capacidade dos seus dirigentes, poderá dizer-se que empresas com
má situação financeira e com viabilidade -económica conseguem atingir a, estabilidade
devido à acção coordenada e competente dos seus gestores. O contrário também é normal
acontecer.
■ As características do produto
A situação económica e financeira está estreitamente relacionada com o que se produz e
como se vende o produto, pelo que terá interesse saber: quais as funções do produto?
Qual o grau de satisfação do cliente? E qual o nível de competitividade que apresenta?
■ A competitividade do mercado
Um bom nível de vendas e o aumento da quota de mercado proporcionam
recebimentos avultados integrados no ciclo de actividade operacional, o que favorece a
tesouraria da empresa e a estrutura de capitais da empresa.
■ A conjuntura económica e política
A situação económica, social, política e financeira tem repercussões relevantes na
situação financeira das empresas.
As empresas encontram-se numa situação financeira específica de acordo com a
conjuntura nacional e internacional do momento, em virtude dos vários fenómenos
económicos e financeiros, e não só. Destes, destacam-se os seguintes:

 Aumento das taxas de juro;


 Agravamento dos impostos;
 Inflação;
 Contracção do crédito;
 Bonificações de juros;
 Benefícios fiscais.
■ O enquadramento sectorial
A recolha de informações do sector económico, com base no CAE, é de grande importância
para compreender todos os condicionalismos que afectam a empresa e a estrutura financeira.
Esta informação extracontabilística, embora seja importante, não resolve as
limitações dos documentos contabilísticos que serão analisados em termos económicos e
financeiros.
3.3. Limitações dos Documentos Contabilísticos
Os documentos referidos anteriormente. e que servem de base à análise económica e
financeira, apresentam limitações no seu conteúdo e ria sua elaboração que condicionam uma
análise objectiva e eficaz em termos empresariais.

Essas limitações surgem em resultado:

— Da divergência metodológica;
— Da natureza dos documentos contabilísticos.

VERIFICAM-SE DIVERGÊNCIAS ENTRE AS DUAS DISCIPLINAS EMPRESARIAIS:

■ A Contabilidade regista a actividade empresarial, com base no Balanço inicial, com a


finalidade de obter o resultado líquido da empresa numa base do custo histórico. A empresa
regista os custos e os proveitos. Contudo, não há sincronismo entre os custos e os
pagamentos e os proveitos e os recebimentos,, pelo que a Contabilidade não salienta os fluxos
financeiros resultantes das operações inseridas nas actividades operacionais, financeiras e de
investimento:

— Muitas vendas são realizadas a prazo, pelo que há um diferimento entre o fluxo
real e o fluxo financeiro. Não há entrada imediata de dinheiro.
 Muitas compras são realizadas a prazo, pelo que não geram automaticamente
saídas de dinheiro, havendo um diferimento entre o fluxo real e o fluxo financeiro. Por

outro lado, muitos custos da empresa (Ex.: amortizações) não originam saída de dinheiro.

São custos fixos não desembolsáveis.

 A Análise económica e financeira permite essa identificação dos fluxos financeiros, pelo que
uma das preocupações iniciais do analista financeiro está relacionada com a adaptação
dos documentos contabilísticos, de acordo com os objectivos e metodologia a seguir
na Análise económica e financeira. A esta disciplina interessa que os recebimentos e os
pagamentos estejam claramente definidos e que facilmente estejam associados com as
origens e aplicações de fundos.

OS DOCUMENTOS CONTABILÍSTICOS SÃO LIMITATIVOS NOS SEGUINTES ASPECTOS:

 O Activo, e em especial o imobilizado e as existências, são contabilizados ao custo histórico


e esquecem as flutuações no mercado.

 As normas e princípios contabilísticos referidos no POC são de natureza fiscal, o que limita
o carácter financeiro da informação contabilística. Actualmente, a
normalização contabilística e as directrizes contabilísticas têm reduzido esta divergência
entre a prática contabilística e a análise económica e financeira e facilitado a interpretação
dos dados contabilísticos.

Também ao nível internacional se verifica um desenvolvimento das Normas


Internacionais de Contabilidade (NIC), com o objectivo de estabelecer um conjunto de princípios
e regras geralmente aceites de modo a facilitar a elaboração e a interpretação das contas
contabilísticas. As NIC emanadas pelo IASC (International Accounting Standards Comunitee)
são aplicadas em Portugal em situação que sai fora do âmbito da legislação portuguesa.

■ Os valores de muitas rubricas do Activo e do Passivo são estimados (Ex.: Provisões


registadas nas contas 28, 29 e 39). Não traduzem saída de dinheiro.
■ Os critérios de valorimetria das existências, imobilizado e de outros elementos
patrimoniais são de aplicação subjectiva.
■ Dificuldade em avaliar os elementos produtivos da empresa. A imagem da empresa
e o trabalho humano têm valor financeiro e não são registados na Contabilidade.
■A Demonstração dos resultados líquidos apresenta algumas limitações resultantes da
aplicação das regras e das políticas contabilísticas, nomeadamente no que diz respeito às
amortizações e provisões podendo acontecer que duas empresas semelhantes do
mesmo sector de actividade apresentem resultados diferentes.
Deste modo, o analista económico-financeiro pode complementar a sua análise com o
recurso à Demonstração dos fluxos de caixa.
Em resultado do que foi dito atrás, é conveniente que o analista económico-financeiro
possua conhecimentos contabilísticos e prática profissional para que tome em consideração
as limitações da técnica contabilística e que lhe seja útil para compreender o seu carácter
económico e financeiro.

3.4. O Balanço Funcional


As divergências existentes entre a prática contabilística e a financeira conduzem à realização
de uma actividade prévia por parte do analista financeiro que tem que ver com a adaptação
dos documentos contabilísticos, em especial o Balanço e a Demonstração dos resultados, de
acordo com a metodologia a seguir pela Análise económica e financeira e com os objectivos
que se pretende atingir.
Essa preparação das informações contabilísticas para a Análise económica e
financeira resume-se à elaboração do Balanço funcional e do Balanço financeiro com base
no Balanço contabilístico.
NA ANÁLISE DO BALANÇO HÁ QUE DISTINGUIR DOIS TIPOS DE ABORDAGENS:

1 — Análise Patrimonial
É uma abordagem tradicional que analisa o Balanço sobretudo segundo a óptica jurídica. O
Balanço é um mapa que compara o Activo (direitos de propriedade e créditos) com o Passivo
(obrigações e deveres) evidenciando o Capital próprio.
O Balanço patrimonial serve para analisar a liquidez da empresa, pelo que as rubricas do
Activo são ordenadas por grau de liquidez e o Passivo segundo o grau de exigibilidade_ O balanço
é um mapa de origem e aplicações de fundos.

• Aplicações de Fundos

Activo fixo

Activo Circulante
— Existências;
— Dívidas de terceiros a mil prazos;
— Dívidas de terceiros a curto prazo;
— Títulos negociáveis;
— Depósitos bancários e Caixa;

 Acréscimo e diferimentos.

• Origens de Fundos

Capitais permanentes
Capital próprio e Débitos a m/l prazo.

Passivo circulante
Débitos a c/ prazo, Acréscimos e diferimentos.

2 — Análise Funcional
É uma abordagem moderna que tem como principal característica a associação dos
movimentos e origens de fundos aos ciclos financeiros da empresa, pelo que o Balanço
da empresa coloca a ênfase na automização dos ciclos já referidos no capítulo I:
— Ciclo de exploração
— Ciclo de investimento
— Ciclo de operações financeiras
— Ciclo de operações de capital
— Ciclo de aplicações de tesouraria
Devido às críticas e limitações evidenciadas pela abordagem tradicional, a maioria dos
analistas recorre à abordagem funcional.
O Balanço funcional resulta de um conjunto de correcções a efectuar no Balanço
contabilístico, agregando as contas numa perpesctiva financeira, o que permite pôr em
evidência a estrutura financeira de uma empresa, e apresenta a seguinte estrutura e
compreensão:

O Balanço funcional é elaborado atendendo à natureza das rubricas e


das informações extracontabilisticas necessárias para uma boa análise
económica e financeira.

O Balanço funcional tem a seguinte apresentação:


O Balanço funcional permite assinalar os desequilíbrios fundamentais entre o
financiamento e as aplicações e determinar o fundo de maneio, as necessidades de
fundo de maneio e a tesouraria líquida.

Passemos ao seu estudo:

■ Activo Fixo — Activos com permanência prevista ria empresa superior a um


ano e que lhe pertencem juridicamente e os bens em regime leasing. Abrange os
seguintes elementos patrimoniais:

— Imobilizações incorpóreas;
— Imobilizações corpóreas;
— Imobilizações financeiras;
— Dívidas de terceiros a m/l prazo resultantes de decisões estratégicas
ou financeiras (Ex.: adiantamentos a fornecedores de imobilizado e
dívidas de empresas do grupo associadas e participantes). Não são
incluídas as dívidas resultantes de decisões ligadas à exploração. Deverão
deduzir-se as provisões referentes a estes débitos.
Evidencia o valor líquido, pelo que se deve deduzir às contas 41, 42 e 43
o montante das amortizações acumuladas, registadas na conta 48.
Acréscimo e diferimentos a mais de um ano. Correspondem aos
valores contabilizados nas contas 271 e 272 que tenham carácter de
permanência. (Ex.: custos plurienais).

As obrigações e os títulos de participação na própria empresa devem ser


deduzidos ao Activo fixo e às contas de empréstimos que figuram no Passivo,
visto quis na abordagem funcional não são consideradas nem aplicação nem
origem de fundos.
Muitos analistas não consideram em parte ou totalmente o imobilizado
incorpóreo, em virtude de muitos desses elementos não se traduzirem em
meios monetários.

■ Necessidades cíclicas Engloba as contas relacionadas com operações do


ciclo de exploração e que necessitam de financiamento. Representam


investimentos com carácter de permanência dependentes da gestão operacional.

—Existências

Inclui as existências relacionadas com a exploração deduzidas das provisões para


depreciação. O montante final deverá ser corrigido se existirem excedentes para
além do necessário à normal actividade, e que constituem aprovisionamentos
estratégicos. Estas existências extranormais são incluídas no Activo fixo. Os
adiantamentos de compras não devem ser considerados.
Na realização do seu trabalho, o analista deve considerar os vários tipos
de existências em armazém e os critérios de valorimetria.
Adiantamentos a fornecedores

Inclui os adiantamentos por conta de compras e adiantamentos a fornecedores,


excepto aqueles resultantes de aprovisionamentos estratégicos, que devem ser
adicionados ao Activo fixo. A não inclusão em existências, permite uma análise mais
adequada da rotação das existências e do prazo médio de pagamento.

Clientes

Inclui as contas 21.1. — Clientes c/c e 212 — Clientes — letras a receber e 218 —
Clientes de cobranças duvidosas. Deverão ser deduzidas as provisões para cobranças
duvidosas que tenham sido constituídas para a cobertura dos créditos de cobrança
incerta ou difícil.
Inclui, ainda, as letras a receber descontadas e não vencidas e que serão
adicionadas à tesouraria passiva como empréstimos bancários a curto prazo.
— Outras dívidas Valores a recuperar do Estado (IVA ou IRC), saldos a

receber do pessoal ou de outros devedores que estejam relacionados com a


actividade
da empresa;
 Acréscimos e diferimentos Engloba os acréscimos de proveitos e os

custos
diferidos que estejam directamente relacionados com a exploração (Ex.: rendas
adiantadas, seguros antecipados).

Tesouraria activa Abrange os activos líquidos da empresa não considerados fixos


nem cíclicos:
 Os depósitos bancários, a caixa e os títulos negociáveis;
 Os acréscimos e diferimentos activos e os outros devedores não incluídos no
Activo fixo e nas necessidades cíclicas;
 As dívidas a receber a curto prazo alheias à exploração (contas de
accionistas e obrigacionistas).

Excluem-se as disponibilidades mínimas consideradas como necessidades financei-


ras e as disponibilidades assimiladas a aplicações financeiras com carácter de perma-
nência a englobar no Activo fixo.

Recursos próprios - Inclui os recursos próprios da empresa: Capital próprio conta-


bilístico, empréstimos de sócios ou accionistas e empréstimos por títulos de partici-
pação, as obrigações conversíveis e parte das provisões.

Para efeitos de análise económica e financeira,o seu montante deve ser corrigido pela
redução do capital subscrito e não realizado e pelo acréscimo de suprimentos de sócios
ou outros valores passivos que não sejam exigíveis.
 Recursos alheios estáveis Inclui as dívidas de médio e longo prazo e as de curto

prazo que tenham tendência para se manterem estáveis. Trata-se de um financia-


mento de curto prazo renovável. Não se incluem nesta rubrica as dívidas que
resultam do ciclo de exploração e que serão adicionadas aos recursos cíclicos.

 Recursos cíclicos Inclui as dívidas a terceiros de curto prazo relacionadas com o


ciclo de exploração: adiantamento de clientes, fornecedores, Estado, outros credores


de exploração (dívidas a sindicatos, consultores...) e alguns diferimentos, tais como
remunerações a liquidar, seguros e rendas de instalações. As dívidas em mora e os
passivos de curto prazo alheios às operações normais da empresa e relacionadas
com operações financeiras (Ex.: Empréstimos bancários) deverão ser consideradas
como tesouraria passiva.

■ Tesouraria passiva Engloba as dívidas de curto prazo que resultem de decisões


de financiamento (empréstimos bancários, etc...), os acréscimos e diferimentos


passivos (excepto os de exploração), os recursos cíclicos em mora e o valor das
letras descontadas e não vencidas.

3.5. O Balanço Financeiro


Como se estudou anteriormente, o Balanço funcionai foi elaborado com base no
Balanço contabilístico de forma a proporcionar uma análise económica e financeira,
mas, nalguns casos, é necessário proceder a correções. Se não foram feitas anterior-
mente, têm de ser realizadas para obter o Balanço financeiro em rubricas como:

 Desconto bancário de letras valor a adicionar aos clientes c/c e à tesouraria


passiva, tal como se viu anteriormente.


 Dívidas de IVA e à Segurança Social valor a ser adicionado como crédito de

tesouraria e subtraído ao circulante.


 Provisões para outros riscos e encargos devem ser adicionadas a dívidas a curto

prazo.
 Subsídio de investimentos valor a adicionar ao Capital próprio e a reduzir aos

acréscimos e diferimentos.
 Prêmios de reembolso de obrigações devem ser subtraídos aos empréstimos

obrigacionistas.
 Capital subscrito e não realizado deve ser subtraído ao Capital próprio.

Todas estas correções visam dar à realidade expressa no Balanço contabilístico


um silicificado financeiro que facilite a análise económica e financeira.
3.6. Métodos e Técnicas de Análise
No estudo económico financeiro do Balanço, da Demonstração dos resultados e de
outros documentos contabilísticos utilizam-se métodos e técnicas de análise.

ESSEESTUDO BASEAR-SE-ÁNOSSEGUINTES:

■ Comparação de demonstrações financeiras sucessivas


—Em valores absolutos
—Em percentagens
—Em números índices
—Por análise gráfica

■ Indicadores e rácios

3.6.1 Método dos indicadores e dos rácios

Um método que permite estudar a evolução da situação económica e financeira


da empresa consiste em estabelecer relações entre os dados fornecidos pelo
Balanço e outros documentos contabilísticos após a sua preparação para análise.
Estas relações designam-se por rácios e a sua análise _permite o estudo e a
evolução da situação económica e financeira da empresa e tirar conclusões sobre a
sua gestão. Essa relação pode ser expressa sob a forma de quociente ou
percentagem.

■ Noção
Relação entre duas grandezas correlacionadas e típicas da situação, da
actividade ou do rendimento, efectivo ou orçamental, de uma empresa real, ideal
ou de uma média de empresas representativas de um sector ou segmento de
actividade.
A sua utilização depende dos objectivos da análise, da natureza dos
fenómenos que se pretende revelar ou medir e das fontes de informação
que se utilizam.

Como fontes de informação temos:

— Efectivos ou reais documentos financeiros históricos;


— Orçamentais — orçamentos;
— Sector — centrais de balanços;
— Ideais definidos pelos analistas, em função do conhecimento do sector

das empresas.
O conceito de indicador é mais amplo que o de rácio. Ele abrange para além das
relações entre grandezas, sob a forma de quocientes ou percentagem, outras que
comparam elementos considerados significativos: margem bruta de vendas, fundo de
maneio, etc.
O método dos indicadores e dos rácios contribuirá para uma análise objectiva e
sistemática da estrutura económica e financeira da empresa desde que a passagem
do Balanço contabilístico para o Balanço funcional e para o Balanço financeiro se faça
de acordo com as definições e regras anteriormente fixadas.
Há inúmeros rácios ou indicadores a considerar e o seu estudo comparativo
deve ser feito:

— relacionando vários rácios ou indicadores:


— comparando no tempo os mesmos rácios ou
indicadores; — comparando a nível sectorial os rácios ou
indicadores.

■ Limitação dos rácios


OS RÁCIOS APRESENTAM, ENTRE OUTRAS, AS SEGUINTES LIMITAÇÕES:

— Relacionam dados quantitativos e não consideram factores qualitativos.


— Não existe definição normalizada de cada rácio e varia com o analista.
— São influenciados pela sazonalidade da actividade e os seus montantes dependem
dos critérios de amortizações e de valorimetria...
 São permeáveis pela inflação.
 A sua interpretação está condicionada pelo sector e pela conjuntura
económica.
— O rácio, individualmente, apresenta pouco interesse.
— Podem falsear comparações quer com rácios de empresas similares quer com

rácios sectoriais, se têm por base diferentes práticas contabilísticas.

■ Classificação dos rácios


Existem diversas classificações que são definidas em função da natureza das
grandezas que entram na composição dos rácios ou do sentido que se lhes
atribui:

 Rácios financeiros;
 Rácios económicos;
 Rácios económico-financeiros;
 Rácios de funcionamento ou actividade;
 Rácios técnicos;
 Rácios de mercado.
 Rácios financeiros

Relacionam as diversas massas patrimoniais constantes do Balanço, em termos


financeiros.

Exemplos:

— Estrutura de capitais: Capitais alheios/Capitais próprios

- Autonomia financeira: Capitais/Activo

- Solvabilidade: Capitais próprios/Passivo total

 Rácios económicos

Têm por base grandezas constantes na Demonstração de resultados, abordando


aspectos como as margens de rendibilidade, a estrutura de custos e a capacidade de
autofinanciamento.

Exemplos:
— Rendibilidade operacional das vendas: Resultados operacionais/Vendas
 Rendibilidade das vendas: Resultados líquidos/Vendas

 Rácios económico-financeiros

Expressam relações económico-financeiras, e são construídos a partir de grandezas


Alo Balanço e da Demonstração de resultados.

Exemplo:

— Rendibilidade dos capitais próprios: Resultados líquidos/Capitais próprios

 Rácios de funcionamento ou de actividade

Avaliam a eficiência com que a empresa está a gerir os activos que possui quer sejam
imobilizados quer sejam circulantes. São sensíveis à natureza da actividade prosseguida
pela empresa.

Exemplos:

—Rotação do activo: Vendas/Activo


—Prazo médio de recebimento: Clientes x 365/Vendas
—Prazo médio de armazenagem: Existências x 365/Custo das vendas
—Prazo médio de pagamento: Fornecedores x 365/Compras
 Rácios técnicos

Exprimem os aspectos ligados à produção e à actividade em geral. São habitual-


mente expressos em unidades físicas ou comparam unidades económico-financeiras
com unidades físicas.

Exemplo:

— Produtividade: Actividades/Meios ou Produção/Ordenados

 Rácios de rendibilidade

Permitem aferir a capacidade da empresa de gerar resultados e, em particular, a


dimensão desses resultados.
Relacionam os resultados com as vendas ou com uma grandeza de capital e são
expressos em percentagem.

 Rácios de mercado

Permitem aferir os sinais dados pelos mercados de capitais, através da avaliação


bolsista, e comparar a avaliação da empresa com recurso a diferentes técnicas de
análise com avaliação bolsista.
Relacionam as grandezas do Balanço ou da Demonstração dos resultados com as
cotações das acções das empresas em bolsa, permitindo uma recolha de infor-
mações a todos aqueles que estejam interessados em investir no mercado de
capitais.

Preço-lucro por acção (PER) = Preço de mercado


Resultado p/ acção

Relaciona o preço de cotação de cada acção e os resultados por acção. Fornece a


informação do preço que os investidores estão dispostos a pagar por cada unidade
monetária de lucro.
Resultado p/ acção
Taxa de capitalização (EPS) = ______________
Preço de mercado

Relaciona o resultado obtido por acção com o respectivo valor da cotação. É o


inverso do PER.
Rendimento em dividendos =
Dividendo p/ acção
Preço do mercado

Relacionando os dividendos com a cotação das acções, determina a taxa de


rendibilidade obtida pelos accionistas.

Preço/valor contabilístico (PBV) = Preço de mercado


Valor contab. p/ acção

Compara o preço de mercado de uma acção com o valor contabilistico. Um valor


superior à unidade significa que o valor de mercado da empresa é superior aos
montantes nela investidos, o que traduz a criação de valor para o accionista
decorrente do desenvolvimento da actividade da empresa.

Valor mercado activo


Rácio de Tobin (q)=
Activo custo reposição

Compara o valor de mercado dos activos de uma empresa com o custo actual da
reposição desses activos. As empresas com um valor baixo, neste rácio, ou estão
em sectores muito competitivos ou encontram-se numa situação de declínio.
Se o valor é superior à unidade, a empresa é incentivada a investir e os activos valem
mais que o seu custo de reposição, originando boas perspectivas de crescimento.

• Rácios de liquidez

Determinam a c4acidade da empresa para fazer face aos seus compromissos de


curto prazo.

AC AC - E
Liquidez Geral= Liquidez Reduzida =
PC PC

D
Liquidez Imediata
PC
AC — Activo circulante
PC — Passivo circulante
E — Existências
D — Disponibilidades

• Rácios de solvabilidade

Avaliam a capacidade da empresa de solver os seus compromissos de prazo e


determinam a sua independência face a terceiros.
Estão relacionados com o equilíbrio do financiamento por capitais próprios e
alheios, e respectiva evolução. A alteração da estrutura de financiamento
depende da estratégia da empresa, da rendibilidade esperada dos capitais e
das necessidades de segurança que garantem a independência da empresa.

• Outros rácios

Cobertura de imobilizações p1 = C. Permanentes


capitais permanentes Imobilizado líquido

Avalia a cobertura do imobilizado por capitais permanentes, sendo


complementar ao rácio de liquidez geral. Se tem um valor inferior à
unidade, poderá significar que parte do imobilizado está a ser financiado por
capitais exigíveis a curto prazo.
O rácio anterior pode ser complementado pelo seguinte:

Cobertura imobilizações = C. Próprios


p1 capitais próprios Imobilizado líquido

Avalia a cobertura do imobilizado por capitais próprios.


Rácios de solvabilidade e autonomia = Capitais próprios
Capitais alheios
É um bom indicador para os credores avaliarem o risco de eventuais
operações com a empresa.
Capacidade de endividamento = Capitais próprios
Dívidas a rn/l prazo
Permite avaliar a importância do capital próprio relativamente às dívidas a
terceiros a médio e longo prazo.
Rácios de solvabilidade e autonomia Capitais próprios
_________________
Activo alheios
Compara o capital próprio com o total das aplicações de fundos.
O rácio da autonomia financeira é um factor de grande importância na análise e
na contratação de operações de financiamento e é um elemento importante na
avaliação do risco financeiro e global da empresa.
3.6.2. A Central de Balanços PME
A Central de Balanços PME constitui um instrumento de recolha e tratamento de
informação económico-financeira suportada nas demonstrações fiscais das empresas.
Com base nestes dados, a Central de Balanços PME produz um conjunto alargado
de relatórios standard sobre empresas ou grupos de empresas, tendo também capaci-
dade para dar resposta a pedidos específicos de informação tratada.

A Central de Balanços PME possibilita ainda o fornecimento às empresas aderentes


de informação relevante para o diagnóstico da sua situação económico-financeira e para
a avaliação do seu posicionamento no contexto global do seu sector de actividade, ou
relativamente aos dados das PME Excelência.

Após esta pequena introdução, feita com a apresentação dos documentos conta-
bilísticos base para a Análise económica e financeira e das técnicas utilizadas, estamos
prontos para proceder a essa análise, abrangendo, entre outros, os seguintes temas:

 Rendibilidade, EBE, VAB e produtividade;


 Competitividade económica;
 Liquidez, solvabilidade e equilíbrio financeiro;
 Análise do risco.

Estes temas que serão objecto de estudo nos capítulos seguintes permitem analisar
a realidade empresarial segundo perspectivas diferentes, mas que se complementam
e que interessam aos vários agentes económicos e, em especial, aos bancos, aos
fornecedores e ao Estado.
CAPÍTULO IV

Análise Económica
Análise Económica
Trata-se, sobretudo, de uma análise da rendibilidade e do crescimento como factores
de criação de valor sem. contudo, esquecer as outras medidas de eficiência de gestão
que avaliam o desempenho económico da empresa.

Neste capítulo analisa-se a relação entre a rendibilidade e o crescimento,


através da taxa de crescimento sustentável, condicionada pela taxa de retenção
de lucros. É feita ainda uma exposição sobre os vários tipos de rendibilidade
e as suas relações com a estrutura financeira e com a tomada de decisões
financeiras.

4.1. Medidas de Eficiência da Gestão


A partir da Demonstração dos resultados podemos calcular um conjunto de indica-
dores com grande interesse para a gestão:

— A margem bruta das vendas;


— Os resultados operacionais, antes de impostos e resultados líquidos;
— O excedente bruto de exploração;
—O VAB, a produtividade e a rendibilidade.

Estes indicadores permitem ao economista da empresa, ao empresário e a


todos os interessados pela gestão da empresa analisá-la sob o ponto de vista
económico.
As medidas anteriores são normalmente utilizadas para avaliar a eficiência da gestão
e permitem fazer comparações temporais, espaciais (entre empresas) e estruturais
(entre departamentos).

4.1.1. Resultado de exploração

O montante dos resultados líquidos é insuficiente para avaliar o desempenho


económico da empresa, pelo que é fundamental apurar os diversos resultados:

• Resultados operacionais o seu montante resulta da diferença entre as contas 71


a 77 e 61 a 67. Este resultado mede o desempenho industrial e comercial sem


considerar os encargos com o endividamento e o nível de impostos pagos. O
resultado de exploração deve ser positivo, pelo menos após a fase de lançamento
da empresa, o que está de acordo com o objectivo da sua criação. A utilização do
resultado de exploração permite a comparação entre empresas com diferentes
níveis de endividamento, de modo a isolar o desempenho económico.
 Resultados financeiros o seu montante é igual à diferença entre os montantes das

contas 78 e 68.
 Resultados correntes ou de exploração o seu montante é igual à soma algébrica
dos resultados anteriores. O seu valor permite comparar a rendibilidade das
empresas considerando os efeitos na actividade da política financeira adoptada.
Deste modo, os responsáveis da empresa podem medir o impacto das decisões
financeiras na formação dos resultados.
 Resultados extraordinários — o seu montante é igual à diferença entre os
montantes das contas 79 e 69 e mede a importância das operações não ligadas à
actividade normal e habitual da empresa.
 Resultados antes de impostos — o seu montante é igual à soma algébrica dos
resultados correntes e resultados extraordinários.
 Resultado líquido do exercício — o seu montante é igual à diferença entre os
resultados antes de impostos e o IRC e que permite a distribuição pelos sócios, a
formação de reservas e dos resultados transitados.

4.1.2. Valor acrescentado

O valor acrescentado mede o excedente de riqueza criada pela empresa e corres-


ponde, portanto, à contribuição da empresa para criação de valor, considerando
a hipótese de que os preços reflectem efectivamente o valor dos bens.
O valor acrescentado bruto (VAB) é apurado, contabilisticamente, segundo duas
ópticas: Produção e Repartição.

Óptica da produção

O VAB é o resultado da diferença entre o volume de negócios e os con -


sumos intermédios (custos de matérias, fornecimentos e serviços de terceiros,
impostos indirectos). Evidencia os excedentes de outputs da empresa sobre os seus
ínputs.

Os consumos intermédios compreendem os bens necessários à produção e


que se incorporam no produto no decurso do processo produtivo, os serviços
externos
(Ex.: a energia consumida pelas máquinas) e os impostos indirectos relacionados com
as compras (parcela do IVA que não confira direito à dedução no 1VA cobrado nas
vendas). Deste modo temos:

VAB = Proveitos operacionais — (CMV + FSE + 1.1.)

■ Óptica da repartição
O VAB resulta da soma dos rendimentos gerados peia empresa, nomeadamente os
custos com o pessoal, amortizações e provisões (deduzida da utilização de provisões),
custos financeiros (deduzidos dos proveitos financeiros), impostos directos e resulta-
dos líquidos.
O VAB reflecte a ligação entre a Contabilidade nacional e a Contabilidade da empresa
e constitui um indicador importante do crescimento económico da empresa, permitindo
obter duas perspectivas diferentes de criação de valor: crescimento e desenvolvimento.

 A perspectiva do crescimento é dada pela óptica da produção que evidencia a


variação da riqueza criada face à variação do volume de negócios.
 A perspectiva do desenvolvimento é dada pela óptica da repartição, mostrando a
forma estrutural da distribuição da riqueza gerada pelos agentes económicos
intervenientes.

O nível do VAB permite avaliar a eficácia económica da empresa, isto é, compara a


riqueza criada pela empresa com os recursos que foram utilizados.
O VAB será tanto maior quanto maiores forem as transformações realizadas no
processo produtivo, a produtividade dos factores produtivos e a valorização dos bens
produzidos.

Com base no VAB podemos calcular alguns râcios que reflictam melhor a
eficiência da empresa:

Variação do VAB (VAB2ooa VAB2co2)


VAB2062

Rácio que representa a taxa de crescimento da empresa que deve ser com-
parada com a rendibilidade. Assunto a estudar no ponto Análise do Crescimento e
Rendibilidade. Um crescimento sustentável é uma das causas da melhoria da
rendibilidade.

Produtividade global = _______VAB________


Factores produtivos

Compara a riqueza criada pela empresa com os recursos que foram utilizados.
- Produtividade do trabalho = ____VAB______
N.' trabalhadores

Evidencia o valor acrescentado por cada trabalhador.

- Produtividade salarial = _______VAB_____


Custo com o pessoal

Em termos macroeconómicos, a soma dos valores acrescentados pelas


unidades económicas, adicionada dos impostos indirectos (IVA e direitos
Empresa ABC, Lda.

Informações económicas: 2003 2004

Volume de negócios 2 285 700,00 2 749 697,10


Custo de matérias 721 800,00 868 325,40
FSE 421 050,00 506 523,15
Custo com o pessoal 529 320,00 636 771,96
Amortizações 130 826,25 157 383,98
Custos financeiros 105 864,00 127 354,39
Impostos indirectos 18 045,00 21 708,14
Impostos directos 143 517,90 172 652,03
Resultado líquido 215 276,85 258 978,05
2003

Ópticadaprodução

VAB = Volume de negócios Consumos intermédios


. 2 285 700,00 — 721 800,00 — 421 050,00 — 18
045,00 . 1 124 805,00 euros

Óptica da repartição
VAB = 529 320,00 + 130 826,25 + 105 864,00 + 143 517,90 + 215 276,85
= 1 124 805,00 euros

aduaneiros, se os houver), corresponde ao valor do Produto Interno Bruto


(PIB).
O PIB é o somatório dos valores acrescentados de todos os agentes económicos que produzem bens
e serviços, no país e durante um determinado período de tempo (normalmente, um ano civil).

PIB = ∑ VAB de todas as unidades produtivas residentes no território nacional


4.1.3. Excedente bruto de exploração
O EBE mede a rendibilidade económica da empresa. É um indicador de crescimento e exprime a relação
entre a exploração e o financiamento. É a componente principal da capacidade de autofinanciamento. O
seu nível sustenta a manutenção e o crescimento da empresa.

Determina-se a partir do VAB, subtraindo o custo com o pessoal e os impostos directos ou


recorrendo à expressão

EBE = Proveitos operacionais — CMV — Q.G. variáveis — Custos fixos desembolsáveis

O EBE representaria os meios libertos (cash flow) se não houvesse variações de existências em
armazém e se as operações se processassem a pronto pagamento (vendas e compras) ou se não se
verificassem variações nos créditos e débitos de exploração. O EBE difere dos meios libertos de
exploração porque não considera a variação das necessidades de fundo de maneio.

O EBE é a remuneração do capital. O EBE éitilizado no pagamento de dívidas, de juros suportados,


dividendos e na realização de investimentos de manutenção com base nas amortizações e investimentos de
expansão utilizando o lucro não distribuído.

Os meios libertos operacionais (cash flow) são iguais à diferença entre o EBE e a variação das
necessidades de fundo de maneio e evidenciam os meios monetários gerados pelo negócio da empresa, bem
como a capacidade em gerar tesouraria para solver os compromissos e investir. É um indicador de avaliação
de risco dos créditos concedidos.

O autofinanciamento bruto representa o excedente bruto da empresa, que é igual ao resultado líquido
+ amortizações, ajustamentos e provisbes. Tem um significado mais lato do que o EBE.

O autofinanciamento líquido obtém-se deduzindo ao autofinanciamento bruto a distribuição dos resultados.


Pode também determinar-se adicionando aos resultados retidos os custos não desembolsáveis.

EBE = Proveitos operacionais — Custos operacionais desembolsáveis

Cash flow operacional ou meios libertos de exploração= EBE – variação das necessidades em fundo de maneio

Autofinanciamento líquido = Autofinanciamento bruto — dividendos

Economic Value Added (EVA)

EVA = Resultado operacional — (Custo capital x Activo económico)

O EVA exprime o resultado obtido após remunerado o investimento líquido do negócio,


independentemente de ser financiado em capitais alheios ou capital próprio.

Um EVA negativo significa que resultado de exploração não é suficiente para cobrir o financiamento do
investimento líquido necessário.
O EVA tem vindo a substituir o ROI (taxa de retorno do investimento) na avaliação de performance dos negócios,
das actividades, dos mercados e centros de responsabilidade, das filiais em grupos económicos, dos produtos, dos
clientes, etc., uma vez que é o único que integra numa só unidade de medida as vertentes financeira e
económica.

A ANÁLISE ECONÓMICA PODE SER APROFUNDADA RECORRENDO AOS SEGUINTES RÁCIOS:

 Encargos financeiros/EBE
Mede o peso dos encargos financeiros no EBE, que como indicador de remuneração de capital que é, este rácio
permite avaliar a gravidade dos encargos financeiros. O montante normal é cerca de 30%.

 Autofinanciamento/EBE
Mede o peso das provisões, amortizações e lucro no EBE e mostra as potencialidades da empresa para
o investimento.

 EBE/VABMede o contributo do factor capitai para o VAB.


■ Cash flow operacional/Resultado operacional
Relaciona os meios líquidos gerados pelo negocio com o resultado operacional.
Geralmente, o valor apurado é superior a um, devido ao facto de o cash flow
operacional ser superior ao resultado operacional em resultado do efeito dos custos
fixos nao desembolsáveis (amortizações e provisões). No caso de se apurar urn valor
diferente, ha que analisar as necessidades e os recursos cíclicos.

1 - A empresa KLM. Valores em


euros:
Custos com o pessoal: 30,00
Provisões e ajustamentos: 5,00 impostos
directos: 50,00
Vendas: 1000,00
Resultado Liquido: 640,50 !RC:
274,50
VAS (Ótica da repartição) = 30,00 + 5,00 + 50,00 + 640,50 + 274,50
= 1000,00
VAB = Proveitos operacionais (CMV + FSE + H.) =
1000,00 - 0,00
= 1000,00 euros
EBE = 1000,00 - 30,00 - 50,00 =
920,00 euros

ou EBE Proveitos operacionais - Custos operacionais desembolsáveis


= 1000,00 - (30,00 + 50,00)
= 920,00 euros
2 - A empresa AERD Passeios Turísticos, SA registou os seguintes elementos referentes a 2002 (euros):
Custos corn o pessoal: 24 194,00
Amortizagoes e ajustamentos: 63 074,00
Impostos indirectos: 7214,00
Outros custos operacionais: 123,00
Afros: 5281,00
Proveitos financeiros: 654,00
Proveitos operacionais: 444 205,00
CMV: 101 420,00
FSE: 130 538,00
R. llquidos: 80 894,60
Dividendos: 1000,00
NFM e 2002: 814,60
NFM em 2001: 0,00

(a continuar)
(continuação)

VAB = 444 205,00 — (101 420,00 + 130 538,00 + 7214,00)


= 205 033,00 euros

EBE = 444 205,00 — 101 420,00 — 130 538,00 — 24 194,00 — 123,00 — 7214,00
= 180 716 euros

ou EBE = VAB — Custos com o pessoal — 0. custos

EBE = 205 033,00 — 24 194,00 — 123,00


= 180 716 euros

Cash flow operacional = EBE Variação das NFM


= 180 716,00 — 814,60
= 179 901,40

Autofinanciamento bruto = RI + amortizações, ajustamentos e provisões


= 80 894,60 + 63 074,00
= 143 968,60

Autofinanciamento líquido = Autofinanciamento bruto dividendos


= 143 968,60 — 1000,00


= 142 968,60

4.1.4. Produtividade
A actividade empresarial necessita, para se realizar, de tres componentes de gestao:

 As actividades;
 Os meios;
 Os resultados.

e com base nessas componentes determina-se a rendibilidade e a produtividade, que


são concertos distintos e complementares.

■ Noção
A produção como processo de criação e/ou adição de valor, necessita de factores
produtivos humanos, financeiros e materiais. Todos os factores produtivos que
contribuam para esse processo de criação e/ou adição de valor podem ter uma
produtividade:

—O trabalho dos empregados;


— As matérias incorporadas no produto;
— Os equipamentos utilizados;
— O sector económico, a empresa, a oficina, um departamento
administrativo.

A produtividade põe em causa dois elementos: as actividades e os meios.


Este rácio exprime-se geralmente a partir de unidades físicas, que se podem traduzir
em _ unidades monetárias.
Actividades
Produtividade =
Meios

A produtividade traduz a eficiência dos meios e a eficácia das actividades


e aumenta:

 quando se consegue uma major produção/venda com os mesmos ou


menores recursos (trabalho, capital, matérias-primas, energia, etc...);
 quando se consegue um mesmo output com a reprodução dos meios
utilizados.

As actividades e os meios podem ser expressos em:


Produção

Amortizações

V. Negócios

Cust. Intermédios

Valor acrescentado Bruto VAB


___ ______________________ OU ________
Custo c/ pessoal W

Valor Acrescentado Bruto VAB


___ ______________________ OU ________
N,º de trabalhadores N

Produção VAB
___ ______________________ OU ________
N,º de trabalhadores N

Valor acrescentado Bruto VAB


___ ______________________ OU ________
Produção P

A produtividade física (0/W) indica a produção media por trabalhador em termos


quantitativos. A produtividade monetária (VAB/P) indica a capacidade media de cada
unidade produzida na criação de valor monetário.

0 rácio (VAB/N) constitui a medida mais corrente de produtividade e que


muito contribui para o processo de criação de valor.
Se atendermos ao cálculo do VAB na óptica da repartição, é evidente que um
quociente elevado do VAB/W significa urna remuneração superior dos factores de
capital relativamente ao custo do factor de trabalho.

■ Produtividade económica/Produtividade salarial


A produtividade económica relaciona o valor criado com o n° de trabalhadores:

ValorAcrescentadoBruto VAB
_____________________ ou ___________
Nº de trabalhadores N

No sentido de avaliar a sua evolução e proceder a comparações, este indicador


deve ser decomposto.

VAB VAB VN C W
____ = ______ x ______ x _____ x __
N VN C W N

OU
VAB VAB C
x
N C N

com:

VAB/C -> Produtividade do capital = (VAB/VN) x (VN/C)

C/N -> Coeficiente de capital - emprego = (C/W) x (WIN)

 Taxa de integração = (VAB/Volume de Negócios)


Indica o número de euros de valor criado por cem euros de volume de
negócios. É um indicador que evidencia a capacidade que a actividade da
empresa tem para gerar riqueza.

 Custo médio do trabalho = Massa salarial/N° de


trabalhadores

Exprime o custo médio anual de cada trabalhador.

 Intensidade tecnológica = Capital investido/massa salarial


Relaciona o custo do capital com o custo do trabalho humano e indica-nos se é uma
actividade de capital intensivo ou de trabalho intensivo.
- Rotação do capital = V. Negócios/Capital de exploração
Mede o grau de utilização do capital investido.

A relação entre a produtividade económica (VAB/N) com a produtividade salarial


(VAB/W) evidencia a conjugação do desempenho económico do trabalho com a
remuneração média do trabalho (W/N) e que se traduz na seguinte equação salarial:
VAB VAB W

N W N

Empresa ABC, Ida. tinha, em Agosto 2005, 50 empregados ao


seu serviço (N). O Activo total era de 1 950 000,00 euros.
Imobilizado: 1 200 000,00 ouros

VAB:1124805,00ouros
Custo c/pessoal:529320,00 euros(w)
Volume de negócios: 2 285 700,00 ouros

Calculemos a produtividade e outros indicadores para Agosto 2005

VABIN=1124805,00/50
=22496,10Emas

e que representa o valor acrescentado por cada trabalhador.

Valor que é condicionado pelos acidentes de trabalho, gestão de materiais, pelas condições de trabalho, pelo
planeamento e normalização das operações, layout das instalações, conservação e manutenção dos equipamentos.

VAB/VI = 1 124 805,-00/529 320,00 = 2,13.


O VAB representa mais do dobro do custo com o pessoal. O inverso deste indicador exprime a fracção
do VAB que é atribuída ao factor humano.

1
x 100 = 47%
2,13
W/N = VAB/N: VAB/Vi
= 22 490,10/2,13
= 10 561,55 euros

(a continuar)
C/W = 1 950 000,00/529 320,00
= 3,68

Exprime o coeficiente entre o Activo e o custo com o pessoal.

VAB x 100/C = (1 124 805,00/1 950 000,00)x 100


= 57,6%

Significa que o VAB corresponde a 57% do Activo.

C/N = 1 950 000,00/50


= 39 000,00 euros de Activo por trabalhador

lmobilizado/N—Coeficientecapitalemprego
=1200000,00/50
=24000,00ourosportrabalhador

Evidencia o investimento médio em imobilizados de exploração por cada trabalhador. É a


intensidade capitalista média por cada posto de trabalho, ou seja, 24 000,00 euros por cada
posto de trabalho.

Estes indicadores podiam ser calculados para 2004 para procedermos a comparações
espaciais. Podia-se, igualmente, fazer comparações por sector de actividade.

■ Produtividade relativa

O valor acrescentado bruto e os respectivos indicadores que lhe estão associados, embora
sejam medidas muito utilizadas para avaliar o desempenho económico da actividade da empresa,
e o seu contributo para o processo de criação e adição de valor, não exprimem nem o modo como
esse valor foi criado nem a evolução da eficácia dos meios utilizados.
• Eficiência: Determina a taxa de utilização dos meios.

Estes parâmetros serão muito importantes no apuramento da rendibilidade


económica e na remuneração dos accionistas, com base na teoria das alavancas e das
vantagens competitivas a analisar de seguida.

A produtividade relativa pode ser calculada segundo três ópticas:

Produtividade relativa = Eficácia x Economia x Eficiência

 Óptica orçamental: Os valores reais são comparados com os valores


orçamentados.

Actividade realizada Actividade realizada Actividade planeada Meios planeados


------------------------- = --------------------------x --------------------------- x -------------------------
Meios realizados Actividade Planeada Meios planeados Meios realizados

• Óptica temporal: Os valores reais do exercício económico corrente são


relacionados com os valores reais do exercício económico anterior.

• Óptica espacial: Os valores reais da empresa do exercício económico


corrente são relacionados com os valores dos concorrentes.
UNIDADES MONETÁRIAS
Actividade Meios
Empresas Previsão Real Previsão Real
Electrix 150 300 80 90
Electrolar 150 140 65 35
Eleviseu 150 150 45 45

A produtividade relativa seria:

Empresas Eficácia Economia Eficiência Produtividade


Electrolar 140/150 150/65 65/35
= 0,93 x = 2,3 1,857 4,01

Electrix 300/150 150/80 80/90


=2 x = 1,875 x = 0,88 = 3,3

Eleviseu 150/150 150/45 45/45


=1 x = 3,33 x 1 = 3,333

A Electrix, embora seja a mais eficaz, porque esteve mais próxima dos objectivos previstos, tem um coeficiente de eficiência
menor e nível económico mais baixo. Apresenta a mais baixa produtividade relativa. Deve aumentar a eficiência dos meios e
utilizá-los tal como foi planeado.

4.1.5. Rendibilidade
A rendibilidade é um dos conceitos mais importantes para proceder a uma análise económica e
financeira. A sua análise permite-nos avaliar o desempenho económico e financeiro da empresa,
identificando de forma coerente e integradora os grandes factores que a influenciam.
A rendibilidade avalia a qualidade monetária de uma actividade em que o valor dos proveitos do negócio
é superior ao dos custos dos factores de exploração necessários para o obter.

■ Noção
Ao falarmos em rendibilidade estamos a referir-nos a uma relação onde intervêm três elementos:

— As actividades;
— Os resultados;
— Os meios.
A rendibilidade relaciona um resultado ou output gerado e um recurso ou investimento que
o gerou:
Resultados Resultados
Rendibilidade = ________ e ________
Meios Actividades

A rendibilidade exprime-se através de uma relação cujo numerador é sempre uma


forma de resultado.

Exemplos:
Resultados
Rendibilidade do capital = _________ x 100
Capital

Resultados
Rendibilidade das vendas - ___________________________________________ x 100
V. Negócios
Apesar de haver uma forte correlação entre produtividade e rendibilidade,
tratam-se de indicadores de informação distintos e complementares

1—
Produção e venda de vasos de barro…………………………….300 unidades
Consumos intermédios ………………………………………200 unidades físicas
Preço de venda unitário………………………………………………..….2,35 euros
Custo intermédio unitário………………………………………………….1,50 euros

300
Produtividade =----------
200
= 1,5

Lucro operacional = (300 x 2,35) — (200 x 1,50)


= 405,00 euros

+
= 57%

2 — O preço de venda unitário e o custo intermédio unitário


aumentam 15%. Qual o impacto na rendibilidade e na produtividade?

Preço de venda unitário = 2,35 x 1,15


=2,70 euros

(a continuar)
(continuação)
Custo intermédio = 1,50 x 1,15
= 1,73 euros
300
produtividade= -------
200
= 1,5

Lucro operacional = (300 x 2,70) - (200 x 1,73)


= 464,00 euros
464,00
Rentabilidade das vendas = ------------- x 100
300 x 2,70
= 57%
Não altera a produtividade nem a rendibilidade.
3 - As variações da produção e dos consumos intermédios em 10%
A produtividade e a rendibilidade mantêm-se constantes.
330
produtividade= -------
220
= 1,5

Lucro operacional = (300 x 2,70) - (200 x 1,73)


= 464,00 euros
445,50
Rentabilidade das vendas = ------------- x 100
330 x 2,35
= 57%

4 - As variações da produção e dos consumos intermédios, respectivamente em 10% e 5%,


aos mesmos preços provoca uma alteração no comportamento da produtividade e da
rendibilidade.
330
produtividade= -------
210
= 1,57

Lucro operacional = (330 x 2,35) - (210 x 1,50)


= 460,50 euros
460,50
Rentabilidade das vendas = ------------- x 100
330 x 2,35
= 59%
■ Principais indicadores de rendibilidade
A análise económica da empresa e a necessidade de medir a eficiência da empresa a
diferentes níveis exige a agregação das rubricas do Balanço para o apuramento dos diversos
resultados:
DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS POR NATUREZA

2004 2005 2006


Vendas
Prestação de serviços
Variação de produção
PROVEITOS
CMVMC
Fornecimentos e serviços externos
Impostos
Amortizações e ajustamentos do exercício
Provisões do exercício
Outros custos
CUSTOS
RESULTADO OPERACIONAL
Proveitos financeiros
Custos financeiros
RESULTADO DE EXPLORAÇÃO
Proveitos extraordinários
Custos extraordinários
RAI
iRC
RESULTADOLÍQUIDO

1 — Resultado operacional (RO) — Mede a capacidade da empresa de produzir resultados


provenientes da exploração:

RO = Proveitos operacionais — Custos operacionais

Resultado de exploração

RE = RO + Proveitos financeiros — Custos financeiros

2 — Resultado antes dos impostos (RAI):

RAI = RE + Resultado extraordinário


OU

RAI = RL + Imposto s/ Rendimento


3 — Resultado líquido — Resultado apurado após os efeitos da situação financeira e da
fiscalidade:

RL = RAI - IRC
AL retidos = RL - Dividendos

O Resultado líquido representa o montante à disposição dos sócios, para aplicação


na remuneração do capital próprio investido (dividendos ou utilizado no autofinancia-
mento da empresa — resultados líquidos retidos).

A análise económica da empresa e a necessidade de medir a capacidade da empresa


de gerar meios exige a agregação das rubricas da demonstração de um modo diferente
do anterior para apurar os meios libertos já referidos no estudo do EBE.

A rendibilidade da empresa determina-se, sobretudo, em valores relativos.

4 — Rendibilidade das vendas:

No estudo da situação económica da empresa, utilizam-se, principalmente, indicado-


res calculados com base na Demonstração dos_s-6ultados, analisando-se os custos,
os proveitos e os resultados e a influência das variações do volume de vendas sobre
os resultados e a tesouraria.

5 — Rendibilidade de exploração (Re):

Este rácio permite efectuar uma primeira avaliação da capacidade económica da


empresa, a partir da qual se medem os efeitos e as consequências de diferentes
políticas, nomeadamente as opções de endividamento.

A rendibilidade de exploração obtém-se pelo quociente entre os Resultados de


exploração e o Activo de exploração (AE):