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Unidade de estudo 1 - Introdução à Manutenção

Unidade de estudo 1 - Introdução à Manutenção

Seção 1 - Introdução

A manutenção possui papel importante no contexto da competitividade das organizações


dentro do mercado em que atuam.

Máquinas se desgastam com o tempo, peças sofrem desajustes periódicos e máquinas não
são “seres” inanimados que ficam livres de cargas dinâmicas.

Sem um bom programa de manutenção, os prejuízos serão inevitáveis, pois máquinas com
defeitos ou quebradas são as causadoras da diminuição ou interrupção da produção, o que
gera atrasos das entregas e perdas financeiras.

Máquinas que não operam de forma ajustada aumentam os custos de produção, pois
gastam mais energia e recursos e os produtos têm grandes possibilidades de apresentar
defeitos de fabricação.
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Um alto-forno de uma empresa siderúrgica, por falta de manutenção em seus sistemas,


apresentar uma fissura, mínima que seja, que obrigue a empresa a interromper seu
processo produtivo.

Para desligar um alto-forno é necessária uma semana de operações e para religá-lo e


colocá-lo em funcionamento pleno são necessárias mais duas semanas de operação.
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Seção – 2 Um breve histórico


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Na primeira geração, as horas que as máquinas ficavam paradas para manutenção


começaram a prejudicar a produtividade.

Na segunda geração, havia o planejamento para a manutenção em busca de falhas, porém


não havia planejamento para a troca das peças que porventura estivessem danificadas.

A palavra análise então começou a circular no meio da manutenção através da análise de


vibrações, análise de ruído, análise de óleos e lubrificação, entre outras.

Na Terceira Geração reforçou-se o conceito de uma manutenção preditiva. Ou seja,


garantia- se que o equipamento correria mínimos riscos de falha.
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Seção – 3 Evolução da manutenção

Desta forma pode-se definir a evolução dos processos de manutenção da seguintes


forma:

▪▪ operação até a falha


▪▪ manutenção baseada em períodos
▪▪ manutenção planejada
▪▪ manutenção baseada em condição
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Operação até a falha

O equipamento é posto em operação não tendo sobre ele nenhum acompanhamento


com o objetivo de manter suas condições operacionais que preservem ou aumentem a
sua vida útil.

Esse modelo de manutenção durou, como estratégia única, até o fim da década de 1940,
e as ocorrências de falhas nos equipamentos ficavam sujeitas a impactar o processo
produtivo.

Da mesma maneira, era menor o grau de complexidade dos equipamentos, não


demandando serviços sistemáticos e de rotina tais como lubrificação e limpeza.

A pior maneira de gerenciar a operação de máquinas. O custo ocasionado pela parada do


equipamento é alto demais.
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Custos envolvidos na parada brusca de uma aeronave por falha

Relação de custos: Canibalizações x Atrasos x Cancelamentos de voo

Método Custo

Canibalização¹ USD 7,920.00 por peça removida


Atraso operacional USD 137,250.00 por atraso
Cancelamento de voo USD 50,000.00 por cancelamento
Valor Total USD 195,170.00

1. Canibalização: Termo aeronáutico utilizado para a remoção de peças de uma aeronave para a outra no
intuito de minimizar atrasos por falta de peças.
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Manutenção baseada em períodos

O equipamento sofre troca periódica de componentes, independentemente de sua


condição, eliminando previamente as possibilidades de falhas que o equipamento poderia
apresentar, minimizando assim os impactos no processo produtivo.

Esse modelo teve início na década de 1950, após a Segunda Guerra Mundial, quando se
verificou um processo de mecanização mais intenso nas indústrias.

Trata-se de um processo que eleva o custo de manutenção se for considerado a


quantidade de componentes existentes nas máquinas e o aproveitamento de sua vida útil.
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Manutenção Planejada

A partir da década de 1960, inicia-se uma estratégia de manutenção com base em


planejamento de atividades, com visão voltada para a prevenção de falhas através
da elaboração de planos sistemáticos de manutenção, a partir da tomada de
consciência das perdas devido às falhas de manutenção.

Como as máquinas vão ficando mais complexas, o seu custo de aquisição e sua vida
útil passam a ter muita importância, face ao custo do capital investido.

Nessa época os custos de manutenção começaram a crescer e a se destacar dentre


os custos de operação.

Dá-se início então ao planejamento e à programação de manutenção.


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Manutenção baseada em condição

Inicia-se na década de 1980, sendo uma estratégia de manutenção baseada em técnicas


de monitoramento das condições dos equipamentos, visando detectar sinais de falha
iminente.

Dessa forma é possível acompanhar os estágios de desgaste nas máquinas e aumentar o


grau de previsibilidade do momento de ocorrências indesejáveis, antecipando ações antes
da falha.

Permite eliminar também trocas desnecessárias como acontece no caso da manutenção


baseada em períodos, vista anteriormente.

Trata-se de uma forma mais barata de manter máquinas e equipamentos.


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A Manutenção Estratégica

O papel do Departamento de Manutenção é de fundamental importância visto que é ele


que dará as condições ideais, por meio dos planos de manutenção de disponibilidade,
confiabilidade e qualidade dos equipamentos.

A manutenção existe para que não haja manutenção, este é o seu conceito moderno.

Manutenção estratégica é garantir a disponibilidade da função dos equipamentos e


instalações de modo a atender um ou mais processos de produção ou de serviço,
com confiabilidade, segurança, preservação do meio ambiente e custos.

Utiliza-se para isso ferramentas de controle de qualidade, monitoramento e controle de falhas,


planejamento, sincronismos com outros departamentos da empresa e equipes bem treinadas.
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A Gestão da Manutenção

Na gestão estratégica da manutenção, várias ferramentas da gestão pela qualidade total (GQT)
têm se mostrado bastante eficazes quando aplicadas corretamente, levando a uma grande
melhoria dos resultados.

Dessa forma, é comum atualmente não se falar apenas em planos de manutenção, mas sim
em sistemas de manutenção, focados na engenharia da manutenção, que é uma evolução dos
processos até hoje utilizados nas indústrias para definir o setor de manutenção.

O Departamento de Manutenção atualmente passa a ter papel estratégico e de vital


importância nas organizações, não sendo mais o lugar onde se encontram profissionais sem
capacitação técnica para se tornar um ambiente onde todo o profissional tem de ter capacidade
técnica para identificar, analisar e resolver problemas, garantindo que não se realize apenas um
conserto, mas se eliminem problemas presentes e futuros.
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Fatores importantes em um sistema estratégico de manutenção

▪▪ Implantar uma sistemática orçamental para os serviços de manutenção;

▪▪ Identificar equipamentos que estejam operando fora de suas condições de projeto,


gerando elevada demanda de serviços, e analisar a conveniência da correção do
problema ou mesmo a sua substituição;

▪▪ Rever, continuamente, os programas de manutenção preventiva, visando à


otimização de sua frequência, considerando as novas tecnologias de manutenção
preditiva que são normalmente mais vantajosas;

▪▪ Implantar um programa de desativação de equipamentos e sistemas inoperantes,


desde que a análise de custo-benefício se mostre adequada; é o sistema 5S na
instalação industrial;

▪▪ Rever a metodologia de inspeção e procurar aumentar o tempo de campanha das


unidades ou sistemas, evitando ocorrências não planejadas;
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▪▪ Evitar operar equipamentos fora das suas condições de projeto, a menos que
os resultados empresariais mostrem ser vantajoso;

▪▪ Incrementar o acompanhamento de parâmetros preditivos, visando trabalhar


mais próximo dos limites estabelecidos e, com isso, aumentar o tempo de
campanha com confiabilidade;

▪▪ Estudar métodos para aumentar a previsibilidade das inspeções antes das


paradas das unidades, inclusive com as novas tecnologias de inspeção;

▪▪ Aumentar o uso de métodos de manutenção com o equipamento ou sistema


em operação.
Bibliografia

CUNHA, Lauro Salles. Manual prático do mecânico. 7. ed. São Paulo: Hemus, 1972.

KARDEC, Alan; XAVIER, Júlio Aquino Nascif. Manutenção: função estratégica. 2.ed.
Rio de Janeiro, RJ: Qualitymark, 2002.

PENTEADO, Branca Manassés (Org.) Mecânica: manutenção. São Paulo, SP: Globo,
c1997. 288 p. (Telecurso 2000. Profissionalizante).