Você está na página 1de 17

ARCADISMO

CONTEXTO HISTÓRICO, CARACTERÍSTICAS E


PRODUÇÃO LITERÁRIA.
ASPECTOS GERAIS
■ O nome Arcadismo tem sua origem no termo Arcárdia, correspondente a
uma região montanhosa da antiga Grécia que, segundo a mitologia grega,
seria o lar do deus Pã, onde os pastores de ovelhas produziam versos e se
dedicavam às suas tarefas.
■ Se estendendo ao longo da segunda metade do século XVIII, o Arcadismo
deixa de lado temas contemporâneos como o progresso social e político e
passa a exaltar a vida simples no campo, se opondo aos excessos do
Barroco.
CONTEXTO HISTÓRICO
■ Principais acontecimentos no período (séc. XVIII):
– Revolução industrial;
– Revolução comercial;
– Revolução francesa.
■ Marcaram a sociedade:
– Pensamento iluminista;
– Empirismo científico;
– Despotismo esclarecido.
CONTEXTO ESPECÍFICO
PORTUGAL BRASIL

Pombalismo ( 1760 – 1808 ). Ciclo do ouro.

Expulsão dos jesuítas.

Ensino laico. Nova elite mercantil.

Reforma universitária.

Perseguição à nobreza. Conjuração mineira.


CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS
■ Valorização da vida simples e campestre;
■ Inspira-se no Classicismo e na mitologia greco-romana;
■ Fingimento árcade, marcado pelo bucolismo e pastoralismo (adota
pseudônimos);
■ Mimese: a semelhança com a natureza é sinônimo de perfeição;
■ Busca pela harmonia e razão, valorizando o Bem, o Belo e o Verdadeiro;
■ Descritivismo.
PRINCIPAIS LEMAS
■ Carpe diem: aproveite o dia;
■ Locus Amoenus: lugar tranquilo;
■ Fugere Urbem: fuga da cidade;
■ Aurea Mediocritas: vida mediana, humilde;
■ Inutilia Truncat: Cortar o inútil, podar os excessos.
PRODUÇÃO LITERÁRIA
■ As poesias sempre apresentam um equilíbrio, o qual é inexistente no barroco.
■ Seu vocabulário é simples e objetivo.
■ Ainda possui alguns clichês e respeita algumas normas estéticas.
■ Subdivisões:
– Poesia satírica. Exemplo: Cartas Chilenas.
– Épica indianista. Exemplo: Uraguai e Caramuru.
AUTORES E OBRAS
EM PORTUGAL NO BRASIL

António Dinis da Cruz e Silva, autor de O Cláudio Manuel da Costa, autor de Obras
Hissope e Odes Pindáricas. Poéticas de Glauceste Satúrnio, Epicédio, Culto
Métrico e Vila Rica.

Correia Garção, autor de Teatro Novo e Tomás Antônio Gonzaga, autor de Marília de
Assembleia ou Partida. Dirceu, Tratado de Direito Natural e Cartas
Chilenas.

Leonor de Almeida Portugal, autora de A Basílio da Gama, autor de O Uraguai, Os


primavera e Recreações botânicas. Campos Elíseos e Quitúbia.
Francisco José Freire, autor de Arte Poética e Manuel Inácio da Silva Alvarenga, autor do
Vieira defendido. poema O Bosque da Arcádia.
PRINCIPAL AUTOR
■ Manuel Maria Barbosa du Bocage de pseudônimo Elmano Sadino:
– Órfão, acabou levando uma vida boêmia e aventureira;
– Inspira-se em sua amada, Gertudres, a qual se casa com seu irmão;
– Inicia como improvisador, sendo expulso do grupo de poetas tradicionais;
– Ganha reconhecimento com a publicação da obra Rimas.
■ Fases do autor:
– Árcade: poesias líricas e satíricas;
– Pré-romântica: visão pessimista do mundo.
Olha Marília, as flautas dos pastores
Olha, Marília, as flautas dos pastores,
Que bom que soam, como estão cadentes!
Olha o Tejo a sorrir-te! Olha não sentes
Os Zéfiros brincar por entre as flores?

Vê como ali, beijando-se os amores


Incitam nossos ósculos ardentes!
Ei-las de planta em planta as inocentes,
As vagas borboletas de mil cores!

Naquele arbusto o rouxinol suspira,


Ora nas folhas a abelhinha pára,
Ora nos ares sussurrando gira:

Que alegre campo! Que manhã tão clara!


Mas ah! Tudo o que vês, se eu te não vira,
Mais tristeza que a morte me causara.
Bocage.
QUESTÕES DE VESTIBULARES
1- (MACKENZIE)
Ornemos nossas testas com as flores,
e façamos de feno um brando leito;
prendamo-nos, Marília, em laço estreito,
gozemos do prazer de sãos amores (…)
(…) aproveite-se o tempo, antes que faça
o estrago de roubar ao corpo as forças
e ao semblante a graça.
(Tomás Antônio Gonzaga)
Nos versos acima:
a) O eu-lírico, ao lamentar as transformações notadas em seu corpo e alma pela passagem do
tempo, revela-se amoroso homem de meia-idade.
b) Que retomam tema e estrutura de uma “canção de amigo”, está expresso o estado de alma
de quem sente a ausência do ser amado.
c) Nomeia-se diretamente a figura ironizada pelo eu-lírico, a mulher a quem se poderiam fazer
convites amorosos mais ousados.
d) Em que se notam diálogo e estrutura paralelística, o ponto de vista dominante é o do amante
que vê seus sentimentos antagônicos refletidos na natureza.
e) A natureza é o espaço onde o amado se sente à vontade para expressar diretamente à amada
suas inclinações sensuais.
2- (ENEM 2016)
Soneto VII
Onde estou? Este sítio desconheço:
Quem fez tão diferente aquele prado?
Tudo outra natureza tem tomado;
E em contemplá-lo tímido esmoreço.
Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço
De estar a ela um dia reclinado:
Ali em vale um monte está mudado:
Quando pode dos anos o progresso!
Árvores aqui vi tão florescentes
Que faziam perpétua a primavera:
Nem troncos vejo agora decadentes.
Eu me engano: a região esta não era;
Mas que venho a estranhar, se estão presentes
Meus males, com que tudo degenera.
(COSTA, C.M. Poemas. Disponível em www.dominiopublico.gov.br. Acesso em 7 jul 2012)
No soneto de Claudio Manuel da Costa, a contemplação da paisagem permite ao eu lírico uma reflexão em que
transparece uma:
(A) angústia provocada pela sensação de solidão.
(B) resignação diante das mudanças do meio ambiente.
(C) dúvida existencial em face do espaço desconhecido.
(D) intenção de recriar o passado por meio da paisagem.
(E) empatia entre os sofrimentos do eu e a agonia da terra.
3- (ENEM 2015)
Casa dos Contos
& em cada conto te cont
o & em cada enquanto me enca
nto & em cada arco te a
barco & em cada porta m
e perco & em cada lanço t
e alcanço & em cada escad
a me escapo & em cada pe
dra te prendo & em cada g
rade me escravo & em ca
da sótão te sonho & em cada
esconso me affonso & em
cada claúdio te canto & e
m cada fosso me enforco &
(ÁVILA, A. Discurso da difamação do poeta. São Paulo: Summus, 1978.)
O contexto histórico e literário do período barroco- árcade fundamenta o poema Casa dos
Contos, de 1975. A restauração de elementos daquele contexto por uma poética
contemporânea revela que:
(A) a disposição visual do poema reflete sua dimensão plástica, que prevalece sobre a
observação da realidade social.
(B) a reflexão do eu lírico privilegia a memória e resgata, em fragmentos, fatos e
personalidades da Inconfidência Mineira.
(C) a palavra “esconso” (escondido) demonstra o desencanto do poeta com a utopia e sua
opção por uma linguagem erudita.
(D) o eu lírico pretende revitalizar os contrastes barrocos, gerando uma continuidade de
procedimentos estéticos e literários.
(E) o eu lírico recria, em seu momento histórico, numa linguagem de ruptura, o ambiente de
opressão vivido pelos inconfidentes.
4- (ENEM 2008)
Torno a ver-vos, ó montes; o destino (verso 1)
Aqui me torna a pôr nestes outeiros,
Onde um tempo os gabões deixei grosseiros
Pelo traje da Corte, rico e fino. (verso 4)
Aqui estou entre Almendro, entre Corino,
Os meus fiéis, meus doces companheiros,
Vendo correr os míseros vaqueiros (verso 7)
Atrás de seu cansado desatino.
Se o bem desta choupana pode tanto,
Que chega a ter mais preço, e mais valia (verso 10)
Que, da Cidade, o lisonjeiro encanto,
Aqui descanse a louca fantasia,
E o que até agora se tornava em pranto (verso 13)
Se converta em afetos de alegria.
Cláudio Manoel da Costa. In: Domício Proença Filho. A poesia dos inconfidentes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar,
2002, p. 78-9.
Assinale a opção que apresenta um verso do soneto de Cláudio Manoel da Costa em que o poeta se dirige ao seu
interlocutor.
a) “Torno a ver-vos, ó montes; o destino” (v.1)
b) “Aqui estou entre Almendro, entre Corino,” (v.5)
c) “Os meus fiéis, meus doces companheiros,” (v.6)
d) “Vendo correr os míseros vaqueiros” (v.7)
e) “Que, da Cidade, o lisonjeiro encanto,” (v.11)
5- (UFPR)
“Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
Que vive de guardar alheio gado;
De tosco trato, de expressões grosseiro,
Dos frios gelado e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal e nele assisto
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
E mais as finas lãs, de que me visto.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!”
O texto tem traços que caracterizam o período literário ao qual pertence. Uma qualidade patente
nesta estrofe é:
a) o bucolismo;
b) o misticismo;
c) o nacionalismo;
d) o regionalismo;
e) o indianismo.
COMPONENTES
■ Ana Clara
■ Michelle Teodoro
■ Raquel Luiz