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Obras Completas do Pe. Leonel Franca S.

O MÉTODO PEDAGÓGICO DOS JESUÍTAS


O "RATIO STUDIORUM"

Rio de Janeiro: Livraria AGIR Editora, 1952

http://alexandriacatolica.blogspot.com/
Fonte: Obras Completas do Pe. Leonel Franca S.J
O Método Pedagógico dos Jesuítas – O “Ratio Studiorum” Introdução e Tradução.
Rio de Janeiro: Livraria AGIR Editora, 1952
HISTEDBR - Grupo de Estudos e Pesquisas "História, Sociedade e Educação no
Brasil"

* permitido o uso e reprodução para fins educacionais

Digitação elaborada por Luciana Aparecida da Silva


O MÉTODO PEDAGÓGICO DOS JESUÍTAS
O “Ratio Studiorum”
INTRODUÇÃO
Padre Leonel Franca S.J.
No desenvolvimento da educação moderna oRatio Studiorum ou Plano de
Estudos da Companhia de Jesus desempenha um papel cuja importância não é
permitida desconhecer ou menosprezar.
Historicamente, foi por esse Código de ensino que se pautaram a organização
e a atividade dos numerosos colégios que a Companhia de Jesus fundou e dirigiu
durante cerca de dois séculos, em toda a terra. Ordem consagrada ao ensino pela
Constituição escrita por seu próprio fundador, a Companhia, onde quer que
entrasse a exercer os seus ministérios, instituía logo e multiplicava rapidamente os
seus
(1773)estabelecimentos
por Clemente XIV,de aensino.
OrdemEm de 1750,
Inácio poucos anoscolégios
dirigia 578 antes de suaseminários,
e 150 supressão
1[1]
ao todo, 728 casas de ensino . Esta imensa atividade pedagógica, com a sua
incoercível influência e espontânea irradiação sobre outros colégios e outros
sistemas educativos que se iam formando e desenvolvendo ao seu lado, não pode
deixar de oferecer ao historiador da educação ocidental um interesse de primeira
importância.
Pedagogicamente, a aplicação doRatio foi coroada em toda parte, de um êxito
incontestável. Confessam-no todos os escritores desapaixonados, ainda os menos
simpáticos aos jesuítas. E se a árvore se conhece pelos frutos, aí estão eles
numerosos e sazonados, a atestar-lhe a boa seiva e fecundidade. Não só a obra
educativa dos colégios da Companhia foi um dos fatores mais eficientes da contra-
reforma católica, senão também ela se acha ligada grande parte da aristocracia
intelectual dos últimos séculos. Na França. S. Francisco de Sales, Corneille, Moliere,
Fontenelle, Descartes, Bossuet, Monstesquieu, Malesherbes, Rousseau, La
Condamine, Diderot, Buffon, Langrage, Richelieu, Conde, Cauchy, Flechier, Fleury,
Lamartine, Foch; na Espanha, S. João da Cruz, Cervantes, Calderón, Lope de Veja,
José Zorrila, Rubem Dario, Ramon Jimenes; na Itália, Tasso, Alfiere, Vico, Goldoni,
Segneri, Bartoli, Prospero Lambertini (Bento XIV); na Bélgica, Justo Lipsio; na
Irlanda, O´Connel; em Portugal e na América Latina, Antonio Vieira, João de
Lucena, Baltazar Teles, Zorrilla de S. Martin, para não lembrar senão estrelas de
primeira grandeza, saíram dos Colégios da Companhia. Estudar, portanto, um
sistema pedagógico eu tem em seu abandono a prova decisiva de uma experiência
multissecular não é porventura empreender um trabalho com a segurança dos
resultados mais positivos, com a certeza de deparar muitos destes elementos da

1[1]
G. M. Pachtler, Ratio Estudiorum et Institutiones Scholasticae Societatis Jesu, Berlim, 1887, t.
I, p. XX. Na Assistência alemã, na mesma data, os colégios assim se distribuíam pelas diferentes
províncias: Província alemã Superior, 27; Província do Reno Superior, 16; Província do Reno Inferior,
17; Província da Áustria, 31; Província da Boêmia, 26; Província de Flandres, 28; Província Flandro-
gálica, 18; Província da Polônia, 24; Província da Lituânia, 20; Província inglesa, 10; Id., loc. cit. Ao
todo, na Europa Central, 217 colégios.

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pedagogia perene que mergulha as suas raízes nas profundezas da própria
natureza humana? Quantos problemas agitados pelos educadores modernos
encontrariam, talvez, num principio ou numa sugestão do Ratio, a inspiração bem-
vinda de uma solução feliz? A Historia e a Ciência da educação tem, portanto, no
Plano de Estudos da Companhia de Jesus, um instrumento de trabalho de primeira
necessidade e de incontestáveis vantagens.
As grandes línguas modernas já possuem traduções acessíveis do srcinal
latino2[2]. Esforçamo-nos por agora, para ministrar aos estudiosos de língua
portuguesa uma versão vernácula do importante documento, em que a exatidão fiel
e a simplicidade
Para melhorfluente fizessem
inteligência do boa aliança.
texto, julgamos oportuno, em breve introdução,
indicar a srcem, as fontes e as grandes linhas características doRatio.

ORIGENS
A instituição de colégios para estudantes não pertencentes à Ordem não
entrava no plano primitivo de Inácio, mas bem depressa se lhe impôs como uma
necessidade quase indeclinável e um instrumento eficaz de renovação cristã muito
em harmonia com as suas altas finalidades e com a inclinação espontânea de
Inácio. A fundação em Goa por S. Francisco Xavier do primeiro colégio para
externos em 1543 e a doação em 1544 de 5. Francisco de Borja, então duque de
Gandia, para a abertura nesta cidade de um colégio, transformado, em 1547, em
Universidade ou Studium generale, enveredaram a nova Ordem pelo caminho de
sua missão educativa.
Colégio
da cidade dedeMessina,
Messina.S.- Mas foi aceitou
Inácio em Agosto de 1548,
e abriu nestaque, a pedido
cidade do Vice-Rei
o primeiro e
Colégio
clássico da Companhia plenamente organizado (em Gandia só havia estudantes de
filosofia em 1546; em 1548, acresceram duas aulas de gramática, fechadas pouco
depois e reabertas mais tarde).
Para a nascente instituição enviou o Fundador um manípulo de padres de rara
valia, Jerônimo Nadal, Reitor e professor de hebreu, Pedro Canísio, de retórica,
André Frusius (des Freux) 3[3] de grego, Isidoro Bellini, de lógica, João Batista
Passeriní, Anibal Du Coudret e Benedito Palmio, respectivamente da 3o., 2o. e 1 o.
classe de gramática . O corpo docente apresentava um caráter acentuadamente
cosmopolita: italianos, espanhóis, franceses e alemães nele se achavam
representados. A todos, porém, unia, além dos vínculos de fraternidade religiosa,
um traço comum de afinidade cultural. Com exceção de Canísio, que estudara na
Universidade de Colônia, os demais se formaram em Paris.

2[2]Em alemão, há pelo menos 4 versões doRatio. A primeira é a de Hayd, Der Societät Iesu Lehr
und Erziehungs Plan, 1835, t. II, 3-95, incompleta, e de acordo com a revisão de 1832; a Segunda, mais
completa, mas só do texto antigo de 1599, encontra-se em Bus, Die Gesellschaft Jesu, ihr Zweck ihre
Satzungen, Geschichte, Áuf gabe und Stellung in der Gegenwart, 1853, t. 1, pp. 423-516. Pachtler
publicou na Coleçao Monumenta Germaniae Paedagogica, II, pp. 225-481, o texto srcinal do Ratio, nas
duas redações de 1599 e 1832 e a respectiva versão alemã. Mais tarde, B. Duhr deu-nos provavelmente a
melhor tradução alemã do Ratio, no seu Díe Studíenordnung der Gesellschaft Iesu, Freiburg 1. Br. 1896,
pp. 177-280. Recentemente apareceram nos Estados Unidos duas versões inglesas do Ratio, a primeira de
W. J. McGuken, The Jesuits and education, New York, 1932, Apêndice, pp. 271-318, abrange só as
regras das escolas inferiores (=curso secundário), de acordo com a revisão de 1832, a outra, completa,
feita sobre o texto antigo de 1599, é de A. R. Ball, e encontra-se na obra editada por E. A. Fitzpatrick , St.
Ignatius and the Ratio Studiorum, New York, 1933, pp. 119-254.
3[3]
Numa carta ao padre Francisco Palmio que pedia ao Santo a abertura de um colégio em
Bolonha, escreve Polanco: “Res Ignatio placuit, qui, ad juventutis bene instituendae in spiritu et litteris
ratione, semper fuit valde propensus”. Chronicon Societatis Jesu, II, 195. Ribadeneira, na vida de S.
Inácio, enumera “las causas e motivos que tuvo Nuestro Bienaventurado Padre para instituir estos
colegios y escuelas, y abrazar côn tanto cuidado una occupaccion que un cabo es muy trabajosa y
molesta”. Vida del B. P. Ignacio de Loyola,L. III, c. 24, p. 356.

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E Paris foi o modelo escolhido pelos Padres na organização do seu primeiro
grande colégio. Em matéria de repetições, disputas, composições, interrogações e
declamações, o método adotado e seguido foi deliberadamente o de Paris, omodus
parisiensis, que aparece constante e freqüente na correspondência destes tempos
primitivos. Numa proclamação lançada em Messina no ano de 1584, por um
cidadão de nome Pedro Spira, lê-se na parte relativa aos estudos, provavelmente
elaborada por Nadal e seus companheiros, a palavra de ordem: “Seguitando il
modo et ordine Che s´usa in Priggi, essendo il meglio Che tenere si possa per
facilmente et perfectamente diventare dotto nella língua latina”.
O êxito obtido,
contemporâneos, nesta primeira
foi consolador. experiência,
Em Dezembro a julgar
de 1548 Nadalpelos documentos
escrevia a Inácio
que se tornara necessário abrir mais uma aula de gramática porque os alunos
passavam de 1804[4]. No ano seguinte, já eram 214, sem contar os dos cursos
superiores de nível universitário5[5]. Num relatório enviado a Roma, forçando-se
talvez o otimismo, dizia-se haver os pais averiguado que os seus filhos, em poucos
6[6]
meses de novo colégio, tinham aprendido mais que antes, em vários anos .
Destas primeiras experiências, Nadal ia arquivando os resultados preciosos.
Em 1551 já encontramos redigido um primeiro plano de estudos que será lodo
enviado a Roma e de Roma, com o tempo, a outros colégios que se irão fundando.
Pouco depois, muito provavelmente no ano seguinte, terminou ele o seu tratado
intitulado De Studio Societatis Jesu,onde já se encara a organização completa dos
estudos, desde as classes de gramática até as faculdades superiores de caráter
universitário7[7].
Colégio de Palermo. – O exemplo de Messina foi contagioso. Em 1549, a
cidade de Palermo dirigia um apelo a Inácio, solicitando a instituição de um Colégio,
irmão
aulas do
de de Messina. freqüentadas
gramática O fundador atendeu
por 160o pedido
alunos.e Com
em Novembro
pequenasjámodificações
se abria, as
sugeridas pela prática, o método adotado foi o de Messina.
Colégio Romano. - À vista do rápido incremento da obra educativa da Ordem
recém-fundada, concebeu Inácio o projeto de abrir em Roma um grande colégio
que viesse, com os anos, a servir de centro de modelo das instituições congêneres
disseminadas pelo mundo. Nenhum lugar mais indicado para a realização deste
desígnio que a Cidade Eterna, centro da cristandade, residência das autoridades
supremas da Ordem, ponto de afluência de bispos e príncipes, de homens de
autoridade e homens de doutrina do mundo cívi1izado. A nova instituição prestaria,
outrossim, às fundações seguintes o grande benefício de uma como Escola Normal
Superior, prepararia, entre os estudantes da Ordem, os futuros professores,
adestrando-os nos melhores métodos e pondo-os em contato imediato com os
educadores maia abalizados.
Em princípios de 1551, graças a uma doação de Francisco de Borja, então
Duque de Gandia, o projeto de Inácio já era realidade. Numa casa alugada em Via
del Campidoglio lia-se, numa tabuleta, a seguinte inscrição: Scuola di grammatica,
d’humanita e di dottrina crístiana, grátis. Estava fundado o Colégio Romano. À
frente de 14 jesuítas lá se achava o primeiro Reitor P. Pelletier, pouco depois
transferido para Ferrara e substituído pelo P. Bernardo Olivier.
Não obstante oposições bairristas, os progressos da nova fundação foram
rápidos e substanciais. Antes do encerramento do primeiro ano os alunos já
passavam de 300 e o colégio devia transferir-se para local mais amplo. Em 1553,
aos cursos de humanidades e retórica acrescentavam-se às faculdades de filosofia e
teologia. Oito anos mais tarde, em 1561, o número crescente de estudantes
impunha nova mudança de casa. Neste ano matricularam-se 750 alunos; 368 nas
aulas de gramática; 130 em humanidades e retórica, os demais em filosofia e

4[4]
Litterae quadrimestres, I, 128.
5[5]
Chronicon, I, 371, 372.
6[6]
Chronicon Soc. II, 37.
7[7] O Tratado encontra-se publicado noMonumenta Paedagogica Societatis Jesu, pp. 89-107.

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teologia. Em 1561 subiam a mil e em 1587 a dois mil. Ao lado dos estudantes
externos avultavam-se também os candidatos da Companhia que afluíam de quase
todas as províncias da Ordem, Itália, Espanha, Portugal, Bélgica e Germânia. O
número de jesuítas que regiam as aulas de humanidades, filosofia e teologia de 43
em 1553 elevava-se dez anos mais tarde a 218.
O corpo docente, para preencher as finalidades que Inácio tinha em vista, era
muito escolhido e, sem exclusivismos de nacionalidades, recrutado nas diferentes
nações com critério único de competência e eficiência. Logo nos primeiros anos,
encontramos entre os seus professores, nomes de primeiro valor, como Ledesma,
Emanuel de
Baltasar Sá,Torres
Perpiniani, Gagliardi,
e outros. Frusius,
Mais tarde, Ribadeneira,
ainda, porém, no Cardulo,
primeiro Olave Costa,de
meio século
sua existência que precedeu a elaboração definitiva doRatio ilustraram as suas
cátedras os mestres insignes de reputação universal, que se chamaram Belarmino e
De Lugo, Suarez e Vasquez, Toledo e Clavio, Cornelio a Lapide e Mariana.
Quanto ao plano de estudos e programa de ensino, adotou-se inicialmente no
Colégio Romano, o que já havia provado em Messina, o modus parisiensis,
manifestamente preferido por Inácio ao modus italicus apesar da oposição de
algumas autoridades romanas. A pedido do fundador, P. Nadal, por meio do P.
Coudret, enviou em julho de 1551 uma descrição completa do currículo e dos
métodos seguidos no Colégio siciliano. Este primeiroRatio Studiorum, mais tarde
enviado de Roma para os estabelecimentos que iam fundando nos diferentes paises
da Europa, é freqüentemente citado comomos et ratio Colegii Romani. É um dos
primeiros esboços do futuroRatio, a contribuição de Nadal para a organização dos
estudos em Roma devia ainda ser mais preciosa e mais pessoal. De 1552 a 1557
ele percorreu quase toda a Europa como delegado do Inácio para explicar e
promulgar as Constituições
teve o ensejo de observarda Ordem, ultimadasde
e o encargo em uniformizar
1552. Nestasa longas excursões
organização e
funcionamento dos colégios então já existentes em Portugal, Espanha e Germânia.
De volta dessas viagens, foi nomeado Prefeito dos Estudos no Colégio Romano,
cargo que desempenhou de 1557 a 1559; mais tarde, de 1564 a 1566, governou
como Reitor o mesmo Colégio. Foi provavelmente nesta época que, enriquecido da
mais larga experiência, reviu o plano do seu De Studiis Societatis, escrito em
Messina, e elaborou a nova Ordo Studiorum, posto em execução durante o seu
reitorado8[8].
O trabalho iniciado por Nadal, homem de raras qualidades de organizador,
devia ser continuado por Ledesma, o prefeito de estudos ideal. Formado nas
universidades de Alcalá, Paris e Lovaina, talento de rara maleabilidade que discutia
e elaborava com igual competência a estrutura de uma faculdade de teologia e a
sistematização de um curso de humanidades. Ledesma entrou em 1557 para o
corpo docente do Colégio Romano e nele, com breves interrupções, permaneceu
como professor ou como diretor de estudos, ata a morte em 1575. Sua missão foi
rever e ampliar o programa de estudos em vigor no Colégio Romano desde a sua
fundação. Ledesma pôs a serviço desta importante tarefa o seu raro talento, a sua
9[9]
ampla experiência e colaboração amiga de seus colegas de magistério . Dos 132
documentos publicados no volume doMonumenta Paedagogica, 59 foram por ele
atentamente transcritos ou anotados e corrigidos. Deste imenso trabalho fecundado
por uma larga experiência10[10] saiu o seu De ratione et ordine Studiorum Collegii
8[8]
O Ordo Studiorum foi editado incompleto, por Pachtler, Ratio Studiorum, I, pp. 200-205, 249-
263 e na sua integralidade, de acordo com o manuscrito de Nadal, no Monumenta paedagogica, pp. 107-
140.
9[9]
Além da sua formação universitária ma Espanha, França e Bélgica, Ledesma, ao tomar parte na
dieta de Augsburgo em 1566, teve oportunidade de visitar vários colégios da Itália e da Germânia em
plena atividade.
10[10]
Ledesma sublinha a importância das lições da experiência própria e dos seus colegas de
magistério, na necessidade da elaboração do Ratio. “Experientia quam habui per tres annos in hoc
colégio... et in aliis collegiis quae vidi Societatis. Consillia frequentia eorum praeceptorum quos novi et
quidem optmorum ut Perpigniani et aliorum, in hoc collegio”. Mon. Paedagogica, p. 313.

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Romani, que, na sua intenção, devia servir de norma a todos os Colégios da
Companhia. Concebida num plano grandioso e compreensivo, a obra não pôde
infelizmente ser levada a termo por seu autor, colhido pela morte em 1575. Ainda
assim, representa a maior contribuição individual na elaboração do Ratio definitivo
de 159911[11].
Enquanto em Roma se consolidava e desenvolvia a casa central de estudos da
Ordem, nos outros teatros de sua atividade se iam multiplicando, com ritmo
acelerado, os colégios. Já em 1553, S. Inácio chamava a atenção sobre a
necessidade de não aceitar precipitadamente novas fundações. A mesma
advertência
73 e em 1565 foi pela
repetida em 1558
Segunda pela Primeira
Congregação GeralCongregação Geral
no Decreto 8. Masno
asseu Decreto
necessidades
prementes da Igreja, na época agitada da contra-reforma, as solicitações instantes
de autoridade eclesiásticas e civis, os êxitos incontestavelmente obtidos e o
entusiasmo de uma expansão juvenil passaram, não raro, por cima das restrições
ditadas pela prudência dos Superiores. Quando faleceu S. Inácio já a Companhia
contava colégios na Itália, na Espanha, na Áustria, na Boêmia, na França e em
Portugal, ao todo 33 colégios em atividade e 6 outros já por ele formalmente
aceitos12[12]. Na aurora do século XVI, pouco depois de promulgado o seu Código de
ensino, já eram 293 os colégios dirigidos pelos jesuítas, deles, 37 no ultramar; e
em 1615, ao falecer Aquaviva, o grande promotor e promulgador doRatio, o seu
número ascendia 373. E, no entanto o próprio Aquaviva, numa carta aos delegados
da província siciliana, declara que só nos quatro primeiros anos do seu governo
(1581-84), recusara mais de 60 pedidos de Colégios na Europa.
Os colégios multiplicavam-se em número e avultavam em importância. Muitos
dentre eles, no curto prazo de poucos anos, tornavam-se os centros de cultura
humanista maisO reputados
demonstrá-lo. da cidade
primeiro colégio ou da região.naFrança,
da Companhia, Algumasfoi
cifras, apenas,
aberto para
em Billom,
em 1556, com 500 alunos, três anos depois já contava 800 e quatro anos mais
tarde, em 1563, 1600. O célebre Colégio de Clermont, em Paris, matriculara, em
1581, 1200 alunos, e após cinco anos, 1500. NaGermania, mesma expansão. Em
1581, Mogúncia contava 700 alunos, Treviri 1.000 e em Colônia as matrículas
passavam de 560 em 1558 a 1.000 em 1581.Portugal não se deixou vencer pelas
nações maiores. Em Lisboa os alunos passavam de 1.300 em 1575 a quase 2.000
em 1588; em Évora de 1.000 em 1575 cresciam a l.600 em 1592; e em Coimbra os
estudantes que freqüentavam o Colégio das Artes regulavam por 1.000 em 1558 e
em 1594 por 2.000!
A impressão que se desprende da visão panorâmica dos fatos é a nova
Ordem, em pouco tempo, pelo número e pela valia de seus colégios, se afirmou, no
campo pedagógico, como uma instituição plenamente vitoriosa. Os testemunhos
antigos mais autorizados e menos suspeitos corroboram esta convicção. É
conhecida a frase incisiva de Bacon: “No que concerne a Pedagogia basta uma
11[11]
A obra incompleta de Ledesma foi publicada noMonumenta Paedagogica n. 31, pp. 338-451
– Do nº 14 a 22 se encontraram sete estudos do mesmo autor preliminares à grande síntese. Não tivemos
aqui sequer de longe a intenção de resumir a História do Colégio Romano. Indicamos apenas alguns fatos
importantes, indispensáveis à melhor inteligência da elaboração gradual do Ratio e o papel que nela
desempenha o grande centro de estudos da Companhia de Jesus em Roma. O Colégio Romano, como é
sabido, continuou através dos séculos suas história gloriosa. Hoje, sob o nome de Universidade
Gregoriana, é o maior centro de estudos religiosos das Igreja. Conta 8 Faculdades, de Teologia, Filosofia,
Direito Canônico, História Eclesiástica, Missiologia, Sagrada Escritura, Oriente Antigo, Oriente Moderno
e um Instituto de Cultura Superior Religiosa para os Leigos. Na linha de suas tradições, o corpo docente –
mais de 100 professores em 1938-9 – é recrutado entre mais de 20 nações e os seus alunos – 2367 no
mesmo ano – pertencem a 50 nações e representam mais de 500 dioceses e 67 ordens e congregações
religiosas. Dos seus bancos saíram 13 Papas e centenas e centenas de Cardeais, Bispos, Superiores de
Ordens religiosas, etc.
12[12]
Para a lista exata, reconstruida sobre as fontes, dos colégios abertos em vida de S. Inácio,
cfr. A. P. Farreli, The Jesuít Code of Liberal Education, Milwaukee, 1938, pp. 431-435.

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palavra: consulta a escolas dos jesuítas; não encontrarás melhor”13[13]. O célebre
humanista Aldo Manucio, dedicando ao Colégio Romano a sua edição de Salústio,
confessa que, de tudo quanto vira em Roma, nada o havia impressionado tanto
quanto a dignidade acadêmica e a ordem do Colégio Romano14[14]. Na sua Histoíre
de Sainte-Barbe, Quicherat confessa que, em Paris e em toda a França, os jesuítas,
no terreno educativo, conquistaram o primado com tal facilidade e rapidez que se
lhes podia aplicar a palavra célebre: vim, vi e venci15[15].
Esta expansão célebre e dilatada criava, porém, numerosos problemas de
organização e governo que deviam ser encarados com firmeza e resolvidos com
energia.Romano,
Colégio Em geral, o planouma
construíra de estudos, elaborado
primeira norma em Messina
orientadora e desenvolvido
das novas fundações. ia
A diversidade dos costumes regionais e a variedade dos homens não tardaram em
introduzir-lhes alterações mais ou menos profundas. Para estabilizar o governo dos
colégios adotou-se, durante algum tempo, o alvitre das visitas de Comissários
Gerais, diríamos hoje, os inspetores de ensino, incumbidos de manter, quanto
possível, a uniformidade de estrutura e desenvolver a eficiência da obra educativa
da Ordem. Durante 15 anos desincumbiu-se desta tarefa o infatigável P. Nadal.
Encarregado em 1552 de promulgar e interpretar as Constituições, ele percorreu
quase toda a Europa, levando ao mesmo tempo a missão de inspecionar e
organizar os estudos. Espanha e Portugal, Itália e França, Áustria e Boêmia, Bélgica
e Alemanha foram por ele percorridas co alguns intervalos nos três lustros que vão
de 1553 a 1568.
Outros visitadores continuaram esta missão delicada. Gonzales Davila e João
de Montoia, Everardo Mercuriano e Polanco, Maldonado e Olivério Manareu foram
dos mais notáveis e ainda possuímos numerosas instruções pedagógicas por eles
deixadas aos colégios
O regime visitados16[16]
das inspeções .
periódicas não podia, porém, constituir a solução
definitiva e normal do problema. A multiplicidade dos visitadores e o intervalo das
visitas deixavam largo campo à ação dispersiva das forças centrífugas do sistema.
Acentuava-se, de dia para dia, imperiosa e inadiável, a necessidade de um código
de ensino que se impusesse com a autoridade de uma lei e assegurasse a
semelhança e a unidade de orientação da crescente atividade educativa da Ordem.
Constituições. – Existia, é certo, a IV parte das Constituições em vigor desde
1552. Nela traçara o fundador as linhas mestras da organização didática e,
sobretudo, sublinhara o espírito que deveria animar toda a atividade pedagógica da
Ordem. É fácil prever a influencia decisiva de um documento desta natureza, saído
da pena do próprio S. Inácio, exercerá em todo o desenvolvimento futuro do ensino
jesuíta. Como bem observa Fouqueray, a IV parte das Constituições é “un abrégé
de la doctrine pédagogique de la Compagnie”17[17].
Mas pela sua própria natureza e pela vontade expressa de Inácio as diretivas
traçadas nas Constituições não eram, nem deviam substituir, um plano
pormenorizado de estudos e um código prático de leis que facilitasse e
uniformizasse a organização viva. Éo próprio Inácio nas próprias Constituições que
determina se elabore um Estatuto em que se trace, por miúdo, quanto se refere à
ordem e ao método dos estudos nos colégios e faculdades. UmRatio Studiorum, na
intenção do Fundador, deverá ser o complemento natural e indispensável das
Constituições 18[18]. Só uma codificação de leis e processos educativos poderia

13[13]
Bacon, De dignítate et augmento scientiarum, L. III e. 4.
,

14[14]
"Colegii vestri dignitas et ordo”. Ver todo o trecho em E. Rinaldi, La Fondazíone del Collegio
Romano, Arezzo, 1914, p. 11.
15[15]
Quicherat, Histoíre de Sainte-Barbe, II, c. IV, p. 52.
16[16]
Muitas já publicadas podem ver-se em Pachtler, Ratio Studiorum, I, e no Monumenta
Paedagogica.
17[17]
F ouqueray, Histoíre de la Compagnie de Jesus en France,t. II, p. 692.
18[18]
“De statutis Lectionum horis, ordine ac methodo, et de exercitationibus tam compositionum
(quas a magistris emendari oportet), quam disputationum in omnibus Facultatibus, et pronuntiandi publice

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evitar o grave inconveniente das mudanças freqüentes que a grande variedade de
opiniões e preferências individuais acarretaria, com a sucessão de professores e
prefeitos de estudos. Só um texto autorizado e imperativo, elaborado por uma
experiência amadurecida, cortaria pelas tentativas infrutíferas dos que ensaiavam
as primeiras armas nas lides do magistério.
Por um plano de estudos assim, particularizado e distinto, fixo e imposto pela
autoridade competente, já clamava Ledesma, numa memória apresentada ao R. P.
Geral 19[19].
Para que se leve adiante e se ultime o trabalho iniciado, insistirão mais tarde,
num parecer
ensino, coletivo,
uniforme os padres diziam
e sistemático, da província renana.
eles, traria Um plano
imenso de estudos
beneficio à Igrejaeede
à
Companhia 20[20].
O Ratio de 1586. - Os primeiros ensaios de sistematização geral dos materiais
pedagógicos acumulados remontam a um período anterior a 1586. A segunda e a
terceira Congregação Geral, reunidas em 1565 e 1573, já nos falam de um corpo
de regras gerais conhecidas com o nome tirado das palavras iniciais deSumma
Sapientía. Tratava-se de uma coletânea de diretivas e ordenações, fruto da ex-
periência e dos trabalhos de Ledesma, Nadal, e dos professores do Colégio Romano
21[21]
.
Everardo Mercoriano, quarto Geral, deu um passo adiante. A quanto nos
informa Sacchini, um dos mais autorizados historiadores da Ordem, esboçou ele em
1577 uma legislação geral e uniforme para toda a Companhia codificando as regras
de vários ofícios administrativos dos Colégios. Dois anos depois encontramos, com
efeito, as regras de Mercoriano, utilizadas por Maldonado como base de seu
memorial deixado após a sua visita de Inspeção ao Colégio de Clermont, em Paris.
Eram passos importantes
Constituições no caminho
e na sistematização do código
de um desenvolvimento orgânico da o4. parte das
geral no ensino.
Estavam, porém, reservado ao P. Cláudio Aquaviva, homem de ação enérgica
e decidida, a glória de levar a termo a delicada e árdua tarefa. Eleito Geral da
Ordem, em 1581, nomeou, durante a própria Congregação Geral que o acabava de
eleger, uma comissão de doze membros para elaborar uma fórmula dos estudos,
ad confecíendam formulam studiorum22[22].Os membros escolhidos, pertencentes a
seis nacionalidades, eram os seguintes: Maldonado, Acosta, Ribera, Deza e Egidio
Gonzalez, espanhóis; Gagliardi e Adorno, italianos; Pedro da Fonseca e Sebastião
de Morais, portugueses; Le Clerc, belga; Coster, alemão; Sardi, napolitano. Esta
comissão, porém, apesar de primeiro valor, como Maldonado, Gagliardi, Pedro da
Fonseca, não chegou, ao que sabemos, a começar os seus trabalhos. Talvez o
número excessivo de vogais lhe dificultasse a reunião. O fato é que em 1584,
Aquaviva nomeava outra comissão, esta composta de seis membros das principais
nações da Europa e das mais importantes províncias da Ordem. Eram eles: João

orationes eI carmina, speciatim in quodam Tractatu per Generalem Praepositum approbato, agetur
seorsum, ad quem haec Constitutio nos remittit”. Constitutiones 5. J. P. IV, e. XIII
.

19[19]
“Scribatur liber, in quo distincte el particulatim contineatur totus ordo studiorum, tum hujus
collegii, tum caeterorum...et adhibito judicio setentia superiorum, ille statuatum servandus, immutandus
omnino nisi de summo Patrum consilio”. Mon. Paedag., p. 143.
20[20]
“Magnopere laudandum censuere admodum R. P. N. institutum de uniformi et conspirante
tum docendi tum discendi ratione instituenda, ideoque et ipsum etiam atque etiam rogatum voluerunt, ut,
quod ad summam Societatís utilitatem, Ecclesiaeque totius commodum caepsset absolvere, absolutumque
studiose conservare dignaretur”. MS. Rhenarorum Patrum Indicium, folio 242. Citado por A. P. Farrell,
Op. Cit., p. 259. Ver outras manifestações no mesmo sentido, das províncias alemãs, em Pachtler, Ratio
Studiorum, t. II. p. 5-6.
21[21]
“Regulae generales quae incipiunt: Summa Sapientia integrae conserventur”. Decreto 57 da
2a. Congregação Geral. (Institutum Societatis Jesu, ed. Florentiae, II. 206). Da 3a. Congregação ver o
Decreto 27, ibid. p. 225.
22[22]
“Anno 1577 intentus in unam totius Societatis administrationem perfectionemque Everardus
Romae monita legesque peculiarum munerum cum assitentibus condit et perficit”. Sacchini, Historiae de
Societatis Jesus, Pars IV, p. 136. O memorial de Maldonado emMon. Paedag. Pp. 710-715.

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Azor, da Espanha; Gaspar Gonzales, de Portugal; Jacques Tirie, da França; Pedro
Busen (Buys), da Áustria; Antônio Ghuse (Gusano), da Germânia; Estevam Tucci,
de Roma. Os novos delegados meteram ombros à empresa com decisão e vigor.
Três horas no dia consagravam a consultas e discussões; o resto do tempo à leitura
e ao estudo do acervo vultoso de documentos que lhes havia sido submetido à
apreciação: estatutos e regulamentos de universidades e colégios, ordenações,
usos e relatórios das diferentes províncias; costumes locais; princípios disciplinares,
numa palavra, todo o imenso material pedagógico que se acumulara em mais de 40
anos de experiência e que agora entrava na fase, da codificação definitiva.
mesesIniciados 8 de Dezembro
depois, em Agosto de 1585. de
O P.1584
Geralosleu-o
trabalhos estavam
com os concluídos deu-o
seus assistentes, nove
a examinar a uma comissão de professores do Colégio Romano e, não satisfeito
ainda, resolveu submetê-lo a um estudo critico de toda a Companhia. Impresso
para uso interno, foi o Ratio enviado em 1586 a todos os Provinciais, acompanhado
de uma circular de Aquaviva. Nela se recomendava que em cada Província se
nomeassem pelo menos 5 padres abalizados no saber e na prudência para que,
desembaraçados, estudassem a nova fórmula dos Estudos, primeiro em particular,
depois em consultas e, por fim, redigissem livremente o seu parecer, a ser
23[23]
remetido para Roma dentro de cinco ou seis meses .
Como se vê pela circular de Aquaviva, esta primeira edição doRatio não tinha
caráter definitivo, nem força obrigatória. Não devia ser posta em execução, mas
unicamente examinada e criticada pelas autoridades mais competentes nas
diferentes regiões da Europa onde a Companhia tinha os seus melhores colégios. A
sua forma geral era mais discursiva que imperativa. Encerrava discussões e
dissertações pedagógicas às quais faltava por vezes o vigor e concisão da lei ou do
regulamento.
As diferentes províncias levaram muito a sério as recomendações do Geral.
Em toda a parte, escolheram-se para o exame do projeto homens notáveis pela
doutrina e encanecidos na prática do magistério. Na comissão romana,
encontramos os nomes de Francisco Suárez e de S. Roberto Belarmino, hoje Doutor
da Igreja. Gagliardi aparece na Província de Milão, Pontanus, o célebre humanista,
na da Germânia Superior, Cipriano Soarez, autor de uma célebre retórica, na de
Toledo; na de Lião; João Hay e Richeome, um grande teólogo, outro, literato
encantador; na de França, o velho Coudret, um dos veteranos de Messina.
No cabo de alguns meses, lá pelo fim de 1586, começaram a afluir a Roma os
relatórios desses trabalhos críticos:Judicia e observationes. Vinham das principais
províncias da Ordem: de Roma, de Nápoles, Milão, Veneza, Aquitania, Lião, França,
Germânia Superior, Reno, Áustria, Portugal, Polônia, Aragão e Andaluzia.
Além dos pormenores isolados, os críticos convergiam quase unanimemente
sobre dois pontos importantes: a imprecisão e prolixidade da fórmula examinada.
As questões pedagógicas eram, por vezes, longamente debatidas e alegados os
argumentos pró e contra. Sucediam-se por vezes longos tratados sobre os deveres
dos professores jesuítas, sobre a conveniência de iniciar o grego com os primeiros
elementos do latim, etc, etc. Para um código cuja razão de ser era orientar, de
modo uniforme, a organização dos colégios, constituíam estes, defeitos graves.
Edição de 1591 – Aquaviva deixava em Roma três dos compiladores do
anteprojeto, Tucci, Azor e Gonzalez, para receber os relatórios examina-los e
preparar uma nova edição do Ratio. Afim de que melhor se desempenhassem desta
incumbência, associou-lhes uma comissão de professores do Colégio Romano, entre
os quais figuravam Belarmino, Suarez, Sardi, Giustiniano, Parra, Pereira, Benci,
24[24]
Torsellini, isto é, teólogos, filósofos e humanistas do mais distintos .

23[23]
A circular de Aquaviva e o texto do Ratio de 1586 encontram-se em Pachtler, II, 9-217.
24[24]
Belarmino e Suarez figuram entre os maiores teólogos e filósofos da Companhia de Jesus;
Belarmino foi canonizado e declarado Doutor da Igreja Universal; Benci foi discípulo de Marco Antonio
Muretus e, no Colégio Romano, ouviu as lições de Perpeniani; Sarci tinha a experiência de Reitor do
Colégio; Torsellini, poeta e orador, professor de boas letras durante 22 anos, revisor da Gramática de

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A tarefa da revisão, que apresentava seus espinhos, iniciou-se e continuou
sob o impulso vigoroso de Aquaviva que, em 1592, mandava ainda mais uma vez a
toda a Companhia uma nova edição do Plano de Estudos sob o título deRatio atque
Institutio Studiorum, Romae, un Collegio Soc. Jesu, anno Dni, 1591. A estrutura do
trabalho sofrera mudanças radicais. Eliminaram-se as discussões e dissertações
pedagógicas que justificavam os preceitos práticos. Codificou-se todo o sistema de
estudos numa série de regras relativas aos administradores, professores e
estudantes. Caráter em que se remetia o Ratio também não era o mesmo. Já não
se tratava de um anteprojeto a ser estudado por censores qualificados, mas de um
código de leis
definitivo. Aos a provinciais
ser trazido recomendava
imediatamente oemGeral
prática, ainda
que, que não todos
removidos de modo
os
obstáculos, pusessem em execução o novo sistema de estudos, durante três anos,
no fim dos quais remetessem a Roma os resultados desta experiência decisiva para
a sua promulgação final.
O “Ratio” de 1599. – A prova de fogo da experiência foi feita. Em 1594 já
chegavam a Roma as primeiras observações da Germânia, em 1596 as de Castela,
em 1598 outras mais da Germânia e assim de outras províncias. A prolixidade
ainda era o ponto mais criticado. As regras eram muito numerosas e, sobretudo
repetidas nos vários ofícios semelhantes: professores de humanidades, de
gramática superior, de gramática média, de gramática inferior. Um esforço para
maior concisão parecia ainda possível. Abrevitas imperatoria foi sempre uma das
qualidades do estilo de comando e uma das garantias de sua eficiência. O esforço
foi feito. Cortaram-se pelas repetições agrupando as regras comuns a vários
professores. Às outras se deu uma redação mais concisa. Reduziu-se assim de
metade o volume do Ratio; enquanto a segunda edição contava 400 páginas, a
ultimaCom
não mais
ia além
estadesatisfação
208; o número total
dada às de regras
críticas descera
recebidas, de 837
julgou a 467. chegado
Aquaviva
enfim o momento de dar por definitivamente concluída a momentosa tarefa a que
metera os ombros no princípio do seu governo, o mais longo e um dos mais
brilhantes e também dos mais tumultuosos na história da Companhia de Jesus. Em
Janeiro de 1599 uma circular comunicava a todas as províncias a edição definitiva
25[25]
do Ratio atque Institutio Studiorum Societatis Jesu . Já não era a comunicação
de um projeto de estudos, mas a promulgação de uma lei.
Cinqüenta anos haviam decorrido desde que se abrira em Messina (1548) o
primeiro grande colégio da Companhia, quinze desde que se iniciaram de modo
sistemático (1548) os trabalhos de codificação do plano de estudos. Os passos
principais por que passara a sua construção são agora nitidamente visíveis: o plano
de Messina inspirado por Nadal em 1551, a IV parte das Constituições escritas por
S. Inácio, o plano de Nadal, conhecido sob o título Ordo Studiorum, o De Ratione et
Ordine Studiorum, que em 1575 Ledesma deixara incompleto.
O código de leis que passava assim a orientar a atividade pedagógica da
Companhia, representava os resultados de uma experiência de meio século.
Experiência rica, ampla, variada, que talvez constitua um caso único na história da
pedagogia. Nela estão representadas todas as raças e nações do Velho Continente;
para ela contribuíram centenas de estabelecimentos de educação dos mais
freqüentados e afamados do seu tempo; enriqueceram-na duas ou três gerações de
educadores, insignes pela inteligência, pela cultura, pela dedicação espontânea e
total à nobre causa da educação da juventude. Raro exemplo de uma ampla

Álvares e autor de um estudo célebre sobre as partículas latinas, que teve mais de 50 edições. – Sobre a
colaboração pessoal de Belarmino, interessante, sobretudo, no ponto de vista de orientação doutrinária,
cfr.: J. Brodrick, S.J. The life and work of Cardinal Bellarmine, London, 1928, t. I. 378-384: Lê Bachelet,
Belarmin avant son cardinalat; Paris, 1991, p. 500 e sgs.
25[25]
A edição princeps do Ratio saiu em Nápoles em 1599; outras se lhe seguiram a breve trecho: a
de Mongúncia em 1600, de Nápoles e Torunon em 1603, de Roma em 1606 e em 1616. Nesta ultima
foram ligeiramente retocadas as regras do Provincial relativas aos exames de filosofia e teologia.

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sistematização pedagógica em que a mais estrita unidade resultou
harmoniosamente da mais variada colaboração.
Revisão de 1832. – O código de estudos promulgado por Aquaviva
permaneceu, como lei oficial da Companhia, durante quase dois séculos, até a
supressão da Ordem em 1773.
Daí, porém, não se infira que os colégios dos jesuítas permaneceram
petrificados na imobilidade durante este largo período sem se adaptar às novas
exigências de tempos que mudavam. O próprioRatio, na sua prudência, previa esta
flexibilidade de adaptação e abria-lhe a porta legal. A regra 39 do Provincial dizia
textualmente:
necessária “Como,
alguma porém, na
diversidade navariedade
ordem e deno lugares, tempos e pessoas,
tempo consagrado pode nas
aos estudos, ser
repetições, disputas e outros exercícios e ainda nas ferias, (o Provincial), se julgar
conveniente na sua Província alguma modificação para maior progresso das letras,
informe o Geral para que se tomem as determinações acomodadas a todas as
necessidades, de modo, porém, que se aproximem o mais possível da organização
geral dos nossos estudos”.
À sombra desta sábia disposição os colégios dos jesuítas foram se adaptando
na prática às novas condições dos tempos. Ao idioma vernáculo e às ciências
experimentais que se iam organizando e desenvolvendo abriu-se maior margem na
organização dos currículos. Esta flexibilidade de adaptação de programas, aliada à
fidelidade dos ideais e métodos pedagógicos permitiu aos estabelecimentos de
ensino da ordem não só conservarem na vanguarda da instrução da juventude
senão ainda crescerem, em ritmo ininterrupto, até a supressão da Companhia de
Jesus 26[26]. Eram 245 os colégios por ela mantidos em 1599, quando foi
definitivamente promulgado o Ratio; em 1626 já haviam subido a 444, em 1710 a
610, em 1749
mantinha a 669 546
na Europa alémcolégios
de 176 seminários.
e semináriosEm
e, 1773, quando
fora da extinta,
Europa, a Ordem
nas províncias
missionárias, 123 colégios e 48 seminários, ao todo 865 estabelecimentos de
ensino. Os da Europa distribuíam-se do seguinte modo: 145 na Itália, 124 na
França, 117 na Espanha e pouco mais de 300 na Europa Central (Germânia,
Áustria, Bélgica, Boêmia, Polônia e Lituânia). É fácil imaginar o imenso golpe que
na educação cristã da juventude representou a supressão da Companhia de Jesus
na segunda metade do infeliz século XVIII.
Passaram-se os anos e as tempestades. Em 1814 Pio VII restaurava em toda
a Igreja a Ordem suprimida pela pressão das cortes dos Bourbons. Chamá-la de
novo à vida era confiar-lhe ainda uma vez a sua missão educadora. Em 1824, Leão
X, no Breve que restituía aos filhos de S. Inácio o Colégio Romano, declarava que
“a causa principal do seu restabelecimento era a formação intelectual e moral da
juventude, ex illa potissimum causa ut juventutem et litteris et moribus
instituendam susciperet”27[27].
Com a reabertura dos colégios, em um ambiente profundamente
transformado, punha-se urgente o problema da revisão do Ratio. As Províncias o
reclamaram; a 20a. Congregação, primeira reunida depois da restauração, ocupou-
se logo do assunto. Mais energicamente voltou sobre a urgência de uma ação
imediata a Congregação Geral de 1829. O novo P. Geral, João Roothaan, nela
eleito, pôs logo ombros à tarefa que se lhe havia confiado. Numa lista de nomes
propostos pelas províncias nomeou ele uma comissão de 7 membros
representantes da Itália, Sicília, França, Inglaterra, Alemanha, Galícia austríaca e
Espanha. A incumbência que se lhe cometia não era a elaboração de um novo Ratio
mas a adaptação do que já havia recebido de uma experiência de quase dois
séculos a mais sólida das confirmações.

26[26]
“It was a part of the Jesuit achievement that, while persisting in its dominant aims and
methods, it absorbed and made its own the best education ideas of the seventeenth and eighteenth
centuries”. A. P. Farrell, Op. cit. p. 376.
27[27] Institutum Soc. Jesu I. 145.

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Em Outubro de 1830 encetavam-se em Roma os trabalhos; e em Julho de
1832, já o Geral podia enviar a toda a Ordem oRatio revisto.
Modificações de menos alcance introduziram-se em bom número; as de certa
importância, porém, foram relativamente poucas e reduzem-se às seguintes:
No curso de teologia acrescentaram-se dois anos de história eclesiástica e
direito canônico.
No de filosofia, três anos de matemática – um obrigatório, dois facultativos
para os bem dotados – e também um curso de física experimental. Aristóteles foi
apeado de uma hegemonia excessiva.
No adecategoria
elevado humanidades alterações
de disciplina maiormais importantes.
no currículo O idioma
ao lado do latimvernáculo foi
e do grego.
Como disciplinas secundárias, mas autônomas, foram introduzidas à história, a
geografia e as matemáticas elementares, ficando ao critério do Prefeito de estudos
dosar-lhes os números de aulas de acordo com as exigências locais. No estudo do
latim, Cícero perde a sua posição dominante.
Como se vê, com pequenas exceções, as mudanças introduzidas interessam
sobretudo a organização do currículo. A orientação administrativa, metodológica e
disciplinar permaneceu fundamentalmente inalterada.
O Ratio de 1832, que foi enviado às Províncias para ser submetido à prova da
experiência antes de receber uma redação definitiva não chegou a ser aprovado por
nenhuma Congregação Geral. Não possui, portanto, autoridade de lei, mas apenas
a de norma diretiva.
Em 1941, após vários anos de preparação foi enviado a toda a Companhia de
Jesus um novo Ratio Studiorum Superiorum Societatis Jesu. Como o indica o título,
este plano de estudos refere-se apenas aos estudos superiores. As modificações
introduzidas são inovações
legítimas e às muito importantes e adaptam
sadias das modernasos universidades.
estudos da Ordem às exigências
Como em casos
precedentes, este Ratio foi enviado ad experimentum até a próxima Congregação
Geral.
As imensas e quase insuperáveis dificuldades resultantes da variedade de
currículos secundários a que, nos diferentes paises, se devem amoldar os colégios
da Companhia, não permitiram que até hoje se levasse a termo para os nossos
tempos um Plano universal de estudos semelhantes aoRatio de 1599.
Atualmente os Colégios da Companhia de Jesus conservam-se fiéis aos
princípios gerais e às orientações pedagógicas doRatio, mas adaptam-se, no mais,
às exigências dos regimes escolares de cada país.
FONTES DO “RATIO”
O rápido escorço, que acabamos de esboçar, da história doRatio, permite-nos
agora entrar com mais segurança no estudo, complexo e interessante, das suas
fontes. É, em outras palavras, a questão de sua srcinalidade. Questão debatida,
nem sempre desapaixonadamente e talvez ainda não resolvida de modo definitivo e
satisfatório.
De um lado, falamos freqüentemente na “pedagogia dos jesuítas”. E esta não
é uma expressão vazia, sem conteúdo real. Desde os seus primórdios, os colégios
da Companhia de Jesus apresentam certos traços comuns que lhes davam uma
fisionomia de linhagem facilmente reconhecível e os distinguiam de outros
estabelecimentos de ensino, coexistentes nas mesmas unidades de espaço e de
tempo.
Por outro, a um historiador de pedagogia não seria difícil isolar os métodos e
processos educativos preconizados peloRatio e apontar-lhes a existência em outros
sistemas coetâneos do seu aparecimento. Uma genealogia bem organizada faria
entroncar mais longe a sua paternidade.
Assim, num primeiro momento, apresenta-se o nosso estudo com uma tensão
de paradoxo. Cumpre resolve-lo à luz dos documentos e de sua leal interpretação.

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Os primeiros jesuítas não desceram a campo, em matéria de educação, como
revolucionários ou como inovadores. Não pretenderam romper com as tradições
escolares vigentes nem mesmo trazer-lhes contribuições inéditas. Ajustaram-se às
exigências mais sadias de sua época e procuraram satisfazer-lhes com a perfeição
que lhes foi possível.
Ao espírito de uma época, ao Zeitgeist dos alemães, não se furta nenhum
sistema pedagógico, nem mesmo quando conscientemente se organiza para
combate-lo. O código de ensino dos jesuítas não pôde se subtrair a esta
necessidade e traz, indelével, o cunho do século XVI. Uma crítica interna
esclarecidaa poderia,
segurança pelo simples exame dos seus elementos, descobrir-lhe com
data de formação.
Entre as diferentes correntes pedagógicas, do tempo, porém, a história
permite determinar quais as deliberadamente afastadas pelos jesuítas, quais as
escolhidas e assimiladas pelo seu sistema de educação.
UNIVERSIDADE DE PARIS.
Os primeiros companheiros de Inácio são homens de universidade. Não
saíram de seminários ou de outras instituições religiosas; quase todos de
diplomaram nas melhores universidades da Europa.
Entre estas, a importância de influência, leva a palma incontestável à de Paris.
Lá estudou e se graduou mestre Inácio. Lá estudaram e se graduaram todos os
seus primeiros companheiros que, em 1534, lançaram na colina de Montmartre os
fundamentos da futura Companhia de Jesus. Como à “mãe dos nossos primeiros
Padres”, referiu-se com razão e mais de uma vez o santo fundador à Alma Mater
parisiense.
tão decisivaNadal e Ledesma
na orientação que, em da
pedagógica Messina e Roma,
primeira exerceram
geração uma influencia
de educadores da nova
Ordem vieram também de Paris.
E precisamente nessa época a grande Universidade, que era o centro mais
brilhante de cultura na Europa, entrava por assim dizer, na grande corrente
humanista do Renascimento. Lá por volta de 1517 o movimento firmou pé em
alguns colégios da Universidade, primeiro no de Montaigu, depois e mais
solidamente em Sainte-Barbe, onde entre 1525 e 1530 acaba de atingir o seu
objetivo: o predomínio absoluto do ensino clássico28[28].
Nesta época precisamente estudava em Paris o nobre Peregrino Espanhol, que
em Outubro de 1529 passava de Montaigu para Sainte-Barbe e aí permanecia por
mais três anos e meio. O futuro fundador da Companhia presenciava assim com os
próprios olhos a transição da antiga para a nova orientação dos estudos.
Não é, pois, de maravilhar que a organização pedagógica da universidade
parisiense influísse profundamente na orientação dos novos educadores que,
estudantes, haviam respirado a sua atmosfera.
Esta influência, porém, não foi uma simples conseqüência de fatos históricos
que a tornaram possível e espontânea; resultou de uma escolha firme e deliberada
dos primeiros jesuítas. Inácio freqüentou também as universidades espanholas de
Alcalá e Salamanca; mais tarde, na sua longa estadia em Roma, teve oportunidade
de conhecer a estrutura e o funcionamento das universidades italianas. Entre todas
optou, decididamente, pela de Paris e manteve com energia e constância a sua
preferência contra resistências, por vezes, tenazes e profundas.

28[28]
“Entre 1525 et 1530, le but auquel on aspirait depuis si longtemps fut atteint: le véritable
enseignement classique prit possession de toutes les chaires”. Quicherat, Histoire de Sainte-Barbe, I, 152.
Para o estudo mais desenvolvido desta fase da história da Universidade de Paris cfr.: Denifle-Chatelain,
Chartularium Universitatis Parisiensis, 4 vols., 1883-1897; Du Bolay, Historia Universitatis Parisiensis;
J. Pasquier, L´Université de Paris et l´Humanisme na debut du XVI siècle; Jérome Aléandre, na Revue dês
Questions historiques t. XX (1898) pp. 372-398; t. XXI (1899), 144-189; Renaudet, Préréforme et
humanisme à Paris au siècle; Ricardo Villoslada S.J., La Universidad de Paris durante los estúdios de
Francisco Vitória O.P. (1507-1522) Romae, 1938.

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Já vimos como, na sua formação do Colégio de Messina, se assentou
explicitamente o predomínio de Paris “conformando il tutto al modo parisiense”
29[29]
. Em Viena e em Pádua, S. Inácio intervem diretamente em favor domodus
parisiensis contra o modus italicus 30[30].
Esta preferência era baseada na convicção enraizada da superioridade dos
métodos parisienses sobre os demais. A seu ver, não havia outro mais eficiente
para levar ao conhecimento rápido e perfeito da língua latina. É o que se afirma no
ato de fundação do Colégio de Messina31[31]. É o que o santo expressa numa carta
ao sobrinho Beltran de Loiola: “Acabo de saber que teu irmão Emiliano é dotado de
bons talentos
boas e cheio
disposições e sedequeres
ardor ouvir
pelo estudo.
a minhaMuito desejo
opinião, nãoque tenhas cuidado
o mandes a outrodestas
lugar
que não seja Paris. Nesta universidade poderá ele aprender em poucos anos, o que
em qualquer outra não conseguiria senão depois de longo tempo. Além disto, entre
os estudantes desta cidade mais do que em outras há em geral maior honestidade
e religião 32[32].
Resume-se, portanto, com fidelidade a situação neste comentário de Nadal, às
Constituições, a propósito de uma inovação inspirada nos usos da Itália: o método
33[33]
de Paris foi o escolhido para os nossos colégios; importa conserva-lo em vigor .
A imitação de Paris nada teve de servil; foi a transplantação de um germe
vivo que continuou, em outro clima, a sua evolução orgânica. Mais tarde, os
homens de Sorbona hostilizarão os jesuítas que, no Colégio de Clermont, lhes
pareciam concorrentes perigosos e triunfantes. Na luta, nem sempre leal, a velha
Universidade, para combater com armas iguais, mais de uma vez reformou os seus
currículos e processos pedagógicos, à imitação do que a experiência dos jesuítas
havia consagrado noRatio 34[34].
INFLUÊNCIA DOS ANTIGOS.
A Renascença caracteriza-se essencialmente pela volta tumultuosa e
entusiasta à antiguidade clássica. Grécia e Roma – depois do parêntese “bárbaro”
da idade do meio – surgiram como fontes de beleza humana imortal. E não foi só
na literatura que os seus escritores se impuseram como modelos insuperáveis do
bem dizer. A pedagogia dos seus mais celebres educadores “renasceu”, também
dela, aureolada com o respeito e veneração das cousas antigas. Os escritores do
século XVI julgavam-se no dever indeclinável de corroborar os preceitos mais
comezinhos com o peso de uma autoridade clássica. Respeita os velhos, assim o
ensina Cícero. Sê forte na adversidade, é o exemplo que te deixou Alcibíades. Usa
das riquezas com moderação, Ovídio e Plauto o aconselham.
Para ver quão extensa e profunda foi esta influencia dos antigos basta
percorrer os mais conhecidos pedagogos do Renascimento, qualquer que seja a

29[29]
“Cosi com l´aiuto divino si faranno tutte lê sopraditte lettioni et essercitationi com ogni cura
et dilligentia conformando il tutto al modo Parisiense”. Mon. Paedag. 616.
30[30]
Sobre a intervenção em Viena, ver Chronicon Societatis Jesu, II, 567-568; em Pádua,Chron.
Soc. Jesu, III, 242.
31[31]
“Al modo Parisiense, il quale fra gli altri si reputa essere et exactissimo et utilíssimo...Il modo
et ordine che s´usa in Parigi, essendo il meglio che tenere si possa per facilmente et perfectmanente
diventare dotto nella língua latina”. Mon. Paedag. 615-615.
32[32]
Espitola S. Ignatii, I., 148.
33[33]
“Esset quidem haec praelectio pu blice utilis, sed animadvertendum est, et accurate quidem, ne
Ratio Studiorum Parisiensis quam nostris scholis fecimus familiarem propterea remittatur, quae
constanter est retinenda”. Scholia in Constitutiones, p. 350.
34[34]
L´Université commença à metre plus de prestesse dans son enseignement, elle fit aller de pair
le grec et le latin (como no Ratio ), elle fit mit lê comble à la gloire de l´ennemi (sic!) en se rendant son
imitatrice”. Quicherat, Op. cit. II, 59-60. A confissão é tanto mais interessante quanto menos apologista
dos jesuítas. E o seu autor, sobre a rivalidade entre Sorbona e a nova Ordem, escrevia a Paris, a 26 de
Agosto de 1571, um protestante: “Jesuitae abscurant reliquorum professorum nomen et paulatim adducunt
in contemptum Sorbonistas”. Epist. ad Camerarium fratrem, p. 177.

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escola ou nação a que pertençam: Erasmo ou Vives, Mureto ou Melanchton,
Manucio ou Murmelius. As citações dos grandes clássicos fervilham. Ao lado da
Retórica de Aristóteles, o De Oratore de Cícero. Plutarco e Sêneca figuram como
preconizadores de um ideal humano a que pouco falta para ser cristão. A todos,
porém, sobreleva Quintiliano.
Quintiliano encarna no século XVI a pedagogia Romana. Com a sua
moderação e bom senso, com a longa experiência de 20 anos de magistério, com o
seu conhecimento psicológico da criança e da arte de educa-la, exerceu sobre a
posteridade uma verdadeira fascinação. As suasInstituições oratórias são uma
fonte
De inesgotável
tradendis de inspiração
disciplinis Vives dee sideconfessa
imitação que
dos “se
mestres mais
alguém graduados.
atentar No seu
bem verificará
que o meu método de ensino coincide com o de Quintiliano”35[35]. E, de modo
geral, falando de toda a escola humanista, afirma W. H. Woodward: “Todos os
educadores do Renascimento, homens de teoria ou homens de prática, nascidos em
solo italiano ou germânico, Enéas Sylvius ou Patrizi. Agrícola, Erasmo, Melanchton
ou Elyot, abeberam-se no texto e no espírito desse tratado Institutio ( Oratoria)”
36[36]
.
A esse entusiasmo não se furtaram, nem se podiam furtar, sem deixar de seu
tempo, os jesuítas. Na elaboração prolongada e na redação definitiva do seu plano
de estudos é visível a influência clássica, filtrada através dos autores
contemporâneos, haurida diretamene nos mananciais antigos.
Entre eles, a Quintiliano pertence o primado da influência. Negronius, nas
suas Orationes, cita-o mais de duzentas vezes. Ribadeneira, um representante
típico dos jesuítas da primeira geração, saúda no pedagogo romano, no nosso
37[37]
Quintiliano, “um mestre de grande experiência e prática na área de educação” .
Ledesma
Grammatica,preza-o altamente.
e Cipriano Manuel
de Soares, Alvarez,
autorDe Arteautor da célebre
Rethorica, De como
inculcadas Institutione
livros
de texto no Ratio, confessam abertamente os seus numerosos empréstimos ao
mestre comum. Sobre grande parte dos exercícios escolares – lições de cor,
correção de deveres, declamação, explicação de autores – o código de ensino de
jesuítas inspirou-se mais de uma vez nas suas teorias e nos seus conselhos.

IDADE MÉDIA.
Se no ensino das humanidades a yoga da antiguidade clássica suplantou a
tradição escolar da Idade Média, no da filosofia e teologia esta conservou a
primazia. Os séculos XIV e XV assinalam uma decadência visível da escolástica que
no século XIII havia atingido o apogeu da sua florescência. O abuso da dialética e
das sutilezas estéreis, a vitória do nominalismo em vários centros de ensino
superior, a falta de talentos de maior envergadura, a multiplicação das
universidades em condições menos favoráveis à elevação do nível cientifico, são os
principais responsáveis por este desprestigio em que o renascimento encontrou a
herança filosófica da escola.
Os primeiros anos do século XVI assistem, porém, um esforço vigoroso de
restauração da síntese clássica do pensamento medieval.
E é precisamente na Universidade de Paris que se delineia um movimento
vigoroso de restauração tomista. Pedro Crockaert, flamengo, que viera ainda
jovem, para a capital francesa e aí entrara na Ordem dominicana, em 1503, com

35[35]
“Si quis attentius inspiciat, similes prorsum comperiat esse meam et Quittiliani instituendi
rationem”. Vives, De tradendis disciplinis, 1, III, c. I.
36[36]
W.H. Woodward, Studies in Education during the Age of the Renaissance, 1400-1600,
Cambridge, 1924, p. 9.
37[37]
“Quintilianus noster exercitatissimus et peritissimus pueros erudiendi magister”. Acta
Sanctorum, Julii t. VII, p. 732. Ribadeneira recebido e formado por S. Inácio viveu na Companhia até
1611. É o primeiro biógrafo do Santo Fundador. Deixou muitos escritos de grande valor para a História
dos primeiros tempos da ordem na qual viveu mais de 70 anos!

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35 ou 40 anos de idade, é o seu centro. Fr. Pedro de Bruxelas, como o chamam os
documentos contemporâneos, tinha uma vocação dos grandes professores; formou
escola. A um grupo de discípulos escolhidos conseguiu transmitir o entusiasmo por
S. Tomás. E o histórico convento dominicano, de Santiago, que tinha abrigado nos
seus muros vetustos a S. Alberto Magno, S. Tomás de Aquino, Herveu de Nedellec,
Durando de Saint-Pourçain, Pedro de la Palu, Torquemada, e Capreolo, viu florescer
uma nova geração de teólogos que iriam marcar época na historia do tomismo.
Entre os alunos prediletos de Crockaert achava-se, então, em Paris o jovem
espanhol Francisco de Vitória, O.P., que mais tarde sobrelevaria o mestre em
doutrina e fama.
movimento De volta
restaurador dos aestudos,
sua pátria, Vitóriasrcem
primeira recebeu em Salamanca
da escola um
salmantina,
formadora de alguns dos melhores teólogos que figuraram no Concílio de Trento
38[38]
.
Dentre os discípulos parisienses de Crockaert saíram os mestres de teologia
de Inácio de Loiola e dos seus primeiros companheiros Lainez, Salmeron, Bobadilla,
etc. Como na atmosfera de Salamanca respiraram Toledo e Maldonado, dois dos
mais notáveis professores jesuítas dos primeiros tempos.
Orientou-se assim uma nova Ordem, desde o seu nascer para a mais sólida e
profunda sistematização escolástica da filosofia. A Companhia de Jesus foi, depois
da ordem dominicana, a primeira família religiosa que escolheu a S. Tomás para
seu Doutor próprio 39[39].
Esta opção influi também decididamente na orientação pedagógica dos
estudos superiores da Ordem. Aos seus professores proíbe oRatio que se
emaranhem em questiúnculas inúteis, e obsoletas, ou que se firmem em
argumentos de autoridade com detrimento das razões internas. Aos seus
escolásticos recomenda
doutrinas ensinadas que desenvolvam
as objeções o senso
que ocorrerem crítico,
e não formulando
descansando contra
antes as
de as
40[40]
resolverem cabalmente .
Com a sua decisiva intervenção contribuíram, outrossim, os jesuítas para a
introdução definitiva daSumma theologica como livro de texto em substituição ao
velho Pedro Lombardo, cujo Livro das Sentenças se comentou durante três séculos
nas aulas de teologia 41[41].

38[38]
Sobre Francisco de Vitória e suas relações com a Universidade de Paris, ver L.G.A. Getino,
O.P., El Maestro Fray Francisco de Vitória. Su vida, su doctrina y influencia, Madrid, 1930, e
principalmente R.G. Villoslada, S.J., La Universidad de Paris durante los estudios de Francisco de
Vitoria, O.P. (1507-1522), Romae, 1938.
39[39]
A primeira prescrição oficial da doutrina tomista para toda a Ordem encontra-se nas
Constituições: “In theologia legetur vetus et novum Testamentum et doctrina scholastica divi Thomae”. P.
a
IV.
professor Ratio de“Sequantur
c. 14.deOteologia: 1599 confirma
nostrio omnino
dispositivo constitucional
in scholastica maisdoctrinam
teologia explicitamente na 2 eumque
S. Thomae . regra do
ut
Doctorem proprium habeant”. É interessante ver a parte que teve Belarmino na redação destes artigos do
Ratio: Le Bachelet, Bellarmin avant son Cardinalat, p. 516-517; Brodrick, The life and work of Cardinal
Belarmie S.J., London, 1928, t. I, p. 374-38.
40[40]
Ver as regras 7 e 8 dos professores das Faculdades superiores e a regra 11 dos Escolásticos.
41[41]
Em 1546 fundou-se em Gandia a primeira Universidade da Companhia de Jesus. A 24 de
Abril do ano seguinte escrevia de lá a S. Inácio, o P. André de Orviedo: “Y asi há empezado el P.
Francisco Onfroy... a leer uma liccion de theologia a la mañana de Santo Thomas, y a la tarde otra el P.
Mtro. Vicente em otra matéria, em la tercera parte de Santo Thomas” MI+SI. Epistolae mixtae, II. 364.
Quando o jovem Belarmino começçou a ensinar em Lovaina, rejeitou resolutamente o Mestre das
Sentenças e escolheu S. Tomás. Brodrick, o.p. cit., p. 375. Lessius lhe seguirá o exemplo. Em 1550
escrevia a Santo Inácio de Iugolstadt S. Pedro Canisio: “O estudo da teologia decaiu muito na
Universidade. Para reergue-lo deliberamos instituir um novo curso que tenha por objetivo a Suma do
Santo Tomás”. Canisio, Epistolae, I, 336-366. Da Alemanha diz-nos Janssen, que “em Wurzburgo, em
Mongúncia e, antes do fim do século, em todas as Universidades da Alemanha em que professavam os
jesuítas, a teologia era ensinada segundo Santo Tomás”. Geschichte des deutsch Volkes, Freib. in B. 1924,
t. VII, 572. E pouco antes: “A eles (jesuítas) cabe a honra de haver, dos primeiros, logo depois do

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Destarte, a ordenação geral dos estudos da Companhia, elaborada na segunda
metade do século XIV, fundiu em síntese harmoniosa o que de melhor nos havia
legado o esforço intelectual da Idade Média com as conquistas mais sadias e
duradouras do humanismo cristão da Renascença.
STURM E VIVES.

Além das fontes indicadas acima quiseram alguns historiadores de pedagogia


ver em Vives e principalmente em Sturm dois modelos copiados sem srcinalidade
pelos jesuítas.
colégio dos filhosSturm era calvinista
de S. Inácio tinha umesainete
apontar num de
picante protestante
paradoxo, otentador
protótipo
parade
autores protestantes ou menos afeiçoados aos jesuítas. Von Raumer, hitoriador
antiquado da pedagogia e antijesuíta azedo, inquina oRatio de plágio imoral de
Sturm. Teófilo Braga insinua com mais artifício a mesma acusação42[42].
A afirmação não é baseada em nenhum documento histórico. Tornou-a
verossímil certa afinidade nos programas, horários e métodos de ensino.
Semelhança incontestável que o próprio Sturm sublinhou numa de suas cartas,
insinuando a aparência de algum empréstimo. “Vi os autores que os jesuítas
explicam, os exercícios que praticam, os processos que empregam. Assemelham-se
tanto aos nossos que se diriam derivados de nossa fonte”43[43].
A arte de parentesco existe, mas não se explica por genealogia direta. Já,a
priori, não seria muito verossímil que os primeiro jesuítas fossem copiar a
organização de um colégio calvinista. Como finalmente observa Farrel: “o espírito
vincadamente protestante de Sturm torna provável que Inácio e seus discípulos
tenham tomado pouco de suas idéias e nada de seus ideais”44[44].
A explicação
comuns. dasno
Parecem-se semelhanças inegáveis
que se parecem, encontra-se
como na derivação
dois irmãos, das fontes
que reproduzem os
traços comuns dos pais. A crítica moderna reconhece hoje unanimemente que
Sturm não é um pedagogo de primeira mão.
Antes de fazer-se protestante e organizar o colégio de Estrasburgo que mais
tarde cresceu a Universidade e lhe granjeou grande fama, Sturm foi discípulo dos
Irmãos da vida comum em Liège (1521-1524). Estava então no seu zênite a
célebre escola dos discípulos de Gerardo e Groote que, durante os dois séculos
precedentes, haviam semeado de magníficas instituições de ensino a Europa
Setentrional. A sua estrutura modelar gravou-se, indelevelmente, no ânimo do
jovem Sturm e para ele naturalmente se voltou quando foi chamado para dirigir o
Ginásio de Estrasburgo. Notam-se expressamente os seus biógrafos: “ Toda essa
organização do Colégio de Liège causou no jovem Sturm uma impressão profunda;
adotou-a ele até em algumas das suas menores particularidades, como modelo da
organização que deu mais tarde ao Ginásio de Estrasburgo” 45[45]. Mais
recentemente Woodward: A ordem escolar de Liège “reproduz sem nenhuma

Concílio reconduzido à Suma a teologia da Alemanha, religando-a assim às antigas tradições das grandes
escolas da idade média”.
42[42]
Von Raumer, Geschichte der Paedagogik vom wiederaufbluehem klassicher Studien bis auf
unsere Zeit, 4 vols. 1843-1854; Teófilo Braga, História da Universidade de Coimbra, t.I.p. 279-280.
Mesma aproximação em Sicard, Les études classiques avant la revolution, p.12; Kaemmel, Geschichte
des deutschen Schulwesens im Uebergange vom Mittelalter zur Neuzert, Leipzig, 1882, p. 227; Schiller,
Lehrbuch der Geschichte der Paedagogik , p.124.
43[43]
"Vidi enim quos scriptores explicent et quas habeant exercitationes at quam rationem in
docendo teneant, quae nostris praeceptis institutisque usque adeo proxime abest, ut a nostris ontibus
derivata esse videatur". Sturm, Classicarum Epistolarum, t.III, Argentorati, 1565, f. A. VI.
44[44]
Farrel, The jesuit Code of Liberal Education, p. 362
45
Schmidt, La vie et les oeuvres de Jean Sturm, Strasburg. 1855, p. 5. E mais tarde, à p. 36: Sturm
"tem diante dos olhos o plano de estudos de S. Jerônimo em Liège e quer tomá-lo como fundamento da
nova orientação de Estrasburgo".

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dúvida a de Deventer no que ela tem de melhor e foi certamente a base da
46[46]
proposta por Sturm para a reorganização da escola de Estrasburgo em 1583” .
A dependência direta dos jesuítas em relação aos Irmãos da vida comum, se
não se apresenta com tanta evidencia, tem muitos visos de probabilidade. Em
Paris, nos primeiros tempos de sua estadia, Inácio viveu no Colégio de Montaigu,
outrora pertencente aos Irmãos e onde deviam ainda sobreviver as suas tradições.
Mais e melhor. A célebre escola de Liège, onde estudara Sturm, passou em 1580
para os jesuítas. Nada mais provável do que haverem eles conservado os bons
métodos e usos de seus predecessores. Por aí, exerceram muito provavelmente os
IrmãosStudiorum
Ratio uma influência
para nos
todajesuítas holandeses,
a Ordem. Olivério e, por meioque
Manareu, deles, na elaboração
visitou do e
entre 1581
1583 os colégios da Germânia e neles deixou várias instruções e memoriais
posteriormente utilizados para a redação doRatio, era um velho discípulo das
escolas holandesas dos Irmãos47[47].
Outra fonte, e esta certamente comum, foi a Universidade de Paris. Quanto o
tomarem por modelo os jesuítas já o deixamos indicado acima. A sua influência
sobre Sturm não é tão pouco duvidosa. Imediatamente antes de ser convidado
pelos seus correligionários para reforma do Ginásio de Estrasburgo, em 1538,
passou ele 8 anos a estudar e ensinar em Paris. (1529-1537).
À vista dos documentos e da sua crítica imparcial, contestam hoje os
historiadores mais abalizados, mesmo entre os protestantes, os empréstimos
imaginados por Von Raumer.
Com sua cinhecida autoridade Paulsen: “Sturm afirmou uma vez que os
jesuítas podiam ter bebido nas suas fontes. É difícil pensa-lo: as coincidências
resultam essencialmente da semelhança dês exigências da época... Sturm e Inácio
estudaram ambos
as mais gratas em Paris... ao
recordações; o fundador
seu lado,daLovaina,
Companhia
ondeconservou da Universidade
estudou também Sturm,
gozava de grande estima. Não he dúvida de que toda a estrutura externa dos
Colégios da Ordem foi plasmada por estes moldes” 48[48]. No mesmo sentido,
Meyer: “Razões históricas e internas mostram-na (a tese da dependência)
insustentável” 49[49].
Menos ainda para sustentada é a dependência de Vives. Como fato histórico,
devidamente averiguado a seu favor, cita-se apenas um encontro em Bugres do
célebre pedagogo espanhol com Inácio, que, estudante em Paris, lá foi à busca de
recursos para continuar seus estudos. É muito pouco. Os pontos de contato dos
dois sistemas pedagógicos – predomínio do latim, exercício da memória, educação
física por meio dos jogos, diminuição dos castigos corporais em beneficio dos
motivos de honra e dignidade – menos particularizados ainda do que no caso de
Sturm, explicam-se pela atmosfera do Renascimento e pelo jogo natural das
influências comuns.

EXPERIÊNCIA.
A análise, sempre indispensável para o conhecimento exato, pode falsear
muitas vezes a visão compreensiva da realidade orgânica e complexa. É como o
46[46]
Woodward, Studies in education during the Age of the Renaissance, p. 86. E assim os demais
autores que se ocuparam mais de perto do assunto. Veil: "Não há aliás dúvida alguma de Sturm não
buscar os seus modelos em outra parte senão na Holanda". Sturms Unterrichtsziele und
Schuleinrichtungen mit besondererBeruecksichtigung seiner Bezichungen zu dem niederlaendischen
Humanismus, Strassburg, 1888, p. 20. Engel: o plano de Sturm "corresponde integralmente ao modelo
das escolas holandesas". Das Schulwesen in Strassburg vor der Gründung des protestantischen
Gymnasiums, Strassburg, 1886, p. 116.
47[47]
As instruções e ordenação do P. Manareu, aprovadas posteriormente pelo Geral, podem ler-se
em Pachtler, I, 263-284.
48[48]
F. Paulsen, Gechichte des gelehrten Unterrichts, t. I, Leipzig, 1919, p. 422.
49[49] F. Meyer, Der Ursprung des jesuitischen Schulwesens Graefenhainichen, 1904, p.54.

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bisturi do anatomista; disseca os órgãos e tecidos, separa-lhes as fibras mais
delicadas, mas à custa da vida que se foi e só explica a atividade e harmonia do
organismo.
Não basta o confronto de métodos nem a aproximação de textos para dar
explicação cabal de uma pedagogia viva. Depois do exame minucioso dos
documentos e da discriminação conscienciosa de influências, cumpre recolocar tudo
na vida da historia para compreender, em seu justo valor, com as relações das
causas e efeitos, a evolução orgânica que levou ao resultado final.
Foi com efeito na experiência palpitante dos Colégios da Companhia que se foi
estruturando
influíram, no seu
que plano definitivo
influíram, senãode estudos.
através Paris
dessa e Lovaina,vital
assimilação SturmqueouseVives não
processa
na atividade fecunda de cada dia nos grandes centros de educação.
Como todo homem ativo e organizador, Inácio observava e arquivava
cuidadosamente as lições dos fatos. A oração, a razão e a experiência, diz Polanco,
eram as três fontes principais em que se inspiravam as suas decisões50[50]. Um
fato, apenas, entre muitos outros que revelam o critério do prudente santo.
Tratava-se da fundação de um colégio em Ingolstadt. Inácio envia as instruções
relativas a aulas, professores, relações com a cidade, etc., mas logo acrescenta:
“Achando-se me Canísio, pela sua experiência e oficio procedam na organização das
aulas como ele julgas conveniente. Autorizado nesta pressuposição, das instruções
que seguem se poderá omitir ou mudar o que lhe parecer”51[51].
Neste espírito formaram-se seus companheiros. Já vimos o papel importante
que na orientação pedagógica dos primeiros tempos desempenhou o P. Ledesma, a
princípio em Messina, logo depois em Roma e outras cidades. Ao iniciar o seuOrdo
Studiorum, um dos esboços do futuroRatio, enumera ele os motivos que o levaram
a“1.lançar por escrito
A experiência queastive
suas
porinstruções práticas
três anos neste e concretas.
colégio (Romano)Asquando
três primeiras são:
prefeito de
estudos... e em outros colégios da Companhia que visitei... 2. A reflexão profunda
sobre estes assuntos, prolongada por vários anos. 3. O conselho freqüente dos
melhores professores que conheci neste colégio, como Perpignani e outros cuja
opinião pedi, muitas vezes, até por escrito”52[52] .
Experiência pessoal, ampla e prolongada, enriquecida ainda pela experiência
de outros professores, eis a principal fonte de inspiração de Ledesma.
Nada, porém, põe em tanto relevo a influência absolutamente preponderante
vinda desta pedagogia vivida na pedagogia codificada quanto a própria história do
Ratio que, em largos traços, acima resumimos. Oplano de estudos da Ordem só
foi promulgado apos mais de meio século de experiência (1584-1599) em dezenas
e centenas de colégios disseminados por toda Europa. O trabalho de sua relação
prolongou-se por obra de 15 anos (1584 – 99) e obedeceu ao critério com que se
preparam os currículos modernos mais bem elaborados. Primeira redação
aproveitando um imenso material pedagógico acumulado em dezenas de anos;
críticas dos melhores pedagogos de todas as províncias européias da Ordem;
segunda redação; nova remessa às províncias para que a submetessem por um
triênio à prova da vida real dos colégios; aproveitamento das últimas sugestões,
sugeridas à luz dos tatos; promulgação definitiva53[53].
O Ratio, portanto, é filho da experiência, não da experiência de um homem ou
de um grupo fechado, mas de uma experiência comum, ampla de tal amplitude, no
50[50]
"Partim oratione, partim rationis discursu, partim etiam experientia, ea quae ad instituti nostri
rationem postea promulgavit, paulatim concinhabat". Chronicon, I, 268.
51[51]
Monumenta ignatiana, XI, 536.
52[52]
Monumenta paedagogica, p. 313.
53[53]
Com a comclusão do Ratio em 1599 não se encerrou o período de experiências úteis. Em
1608 Aquaviva envia às Províncias uma instrução para promover os estudos filológicos. Depois de
recomendar que se ponha exatamente em execução o que já foi prescrito acresecenta que se "algo ocorrer
que possa facilitar o conseguimento da meta almejada" "experimentem e lhe enviem os resultados " "si
quid amplius occurrerit, quod non parum profecturum sperent tum ad styli comparationem, tum ad
auctores exacte et cum fructu legendos, periculum faciant ad nos mittant exemplum". Pachtler III, p. 11.

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tempo e no espaço, que lhe assegura uma grandeza majestosa, talvez singular na
história da pedagogia.
A esta formação viva e orgânica deve ele sua unidade, harmonia e equilíbrio
perfeito. Deve-lhe ainda e, sobretudo, o espírito que o informa e lhe caracteriza a
srcinalidade da fisionomia. Já o observou G. Muller: para a organização e
aperfeiçoamento da pedagogia da Ordem mais importante foi a prática viva do que
a utilização dos pedagogos teóricos”54[54].
Nesta prática viva formou-se pouco a pouco uma tradição pedagógica em que
os processos didáticos, assimilados com sábio discernimento entre os mais
acreditados
nascente do tempo,A passaram
instituição. expressãoade serFarrell,
aviventados
um dospor um abalizados
mais espírito novo, próprio da
conhecedores
contemporâneos da pedagogia dos jesuítas, resume-lhe com vigor e felicidade as
características dominantes: “o currículo, humanista; o método e ordem,
principalmente parisienses; o espírito, inaciano” 55[55].
O novo sopro que os discípulos de Inácio insuflaram na estrutura exterior do
ensino, comum a outras escolas do Renascimento, deu-lhe outra vida, imprimiu aos
seus colégios uma orientação vincadamente srcinal e assegurou-lhes um êxito que
os historiadores menos simpáticos à Companhia de Jesus são unânimes em
confessar.
Como causas dessa superioridade poderá apontar-se “uma organização
melhor, uma visão superior mais esclarecida, professores mais aptos, planificação
mais cuidadosa dos pormenores, continuidade mais seguida do corpo docente”. A
todos esses fatores, porém, importa acrescentar: “a disciplina e formação de
homens para os quais podia fazer apelo um ideal de sacrifício, de fraternidade
humana e de amor à Deus.
fez dos Só jesuítas
assim seospoderá compreender
mestres-escolas dacom facilidade
Europa porque
durante mais odesistema dos jesuítas
um século e meio”
56[56]
.
SINOPSE DO “RATIO”
Para quem, pela primeira vez, se põe em rápido contato com oRatio, a
impressão espontânea é quase a de uma decepção. Em vez de um tratado bem
sistematizado de pedagogia, que talvez esperava, depara com uma coleção de
regras positivas e uma série de prescrições práticas e minuciosas.
De fato, o Ratio não é um tratado de pedagogia, não expõe sistemas nem
discute princípios. A edição de 1586 enveredara por este rumo; foi criticada e
substituída pela de 1599. Ao tratado sucedeu o programa. Já vimos as razões de
ordem prática que ditaram essa mudança de orientação. Outras há, de caráter
histórico, que não devem ser esquecidas. Sobre os fins e ideais educativos discutia-
se menos no século XVI do que no século XX. A unanimidade era então quase
perfeita. Os nacionalismos ainda não se haviam ouriçado uns contra os outros nem
os estados se esforçavam por converter a educação das massas em instrumento
político. O alvo então visado era universal, a formação do homem perfeito, do bom
cristão. Não se mirava, com a ação das escolas, dar a consciência de cidadão de tal
ou tal império ou de representante desta ou daquela raça predestinadas. Os
professores do Renascimento percorriam a Europa sem se sentir estrangeiro em
nenhuma parte. Suaréz ensinou em Coimbra, Salamanca e Roma. Vives, espanhol,

54[54]
"Ueberhaupt duerft die erlebt Praxis fuer die Begruendung und Ausgestaltung der Paedagogik
des Ordens wichtiger gewesen sein. als die Benutzung der paedagogischen Theoretiker". E Paulsen, a
quem tomamos de empréstimo esta citação, acrescenta: "E isto vale não só aqui; os escritores da história
da Pedagogia inclinam-se a sobrevalorizar a influência dos teóricos". Paulsen, Op. cit., 1a., p. 422.
55[55]
"The curriculum was humanistic, the method and order principally Parisian, the spirit,
Ignatian". Farrel, The Jesuit Code of Liberal Education, p. 136-7.
56[56]
E.A. Fitzpatrick, St. Ignatius and the Ratio of Studiorum, New York and London, 1933, pp.
15 e 24.

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acha-se bem em Bruges e em Lovaina. Canísio, holandês, passava do Colégio de
Messina à Universidade de Ingolstadt.
Convém, portanto, a quem inicia o estudo do Ratio não esquecer a sua
finalidade eminentemente prática nem a moldura histórica que lhe enquadra as
srcens. Os princípios pedagógicos que o animam são mais supostos do que
enunciados. Deste manual prático que preconiza métodos de ensino e orienta o
professor na organização de sua aula, convém, por inferência, reconstruir linhas
mestras de uma pedagogia, que, além do Ratio, tem outrossim – convém lembra-lo
– a sua expressão em outros documentos.
Procuraremos,
agrupando sobre os em breveadministração,
títulos: resumo, indicar as direções
currículo a seguir nesse
e metodologia, estudo,
os elementos
mais importantes do seu conteúdo.
Para este fim, convém ter diante dos olhos um índice do Ratio, com um
sistema de siglas que permitam, breves e fáceis, as referências posteriores. Com
ligeiras modificações, seguiremos, por mais cômodo, o proposto de Farrell.
|A. Regras do Provincial (1-40)
I |B. Regras do Reitor (1-24)
|C. Regras do Prefeito de Estudos Superiores (1-30)

|D. Regras comuns a todos os professores das Faculdades Superiores


(1-20)
|E. Regras particulares dos professores das Faculdades Superiores. | Ea.
Professor de Escritura (1-20)
5) | | Eb. Professor de Hebreu (1-
| | Ec. Professor
de Teologia (1-14)
| | Ed. Prof. de
Teologia Moral (1-10)
II |F. Regras dos Professores de Filosofia. |Fa. Professor de Filosofia
| |Fb. Professor de Filosofia Moral (1-4)
| |Fc. Professor de Matemática (1-3)

|G. Regras do Prefeito de Estudos Inferiores (1-50)


|H. Regras dos exames escritos (1-10)
|I. Normas para a distribuição de prêmios (1-13)
III |J. Regras comuns aos professores das classes inferiores (1-30)
|L. Regras particulares dos professores das classes inferiores |La.
Retórica (1-20)
| |Lb. Humanidades (1-10)
| |Lc. Gramática Superior (1-10)
| |Ld. Gramática Média (1-10)
| |Le. Gramática Inferior (1-9)

|M. Regras dos estudantes da Companhia (1-11)


|N. Regras dos que repetem a Teologia (1-14)
|O. Regras do Bedel (1-7)
|P. Regras dos estudantes externos (1-15)
IV |Q. Regras das Academias |Qa. Regras gerais (1-12)
| |Qb. Regras do Prefeito (1-15)
| |Qc. Academia de Teologia e Filosofia (1-11)
| |Qd. Regras do Prefeito desta Academia (1-4)

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| |Qe. Academia de Retórica e Humanidades (1-7)
| |Qf. Academia de Gramáticos (1-8)

ADMINISTRAÇÃO.
A Companhia de Jesus é, administrativamente, dividida em Províncias e
Circunscrições territoriais, que compreendem várias cassa e colégios da Ordem e
coincidem com o território de uma nação ou parte dele. À frente de cada Província
acha-se
em um oProvincial
nomear Prefeito. eSuas funções,
Estudos e deno que se refere
disciplina, aospela
em zelar estudos, resumem-se
formação de bons
professores, em promover os estudos na sua Província, exercer uma alta vigilância
sobre a observância exata das normas traçadas pelo Ratio e propor ao Geral as
modificações sugeridas pelas circunstâncias de tempo e lugar, peculiares à
Província. A 1-40.
O Reitor é a figura central do Colégio. Distribui os ofícios convoca e dirige as
reuniões dos professores, preside às grandes solenidades escolares. Exerce, em
seu colégio, a autoridade mais alta, subordinada, porém, na Província, à do
Provincial e, fora dela, à do Geral, por quem é nomeado. B 1-24.
Braço direito do Reitor na orientação pedagógica, é oPrefeito de Estudos.
Homem de doutrina e de larga experiência de ensino, acompanha de perto toda a
vida escolar, visita periodicamente as aulas, urge a execução dos programas e dos
regulamentos, forma e aconselha os novos professores, articula a atividade de
todos. Guarde fiel das tradições, assegura, com a unidade atual da obra
pedagógica, a sua continuidade no tempo.
cursosNosdegrandes estabelecimentos,
humanidades, em principal,
ao Prefeito que se reuniam Faculdades
encarregado dos Superiores e
estudos nas
Faculdades, se subordinava, com auxiliar, outro chamado Prefeito dos Estudos
Inferiores. C.1-30; G. 1-50.
Se o numero de alunos o exigia, nomeava-se ainda umprefeito de disciplina,
incumbido de auxiliar o prefeito de estudos, principalmente na manutenção geral da
ordem e do bom comportamento. B. 22; G. 37-50, 9-13.
Para os cursos superiores e secundários, oRatio organizou currículos muito
precisos e pormenorizados.
I – Currículo Teológico.4 anos.
Teologia escolástica. 4 anos; dois professores, cada qual com 4 horas por
semana. A.9.
Teologia moral. 2 anos. Dois professores com aulas diárias ou um professor
com duas horas por dia. A.12.
Sagrada Escritura. 2 anos com aulas diárias. A. 6.
Hebreu. 1 ano, com duas horas por semana. A. 7-8; Eb. 3.
A revisão de 1832 ao currículo teológico acrescentou, com disciplinas
autônomas, o Direito Canônico ea História Eclesiástica, estudada noséculo XVI, só
ocasionalmente.
II – Currículo filosófico.
1o. Ano – Lógica e introdução às ciências; um professor; 2 horas por dia. Fa-
7; 9.
2o. Ano – Cosmologia, Psicologia, Física – 2 horas por dia. Fa.-7-10.
Matemática – 1 hora por dia. A-20.
3o. Ano – psicologia, Metafísica, Filosofia Moral – dois professores. Duas horas
por dia. Fa-7-11; Fb-2.
III – Currículo Humanista.
O currículo humanista, corresponde ao moderno curso secundário, abrange no
Ratio 5 classes:

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1 – Retórica.
2 – Humanidades.
3 – Gramática Superior.
4 – Gramática Média.
5 – Gramática Inferior.
Estas classes são caracterizadas por graus, ou estágios de progresso.
Representam menos uma unidade de tempo (1 ano) do que uma determinada soma
de conhecimentos adquiridos. Só podia ser promovido à classe superior, o aluno
quemuitas
se os houvesse
vezes assimilado
por 6 e 7integralmente.
anos; a ultimaPor classe
isso, nadeprática, o currículo
gramática e às dilatava-
vezes a
penúltima desdobravam-se em duas outras, A e B, ou ínfima gramáticaprimi
ordinis e í nfima gramática secundi ordinis. A-21;G-8.
Na sua maior extensão o currículo era assim representado57[57]:

Grau Classe Ano


1 Retórica 7
2 Humanidades 6
3 Gramática Superior 5
4 Gramática Média A 4
4 Gramática Média B 3
5 Gramática Inferior A 2
5 Gramática Inferior B 1

O “grau” da gramática ínfima é conhecimento perfeito dos rudimentos da


gramática e das primeiras noções de sintaxe. Lc-1. O grau dagramática superior é
o conhecimento perfeito da gramática. Lc. 1.
O grau da classe de humanidades que prepara imediatemente à retórica é o
conhecimento da linguagem, alguma erudição e primeiras noções dos preceitos da
retórica. Lb-1.
O grau da retórica é a expressão perfeita, em prosa e verso, e abrange os
conhecimentos teórico e prático dos preceitos da arte de bem dizer e uma erudição
mais rica de história, arqueologia, etc. La-1.
Como se vê, o objetivo do curso humanista é a arte acabada da composição,
oral e escrita. O aluno deve desenvolver todas as suas faculdades, postas em
exercício pelo homem que se exprime e adquirir a arte de vazar esta manifestação
de si mesmo nos moldes de uma expressão perfeita. As classes de gramática
asseguram-lhe uma expressão clara e exata, a de humanidades, uma expressão
rica e elegante, a de retórica mestria perfeitamente na expressão poderosa e
convincente ad perfectam eloquentiam informat.
O latim
história, e o gregoas são
a geografia, as não
realia, disciplinas
têm um dominantes. As outras, são
estatuto autônomo, o vernáculo,
ensinadasa
concomitantemente na leitura, versão e comentários de autores clássicos.
A seleção e graduação dos autores obedece ao programa seguinte.
Na gramática inferior, Cartas mais fáceis de Cícero; primeiras noções de
grego. Lê-1.
Na gramática média, Cartas de Cícero ad familiares, poesias mais fáceis de
Ovídio; catecismo grego,Tabula de Cebes. Ld-1.
Na gramática superior, prosa no 1o. Semestre, As Cartas mais importantes de
Cícero ad familiares, ad Atticum, ad Quintum fratrem ; no 2o. Semestre, Cícero, De
Senectute, De Amicitia, Paradoxa ou outros livros semelhantes. Poesia: no primeiro
57[57]
No Colégio Romano eram 7 classes: "In Collegio hoc nostro Romano septem sunt
humanioribus classes seilicet quinaue grammatices, una humanitatis, et altera rhetoricae". Monumenta
paedagogica, p. 384. Rochemonteix dá uma lista de 10 colégios da Companhia na França cujo currículo
se estendia por 6 anos. Le Collège Henri IV de la Flèche, Le Mans , 1889, t. III, p. 4-5.

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semestre, trechos seletos de Catulo, Tibulo, e Propércio, Éclogas de Virgilio, ou
ainda os livros mais fáceis do mesmo autor como o 4o. das Geórgicas, ou o 6o. e 7o.
da Eneida. Em grego, S. Crisóstomo, Esopo, Agapito e outros análogos. Nas três
classes de gramática, como texto, adote-se a gramática, como texto, adote-se a
gramática do P. Álvares. Lc-1.
Em humanidades: Latim – Cícero, obras de filosofia moral, no 1 o. semestre;
no 2o. algumas orações como Prolege Manilia. , pro Archia, pro Marcello ou outras
pronunciadas diante de César; dos historiadores César, Salústio, Tito, Lívio, Curcio
e outros semelhantes; dos poetas, principalmente Virgilio, com exceção do o4. livro
da Eneida,
poetas odes seletas
clássicos. Grego: de
no Horácio, elegiasOrações
1 o. semestre, epigramáticas e outras
de Isócrates, S. composições
Crisóstomo, S.de
Basílio, epistolas de Platão, Sinésio, trechos seletos de Plutarco; no 2 o. semestre,
poesias de Focílides, Teognides, S. Gregório Nazianzeno, Sinésio e outros
o
semelhantes. Para os preceitos de retórica, o tratado do P. Cipriano Soares. Lb-1 .
Em retórica, os preceitos devem ser explicados pelos livros de Cícero e de
Aristóteles (Retórica e Poética), o estilo deve ser formado principalmente em
Cícero, ainda que se devam conhecer também os melhores historiadores e poetas.
Para o grego só se utilizem autores antigos e clássicos. Demóstenes, Platão,
Tucídides, Homero, Hesíodo, Píndaro, e outrosassim, entre os quais se deve incluir
com razão os Santos Gregório Nazianzeno, Basílio e Crisóstomo. La – 1, 13.
Quanto ao horário, o Ratio supõe 5 horas de aulas por dia, duas horas e meia
pela manhã e outras tantas pela tarde. O tempo é minuciosamente distribuído entre
o grego e o latim, a prosa e a poesia, e os diversos exercícios escolares, preleção,
lição de cor, composição, desafio, etc., visando-se em tudo, com o melhor
aproveitamento da aula, a maior variedade nas ocupações do aluno. A ordem
estabelecida, porem,
Para julgar com alterada de acordo
acerto este com
currículo e aosausência
costumesdelocais. J-15. que hoje nos
disciplinas
parecem indispensáveis num curso secundário, convém lembrar a situação cultural
do século XVI. Nem as ciências experimentais haviam tomado o desenvolvimento
que hoje conhecemos nem as línguas modernas a importância que lhe deu
posteriormente o surto progressivo das nacionalidades e o enriquecimentos das
respectivas literaturas. Quando os jesuítas entraram em Portugal, Camões ainda
não havia escrito Os Lusíadas. Se os jesuítas, no seu plano de estudos, como
disciplina autônoma, não incluíram a língua vernácula, também não incluíram a
Universidade de Paris, e as escolas protestantes e Sturm e Trotzendof e Melanchton
com suas mediadas draconianas contra o alemão, o grego e o hebreu. É uma
atitude tomada por todo o século XVI. Quanto às ciências então acessíveis –
matemáticas, astronomia e físicas – eram incluídas no currículo filosófico.
Uma leitura apressada do Ratio e um conhecimento lacunoso das suas
aplicações históricas levaram, por isso, alguns autores a acusar os jesuítas de
negligenciarem o cultivo do idioma pátrio. Nada menos justificado.
Para os jesuítas, o conhecimento do vernáculo é uma prescrição, mais de uma
vez repetida, do seu Instituto. As Constituições lembraram-lhes que, para pregar
com fruto, importa bem aprender a língua falada pelo povo58[58]. As regras comuns
lembram a todos o dever de estudar a língua do país em que trabalham59[59]. Com
este espírito prescrevia Nadal na sua visita aos colégios da Colônia (1566) e de
Mogúncia (1567), que estudassem com afinco o alemão60.
O Ratio recomenda mais de uma vez a diligencia no uso da língua materna.
Traduções, versões, ditados, exposições do argumento obrigam a um estudo
ocasional, mas nem por isso menos eficiente do vernáculo. Ao professor de
humanidades em particular lembra que poderá, não só usar a língua nacional,
quando nisto houver vantagens, senão que também poderá no fim da explicação do

58[58]
59[59]
60
Arch. Prov. Germaniae S.J. XIII B. I., fol. 495, 506. Cit. por B. Duhr, Die Studienordnung der
Gesellschaft Jesu, Freib. in B. 1896, p. 109.

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autor dar do trecho estudado uma tradução, feita com todo o primor.Omnia patrio
sermone sed quam elegantissime vertere.Lb-5, 6. var ainda Lc-4, 5, 6, 10; Ld-4,
6, 7, 10; Le-4, 6, 7, 9.
O trabalho em aula é completado com exercícios suplementares, leituras de
bons autores, discursos, academias, teatro, pregações no refeitório, etc.
Do estudo da gramática, do comentário dos autores clássicos e da composição
literária – preceitos e prática, - ainda que feitos em Latim, beneficiava também a
formação do jovem no manejo da língua pátria.
Com o desenvolvimento progressivo das leituras modernas, o Ratio foi, na
prática,
Já abrindo
por voltaumdoespaço
ano decada vezsabemos
1600, maior ao que
estudo direto das
os jesuítas dalínguas
Boêmiavivas.
pediam e
obtinham licença de instituir uma academia particular para o estudo da língua
tcheca 61. Em 1625 Sacchini insistia, numa exortação aos professores, para que os
alunos aprendessem igualmente as duas línguas 62. Jouvancy, um dos maiores
pedagogos da Ordem, no seu livro De ratione discendi et docendi(1705) escreve
um capítulo inteiro ao De studio linguae vernaculae. O P. Hermann, Provincial da
Germânia Superior, num memorial deixado em 1766 sobre a organização dos
estudos humanistas, lembra as freqüentes instruções anteriores relativas ao
mesmo assunto e, ainda uma vez, inculca o grande cuidado que deve merecer o
estudo do alemão 63. Nos ginásios austríacos já em 1755 nos informa Wagner que
os exercícios da Academia se realizavam quase todos em vulgar64.
Este espírito levou ainda os filhos de S. Inácio, nos paises de missões, a
dedicar-se com rara perseverança e notáveis resultados aos estudos das línguas
indígenas. No México, no Peru e na Colômbia bem cedo fundaram-se cursos das
línguas nativas dos índios. No Brasil, Anchieta, primeiro, Figueira, mais tarde,
reduziram
em 1556 e aemArte aa língua tupi-guarani,
Pernambuco em 158765. que já era ensinada no Colégio da Baía,
Este movimento ascensional em favor das línguas vivas culminou em 1832,
quando foi revisto o Ratio, na autonomia do seu ensino elevado a disciplina maior.
A nova redação recomenda, entre outros pontos, que os alunos tenham na língua
pátria “uma formação sólida” e o estilo se aprimore “na escola dos melhores
autores” 66.
A prova mais eloqüente do que, neste ponto, conseguiram os métodos dos
jesuítas é o veridictum da experiência. Das suas escolas saiu, de fato, grande
número dos melhores escritores das literaturas modernas. Nos colégios da
Companhia receberam a sua primeira formação literária: na Itália, Tasso, Alfieri,
Vico, Muratori, Goldini, Segneri, Bártoli; na Espanha, Cervantes, Lope de Vega,
Calderon, em Portugal, Viera, Bernardes, Francisco Manuel de Melo, Jacinto Freire
de Andrade, Correia Garção; no Brasil, Gregório de Matos, Rocha Pita, Cláudio
Manuel da Costa, Alvarenga Peixoto, Caldas Barbosa, Basílio da Gama; naFrança,
Corneille, Molière, Bossuet, Montesquieu, Fontenelle, Malesherbes, e o próprio
Voltaire. O P. Porée, professor de retórica, durante longos anos, no Colégio Louis-
le-Grande, de Paris, chegou a ver 19 de seus discípulos na Academia Francesa.
61
"Bohemicae linguae Academia (privata), cursu sit, magna necessitas et penuria callentium illam,
summopere placeret". Resp. ad. Prov. Austriae, a. 1600.
62
"...deinde ut in vernacula etiam verbaemendate apteque item scripto convertat quo linguam
pariter ultramque pueri condiscant". Paraenesis ad Magistros Schol. Inferior., c. 7, n. 6.
63
"Quanvis in Scholis nostris prima esse cura debeat linguae latinae dotibus suis amnibus
instructae, magnam tamen hoc tempore lingua etiam requirit Germanica ". Pachtler, IV. 55.
64
"... cum seu in historia seu in authore pleraque pergantur in lingua vernacula". Wagner,
Instructio privata, p. 20 sgs.
65
Sobre a contribuição dos jesuitas para a linguística americana cfr. Serafim Leite, S.J., História
da Companhia de Jesus no Brasil, t. II, 545-568; Astrain, Hist. de la Comp. de Jesus en España, t. IV e
V, passim.
66
Regra 23 do Provincial: "Illud etiam sibi valde comendatum existimet ut in scholis discipuli in
lingua vernacula solide instituantur". Regra 1 do Prof. de Retórica: "Quoad linguam vernaculam stylus ad
normam optimorum auctorum efformetur". Pachtler, II, 258, 400.

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Quanto às ciências, o Ratio preferiu remeter-lhes ao estudo para o currículo
de Filosofia ou para o Colégio das Artes, como o chamavam os nossos maiores.
Terminada a formação literária do curso humanista, passava o jovem a estudar as
ciências então já constituídas: a matemática, a astronomia e a física.
Com o correr dos anos e o desenvolvimento dos conhecimentos científicos,
introduziram-se outras disciplinas e alargaram-se os respectivos programas. Os
colégios da Companhia acompanharam constantemente o ritmo progressivo das
ciências modernas e muitas vezes contribuíram para acelera-lo. Compayré, um dos
críticos mais apaixonadamente severos da pedagogia dos jesuítas, confessa que
“eles seguiram
ensino cientifico”o 67
movimento
. geral que alargou tão prodigiosamente os quadros do
Já em 1623 os jesuítas apresentavam, para o Colégio de Madrid, um
programa de um Studium Generale, com 23 cátedras, entre as quais encontramos
as consagradas ao hebreu, ao sírio, ao caldeu, à cronologia histórica, à física, à
matemática (1a. cadeira com estudosde Astronomia, Perspectiva, Climatologia; 2a.
cadeira de Geometria, Hidrografia, Geografia, teoria dos relógios), à Economia
Política, à História Natural, (Geologia, Mineralogia) etc. 68.
Também aqui o melhor índice da eficiência do ensino são os resultados
obtidos. Não só entre os membros da Ordem contam-se numerosos cultores
exímios dos mais variados ramos da ciência69, mas ainda das suas escolas saíram
alguns dos seus mais notáveis pioneiros, lembremos aqui apenas os nomes de
Descartes, Galileu, Buffon, Réaumur, La Condamine, Lalande, Renaudot, Berthollet,
Bossuet, etc. etc.
Podemos concluir que, no seu currículo, o Ratio conseguiu organizar e
sistematizar o que de melhor havia no tempo.
Diga-o
o Ratio Paulsen,
Studiorum autor
tenha sidoprotestante
elaborado moderno,
com grandede sabedoria
reconhecida autoridade:
e diligencia “Que
invulgar
é o que se não pode por em dúvida. Nem tão pouco é possível contestar que, no
seu conjunto, o seu plano de estudos se adapta bem às exigências do tempo; tudo
o que tinha um valor no mundo cientifico do século XVI foi nele levado em
consideração. Não duvido tão pouco que, pela sua organização escolar, a Ordem
tenha promovido eficazmente a difusão da cultura intelectual e, em particular, o
conhecimento das línguas clássicas nos paises católicos, onde os jesuítas eram os
mestres mais instruídos e zelosos”.70
À sua própria organização deu ainda o Ratio plasticidade indispensável a todas
as adaptações exigidas pelo movimento progressivo da cultura. O princípio de uma
política educacional progressiva reconhece-o a regra 39 do Provincial: “Como,
porém, na variedade de lugares tempos e pessoas pode ser necessária alguma
diversidade na ordem e no tempo consagrado aos estudos, nas repetições, disputas
e outros exercícios e ainda nas férias, se julgar conveniente na sua Província,
alguma modificação para maior progresso das letras, informe o Geral para que se
tomem as determinações acomodadas a todas as necessidades, de modo, porém,
que se aproximem o mais possível da organização geral dos nossos estudos”. Na
prática, os colégios dos jesuítas não se imobilizaram numa rigidez sem vida, mas
67
"Les jésuites ont suivi le mouvement général qui a si prodigieusement élargi les cadres de
l´enseignement scientifique". Compayré, Histoire critique des Doctrines de l´Education en France, t. II,
p. 199.
68
O plano de estudos pode ver-se na sua integridade em Astrain, Historia de la Compañia de Jesus
en la Asistencia de España, t. V., 145-146.
69
"Somos forçados a partilhar da admiração manifestada por esse autor [Chateaubriand] pelos
muitíssimos serviços destacados dos jesuítas no setor da astronomia, da física, da geografia, etnografia e
outras esferas científicas, como deveremos, além disso, reconhecer que a Ordem conta em suas fileiras
um número considerável de inventores invulgarmente talentosos". R. Fülop Miller, Os jesuítas e o
segredo do seu poder, Tradução portuguesa, Porto Alegre, 1935, p. 530. E páginas antes: "A Ordem dos
jesuítas produziu um grande número de sábios eminentes, os quais fizeram sua a tarefa de prosseguir até
os seus cimos mais elevados a pesquisa científica". p. 444.
70 F. Paulsen, Geschichte des gelehrten Unterrichts, Leipzig, 1919, t. I, p. 433.

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com espírito sabiamente conservador e prudentemente progressista souberam
sempre acompanhar o passo de uma cultura que marcha.
METODOLOGIA.
É a parte mais interessante e mais desenvolvida doRatio. Sob o nome de
metodologia compreendemos aqui tanto os processos didáticos adotados para a
transmissão de conhecimentos, quanto aos estímulos pedagógicos postos em ação
para assegurar o êxito do esforço educativo. A intenção que nos ditou foi não só de
orientar os professores novos como de unificar o sistema de ensino e a tradição
pedagógica da Ordem.
espontaneidade Nem porao
indispensável issotrabalho
houve uma padronização
dedicado rígida que
de formação das tolhesse
almas. Aa
própria multiplicidade de métodos propostos já deixa uma ampla liberdade de
opção adaptada à diversidade dos dons e à variedade das circunstâncias. Ao
mestre, além disto, se conferem largos poderes de iniciativa, não só o emprego dos
métodos indicados, senão também na invenção de outros. Norma e liberdade,
tradição e progresso balançam-se em justo equilíbrio.
Preleção. A preleção, prelectio, é centro de gravidade do sistema didático do
Ratio. Como o nome o está indicando, é uma lição antecipada, uma explicação do
que o aluno deverá estudar. Seus métodos e aplicações variam com o nível
intelectual dos estudantes.
Nas classes elementares de gramática, após a leitura e o resumo do texto, o
professor explica, resolve as dificuldades relativas ao vocabulário, à propriedade
dos termos, ao sentido das metáforas, à gramática, à ordem, e conexão das
palavras.
Mais tarde,
gramática à medida
elementar, que as classes
sucedem se aproximam
as relativas da retórica,
à sintaxe, às questões
ao estilo, de
à arte de
composição. Mais do que com as palavras, ocupa-se o mestre com as idéias e sua
expressão. O texto estudado em confronto com textos análogos do mesmo ou de
outro autor. Para sua melhor compreensão subministram-se os conhecimentos das
realia indispensáveis. É o que o Ratio chama erudito (conhecimentos positivos).
Sob este nome compreende-se as noções de historia, geografia, mitologia,
etnologia, arqueologia, e instituições da antiguidade greco-romana que podem
elucidar o sentido do trecho analisado.
A razão de ser, porém, da eruditio não é tanto aumentar a soma de
conhecimentos quanto introduzir o aluno numa compreensão perfeita do autor. A
preleção, na sua finalidade, é menos informativa do que formativa; não visa
comunicar fatos, mas desenvolver e ativar o espírito. Com uma compreensão viva,
o aluno vai exercitando, não tanto a memória, mas também e principalmente a
imaginação, o juízo e a razão. Observa, analisa palavras, períodos, parágrafos;
resume passagens; compara; critica; adquire hábitos de estudo; desenvolve o
desejo de ulteriores investigações para formação do critério de uma apreciação
pessoal. O alcance deste objetivo exige do professor uma preparação cuidadosa;
“não fale sem ordem nem preparação, mas exponha o que escreveu refletidamente
em casa e leia antes todo o livro ou discurso que em entre mãos”. J-27.
Ao trabalho do professor, segue-se o do aluno. O método é essencialmente
ativo. Não só durante a exposição do mestre os estudantes são freqüentemente
interrogados e solicitados a uma colaboração continua, mas terminada a tarefa da
explicação, começa e da composição. O fim da preleção não pe teórico, mas
artístico; mira desenvolver arte da expressão. Imitatio est anima prelectiones 71.
Estuda-se uma carta, uma descrição, um discurso para compor uma carta, uma

71
Numa instr ução de 1622 lêem-se estas palavras: "Animadvertendum est, praelectionem quemque
Ciceronis duabus debere constare partibus, interpretatione et observatione ad imitandum instituta; quarum
illa est ut corpus, haec ut anima praelectionis". Pachtler, IV, 194. É o que já dissera Possevino:
"Curandum ut auditores probe intelligant et quid dicatur ab oratore et quomodo dicatur, idque accomodate
ad imitandum, qui Tullianae lectionis fructus est maximus". Bibliotheca Selecta, II, 507.

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descrição, um discurso. A preleção não se confunde com uma tradução, ou uma
leitura, visa diretamente o estudo, a análise viva de um modelo. Depois de o haver
contemplado e admirado, o aluno esforça-se por assimila-lo e reproduzi-lo. No
silêncio de sua banca de estudos repetirá depois os processos vitais percorridos
pelo autor e analisados na preleção. Focaliza e ordena idéias; escolhe e articula
palavras, frases, períodos; dispõe os argumentos, numa tentativa fecunda de
rivalizar com o modelo entrevisto. Imitação um tanto servil nos primeiros tempos, a
composição ganhará em srcinalidade e cunho pessoal à medida que o aluno for
enriquecendo o seu patrimônio de idéias e os seus recursos de expressão.
Insistindo na de
oportunidade importância deste fim
assimilar melhor prático,a oRatio
e realizar sínteseoferece-lhe continuamente
viva de tudo a
o que aprende:
regras de gramática, normas de estilística, conhecimentos positivos. A lição de
preceitos (a praecepta), a leitura do autor, aeruditio, convergem no trabalho
pessoal da composição. Para o estudo da preleção e seu método nas diferentes
classes, J-27-29; La-6,7,8,13,14,15; Lb-5,9; Lc-5,9: Ld-6,8,9; Le-6,8.
Antes da preleção quase sempre recitava-se de cor um trecho latino em prosa
ou verso. O Ratio preconiza o exercício quotidiano da memória, sem, porém,
incorrer no defeito da memorização. Memoriza viciosamente quem substitui a
memória à atividade da inteligência e da razão; quem decora a descrição de um
aparelho em lugar de observa-lo e referir o que observou; quem recita um teorema
de geometria em vez de expor-lhe a demonstração racional assimilada. Visavam os
educadores do Ratio, antes de tudo, o exercício de uma faculdade,custos et
thesaurus scientiarum 72, que a todo trabalhador intelectual presta serviços
inestimáveis e, além disto, miravam ainda o enriquecimento do vocabulário e a
formação estética do ouvido literário, que assim se habituava à harmonia dos
períodos bem torneados.
admiravelmente a este duploAobjetivo.
recitação de cor dos grandes clássicos servia
Ao lado da lição de cor, ao lado da preleção no seu duplo aspecto de
explicação dos “preceitos” de gramática e retórica de comentário dos autores,
indicam-se ainda para o tempo da aula outros exercícios escolares; colheitas de
frases dos bons autores, versão e retroversão, ditado do tema da composição,
redação de inscrições, epigramas, epitáfios, etc, correção de trabalhos, declamação
de desafio. A variedade das ocupações suavizava o esforço e mantinha a atenção
sempre alerta.
No seu trabalho, o professor é eficientemente ajudado pelos alunos. A aula
não se apresenta como uma multidão inorgânica de unidades desarticuladas a ouvir
passivamente o mestre que discorria do alto da sua cátedra. Há em primeiro lugar
os decuriões e censores. Estes auxiliam na conservação da ordem e da disciplina,
aqueles corrigem os deveres e tomam as lições. Acima de uns e de outros, toda
uma magistratura bem hierarquizada: senadores, tribunos, cônsules,imperator.
Toda a aula divide-se em dois campos com as suas organizações político-militares
paralelas. No preenchimento destes cargos, nenhuma proteção ou intriga. Só o
mérito apurado em trabalhos escolares rigorosamente examinados,compositiones
pro imperio, decide, cada mês ou cada dois meses, da nova promulgação de
postos. Dentro de cada campo, os desafios freqüentes permitem a promulgação
gradual dos mais valentes. Desenvolvia-se assim nesta magistratura juvenil o
senso da responsabilidade, a solidariedade de corpo, a consciência da autoridade e
a disciplina da obediência, o respeito da legalidade e ao mesmo tempo plasma-se a
aula nos moldes de um organismo social bem estruturado. É fácil avaliar o ardor e
o entusiasmo para o estudo que despertavam, sobretudo nas classes inferiores,
estes torneios escolares e as distinções públicas que lhes consagravam os triunfos.
Passamos assim insensivelmente dos processos didáticos aos estímulos
pedagógicos empregados para incentivar a atividade do aluno.
Os jesuítas não eram amigos dos castigos corporais. Não os suprimiram de
todo, mas alistaram-se decididamente entre os que mais contribuíram para

72 A. Fichet., Arcana Studiorum, L. II, c. XIII.

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suavizar a disciplina. É mister ter presentes os rigores antigos para avaliar o
progresso realizado. Letra com sangue entra,puseram em anexim os nossos bons
antigos. No dia solene da investidura, como símbolo de sua missão disciplinadora,
recebia oficialmente o professor um chicote 73 e não o recebia em vão. Pierre
Tempête, Principal do Colégio de Montaigu, mereceu a triste alcunha de Grand
fouetteur dês enfants. Em 1520, a um amigo que o consultava a respeito da
educação dos meninos aconselhava o Reitor da Universidade de Paris, Texier de
Ravisi: “Quando caírem em falta, ou forem colhidos em mentira, quando tentarem
sacudir o jugo, murmurarem ou formularem a mínima queixa, bater de rijo e não
deixarcalmos
mais de baterque
nemo abrandar
azeite e amenos
correção até quebrar-lhes
resistentes a arrogância
que a polpa e torna-los
de melão” 74
. Os
excessos da pedagogia calvinista raiam pela crueza mais desumana. Por haver
insultado a mãe, uma criança é condenada em 1563 a três dias de prisão, e a
jejum a pão e água. Por haver batido nos pais, quatro anos depois da morte do
reformador de Genebra, um menino foi decapitado. Em 1583 o regulamento de
Neowhauser julga ainda necessário lembrar que: “o professor deve bater
imediatamente no aluno que não sabe a lição... mas não se deve proceder como
tirano, fustigar os meninos até o sangue, calca-los os pés, levanta-los pelas
orelhas, bater-lhes no rosto com a mão ou o livro, mas puni-los com moderação e
não ceder à paixões pessoais75”.
A reação começou no século XVI. Erasmo, Montaigne, Rabelais aceraram os
seus epigramas contra este regime de galé. Os jesuítas fizeram mais; acabaram
com o orbilianismo organizando os seus colégios com uma disciplina forte a um
tempo, e paterna.
As Constituições já haviam enunciado o princípio: “na medida do possível a
todos se trate
Studiorum com o espírito
conservou-se de brandura,
fiel e o aplicou de paz e da caridade”76. O Ratio
com inteligência.
A regra 40 do Professor das escolas inferiores prescreve-lhe que não seja
precipitado no castigar, nem demasiado no inquirir, que não se abstenha de
qualquer palavra ou ação injuriosa para o castigo, e a ninguém chame senão pelo
nome ou cognome. J-40.
Os castigos físicos só eram aplicados em casos mais graves quando não
bastavam os meios suasórios.Ubi verba valente ibi verbera non dare. O trocadilho
exprimia a norma e a pratica dos colégios da Companhia. Só se deveria recorrer à
palmatória, dizia a regra do Prefeito de estudos, quando “não bastassem as boas
palavras e exortações”. G-40.
Ainda nestes casos mais raros oRatio rodeava a aplicação do castigo de tais
circunstâncias que lhe restringiam as possibilidades de abuso e conservavam a
eficácia disciplinadora. Antes de tudo, o professor da Companhia nunca devia, com
suas próprias mãos, tocar o aluno,nunquam ipse plectat. L-10. Era uma tradição
que remontava e S. Inácio. Em 1552 escrevia o Santo Everardo Mercuriano: “não
convém que os professores da Companhia castiguem senão com palavras”77. Para

73
Schmidt, Geschchte der Pädagogik, t. III, p. 147: O velho Marcial chamava a palmatória, o estro
do pedagogo, Ferulaeque tristes sceptra paedagogorum.
74
"S´ils tombent dans quelque faute, s´ils sont convaincus de mensonge, s´ils tentent de secouer le
joug, s´ils murmurent ou se plaignent le moins du monde; frapper très fort et ne cesser de frapper, et
n´adoucissez pas la correction, que leur arrogance ne soit amolie, qu´ils ne soient devenus plus calmes
que l´huile et moins résistants que la chair du melon". Epistolae Joannis Ravisi Textoris, Rothomagi,
1597, Epist. XXIII. Sturm é mais moderado mas ainda assim pende para o rigor: quod severitate corrigi
potest, indulgentia non debet negligi. Fournier, Les Status et Privilèges des Universités françaises, Paris,
1894, t. IV, p. 25.
75
Schmidt, Geschchte der Paedagogik, III, p. 146.
76
Constitutiones, P. IV, c. XVI, D.
77
"Perchè li mastri di quella [Compagnia] non è decente che habbiano a castigare con altro que le
parole". Monumenta Ignatiana, XII, 311. "Si ben é necessario a loro [aos meninos] esse cosi correcti, non
é decenti a noi il castigarli con le mane proprie". Epist. Ignat. IV, 601. Outras muitas citações no mesmo

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o integrato mister cumpria tomar um oficial de fora, o Corretor, homem sério e
moderado, que administraria a punição de acordo com as instruções recebidas do
Prefeito de Estudos 78.
Os golpes não deviam normalmente passar de seis; nunca no rosto ou na
cabeça. Tampouco se devia aplicar o castigo em lugar solitário, mas sempre na
presença de, pelo menos, duas testemunhas. Era este o gravissimum
“ liberalis
disciplinae supplicium”. Não se visava nem ferir nem humilhar o aluno (na
sociedade do século XVI a férula não era nenhuma desonra” mas apenas causar-lhe
uma pequena dor física, que, na primeira idade, é, para certos temperamentos, um
meio disciplinar
nimium affligat 79.de eficácia incontestável, ut correctio pungat, non laceret vel
Os castigos físicos, porém, ficaram sempre em último recurso; a regra era
apelar para os sentimentos mais nobres da honra e da dignidade;quod spe honoris
as praemii metuque dedecoris magis quam verberibus consequetur . J-39.
Resumem bem a atitude disciplinar dos jesuítas estas palavras de Schimberg:
“Os Padres substituem os processos morais, racionais e científicos aos métodos de
correção física, empregados pelos seus predecessores e formam a transição entre o
começo do século XVI ainda bárbaro e o fim do século XVIII excessivo na
sensibilidade” 80.
Se, de fato, os métodos punitivos não eram tidos em grande estima, é porque
os jesuítas acordavam da honra dos jovens alunos. Aemulação constitui no seu
sistema uma das forças psicológicas mais ativas e eficientes. Os meninos
experimentavam-lhe a cada passo os estímulos poderosos.
A aula era dividia em dois campos, romanos e cartaginenses, cada qual com o
seu estandarte; em cada campo dispunham-se por ordem de merecimento os
diferentes
êmulo, rival graus
ou da hierarquia
oponente militar;
sempre todoa aluno
pronto tinha nooscampo
advertir-lhe erros adverso
e contar,um
corrigindo-os, uma vitória para sua bandeira. Emulação entre os dois partidos;
emulação dentro de cada partido onde os postos de honra e de comando só eram
conquistados e mantidos à custa de provas e merecimentos escolares. Não raro
ainda emulação e luta mais solene entre uma aula toda e imediatamente superior.
O desafio concertatio freqüente mantinha assim oficiais e soldados num estado de
alerta permanente. As regras do Ratio recomendavam-no em todas as escolas
inferiores, ut honesta aemulatio, quae magnum ad studia incitamentum est,
foveatur. J-31 : era uma adaptação feliz dadisputatio tão freqüentes nos grandes
torneios filosóficos e teológicos da Idade Média. J-31, 34; La-12; Lb-7; Lc-10; Le-9.

sentido ver J. M. Alcardo, Comentario a las Constitutiones de la Compañia de Jesus, Madrid, 1922, III,
196-199.

não gostamMais
detarde os Padrespelo
ser punidos das Corretor,
Provínciasmas
alemãs pedem
pelos dispensa
próprios desta proibição.
professores Os jovens
da Companhia, aosalemães
quais,
segundo o costume, depois de receber o castigo, apertavam a mão num gesto cavalheiro de
agradecimento.
78
Nem sempre, como fora de esperar à primeira vista, sobre o pouco simpático corretor se
acumulavam os ressentimentos dos alunos. A idade madura e a experiência da vida transformava às vezes
em reconhecimento sincero o que a princípio era apenas uma reação compreensível de irritação infantil.
Conta-nos o P. FRanco que um tal Sebastião Sequeira, corretor durante 40 anos, no Colégio de Bragança,
que, no dia de seu falecimento, a 12 de Março de 1694, quiseram os nobres da cidade levá-lo à sepultura
sobre os próprios ombros em testemunho de gratidão pelos castigos de outrora recebidos. Synopsis
Annalium Societatis em Lusitania, Augustae Vindelicorum 1726, p. anno 1694.
79
Pachtler, I, 160, 207, 279 - "Há temperamentos, escrervia o P. Bonifácio, que só se deixam levar
pela dor corporal". E o Chronicon, apleando para uma experiência de vários anos, escreve em 1556:
"experinetia docebat, sine punitione non posse illos in officio contineri nec in litteris et bonis moribus ut
par est, proficere". Cfr. Herman, La pédagogie des jesuites au XVI siècle, p. 116.
80
A. Schimberg, L´éducation morale dans les Collèges de la Compagnie de Jésus en France, Paris,
1913, p. 482.

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Os prêmios eram outro incentivo poderoso à emulação fecunda. Não os
inventaram os jesuítas; mas à sua distribuição deram tal realce e esplendor que a
elevaram à altura de um dos atos mais importantes e ansiosamente desejados da
vida escolar. Sob a presidência de altas autoridades eclesiásticas e civis, na
presença das famílias, galardoavam-se, em solenidades de raro brilho, os
resultados finais dos esforços do ano. ORatio traça normas minuciosas relativas
aos prêmios, ao seu número, à realização e julgamento dos concursos para apurar
os merecimentos, à sua distribuição solene. B-14; G-35; I-1-13.
Aviventadas ainda pela mais nobre emulação, floresciam nos colégios as
Academias.
piedade Nelasservir
podiam reunia-se o escol
a todos dos estudantes,
de espelho os que trabalhos
e colher destes por talento, aplicação os
voluntários e
frutos mais copiosos. Sob a orientação de um Padre, nomeado pelo Reitor,
organizavam-se democraticamente. Presidente, conselheiros, secretário eram
eleitos pelos próprios membros da Academia, ao menos duas vezes por ano, em
escrutínio secreto. As Academias incentivavam a atividade espontânea dos alunos,
despertavam o gosto da investigação científica e abriam um campo de largos
horizontes abertos aos entusiasmos generosos que se não contestavam com as
obrigações ordinárias das aulas. Nestes grêmios literários e científicos podemos
saudar com razão os precursores dos seminários de história e filologia das
universidades modernas. As suas reuniões eram freqüentes, mas nas grandes
festividades do ano, as sessões revestiam-se de maior aparato: afluíam convidados
de fora e as disputas, declamações e discursos desenrolavam-se num ambiente que
coroava esforços e estimulava brios. Qa-1-12; QB-1-15; Oc-1-11; Od-1-4; Qc-1-7;
Qf-1-8.
Os resultados obtidos com este poderoso estímulo da honra foram mais
remuneradores. Sabemdostodos
eficazmente no ânimo os aspsicólogos
jovens dignidadese epedagogos quanto atuam
distinções escolares, mais
presentes,
do que as utilidades futuras dos conhecimentos adquiridos. Apelando para a
tendência natural à excelência e à glória, o professor lança mão de "um motivo
mais nobre do que o medo ao castigo, capaz, quando muito, de sacudir a preguiça,
não, porém, de acender o entusiasmo." 81. Neste estímulo via Locke “o grande
segredo da educação” e Lessing “o motivo que leva a alma humana a esforçar-se
continuamente para chegar, com o trabalho da reflexão pessoal, à verdade”82. A
ação estimulante deste sentimento humano não se limita à primeira idade. As
vitórias de Alexandre acendiam os brios de César. Racine aperfeiçoavao seu gênio
ombreando com o grande Corneille. Victor Hugo, jovem, escrevia à margem de
seus cadernos: quero ser um Chateaubriand. Os próprios santos nele encontravam
acicates que os aguilhoavam à maior generosidade no serviço de Deus. Cur non
poteris quod isti et istae, dizia a si mesmo Agostinho para arrancar à conta de
hesitante o sim decisivo da conversão total. A leitura da Vida dos Santos acorda em
Inácio de Loiola as resoluções magnânimas que o levaram aos cimos do heroísmo.
A S. Teresa, se afigurava que “morreria de ciúme se soubesse que alguém, mais do
que ela, pudesse amar a Deus”.
Schimberg aponta ainda nos processos empregados pelos Padres
“conseqüências de um alcance social considerável”. Na nobreza, que antes só se
preocupava com os prazeres da guerra e do amor, conseguiram despertar o fervor
e o entusiasmo pela cultura intelectual e pela glória das letras. Os homens da
espada pleitearam na Academia Francesa, fundada pouco depois, a honra de se
sentar ao lado dos homens da pena.
Na burguesia inculcou a consciência da própria força e revelou o segredo da vitória.
Às distinções sociais baseadas unicamente em privilégios do nascimento, a
classificação do colégio substituía uma nova hierarquia, filha do merecimento, do
trabalho e do valor pessoal. Aos filhos de algo para sacudir a indolência
apontavam-se como modelos jovens de berço obscuro, mas amigos do trabalho e

81
O. Willmann, Didaktik als Bildungslehre, 58 Braunschweig, 1923, p. 309.
82 Locke, Some Thoughts on Education, § 56 e sgs.; Lessing, Literaturbriefe, 11.

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do estudo. O duque de Bourbon, neto do grande Conde, sentia-se aguilhoado ao
cumprimento dos seus deveres de estudante com o exemplo dum filho de hoteleiro.
Descartes, aluno do colégio de la Flèche, prestará mais tarde homenagem a esta
“invention extrêmement bonne”, a esta “égalité que lês jesuites mattent entre
eux”, isto é, entre os jovens que todos os cantos da França afluíam aos seus
colégios 83. Naturalmente, o emprego da emulação foi severamente censurado do
jesuítas. Consideraram-no os jansenistas com sua visão pessimista da natureza
humana essencialmente corrompida. Tudo o que pudesse afirma-la ou desenvolve-
la deveria ser reprimido. Mas Port-Royal não tinha razão. O próprio Pascal
confessava
estudos, e que nos colégios
Campayré, que oque não
cita, aolançavam mãovez,
menos uma desse
e estímulo, esmoreciam dá
ainda a contragosto, os
razão aos antipatizados jesuítas: “neste ponto, mas só nesse, lhes foram inferiores
os jansenistas” 84. Condenaram-no ainda alguns filósofos de sobrecenho franzido
que, navegando na esteira de Kant com o seu absolutismo moral, julgavam que o
desejo do prêmio desvirtuava o ato bom. Exagero puritano. A glória é um bem;
desprende-se naturalmente da virtude como o perfume da flor. Querer
ordenadamente a gloria é querer o bem que a condiciona. Que outros ainda
reconheçam, aprovem e louvem o bem feito, porque não o podemos desejar se
para isso há um motivo razoável? Se neste louvor Deus pode ser glorificado pelos
homens 85, se os nossos irmãos podem ser incitados à pratica da virtude, se quem
pratica o bem, pelos outros reconhecido aplaudido, encontra nesse testemunho
alheio uma força para preservar e progredir? A glória e o prêmio são uma sanção
social do bem praticado, uma ressonância exterior da voz íntima da consciência que
aprova, conforta e consola. Na justa emulação, a boa moral recomenda que não se
queira sobrepujar, no rival, o homem, mas o bem por ele praticado e assim se
realiza um bem maior.
sem a merecer; Imoral
procura-la porfora aspirar
meios à gloria ou
condenáveis como
comfim supremo,
paixão deseja-la
imoderada. Não
sendo em si um bem absoluto necessário a perfeição do homem, pode, porém ser
apetecida, ordenadamente, como meio de conseguir grandes bens. Assim, o
equilibrado S. Tomás já havia resolvido com acerto e bom senso o problema em
que se emaranhou o complicado Kant86.
Sublinharam ainda alguns pedagogos, sobretudo da escola de Herbart, os
inconvenientes a que pode dar srcem uma emulação mal dirigida. Insistir só na
concorrência, observam eles, é substituir uma razão extrínseca de aplicação a uma
motivação interior tirada da própria natureza e do próprio interesse da matéria
estudada, é abrir margem ao desenvolvimento de paixões mesquinhas, vaidade,
vingança, ambição imoderada, inveja e satisfação desregrada de humilhar um
adversário. Não nos conservam as crônicas da Universidade de Paris a memória
87
pouco edificante de torneios literários que acabaram em cenas de pugilato?
Assim é ou assim pode ser. Prova de eu de tudo ainda dos mais nobres
sentimentos se pode abusar. Prova ainda de que a emulação não deve ser
empregada indiscriminadamente, sem os contrapesos de uma sólida formação
83
A. Schimberg, L´education morale, Paris, 1913, p. 339-341.
84
"Par là, mais par là seulement, les jansénistes sont inférieurs aux jésuites". G. Compayré,
Histoire critique des doctrines de l´education, Paris, 1881, t. I, p. 271. O texto de Pascal citado pouco
antes é estes "Les enfants de Port-Royal, auxquels on ne donne point cet aiguillon d´envie et de gloire,
tombent dans la nonchlance". Pensées, edit. Havet, 1866, t. II, p. 164.
85
"Sic luceat lux vestra coram hominibus ut videant opera vestra bona et glorificent Patrem
vestrum qui in coelis est" S. Mateus, V. 16. Cf. S. Tomás, Summa Theologica, 22ae q. 132, a1. in corp. e
ad 3.
86
São conhecidas as acrobacias do autor da Crítica da razão prática para conciliar as exigências
da justiça e do bom senso com as conseqüências do seu sistema. De um lado a união definitiva entre a
virtude e a felicidade parece impor-se ao espírito com tal evidência que nela se baseia para formular,
como postulado da razão prática, a necessidade da existência de Deus. De outro, porém, a seu ver, o justo
que pratica a justiça, olhos fitos nesta fidelidade, cessa ipso facto de ser justo!
87
Crévier, Histoire de l´Université de Paris depuis son srcine jusqu´em l´année 1600 , Paris, 1761,
VI, 14.

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moral. Bem os sabiam os jesuítas, conhecedores do coração humano, e ao
estimular os brios dos alunos sublinhavam a importância de conte-los nos limites da
mais exigente moralidade. Nas Constituições fala-nos Inácio da “emulação santa”
88
. Numa das mais antigas normas escolares do ano de 1560, adverte-se o dever de
extirpar decididamente a filáucia e a vanglória89. Em fim no Ratio definitivo, a
regra 31 do professor de ginásio recomenda-lhe que acorde nos seus alunos a
“emulação nobre”, honesta aemulatio foveatur.
E que isto seja possível demonstra-nos as lições decisivas da experiência.
Porque a vida é uma concorrência contínua. Desde os prêmios científicos a louros
literários até
militares as medalhas
até as taças de campeonatos desportivos,
das exposições industriaisdesde as condecorações
ou agrícolas, todas as
atividades do homem que vive em sociedade sentem-lhe o aguilhão poderoso,
impulsionador das iniciativas fecundas e de invenções benfazejas. Marmontel
deixou-nos nas suasMemórias este retrato de um dos seus êmulos: “jovem raro no
qual todas as qualidades de inteligência e de alma conspiravam para torna-lo
perfeito”.E em seguida confessa de si: “Analisando quanto me é possível o que se
passava no meu espírito posso afirmar com verdade que neste sentimento de
emulação nunca se infiltrou a malignidade da inveja. Não me afligia que no mundo
existisse um Amalvy; pedia a Deus que houvesse dois e eu fosse o segundo” 90.
Dupanloup, um dos grandes educadores do século XIX, deixou-nos nesta página o
resumo de uma longa experiência de magistério: “No Seminário Menor de Paris vi o
condiscípulo e a emulação prepararem naquela juventude numerosa todos os
ramos dos estudos mais fortes e das virtudes mais sólidas e amáveis. Vi meninos
cujos nomes e cuja lembrança me serão sempre caros ao coração, vi-os
exclamarem: não tenho inimigos, tenho rivais eu amo!
amigosEra esta a que
delicados, divisa
se dos seus combates
combatiam, venciam de emulação. por
e felicitavam Vi turno.
êmulosComque prazer
eram
se admiravam, queriam, louvavam e aplaudiam mutuamente. Uns não podiam viver
sem outros. Nesta juventude havia emulação nobre e pura, não inveja baixa e
odienta”91.
As porfias escolares transformaram-se, em mãos de educadores hábeis, na
melhor palestra, no melhor tirocínio das nobres qualidades do caráter que amanhã
se empenhará no fundo nas duras concorrências da vida.
Não obstante, o sobrecenho de certos filósofos, que não se reconciliam com
a realidade, a emulação foi, é e será sempre um dos estímulos mais ativos ao
aperfeiçoamento e progresso do homem. Os jesuítas o compreenderam e, com rara
felicidade, o aplicaram à educação da juventude.
Teatro. A educação dos jesuítas era integral. Ao lado da instrução que
desenvolvia e opulentava a inteligência, a formação das outras aptidões e

88

emulacion“Para que mas


se inciten”, se ayudem los
Constitutiones, Part.Studiantes, seria bien poner algunos iguales, que com santa
IV, c. VI, 13K.
89
“Unde philautiam et inanis gloriae cupiditatem a se modis omnibus extirpare nitentur”. Pachtler,
I, 169.
90
“Rare jeune homme, que toutes les qualités de l´esprit et de l´âme semblaient s´être accordées
pour rendre accompli... En démelant autant qu´il m´est possible ce qui se passait dans mon âme, je puis
dire avec vérité que dans se sentiment d´émumlation ne se glissa jamais le malin vouloir de l´envie. Je ne
máffligeais pas qu´il y eût au mando un Amalvy, mais j´aurais demandé au ciel qu´il y eût deux et que je
fusse le second". Marmontel, Mémoires, I, 21 e sgs.
91
"Au Petit Séminaire de Paris, j´ai vu le condisciple et l´émulation préparer et acomplir des
miracles de zèle et de travail, et faire fleurir, parmi cette nombreuse jeunesse, toutes les branches des plus
fortes études, em même temps que les plus solides et les plus aimables vertus. J´ai vu là des enfants, dont
les noms et le souvenir seront éternellement chers à mon coeur, je les ai vu s´écrier:
Je n´ai point d´ennemis, j´ai des rivaux que j´aime! C´était la devise de leurs combats
d´émulation. J´ai vu là des émules s´aimer tendrement, se combattre, se vaincre et se féliciter tour à tour;
je les ai vus s´admirer, se chérir, se louer, s´applaudir mutuellement avec bonheur, ne pouvir se passer les
uns des autres: c´est qu´il y avait, chez cette généreuse jeunesse, la noble et pure émulation du bien, non
la basse et odieuse envie". Dupanloup, De l´education. Paris, 1861, t. II 1. V, c. 1, p. 559.

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faculdades que aparelhavam o homem para a vida. O trabalho das aulas
completavam-se naturalmente com outras atividades que hoje denominaríamos
periescolares. Entre estas o teatro ocupava um lugar de relevo. Todos sabem que
papel importante desempenhavam na Renascença as representações escolares. Os
alunos não tardaram a infiltrar-se. As liberdades das cenas, tímidas a princípio,
evolveram rapidamente até a licenciosidade mais escandalosa. “Nestes dias de
dissipação, escreve Crévier, historiador da Universidade de Paris, os colégios e as
pedagogias transformavam-se em lugares tumultos, de violência e desordem”91a.
Dorpius, em 1508, confiava a alunos de humanidades de Lovaina a representação
de Aululário
Sturm. de Plauto.
Em 1462 Plauto ae Faculdade
e em 1488, Terêncio eram ainda de
das Artes os Paris
autores escolhidos
tomava por
medidas
enérgicas contra os excessos das cenas. Mas, ao que parece, debalde. O mal se
agravou a ponto de provocar, em 1516, um ato do parlamento proibindo nos
colégios as representações licenciosas.
Os abusos correntes não levaram, porém, os jesuítas a abrir mão de um
instrumento educativo de primeiro valor. O teatro escolar foi regulamentado
severamente, mas introduzido noRatio. B-13.
As suas vantagens formativas já as enumerou Bacon, num trecho em que,
precisamente, se refere, com encômios, à pedagogia dos jesuítas. As declamações
teatrais, diz o autor do Novum Organon, “fortalecem a memória, educam a voz,
apuram a dicção, aprimoram os gestos e as atitudes, inspiram a confiança e o
domínio de si, habituam os jovens a enfrentar o olhar das assembléias”.92
Ao lados destas incontestáveis vantagens, a além da própria finalidade
recreativa inerente ao teatro, visavam também os padres a formação cívica, moral
e religiosa da juventude. O assunto era muitas vezes tirado da Escritura93. A
história eclesiástica 94. Por
último, os fatos da eantiguidade
a hagiografia oferecem
clássica novas da
e os anais fontes
vida de inspiração
nacional contribuíram
também com os seus rasgos de heroísmo 95 . No século XVI, as composições

91a
Ap. Schimberg, L´éducation morale, p. 369.
92
"Ejus rei ponemus exemplum memorabile; quod eo magis adducimus, quia Jesuitae eandem
disciplina non videntur aspernari, sanoo (ut nobis videtur) judicio... Intelligimus autem actionem
theatralem. Quippe quae memoriam roborat; vocis et pronunciationis tonum atque efficaciam temperat;
vultum et gestum ad decorum compponit, fiduciam non parvam conciliat, denique oculis hominum
juvenes assuefacit". Bacon, De dignitate et augmentis scientiarum, 1. VI, c. 4; Opera omnia, Londini,
1730, t. I, p. 193.
93
O primeiro drama que se representou em Portugal, em 1556, no Pátio do Colégio de S. Antão de
Lisboa, inspirou-se no tema evangélico do Prófilo, ou, como era intitulado em grego, Aulastus. Agradou
tanto que, escreve uma testemunha de vista, "pediam todos se repetissem com freqüência representações

edesse gênero, sobretudo


se entusiasmavam os estudantes,
quanto se pode que nessa
dizer". espécie
Carta do de
P. entretenimentos
Francisco Varea.se deleitavam
Mon. Hist. sobremaneira
S.J. Litterae
quadrimestrae, Iv, 456. Jônatas, David, Salomão, Absalão, Abimelech, José, Benjamim, Isaac, Eleazer,
Faraó, Suzana, Moisés figuram entre os dramas sagrados inspirados na Bíblia e representados nos
Colégios de França.
94
O martírio de Santa Catarina, de S. Prócópio, de S. Agapito, de S. Andrônico, de S. Máximo,
entre os antigos mártires; entre os santos modernos, Joana D´arc, Tomás More, João Fisher, Inácio de
Loiola, Francisco Xavier, Luiz de Gonzaga, Estanislau Kostka inspiraram o tema de muitas
representações.
95
Entre os temas clássicos são explorados Rômulo e Rêmulo, Régulo, Bruto, Anibal, Sesostris, a
morte de Sócrates, a morte de Cícero, Temístocles, Catilina, Astyanax, Alexandre Magno, etc. etc. A
história , moderna de cada nação é também utilizada com proveito para a educação cívica dos jovens
estudantes. Nos palcos franceses aparecem Clovis, Carlos Magno, S. Luiz, Joana D´arc. Em Tournai,
representava-se em 1600 "a antiga liberdade dos Belgas, restabelecida por Alberto e Isabel"; em Namur
em 1642 "o Leão belga perseguido pelos seus inimigos e socorrido pelas armas de... D. Francisco de
Melo... governador dos Paises Baixos".
Sobre o teatro dos jesuítas no Brasil, ver Serafim Leite, História da Companhia de Jesus no
Brasil, t. II, 599-613; t. IV, 291-301. Sobre a História do teatro escolar nos colégios da Companhia, o seu

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representadas eram todas em latim, pouco a pouco, as línguas vivas entraram a
substitui-lo até suplanta-lo de todo 96. O teatro escolar revestia as formas mais
variadas, desde os simples diálogos, até as tragédias de grande estilo, passando
pela comédia e entremezes, pelo drama litúrgico, pelos autos e representações de
mistérios 97. Em tidas elas inculcava-se a virtude e enalteciam-se as ações nobres e
viris em prol das grandes causas. Realizavam-se estas representações, não raro
com pompa vistosa e magnificência de indumentária, colgaduras, adornos e
aparato cênico nas principais festas escolares, nas suas visitas de personagens
ilustres, eclesiásticas ou civis, e na comemoração dos grandes acontecimentos da
vida nacional.
“Os jesuítas, diz Schimberg, são os primeiros a dar ao seu teatro uma
grande importância pedagógica. Não cuidemos que as representações teatrais eram
para eles , um divertimento, uma distração, um passatempo intelectual. De modo
nenhum; os esforços que nelas se dependiam não estariam em proporção com um
fim tão pouco elevado. Do teatro fizeram os Padres uma verdadeira instituição; a
cena continua a aula e a capela... o verdadeiro, o belo e o bem era o que eles
propunham fazer amar, misturando, já se vê, o útil com o agradável. Mas, o ultimo
fito deles deve ser sempre a formação do coração e da vontade98.
Religião. A alma, porém, de toda a educação nos colégios da Companhia era
a formação religiosa. O homem não é só um animal cujo organismo se deve
desenvolver sadiamente, nem ainda só uma inteligência quer importa mobiliar de
conhecimentos úteis, é antes de tudo e essencialmente uma pessoa, com os seus
destinos religiosos, naturais e sobrenaturais, em cuja realização plena se resume a
sua suprema razão de ser. Uma educação que descurasse esse aspecto
fundamental não seria uma educação humana.
A formação
se transmite e maisreligiosa,
como vidaquerque
oRatio seja Aministrada
se vive. comodidática,
concentração conhecimento que
como regra
geral, cifra-se no ensino da doutrina crista, uma vez por semana e numa exortação
moral, também semanalmente às sextas ou aos sábados. J-4; 5; Lb-2; Lc-2; Ld-2;
Le-2.
A atmosfera, porém, que respiram os alunos, impregna-se toda de uma vida
religiosa sincera e profunda. A missa, a prática dos sacramentos, a oração
quotidiana integram espontaneamente as atividades colegiais. Nos colóquios
particulares, na explicação dos autores, na escolha das leituras, os mestres não
devem perder o ensejo de inculcar o amor da virtude e orientar as almas para
Deus. As congregações marianas, reunindo em seu grêmio o escol dos alunos
aplicados e piedosos, atuam como um fermento de preservação moral e um
estímulo à pureza dos costumes e ao fortalecimento do caráter cristão. J-5–10.
Destarte, o Ratio Studiorum, num plano bem estruturado e harmonioso, faz
convergir toda a vida escolar do colégio – administração, currículo, metodologia,
distrações – para um fim único: a educação integral do aluno.
VALOR PERMANENTE DO “RATIO”.

valor artístico, a sua influência literária etc., haveria muito que dizer, mas sairíamos assim, dos limites
que nos traçamos, restritos ao simples estudos do Ratio, na sua estrutura e no seu valor pedagógico.
96
À Província de Polônia respondia o Geral em 1582: "De dialogis etiam non repugnamus, quin
exhibui possint lingua vernacula". À Província de Áustria em 1588: "Concessit P. Generalis intermedia
vulgari lingua, ita tamem ut nullam habeant scurrilitatem aut levitatem indignam homine religioso".
Outros documentos relativos às Províncias alemãs apud Duhr, Die Studienordnung, p. 137. Em 1600, a
Província de Aquitânia é autorizada a apresentar em francês "os prólogos, epílogos e resumos dos
dramas". E, 1585, Aquaviva concede ao Provincial do Brasil que os Diálogos se representem em
vernáculo, mas as Tragédias e Comédias como "coisas mais escolásticas e graves" devem ser em Latim.
Cfr. Serafim Leite, História da Companhia de Jesus no Brasil, II, 601.
97
Sobre os mistérios e dramas litúrgicos nos colégios dos jesuítas, ver Duhr, Die Studienordnung,
p. 138 e sgs.
98 Schimberg, De l´éducation morale etc., p. 369.

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Todo código de educação espelha necessariamente a fisionomia em que
nasceu. Educar não é formar um homem abstrato intemporal, é preparar o homem
concreto para viver no cenário deste mundo. As mudanças profundas neste cenário,
acentuando novas exigências e focalizando novos ideais, refletem-se nos métodos e
nos programas destinados a preparar as gerações que sobem para as necessidades
imperiosas da vida. Formulado na segunda metade do século XVI, oRatio
Studiorum traz indelével o cunho do Renascimento. Deixava-se certamente
empolgar por um entusiasmo excessivo o nosso historiador Sacchini, quando via,
no plano adedesafiar
destinada estudos
os que a Companhia
séculos, de Jesus aeternitatem
in omnem parabatur estava elaborando,
99
. uma obra
Ao lado, porém, de uma parte inevitavelmente caduca, um bom sistema
educativo encerra, outrossim, elementos duradouros e definitivos. Convém não
romper o equilíbrio entre o mudável e o permanente. A natureza humana, na sua
estrutura e nas suas faculdades, como nas suas finalidades essenciais, permanece a
mesma através dos tempos. A preocupação exagerada de ajustar os processos
educativos aos acontecimentos contemporâneos sob o pretexto de melhor preparar
os estudantes a resolver os problemas sociais do dia pode até ser contraproducente
e descolar do essencial para o acessório o centro de gravidade do esforço
educativo. Amanhã, talvez já não serão do dia os problemas com que se deverão
defrontar quando houverem completado a sua educação. O presente para o qual se
preparam quando jovens será um passado irrevogável quando houverem de agir
como homens. Só o desenvolvimento harmoniosamente humano das qualidades de
espírito e de caráter lhes dará uma preparação sólida para as responsabilidades da
vida. Não batemos fé que as gerações educadas hoje nas escolas alemãs do
nazismo
nazismo ouou nas russas terão mas
do comunismo; que resolver dentro que
temos certeza de vinte anos
dentro de os problemas
vinte do
anos uma
inteligência bem equilibrada, um senso critico apurado, a faculdade de raciocinar
com acerto e exprimir com clareza as próprias idéias lhes será de inapreciáveis
vantagens no desempenho de sua missão humana ante as exigências do futuro.
Mais por ventura do que por qualquer outro código de ensino, oferece-nos o
Ratio a probabilidade de encerrar, numerosos e bem formulados, estes princípios
fundamentais de uma educação verdadeiramente humana. Para a sua elaboração
contribuiu a sabedoria antiga, nas suas melhores e mais bem provadas aquisições,
o cristianismo com o tesouro de suas verdades profundamente iluminadoras da
nossa natureza, a Idade Média com a riqueza de suas experiências filosóficas, o
Renascimentos com todas as suas preocupações de elegância e arte. Neste sentido,
a lei orgânica dos estudos da Companhia prende-se a uma tradição amplamente
humana. Os seus elementos, porém, acumulados pelo trabalho dos séculos, não se
justapõem como peças heterogêneas de srcens diversas, mas fundem-se na
harmonia orgânica de uma nova síntese vital. O Ratio não saiu do esforço
compilador de uma comissão de eruditos congregados no silencio de uma
biblioteca; caldeou-se na fragua viva da experiência de meio século de centenas de
colégios disseminados por toda a Europa. Dificilmente se encontrará na história de
uma sistematização geral do ensino que repouse, no espaço e no tempo, sobre a
base de uma experiência tão largamente humana. O êxito desta primeira prova
continuado ainda, sem interrupção, por quase dois séculos de aplicação sincera dos
mesmos princípios, é-nos ainda penhor de que realmente nos achamos em face de
um sistema de educação que soube enfeixar, nas suas grandes linhas, os
elementos essenciais de formação do homem.

99
"Nam ut res eran gravissima e in omnoem parabatur aeternitatem". Sacchini, Historia Societatis
Jesu, V. p. 278. Maiss realista e prudente já S. Inácio advertira a conveniência da adaptá-lo à variedade de
lugares, tempos e pessoas, "id dum taxat monendo, illa locis temporibus et personis accomodari
oportere". Constitutiones, P. IV, c. XIII, 2A.

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Fora interessante e delicado empreender esse trabalho de joeira, e,
deixando passar o caduco, recolher o que conserva um valor de vitalidade perene.
Não nos abalançaremos, porém, a semelhante empresa em toda a sua amplitude.
Quem se decidiria a percorrer um por um os diferentes processos didáticos
indicados no Ratio, e apor-lhes no título o timbre de viável ou inviável em nossos
dias? O que, porém, com esta preocupação do ultimo pormenor, fora temerário,
passa a ser possível e instrutivo, se limitando aos grandes princípios que, expressos
ou implícitos, informam como alma, toda arquitetura do sistema educativo.
Tentemos desprender e colocar em mais viva luz algumas destas verdades
fundamentais de uma pedagogia que não morre.
IDEAL.

A pedagogia da Companhia de Jesus é, antes de tudo, iluminada por um


grande ideal. S. Inácio era o homem da glória de Deus. Esta expressão, que lhe
volta inúmeras vezes à pena, constituía para o seu espírito não uma sonoridade
vaziam, mas a mais rica das realidades vivas.
Glória de Deus é a manifestação das perfeições e excelências divinas na
realização perfeita dos planos da obra criadora e redentora. Levar o homem ao
conhecimento e à consecução deste magnífico destino é, a um tempo, salvar o
homem e glorificar a Deus. A grandeza e a universalidade deste fim supremo
dominará e orientará necessariamente, do alto, toda e qualquer atividade educativa
digna do homem. No preâmbulo da 4a.parte de Constituições, consagrada aos
colégios, lembra-o ainda o fundador. “Como o fim da Companhia é levar as almas
ao fim para o qual foram criadas; e como para atingi-lo, além do exemplo da vida,
éhouvessem
necessárialançado
a doutrina e o modo dadeabnegação
os fundamentos propô-la; de
uma vez que e os
si mesmos do candidatos
progresso
nas virtudes, deverá construir-se o edifício das letras e o modo de servir-se delas
para melhor conhecer e servir a Deus criador e Senhor nosso. Para este fim, funda
a Companhia colégios e também, às vezes, Universidades”100. E este princípio volta
com a freqüência de umleit-motiv na primeira das regras do Provincial, do
Reitor e dos Professores.
A realização plena da natureza humana elevada à ordem sobrenatural de
acordo com os desígnios divinos – eis em toda a sua amplitude o ideal educativo eu
norteia as atividades pedagógicas da Companhia. Pormenorizando e concretizando-
lhe a riqueza do conteúdo, Ledesma vê na existência das escolas o meio
necessário: a) de subministrar ao homem a abundância de recursos para as
exigências da vida; b) de contribuir para a sábia elaboração das leis da boa
administração da cousa pública; c) de dar à própria natureza racional do homem
todo o seu esplendor e perfeição; d) de assegurar melhor a defesa, o ensino e a
difusão da religião; e) e assim, com maior facilidade e segurança, encaminhar os
homens ao seu último destino101.
Como se vê, a finalidade da educação é encarada, com largueza de vistas,
em todos os seus aspectos, individuais e sociais, intelectuais e religiosos. Nos
nossos dias, nesta síntese admirável da filosofia católica da educação que é
Enclítica Divini illius Magistri, dirá Pio XI: “a educação cristã compreende todo o
âmbito da vida humana, sensível, espiritual, intelectual e moral, individual,
domestica e social... para elevar, regular e aperfeiçoar segundo os exemplos e a
doutrina de Cristo. Pelo que o verdadeiro cristão, fruto da educação cristã, é o

100
Constitutiones S.J. IV Pars, Proemium.
101
"Scholae litterariae hominum generi, in republica vero christiana et Christi acclesia, maxime
sunt necessariae, tum ad multas vitae hujus commoditates, tum ad rectam rerum publicarum
gubernationem et leges, tum ad naturae ipsius rationalis ornatum ac splendorem et perfectionem, tum
demum, quod maius est, ad Dei fidem et religionem docendam, defendendam et propagandam; et ut
homines ad suum tandem finem ultimum commodius et facillius perducantur". Monumenta Paedagogica,
p. 345.

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homem sobrenatural que pensa, julga e opera constante e coerentemente, segundo
a reta razão iluminada pela luz sobrenatural dos exemplos e da doutrina de Cristo;
102
ou, por outras palavras, é o verdadeiro e o perfeito homem de caráter” .
Um ideal que se identifica com a própria finalidade suprema do homem
confere a um sistema educativo não só a solidez da verdade, mas a um princípio
unificador, uma hierarquia de valores, uma convergência de esforços, uma riqueza
de estímulos, uma eficiência de ação sobre as profundezas da consciência, que,
indispensáveis e insubstituíveis, lhe asseguram um resultado definitivo.
Na prática, porém, da vida escolar, este objetivo geral deve concretizar-se
em finalidades específicas
desenvolvimento que irãono orientar,
humano. Assim, plano donas suasenquanto
Ratio, diferentesos fases,
cursos o
universitários visam mais diferentemente a formação profissional, o secundário tem
uma finalidade acentuadamente humanista.
FORMAÇÃO HUMANISTA.
Detenhamo-nos alguns instantes sobre este ponto que é importante e
característico, e, examinado às pressas, pode prestar-se a interpretações menos
justas. Quantas vezes não se ouve de críticos apressados: a educação da
Renascença foi brilhante mais superficial; visava mais o esplendor da forma que a
cultura da inteligência!
O alvo a que mira a formação doRatio – nisto em concordância incontestada
com o ideal do século XVI – é a eloqüência latina: ad perfectam informat
eloquentiam. Levar o aluno a exprimir-se de maneira irrepreensível na linguagem
de Cícero é o termo a que se subordinam todas as séries sabiamente graduadas do
currículo.
expressão A belagramática visa
e elegante, a expressão
a retórica, clara enérgica
a expressão e correta; as humanidades, a
e convincente.
Esta finalidade imediata do curso secundário impunha-se como uma exigência
histórica e como uma utilidade que não se discutia. Estudar o latim do século XVI
era um corolário inevitável de toda e evolução da história dos séculos precedentes.
Mas era também de vantagens tantas e tão manifestas que orçavam quase por
uma necessidade imperiosa. O latim constituía o vínculo de unidade da civilização
européia e também vínculo de transmissão de toda a cultura superior103. Sentiam-
no os contemporâneos e o exprimiam como uma verdade consciente.
Mas não era só nem principalmente este caráter utilitário que assegurava ao
latim a sua posição dominante nos programas. No estudo das línguas clássicas
viam os educadores do século XVI uma cultura. O conhecimento profundo dos
gênios antigos oferecia-lhes a oportunidade de formar o homem, de transmitir um
ideal de humanismo. Quam non sit homo qui literarum expers est!Exclamava
Erasmo 104.Ouvimos há pouco um dos primeiros educadores jesuítas e que mais
contribuíram para a elaboração doRatio, saudar, no conhecimento das boas letras,
“o esplendor, o ornamento, e a perfeição da natureza racional”. Outro
contemporâneo de Ledesma, o grande humanista Perpiniani, via na razão e na
palavra, intérprete da razão, as notas distintivas do homem: haec duo sunt quae
nos homines reddunt” 105. No próprio vocábulohumanistas, humanidades, com que
102
Pio XI, na encíclica Divini illius magistri, in Acta Apostolicae Sedis, t. XXII (1930) p. 49 e seg.
103
A expressão é de Justo Lipsio: "Vinculum gentium in Europa et thesaurus ac conditorium
scientiarum". Opera, II, p. 115 - M.A. Mureto insistia sobre a necessidade para a aquisição da cultura:
Pricipio igitur positium sit graecae latinaeque linguae cognitionem isntrumentum asse ad parandam
doctrinae copiam, hoc quidem temporem plane necessarium. Id qui negant, aut quid verum sit non vident,
aut contendendi studio oppugnando eo quod verum est ostentare acumem ingenii volunt". Opera Omnia,
Lugduni Batavorum, 1789, I, 336. Filosofia, história, astronomia, matemática, ciências naturais - tudo se
escrevia e estudava em latim.
104
Erasmo, Opera, I, 489.
105
"Duo sunt in nobis numera divina utilitate magna, nobilitate prima, ipso genere praeclara, ratio
et quasi nuntis quidam rationis et interpres, sermo. Haec duo, sunt quae nos homines reddunt". Perpiniani,
Opera, I, 76. A perfeição da cultura, dirá outro humanista com um trocadilho interessante, consiste no

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se denominava o curso secundário, buscava-se uma confirmação etimológica da
convicção comum. O nome de humanidades, dizia Pontanus, foi dado a estes
estudos porque transformam os que a eles se dedicam em “homens educados,
afáveis, lhanos, acessíveis e tratáveis” 106. “Chamam-se humanidades estes
estudos, escrevia por seu turno Possevino, que nos tornem, pois, mais homens”107.
Tornar mais homem: eis o alvo em que mirava todo o trabalho educativo. A
utilidade instrumental do latim era um subproduto do currículo; a formação do
homem pelo desenvolvimento harmonioso de suas faculdades, o seu objetivo
primordial. Para atingi-lo, a linguagem constitui o instrumento mais adequado e
eficiente.
pode Só pela palavra
o educador podeo opróprio
manifestar autor atingir o espírito
espírito. do aluno;revela-se
Uma faculdade só pela palavra
na ação,
que lhe é própria e que, por isso, se pode chamar a sua expressão. A linguagem é a
expressão do espírito, e, portanto, com a prova de sua existência, a medida do seu
desenvolvimento. Mais. Quem se exprime, exercita a sua atividade mental,
imagina, pensa, julga, raciocina, concatena idéias. Através da expressão pode,
portanto, o professor, exercitar a atividade interior do estudante e medir-lhe e
orientar-lhe o progresso. A linguagem é, pois, o instrumento natural da formação
humana.
Os grandes clássicos de Roma e Grécia são, por unânime consenso, os
maiores artistas da palavra. Por estes jovens em contato com as suas obras-
primas, proporcionou-lhes, além de inúmeras outras vantagens, a influência
educativa dos mestres mais autorizados.
Não basta ensinar os clássicos para dar uma formação humanista. Não é a
presença do latim, quinhoado num currículo com maior ou menor número de aulas,
que lhe dá jus a essa denominação. Há modo e modo de ensinar uma língua
clássica.
artístico. Poderíamos descrimina-los chamando-os de modo científico e de modo
O primeiro predomina no ensino universitário, o segundo deve caracterizar o
curso humanista de formação secundária. A ciência é analítica; examina um texto,
disseca-lhe as palavras, investiga-lhes a etimologia. A arte é sintética, orgânica e
vital; na presença de uma obra prima de expressão não começa por estende-la
numa mesa anatômica para esquadrinhar-lhe as entranhas, cadaverizando-a; mas
extasia-se na sua presença, admira-a, contempla-a como um todo, recebe, intacta
e formativa, toada a irradiação de sua harmonia.
A ciência é impessoal; interessam-lhe as coisas e os fatos na abstração fria e
geral de sua objetividade. Ante uma pagina celebre da antiguidade, o cientista põe-
se a colecionar formas gramaticais raras e interessantes, a esmirar-lhe informações
históricas e geográficas, mitológicas e heráldicas, e, organizada a sua colheita de
verbetes, leva-os, satisfeito, como outros tantos fósseis, para o seu museu de
antiguidades. A arte é pessoal; através da obra, o artista põe-se em contato com o
seu autor, com o ideal que lhe fulgiu no espírito criador de beleza. A Ilíada e a
Eneida, aos seus olhos, não são apenas, nem principalmente, um pretexto para
escavações arqueológicas ou excursões de filologia comparada, são, antes de tudo,
a expressão de uma alma humana, a realização de uma inspiração genial, a
projeção movimentada através dum espírito privilegiado, de uma humanidade com
todas as suas idéias e paixões, as suas grandezas e misérias. O homem de ciências
estuda os autores para melhor conhecer a antiguidade; o homem de arte estuda a
antiguidade para melhor interpretar e conhecer os autores.
A ciência é, por natureza, teórica; a arte, essencialmente prática; uma visa
conhecer, arquivar fatos, inferir leis. Outra aspira a realizar, produzir, criar beleza.

reto uso da razão e da palavra: ut more antiquorum ratione e oratione probe utamur". Richer, Obstetrix
animorum, fol. 99.
106
"Et quoniam, qui istas de quibus sermo a nobis susceptus est, litteras studiose colunt, comes,
faciles, tractabiles, jucundi et suaves evadunt, propterea ipsimet eruditiorii, ab effectu scilicet, hoc nomem
impositum mihi videtur". Pontanus, Pro gymnasmata latina, I, 320.
107 Possevinus, De cultura ingeniorum, c. 4.

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O ensino de finalidade cientifica, na sua fase inicial de transmissão, apela muito
para a memória; na sua fase superior de investigação e pesquisa, aguça as
faculdades de analise e raciocínio. O ensino com objetivo artístico interessa ao
homem todo e mobiliza-lhe todas as virtualidades criadoras.
Na concepção do Ratio, o curso secundário deve ser essencialmente
humanista, pendente mais para a arte do que para a ciência. Sua finalidade não é
transformar os adolescentes em pequeninas enciclopédias que depois de alguns
anos já precisam ser reeditadas. Todo o esforço do educador deve concentrar-se,
nesta fase da vida, em desenvolver as capacidades naturais do jovem, em ensinar-
lhe a servir-se
vida. da imaginação,
Os conhecimentos da inteligência
positivos e da razão
de geografia ou para todos poderão
de física os misteres da
estar
antiquados no cabo de poucos lustros; o raciocínio seguro, o critério na apreciação
dos homens, a capacidade de expressão exata, bela e enérgica de uma alma
harmoniosamente desenvolvida representam aquisições humanas de valor perene.
PEDAGOGIA ATIVA.
Das ultimas observações acima, se depreende outra característica
fundamental da pedagogia inaciana: é umapedagogia essencialmente ativa. Tudo
no seu código de ensino concorre para por em relevo esta feição muito sua. A
simples organização da aula já é significativa. Nada que se pareça a uma multidão
atômica e amorfa de alunos em face de um livro morto ou de uma conferencia
ouvida passivamente. A aula organiza-se como uma pequena sociedade, onde cada
estudante tem sua função a desempenhar. Todo o grupo está dividido em dois
campos; de um e de outro lado, uma hierarquia viva, bem constituída, sujeita e
contínuas
pedagogo modificações
contemporâneo,impostas pelo merecimento
bom conhecedor doRatio,pessoal.
a aula éComo
“antesbem
de observa
tudo umaum
108
sala de exercícios” . E os exercícios, de fato, sucedem-se múltiplos, variados,
interessantes, a enquadrar e dar vida à lição109. uma das grandes preocupações
do professor deve ser a variedade que mantém a atenção sempre alerta e renova
continuamente o interesse. Nada, adverte uma de suas regras, nada entorpece
tanto a atividade e entusiasmo dos jovens como o fastio110.
Nesta aula, assim transformada em ambiente organizado, vivo e agradável, o
mestre tem como missão, que lhe é muito particularmente recomendada, o apelar
sempre para a atividade do jovem. “Ut excitetur do ingenium” é uma forma que
ocorre varias vezes no Ratio. Aqui, adverte-se que nas sessões solenes, os
discursos, poesias, etc. poderão ser retocados pelos professores, mas deverão ser
compostos pelo aluno, que, neles, terão, assim, não só um trabalho da memória,
senão também um exercício da inteligência ut ingenium excolatur. J-32. Mais
adiante nas regras dos professores de humanidades lembra-se que, no segundo
semestre, já melhor formados, os alunos se desembaracem de uma imitação servil
do autor para se entregarem nos exercícios literários a uma composição mais livre
e pessoal, excitetur ingenium – Lb-6. Outras vezes, inculca-se ao professor a
eruditio, isto é, a transmissão de conhecimentos eruditos interessantes para recrear
os ânimos mas também para estimular a atividade intelectual:erucitio modice
usurpetur, ut ingenium excitet interdum ac recreet.Lb-1 111.
108
Bainvel, Causeries pédagogiques, p. 42.
109
S. Inácio já acentuava a importância destes exercícios mais úteis talvez do que as próprias
lições. "Ni solamente se leen las licciones, mas hácese a todos ajercitarse en composiciones disputas, y
conferir entre si de varios modos; cosas que ayudam mas uizáa ue las lecciones". Cartas de S. Ignacio,
Madrid, 1875, p. 557, nota. - O Ratio de 1586 encarece singularmente o valor formativo dos debates na
formação filosófica e teológica. Ver Pachtler, II, 103.
110
"Nulla re magis adolescentium industri quam satietate languescit". Regra 24, das comuns, aos
professores das classes inferiores.
111
No entanto Compayré escreve: "Dans le Ratio Studiorum nous n´avons pas trouvé un mot qui
annoçât le désir d´éveiller la réflexion personelle et d´accroître l´intelligence". Histoire Critique des
doctrines de l´education, Paris 1881, t. I, p. 254. - Evidentemente, a leitura foi feita com óculos

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Mais, porém, do que da organização cheia de vida da aula, mais do que a
solicitude do professor de exercitar continuamente o aluno ao exercício de seus
recursos, a atividade resulta, na pedagogia doRatio, da própria natureza do ensino
ministrado. Na formação de caráter humanista, já o vimos, sobre o aspecto
cientifico predomina o artístico. Ora, a arte é um hábito, e, como todo hábito,
adquire-se pela repetição dos atos. Para chegar à arte perfeita da expressão, o
aluno deve estar em contínua atividade exprimir-se de viva voz ou por escrito. Não
lhe é suficiente atender, entender e memorizar. O que bastaria talvez para
assimilar uma soma de conhecimentos científicos não lhe asseguraria, de certo, o
domínio
os da expressão
modelos do bem literária. Por isso,
dizer. Nada o Ratio põe
de sentenças logo o aluno
artificiais, em contato
de frases feitas com
para
elucidar preceitos gramaticais. Desde os primeiros dias, ele se encontra em face de
uma literatura, viva e real. E a preleção, que constitui a espinha dorsal do sistema,
é toda orientada para a prática. O estudo comentado de uma carta, ou de uma
descrição, de um drama ou de um discurso é seguido, por parte do aluno, da
composição de uma carta ou de uma descrição, de um drama ou de um discurso.
Imitatio est anima pralectionis. A criação pessoal é o princípio que anima a
preleção. Imitar não é copiar servilmente a outrem. Imitar é exprimir as próprias
idéias e as próprias experiências rivalizando na arte da expressão com a obra prima
do modelo. Depois de a contemplar sob a direção do mestre, analisando-lhe as
minúcias e admirando-lhe as belezas, o aluno estimulado como que se dispõe a
ombrear e medir-se com o mestre. E como a criação literária interessa o homem
todo, - imaginação, inteligência, razão, sentimento, - tudo nele entra em exercício
harmonioso e fecundo. “A atividade funcional domina toda a classe e todos os
momentos da classe. A aula planejada pelo Ratio é uma aula de arte para a
educação secundaria como uma aula humanista,
de musica ou de dançaativa
em nossos 112
Os dois princípios - educação educação – até dias”
certo .ponto
solidários, constituem inegavelmente dois valores perenes da pedagogia inaciana.
Frisou-o com felicidade, um dos últimos Gerais da Companhia de Jesus, o P. Martin,
numa alocução dirigida em 1893 aos estudantes jesuítas em Exaaten, Holanda.
Dela transcrevemos o trecho seguinte: “Julgam alguns que, outrora o seu valor,
hoje já o não conserva. Julgar assim, denota, a meu ver, uma falta de
compreensão do Ratio, que só leva em conta as disposições do seu currículo e não
o seu espírito. É exato que hoje já não somos livres no que respeita aos cursos; o
seu conteúdo é-nos prescrito. Somos, porém, ainda livres no que concerne ao
espírito e ao método de nosso ensino. E isto, mais do que o currículo, caracteriza o
Ratio. Em que consiste este caráter distintivo? Em alguns elementos próprios, dos
quais apenas dois quero aqui lembrar: primeiro, que do estudante se deve exigir
atividade; segundo, mais do que em aprender e armazenar fatos, se deve insistir
na formação genuína das faculdades humanas. Não basta a simples aquisição de
conhecimentos; nossa principal obrigação é desenvolver os talentos naturais. Ainda
que o conhecimento seja em si proveitoso, a mais alta perfeição da tarefa educativa
cifra-se em moldar e desenvolver o espírito. O valor integral, o fruto e o objeto dos
estudos consistem em cultivar todas as faculdades que assim se formam para todas
as fases da atividade e da vida”113.
O PROFESSOR.

esfumaçados por preconceitos antijesuíticos pouco conciliáveis com a isenção superior do espírito
científico. Todas as apreciações de Compayré - infelizmente transcritas por numerosos autores pouco
críticos e menos familiarizados com as fontes - devem ser submetidas a uma revisão à luz dos
documentos srcinais e da sua interpretação histórica.
112
F.P. Donnely, S.J. Principles of Jesuit Education in Practice, New York, P. J. Kennedy and
Sons, 1934, p. 11-12.
113
Em Woodstock Letters, t. XXII (1893), 105-107, cit. por A.P. Farrel, The jesuit code of liberal
Education, p. 402.

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Outro fator de vital influência na Pedagogia do Ratio e essencial à eficiência de
qualquer sistema educativo, é a importância decisiva por ele atribuída ao mestre.
“Tudo depende do professor”, dizia o P. João Bonifácio, um dos grandes pedagogos
jesuítas dos primeiros tempos e a sua frase resume o pensamento animador da lei
orgânica do ensino dos jesuítas. Em nossos dias repetirá co acerto outro professor
eminente da Companhia de Jesus: “Não esqueçamos, como muitas vezes se
esquece, que nas tentativas intermináveis de reformas pedagógicas que, há trinta
anos, sacodem o nosso ensino secundário, o principal, quando se trata de livros, de
programas e de métodos, é ter bons professores”114.
motivosA situação
econômicosdo ou
mestre-escola
por motivos no séculocaíra
morais, XVI em
nãogrande
era muito risonha. Sem
desprestígio. Por
chegar às caricaturas mordazes de Mantaigne ou de Rabelais, de Petrarca ou de
Justo Lipsio, impossível não reconhecer que o professor estava muito abaixo da sua
alta e nobre missão.
A Companhia de Jesus, para reagir nobre e energicamente contra a ação
deprimente do meio, consagrou à formação reabilitadora do mestre o melhor dos
seus esforços. “Sob este respeito, escreve Schimberg, fez ela enorme progresso na
educação e adiantou-se ao seu século”115.
Num conceito justo e integral da missão educadora, a formação do mestre
deve ser também interia e completa, abraçando todos os aspectos da perfeição
humana. Não é só pela sua inteligência culta e ilustrada, é pela sua personalidade
toda que o educador modela no educando o homem perfeito de amanhã.
A formação moral é a primeira preocupação da Companhia de Jesus. Ao entrar
nas suas fileiras, o futuro formador das almas começa por dedicar dois anos inteiros
exclusivamente à formação da alma própria. São anos benditos e fecundos em quer
se adquire oimpulsivas.
tendências conhecimento próprio,
A razão o governo das
sobrepõe-se aos paixões,
poucos oà domínio sobredos
volubilidade as
caprichos. As virtudes cristas da caridade, da paciência, da renúncia de si mesmo,
da piedade sólida, transformam-se aos poucos em hábitos vivos, que pautam as
ações dos futuros educadores. Além desta têmpera do caráter, a vida interior aguça
a visão psicológica. Mais do que em qualquer tratado inanimado da psicologia, é no
recolhimento habitual, na observação introspectiva dos próprios movimentos
d´alma, na luta sincera, empenhada a fundo contra as paixões e a sua estratégia
ardilosa, que se aprende a conhecer o homem, o seu coração, os meios de o dirigir
e elevar para os nobres ideais. Ainda que muito pertinente é a observação de
Schimberg: “A prática da vida interior contribui para dar aos que dela se alimenta,
com o hábito do recolhimento e do senhorio de si mesmo, um conhecimento
profundo do coração humano... um educador é necessariamente um psicólogo.
Como trabalhar na alma da criança, se não lhe se conhecem as energias, os
defeitos e os recursos maravilhosos? Sob este respeito é a vida religiosa uma
escola de primeira ordem, e S. Inácio, esforçando-se por reconduzi-la à pureza
primitiva, prestou serviço à causa da educação”116.
Terminado o biênio unicamente consagrado ao aperfeiçoamento moral que
continuará como tarefa indeclinável de toda a sua vida, o jovem jesuíta inicia a sua
formação intelectual. Dois outros anos são ainda consagrados ao estudo mais
profundo das letras clássicas, latim, grego, hebreu. No esboço doRatio de 1586
aventou-se a idéia de encaminha-los então imediatamente ao magistério. Foram
quase unânimes as reclamações das províncias contra esta medida. Uma sólida
formação filosófica de, pelo menos, três anos, pareceu-lhes preparação
indispensável ao exercício fecundo do ensino. A filosofia dava aos futuros mestres

114
J. Bainvel, S.J. Comment enseigner la théologie dans les grands séminaires, nos Études, t.
CXVII (1908) p. 85.
115
Schimberg, L´education morale, p. 40. Já Ledesma exigia em quem ensina este cabedal de
qualidades: "o professor deve ser homem de ciência e de virtude, prestigiado pela autoridade, pelo tino e
pela experiência e de talento acima da mediania". Mon. paedag., 349.
116 Schimberg, Op. cit., p. 40-1.

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uma visão orgânica da vida, amadurecia-lhes o espírito, e, com mais três anos de
estudo, também a experiência da vida. Foi o alvitre que prevaleceu na redação
definitiva. A regra 28 do Provincial prescreve que, em princípio, os jovens religiosos
não se aplicarão ao magistério senão terminado o curso de filosofia.
Para o ensino superior, a preparação á ainda mais longa. Concluído o seu
,magistério, o jovem mestre volta aos bancos do discípulo; por quatro anos
consagra-se todo ao estudo da teologia, e, a seguir, durante um biênio, especializa-
se na disciplina que constituirá o objeto do seu ensino universitário. Destarte, só
depois dos trinta anos, por via de regra, termina o professor jesuíta a sua formação
intelectual.
Não está ainda contente oRatio. À cultura da inteligência julga indispensável
acrescentar-se uma iniciação profissional ao estudo das disciplinas do currículo,
uma formação pedagógica. A Regra 9 do Reitor prescreve que, no fim dos estudos
de filosofia, antes de partirem para os colégios, os futuros mestres sejam confiados
a um homem profundamente versado na experiência do ensino, docendi
peritissimum, que os inicie na pratica viva do magistério, submetendo-os a
exercícios de preleção, ditado, correção de trabalhos escolares e outros ofícios do
bom professor. A Regra 30 do Provincial impõe-lhe particular diligencia e solicitude
no cumprimento fiel dessa disposição. B-9; A-30.
Neste ponto de iniciação profissional as exigências vão ainda mais longe. Já
em 1563 a 2a. Congregação Geral, no seu Decreto 9 formulava o princípio de que
em cada Província na medida do possível deveria se instituir ou fundar uma
Academia ou Seminário pedagógico destinado à formação de bons professores117.
O Ratio de 1599 lembra oportunamente ao Provincial, na sua regra 22, que se
esforce por ter sempre na sua Província, pelo menos, dois ou três homens insignes
nas
este boas letras
mister “ad magistrorum
poderão seminarium
conservar “a raça dos fovendum”; unicamente
nos professores”, dedicados
quorum
“ opera aca
sedulitate bonorum professorum genus quoddam ac tanquam seges ali ac propagari
possit”. A-22 118.
Esta prescrição cristalizava na lei escrita uma prática que vinha de longe e
com os melhores resultads: As Províncias do Reino inferior e superior já haviam
estabelecido, desde 1581 e 1582, os seus seminários pedagógicos, respectivamente
em Moltheim e Augsburgo 119. O P. Cipriano Soares organizou, desde 1569, um
destes seminários no Colégio de Coimbra120. Não é, pois, sem razão que, na sua
História da Pedagogia, reconhece Ziegler aos jesuítas o merecimento de haverem
ocupado, por primeiros, da formação pedagógica dos professores, preludiando
assim o ano de exercícios práticos dos professores dos nossos dias121.
A iniciação do professor assim começada em institutos especiais continuava
mais tarde com a leitura de obras especialmente compostas para esse fim elos mais
abalizados autores da Ordem. Em 1625 Francisco Sacchini, grande humanista e
celebre historiador, compunha em Roma o seuProtrepticon et Paraesiensis ad
Magistros Scholorum Inferiorum. Protrepticon:valor, dignidade e vantagens da
educação e instrução; Paraesiensis: deveres e meios de ação dos professores.
Jouvency, outro historiógrafo de renome, compôs em 1692 um tratadoDe ratione
discendi et docendi, que a 14a. Congregação Geral mandou fosse adaptado pelo
autor de modo que as transformasse num como compendio oficial para todos os
117
Institutum Societatis Jesu, Congreg. II, Decreto 9.
118
Antes da promulgação do Ratio, nas regras dos ofpicios comuns composta em 1577, já se
advertia ao Provincial na sua regra 50 que, "a fim de que não faltassem bons professores de humanidades
instituisse e conservasse o respectivo seminário, et ne in his [humaniorum litterarum studiis] professores
idonei desint illorum seminaria et instituet et conservabit". Institutum S.J., Romae 1870, t. II, p. 84.
119
Indicação de outros seminários análogos nas Províncias da Europa pode ver-se em Duhr, Die
studienordnung der Gesellsehaft Jesu, Frei.. B. 1896 p. 42.
120
Ver Francisco Rodrigues, A formação intelectual do jesuita, Porto, 1917, p. 100.
121
"Den Jesuiten gebührt das Verdienst erstmals etwas für die paedagogische Vorbildung künftiger
Lehrer an höreren Schulen gethan, dem Probe = und Seminariahr unserer Tage praeludiert zu haben".
Ziegler, Geschichte der Pädagogik, p. 111. Cit. por Schimberg, Op. cit., p. 40.

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professores de letras daOrdem. Em 1703 saiu a lumeo novo trabalho em Florença
e com o título ampliado: Magistri Scholarum Inferiorum S.J. de ratione discendi et
docendi ex Decreto Congregationes Generalis XIV,Florentiae, 1703. O como
aprender e como ensinarde Juvêncio pode considerar-se como um dos comentários
mais autorizados do Ratio. Para a Província da Áustria, publiocu em 1735 o P.
Francisco Wagner a sua Instructio privata seu typus cursus annui pro sex
humanioribus classibus in usum magistrorumS.J. e, no seguinte, para a Província
Germânica Superior, escrevia o P. Francisco Kropf:Ratio et via recte atque ordine
procedendi in litteris humanioribus aetate tenerae tradendis, docentium et
discentium commoditati atque utilitati conscripta a Sacerdote quondam e Soc. Jesu
1736. ,
Por aí se vê como a perfeita formação pedagógica do professor era uma das
preocupações fundamentais da Ordem.
Uma vez iniciado o magistério, o jovem professor se beneficiava
imediatamente de todas as vantagens da sólida organização administrativa dos
Colégios. O Reitor, o Prefeito de estudos, o Prefeito de disciplina, a estrutura geral
da vida escolar emolduravam-no para logo um quadro de tradições pedagógicas
bem definidas, que lhe transmitiam sábias experiências acumuladas e lhe
poupavam erros e desvios de principiante abandonado à insegurança das próprias
iniciativas.
O próprio Ratio multiplica-lhe as advertências de uma psicologia fina,
destinadas a assegurar-lhe o prestígio da autoridade e a eficiência da ação
educativa. O professor consagre aos alunos um afeto paterno, mas sem
familiaridades; trate a todos com bondade e justiça, não despreza a ninguém, nem
faça distinção entre rico e pobre; não seja precipitado em castigar nem demasiado
em
ou inquirir;
o chamedissimule muitos
senão pelo defeitos,
nome mas nem sequer
ou cognome. lhe dirija
J-40, 47, palavraforinjuriosa,
50. Onde mister
repreende-los, faça-o com moderação e de modo que o repreendido se convença de
que, não a paixão, mas a necessidade e o amor lhe inspiram as palavras. Na furte o
corpo a nenhum trabalho necessário ao progresso do aluno, nem procure o proveito
próprio, mas o dele. Não imponha a sua autoridade exigindo uma obediência
automática ao militar, mas que os alunos lhe queiram bem, tenham confiança e
manifestem espontaneamente as suas dificuldades122. Uma virtude ou disposição
d´alma lhe é de modo muito particular inculcada: o bom humor e a jovialidade. Já
no esboço de 1586 se afirmava que, de ânimo azedo, os professores não se podiam
desempenhar as suas obrigações123. E, por isto, a edição definitiva do Ratio impôs
ao Reitor, como uma das obrigações do seu oficio, manter, entre os seus, o bom
espírito, o entusiasmo, a alacridade124.
UM GRANDE IDEAL.

Formação literária, cultura filosófica, iniciação pedagógica, nada descurou o


Ratio para preparar professores à altura de sua missão. Não era, porém, ainda
suficiente. Acima e além desta, longo tirocínio profissional cumpria infundir no
professor a claridade e o calor de um grande ideal para elevar-lhe o magistério à
grandeza de uma vocação. Toda a solicitude da Companhia de Jesus converge para
este alvo. Aos olhos de seus filhos, o ensino transfigura-se num apostolado. A visão
crista da vida, traduzida em luz e força por uma intensa vida interior, rasga-lhe

122
Pachtler, I, 159, 411-12.
123
"Bonam debemus juventutis institutionem, de qua tamen non optime merentur, et vix nostrae
abligationi respondent Praeceptores, quamdiu amaro sunt animo". Pachtler, II, 145.
124
"Studeat etiam diligenter caritate religiosa magistrorum fovere alacritatem, curetque ne
muneribus domesticis gravidus onerentur". B-20. O Ratio de 1586 batia ainda mais forte na mesma tecla:
"Rectoribus nihil antiquius, nihil optabilius esse debere, quam, ut salva religiosae pietatis disciplina,
Praeceptorum conservent hilaritatem, et in ea posita esse praesidia omnia scholarum bene gerendarum
existiment". Pachtler, II, 146.

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aqui perspectivas de beleza inefável. No aluno, o professor, o homem, criatura de
Deus, que lhe foi cometido, como um depósito sagrado, para guia-lo à perfeição do
seu destino. Para além dos seus progressos atuais, desdobra-se no futuro todas as
conseqüências sociais de uma boa educação: o bem da família, a conservação do
Estado, a própria salvação da humanidade 125. “A educação da puerícia é a
renovação do mundo”, escreveu um dos grandes pedagogos da Ordem, João
Bonifácio, puerilis institutio est renovatio mundi. 126.
Raras vezes se acentuou tão gravemente a responsabilidade do professor;
raras vezes se lhe acendeu n´alma o fogo sagrado da dedicação e do entusiasmo
por um ideal mais nobre!

125
Comentando o Ratio , assim escrevia Jouvency: "O mestre cristão deve trazer muita vez à
consideração a importância de seu cargo, as obrigações que lhe impõe o serviço de Deus, o cuidado dos
alunos que lhe encomendaram, o bem do Estado e da cidade onde ensinam... Mestres, vós dais aos
homens a cousa mais bela que lhes podeis dar, iluminais a inteligência e educais aos filhos de Deus.
Homens, respeitai o homem e não desprezeis essa natureza que o Criador do mundo fez sua. Essas
crianças têm dignidade de reis. Olhai nelas a Cristo que as resgatou pela Cruz". De ratione discendi et
docendi, c. III, § III.
126
Uma regra mais antiga, anterior ao Ratio , prescrevia: "Ogni maestro farà quel conto dell´offitio
che gli è commesso che far si deve di una cosa molto inportante et necessaria alla salute del mondo ".
Mon, paed. S.J., p. 626.

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ORGANIZAÇÃO E PLANO DE ESTUDOS DA
COMPANHIA DE JESUS.
REGRAS DO PROVINCIAL

1. Objetivo dos estudos na Companhia. – Como um dos ministérios mais


importantes da nossa Companhia é ensinar ao próximo todas as disciplinas
convenientes ao nosso Instituto, de modo a levá-lo ao conhecimento e amor do
Criador e Redentor nosso, tenha o Provincial como dever seu zelar com todo
empenho para que aos nossos esforços tão multiformes no campo escolar
corresponda plenamente o fruto que exige a graça da nossa vocação.
2. Prefeito geral dos estudos. – Para este fim, ao Reitor não só o recomende
insistentemente no Senhor, mas lhe dê, como Prefeito de estudos ou Cancelário,
um homem bem versado nas letras e nas ciências, qualificado pelo seu zelo e
discrição para os desempenho das incumbências que lhe forem confiadas e cuja
função será a de instrumento geral do Reitor na boa ordenação dos estudos. A
ele, com a devida humildade, deverão obedecer aos professores e todos os
escolásticos, tanto os que se acham no mesmo Colégio quanto os que porventura
vivem em internatos ou seminários de alunos, e ainda os prefeitos de estudos nos
seminários, em tudo quanto aos estudos se refere.
3. Prefeito de estudos inferiores e da disciplina. – No caso em que, pela extensão
e variedade do trabalho escolar, não bastar um Prefeito para a direção de todas
as aulas, poderá o Provincial nomear outro que, sob as ordens do Prefeito Geral,
cuidará
terceiro, dos estudosdainferiores;
incumbido disciplina. e ainda, se o exigirem as circunstâncias, um
4. Seleção dos Professores. – Com grande antecedência proveja os professores de
cada faculdade, observando os eu em cada disciplina parecem mais competentes,
os mais eruditos, aplicados e assíduos, os mais zelosos pelo progresso dos alunos
não só nas aulas senão também nos outros exercícios literários.
5. Sagrada Escritura e respectivo professor . – Com grande zelo promova o estudo
de Sagrada Escritura; e o conseguirá, se para este ofício escolher homens não só
conhecedores de línguas (o que é de primeira necessidade), mas ainda versados
na teologia e nas demais ciências, na história e outros ramos do saber e, se
possível, também eloqüentes.
6. Estudantes e tempo. – As lições de Sagrada Escritura assistirão os estudantes
de teologia diariamente, em aulas de três quartos de hora, durante dois anos,
isto é, ordinariamente, no segundo e terceiro ano do curso, onde forem dois os
professores
breves, deparecer
ou, se teologia; onde houver
preferível, três, asem
mais longas aulas
dias poderão ser diárias e mais
alternados.
7. Dotes do professor de hebreu. – Onde não houver inconveniente, ensine a
língua hebraica o professor da Sagrada Escritura, ou, ao menos, um teólogo; é
para desejar que seja outrossim versado em línguas, não só no grego, por causa
do Novo Testamento e da versão dos , mas no siro e no caldeu pelo muito que
destas línguas se encontra nos livros canônicos.
8. Estudantes e estudos. – Da assistência a esta aula, por um ano, isto é, no
segundo ou terceiro do curso, não sejam dispensados os estudantes de teologia,
exceto os que para isto forem julgados de todo incapazes. Além disto, como
advertem as Constituições, deverá escolher os escolásticos eu se dedicarão
especialmente a este estudo; os escolhidos durante o biênio prescrito para a
repetição da teologia, apliquem-se mais ao estudo do hebreu e mesmo durante o
curso regular da teologia sejam assistidos, se possível, em academias privadas ao
menos durante as férias.
9. Curso e professores de teologia.
§1. Procure que se conclua o curso de teologia em quatro anos, de conformidade
com as Constituições, e seja dado por dois anos, ou, se absolutamente não puder ser de
outro modo, por três professores ordinários, de acordo com os diferentes costumes das
províncias. Onde forem três professores, a terceira aula será de teologia moral e nela se
expliquem, ex-professo e com solidez, as questões morais que pelos professores

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ordinários costumam ser omitidas ou tratadas com suma brevidade. A estas aulas
assistam os nossos, ao menos durante dois anos; nos outros dois freqüentem Sagrada
Escritura.
§2. Lembre-se de modo muito especial que às cadeiras de teologia não devem ser
promovidos senão os que são bem afeiçoados e São Tomás; os eu lhe são adversos ou
menos zelosos da doutrina, deverão ser afastados do magistério.
10. Biênio da repetição da teologia. – No princípio do quarto ano, de acordo com o
Reitor, o Prefeito, os Professores e os seus Consultores, designe alguns
escolásticos de reconhecida virtude e bons talentos, para que, segundo
prescrevem as Constituições,
estudo privado, se consagrem
afim de repetir tranqüilamente
por si a teologia durante
e, se ao dois parecer,
superior anos ao
sustentar atos acadêmicos; para estes se darão abaixo instruções especiais. Onde
for costume da região, poderão alguns dentre eles, com licença do Geral, ser
promovidos ao grau de Doutor ou Mestre.
11. Onde vigorar o costumes de se conferirem graus publicamente, observem-se a
Constituições à risca; e não seja promovido quem às teses de teologia
especulativa não acrescentar outras relativas aos trechos mais importantes da
Escrituras e ainda, se nada houver em contrário, também à história eclesiástica e
ao direito canônico. Quanto ao modo e às cerimônias da colação, se não se
opuserem às Constituições, sigam-se os costumes e estatutos de cada região.
12. Professores de caso de consciência. – No colégio onde houver seminário de
casos de consciência para os nosso, nomeie dois professores de casos que,
dividindo entre si toda a matéria, a expliquem em dois anos; ou um só professor
eu dê duas aulas diárias.
13. Conferência de casos. – Duas vezes por semana nas casas professas, duas vezes
nos colégios ou, se melhor lhe parecer no Senhor, uma vez, haja ou não lição
pública de casos ou de teologia moral, deverão os nossos sacerdotes reunir-se
para as conferências de casos. Afim de presidi-la, determine um Provincial um
sacerdote capaz de desempenhar-se com segurança e prudência, dessa tarefa.
Este presidente leia e observe as regras do professor de casos ou de teologia
moral que se prescreve à maneira de realizarem semelhantes conferências.
14. Mesma conferência nos colégios principais. – Nos colégios mais importantes haja
também esta conferência de casos, principalmente para todos os estudantes de
teologia, mas só uma vez na semana.
15. Os eu dela não se devem dispensar . – Destas conferências acima referidas, com
exceção dos professores de teologia e filosofia e de outros eu por ventura o
Superior dispensar, não deverão eximir-se nem os estudantes de teologia moral
nem os sacerdotes que, ordinária ou ocasionalmente, ouvem confissões; o
próprio superior delas não se ausente senão raras vezes e por motivos graves.
16. Dotes do professor de filosofia. – Os professores de filosofia (exceto caso de
gravíssima necessidade) não só deverão ter concluído o curso de teologia senão
ainda consagrado dois anos à sua revisão, afim de que a doutrina lhes seja mais
segura e mais útil à teologia. Os que foram inclinados a novidades ou demasiado
livres nas suas opiniões, deverão, sem hesitações, ser afastados do magistério.
17. Curso de Filosofia. – Onde estudam os nossos escolásticos, o curso de filosofia
deverá durar três anos e não menos; onde só houver estudantes externos fique a
duração a juízo do Provincial; enquanto for possível, porém, cada ano conclua-se
um curso e comece outro.
18. Curso de retórica e humanidades. – Ainda que não seja possível prescrever a
duração do curso de humanidades e retórica e a cargo do superior fique decidir
quanto deverá cada qual demorar-se nestes estudos, nenhum dos nossos, pelo
menos, deverá ser enviado à filosofia antes de haver estudados dois anos de
retórica, a menos
outro motivo quesenão
a isto se julgueMas,
oponham. em se
o Senhor
alguns que a idade,
forem as aptidões
dotados ou
de aptidões
naturais para grandes progressos nesse estudos, , poder-se-á examinar se, afim
de se lançarem mais sólidos fundamentos, não convenha conserva-los na retórica
por três anos.

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19. §1. Duplo exame de filosofia. – Depois que iniciarem o curso de filosofia,
deverão os nossos ser examinados duas vezes por professores determinados, a
saber, pelo Prefeito de estudos e pelos professores de teologia e filosofia, na
presença do Reitor e seus consultores e, se possível, do próprio Provincial; a
primeira vez pouco antes da quaresma ou nas férias de Páscoa, a outra,
terminada a lógica.
§2. Considerações da virtude. – este ponto eu é de grande importância para o
Senhor e deverá ser tratado com toda a atenção para a maior glória de Deus, observe o
Provincial, de modo particular, as regras 49 e 56 do seu ofício e, acima de tudo, leve me
consideração
§3. Fima virtude do candidato.
e processo do exame. – Este exame, eu determinará se alguém há de
continuar a filosofia ou se (logo) enviado ao estudo de Casos deverá ser feito com votos
secretos; o seu resultado juntamente com o julgamento dos examinadores, seja
consignado em livro especial; e os que a ele assistirem guardem sobre o assunto
rigoroso segredo.
§4. Destinação ao estudo de Casos. – Os que, no primeiro exame, se revelarem
incapazes para a filosofia deverão ser destinados aos Casos ou, a juízo do Provincial, ao
magistério [inferior] (assim entendemos a destinação aos casos); quanto aos demais
nada por então se decida. No segundo exame, poderão distinguir-se entre os candidatos
três graus: os que excedem a mediania e estes deverão prosseguir os demais estudos;
os que lhe ficam abaixo e estes lhe serão logo aplicados aos Casos; e finalmente os que
apenas a atingem e entre estes caberá ainda uma discriminação.
§5. Consideração dos talentos. A quem será concedido um biênio de teologia. –
Os que são medianos nas letras e não possuem outras habilidades sejam também
enviados aos Casos; os que, porém, juntamente com virtude notável tiverem talento
para a pregação e governo, então, afim de que a Companhia possa, com maior
segurança e autoridade, servir-se de seus préstimos, delibere o Provincial com seus
consultores se, além da filosofia, não convenha assegurar-lhe dois anos de teologia.
Neste caso, advirta-lhes abertamente que, só nesta medida, irão continuar os estudos.
§6. Quando se poderá conceder um terceiro ano de teologia. – Mas, se por
ventura aos que têm talento para a pregação não bastarem as dois para ouvir nas aulas
matérias da teologia que se julguem necessárias as desempenho de suas
responsabilidades com segurança e sem erro, como os capítulos que, na Suma de Santo
Tomás, se estudam na primeira parte antes da discussão sobre os anjos, na terceira,
sobre a Encarnação e os Sacramentos, na primeira da Segunda sobre a graça – poderá
para este fim, conceder-lhes um terceiro ano de teologia, ou, pelo menos, sejam
ajudados por meio de lições particulares de alguma academia doméstica, com as quais,
durante o biênio ou depois, supram o eu nas aulas não foi explicado durante este tempo,
deixando também as lições públicas de outras matérias eu pareçam menos úteis.
§7. A quem se poderá conceder um quarto ano de teologia. – Por fim, se não
houver alguém, ainda eu não dotado de talento notável, mas eminente em dons de
governo e pregação, e de virtude singular eu parece atingir o conhecimento completo de
teologia exigido pelas Constituições, e eu se se julgasse de vantagem para a Companhia
eu terminasse o curso de teologia, poderá o Provincial, ouvidos previamente os
consultores, conceder-lhe um quarto ano de teologia.
§8. Deverão ser examinados os que estudaram fora da Companhia. – Ao mesmo
exame deverão ser submetidos os que, antes de entrar na Companhia, estudaram todo o
curso de filosofia ou parte dele, ou ainda parte da teologia, afim de que ele se possa
fazer idêntico julgamento.
§9. O privilégio dos estudos reservados aos humildes. - Antes de tudo, porém,
cuide o Provincial de se não servir da concessão do privilégio de aplicar aos estudos
senão em favor dos humildes, sinceramente piedosos e mortificados, mercadores de tal
beneficio.
§10. Os que deverão ser afastados no meio dos estudos. -Se algum talvez dos
que foram aplicados à filosofia ou à teologia, no decurso dos estudos. mostrar que não
excede a mediania como a principio se julgara, também ele, após exame idêntico,
deverá ser enviado aos Casos.

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§11. Que se entende por mediania. -A mediania, de que acima se fala, deve
entender-se no sentido em que vulgarmente se entende quando se diz de alguém que é
de talento mediano, a saber, quando percebe e compreende o que ouve e estuda e é
capaz de dar razão suficiente a quem lhe pede, ainda que, em filosofia e teologia, não
atinja o grau de doutrina que as Constituições designam com a expressão “haver nela
feito bastante progresso”, nem seja capaz de defender as teses aí mencionadas com o
saber e a facilidade com que as defenderia quem fosse dotado de talento para ensinar
Filosofia e Teologia.
§12. Como julgar os talentos. – Sobre a capacidade do talento para pregação e
governo que devem possuir os que vão estudar teologia por dois anos e bem assim
acerca do talento extraordinário daqueles aos quais dissemos se podem conceder quatro
anos, ponderem seriamente com os seus Consultores e outros varões eminentes que os
conheçam e sejam capazes de ajuizar em semelhantes matérias.
§13. Decisão permitida ao Provincial. -Mas, como neste exame e apreciação dos
talentos freqüentes vezes divergem as opiniões, ficará nas mãos do Provincial, depois de
bem ponderada a questão, examinar os votos e ouvir os Consultores, decidir o que no
Senhor melhor lhe parecer para a maior glória de Deus e bem geral, da Companhia. E se
julgar que nenhum deles deverá ser aplicado àqueles estudos, consigne-o no livro, como
acima se disse no §3, acerca do primeiro exame.
§14. Matemáticas: Estudantes e tempo. - No segundo ano do curso todos os
estudantes de filosofia assistirão à aula de matemática por três quartos de hora. Além
disto, os que tiverem mais inclinação e capacidade para semelhantes estudos exercitem-
se neles em lições particulares depois do curso.
6. §1. Número dos cursos inferiores. -As classes de estudos inferiores (pelas razões
alegadas na quarta parte das “Constituições" c. 12. C., omitimos as aulas de abc)
não devem ser mais de cinco: uma de Retórica, outra de Humanidades e três de
gramática.
§2. Porque não se devem fundir nem multiplicar. - Estas classes são de tal modo
graduadas e concatenadas entre si que não se podem fundir nem aumentar em
quantidade, não só para não multiplicar inutilmente os professores ordinários senão
também para que o número de cursos e classes não reclame tempo maior do que o
necessário para percorrer os estudos inferiores.
§3. Duas categorias numa classe. - Se forem menos de cinco as classes, nem
assim deverão confundir os cinco graus, mas em cada classe poder-se-ão estabelecer
duas categorias de modo que cada uma corresponda a um dos cinco graus, como se dirá
adiante na regra 4 do Prefeito dos estudos inferiores.

§4. Conservem-se
as classes, de preferência
procure quanto possível os cursos mais
conservar as elevados. -Quandosuprimindo
mais elevadas, forem poucas
as
inferiores.
§5. Podem multiplicar-se as turmas não as séries. - Quando dizemos que as
classes e gramática devem ser três e todas as de estudos inferiores, cinco, referimo-nos
não tanto ao número de aulas e professores quanto ao de séries acima descritas.
Porquanto, se for tão elevado o número de alunos que não baste um professor, poderá a
classe ser dividida com licença do Geral, de modo, porém, que o nível, as lições, o
método de ensino se mantenham idênticos nas duas turmas paralelas.
§6. Onde se permite o desdobramento de turmas. -- Este desdobramento de
turmas. porém, não deve ser feito senão onde existem todos os estudos da Companhia
ou as condições da fundação o exigem, afim de não onerar demasiadamente a
Companhia.
7. Formação de eminentes professores de letras. - Para conservar o conhecimento
das letraspelo
Província clássicas
menos,e dois
alimentar
outros um seminário
varões de professores,
eminentes em literaturaprocure ter na
e eloqüência.
Para este fim entre os bem dotados e inclinados para este gênero de estudos,
designará, de quando em quando, alguns, suficientemente formados em outras
disciplinas, a fim de constituírem, com o seu trabalho é esforço, um como viveiro
ou seara que alimente e propague a raça dos bons professores.

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8. Gramática do P. Álvares. - Cuide que os nossos professores adotem gramática d'o
P. Manuel [Álvares]. Se em algum lugar o seu método parecer muito elevado
para a capacidade dos alunos, adote então a gramática romana, ou, após
consulta do Geral, mande compor outra semelhante, conservando sempre,
porém, a importância e propriedade de todas as regras do P. Álvares.
9. Professores permanentes. -Providencie para que os professores de gramática e
retórica sejam, no maior número possível, permanentes. Para este fim,
terminados os estudos de Casos e ainda de Teologia, aos que lhe parecerem no
Senhor hão de servir melhor a Companhia neste oficio do que em outros, aplique
seriamente ao magistério e insista com eles se consagrem de todo a missão tão
salutar para a maior glória de Deus.
10. Os que se podem admitir só para o ensino. –Poderá ser também de utilidade, se
alguns que pareçam especialmente adaptados a este fim e pela idade ou talento
não possam fazer progresso nos estudos superiores, logo no ingresso na
Companhia sejam admitidos com a condição de consagrar espontaneamente as
suas vidas ao serviço de Deus no ensino das letras; e o Provincial note este fato
no seu livro de registro. Estes, depois, ou antes, de haver ensinado alguns anos,
como parecer no Senhor, poderão seguir algumas lições de Casos (teologia
moral) e ser ordenados sacerdotes e, em seguida, voltar ao ensino, do qual não
deverão ser removidos sem motivo grave e séria deliberação, a menos que, de
quando em quando, por -cansaço determine o Provincial uma interrupção por um
ou dois anos.
11. Não devem ser dispensados do magistério. -Não dispense o Provincial os nossos
escolásticos do ensino da gramática e das humanidades a não ser que, pela idade
ou por outro motivo lhe pareça melhor no Senhor outra decisão. (1) Os que,
porém, manifestam talentos, sobretudo talentos raros para a pregação, procurem
que não sejam retidos por mais tempo que o necessário no ensino das letras, da
filosofia e teologia, afim de que não comecem a pregar quando, já envelheceram
nestes estudos.
12. Escolha de alguns para estudo imediato da teologia. - Em cada curso, porém,
escolha um, dois, três ou mais estudantes, conforme o número de alunos, que
pareçam fazer mais progressos que os outros, e os aplique imediatamente à
teologia; mais tarde, terminados os estudos é o terceiro ano de provação, se for
necessário ou mesmo conveniente, poderá emprega-los no ensino da gramática
ou das humanidades.
13. Tempo de magistério. - Não confie a responsabilidade de aulas aos que hão de
estudar filosofia e ainda não a estudaram enquanto houver outros que a tenham
concluído.
14. Por onde se deve começar o ensino. - Procure que os nossos irmãos comecem a
ensinar em aulas que lhe fiquem abaixo do nível científico para que assim, de ano
para ano, se possam elevar com boa parte de seus alunos, a um grau superior.
15. Academia para a formação de professores. - Afim de que possam ir ao magistério
com melhor formação. é muito necessário que se preparem em academias
privadas; ao Reitor muito se recomenda, observe cuidadosamente o que
prescreve a sua regra 9a..
16. Número de confessores. -Providencie para que nos colégios, sobretudo nos mais
importantes, onde são mais numerosos os alunos externos, haja vários
confessores a fim de que não sejam obrigados todos a recorrer a um só; por este
mesmo motivo designe-se, de quando em quando confessores extraordinários
para maior satisfação dos penitentes.
17. Número de irmãos coadjutores. —Nos Colégios, principalmente nos menores,
procure que haja bastante irmãos coadjutores afim de que o Reitor se não veja
obrigado a lançar mão de mestres e discípulos para os serviços domésticos.
18. Renda para a biblioteca. A fim de que aos nossos não faltem os livros
convenientes, aplique ao da biblioteca uma renda anual, proveniente dos bens do
colégio ou de outrafonte e que de modo algum poderá ser desviada para outros
fins.

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19. Proibição de livros inconvenientes. - Tome todo o cuidado, e considere este ponto
corno da maior importância, que de modo algum se sirvam os nossos, nas aulas,
de livros de poetas ou outros, que possam ser prejudiciais à honestidade e aos
bons costumes, enquanto não forem expurgados dos fatos e palavras
inconvenientes; -e se de todo não puderem ser expurgados, como Terêncio, é
preferível que não se leiam para que a natureza do contendo não ofenda a pureza
da alma.
20. Regularidade nos horários - Determine as horas em que durante o ano — nos
lugares em que variam com as estações — deverão começar e terminar as
aulas;
permitao com
que for uma vez
facilidade quedeterminado,
seja diferidomantenha-se
ou antecipadosemo mudança; não se
feriado semanal;
procure principalmente que se observe à risca a ordem dos dias de aulas e dos
feriados.
21. Férias. Como a aplicação nos exercícios literários, assim também é necessária
alguma interrupção; evite-se, porém, a introdução de novos feriados; os
prescritos observem-se sem alterações. Sobre este ponto podem dar-se as
diretivas seguintes:
22. 36. §1. Férias gerais. As férias gerais do ano, nos cursos superiores, não devem
ter duração inferior a um mês nem superior a dois. Na retórica, a menos que não
se oponha o costume da universidade, as férias durem um mês; em
humanidades, três semanas; na gramática superior, duas; nos
outros cursos, uma.
§2. Dias feriados.— Afim de que sejam certos e fixos os dias feriados - e o seu
número deve ser antes diminuído que aumentado, mande organizar urna lista dos
mesmos de acordo com os costumes do lugar.
§3. Nos cursos superiores não haverá aula da véspera de Natal até a festa da
Circuncisão; os cursos inferiores, da tarde da mesma Véspera do Natal até a festa
dos inocentes.
§4. Na Qüinquagésima, onde for costume, não haja aula até Quarta-feira de
Cinza; neste dia, porém, todos os professores dêem as aulas da tarde
§5. Nos cursos inferiores de Domingo de Ramos até a Dominga in albis, e nos
inferiores, desde a tarde de quarta-feira santa até a terça-feira de Páscoa, não
haverá aulas.
§6. Da Vigília de Pentecostes nos cursos superiores, e nos outros da tarde da
mesma Vigília até terça-feira, não haverá aula, como também na quinta-feira.
§7. Na Véspera da Festa do Corpo de Deus, em todos os cursos, superiores e
inferiores, não haverá aulas só depois de meio-dia; ao invés, na Comemoração de
todos os defuntos, só antes do meio-dia.
§8. Nos dias em que só houver aulas nos cursos inferiores, em nada se diminua o
tempo costumado.
§9. Preces públicas. Se, por causa de preces públicas, não for possível dar as
aulas da manhã, dêem-se as aulas da tarde; no dia das Rogações, porém, onde for
costume, dêem-se também as da manhã.
§10. Feriado semanal. — Cada semana haja, pelo menos, um dia consagrado ao
descanso. Na mesma semana, se caírem dois dias de festa, não haverá mais um dia
feriado; a não ser que o fato ocorra mais vezes e de modo que um dos dias de festa
caía na segunda-feira, outro no sábado: neste caso poderá conceder-se outro
feriado. Quando do na semana houver um dia de festa e este cair na quarta ou na
quinta-feira, neste dia e só nele não haverá aula; se, porém, cair na segunda-feira
ou no sábado, também na quarta-feira não se dê aula; se, finalmente, cair na terça
ou na sexta-feira, neste caso se não houver sermão, e for permitido justo recreio,
não haverá outro feriado; se não houver esta permissão, será então feriado quarta
ou quinta-feira.
§11. Diferente para os diferentes cursos. Nos cursos superiores ao descanso
semanal se consagrará o dia todo. Nos cursos inferiores, haverá aula pela manhã,
hora e meia no de retórica, duas horas nos demais. Pela tarde, não haverá aula para
curso algum; do principio de Junho em diante, para todos será feriado o dia inteiro.

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23. Observância das regras. Por último, afim do que toda a atividade escolar da
Companhia logre bom êxito para a maior glória de Deus, veja o Provincial que
todos, superiores e inferiores, observem com perfeição as suas regras relativas
aos estudos.
24. Diversidade para a diversidade dos lugares. Como, porém, na variedade de
lugares tempos e pessoas pode ser necessária alguma diversidade na ordem e no
tempo consagrado aos estudos, nas repetições, disputas e outros exercícios e
ainda nas férias, se julgar conveniente na sua Província, alguma modificação para
maior progresso das letras, informe o Geral para que se tomem as determinações
acomodadas a todas as necessidades,
possível da organização de estudos.
geral dos nossos modo porém, que se aproximem o mais
25. Zelo pela piedade e pelos bons costumes, Finalmente, persuada-se o Provincial
que, de modo muito particular, é responsável, pelas prescrições relativas à
piedade, à disciplina dos costumes, ao ensino da doutrina cristã, contida tanto
nas regras dos Mestres dos cursos inferiores, quanto nas regras comuns a todos
os mestres; são pontos estes quemais de perto entendem com a salvação das al-
mas e tantas vezes se inculcam nas Constituiçôes.
REGRAS DO REITOR
1. Zelo pelos estudos. –A Companhia dedica-se à obra dos colégios e
universidades, afim de que nestes estabelecimentos melhor se formem os nossos
estudantes no saber e em tudo quanto pode contribuir para o auxílio das almas e por
sua vez comuniquem ao próximo o que aprenderam. Abaixo, portanto, do zelo pela
formação das sólidas virtudes religiosas, que é o principal, procure o Reitor, como ponto
de máxima importância, que com a graça de Deus, se alcance o fim que teve em mira a
Companhia ao aceitar colégios.
2. Autoridade do prefeito de estudos. Na direção dos terá como assistente um
Prefeito de estudos ao qual dará toda a autoridade que julgar conveniente para o
desempenho cabal de seu ofício.
3. Presença nos exercícios escolares. —Regule e distribua as ocupações de
maneira que possa estimular e desenvolver os exercícios literários. Visite por vezes as
aulas, mesmo inferiores; esteja quase sempre presente às disputas, privadas e públicas,
dos filósofos e teólogos; observe se e porque estes exercícios não dão os resultados
desejados.
4. Ocupações que se não devem permitir aos estudantes. — Não permita que
nenhum estudante falte às disputas ou repetições, para que todos se persuadam da
grande importância desses exercícios; e corte por todas as ocupações que aos
escolásticos possam ser de obstáculo aos estudos.
5. Sobretudo aos que repetem a teologia. –Aos que repetem a teologia em dois
anos, ocupe o menos possível, e ainda assim só com o consentimento do Provincial, com
pregações nas igrejas ou em conventos de religiosas.
6. Substitutos dos mestres. – Estes estudantes poderão substituir, em
sua falta, os professores ordinários de filosofia e teologia; poderão também, se for
necessário, presidir, no lugar do professor, às disputas repetições e disputas
domésticas; e, até, com permissão do Provincial, lecionar, por algum tempo, filosofia e
teologia.
7. Academias de línguas. –Providencie para que se fundem entre os nossos
escolásticos, academias de hebreu e de grego; nelas se exercitem os acadêmicos duas
ou três vezes na semana durante um tempo determinado, por exemplo, durante as
férias, de tal modo que dai saiam homens capazes de honrar em particular e em público
o conhecimento e a dignidade dessas línguas.
8. Uso
do latim doosLatim.
entre — Zele com diligência para que se conserve em casa o uso
escolásticos; desta regra de falar latim não haja dispensa, exceto nos
dias feriados e nas horas de recreio, a menos que, em algumas regiões, não pareça ao
Provincial que, ainda nessas ocasiões, se pode conservar com facilidade o uso de falar
latim. Procure também que os nossos escolásticos, que ainda não terminaram os
estudos, quando escrevem cartas aos nossos, escrevam em latim. Além disto, duas ou

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três vezes no ano, quando se festeja alguma solenidade, como o começo do ano letivo
ou a renovação dos votos, os nossos estudantes de filosofia e teologia componham e
exponham em público alguns versos.
9. Academia para a preparação de professores. - Para que os mestres dos cursos
inferiores não comecem a sua tarefa sem preparação prática, o Reitor do colégio donde
costumam sair os professores de humanidades e gramática escolha um homem de
grande experiência de ensino. Com ele, vão ter os futuros mestres, em se aproximando
o fim dos seus estudos, por espaço de uma hora, três vezes na semana, afim de que,
alternando preleções, ditados, escrita, correções e outros deveres de um bom professor,
se preparem para o seu
10. Formação dos novo oficio. de retórica. — Quando os nossos estudantes de
estudantes
retórica e de humanidades não freqüentam as aulas públicas, ou as freqüentam,
mas o professor que dá as aulas e dirige os externos não se pode desincumbir do ônus
talvez demasiado de bem formar os externos e os nossos, confie o Reitor os nossos
estudantes a outro idôneo, que em casa os exercite privadamente com toda a diligência,
de conformidade com as regras do professor de retórica.
11. Como deverão ser exercitados. — Procure também por, por vezes, os nossos
retóricos recitem discursos ou poemas, em latim e em grego, no refeitório ou no salão,
sobretudo assunto religioso que edifique os da casa e os de fora e os anime a mais alta
perfeição no Senhor; nem se descuidem dos outros exercícios recomendados nas
Constituições.
12. Conselho aos externos de estudar retórica.- Deve procurar-se que os
nossos alunos internos, quanto possível, estudem retórica por um ano antes de começar
filosofia; eaos pais persuada-se a conveniência desta medida. O mesmo deve
aconselhar-se aos externos: mas se o não quiserem, não deverão ser constrangidos. Se
alguns quiserem começara filosofia ainda muito crianças, de modo que se possa temer
venham perturbar as aulas, deverão ser tratados como prescevem
as Constituições relativamente aqueles que se não querem obrigar
com nenhuma promessa ou recusam dar o nome a matricula.
13. Tragédias e comédias. — O assunto das tragédias e comédias, que convém
sejam raras e só em língua latina, deve ser sagrado e piedoso; nada deve haver nos
entreatos que não seja em latim e conveniente; personagens e hábitos femininos são
proibidos.
14. Prêmio. — Cada ano pode haver uma distribuição pública de prêmios, contanto
que corram as despesas por conta de homens ilustres o sejam moderadas, em proporção
com o número de aulas e a natureza do colégio. Na distribuição de prêmios far-se-á
menção honorífica dos que cobriram as despesas. Cumpre zelar com muito cuidado para
que os alunos, com a preparação para semelhantes festas, não venham a sofrer algum
detrimento moral e intelectual.
15. Oração na inauguração dos cursos. — Não permita, a não ser em caso de
necessidade, que a oração pública, na inauguração dos cursos, seja feita por outrem que
não dos professores mais notáveis.
16. Escritos que se devem registrar em livro. — Zele pela observância da regra do
Prefeito da biblioteca relativa ao registro em livro especial, do que se exibe publicamente
ou do que escrevem os nossos no Colégio ou fora, como diálogos, discursos, poesias e
trabalhos semelhantes, escolhidos pelo Prefeito de estudos ou por outro competente
nestes assuntos.
17. Distribuição de livros. — Prescreva ao bibliotecário que na distribuição de livros
não se afaste das normas traçadas pelo Prefeito dos estudos.
18. Consulta de professores. — Cada três, ou pelo menos de dois em dois meses,
reúna consulta de todos os professores do ginásio na presença de ambos os dois
Prefeitos [de estudos e de disciplina] e, de quando em quando, dos outros professores
na presença
algumas do Prefeito
regras Geral tanto
dos mestres de estudos. No começo
das comuns, destas reuniões
principalmente das leia,
que por ordem,
se referem
à formação moral e religiosa, como das próprias de cada professor; lembre então que
poderá cada qual propor as dificuldades que ocorrem no seu cumprimento ou indicar o
que acaso não se observe.

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19. Feriado semanal. —As escolas inferiores tenham sempre o seu feriado
semanal, durante o dia inteiro ou pelo menos, depois do meio-dia, conforme o costume
do lugar.
20. Conservar o zelo alegre dos professores.- Procure também diligentemente com
a sua caridade religiosa conservar o entusiasmo dos professores e vele para que não
sejam sobrecarregados com os trabalhos caseiros; o que ao Reitor prescreve
a regra 25 do seu oficio (1), observe-o em relação a eles com especial cuidado.
21. Exortação os alunos. – Decida se, além das exortações semanais dos
professores não convenha se faça outra cada mês ou de dois em dois meses, por algum
Padre
costume maisvelho, em prefeito
do próprio local mais
ousimples, onde
outro, de vezseem
reúnam as classes
quando, inferiores;
dê, pelas aulas, ou, de
avisos
salutares adaptados a idade dos meninos.
22. Regras do Prefeito de disciplina. —Onde o Provincial der ao Prefeito dos
estudos inferiores um assistente que se poderá chamar prefeito de disciplina, a ele se
aplica aregra 2 do Prefeito, as regras relativas ao comportamento, que vão do n. 37 até
ao fim, e ainda, se parecer conveniente as que se referem aos exames dos novos alunos
do n. 9 aono. 13.
23. Congregação de Nossa Senhora. — Procure que seja, introduzida no seu colégio
a Congregação de Nossa Senhora da Anunciação do Colégio Romano; os que nela não se
inscreverem não deverão ser admitidos na Academia em que se praticam exercícios
literários, a menos que o próprio Reitor não julgue ser mais do serviço de Deus seguir
outra norma. Os exercícios da Congregação ou da Academia, porém, não devem
realizar-se na mesma hora em que há pregação ou lição na nossa igreja.
24. Consultar o Provincial. –Enfim, no que se refere às férias, aos graus,
aos nossos quais se deve conceder para rever a teologia e a outros assuntos, consulte o
Provincial e execute com pontualidade o que ele determinar.

REGRAS DO PREFEITO DE ESTUDOS

1. Dever do Prefeito. - Dever do Prefeito é ser o instrumento geral do Reitor, afim


de, na medida da autoridade por ele concedida, organizar os estudos, orientar e dirigir
as aulas, de tal arte que os que as freqüentam, façam o maior progresso na virtude,
nas boas letras e na ciência, para a maior glória de Deus.
2. Diferença entre o Chanceler e o Prefeito.- Onde, houver um Chanceler, distinto
do Prefeito, determinará o Provincial quais destas regras serão comuns a ambos os
ofícios, quais, próprias de cada um, de acordo com os costumes e estatutos de cada
Academia.
3. Não dispense. -Na organização dos estudos não introduza mudanças nem
dispensas, mas, onde for mister, consulte o Superior.
4. Livro do “Ratio”.- Seja-lhe familiar o livro da Organização dos estudos, e zele
pela observância de suas regras por parte de todos os alunos e professores, sobretudo
das prescritas aos teólogos, acerca da doutrina de Santo Tomás e aos filósofos, relativas
à escolha das opiniões. Sobre este ponto vele com particular vigilância quando se devem
defender teses, e mais ainda, quando se devem imprimir.
5. Os Professores expliquem toda a matéria.- Lembre a cada um dos professores de
teologia, filosofia ou casuística, especialmente quando nota algum mais retardatário, que
deverá adiantar de tal modo a explicação que, cada ano, esgote a matéria que lhe foi
assinada.
6. Como dirigir as disputas. - Em todas as disputas a que comparecem os
professores de teologia ou de filosofia, ocupará a presidência o Prefeito; dará aos que
disputam o sinal de terminar; e distribuirá o tempo de tal modo que a todos toque a sua
vez de falar.a Nãodiscussão,
terminada permita que
tãonenhuma dificuldade
escura como antes, sobre
mas a procure
qual se discute,
que, uma fique,
vez
ventilado um assunto, seja ele cuidadosamente explicado pelo que preside. Nem
deverá ele resolver as objeções mas os argüentes e os defendentes; e deste ofício se
desempenhará com mais dignidade se conseguir, não argumentando (ainda que uma
vez ou outra convenha fazê-lo)mas interrogando, que melhor se esclareça a dificuldade.

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7. Dos atos, de teologia. Lembre a seu tempo ao Superior, ouvidos os professores
designe os alunos que deverão defender teses de toda a teologia ou de uma parte dela;
esta defesa será feita pelos que não obtiveram o biênio de revisão da teologia, no quarto
ano do curso teológico, ou (se forem muito poucos os alunos do quarto ano) pelos do
terceiro, mesmo onde os nossos escolásticos assistem as aulas de teologia em casa.
Dar-se-á ao ato certa solenidade e convidar-se-ão pessoas de fora. Para as disputas
gerais não é necessário que se admitam todos os que tomaram parte nas particulares,
mas poderão escolher-se os de talento e habilidade. Quanto aos destinados ao biênio,
poderão fazer as suas disputas durante o biênio, como se dirá adiante.
8. Disputas
o Prefeito com osparticulares
professores.- escolha
Para as disputas
a matériaparticulares
das quatrocada classe
partes da de cada classe,
teologia; estes
atos não devem ser muito frequentes mas a intervalos; durem no mínimo duas horas e
meia, só pela manhã ou pela tarde, e de regra, não sejam menos de três os arguentes,
dos quais, sempre que possível, um doutor.
9. Disputas gerais. -As disputas gerais abracem quase toda a teologia, estendam-
se pela manhã e pela tarde, ou, onde for costume disputar só antes ou só depois do
meio dia,prolonguem-se pelo menos por quatro ou cinco horas.
10. Publicação de teses. - As teses destas disputas gerais, se convier, poderão ser
comuns a todos os nossos estudantes que hão de defender teses no mesmo ano,
e, ainda, imprimir-se onde permitir o costume do lugar.
11. Tempo determinado para as disputas. Dos que hão de realizar estes atos, um
poderá reservar-se, se se julgar melhor, para a semana em que se encerram, outro para
a em que de novo se iniciam os estudos.
12. Disputas dos externos. -Todos os anos, convídem-se para estas disputas
gerais alguns alunos externos que em nossas escolas completaram, com
distinção, o currículo de teologia. Estes atos deverão ser mais solenes que os outros e
celebrar-se na presença do maior número possível de doutores nossos e externos e
ainda de homens eminentes.
13. Presidência das disputas. -A todas as disputas presidam os professores
alternada ou simultaneamente, de modo que cada um responda às objeções relativas à
sua matéria; poderão ocupar a presidência também outros dos nossos, que sejam
doutores.
14. Número de teses. - Nos atos gerais as teses não deverão ser muito longas nem
mais de cinqüenta aproximadamente; poderão ser menos, se assim o exigirem os
costumes públicos da Academia. Nos atos particulares não mais de vinte; nem mais de
doze ou quinze nas disputas mensais; e nas semanais oito ou nove.
15. Prova de teses pelo defendente. —Antes de começar a disputa, o
defendente prove uma ou outra das teses, com brevidade, mas também com certa
elegância, de conformidade, porém, com o uso teológico.
16. Disputas mensais e semanais. Nas disputas mensais ou semanais procure que
se observe com cuidado quanto se prescreve nas regras dos professores de filosofia e
teologia.
17. Ouvir e observar os professores. -* De quando em quando, ao menos uma
vez por mês, assista às aulas dos professores; leia também, por vezes, os apontamentos
dos alunos. Se observar ou ouvir de outrem alguma cousa que mereça advertência, uma
vez averiguada, chame a atenção do professor com delicadeza e afabilidade, C, Se for
mister, leve tudo ao conhecimento do Reitor.
18. Revisão de teses. Siga o mesmo processo, se, na revisão das teses, houver
algum ponto em que não estejam de acordo o Prefeito e o Professor; sem conhecimento
do professor não deverá o Prefeito riscar ou alterar tese alguma; e qualquer modificação
será feita sem que o saibam os outros, salvo o Reitor.
19. Atos filosóficos. No fim dos três anos do curso filosófico realizem-se as
disputas de toda
preparados, a filosofia;
capazes para esses atos
de desempenhar-se com escolham-se poucos
dignidade desta escolásticos,isto
incumbência, bem
é,
aqueles que fizeram progressos superiores á mediania.
20. Exame dos estudantes de metafísica. Serão eles escolhidos por três ou mais
examinadores. Entre estes deverá sempre se achar o prefeito e o próprio professor, aos
quais o Reitor acrescentará um terceiro escolhido entre pessoas que se possam bem

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desincumbir do oficio. Com estes três deverão assistir ao exame, pelo menos, os dois
outros professores, designados pelo Reitor, e que poderão por sua vez ser substituídos.
Se isto se não puder fazer, escolha o Reitor outras pessoas competentes que,
juntamente com os três examinadores, dêem o seu Voto por escrito, de modo que sejam
cinco no mínimo os votos secretos. Sobre o exame deverão todos observar o mais
rigoroso segredo.
21. Exame dos alunos internos. - Quanto aos alunos internos, basta que sejam
examinados pelo seu Prefeito e dois repetidores de filosofia, ou, na falta destes, por dois
dos melhores estudantes de teologia, escolhidos entre os nossos escolásticos pelo
Prefeito
preparemGeral.
paraOsoque,
ato porém,
publicoforem
antespor
de estes examinadores
ser aprovados julgados
pelo próprioidôneos não se
professor e
pelo Prefeito geral.
22. Exame público. - Este exame, do qual, com rigor, não se deverá dispensar
quase nenhum dos nossos estudantes e, se possível, também dos alunos internos, será
público, se a isto se não oponha algum obstáculo, do seguinte modo: se se tratar dos
nossos, na presença de todos os nossos estudantes de filosofia; se dos alunos internos,
na presença de todos os filósofos de seu colégio; se dos externos (que não deverão,
porém, ser constrangidos a prestar este exame), na de todos os filósofos externos, ao
menos de sua classe.
23. Tempo e forma dos exames. Os exames começarão logo depois das férias de
Páscoa, ou mesmo antes se o exigir o número de examinandos; processar-se-ão nos
dias e na ordem que o Reitor, ouvidos o Prefeito e o Professor, julgar mais conveniente.
O exame de cada aluno durará, ao menos, uma hora, e estender-se-á sobre as matérias
mais importantes, que, com antecedência e em segredo, aos examinadores, assinará o
Prefeito.
24. Tempo e forma das disputas filosóficas. As disputas filosóficas durem pelo
menos todo o tempo das aulas, pela manhã ou pela tarde. Regularmente sejam três os
argüentes, dos quais, sempre que possível, um se escolha entre os nossos professores
de teologia ou de filosofia, ou entre os doutores de outra Ordem ou dentre os externos.
O número e a natureza das teses obedecem ao que foi acima prescrito para as disputas
gerais de teologia nas regras 9o., 10o., 11o. e 12o..
25. Presença às disputas. Procure o Prefeito que às disputas teológicas e filosóficas
não só os estudantes senão também os professores de teologia; e às filosóficas, os
estudantes e professores de filosofia. Apresentando (e urgindo) suas objeções, dêem os
professores mais vida e solenidade à disputa. Deverão estar todos presentes à colação
de grau de mestre ou doutor; o Reitor prescreverá o que deve fazer o Prefeito em
semelhantes ocasiões.
26. Os que deverão ser enviados para as disputas. —Quando os nossos escolásticos
forem convidados pelos de fora para disputas, para Academias públicas ou Conventos de
religiosos, enviem de preferência os que obtiveram o biênio de revisão da teologia.
27. Prescrever o método de estudos. —Aos nossos escolásticos, aos internos, e aos
externos por meio de seus professores não só prescreva o método de estudar, repetir e
disputar, senão também distribua o tempo de modo que aproveitem bem as horas
reservadas ao estudo privado.
28. Revisão do que se apresenta em público. — Não permita que em casa ou fora
se recite cousa alguma em público pelos que hão de colar grau, tomar parte nas dispu-
tas gerais ou particulares, ou pelos estudantes de retórica, que não tenha sido, a tempo,
revisto e aprovado.
29. Escolha e abundância de livros. — Procure que aos escolásticos não faltem
os livros úteis nem sobrem os inúteis. Por isso, afim de que haja em número
suficiente, lembre com tempo ao Reitor os livros de uso quotidiano ou os de que, no ano
seguinte, hão de precisar, tanto os nossos estudantes quanto os de fora.

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30.Livros que se devem dar aos estudantes. — Nas mãos dos estudantes de
teologia e filosofia não se ponham todos os livros mas somente alguns, aconselhados
pelos professores com o conhecimento do Reitor: a saber, além da Suma de Santo
Tomás para os teólogos e de Aristóteles para os filósofos um comentário para consulta
particular. Todos os teólogos devem ter o Concilio Tridentíno e um exemplar da Bíblia,
cuja leitura lhes deve ser familiar.Consulte o Reitor se convém se lhes dê algum Santo
Padre. Além disto, dê a todos os estudantes do teologia e filosofia algum livro de estudos
clássicos e advirta-lhes que lhe não descuidem a leitura, em hora fixa, que parecer mais
conveniente.

REGRAS COMUNS A TODOS OS PROFESSORES DAS


FACULDADES SUPERIORES.
1. Finalidade - O fim especial do Professor, tanto nas aulas quando se oferecer
a ocasião, com fora delas, será mover os seus ouvintes ao serviço e ao amor de Deus e
ao exercício das virtudes que lhe são agradáveis, e alcançar que para este objetivo
orientem todos os seus estudos.
2. Oração antes da aula. — Para que se lhes conserve isto na memória, antes de
começar a aula reze uma breve oração apropriada, que professor e alunos deverão ouvir
de cabeça descoberta; ou, pelo menos, faça ele, de cabeça descoberta, o sinal da cruz e
comece.
3. Alimentar a piedade dos alunos. — Ajude, além disto, os seus discípulos com
orações freqüentes a Deus e com os exemplos de sua vida religiosa. Bom será que não
descuide as exortações pelo menos nas vésperas dos festas mais solenes ou antes das
grandes férias. Exorte-os principalmente à oração, ao exame vespertino de consciência,
à recepção freqüente e digna dos sacramentos da Penitencia e da eucaristia, à
freqüência diária da missa, à assistência no sermão, nos dias festivos, à fuga dos maus
costumes, ao horror dos vícios e à prática das virtudes dignas do cristão.
4. Obediência ao Prefeito. — Obedeça ao Prefeito dos estudos em tudo quanto se
refere aos estudos e à disciplina das aulas; entregue-lhe, para serem revistas, todas as
teses, antes de propô-las; não explique livro ou autor fora dos que estão em uso nem
introduza novos métodos no ensino ou nas disputas.
5. Modéstia no refutar. — Nas questões livres defenda a sua opinião com modéstia
e delicadeza, de modo que não fira a estima dos que defendem a opinião contrária
principalmente se for a do professor que o precedeu. É até para desejar que se esforce
para conciliar os autores, quando possível. Em citá-los e refutá-los seja moderado.
6. Evite-se a novidade de opiniões. Ainda em assuntos que não apresentem perigo
algum para a fé e a piedade, ninguém introduza questões novas em matéria de certa
importância, nem opiniões não abonadas por nenhum autor idôneo, sem consultar os
superiores; nem ensine cousa alguma contra os princípios fundamentais dos doutores e
o sentir comum das escolas. Sigam todos de preferência os mestres aprovados e as
doutrinas que, pela experiência dos anos, são mais adotadas nas escolas católicas.
7. Brevidade na refutação e na demonstração. — Não a legue opiniões inúteis,
obsoletas, absurdas e manifestamente falsas, nem se demore muito em referi-las e
refutá-las. Procure provar as suas teses não tanto pelo número quanto pelo peso dos
argumentos. Não faça digressões pela matéria dos outros; e das que lhe competem não
trate nem mais difusamente do que exige a sua natureza nem fora do lugar que lhe
convém. Não acumule objeções; mas dentre elas refira brevemente as mais fortes a
menos que sua refutação se torne evidente pela explicação anterior da tese.
8. Brevidade e fidelidade nas citações. Em aduzir autoridades dos mestres, evite a
demasia;quando
cite-lhe, mas se,possível
para confirmar a sua
as próprias opinião, com
palavras, tiver fidelidade
testemunhos de autoressobretudo
e brevidade, insignes,
quando se tratar da Sagrada Escritura, dos Concílios e dos Santos Padres. E a dignidade
do mestre exige que não cite autores que ele próprio não tenho lido.
9. Ditado. Quando puder ensinar sem ditar, de modo que os ouvintes possam
apanhar com facilidade o que deveriam escrever, é preferível que não dite; mas os que

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ditarem não parem depois de cada palavra, mas falem de um fôlego, e se for necessário,
repitam; e não ditem toda a questão para depois explica-la, senão alternem o ditado e a
explicação.
10. Remeter os estudantes aos livros. — Quando trata assuntos que se encontram
nos autores à mão, explique em vez de ditar; e procure mesmo remeter os alunos aos
autores que tratam a matéria com amplitude e rigor.
11. Repetições na aula. -— Terminada a lição, fique na aula ou perto da aula, ao
menos durante um quarto de hora, para que os alunos possam interrogá-lo, para que ele
possa às vezes perguntá-los sobre a lição e ainda para repeti-la.

uma 12.horaRepetições
de repetição aos—nossos
em casa. Todos osescolásticos
dia, exceto para
os sábados e dias se
que assim festivos, designe
exercitem as
inteligências e melhor se esclareçam as dificuldades ocorrentes. Assim um ou dois sejam
avisados com antecedência para repetir a lição de memória, mas só por um quarto de
hora; em seguida um ou dois formulem objeções e outros tantos respondam; se ainda
sobrar tempo, proponham-se dúvidas. E para que sobre, procure o professor conservar
rigorosamente a argumentação em forma [silogística]; e quando nada mais de novo se
aduz, corte a argumentação.
13. Repetições gerais. - No fim do ano deverá organizar-se a repetição de todas as
lições passadas de modo que, se não houver impedimento em contrário, se lhe reserve
um mês inteiro livre, não só das aulas como também das repetições acima.
14. Disputas semanais. — No sábado ou em outro dia.conforme conforme o
costume da Academia, haja nas aulas disputa; por duas horas ou por mais tempo onde
for elevado o número de externos. Se numa semana ocorrerem dois dias de festa, ou
com um dos dias de festa coincidir o feriado semanal, no sábado não haja disputa mas
aula; se isto acontecesse durante três semanas seguidas, intercale-se uma disputa.
15. Disputas mensais - Onde se não opuser o costume da Academia, haja uma
disputa, de manhã e de tarde, em dia fixo, cada mês (exceto os três últimos meses de
verão), ou, onde forem poucos os alunos, cada dois meses. Tantos alunos, quantos
forem os professores, defenderão, cada qual, as questões do respectivo professor.
16. Insistência nas objeções. - As disputas assistam também, quanto possível,
outros doutores e professores nossos, ainda de outras faculdades; e para tornar mais
viva a discussão insistam na força das objeções suscitadas; não chamem a si, porém, a
continuação de uma dificuldade na qual insta ainda o argüente com vantagem e vigor. O
mesmo é permitido aos doutores de fora, que poderão mesmo ser convidados
expressamente para argüir, a menos que não o permitam os costumes do lugar.
17. A disputa reservada aos mais distintos - Nas disputas públicas só deverão
tomar parte os alunos mais distintos; os outros se exercitem em particular até que este-
jam de tal modo preparados que possam comparecer em público sem desdouro.
18. Cuidado das disputas. Persuada-se que o dia da disputa não é menos
trabalhoso nem menos útil que o de aula e que a vantagem e o fervor dele depende.
Presida de maneira que ele mesmo pareça lutar nos dois campos que lutam; louve o que
se diz de bom e chame a atenção de todos. Quando se propuser alguma dificuldade mais
séria, sugira alguma idéia que ajude o que defende ou oriente o que argue. Não se
conserve muito tempo calado, nem fale sempre para que também os discípulos possam
mostrar o que sabem; corrija ou desenvolva o que propõem os alunos; mande o
argüente prosseguir enquanto não estiver resolvida a dificuldade; aumente-lhe mesmo a
forca e não passe por cima se o argumento deslizar para outra objeção. Não permita que
se repise por mais tempo uma dificuldade praticamente já resolvida ou que se sustente à
porfia uma resposta insuficiente; mas depois da discussão defina e esclareça
brevemente todo o assunto. Se em algum lugar houver ainda outro costume que
contribua para dar às disputas mais freqüência e vivacidade, conserve-o com diligência.
19. Tratar com o bedel. - Trate às vezes com o ajudante ou bedel, nomeado pelo
Reitor, interrogue-o
dos externos sobre
e procure que oeleestado geral da aula,
se desempenhe sobre
do seu a com
ofício aplicação e aproveitamento
exatidão e fidelidade.
20. Progresso dos estudantes. - Com o auxílio da graça divina seja diligente e
assíduo no cumprimento de todos os seus deveres, zeloso do adiantamento dos alunos
tanto nas lições como nos outros exercícios escolares; não se mostre mais familiar com
um aluno do que com outros; não despreze a ninguém; vele igualmente pelos estudos

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dos pobres e dos ricos; procure em particular o progresso de cada um dos seus
estudantes.

REGRAS DO PROFESSOR DE SAGRADA ESCRITURA


1. Especial atenção ao sentido literal. - Persuada-se que o seu principal dever é
explicar com piedade, doutrina e compostura os livros divinos no seu sentido genuíno e
literal para confirmar a verdadeira fé em Deus e o fundamento dos bons costumes.
2. Edição vulgata. - Entre outros pontos que deve ter em mira é de especial
importância defender
3. Observar a versãoas
e comparar adotada
frases pela Igreja. Escritura. - Para colher o verdadeiro
da Sagrada
sentido observe as expressões e figuras próprias das Escrituras Sagradas; e não só con-
sidere o contexto imediato do lugar que tem entre mãos mas compare também
apuradamente outros lugares em que a mesma frase apresenta sentido idêntico ou
diverso.
4. Textos gregos e hebreus. - Dos srcinais hebreus e gregos aduza o que for útil,
mas com brevidade e só quando alguma diversidade entre esses textos e a vulgata
latina exija conciliação ou quando os idiotismos das outras línguas contribuam para
maior clareza e compreensão.
5. Uso de outras versões -Não empreenda a refutação dos erros das outras
versões, assim das latinas mais recentes como da caldaica, da siríaca, da de Teodotion,
Áquila e Símanaco, a menos que sejam erros importantes ou com aparência de
probabilidade; como também não omita o que pode ser muito favorável à vulgata latina
e aos mistérios da nossa fé, principalmente se se tratar da versão dos LXX, da qual
sempre se deverá falar com respeito.
6. Seguir as explicações dos Papas e Concílios - Se os cânones dos Papas ou dos
Concílios, principalmente, gerais indicam o sentido literal de alguma passagem, defenda-
o como literal; e não acrescente outros sentidos literais apoiado em razões muito fortes.
Se alegam outrossim um texto expressamente para confirmação de um dogma, ensine
também que, literal ou místico, este é indubitavelmente o seu sentido.
7. Seguir as pegadas dos SS. Padres. - Siga com respeito as pegadas dos Santos
Padres; se estiverem de acordo sobre uma interpretação literal ou alegórica,
principalmente quando falam com clareza ou tratam expressamente da Escritura ou
dogma, não se aparte desta interpretação; se, porém, não concordam, das várias
explicações prefira aquela para a qual há muitos anos, e com grande consenso, parece
inclinar-se a Igreja.
8. Confirmar o dogma com a Escritura. - Se houver um dogma de fé que grande
número de Padres e teólogos afirma se pode provar com a Escritura, não negue esta
possibilidade.
9. Não se recomendem os escritos rabínicos. -Se nos escritos dos rabinos hebreus
houver alguma coisa que possa alegar-se com vantagem em favor da Vulgata ou dos
dogmas católicos, alegue, mas sem recomendar-lhes a autoridade afim de que não se
lhes granjeie a afeição de alguém, principalmente se forem escritores judeus posteriores
a Cristo.
10. Não se ocupar com os escritos e erros dos rabinos. - No mais não se aplique a
investigar as coisas dos rabinos ou a ventilar-lhes os erros, a menos que se trate dos
mais célebres; siga a mesma norma em relação a certos exegetas cristãos que por eles
se deixaram influenciar excessivamente.
11. Não confiar demasiadamente na pontuação. - Não confie em confie em demasia
na pontuação massorética, que é invenção dos rabinos, mas considere com diligência
como o nosso texto, o dos LXX e outros intérpretes antigos leram sem essa pontuação.
12. Zelo da brevidade. - Não se demore demasiadamente em cada texto da
Escritura,
afim de quea menos
não seque a suacom
proceda importância justifique
muito vagar; paraoeste
dispêndio de tempo
fim, percorra e de esforço,
rapidamente os
lugares mais fáceis, ou os omita.
13. Não tratar as questões com método escolástico. - Não trate com método
escolástico as questões próprias da Sagrada Escritura.

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14. Não se demorar na cronologia. - Não se detenha muito tempo em investigar
questões de cronologia ou de geografia da terra santa ou outras menos úteis, a menos
que a passagem o exija; bastará indicar os autores que tratam amplamente estes
assuntos.
15. Aplicações alegóricas e morais. - Não passe em silêncio as aplicações alegóricas
e morais, invulgares, nascidas espontaneamente do sentido literal, engenhosas e pers-
picazes. Quanto às outras, indique apenas os santos padres onde se poderão encontrar.
16. Evitar controvérsias. Se deparar com um texto controvertido entre nós e os
hereges ou alegado nas discussões teológicas pelos dois partidos, limite-se a mostrar
com
para agravidade,
solução doporém,
debate;e omita
vigor,oprincipalmente contra de
mais, para, lembrado os seu
hereges,
ofício, anão
suaultrapassar
importância
os
limites de um professor de Escritura Sagrada.
17. Antigo e Novo Testamento em anos alternados. -Em anos alternados, interprete
o Novo e o Antigo Testamento, a menos que, algumas vezes, não se julgue melhor outra
ordem.
18. Cada ano, um livro novo. — A explicação de um livro iniciado num ano, não se
deve prolongar no seguinte, a não ser por motivo grave; e não volte a interpretar o
mesmo livro senão depois de explicados os livros mais importantes.
19. Repetições e lições em casa. - Além das repetições feitas em casa uma vez por
semana, haja também de quando em quando lições no refeitório em conformidade com
as prescrições do Reitor.
20. Lições Públicas. - Em lugar da lição ordinária designe-se às vezes um aluno que
interprete, em forma elegante e desenvolvida, algum dos passos mais importantes da
Sagrada Escritura. Terminada a exposição, um ou outro dos discípulos poderá formular
objeções, que, porém, só deverão ser tiradas dos vários passos da Escritura, dos
idiotismos de linguagem ou das interpretações dos SS. Padres.
REGRAS DO PROFESSOR DE LÍNGUA HEBRÁICA

1. Fidelidade da interpretação. - Considere como ponto de máxima importância


interpretar com a maior fidelidade o texto primitivo da Sagrada Escritura.
2. Defesa da Vulgata. Entre outros pontos que deve ter em mira, considere a
defesa da versão adotada pela Igreja.
3. Unir o estudo da gramática ao texto. — No princípio do ano explique os
primeiros rudimentos da gramática; em seguida, continuando as outras regras,
interprete algum dos livros mais fáceis da Sagrada Escritura.
4. Atenção especial às palavras. — Enquanto interpretar os livros sagrados, não se
aplique
força e otanto a explicar
sentido o conteúdo
das palavras, e o pensamento
os idiotismos quanto
da língua e osapreceitos
chamar adaatenção sobredea
gramática,
acordo com o uso genuíno dos autores.
5. Suavizar a aspereza da língua. Procure enfim ensinar de modo que suavize, com
sua arte, a estranheza e, dificuldade que alguns encontram no estudo desta língua.

REGRAS DO PROFESSOR DE TEOLOGIA


[ESCOLÁSTICA]

1. Fim. - Persuada-se que é seu dever unir a sutileza bem fundada no argumentar
com fé ortodoxa e a piedade, de modo que aquela sirva a estas.
2. Seguir Santo Tomás. - Em teologia escolástica sigam os nossos religiosos a
doutrina de Santo Tomás; considerem-no como seu Doutor próprio, e concentrem todos
os esforços para que os alunos lhe cobrem a maior estima. Entendam, porém, que se
não devem adstringir de tal modo a Santo Tomás, que lhes não seja permitido em cousa
alguma apartar-se dele, uma vez que os que de modo especial se professam tomistas
por vezes dele se afastam e não seja justo se liguem os nossos religiosos a Santo Tomás
mais estreitamente do que os próprios tomistas.

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3. Com algumas exceções. - Por isso, no que respeita à Concepção da Virgem Maria
e à solenidade dos votos, sigam a opinião mais comum em nossos dias e mais
geralmente recebida entre os teólogos. Nas questões puramente filosóficas ou ainda nas
que se relacionam com a Escritura e o Direito Canônico é também permitido seguir
outros autores que mais ex-professo trataram esses assuntos.
4. Escolha da opinião nas questões duvidosas. - Quando for duvidosa a opinião de
Santo Tomás, ou, nas questões que ele talvez não tratou, divergirem os doutores
católicos, assiste-lhe o direito de opção, como foi dito nas regras comuns, regra 5 a.
5. Cuidado da fé e da piedade. No ensino procure antes de tudo robustecer a fé e
alimentar a piedade.
ninguém ensine Por
cousa isso, nas
alguma quequestões queem
não esteja Santo Tomáscom
harmonia não otratou
sentirexpressamente,
da Igreja e as
tradições recebidas ou que, de qualquer maneira tenda a enfraquecer os fundamentos da
sólida piedade. Assim, não rejeite os argumentos, ainda só prováveis, que se costumam
alegar para provar as cousas da fé, nem temerariamente proponha novos, se não
baseados em princípios solidamente estabelecidos.
6. Não defender opiniões que ofendem os católicos -Se souber de alguma opinião,
seja qual for o seu autor, que escandaliza gravemente os católicos de uma região ou
escola, aí não as ensine nem as justifique. Onde não está em jogo a doutrina da fé ou a
integridade dos costumes, exige a caridade prudente que os nossos religiosos se
acomodem àqueles com quem vivem.
7. Curso de teologia em 4 anos. O curso inteiro de teologia deve concluir-se em
quatro anos. Se, portanto, forem dois os professores de teologia escolástica:
Divisão das questões:
§1. O primeiro explique no primeiro ano as 43 questões da primeira parte da
Suma, no seguindo, a matéria relativa aos anjos e as 21 questões da primeira subdivisão
da segunda parte; no terceiro, da questão 55 ou 71 até o fim da primeira subdivisão da
segunda parte; no quarto, o que se refere à fé, esperança e caridade, da segunda
subdivisão da segunda parte.
§2. O segundo professor explição no primeiro ano, da segunda subdivisão da
segunda parte, as questões relativas e à justiça e ao direito, e as mais importantes
sobre a virtude da religião; no segundo, da terceira parte, as questões da encarnação e,
se puder, ao menos os pontos principais dos Sacramentos em geral; no terceiro, o
Batismo e a Eucaristia e, se possível, alguma cousa, da Ordem e da Confirmação; no
quarto ano, a Penitência e o Matrimônio.
§3. Onde forem três os professores de teologia, o primeiro explique, no primeiro
ano, 26 questões da primeira parte; no segundo, as questões restantes que puder, dá
mesma parte; no terceiro, o que puder da primeira subdivisão da segunda parte antes
da questão 81; no quarto ano, o resto da subdivisão da segunda parte.
§4. O segundo, no primeiro ano, explique da segunda subdivisão da segunda parte
as controvérsias sobre a Escritura, as tradições, a Igreja, os Concílios e o Romano Pon-
tífice; no segundo, as questões da fé, esperança e caridade; no terceiro, as questões da
justiça e do direito, da restituição da usura e dos contratos, quanto puder; no quarto, o
que não foi explicado dos contratos, e o que trata Santo Tomás sobre a vida religiosa e
os estados de vida.
§5. O terceiro, no primeiro ano, as questões da Encarnação; no segundo, dos
sacramentos em geral, do Batismo e da Eucaristia; no terceiro, da Penitência e do
Matrimônio; no quarto, das censuras eclesiásticas e dos demais sacramentos.
8. Explicar todas as questões de cada ano. Das questões que lhe foram prescritas
para cada ano, explique-as todas no ano indicado; se não lhe for possível concluir
alguma, omita-a de todo em vez de transferi-la para o ano seguinte e remeta os alunos
a um determinado autor.
9. Questões que se devem omitir. Para que possa adiantar com mais facilidade na
teologia
questões,escolástica, é bom
principalmente dasque se seguintes:
quatro abstenha, quanto possível, de algumas classes de
§1. As próprias da Sagrada Escritura. Uma classe inclui as questões ou comentários
próprios da Sagrada Escritura; deixe-as ao professor desta disciplina.
§2. As controvérsias. - A segunda classe compreende as questões controvertidas
contra os hereges; quando ocorrem, na Suma de Santo Tomás, tratem-nas com o

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método escolástico de preferência ao histórico; contentem-se com provar cada tese com
dois ou três argumentos sólidos; reduzam também a nada, aproximadamente com o
mesmo número de razões, as principais calúnias dos hereges; mas indiquem em todos
estes pontos um autor no qual possa cada um encontrar outras informações que desejar.
§3. As filosóficas. — A terceira classe entende com as questões filosóficas que não
deverão tratar expressamente nem discutir, mas reportar-se a elas como já tratadas por
outrem.
§4. Os Casos de Consciência. À quarta classe pertencem os casos de consciência.
Contentem-se neste ponto com alguns princípios gerais da moral que se costuma de-
bater 10.
comEvitar
método teológico-eSe
repetições. deixem
algumaa aplicação
vez Santomais sutiltrata
Tomás e minuciosa
a mesmados casos. em
dificuldade
vários artigos, sobretudo de questões diferentes, não repitam duas vezes a mesma
cousa; poderão reduzir estes artigos a uma só questão ou, se o assunto não requer
explicação mais ampla, compendiá-los, como se dirá claramente adiante no Catálogo das
questões anexo a estas regras; em cada artigo, porém, não se omita cousa alguma
digna de atenção.
11. Como explicar Santo Tomás. - Percorram rapidamente os artigos fáceis. Lido o
título, indiquem em poucas palavras a conclusão de Santo Tomás ou digam: Santo
Tomás responde negando ou afirmando. Nos mais difíceis, porém, proceda-se mais ou
menos nesta maneira e ordem: explique-se primeiro o título do artigo se for um tanto
obscuro; exponha-se em seguida, se houver, a distinção de cujos membros derivam as
conclusões; depois, estabeleça-se a primeira conclusão de Santo Tomás e, a seguir, as
outras; a cada uma das conclusões, se não for evidente, acrescente-se algumas das suas
razões, e estas também se expliquem de modo que entendam os alunos como, nas
distinções e razões de Santo Tomás, há muitas vezes maior força do que à
primeira vista possa parecer.
12. Evite longos tratados - Explicado o artigo, se a matéria o exigir, abra sobre ele
uma questão, mas não se desenvolva um longo tratado a não ser em assuntos que não
se encontram em Santo Tomás ou, se se encontram, com grande vantagem se explicam
resumidamente.
13. Defender Santo Tomás, ou omitir a questão. Não basta referir as opiniões dos
doutores e calar a própria; defenda, como se disse, a opinião de Santo Tomás ou omita
a questão.
14. Disputas mensais. -Nas disputas mensais, nas quais serão tantos os
defendentes quanto os professores, sejam três os argüentes de manhã e outros tantos
de tarde, e cada um argua contra todos os defendentes, e, se nada houver em contrário,
o que respondeu de manhã em primeiro lugar, responda em segundo de tarde.

REGRAS DO PROFESSOR DE CASOS DE CONSCIÊNCIA,


(de teologia moral)

1. Fim. - Consagre todos os seus esforços, toda a sua habilidade em formar bons
párocos ou administradores dos Sacramentos.
2. Divisão da matéria. O primeiro professor explique em dois anos todos os
sacramentos e censuras e também os estados de vida e deveres do estado; o segundo
também em dois anos, explique o Decálogo; no 7 o. Mandamento ocupe-se com a
doutrina dos Contratos, passando rapidamente por cima dos menos importantes ou
acessórios com a deposição, degradação, magia e cousas semelhantes.
3. Em que medida deverá abster-se de questões teológicas. -Ainda que importe
abster-se das questões teológicas que praticamente não têm relação necessária com os
casos, convirá, contudo tratar às vezes brevemente alguns pontos de teologia de que
depende a doutrina dos casos, como a natureza e as espécies de caráter, a noção de
pecado
4. mortal e venial,
Disposição de consentimento
e método e outras
das questões. semelhantes.
- Sem forma escolástica, cada problema
será tratado por perguntas e respostas; como prova, escolham-se duas ou três razões
no máximo; não se acumulem autoridades em demasia; a cada regra ou preceito geral
siga-se como exemplo, mais ou menos, três casos particulares.

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5. Indicar as opiniões prováveis. - Prove as suas opiniões, de modo, porém, que,
se houver outra provável e defendida por bons autores, indique-a também como
provável.
6. Disputa semanária. Aos sábados, omita-se a lição e durante duas horas ou
pouco menos, a juízo do Provincial e de acordo com o número de alunos, haja disputa na
aula em presença do professor sobre as teses explicadas. Nesta disputa siga-se de
preferência o método de perguntas de modo que se peça a explicação de alguma
dificuldade ou se proponha um novo caso mudada alguma circunstância, ou se alegue
um cânon ou a opinião de um doutor eminente como objeção a alguma tese, ou ainda,
para
passedar mais dignidade,
a medida institua-se
muito inferior à que seuma breve
costuma argumentação.
entre Nisto,
os estudantes porém, não se
de filosofia.
7. Forma da Conferência doméstica de casos. — Se por ordem do Provincial e
disposição do Reitor houver que presidir a conferência doméstica dos casos de
consciência atenha-se à ordem seguinte. Proponha primeiro a matéria que será
discutida, e às vezes alguma cousa prática, conto do modo de interrogar o penitente, de
prescrever o remédio e a penitência ou outros assuntos semelhantes. Em seguida,
explique as divisões principais da matéria e os seus princípios fundamentais de modo
que dê um conhecimento geral e projete luz sobre todos os pontos a serem tratados. Por
último, escolha, sobre a matéria, três ou quatro casos que deverão ser afixados no local
da conferência com a indicação do dia em que serão discutidos.
8. Estudo privado. - Sobre estes casos propostos consultem alguns, em estudo
privado, os autores que lhe indicar o presidente.
9. Exposição e discussão das opiniões. - Uma vez reunidos, convirá que exponha
cada um, com a maior brevidade, quanto encontrou no autor que lhe foi indicado; em
seguida interrogue o que preside a três aproximadamente (que é bom sejam avisados
com antecedência, e mudem de uma vez para outra) que lhes parece do primeiro caso;
por fim, das opiniões propostas colija a mais segura e provável. Na mesma ordem e com
o mesmo método discuta o segundo caso e os demais. Depois de explicados assim os
casos pelo que preside, com a máxima brevidade e pelo modo a ser observado nas
discussões de casos, proponham-se as dificuldades sobre o assunto; responderá um dos
indicados com antecedência e ele, concluindo, exporá a opinião verdadeira.
10. Matéria extraordinária das conferências. - Se o alguém ocorrer alguma questão
fora da matéria ordinária da conferência, indique-a, se possível, ao presidente para que
se discuta na conferência seguinte.

REGRAS DO PROFESSOR DE FILOSOFIA.

1. Fim. — Como as artes e as ciências da natureza preparam a Inteligência para a


teologia e contribuem paro a sua perfeita compreensão e aplicação prática e por si
mesmas concorrem para o mesmo fim, o professor, procurando sinceramente em todas
as cousas a honra e a glória de Deus, trate-as com a diligência devida, de modo que
prepare os seus alunos, sobretudo os nossos para a teologia e acima de tudo os estimule
ao conhecimento do Criador.
2. Como seguir Aristóteles. - Em questão de alguma importância se afaste de
Aristóteles, a menos que se trate de doutrina oposta à unanimemente recebida pelas
escolas, ou, mais ainda, em contradição com a verdadeira fé. Semelhantes argumentos
de Aristóteles ou de outro filósofo, contra a fé, procure, de acordo com as prescrições do
Concílio de Latrão, refutar com todo vigor.
3. Autores infensos ao Cristianismo. -Sem muito critério não leia nem cite na aula
os intérpretes de Aristóteles infensos ao Cristianismo; e procure que os alunos não lhes
cobrem afeição.
4. Averrois.
de Averrois - Por essa
(e o mesmo mesma
se diga razão autores
de outros não reúna em tratado e,
semelhantes) separado as digressões
se alguma cousa boa
dele houver de citar, cite-a sem encômios, quando possível, mostre que hauriu em outra
fonte.
5. Nâo se filiar em seita filosófica. - Não se filie nem a si nem a seus alunos em
seita alguma filosófica como o dos Averroistas, dos Alexandristas e semelhantes; nem

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dissimule os erros de Averrois, de Alexandre e outros, antes tome daí ensejo para com
mais vigor diminuir-lhes a autoridade.
6. Santo Tomás.- De Santo Tomás, pelo contrario, fale sempre com respeito;
seguindo-o de boa vontade todas as vezes que possível, dele divergindo, com pesar e
reverência, quando não for plausível a sua opinião.
7. Curso de filosofia de três anos.- Ensine todo o curso de filosofia em não menos
de três anos, com duas horas diárias, uma pela manhã outra pela tarde, a não ser que
em alguma universidade se oponham os seus estatutos.
8. Quando se deve concluir .- Por esta razão não se conclua o curso antes que as
férias9.doOfim
quedoseano tenham
deve chegado
ensinar ou no
ou omitir estejam muito
primeiro ano.próximas.
§1. No primeiro ano explique a Lógica, ensinando-lhe o mesmo no primeiro
trimestre, menos ditando do que explicando os pontos mais necessários por Toledo ou
Fonseca.
§2. Nos prolegômenos da lógica discuta somente se é ciência, qual o seu objeto, e
alguns pontos sobre os gêneros e as espécies; a discussão completa sobre as idéias
Universais remeta-as para a metafísica, contentando-se aqui de noções elementares.
§3. Sobre os predicamentos exponha os pontos mais fáceis como, mais ou menos,
se acham em Aristóteles, o mais remeta para o ultimo ano; quanto, porém, à analogia e
à relação, que ocorrem com muita freqüência nas disputas, trate na lógica o que for
necessário.
§4. Dê um rápido sumário do 2o. livro e dos dois primeiros livros da Analytíca
priora com exceção dos oito ou nove primeiros capítulos do primeiro livro; exponha,
porém, as questões com eles relacionadas, mas muito brevemente a relativa aos
contingentes na qual não trate cousa alguma sobre o livre arbítrio.
§5. Afim de que o segundo ano possa consagrar-se inteiramente à Física; no fim do
primeiro ano desenvolva de modo mais completo o tratado da ciência, e nele incluam
quase toda a introdução à física como a divisão das ciências, abstração, especulativo e
prático, subalternação, diferença de métodos da física e da matemática, de que trata
Aristóteles no 2o. livro dos Físicos, e por fim tudo o que acerca da definição se encontra
no 2o. livro de Anima.
§6. Quanto ao conteúdo do livro do Tópicos e de Sofisticís Elenchis, é preferível que
o disponha em melhor ordem e explique sumariamente no princípio da lógica.
10. No segundo ano.
§1. No segundo ano os oito livros Physicorunt, os livros De Cœlo e o primeiro De
generatione. Dos oito livros Physicorum dê sumariamente os textos do livro 6o. e 7o. e
do 1o. a começar do ponto em que refere as opiniões dos antigos. No livro 8o. nada
exponha do número das inteligências nem da liberdade, nem da infinidade do primeiro
motor. Estas questões serão discutidas na metafísica e somente segundo a opinião de
Aristóteles.
§2. O texto do 2o., 3o. e 4o. livro De Cœlo deverá ser dado brevemente e em
grande parte omitido. Nestes livros só se tratem algumas poucas questões sobre os
elementos; sobre o Céu, as que se referem à sua substância e influências; as outras
deixem-se ao professor de matemática ou reduzam-se a compêndio.
§3. Os livros meteorológicos percorram-se nos meses de verão na última hora da
tarde pelo professor ordinário, se possível, ou, se parecer mais conveniente, por um
professore extraordinário.
11. No terceiro ano.
§1. No terceiro ano explicará o livro segundo de Generatione, os livros De Anima e
os Metafísicos. No primeiro livro De Anima passe rapidamente por cima das opiniões dos
filósofos antigos. No segundo, explicado o que se refere aos órgãos dos sentidos, não
faça digressões sobre a Anatomia e outros assuntos pertencentes ao estudo da
medicina.
§2. Na metafísica passem-se por cima as questões relativas a Deus e ao mundo
das inteligências que, ou de todo ou em grande parte, dependem das verdades
ensinadas por divina revelação. Explique com cuidado o proêmio e o texto do livro 7o. de
do 12o. dos outros livros escolham-se, em cada um, os textos principais, como
fundamento das questões que pertencem à metafísica.

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12. Estima do texto de Aristóteles. - Ponha toda a diligencia em interpretar bem o
texto de Aristóteles; e não dedique menos atenção à interpretação do que às próprias
questões. Aos seus alunos persuada que será incompleta e mutilada a filosofia dos que
ao estudo do texto não liga nem grande importância.
§1. Que textos se devem explicar e como. — Todas as vezes que deparar com
textos célebres e muitas vezes citados nas disputas, examine-os cuidadosamente,
conferindo entre si as interpretações mais notáveis afim de que, do exame do contexto,
da força dos termos gregos, da comparação com outros textos, da autoridade dos
intérpretes mais insignes e do peso das razões, se veja qual deve ser preferida,
examinem-se
demasiadamente, porpor
fimoutro,
as não
objeções que, omitir,
se deverão se por um certa
se têm lado importância.
não devem esmiuçar
14. Escolha a ordem das questões. — Escolha com muito cuidado as questões; as
que não se prendem imediatamente ao pensamento principal de Aristóteles, mas de-
rivam ocasionalmente de algum axioma por ele referido de passo, se em outros livros se
tratam expressamente para eles as remeta, do Contrário explique-as logo em seguida ao
texto que as sugerir.
15. As questões a ser introduzidas entre os textos. - As questões que por si
pertencem à matéria da qual disputa Aristóteles não se tratem senão depois de
explicados todos os textos que ao assunto se referem, no caso em que se possam expor
em uma ou duas lições. Quando, porém, se estendam mais como são os relativos aos
princípios, às causas, ao movimento, então nem se espraie em longas dissertações nem
antes das questões se explique todo o texto de Aristóteles, mas de tal modo com elas se
combine que depois de uma série de textos se introduzam as questões com elas
relacionadas.
16. Repetição na aula. No fim da aula, alguns alunos, cerca de dez, repitam entre si
por meia hora o que ouviram e um dos condiscípulos, da Companhia, se possível,
presida à decúria.
17. Disputas mensais. - Cada mês haja uma disputa na qual arguam não menos de
três, de manhã e outros tantos, de tarde; o primeiro, durante uma hora, os outros,
durante três quartos de hora. Pela manhã, em primeiro lugar dispute um teólogo (se
houver teólogos em número suficiente) contra um metafísico, um metafísico contra um
físico, um físico contra um lógico; de tarde, porem, metafísico contra metafísico, físico
contra físico, lógico contra lógico. Assim também pela manhã um metafísico e pela tarde
um físico poderão demonstrar uma e outra tese breve e filosoficamente.
18. Disputas durante o estudo da lógica. Enquanto o professor explica o resumo da
lógica, nem ele nem os alunos assistam a estas disputas. Mais, na primeira e na segunda
semana aproximadamente não deverão os lógicos disputar, contentando-se com simples
exposição da matéria, em seguida, poderão na aula defender algumas teses aos
sábados.
19. Disputas solenes. Onde só houver um professor de filosofia, organize algumas
disputas mais solenes três ou quatro vezes no ano, em dia festivo ou feriado, e dê-las
certo brilho e aparato convidando outros religiosos e professores para argüir, afim de
despertar um entusiasmo proveitoso aos nossos estudos.
20. Rigor na forma da disputa. Desde o início da lógica, se exercitem os alunos de
modo que de nada se envergonhem tanto na disputa como de se apartar do rigor da
forma; e cousa alguma deles exija o professor com mais severidade do que a
observância das leis e ordem da argumentação. Por isto o que responde repita as
proposições acrescentando “nego” ou “concedo” “a maior, a menor, a conseqüência”.
Algumas vezes poderá também distinguir, raras, porém, acrescente explicações ou
razões, sobretudo quando lhe não são pedidas.
REGRAS DO PROFESSOR DE FILOSOFIA MORAL.
1. Oficio. Saiba que seu dever é não fazer digressões para questões teológicas,
mas, seguindo brevemente o texto, explicar com doutrina e solidez os capítulos
principais da ciência que se encontram nos livros da Ética de Aristóteles.

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2. Tempo da lição. — Onde as lições de ética não são dados pelo mesmo professor
do curso de filosofia, o que ensina ética explique aos estudantes de metafísica as ques-
tões mais importantes dessa ciência, todos os dias, durante 3/4 de hora ou 1/2 hora.
3. Repetição. Ao menos de quinze em quinze dias haja uma repetição de ética, no
tempo assinado pelo Reitor, ainda que para esse fim se devesse suprimir uma repetição
de metafísica.
4. Teses. - Quando os alunos de metafísica realizam as suas disputas, ou privadas
em casa ou mensais na aula, acrescentem sempre às teses alguma proposição de ética,
contra a qual o estudante de metafísica que argui deverá formular objeções por um
quarto de hora.
REGRAS DO PROFESSOR DE MATEMÁTICA

1. Autores, tempo, alunos de matemática. — Aos alunos de física explique na aula


durante 3/4 de hora os elementos de Euclides; depois de dois meses, quando os alunos
já estiverem um pouco familiares com estas explicações, acrescente alguma cousa de
Geografia, da Esfera ou de outros assuntos que eles gostam de ouvir, e isto
simultaneamente com Euclides, no mesmo dia ou em dias alternados.
2. Problema. - Todos os meses, ou pelo menos de dois em dois meses, na presença
de um auditório de filósofos e teólogos, procure que um dos alunos resolva algum pro-
blema célebre de matemática; e, em seguida, se parecer bem, defenda a solução.
3. Repetição. - Uma vez por mês, em geral num sábado, em vez da preleção
repita-se publicamente os pontos principais explicados no mês.

REGRAS DO PREFEITO DE ESTUDOS INFERIORES


(= ginasiais)
1. Fins. — Entenda que seu ofício é ajudar, por todos os meios, ao Reitor na
direção e orientação das nossas escolas de modo que os seus alunos aproveitem não
menos na virtude do que nas letras (Const. p. 4, e. 7, n. 1; c. 16, nº.4).
2. Subordinação ao Prefeito Geral. - No que se refere à disciplina, consulte só ao
Reitor; no que concerne aos estudos também ao Prefeito Geral dos Estudos; não se
afaste das suas prescrições; não suprima nenhum costume estabelecido, nem introduza
novos.
3. Aprovação do que se houver de declamar. - À revisão do Prefeito de estudos
submeta tudo o que, em casa ou fora, houverem de declamar em público os estudantes
de retórica e das classes inferiores. As divisas, porém, e as poesias que, nos dias mais
solenes, se expõem em lugares públicos deverão ser lidas integralmente por dois Padres
designados pelo Reitor, e, entre elas escolhidas as melhores.
4. Acompanhe e auxilie os mestres. - Tenha as regras dos mestres das escolas
inferiores e dos seus alunos e procure que sejam observadas como as suas.
5. Uniformidade no modo de ensinar. - Zele com grande empenho para que os
professores novos conservem o método de ensino dos seus predecessores, bem como os
outros costumes não alheios ao nosso regime escolar afim de que os externos não se
queixem da mudança freqüente dos professores.
6. Visitas das aulas. - Ao menos de quinze em quinze dias entretenha-se com cada
um dos professores; observe se ao ensino da doutrina cristã dão o tempo e cuidado
devido. Se progridem, como convém, na preparação e repetição das lições; se, enfim,
em todas as suas relações com os alunos se portam com distinção e louvor.
7. Dias feriados e mudança de horário. - Indague com tempo e comunique aos
professores os dias festivos e feriados, comuns a todas as províncias ou peculiares à sua,
principalmente semanais; bem assim as horas em que deverão começar e terminar as
aulas emoucada
públicas estação;
outras devoçõese ainda o tempo
ou qualquer emcousa
outra que deverão os alunos
extraordinária ir lhes
que se às orações
devem
recomendar ou proibir.
8. §1. Cinco séries. - Evite que as cinco séries de que constam os cursos inferiores,
a saber, Retórica, Humanidade e as três classes de Gramática, de modo algum se
misturem; assim, se alguma classe, por causa do número avultado de alunos, for

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desdobrada por ordem do Provincial, as duas conservem o mesmo grau; e se numa
classe se estabelecerem várias subdivisões, correspondam aos graus que se descrevem
nas regras dos professores.
§2. Divisão da gramática em 3 livros. — E para que melhor e com mais facilidade
se conserve esta distinção, dividam-se todos os preceitos do P. Manuel Á1vares (1832,
daGramática) em três livros, cada um dos quais corresponda a uma série.
O primeiro livro, para a classe inferior, abrangerá o 1º livro do P. Alvarez e uma
breve introdução à sintaxe tirada do segundo.
O segundo livro, para a classe média, compreendera o livro segundo do P. Alvarez
sobre
fáceis.a construção das oito partes do discurso até às figuras e alguns apêndices mais
O terceiro livro, para a classe superior, abraçará do livro segundo os apêndices
mais elevados e da construção figurada até ao fim e o livro terceiro sobre a medida das
sílabas.
Divisão semelhante a esta, em três partes correspondentes às três séries, deverá,
outrossim, ser feita pelas províncias que seguem outro método, diferente do da Romana.
§3. Subdivisão da classe inferior. — No primeiro semestre deverá o mestre
percorrer todo o livro de sua classe, e no segundo, repeti-lo desde o começo. Como,
porém, o livro da classe inferior pe demasiado extenso para poder ser explicado e
repetido todo num só ano, deverá dividir-se de dois modos. Conviria em primeiro lugar
só admitir alunos bem instruídos na primeira parte de modo que a segunda parte
pudesse ser explicada e repetida para todos num só ano, como nas outras classes.
Onde, porém, não for isto possível, a classe inferior deverá subdividir-se em duas
subclasses, a uma das quais se explicará mais ou menos no primeiro semestre a
primeira parte do livro, à outra a segunda; no segundo semestre as duas partes serão
repetidas desde o começo. Onde se desdobrar assim a classe em subclasses um
professor poderá ensinar a subclasse inferior, outro, a superior.
§4. Vantagem da repetição. — Esta repetição apresenta duas vantagens: a
primeira, a de fixar mais profundamente o que foi percorrido várias vezes; a outra, de
permitir aos bem dotados, que terminem o curso maus rapidamente que os outros,
possibilitando-lhes a promoção cada semestre.
§5. Colégio de cinco séries. — Onde, portanto, houver cinco séries conserve-se em
cada uma o seu grau, conforme ficou dito nas regras dos mestres, e em nenhuma delas,
cuja exceção da inferior, se admitam duas subdivisões.
§6. De quatro. — Onde houver quatro séries, ou, suprimida a Retórica, as outras
quatro não diferirão das descritas acima, ou, o que parece melhor, a última seja de
retórica e observe o grau descrito nas regras do professor de retórica, a segunda seja de
Humanidades e siga o grau indicado nas regras do respectivo professor; a terceira
desdobre-se em duas subdivisões, uma correspondente à classe superior de gramática, a
outra a média: a quarta enfim corresponderá à classe inferior de gramática e poderá
desdobrar-se em duassubdivisões, Como se diz nas suas regras. Se só se admitir a
subdivisão superior, a terceira série só terá um grau, o da gramática superior, a quarta,
porém, terá dois, o da gramática média e inferior.
§7. De três. - Onde houver três séries, as duas inferiores conservem o grau acima
descrito para as duas últimas do Colégio de quatro séries; a última, porem, seja só de
humanidades ou se desdobre em duas subdivisões, correspondentes a mais elevada à
Retórica, a outra à Humanidade. Não se introduza, porem, o grau mais elevado sem
consultar o Reitor, quando houver número suficiente de alunos dele capazes e com a
condição de que o Professor de modo algum falte com o zelo e o cuidado devidos à
subdivisão inferior..
§8. De duas. - Onde houver duas séries, a inferior subdivida-se em duas,
correspondentes à classe média de gramática e à subdivisão mais elevada da classe
ínfima;
superior adesuperior subdivida-se
Gramática, também em outras duas equivalentes, uma classe
outra a Humanidade.
§9. Repetição nas classes subdivididas. - Nas aulas em houver duas subdivisões, a
repetição da matéria anual será para ambas a mesma, indicada no § 3. Onde for
possível que para uma e outra no primeiro semestre se explique a parte respectiva, e no
segundo se repita, os alunos, permanecendo dois anos na mesma classe, progrediriam

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tanto como se estivessem em duas classes, cada uma das quais correspondesse ao grau
de cada urna das subdivisões. Onde, porém, parecer mais difícil esta disposição,
empregar-se-á ainda assim mais tempo.
§10. O que nelas haverá de comum, e de próprio. - Para que se possa conseguir
este resultado, nas classes subdivididas, tudo será comum a todos os alunos, exceto a
explicação da gramática. Antes de tudo, comum será a leitura de Cícero de modo que as
cousas mais fáceis se perguntem ao grupo menos adiantado, as mais difíceis ao outro.
Poder-se-á também ditar um só tema de tradução de modo que subdivisão mais
adiantada o escreva todo, a outra, só a primeira parte mais adaptada às regras que lhe
foram explicadas.
desafios. Comuns enfim
Sendo, portanto, a todos
diferente poderão aserlição
unicamente quase
de sempre, os exercícios
gramática, e
poderá ser
explicada e repetida ou em dias alternados a cada grupo, ou diariamente em tempos
diversos.
9. Novos alunos. - Não receba, quanto possível, entre os alunos, quem não seja
acompanhado pelos pais ou pessoas por eles responsáveis, ou quem não conheça
pessoalmente ou sobre o qual não possa com facilidade colher informações de pessoas
conhecidas. Por pobre ou de condição modesta ninguém deverá ser excluído.
10. Exames de admissão. - Aos novos candidatos examine mais ou menos do
seguinte modo: pergunte que estudos fizeram e até que ponto; passe em seguida, para
cada um separadamente, um trabalho escrito sobre um assunto dado. Interrogue
algumas regras das classes que estudaram; proponha algumas frases ou para se
verterem em latim, ou, se for mister, para se traduzirem de algum autor clássico.
11. Admissão. - Os que verificar que estão bem instruídos e são de bons costumes
e boa índole, admita; dê-lhes a conhecer as regras dos nossos estudantes para que
saibam como se deverão comportar. Aponte em livro especial o nome, cognome, pátria,
idade, pais ou responsáveis; se algum dos condiscípulos lhe conhece acaso; e note ainda
o dia e ano em que foram admitidos. Por último, determine-lhe a classe e o professor
que lhe convêm, de modo que lhe pareça mais haver merecido uma classe mais elevada
do que se achar abaixo daquela em que foi colocado.
12. Os que se não devem admitir . - Na última classe, de regra, não admita rapazes
já crescidos nem crianças muito novas, a menos que sejam notavelmente bem dotados
mesmo se os pais os houvessem enviado só para terem uma boa educação.
13. Promoção. - A promoção geral e solene far-se-á uma vez no ano, depois das
grandes férias. Se um ou outro porém, se distinguir notavelmente e mostrar que fará
mais progressos na classe superior do que na sua (o que se poderá averiguar pela
inspeção da pauta e parecer do professor), não se retenha, mas em qualquer época do
ano, mediante exame, seja promovido, da primeira classe de Gramática, porem, para as
de humanidades, por causa da métrica, que se explica no segundo semestre, e da classe
de Humanidades para a de Retórica, por causa de compêndio de Cipriano [Soares], só
por exceção poderá alguém ser promovido.
14. Exame escrito. - Para o exame em todas as classes haja um, ou se for mister,
dois trabalhos de prosa; na classe superior de Gramática e na de Humanidades -
também um de poesia , e, se parecer melhor, após intervalo de alguns dias, uma prova
de grego.
15. Promulgação das normas de exame. - Providencie, para que, com a
antecedência de dois ou três dias, os professores anunciem a matéria da prova escrita e
leiam em todas as classes as normas do exame indicadas no fim destas regras.
16. Presidência do Prefeito. - À prova escrita presida o próprio Prefeito de estudos
ou substituto que ele designar. No dia para ela marcado, dado o sinal, indique a matéria,
que deve ser antes breve que longa.
17. Entrega das provas aos examinadores. - Conserve consigo as composições
reunidas em pacote, por ordem alfabética e, se não houver impedimento, distribua entre
os examinadores para que,
18. Examinadores. se parecer
- Deverão ser bem, leiam
três os e notem os erros
examinadores. à margem.
Um deles será, por via de
regra, o próprio Prefeito; os outros dois serão escolhidos pelo Reitor com o Prefeito entre
pessoas versadas nas boas letras e, possivelmente, não professores. A decisão será
tomada por maioria dos três sufrágios. Se for elevado o número de alunos, nada impede
que se constituam duas ou mais comissões ternárias de examinadores.

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19. Número dos examinandos. - Os alunos sejam chamados em grupos de três, ou
mais, principalmente nas classes inferiores e outros tantos sejam em seguida enviados
pelo mestre em ordem alfabética ou outra mais conveniente.
20. Pautas do professor. - Os examinadores, antes de tudo, percorram a pauta do
professor e nela verifiquem as notas atribuídas a cada aluno, que se aproxima do exame
e, se for mister, compare com as pautas anteriores do mesmo ano para que melhor se
veja o progresso que cada qual fez ou poderá fazer.
21. Processo do exame. - O exame se processará do seguinte modo: primeiro, leia
cada qual uma parte de sua composição, se se julgar conveniente, ordene-se-lhe, em
seguida, queproponha-se,
gramáticos, corrija os erros, dando
depois, a razãoimediata
a versão de cada para
um eoindicando a regra
latim de um violada.
trecho Aos
vernáculo
e a todos se interroguem as regras e outros assuntos estudados nas classes respectivas.
Por último, se for necessário, exija-se uma explicação breve de um trecho dos livros
explanados em aula.
22. Quando se devem dar os votos. - Terminado o exame de cada grupo de três,
quando esta fresca ainda a memória dos examinadores, dêem-se os votos sobre os
exames feitos levando em conta a composição escrita, a nota do professor e a prova
oral.
23. Sobre os duvidosos. - Para decidir acerca dos alunos duvidosos, examine o
Prefeito os trabalhos escritos, cada dia, durante alguns períodos de tempo, consulte os
mesmos examinadores se convém submetê-los a novas provas escritas e orais. Em
casos de dúvida tenha-me ainda presente a idade, o tempo passado na mesma classe, o
talento e aplicação.
24. Conservar secreta a decisão. - Terminado o exame, conservem-se em segredo
o que foi decidido a respeito de cada aluno, a não ser a apresentação a cada professor
de sua pauta, antes da leitura pública.
25. Ou ineptos. - Se se verificar que alguém é de todo inepto para ser promovido,
não se atendam pedidos. Se alguém for apenas apto, mas, por causa da idade, do tempo
passado na mesma classe ou por outro motivo, que deve ser promovido, promova-se
com a condição, se nada a isto se opuser de que, no caso em que a sua aplicação não
corresponda às exigências do mestre, seja de novo enviado à classe inferior; e o seu
nome não deverá ser incluído na pauta. Se alguns, finalmente, forem tão ignorantes que
não possam decentemente ser promovidos e deles nenhum aproveitamento se possa
esperar na classe, entenda-se com o Reitor para que, avisados delicadamente os pais ou
tutores, não continuem inutilmente no colégio.
26. Promulgação. - A lista dos promovidos deverá ser lida publicamente ou em
cada classe, ou, numa só sala, a todos reunidos. Os que muito se distinguiram, entre os
colegas, leia-se em primeiro lugar como uma honra, na leitura dos outros, observe-se a
ordem alfabética ou a promoção.
27. Listas dos livros. - Antes da reabertura das aulas, consulte a tempo com o
Reitor sobre a organização das lista de livros que, durante o ano, deverão ser explica nas
nossas aulas, para que se comunique ao Prefeito Geral e aos professores. Do mesmo
modo se determinem os livros ou autores que, porventura, durante o ano, deverão ser
substituídos.
28. Abundância de livros. - Providencie a tempo com os livreiros públicos afim de
que não venham a faltar os livros que os nossos estudantes e os de fora terão que usar
diariamente ou no ano seguinte.
29. Determinação de lugares. - No princípio de cada ano, pessoalmente ou por
meio dos professores, determine para cada estudante, por meio dos seus superiores
para cada, aluno um pensionista, o seu lugar de aula e os confessores, a não ser que,
aqui ou ali, a ordem dos lugares obedeça à ordem de formação. Aos nobres, (1832:
onde houver esse costume) se assinem os lugares mais distintos; aos nossos e também
aseu
outros religiosos, se
conhecimento, se introduza
houver, bancos
algumaseparados
mudança dos externos; e não consinta que, sem
notável.
30. Tempo de estudo privado. -É de grande importância que não só aos nossos
estudantes, mas também aos alunos internos e, se possível, também aos externos, o
Prefeito, por meio dos Professores ou dos outros Prefeitos dos respectivos colégios, lhes
determine um horário que reserve um bom tempo ao estudo privado .

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31. Nenhuma dispensa. - A não ser por motivo grave, não dispense a ninguém,
sobretudo por longo tempo, da composição dos versos e do estudo do grego.
32. Declamações mensais. - Procure que as declamações mensais (festivas) dos
retóricos, nas suas aulas, sejam abrilhantadas pela presença não só dos retóricos e
humanistas, mas também dos alunos das classes superiores. Avise, para isso aos
Professores que convidem os seus alunos; dos nossos, nenhum poderá faltar sem licença
do Reitor.
33. Desafios das aulas. - Considere o tempo, o modo e o lugar em que se deverão
reunir as aulas para os desafios entre si; não só prescreva com antecedência o método
da discussão,
proceda com mas
fruto,ainda, durante
modéstia o debate, procure
e serenidade. com modo
Do mesmo a sua esteja
presença que tudo
presente às
declamações ou preleções que os retóricos e humanistas costumam realizar no ginásio.
34. Academias. - Afim de que mais profundamente se gravem os exercícios
literários, procure, com o parecer do Reitor que, não só nas classes de Retórica e
Humanidade, mas também de Gramática, se fundem Academias, nas quais, em dias
certos, segundo as normas fixas indicadas no fim deste livro, se realizem, pôr turnos,
preleções e outros exercícios de um bom estudante.
35. Prêmios públicos. - Lembre a tempo ao Superior a distribuição de prêmios e as
declamações ou então, porventura, se devem realizar. Nesta distribuição observem-se as
normas que vão indicadas no fim destas regras e deverão ser lidas em todas as classes
antes das provas escritas.
36. Prêmios particulares. - Procure que, além dos prêmios públicos, os professores
estimulem em suas aulas, os alunos com pequenos prêmios particulares, ou outros
símbolos de vitória dados pelo Reitor do Colégio e que sejam merecidos por quem
venceu o adversário, repetiu ou aprendeu de cor um livro, ou realizou algum outro
esforço notável.
37. Censor ou pretor. - Segundo o costume de diferentes regiões, nomeie em cada
classe um censor público, ou, se não soar bem o nome de censor, um decurião chefe ou
um pretor e para que seja mais respeitado pelos condiscípulos deverá ser distinguido
com algum privilégio e terá o direito de impor com a aprovação do mestre, algumas
penas menores aos companheiros. Será ainda seu ofício, observar se algum discípulo
passeia pelo antes do sinal, se entra em outra aula, ou deixa a própria aula ou lugar.
Leve também ao conhecimento do Prefeito os que faltam cada dia; se alguém que não
pe estudante entrou na aula; enfim qualquer falta cometida em aula, na ausência ou em
presença do professor.
38. Corretor. - Por causa dos que faltarem ou na aplicação ou em pontos relativos
aos bons costumes a aos quais não bastarem as boas palavras e exortações, nomeie-se
um Corretor, que não seja da Companhia. Onde não for possível, excogite-se um modo
que permita castigá-los por meio de algum estudante ou [1] de maneira conveniente. Por
faltas, porém, cometidas em casa, não sejam punidos em aula a não ser raras vezes e
por motivo bem grave.
39. Os que recusam a correção. - Os que não aceitarem as correções corporais ou
sejam a elas constrangidos, se possível, ou se isso não puder ser convenientemente,
corno no caso dos mais crescidos sejam afastados do nosso Colégio, avisando-se
previamente o Reitor. Do mesmo modo se proceda com os que faltam freqüentemente
às aulas.
4O. Eliminação do Colégio. - O aluno para o qual não forem suficientes nem as
palavras nem a ação do Corretor e não der esperança de emenda e for de escândalo aos
outros, melhor é eliminá-lo do colégio do que conservá-lo onde para ele há pouco
proveito e para os outros pode haver prejuízo. Deixe-se, porém, a decisão a critério do
Reitor, para que em tudo se proceda, como é de razão, para a glória e serviço de Deus.
41. Punições. - Se acontecesse algum caso em que a expulsão do colégio não
parecesse reparação
que este veja suficiente do
que providência escândalo
convenha dado,
ainda leve ao
tomar. Na conhecimento do Reitor
medida do possível, para
porém,
proceda-se com espírito de doçura, conservando a paz e a caridade com todos.
42. Readmissão no colégio. - Não sejam readmitidos nos nossos colégios os que
dele foram uma vez expulsos, ou, sem justa causa, espontaneamente se retiraram, sem
antes consultar o Reitor, que julgará o que for conveniente.

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43. Ordem nos pátios. - Nos pátios e nas aulas, ainda superiores, não se tolerem
armas, ociosidade, correrias e gritos, nem tampouco se permitam juramentos, agressões
por palavras ou fatos; ou o que quer que seja de desonesto ou leviano. Se algo
acontecer, restabeleça logo a ordem e trate com o Reitor do que possa perturbar e
tranqüilidade do pátio.
44. Visita do pátio e das aulas. - Não só durante o tempo das aulas esteja
freqüentemente no pátio ou no claustro donde se possa ver o pátio, mas ainda visite
as aulas antesdo sinal de entrada e se encontre sempre na porta do pátio durante a
saída geral.
45. Igreja
sem rumor; nãoeassistam
missa. - àProcure que, na
Missa senão Igreja, a entrada
acompanhados e saída
por um de alunos
ou mais se façaa
professores;
ela não só assistam todos, cada dia e com devoção, mas ainda dispostos com correção e
ordem.
46. Confissão. - Providencie para que, nos dias e horas marcadas para as
confissões dos alunos, os confessores cheguem à hora; durante o tempo das confissões
entre algumas vezes na Igreja e se esforce para que os meninos se portem com
modéstia, e piedade.
47. Não chamar os alunos das aulas. - Nem o próprio Prefeito, a não ser raras
vezes, chame os alunos das aulas, especialmente durante o tempo da preleção; e se
outros faltarem neste ponto, informe o Reitor.
48. Não se servir do trabalho dos alunos. - Não se sirva nunca nem permita que os
outros se sirvam do trabalho dos alunos para escrever ou para outro fim.
49. Afixar publicamente as regras. - As regras comuns aos alunos externos,
deverão ser afixadas onde possam ser lidas pelo público, e também em cada aula, em
lugar patente; no começo de cada mês sejam lidas na retórica e nas outras classes
inferiores.
50. Função do Prefeito Geral. - Onde não houver Prefeito de estudos superiores,
torne sobre si, com a aprovação do Reitor, o cuidado de rever o que se deverá declamar
em público, e também informando o Reitor de distribuir os livros aos nossos escolásticos.

NORMAS DA PROVA ESCRITA.


1. Presença dos alunos. - Entendam todos que, se alguém faltar, no dia da prova
escrita, a não ser por motivo grave, não será levado em consideração no exame.
2. Tempo da prova. - Venham a tempo à aula para que possam ouvir exatamente a
matéria da prova e os avisos que por si ou por outrem der o Prefeito e terminem tudo
dentro do horário escolar. Dado o sinal do silêncio, a ninguém será permitido falar com
outros nem mesmo com o Prefeito ou com quem o substituir.
3. Preparação. - Os alunos devem trazer os livros e o mais que for necessário para
escrever afim de que não seja necessário pedir cousa alguma a quem quer que seja
durante a prova.
4. Forma. - A prova será adaptada ao nível de cada classe, escrita com clareza, de
acordo com as palavras do ditado e de acordo com o modo prescrito. O que for duvidoso
será interpretado no sentido falso; as palavras omitidas ou mudadas sem razão para
evitar dificuldade, considerem-se como erros.
5. Cuidado com os que sentam juntos. - Tome-se cuidado com os que sentam
juntos: porque, se porventura duas composições se apresentam semelhantes ou
idênticas, tenha-se ambas como suspeitas por não ser possível averiguar qual o que
copiou do outro.
6. Saída da aula. - Para evitar fraudes, se iniciada a prova, obtiver alguém, por
motivo de força maior, licença para sair, deixe tudo o que escreveu com o Prefeito ou
com quem no momento estiver encarregado da aula.
rever,7.corrigir
Entrega das provas. -quanto
e aperfeiçoar, Terminada
quisera ocomposição, poderá
que escreveu; cadauma
porque, um,vez
ementregue
seu lugar,
a
prova ao Prefeito, se depois quiser fazer alguma correção, já lhe não poderá ser
restituída.

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8. Assinatura do nome. - Cada qual dobre a sua prova conforme as instruções do
Prefeito, e no verso escreva em latim só o nome e cognome do autor para que mais
facilmente se possam dispor todas em ordem alfabética, se preferida.
9. Conclusões da prova.- Os que se aproximam do Prefeito para a prova levem
consigo os próprios livros, afim de que, uma vez entregue, se retirem logo da aula em
silêncio; enquanto saem alguns, não mudem os outros de lugar, mas terminem
a composição onde a começaram.
10. Tempo. - Se alguém não terminar a prova no tempo prescrito, entregue o que
escreveu. Convém, por isto, que saibam todos exatamente o tempo que é dado para
escrever, para copiar e aos
11. Apresentação paraexames.
rever. - Finalmente, quando se apresentem para o exame
(oral), levem consigo os livros explicados durante o ano e sobre os quais hão de ser
interrogados; enquanto é examinado um, os demais prestam toda a atenção; não façam,
porém, sinais ao outros nem corrijam, se não forem perguntados.
NORMAS PARA A DISTRIBUIÇÃO DE PRÊMIOS.
1. Número de prêmios. – Para a classe de Retórica haverá oito prêmios: dois para
prova latina, dois para poesia; dois para prosa grega e outros tantos para poesia. Para a
classe de Humanidades e a primeira classe de Gramática haverá seis prêmios, na mesma
ordem, omitindo-se a poesia grega que, de regra, não ocorre abaixo da Retórica. Para
todas as outras classes inferiores, quatro prêmios, omitindo-se também a poesia latina.
Além disso, dê-se também, em todas as classes, um prêmio ao aluno ou aos dois alunos
que melhor houverem aprendido a doutrina cristã. Conforme o número, grande ou
pequeno dos estudantes, poderão distribuir-se mais ou menos prêmios, contanto que se
considere sempre mais importante o de prosa latina.
2. Dias de prova. - A prova escrita de concurso deverá ser dividida em vários dias,
de modo que se determine um para a prosa latina, outro para a composição de versos, e
outros dois para a prosa e a poesia grega.
3. Horas marcadas. - Nos dias e horas marcadas para a prova escrita reúnam-se
todos, cada qual na sua aula.
4. Saída e falar, proibidos. - Indicado o assunto da prova, antes de a terminar e
entregar, ninguém saia da aula nem fale com outrem, dentro ou fora do ginásio; se for
necessário sair, com licença, deixe-se tudo o que se houver escrito em mãos de quem
estiver encarregado da aula.
5. Prorrogação do tempo. - Se alguém pedir prorrogação de prazo para dar melhor
acabamento ao seu trabalho, poderá conceder-se-lhe o tempo que quiser contanto que
não saia da aula nem vá além do pôr do sol.
6. Provas sigiladas. - Ao sair, entregue cada um ao Prefeito do Ginásio ou ao seu
substituto a própria prova escrita com empenho e marcada com um sinal livremente
escolhido, mas sem nome; ao mesmo entregue também outro papel, onde, com o
mesmo sinal se inscreva o nome e cognome do autor, mas cuidadosamente sigilado de
modo que se não possa ler o nome.
7. Conservar com cuidado os papéis. - O Prefeito conservará tudo com cuidado e
fidelidade, e não abrirá os papeis que encerram os nomes antes do julgamento.
8. Julgadores. - Escolha-se três julgadores, doutos e dignos, um dos quais, se
assim o pedir o costume da região, poderá ser de fora e que ignorem os autores de cada
prova. Lidos todos os trabalhos escritos e diligentemente examinados, declarem, por
maioria de votos e em ordem, os vencedores de cada grupo e, também, um ou dois dos
que mais se aproximarem dos vencedores.
9. Forma do julgamento. - No julgamento deverá ser preferido o que escreveu com
melhor estilo ainda que outros tenham escrito mais. Se alguns forem iguais na qualidade
eforem
no estilo, aosseja
iguais, quevencedor
menos escreveram preferir-se-á
o que avantaje o que escreveu
na ortografia. mais. Se ainda
Se na ortografia e no nisto
mais
empataram, dê-se o premio ao de melhor caligrafia. Se em tudo forem iguais, os
prêmios poderão ser divididos, multiplicados ou tirados em sorte. Se algum levar aos
outros a palma em todas as espécies de composição, receberá também os prêmios de
todas.

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10. Abertura do sigilo. – Terminado o julgamento, o Prefeito, na presença do Reitor
e do Prefeito Geral, abra os papéis que encerram os nomes dos concorrentes com os
respectivos sinais, apurem com cuidado, para evitar enganos, os nomes dos vencedores
e não os comunique senão aos Professores.
11. Solenidade dos Prêmios. - No dia marcado, com a maior solenidade e
assistência de convidados possível, leiam-se publicamente os nomes dos vencedores e
cada um dos chamados levantar-se-á no meio da assembléia e receberá com toda a
honra os seus prêmios. Se faltar alguém, sem licença dada, pelo Prefeito, por justas
causas, reconhecidas pelo Reitor, perderá o direito ao premio inda que bem merecido.
12. Distribuição. – O leitor chamará um dos premiados mais ou menos com esta
fórmula: “Para maior glória e progresso das letras e de todos os alunos deste ginás io,
mereceu o primeiro, o segundo e o terceiro etc. prêmio em poesia latina, em poesia
grega, N.” Entregue então o prêmio o premi ao vencedor, acompanhando -o geralmente
com uma brevíssima estrofe adaptada à circunstância e que, se possível, será logo
entoada pelos cantores. Por último leia também os nomes dos que mais se aproximaram
dos vencedores, os quais se poderá distribuir também alguma distinção.
13. Penalidades contra as fraudes. – Se alguém transgredir estas normas, ou
cometer alguma fraude, a sua prova seja anulada.
REGRAS COMUNS AOS PROFESSORES DAS CLASSES INFERIORES.

1. Fim.- Aos jovens confiados à educação da Companhia forme o Professor de


modo que aprendam, com as letras, também os costumes dignos de um cristão. (Const.
p.4, c. 7, n. 2) Concentre de modo especial a sua intenção, tanto nas aulas quando se
oferecer o ensejo corno fora delas, em moldar a alma plástica da juventude no serviço e
no amor de Deus, bem como nas virtudes com que lhe devemos agradar. De modo
particular observe o seguinte: (Const. p. 4, c. 16, n. 4)
2. Oração antes da aula. - Antes do começo da aula recite alguém uma oração
breve e apropriada, que o professor e todos os alunos ouvirão atentamente de cabeça
descoberta e de joelhos; ao iniciar a lição o Professor, de cabeça descoberta, faça o sinal
da Cruz e principie.
3. Missa e pregação. - Procure que assistam todos à missa e à pregação; à missa
diariamente, à pregação nos dias de festa. Durante a quaresma envie-os ao sermão pelo
menos duas vezes na semana, ou mesmo os acompanhe, se este for o costume do lugar.
4. Doutrina cristã. - Nas classes de gramática principalmente e, se for mister,
também nas outras, aprenda-se e recite-se de cor a doutrina cristã, ás sextas-feiras e
aos sábados; a menos se julgasse melhor que em algum lugar os alunos novos a
recitassem mais vezes.
5. Exortação. - Haja também às sextas-feiras ou aos sábados, por meia hora, uma
exortação espiritual ou explicação da doutrina. Exortem-se principalmente os alunos à
oração quotidiana a Deus, de modo particular à recitação diária do terço ou do oficio de
Nossa Senhora; ao exame vespertino de consciência, à recepção freqüente e digna dos
sacramentos da Penitência e da Eucaristia, à fuga dos maus hábitos, ao horror ao vício e
finalmente à prática das virtudes dignas do cristão. (Const., p. 4. c. 7, n. 2)
6. Colóquios espirituais. - Nas conversas particulares inculque também as práticas
de piedade, de modo, porém, que não pareça querer aliciar alguém a entrar na nossa
Ordem; se encontrar alguém com esta inclinação, encaminhe-o para o confessor.
7. Ladainhas e devoção a Nossa Senhora. - Nos sábados à tarde mande rezar na
aula as ladainhas de Nossa Senhora, ou, se for costume, leve os alunos à igreja para
ouvi-las com os outros; aos seus discípulos aconselhe com empenho a devoção à mesma
Virgem e ao Anjo da Guarda.
8. Leitura espiritual. - Recomende vivamente a leitura espiritual, sobretudo da vida
dos
possasantos. Pelo contrário,
ser nocivo aos bons quanto aosnão
costumes, escritores impuros nos
só se abstenha quais se encontre
pessoalmente algo que
de explicá-los à
juventude mas ainda se esforce com todo empenho para apartar da sua leitura aos
discípulos também fora da aula (Const. p. 4, c. 5, E.).
9. Confissão. - Procure que ninguém omita a confissão mensal; prescreva que
entreguem todos aos Confessores um cartão com o próprio nome, cognome e classe

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para que depois, pela verificação dos cartões, saiba os que faltaram (Const., p. 4, c. 16,
n. 1).
10. Rezar pelos alunos. - Ore muitas vezes a Deus pelos seus discípulos e os
edifique com os exemplos de sua vida religiosa.
11. Obediência ao Prefeito. - Obedeça ao Prefeito dos estudos ginasiais em tudo
quanto se refere à disciplina escolar. Sem o consultar não admita ninguém na aula ou
dela o expulse, não comece explicar livro algum, nem dispense ninguém dos exercícios
escolares comuns.
12. Grau de cada aula. - Conserve todas as aulas no seu nível. Da Retórica e da
Humanidade tratar-se-á
quais se completará abaixo
o seu curso.em particular;
Todas da do
as regras Gramática haverá
P. Alvarez três classesdeverão,
(da Gramática) com as
portanto, dividir-se em três partes, uma para cada classe, de tal modo, porém, que em
cada uma delas se repita sempre o que foi ensinado na classe imediatamente inferior,
como se indicará nas regras dos Professores respectivos.
13. Divisão da Gramática grega. - A Gramática grega dividir-se-á mais ou menos
assim. A primeira parte, começando com os primeiros elementos, compreenderá os
nomes simples, o verbo substantivo e também os verbos simples. A segunda, os nomes
contractos, os verbos incomplexos, os verbos em e as formações mais fáceis. A ter-
ceira, as demais partes da oração, ou seja, tudo o que se inclui sob o nome de
rudimentos, com exceção dos dialetos e das observações difíceis. A quarta, que pertence
à Humanidade, inclui toda a sintaxe. A quinta, finalmente, para a Retórica, contém a
arte métrica.
14. Divisão do tempo. - A divisão do tempo, que abrange para a Retórica, ao
menos, duas horas e para a Humanidade e outras classes, duas horas e meia, pela
manhã e outras tantas pela tarde, e duas horas no mínimo no dia feriado, conservar-se-
á sempre a mesma, para que fique determinado que horas se empregarão em cada
exercício.
15. Como pode ser alterada. - A ordem destes exercícios poderá ser modificada,
por prescrição do Provincial, de acordo com o costume do lugar, contanto que a cada um
deles se reserve o mesmo tempo indicado nas regras do respectivo professor, e se
mantenha inalterado o que foi uma vez estatuído.
16. Dia festivo no sábado. - Se cair algum dia festivo no sábado, os exercícios
deste dia transfiram-se para o anterior ou omitam-se de todo.
17. Divisão no dia feriado. - Nos dias feriados, em que não se marcarem exercícios
especiais, mantenha-se a mesma divisão, encurtando-se proporcionalmente os que se
fazem nos outro dias; ou, por turno, se omitam alguns e se reserve algum tempo para o
desafio.
18. Costume de falar latim. - De modo, especial conserve-se com rigor o costume
de falar latim exceto nas aulas em que os discípulos, o ignoram; de modo que tudo
quanto se refere à aula nunca seja permitido servir-se do idioma pátrio, dando-se nota
desfavorável aos que forem negligentes neste ponto; por este mesmo motivo, o
professor fale sempre latim.
19. Exercício de memória. - Os alunos recitem as lições aprendidas de cor aos
decuriões, de cujo falará abaixo na regra 36, a não ser que, na Retórica, se prefira outro
costume. Os decuriões recitem-nas ao decurião chefe ou ao professor; todos os dias o
professor mande recitar alguns, quase sempre dos mais desidiosos e dos que chegaram
tarde à aula, afim de provar a fidelidade dos decuriões e manter a todos no cumprimento
do dever. Aos sábados recite-se em público o que foi aprendido de cor numa ou em
várias semanas; terminado um livro, poderão escolher-se alguns que da cátedra o
recitem desde o princípio, não sem prêmio.
20. Trabalhos escritos. - Nas classes de gramática, todos os dias, apresentem-se,
com exceção do sábado, trabalhos escritos; nas outras, exercícios escritos de prosa,
todos os dias, exceto
dias seguintes o sábado
ao domingo e ao eferiado;
o dia feriado, exercícios
tem grego, de poesia,
ao menos só de
uma vez, duas vezes,
tarde, emnos
dia
escolhido pelo professor.
21. Correção dos trabalhos escritos. - De regra, os trabalhos escritos deverão
corrigir-se em particular e voz baixa, com cada aluno, de modo que aos outros se deixe,
no intervalo, tempo para exercitarem-se em escrever. É bom, contudo, no principio ou

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no fim da aula, ler e comentar publicamente alguns espécimes ora dos melhores, ora dos
piores.
22. Método de corrigir. - Em geral é este o método de corrigir ou indicar se foi
violada alguma regra; perguntar como se poderá emendar; mandar que os rivais
corrijam publicamente o erro logo que o advertirem e indiquem a regra transgredida;
elogiar, em fim, tudo o que é perfeito. Enquanto isto se realiza, publicamente, cada
aluno leia e corrija a primeira cópia do trabalho (que se deverá trazer sempre além da
que se entrega ao professor).
23. Corrigir o maior número. - Todos os dias deveria o professor corrigir os
trabalhos
porém, nãoescritos de cada
o permitir um, porque
o número elevadodesta práticacorrija
dos alunos, resultaquantos
muito epuder
grande fruto. que
de modo Se,
os omitidos num dia sejam chamados no seguinte. Para este fim, principalmente nos
dias em que se deve trazer poesia, distribua alguns trabalhos para serem corrigidos
pelos rivais (no intuito de facilitar esta distribuição escreva cada qual no verso do
trabalho, não só o próprio nome senão também o do rival), outros, corrija-os o próprio
professor, de tarde, enquanto se recita a lição de cor, outros, ainda, em casa, se quiser.
24. Exercícios na aula. - Enquanto corrige os trabalhos escritos, prescreva ora um
ora outro exercício, de acordo com o nível da aula. Pois nada arrefece tanto o fervor dos
alunos como o fastio.
25. Repetição. - Do mesmo modo faça-se a repetição da lição do dia e da véspera,
ou toda, por um só aluno, ou, melhor, em partes por vários, afim de que se exercitem
todos; perguntem-se os pontos mais importantes e mais úteis, primeiro aos alunos mais
adiantados depois também aos outros, que responderão em recitação seguida ou inter-
calada pelas interrogações do professor, enquanto o êmulo do repetente o corrigirá, se
erra, ou antecipará a resposta se tardar.
26. Sabatina. — No sábado recorde-se tudo o que foi ensinado na semana. Se, de
quando em quando, se oferecerem alguns para responder sobre todas estas lições ou
sobre um livro inteiro, escolha o professor os melhores e os demais o ataquem, cada
qual, com duas ou três perguntas; e não fique isto sem recompensa.
27. Preleção. - Na preleção só se expliquem os autores antigos, de modo algum os
modernos. De grande proveito será que o professor não fale sem ordem nem
preparação, mas exponha o que escreveu refletidamente em casa e leia antes todo o
livro ou discurso que tem entre mãos. A forma geral da preleção é a seguinte:
Em primeiro lugar leia seguidamente todo o trecho, a menos que, na Retórica ou
na Humanidade, fosse demasiadamente longo.
Em segundo lugar exponha em poucas palavras o argumento e, onde for mister, a
conexão com o que procede.
Em terceiro lugar leia cada período, e, no caso de explicar em latim, esclareça os
mais obscuros, ligue um ao outro e explane o pensamento, não com metafrase pueril -
inepta, substituindo uma palavra latina por outra palavra latina, mas declarando o
mesmo pensamento com frases mais inteligíveis. Caso explique em vernáculo, conserve
quanto possível a ordem de colocação das palavras para que se habituem os ouvidos ao
ritmo. Se o idioma vulgar não o permitir, primeiro traduza quase tudo, palavra por
palavra, depois, segundo índole do vernáculo.
Em quarto lugar, retomando o trecho do princípio, faça as observações adaptadas a
cada classe, a menos que prefira inseri-las na própria explicação Se julgar que algumas
devem ser apontadas - e não convém que sejam muitas - poderá ditá-las ou a intervalos
durante a explicação, ou, terminada a lição, em separado. É bom que os gramáticos não
tomem notas senão mandados.
28. Preleção de historiador e de poeta. - A diferença entre a preleção de um
historiador e a de um poeta é que, em geral, o historiador pode ser lido mais
rapidamente enquanto que, no poeta, a paráfrase em prosa, feita com cuidado, é muitas
vezes
entre ode grande
estilo conveniência;
do poeta procurem-se que os alunos habituem-se em distinguir
e o do orador.
29. Preleção das regras. - Na preleção da retórica de Cipriano (Soares), da métrica,
da gramática latina, da grega ou disciplinas semelhantes relacionadas com preceitos,
leve-se mais em consideração o conteúdo do que a forma (Edição de Praga: Proponham-
se e traduzam-se logo exemplos breves dos melhores autores).

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Nas classes de gramática, sobretudo nas inferiores, quando ocorrer algum ponto
mais difícil, repita-se por um ou mais dias, ou intercalem ou recapitulem pontos mais
fáceis de outras partes da Gramática.
30. O tema de composição não deve ser ditado de improviso, mas preparado e
quase sempre escrito, quanto possível seja dirigido para a imitação de Cícero e segundo
o modelo de uma narração, persuasão, congratulação, admoestação ou coisa
semelhante; quando ditado palavra por palavra, deveria escrever-se em latim e em
vernáculo. Logo depois mande o professor reler o ditado; explique alguma dificuldade
maior que porventura ocorra; subministre palavras, frases e outros subsídios, e durante
oescritas
ditadoe lembre sempre,
pontuadas. Algumexceto na extraordinário
trabalho Retórica, como as diversas
maior que o de partes
costumedeverão
deverá ser
ser
prescrito quando ocorrerem vários dias festivos ou se aproximarem às férias maiores e
menores.
31. Desafio. - O desafio que poderá organizar-se ou por perguntas do professor e
correção dos êmulos, ou por perguntas dos êmulos entre si deve ser tido em grande
conta e posto em prática sempre que o permitir o tempo a fim de alimentar uma digna
emulação, que é de grande estimulo para os estudos. Poderá bater-se um contra um, ou
grupo contra grupo, sobretudo dos oficiais, ou um poderá provocar a vários; em geral
um particular provocará outro particular, um oficial outro oficial; um particular poderá às
vezes desafiar um oficial e se o vencer conquistará a sua graduação, ou outro prêmio ou
símbolo de vitória conforme o exigir a dignidade da classe e o costume da região.
32. Exercícios extraordinários. - Os exercícios extraordinários (e os espécimes
públicos) são de grande utilidade. Deles deve dizer-se em geral que os que prestarem
exame publico deverão preparar-se com empenho; para que não se exercite só a
memória dos alunos mas também se lhes cultive a inteligência, o professor poderá limar
os trabalhos que se apresentarão em público, nunca, porém, compô-los integralmente; o
mesmo se diga das poesias recitadas em público. Esforce-se também para que os alunos,
na voz e no gesto e em todo porte, se apresentem com dignidade.
33. Preleção e declamação na aula. - Na Retórica e na Humanidade, haja, em
sábados alternados, uma preleção grega ou latina, oração ou uma poesia recitada, em
que uma aula convide outra; nas outras classes, uma vez só ao mês, haja não uma
preleção nova, mas repetição de uma já ouvida do mestre, e sem convidados.
34. Desafio com classe imediata. - Algumas vezes no ano, em dia escolhido pelo
Prefeito dos estudos inferiores, haja por uma hora desafio com a classe imediata, sobre
os pontos comuns e ambas sob a direção de ambos os professores. Dois três ou
mais dentre de uma e outra classe sustentarão o de debate ou preparados de antemão
por perguntas e respostas sobre um assunto preestabelecido, ou por perguntas feita
livremente ou também com respostas feitas às dificuldades feitas pelo adversário,
sobretudo na Retórica.
35. Oficiais. - Cada mês, ou de dois em dois meses, deverão ser escolhidos os
oficiais e também, se parecer conveniente, premiados, salvo se na Retórica, se julgasse,
em algum lugar, menos necessário. Para esta escolha haja uma prova escrita em prosa,
em poesia ou em grego, durante todo o tempo da aula, a menos que nas classes
inferiores não fosse preferível deixar meia hora para o desafio. O que apresentar a
melhor composição receberá, a mais alta dignidade, os que lhe seguirem receberão os
outros postos de honra aos quais, para maior aparência de erudição, se atribua títulos
tirados da república ou do exército grego, ou romano. Para alimentar a emulação, por
via de regra poderá a aula dividir-se em dois campos, cada um com os seus oficiais, uns
opostos aos outros, tendo cada aluno o seu êmulo. Os primeiros oficiais de ambos os
campos ocuparão o lugar de honra.
36. Decuriões. - Nomeie também o professor os decuriões que deverão tomar as
lições de cor, recolher os exercícios para o professor, marcar num caderno os erros de
memória, os que
observar tudo nãoque
o mais trouxeram o oexercício,
lhes indicar Professor.ou não entregaram as duas cópias e
37. Preparação do exame. - Um mês, mais ou menos, antes do exame para
assegurar promoção geral, em todas as classes, com exceção talvez da Retórica e nos
pontos mais importantes, sejam os alunos submetidos a intensos exercícios. Se algum

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aluno se houver distinguido notavelmente no decurso do ano, informe o Professor ao
Prefeito para que, após um exame privado, seja promovido à classe superior.
38. Pauta dos alunos. - No começo do ano entregue ao Prefeito uma pauta dos
alunos dispostos em ordem alfabética; no decorrer do ano seja ela revista para que se
introduzam as modificações necessárias; e com especial cuidado pouco antes do exame
geral. Nesta pauta classifique os alunos em categorias, a saber, ótimos, bons, medío-
cres, duvidosos, insuficientes (para repetir o ano), categorias que se poderão indicar por
meio de números 1, 2, 3, 4, 5, 6.
39. Cuidado da disciplina. - Nada mantém tanto a disciplina quanto a observância
das regras.tudo
observem O principal
quanto secuidado do nas
encontra professor seja, portanto,
suas regras, mas sigam que os alunos
todas não só
as prescrições
relativas aos estudos: o que obterá melhor com a esperança da honra e da recompensa
e o temor da desonra do que por meio de castigos físicos.
40. Modo de castigar. Não seja precipitado no castigar nem demasiado no inquirir;
dissimule de preferência quando o puder sem prejuízo de ninguém; não só não inflija
nenhum castigo físico (este é ofício do corretor) mas abstenha-se de qualquer injúria,
por palavras ou atos não chame ninguém senão pelo seu nome ou cognome; por vezes é
útil em lugar do castigo acrescentar algum trabalho literário além do exercício de cada
dia; ao Prefeito deixe os castigos mais severos ou menos costumados, sobretudo por
faltas cometidas fora da aula, como a ele remeta os que se recusam aceitar os castigos
físicos (1832; a correção) principalmente se forem mais crescidos (Const. p. IV, c. 7,
n. 2 D).
41. Freqüência. - Exija dos alunos a máxima freqüência e, por isto, não os deixe
ir à jogos ou espetáculos públicos. Se alguém faltar, mande-lhe à casa um condiscípulo
ou outra pessoa e, se não apresentar escusas aceitáveis, seja castigado pela ausência.
Os que, sem causa, faltarem muitos dias, enviem-se ao Prefeito e não se recebam sem
seu consentimento.
42. Dia das confissões. – Para que não se omita nenhum dever escolar por motivo
das confissões, envie-se, a principio, três, ou, onde necessário, mais alunos a confessar-
se; depois, à medida que vai voltando cada qual, sejam mandados um ou dois dos
outros, a menos que, em algum lugar, seja costume irem à confissão todos juntos.
43. Silêncio e modéstia. – Procure com particular cuidado que observem todos o
silêncio e a modéstia: não passeiem pela aula, não mudem de lugar, não passem de um
lado para outro presentes ou bilhetes, não saiam da aula, principalmente dois ou mais
ao mesmo tempo.
44. Saída da aula. - Evite-se que sem razão sejam os alunos chamados por quem
quer que seja, principalmente durante a preleção. Para que se evite na saída o atropelo
e a gritaria, saiam primeiro os que se acham mais perto da porta, enquanto o professor
assiste na cátedra ou à porta; ou de outra maneira se organize a saida de todos
modestos e silenciosos.
45. Acadêmicos. - Com aprovação do Reitor, institua Academias de acordo com as
regras especialmente escritas para este fim, e nelas se reúnam os alunos, sobretudo nos
dias festivos, afim de evitar a ociosidade e as más companhias.
46. Falar com os pais. - Se, para o bem dos alunos, for necessário algumas vezes
falar com os seus pais, proponha ao Reitor para que eles sejam chamados pelo Prefeito
ou por outra pessoa; ou ainda se a dignidade da pessoa o exigir, para que sejam
visitados.
47. Familiaridade. Conversa. - Não se mostre mais familiar com um do que com
outro; fora da aula não fale com os alunos senão por pouco tempo, de cousas sérias e
em lugar visível, isto é, não dentro da aula, mas fora, à porta, no pátio, ou na portaria
do colégio, para que se dê mais edificação.
48. Repetidores. - Não proponha pessoa alguma como repetidor particular, sem
ouvir o Reitor
preleções, maseexijam
aos repetidores
somente asnão permita
ouvidas emque sobrecarreguem os alunos com outras
aula.
49. Nenhuma despesa para a aula. - Não se utilize dos serviços de ninguém para
cópias ou outros trabalhos que não sejam os exercícios habituais da aula; e, em caso
nenhum, permita contribuição financeira dos alunos para fins escolares.

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50. Finalmente, com o auxílio da graça divina, seja em tudo diligente, pontual e
zeloso do progresso dos estudantes tanto nas lições como nos outros exercícios
literários. Não despreze a ninguém, vele com o mesmo cuidado pelos estudos do pobre
como do rico, e se empenhe de modo especial pelo progresso de cada um dos seus
alunos.
REGRAS DO PROFESSOR DE RETÓRICA.
1. Grau. - O nível científico desta aula não pode ser definido com facilidade dentro
de limites
duas mais fixos; pois compreende
altas faculdades, a formação
a oratória perfeita
e a poética paraas
(e entre a eloqüência quedar
duas se deve abraça as
sempre
preferência à primeira); e atende não só ao que é útil senão também à beleza da
expressão.
De modo geral, contudo, pode dizer-se que abrange três pontos principais: regras
de oratória, estilo e erudição.
Quanto às regras, ainda que se possam procurar e observar em todas as fontes,
não se deve, contudo explicar, na preleção quotidiana, senão nos livros retóricos de
Cícero, na Retórica de Aristóteles, e, se parecer conveniente, também na sua Poética.
No que concerne ao estilo, ainda que se devam percorrer os melhores historiadores
e poetas, deverá ser formado quase exclusivamente em Cícero; para esse fim se
adaptam perfeitamente todos os seus livros, mas as orações deverão ser só explicadas
afim de que nelas se vejam a aplicação dos preceitos da oratória.
A erudição deverá ser recolhida da história e dos costumes dos povos, dos autores
mais abalizados e de toda espécie de conhecimentos, mas com parcimônia
proporcionada à capacidade dos alunos.
No que se refere ao grego pertence À Retórica a medida das sílabas e um
conhecimento mais completo dos autores e dialetos. No fim do ano, não explique o
Professor de Retórica o Resumo da Lógica.
2. Divisão do tempo. - A divisão do tempo é a seguinte: Na primeira hora da
manhã, tome-se a lição aprendida de cor, corrija o professor os exercícios escritos
recolhidos pelos decuriões, prescreva no intervalo aos alunos vários trabalhos que serão
mencionados abaixo na regra 5; por fim repasse a última preleção. A segunda hora
matutina seja consagrada à preleção, ou dos preceitos, se de tarde se explica a oração,
ou da oração se de tarde se explicam os preceitos, contanto que se mantenha constante
a ordem estabelecida no principio do ano; siga-se a repetição, dê-se, quando necessário,
o assunto do trabalho escrito, prosa ou poesia; se sobrar ainda algum tempo, seja
empregado no desafio ou na revisão do que se escreveu na primeira hora.
Na primeira hora da tarde, depois da repetição da anterior haja nova preleção ou
de oração, se de manhã se expuseram os preceitos, ou vice-versa. Siga-se a repetição
habitual.
Na segunda hora vespertina, depois da repetição da última lição de autor grego,
explique-se e tome-se a nova lição; o tempo restante seja empregado ou na correção
dos exercícios gregos, ou na sintaxe e métrica grega ou no desafio de grego.
No feriado semanal explique-se e repita-se um historiador ou poeta ou algum ponto
de erudição.
No sábado, após uma revisão breve de toda a semana, de manhã, na primeira
hora, explicação de um historiador ou poeta (1832: omite-se poeta); na última hora,
preleção ou declamação de um aluno, ou assistência a atos escolares semelhantes na
aula de Humanidade, ou desafio. De tarde, explicação de um poeta e repetição de grego.
Se em algum lugar, além das duas horas, matutinas e vespertinas, se acrescentar
mais meia hora de aula, seja ela empregada num historiador ou poeta. Onde se fizer
assim, as preleções de sábado ou não se distingam das dos outros dias, ou, em lugar
delas,3.haja uma repetição
Exercício mais completa
de memória. - Como aoe um desafio.
retórico é necessário o exercício diário da
memória e na sua classe ocorram muitas vezes lições demasiado longas para serem
aprendidas de cor, determine o Professor o que e quanto se deverá aprender, e, caso ele
exigisse, de que modo recitá-lo. Seria útil que, de quando em quando, dissesse alguém,

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da cátedra, os trechos aprendidos nos clássicos, a fim de unir o exercício da memória
com a declamação.
4. Método de correção dos trabalhos escritos. - Na correção dos trabalhos escritos
aponte as faltas cometidas contra as regras da arte oratória ou poética, contra a
elegância e apuro da linguagem, contra a conexão do discurso, o ritmo, a ortografia, etc;
assinale qualquer expressão falsa, obscura ou vulgar; qualquer falha contra a dignidade
do dizer, qualquer digressão demasiado longa e outros defeitos desta natureza.
Finalmente, o discurso, que antes foi trazido por partes, uma vez concluído, deverá ser
apresentado ao Professor inteiramente copiado ou pelo menos corrigido, para que se
veja que todo o trabalho
5. Exercícios está
na aula. pronto. o professor corrige os trabalhos escritos, poderão
- Enquanto
os alunos fazer os exercícios seguintes: imitar um trecho de algum orador ou poeta;
fazer uma descrição, por exemplo, de um jardim, de uma igreja, de uma tempestade ou
cousa assim; variar a mesma frase de diferentes modos; traduzir um trecho de prosa
grega em latim; ou vice-versa; exprimir em prosa latina ou grega os versos de um
poeta; passar uma forma poética para outra; compor epigramas, inscrições, epitáfios;
respigar frases gregas ou latinas de bons oradores e poetas; adaptar certos assuntos ou
figuras de retórica; tirar dos tópicos e lugares retóricos vários argumentos para um
determinado assunto; ou fazer outros trabalhos deste gênero.
6. Preleção. - Há duas espécies de preleção: uma relativa à teoria, na qual se
explicam as regras, outra, ao estilo, na qual se explicam, as orações. Numa e noutra se
devem ter presentes duas questões: primeiro, que autores escolher; segundo qual o
método a seguir na sua explicação. A primeira questão já foi suficientemente respondida
na primeira regra: nas orações leia-se unicamente Cícero na teoria, além de Cícero,
também Aristóteles (além de Cícero, também Quintiliano e Aristóteles). Nunca se deve
omitir a oração; a explicação das regras deveria também continuar por todo o ano, por
ser grande a importância das regras oratórias. Em seu lugar, porem, onde for costume,
não se proíbe, no fim do ano, a leitura de algum autor que tenha mais erudição e
variedade. Algumas vezes em lugar da oração ou da teoria poderá intercalar-se alguma
preleção sobre um poeta.
7. Explicação das regras. -Quanto ao método de explicação, os preceitos
expliquem-se do seguinte modo: Em primeiro lugar torne-se claro o sentido da regra; se
oferecer alguma obscuridade e os intérpretes não estiverem de acordo, comparem-se as
suas opiniões. Em segundo lugar citem-se outros autores retóricos que tratam do
mesmo assunto, ou do mesmo autor outros lugares em que ensina o mesmo. Em
terceiro lugar apresente-se alguma razão da regra. Em quarto lugar aduzam-se alguns
trechos semelhantes e bem notáveis, de oradores e poetas, em que se aplica a regra.
Em quinto lugar, acrescente-se, se for o caso, alguma cousa de história e erudição de
várias fontes, relativa ao assunto. Mostre-se enfim como a regra se pode aplicar às
circunstâncias atuais e faça-se esta aplicação com o maior apuro na escolha e elegância
das expressões.
8. Explicação de um orador. - Quando se explica uma oração ou poesia, exponha-
se em primeiro lugar o sentido, se escuro, e critiquem-se as diferentes interpretações.
Em segundo lugar, esquadrinhe-se toda a arte da composição: a invenção, divisão e
exposição; com que habilidade se insinua o orador, com que propriedade se exprime, ou
em que lugares vai buscar argumentos para persuadir, ornar ou comover; como
freqüentemente num só trecho aplica muitas regras; de que modo reveste as razões que
convencem com figuras de pensamento e, por sua vez, às figuras de pensamentos
associa as figuras de palavras. Em terceiro lugar citem-se alguns trechos semelhantes
pelo conteúdo ou pela forma ou pela forma e aleguem-se, outros oradores ou poetas que
se serviram da mesma, para provar ou narrar cousa parecida. Em quarto lugar, se for o
caso, confirme-se o pensamento com a autoridade de homens de saber. No quinto lugar,
procure-se na história,
possa contribuir na mitologia
para esclarecer e em todos
a passagem. os domínios
Por último do conhecimento
ponderem-se as palavras, oa que
sua
propriedade, elegância, riqueza e harmonia. Os pontos acima foram indicados não para
que o Professor os percorra sempre todos, senão para que, dentre eles, escolha os que
caírem mais a talho.

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9. Argumento da oração escrita. - O argumento para uma oração, deve ser ditado
integralmente no princípio de cada mês, ou por partes, cada semana (pois, no máximo,
cada mês deverá compor-se uma oração). Seja breve, percorra todas as partes da
oração; indique os lugares donde se poderão haurir as provas e amplificações, as figuras
principais que se poderão empregar e também, se parecer conveniente, alguns lugares
de bons autores que se podem imitar. Algumas vezes, indicando-se o autor que deverá
servir de modelo, o assunto poderá ser proposto oralmente.
10. Assunto de uma poesia. - O tema para uma poesia poderá ser dado de viva
voz, por escrito, por simples proposta do título ou por indicação de um pensamento
poderá ser ou
ode, elegia breve
maisdelongo,
mododeque se possa
maneira queconcluir como
complete, em no casovezes,
várias de umcomo
epigrama, uma
acima uma
oração, assim aqui um poema.
11. Tema grego. - Mais ou menos do mesmo modo se proporá o tema grego, com a
exceção talvez de que por algum tempo se julgue conveniente, pelo menos uma vez por
semana, ditar tudo, palavra por palavras, tanto para a prosa quanto para a poesia.
12. Desafio. - O desafio ou exercício de aula poderá versar sobre a correção das
faltas que um dos êmulos descobrir entre a arte militar de gregos e romanos,
arqueologia dos jardins e da indumentária, salas de refeição, triunfo, sibilas e outras
questões afins, sempre, porém, com discrição.
16. Declamação privada. - Em sábados alternados, na presença dos alunos de
Humanidade, na última hora matutina, um ou dois alunos apresentem, da cátedra uma
declamação, ou preleção, ou poesia, ou oração ou uma oração seguida logo da recitação
de uma poesia.
17. Declamação pública. - No salão ou na igreja, haja, uma vez por mês, uma
oração mais importante ou uma poesia, ou ambas as cousas, ora em latim, ora, em
grego (ora em vernáculo), ou um debate com argumentos de um e outro lado e
julgamento. Tudo, porém, deverá ser revisto e aprovado pelo Prefeito dos estudos
superiores.
18. Exposição de poesias. - De dois em dois meses mais ou menos, na
comemoração de alguma festa mais solene, na promulgação dos oficiais ou em outra
oportunidade, exponham-se nas paredes da aula as poesias mais escolhidas, compostas
pelos aluno. Poder-se-á também afixar, segundo os costumes da região, alguns trechos
curtos de prosa como, por exemplo, inscrições de escudos, templos, sepulturas, jardins,
estátuas; descrições de uma cidade, de um porto, de um exército; narrações dos feitos
de algum santo; frases paradoxais. Poder-se-á acrescentar às vezes, mas com licença do
Reitor, algum desenho relativo ao emblema ou assunto proposto.
19. Representação privada. - Poderá às vezes o professor passar aos alunos como
assunto algum tema dramático, como uma écloga, algumas cenas ou um diálogo, e o
trabalho melhor poderá ser representado na aula, distribuídos os papeis entre os alunos,
mas sem nenhum aparato.
20. Quanto à formação dos nossos estudantes, aplicam-se-lhes, como aos outros,
todos os exercícios de que trata o método de ensino; em particular, porém, deverão ter
em casa, três ou quatro vezes por semana, por espaço de uma hora, no tempo que ao
Reitor melhor parecer, repetições na presença do Professor ou de outro pelo Reitor
designado. Nelas repitam-se as lições de latim ou grego, e corrijam-se os exercícios
latinos e gregos, de prosa e de poesia. Para cultivo da memória aprendam todos os dias
alguma cousa de cor, e leiam muito e com atenção. E nada estimula tanto a inteligência
quanto submeter cada um ao exercício freqüente de falar, não só na cátedra do salão,
da igreja e da aula, o que lhes é comum com os seus condiscípulos externos, mas
também no refeitório. Para o mesmo fim contribuirá finalmente a exposição em lugar
público conveniente das próprias poesias, aprovadas pelo Professor e assinadas com o
nome do autor.
REGRAS DO PROFESSOR DE HUMANIDADES.

1. Grau. - A finalidade desta aula é preparar, nos que terminaram a gramática, o


terreno à eloqüência. Para este fim concorrem três meios: o conhecimento da língua,
alguma erudição e uma introdução breve aos preceitos da Retórica.

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Para conhecimento da língua, que consiste principalmente na propriedade e riqueza das
palavras, explique-se, nas lições quotidianas, dos oradores exclusivamente Cícero, e, de
regra, escolham-se os seus livros de filosofia moral; dos historiadores, Cesar, Salústio,
Lívio, Curtius e outros semelhantes; dos poetas, principalmente Virgílio com exceção de
algumas éclogas e do 4o. livro da Eneida, odes seletas de Horácio e também elegias,
epigramas e outras composições de poetas ilustres, contanto que expurgados de
qualquer inconveniência de expressão.
Conhecimentos eruditos sejam ministrados com parcimônia para estimular às vezes e
recrear a inteligência, não para impedir a atenção à língua.
Dosneste
Soares; preceitos de os
período retórica dê-se
escritos no segundo
filosóficos semestre
de Cícero, um breve
poderão resumo
tomar-ser do Cipriano
algumas das
suas orações mais fáceis, como Pro lege Manilia, pro Archia, pro Marce1lo ou outras
pronunciadas na presença de César.
Da língua grega pertence a esta aula a parte que constitui propriamente a sintaxe;
procure-se também que os alunos entendam regularmente os autores e aprendam
escrever alguma cousa em grego.
2. Divisão do Tempo. - O tempo será dividido do seguinte modo. Na primeira hora
da manhã recite-se o trecho decorado de Cícero e da arte métrica, tomado pelos
decuriões; corrija o Professor os exercícios recolhidos pelos decuriões, passando,
entretanto, aos alunos vários exercícios mencionados abaixo na regra 4; por fim recitem
algum em voz alta e o Professor examine as notas dadas pelos decuriões. Na segunda
hora matutina repita-se brevemente a lição anterior, e, durante uma meia hora ou pouco
mais explique-se a nova, sobre a qual sejam logo interrogados, se sobrar ainda tempo,
empregue-se no desafio entre os alunos. Na última meia hora, no principio do primeiro
semestre, explique-se em dias alternados um historiador e a arte métrica; terminada a
arte métrica, explique-se, ou repita-se todos os dias, a retórica de Cipriano, ou
estabeleça-se debate.
Na primeira hora da tarde recite-se de cor o poeta ou o autor grego enquanto o
Professor revê as notas dos decuriões e corrige os exercícios escritos que foram
passados pela manhã ou ainda restaram dos trazidos de casa. Por fim dite-se o tema do
trabalho escrito. A hora e meia seguinte divida-se igualmente entre a explicação e
repetição de um poeta e a lição e exercício escrito de grego.
No dia feriado, na primeira hora recite-se de cor a lição do dia feriado anterior e
corrija-se como de costume, os trabalhos escritos restantes. Na segunda hora, explique-
se ou repita-se algum epigrama, ode ou elegia, algum ponto do livro 3 de Cipriano
acerca das metáforas, das figuras principalmente do ritmo e sílabas longas e breves no
discurso, para que desde o principio do ano se lhes habituem os alunos, ou algum cria,
ou outro exercício escolar, ou finalmente, algum desafio.
No sábado, na primeira hora matutina, recitação de cor, em voz alta, das lições de
toda a semana; na segunda hora, repetição. Na última meia hora, declamação ou lição
por algum dos alunos, ou assistência a exercícios escolares dos retóricos, ou desafio.
Pela tarde na primeira meia-hora recitação de cor de algum poeta e do catecismo,
enquanto o professor revê os trabalhos escritos da semana porventura ainda não
revistos e percorre as notas dos decuriões. A hora e meia seguinte divida-se igualmente
entre a repetição de um poeta ou a explicação de alguma poesia seguida de
interrogação, e o estudo do grego feito do mesmo modo. Na última meia, explicação do
catecismo ou exortação espiritual, a menos que não tenha sido feita na sexta-feira;
neste caso, empregue-se o tempo do estudo naquilo que cedeu o lugar ao catecismo.
3. Método de corrigir os exercícios. - Na correção dos exercícios indique as faltas
contra a propriedade, a elegância e o ritmo da linguagem; contra a expressão menos
correta do trecho proposto à imitação, contra a ortografia, etc. Mande exprimir o mesmo
pensamento de diferentes modos, para que os alunos com este exercício adquiram
variedade de expressão.
4. Exercícios durante a correção. - Enquanto corrige os trabalhos escritos pode
passar algum dos exercícios seguintes: colher frases dos trechos explicados e variá-las
de muitas maneiras; reconstituir um período de Cícero que haja sido desarticulado; fazer
versos, passar uma poesia de uma para outra forma; imitar um trecho, escrever em
grego (ouem vernáculo) e outros semelhantes.

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5. Preleção. - A preleção poderá ser às vezes levemente salpicada com ornamentos
de erudição quanto exigir a explicação do trecho; concentre, porém, o professor o seu
trabalho nas observações relativas à língua latina, força e etimologia das palavras
baseadas nos autores mais abalizados, principalmente antigos no emprego e variedade
das expressões, na imitação do autor; nem julgue alheio ao seu objetivo exprimir
alguma cousa em vernáculo, principalmente quando possa contribuir para a
interpretação do autor ou encerre algo, de particularmente interessante.
Quando explica, porém, uma oração, examine também as regras da arte. Por
último, se parecer conveniente, poderá traduzir tudo no idioma pátrio, mas com uma
elegância acabada.
6. Tema do exercício escrito. - O tema do exercício escrito deverá ser ditado: no
primeiro semestre será sempre uma carta na língua materna para ser revertida
literalmente e convirá compô-la de tal modo que seja tirado de vários pontos das lições
já explicadas; um por semana, porém, escrevam sem auxilio, depois de explicado um
dos gêneros epistolares e indicadas às cartas de Cícero e de Plínio que a este gênero
pertencem. No segundo semestre estimule-se a inteligência e escreva-se primeiro crias,
depois exórdios, narrações, composições elegantes sobre assunto fácil e proposto com
certo desenvolvimento. O argumento para poesia latina dite-o com grande variedade de
expressões.
O tema grego seja proposto do mesmo modo da prosa latina com a diferença de
que deverá ser tirado quase todo do autor e a sintaxe, explicada previamente.
7. Desafio. - O desafio ou exercício escolar deverá versar sobre erros que um
êmulo descobriu no trabalho do outro, sobra perguntas relativas aos pontos em que se
exercitaram na primeira hora, sobre a recitação de cor e variação de frases dadas pelo
Professor, sobre a recitação e aplicação dos preceitos do estilo epistolar e da retórica,
sobre perguntas feitas acerca da quantidade das sílabas, aduzindo de memória a regra
respectiva ou o exemplo de um poeta; sobre a investigação de alguma significação pró-
pria ou de alguma etimologia; sobre a interpretação de algum autor latino ou grego,
sobre a flexão e formação de palavras gregas mais difíceis e irregulares, e outras
questões semelhantes, a critério do professor.
8. Métrica e retórica. - A métrica deverá ser percorrida rapidamente, insistindo-se
apenas nos pontos de maior necessidade e mais como quem aplica do que explica. Do
livro de retórica de Cipriano Soares (1832 só: do livro de retórica) esclareçam-se não
tanto as palavras quanto às regras, acrescentando-se exemplos do mesmo texto (dos
mestres) e, se o comportar o assunto, das lições diárias.
9. Preleção de grego. - Na preleção de grego, explique-se, em dias alternados, a
gramática e o autor. Na gramática repita-se brevemente o que foi ensinado na classe
anterior e continue-se com a sintaxe e a teoria dos acentos. Quanto ao autor, tome-se
no primeiro semestre algum prosador dos mais fáceis, como algum as orações de Sócra-
tes, de S. João Crisóstomo e de S. Basílio, algumas epístolas de Platão e Sinésio, ou
trechos seletos de Plutarco; no segundo semestre explique-se alguma poesia, por
exemplo, de Focilides, Teognides, S. Gregório Nazianzeno, Sinésio ou outros
semelhantes.
A explicação, porém, como pede o nível desta aula, deverá ser mais ao
conhecimento da língua do que à erudição.
Para o fim do ano, porém, poderá alternar-se com o autor a explicação da prosódia
grega e também se recompor poesias que tenham sido desarticuladas.
10. Exposição de poesias. -De dois em dois meses, mais ou menos, na
comemoração de alguma festa mais solene, na promulgação dos oficiais ou em outra
oportunidade, exponham-se nas paredes da aula as poesias mais escolhidas, compostas
pelos alunos. Poder-se-ão também fixar, segundo os costumes da região, alguns trechos
curtos de prosa, como, por exemplo, inscrições de escudos, templos, sepulturas, jardins,
estátuas;
de algum descrições de uma
santo; frases cidade,(1832,
paradoxais de umomitem-se
porto, de um exército;
estas narraçõesPoder-se-á
duas palavras). dos feitos
acrescentar, às vezes, mas com licença do Reitor, algum desenho relativo ao emblema
ou assunto posto (V. Regras do Professor: de Retórica n. 18)
REGRAS DO PROFESSOR DA CLASSE SUPERIOR DE GRAMÁTICA.

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1. Grau. - O objetivo desta classe visa o conhecimento perfeito da gramática: por
isto repete sintaxe desde o princípio, acrescentando todos os apêndices (e idiotismos) e
depois explica a construção figurada e retórica; em grego, porém, as oito partes da
oração ou aquilo que se compreende sob o nome de rudimentos, exceção dos dialetos e
das notas mais difíceis. Quanto às leituras, poderão explicar-se no primeiro semestre dos
prosadores, as cartas mais importantes de Cícero aos parentes, a Ático, ao irmão
Quinto; no segundo, o 1ivro da Amizade, da Velhice, os Paradoxos e outros assim; dos
poetas no primeiro semestre algumas elegias ou epístolas de Ovídio, escolhidas e
expurgadas, no segundo,
Propércio e das trechos,
Éclogas de Virgílio,também escolhidos
ou ainda, do mesmoe expurgados,
Virgílio, os de Catulo,
livros maisTibulio,
fáceis
o o o
como o 4 . das Geórgicas, o 5 . e o 7 . da Eneida; dos autores gregos, S. João
Crisóstomo, Esopo, Agapetos e outros semelhantes.
2. Divisão do tempo. - O tempo será dividido do seguinte modo. Na primeira hora
da manhã, repetição de cor, aos decuriões, de Cícero e da gramática; correção pelo
professor dos exercícios recolhidos pelos decuriões enquanto os alunos se ocupam em
vários exercícios, mencionados abaixo na regra 4. Na segunda hora matutina, repetição
breve da última lição de Cícero, explicação por meia hora da nova, que será logo objeto
de interrogação, por último, ditado do tema. Na última meia hora da manhã, repetição
da lição de gramática, explicação e interrogação da nova, algumas vezes acrescente-se
um desafio. Durante o primeiro semestre percorram-se as regras de construção ensi-
nadas na classe anterior, explique-se, em seguida, o que é próprio desta classe; e, em
dias alternados, as regras da métrica, omitindo as exceções; no segundo semestre, re-
pita-se, ao menos por dois meses, a parte da gramática própria desta classe, e, em dias
alternados, a métrica percorrendo brevemente as regras já explicadas e insistindo nos
outros quanto for necessário.
Terminada a repetição da gramática, explique-se diariamente a métrica acrescen-
tando as exceções, os gêneros poéticos e as regras dos nomes patronímicos e do acento.
Na primeira meia hora da tarde, recitação de cor de um poeta e do autor grego
enquanto o Professor revê as notas dos decuriões, e corrige os exercícios, que foram
passados pela manhã ou que ainda restaram dos trazidos de casa. A hora e meia
seguinte divida-se de tal modo entre a explicação e repetição do poeta, e a preleção e
exercício escrito do grego, que ao grego se reserve mais de meia hora. A última meia
hora ou o tempo que ainda sobrar empregue-se em desafios.
No sábado, de manhã, recitação de cor pública das lições de toda a semana ou de
todo o livro. Segunda hora, repetição. Última meia hora, desafio. De tarde, mesmo ho-
rário, com a diferença de que na primeira se recite de cor também o catecismo.
A última meia hora seja empregada na explicação do catecismo ou exortação
espiritual, a menos que não tenha sido feita na sexta feira; neste caso, empregue-se o
tempo no estudo daquilo que cedeu o lugar ao catecismo.
3. Modo de corrigir os exercícios. - Na correção dos exercícios escritos aponte as
faltas contra as regras de gramática, ortografia e pontuação; note se o aluno evitou as
dificuldades, se descuidou a elegância e imitação dos clássicos.
4. Exercícios na aula. - Enquanto corrige os trabalhos escritos, o professor poderá
passar aos alunos os exercícios seguintes: verter para o latim um ditado em vernáculo
de modo que imite o autor e observe as regras da sintaxe, traduzir a lição de
Cícero (dos autores) para a língua pátria, em seguida retrovertê-la para o latim e
respigar-lhe as frases mais elegantes, recolher das gramáticas recentemente explicadas,
dificuldades para propor aos êmulos, fazer versos ou reconstituí-los, desfeitos, escrever
em grego e outros semelhantes.
5. Preleção. - A preleção obedecerá à seguinte. Primeiro resuma o assunto em
latim e em seguida interprete cada período de modo que a exposição vernácula se siga
imediatamente à latina.
prefira inserir este pontoEm
naterceiro lugarescolha
exposição) retomando
duasoou
trecho
três:de principioexplique-lhes
palavras, (a menos queo
sentido e a derivação, confirmando esta explicação com um ou dois exemplos tomados
principalmente do mesmo autor. Desenvolva também e esclareça as metáforas; sobre a
mitologia, a história, e quanto se refere erudição, se ocorrer, passe rapidamente; colha
duas o três frases mais elegantes; por último percorra o trecho autor em vulgar (em

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vernáculo mais elegante). Poder também ditar o mais brevemente possível o assunto em
latim, as observações, as propriedades e frases.
6. Assunto dos exercícios escritos. - O assunto do exercício escrito, quase sempre
em forma epistolar, deve ditar-se palavra por palavra, na língua materna e referir-se à
aplicação das regras de sintaxe e à imitação de Cícero. Uma vez, porém,
aproximadamente cada mês, ou em casa em vez da composição diária, ou na aula, para
escolha dos oficiais, quanto mais adiantados, escrevam de própria iniciativa, após a
explicação de algum gênero epistolar, a indicação das cartas de Cícero a ele
pertencentes, e o ditado pelo professor de alguns modelos do mesmo gênero.
7. Poesia.
em ordem - Poderá
de prosa, ditar-se
mais tarde,também
mudadas alguma poesia,
algumas a principio,
palavras, com
por fim, as palavras
indicando um
assunto muito fácil com grande variedade de expressões.
8. Tema grego. - O tema de grego obedecerá ao mesmo método que o de prosa
latina com a diferença que deverá ser tirado do mesmo autor, e as regras de sintaxe se
hão de explicar de antemão.
9. Preleção grega. - A preleção de grego, que raras vezes excederá um quarto de
hora, seguirá o mesmo processo, a não ser que, iniciado o estudo do autor grego (e
poderá iniciar-se quando o julgar o Prefeito em dias alternados com a gramática) as
palavras deverão ser examinadas uma por uma e indicadas também de um modo geral,
se parecer conveniente, as regras mais fáceis da sintaxe.
10. Desafio. - O desafio ou exercício de aula poderá versar sobre as falhas que um
êmulo descobrir nos trabalhos escritos do outro, sobre questões relativas aos pontos em
que se exercitaram na primeira hora, sobre a repetição de cor das frases dadas pelo
professor, sobre traduções e variações de frases vernáculas para a aplicação da sintaxe
e imitação de Cícero (dos autores), (procure-se que o interrogado repita imediatamente,
com as mesmas palavras a expressão proposta e, depois de breve reflexão, a enuncie,
não palavra por palavra, mas toda de uma só vez, em latim), sobre a exposição das
regras do gênero epistolar, sobre a interrogação da quantidade das sílabas, aduzindo de
cor a regra ou um exemplo de poeta, sobre a investigação do sentido próprio ou da
etimologia de uma palavra, sobre a interpretação de alguns trechos de autor grego ou
latino, sobre a flexão e formação, respectivamente, dos substantivos e dos verbos
gregos e sobre outros pontos semelhantes a juízo do professor.
REGRAS DO PROFESSOR DA CLASSE MÉDIA DE GRAMÁTICA.
1. Grau. - O objetivo desta classe é o conhecimento ainda que imperfeito de toda a
gramática; por isto nela se explica do principio do livro segundo até a construção
figurada, com os apêndices mais fáceis, ou, segundo o método romano, da construção
comum à construção figurada das palavras, com os apêndices mais fáceis.
De grego, pertencem a esta classe os nomes contractos, os verbos circunflexos, os
verbos em (símbolo) e as formações mais fáceis.
Nas preleções só se usem as epístolas familiares de Cícero, algumas poesias muito
fáceis de Ovídio e, no segundo semestre, se o Prefeito julgar conveniente, o Catecismo
grego e a tábula de Cebes.
2. Divisão do tempo. - O tempo dividir-se-á do seguinte modo. Na primeira hora da
manhã recitação de cor aos decuriões de Cícero e da gramática; correção pelo professor
dos exercícios escritos recolhidos pelos decuriões enquanto os alunos se ocupam em
outros trabalhos mencionados na regra 4; na segunda hora matutina repetição breve da
preleção de Cícero, explicação da nova, que será logo objeto de interrogação, finalmente
ditado do tema. Na última meia hora da manhã repetição de algum ponto do primeiro
livro da gramática como, por exemplo, declinação dos nomes, mais tarde dos pretéritos
e supinos, e este exercício poderá ser feito a modo de desafio.
Na primeiradehora
dias marcados, da tarde,
algum poeta,lição de corodeprofessor
enquanto gramática latina
revê e grega,
as notas dosrecitação
decuriõesnos
e
corrige os trabalhos escritos passados pela manhã ou que ainda sobraram dos trazidos
de casa; por fim, repetição da gramática e, em dias alternados, da última preleção de
poeta. Na segunda hora vespertina, explicação e repetição, por meia hora, da sintaxe no

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segundo semestre, porém com a explicação da sintaxe alterne-se a de um poeta. A
outra meia hora seja consagrada ao grego. Na última hora, desafio ou exercício.
No sábado, na primeira hora da manhã recitação de cor, pública, das preleções de
toda a semana ou de todo o livro; Na segunda hora, repetição; na última meia hora,
desafio. Mesma divisão do tempo, de tarde, a não ser que, juntamente com a gramática
e o poeta se deva recitar também o catecismo. Na meia hora final, explicação do
catecismo ou, às vezes, exortação espiritual, a menos que já tenha sido feita na sexta
feira; neste caso, empregue-se o tempo no estudo daquilo que cedeu o lugar ao ca-
tecismo.
3. Modo
cometidas de corrigir
contra os da
as regras exercícios. - Naortografia
gramática, correção edos exercíciosnote
pontuação; aponte as faltas
se evitou as
dificuldades; explique tudo de acordo com as normas das regras gramaticais e tome
ocasião para relembrar as conjugações e as noções elementares.
4. Exercícios na aula, durante a correção dos exercícios. - Durante a correção dos
trabalhos escritos poderá passar os exercícios seguintes: traduzir para o latim um ditado
em vernáculo, para imitação de um autor ou aplicação das regras da sintaxe; verter para
o vernáculo um trecho de Cícero e depois retrovertê-lo para o latim; recolher das regras
de gramática recentemente explicadas, dificuldades e locuções para propor aos êmulos;
escrever em grego, e outros trabalhos semelhantes.
5. Exigir a gramática. - Ao repetir a preleção colha às vezes a oportunidade para
declinar e conjugar as palavras mais difíceis e, de qualquer modo, exigir a gramática.
6. Preleção de Cícero. - A preleção de Cícero, que, por via de regra, não excederá 7
linhas, observe o método seguinte: Em primeiro lugar, leia seguidamente todo o trecho,
e indique-lhe resumidamente, em vernáculo, o sentido. Em segundo lugar, traduza o
período no idioma pátrio, palavra por palavra. Em terceiro lugar, retomando o trecho
desde o princípio, indique-lhe a estrutura e, analisando o período, mostre as palavras e
os casos por elas regidos; estenda-se sobre a maior parte dos pontos relativos as regras
de gramática já explicadas; faça uma ou outra observação, mas muito simples sobre a
língua latina; explique as metáforas com exemplos muito acessíveis; por fim escolha
uma ou duas frases que ditará juntamente com o argumento. Em quarto lugar, percorra
o trecho de autor, mas em vernáculo.
7. Assunto dos exercícios escritos. - O assunto de exercício escrito deverá ser
ditado, palavra por palavra, eu vernáculo; ser claro, não exceder geralmente 7 linhas e
servir à aplicação das regras de sintaxe e à imitação de Cícero. Às vezes poderá mandar-
se os alunos que transcrevam alguma versão curta de Cícero, ou algum tempo grego ou
a declinação de um nome.
8. Preleção de gramática. - A preleção de gramática deve reduzir-se a uma só
regra, no máximo, com algum breve apêndice ou exceção.
9. Preleção de grego. - No ensino de grego observe-se proporcionalmente o mesmo
método; parece útil associar a cada caso e pessoa a palavra vernácula correspondente e
explicar tudo, quase sempre na
10. Desafio. - O desafio ou exercício de aula poderá versar sobre as falhas que um
êmulo descobrir nos trabalhos escritos do outro, sobre questões relativas aos pontos em
que se exercitaram na primeira hora, sobre a repetição de cor das frases dadas pelo
professor, sobre traduções e variações de frases vernáculas para a aplicação de sintaxe
e imitação de Cícero (imitação dos autores) (procure-se que o interrogado repita
imediatamente, com as mesmas palavras, a expressão proposta e depois de breve
reflexão a enuncie, não palavra por palavra, ms toda, de uma só vez, em latim); sobre
as flexões de nomes e verbos mais difíceis, especialmente dos que ocorram na preleção,
conservando ou saltando a ordem dos casos e tempos, declinando os nomes isolados ou
articulando substantivos, adjetivos e pronomes, Sobre a recitação rápida de pretéritos e
supinos e outros pontos semelhantes a critério do professor.

REGRAS DO PROFESSOR DA CLASSE INFERIOR DE


GRAMÁTICA.

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1. Grau. - O objetivo desta classe é o conhecimento perfeito dos elementos da
gramática, e inicial da sintaxe. Começa com as declinações e vai até a construção
comum dos verbos. Onde houver duas subdivisões, na subdivisão inferior se explicarão,
do primeiro livro, os nomes, verbos, as regras fundamentais, as quatorze regras da
construção, os gêneros dos nomes; na superior do primeiro livro a declinação dos nomes
sem os apêndices, e ainda os pretéritos e os supinos; do livro segundo, a introdução à
sintaxe sem os apêndices até aos verbos impessoais. Em grego, a subdivisão mais
atrasada aprenderá a ler e escrever, a mais adiantada os nomes simples, o verbo
substantivo e o verbo barítono. Nas preleções adotem-se, dentre as cartas de Cícero, só
as mais fáceis, escolhidas
2. Divisão do tempo. para este fim,
- O tempo e, se possível,
dividir-se-á impressas
do seguinte separadamente.
modo. Na primeira hora da
manhã recitação de cor, aos decuriões, de Cícero e da gramática, correção pelo
professor dos trabalhos escritos recolhidos pelos decuriões, enquanto os alunos se
ocupam em outros exercícios mencionados na regra 4. - Na segunda hora matutina,
repetição rápida da última preleção de Cícero, explicação, por meia hora, da nova que
será logo objeto de interrogação, finalmente ditado do tema.
Na última meia hora da manhã, explicação ou repetição, às duas subdivisões, de
algum ponto do primeiro livro da gramática que lhes couber, o que se poderá fazer em
dias alternados para cada subdivisão ou, todos os dias, para ambas: por fim, perguntas
sobre toda a matéria vista, ou pelo professor ou, uns aos outros, pelos alunos em forma
de desafio.
Nos dias em que, de tarde, não se explicar uma nova regra de construção (na maior
parte dos dias deverá inculcar uma só regra) esta preleção matutina deve tomar o lugar
da vespertina; a última meia hora da manhã, porém, seja sempre empregada toda em
desafio ou exercício de aula.
Na primeira hora da tarde recitação de cor da gramática, latina e grega, enquanto
o professor revê as notas dos decuriões e corrige, durante uma meia hora no máximo,
os trabalhos escritos passados pela manhã, ou os que sobraram dos trazidos de casa.
Por último, repetição da última lição de gramática.
Na segunda hora da tarde, explicação da sintaxe à subdivisão mais adiantada, e à
outra, dos elementos sobre os gêneros dos substantivos e depois das quatorze regras.
Para o grego reserve-se pouco mais de um quarto de hora.
Na última meia hora, desafio ou explicação de algum ditado sobre as regras da
gramática.
No sábado, na primeira hora da manhã, recitação de cor, pública, de todas as
preleções da semana. Segunda hora repetição; última meia hora, desafio (desafio
declamação).
Mesmo horário de tarde, a não ser que na primeira hora, à recitação de gramática
se acrescente também a de catecismo. Na última meia hora, explicação de catecismo ou
exortação espiritual, salvo quando tenha sido feita na sexta feira; neste caso, empregue-
se o tempo na estudo daquilo que cedeu o lugar ao catecismo.
3. Método de corrigir os trabalhos escritos. - Na correção dos trabalhos escritos,
aponte as falhas cometidas contra as regras de gramática, de ortografia e de pontuação;
observe se foram evitadas as dificuldades; explique tudo de acordo com as normas da
gramática e não deixa passar ocasião de repetir as conjunções e declinações.
4. Exercícios durante a correção dos trabalhos escritos. - Enquanto corrige os
trabalhos escritos, poderá o professor passar aos alunos os exercícios seguintes: verter
para o latim um ditado vernáculo de acordo com as regras da sintaxe, traduzir um
trecho de Cícero do latim para o vernáculo e em seguida retrovertê-lo para o latim; das
regras de gramática, sobretudo das explicadas recentemente, recolher dificuldades ou
expressões para propor aos êmulos, articular ou compor concordâncias, copiar grego, e
outros semelhantes (Ver nota p. 446 em Prachtler).
ensejo5.de
Exigir gramática.
declinar, - Na
conjugar repetiçãogramática
e interrogar da preleção colhaosàsmodos.
de todos vezes (muitas vezes) o
6. Preleção dos autores. - A preleção de Cícero, que por via de regra não excederá
quatro linhas, obedecerá ao método seguinte: Em primeiro lugar leia seguidamente todo
o trecho e indique, resumidamente, em vernáculo, o sentido. Em seguida traduza o
período no idioma pátrio, palavra por palavra. Em terceiro lugar, retomando o trecho de

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princípio, indique-lhe a estrutura, e, analisando o período, mostre as palavras e os casos
por elas regidos, estenda-se sobre a maior parte dos pontos relativos às regras de
gramática explicadas; faça uma ou outra observação, mas muito simples, sobre a língua
latina; explique as metáforas com exemplos muito acessíveis e não dite cousa alguma, a
não ser talvez o argumento. Em quarto lugar percorra de novo o trecho do autor em
vernáculo.
7. Assunto dos exercícios escritos. - O assunto de exercício escrito deverá ser
ditado, palavra por palavra, em vernáculo; ser claro, não exceder, geralmente, quatro
linhas e servir principalmente à aplicação das regras de gramática. Às vezes poderá
mandar-se aos aplicação
expressão para alunos que
dastranscrevam alguma ou
regras de sintaxe, versão curta lição
a própria de Cícero, ou alguma
dos elementos de
grego que deverão estudar a ou outros trabalhos semelhantes.
8. Preleção de gramática. - A lição de gramática, restrinja-se, no máximo, a uma
regra e antes de estar bem aprendida, não se passe à seguinte.
9. Desafio. - O desafio ou exercício de aula pode versar sobre as faltas que um
êmulo descobriu nos trabalhos escritos do outro, sobre questões relativas aos pontos em
que se exercitaram na primeira hora, sobre perguntas de locuções vernáculas para
aplicação regra de sintaxe (procure-se que o interrogado repita, imediatamente, com as
mesmas palavras, a expressão posta e depois de breve reflexão enuncie quanto possível,
não palavra por palavra, mas toda, de uma só vez, em latim), sobre as flexões de nomes
e verbos mais especialmente dos que ocorreram na preleção, conservando ou saltando a
ordem dos casos e tempos, declinando os nomes isolados ou articulando substantivos,
adjetivos pronomes, sobre a recitação das definições das noções elementares, ou
exemplos, sobre a versão rápida das formas verbais do latim para o vernáculo e vice-
versa, sobre transposição da voz ativa para a passiva, sobre a indicação dos pretéritos e
supinos, dos gêneros e casos dos nomes propostos e outros exercícios semelhantes a
critério do professor.

REGRAS DOS ESCOLÁSTICOS DA NOSSA COMPANHIA

1. Pureza dalma e intenção. - Esforcem-se, antes tudo, os nossos escolásticos por


conservar a pureza dalma e ter nos estudos intenção reta, não procurando neles senão a
glória de Deus e a salvação das almas. Nas suas orações peçam freqüentemente a graça
de adiantar na ciência e de se tornar capazes, como deles espera a Companhia, de
cultivar, com a doutrina e o exemplo, a vinha de Cristo Senhor Nosso.
2. Aliança das virtudes sólidas com o estudo. - Apliquem-se aos estudos com
seriedade e constância; e como se devem acautelar para que o fervor dos estudos não
arrefeça o amor das virtudes sólidas e da vida religiosa, assim também se devem
persuadir que, nos colégios, não poderão fazer cousa mais agradável a Deus do que,
com a intenção que se disse acima, aplicar-se diligentemente aos estudos; e ainda que
no cheguem nunca a exercitar o que aprenderam, tenham por certo que o trabalho de
estudar, empreendido, como é de razão, por obediência e caridade, é de grande
merecimento na presença da divina e soberana majestade.
3. Estudar de conformidade com a direção do Superior. - Siga cada um a faculdade
e ouça os professores que lhe assinar o superior; observem todos com empenho o
horário e método de estudos prescritos pelo Prefeito ou Professor e não utilizem outros
livros além dos que lhe forem dados pelo mesmo Prefeito.
4. Diligência. - Sejam assíduos em ouvir as aulas, diligentes em prepará-las e,
depois de ouvidas, em repeti-las; perguntem o que não entenderam; tomem nota das
cousas mais importantes para auxiliar as deficiências da memória.
5. Disputas públicas. -Compareçam às disputas ordinárias das aulas que
freqüentam e procurem, mas com modéstia, dar boa prova de seu saber.
6. Disputas
de cada dia, e os privadas. - Assistam
que disputam todos,
obedeçam também, às ao
religiosamente disputas e repetições privadas
que presida.
7. Modéstia. - No caminho para as escolas públicas vão e voltem juntos, com a
modéstia interna e externa que contribua para a edificação própria e dos de fora.
8. Conversa com os externos. - As conversas dos que tiverem licença de falar com
os estudantes externos, versem exclusivamente sobre assuntos literários ou relativos ao

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aproveitamento espiritual, conforme parecer a todos mais conveniente, para a maior
glória de Deus.
9. Uso do latim. - Todos, mas de modo especial os que se aplicam aos estudos de
humanidades, falem latim; aprendam de cor o que lhes for prescrito pelo professor e,
nas composições, trabalhem, com esmero, o estilo.
10. Tempo de estudo. - Ninguém se aplique por mais de duas horas ao trabalho de
ler e escrever sem interromper o estudo com algum breve intervalo.
11. Método do estudo privado. - Nas horas marcadas para o estudo privado os que
seguem as faculdades superiores releiam em casa os apontamentos da aula curando
entendê-los e, uma
resolvam; o que vez entendidos,
não conseguirem formulem
apontem a si mesmos
para perguntar as dificuldades, e as
ou disputar.

DIRETIVAS PARA OS QUE REPETEM PRIVADAMENTE A TEOLOGIA EM DOIS


ANOS.

1. Regras dos escolásticos. - Observem como os outros, as regras dos escolásticos,


exceto as que se referem à freqüência das aulas e às repetições respectivas; esforcem-
se especialmente, com todo empenho para que não arrefeça, com o fervor dos estudos,
o amor das virtudes sólidas.
2. Presença na conferência de casos e nas disputas. - Como os outros estudantes
de teologia estejam presentes à conferência de casos, aos outros atos e disputas
mensais.
3. Resumir os argumentos. - Às disputas mensais dos filósofos não só devem estar
presentes, mas poderão também resumir os argumentos. O mesmo se diga das disputas
semanais dos estudantes de teologia, quando os professores não estiverem presentes.
4. Questões omitidas ou percorridas resumidamente. - De conformidade com o
método de estudos e o horário prescrito pelo Prefeito, apliquem-se com diligência e rigor
às questões que ou não estudaram ou só percorreram por alto e, para este fim, utilizem-
se os melhores comentários.
5. Estudo das questões importantes. - Aplique-se em seguida às questões
importantes de toda a teologia, como, por exemplo, da primeira parte, acerca da visão
de Deus, da ciência divina, da predestinação, da SSma. Trindade, e assim, das outras
partes. E não só considerem com empenho o que escreveram os autores, mas também,
com o esforço pessoal da inteligência disponham os fundamentos e os princípios da
teologia dos quais dependem as séries das questões principais, observando em tudo com
a máxima fidelidade o que prescrevem as Constituições da Companhia sobre o dever de
seguir a doutrina de Santo Tomás.
6. Escrever algumas questões. - Escrevam de propósito algumas questões com os
seus fundamentos, as suas conclusões e soluções de dificuldades, à maneira escolástica,
como se as devessem apresentar como lições e cada mês ou de dois em dois meses, as
mostrem ao Prefeito de estudo para ser por ele dirigido.
7. Lições privadas. - Poderão também, às vezes, dar essas aulas ou, em particular
na presença dos nossos professores, ou nas repetições dos estudantes de teologia por
três quartos de hora, para que, no fim, possam os padres presentes opor objeções, ou
ainda, se parecer bem, no refeitório.
8. Lições públicas. - Poderão ainda apresentar questões semelhantes sobre algum
assunto importante, contanto que se possa concluir, no máximo, em dez lições,
dadas em aula e hora, nas quais os estudantes de teologia que o quiserem possam
assistir.
9. Atos. - Seja-lhes assinado tempo para quatro atos particulares e um geral: o
primeiro particular,
fim, e assim, em cadaseja mais ou os
semestre, menos no começo
demais, do primeiro
de maneira semestre,
que o ato o segundo
geral encerre no
o último
semestre.
10. Como poderão defender as opiniões próprias. - É-lhes permitido, nos atos,
afastar-se das opiniões dos seus mestres, e, se quiser, defender as próprias, contanto
que não contradigam à doutrina de Santo Tomás, em conformidade com o decreto da

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quinta Congregação. Neste caso, porém, deverão a tempo entender-se com o Prefeito e
com quem presidirá ao ato, não somente acerca das próprias teses, senão também dos
fundamentos e princípios com que a querem defender. E para que melhor possam dar
mostra do seu talento, deixe-os o Presidente responder livremente e não os interrompa
senão quando for de absoluta necessidade.
11. Erudição. - Saibam finalmente que, durante este biênio, se devem esforçar não
só para se instruir e habilitar na teologia, senão também para adquirir erudição das
ciências eclesiásticas que convém a um teólogo.
12. Conci1ios, controvérsias, cânones. - Para este fim determinem todos os dias
tempo certo, edestinado
Controvérsias do Direitoà canônico;
leitura cuidadosa
apontem,da Sagrada
com ordem, Escritura, dos digno
o que parecer Concílios, das
de nota;
não preparem, porém, de propósito, pregação alguma; destas notas, poderão às vezes,
apresentar alguma cousa, como lições, no refeitório ou em outro lugar que ao Superior
parecer conveniente.
13. Estudo do Direito Canônico. - No estudo dos cânones omitam a parte judiciária
e dediquem-se exclusivamente à eclesiástica (1832...).
14. Seguir a inclinação da natureza - Apliquem-se, especialmente, com o maior
empenho ao estudo para o qual se sentem mais inclinados depois de tratar
diligentemente o assunto com o Superior; não omitam, porém, nenhuma das disciplinas
prescritas.

REGRAS DO AJUDANTE DO PROFESSOR OU BEDEL.


1. Obediência ao Professor. - Seu dever é executar fielmente tudo o que lhe
prescrever o Professor e de modo especial quanto se refere aos exercícios escolares.
2. Sobre a aula. - Zele pelo asseio da aula e da cátedra; providencie para que nela
haja algum quadro piedoso; não faltem assentos; estejam limpos e em ordem; se
consertem os quebrados ou estragados; se reservem para os nossos e para os outros
religiosos lugares separados dos externos; as aulas se abram a tempo.
3. Avisar a tempo os estudantes. - Avise com antecedência, de acordo com o que for
determinado pelo Professor, os estudantes que a seu tempo deverão disputar, repetir,
defender teses ou desempenhar-se de outras obrigações.
4. Teses. - Avise com antecedência de sete dias os que deverão defender as teses
semanais. Procure que estas teses se escrevam a tempo; apresente-as primeiro à
correção do Professor, depois à revisão do Prefeito; corrigidas e revistas, avise o
defendente que traga copiados o número de exemplares necessários; destes afixe um,
bem escrito, em lugar público, na manhã da véspera da disputa, os outros distribua mais
tarde entre os argüentes.
5. Relógio. - Tenha sempre consigo um relógio tanto aulas como nas disputas, avise o
Prefeito e o Professor do tempo passado afim de que os argüentes não ultrapassem os
limites marcados. Segundo as ordens do Prefeito dê nas disputas o sinal do começo e do
fim.
6. Atos públicos. - Procure ornar a aula ou o salão para os atos públicos em
conformidade com os costumes da Academia e distribua os lugares aos que a estes atos
ou quaisquer disputas foram convidados para argumentar ou dar brilho à cerimônia.
7. O que deve referir ao Superior. - Se notar que algum dos nossos estudantes não
comparece às lições, repetições, disputas ou deixa de cumprir algum dos deveres
relativos ao estudo ou à disciplina, leve-o ao conhecimento do Superior.
REGRAS DOS ALUNOS EXTERNOS DA COMPANHIA.
1. Aliança da ciência à piedade. - Os que, com o fim de se instruir, freqüentam os
colégios da Companhia
todo o cuidado para que de Jesus,
sejam entendam
formados que, com
não menos a graça edenas
na piedade Deus, se virtudes
outras empregarádo
que nas artes liberais.
2. Aula que se deverá freqüentar. – Freqüentará cada um a aula, que, após exame,
lhe for assinada pelo Prefeito.

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3. Confissão e missa. – Confessem-se todos ao menos uma vez por mês; assistam
piedosamente à missa, todos os dias, na hora marcada e nos dias festivos à pregação.
4. Doutrina cristã. – Uma vez por semana compareçam todos à explicação do
catecismo (da doutrina cristã) a lhe aprendam o compêndio, conforme lhes
prescreveram os professores.
5. Proibição de armas. – Nenhum aluno entre no colégio com armas, espadins,
canivetes e outros instrumentos proibidos, segundo a diversidade de lugar e de tempo.
6. De que se devem abster. – Abstenham-se completamente de juramentos,
insultos, injúrias, detrações, mentiras, jogos proibidos, lugares perniciosos ou interditos
pelo Prefeito de aulas, numa palavra, de quanto possa ofender a honestidade dos
costumes.
7. Recurso ao corretor. – Entendam que, em tudo quanto se refere ao estudo e à
disciplina, se forem ineficientes as ordens e os avisos, recorrerão os Professores ao
corretor para puni-los. Os que recusarem aceitar recusar o castigo, ou não derem
esperança de emenda ou incomodaremos colegas e com o seu exemplo lhes forem
prejudiciais, saibam que serão despedidos dos nossos colégios.
8. Obediência. – Obedeçam todos aos seus professores e, tanto nas aulas como em
casa, observem com toda a diligência o método de estudo por eles prescrito.
9. Diligência. – Apliquem-se aos estudos com seriedade e constância; sejam
assíduos em freqüentar cedo as aulas, e diligentes em ouvir e repetir as lições e dar
conta dos outros exercícios. Se não houverem compreendido bem algum ponto ou sobre
ele tiverem dúvida, consultem o Professor.
10. Tranqüilidade e silêncio. - Nas aulas não vão de um para outro lado; mas fique
cada um no seu lugar, modesto e silencioso, atento a si e aos seus trabalhos. Sem
licença do Professor não saiam da aula. Não estraguem nem manchem os bancos, a
cátedra, as cadeiras, as paredes, portas e janelas ou outros lugares, com desenhos, ou
escrituras, com canivete ou de outra maneira.
11. Fugir das más companhias. - Fujam das companhias más ou simplesmente
suspeitas; tratem somente com aqueles cujo convívio e exemplo possam aproveitar no
estudo e na virtude.
12. Livros de que se devem abster. - Abstenham-se completamente da leitura de
livros perniciosos e inúteis.
13. Proibidos espetáculos e teatros. - Não vão a espetáculos públicos, comédias,
nem à execução de condenados; e sem licença dos Professores e do Prefeito de estudos,
não representem nenhum papel em teatros de fora.
14. Piedade. - Esforcem-se por conservar a sinceridade e pureza da alma e obedecer
com toda a fidelidade a lei divina. Recomendem-se com freqüência e com fervor a
Deus (ao Sagrado Coração de Jesus), à Santíssima Virgem e aos demais santos.
Implorem muitas vezes a ajuda dos Santos Anjos, especialmente do Anjo da Guarda.
Observem a modéstia sempre e em toda a parte, mas principalmente na igreja e na
aula.
15. Exemplo da vida. - Finalmente em todas as suas ações comportem-se de tal
modo que cada um veja logo que se aplicam eles não menos à prática da virtude e a
inteireza da vida do que às letras e à ciência.

REGRAS DA ACADEMIA.
1. Natureza da Academia. - Sob o nome de Academia entendemos uma união de
estudantes (distintos pelo talento e pela piedade), escolhidos entre todos os alunos, que,
sob a presidência de um membro da companhia, se congregam para entregar-se a
certos exercícios relacionados com os assuntos.
2. Os queMariana
Congregação se devem
pelo admitir.
simples -fato
À Academia pertencem
de serem nela todos
recebidos, os religiosos
e os membrosque,
da
porventura, freqüentem nossas aulas. Onde for costume e o Reitor aprovar, poderão ser
também admitidos os que não pertencerem à Congregação e mesmo que não sejam
nossos alunos.

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3. Qualidades dos membros da Academia. - Nas virtudes cristãs e na piedade, na
aplicação aos estudos e observância da disciplina escolar deverão os membros da
Academia avantajar-se a todos os outros estudantes e servir-lhes de modelo.
4. Diretor da Academia. - À frente de cada Academia ponha o Reitor do Colégio,
como Diretor, algum dos professores ou outro membro idôneo da Companhia.
5. Número de Academias. - Numa Academia poderão reunir-se os estudantes de
teologia e filosofia, em outra, os de Retórica e Humanidades, numa terceira todos os
gramáticos, se não forem muito numerosos nem muito desiguais no aproveitamento de
modo que os mesmos exercícios possam ser úteis a todos; no caso contrário, cada aula
poderá6. ter a sua Academia.
Freqüência e exercício. - O bom resultado da Academia depende principalmente
da freqüência e do empenho nos exercícios, da parte seus membros. Por isso, os que
faltarem muitas vezes ou recusarem desempenhar-se dos exercícios que lhes tocarem,
principalmente os que, por sua imodéstia, perturbarem e escandalizarem os outros,
deverão ser despedidos.
7. Oficiais. - Os oficiais que, em cada Academia, de três em três ou de quatro em
quatro meses deverão ser eleitos pela votação secreta, são, por via de regra, os
seguintes: o reitor da Academia, dois conselheiros e um secretário. A estes poderão
acrescentar-se outros dignitários e distribuir-lhes os respectivos ofícios, de acordo com o
número dos Acadêmicos e os costumes do lugar, a juízo do Reitor do Colégio.
8. Reitor. - Na Academia dos estudantes de teologia, o Reitor deverá ser, de regra,
um teólogo; se algumas vezes parecer conveniente eleger um filósofo, seja pelo menos
um metafísico (estudante do último ano). Na Academia dos
estudantes de retórica e de gramática, quando constar de várias classes, seja da
classe superior, ou alternadamente das classes inferiores, a juízo do Reitor do Colégio.
Como Reitor deverá eleger-se o que excele na virtude, no talento e no saber; seu ofício
é promover a Academia, marchar à frente dos demais na virtude e na aplicação e no
princípio ou no fim do seu reitorado desempenhar-se de algum dos atos mais
importantes da Academia, O Reitor da Academia dos teólogos, se for teólogo, poderá,
por vezes, na ausência do professor dirigir a disputa dos filósofos, assistir os
defendentes, resumir e urgir as dificuldades dos argüentes.
9. Conselheiros. - No lugar de honra os conselheiros vem imediatamente depois do
reitor, e o primeiro conselheiro o substituirá quando ausente; na ausência também do
primeiro conselheiro, o substituto será o segundo; desempenharão os misteres que lhes
assinar o Diretor da Academia por si ou por intermédio do reitor.
10. Secretário. - O Secretário conservará com cuidado todos os livros da Academia;
escreverá num livro os nomes dos acadêmicos na ordem em que foram recebidos, nele
apontará separadamente os nomes dos oficiais e a data da eleição e todos os atos da
Academia com os nomes dos Acadêmicos que desempenharam alguma função; na
Academia dos Retóricos transcreva também, escolhidas pelo Diretor, algumas das
orações, poemas e poesias, que foram afixadas. Avise também com tempo para que
se preparem os que souber foram designados pelo Diretor para certos exercícios
acadêmicos, a menos que, na Academia dos teólogos, este ofício se julgasse melhor
deixar ao bedel. No fim de cada sessão avise, publicamente, os exercícios da sessão
seguinte e os nomes dos que deles se hão de desempenhar. Com antecedência,
proponha em público as teses, e, na retórica, a solução de problemas e enigmas.
11. Consultas. - Três ou quatro vezes no ano, isto é, após a eleição do Reitor,
reúnam-se consultas de todos os acadêmicos ou, pelo menos, dos oficiais com o Diretor
afim de tratar do desenvolvimento da Academia e da remoção dos obstáculos que lhe
possam impedir o progresso.
12. Leitura das regras. - Nas consultas, ou antes, da eleição do Reitor leiam-se as
regras da Academia que deverão estar escritas num quadro ou no livro da Academia em
que depois se hão de registrar os nomes dos Acadêmicos.
REGRAS DO PREFEITO DA ACADEMIA.

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1. Estimular à piedade. - Procure estimular os acadêmicos não só aos estudos,
senão também à piedade; valendo-se, para este fim, do exemplo de virtudes e, em se
oferecendo a ocasião, de conversas particulares.
2. Observância das regras. - Procure que se observem com rigor as regras da
Academia, sobretudo nos exercícios quotidiano dos acadêmicos exija freqüência e
diligência.
3. Exercícios. - Providencie para que todos os acadêmicos, quanto for possível,
sejam exercitados, por turno, nas várias formas de atividade.
4. Nenhuma inovação sem licença. - Sem licença do Reitor, não suprima costumes
recebidos
informar; onem introduza
que for novos;
prescrito não
execute tome
com iniciativa de alguma importância sem o
fidelidade.
5. Horário da Academia. - Organize o horário da Academia, isto é, das repetições,
disputas e cousas semelhantes, de modo que não se perturbe o horário da Congregação,
afim de que os acadêmicos possam assistir a ambos os exercícios; por esta mesma
razão, sem motivo grave, durante a reunião da Congregação, ninguém deverá ser detido
em conversas particulares.

REGRAS DA ACADEMIA DOS TEÓLOGOS E FILÓSOFOS.


1. Espécies de exercícios. - Os exercícios desta Academia são, geralmente, de
quatro espécies: repetições diárias das preleções, disputas, preleções ou disputas
científicas, atos solenes de defesa pública de teses.
2. Repetições. - As repetições, que duram uma hora mais ou menos, fazem-se
todos os dias de aula, exceto os impedidos pelas disputas mensais. Escolha-se a hora
mais cômoda, contanto que, na Quaresma, ao menos duas vezes semana, se deixe livre
para assistir ao sermão.
3. Forma das repetições. - Cada classe repetirá separadamente, uma de teologia e
três de filosofia se tantos forem os professores; um ou dois acadêmicos repetirão a lição,
e um ou dois farão dificuldades. Às repetições de teologia presidirá ou o próprio Prefeito
da Academia, ou o seu substituto, ou, pelo menos, um teólogo do quinto ano dos mais
adiantados, designados pelo Reitor do Colégio. Às repetições de filosofia presidirá e por
via de regra, em cada classe, um dos teólogos da Companhia, nomeado igualmente pelo
Reitor.
4. Forma das disputas. - As disputas realizar-se-ão uma vez por semana, quando
forem poucos os membros da Academia, duas, quando numerosos, no dia feriado ou
também no domingo. No domingo, depois do jantar, durante uma hora, quase sempre,
um filósofo defenderá e dois argumentarão; no dia feriado, por duas horas, defenderão
dois ou três, um teólogo e os outros filósofos, outros tantos ou mais argumentarão.
5. Teses. - O teólogo, se for o único a defender, apresente sempre algumas teses
filosóficas, o metafísico algumas físicas e lógicas. Contra teólogos argumentarão sempre
teólogos; contra filósofos argumentará em primeiro lugar algum da classe
imediatamente superior, em seguida, um condiscípulo.
6. Presidência das disputas. – Nas disputas tanto de filósofos quanto de teólogos,
se estiver presente o professor do defendente, caber-lhe-á a presidência; do contrário,
presidirá o Prefeito da Academia ou o seu substituto.
7. Preleções. – De tempos a tempos poderá haver preleções; nelas, um membro da
academia trate, da cátedra, em forma erudita alguma questão desenvolvida com
trabalho pessoal ou um problema interessante com a exposição e confirmação das
razoes pro e contra; um ou dois proporão objeções. Estas preleções, antes de se
realizarem, deverão ser apresentadas ao Prefeito da Academia e por ele aprovadas.
8. Atos. – Dos atos mais solenes que se poderão realizar no Natal, na Páscoa, no
Pentecostes ou em outra
Reitor da Academia ocasião
ou outro desincumbir-se-á,
escolhido pelo Prefeito.salvo razão
Nestes atos,em contrário
sob o próprio
a presidência do
Professor, se abrangerá e defenderá, em algumas teses, uma parte da teologia ou da
filosofia.
9. Solenidade dos atos. – Deve procurar-se que estes atos se realizem com certa
solenidade; o defendente abra com um prólogo e remate com um epílogo, que deverão

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ser antes submetidos como tudo o que se lê em publico, à revisão e aprovação do
Prefeito geral dos estudos. Para dar mais brilho à disputa poderão convidar-se também
os alunos externos para argumentar e outras pessoas para assistir.
10. Introdução. – Um mês, mais ou menos, antes do começo das aulas, se parecer
ao Reitor, por uns quinze dias no mínimo haja, para os que vão começar a filosofia, um
curso de introdução ou sumário feito por um dos nossos, determinado pelo Reitor ou
talvez por um acadêmico escolhido pelo Prefeito.
11. Revisão de teses. -Todas as teses, tanto as dos atos solenes como as
semanais, antes de serem defendidas ou afixadas, deverão ser revistas pelo Prefeito da
Academia e pelo Professor do defendente.
REGRAS DO PREFEITO DA ACADEMIA DOS
TEÓLOGOS E FILÓSOFOS.
1. Forma dos exercícios. -Além das diretivas comuns, do Prefeito em geral,
mencionadas nas regras da Academia, procure que nas repetições diárias se observem a
mesma forma e maneira de repetir, argumentar e disputar que seguem os nossos
estudantes nas repetições domésticas; nos atos, porém, e na defesa de outras teses
atenha-se ao método comum.
2. Inspecionar as repetições. - Para este fim inspecione freqüentes vezes as
repetições, ora estas, ora aquelas, e verifique se se realizam com diligência e modéstia,
se os repetidores se desempenham com acerto do seu oficio, dirigindo-os, onde for
mister.
3. Os que deverão ser mais exercitados. - Será conveniente exercitar com mais
freqüência os que deverão defender logo o curso de filosofia ou teologia ou realizar
algum ato da Academia, e, para que se apresentem mais preparados, procure adverti-los
e dirigilos.
4. Do assistente. - Com licença do Reitor poderá dividir a sua responsabilidade e
trabalho com um assistente, confiando-lhe, se nada houver em contrário, as repetições
de teologia, com ele presidindo as disputas e alternadamente, sobretudo nos dias
feriados, e executando, por seu intermédio, conforme julgar necessário, tudo o mais que
se refere às teses diárias e aos atos extraordinários.
REGRAS DA ACADEMIA DOS RETÓRICOS HUMANISTAS.
1. Dias de reunião. - Reunir-se-ão os acadêmicos nos domingos, ou, se for mais
conveniente, nos dias feriados em local designado pelo Reitor do colégio.
2. Exercícios por parte do Prefeito. - Os exercícios desta Academia são, de
ordinário, os seguintes. Conforme lhe parecer oportuno, poderá o Prefeito dar uma lição
ou formular questões acerca de um assunto escolhido ou de um autor; às vezes explicar
alguns preceitos da oratória mais difíceis, de Aristóteles, Cícero ou outros mestres de
retórica; outras percorrer seguidamente um autor e depois interrogar os acadêmicos, ou
propor-lhes questões a resolver e outros semelhantes.
3. Por parte dos acadêmicos. - Muitas vezes, omitidos estes exercícios, os próprios
acadêmicos apresentem discursos, poesias, declamações, de cor ou de improviso;
instituam entre si, com aprovação do Prefeito, debate forma de acusação e defesa; dêem
uma lição contra qual pelo menos dois apresentem objeções; defendam e ataquem uma
tese, em forma oratória mais do que dialética; excogitem problemas e insígnias sobre
determinado assunto; componham inscrições ou descrições e resolvam enigmas;
exercitem-se na invenção pensando cada um nos argumentos para provar um assunto
proposto, de improviso ou com preparo de reflexão; adaptem, na expressão ao assunto
pensado as figuras de palavras e de sentença; escrevam temas de diálogos, poemas e
tragédias;
componhamimitem uma oração
algum trabalho inteira
coletivo, de algum
contribuindo orador
cada insigne
qual com ousentença
a sua uma poesia;
sobre
um assunto proposto; apresentem todos as sentenças ou livro que lhes tenha sido
distribuído. Numa palavra exercitar-se em tudo quanto pode formar para a eloqüência ou
dela resulta.

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4. Exercícios públicos. - E’ de grande vantagem que alguns dos melhores dentre
estes exercícios — preleções, declamações, defesas de teses — sejam feitos, sobretudo
pelo reitor da Academia com certa solenidade e assistência de ouvintes ilustres.
5. Prêmios particulares. - De quando em quando poderão dar-se prêmios
particulares aos que melhor escreverem algum trabalho, ou recitarem ou resolverem
enigmas e problemas retóricos.
6. Prêmios públicos. - Uma vez no ano poderão distribuir-se a todos os acadêmicos
juntos prêmios mais solenes, obtidos por contribuição ou de outro modo que ao Reitor
do Colégio parecer melhor.
7. Festa
ano (em todos de
os Nossa
anos), Senhora ou do
com grande SantodePatrono.
pompa orações,- poesias,
Uma vez,versos
pelo menos,
afixadosnoà
parede, variedade de emblemas e insígnias, celebre-se uma festa de Nossa Senhora (ou
do Patrono), determinada pelo Reitor do Colégio.
REGRAS DA ACADEMIA DOS GRAMÁTICOS.
1. Exercício de gramática. - Em geral, o Prefeito explique, como que antecipando
algum ponto escolhido da gramática que hão de ver na aula, ou leia trechos de algum
autor elegante e ameno, ou exija uma repetição ou exercício do que foi exposto na aula.
2. Repetição. - No começo da sessão deve haver sempre um preparado para
responder sobre o que foi dito na sessão anterior; contra ele três ou mais poderão
formular dificuldades ou propor locuções vernáculas para se traduzirem em latim; do
mesmo modo repetirão imediatamente a lição dada pelo Prefeito.
3. Disputem com freqüência e com vigor: os exercícios poderão versar sobre o
estilo, a memória, a variação de frases, a tradução e a gramática grega, e outros
assuntos semelhantes prescritos pelo Prefeito.
4. Às vezes venham preparados alguns ou mesmo todos preparados para contar de
cor um apoftegma curto ou um fato.
5. Outras vezes poderão recitar da cátedra as lições dadas na aula pelo Professor,
acrescentando-lhes uma pequena introdução ou ainda, se parecer, algumas
observações.
6. Haverá também proveito em que os acadêmicos, e de modo especial o Reitor,
dêem por vezes alguma aula com certa solenidade e convite de outras pessoas;
acrescente-se um desafio de dois ou três, e, se parecer conveniente, distribuam-se
prêmios particulares.
7. Poderá o Prefeito impor, com penalidade, um trabalho literário e mandar ler em
público os nomes dos que se portaram com menos acerto e diligência.
8. Em conclusão, proponham-se e variem-se os exercícios de modo que não só
sejam úteis, senão também agradáveis e dignos, afim de que os acadêmicos, com estas
horas aprazíveis, sejam mais atraídos ao estudo.
A.M.D.G
P. Leonel Franca, S. J.

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BIBLIOGRAFIA
I – FONTES PRIMÁRIAS.

AGUILERA, E., S.J., Provinciae Siculae Societatis Iesu Ortus et Res Gestae ab anno 1546
ad annum 1611 Auctore Emmanuele Aguilera, eiusdem Sacietatis Presbytero , Panormi,
1737.
ALVAREZ, Emmanuel, S.J., Emmanuelis Alvari e Societati Iesu De Institutione Grammatica
Libri tres juxta editionem Venetam anni 1575, Parisiis, excudebant Adrianus Le Clere et
Soc., 1859, 559 pp.
BENCIUS, Franciscus, Francisci Bencii e Societati Iesu, Orationes et Carmina, cum
Disputatione de Stylo et Scriptione de Stylo et Scriptione, Ingolstadii, excudebat David
Sartiorus, anno 1595.
BONIFACIO, Juan, Christiani Pueri Institutio Adolescentiaeque Perfugium Authre Ioanne
Bonifacio Soc. Iesu Sacerdote, Salmanticae, Excudebat Mathis Gastius, 1576. É esta a
editio princeps de um dos primeiros tratados de pedagogia, publicados pelos Jesuítas.
BRAUNSBERGER, Otto, S.J., Beati Petri Canisii Societatis Iesu Epistilae e Acta, Friburgi
Brisgoviae, Herder, 1896-1923, 8 vols.
CAMPION, Edmund, S.J., Edmundi Campiani Societatis Iesu, Martyris in Anglia, Opuscula
Omnia nunc primum e M.S. edita , Mediolani, apud Baptistam Bidellium, 1625.
CARAYON, Auguste, S.J., Documents inédits concernant la Compagnie de Jésus.
Commemcements de la Compagnie de Jesús en l’université de Paris. Document
A., Poitiers, Henri Oudin, 1863, 148 pp.
Cartas de San Ignacio, Fundador de la Compañía de Jesús, 6 vols., Madrid, 1874-
1889. Destas Cartas de S. Inacio deram uma edição nova e ampliada os Monumenta
Histórica Societatis Jesu– q.v.
Constitutiones Societatis Jesús Latinae et Hispanicae cum earum declarationnibus, Madrid,
1892. Ed., P. de la Torre, xiv + 420 pp.
CORCORAN, T., S.J., Renatae Litterare, saeculo a Chr. XVI in scholis Sacietatis Iesu
stabilitae, Dublín, University College. 1927, 371 pp. – Encerra vários documentos
extraídos do Mon. Histor. Soc, Jesu, e largos excertos das várias edições (1586, 1591,
1599) do Ratio.
CORCORAN, S.J., Renovatio
UniversityT.,College, Litterarum
1925, 237 in Scholis
pp. Coletânea a saec. A Chr.
de documentos XVI Deducta
e excertos , Dublin,
de humanidades
do Renascimento, importantes para a história da pedagogia.
CRUCIUS, Ludovicus, S.J., Tragicae Comicaeque Actiones in Regio Collegio Societatis
Iesu, Datae Conimbricae in Publicum Theatrum, auctore Ludovico Crucio, eiusdem
Societatis, Lugduni, 1605.
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DENIFLE-CHATELAIN, Chartularium Universitatis Parisiensis, 4 vols., Paris, 1889-1897.
Der Jesuiten Perpina, Boniacius, und Possevin ausgewählte Pädagogische
Schriften. Uebersetzt von J. Stier, H., Scheid, G., Fell, S.J., in Bibliothekder Katolischen
Pädagogik, Vol. XI, Freiburg i. Breisgau: Herder, 1901, x + 564 pp.
Der Jesuiten Sacchini, Juvencius und Kropf Erläuterunggschriften zur Studienordnung der
Gesellschaft Jesu. Eubersetzt von. J. Stier, R. Schwickerath, F. Zorell, S.J., in Bibliothek
der Katholischen Pädagogik, vol. X, Freiburg i., B.: Herder, 1898, xii + 470 pp .
FICHET, Alexander, S.J., Arcana Studiorum Omnium Methodus et Bibliotheca Scientiarum
Librorumque, earum ordine Tributorum, univesitalis. Auctore R.P., Alexandro Fichet
Societatis Iesu, Lugduni, 1649.

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FRUSIUS, Andréas, S.J., (Des Freux), De Utraque Copia Verborum et Rerum
Praecepta Antuérpia, ex officina Palntiniana, 1568.
Institutum Societatis Iesu, Florentiae, 1892, 3 vols. Contém os documentos pontifícios
relativos à Companhia de Jesus, as Constituições de S. Inácio, os decretos da
Congregações Gerais, e outros documentos oficiais da Ordem.
JOUVANCY, Joseph, S.J., Christianis Litterarum Magistris de Ratione Discendi et
Docendi,Lugduni, 1692, sem indicação do autor nem do edi tor. A edição “oficial”
é: Magistris Scholarum Inferiorum Societatis Iesu De Ratione Discendi et Docendi. Ex
decreto Congregat., Generalis XIV. Auctore Josepho Juventio Soc., Iesu, Florentiae, apud
Michaelem Nestenium, 1703. É talvez o mais conhecido dos documentos pedagógicos da
Ordem, depois do Ratio. Jouvancy foi um escritor extraordinariamente fecundo.
Sommervogel consagra-lhe 29 colunas (t. IV 830-859). O seu tratado pedagógico encontra-se
quase integral no Thesaurus Spiritualis Magistrorum q.v., uma tradução alemã completa foi
incluída na Bibliothek der katolischen Paedagogik, vol. X; a francesa, de Lefortier, foi
impressa em Paris, 1803. Do srcinal latino tiraram-se numerosas edições em Paris (1692,
1696, 1711, 1721, 1725, 1780, 1764, 1778, 1809, 1825), Florença (1703, 1708), Francfort
(1706), Lublin (1746), Varsóvia, s.d., Palermo (1755), Gand (1788).
JUVENTIUS, Joseph, S.J. Vd. JOUVANCY, Joseph, S.J.
KROPF, F.X., S.J., Ratio et Via recte atque ordine Procedenti in Literis Humanioribus aetati
tenerae tradentis, Munich, 1763. Gymnasial-Pädagogik in Bibliothek der Katholischen
Paedagogik, Vol. X.
Litterae Annue Societatis Iesu, 1581, 1586-1587, 1592, 1593, 1594-1595, 1597, 1600. São
relatórios oficiais enviados à Roma de todas as Províncias da Ordem, e impressos em
vários lugares.
MANAREUS, Oliverius, S.J., De Rebus Societatis Iesu Commentarius, Florentiae, 1886.
Manuel dês Jeunes Professeurs, Paris, 1842, 588 pp.
Manual compilado para os professores jesuítas. Encerra:
a) a) Observations relatives à la bonne tênue d´un pensionnat ;
b) b) P. Sacchini (q.v.) Paraenesis ad magistro acholarum inferiorum S.J. ;
c) c) P. Sacchini Protrepti ad magistros etc. ;
d) d) P. Gaudier, De recto agendi nostrorum cum convictoribus ;
e) e) P. Yudde, Instructions pour les jeunes professeurs ;
f) f) Instructio pro magistris Societatis ;
g) g) Ratio
Monumenta Studiorum
Historica pro scholis
Societatis Iesuinferioribus.
nunc primum edita a Patribus eiusdem
Societatis, Madrid, 1894. Inestimável coleção de documentos srcinais relativos à
história dos primeiros tempos da Companhia de Jesus. Publicada pelos jesuitas
espanhois. Os volumes mais utilizados para o nosso estudo foram os seguintes :
1. 1. Epistolae Patrum Paschasii Broet, Claudii Jaii, Ioannis Codurii et
Simonis Rodericii, Madrid, 1903.
2. 2. Sanctus Franciscus Borgia Quartus Gandiae Duz et Soc. Iesu
Praepositus Generalis Tertius, 5 vols., Madrid, 1894-1911.
3. 3. Chronicon Societatis Iesu auctore Ioanne Alphonso de Polanco, 6 vol.,
Madrid, 1894-1898.
4. 4. Epistolae Mixtae ex variis Europae locis ab anno 1573 ad annum 1556
scriptae, 5 vols., Madrid, 1898-1901.
5. 5. Beati Petri Fabri Primi Sacerdotis e Societate Iesu Epistolae,
Memoriale et Processus, Madrid, 1914.
6. 6. Sancti Ignatii de Loyola Epistolae et Instructiones, 12 vols., Madrid,
1903-1911.
7. 7. Scripta de Sancto Ignatio de Loyola, 2 vols., Madrid, 1904, 1918.

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8. 8. Lainii Monumenta. Epistolae et Acta Patris Iacob Lainii secundi
Praepositi Generalis Societatis Iesu, 8 vols., Madrid, 1912-17.
9. 9. Litterae Quadrimestres ex universis praeter Indiam et Brasiliam locis in
quibus aliqui de Societate Iesu versabantur Roman missae, 7 vols., Madrid,
1984-1932.
10. 10. Epistolae P. Hieronymi Nadal, 4 vols., Madrid, 1898-1905.
11. 11. Monumenta Paedagogica Societatis Iesu quae primam Rationem
Studiorum anno 1586 editam praecessere, Madrid, 1901.
12. 12. Polanci Complementa, epistolae et commentarii, 2 vols., Madrid, 1916-
17.
13. 13. Patris Petri de Ribadeneira Soc. Iesu Sacerdotis Confessiones, Epistolae
aliaque scripta inedita, 2 vols., Madrid, 1920-1923.
14. 14. Monumenta Xaveriana ex autographis vel ex antiquioribus exemplis
Collecta, vol. I, Madrid, 1899.
MURETUS, M. Antonius, M. Antonii Mureti Operum in usum scholarum selectorum tomi
III, 3 vols., Patavii, apud Josephum Cominum, 1741.
MURETUS, M. Antonii Mureto Variae Lectiones, ed Ruhnken, Lugduni, 1798.
NADAL, Hieronymus, S.J., Scholia in Constitutiones S.P. Ignatii auctore P. Hieronymo
Nadali e Societate Iesu, Prati in Etruria, 1883.
NEGRONE, Julius, S.J., Iulii Nigroni Genuensis Societatis Iesu Orationes Quinque et
Virginti nunc primum editae, Mediolani, apud Haeredes Pacifici Pontii et Jo. Bapt.,
Piccaleum, 1608, 824 pp.
ORLANDINUS, Nicolas, S .J., Historia Societatis Iesu, auctore Nicolao Orlandino,
Societais eiusdem Sacerdote, Coloniae Agrippinae, 1615. É a primeira parte da antiga
História Geral da Ordem continuada por Sacchini e Cordara ; abrange o período que vai
de sua fundação à morte de S. Inácio (1556).
PACHTLER, G.M., S.J., Ratio Studiorum et Institutiones Acholasticae Societatis Jesu per
Germaniam olim vigentes, 4 vols., Berlim, Hofmann, 1887-1894. Constituem os 4 vols.
II, V, IX e XVI dos Monumenta Germaniae Paedagogica, editados pelo Dr Karl
Keherbach e encerram as várias edições do Ratio Studiorum, as ordenações escolares
expedidas pelos Superiores maiores e outros documentos.
PERPINIANUS, Petrus, S.J., Petri Ioannis Perpiniani Valentini e Societate Iesu Orationes
duodeviginti, Romae, apud Zennettum et Ruffinellum, 1587, 601 pp.
PERPINIANUS, Petrus,deS.J.,
praeter caetera, Petrirhetoricae
artis Ioannis Perpiniani Societatis Iesu
locis communibus, Aliquot
ac de Epistolae,
inventute ubi
Graecis
Latinisque literis erudienda agitur, Parisiis, 1683, 192 pp.
PERPINIANUS, Petrus, S.J., Petri Ioannis Perpiniani Valentini e Societate Iesu Opera, 3
vols., Romae, 1749.
PETAVIUS, Dionysius, S.J., Dionysii Petavii Aurelianensis e Societate Iesu
Orationes. Editio ultima auctior et castigatior, Lutetiae Parisiorum, apud Sebast.
Cramoisy, 1653.
PETAVIUS, Dionysius, S.J., Dionysii Petavii Aurelianensis e Societate Iesu Epistolarum
libri três, Parisiis, apud Sebast. Cramoisy, 1652.
PONTANUS, Jacobus, S.J., Progymnasmatum Latinitatis sive Dialogorum Libri
Iv, Ingolstadii, 1658.
PONTANUS, Jacobus, S.J., Iacobi Pontani de Societate Iseu Poeticarum Institutionum Libri
III, Ingolstadii, 1658.
POSSEVINUS, Antonius, S.J., Antonii Possevinii Mantuani Societatis Iesu Bibliotheca
Selecta de Ratione Studiorum, Coloniae Agrippinae, apud Ioannem Gymnicum, 1607.
PUTEANUS, Erycius, Eryci Puteani palaestra Bonae Mentis, Lovanii, e Bibliopolio
Flaviano, 1611.

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Ratio Atque Institutio Studiorum per Sex Patres ad id iussu R.P. Praepositi Generalis
deputados conscripta, Romae, in Collegio Societatis Iesu. Anno Domini MDXXXVI,
330 pp. É a primeira edição do Ratio, da qual restam raríssimos exemplares. Foi
republicado por Pachtler em Monumenta Germaniae Paedagogica, q.v.
Ratio Atque Institutio Studiorum, Romae, in Collegio Societatis Iesu. Anno Domini MDXCI.
Cum facultate Superiorum, 332 + 58 pp. – Excertos em Corcoran, Renatae litterae, q.v.
Ratio Atque Institutio Studiorum Societatis Iesu. Superiorum permissu, Neapoli, in Collegio
eiusdem Societatis. Ex typographia Tarquinii Longi, MDXCVIII, 208 pp., no fim,
Neapoli, apud Tarquinium Longum, 1599. – É a edição definitiva do Ratio, reproduzida
muitas vezes no correr dos tempos. Texto integral em Pachtler, q.v.
Ratio Atque Institutio Studiorum Societatis Iesu, Parisiis, apud Firmin Didot Fratres,
MDCCCL, 156 pp. Edição francesa do Ratio DE 1832; reeditada por Pachtler, q.v.
RIBADENEIRA, Pedro, S.J., Petri Ribadeneira e Societati Iesu de Ratione Instituti
Societatis Iesu ex Hispano in Latinium conversa a P. Laurentio Carli ex aedem
Societate, Romae, 1864.
ROLLIN, Charles, Traité des Etudes. Nouvelle edition, Paris, Firmin-Didot, 1875.
SACCHINI, Francisco, S.J., Paraenesis ad Magistros Scholarum Inferiorum Societatis Iesu,
Lovanii, 1674.
SACCHINI, Francisco, S.J., Protrepticon ad Magistros Scholarum Inferiorum Societatis
Iesu, Lovanii, 1674. Estes dois tratados pedagógicos encontram-se, no texto latim,
no Manuel des jeunes professeurs, q.q. Traduzidos em alemão, foram incluídos
na Bibliothek der katholischen Paedagogik, Vol. X.
SACCHINI, Francisco, S.J., Historiae Societatis Iesu, Pars secunda, Antuerpiae, 1620.
SACCHINI, Francisco, S.J., Historiae Societatis Iesu, Pars tertia, Romae, 164…
SCHMIDT, J., S.J., Historiae Societatis Iesu Privinciae Bohemiae Pars Prima ab anno Cristi
MDLV ad annum MDXCII. Auctore Ioanne Schmidt, Societatis eiusdem Sacerdote,
Pragae, Typis Universitatis Carollo Ferdinandeae in Collegio S.I. ad S. Clementem,
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SOAREZ, Cyprianus, S.J., De Arte Rhetoricha Libri três ex Aristotele, Cicerone et
Quinctiliano deprompti auctore Cypriano Soarez Societatis Iesu, Antuerpiae, ex
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TOSELLINI, Horace, S.J., Horatii Tursellini Romani e Societate Iesu Historiarum ab srcine
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Gulielmum Vende Water, MDCCX.
VASCO, Enrico, S.J., II Ratio Studiorum adattato ai tempi presenti ossia esposizione
ragionatta di alcune modificazioni che salva la sostanza del Ratio Studiorum
potrebbero introdursi nell’ insegnamento letterario dei nostri collegi d´Italia affine di
renderlo più afficace nell’ ottenere lo scopo delle nostre constituzioni proposta all’
esame e al giudizio dei superiori e dei padri della Compagnia di Gesù dal P. Enrico
Vasco della medesima Compagnia, Roma: Presso la Civiltà Cattolica, 1851, 4 vols.
WOODSTOCK LETTERS - A Record Of Current Events na Historical Notes connected with
the College and Missions of the Society of Jesus , Woodstock, 1872.

II – FONTES SECUNDÁRIAS.

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ADAMSON, John William, Pioneers of Modern Education, 1600-1700. Cambridge,
Cambridge University Press, 1905, 285 pp.
AICARDO, José Manuel, S.J., Comentario a las Constituciones de la Compañía de Jesús ,
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ALVARI, E., S.J., De Institutione Grammatica Libri tres. Olyssipone, Excudebat Joannes
Barrerius, MDLXXII. Desta célebre gramática, adotada pelo Ratio, imprimiram-se
inumeráveis edições. Sommervogel emprega 25 colunas em enumerá-las (I, 223-248).
O srcinal latino foi traduzido em, pelo menos, 13 línguas vivas, entre as quais o chinês
e o japonês.
ASTRAIN, A., S.J., Historia de la Compañía de Jesús en la Asistencia de España, 7 vols.,
Madrid, 1902-1920. História oficial da Ordem na Assistência da Espanha.
AZEVEDO, Luiz Gonzaga de, O Jesuíta, Fases de uma lenda, Bruxelas, 2 vols, 1913.
BABBITT, Irving, Rousseau and Romanticism, Boston, Houghton Mifflin, 1919.
BADTS DU CUGNAC, Albert de, Les Jésuites et l’ Éducation, Lille, 1879.
BAINVEL, Père, S.J., Causeries Pédagogiques, Paris, 1898, vii+360 pp.
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c. c. Tertia Pars sive Borgia Auctore eod. Romae Typis Manelfi, 1649. Fol. – De
1556-72.
d. d. Quarta Pars sive Ecerardus Auctore eod. Romae typis Dominici Manelphii
[sic], Fol. – De 1573-80.
e. e. Quinta Pars sive Claudius. Tomus Prior Auctore eod. Res. extra Europam
gestas et alia quaedam supplevit Petrus Possinus ex ead. Soc. Romae ex typogr.
Varesii, 1661. Fol. – De 1581-90.
f. f. Quinta Pars. Tomus posterior ab a. 1591-1616. Auctore Jos. Juvencio Soc. ej.
Sac. Romae, 1710. Fol.
g. g. Sexta Pars. a. complectens res gestas sub Mutio Vitellesco. Tomus prior ab a.
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1750. Fol.
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Sacerdote. Sup. Permissu. Augustae Vindel., sumptibus Georgii Schlütler et Martini
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Pars III. Historiae Prov. S.J. Germ. a P. Ignatio Agricola S.J. p.m. olim coeptae, nunc
continuatae Pars Tertia ab Anno 1601 ad 1610. Authore Adamo Flotto S.J. Sacerdote. Sup.
Perm. Aug. Vind. Sumptibus Haeredum Martini Happach et consortis. Anno 1734, Fol.
Pars IV. Ab anno 1611 ad annum 1630. Autore Fr. Xav. Kropf, Soc. ejusdem
Sacerdote. Sup.Aul.
Jacobi Votter, Perm. Sumptibus
Ac Stat. Joannis
Provinc. Gastl, biblipolae
Bav. Typographi. AnnoPedepontani.
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[1]
Estas palavras foram suprimidas no novo Ratio Estudiorum

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