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Bruno Pilastre

GUIA
PRÁTICO
DE
LÍNGUA
PORTUGUESA

O conteúdo deste e-book é licenciado para Tatiana Braz - 017.274.391/55, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,
a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
06/2015 – GG EDUCACIONAL EIRELI

DIAS, Bruno Pilastre de Souza Silva.


Guia Prático de Língua Portuguesa
Bruno Pilastre de Souza Silva Dias
Brasília : GG Educacional Eireli, 2015.

46 p.

ISBN: 978-85-69303-04-6
1. Brasil: Guia Prático de Língua Portuguesa.
CDD 469

PRESIDÊNCIA: Gabriel Granjeiro


DIRETORIA EXECUTIVA: Rodrigo Teles Calado
CONSELHO EDITORIAL: João Dino e Bruno Pilastre
DIRETORIA COMERCIAL: Ana Camila Oliveira
SUPERVISÃO DE PRODUÇÃO: Marilene Otaviano
DIAGRAMAÇÃO: João William de A.Vasconcelos
REVISÃO: Luciana Silva
CAPA: Pedro Wgilson Granjeiro

GG EDUCACIONAL EIRELI
SIA, Trecho 3, Lote 990, 3º Andar, Edifício Itaú – Brasília-DF
Cep: 71.200-032
Tel: (61) 3209-9500

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TODOS OS DIREITOS RESERVADOS – De acordo com a Lei n. 9.610, de 19.02.1998,


nenhuma parte deste livro pode ser fotocopiada, gravada, reproduzida ou armazenada
em um sistema de recuperação de informações ou transmitida sob qualquer forma ou por
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tos autorais e do editor.

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Guia Prático de língua Portuguesa

Dedico esta obra a Deus Pai todo-poderoso,


criador do céu e da Terra; a Jesus Cristo, seu único
Filho, Nosso Senhor; à minha família, nomeadamente
à minha esposa, cujos incentivos e conselhos foram
fundamentais para a conclusão do livro; e aos meus
alunos, centro de interesse maior deste Guia.
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Guia Prático de língua Portuguesa

SUMÁRIO

GUIA PRÁTICO DE GRAMÁTICA

Colocação pronominal........................................................................................................ 9
Próclise.............................................................................................................................. 9
Mesóclise........................................................................................................................ 9
Ênclise...........................................................................................................................10
Como abreviar......................................................................................................................10
Distinção entre a, à, há e á..............................................................................................11
Distinção entre acerca de e cerca de............................................................................12
Distinção entre ao encontro de e de encontro a.......................................................12
Distinção entre aonde e onde........................................................................................13
Distinção entre eminente e iminente..........................................................................13
Distinção entre mas e mais............................................................................................13
Distinção entre porque, porquê, por que e por quê..........................................................14
Distinção entre se não e senão.......................................................................................15
O verbo haver e o verbo fazer.......................................................................................16
O verbo haver e o verbo ter...........................................................................................16
Prosódia (boa pronúncia).................................................................................................17
Relação de regências de alguns verbos..............................................................................17
Significado dos principais sinais de pontuação.......................................................18
Uso da conjunção conquanto.......................................................................................20
Uso da expressão em anexo...........................................................................................20
Uso da letra maiúscula inicial.........................................................................................20
Uso da letra minúscula inicial..........................................................................................21
Uso de para eu - para mim.............................................................................................22
Uso do pronome relativo cujo......................................................................................22
Uso do sinal indicativo de crase...................................................................................23
Usos da palavra que.........................................................................................................24
Usos da palavra se.............................................................................................................24
Valores semânticos de alguns
articuladores lógicos.........................................................................................................25
Palavras homônimas..........................................................................................................26
Homófonas heterográficas.....................................................................................26
Homógrafas heterofônicas.....................................................................................26
Homógrafas homófonas.........................................................................................27
Parônimos............................................................................................................................27
Formas variantes..................................................................................................................27
Significação das palavras.................................................................................................27

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Hiperonímia................................................................................................................27
Hiponímia....................................................................................................................27
Sinonímia....................................................................................................................27
Antonímia....................................................................................................................28
Polissemia....................................................................................................................28

GUIA SIMPLIFICADO DO NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO DA


LÍNGUA PORTUGUESA (1990)

Alfabeto..................................................................................................................................30
Sequências consonânticas..............................................................................................30
Acentuação gráfica - Oxítonas......................................................................................30
Acentuação gráfica - Paroxítonas.................................................................................31
Oxítonas e Paroxítonas....................................................................................................33
Acentuação gráfica - Proparoxítonas..........................................................................34
Trema.......................................................................................................................................34
Hífen........................................................................................................................................34
Hífen síntese das regras do uso do hífen no
caso de prefixos e falsos prefixos..................................................................................35

GUIA PRÁTICO DE REDAÇÃO

Distinção entre Prosa e Poema.....................................................................................38


O Parágrafo...........................................................................................................................38
O parágrafo como unidade de composição.......................................................38
Como desenvolver o parágrafo..............................................................................38
Qualidades do parágrafo em geral.......................................................................38
Unidade, coerência e ênfase...................................................................................39

GUIA PRÁTICO DE COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE


TEXTOS

Compreensão (ou Intelecção de Texto) e


Interpretação de Texto......................................................................................................41
Guia prático para a análise de textos...........................................................................41
Tipologia textual.................................................................................................................42
Narração......................................................................................................................42
Descrição.....................................................................................................................42
Dissertação.................................................................................................................42
Argumentação...........................................................................................................43
Catáfora e Anáfora..............................................................................................................43

Referências bibliográficas................................................................................................44
Sugestões de sítios...........................................................................................................45

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APRESENTAÇÃO

Este Guia Prático de Língua Portuguesa tem por objetivo sanar dúvidas recor-
rentes em Língua Portuguesa, sejam elas gramaticais, textuais ou redacionais. É
um material consultivo, cujo manuseio pode ser feito em qualquer lugar e a todo
momento. O formato da obra já reflete essa filosofia: é portátil – cabe em uma
bolsa/bolso. Você poderá consultá-lo no trabalho, em seus estudos, em sua práti-
ca de escrita, em suas leituras...
O Guia divide-se em quatro capítulos:
(I) Guia Prático de Gramática;
(II) Guia Simplificado do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
(1990);
(III) Guia Prático de Redação; e
(IV) Guia Prático de Compreensão e Interpretação de Textos.
No índice, os tópicos estão organizados de modo a facilitar a consulta.
Procuramos apresentar o conteúdo de forma ilustrativa e objetiva. Assim, a
consulta torna-se ágil, prática e simples.
Esperamos que esse Guia seja uma ferramenta útil a todos que fizerem uso
dele.

Um abraço,

Professor Bruno Pilastre

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COLOCAÇÃO PRONOMINAL

(I) Próclise

Na próclise, o pronome pessoal oblíquo átono ocorre antes do verbo.


Usa-se a próclise quando há (principais casos):

(i) Palavras de sentido negativo (jamais, não etc.)


→→Jamais te enganei.
→→Não me esqueças.

(ii) Pronomes indefinidos


→→Alguém te ligou ontem.

(iii) Pronomes relativos


→→O guarda que me chamou atenção foi aquele.

(iv) Pronomes demonstrativos


→→Aquilo me incomoda.

(v) O numeral ambos


→→Ambos o recusaram.

(vi) Conjunções subordinativas


→→Era tarde quando me avisaram.

(vii) Advérbios (não seguidos de vírgula)


→→Aqui me sinto bem.

(viii) Gerúndio precedido da preposição em
→→Em se tratando de política...

(ix) Frases interrogativas iniciadas por um vocábulo interrogativo


→→Quem te falou isso?

(II) Mesóclise

A mesóclise é a colocação do pronome oblíquo átono entre o radical e a


desinência das formas verbais do futuro do presente e do futuro do pretérito.

Veja, como exemplo, duas ocorrências de mesóclise:


→→Amar-te-ei para sempre.

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→→Procurar-te-ei por toda a minha vida.


O uso da mesóclise está, também, condicionado a duas condições:
(i) quando a próclise não for obrigatória (mesóclise proibida); e
(ii) não houver sujeito expresso, anteposto ao verbo (mesóclise facultativa).

Como exemplo:
→→Não se aplaudirão vandalismos.
[mesóclise proibida]

→→A corrida te animará.


ou
→→A corrida animar-te-á.
[mesóclise facultativa]

(III) Ênclise

A ênclise é a colocação do pronome pessoal átono depois do verbo.


Ocorre nos seguintes contextos:

(i) No imperativo afirmativo


→→Levanta-te agora!

(ii) No infinitivo impessoal


→→Aguardar-te é sempre cansativo!

(iii) No gerúndio
→→Conhecendo-nos, desfez a cara de desgosto.

(vi) Em orações que vêm após uma vírgula


→→Por ser diretor da escola, ofereceu-
nos
→→duas vagas para nossos filhos.

(v) Em início de frase


→→Mostrei-lhe todos os meus bolsos.

COMO ABREVIAR

(i) Comumente, as abreviaturas são encerradas por consoante seguida de


ponto final:
→→Dr. (Doutor)
→→Prof. (Professor)

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(ii) Mas os símbolos científicos e as medidas são abreviados sem ponto; no


plural, não há s final:
→→m (metro ou metros)
→→h (8h = oito horas. Quando houver minutos: 8h30min ou 8h30)
→→P (Fósforo – símbolo químico)

(iii) São mantidos os acentos gráficos, quando existirem:


→→pág. (página)
→→séc. (século)

(iv) É aconselhável não abreviar nomes geográficos:


→→Santa Catarina (e não S. Catarina)
→→São Paulo (e não S. Paulo)
→→Porto Alegre (e não P. Alegre)

DISTINÇÃO ENTRE A, À, HÁ E Á

(I) a. A palavra a pode ser:

(i) artigo feminino singular:


→→Eu comprei a roupa ontem. A menina mais bonita da rua.

(ii) pronome:
→→Mara é muito próxima da família, mas não a vejo há meses.

(iii) preposição:
→→Andar a cavalo é sempre prazeroso.

(II) à. A palavra à (com o acento grave) é utilizada quando ocorre a contração


da preposição a com o artigo feminino a:

→→João assistiu à cena estarrecido.

[assistir a (preposição) + a cena (artigo feminino)].

(III) há. A palavra há é uma forma do verbo haver:


→→Há três meses não chove no interior do Pará.
[Há = faz]

→→Não há mais violência no centro da cidade


[Há = existe]

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→→Na BR040 há muitos acidentes fatais.


[Há = acontecem]

(IV) á. A palavra á é um substantivo e designa a letra a:


→→Está provado por á mais bê que o vereador estava errado.

DISTINÇÃO ENTRE ACERCA DE E CERCA DE

(I) A locução acerca de equivale a a respeito de, sobre. Por exemplo:


→→Nós, linguistas, pouco conhecemos acerca da origem da linguagem.

[= sobre a origem da linguagem – a respeito da origem da linguagem]

(II) A locução cerca de tem valor de aproximadamente, quase:


→→Cerca de duas horas depois da missa o pároco faleceu.

[= aproximadamente duas horas depois – quase duas horas depois].

DISTINÇÃO ENTRE AO ENCONTRO DE E DE ENCONTRO A

(I) A locução ao encontro de possui o significado equivalente às expressões


em direção a, a favor de. Veja os exemplos:
→→Os vândalos saíram ao encontro dos policiais, que fechavam a avenida.

[= em direção a]

→→Com a decisão da Presidenta Dilma, o governo vai ao encontro das


reivindicações da população.

[= a favor de]

(II) A locução de encontro a é antônima à locução ao encontro de. De encontro


a significa choque, oposição, sendo equivalente à forma contra. Observe a frase
a seguir:
→→O caminhão perdeu os freios e foi de encontro ao carro do deputado.

[= contra]

→→A decisão do governo foi de encontro aos desejos do Movimento Passe


Livre.

[= contrariou]

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DISTINÇÃO ENTRE AONDE E ONDE

(I) A forma aonde é a contração da preposição a com do advérbio onde.


Emprega-se com verbos que denotam movimento e regem a preposição a (verbos
ir, chegar, levar):
→→Aonde os manifestantes querem chegar? [verbo chegar].
→→Os investigadores descobriram aonde as crianças eram levadas. [verbo
levar].

(II) O advérbio onde é utilizado com verbos que não denotam movimento e
não regem a preposição a:
→→Onde mora o presidente da Colômbia? [verbo morar].
→→Os investigadores descobriram onde o dinheiro era lavado [verbo lavar].

DISTINÇÃO ENTRE EMINENTE E IMINENTE

Os adjetivos eminente e iminente são parônimos (são quase homônimos,


diferenciando-se ligeiramente na grafia e na pronúncia).
(I) O adjetivo eminente tem os seguintes significados:

(i) muito acima do que o que está em volta; proeminente, alto, elevado:
→→A torre eminente é a mais fotografada.

(ii) que se destaca por sua qualidade ou importância; excelente, superior:


→→O mestre eminente era seguido por todos.

(II) O adjetivo iminente, por sua vez, tem o seguinte significado:

(i) que ameaça se concretizar, que está a ponto de acontecer; próximo,


imediato:
→→O desabamento iminente é o que mais preocupa as autoridades.
→→O edital iminente deixa os candidatos ansiosos.

DISTINÇÃO ENTRE MAS E MAIS

Na escrita, é muito comum haver a troca da forma mas pela forma mais. Os
estudantes produzem frases como:
→→O país é rico, mais a gestão pública é ineficiente.

Na oralidade, o fenômeno é comum em formas semelhantes à palavra mas:


faz/fa(i)z; paz/pa(i)z; nós/nó(i)s.

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É preciso, porém, distinguir as duas formas, pois na frase O país é rico, mais
a gestão pública é ineficiente há inadequação, uma vez que se deve utilizar a
forma mas: O país é rico, mas a gestão pública é ineficiente.
A distinção entre as duas formas é a seguinte:
(I) A palavra mas é conjunção que exprime principalmente oposição, ressalva,
restrição:
→→O carro não é meu, mas de um amigo.

(II) A palavra mais é advérbio e traduz a ideia de aumento, superioridade,


intensidade:
→→Ele sempre pensa em ganhar mais dinheiro.
→→Ele queria ser mais alto que os outros.

DISTINÇÃO ENTRE PORQUE, PORQUÊ, POR QUE E POR QUÊ

Estes são os usos das formas porque, porquê, por que e por quê:

(I) porque: a forma porque pode ser uma conjunção (causal ou explicativa)
ou uma pergunta que propõe uma causa possível, limitando a resposta a sim ou
não:

→→Ela reclama porque é carente.


[conjunção causal]

→→Ela devia estar com fome, porque estava branca.


[conjunção explicativa – equivale a pois]

→→O preso fugiu porque dopou o guarda?


[pergunta que propõe uma causa possível, limitando a resposta a sim ou não]

(II) porquê: a forma porquê é substantivo e equivale (é sinônimo) a causa,


motivo, razão. É acentuada por ser uma palavra tônica:

→→Não sabemos o porquê da demissão de José.

[equivale a: Não sabemos o motivo/a causa/a razão da demissão de José]

(III) por que: a forma por que (com duas palavras) é utilizada quando:
(i) significa pelo qual (e flexões pela qual, pelas quais, pelos quais). Nesse
significado, a palavra que é pronome relativo.
→→Não revelou o motivo por que não compareceu à aula.

[Não revelou o motivo pelo qual não compareceu à aula]


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(ii) equivale a por qual, por quais. Nessas formas, a forma que é pronome
indefinido.
→→Ela sempre quis saber por que motivo raspei o cabelo.

(iii) a forma por que é advérbio interrogativo. Nessa estrutura, é possível


subentender uma das palavras motivo, causa, razão.
→→Por que [motivo] faltou à aula?

(iv) a forma por que faz parte de um título.


→→Por que o ser humano chora.

(IV) por quê: a forma por quê (com duas palavras e acentuada) é usada após
pausa acentuada ou em final de frase.
→→Estavam no meio daquela bagunça sem saber por quê.

DISTINÇÃO ENTRE SE NÃO E SENÃO

(I) A forma se não (separado) é usada quando o se pode ser substituído por
caso ou na hipótese de que:
→→Se não perdoar, não será perdoado.

[se não = caso não. É conjunção condicional]

→→Se não chover, viajarei amanhã.

[se não = na hipótese de que não]

Também há o uso da forma se não como conjunção condicional, equivalendo


a quando não:
→→A grande maioria, se não a totalidade dos acidentes de trabalho, ocorre
com operários sem equipamentos de segurança.

[se não = quando não]

(II) A palavra senão (uma única palavra) possui as seguintes realizações:

(i) É conjunção e significa:


(a) de outro modo; do contrário:
→→Coma, senão ficará de castigo.

(b) mas, mas sim, porém:
→→Não obteve aplausos, senão vaias.

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(ii) É preposição quando equivale a com exceção de, salvo, exceto:


→→Todos, senão você, riram-se do tombo.

(iii) É substantivo masculino e significa pequena imperfeição; falha, defeito,


mácula:
→→Não há qualquer senão em sua prova.

O VERBO HAVER E O VERBO FAZER

O verbo haver (com sentido de existir) e o verbo fazer (indicando tempo)


são impessoais (ressaltando: são impessoais no sentido de existir (para haver)
e indicando tempo (para fazer)). Desse modo, não devem concordar com as
expressões que os acompanham. Observe os exemplos:
→→Houve vários debates sobre o assunto.

[Existiram vários debates sobre o assunto]

→→Havia candidatos despreparados.

[Existiram candidatos despreparados]

→→Nesta região havia índios.

[Nesta região existiram índios]

Já na frase

→→Os índios haviam fugido

o verbo haver é pessoal, isto é, tem sujeito (índios).


O verbo fazer é utilizado sem sujeito, na 3ª pessoa do singular, quando
expressa tempo decorrido.
→→Faz dois dias que chegamos.
→→Fazia três meses que não chovia.

O VERBO HAVER E O VERBO TER

O uso de ter em vez de haver não é condenado na linguagem popular, na


comunicação informal. Assim, é comum ouvirmos frases como:
→→Hoje não tem feira.
→→Tinha sujeira em toda parte.
→→Tinha uma pedra no caminho.

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Na linguagem culta formal, é preferível:


→→Hoje não há feira.
→→Havia sujeira em toda parte.
→→Havia uma pedra no caminho.

PROSÓDIA (BOA PRONÚNCIA)

A prosódia é a parte da gramática tradicional que se dedica às características


da emissão dos sons da fala, como o acento e a entoação.
Observe algumas orientações em relação à posição da sílaba tônica:

São oxítonas (última sílaba tônica):


→→cateter
→→faz-se mister (= necessário)
→→Nobel
→→ruim
→→ureter

São paroxítonas (penúltima sílaba tônica):


→→âmbar
→→caracteres
→→recorde
→→filantropo
→→gratuito (ui ditongo)
→→misantropo

São palavras que admitem dupla prosódia:


→→acróbata ou acrobata
→→Oceânia ou Oceania
→→ortoépia ou ortoepia
→→projétil ou projetil
→→réptil ou reptil

RELAÇÃO DE REGÊNCIAS DE ALGUNS VERBOS

(i) Chegar a
→→Finalmente chegamos à casa do Manoel.

(ii) Ir a
→→Vou à casa da minha mãe todo sábado.

(iii) Obedecer a
→→Os filhos devem sempre obedecer aos pais.

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(iv) Morar em
→→Moro na Rua das Flores.

(v) Pisar
→→Eu pisei a grama.
→→Pisei o pé de Maria.

(vi) Visar (= ter por fim ou objetivo – rege objeto direto ou indireto
(com preposição a)).
→→Estas providências visam solucionar o problema.
→→Os pais visam ao bem dos filhos.

(vii) Assistir a (= presenciar)


–– Assisti a um ótimo filme ontem.

SIGNIFICADO DOS PRINCIPAIS SINAIS DE PONTUAÇÃO

(i) Ponto parágrafo (§)

O ponto parágrafo indica a divisão de um texto escrito. Essa divisão é


verificada pela mudança de linha, cuja função é mostrar que as frases aí contidas
mantêm maior relação entre si do que com o restante do texto.

(ii) Ponto final (.)

O ponto final é o sinal de pontuação com que se encerra uma frase ou um


período.

(iii) Ponto de interrogação (?)

O ponto de interrogação é utilizado no fim da oração, a qual é enunciada


com entonação interrogativa ou de incerteza.

(iv) Ponto de exclamação (!)

O ponto de exclamação é utilizado no fim da oração enunciada com entonação


exclamativa. Também se usa o ponto de exclamação depois de interjeição.

(v) Reticências (...)

As reticências denotam interrupção ou incompletude do pensamento ou


hesitação em enunciá-lo.

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(vi) Vírgula (,)

A vírgula indica pausa ligeira e é usada para separar frases encadeadas entre
si ou elementos dentro de uma frase.

(vii) Dois-pontos (:)

O sinal de pontuação dois-pontos correspondente, na escrita, a uma pausa


breve da linguagem oral e a uma entoação geralmente descendente. A sua função
é preceder uma fala direta, uma citação, uma enumeração, um esclarecimento ou
uma síntese do que foi dito antes.

(viii) Ponto e vírgula (;)

O sinal de pontuação ponto e vírgula assinala pausa mais forte que a


da vírgula e menos acentuada que a do ponto. Emprega-se, por exemplo, em
enumerações, para distinguir frases ou sintagmas de mesma função sintática, na
separação entre orações coordenadas não unidas por conjunção coordenativa e
para indicar suspensão maior que a da vírgula no interior de uma oração.

(ix) Travessão (–)

É importante não confundir o travessão com o traço de união ou hífen. O


travessão é um sinal constituído de traço horizontal maior que o hífen. O travessão
pode substituir vírgulas, parênteses, colchetes e serve, entre outras coisas, para
indicar mudança de interlocutores num diálogo, separar título e subtítulo em uma
mesma linha e assinalar expressão intercalada.

(x) Parênteses ((parênteses))

Os parênteses indicam um isolamento sintático e semântico mais completo


dentro do enunciado.

(xi) Colchetes ([colchetes])

Os colchetes são utilizados para isolar, quando necessário, palavras ou


sequência de palavras elucidativas dentro de uma sequência de unidades entre
parênteses. Também é conhecido como parênteses retos.

(xii) Aspas (“aspas”)

É o sinal gráfico, geralmente alceado (colocado no alto), que delimita uma


citação, título etc. Também é usado para realçar certas palavras ou expressões.
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(xiii) Chave ({chave})

A chave é usada em obras de caráter científico. Indica, usualmente, a reunião


de itens relacionados entre si formando um grupo.

USO DA CONJUNÇÃO CONQUANTO

A conjunção conquanto introduz uma oração subordinada que contém a


afirmação de um fato contrário ao da afirmação contida na oração principal, mas
que não é suficiente para anular este último. Equivale às formas embora, se bem
que, não obstante. Exemplos:

→→Não concorreu ao prêmio, conquanto pudesse fazê-lo.

→→Conquanto a bibliografia camoniana encha uma biblioteca, pouco


sabemos ao certo acerca da bibliografia do imortal poeta.

Apesar de não ser uma conjunção usual, essa forma é muito cobrada em
concursos públicos. Também vale a pena utilizá-la em sua produção textual.

USO DA EXPRESSÃO EM ANEXO



Segundo Domingos Paschoal Cegalla, o uso da expressão em anexo, utilizada
comumente em e-mails, é condenado pela norma gramatical.
A palavra anexo, nos contextos abaixo, é adjetivo. Por isso, deve concordar
em gênero e número com o substantivo a que se refere:
→→Vão anexos os comprovantes de pagamento.
→→Repasso-lhes anexas as cópias dos recibos.

É importante não se usar a forma adjetiva em substituição ao particípio do


verbo anexar:
→→O documento foi anexo ao processo. (evitar)
→→O documento foi anexado ao processo. (utilizar)

USO DA LETRA MAIÚSCULA INICIAL

(i) nos antropônimos, reais ou fictícios:


→→Pedro Marques
→→Branca de Neve

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(ii) nos topônimos, reais ou fictícios:


→→Lisboa
→→Atlântida

(iii) nos nomes de seres antropomorfi-zados ou mitológicos:


→→Adamastor
→→Netuno

(iv) nos nomes que designam instituições:


→→Instituto de Pensões e Aposentadorias da Previdência Social.

(v) nos nomes de festas e festividades:


→→Natal
→→Páscoa
→→Ramadão

(vi) nos títulos de periódicos, que retêm o itálico:


→→O Estado de São Paulo

(vii) Em siglas, símbolos ou abreviaturas internacionais ou nacionalmente


reguladas com maiúsculas, iniciais ou mediais ou finais ou o todo em maiúscula:
→→FAO
→→ONU
→→Sr.
→→V. Exª.

USO DA LETRA MINÚSCULA INICIAL

(i) ordinariamente, em todos os vocábulos da língua nos usos correntes;

(ii) nos nomes dos dias, meses, estações do ano:


→→segunda-feira
→→outubro
→→primavera

(iii) nos bibliônimos (após o primeiro elemento, que é com maiúscula, os


demais vocábulos podem ser escritos com minúscula, salvo nos nomes próprios
nele contidos, tudo em grifo):
→→O senhor do Paço de Ninães ou O senhor do paço de Ninães.
→→Menino de Engenho ou Menino de engenho.

(iv) nos usos de fulano, sicrano, beltrano.

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(v) nos pontos cardeais (mas não nas suas abreviaturas):


→→norte, sul (mas SW = sudoeste).

(vi) nos axiônimos (nome ou locução com que se presta reverência a


determinada pessoa do discurso) e hagiônimos (designação comum às palavras
ligadas a religião) (opcionalmente, nesse caso, também com maiúscula):
→→senhor doutor Joaquim da Silva.
→→bacharel Mário Abrantes.
→→o cardeal Bembo.
→→santa Filomena (ou Santa Filomena).

(vii) nos nomes que designam domínios do saber, cursos e disciplinas


(opcionalmente, também com maiúscula):
→→português (ou Português).

USO DE PARA EU - PARA MIM

É comum ouvirmos frases como a seguinte:


→→Meu pai comprou a cartolina para mim fazer o cartaz.

Essa frase, porém, é considerada inadequada pela norma culta, uma vez que
a forma mim (forma oblíqua tônica do pronome pessoal reto da 1ª pessoa do
singular eu) é sempre regida de preposição.
Desse modo, em frases como Meu pai comprou a cartolina para mim fazer
o cartaz, deve-se utilizar a forma pronominal eu: Meu pai comprou a cartolina
para eu fazer o cartaz. Nessa frase, o pronome eu é sujeito do infinitivo que o
acompanha.

A forma mim deve ser usada como complemento:


→→Ele entregou a bola para mim.

Nessa frase, mim é complemento da preposição para (e não é sujeito de


alguma forma infinitiva).

USO DO PRONOME RELATIVO CUJO

O pronome relativo cujo relaciona dois substantivos, um antecedente e


outro consequente, sendo este último possuidor de algo (qualidade, condição,
sentimento, ser etc.) designado pelo primeiro. Pode equivaler às formas de que,
de quem, do/da qual, dos/das quais. Vejamos os exemplos a seguir:
→→Era uma atriz cuja beleza admiravam.

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Nessa frase, os dois substantivos (atriz e beleza) estão relacionados pelo


pronome relativo cujo. O substantivo atriz é possuidor de algo (qualidade)
designado pelo substantivo beleza.

O mesmo raciocínio se aplica às frases seguintes:


→→Os alimentos a cujos benefícios todos os esportistas recorrem.
→→A terra cujas riquezas haviam extraído.

Observe que na frase Os alimentos a cujos benefícios todos os esportistas


recorrem o pronome cujo é precedido de preposição pelo fato de o verbo recorrer
exigir tal forma (recorrer a).
É importante observar que não há artigo entre o pronome relativo cujo e seu
consequente. Deve-se evitar, portanto, a forma abaixo:
→→Era uma atriz cuja a beleza todos admiravam.

USO DO SINAL INDICATIVO DE CRASE

Crase designa, em termos de gramática normativa, a contração da preposição


a com o artigo a(s), ou com os pronomes demonstrativos a(s), aquele(s), aquela(s),
aquilo. Observe as frases abaixo:
→→Ele foi à padaria.

[Ele foi a (preposição) + a (artigo) padaria]

→→Ninguém chegou àquele nível de compreensão.

[Ninguém chegou a (preposição) + aquele (pronome demonstrativo) nível (...)]

É muito importante observar que o acento grave ( ` ) indica o fato linguístico


crase.

Por regra, a crase somente ocorre antes de palavras femininas determinadas


pelo artigo a(s) e subordinadas a termos que requerem a preposição a. Portanto,
dois fatores são determinantes. Vejamos:

(i) Deve haver um termo que requer a preposição a.


→→Ele assistiu à cena.

[verbo assistir rege a preposição a (assistir a)]

→→Todos os manifestantes estão fazendo uso do direito à liberdade de


expressão.

[o nome direito exige a preposição a]

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(ii) A crase ocorrerá antes de palavras femininas determinadas. Há, aqui,


duas exigências:
→→Ele assistiu à cena

Nessa frase, percebemos que cena é palavra feminina (exigência 1) e é


determinada (ou seja: dentre um grande universo de cenas, alguém assistiu a
uma cena específica, determinada) (exigência 2).
→→Todos os manifestantes estão fazendo uso do direito à liberdade de
expressão.

Nessa frase, liberdade é palavra feminina e está determinada (ou seja: dentre
todas as formas de liberdade, fala-se da liberdade de expressão).

USOS DA PALAVRA QUE

(i) A conjunção que: tem a função de enlaçar as orações de um período


composto:
→→A população saiu às ruas depois que o escândalo foi noticiado.

(ii) O expletivo que: diz-se que são expletivas as palavras ou expressões que,
embora não necessárias ao sentido da frase, dão realce, transmitem ênfase. O
que é utilizado em frases como as seguintes:
→→Desde muito que Rui de Nelas meditava em casar a filha.
→→Deus que nos proteja e retempere as nossas forças.
→→Imprevidente que fui, isto sim.

(iii) O pronome relativo que: o pronome relativo que é precedido de preposição


quando esta é exigida pelo verbo da oração iniciada por esse pronome:
→→Era magnífica a mata a que chegamos.
→→A criança escolheu a fruta de que mais gostava.

USOS DA PALAVRA SE

(i) O pronome apassivador se: o pronome se é usado na construção passiva


formada com verbo transitivo. Nessa construção, o verbo concorda normalmente
com o sujeito. Observe os exemplos:
→→Alugou-se a casa.
→→Alugaram-se as casas.

(ii) O índice de indeterminação do sujeito se: o pronome se pode tornar o agente


da ação verbal indefinido. Na construção em que há o índice de indeterminação se,
o verbo concorda obrigatoriamente na 3ª pessoa do singular. Veja os exemplos:
→→Trata-se de fenômenos desconhecidos
→→Precisa-se de marceneiros.
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VALORES SEMÂNTICOS DE ALGUNS


ARTICULADORES LÓGICOS (SAVIOLI & FIORIN –1990)
(I) Assim, desse modo, dessa maneira
Têm um valor exemplificativo e complementar. A sequência introduzida por
eles serve normalmente para explicitar, confirmar ou ilustrar o que se disse antes.

(II) E
Anuncia o desenvolvimento do discurso e não a repetição do que foi dito antes;
indica uma progressão semântica que adiciona, acrescenta algum dado novo.

(III) Ainda
Serve, entre outras coisas, para introduzir mais um argumento a favor de
determinada conclusão, ou para incluir um elemento a mais dentro de um conjunto
qualquer.

(IV) Aliás, além do mais, além de tudo, além disso


Introduzem um argumento decisivo, apresentado como acréscimo, como se
fosse desnecessário, justamente para dar o golpe final no argumento contrário.

(V) Isto é, quer dizer, ou seja, em outras palavras


Introduzem esclarecimentos, retificações ou desenvolvimentos do que foi dito
anterior-mente.

(VI) Mas, porém, contudo, todavia, no entanto


Marcam oposição entre dois enunciados ou dois segmentos do texto. Não se
podem ligar, com esses relatores, segmentos que não se opõem.

(VII) Embora, ainda que, mesmo que


São relatores que estabelecem ao mesmo tempo uma relação de contradição
e de concessão. Servem para admitir um dado contrário para depois negar seu
valor de argumento. Trata-se de um expediente de argumentação muito vigoroso:
sem negar as possíveis objeções, afirma-se um ponto de vista contrário.

(VIII) Ou, ou então, quer [...] quer, seja [...] seja, caso contrário
Indicam uma relação de disjunção argumentativa, isto é, introduzem
argumentos que levam a conclusões opostas, que têm orientação argumentativa
diferente.

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(IX) Portanto, logo, por conseguinte, pois

Marcam uma relação de conclusão, isto é, introduzem uma conclusão em


relação a dois (ou mais) enunciados anteriores (geralmente, um deles permanece
implícito porque ele é considerado verdade universalmente aceita, voz geral).

(X) Porque, já que, que, pois

Introduzem uma explicação ou justificativa ao que foi dito no enunciado


anterior.

(XI) Ou melhor, de fato, pelo contrário, ao contrário, isto é, quer


dizer, ou seja, em outras palavras

Marcam uma relação de retificação, de correção, isto é, introduzem uma


correção, um esclarecimento, um desenvolvimento ou uma redefinição do conteúdo
do primeiro enunciado, atenuam ou reforçam o seu conteúdo de verdade.

PALAVRAS HOMÔNIMAS

São palavras que têm a mesma pronúncia e, às vezes, a mesma grafia, mas
significação diferente. Podem ser: (i) homófonas heterográficas; (ii) homógrafas
heterofônicas; e (iii) homógrafas homófonas (homônimas perfeitas).

hom(o) = semelhante, igual;

heter(o) = outro, diferente;

fon(o) = som, voz;

gráfic(a) = escrita, grafia.

Observe as definições e os exemplos:

(i) Homófonas heterográficas: mesmo som (pronúncia), mas com grafia


diferente:
→→concerto (sessão musical) – conserto (reparo)
→→cerrar (fechar) – serrar (cortar)

(ii) Homógrafas heterofônicas: mesma grafia, mas som (pronúncia) diferente:


→→colher (substantivo) – colher (verbo)
→→começo (substantivo) – começo (verbo)

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(iii) Homógrafas homófonas: são iguais na escrita e no som (pronúncia)


(homônimas perfeitas):
→→livre (adjetivo) – livre (verbo livrar)
→→são (adjetivo) – são (verbo ser) – são (santo)

PARÔNIMOS
Parônimos são cada um dos dois ou mais vocábulos que são quase
homônimos, diferenciando-se ligeiramente na grafia e na pronúncia. Também
caracterizam palavras cujos fonemas podem se confundir com os de outras, por
razões etimológicas ou simplesmente tônicas:
→→deferir – diferir
→→descrição – discrição
→→emigrar – imigrar
→→cumprimento – comprimento
→→ratificar – retificar

FORMAS VARIANTES
Forma variante é a forma linguística que é admitida na língua como alternativa
de outra, com mesmo valor e função. Veja os exemplos:
→→catorze – quatorze
→→cociente – quociente

SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS


(i) Hiperonímia
Entre vocábulos de uma língua, a hiperonímia é a relação que se estabelece
com base na menor especificidade do significado de um deles.
Em suma, é qualquer palavra que transmite a ideia de um todo. Ela funciona
como uma matriz, à qual estão vinculadas as filiais.
Quando afirmamos que laranja, maçã e mamão são frutas, observamos um
caso de hiperonímia, em que fruta é uma forma que designa todas as formas de
fruta: laranja, maçã, mamão etc.

(ii) Hiponímia
Designa a palavra que indica cada parte ou cada item de um todo:
–– Maçã e melão são hipônimos de fruta.

(iii) Sinonímia
É a relação que se estabelece entre duas palavras ou mais que apresentam
significados iguais ou semelhantes:
→→O sinônimo do verbo conciliar é acomodar, aliar.

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(iv) Antonímia

É a relação que se estabelece entre duas palavras ou mais que apresentam


significados diferentes, contrários:
–– O antônimo de ganhar é perder.
(v) Polissemia

É a propriedade que uma mesma palavra tem de apresentar vários significados,


diversos sentidos:
–– Prato = (i) vasilha, (ii) comida, (iii) iguaria, (iv) receptáculo de balança,
(v) instrumento musical.
–– Pé de moleque = (i) doce, (ii) tipo de calçamento.

ANOTAÇÕES

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GUIA SIMPLIFICADO
DO NOVO ACORDO
ORTOGRÁFICO
DA LÍNGUA
PORTUGUESA (1990)

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O ACORDO DE 1990

Alfabeto

O alfabeto é formado por vinte e seis (26) letras:

a, b, c, d, e, f, g, h, i, j, k, l, m, n, o, p, q, r, s, t, u, v, w, x, y, z

→→Sequências consonânticas O acordo de 1990 afirma que, nos países


de língua portuguesa oficial, a ortografia de palavras com consoantes
“mudas” passa a respeitar as diferentes pronúncias cultas da língua,
ocasionando um aumento da quantidade de palavras com dupla grafia.
Pode-se grafar:
→→fato e facto (em que há dupla grafia e dupla pronúncia)
→→aspecto e aspeto (dupla pronúncia e dupla grafia)

ACENTUAÇÃO GRÁFICA

Oxítonas

Primeiramente, observa-se que as regras de acentuação dos monossílabos


tônicos são as mesmas das oxítonas.
São assinaladas com acento agudo as palavras oxítonas que terminam nas
vogais tônicas abertas a, e, o, e com acento circunflexo as que acabam nas vogais
tônicas fechadas e, o, seguidas ou não de s:
→→fubá
→→cafés
→→bobó
→→mercês
→→babalaô

As palavras oxítonas cuja vogal tônica, nas pronúncias cultas da língua,


possui variantes (ê, é, ó, ô) admitem dupla grafia:
→→matinê ou matiné
→→cocô ou cocó

São assinaladas com acento gráfico as formas verbais que se tornam oxítonas
terminadas em a, e, o, em virtude da conjugação com os pronomes lo(s):
→→dá-la
→→amá-la-ás
→→sabê-lo
→→dispô-lo
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É assinalado com acento agudo o e das terminações em, ens das palavras
oxítonas com mais de uma sílaba (exceto as formas da 3ª pessoa do plural do
presente do indicativo dos verbos ter, vir e seus derivados, que são marcadas com
acento circunflexo):
→→também
→→parabéns
→→(eles) contêm
→→(elas) vêm

ACENTUAÇÃO GRÁFICA -
PAROXÍTONAS

São assinalados com acento agudo os ditongos tônicos éi, éu, ói, sendo os
dois últimos (éu, ói) seguidos ou não de s:
→→fiéis
→→réus
→→heróis

Não se usa acento gráfico para distinguir oxítonas homógrafas:


→→colher (verbo)
→→colher (substantivo)

A exceção é a distinção entre pôr (verbo) e por (preposição)

São assinaladas com acento gráfico as paroxítonas terminadas em:


a) l, n, r, x, ps (e seus plurais, alguns dos quais passam a proparoxítonas):
→→lavável
→→plânctons
→→açúcar
→→ônix
→→bíceps

As exceções são as formas terminadas em ens (hifens e


liquens), as quais não são acentuadas graficamente.

b) ã(s), ão(s), ei(s), i(s) um, uns, us:


→→órfã(s) → álbum
→→sótão(s) → vírus
→→jóquei(s) → bílis
→→fórum

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O acento será agudo se na sílaba tônica houver as vogais abertas a, e, o, ou


ainda i, u e será circunflexo se houver as vogais fechadas a, e, o.

Observa-se que as paroxítonas cuja vogal tônica, nas pronúncias cultas da


língua, possui variantes (ê, é, ô, ó) admitem dupla grafia:
→→fêmur ou fémur
→→ônix ou ónix
→→pônei ou pónei
→→Vênus ou Vénus

Não são assinalados com acento gráfico os ditongos ei e oi de palavras


paroxítonas:
→→estreia → paranoico
→→ideia → jiboia

Não são assinaladas com acento gráfico as formas verbais creem, deem,
leem, veem e seus derivados: descreem, desdeem, releem, reveem etc.

Não é assinalado com acento gráfico o penúltimo o do hiato oo(s):


→→voo
→→enjoos

Não são assinaladas com acento gráfico as palavras homógrafas:


→→para (verbo) para (preposição)
→→pela(s) (substantivo) pela (verbo) pela (per + la(s))
→→pelo(s) (substantivo) pelo (verbo) pelo (per + lo(s))
→→polo(s) substantivo polo (por + lo(s))
A exceção é a distinção entre as formas pôde (3ª pessoa do singular do pretérito
perfeito do indicativo) e pode (3ª pessoa do singular do presente do indicativo).

Observação 1: assinalam-se com acento circunflexo, facultativamente, as


formas:
→→demos (1ª pessoa do plural do presente do subjuntivo)
→→demos (1ª pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo)
→→fôrma (substantivo)
→→forma (substantivo; verbo)

Observação 2: assinalam-se com acento agudo, facultativamente, as formas


verbais do tipo:
→→amámos (pretérito perfeito do indicativo)
→→amamos (presente do indicativo)
→→louvámos (pretérito perfeito do indicativo)
→→louvamos (presente do indicativo)
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OXÍTONAS E PAROXÍTONAS

São assinaladas com acento agudo as vogais tônicas i e u das palavras


oxítonas e paroxítonas que constituem o 2º elemento de um hiato e não são
seguidas de l, m, n, nh, r, z:
→→país
→→ruins
→→saúde
→→rainha

Observações:

1) Incluem-se nessa regra as formas oxítonas dos verbos em air e uir em


virtude de sua conjugação com os pronomes lo(s) la(s):
→→atraí-las
→→possuí-lo-ás

2) Não são assinaladas com acento agudo as palavras oxítonas cujas vogais
tônicas i e u são precedidas de ditongo crescente:
→→baiuca
→→boiuna
→→feiura

3) São assinaladas com acento agudo as palavras oxítonas cujas vogais


tônicas i e u são precedidas de ditongo crescente:
→→Piauí
→→tuiuiús

4) Não são assinalados com acento agudo os ditongos tônicos iu, ui precedidos
de vogal:
→→distraiu
→→pauis

Não se assinala com acento agudo o u tônico de formas rizotônicas de arguir


e redarguir:
→→arguis
→→argui
→→redarguam

Observações:

1) Verbos como aguar, apaziguar, apropinquar, delinquir possuem dois


paradigmas:

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a) com o u tônico em formas rizotônicas sem acento gráfico:


→→averiguo
→→ague

b) com o a ou o i dos radicais tônicos acentuados graficamente:


→→averíguo
→→águe

2) Verbos terminados em -ingir e -inguir cujo u não é pronunciado possuem


grafias regulares.
→→atingir distinguir
→→atinjo distinguimos

ACENTUAÇÃO GRÁFICA - PROPAROXÍTONAS

Todas as palavras proparoxítonas são acentuadas com acento gráfico:


→→rápido
→→cênico
→→místico
→→meândrico
→→cômodo

Trema

O trema (¨) é totalmente eliminado das palavras portuguesas ou


aportuguesadas:
→→delinquir
→→cinquenta
→→tranquilo
→→linguiça

O trema é usado em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros


com trema:
→→mülleriano, de Müller

HÍFEN

O hífen é usado em compostos, locuções e encadeamentos vocabulares.

O Acordo de 1990 observa que são escritas aglutinadamente palavras em que


o falante contemporâneo perdeu a noção de composição:
→→paraquedas
→→mandachuva
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Emprega-se o hífen nos seguintes topônimos:


–– iniciados por grão e grã: Grão-Pará
–– iniciados por verbo: Passa-Quatro
–– cujos elementos estejam ligados por artigo: Baía de todos-os-Santos

Os demais topônimos compostos são escritos separados e sem hífen: Cabo


Verde. As exceções são: Guiné-Bissau e Timor-Leste.

Emprega-se o hífen em palavras compostas que designam espécies botânicas


e zoológicas:
→→couve-flor
→→bem-te-vi

Emprega-se o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se


combinam, formando encadeamentos vocabulares:
→→ponte Rio-Niterói

Hífen – síntese das regras do uso do hífen no caso de prefixos e falsos prefixos
Primeiro elemento Segundo elemento
aero di ili/ilio mono psico
agro eletro infra morfo retro
(‘terra’) entre intra multi semi
alfa extra iso nefro sobre
ante foto lacto neo supra
anti gama lipo neuro lete a) iniciado por vogal igual à vogal final do 1º elemento
arqui geo macro paleo tetra b) iniciado por h
auto giga maxi peri tri
beta hetero mega pluri ultra
bi hidro meso poli
bio hipo micro proto
contra homo mini pseudo
ab ob sob sub iniciado por b, h, r
iniciado por h (a ABL sugere eliminar essa letra, passan-
co (‘com’)
do-se a grafar, assim, coerdar, coerdeiro, coipônimo etc.).
ciber inter super nuper hiper iniciado por h, r
ad iniciado por d, h, r
a) iniciado por vogal
pan
b) iniciado por h, m, n [diante de b e p passa a pam]
a) iniciado por vogal b) iniciado por h, m, n [aceita for-
circum
mas aglutinadas como circu e circum]
além sem
aquém sota
ex (“cessamento ou soto qualquer (sempre)
“estado anterior”)
vice
recém
pós pré pró sempre que conservem autonomia vocabular

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ANOTAÇÕES

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GUIA PRÁTICO DE
REDAÇÃO

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DISTINÇÃO ENTRE PROSA E POEMA

(I) Por prosa entende-se a expressão natural da linguagem escrita ou falada,


sem metrificação intencional e não sujeita a ritmos regulares. No texto escrito,
observamos o texto em prosa quando há organização em linha corrida, ocupando
toda a extensão da página. Há, também, organização em parágrafos, os quais
apresentam certa unidade de sentido.
(II) Já o poema é uma composição literária em que há características poéticas
cuja temática é diversificada. O poema apresenta-se sob a forma de versos. O
verso é cada uma das linhas de um poema e caracteriza-se por possuir certa linha
melódica ou efeitos sonoros, além de apresentar unidade de sentido. O conjunto
de versos equivale a uma estrofe. Há diversas maneiras de se dispor graficamente
as estrofes (e os versos) – e isso dependerá do período literário a que a obra se
filia, das características dos autores etc.

O PARÁGRAFO

(i) O parágrafo como unidade de composição

Devemos sempre ter em mente que no parágrafo desenvolvemos determinada


ideia-central, ou nuclear, a que se associam outras, secundárias, intimamente
relacionadas pelo sentido e logicamente decorrente dela.
O parágrafo é importante porque facilita a organização das ideias e a correta
compreensão do sentido do que está sendo dito.
Sobre a extensão do parágrafo, dizemos que é uma unidade suficientemente
ampla para conter um processo completo de raciocínio e suficientemente curta
para nos permitir a análise dos componentes desse processo. Também devemos
salientar que é da divisão do assunto que depende a extensão do parágrafo.
A composição do parágrafo é didaticamente estruturada da seguinte manei-
ra: introdução, na qual expressamos de maneira sumária e sucinta a ideia-núcleo;
o desenvolvimento, no qual explanamos essa ideia-núcleo; e, mais rara, a con-
clusão.

(ii) Como desenvolver o parágrafo

Você pode desenvolver o parágrafo de diferentes maneiras. Por enumeração


ou descrição de detalhes; por confronto, processo muito eficaz de desenvolvimento;
por analogia ou comparação; por citação de exemplos; dividindo e explanando
ideias “em cadeia”; e por definição.

(iii) Qualidades do parágrafo em geral

Quais são as qualidades do parágrafo? De modo geral, dizemos que as prin-


cipais qualidades do parágrafo são: clareza, concisão, propriedade, coesão e
ênfase. A seguir, apresentaremos brevemente alguns aspectos.

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(iv) Unidade, coerência e ênfase

Quando falamos em unidade ensinamos que é preciso dizer uma coisa de


cada vez, sem digressões descabidas.
Ênfase é a modificação da estrutura frasal que privilegie algum termo, como o
objeto, o predicativo etc.
Coesão consiste em ordenar e interligar as ideias de maneira clara e lógica
e de acordo com um plano definido. Para obtermos coesão lançamos mão de
conectivos e partículas de transição.
A seguir apresentamos algumas orientações na hora da produção do pará-
grafo:
→→use sempre que possível tópico frasal (ideia-núcleo) explícito;
→→evite pormenores impertinentes, acumulações e redundâncias;
→→frases entrecortadas frequentemente prejudicam a unidade do parágrafo;
selecione as mais importantes e transforme-as em orações principais de
períodos menos curtos;
→→o desenvolvimento da mesma ideia-núcleo não deve fragmentar-se em
vários parágrafos.

ANOTAÇÕES

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GUIA PRÁTICO DE
COMPREENSÃO E
INTERPRETAÇÃO
DE TEXTOS

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COMPREENSÃO (OU INTELECÇÃO DE TEXTO) E INTERPRETAÇÃO


DE TEXTO

Vejamos como o professor e gramático Evanildo Bechara define Compreensão


e Interpretação de Texto (em sede de concurso público):

(i) Compreensão (ou Intelecção de Texto)

Consiste em analisar o que realmente está escrito, ou seja, coletar dados do


texto. O enunciado normalmente assim se apresenta:

→→As considerações do autor se voltam para...


→→Segundo o texto, está correta...
→→De acordo com o texto, está incorreta...
→→Tendo em vista o texto, é incorreto...
→→O autor sugere ainda...
→→De acordo com o texto, é certo...
→→O autor afirma que...

(ii) Interpretação de Texto

Consiste em saber o que se infere (conclui) do que está escrito. O enunciado


normalmente é encontrado da seguinte maneira:

→→O texto possibilita o entendimento de que...


→→Com apoio no texto, infere-se que...
→→O texto encaminha o leitor para...
→→Pretende o texto mostrar que o leitor...
→→O texto possibilita deduzir-se que...

GUIA PRÁTICO PARA A ANÁLISE DE TEXTOS

Vejamos o que Evanildo Bechara nos diz sobre como analisar um texto:
→→Ler duas vezes o texto. A primeira para tomar contato com o assunto; a
segunda para observar como o texto está articulado, desenvolvido.
→→Observar que um parágrafo em relação ao outro pode indicar uma
continuação ou uma conclusão ou, ainda, uma falsa oposição.
→→Sublinhar, em cada parágrafo, a ideia mais importante (tópico frasal).
→→Ler com muito cuidado os enunciados das questões para entender
corretamente a intenção do que foi pedido.
→→Sublinhar palavras como: erro, incorreto, correto etc., para não se
confundir no momento de responder à questão.

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→→Escrever, ao lado de cada parágrafo, ou de cada estrofe, a ideia mais


importante contida neles.
→→Não levar em consideração o que o autor quis dizer, mas sim o que ele
disse; escreveu.
→→Se o enunciado mencionar tema ou ideia principal, deve-se examinar
com atenção a introdução e/ou a conclusão.
→→Se o enunciado mencionar argumentação, deve preocupar-se com o
desenvolvimento.
→→Tomar cuidado com os vocábulos relatores (os que remetem a outros
vocábulos do texto: pronomes relativos, pronomes pessoais, pronomes
demonstrativos etc.).

TIPOLOGIA TEXTUAL: NARRAÇÃO, DESCRIÇÃO, DISSERTAÇÃO E


ARGUMENTAÇÃO

Por tipologia textual (ou tipo textual) entende-se uma espécie de construção
teórica definida pela natureza linguística de sua composição (ou seja, os aspectos
lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas, estilo). Apresentamos, a
título de caracterização e distinção, quatro tipologias importantes para a produção
textual: narração, descrição, dissertação e argumentação.

(i) Narração

A narração é o ato de contar, relatar fatos, histórias. Neste ato,


involuntariamente, respondemos às perguntas: o que, onde, quem, como,
quando, por quê. Nas histórias há a presença de personagens que praticam e/
ou sofrem ações, ocorridas em um tempo e espaço físico (ou psicológico). A ação
é obrigatória. Isso significa que não existe narração sem ação. São elementos
constitutivos da narração: personagens, circunstâncias, ação. O núcleo da
narração é o incidente, o episódio, e o que a distingue da descrição é a presença
de personagens atuantes.

(ii) Descrição

A descrição é o ato de enumerar, sequenciar, listar características de seres,


objetos ou espaços com o objetivo de formar uma imagem mental no leitor/
ouvinte. As características podem ser físicas e/ou psicológicas (no caso de seres
ou elementos antropomórficos).

(iii) Dissertação

A dissertação tem por objetivo principal expor ou explanar, explicitar ou


interpretar ideias, fatos, fenômenos. Na dissertação, apresentamos o que
sabemos ou acreditamos saber a respeito de determinado assunto. Nessa
exposição, podemos apresentar, sem combater (argumentar), ideias de que
discordamos ou que nos são indiferentes.
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(iv) Argumentação

Na argumentação, procuramos formar a opinião do leitor ou ouvinte,


objetivando convencê-lo de que a razão (o discernimento, o bom senso, o juízo)
está conosco, de que nós é que estamos de posse da verdade.

CATÁFORA E ANÁFORA

As palavras catáfora e anáfora referem-se a dois recursos coesivos que têm


por função conectar os elementos presentes em uma frase.
Na catáfora, faz-se uso de um termo ou locução ao final de uma frase para
especificar o sentido de outro termo ou locução anteriormente expresso. Por
exemplo, veja a frase a seguir:
→→A viagem resumiu-se nisto: comer, beber e caminhar.

No exemplo acima, a forma nisto antecipa as informações especificadas


após os dois-pontos; e, consequentemente, as informações após os dois-pontos
especificam o sentido do termo anteriormente expresso (nesse caso, nisto).
Já a anáfora é o processo pelo qual um termo gramatical (principalmente
pronomes) retoma a referência a um sintagma anteriormente usado na mesma
frase.
→→Comeram, beberam, caminharam e a viagem ficou nisso.

[nisso = comer, beber e caminhar]

→→Fui à Avenida Paulista no dia do protesto. Lá, fui alvejado nas costas.

[lá = Avenida Paulista]

ANOTAÇÕES

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REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
ANDRADE, M. & MEDEIROS, J. Comunicação em língua portuguesa. 2009.
AZEREDO, J. Escrevendo pela nova ortografia: como usar as regras do novo
acordo ortográfico da língua portuguesa. 2008.
CEGALLA, D. Dicionário de dificuldades da língua portuguesa. 2007.
FERREIRA, A. Novo dicionário Aurélio da língua portuguesa. 2009.
GARCIA, O. Comunicação em prosa moderna. 2007.
HOUAISS, A. Dicionário Houaiss: sinônimos e antônimos. 2008.
KOCH, I. & TRAVAGLIA, L. A coerência textual. 2009.
KOCH, I. A coesão textual. 2008.
KOCH, I. O texto e a construção dos sentidos. 2008.
LUFT, C. Dicionário prático de regência nominal. 2010.
LUFT, C. Dicionário prático de regência verbal. 2008.
MARCUSCHI, L. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. 2008.
MARTINS, D. & ZILBERKNOP, L. Português Instrumental. 2009.
MEDEIROS, J. Redação científica. 2009.
SAVIOLI, F. & FIORIN, J. Para entender o texto: leitura e redação. 2009.

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SUGESTÃO DE SÍTIOS – LEITURA E CONSULTA

BBC Brasil:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/

Caros Amigos:
http://carosamigos.terra.com.br/

Carta Capital:
http://www.cartacapital.com.br/

Folha de São Paulo:


http://www.folha.uol.com.br/

Le Monde Diplomatique Brasil:


http://www.diplomatique.org.br/

Observatório da Imprensa:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/

Rádio CBN:
http://cbn.globoradio.globo.com/home/HOME.htm

Revista Piauí:
http://revistapiaui.estadao.com.br/

VOLP:
http://www.academia.org.br

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