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REV. DR. CLEÓMINES A.

DE FIGUEIREDO
2017
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DEDICAÇÃO
“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina"

Dedico este trabalho aos meu novo rebanho, que pela graça de Deus nasceu
em 2009, na Congregação Presbiteriana de Mangabeiras, e se organizou em
Igreja em 03.12.2010, e hoje é a querida Igreja Presbiteriana Metropolitana de
Belo Horizonte. Também dedico a minha querida esposa Romilda Neves de
Figueiredo e meu filho amado Pb. Demétrius Neves da Cunha Figueiredo, que
companheiros abençoados fizeram parte ativa, dedicada na plantação desta
novel Igreja.
Ao Senhor toda Glória e todo Louvor!

Rev. Dr. Cleómines Anacleto de Figueiredo


Pastor – Professor SPRDNE

Primeira Edição II Semestre de 2005.


12ª Edição Revisada 2017

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SEMINÁRIO PRESBITERIANO REVERENDO DENOEL
NICODEMUS ELER

SIMBOLOS DE FÉ DA IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL

AOS ALUNOS:

Meus queridos irmãos, quando me achava no quinto ano de meu


pastorado em Teófilo Otoni, vesperando a minha saída daquele saudoso
campo de trabalho vim a Belo Horizonte para fazer um curso que era a
coqueluche da época: Conflitos da Vida (1978). Lembro-me que o preletor,
um piedoso americano, Dr. Lary Coy, expôs princípios do bom
relacionamento e me lembro de que uma de suas palestras durou cerca de três
horas. Nesta palestra expunha as dificuldades e as diretrizes para um bom
relacionamento em casa na Igreja e na sociedade.
Impactado com a “excelência” deste curso voltei para minha Igreja
“incendiado com as idéias e achava que tinha encontrado a roda”, entretanto,
como já havia prometido a mim mesmo estudar a Confissão e os Catecismos
de Westminster com a Igreja antes de deixar o campo, mesmo porque pensei,
sou pastor presbiteriano e estou saindo da minha Igreja sem ensinar a doutrina
desta Igreja, e isto julguei como um ato infiel: fui sustentado por esta igreja e
não ensinei a ela o que prometi na minha ordenação: sua doutrina; foi ai que
me veio a maravilhosa surpresa: quando debrucei sobre estes símbolos de fé, o
que pensava do curso que havia feito em Belo Horizonte, virou uma gotinha,
no imenso mar de bênçãos dos ensinos bíblicos destes insuperáveis
documentos cristãos!
Um dos exemplos foi a análise do quinto mandamento do Catecismo
Maior, quando trata das diversas relações entre os inferiores, superiores e
iguais... Não era justo comparar com tudo o que havia ouvido, era como na
estória do mendigo que durante a vida mendigou sobre uma pedra e depois de
sua morte descobriu-se que havia uma fortuna debaixo dela!
Assim creio estamos nós: atrás de novidadismos, de coisas impactantes,
esquecendo a riqueza imensurável dos ensinos sacrossantos de nossa herança
bíblica reformada – mergulhemos nas riquezas de Cristo: as doutrinas da graça
de Deus!

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INTRODUÇÃO

A Confissão Arameia:

”Virás ao que, naqueles dias, for sacerdote e lhe dirás: Hoje, declaro ao SENHOR, teu Deus, que
entrei na terra que o SENHOR, sob juramento, prometeu dar a nossos pais. O sacerdote tomará
o cesto da tua mão e o porá diante do altar do SENHOR, teu Deus.
Então, testificarás perante o SENHOR, teu Deus, e dirás: Arameu prestes a perecer foi meu pai,
e desceu para o Egito, e ali viveu como estrangeiro com pouca gente; e ali veio a ser nação
grande, forte e numerosa”.
Deuteronômio 26.3-5

AS CONFISSÕES NEO TESTAMENTARIAS

“Se com tua boca confessares a Jesus como Senhor....” Rom. 10.9.
“Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus” Atos 8.37 A confissão de Eunuco.
“Porque muitos enganadores têm saído pelo mundo fora, os quais não confessam Jesus
Cristo vindo em carne; assim é o enganador e o anticristo” 2 João 7

Nós cremos na Bíblia.


Esta é a afirmação de todos os que se dizem religiosos cristãos ou até as religiões como
testemunhas de Jeovah, Mórmons e tantos outros. Alguém disse que a Bíblia é a mãe da
heresia, uma vez que toda seita se promove na asseveração que está fundada na Palavra de
Deus.
Não basta que alguém diga que o que crê se acha na Bíblia. Precisa-se de uma
averiguação. Neste caso que critério nos assegura que o que cremos é de fato o que a Bíblia
ensina? Por se construir um arcabouço doutrinário dizendo que é fundado na Bíblia, é de
fato a doutrina de Deus?
O fundador da Igreja Cristo Vive, “apóstolo” Miguel Angelo afirma, por exemplo, que
crê na predestinação, e confirma isto na crença de que existimos antes de nascermos. Ora
nisto ele se põe no caminho Mórmon. Os Mórmons afirmam que existimos antes de nascer,
que Deus tem corpo como nós, com pernas, braços e olhos, e para isto enumeram uma boa
quantidade de versículos onde se fala do Senhor cavalgando nas nuvens (então, tem
pernas...) olhando para a terra (então, tem olhos), e com braço levantado... Portanto, tem
corpo...
Se não há um aferidor de doutrina, então tudo o que se confessar sobre a Bíblia e
utilizar versículos para provar, estará certo.
Em nosso século do pluralismo, a inclinação para uma crença individual naturalmente
tem se fortalecido. Se não há verdade objetiva, então toda verdade passa ser subjetiva. Daí
o crescimento de um conceito que as confissões são uma impostura do passado. Algo
obsoleto. A verdade se acha dentro do individuo. É a minha verdade; você tem a sua e eu
tenho a minha! Vamos nos respeitar. Contudo, isto tem ocorrido no campo religioso, mas a
verdade não pode ser avaliada assim. A é A; e B é B. Sim é Sim; Não é Não.

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Basta que perguntemos acerca das cores e das palavras. Uma cor amarela, ou magenta,
ou azul tem que significar objetivamente a tonalidade assegurada. Se um indivíduo resolver
afirmar que no seu entendimento a cor magenta, é amarela, isto será uma afirmação
subjetiva e com certeza, risível e medíocre. Para não dizer que é uma doença. Uma palavra
tem que ter o sentido registrado, documentado. Ela só pode significar o que se estabelece
culturalmente. Você não usaria em português a palavra peixe para significar casa.
Por mais que você queira ser diferente, cordial, tem que aceitar um fato: A falsidade
existe. Há notas falsas, e muitas. Há ciência falsa; falsos médicos. Na religião por ser
alguma coisa ligada à fé; mais próxima à abstração, a mentira corre mais solta, por isso a
advertência de Cristo: “muitos falsos profetas se levantarão nos últimos dias”; de tabela,
sem dúvida, há falsa religião! Falsas Igrejas! Babilônias.
Assim, a crença tem que ser confessional.
Qualquer crença, seja escrita ou oral, é um credo. Se você crê em qualquer coisa, ainda
que não seja bíblica, se escrita ou não, você está confessando aquilo. Ainda mais, se ensina
e assevera: “Na minha Igreja não tem doutrina!” Então esta é a doutrina da sua igreja! Se
alguém diz isto, crê nisto, então isto já virou a doutrina da Igreja!
Não me esqueço de que visitando uma ovelha em Niterói no Rio de Janeiro, enquanto a
entrevistava na sala, sua mãe entrara para nos servir o café, perguntei a mesma qual era a
Igreja evangélica que ela pertencia. Ela, que antes havia sido de nossa Igreja, contudo, que
estivera ausente de sua nova Igreja naqueles dias, disse que sua Igreja era bíblica, por isso
não tinha nome. Ao dizer isto, fiquei julgado como não bíblico, uma vez que minha igreja,
a antiga dela, era organizada com o nome Presbiteriana. Contudo, de imediato sua filha
disse: Mamãe, a minha irmã que é também de sua Igreja, me disse que houve uma
assembléia domingo próximo passado, na qual ficou decidido um nome para registrar a
Igreja, pois vocês compraram um lote para construir a Igreja e na hora da transferência do
imóvel o Cartório exigiu a existência jurídica. Pois a igreja não poderia ter imóvel sem
existência jurídica.
Ai, tomando a liberdade, brinquei com a irmã: é, de agora em diante então sua Igreja
perdeu também a biblicidade. Mas consolei-a com o versículo que Paulo disse aos
Romanos que devíamos obedecer às leis de nosso país.
Há uma tendência generalizada, principalmente entre os evangélicos, de se pensar que
as coisas espirituais têm que ser e existir só no mundo abstrato... Daí o desprezo por
cultura, conhecimento humano, organização, talvez tentando interpretar o que Paulo disse
que nossa fé não se apóia na sabedoria humana... Se digo que o Evangelho não se apóia na
Sabedoria humana estou certíssimo! Se digo que o Evangelho não depende do saber
humano, mesmo sabendo que o saber humano do próprio Deus se origina, pois a Ciência
vem do Senhor, estou errado. Assim, se esquecem de que a sabedoria divina se encarnou, e
pela misericórdia de Deus, foi registrada, após ser revelada nas páginas da Santa Bíblia, e
por graça infinita, traduzida por sábios, estudioso, poliglotas, de vários países... Ninguém
que afirmasse isto deveria utilizar qualquer versão bíblica, aliás, estaria em situação deveras
difícil, uma vez que nem mesmos os originais apostólicos temos... e como haveríamos de
lê-los, se não estudássemos hebraico, aramaico e grego?
As formulações de fé são, portanto indispensáveis!
Que Deus utilizou padrões humanos na composição de Sua Santa Palavra, pode se ver a
partir do Velho Testamento: O livro de Deuteronômio foi escrito no modelo ou estilo
pactual dos Suseranos do II milênio antes de Cristo.

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Quando foram descobertos os pactos dos Suseranos, percebeu-se que a estrutura
deuteronômica reflete de modo magnífico aquelas confissões entre o Suserano e os povos
conquistados.
Na verdade Deuteronômio é um resumo magnífico do Pentateuco, tem uma estrutura
pactual semelhante a dos Suseranos que garantia a asseveração credal de compromisso
escrito e sancionado com testemunhas e rituais!
O mesmo acontece às cartas de Paulo. As descobertas de correspondências entre
pessoas e instituições do primeiro século da Era Cristã lançou uma luz na estrutura epistolar
que era comum no período Paulino. Paulo seguia o modelo epistolar de sua época.
Assim não há como fugir. Precisamos de uma referência que seja bíblica para
julgarmos afirmações ditas bíblicas.

I POR QUE RESISTIMOS AS CONFISSÕES?

As Confissões à primeira vista parecem ser condenadas pela frase: “a letra mata e o
espírito vivifica”, como conseqüência, embora no texto a discussão de Paulo seja em
relação à obra do Espírito que, se ausente na iluminação da letra, esta por si só, mata; dai
ele usar para letra aqui a palavra “gramma” (daí gramática), e não “graphê” (escritura) o
que de imediato identifica a mera letra, de tabela, há os que assumem que, como as
confissões são expressões escritas, geram morte.
As Igrejas podem se “fossilizar” quando se preocupam muito com “doutrina”. Há até
um versículo bíblico, dizem, que diz “que o importante não é se envolver com doutrinas
várias e estranhas...” (Hebreus 13.9). E nisto esquecem que o autor está combatendo
exatamente a falta da verdadeira doutrina que daria lugar a várias e estranhas, uma vez que
o mesmo autor defendeu o progresso nas doutrinas onde os irmãos estavam ainda como
crianças recebendo o leite...
Quando dizem que “A Bíblia é o nosso credo”, estão aparentemente se opondo as
Confissões, como se elas são colocadas acima da Bíblia.
As Confissões são herdadas, são às vezes informações que nos vem de segunda mão,
enquanto que hoje a ênfase é de fato que as questões da fé sejam subjetivas (pessoais),
emotivas (a gente sinta) e pragmáticas (que funcione: ou seja, que dê resultado: faça-nos
sentir bem, faça a Igreja crescer, produza simpatia...).
Outra razão é a freqüente associação de cultura com frieza, incredulidade; e
ignorância com espiritualidade, fervor. Arguem que os apóstolos eram iletrados, e Deus
escolheram as coisas humildes do mundo e que a “sabedoria do mundo é loucura para
Deus”. Muitos cometem este sacrilégio: divorciam a compreensão intelectual da vida
fervorosa devocional. Assim amar uma Confissão de Fé é o primeiro passo para “esfriar o
amor”.
Quão diferente é o ensino do Novo Testamento, onde nosso Senhor ordenou e
acrescentou ao resumo dos mandamentos que obrigava o amor a Deus com todo coração,
alma, força, Jesus acrescentou o amor a Deus com TODO ENTENDIMENTO. Ou seja,
quem ama a Deus se esforçará grandemente para entender, exercício mental, cultural, Sua
Doutrina.
Vejamos, pois os argumentos e como podemos responder as estas questões, ou a estas
resistências.

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1. NOSSO COMPROMISSO É SÓ COM A PALAVRA DE DEUS.

Antes de tudo devemos asseverar uma coisa: Nosso compromisso é com a Palavra de
Deus. As Escrituras são de Deus. O que o homem produz deve ser considerado sob crítica.
E nada absolutamente mais certo.
Contudo, se as Escrituras são de Deus, a compreensão e a explicação delas o Senhor
permitiu e entregou aos homens. Não foi assim com Neemias (8) que durante uma manhã
inteira explicava a todos, até as crianças “a medida que iam lendo”? Jesus não teve de “a
partir de Moisés e os profetas”, explicar aos discípulos de Emaús a história do Messias?
(Lucas 24) E Felipe “a partir do texto do Profeta Isaias, não teve de explicar ao Eunuco que
Jesus era a mensagem do profeta? (Atos 8) e Pedro não afirmou que havia coisas nas cartas
Paulinas difíceis e que os maus pregadores deturpavam? Paulo freqüentemente é dito
“explicava a Escritura”.
Então não resta dúvida que a compreensão da Escritura vem com a explicação,
ou do ensino, aclarado e confessado. Não que as Escrituras sejam em si obscuras e nós as
aclaramos – mas aprouve Deus que pelo Divino Espírito Santo iluminasse seus servos a fim
de que com a sabedoria e os instrumentos humanos (língua, métodos, meios, lógicas)
firmados na Escritura nos ajudassem a traduzi-las e entendê-las.
Assim as Confissões, mesmo não tendo a autoridade da Bíblia, quando fiéis, servem
para a compreensão delas.

2. AS CONFISSÕES E OS CATECISMOS SÃO A RAZÃO DA FRIEZA


ESPIRITUAL E AS DOUTRINAS A FOSSILIZAÇÃO DA IGREJA.
Claro que primeiro deveríamos definir o que seria frieza espiritual ou fervor religioso.
Mas, se fervor religioso é uma vida de obediência, temor de Deus, alegria no Espírito
Santo, a produção dos frutos do Espírito, o aperfeiçoamento dos dons espirituais, e não
apenas “entusiasmo temporário” ou “sentimentos e emoções provocadas”; então cremos
que a história tem demonstrado absolutamente o contrário.
O uso das Confissões e dos Catecismos, sob a Palavra de Deus, salvou nações inteiras
como Alemanha na época de Lutero; Genebra na época de Calvino; Escócia na época
de John Knox e pelo sopro do Espírito Santo no ensino delas tem levado milhares ao
crescimento e ao verdadeiro fervor espirituais.
As famílias e as escolas que os utilizam na formação dos filhos ou alunos testemunham
do poder que Deus infunde a sua palavra explicada.
Está havendo em todo mundo uma volta às formulações confessionais. E as Igrejas que
de fato mais crescem, principalmente no compromisso fiel, estão se voltando à ênfase na
vida confessional e doutrinária.

3. EU NÃO SOU CONFESSIONAL

Como humanos, somos todos cercados de imensa limitação. Por isso jamais fugimos
Da realidade patente: ninguém jamais vive sem uma confissão. Pode não ser escrita, ou
mesmo explicada, mas na verdade quando a fé se aloja em alguma coisa, seja o que for,
aquela coisa é a base da vida, da crença – é portanto uma confissão.
Quando ouvimos alguém dizer: “Eu não creio em nenhuma confissão” acabou de fazer
uma. Ou seja, sua confissão é: “não creio na confissão”. Ninguém jamais vive no vácuo
intelectual. Você é obrigado a crer, confiar em alguma coisa e em algum instante, obrigado

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a confessar. Você não sairia da cama se não exerce algum tipo de crença, mesmo que não
saiba a sua natureza. Alguém disse sabiamente, se eu começar a duvidar que não
conseguirei andar, é possível que eu não me levante da cama. O ato de levantar-se, sair de
casa, receber um cheque, ir ao banco, ouvir o professor, o médico, tomar um avião,
pressupõe disposição mínima de crença, de fé.
Ah, isto não tem nada a ver! Será? Se você estiver na sala de espera de uma clínica e
alguém sussurrar ao seu ouvido que tem certeza que o médico que lhe vai atender não tem
competência, não é formado, já cometeu graves erros... eu duvido que você pague a
consulta... Ou no mínimo não procure se certificar.
Mas, quem sabe tomaria o avião sendo informado, ad absurdum, que o piloto de seu
vôo nunca teve uma experiência de vôo em aeronave que agora vai pilotar, ou quem sabe
que o avião do seu vôo, teve alguns problemas no vôo anterior e não houve tempo para
reparação....
Fé, confissão, são coisas inevitáveis ao ser humano.
Qualquer afirmação de que você crê em alguma coisa, ainda que não seja escrita, é uma
confissão.

4. A BIBLIA É O MEU ÚNICO CREDO.

Esta afirmação embora tremendamente simpática, contudo é absolutamente impossível.


O que significa crer na Bíblia? Você dirá “ela é a Palavra de Deus”. Ora esta afirmação já é
de fato e de verdade um credo. Se você crê que Jesus é Deus, o Espírito Santo é Deus, que
Deus é Pai, que existe uma alma, que existe um inferno; com pouco tempo você ouvirá um
imenso número de pessoas que não crêem nisto e mais porque acreditam que estas coisas
não estão na Bíblia.
Os Nestorianos por alguns textos bíblicos acreditavam que Jesus Cristo na verdade era
duas pessoas, uma humana e outra divina que se achavam muito unidas em Jesus.
Os Mórmons afirmam que Deus foi Adão que coabitou com Maria e que Jesus é filho
de nosso primeiro pai. Que Deus tem um corpo semelhante ao nosso. E que nós existimos
antes de nascer. Crêem que o casamento pode ter extensão para a eternidade e que somos
todos “deuses”. E onde procuram firmar estas coisas? Na Bíblia. Citam versículos e mais
versículos.
As Testemunhas de Jeovah, só aceitam este nome como o único nome de Deus. Não
crêem na existência pessoal do Espírito Santo. Negam a Divindade de Jesus e do Espírito
Santo. Juntamente com os Adventistas crêem na extinção da alma. E se arvoram de muitos
textos bíblicos para suas heresias.
E nossa lista ia ficar sem fim.
Qual o problema deles? Por que chegam a estas conclusões?
Como se defender deles?
Não estarão eles com a mesma verdade que nós? Teremos direito de dizer que eles
estão errados e nós certos? Mas, em que base?
Aqui está o papel das Confissões. Graças a Deus por elas! Elas sob a iluminação do
Espírito Santo com homens variados e comprometidos, cultos e entendidos, com a
sabedoria de Deus e dos homens, firmaram as bases do que cremos no que chamamos
cinturão da Escritura!
Enquanto aqueles erraram e erram por “tirar o texto dos contextos”, e nisto está apoiada
toda heresia; pode se provar absolutamente tudo se você tirar um texto dali, outro daqui,

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outro acolá, contudo todos fora do contexto – ai você constrói um monstrengo que chama
de fé.
O que dá a uma confissão autoridade é a sua coerência e fidelidade ao todo da Escritura.
O conhecimento dos originais é indispensável. O contexto com todas as informações
possíveis precisa amarrar o texto e dar-lhe sentido para ser uma coluna da crença.
Como Palavra de Deus eu só creio na Bíblia. Mas, posso afirmar minha fé numa
confissão que lhe seja fiel e expresse sua verdade por inteiro.

5. PREFIRO UMA FÉ PESSOAL (SUBJETIVISMO), QUE EU SINTA


(EMOCIONALISMO) E QUE PRODUZA RESULTADOS
(PRAGMATISMO).

Em qualquer Igreja ou comunidade que você pretenda entrar será obrigado a confessar
qualquer coisa, ainda que seja o mínimo exigido. Você acreditaria em uma Igreja
recebendo, batizando algum afiliado sem expressar, concordar, em alguma dimensão
naquilo pelo qual existe tal comunidade?
Ou algum pastor, padre, missionário, bispo ou outro líder qualquer receberia em
sua igreja alguém que não professe suas bases credais; seja ou não escritas. Nunca vi um
batizado em qualquer igreja que não fosse precedido de uma pergunta credal.
O subjetivismo tem seu limite. Uma pessoa pode até afirmar que sua verdade depende
só dela. E por isso se arvora contra a confissão. Contudo, é muito mais provável uma
pessoa sozinha errar. “Na multidão de conselheiros se acha a sabedoria”, já disse o
Espírito Santo por boca de Salomão. E a Igreja primitiva quando teve o problema dos
judaizantes reuniu o concílio de Jerusalém, promulgando um credo: (Atos 15).
O emocionalismo é um recurso paupérrimo de conhecimento. Se é que o podemos
chamar na epistemologia, de recurso. Contudo muitos há que preferem seus sentimentos à
verdade escrita. Neste caminho perigoso se acham muitos que acabam recebendo suas
revelações, muitas vezes mentirosas, não cumpridas. Se crê e se ensina asseverações que na
boca do profeta Jeremias são palhas... (Jeremias 23).
O pragmatismo é outro empecilho na estrada confessional. Ora a doutrina é resultado
do ensino, do crescimento. Isto exige esforço, tempo, empenho... O pragmatismo
contemporâneo é superficial e quer resultados rápidos. Crescer confessionalmente é
construir a casa sobre a Rocha... o ensino da doutrina a longo prazo nos traz convicção
pessoal, alegria na Palavra e resultados permanentes. E uma demonstração de que se ama o
Senhor de todo entendimento!

II IMPORTÂNCIA DAS CONFISSÕES

Antes de iniciarmos a questão da importância delas, é necessário lembrar que elas são
limitadas em sua obrigação de fé, até onde de fato forem integralmente bíblicas. E em
segundo lugar, são pela Igreja constituídas de autoridade confessional, de sorte que ao
afirmá-las estamos jurando diante de Deus pela unidade da fé, nossa comunhão na mesma
crença. Isto é Bíblico. (Rom 6.17). Uma terceira coisa é que no que concerne aos crentes,
comumente falando, não são obrigados a uma declaração ou afirmação subscrita acima
daqueles princípios básicos da salvação; o que, contudo, não pode ser limitado no caso da
liderança. Esta, obrigatoriamente precisa jurar competente conhecimento doutrinário.

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Ao Presbítero, obreiro fundamental em qualquer igreja, Paulo escreve a Tito, exige-se
que:

“seja apegado à Palavra fiel, que é segundo a doutrina,


de modo que tenha poder tanto para exortar pelo
“reto ensino como para convencer os que contradizem”
Tito 1.9.

Feito isto, a importância das confissões e dos catecismos são:


1. Eles são expressões que unem a fé dos fiéis.
2. Eles são as bases pelas quais julgamos as heresias.
3. Eles são as fontes de informações para orientação daquilo que as Escrituras exigem.
4. Eles são colunas de conforto e segurança para nossa caminhada.
5. Eles são marcos seculares, fundados na Escritura, que se constituem faróis para
seguirmos rumo à verdadeira fé.
6. Eles ampliam, fortalecem nossa fé na vida cristã em todos os fundamentos da
Palavra de Deus: A fé no Deus soberano e trino, a crença na queda do homem, a
salvação em Cristo, a realidade da Igreja, a pureza de vida, a volta de Jesus, e
esperança eterna.
7. Eles sintetizam, sistematizam de modo claro o que Deus deseja que creiamos.

III. A CONFIANÇA NAS CONFISSÕES

De que modo devo confiar nas formulações confessionais? Posso assegurar o que afirma o
Credo Apostólico? Posso dizer que o que a Confissão Belga, a de Heidelberg, ou os
Símbolos de Dort, ou ainda a Confissão de Augsburgo e mesmo a Confissão de Fé de
Westminster e seus catecismos são expressões da Palavra de Deus?
Poderia dizer que tem que existir uma claríssima comunhão neste papel: Primeiro, que
a doutrina nasça de uma afirmação escriturística, e se há na história da Igreja uma
asseveração a ela; segundo, nesta interação, uma volta a Escritura com esta doutrina e uma
segura prova de que tal afirmação de fé está embasada num “cinturão” Bíblico. Isto não
significa “ajuntar certos textos, fora de seus contextos, e mais, sem boa exegese”.
Contudo, se a Confissão passar pelo teste de sua Biblicidade, fincada na história da
Igreja, experimentada pela vida de fé dos fiéis, produzindo vida na conversão, santificação,
comunhão e crescimento espiritual; firmada nos concílios competentes (Atos 15!) logo, é
nosso dever atentar para suas formulações, jurá-las quando nos é exigido e mais, cumpri-las
e defendê-las se quisermos ser achados fiéis.

IV BREVÍSSIMA ABORDAGEM BIBLICA E HISTÓRICA DAS CONFISSÕES


E DOS CATECISMOS
A. EVIDÊNCIA BÍBLICAS DE AFIRMAÇÕES CREDAIS.

Velho Testamento.
Desde a época de Moisés temos indícios de afirmações credais. Quando o judeu, depois
da posse da terra, viesse perante o sacerdote entregar sua oferta, ele devia declarar sua fé:

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“Hoje, declaro ao Senhor, teu Deus, que entrei na terra que o Senhor,
sob juramento, prometeu dar a nossos pais”... Deut. 26.3

“Então testificarás perante o Senhor, teu Deus, e dirás: Arameu


prestes a perecer foi meu pai, e desceu para o Egito, e ali viveu como
estrangeiro com pouca gente; e ali veio a ser nação grande forte e
numerosa. Mas, os Egípcios nos maltrataram, e afligiram, e nos
impuseram dura servidão. Clamamos ao Senhor, Deus de nossos pais;
e o Senhor ouviu a nossa voz e atentou para a nossa angústia, para o
nosso trabalho e para a nossa opressão; e o Senhor nos tirou do Egito
com poderosa mão, e com braço estendido, e com grande espanto, e
com sinais, e com milagres; e nos trouxe a este lugar e nos deu esta
terra, terra que mana leite e mel”. Deut. 26.5-9.

Também era uma confissão as afirmações que os crentes deveriam declarar nos
períodos de renovação como aconteceu com o avivamento que Josué promoveu, dando ele
o primeiro passo, declarando:

“eu e a minha casa serviremos ao Senhor” Josué 24.15.

Ou a conclamação do profeta Elias no monte de Baal, quando chamando o povo a


confissão este, após o grande milagre do fogo que desceu do céu, de joelhos confessou:

“O Senhor é Deus! O Senhor é Deus!” I Reis 18.39.

O mesmo depreendemos da aliança de Josias em 2 Reis 23.1-3 que conclamou o


povo a renovação. O texto nos dá idéia de um pacto verbal, após lerem o livro da lei,
confirmando-o em resolução:

“ e o povo anuiu a esta aliança” 2 Reis 23.3

De igual modo temos nas renovações de Esdras e Neemias algo semelhante, quando
o avivamento veio ao povo de Deus, lendo e ensinando e explicando de sorte que o povo
respondia e confirmava com “amém e amém”. Neemias 8. Acrescentamos a isto a
lindíssima confissão em forma de oração declarada em Neemias 9: 5b – 38. A conclusão
da belíssima celebração não deixa dúvida, de que houve uma anuência de confissão
subscrita: “por causa de tudo isso, estabelecemos aliança fiel e o escrevemos; e selaram-
na os nossos príncipes, os nossos levitas e os nossos sacerdotes”. A seguir vem a lista dos
que a assinaram. (Neem.10). Veja o verso 29.

Novo Testamento

A confissão de Pedro: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” foi aceita pelo Senhor
Jesus e mais, tomada como referência de confissão espiritual do edifício de sua Igreja

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Santa. Cristo mesmo em suas mensagens dizia: “quem me confessar diante dos homens eu
o confessarei diante de meu pai que está nos céus”. Mt 16.18
A seguir parece ter sido a prática dos apóstolos a confissão pré-batismal, quando a
vemos na exigência de Felipe diante do eunuco em Atos 8.37 quando aquele pediu a
declaração e este a fez: “Creio que Jesus Cristo é o filho de Deus”.
Nesta mesma linha Paulo escreve aos Romanos “Se com tua boca confessares a Jesus
como Senhor... serás salvo”. Romanos 10.9.
E o reconhecimento, a confrontação com os enganadores e anticristos que estavam
surgindo na época de João, conforme ele registra em sua segunda epístola versículo 7, nos
mostra que a confissão de Jesus Cristo vindo em carne era a forma de identificação dos
verdadeiros crentes e a negação disto dos perdidos.

B. OS CREDOS NA HISTORIA DA IGREJA.

O Credo Apostólico.
Logo, no final do segundo século, embora não tendo sido escrito propriamente pelos
apóstolos, a Igreja Cristã já confessava a presente forma credal usadas na recepção de seus
membros1. Ele é incontestavelmente a súmula da crença bíblica. É como segue:

Credo Apostólico

“Creio em Deus Pai, Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra; e em


Jesus Cristo, seu unigênito Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido
pelo Espírito Santo, nasceu da virgem Maria, padeceu sob o poder de
Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu ao inferno;
ressuscitou no terceiro dia, subiu ao céu e sentou-se a destra de Deus
Pai Todo-Poderoso, de onde há de vir para julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo, na santa Igreja católica, na comunhão dos
santos, na remissão dos pecados, na ressurreição do corpo e na vida
eterna. Amém.”2

Heresias que começaram a surgir em relação à cristologia, fez a Igreja se reunir e


definir sua fé na pessoa do Salvador de conformidade com a Escritura. Deste modo em
325AD na cidade de Nicéia, Bitínia, o grande Concílio afirmou sua fé no então universal e
cristão

Credo de Nicéia (ou Niceno).

“Cremos em um só Deus, Pai Todo-Poderoso, Criador do céu e da


terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Cremos em um só Senhor: Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus,
gerado do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, Luz de Luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não feito; consubstancial
com o Pai, por quem todas as coisas foram feitas; que, por nós e por

1
Hodge, Alexander A. A Confissão de Fé. Comentário. Ed. Os puritanos. São Paulo: 1999. Pg.25
2
idem, ibidem.

12
nossa salvação, desceu dos céus, e se encarnou, por obra do Espírito
Santo, da virgem Maria, e se fez homem. Foi também crucificado, sob
o poder de Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao
terceiro dia, segundo as Escrituras, e subiu aos céus, e está sentado à
direita do Pai. Virá outra vez com glória para julgar os vivos e os
mortos, e o seu Reino não terá fim.
Cremos no Espírito Santo, o Senhor que dá vida, e procede do Pai e do
Filho; que, com o Pai e o Filho, é juntamente adorado e glorificado;
Ele, que falou pelos profetas.
E cremos na Igreja una, santa, universal e apostólica. Reconhecemos
um só Batismo para remissão dos pecados. E esperamos a ressurreição
dos mortos e a vida do mundo que há de vir. Amém.’3

De novo a questão cristológica apareceu no mistério da trindade. Atanásio foi o


combatente cristão, bispo de Alexandria, (Séc. IV), grande teólogo, líder das controvérsias,
que só chegaram ao fim no encontro dos Concílios de Éfeso e Calcedônia. Embora o credo
tomou o nome de Atanásio, na verdade ele já havia falecido muito tempo antes, mas por
causa de sua influência e sabedoria nas definições do pensamento cristão este credo
recebeu, com justiça seu nome.
O texto mais antigo em grego que temos deste credo vem de um sermão de Cesário,
início do século VI, mas ele é tido como proveniente do século V e foi elaborado
finalmente no século VIII. E aceito pelos grandes ramos da cristandade, os Católicos
Romanos, os protestantes e os Ortodoxos. Assim temos o

O Credo Atanasiano
1. “Todo aquele que quiser ser salvo, é necessário acima de tudo, que
sustente a fé universal.
2. A qual, a menos que cada um preserve perfeita e inviolável,
certamente perecerá para sempre.
3. Mas a fé universal é esta, que adoremos um único Deus em
Trindade, e a Trindade em unidade.
4. Não confundindo as pessoas, nem dividindo a substância.
5. Porque a pessoa do Pai é uma, a do Filho é outra, e a do Espírito
Santo outra.
6. Mas no Pai, no Filho e no Espírito Santo há uma mesma
divindade, igual em glória e co-eterna majestade.
7. O que o Pai é, o mesmo é o Filho, e o Espírito Santo.
8. O Pai é não criado, o Filho é não criado, o Espírito Santo é não
criado.
9. O Pai é ilimitado, o Filho é ilimitado, o Espírito Santo é ilimitado.
10. O Pai é eterno, o Filho é eterno, o Espírito Santo é eterno.
11. Contudo, não há três eternos, mas um eterno.
12. Portanto não há três (seres) não criados, nem três ilimitados, mas
um não criado e um ilimitado.

3
http://www.mluther.org.br/Luteranismo/coletanea%20de%20credos.htm Acessado em 13.08.2008. as
23.39min.

13
13. Do mesmo modo, o Pai é onipotente, o Filho é onipotente, o
Espírito Santo é onipotente.
14. Contudo, não há três onipotentes, mas um só onipotente.
15. Assim, o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus.
16. Contudo, não há três Deuses, mas um só Deus.
17. Portanto o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, e o Espírito Santo é
Senhor.
18. Contudo, não há três Senhores, mas um só Senhor.
19. Porque, assim como compelidos pela verdade cristã a confessar
cada pessoa separadamente como Deus e Senhor; assim também
somos proibidos pela religião universal de dizer que há três Deuses ou
Senhores.
20. O Pai não foi feito de ninguém, nem criado, nem gerado.
21. O Filho procede do Pai somente, nem feito, nem criado, mas
gerado.
22. O Espírito Santo procede do Pai e do Filho, não feito, nem criado,
nem gerado, mas procedente.
23. Portanto, há um só Pai, não três Pais, um Filho, não três Filhos,
um Espírito Santo, não três Espíritos Santos.
24. E nessa Trindade nenhum é primeiro ou último, nenhum é maior
ou menor.
25. Mas todas as três pessoas co-eternas são co-iguais entre si; de modo
que em tudo o que foi dito acima, tanto a unidade em trindade, como a
trindade em unidade deve ser cultuada.
26. Logo, todo aquele que quiser ser salvo deve pensar desse modo com
relação à Trindade.
27. Mas também é necessário para a salvação eterna, que se creia
fielmente na encarnação do nosso Senhor Jesus Cristo.
28. É, portanto, fé verdadeira, que creiamos e confessemos que nosso
Senhor e Salvador Jesus Cristo é tanto Deus como homem.
29. Ele é Deus eternamente gerado da substância do Pai; homem
nascido no tempo da substância da sua mãe.
30. Perfeito Deus, perfeito homem, subsistindo de uma alma racional e
carne humana.
31. Igual ao Pai com relação à sua divindade, menor do que o Pai com
relação à sua humanidade.
32. O qual, embora seja Deus e homem, não é dois, mas um só Cristo.
33. Mas um, não pela conversão da sua divindade em carne, mas por
sua divindade haver assumido sua humanidade.
34. Um, não, de modo algum, pela confusão de substância, mas pela
unidade de pessoa.
35. Pois assim como uma alma racional e carne constituem um só
homem, assim Deus e homem constituem um só Cristo.
36. O qual sofreu por nossa salvação, desceu ao Hades, ressuscitou dos
mortos ao terceiro dia.
37. Ascendeu ao céu, sentou à direita de Deus Pai onipotente, de onde
virá para julgar os vivos e os mortos.

14
38. Em cuja vinda, todos os homens ressuscitarão com seus corpos, e
prestarão conta de suas obras. 4
39. E aqueles que houverem feito o bem irão para a vida eterna;
aqueles que houverem feito o mal, para o fogo eterno.
40. Esta é a fé Universal, a qual a não ser que um homem creia
firmemente nela, não pode ser salvo.” 4

O CREDO DO CONCÍLIO DE TRENTO

O Cristianismo prosseguiu depois do Século VIII, após a formulação final deste


Credo, de certo modo em paz no que se refere a suas formulações. Contudo a tranqüilidade
confessional infelizmente deixou a Igreja imergir aos poucos no obscurantismo que
resultou no seu grande desvio da fé cristã.
Se a Igreja tivesse sido assaltada por uma crise mais perigosa, talvez seu caminho
fosse outro, mas como podemos afirmar, os grandes perigos são muito mais os internos que
os externos, o povo de Deus acordou na idade média, no meio da mais densa treva que se
podia imaginar. O abandono das Escrituras, a mera profissão religiosa, embora assegurou a
Igreja sua permanência como afirmações credais, contudo não a impediram de avançar
rumo a uma direção oposta ao próprio cristianismo que confessava.
Deste modo, a própria Igreja, vamos dizer agora Católica Romana, só acordou para
estudo de sua confissão numa reação aos reclamos espirituais do pré-reformadores e dos
reformadores.
E numa reação ao levante de Lutero e dos Reformadores, mais que depressa a Igreja
Romana convocou o Concilio de Trento (1545-1563), agora não para aprofundamento da
doutrina propriamente cristã, mas para assegura seus erros no desvio que nesta altura não
via mais retorno, senão ou para aceitar a Reforma, ou para combatê-la, o que fez até por
meio da violência e do martírio dos fiéis.
“As elocuções desse grande Concilio Ecumênico sob o título de ‘Cânones e Decretos
do Concilio de Trento’ formam a mais elevada norma doutrinal da Igreja Católica
Apostólica Romana condenando a doutrina protestante oposta em cada ponto”. 5 Daí
chamamos com justiça a ICAR como Igreja da doutrina tridentina, de Trento.
Também esta Igreja se preocupou em publicar um Catecismo explicando e
corroborando o que expressou aquele Concilio, em 1556 sob os auspícios do Papa Pio IV.
Devemos lembrar ainda que esta confissão é exigida pelos padres ou ordenada da Igreja
bem como de outros fiéis que vem de outras denominações. Além disso, a Igreja publicou e
publica Bulas, Catecismos e Encíclicas de Papas e outros sempre refletindo as colocações
do Concilio de Trento, tudo substancialmente firmada nas bases da doutrina arminiana.
Nesta doutrina falsa, o homem é capaz em sua natureza de escolher a Deus e
participar de sua salvação, enquanto que na Sagrada Escritura a Salvação é absolutamente
monergística

4
http://www.luz.eti.br/do_credoatanasio.html Acessado em 13.08.2008 as 23.50min.
5
Hodge, A. A. Confissão de Fé de Westminster Comentada. Ed. Os Puritanos. São Paulo: 1999 pg.28.

15
AS BASES DOUTRINAIS DA IGREJA GREGA

Pelo ano 1.000 houve a cisão da Igreja Antiga pelo grupo chamado Ortodoxo, uma
vez que as grandes afirmações de fé eram uma herança geograficamente mais pertencente a
este grupo, eles resolveram se chamar de Ortodoxos ou sustentadores da Cristologia da
Igreja antiga, e por motivos políticos e rituais, somada a questão iconoclasta, a maioria dos
Cristãos que abrangiam a Grécia, o Império Turco e grande parte do terreno Russo
formaram esta fatia cristã. Deve lembrar que a Reforma atingiu de modo mais perto os
Cristãos Ocidentais, ou a Igreja Romana, em sua grande Fatia Européia.
A Igreja Grega ou Ortodoxa não andou muito na questão relativa às Confissões. A
Igreja sustenta com muita firmeza os credos da Igreja Antiga, como dizendo ser sua
herança especial. Em termos de alguma coisa mais nova temos apenas a Confissão de
Gennadius 1453 e a “Confissão Ortodoxa” feita por Pedro de Mogilas, (1.642) bispo
Metropolitano de Kiew.

AS CONFISSÕES LUTERANAS

Todo o mundo protestante, desde os tempos da Reforma, tem se dividido em duas


grandes famílias de Igrejas: a Luterana, incluindo todas aquelas que receberam sua
impressão característica do grande reformador alemão Lutero; e a Reformada, incluindo
todas aquelas que, em contrapartida, derivam dos ensinos de Calvino.
No grupo luterano temos as Igrejas da Rússia que aderiram a Confissão de Augsburgo,
as Igrejas Nacionais da Dinamarca, Noruega e Suécia, bem como a grande denominação
com este nome nas Américas, principalmente os EUA.
Seus livros simbólicos são:
(a) Confissão de Augsburgo, feita por Lutero e Melancton em Augsburgo, isto deu seu
nome, em 1530, e é esta a mais antiga confissão protestante, base universal da
doutrina em toda Igreja no mundo todo.
(b) A Apologia, que foi feita em defesa da confissão acima, escrita por Melancton e
subscrita pelos teólogos luteranos em 1537 em Esmalcade.
(c) Os catecismos Maior e Breve elaborados por Lutero em 1529. O primeiro para os
pastores e líderes doutrinarem o povo, o segundo para ensino das crianças.
(d) Os Artigos de Esmalcade, também preparados pelo Reformador em 1536 e
subscrito pelos teólogos em 1537.
(e) A Formula de Concórdia, 1577 preparada por Andrea e outros Teólogos para
orientar e combater algumas controvérsias dentro da Igreja Luterana,
principalmente concernentes a natureza da presença de Cristo na comunhão e as
atividades da Trindade na vontade humana e na regeneração.

16
AS CONFISSÕES REFORMADAS OU CALVINISTAS

As confissões reformadas são em numero muito grande, embora sustentem numa


unidade o sistema de doutrina que ensinam. Abrangem geográfica e historicamente as
Igrejas da Alemanha que subscrevem o Catecismo de Heidelberg, As Igrejas protestantes
da Suíça, Inglaterra e Escócia, Os independentes e Batistas da Inglaterra e América e os
vários ramos da Igreja Presbiterianas da Inglaterra e América.6
Podemos dizer que hoje, em virtude do imenso pluralismo religioso, muitas Igrejas até
mesmo pentecostais e mesmo Neo-Pentecostais estão se abrindo ao estudo das Confissões
Reformadas7.
Vejamos a Introdução histórica às Confissões de fé reformadas, escrita por Sinclair
Ferguson e Joel R. Beeke8: Veja e leia as páginas da Introdução.
Ferguson, Sinclair B. & Joel R. Beek, HARMONIA DAS CONFISSÕES REFORMADAS,
Editora Cultura Cristã, S. Paulo, 2006.

6
Idem, ibidem. Pag. 30.
7
http://tempora-mores.blogspot.com/2007/09/carta-um-pastor-pentecostal-que-virou.html
8
Fergunson, Sinclair B & Joel Beeke. Harmonia das CONFISSÕES REFORMADAS. ECC. São Paulo, 2006.

17
CONFISSÃO DE FÉ DE WESTIMINSTER
RESUMO DA CONFISSÃO

A Confissão de Fé de Westminster segue uma seqüência lógica nos estudos das


bênçãos espirituais:
A Doutrina das Escrituras
A Doutrina de Deus.
Do Homem
Da Salvação (Pessoa e obra de Jesus Cristo)
Da Verdadeira Igreja de Nosso Senhor
Da Vida Cristã
Dos acontecimentos Finais

Tudo é estudado com provas da Santa Escritura. Procuremos embasar cada


afirmação com as melhores citações. E para não cansarmos (e não há tempo para examinar
todas!) escolheremos apenas algumas citações.
Dividimos em partes para nossa melhor compreensão:

PARTE 1
NOSSO MARAVILHOSO DEUS
1. Ele fala conosco – A Bíblia  Capítulo 1
2. Quem é o Senhor – A divindade  Capítulo 2
3. Seu Glorioso Plano – Sua Vontade  Capítulo 3
4. Sua Providência Amorosa – Seu Governo  Capítulo 4, 5

PARTE 2
O HOMEM COROA DA CRIAÇÃO
1. A dignidade do Homem – Criação  Capítulo 4
2. O Pecado do Homem – A queda  Capítulo 6
3. O Livre Arbítrio – A Escolha  Capítulo 9
4. O Pacto de Deus – A aliança  Capítulo 7

PARTE 3
NOSSA GRANDE SALVAÇÃO 1
1. O Mediador – Jesus  Capítulo 8
2. Entrando na Salvação – A Chamada  Capitulo 10
3. Justificação e Adoção – Nova Vida  Capítulo 11 e 12
4. Santificação – Somos só Dele!  Capítulo 13

PARTE 4
NOSSA GRANDE SALVAÇÃO 2
5. Fé e Arrependimento – A Conversão  Capítulo 14 e 15
6. Boas Obras – Eis os frutos!  Capítulo 16
7. Perseverança – Salvação Imperdível  Capítulo 17
8. Certeza – Fonte de Alegria  Capítulo 18

18
PARTE 5
A PRÁTICA DA VIDA CRISTÃ
1. A importância da Lei de Deus  Capítulo 19
2. A liberdade cristã  Capítulo 20
3. O culto, a adoração e o Louvor  Capítulo 21
4. Juramentos e votos  Capítulo 22
5. O magistrado civil  Capítulo 23
6. Casamento e divórcio  Capítulo 24

PARTE 6
A IGREJA DE CRISTO
1. A verdadeira Igreja  Capítulo 25
2. A comunhão dos Santos  Capítulo 26
3. Os sacramentos  Capítulo 27
4. O Batismo  Capítulo 28
5. A Santa Ceia  Capítulo 29
6. Disciplina na Igreja  Capítulo 30
7. O governo da Igreja  Capítulo 31

PARTE 7
NOSSO GRANDE FUTURO
1. Morte e Ressurreição  Capítulo 32
2. O Juízo Final  Capítulo 33

NOSSO MARAVILHOSO DEUS:


ELE FALA CONOSCO

DA ESCRITURA SAGRADA - CAPÍTULO I

Salmo 19
Alvo da Lição: A absoluta suficiência da Escritura.

PERGUNTA
Na leitura do Salmo 19 nos é demonstrado que Deus se revela ou fala conosco através de
dois meios – quais são eles?
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

Vamos destacar quatro coisas aqui:


a) Deus fala conosco através de sua criação;
b) Deus nos deu a Sua Palavra Escrita;
c) Sua Palavra é absolutamente suficiente;

19
d) Sua Palavra é final em todos os assuntos de fé, religião e vida.
Todo mundo pergunta:
“Existe um Deus”?
“Se existe como Ele é e o que requer de mim?”
Deus existe e mais, Ele se comunica conosco – e isto constitui o amor e a graça da
revelação.
Vejamos o primeiro parágrafo do Capitulo I da Confissão:

DEUS FALA POR MEIO DA SUA CRIAÇÃO

“I - Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência


manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, de tal modo que os homens ficam
injustificados, contudo não são suficientes para transmitir aquele conhecimento de Deus
e da sua vontade, necessário à salvação; portanto aprouve ao Senhor, em diversos
tempos e diferentes formas, revelar-se à sua Igreja e declarar aquela sua vontade. E
depois, para melhor preservar e propagar a verdade, e para o mais seguro
estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e a malícia de Satanás
e do mundo, entregou a mesma para que fosse plenamente escrita. Isso torna a Sagrada
Escritura totalmente indispensável, tendo então cessado aquelas antigas formas de Deus
revelar sua vontade a seu povo.”

1. Este primeiro parágrafo nos lembra do Salmo 19. Neste parágrafo temos 2 modos de
Deus mostrar o conhecimento Dele. Descubra:
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
2. A luz da natureza, onde ocorre a revelação geral é ela suficiente para conduzir o homem
à salvação?
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

3. Por que Deus ordenou a escrita de Sua Palavra?


_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

4. Tendo Deus revelado e escrito na Sua Palavra tudo o que é útil para o ensino,
repreensão, correção e educação na Justiça é capaz de tornar o homem de Deus perfeito e
perfeitamente habilitado para toda boa obra. O que afirma o último parágrafo do texto
estudado na Confissão?
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

5. Antigamente, Deus inspirou os profetas e os apóstolos e concedeu dons extraordinários


de revelação para escreverem a Bíblia. A eles foi comunicado de diversos modos e meios:
sonhos, visões, adivinhações, sinais, teofanias (aparições de Deus); o último parágrafo diz:

20
“Havendo cessado aquelas antigas formas de Deus revelar sua vontade a seu povo”. Leia
Hebreus 1.1-4 e explique por quê?
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

DEUS NOS DEU SUA PALAVRA ESCRITA

“II - Sob o nome de Sagrada Escritura, ou Palavra de Deus escrita, incluem-se agora
todos os livros do Velho e Novo Testamento, todos dados por inspiração divina para
serem a regra de fé e prática, os quais são”:

Velho Testamento
Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, I Samuel, II
Samuel, I Reis, II Reis, I Crônicas, II Crônicas, Esdras, Ester, Jó, Salmos, Provérbios,
Eclesiastes, Cânticos de Salomão, Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel, Daniel,
Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu,
Zacarias, Malaquias.

Novo Testamento
Mateus, Marcos, Lucas, João, Atos dos Apóstolos, Romanos, I Coríntios, II
Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, I Tessalonicenses, II Tessalonicenses,
I Timóteo, II Timóteo, Tito, Filemon, Hebreus, Tiago, I Pedro, II Pedro, I João, II João, III
João, Judas, Apocalipse.

“III - Os livros comumente chamados apócrifos, não sendo de inspiração divina, não
fazem parte do cânon da Escritura; e, portanto, não são de nenhuma autoridade na
Igreja de Deus, nem de modo algum podem ser aprovados nem utilizados senão como
escritos humanos.”

“IV - A autoridade da Sagrada Escritura, pela qual ela deve ser crida e obedecida, não
depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas única e totalmente de Deus
(que é a própria verdade), que é seu autor; tem, portanto, de ser recebida, porque é a
Palavra de Deus.”

“V - Pelo testemunho da Igreja podemos ser movidos e induzidos a um elevado e


reverente apreço pela Sagrada Escritura, e pela sublimidade da matéria, a eficácia da
doutrina, a majestade do estilo, a harmonia de todas as partes, o escopo de seu todo (que
é dar a Deus toda a glória), a plena descoberta que faz do único meio de salvação para o
homem, as muitas outras excelências incomparáveis e a plena perfeição são argumentos
pelos quais abundantemente se evidencia ser ela a Palavra de Deus; não obstante, nossa
plena persuasão e certeza da infalível verdade e divina autoridade provém da obra

21
interna do Espírito Santo que, pela Palavra e com a Palavra, testifica em nossos
corações.”

PERGUNTAS
1. Você sabe o que é livro apócrifo? São livros sem autoridade canônica ou espiritual
para os protestantes e os judeus. A Igreja católica os incluiu no Concílio de Trento (1546),
para defender doutrinas contra a reforma.
São eles:
________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

2. Quem é que autoriza a Bíblia, ou lhe dá autoridade?


_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

3. Aliste de acordo com o parágrafo V, por que é a Bíblia a Palavra de Deus?


_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

“VI - Todo o conselho de Deus, concernente a todas as coisas indispensáveis à sua


glória, à salvação, fé e vida do ser humano, ou está expressamente registrado na
Escritura, ou pode ser lógica e claramente deduzido dela; à qual nada, e em tempo
algum, se acrescentará, seja por novas revelações do Espírito, seja por tradições
humanas. Não obstante, reconhecemos ser indispensável à iluminação interior do
Espírito de Deus para o salvífico discernimento de tais coisas como se encontram
reveladas na Palavra; e que há certas circunstâncias concernentes ao culto divino e ao
governo da Igreja, comuns às ações e sociedades humanas, as quais têm de ser
ordenadas pela luz da natureza e da prudência cristã, segundo as regras gerais da
Palavra, as quais sempre devem ser observadas”.

PERGUNTAS
O que está expresso na Bíblia e como?
_________________________________________________________________________

2. Há necessidade de novas comunicações? Por que não?


_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

3.Mas, para entender salvadoramente a Bíblia basta apenas ler?


_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

4.Então, é necessário que o Espírito Santo fale na Bíblia?

22
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

Vejamos agora os parágrafos:

“VII - Todas as coisas, por si mesmas, não são igualmente claras nas Escrituras, nem
igualmente evidentes a todos; não obstante, aquelas coisas que precisam ser conhecidas,
cridas e observadas para a salvação são tão claramente expostas e visíveis, em um ou
outro lugar da Escritura, que não só os doutos, mas ainda os indoutos, no devido uso dos
meios ordinários, podem alcançar um suficiente entendimento delas”.

“VIII - O Velho Testamento em hebraico (que é a língua nativa do antigo povo de Deus),
e o Novo Testamento em grego (que no tempo em que foi escrito era a língua mais
geralmente conhecida entre as nações), sendo imediatamente inspirados por Deus, e por
seu singular cuidado e providência conservados puros ao longo de todos os séculos, são,
portanto, autênticos; e assim, em todas as controvérsias religiosas, a Igreja deve apelar
para eles como recurso final. Visto, porém, que essas línguas originais não são
conhecidas a todo o povo de Deus, que tem direito e interesse nas Escrituras, e que deve,
no temor de Deus, lê-las e pesquisá-las, esses livros, portanto, têm de ser traduzidos para
a língua popular de cada nação aonde chegam a fim de que a Palavra de Deus,
permanecendo nelas abundantemente, as leve a adorar a Deus de uma maneira
aceitável, e, mediante a paciência e conforto das Escrituras, tenham esperança”.

“IX - A regra infalível de interpretação da escritura é a própria Escritura; e, portanto,


quando houver alguma questão acerca do genuíno e pleno sentido de qualquer texto da
escritura (sentido que não é múltiplo, mas único), a mesma deve ser estudada e elucidada
por outros textos que falem mais claramente.”

REFLEXÕES: PARÁGRAFO VII

Tudo é claro na Bíblia? Por que será?


( ) A Bíblia é muito difícil.
( ) Nossa compreensão é muito limitada.
( ) Só Deus a ilumina quando quer.

O que é claríssimo na Bíblia que até mesmo indoutos são capazes de conhecer?
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

REFLEXÕES: PARÁGRAFO VIII

1. Em que línguas foi escrita a Bíblia?


_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

23
2. Que eles significam para as controvérsias?
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

3. Por que devem ser traduzidos os originais?

_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

REFLEXÕES: PARÁGRAFO IX

Como conseguimos interpretar bem a Bíblia?


_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

CAPITULO II
NOSSO MARAVILHOSO DEUS:
SEU CARÁTER

Texto Bíblico: Isaías 43.1-13

HÁ UM SÓ DEUS E ELE É INFINITO SEU SER

“I - Há um só Deus, vivo e verdadeiro, o qual é infinito em seu ser e perfeição, um


espírito puríssimo, invisível, sem corpo, membros ou paixões, imutável, imenso, eterno,
incompreensível, onipotente, sapientíssimo, santíssimo, soberano, absoluto, operando
todas as coisas segundo o conselho de sua própria e imutável e justíssima vontade, para
sua própria glória; amantíssimo, gracioso, misericordioso, longânimo, riquíssimo em
bondade e verdade, perdoando a iniqüidade, a transgressão e o pecado; é o galardoador
daqueles que diligentemente o buscam; e, sobretudo justíssimo e mui terrível em seus
juízos; pois odeia todo pecado, e de modo algum inocenta o culpado”.

REFLEXÕES:

Como a Bíblia, a Confissão de Fé não prova a existência de Deus, afirma. Na verdade


Deus não precisa que ninguém prove sua existência. Ele existe por si, em si mesmo.
O que você diz acerca de outros deuses?
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

2.Veja as qualidades atribuídas a Deus nas seguintes classificações:


O ser de Deus
__________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

24
Como opera 
___________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
Para o que 
____________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
Como se relaciona 
______________________________________________________________
_________________________________________________________________________

DEUS: A FONTE E A “INDEPENDÊNCIA” DE SUA CRIAÇÃO

“II - Deus possui, em si mesmo e de si mesmo, toda a vida, glória, bondade e bem-
aventurança; e é o único todo-suficiente em si e para si, não tendo necessidade alguma
das criaturas que Ele mesmo criou, não derivando delas glória alguma, mas apenas
manifestando sua própria glória nelas, por meio delas, para elas e sobre elas. Ele é a
única fonte de toda a existência, de quem, através de quem e para quem são todas as
coisas; e sobre elas exerce Ele pleno e soberano domínio, para fazer por meio delas, para
elas e sobre elas tudo quanto Lhe apraz. Todas as coisas estão patentes e manifestas
diante d’Ele, seu conhecimento é infinito, infalível e independente da criatura, de modo
que para Ele nada é contingente ou incerto. Ele é santíssimo em todos os seus conselhos,
em todas as suas obras e em todos os seus mandamentos. Da parte dos anjos e dos
homens, bem como de toda e qualquer criatura, Lhe são devidos todo culto, todo serviço
ou obediência, os quais Lhe aprouve requerer deles”.

REFLEXÕES:

1. Que parte do texto acima diz da perfeição de Deus e que na verdade Ele não precisaria
do mundo para ser feliz?
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

2. Como é o conhecimento de Deus?


_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

3. Quem estabelece o que dar a Deus no culto? (último parágrafo)


_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

4. Que você acha dos que chamam o Senhor de “camarada”, “cara lá de cima”?
_________________________________________________________________________

25
TRIUNIDADE

“Na unidade da Deidade há três pessoas, de uma só substância, poder e eternidade: Deus
o Pai, Deus o Filho e Deus o Espírito Santo. O Pai não é de ninguém: não é gerado nem
procedente; o Filho é eternamente gerado do Pai; o Espírito Santo é eternamente
procedente do Pai e do Filho.”

1. Em Deuteronômio 6.4 diz que há um só Deus. É preciso saber que quando


falamos que Deus subsiste em três pessoas, não estamos dizendo “três indivíduos”, mas três
“eus” como substâncias divinas num ser único. Substância é outra palavra difícil porque é
algo material é melhor falar em “essência”. Então, há o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Veja onde o Pai é Deus, o Filho é Deus, e o Espírito é Deus. Separe os textos para
cada afirmação: 1 Coríntios 8.6; João 1.1-31; 1 João 20.28; João 5.19; Atos 5.3-4 e
Jeremias 31.31 e Hebreus 10.15.
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Há perigo em se pensar que o Filho e o Espírito são menos que o Pai; ou que são apenas
revelações do Pai. Na doutrina da Trindade o Cristianismo fica em pé. Se Jesus não for
Deus o cristão fica perdido, mas Ele é Deus. Glória ao seu Nome. “E todos os anjos de
Deus o adorem”.

CAPITULO III
EXPOSIÇÃO DA CFW 3
NOSSO MARAVILHOSO DEUS

SEU GRANDE PLANO


DO ETERNO DECRETO DE DEUS:

Texto Bíblico: Efésios 1.3-12


Nesta capítulo veremos que o Eterno Plano inclui todos os eventos no Universo;
Ele escolheu uma multidão de homens e anjos para vida eterna; se alguém perde é também
devido ao seu pecado.

O assunto que vamos estudar é bem desagradável para muita gente. De outro lado
é muito perigoso abordá-lo por mera curiosidade. Todos fazem planos e metas, mas muitos
não querem aceitar que Deus possa e faça.
Vejamos este grande plano e o que inclui:

26
“I - Desde toda a eternidade, e pelo sapientíssimo e santíssimo conselho de sua própria
vontade, Deus ordenou livre e imutavelmente tudo quanto acontece; porém, de modo tal
que nem é Deus o autor do pecado, nem se faz violência à vontade das criaturas, nem é
tirada a liberdade ou contingência das causas secundárias, antes são estabelecidas”.

“II - Embora Deus saiba tudo quanto pode ou há de suceder em todas as circunstâncias
imagináveis, contudo não decretou coisa alguma por havê-la previsto como futura, nem
como algo que haveria de acontecer em tais circunstâncias.”

REFLEXÕES:

1. Alguém poderia anteceder a Deus?


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2. Como é seu conselho?


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3. O que nos acontece seria por acaso?


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4. Deus se deixa influenciar por alguma coisa?


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5. Ele muda? (Ver textos: Sl 139.16; Mt 10.29; Ef 1.11)


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6. O que dizer quanto às coisas pecaminosas? (At 2.23)
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7. “Contingência das causas secundárias”. Deus cura e pode usar o médico... Quem seria
causa primária e secundária?
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ESCOLHA DE DEUS

“III - Pelo decreto de Deus e para a manifestação de sua glória, alguns homens e anjos
são predestinados para a vida eterna e outros são preordenados para a morte eterna.”

“IV - Esses anjos e homens, assim predestinados e preordenados, são específica e


imutavelmente designados, e seu número é tão certo e definido, que não pode ser nem
aumentado e nem diminuído.”

27
“V - Aqueles dentre a humanidade que são predestinados para a vida, Deus, antes que
fossem lançados os fundamentos do mundo, segundo seu eterno e imutável propósito, e o
secreto conselho e beneplácito de sua vontade, escolheu em Cristo para a glória eterna,
de sua mera e livre graça e amor, sem qualquer previsão de fé ou de boas obras, ou de
perseverança em qualquer um deles, ou qualquer outra coisa na criatura, como
condições ou causas que a isso o movessem; e tudo para o louvor da sua gloriosa graça.”

“VI - Visto que Deus designou os eleitos para a glória, assim Ele, pelo eterno e mui livre
propósito de sua vontade, preordenou todos os meios para se alcançar esse propósito. Por
conseguinte, aqueles que são eleitos, achando-se caídos em Adão, são redimidos por
Cristo; são eficazmente chamados à fé em Cristo mediante seu espírito que opera no
devido tempo; são justificados, adotados e santificados e guardados por seu poder
mediante a fé para a salvação. Nenhum outro é redimido, eficazmente chamado,
justificado, adotado, santificado e salvo por Cristo, senão unicamente os eleitos.”

REFLEXÕES:
Entramos num assunto misterioso.
Ele é secreto. Há em Deus mistérios, se não houvesse mistérios nele não seria Deus.
Se de repente eu soubesse tudo sobre Deus, eu o controlaria. Não é assim com o médico e
nós? Quando o médico conhece nosso estado ele ordena e temos que obedecer, ele fica
acima de nós! Não entendemos, nem entenderemos tudo. Mas o que o Senhor quiser nos
revela em sua Palavra. Saber tudo sobre alguém ou alguma coisa é ser colocado acima dela,
e ter absolutamente poder sobre ela.
Deste modo vejamos:
A escolha é em Cristo.

1. Veja João 6.27,44. Quem vem a Jesus?


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2. Que o homem pode fazer para ser escolhido? Veja 1 Co 2.14; Jo 3.3. Observação: em
Romanos 8.29 – “Aos que de antemão conheceu” – daria a idéia de conhecer antes como
informação sobre a pessoa. O verbo conhecer aqui não é exercício intelectual, mas
relacionamento aos que “de antemão amou” é o mesmo verbo usado em Jeremias 1.3, 1
Coríntios 8.3 e Mateus 7.23. Conhecer aqui é muito mais que saber – é manter um
relacionamento de amor em glória.
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Como você sabe que é um escolhido? I Tess. 1.4, 1-10.


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Esta doutrina nos traz humildade e alegria; temor e júbilo. Por quê?
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28
NOSSO MARAVILHOSO DEUS
SEU GRANDE PLANO

DOS ETERNOS DECRETOS DE DEUS

Texto Bíblico: Efésios 1.3-12


Alvo da Lição: mostrar que quem se perde é por causa de seus pecados.
Muitos vêem apenas o lado do homem na salvação: você decide! Outros ignoram o
lado de Deus, na verdade é Ele quem escolhe. Mas precisamos saber que há equilíbrio nesta
doutrina. Alguém disse que neste mundo a gente não consegue ver direito. É como se uma
corda subisse acima da nuvem e depois descesse do outro lado e nós víssemos apenas os 2
lados dela, mas não víssemos que por cima da nuvem é a mesma corda. Assim, é a escolha
de Deus e a decisão do homem. Não sabemos como se unem, mas em Deus é claro: Ele é
quem escolhe. O homem é responsável por sua decisão! São verdades paradoxais, não
contraditórias!
Vejamos:

“VII – Segundo o inescrutável conselho de sua própria vontade, pela qual ele concede ou
recusa misericórdia, como lhe apraz, para a glória de seu soberano poder sobre as suas
criaturas, para louvor de sua gloriosa justiça, o resto dos homens foi Deus servido não
contemplar e ordená-los para a desonra e ira por causa de seus pecados.”

“VIII – A doutrina deste alto mistério de predestinação deve ser tratada com especial
prudência e cuidado, a fim de que os homens, atendendo à vontade de Deus, revelada em
sua Palavra, e prestando obediência a ela, possam, pela evidência de sua vocação eficaz,
certificar-se de sua eterna eleição. Assim, a todos os que sinceramente obedecem ao
Evangelho, esta doutrina fornece motivo de louvor, reverência e admiração para com
Deus, bem como de humildade, diligência e abundante consolação.”

REFLEXÕES:
1. Há salvos e perdidos. E Deus sabe quem são. E não somente isto, mas os preordena
(Romanos 9.10-16). Contudo, o final do parágrafo VII diz que há em Deus um atributo que
o faz agir assim. Qual é?
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2. Que sentimentos advindos da fé devem ser despertados naqueles que estudam esta
doutrina solene? (Parágrafo VIII)
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OBSERVAÇÃO:
A doutrina da predestinação ou eleição tem que ser vista com o óculo da bondade e
da misericórdia de Deus e de sua livre graça.
Se todos fossem para o inferno, Deus ainda seria justo. Se Ele escolhesse na base da
bondade (e ninguém é, disse Jesus!), então, seria acusado de parcialidade. Contudo, se

29
todos merecem condenação, a salvação de alguns é apenas graça! E os que se perdem não
se perderão porque não foram escolhidos já estavam perdidos.
Nós nascemos escravos do pecado, de Satanás e já condenados ao inferno. Deus
não tem que nos condenar, já estamos por natureza e nascimento. Nascemos mortos
espiritualmente. Podemos falar de três morte física, espiritual e eterna. Por isso pela graça
precisamos nascer de novo, renascer. Assim só morreremos fisicamente, se Cristo não
voltar.
Pela justiça, todos, iríamos para o inferno! Justamente. Pela graça ele escolheu
perdidos para salvar. Aleluia.

REFLEXÕES:
1. Como alguém pode saber que é um eleito? Leia 1Ts 1.1-12.
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2. Que conforto nos traz esta doutrina?


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3. Qual a afirmação que você crê seja melhor:


( )Eu aceito porque entendo esta doutrina.
( ) Eu não entendo, mas aceito, porque Deus a afirma em sua Palavra.
4. Por que o termo ira está incluído no parágrafo VIII? (Lembra Romanos 1.18-21)
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30
CAPITULO IV
EXPOSIÇÃO NA CFW
A GRANDEZA DO HOMEM
SALMO 8

Há na verdade uma luta na ciência antropológica. Satanás fará tudo para combater a
verdade sobre a origem do homem. Se porventura tivermos origem ignóbil, temos um
presente inútil e futuro nenhum. Uma das razões da procura do homem de achar sua origem
fora de Deus é esta: não sendo sua imagem, não terá nenhum compromisso com Ele. No
Salmo 8 Deus diz da importância do Homem.
Vamos estudar a partir de hoje os capítulos 4 – 7 da Confissão de Fé. Esta é a
Doutrina de Deus. E veremos na lição de hoje a grandeza do homem.

DA CRIAÇÃO - CAPÍTULO IV

“I – Ao princípio aprouve a Deus o Pai, o Filho e o Espírito Santo, para manifestação da


glória de seu eterno poder, sabedoria e bondade, criar ou fazer do nada, no espaço de
seis dias, e tudo muito bom, o mundo e tudo o que nele há, quer as coisas visíveis quer as
invisíveis”.

REFLEXÕES:
Textos Bíblicos: Rom. 11.36; Hb 1.2; Jo 1.2,3; Sl 104.24.
1. Que Deus criou este mundo?
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2. Por que Ele, o único Deus, criou este mundo?
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3. Do que Ele criou, em que tempo, e que qualidade?
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“II – Depois de haver feito as outras criaturas, Deus criou o homem, macho e fêmea,
com as almas racionais e imortais, e dotou-os de inteligência, retidão e perfeita
santidade, segundo a sua própria imagem, tendo a lei de Deus escrita em seus corações e
o poder de cumpri-la, mas com a possibilidade de transgredi-la, sendo deixados à
liberdade de sua própria vontade, que era mutável. Além dessa escrita em seus corações,
receberam o preceito de não comerem da árvore da ciência do bem e do mal; enquanto
obedeceram a este preceito, foram felizes em sua comunhão com Deus e tiveram domínio
sobre as criaturas”.

REFLEXÕES:
Textos Bíblicos: Gn 1.27; 2.7; Sl 8.5,6; Gn 2.19,20; Gn 2.16,17; Rm 2.14,15; Sl 8.6-8.
1. Descreva a criação do homem:
Quanto à natureza dele.
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b) Quanto à sua relação com Deus.
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c) Quanto à sua relação com a natureza.
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CAPÍTULO V - CFW
DA PROVIDÊNCIA

O SENHOR CONTROLA TODOS OS EVENTOS

Será que Deus está presente quanto acontece, mesmo numa coisa funesta?
Terrível? Quando alguém peca, Ele sabe?
Vamos ver:

“I – Pela mui sábia providência, segundo a sua infalível presciência e o livre e imutável
conselho de sua própria vontade de Deus, o grande Criador de todas as coisas, para o
louvor da glória de sua sabedoria, poder, justiça, bondade e misericórdia, sustenta,
dirige, dispõe e governa todas as criaturas, todas as ações delas e todas as coisas, desde a
maior até a menor.”

“II – Posto que, em relação à presciência e ao decreto de Deus que é a causa primária,
todas as coisas acontecem imutável e infalivelmente, contudo, pela mesma providência,
Deus ordena que elas sucedam, necessária, livre ou contingentemente, conforme a
natureza das causas secundárias.”

“III – Na sua providência ordinária, Deus emprega meios; todavia, ele é livre para
operar sem eles, sobre eles ou contra eles, segundo o seu beneplácito.”

REFLEXÕES:
Um teólogo afirmou: “Se eu souber que há no universo um átomo, uma partícula de
DNA que Deus não conheça, eu não durmo esta noite”.
1. Que Deus governa à luz do parágrafo I?
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2. Alguma ação, ou fato mesmo pequeno, passará despercebido Dele?
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3. Que significa esta sabedoria em relação à sua glória, poder, justiça, bondade e
misericórdia?
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A causa primária de todas as coisas está em Deus. Existe a 2ª causa. Esta é categorizada
como “se necessária, livre e contingente”.

Observação – Alguém comparou a ação de Deus nos eventos dos maus, da seguinte
forma:
Um engenheiro hidráulico não tem culpa de a água ser um líquido de natureza
gravitacional em queda. Quando ele canaliza está apenas condicionado a já digamos
“maldosa” natureza da água.
Assim com os maus, Deus apenas os detém, ou os solta na perversidade deles. A
verdade é que se não fosse o tremendo poder do Espírito Santo, teríamos centenas de
Hitler na história. Embora Deus decrete todos os atos a culpa dos maus é real e justa.
Graças a Deus que Ele “controla” a terrível e imensurável maldade e humana.

5. Deus só opera com meios? (Veja o item III)


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3. DEUS “PERMITE” O MAL, MAS NÃO É O AUTOR DO PECADO.


Vejamos:
“IV – A onipotência, a sabedoria inescrutável e a bondade infinita de Deus, de tal
maneira se manifestam na sua providência, que esta se estende até a primeira queda e a
todos os outros pecados dos anjos e dos homens, e isto não por uma mera permissão, mas
por uma permissão tal que, para os seus próprios e santos desígnios, sábia e
poderosamente os limita, regula e governa em uma múltipla dispensação; mas essa
permissão é tal, que a pecaminosidade dessas transgressões procede tão somente da
criatura e não de Deus, que, sendo santíssimo e justíssimo, não pode ser o autor do
pecado e nem pode aprová-lo”.

“V – O muitíssimo sábio, justo e gracioso Deus muitas vezes deixa, por algum tempo,
seus filhos entregues a muitas tentações e à corrupção de seus próprios corações, para
castigá-los pelos seus pecados anteriores ou fazer-lhes conhecer o poder oculto da
corrupção e dolo de seus corações, a fim de que eles sejam humilhados; para animá-los a
dependerem mais íntima e constantemente do apoio dele e torná-los mais vigilantes
contra as futuras ocasiões de pecar, bem como para vários outros fins justos e santos”.

Em nossa sociedade irresponsável, muitas vezes vemos pessoas querendo atribuir a


Deus a origem do mal.
Hoje, com a influência das religiões orientais, e com o crescimento do Candomblé,
as noções de mau-bom, bem e mal são explicadas apenas como um todo. Há muito bem nas
coisas ruins e muitas coisas ruins naquilo que dizem ser bom.
A Bíblia tenazmente clama contra esta heresia perniciosa. O Bem é Deus e não está
absolutamente no mesmo peso do mal.

REFLEXÕES:

33
1. Tudo que acontece com os homens e com os anjos, a que tipo de fim leva?
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2. Pode Deus ser o autor e aprovar o pecado?
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3. Por que o crente cai?
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4. O que pode resultar na vida dele este “abandono” de Deus?
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5. De especial modo Deus cuida de sua Igreja e dispõe tudo para o bem dela. Partilhe
como você vê isto à luz da Bíblia.
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Continuamos refletindo a Doutrina de Deus no capítulo que a Confissão de Fé de


Westminster chama de Providência. Refletiremos sobre os itens 6 e 7. Um dos aspectos que
precisa ficar bem claro ao nosso coração é este: sofrimento pode se tornar grande bênção e
alegria. Fama e gozo terreal podem ser armadilhas para o inferno. Quando vemos pessoas
lindas, ricas e orgulhosas se debandando no pecado, pensamos que elas são felizes – não,
estão apenas debaixo da arapuca se deliciando da isca do diabo – e Deus a deixa entrar ali
para cumprir a justiça de sua glória. Que Ele nos guarde, mesmo que seja na Cruz!
Vamos lá.

“VI – Quanto àqueles homens malvados e ímpios que Deus, como justo juiz, cega e
endurece em razão de pecados anteriores, ele não só lhes recusa a graça pela qual
poderiam ser iluminados em seus entendimentos e movidos em seus corações, mas às
vezes tira os dons que já possuíam, e os expõe a objetos que, por sua corrupção, tornam
ocasiões de pecado, além disso, os entrega às suas próprias paixões, às tentações do
mundo e ao poder de Satanás; assim, acontece que eles se endurecem sob as influências
dos meios que Deus emprega para o abrandamento dos outros.”

REFLEXÕES:
1. Quando uma pessoa resiste ao Evangelho e à vida Santa como são chamados?
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2. O que Deus faz a eles e como Deus é chamado por assim o fazer? (Veja Rom 1.24, 26 e
28; 11.7,8; 2 Ts 2.11,12)
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_________________________________________________________________________
3. Quando o ímpio faz o mal, ele age contra a vontade e os desígnios de Deus, seria ele
livre para fazer o mal ou Deus está agindo em relação a ele? (2 Rs 8.12,13)
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4. Deus deixa o crente relapso, teimoso, rebelde? (Sl 81.11,12) (item V)
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“VII – Como a providência de Deus se estende, em geral, a todas as criaturas, assim,


pois, de um modo muitíssimo especial, essa mesma providência cuida de sua Igreja e
tudo dispõe a bem dela.”

REFLEXÕES:
1. O que Deus faz em relação à Igreja? (Am 9.8,9; Mt 16.18; Rm 8.28)

_________________________________________________________________________

CAPITULO VI
O PECADO DO HOMEM

“I – Nossos primeiros pais, seduzidos pela astúcia e tentação de Satanás, pecaram ao


comerem o fruto proibido. Segundo o seu sábio e santo conselho, foi Deus servido
permitir este pecado deles, havendo determinado ordená-lo para a sua própria glória.”

REFLEXÕES:
1. Quem tentou nossos primeiros pais? (Gn 3.13 e 2 Co 11.3)
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_________________________________________________________________________
2. Deus foi surpreendido, ou não esperava que isto acontecesse, ou foi pego de surpresa,
ou sentiu-se frustrado? (Veja o texto do parágrafo) Rm 5.19-21
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

“II – Por este pecado eles decaíram de sua retidão original e da comunhão com Deus, e
assim se tornaram mortos em pecado e inteiramente corrompidos em todas as faculdades
e partes do corpo e da alma”.

REFLEXÃO:
1. Que aconteceu ao homem? Gn 3.6-8; 6.5; Sl 58.1-5
_________________________________________________________________________
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35
“III – Sendo eles o tronco de toda a humanidade, o delito de seus pecados foi imputado a
seus filhos; e a mesma morte em pecado, bem como a sua natureza corrompida, foram
transmitidas a toda a sua posteridade, que deles procede por geração ordinária”.

REFLEXÃO:
1. Por que somos nós também culpados? 1 Co 15.21-22, 45, 49.
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“IV – Desta corrupção original, pela qual ficamos totalmente indispostos, incapazes e
adversos a todo bem e inteiramente inclinados a todo mal, é que procedem todas as
transgressões atuais”.

REFLEXÃO:
Textos Bíblicos: Tg 1.14,15; Ef 2.2,3
PECADO ORIGINAL: Sl 51.5; Jo 3.6; Rm 3.10-18.
1. O que nos aconteceu e de onde procedem todas as corrupções atuais?
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“V – Esta corrupção da natureza persiste, durante esta vida, naqueles que são
regenerados; e embora seja ela perdoada e mortificada por Cristo, todavia tanto ela como
os seus impulsos são real e propriamente pecado.

REFLEXÕES:
Textos Bíblicos: Rm 7.14,17,18,21-23; 1 Jo 1.8-10
1. Podemos ser perfeitos nesta vida?
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2. A corrupção original é perdoada e mortificada por Cristo – então seus impulsos não são
mais pecados?
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“VI – Todo pecado, tanto original como atual, sendo transgressão da justa lei de Deus e
a ela contrário, torna culpado o pecador, em sua própria natureza, e por essa culpa está
sujeito à ira de Deus e à maldição da lei, e, portanto, sujeito à morte, com todas as
misérias espirituais, temporais e eternas”.

REFLEXÕES:
1. O que faz o pecado ao pecador?
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2. Aliste a quanta desgraça o pecado leva o homem:
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36
CAPITULO VII
DO PACTO DE DEUS COM OS HOMENS.
O termo aliança ocorre na Bíblia 299 vezes. A maioria absoluta diz da aliança de
Deus com o seu povo escolhido. Vejamos o texto abaixo:

“Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este
cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em
memória de mim”.
1 Coríntios 11:25

Leitura: Hebreus 9.15-22


15 Por isso mesmo, ele é o Mediador da nova aliança, a fim de que, intervindo a morte
para remissão das transgressões que havia sob a primeira aliança, recebam a promessa
da eterna herança aqueles que têm sido chamados.
16 Porque, onde há testamento, é necessário que intervenha a morte do testador;
17, pois um testamento só é confirmado no caso de mortos; visto que de maneira
nenhuma tem força de lei enquanto vive o testador.
18 Pelo que nem a primeira aliança foi sancionada sem sangue;
19 porque, havendo Moisés proclamado todos os mandamentos segundo a lei a todo o
povo, tomou o sangue dos bezerros e dos bodes, com água, e lã tinta de escarlate, e
hissopo e aspergiu não só o próprio livro, como também sobre todo o povo,
20 dizendo: Este é o sangue da aliança, a qual Deus prescreveu para vós outros.
21 Igualmente também aspergiu com sangue o tabernáculo e todos os utensílios do
serviço sagrado.
22 Com efeito, quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e, sem
derramamento de sangue, não há remissão.

Aprouve a graça de Deus, que criou o homem a sua imagem e semelhança, fazer com
este uma aliança. Isto está de acordo com a natureza divina, que é a verdade. Para
segurança do homem, Deus estabeleceu um pacto e, através deste, somente o homem se
relaciona com o Eterno. Quem não tem pacto com ele, não se comunica com ele. Quando
uma pessoa procura ter relacionamento com Deus sem primeiro atender a sua aliança, na
verdade sua religião não passa de subjetivismo, isto é, suas orações e seus sacrifícios são
para o próprio homem. Vejamos então, este assunto tão importante para nossa vida
espiritual.

Capítulo 7

Sessão I – A distância entre Deus e a criatura é tão grande que, embora as criaturas
racionais lhe devam obediência como seu Criador, contudo nunca poderiam fluir nada
dele como sua bem-aventurança e recompensa, senão por alguma voluntária
condescendência por parte de Deus, a qual agradou ele expressar por meio de pacto.

37
Sessão II – O primeiro pacto feito com o homem foi um pacto de obras, no qual a vida foi
prometida a Adão e, nele, à sua posteridade, sob a condição de perfeita pessoal
obediência.

REFLEXÕES:

1. Como criatura e pecador, o homem está numa distância tão imensa de Deus, que dele
nada merece e, tampouco dado a grandeza do ser de Deus, jamais atrairia sua atenção
para dele usufruir qualquer benefício. Então Deus resolveu por livre e soberana graça
buscar a criatura. Contudo ele fez um caminho para entrar em comunhão com sua
criatura. Como se chama este caminho?

2. Com quem foi feito este primeiro pacto?

3. Qual era a condição deste pacto?

4. O que Deus ofereceu a Adão pela perfeita obediência?


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Textos bíblicos: Isaías 40.13-17; Jó 9.32,33; I Sam. 2.25; Sl 113.5,6 ;Jó 22.2,3; 35.7,8; At.
17.24,25 Gal. 3.12; Rom 5.12.-20

O NOVO PACTO

“Jeremias 31:31 Eis aí vêm dias, diz o SENHOR, em que firmarei nova aliança com a
casa de Israel e com a casa de Judá.
Mateus 26:28 porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em
favor de muitos, para remissão de pecados.
Marcos 14:24 Então, lhes disse: Isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança,
derramado em favor de muitos.
Lucas 22:20 Semelhantemente, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este é o cálice
da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós.
1 Coríntios 11:25. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice,
dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o
beberdes, em memória de mim.
2 Coríntios 3:6 o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da
letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica.
Hebreus 8:8 E, de fato, repreendendo-os, diz: Eis aí vêm dias, diz o Senhor, e firmarei
nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá,
Hebreus 9:15. Por isso mesmo, ele é o Mediador da nova aliança, a fim de que,
intervindo a morte para remissão das transgressões que havia sob a primeira aliança,
recebam a promessa da eterna herança aqueles que têm sido chamados.

38
Hebreus 12:24 e a Jesus, o Mediador da nova aliança, e ao sangue da aspersão que fala
coisas superiores ao que fala o próprio Abel.”

Sessão III. – Havendo-se o homem tornado, por sua queda, incapaz de ter vida por meio
deste pacto, ao Senhor aprouve fazer um segundo pacto, comumente chamado pacto da
graça; por meio do qual ele gratuitamente oferece aos pecadores vida e salvação
mediante Jesus Cristo, requerendo deles fé nele, para que possam ser salvos; e
prometendo dar o Espírito Santo a todos quantos são ordenados para a vida, a fim de
dispô-los e habilitá-los a crer.

Sessão IV – Este pacto da graça é freqüentemente apresentado na Escritura pelo nome


de testamento, em referência à morte de Jesus Cristo, o testador, e à herança eterna, com
todas as coisas a ela pertencentes, legadas neste pacto.

REFLEXÕES:

1. O que impossibilitou o homem a ter vida por meio do primeiro pacto?


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2. Como é chamado o segundo pacto?


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3. O que é oferecido gratuitamente neste pacto e por meio de quem é ele administrado?
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4. Como freqüentemente este pacto é chamado na Bíblia e por quê?


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(Testamento é um documento em que uma pessoa, ao morrer, distribui sua riqueza ou seus
pertences aos que ele ama ou aos que adquirem direitos à sua herança). Como você pode
ver a morte de Jesus neste aspecto?)

39
CAPÍTULO VII

UM ÚNICO PACTO: DUAS ADMINISTRAÇÕES

Há quem afirme que Deus estabeleceu vários pactos com o homem. Contudo, a
maioria não foi feliz em seu progresso, por isso, à medida que se frustrava um, Deus ia
fazendo outro. Este pensamento na verdade não tem base teológica. Deus, o eterno e
perfeito criador, tudo faz com maestria, portanto, o pacto que fez é um; e mesmo que o
homem, no uso de seu livre arbítrio, antes da queda, optou por quebrar o pacto, Deus o
renovou no Novo Adão, Cristo. Então veremos esta maravilhosa doutrina, que nos traz
segurança, alegria e paz.

Coríntios 10.1-4
“1 Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos sob a nuvem, e
todos passaram pelo mar,
2 tendo sido todos batizados, assim na nuvem como no mar, com respeito a Moisés.
3 Todos eles comeram de um só manjar espiritual
4 e beberam da mesma fonte espiritual; porque bebiam de uma pedra espiritual que os
seguia. E a pedra era Cristo.”

Gálatas 3.7-17

“7 Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão.


8 Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, prenunciou o
evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos.
9 De modo que os da fé são abençoados com o crente Abraão.
10 Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está
escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da
lei, para praticá-las.
11 E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá
pela fé.
12 Ora, a lei não procede de fé, mas: Aquele que observar os seus preceitos por eles
viverá.
13 Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso
lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro),
14 para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que
recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido.
15 Irmãos, falo como homem. Ainda que uma aliança seja meramente humana, uma vez
ratificada, ninguém a revoga ou lhe acrescenta alguma coisa.
16 Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos
descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente,
que é Cristo.

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17 E digo isto: uma aliança já anteriormente confirmada por Deus, a lei, que veio
quatrocentos e trinta anos depois, não a pode ab-rogar, de forma que venha a desfazer a
promessa.”

Sessão V - Este pacto, no tempo da lei, não foi distintamente administrado como no
tempo do evangelho. Sob a lei, ele foi administrado por meio de promessas, profecias,
sacrifícios, circuncisão, o cordeiro pascal e outros tipos e ordenanças entregues ao povo
judeu. Tudo prefigurando Cristo, que havia de vir, o qual foi naquele temo suficiente e
eficaz, através da operação do Espírito para instruir e edificar os eleitos na fé do Messias
prometido, por meio de quem receberam perfeita remissão dos pecados e salvação eterna;
e o qual se chama Velho Testamento.

Sessão VI – Sob o Evangelho, quando Cristo, a substância, foi exibida, as ordenanças


nas quais este pacto é ministrado são a pregação da Palavra e a administração dos
sacramentos do batismo e da ceia do Senhor; os quais, ainda que em menor número,
administrados com mais simplicidade e menos glória externa. Todavia, neles ele se
manifesta com maior plenitude, evidência e eficácia espiritual, a toda as nações tanto a
judeus quanto a gentios; e é denominado de Novo Testamento. Não há, pois, dois pactos
da graça de substância diferenciada, mas um só e o mesmo, sob várias dispensações.

REFLEXÕES:

1. Como foi administrado o pacto na forma antiga?


_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

2. Todos aqueles tipos e ordenanças apontavam para quem?


_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
3. Eles foram salvos por meio de quem então?
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4. Como Deus determinou que seja o pacto administrado nesta Segunda forma?
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

5. Se o povo do Velho Testamento foi salvo pela fé no mediador que viria, Cristo, e o povo
do Novo Testamento é salvo pelo messias que veio Jesus Cristo, o que você conclui à luz do
último parágrafo da Sessão VI? Quem é a substância de ambos?
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

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CAPÍTULO VIII

1. O MEDIADOR
DE CRISTO O MEDIADOR –

Neste estudo você irá descobrir:


- Deus enviou um Mediador para salvar seu povo
- A pessoa do Mediador
- A obra do Mediador
- A obra do Mediador é eficaz

1. DEUS ENVIA UM MEDIADOR PARA SALVAR SEU POVO. (8.1)

“Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo


Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se deve
prestar em tempos oportunos”. I Tim. 2.5,6

“I - Aprouve a Deus, em seu eterno propósito, escolher e ordenar o Senhor Jesus, seu
filho Unigênito, para ser o Mediador entre Deus e o homem, o Profeta, Sacerdote e Rei,
o cabeça e Salvador de sua Igreja, o Herdeiro de todas as cousas e o Juiz do mundo; e
deu-lhe desde toda a eternidade um povo para ser sua semente e para, no tempo devido,
ser por Ele remido, chamado, justificado, santificado e glorificado. “

O primeiro parágrafo serve como introdução ao resto do capítulo, afirmando que, no


plano eterno de Deus, o Pai escolheu o Filho para ser o Mediador entre Deus e o homem.
Foi Deus quem tomou a iniciativa para que o homem pudesse ser trazido de volta consigo à
comunhão da promessa divina.
O Pai deu a seu filho, como Mediador, a autoridade de servir como profeta,
sacerdote e rei. Ele é o cabeça da Igreja e irá julgar o mundo. Foi o Pai que, no grande
plano triúno, antes da criação do mundo, deu-lhe um povo. Foi o Filho que os remiu e por
eles é chamado, justificado, santificado e glorificado. Através dessa afirmação a Confissão
ensina que a obra de Jesus, usada pelo Espírito Santo, realmente assegura e garante a
salvação de seu povo. Ele não veio apenas para tornar a salvação possível, mas para
garantir a salvação dos eleitos de Deus.

Assinale as funções de Cristo como mediador conforme os versículos:


a) 1 Tm. 2.5______________________________________________
b) João 3.16______________________________________________
c) Atos 3.22______________________________________________
d) Hb. 5.5,6______________________________________________

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e) Atos 17.31_____________________________________________
f) Sl 2.6; Lc 1.33__________________________________________

2. A PESSOA DO MEDIADOR (8.2,3)

“II – O Filho de Deus, a segunda Pessoa da Trindade, sendo verdadeiro e eterno Deus,
de uma só substância com o Pai e igual a Ele, quando chegou a plenitude do tempo,o
tomou para si a natureza humana com todas as suas propriedades essenciais e fraquezas
comuns a ela, contudo sem pecado; sendo concebido pelo poder do Espírito Santo no
ventre da virgem Maria e da substância dela. As duas naturezas inteiras, perfeitas e
distintas, a divindade e a humanidade, foram inseparavelmente unidas em uma só
pessoa, sem conversão, composição ou confusão; essa pessoa é verdadeiro Deus e
verdadeiro homem, porém, um só Cristo, o único Mediador entre Deus e o homem.”

1. Como você prova que Jesus é Deus á luz destes versículos:

João1.1,14______________________________________________________
I João 5.20______________________________________________________
Filip. 2.6_______________________________________________________
Hb. 2.14,16,17 e 4.15_____________________________________________
Col. 2.9________________________________________________________

COMENTÁRIO:
A Confissão salienta o ensinamento histórico da Igreja, que Jesus era Deus em toda
a sua plenitude e verdadeiro homem. Ele não era menos que Deus. Ele era e é a segunda
pessoa da trindade sendo verdadeiro e eterno Deus, da mesma substância do Pai e igual a
Ele.
Esta afirmação breve, e, no entanto completa, se diferencia de muitas religiões que
consideram o Mediador menos que o Pai. Jesus é Deus verdadeiro.
A humanidade de Jesus é também totalmente reconhecida. O Filho de Deus tomou
sobre si a natureza humana. Não o inverso, no qual seria o homem tomar para si a
divindade. A humanidade de Jesus jamais existiu separada de sua divindade. Esta era a
natureza humana com todas as suas fraquezas, exceto que era sem pecado. O pecado não é
parte da verdadeira natureza humana, mas uma fraqueza.
O fato de Jesus ter sido concebido por Maria sob o poder do Espírito Santo é
ensinado enfatizando a idéia de que Ele era da substância dela. (O conteúdo da Confissão
poderia ser melhor neste capítulo. Ele não foi exatamente concebido pelo Espírito Santo;
foi Maria quem concebeu e Jesus foi gerado pelo Espírito Santo. “Você o conceberá em seu
ventre” Lucas 1.31 NASB e não NIV cf. Lucas 1.35).
A unidade das duas naturezas é ensinada no final do segundo parágrafo. A pessoa de
Jesus tem duas naturezas que são inseparavelmente ligadas uma à outra. Isto significa que a
união é permanente. Cristo não foi apenas Deus-homem durante sua vida na terra, mas
continua a ser o verdadeiro Deus e verdadeiro homem hoje e sempre o será. As duas
naturezas são distintas, porém existe apenas uma só pessoa. Não há transformação das
naturezas, isto é, Deus não se torna humano, nem o humano se torna Deus. Não há
composição alguma como se uma parte de cada natureza fosse retirada para se

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formar uma terceira parte, nem há confusão, as duas naturezas sendo misturadas
juntas.
A resposta do Breve Catecismo é esplendida:
“O único Redentor dos eleitos de Deus é o Senhor Jesus Cristo, que, sendo o
eterno Filho de Deus, se fez homem, e assim foi e continua a ser Deus e homem em duas
naturezas distintas, e uma só pessoa para sempre” (Q21).

REFLEXÃO: Resuma em suas palavras, o comentário


acima.____________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

A PESSOA DO MEDIADOR II
(CONTINUAÇÃO)

“III – O Senhor Jesus, em sua natureza humana unida à divina, foi santificado e sem
medida ungido com o Espírito Santo além de qualquer medida; possuindo em si todos os
tesouros de sabedoria e do conhecimento. Aprouve ao Pai que nele habitasse toda a
plenitude, a fim de que, sendo santo, inocente, inculpável, imaculado e cheio de graça e
verdade, estivesse perfeitamente preparado para exercer o ofício de Mediador e Fiador.
Este ofício ele não tomou para si, mas para ele foi chamado pelo Pai, que lhe pôs nas
mãos todo o poder e todo o juízo e lhe ordenou que os exercesse.”

O terceiro parágrafo trata dos dons que o Pai ofereceu ao Filho encarnado através do
Espírito Santo. Não é o Filho como segunda pessoa da Trindade que está sendo
mencionado aqui, mas o Filho como Mediador, prosseguindo o plano do Pai. A Ele é
reservado o ofício de Mediador e Deus lhe proveu para que cumprisse essa função. Porque
aprouve a Deus que Nele residisse toda a plenitude (Cl 1.19). O primeiro Adão fracassou.
Aqueles nascidos na promessa divina do Sinai fracassaram, mas Ele não fracassaria. Ele era
o Mediador e a Certeza.
Ele não se apoderou do ofício, mas o foi dado pelo Pai como parte do plano eterno
da salvação. Deus lhe deu todo o poder, decisão e autoridade para atuar em tudo que a Ele
fosse requerido como Mediador.
O fato de ser ele o único Mediador entre Deus e o homem está estabelecido,
instituído pelo Pai.

Veja o versículo onde está. Assinale-o:


1. A graça e a verdade em Jesus: João 3.16 – João 1.17 – 2Ts 1.2
2. Jesus recebeu do Pai o poder: Mat. 28.18 – João 10.18

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A OBRA DO MEDIADOR (8.4-7)
Vejamos agora o que o Nosso Adorável Salvador realizou, sendo Deus verdadeiro e
verdadeiro homem.

“IV – O ofício de Mediador e Fiador, o Senhor Jesus empreendeu mui voluntariamente.


Para que pudesse exercê-lo, foi feito sujeito à lei, que ele cumpriu perfeitamente;
padeceu imediatamente em sua alma os mais cruéis tormentos e em seu corpo os mais
penosos sofrimentos; foi crucificado e morreu; foi sepultado e ficou sob o poder da
morte, mas não viu a corrupção; ao terceiro dia ressuscitou dos mortos com o mesmo
corpo com que tinha padecido; com esse corpo subiu ao céu, onde está sentado à destra
do Pai, fazendo intercessão; de lá voltará no fim do mundo para julgar os homens e os
anjos.”

Complete:
Para que Jesus pudesse exercer o ofício de Mediador e Fiador dos eleitos ele
1.________________________________________________________________________
2.________________________________________________________________________
3.________________________________________________________________________
4. Ao terceiro dia__________________________________________________________
5. Subiu ao ___________ e lá está______________ fazendo________________________
de lá _____________________________________________________________________

“V – O Senhor Jesus, pela sua perfeita obediência e pelo sacrifício de si mesmo,


sacrifício que pelo Eterno Espírito ele ofereceu a Deus uma só vez, satisfez plenamente a
justiça do Pai, e para todos aqueles que o Pai lhe deu adquiriu não só a reconciliação,
como também uma herança perdurável no Reino dos Céus.”

EXERCÍCIO:

Na Igreja Católica Romana o culto se chama Santo Sacrifício da Missa. Nesta, o sacerdote
ao levantar a hóstia, oferece de novo Jesus ao Pai num sacrifício incruento. Ou seja
repete-se o sacrifício de Cristo novamente.
Se você fosse escolher um texto que combata ou mostre o terrível erro desta prática qual
escolheria, Hb. 9.27 ou Hb. 9.23-26?
Porque você crê que Jesus fez de uma vez, um único sacrifício?
A participação num culto idólatra é aprovação e contribuição para a mentira. Você crê
que um crente em Jesus pode participar de uma missa?
Por que?
Existem três modos de crer num sacramento: a transubstanciação, o modo católico: o
pão vira, realmente, corpo de Cristo. Por isso os católicos não mordem na hóstia. A
consubstanciação: não chega a virar corpo de Cristo, mas quase. Esta é a crença luterana.
A terceira é a forma Reformada: Há a presença espiritual de Cristo no sacramento. O pão
continua pão (você sente o gosto, que é de pão), o vinho continua vinho (idem), contudo, a

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presença espiritual de Cristo é real e, através destes símbolos, temos real comunhão com
Ele.

COMO SE SALVARAM OS ANTEPASSADOS


E COMO AGE CRISTO EM SUAS DUAS NATUREZAS.

“Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu
bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio
sangue”. Atos 20.28

Muitas vezes nos perguntamos como se salvaram os que nasceram antes de Jesus vir ao
mundo e morrer pelos pecadores. Contudo, a Bíblia fala de Jesus sendo oferecido antes da
fundação do mundo (I Ped. 1.18-21). Por causa de nossa limitação, às vezes ficamos
confusos, quando vemos Jesus se dirigir ao Pai como Filho, e operando em suas duas
naturezas. Vejamos como a Confissão nos ajuda nestes conflitos:
O ofício do Mediador está explicado nestes parágrafos e alguns pontos importantes devem
ser observados.

O Filho agiu como Mediador condescendentemente. Não lhe foi imposto. Foi por amor a
seu povo que ele agiu a favor deles.

Ele viveu sob a antiga promessa divina e cumpriu tudo o que lhe foi exigido, diferente de
toda a raça humana que desobedeceu a lei de Deus. Ele também morreu cruelmente em
Golgotha. A Confissão menciona corretamente não apenas o sofrimento corporal como
também a tortura em sua alma, ambos antes da crucificação e na cruz. Ele foi
desamparado pelo Pai e para Ele foi o inferno. Isso foi o auge do seu sofrimento.

Quando sepultado, seu corpo não se decompôs e ressurgiu dos mortos com o mesmo corpo
com o qual sofrera, com o qual também subiu aos céus. O que é importante observar
aqui é a certeza da ressurreição do corpo e sua ascensão. Quem não acredita nessas
verdades não deveria fazer a Profissão de Fé.

Hoje Cristo intercede no céu e voltará no final. Enquanto o quarto parágrafo explica
o que Jesus fez, o quinto explica o que ele alcançou. Sua obediência, a qual incluía manter a
lei e ir para a cruz, satisfez a justiça do Pai. Tanto sua obediência quanto seu sacrifício
foram perfeitos e alcançados através de ajuda do Espírito. Ele fez tudo o que lhe mandou o
Pai.
Este duplo trabalho de Cristo (manter a lei e sacrifício) assegura que a comunhão é
restaurada com o Pai. Este trabalho de Cristo foi para os eleitos, para todos aqueles que o
Pai lhe dera.

“VI – Ainda que a obra da redenção não foi realmente cumprida por Cristo senão depois
da sua encarnação, contudo, a virtude, a eficácia e os benefícios delas, em todas as
épocas, sucessivamente, desde o princípio do mundo, foram comunicados aos eleitos
naquelas promessas, tipos e sacrifícios, pelos quais Ele foi revelado e significado como a

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semente da mulher que devia esmagar a cabeça da serpente, como o cordeiro morto
desde o princípio do mundo, sendo o mesmo ontem, hoje e para sempre.”

O sexto parágrafo ensina que, enquanto a redenção não acontecia até após a
encarnação, seus benefícios eram recebidos por eleitos de todas as épocas, do Antigo
Testamento. O sistema sacrificial do Velho Testamento e várias profecias apontavam para a
vinda do Redentor. Seu trabalho como o Messias era certo. Ele era o Cordeiro morto desde
o princípio do mundo (Ap. 13.8).
Responda:
Como então se salvaram os crentes que viveram antes de Jesus vir ao mundo?
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
___________________________________________________________________

“VII – Cristo, na obra da mediação, age em conformidade com as suas duas naturezas,
fazendo cada natureza o que lhe é próprio; contudo, em razão da unidade da pessoa, o
que é próprio de uma natureza é, às vezes, na Escritura, atribuído à pessoa denominada
pela outra natureza.”

O parágrafo 7 explica expressões da Escritura, como “igreja de Deus que as


comprou com seu próprio sangue” (Atos 20.28). A pergunta seria: Deus tem sangue?
Entretanto, ainda que algumas pessoas pensassem que isto significava que a natureza divina
de Cristo tinha se humanizado com carne e sangue, isto está errado. A Confissão ensina
que, sendo Cristo uma só pessoa, as características que pertencem a uma natureza são, às
vezes, referidas como se pertencessem à outra natureza. O sofrimento, a fraqueza e o
conhecimento limitado que fazem parte da natureza humana, e o conhecimento total e o
poder que pertencem à natureza divina, são atribuídos à pessoa que é Deus-Homem.
As testemunhas de Jeová, que negam a divindade de Jesus Cristo, esbarram neste
versículo e, nele, o Senhor mostra sua heresia: Jesus é Deus e com seu sangue, que então é
atribuído a Deus, ele comprou a Igreja!

EXERCÍCIO:

Coloque nos colchetes as ações de Cristo relacionadas à suas naturezas, usando H quando
você crê que é a natureza humana que age e D quando a divina:
1. Ele perdoa pecados ( )
2. Ele manda o mar sossegar ( )
3. Ele manda Lázaro sair do túmulo ( )
4. Ele ficou cansado ( )
5. Ele teve sede ( )
6. Ele sabia o que os homens estavam pensando ( )
7. Ele é adorado pelos anjos ( )

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A OBRA DO MEDIADOR É EFICAZ
Capitulo VIII . Parágrafo 8

“ As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu


lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo
que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar.
Eu e o Pai somos um” João 10.27-30
“Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo
sempre para interceder por eles”. Hebreus 7:25 “e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o
Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem”, Hebreus 5:9

A nossa salvação é feita pelo Deus encarnado. Jesus a operou. Ele tudo fez como Deus,
perfeitamente. Não se pode melhorar o que Deus faz.
A salvação é dita perfeita. Eterna. Se Jesus nos salvou, isto foi feito de modo completo,
total e perfeito. Eternamente somos dele. Jamais perecerão, disse Jesus dos que ele salva.
Vejamos o que a Confissão confirmando a Palavra nos ensina.

“VIII – Cristo, infalível e eficazmente, aplica e comunica a salvação a todos aqueles


para os quais Ele a adquiriu, fazendo intercessão por eles e revelando-lhes na Palavra e
pela Palavra, os mistérios da salvação; persuadindo-os eficazmente pelo seu Espírito a
crer e obedecer, governando seus corações por meio de sua palavra e de seu Espírito;
subjugando a todos os seus inimigos pelo exercício de seu infinito poder e sabedoria, da
maneira e pelos meios mais consoantes com a Sua maravilhosa e insondável
dispensação.”

A Confissão ensina claramente que Jesus não veio apenas para tornar a salvação
possível para aqueles que querem vir até Ele, mas que Ele veio para garantir a salvação
eterna dos eleitos. Sua encarnação, vida, morte, ressurreição e intercessão tornaram segura
a salvação do eleito.
Num parágrafo anterior (8.5) nos foi dito que Cristo comprou uma herança eterna
no reino dos céus, para todos aqueles que o Pai lhe deu. No parágrafo (8.8), lemos que
“Cristo, infalível e eficazmente aplica e comunica a salvação a todos aqueles para os quais
Ele a adquiriu”.
Em outras palavras, a obra de Cristo tornou segura a salvação do eleito. Enquanto é
verdadeiro que Cristo “pudesse provar a morte por todo homem” (Hebreus 2.9), sua morte é
apenas eficaz para os eleitos. Esta não é uma mera visão acadêmica, mas o coração do
evangelho. Se a morte de Cristo apenas tornou possível a salvação, dependendo ainda do
homem se este vai decidir ou não por ela, vai ou não sustentá-la, significa que o homem
terá que acrescentar algo mais à obra de Cristo para ser salvo. Esta é apenas uma maneira
de dizer que a salvação não é toda de graça, mas o homem contribui para ela. Se aceitarmos
o ensinamento bíblico e Confessional que a obra de Cristo é eficaz para os eleitos,
garantindo a salvação deles, podemos dizer que é tudo do Senhor.

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Esta doutrina é conhecida por vários nomes, tais como: “expiação limitada”,
“redenção perfeita” e “redenção particular”.

RESPONDA:
1. Por que foi necessário para o Mediador ser humano e ao mesmo tempo ser Deus?
_________________________________________________________________
2. O que João 10.27-30 pode provar acerca disto?
________________________________________________________________

CAPÍTULO IX

CAMINHANDO PARA A SALVAÇÃO

DO LIVRE ARBÍTRIO

I parte: Ao cair o homem tornou-se morto, escravo do pecado e sem condições de fazer o
bem ou salvar a si mesmo, portanto, incapaz de decidir quanto a Deus e bem.

Possivelmente em nenhuma outra época a humanidade esteve tão incentivada à


autonomia que hoje, ou seja, a frase que você mais ouve em todas as circunstancias é esta:
você decide.
O homem tem sido o centro de tudo. Então é ele quem escolhe e decide. A maior força
teológica ou doutrinal que impera no meio evangélico e que esposa este pensamento se
chama arminianismo. Um arminiano pensa que irá para o céu por que ele decide ir. Deus
chama, oferece, contudo a decisão final, é claro, é você quem faz. Deus na verdade fica
apenas observando o que afinal você vai fazer: aceitar ou não. No fundo, no fundo, parece
que Deus nem sabe o que de fato acontecerá. Se você decide, ainda existe a possibilidade
de, no final, você se arrepender de escolher o caminho da salvação e voltar atrás. Aí, quem
sabe mesmo se você vai ou não vai se salvar? Neste caso, nem você, nem ninguém! Seria
quase um acaso...
Podemos decidir pelo bem? A salvação é uma escolha nossa?
Temos mesmo poder para decidir sobre fazer o bem?
Estas perguntas é que vamos agora discutir à luz da Bíblia.

Texto Bíblico: Salmo 139

“1 SENHOR, tu me sondas e me conheces.


2 Sabes quando me assento e quando me levanto; de longe penetras os meus
pensamentos.
3 Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar e conheces todos os meus caminhos.
4 Ainda a palavra me não chegou à língua, e tu, SENHOR, já a conheces toda.
5 Tu me cercas por trás e por diante e sobre mim pões a mão.

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6 Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim: é sobremodo elevado, não o posso
atingir.
7 Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face?
8 Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás
também;
9 se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares,
10 ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá.
11 Se eu digo: as trevas, com efeito, me encobrirão, e a luz ao redor de mim se fará
noite,
12 até as próprias trevas não te serão escuras: as trevas e a luz são a mesma coisa.
13 Pois tu formaste o meu interior tu me teceste no seio de minha mãe.
14 Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as
tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem;
15 os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido
como nas profundezas da terra.
16 Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos
todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia
ainda.
17 Que preciosos para mim, ó Deus, são os teus pensamentos! E como é grande a soma
deles!
18 Se os contasse, excedem os grãos de areia; contaria, contaria, sem jamais chegar ao
fim.
19 Tomara, ó Deus, desses cabo do perverso; apartai-vos, pois, de mim, homens de
sangue.
20 Eles se rebelam insidiosamente contra ti e como teus inimigos falam malícia.
21 Não aborreço eu, SENHOR, os que te aborrecem? E não abomino os que contra ti se
levantam?
22 Aborreço-os com ódio consumado; para mim são inimigos de fato.
23 Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus
pensamentos;
24 vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno.”

Capitulo 9

“ I - Deus dotou a vontade do homem de tal liberdade natural, que ela nem é forçada
para o bem nem para mal, nem a isso é determinada por qualquer necessidade absoluta
de sua natureza”.

“ II - O homem, em seu estado de inocência (antes da queda), tinha a liberdade e o


poder de querer e fazer aquilo que é bom e agradável a Deus, mas podendo mudar, de
sorte que pudesse cair dessa liberdade e poder.”

“III - O homem, ao cair no estado de pecado, perdeu inteiramente todo o poder de


vontade quanto a qualquer bem espiritual que acompanhe a salvação; de sorte que um
homem natural, inteiramente avesso a esse bem e morto no pecado, é incapaz de, pelo
seu próprio poder, converter-se ou mesmo preparar-se para isso.”

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RESPONDA:

1. De acordo com o parágrafo I podemos crer que não temos como resistir a nossa
vontade? Somos mesmos escravos da vontade?
_______________________________________________________
Após a resposta leia: Tiago1. 14.

2. Quando o homem teve mesmo sua liberdade real de acordo com o segundo parágrafo?
Explique a relação de Romanos 3.9,12, 23 com este texto.
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

3. O homem natural, sem Cristo, pode escolher o bem de fato, pode decidir quanto à vida
eterna e o agradar a Deus?
Mostre a resposta de acordo com João 6.44,65, I Cor 2.14 e Rom. 8.8.
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

4. A luz do Salmo 139, acima transcrito, veja como se manifesta a soberania de Deus em
nosso viver.
_________________________________________________________________________

CAPÍTULO IX DO LIVRE ARBÍTRIO (CFW)

CAMINHANDO PARA A SALVAÇÃO.

Sendo salvo pela exclusiva graça de Deus que lhe deu vida estando ainda morto, o homem
recebe o poder do Espírito Santo para obedecer e decidir pelo bem.

Texto: Efésios 2.1-10


“ Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus;
não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo
Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”.

“IV – Quando Deus converte um pecador e o transfere para o estado de graça, ele o
liberta de sua natural escravidão ao pecado e, somente por sua graça, o habilita a querer
e a fazer com toda liberdade o que é espiritualmente bom, mas isso de tal modo que, por
causa da corrupção ainda existente nele, o pecador não faz o bem perfeitamente, nem
deseja somente o que é bom, mas também o que é mau.”

“V – É no estado de glória que a vontade do homem se torna perfeita e imutavelmente


livre para o bem só.”

REFLEXÃO:

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1. Quando nos convertemos, nos tornamos completamente bons?
Paulo era um crente, Davi era um crente. Você se lembra de algo na vida deles que
evidencia a verdade que, embora crentes, não somos perfeitos?
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

2. Quem, em última análise, opera o bem em nós?


Se fazemos qualquer coisa boa, é mesmo por quê? (Ver Filip. 2.13) Relacione com João
15.5.
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

3. Alguém que se converteu pode dizer, nesta vida, algum dia, que não pecou? O que I
João 1.8-10 e 2 Cron.6.36 podem ajudar nesta afirmação?
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4. De acordo com o parágrafo V, quando é mesmo que seremos perfeitos? I João 3.2 e
Apoc. 22.3,4.
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5. À luz deste capítulo podemos concluir que, já que não podemos fazer o bem por nós
mesmos, então não temos culpa do mal que praticamos? Qual parágrafo do capitulo 9
(Lição 21,22) nos mostra que somos mesmo culpados do mal que procuramos? Explique de
que maneira I João 1.8-10 e 2.1-6 equilibram a verdade de que, se fazemos o bem é por
Deus e, se fazemos mal, somos culpados.
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CAPÍTULO X A CAMINHO DA SALVAÇÃO


DA VOCAÇÃO EFICAZ –

Texto: Atos 9
“1 Saulo, respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se
ao sumo sacerdote
2 e lhe pediu cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de que, caso achasse alguns
que eram do Caminho, assim homens como mulheres, os levassem presos para
Jerusalém.
3 Seguindo ele estrada fora, ao aproximar-se de Damasco, subitamente uma luz do céu
brilhou ao seu redor,
4 e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?

52
5 Ele perguntou: Quem és tu, Senhor? E a resposta foi: Eu sou Jesus, a quem tu
persegues;
6 mas levanta-te e entra na cidade, onde te dirão o que te convém fazer.
7 Os seus companheiros de viagem pararam emudecidos, ouvindo a voz, não vendo,
contudo, ninguém.
8 Então, se levantou Saulo da terra e, abrindo os olhos, nada podia ver. E, guiando-o
pela mão, levaram-no para Damasco.
9 Esteve três dias sem ver, durante os quais nada comeu, nem bebeu.
10 Ora, havia em Damasco um discípulo chamado Ananias. Disse-lhe o Senhor numa
visão: Ananias! Ao que respondeu: Eis-me aqui, Senhor!
11 Então, o Senhor lhe ordenou: Dispõe-te, e vai à rua que se chama Direita, e, na casa
de Judas, procura por Saulo, apelidado de Tarso; pois ele está orando
12 e viu entrar um homem, chamado Ananias, e impor-lhe as mãos, para que
recuperasse a vista.
13 Ananias, porém, respondeu: Senhor, de muitos tenho ouvido a respeito desse homem,
quantos males tem feito aos teus santos em Jerusalém;
14 e para aqui trouxe autorização dos principais sacerdotes para prender a todos os que
invocam o teu nome.
15 Mas o Senhor lhe disse: Vai, porque este é para mim um instrumento escolhido para
levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel;
16 pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome.”

O Chamado de nosso Deus é irresistível. Para sermos crentes devemos ser


chamados pelo Senhor Deus. Vamos ver como isto maravilhosamente acontece.

Neste estudo você vai descobrir:


1. O significado da vocação eficaz
2. Um comentário sobre salvação de crianças
3. A posição do não eleito.

A Confissão agora se torna para a aplicação da obra de Cristo nos eleitos. Os


próximos oito capítulos tratam dos vários aspectos da salvação.

1. O SIGNIFICADO DA VOCAÇÃO EFICAZ

“I – Todos aqueles que Deus predestinou para a vida, e só esses, são por Ele servidos, no
tempo por Ele determinado e aceito, chamados eficazmente pela sua palavra e pelo seu
Espírito, tirando-os por Jesus Cristo daquele estado de pecado e morte em que estão por
natureza, e transpondo-os para a graça e salvação. Isto Ele faz, iluminando os seus
entendimentos espirituais a fim de compreenderem as coisas de Deus para a salvação,
tirando-lhes os seus corações de pedra e dando-lhes corações de carne; renovando-as
suas vontades e determinando-as pela sua onipotência para aquilo que é bom e atraindo-
os eficazmente a Jesus Cristo, mas de maneira que eles vêm mui livremente, sendo para
isso dispostos pela sua graça.”

53
“II – Esta vocação eficaz é só da livre e especial graça de Deus e não provém de
qualquer coisa prevista no homem; na vocação o homem é inteiramente passivo, até que,
vivificado e renovado pelo Espírito Santo, fica habilitado a corresponder a ela e receber a
graça nela oferecida e comunicada.”

O termo “vocação eficaz” tem sido usado de diversas maneiras nos textos de
teólogos reformados. Para alguns, é usado num sentido mais restrito, para se referir apenas
ao chamado do Pai, como Ele chama os pecadores das trevas para a luz (ex.: Prof. J.
Murray). Para outros, é usado para descrever a entrada inicial para a salvação e inclui
convicção e o novo nascimento. É assim que é usado nos padrões Westminster, sendo o
Breve Catecismo um exemplo claro disso. (os padrões de doutrina da IPB são Confissão
e os catecismos Maior e Breve)

“Vocação eficaz” é a obra do Espírito de Deus pela qual, convencendo-nos de


nosso pecado e de nossa miséria, iluminando nossos entendimentos no conhecimento do
Cristo, e renovando nossa vontade, nos persuade e habilita a abraçar Jesus Cristo, que
nos é oferecido de graça no evangelho (Pergunta 31 do Breve catecismo).

Este primeiro parágrafo é um exemplo desse uso do termo. Algumas questões


devem ser observadas:

i) Uma vocação eficaz é uma vocação que será obedecida. Seu propósito é
inevitável. Outros podem ser chamados, mas somente os eleitos é que irão
obedecer.

ii) Deus faz esse chamado quando lhe aprouver. Não é ordenado pelo homem,
mas por Deus.

iii) É através de sua Palavra e Espírito, ambos caminham juntos. O Espírito usa a
Palavra e a torna eficaz. Sem o Espírito Santo a Palavra não terá efeito, será
ignorada, é uma letra morta para o ouvinte.

iv) Este chamado leva o eleito do pecado para o estado de salvação.

v) Vários fatores estão envolvidos:

a) As mentes dos que são chamados, são iluminadas. Eles agora estão
vindo para serem convencidos da seriedade do pecado e da resposta no
Evangelho. Não é um mero grande conhecimento, mas sim um
conhecimento de salvação. Eles têm um verdadeiro conhecimento para o
real significado do Evangelho. Muitas pessoas sabem o que a Bíblia diz,
mas não se convencem da necessidade dela. A obra do Espírito na
vocação eficaz traz esta realidade para conduzi-los.
b) Na regeneração, o antigo centro de controle pecador é destruído e um
novo se instala. O poder do pecado é quebrado. Este ato do Espírito
Santo também inclui a renovação da vontade. A vontade, a qual fora

54
denominada pelo pecado, deve ser libertada a fim de que a pessoa possa
se voltar para Cristo.
c) Eles agora estão predispostos mais para o bem do que para o mal e o Pai
os conduz até Cristo (Efésios 1.19 e João 6.44)

vi) Eles vêm livremente até Cristo; não são forçados. Isso porque Deus mudou
toda a perspectiva deles no novo nascimento e eles vêm felizes colocar toda fé
no Salvador

A ordem da salvação, isto é, os passos que Deus determina em nosso resgate, mostra
aqui que regeneração/novo nascimento antecede a fé. Conversão é o resultado da nova
natureza não a causa. (Entende-se conversão como sendo a resposta da pessoa no
arrependimento e na fé).
O fato de que este chamado está todo em Deus é enfatizado no segundo parágrafo.
Observe os dizeres:

“II – Esta vocação eficaz é só da livre e especial graça de Deus e não provém de
qualquer coisa prevista no homem; na vocação o homem é inteiramente passivo, até que,
vivificado e renovado pelo Espírito Santo, fica habilitado a corresponder a ela e receber a
graça nela oferecida e comunicada.”

A expressão receber a graça se refere à salvação em Cristo. Observe também que


graça vem junto com o chamado, e é por isso que é eficaz.
Uma informação precisa ser esclarecida aqui: não devemos pensar que um novo
nascimento acontece muito antes da conversão. O ensinamento da Confissão é que a
resposta ao chamado (fé e arrependimento) é imediata. O pecador regenerado sempre
exercita a fé.

EXERCÍCIO:

Abaixo transcreva o que Deus faz ao pecador escolhido conforme o parágrafo IV:
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_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
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EXPOSIÇÃO DA CONFISSÃO DE FÉ 8

A CAMINHO DA SALVAÇÃO,
QUANTO AOS NÃO ELEITOS.

Salmo 73
“1 Com efeito, Deus é bom para com Israel, para com os de coração limpo.
2 Quanto a mim, porém, quase me resvalaram os pés; pouco faltou para que se
desviassem os meus passos.
3 Pois eu invejava os arrogantes, ao ver a prosperidade dos perversos.
4 Para eles não há preocupações, o seu corpo é sadio e nédio.
5 Não partilham das canseiras dos mortais, nem são afligidos como os outros homens.
6 Daí, a soberba que os cinge como um colar, e a violência que os envolve como manto.
7 Os olhos saltam-lhes da gordura; do coração brotam-lhes fantasias.
8 Motejam e falam maliciosamente; da opressão falam com altivez.
9 Contra os céus desandam a boca, e a sua língua percorre a terra.
10 Por isso, o seu povo se volta para eles e os tem por fonte de que bebe a largos sorvos.
11 E diz: Como sabe Deus? Acaso, há conhecimento no Altíssimo?
12 Eis que são estes os ímpios; e, sempre tranqüilos, aumentam suas riquezas.
13 Com efeito, inutilmente conservei puro o coração e lavei as mãos na inocência.
14 Pois de contínuo sou afligido e cada manhã, castigado.
15 Se eu pensara em falar tais palavras, já aí teria traído a geração de teus filhos.
16 Em só refletir para compreender isso, achei mui pesada tarefa para mim;
17 até que entrei no santuário de Deus e atinei com o fim deles.
18 Tu certamente os pões em lugares escorregadios e os fazes cair na destruição.
19 Como ficam de súbito assolados, totalmente aniquilados de terror!
20 Como ao sonho, quando se acorda, assim, ó Senhor, ao despertares, desprezarás a
imagem deles.
21 Quando o coração se me amargou e as entranhas se me comoveram,
22 eu estava embrutecido e ignorante; era como um irracional à tua presença.
23 Todavia, estou sempre contigo, tu me seguras pela minha mão direita.
24 Tu me guias com o teu conselho e depois me recebes na glória.
25 Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra.
26 Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu
coração e a minha herança para sempre.
27 Os que se afastam de ti, eis que perecem; tu destróis todos os que são infiéis para
contigo.
28 Quanto a mim, bom é estar junto a Deus; no SENHOR Deus ponho o meu refúgio,
para proclamar todos os seus feitos.”

Há sempre grandes dificuldades quanto ao tratamento com os não eleitos. Elas


surgem da maneira como Deus os trata, de como aparentemente eles prosperam. Contudo
também seus filhos são para nós um mistério. Eles serão salvos se morrerem na infância?
Cremos que a Salvação não é algo que dependa da Idade. Somos nascidos em Pecado. Se
morrerem crianças elas serão salvas? Vejamos o que diz a nossa confissão de Fé.

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2. UM COMENTÁRIO SOBRE SALVAÇÃO DE CRIANÇAS

“III – As crianças que morrem na infância, sendo eleitas, são regeneradas e por Cristo
salvas, por meio do Espírito, que opera quando, onde e como quer. Do mesmo modo são
salvas todas as outras pessoas incapazes de serem exteriormente chamadas pelo
ministério da Palavra.”

Este assunto a respeito da salvação infantil é de grande interesse pastoral. A


Confissão não ensina que todas as crianças serão salvas e nem nega. Ela procura refletir
sobre este silêncio da Escritura sobre o assunto. Note bem:

- Assume-se que haja crianças eleitas e como resultado haverá crianças salvas.
Não diz que todas as crianças são eleitas.
- Estas crianças são salvas através de Cristo. Elas também são regeneradas. Se
negarmos a prioridade do novo nascimento e dissermos que a fé ocorre
primeiro, então estaremos negando a salvação das crianças e daqueles incapazes
da fé inteligente.
- Outros tais como os que são mentalmente prejudicados, são aqui incluídos.
- A Confissão não forma teorias sobre a tal “idade da responsabilidade”, uma vez
que isso não é um conceito bíblico.

A maneira pela qual a Confissão lida com assuntos tão delicados nos ensina que
nós também devemos alegar falta de conhecimento onde a Escritura é silenciosa.

REFLEXÃO:

1. Se a Escritura faz silêncio sobre a salvação da criança dos não crentes, qual deve ser
também nossa atitude?
____________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
2. Qual maior obstáculo quanto à crença na salvação das crianças em geral? (Filhos dos não
crentes).__________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

3. A POSIÇÃO DO NÃO ELEITO (10.4)

Atos 8.9-24
“9 Ora, havia certo homem, chamado Simão, que ali praticava a mágica, iludindo o
povo de Samaria, insinuando ser ele grande vulto;
10 ao qual todos davam ouvidos, do menor ao maior, dizendo: Este homem é o poder de
Deus, chamado o Grande Poder.
11 Aderiam a ele porque havia muito os iludira com mágicas.
12 Quando, porém, deram crédito a Filipe, que os evangelizava a respeito do reino de
Deus e do nome de Jesus Cristo, iam sendo batizados, assim homens como mulheres.
13 O próprio Simão abraçou a fé; e, tendo sido batizado, acompanhava a Filipe de perto,
observando extasiado os sinais e grandes milagres praticados.

57
14 Ouvindo os apóstolos, que estavam em Jerusalém, que Samaria recebera a palavra de
Deus, enviaram-lhe Pedro e João;
15 os quais, descendo para lá, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo;
16 porquanto não havia ainda descido sobre nenhum deles, mas somente haviam sido
batizados em nome do Senhor Jesus.
17 Então, lhes impunham as mãos, e recebiam estes o Espírito Santo.
18 Vendo, porém, Simão que, pelo fato de imporem os apóstolos as mãos, era concedido
o Espírito Santo , ofereceu-lhes dinheiro,
19 propondo: Concedei-me também a mim este poder, para que aquele sobre quem eu
impuser as mãos receba o Espírito Santo.
20 Pedro, porém, lhe respondeu: O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois julgaste
adquirir, por meio dele, o dom de Deus.
21 Não tens parte nem sorte neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de
Deus.
22 Arrepende-te, pois, da tua maldade e roga ao Senhor; talvez te seja perdoado o
intento do coração;
23, pois vejo que estás em fel de amargura e laço de iniqüidade.
24 Respondendo, porém, Simão lhes pediu: Rogai vós por mim ao Senhor, para que
nada do que dissestes sobrevenha a mim.
(Atenção para o versículo 13: o próprio Simão abraçou a fé...)”

“IV – Os não eleitos, posto que sejam chamados pelo ministério da Palavra e tenham
algumas das operações comuns do Espírito, contudo não se chegam nunca a Cristo e,
portanto, não podem ser salvos; muito menos poderão ser salvos por qualquer outro meio
os que não professam a religião cristã, por mais diligentes que sejam em conformar suas
vidas com a luz da natureza e com a lei da religião que professam; o asseverar e manter
que podem é muito pernicioso e detestável.”

Este parágrafo final discute o estado do não eleito. Duas categorias são
mencionadas: aquelas que ouviram o Evangelho, mas não responderam, e aquelas que são
membros de outras religiões.
Admite-se que muitas pessoas ouvem a Palavra, mas nunca alcançam a fé. O
Espírito Santo pode mesmo abençoá-las em graça comum e podem até experimentar
algumas graças da salvação. (Como geralmente acontece em momentos de revificação,
quando as pessoas são levadas pela multidão, mas, não alcançam a fé). O Evangelho é tão
maravilhoso, que mesmo que uma pessoa seja por ele influenciada, isto constitui numa
bênção. Embora tal pessoa seja mais culpada diante de Deus por conhecer e resistir.
Essas pessoas nunca alcançam Cristo e, portanto, não podem ser salvas. A culpa
recai sobre a recusa de chegar até o Senhor, que é o único caminho da salvação.
No caso daqueles que são membros de outras religiões, a Confissão ensina que é
impossível para eles serem salvos, a não ser através do Evangelho. Aclamar que podem é
muito pernicioso e detestável.
Referências cruzadas com os Catecismos:
Breve Catecismo: Perguntas: 31, 32
Catecismo Maior: Perguntas 67-69

Para meditar e discutir:

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Como poderia esse ensinamento sobre vocação eficaz afetar nossa evangelização? (Tornar
atraente para o público, etc.)
De acordo com o ensinamento deste capítulo, ninguém pode ser salvo a não ser a partir do
Evangelho. O que estamos fazendo a respeito da extensão mundial?
O que você tem a dizer a uma pessoa que diz que todas as religiões são boas e afinal levam
para o céu?

CAPÍTULO XI
A GRAÇA DE DEUS EM NOS PERDOAR, E MAIS, NOS RECEBER COMO
JUSTOS EM CRISTO E NOS ADOTAR EM SUA SANTA FAMILIA.

DA JUSTIFICAÇÃO -
Texto: Romanos 8.15-23

“15 Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez,
atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba,
Pai.
16 O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.
17 Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com
Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados.
18 Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem
ser comparados com a glória a ser revelada em nós.
19 A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus.
20 Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele
que a sujeitou,
21 na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para
a liberdade da glória dos filhos de Deus.
22 Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até
agora.
23 E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito,
igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do
nosso corpo.”

3. JUSTIFICAÇÃO E ADOÇÃO

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Capítulos 11 e 12 – Da Justificação e Adoção

Neste estudo você vai descobrir:


- O significado da justificação.
- Como a justificação se encaixa no plano de Deus.
- A relação entre justificação e perdão nos crentes.
- A maravilha de se pertencer à família de Deus.

Texto: Romanos 5.1-11

“1 Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor
Jesus Cristo;
2 por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual
estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus.
3 E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que
a tribulação produz perseverança;
4 e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança.
5 Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso
coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado.
6 Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.
7 Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se
anime a morrer.
8 Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por
nós, sendo nós ainda pecadores.
9 Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da
ira.
10 Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do
seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida;
11 e não apenas isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus
Cristo, por intermédio de quem recebemos, agora, a reconciliação.”

A doutrina da justificação é crucial para nosso entendimento da fé bíblica e o


desconhecimento desta doutrina tem envolvido hoje a Igreja, dita evangélica, em tolas
crendices. A Confissão e o Catecismo discutem com clareza total sobre esse assunto e um
estudo cuidadoso deste capítulo permitirá aos crentes terem um conhecimento dessa
doutrina central.

1. O SIGNIFICADO DA JUSTIFICAÇÃO (11:1,2)

“I – Os que Deus chama eficazmente, também livremente justifica. Esta justificação não
consiste em Deus infundir neles a justiça, mas em perdoar os seus pecados e em
considerar e aceitar as suas pessoas como justas. Deus não os justifica em razão de
qualquer coisa neles operada ou por eles feita, mas somente em consideração da obra de
Cristo; não lhes imputando como justiça a própria fé, o ato de crer ou qualquer outro ato
de obediência evangélica, mas imputando-lhes a obediência e a satisfação de Cristo,

60
quando eles o recebem e se firmam nele pela fé, que não tem de si mesmos, mas que é
dom de Deus.

II – A fé, assim recebendo e assim se firmando em Cristo e na justiça dele, é o único


instrumento de justificação; ela, contudo, não está sozinha na pessoa justificada, mas
sempre anda acompanhada de todas as outras graças salvadoras; não é uma fé morta,
mas obra por amor.”

Ter sido justificado significa estar em verdadeira relação com Deus, ser aceito por
Ele. Isso implica que o pecador é perdoado.
Este parágrafo começa ligando vocação eficaz com justificação, isto é, aqueles que
são chamados são justificados.
A tão importante distinção entre retidão, honradez e idoneidade concedida e retidão
atribuída, começa aqui.
Uma pessoa não é colocada diante de Deus como reta, como se a justiça fosse
infundida neles, interiormente. Eles não são aceitos porque eles são feitos bons através de
uma graça ou através da obra do Espírito Santo, neles regenerando-os e santificando-os. A
conclusão a respeito da justiça infundida, é que seus bons atos os tornam aceitos por Deus.
Este é o ensinamento do Catolicismo Romano.
Ao contrário, a Fé Reformada ensina que a pessoa é aceita por Deus, porque a
justiça de Cristo foi a Ele creditada ou atribuída. Isso é conhecido como justiça atribuída. E
é por causa dessa justiça atribuída, que o pecador é declarado “não culpado”.
Justificação é um termo legal. Um juiz não pode mudar a natureza de uma pessoa
declarando-o não culpado. Deus, ao declarar que um pecador não é culpado, não muda a
natureza do pecador, mas a penalidade é retirada. A natureza da pessoa é mudada na
salvação, mas esta não é a razão de sua aceitação por Deus.
A razão pela qual uma pessoa é aceita se deve aos atos de Cristo somente, sua
obra, não obra dessa pessoa. É de extrema importância observar a frase “atribuindo a
obediência e satisfação de Cristo neles”.
Foram ambos, sua vida e sua morte, que obtiveram a salvação para o eleito. Ele fez
boas obras em favor deles, Ele morreu para retirar o castigo do santo Deus contra o pecado.
E fazendo isso, Ele satisfez a vontade divina.
É esta justiça que é atribuída ao pecador, a fim de que Deus possa declará-lo não
culpado por causa da obra do Messias. Isto não é uma ficção; é a verdade porque aqueles
em Cristo são tidos justos por causa Dele. Não é a fé que é concedida, ou qualquer outra
obra que uma pessoa possa realizar, mas sim a obra de Cristo que é creditada, atribuída.
Nos dois primeiros parágrafos, é discutida a relação de fé para justificação. É
ensinado o seguinte:

i) Não é a fé que salva, mas Cristo.


ii) A fé é uma dádiva de Cristo, não é merecida.
iii) É a fé em Cristo somente, e a dádiva da justiça, o único caminho para o
pecador receber a justificação.
iv) A fé não vem só na pessoa que é verdadeiramente justificada, mas vem
acompanhada de boas obras. Essas obras seguem a fé e a justificação, porém,
não constitui a causa delas.

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REFLEXÕES:

1. Justificar é o ato da livre graça de Deus pela qual ele nos declara justificados pelos
méritos de Jesus Cristo, isto é, ele anula a nossa condenação, remove a nossa culpa e
somos publicamente declarados justificados. É mais que perdão, pois no perdão recebemos
remissão, mas na justificação somo aceitos diante de Deus.

Responda:
1. A justificação ocorre dentro ou fora de nosso interior?__________________________
2. Dê uma olhada em Romanos 5.1-11, no cabeçalho deste estudo, e veja quantas graças
acompanham a Justificação:
1________________________________________(5.1)
2.______________________________________ (5.2) gloriamos = nos
regozijamos exultantes
3._______________________________________(5.3)
4.______________________________________(5.10)
5. Recebemos a __________________________ (5.11)

2. COMO A JUSTIFICAÇÃO SE ENCAIXA NO PLANO DE DEUS (11.3,4,6)

“III – Cristo, pela sua obediência e morte, pagou plenamente a dívida de todos os que
são justificados e, em lugar deles, fez seu Pai uma satisfação própria, real e plena.
Contudo, como Cristo foi pelo Pai dado em favor deles e como a obediência e a
satisfação Dele foram aceitas em lugar deles, ambas livremente e não por qualquer coisa
neles existente, a justificação deles é só da livre graça, a fim de que tanto a justiça
restrita como a abundante graça de Deus sejam glorificadas na justificação dos
pecadores.”

“IV – Deus, desde toda a eternidade, decretou justificar todos os eleitos, e Cristo, no
cumprimento do tempo, morreu pelos pecados deles e ressuscitou para a justificação
deles; contudo, eles não são justificados enquanto o Espírito Santo no tempo próprio não
lhes aplica de fato os méritos de Cristo.”

“V – A justificação dos crentes sob o Velho Testamento era, em todos esses respeitos, a
mesma justificação dos crentes sob o Novo Testamento.”

Há sempre o perigo de considerar Cristo como estando entre um Pai zangado e os


pecadores. O terceiro parágrafo discute contra esta falsa idéia.
O parágrafo começa com uma clara afirmação que Cristo satisfez a justiça do Pai
em favor dos eleitos. Deus é santo e não podia ignorar o pecado, então Cristo tomou para si
a punição dos pecadores e, assim, satisfez a justiça de Deus. Contudo foi o Pai que deu o
seu Filho, isto revela seu amor e sua graça, neste ato do Pai e do Filho, ambas, a justiça
restrita e a abundante graça a sãs reveladas a fim de que Deus possa ser glorificado na
justificação dos pecadores.

62
Vale a pena observar a ênfase dada, neste parágrafo, ao fato de que a justiça restrita
de Deus foi satisfeita, portanto, os pecadores não têm nada a acrescentar. A justificação
deles é da livre graça.
O parágrafo (11:4) contradiz o ensinamento de que os eleitos são justificados desde
toda a eternidade. Porque é parte do plano de Deus justificar os eleitos, contudo, a morte e
ressurreição de Cristo são os meios de realizá-lo. O fato real da justificação na pessoa não
acontece enquanto o Espírito Santo, no tempo próprio, não lhes aplica de fato os méritos de
Cristo.
O parágrafo final deste capítulo ensina que os crentes do Velho Testamento eram
justificados por Cristo como aqueles do Novo Testamento. O plano de Deus é único na
salvação dos pecadores.

RESPONDA:
1. Quando ocorre nossa eleição? ______________________________________________
2. E quando ocorre nossa justificação? _________________________________________
3. Quem vem primeiro: a fé ou o novo nascimento, a regeneração? __________________
4. Coloque em ordem: fé, eleição, justificação, regeneração. (Você pode ter dificuldade
com as duas últimas, qual vem primeiro. Elas podem ser simultâneas, mas mesmo assim
você pode tentar enumerar.)_______________________________________________

3. A LIGAÇÃO ENTRE JUSTIFICAÇÃO E PERDÃO NOS CRENTES

“V – Deus continua a perdoar os pecados dos que são justificados. Embora eles nunca
possam decair do estado de justificação poderão, contudo, incorrer no paternal
desagrado de Deus, e ficar privados da luz do seu rosto, até que se humilhem, confessem
os seus pecados, peçam perdão e renovem a sua fé e o seu arrependimento.”

A velha pergunta, o que acontece se um crente pecar, é respondido neste parágrafo.


Aqueles que são justificados continuam a receber perdão, eles não podem perder sua
justificação; porque isso dependeu de Cristo, do que ele fez na cruz perfeitamente, e não do
que fez ou faz o crente.
É possível que o crente que peca seja censurado pelo Pai e perca a alegria de sua
comunhão com Ele. Isso perdurará até que ele confesse seus pecados, procure o perdão e
renove a fé e o arrependimento.
O verdadeiro crente pode perder a alegria da salvação, mas não a salvação. Isso se
aplica apenas àqueles que são crentes e não àqueles que se enganam achando que são
crentes, quando na verdade não o são.
Uma pessoa que freqüentemente peca e vive entregue ao pecado, não pode contar
com a paz e muito menos dizer que é crente. O crente não vive na prática do pecado. Uma
coisa é você ter um acidente, outra é viver acidentando-se por procurar a queda.

RESPONDA: Dê dois exemplos Bíblicos de gente crente que vacilou feio, contudo se
arrependeram profundamente. (De preferência um no Antigo e outro no Novo Testamento).
_________________________________________________________________________

Mostre aos irmãos a relação dos seus problemas e a doutrina que você/estudou.

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CAPÍTULO XII

ACERCA DA ADOÇÃO

Texto: Mateus 6.9-15: Um filho ora ao Pai.


As bênçãos da filiação espiritual: Adoção.

“9 Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu
nome;
10 venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;
11 o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;
12 e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos
devedores;
13 e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal, pois teu é o reino, o poder e
a glória para sempre. Amém!”

A MARAVILHA DE PERTENCER À FAMÍLIA DE DEUS

“Todos os que são justificados, é Deus servido, em seu único Filho Jesus Cristo e
por Ele, fazer participantes da graça da adoção. Por essa graça eles são recebidos no
número dos filhos de Deus e gozam a liberdade e privilégio deles; têm sobre si o nome
deles, recebem o Espírito de adoção, têm acesso com confiança ao trono da graça e são
habilitados, a clamar – “Abba, Pai”; são tratados com comiseração, protegidos, providos
e por ele corrigidos, como por um Pai; nunca, porém abandonados, mas selados para o
dia de redenção, e herdam as promessas, como herdeiros da salvação.”

A Confissão de Westminster é a única Confissão reformada a ter um capítulo tão


conciso, a respeito da Adoção.
Todos aqueles que foram justificados têm o privilégio da adoção. Não apenas fomos
perdoados, mas trazidos de volta à família que perdemos em Adão. Somos agora filhos do
Pai, temos o espírito da adoção. Isso se refere a graça do Espírito Santo a qual todos os
crentes tem como resultado de serem adotados na família de Deus (Gálatas 4.6). O Espírito

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Santo é chamado de espírito de adoção (Romanos 8.15) uma vez que ele é quem gera em
nossos corações o amor e a confiança de uma criança para que possamos chamar Deus
“Abba, Pai” (Abba era o nome que uma criança usava nos tempos de Jesus para se dirigir
ao seu pai, assim como nós dizemos “papai”).
Os privilégios da adoção estão relacionados na Confissão. Observe que inclui
disciplina (Hebreus 12.7). O Pai jamais rejeita qualquer filho adotado, uma vez que ele
tenha sido selado pelo Espírito para o dia da redenção. Em outras palavras, o Espírito Santo
fora dado a eles como a marca da propriedade do Pai (2 Coríntios 1.22). Eles terão a certeza
da salvação eterna.
Na adoção, segundo a lei Romana chamada Pater Potestas, (Poder do Pai), o filho
adotado recebia plenos direitos de um filho legítimo, recebia o nome da nova família, um
outro nome, todas as suas dívidas que foram contraídas na antiga família eram canceladas,
ele praticamente morria em relação à família anterior. O antigo Pai nunca mais lhe poderia
exercer qualquer direito ou lhe tocar ou dirigir. Era herdeiro por lei da nova família.
A adoção, assim como a justificação, é um ato legal. Ela afeta a relação do pecador
com Deus, mas não transforma sua natureza.
Há muita coerência nas doutrinas: a justificação e a adoção não mudam o pecador.
A mudança ocorre na doutrina que chamamos regeneração.

Referências cruzadas com o catecismo:


Breve Catecismo: (perg. 33-34)
Catecismo Maior: (perg. 70-74)

Para refletir e discutir:


1. Você considera que pode haver uma enorme ênfase no novo nascimento hoje à custa
da justificação? Ou seja, as pessoas são empurradas para a decisão por Cristo, sem
conhecer o que Jesus fez por elas..
2. Quais benefícios você acha que o renascimento da doutrina de adoção traria?
3. Que bênçãos nos vêm através da adoção? Compare a experiência da adoção do
sistema Pater Potestas com a nossa adoção celestial.

CAPÍTULO XIII

DA SANTIFICAÇÃO -

Neste estudo você vai descobrir:


- A santificação inicial do crente.
- A natureza progressiva da santificação

Textos:
“Romanos 6:22 - Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus,
tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna;
1 Coríntios 1:30 - Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de
Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção,

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1 Ts 4:3 - Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da
prostituição;
1 Ts 4:4 - que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra,
1 Ts 4:7 - porquanto Deus não nos chamou para a impureza, e sim para a santificação.
2 Ts 2:13 - Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo
Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação
do Espírito e fé na verdade,
1 Timóteo 2:15 - Todavia, será preservada através de sua missão de mãe, se ela
permanecer em fé, e amor, e santificação, com bom senso.
Hebreus 12:14 - Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o
Senhor,”

Há dois erros principais nos quais podemos cair em relação à conversão. Podemos
subestimar o que acontece na regeneração e então inventar uma segunda bênção para
melhorá-la. Os carismáticos inventaram a doutrina da Segunda bênção, o batismo com o
Espírito Santo, depois da conversão (Veja Efésios 1.13 e verifique o dia que o ocorre o
selo, ou batismo). Ou podemos superestimá-la, pensando que nós a alcançamos e nenhum
outro progresso tem de ser realizado. Caímos na heresia do perfeccionismo. Este capítulo
nos dá uma visão bíblica e equilibrada da conversão e seus efeitos. O aspecto interno da
conversão é santificação.

1. A SANTIFICAÇÃO INICIAL DO CRENTE (13.1)

“I Os que são eficazmente chamados e regenerados, tendo criado em si um novo


coração e um novo espírito, são, além disso, santificados real e pessoalmente, pela
virtude da morte e ressurreição de Cristo, pela sua palavra e pelo seu Espírito, que neles
habita; o domínio do corpo do pecado é neles todo destruído, as suas várias
concupiscências são mais e mais enfraquecidas e mortificadas, e eles são mais e mais
vivificados e fortalecidos em todas as graças salvadoras, para a prática da verdadeira
santidade, sem a qual ninguém verá a Deus.”

No primeiro parágrafo são analisados os caracteres inicial e progressivo da


santificação. Aqueles que são regenerados são mais tarde santificados. A palavra
santificado significa ser separado do uso do pecado para a santidade.
O primeiro significa que, assim como o novo nascimento, eles são santificados, eles
são separados. Os textos de prova usaram bem esta interpretação, especialmente 1 Coríntios
6.11 “... vós fostes lavados, vós fostes santificados... em nome do Senhor Jesus”. A ênfase
seria no ato definitivo na hora da conversão.
Essa interpretação iria então se ligar com a frase: “o domínio do corpo do pecado é
neles destruído”. Para interpretar o parágrafo neste sentido, significaria que a primeira parte
do parágrafo lida com o ato da santificação na conversão, o qual quebra a força do pecado e
implanta uma nova natureza no pecador (Romanos 6.5 e seguintes, 14, 18).
Quando entendermos “avanço” para nos referirmos a um crescimento na
santificação, da qual as sementes foram plantadas no novo nascimento, então a frase sobre
o corpo do pecado sendo destruído fica com o significado que de fato existe um

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crescimento paulatino em nossa vida espiritual. Negligenciar esta área de santificação
definitiva é subestimar a mudança radical que a salvação traz.

2. A NATUREZA PROGRESSIVA DA SANTIFICAÇÃO (13.2-3)

II – Esta santificação é no homem todo, porém imperfeita nesta vida; ainda persistem em
todas as partes dele, restos da corrupção, e daí nasce uma guerra contínua e
irreconciliável – a carne lutando contra o espírito e o espírito contra a carne.

III – Nesta guerra, embora prevaleçam por algum tempo as corrupções que ficam, a
parte regenerada do novo homem vence, pelo contínuo socorro da eficácia do
santificador Espírito Santo, e assim os santos crescem em graça, aperfeiçoando a
santidade no temor de Deus.”

Assim como há o ato inicial definitivo da santificação, há também o aspecto


progressivo dele. Isso está bem claro no Breve Catecismo, que define a Santificação como
sendo uma obra, enquanto justificação e adoção sejam definidas como um ato (perguntas
33-35). São ambas negativas; (“... as suas várias concupiscências são mais e mais
enfraquecidas e mortificadas”) e positivas (“... e são mais e mais vivificadas e fortalecidas
em todas as graças salvadoras para a prática da verdadeira santidade...”) 13.1.
O segundo parágrafo previne contra o perfeccionismo e a tranqüilidade. (O erro de
nos encostarmos e não fazer nada – uma santidade sem qualquer esforço de nossa parte).
Enquanto o homem como um todo é afetado na santificação, esta nunca será perfeita
nesta vida. Há uma guerra entre a antiga natureza, a carne, e a nova natureza, o espírito, e
isto continuará até o dia em que morremos.
Às vezes pode parecer que a natureza pecadora está tomando o controle, mas Deus
suprirá a graça, de modo que a nova natureza terá a vitória final. Este sentimento é terrível
muitas vezes. Há momentos que quase nos achamos não crentes! Dizemos: é impossível eu
ser crente, pensando e procurando agir deste modo! Que danosa e sofrida luta! Graças a
Deus que Confissão, pela Bíblia, não explica a teoria de uma vida vitoriosa constante. É
realista e reconhece que haverá momentos em que os crentes serão derrotados. Todavia, a
derrota no crente verdadeiro nunca é o fim.
Uma linda ilustração que conheci, dizia que um bom general, muitas vezes, joga
seus exércitos contra o adversário, numa atitude de derrota, para destruir o exercito inimigo.
No Brasil temos a figura do Boi de Piranha. Quando um fazendeiro quer atravessar o rio
com seu gado, ele sacrifica um boi, ferindo-o e jogando-o no rio, então, as piranhas se
dirigem todas para aquele boi, enquanto a boiada passa ilesa.
Deus pode usar, por exemplo, a disciplina de um filho, a sua derrota a fim de ajudar
a outros filhos acerca dos perigos, da necessidade de disciplina e tantas outras coisas que o
Bondoso Pai achar justo e legítimo.
Em nossa luta contra o pecado e o diabo, muitas vezes nos sentimos aparentemente
derrotados, mas isto é apenas parte da luta, a vitória é certa e segura. Somos mais que
vencedores. Mas não nos enganemos, mesmo que nosso linguajar seja de vencedores, na
realidade nossa luta é muito dolorosa.

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OBSERVAÇÃO:
É necessário aqui introduzir uma coisa que grande parte dos estudiosos esquece
quando se trata da santificação. É o seu aspecto ético, moral. Se for uma obra da graça, não
pode ser esquecido que participamos dela por ordem do Senhor. E como somos separados
do mundo, isto significa também que somos um povo especial, com procedimentos, modos,
modas, atitudes de peregrinos e forasteiros neste mundo. Um santo é uma pessoa diferente.

Lev. 10.8 Falou também o SENHOR a Arão, dizendo:


“9 Vinho ou bebida forte tu e teus filhos não bebereis quando entrardes na tenda da
congregação, para que não morrais; estatuto perpétuo será isso entre as vossas gerações,
10 para fazerdes diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo
10 e para ensinardes aos filhos de Israel todos os estatutos que o SENHOR lhes
tem falado por intermédio de Moisés.”

Aos pastores e presbíteros que muitas vezes não temem ao Senhor e deixam suas
congregações livres em todos os aspectos, necessário seria a advertência de Ezequiel:

Ezequiel 22:26 “Os seus sacerdotes transgridem a minha lei e profanam as minhas
coisas santas; entre o santo e o profano, não fazem diferença, nem discernem o imundo
do limpo e dos meus sábados escondem os olhos; e, assim, sou profanado no meio deles”.

Referências cruzadas com o Catecismo:


Breve Catecismo: 35
Catecismo Maior: 75, 77-78 (A pergunta 77 é muito importante, uma vez que ela
define a diferença entre justificação e santificação).

Para refletir e discutir:


1. É devido à falta de ênfase no ato inicial da santificação que as pessoas procuram por uma
segunda bênção?
_______________________________________________________________________

2. Algumas Igrejas, Ex. g. Nazareno, Cristã do Brasil que pregam a doutrina na qual o crê
que o crente não peca mais, ou seja, chega à perfeição mesmo nesta vida, no caso da
Cristã no Brasil, a doutrina do varão perfeito. Que danos poderia causar uma doutrina
desta?
_________________________________________________________________________

3. Discuta as diferenças importantes entre santificação e justificação.


_____________________________________________________________________
4. Como você conhece um crente verdadeiramente? Você crê que a santificação seria uma
de suas marcas? O que você diria a um crente recém-convertido sobre sua nova vida?
____________________________________________________________________
5. Como posso crescer na santificação sem me tornar um legalista (uma pessoa que exige o
cumprimento da lei de maneira rigorosa, sem paciência, ensino, disciplina...)?
____________________________________________________________________
6. Na nossa luta espiritual no caminho da santidade somos sempre vencedores? Teremos a
vitória no final?

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____________________________________________________________________

CAPITULO XIV

FÉ E ARREPENDIMENTO -
Atos 2:32-40
“32 A este Jesus Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas.
33 Exaltados, pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito
Santo, derramou isto que vedes e ouvis.
34 Porque Davi não subiu aos céus, mas ele mesmo declara: Disse o Senhor ao meu
Senhor: Assenta-te à minha direita,
35 até que eu ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés.
36 Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós
crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.
37 Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos
demais apóstolos: Que faremos irmãos?
38 Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de
Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.
39 Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão
longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar.
40 Com muitas outras palavras deu testemunho e exortava-os, dizendo: Salvai-vos desta
geração perversa.”

Capitulo 14 e 15 – Da fé que salva, do arrependimento para a vida.

Neste capítulo você vai descobrir:


- A origem da fé salvadora
- A verdadeira natureza da fé salvadora
- A necessidade do arrependimento
- A verdadeira natureza do arrependimento

Quão importante é o exame de nossa fé. Uma vez que podemos ter uma fé falsa, é
muito importante saber o que de fato a palavra de Deus diz sobre a fé. O misticismo inventa
muitas coisas, pois o povo é louco por manias e novidades, e inclinado às crendices,
superstições e asneiras que nada têm a ver com a fé bíblica. Coisas arrepiantes,
sensacionais, são uma poderosa arma na mão do Diabo para desviar as pessoas da
verdadeira e simples fé do Evangelho.
Aliás, todos devem saber que o Anticristo usará exatamente os milagres, “fogo fará
cair do céu”, demonstrará aos olhos extasiados do mundo que de fato é de Deus, através de
seus milagres. Os que não forem fiéis à Palavra serão iludidos.
Quanta crendice supersticiosa está aumentando no campo da fé evangélica.
Algumas Igrejas não mais podem ser consideradas cristãs, tanto que se desviaram como a

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Babilônia Católica. Algumas Igrejas chutam a santa e abraçam os amuletos, as águas
bentas, e quejandos...
Que Deus nos ajude neste estudo, pois a Santa Escritura fala da fé verdadeira ou
salvadora e da fé ilusória ou falsa. A Confissão é consciente que é possível estar iludido,
por isso neste capítulo explica-se a natureza verdadeira da fé salvadora.

A ORIGEM DA FÉ SALVADORA (14.1)

“I A graça da fé, pela qual os eleitos são habilitados a crer para a salvação de
suas almas, é a obra que o Espírito de Cristo faz nos corações deles, e é ordinariamente
operada pelo ministério da palavra; por esse ministério, bem como a administração dos
sacramentos e pela oração, ela é aumentada e fortalecida”.

Muitas pessoas acham que a fé é algo que eles trabalham até conseguirem crer, mas
a Confissão ensina que a fé é uma graça, e é por isso que ela se refere à graça da fé. Isto é,
fé salvadora e exercitada pelos eleitos.
A fé é plantada no coração pelo Espírito Santo. É ele que nos torna capazes de crer.
Aqui, o Espírito Santo usa o ministério da Palavra, especialmente na pregação “E, assim, a
fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo...”(Romanos 10:17)
Isso reflete a convicção reformada da importância da pregação. Através da Palavra,
a mente é informada da verdade, e pelo Espírito é capaz de aceitar e agir nela. Esta é a
maneira comum que Deus trabalha. É a forma que deveríamos esperar que Ele fizesse sua
obra. A Palavra comumente deixa espaço para a liberdade de Deus trabalhar de outra forma
em ocasiões raras. Fazendo assim ela previne contra atar a mão de Deus e também previne
as pessoas sobre procurar outras coisas.
A fé também pode crescer através dos sacramentos e orações. A palavra “cresce” é
importante aqui porque os sacramentos não têm poderes para tornar uma pessoa crente, só
pelo ritual, mas um meio de “aumentar” a fé que fora criada pelo Espírito Santo através do
ministério da Palavra.
Deve ficar claro também que a pregação é o modo, ou o método escolhido por Deus,
a fim de que pela Palavra o mundo creia. Isto significa que, mesmo que a igreja use outros
meios, estes nunca podem nem devem substituir a pregação. Uma cantata, um teatro, uma
apresentação qualquer, pode ter o seu lugar até no culto, dependendo das circunstancias
guiadas pelo Espírito Santo e pela palavra, contudo jamais deverá substituir a mensagem
pregada. Alguém disse que Deus teve um único filho e este foi não cantor, ator, mas
pregador!

A VERDADEIRA NATUREZA DA FÉ SALVADORA (14. 2,3)

“II Por essa fé o cristão, segundo a autoridade do mesmo Deus que fala em sua palavra,
crê ser verdade tudo quanto nela é revelado, e age em conformidade com aquilo que cada
passagem contém em particular, prestando obediência aos mandamentos, tremendo às
ameaças e abraçando as promessas de Deus para esta vida e para a futura; porém os
principais atos de fé salvadora são aceitar e receber a Cristo, e firmar-se só nele para a
justificação, santificação e vida eterna, isto em virtude do pacto eterno.”

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“III. Esta fé é de diferentes graus: é fraca ou forte; pode ser muitas vezes e de diversas
formas assaltada e enfraquecida, mas que logra vitória; desenvolvendo-se em muitos até
atingir uma plena segurança através de Cristo, que é tanto o autor quanto o consumador
de nossa fé.”

Esta fé salvadora tem duas partes: a aceitação da Santa Escritura como verdade e
crer em Cristo. A última parte é impossível sem a primeira.
O cristão aceita como verdade o que a Escritura diz e reconhece a autoridade de
Deus em suas palavras. A resposta do crente depende do conteúdo da passagem. Se for uma
ordem, então obedece. Se for um aviso, trememos diante dele. Se for uma promessa, nós a
abraçamos e agimos por ela. Se não acreditamos que a Escritura é verdadeira e carrega
consigo a autoridade de Deus, então podemos ignorá-la. Porém, se uma pessoa tem fé
verdadeira, é impossível rejeitar a autoridade da Escritura.
É baseado nisso que confiamos em Cristo, pois se acreditamos que a Bíblia está
errada, então não podemos aceitar o que ela diz sobre Cristo. Isto significa que não
sabemos nada a respeito dele e crer em alguém sobre a qual nada sabemos é tolice e algo
impossível. Se a Escritura nos torna capaz de aceitar como verdade o que ela nos diz sobre
Jesus Cristo, então é possível acreditar n’Aquele sobre o qual conhecemos. A fé está
relacionada com o objeto. Preferimos colocar nosso dinheiro em um banco que conhecemos
a entregá-lo a um desconhecido que bata à nossa porta para tomar conta dele.
Minha riqueza é a fé que me deu o Senhor! Não posso colocá-la em qualquer lugar!
Quando aprendemos sobre a pessoa e a obra de Cristo, então podemos confiar
apenas nele para a salvação. A fé salvadora não termina no crer na verdade que é dita a
respeito de Jesus, mas continua a crer nele, a confiar apenas nele para a justificação,
santificação e vida eterna. A fé não pode ser reduzida à mera aceitação dos fatos. É confiar
na pessoa que é revelada por estes fatos.
Alguém afirma que a fé salvadora é muito mais que concordar com informações
fatuais, é na verdade lançar-se de corpo e alma no que é afirmado! È entrar num pacto de
fato, numa aliança de vida e morte!
O terceiro parágrafo deste capítulo deixa claro que a fé nem sempre se mantém
numa constante. Às vezes, ela é fraca, mas nunca morrerá. Terá a vitória através de Cristo,
o qual é o seu autor e sustentador.

REFLEXÕES:
1. Existe só um tipo de fé?____________________________________________________
2. Como você definiria fé intelectual, histórica, temporal, milagreira e salvadora?_______
3. De onde vem a fé salvadora?________________________________________________
4. Que método instituiu Deus para que ela chegasse ao homem?______________________
5. Uma pessoa diz pra você que o missionário lhe vendeu uma aliança ungida para usar
durante seis meses, a fim de melhorar seu casamento. Aquele ato pode resultar de fato num
esforço dele para ajudá-lo no relacionamento. O casamento melhora. Ele dá o testemunho
do poder do anel recebido. Como você o aconselharia? Ou você de fato crê que o uso deste
anel poderoso ou ungido vale a pena e recomendaria a outros adquirir este produto
espiritual. É justificável o uso de alguma coisa só por que funcionou? Ou ajudou? Ver Dt.
13.1-4 e Oséias 4.12.
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

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CAPITULO xv
A NECESSIDADE DO ARREPENDIMENTO

Salmo 51.
“1 Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; e, segundo a multidão das
tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões.
2 Lava-me completamente da minha iniqüidade e purifica-me do meu pecado.
3 Pois eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim.
4 Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos, de maneira
que serás tido por justo no teu falar e puro no teu julgar.
5 Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe.
6 Eis que te comprazes na verdade no íntimo e no recôndito me fazes conhecer a
sabedoria.
7 Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo que a neve.
8 Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que exultem os ossos que esmagaste.
9 Esconde o rosto dos meus pecados e apaga todas as minhas iniqüidades.
10 Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito
inabalável.
11 Não me repulses da tua presença, nem me retires o teu Santo Espírito.
12 Restitui-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário.
13 Então ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os pecadores se converterão a
ti.
14 Livra-me dos crimes de sangue, ó Deus, Deus da minha salvação, e a minha língua
exaltará a tua justiça.
15 Abre Senhor, os meus lábios, e a minha boca manifestará os teus louvores.
16 Pois não te comprazes em sacrifícios; do contrário, eu tos daria; e não te agradas de
holocaustos.
17 Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e
contrito, não o desprezarás, ó Deus.
18 Faze bem a Sião, segundo a tua boa vontade; edifica os muros de Jerusalém.
19 Então, te agradarás dos sacrifícios de justiça, dos holocaustos e das ofertas
queimadas; e sobre o teu altar se oferecerão novilhos.”

3. A NECESSIDADE DO ARREPENDIMENTO (15. 1,3)

“I – O arrependimento para a vida é uma graça evangélica, cuja doutrina deve ser
pregada por todo ministro do Evangelho como a da fé em Cristo”.

III – Ainda que não devamos confiar no arrependimento como sendo de algum modo
uma satisfação pelo pecado ou em qualquer sentido a causa do perdão dele, o que é ato
da livre graça de Deus em Cristo, contudo, ele é de tal modo necessário aos pecadores,
que sem ele ninguém poderá esperar o perdão.”

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O arrependimento é o outro lado da fé. A fé verdadeira está sempre ligada ao
arrependimento e o contrário também é verdadeiro.
O arrependimento é a mudança de idéia a qual resulta em se transformar e aceitar a
nova vida em Cristo.
No terceiro capítulo, a absoluta necessidade do arrependimento é ressaltada:
“arrependimento ... é de tal necessidade para todos os pecadores que ninguém deverá
esperar o perdão sem ele”. Esta afirmação é cuidadosamente conservada no caso de se
pensar que o arrependimento alcança a salvação. Neste parágrafo, o aviso dado é que o
arrependimento não é confiado para a salvação e a origem disto é: “o ato da livre graça de
Deus em Cristo.”. No primeiro parágrafo é chamado de graça evangélica, e não algo que o
homem trabalha por determinação própria. Não é autopunição, a qual é um esforço próprio
para reparar um pecado.
Esta doutrina deve ser proclamada por todo ministro do Evangelho, é básico em
todo o testemunho, porque sem ela não pode haver salvação.

REFLEXÃO:
1. (Responda para você mesmo: houve um dia em que você se lembra de ter-se
arrependido? Você mente com facilidade, não sente culpa em se portar de modo errado?
Não fica triste por ter desobedecido ao Senhor ou por falar mal de um
irmão?).__________________________________________________________________

2. É possível alguém dizer que seja crente sem ter se arrependido? ___________________
_________________________________________________________________________
3. Contudo podemos dizer que, quando alguém quer se salvar primeiro, ele tem que se
arrepender para receber a salvação?
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
4. Você já ouviu falar de autoflagelação, isto é, a pessoa se espancar até se sangrar para
ver se pode purificar-se ou limpar-se de impureza espiritual? Também pessoas se
enclausuram, se fecham para o mundo a fim de não pecar. O que você diria a estas
pessoas?
__________________________________________________________________

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CONTINUAÇÃO DO ASSUNTO: ARREPENDIMENTO
Capítulo 15. Parágrafos 2,4-6

4. A VERDADEIRA NATUREZA DO ARREPENDIMENTO (15.2,4-6)

A razão pela qual o pecador se arrepende não é meramente devido ao medo da


condenação eterna, mas também porque ele começa a conhecer a verdadeira natureza do
pecado que contradiz a natureza santa de Deus. O pecado se tornou detestável para ele e, ao
mesmo tempo, ele vê a misericórdia de Deus em Cristo por aqueles que estão arrependidos
(lamentam seu pecado e querem deixá-lo) e isto resulta em ódio pelos seus pecados e se
voltam para Deus. Seu desejo é seguir o caminho da lei de Deus.
Não é apenas o fato de se lamentar, mas, de abandonar todo pecado. No quarto e
quinto parágrafos, a gravidade dos “pequenos pecados” é registrada porque é dever deixar
determinados pecados. Não é um “perdão” geral, mas um “perdão x, y, z e eu deixo x, y e
z). O pecador fará uma compensação se for solicitado (Lucas 19.8 ff)
A parte final deste capítulo abrange a relação entre confissão e arrependimento. A
primeira confissão é a Deus, pedir seu perdão é a graça de deixar seu pecado.
Todavia, se uma pessoa ofendeu outra, ou difamou a Igreja de Cristo, ela deve
declarar seu arrependimento às partes ofendidas. É dever deles se reconciliar com ela e
receber seu amor. Se for uma ofensa particular, deve ser um ato particular, porém, se for
uma ofensa pública, então a pessoa deve fazer uma confissão pública e a parte ofendida
deve declarar publicamente a reconciliação.

Referências cruzadas com o Catecismo:


Breve: Perg. 86-89
Maior: Perg. 72, 73, 76 conforme 149-153, 155

Para meditar e discutir:


1. Discuta a relação entre fé e arrependimento.
2. Por que o renascimento deve anteceder a fé e o arrependimento?
3. Você é imperfeito no seu evangelismo quando, ao falar de Cristo, esquece o
arrependimento?
4. Jesus e João Batista começaram seu ministério pregando o arrependimento. Porque
hoje os pregadores não gostam de falar do erro e do pecado?

74
CAPITULO XVI

DAS BOAS OBRAS -

Efésios 2.8-10
“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é Dom de Deus;
não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo
Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.”
Rom. 6.23
“porque o salário do pecado é a morte, mas o Dom gratuito de Deus é a vida eterna em
Cristo Jesus, nosso Senhor.”
Rom. 11.5, 6
“Assim, pois, também agora, no tempo de hoje, sobrevive um remanescente segundo a
eleição da graça. E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é
graça.”
Mateus 5.13-16
“Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor?
Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens. Vós sois a luz
do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma
candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se
encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam
as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.”

Neste capítulo da confissão temos a raiz do grande cisma pelo qual passou a Igreja
Cristã na Reforma. O fulcro do problema foi que, ao passar dos anos, a Igreja esqueceu-se
da Palavra de Deus e se desviou para um caminho contra a Escritura. Enquanto a Bíblia
enfatiza a salvação pelo ato gracioso de Deus, a Igreja Romana desviou-se do Evangelho
ensinando uma salvação por meio das boas obras.

Neste estudo você descobrirá


- A natureza e a origem de boas obras
- As limitações das boas obras no crente
- Boas obras e o incrédulo

4. A NATUREZA E ORIGEM DAS BOAS OBRAS

“I – Boas obras são somente aquelas que Deus ordena em sua santa palavra, não as
que, sem autoridade dela, são aconselhadas pelos homens movidos de um zelo cego ou
sob qualquer outro pretexto de boa intenção”.

“II – Estas boas obras, feitas em obediência aos mandamentos de Deus, são os frutos e
as evidências de uma fé viva e verdadeira; por elas os crentes manifestam sua gratidão,

75
robustecem a sua confiança, edificam os seus irmãos, adornam a profissão do
Evangelho, tapam a boca dos adversários e glorificam a Deus, cuja feitura são, criados
em Jesus Cristo para isso mesmo a fim de que, tendo seu fruto em santificação, tenham
no fim a vida eterna.”

“III – O poder de fazer boas obras não é de modo algum dos próprios fiéis, mas provém
inteiramente do Espírito de Cristo. A fim de que sejam para isso habilitados, é necessário
que, além da graça que receberam, uma influência positiva do mesmo Espírito Santo
para obrar neles o querer e o perfazer segundo o seu beneplácito; contudo, não devem
por isso tornar-se negligentes, como se não fossem obrigados a cumprir qualquer dever
senão quando movidos especialmente pelo Espírito, mas devem esforçar-se por estimular
a graça de Deus que há neles.”

Boas obras são definidas por Deus, não pela imaginação. Muitas coisas que os
homens podem considerar como boas obras, se não são ordenadas por Deus, não podem
ser boas obras. Muitas pessoas sinceras acham que peregrinar ou devotar-se a um santo é
boa obra, porém isto contradiz a Escritura e é por isso inaceitável. O mesmo é verdade para
aqueles que pertencem a alguma sociedade secreta que tem aparência de religiosidade. Ou
que se filiam a uma associação mesmo com o nome de Igreja, mas que não segue a
Escritura, tal filiação é para sua condenação.

Apoc. 18.4
“Ouvi outra voz do céu, dizendo: Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices
em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos”; 2 João 9: Todo aquele que
ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que permanece
na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho. 10 Se alguém vem Ter convosco e não
traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas. 11 Porquanto
aquele que lhe dá boas-vindas faz-se cúmplice das suas obras más.

Quando boas obras são feitas em obediência aos mandamentos de Deus, elas são
evidências da fé verdadeira. Assim sendo, elas fortalecem a fé dos crentes, manifestam sua
gratidão e são frutos de santidade que serão perfeitos no mundo vindouro. Elas servem de
encorajamento para outros crentes e são provas para o mundo da realidade da fé. Além do
mais, elas trazem louvor e honra a Deus, que deu a graça de realizá-las através de Jesus
Cristo.
A origem das boas obras é explicada no terceiro parágrafo. É o Espírito Santo que
dá aos crentes habilidades de realizá-las.
Isto não se deve meramente ao ato inicial do Espírito Santo na regeneração, mas, se
deve à influência contínua do Espírito Santo que está procurando realizar a vontade de
Deus no crente.
A Confissão previne contra a idéia de que deixamos de realizar boas obras a menos
que nos sintamos conduzidos ou movidos pelo Espírito Santo. É nosso dever procurar toda
a graça de Deus em nós, obedecendo às suas leis. Nos seus mandamentos temos as
qualificações das boas obras. Temos o dever de obedecer ao Senhor e fazer sua vontade na
produção de obras, independentemente se “sintamos” ou não. A nossa vida é de fé.

REFLEXÕES:

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1. Mesmo fazendo uma coisa boa aos olhos dos homens, aquilo pode ser considerado boas
obras aos olhos de Deus? ____________________________________________________
_________________________________________________________________________
2. Quando fazemos alguma coisa boa e, contudo, procuramos aparecer através daquilo,
isto é boa obra?
3. Uma pessoa não convertida pode de fato fazer boas obras? (Ef 2.10).
4. Devo fazer as coisas que Deus ordena só quando me vem a vontade de fazê-las ou não?
5. Quais são os resultados no texto da confissão que as obras dos crentes produzem?

AS LIMITAÇÕES DE BOAS OBRAS NO CRENTE

Isaías 64
“6 Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da
imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades, como um vento,
nos arrebatam.
7 Já ninguém há que invoque o teu nome, que se desperte e te detenha; porque escondes
de nós o rosto e nos consomes por causa das nossas iniqüidades.”

João 15.1-5
“1 Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor.
2 Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto
limpa, para que produza mais fruto ainda.
3 Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado;
4 permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto
de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não
permanecerdes em mim.
9 Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito
fruto; porque sem mim nada podeis fazer.”

“IV – Os que alcançam pela sua obediência a maior perfeição possível nesta vida, estão
longe de exceder as suas obrigações e fazer mais do que Deus requer, são deficientes em
muitas coisas que são obrigados a fazer.”

“V – Não podemos, pelas nossas melhores obras, merecer da mão de Deus perdão de
pecado ou a vida eterna, porque é grande a desproporção que há entre eles e a glória
porvir, e infinita a distância que vai de nós a Deus, a quem não podemos ser úteis por
meio delas, nem satisfazer pela dívida dos nossos pecados anteriores; e porque, como
boas, procedem do Espírito e, como nossas, são impuras e misturadas com tanta fraqueza
e imperfeição, que não podemos suportar a severidade do juízo de Deus; assim, depois
que tivermos feito tudo quanto pudermos, teremos cumprido tão somente o nosso dever, e
somos servos inúteis.”

“VI – Não obstante ao que havemos dito, sendo aceitas por meio de Cristo as pessoas dos
crentes, também são aceitas nele as boas obras deles, não como se fossem nesta vida

77
inteiramente puras e irrepreensíveis à vista de Deus, mas porque Deus, considerando-as
em seu Filho, é servido aceitar e recompensar aquilo que é sincero, embora seja
acompanhado de muitas fraquezas e imperfeição.”

Há uma doutrina na Igreja Católica Romana que ensina que é possível uma pessoa
fazer mais do que é exigido dela e criar também um bando de boas obras, as quais podem
ser transferidas para outras pessoas. Esta doutrina é chamada de superrogatórias. Isto é
negado no 4º parágrafo. Não importa o quão boas são nossas obras, elas sempre serão
insuficientes mediante os deveres que Deus exige. (Lucas17.10)
Os crentes não podem ser dignos da salvação por suas boas obras, pois é impossível
alguém realizá-las com perfeição. Nem podem eliminar a dívida de nossos pecados
anteriores. No crente, apesar das boas obras ainda provirem do ato do Espírito Santo, elas
ainda são manchadas pela velha natureza pecadora e, por isso, são imperfeitas.
Um crente está em Cristo e, por isso, justificado, ele é aceito por Deus como justo.
Apesar das boas obras do crente não serem perfeitas, é por ele pertencer a Cristo que Deus
está disposto a aceitá-las, contanto que venham de um coração sincero. Deus as aceita e as
recompensa por causa do seu Filho.

REFLEXÃO:
1.Você já ouviu falar da intercessão dos Santos na Igreja Católica, isto é, a Virgem, por
exemplo, tem tanto crédito pelo que ela fez e sofreu, que passa a merecer para ela e para
nós a salvação. Como você pode combater esta idéia à luz do texto da Confissão de fé e da
Bíblia?
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

BOAS OBRAS E OS QUE NÃO CRÊEM

Mateus 6:2 “Quando, pois, deres esmola, não toques trombeta diante de ti, como fazem
os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em
verdade vos digo que eles já receberam a recompensa.”
Mateus 6:5 “E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar
em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade
vos digo que eles já receberam a recompensa.”
Mateus 6.16. “Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas;
porque desfiguram o rosto com o fim de parecer aos homens que jejuam. Em verdade vos
digo que eles já receberam a recompensa.”
17 Tu, porém, quando jejuares, unge a cabeça e lava o rosto,
16 com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e sim ao teu Pai, em secreto; e teu
Pai, que vê em secreto, te recompensará.”

78
“VII – As obras feitas pelos não regenerados, embora sejam, quanto à matéria, coisas
que Deus ordena, e úteis tanto a si mesmos como aos outros, contudo, porque procedem
de corações não purificados pela fé, não são feitas devidamente – segundo a palavra,
nem para um fim justo – a glória de Deus; são pecaminosas e não podem agradar a
Deus, nem preparar o homem para receber a graça de Deus; não obstante, negligenciá-
las é ainda mais pecaminoso e ofensivo a Deus.”

É impossível para os não salvos realizar obras que a lei de Deus exige. Eles podem
não matar; não roubar ou não cometer pecados brutais. Podem procurar ajudar o próximo e
aliviar sofrimentos, porém, isso não é boa obra como são definidas pela confissão.
Quando uma pessoa não é crente, do seu coração não pode vir às boas obras. A
fonte é contaminada e, por conseguinte a maneira e o motivo pelas quais são executadas são
errados. As boas obras são feitas em obediência à Escritura, da maneira que ela ensina e
para a glória de Deus. O motivo do não crente nunca é a glória de Deus.
Essas obras são pecaminosas e não podem agradar a Deus, e nem preparam a pessoa
para receber a graça de Deus, pois sua motivação, freqüentemente, é errada. A Confissão
se opõe à idéia de que através de boas ações nós induzimos Deus a nos fazer um favor.
Contudo, quando o não crente faz coisas que são boas de acordo com o parâmetro
da Escritura, embora esteja fazendo estas coisas, elas não podem lhes servir de crédito
diante de Deus, por causa de seu estado espiritual de miséria e perdição. Assim, por causa
da falsa motivação elas, embora sejam boas aos olhos dos homens, se tornam aos olhos de
Deus pecaminosas, pois por elas, eles se orgulham.
Enquanto estas ações do não crente são pecaminosas, negligenciá-las é um pecado
ainda maior. É certo, por exemplo, fazer o bem ao próximo e, apesar da pessoa que não é
salva fazê-la pelo motivo errado, não fazê-la seria um pecado ainda maior. Dada a
advertência, a Confissão evita permitir ao não crente negligenciar as coisas que Deus
comandou.

Para meditar e discutir:


1. Nós enfatizamos o suficiente a necessidade do Espírito Santo de nos capacitar a fazer
boas obras?
2. É pecado uma pessoa não-regenerada orar e freqüentar a Igreja, mas não fazê-lo é um
pecado ainda maior”. Discuta a verdade e as implicações desta afirmação

79
CAPÍTULO XVII

SALVAÇÃO IMPERDÍVEL
-
PERSEVERANÇA DOS SANTOS

João 10.28,29

Aqui está uma doutrina que tem se constituído um pomo de discórdia entre os
evangélicos. Á pergunta, se um crente pode perder a salvação as vozes respondem nas mais
contraditórias expressões.
Pode alguém perder a sua salvação?
É esta pergunta que o maravilhoso capitulo 17 de nossa confissão responde com a Luz
da Santa Escritura.
Vejamos:

“I. Os que Deus aceitou em seu Bem-amado, os que ele chamou eficazmente e santificou pelo seu
Espírito, não podem decair do estado da graça, nem total, nem finalmente; mas, com toda a
certeza hão de perseverar nesse estado até o fim e serão eternamente salvos.”

REFLEXÕES:
1. Em Filipenses 1.6 Paulo diz que está certo de que Deus continuará fazendo a obra em
nossos corações. Como ele expressa
isto?__________________________________________________________________
Analise João 10.28,29 e mostre porque o crente está seguro mesmo
_________________________________________________________________________
Que promessa Deus faz em Jeremias
32.40?____________________________________________________________________

“II. Esta perseverança dos santos não depende do livre arbítrio deles, mas da imutabilidade do
decreto da eleição, procedente do livre e imutável amor de Deus Pai, da eficácia do mérito e
intercessão de Jesus Cristo, da permanência do Espírito e da semente de Deus neles e da
natureza do pacto da graça; de todas estas coisas vêm a sua certeza e infalibilidade.”

REFLEXÕES:
1. Alinhe em quantas coisas está firmada, ou depende a perseverança dos santos
expressas neste parágrafo da confissão de fé.
2. Associe o item da coluna da esquerda com o versículo correspondente na coluna da
direita:
a. O livre e imutável amor do pai ( ) João 17.11,24
b. Eficácia do mérito e da intercessão de Jesus ( ) Rom. 8.35-39
c. Da permanência do Espírito e da semente ( ) Heb. 8.10-12
de Deus neles

80
d. da Natureza do pacto da graça ( ) João 14.16,17

“III. Eles, porém, pelas tentações de Satanás e do mundo, pela força da corrupção neles restante
e pela negligência dos meios de preservação, podem cair em graves pecados e por algum tempo
continuar neles; incorrem assim no desagrado de Deus, entristecem o seu Santo Espírito e de
algum modo vêm a ser privados das suas graças e confortos; têm os seus corações endurecidos e
as suas consciências feridas; prejudicam e escandalizam os outros e atraem sobre si juízos
temporais.”

REFLEXÕES:
1. Ainda que nossa salvação seja definitiva, pode o crente cair ou
não?__________________________________________________________________
O que segundo o parágrafo III ameaça nossa queda (não nossa perda da
salvação)?________________________________________________________________

2. O que incorremos então em vista de ficarmos sob o perigo destas


ameaças?_____________________________________________________________
3. O que fazer para não cair?________________________________________________

CAPITULO XVIII

DA CERTEZA DA GRAÇA E SALVAÇÃO INTRODUÇÃO


I João 3.14,18,19,21,24; 5.12-20

A Salvação e sua certeza são nos asseguradas pela palavra de Deus. É claro que
quando se trata destas verdades algumas coisas precisam ficar claras: primeiro, que é
possível Ter a certeza sem a salvação, bem como, Ter a salvação sem a certeza.
A primeira se constitui numa perigosa e fatal armadilha do ego e do Diabo, a
Segunda se constitui numa vida não tão feliz e segura. O que Deus, à luz de sua Palavra
deseja é que tenhamos a salvação e sua certeza. Aliás, João ao escrever sua primeira
epístola diz que “estas coisas vos escrevi a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós
outros que credes no filho de Deus” (I João 5.13). Então, uma das causas pelas quais a
Santa Bíblia foi escrita é para nos dar esta alegre graça da certeza.
Vejamos este assunto tão importante:

81
CAPITULO XVIII

DA CERTEZA DA GRAÇA E SALVAÇÃO INTRODUÇÃO


I João 3.14,18,19,21,24; 5.12-20

QUEM TEM ESTA CERTEZA?


“I. Ainda que os hipócritas e os outros não regenerados podem iludir-se vãmente com falsas
esperanças e carnal presunção de se acharem no favor de Deus e em estado de Salvação,
esperança essa que perecerá, contudo, os que verdadeiramente crêem no Senhor Jesus e o amam
com sinceridade, procurando andar diante dele em toda a boa consciência, podem, nesta vida,
certificar-se de se acharem em estado de graça e podem regozijar-se na esperança da glória de
Deus, nessa esperança que nunca os envergonhará.”

REFLEXÕES:
1. Pessoas não crentes podem chegar a ter algum tipo de certeza da salvação?
2. E o crente pode Ter uma certeza dela?
3. Três coisas são ditas dos que genuinamente tem esta certeza:
Complete ______________no Senhor Jesus; ____________com sinceridade;
e ____________________diante dele em toda boa consciência.
4. Esta esperança jamais os ____________________________.
5. Veja os versículos abaixo e coloque o número das perguntas acima, que você acha que
corresponda.
( ) João 8.41,42 e Deut. 29.19.
( ) 2 Tim. 1.12 e I João 5.13.

“II. Esta certeza não é uma mera persuasão conjectural e provável, fundada numa falsa
esperança, mas uma infalível segurança da fé, fundada na divina verdade das promessas de
salvação, na evidência interna daquelas graças a que são feitas essas promessas, no testemunho
do Espírito de adoção que testifica com os nossos espíritos sermos nós filhos de Deus, no
testemunho desse Espírito que é o penhor de nossa herança e por quem somos selados para o dia
da redenção.”

REFLEXÕES

1. Esta certeza não é resultado da simples lógica que todos os evangélicos aprendem:
“A Bíblia diz que quem crê, tem a vida eterna;
Eu creio, logo, tenho a vida eterna...”
Mas esta certeza está fundamentada de acordo com a Confissão de Fé neste capítulo
e neste parágrafo, em que bases:
1. ___________________________________________
2. ___________________________________________
3. ___________________________________________
Alinhe os versículos que abaixo estejam de acordo com as bases achadas:
( ) Heb. 6.11,12
( ) II Pedro 1.4,5

82
( ) Efésios 1.13,14.

CAPITULO XVIII

DA CERTEZA DA GRAÇA E DA SALVAÇÃO -


INTRODUÇÃO
Salmo 73 (Ler todo o Salmo)

Vamos continuar o assunto da semana ou do estudo anterior, pois há muitas coisas


maravilhosas para aprendermos ainda. Já vimos que os ímpios, ou as pessoas que não tem
verdadeiro temor de Deus, podem até por algum tempo arvorar-se de que são salvas. Mas
sua esperança é vã e uma armadilha espiritual perigosa. Vimos também que o verdadeiro
crente pode Ter esta certeza em seu coração, contudo alguns às vezes custam Ter. Hoje
vamos ver se é possível perdermos esta convicção ou passarmos algumas provações acerca
da mesma.
Vejamos.

ADQUIRINDO A CERTEZA E SEUS RESULTADOS...

“III. Esta segurança infalível não pertence de tal modo à essência da fé, que um
verdadeiro crente, antes de possuí-la, não tenha de esperar muito e lutar com muitas
dificuldades; contudo,sendo pelo Espírito habilitado a conhecer as coisas que lhe são
livremente dadas por Deus, ele pode alcançá-la sem revelação extraordinária, no devido uso dos
meios ordinários. É, pois, dever de todo o fiel fazer toda a diligência para tornar certas a sua
vocação e eleição, a fim de que por esse modo seja o seu coração no Espírito Santo confirmado
em paz e gozo, em amor e gratidão para com Deus,em firmeza e alegria nos deveres da
obediência que são os frutos próprios desta segurança. Este privilégio está, pois, muito longe de
predispor os homens à negligência.”

REFLEXÕES

1.Se um crente não tiver certeza da salvação ele estará perdido?


________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
Como poderemos adquirir esta certeza: por um sonho, pela palavra de um anjo, por uma
revelação especial, ou por quais meios....
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
2.Que frutos nos dá esta certeza da salvação?
_________________________________________________________________________
_______________________________________________________________
3.Se alguém não tem esta certeza, embora seja salvo, pode negligenciar a obediência?
Veja no Salmo 73 quais versículos seriam apropriados para responder as perguntas acima.

83
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

A CERTEZA ABALADA E SUAS RAZÕES...

“IV. Por diversos modos podem os crentes ter a sua segurança de salvação abalada, diminuída e
interrompida negligenciando a conservação dela, caindo em algum pecado especial que fira a
consciência e entristeça o Espírito Santo, cedendo a fortes e repentinas tentações, retirando Deus
a luz do seu rosto e permitindo que andem em trevas e não tenham luz mesmo os que temem;
contudo, eles nunca ficam inteiramente privados daquela semente de Deus e da vida da fé,
daquele amor a Cristo e aos irmãos, daquela sinceridade de coração e consciência do dever;
dessas bênçãos a certeza de salvação poderá, no tempo próprio, ser restaurada pela operação do
Espírito, e por meio delas eles são, no entanto, suportados para não caírem no desespero
absoluto.”

REFLEXÕES
1. No Salmo 51.8.12,14 o salmista mostra o que em relação a esta certeza?
_______________________________________________________________
O que acontece ao Salmista à luz do Salmo 77.1-10?
_________________________________________________________________________
Em Miquéias 7.7,8,9 o profeta descreve uma situação que lhe lembra de que?
Parece que há um profeta na Bíblia que resolveu abandonar o caminho proposto por
Deus, ele se perdeu?
________________________________________________________________

2. Ainda que o crente venha a vacilar e sofrer abalo em sua fé, que lhe ficam de acordo
A Palavra de Deus e como diz a Confissão (do meio para o fim do IV parágrafo).
_______________________________________________________________________

84
CAPÍTULO XIX

ACERCA DA LEI DE DEUS –

Êxodo 20.1-17

A Bíblia diz que a lei é uma graça também concedida ao Cristão. Ao doar sua Lei quis
o nosso Maravilhoso Deus abençoar nossa vida de sorte que tivéssemos um viver em Paz.
Tem o crente em Jesus Cristo alguma obrigação com respeito à lei de Deus?
Não está ele hoje debaixo da graça?
A estas perguntas temos respostas também variadas. Há os legalistas que se levantam e
logo quase afirmam que seremos salvos ainda se de fato observarmos a Lei; há os
anomistas que dizem que não há mais lei nenhuma para o cristão, Jesus a cumpriu por nós e
agora estamos livres absolutamente da Lei. Onde está a verdade nesta questão? A isto é que
as próximas lições vão nos ajudar.

LEI DE DEUS: UM PACTO, O PACTO DAS OBRAS

“I. Deus deu a Adão uma lei como um pacto de obras. Por este pacto Deus o obrigou, bem como
toda sua posteridade, a uma obediência pessoal, inteira, exata e perpétua; prometeu-lhe a vida
sob a condição dele cumprir com a lei e o ameaçou com a morte no caso dele violá-la; e dotou-o
com o poder e capacidade de guardá-la”

REFLEXÕES
1. A lei foi dada como uma aliança, um pacto. A que tipo de obrigação Deus colocou o
homem nesta aliança?______________________________________________________
Houve promessa e ameaça?_________________________________________________
2. O homem tinha poder de cumprir este pacto?__________________________________

LEI DE DEUS: COMPROMISSO COM ELE E COM O PROXIMO

“II. Essa lei, depois da queda do homem, continuou a ser uma perfeita regra de justiça. Como
tal, foi por Deus entregue no monte Sinai em dez mandamentos e escrita em duas tábuas; os
primeiros quatro mandamentos ensinam os nossos deveres para com Deus e os outros seis os
nossos deveres para com o homem.”

REFLEXÃO:
1.Separe abaixo os mandamentos que temos para com Deus e os mandamentos que temos
para com o próximo: Êxodo 20.1-17
Para com
Deus:____________________________________________________________________
Próximo__________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

85
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

CAPITULO XIX

ACERCA DA LEI DE DEUS -


Êxodo 20.1-17

LEI DE DEUS: MORAL E CERIMONIAL

“III. Além dessa lei, geralmente chamada lei moral, foi Deus servido dar ao seu povo de Israel,
considerado uma igreja sob a sua tutela, leis cerimoniais que contêm diversas ordenanças típicas.
Essas leis, que em parte se referem ao culto e prefiguram Cristo, as suas graças, os seus atos, os
seus sofrimentos e os seus benefícios, e em parte representam várias instruções de deveres
morais, estão todas abrigadas sob o Novo Testamento.”

REFLEXÕES:
1. A que coisas se referem as leis
cerimoniais?____________________________________________________________
______________________________________________________________________
2. È importante saber isto? Tudo o que acontecia no culto do velho Testamento deve
acontecer no tempo do Novo Testamento? Por que não?_________________________
_________________________________________________________________________
3. Leia Levitico 6. 1-7, o que o crente do Novo Testamento deve Ter como abolido na
prática da confissão?_____________________________________________________
_________________________________________________________________________
4. Que Paulo assegura no texto de Efésios 2.15,16
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________

LEIS JURÍDICAS

“IV. A esse mesmo povo, considerado como um corpo político, Deus deu leis civis que
terminaram com aquela nacionalidade, e que agora não obrigam além do que exige a sua
eqüidade geral.”

REFLEXÕES:
1. A que se destinava as leis jurídicas ou
civis?_________________________________________________________________
______________________________________________________________________
2. Porque elas não tem mais lugar hoje?________________________________________
Veja: Mt. 5.38,39 e I Co. 9. 8,10

A LEI MORAL

86
“V. A lei moral obriga para sempre a todos a prestar-lhe obediência, tanto as pessoas justificadas
como as outras, e isto não somente quanto à matéria nela contida, mas também pelo respeito à
autoridade de Deus, o Criador, que a deu. Cristo, no Evangelho, não desfaz de modo algum esta
obrigação, antes a confirma.”

REFLEXÕES:
1. As leis morais, ou os princípios que regeram as leis morais permanecem efetivos ainda
hoje?__________________________________________________________________
______________________________________________________________________
2. Quem tem o dever de obedecer as leis morais? Só os crentes?
_________________________________________________________________________
3. Que fez Jesus em relação as leis morais, aboliu-as, ou fez o que?
_________________________________________________________________________
Leia Mt. 5.18,19

CAPITULO XIX

ACERCA DA LEI DE DEUS


INTRODUÇÃO
Êxodo 20.1-17

AS EXTRAORDINÁRIAS GRAÇAS PROVENIENTES DA LEI

Vamos nesta lição alcançar as maravilhosas bênçãos que provem da Lei do Senhor
para nossa vida como pessoas redimidas. Devemos nos lembrar que temos para com Deus
o compromisso moral de cumprir sua vontade revelada nos dez mandamentos. Não
podemos dizer que somos crentes se não obedecemos a Lei de Deus. Somos salvos não pela
Lei pois só Cristo Salva, mas somos salvos de certo modo para a Lei. Lutero dizia: Salvos
somente pela fé, mas não pela fé somente. Alguém pensa que é salvo pela fé e pronto, não
nossa salvação tem por objetivo nossa santificação e esta nos vem pela obra do Espírito
Santo nos habilitando no serviço da Lei.
Vejamos então:

AS BENÇÃOS DA LEI DE DEUS PARA O CRENTE

“VI. Embora os verdadeiros crentes não estejam debaixo da lei como pacto de obras, para serem
por ela justificados ou condenados, contudo, ela lhes serve de grande proveito, como aos outros;
manifestando-lhes, como regra de vida, a vontade de Deus, e o dever que eles têm, ela os dirige e
os obriga a andar segundo a retidão; descobre-lhes também as pecaminosas poluções da sua
natureza, dos seus corações e das suas vidas, de maneira que eles, examinando-se por meio dela,

87
alcançam mais profundas convicções do pecado, maior humilhação por causa deles e maior
aversão a eles, e ao mesmo tempo lhes dá uma melhor apreciação da necessidade que têm de
Cristo e da perfeição da obediência dele. Ela é também de utilidade aos regenerados, a fim de
conter a sua corrupção, pois proíbe o pecado; as suas ameaças servem para mostrar o que
merecem os seus pecados e quais as aflições que por causa deles devem esperar nesta vida, ainda
que sejam livres da maldição ameaçada na lei. Do mesmo modo as suas promessas mostram que
Deus aprova a obediência deles e que bênção podem esperar, obedecendo, ainda que essas
bênçãos não lhes sejam devidas pela lei considerada como pacto das obras - assim o fazer um
homem o bem ou o evitar ele o mal, porque a lei anima aquilo e proíbe isto, não é prova de estar
ele debaixo da lei e não debaixo da graça.”

REFLEXÕES:
1. Abaixo divida o assunto deste parágrafo:
Há oito verdades acerca da validade da lei para o crente, aliste-as.
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________

A LEI E A GRAÇA

“VII. Os supracitados usos da lei não são contrários à graça do Evangelho, mas suavemente
condizem com ela, pois o Espírito de Cristo submete e habilita a vontade do homem a fazer livre e
alegremente aquilo que a vontade de Deus, revelada na lei, requer se faça.”

88
CAPITULO XX

NOSSA LIBERDADE CRISTÃ -


INTRODUÇÃO

2 Cor. 3.13,17,18

Como cristãos somos libertos do domínio do Pecado, da lei, do cativeiro de Satanás,


dos vícios, do ódio, afinal temos absoluta e completa liberdade.
Contudo esta liberdade nas palavras do grande apóstolo Paulo às vezes tende a se
tornar libertinagem. Se sou livre da lei, sou livre de proibições. Consequentemente eu me
torno anomista (contra a Lei) e autonomista (me dirijo a mim mesmo).
Mas não fomos libertos da lei? Até onde então vai nossa liberdade?
Qual é a relação da liberdade e nossa consciência?
Vivemos em nosso século o que certo autor disse uma crise de integridade, pois já
não somos mais guiados pela lei do Senhor e a consciência de muitos tem se cauterizado.
As coisas mais esquizofrênicas tem acontecido: crentes que aparentam uma vida cristã
linda, com orações lindas, com emoções fortes, contudo sem nenhum compromisso com a
Lei de Deus, com a decência e o pudor, o amor, o perdão, a vida santa, com a Igreja, com o
cônjuge, os filhos, etc.
O que é a liberdade cristã, como tratá-la e experimentá-la realmente?
É isto que se propõe nossa lição. Vamos lá.

LIBERDADE CRISTÃ O QUE É ISTO?

“I. A liberdade que Cristo, sob o Evangelho, comprou para os crentes consiste em serem eles
libertos do delito do pecado, da ira condenatória de Deus, da maldição da lei moral e em serem
livres do poder deste mundo. do cativeiro de Satanás, do domínio do pecado, do mal das aflições,
do aguilhão da morte, da vitória da sepultura e da condenação eterna: como também em terem
livre acesso a Deus, em lhe prestarem obediência, não movidos de um medo servil, mas de amor
filial e espírito voluntário. Todos estes privilégios eram comuns também aos crentes debaixo da
lei, mas sob o Evangelho, a liberdade dos cristãos está mais ampliada, achando-se eles isentos do
jugo da lei cerimonial a que estava sujeita a Igreja Judaica, e tendo maior confiança de acesso
ao trono da graça e mais abundantes comunicações do Espírito de Deus, do que os crentes
debaixo da lei ordinariamente alcançavam.”

REFLEXÕES.
I. Mostre os aspectos em que consiste nossa liberdade:
1.____________________________________________
2.___________________________________________
3.___________________________________________
4.___________________________________________
5.___________________________________________
6.___________________________________________

89
7.___________________________________________
8.___________________________________________
9.___________________________________________
10.__________________________________________

Compare isto com os testemunhos que você ouve nas Igrejas: Jesus me livrou do
cigarro, da bebida, de palavrões; sem dúvida isto é uma boa coisa, mas os itens acima
mostram com tremenda profundidade todo significado da verdadeira liberdade! Não é
maravilho demais!

II. Outro aspecto que compõe nossa liberdade é agora positivamente é que temos
livre__________________________________________________________________
______________________________________________________________________
III.Compare a liberdade que tinham nossos pais sob a lei (do Velho Testamento) com a
que temos agora em Cristo Jesus.

______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________

IV. Porque os autores da Confissão de Fé falam liberdade da lei cerimonial?


______________________________________________________________________

CAPÍTULO XX

NOSSA LIBERDADE CRISTÃ -


INTRODUÇÃO

I Cor. 7.23;Col. 2.20-23

A LIBERDADE, DEUS E SUA PALAVRA

“II. Só Deus é senhor da consciência, e ele deixou livre das doutrinas e mandamentos humanos
que em qualquer coisa, sejam contrários à sua palavra ou que, em matéria de fé ou de culto
estejam fora dela. Assim crer tais doutrinas ou obedecer a tais mandamentos como coisa de
consciência é trair a verdadeira liberdade de consciência; e requerer para elas fé implícita e
obediência cega e absoluta é destruir a liberdade de consciência e a mesma razão.”

REFLEXÕES:
1. analise a extensão de nossa liberdade:
a . Quem é o Senhor da liberdade?__________________________________________
b. A que ela deve ser presa? ______________________________________________

90
c. Devemos seguir alguma coisa que esteja fora da palavra de Deus tanto na vida
como no culto?______________________________________________________
d. O que acontece quando creio em doutrinas ou mandamentos de homens fora da
palavra?

“III. Aqueles que, sob o pretexto de liberdade cristã, cometem qualquer pecado ou toleram
qualquer concupiscência, destroem por isso mesmo o fim da liberdade cristã; o fim da liberdade é
que, sendo livres das mãos dos nossos inimigos, sem medo sirvamos ao Senhor em santidade e
justiça, diante dele todos os dias da nossa vida.”

REFLEXÕES:
1. Que relação tem o pecado com a liberdade cristã?____________________________
2. Para que somos de fato livres? (ver Segunda parte deste parágrafo....)
_________________________________________________________________________

CAPÍTULO XX

LIMITES DA NOSSA LIBERDADE


Há os que pensam que liberdade viver “sem fronteiras”. Isto é um equívoco
perigoso. Devemos aceitar a máxima que nossa liberdade vai até onde começa a do nosso
Deus e nosso próximo. Não é ser livre viver sem padrões. Alguém disse que a música linda
seguirá a pauta e o trem só pode correr livremente se estiver estritamente dentro da linha.
Não há liberdade sem limites. Vamos lá.

“IV. Visto que os poderes que Deus ordenou, e a liberdade que Cristo comprou, não foram por
Deus designados para destruir, mas para que mutuamente nos apoiemos e preservemos uns aos
outros, resistem à ordenança de Deus os que, sob pretexto de liberdade cristã, se opõem a
qualquer poder legítimo, civil ou religioso, ou ao exercício dele. Se publicarem opiniões ou
mantiverem práticas contrárias à luz da natureza ou aos reconhecidos princípios do Cristianismo
concernentes à fé, ao culto ou ao procedimento; se publicarem opiniões, ou mantiverem práticas
contrárias ao poder da piedade ou que, por sua própria natureza ou pelo modo de publicá-las e
mantê-las, são destrutivas da paz externa da Igreja e da ordem que Cristo estabeleceu nela,
podem, de justiça ser processados e visitados com as censuras eclesiásticas.”

REFLEXÕES:
1. Que ligação há entre a liberdade e a
autoridade?____________________________________________________________
2. Que ligação entre a nossa liberdade e o nosso próximo?
_________________________________________________________________________
3. O que deve acontecer a uma pessoa que não se submete aos princípios estabelecidos
por Deus e sua Igreja, ou pelos poderes constituídos pelo
Senhor?_______________________________________________________________
________________________________________________________________________
4. O que Pedro exigiu dos cristãos livres: I Pedro 2.13,14,16?

91
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
5. O que Paulo exigiu dos que não acatam a ordem dos lideres sob Deus em Tito
1.13 e em II Tess. 3.14?_____________________ _____________________________

CAPITULO XXI

DO CULTO RELIGIOSO E DO DOMINGO -

INTRODUÇÃO
Salmo 19

COMO É O NOSSO DEUS E O ÚNICO MODO DE ADORÁ-LO COMO ELE


QUER

Aqui está a menina dos olhos de Deus: seu culto e como devemos prestá-lo.
Deus ordenou todas as coisas importantes acerca do culto: O TEMPO, O MODO E
AS MOTIVAÇÕES.
Não é certo pensar que Deus pode ser adorado de qualquer jeito. Poderemos cair em
blasfêmia quando pensamos e agimos assim.
O pior é que quando não o adoramos do modo como ele prescreve e exige podemos
correr outro terrível risco: sua mão poderosa na disciplina. Nunca ninguém se chegou a ele
de modo errado que não conhecesse seu desgosto. Vamos ver isto à luz da Palavra de Deus.

“I. A luz da natureza mostra que há um Deus que tem domínio e soberania sobre tudo, que é bom
e faz bem a todos, e que, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido de
todo o coração, de toda a alma e de toda a força; mas o modo aceitável de adorar o verdadeiro
Deus é instituído por ele mesmo e tão limitado pela sua vontade revelada, que não deve ser
adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás nem sob
qualquer representação visível ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras.”

REFLEXÕES:
1. Na primeiro parte deste parágrafo, temos a descrição do Senhor e como a natureza o
mostra. Descreva:
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________

2. Na Segunda parte do parágrafo temos a descrição de que Deus instituiu a maneira de


adorá-lo corretamente. E fez isto de modo absoluto.
Onde estão estas prescrições?
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________

92
Como poderíamos adorá-lo de modo que ele não aceita a luz desta Segunda parte do
parágrafo? Ou que armadilhas existem no falso culto?
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
CAPITULO XXI

A QUEM DEVEMOS ADORAR


E POR MEIO DE QUEM

João 5.23 Apocalipse 5.11-13

II. O culto religioso deve ser prestado a Deus o Pai, o Filho e o Espírito Santo - e só a ele; não
deve ser prestado nem aos anjos, nem aos santos, nem a qualquer outra criatura; nem, depois da
queda, deve ser prestado a Deus pela mediação de qualquer outro senão Cristo.

REFLEXÕES
1. A quem deve somente ser prestado o culto?___________________________________
2. Quem é o único mediador do culto?_________________________________________

III. A oração com ações de graças, sendo uma parte especial do culto religioso, é por Deus
exigida de todos os homens; e, para que seja aceita, deve ser feita em o nome do Filho, pelo
auxílio do seu Espírito, segundo a sua vontade, e isto com inteligência, reverência, humildade,
fervor, fé, amor e perseverança. Se for vocal, deve ser proferida em uma língua conhecida dos
circunstantes.

REFLEXÕES:
1. Que aspectos devem envolver o nosso
culto?_________________________________________________________________

COM O QUE PODEMOS SERVIR


AO SENHOR EM NOSSO CULTO

Atos 17.11 I Cor. 11.23-29

Quais são os elementos que constituí o culto de Deus?


Vemos hoje muitas inovações e acréscimos ao culto de Deus. Coisas que desde que a
Igreja Cristã nasceu jamais foi admitido na adoração, agora estamos assistindo de boca
aberta! É só ver a História da Igreja e ter um pouco de conhecimento do Novo Testamento
e então haveremos de concordar que são coisas até condenáveis.
O culto Bíblico é destituído de cerimonialismo.

93
Ele é puro. Mas a cada dia estão acrescentando ao culto coisas para o entretenimento
do homem. Nos últimos dias os homens seriam egoístas e mais amigos dos prazeres que
amigos de Deus. Não é assim o desejo do homem em tornar o culto um show? Porque será?
Vamos ver o que Deus através de seus santos falaram na Palavra e na Confissão de fé:

“V. A leitura das Escrituras com o temor divino, a sã pregação da palavra e a consciente atenção
a ela em obediência a Deus, com inteligência, fé e reverência; o cantar salmos com graças no
coração, bem como a devida administração e digna recepção dos sacramentos instituídos por
Cristo - são partes do ordinário culto de Deus, além dos juramentos religiosos; votos, jejuns
solenes e ações de graças em ocasiões especiais, tudo o que, em seus vários tempos e ocasiões
próprias, deve ser usado de um modo santo e religioso.”

REFLEXÕES:
1. O que compõe e o que pode fazer parte do culto de Deus?________________________

2. Atos 15.21 e 17.11 falam de uma coisa comum no culto_________________________


3. Col. 3.16 e Efésios 5.19 e Tiago 3.13 falam no culto com
______________________________________________________________________

4. Neemias 10.9 fala de: __________________________________________________


5. Mateus 9.15 fala que podemos servira ao Senhor com__________________________

“VI. Agora, sob o Evangelho, nem a oração, nem qualquer outro ato do culto religioso é restrito
a um certo lugar, nem se torna mais aceito por causa do lugar em que se ofereça ou para o qual
se dirija, mas, Deus deve ser adorado em todo o lugar, em espírito e verdade - tanto em famílias
diariamente e em secreto, estando cada um sozinho, como também mais solenemente em
assembléias públicas, que não devem ser descuidosas, nem voluntariamente desprezadas nem
abandonadas, sempre que Deus, pela sua providência, proporciona ocasião.”

REFLEXÕES:
1. Existe agora sob o evangelho um lugar melhor que outro para adorar ao Senhor?
_________________________________________________________________________
2. O que você acha de uma propaganda onde na Catedral, ou no Templo Maior, ou no
Monte Tal é melhor do que em casa para adorar ao Senhor?
_________________________________________________________________________
3. O que diz João 4.21-24?
_________________________________________________________________________
4. Em que lugares é apropriado adorar ao Senhor de acordo com a Palavra a luz deste
parágrafo?
_________________________________________________________________________
5. Podemos adorar a Deus em nosso lar, então porque ir a Igreja? Heb.10.25
_________________________________________________________________________
6. Se de um lado não temos mais lugares Sagrados como na antiga Igreja do Velho
Testamento, devemos nos lembrar que o Senhor nos permitiu consagrar lugares para
adorá-lo. Estes são consagrados, isto é, sagrado porque o povo de Deus agora está ali.
Mas sem o povo de Deus....

94
- CAPITULO XXI

TEMPO E ADORAÇÃO
O SÁBADO CRISTÃO
Êxodo 20.8-11 Isaías 56.2,4,6

O que acontece ao local, agora sob o evangelho acontece ao tempo.


Claro que nosso louvor é vitalício. Em todo lugar e em tudo em todos os tempos outra
coisa não fazemos senão adorar ao Senhor.
Mas exige Deus um tempo apropriado para sua adoração ainda hoje?
Vamos ao estudo.

“VII. Como é lei da natureza que, em geral, uma devida proporção do tempo seja destinada ao
culto de Deus, assim também em sua palavra, por um preceito positivo, moral e perpétuo,
preceito que obriga a todos os homens em todos os séculos, Deus designou particularmente um
dia em sete para ser um sábado (descanso) santificado por Ele; desde o princípio do mundo, até a
ressurreição de Cristo, esse dia foi o último da semana; e desde a ressurreição de Cristo foi
mudado para o primeiro dia da semana, dia que na Escritura é chamado Domingo, ou dia do
Senhor, e que há de continuar até ao fim do mundo como o sábado cristão.”

REFLEXÕES:
1.Que significa Sábado e qual a diferença entre o Sábado Judaico e o Sábado
Cristão?____________________________________________________________
_________________________________________________________________________
2.O Sábado é um mandamento só para a Igreja?_________________________________

VIII. Este sábado é santificado ao Senhor quando os homens, tendo devidamente preparado os
seus corações e de antemão ordenado os seus negócios ordinários, não só guardam, durante todo
o dia, um santo descanso das suas próprias obras, palavras e pensamentos a respeito dos seus
empregos seculares e das suas recreações, mas também ocupam todo o tempo em exercícios
públicos e particulares de culto e nos deveres de necessidade e misericórdia.

REFLEXÕES:
1. De que maneira podemos santificar o dia de descanso que Deus nos dá?
_________________________________________________________________________
2. Que tipo de trabalho é permitido no dia do Senhor?

95
_________________________________________________________________________
3. O que o profeta Isaías diz no capitulo 58.13?
_________________________________________________________________________

CAPÍTULO XXII

DOS JURAMENTOS LEGAIS E DOS VOTOS –

1. O juramento religioso.
2. O nome de Deus no juramento e o juramento civil.
3. A seriedade do Juramento
4. A obrigatoriedade do Juramento.

Os juramentos e os votos são necessários à vida humana. Isto sem dúvida foi um dos
aspectos que supre a falibilidade humana proveniente da queda. Tanto para o
relacionamento entre nós quanto o relacionamento com Deus. A situação nossa é tal que,
em sua misericórdia o Senhor, conhecendo a nossa pobreza de insegurança, resolveu
também se interpor em nosso relacionamento com Ele com juramento. Em Hebreus o
escritor nos diz que o Senhor jurou por si mesmo, e isto para nossa segurança.

Contudo, mesmo fazendo juramentos Deus determina que os cumpramos.


Nossa pequenez é tal que até mesmo jurando nossos votos são quebrados e Deus
desejando que tenhamos seu caráter fiel, exorta a que cuidemos em não quebrar nossos
juramentos.
Devemos jurar? Há na Bíblia ordem para que não juremos! Como fica isto?
Nosso Pai celeste, na pessoa de seu filho proíbe o juramento que era feito na época
dele, como ocorre conosco, os juramentos se tornaram tão comuns e tão sem efeitos que
nosso Senhor então exorta de modo “ad-forcens”, exemplo é o caso da oração, pois os
fariseus levavam a oração tão erradamente, que Jesus aparentemente despreza a oração
publica e ordena a orar no quarto... Contudo é claro que o contexto tem que ser considerado
nesta situação. Assim é o caso também de juramento.
Vamos então aos estudos:

JURAMENTO:

“I Um juramento legal é uma parte do culto religioso no qual, em ocasiões próprias e


solenemente a pessoa jura invocando a Deus como testemunha do que assevera ou
promete, e para julgá-lo de acordo com a verdade ou falsidade do que jura.

II O Nome de Deus é o único pelo qual se deve jurar, Nome que deve ser usado com todo
santo temor e reverencia; portanto, jurar falsa ou precipitadamente por esse glorioso e
tremendo Nome, ou jurar por qualquer outra coisa é pecaminoso e abominável. Contudo,
como em assuntos de gravidade e importância, o juramento é autorizado pela Palavra de

96
Deus tanto sob o Novo quanto sob o velho Testamento; portanto, o jurameto legal sendo
imposto por autoridade legal, dever ser prestado com referencia atais assuntos.

III Todo aquele que fizer um juramento deve ponderar detidamente sobre a gravidade de
um ato tão solene, e não deve afirmar nada senão aquilo de que esteja plenamente
persuadido ser a verdade. Tampouco deve alguém obrigar-se, por juramento, a qualquer
coisa senão aquilo que é bom e justo e por aquilo que está resolvido cumprir. Entretanto,
é pecado recusar prestar juramento no tocante a qualquer coisa justa e boa sendo
imposto por autoridade legal.

IV Deve fazer-se um juramento no claro e comum sentido das palavras, sem equivoco ou
reserva mental. Não pode obrigar a pecar; mas, sendo pronunciado com referência a
qualquer coisa não pecaminosa, ele obriga ao cumprimento mesmo com prejuízo de
quem jura; tampouco deve ser violado, ainda que feito por hereges ou infiéis.”

REFLEXÕES:
O grupo deve mostrar, à luz do texto, porque o juramento é sério
_____________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
Qual o único nome pelo qual se deve jurar?
______________________________________________________________________
Quando deve ser feito
juramento?_____________________________________________________________
Devemos cumprir um juramento em que condições?
______________________________________________________________________

CAPITULO XXII

Salmo 15
Jura com dano próprio e não se retrata...

DOS VOTOS

Vamos prosseguir agora com a mesma temática do estudo anterior, ou seja como o
cristão deve relacionar-se com os juramentos quer civis ou eclesiásticos. O enfoque será
agora o Voto Religioso.

V O voto é da mesma natureza que o juramento promissório, e deve ser feito com o
mesmo critério religioso e cumprido com a mesma fidelidade.

VI O voto não deve ser feito a criatura alguma, ma só a Deus; e para que seja aceitável,
deve ser feito voluntariamente, proveniente da fé e da consciência de dever, motivado
pela gratidão da misericórdia recebida ou pela obtenção daquilo que desejamos. Pelo
voto nos obrigamos mais estritamente aos deveres necessários ou a outras coisas, até
onde e quando elas conduzirem apropriadamente a esses deveres.

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VII Ninguém pode prometer fazer alguma coisa que esteja proibida na Palavra de Deus,
ou que impeça o cumprimento de algum dever nela ordenado, nem o que não está em seu
próprio poder cumprir, e para cujo cumprimento não tenha nenhuma promessa e nem
capacidade da parte de Deus. Em tais aspectos, os votos monásticos que o papistas fazem
do celibato perpetuo, pobreza voluntária e obediência regular, em vez de serem graus de
mais elevada perfeição, nãos passam de laços supersticiosos e pecaminosos nos quis
nenhum cristão deve enlear-se.

CAPÍTULO XXIII

EXPOSIÇÃO DA CONFISSÃO DE FÉ 17
DOS GOVERNOS CIVIS

Romanos 13.1-8

Desde que a imprensa assumiu seu lugar no mundo, e tem crescido no seu poder de
denunciar fraudes e escândalos, os sistemas mundiais de autoridade têm sofrido perdas
irreparáveis. O que tem então acontecido é que os que se acham investido de autoridade são
execrados com os que promovem falcatruas e corrupções. A igreja que devia ser o sal da
terra, e a luz do mundo, está cada vez mais se afastando do sistema e o mundo cada vez se
apodrecendo mais.
O que vemos é que os crentes cada vez mais se acovardando e se retirando do
mundo e este sob o domínio dos infiéis e incrédulos ficando mais cego.
Qual é nosso dever civil? Somos o sal da terra em que sentido?
O relacionamento do cristão com a autoridade é o assunto de nosso tão importante
estudo agora.

Neste estudo vamos ver:


1. A origem dos magistrados civis está em Deus que lhes deu tal autoridade.
2. O Cristão e seus deveres com o magistrado civil, exercício e obediência.
3. A devida separação entre o Governo Civil (leigo) e a Igreja.
4. Os deveres do Cristão em relação as autoridades civis e vice-versa.

I Deus, o supremo Senhor e Rei do mundo inteiro, para sua própria glória e para o bem
público, ordenou os magistrados civis, sujeitos a ele e com autoridade sobre o povo; e
para esse fim os armou com o poder da espada, para a defesa e encorajamento daqueles
que são bons e para o castigo dos malfeitores.

II Aos cristãos é licito aceitar e exercer o oficio de magistrado, quando para ele são
chamados, na administração do mesmo, como devem especialmente manter a piedade, a
justiça e a paz, segundo as leis justas de cada comunidade, eles, sob a dispensação do
Novo Testamento, e para esse fim, podem licitamente fazer guerra, havendo ocasiões
justas e necessárias.

Nestes primeiros parágrafos vemos claramente o reflexo bíblico acerca do cristão e


a sociedade. No sentido geral, talvez pela preocupação bíblica com a vida futura, por causa
da corrupção que há no mundo, também porque o poder e a glória corrompem o ser

98
humano de modo que infelizmente muitos políticos “cristãos” acabam dando péssimo
testemunho; assim, muitos cristãos tomam uma aversão a política que na verdade não tem
nada de piedosa.
Ao contrário em toda a Escritura e na história da Igreja, vemos os crentes tomando
lugar na direção de seus países conforme Deus os chama.
Acreditamos que muito do que ocorre é uma falsa visão do homem que exige dos
políticos uma perfeição impossível, quer como humanos e mais não crentes. Mesmo os
crentes que estejam exercendo autoridade é necessário não exigir demasiadamente deles,
pois também são homens sujeitos a falhas.
Deste modo o vero crente em Jesus deve estar nas mãos de Deus para responder ao
chamado político e exercê-lo com humildade, honestidade, trabalho e confiança em Deus.

REFLEXÕES:
1. Quem instituiu e estabeleceu a autoridade no mundo?
_________________________________________________________________________
2. Para que Deus fez isto?
_________________________________________________________________________
3. O que Deus deu também a estas autoridades para cumprir seu exercício com justiça?
_________________________________________________________________________
4. O que significa: “os armou com o poder da espada”? ou como diz no final do
parágrafo 2, os crentes no poder podem inclusive declarar guerra. Não estaria aqui
presente a questão da pena de morte? Vide Romanos 13.4 e Gênesis 9.6.
______________________________________________________________________
5. O que fazemos no exercício do dever civil conforme o parágrafo 2.

CAPÍTULO XXIII

DO MAGISTRADO CIVIL

Atos dos Apóstolos 4.5-22

O assunto que vamos discutir nestes próximos parágrafos da Confissão de Fé trata


de um problema muito antigo: a separação da Igreja e do Estado. Vejamos:

“III. Os magistrados civis não podem tomar sobre si a administração da palavra e dos
sacramentos ou o poder das chaves do Reino do Céu, nem de modo algum intervir em matéria de
fé; contudo, como pais solícitos, devem proteger a Igreja do nosso comum Senhor, sem dar
preferência a qualquer denominação cristã sobre as outras, para que todos os eclesiásticos sem
distinção gozem plena, livre e indisputada liberdade de cumprir todas as partes das suas sagradas
funções, sem violência ou perigo. Como Jesus Cristo constituiu em sua Igreja um governo
regular e uma disciplina, nenhuma lei de qualquer Estado deve proibir, impedir ou embaraçar o
seu devido exercício entre os membros voluntários de qualquer denominação cristã, segundo a
profissão e crença de cada uma. E é dever dos magistrados civis proteger a pessoa e o bom nome

99
de cada um dos seus jurisdicionados, de modo que a ninguém seja permitido, sob pretexto de
religião ou de incredulidade, ofender, perseguir, maltratar ou injuriar qualquer outra pessoa; e
bem assim providenciar para que todas as assembléias religiosas e eclesiásticas possam reunir-se
sem ser perturbadas ou molestadas.”

“IV. É dever do povo orar pelos magistrados, honrar as suas pessoas, pagar-lhes tributos e outros
impostos, obedecer às suas ordens legais e sujeitar-se à sua autoridade, e tudo isto por amor da
consciência. Incredulidade ou indiferença de religião não anula a justa e legal autoridade do
magistrado, nem absolve o povo da obediência que lhe deve, obediência de que não estão isentos
os eclesiásticos. O papa não tem nenhum poder ou jurisdição sobre os magistrados dentro dos
domínios deles ou sobre qualquer um do seu povo; e muito menos tem o poder de privá-los dos
seus domínios ou vidas, por julgá-los hereges ou sob qualquer outro pretexto.”

Estas afirmações da Confissão de Fé são de grande importância, uma vez que os


governos religiosos de todos os povos, mesmo os do catolicismo e protestantismo com
muita freqüência quis se inter-relacionada de modo que um ficava anexado ao outro. Na
Inglaterra o poder civil subjuga a Igreja, como acontece ainda em alguns países de origem
protestante, e em Roma o poder Religioso sempre ameaçou subjugar o poder civil; alias
como fazia na idade média quando depunha reis e os assolava com encargos exorbitantes.

REFLEXÃO:
O grupo deve fazer um gráfico onde ilustrará de que modo o estado e a religião devem se
inter-relacionar. Ou seja, que deveres e obrigações terão um para com o outro.

CAPÍTULO XXIV

DO MATRIMÔNIO E DO DIVÓRCIO

Mateus 19.3-12

Poucos assuntos são tão importantes quanto o que a partir de agora vamos estudar.
Deus tratou o casamento com a maior seriedade possível. Há algo glorioso no
relacionamento homem e mulher. A imagem de Deus está muito comprometida neste
binômio. O fracasso da família é o fim da Igreja e a destruição da humanidade. Sempre que
houve uma hecatombe civilizatória, o casamento foi o ultimo forte que caiu. Nas
civilizações antediluvianas, na queda dos impérios, o relacionamento homem e mulher no
casamento entrou em bancarrota, descambando para, por exemplo o homossexualismo.
Jamais poderemos superestimar a importância do casamento.
Doutro lado a Bíblia diz que Deus odeia o divórcio. As razões, portanto para o
divórcio tem que ser estritamente bíblicas, caso contrário, estaremos sob terrível juízo de
Deus.

100
Vamos ver pois o que nossa carta doutrinária, estabelece a Luz da Palavra de Deus.
1. A Constituição do Casamento.
2. A razão do Casamento.
3. O Casamento do Cristão.
4. O incesto.
5. A razão do divórcio.

“I. O casamento deve ser entre um homem e uma mulher; ao homem não é licito ter
mais de urna mulher nem à mulher mais de um marido, ao mesmo tempo.”

“II. O matrimônio foi ordenado para o mútuo auxílio de marido e mulher, para a
propagação da raça humana por uma sucessão legítima e da Igreja por uma semente
santa, e para impedir a
impureza.”

“III. A todos os que são capazes de dar um consentimento ajuizado, é lícito casar; mas é
dever dos cristãos casar somente no Senhor; portanto, os que professam a verdadeira
religião reformada não devem casar-se com infiéis, papistas ou outros idólatras; nem
devem os piedosos prender-se desigualmente pelo jugo do casamento aos que são
notoriamente ímpios em suas vidas ou que mantém heresias perniciosas.”

“IV. Não devem casar-se as pessoas entre as quais existem os graus de consanguinidade
ou afinidade proibidos na palavra de Deus, tais casamentos incestuosos jamais poderão
tornar-se lícitos pelas leis humanas ou consentimento das partes, de modo a poderem
coabitar como marido e mulher.”

“V. O adultério ou fornicação cometida depois de um contrato, sendo descoberto antes


do casamento, dá à parte inocente justo motivo de dissolver o contrato; no caso de
adultério depois do casamento, à parte inocente é lícito propor divórcio, e depois de obter
o divórcio casar com outrem, como se a parte infiel fosse morta.”

“VI. Posto que a corrupção do homem seja tal que o incline a procurar argumentos a
fim de indevidamente separar aqueles que Deus uniu em matrimônio, contudo só é causa
suficiente para dissolver os laços do matrimônio o adultério ou uma deserção tão
obstinada que não possa ser remediada nem pela Igreja nem pelo magistrado civil; para
a dissolução do matrimônio é necessário haver um processo público e regular, não se
devendo deixar ao arbítrio e discrição das partes o decidirem seu próprio caso.”

101
CAPÍTULO XXV

A IGREJA VERDADEIRA
DA IGREJA

Mateus 18.16-19

O fundador da Igreja foi nosso Senhor Jesus Cristo. Daí já se percebe a tremenda
importância dela. O filho de Deus, é o esposo dela, ela é o seu corpo. Não gostar da Igreja é
não gostar de Cristo. Tal como alguém que é apaixonado pela esposa, se descobrir um
inimigo da esposa será seu inimigo, assim os que desprezam a Igreja, desprezam a Cristo.
Os que a amam, amam também o Senhor. “Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou
por ela”. Como é importante conhecer a verdadeira Igreja do Senhor. Hoje isto não é fácil.
O que há de engano, e de fato perigoso. Há tantas Igrejas e nos muitas vezes nos perdemos
em capacidade para julgar qual delas de fato é Igreja de Deus. Todas dizem ser de Deus.
Contudo a Bíblia não nos deixa na dúvida: há Igreja verdadeira e falsa. E mais que nunca é
nosso dever descobrir antes que seja tarde. Vamos, pois ao estudo.

Neste estudo vamos descobrir:

A NATUREZA DA IGREJA

1. A identidade da Igreja.
2. A tarefa da Igreja.
3. A pureza da Igreja.
4. O cabeça da Igreja.

“I. A Igreja Católica ou Universal, que é invisível, consta do número total de eleitos que
já foram, os que agora são e dos que ainda serão reunidos em um só corpo sob Cristo,
seu cabeça; ela é a esposa, o corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todas as
cousas.”

“II. A Igreja Visível, que também é católica ou universal sob o Evangelho (não sendo
restrita a ma nação, como antes sob a Lei) consta de todos aqueles que pelo mundo
inteiro professam a verdadeira religião, juntamente com seus filhos; é o Reino do Senhor
Jesus, a casa e a família de Deus, fora da qual não há possibilidade ordinária de
salvação.”

O que é a Igreja? Esta é uma questão básica, mesmo assim muitas pessoas
confundem a Igreja com um edifício ou uma denominação. Muitos grupos, igrejas e seitas
clamam ser a verdadeira Igreja. A clareza da Confissão de Fé nos capacita a evitar sérios
problemas.
A confissão, como nos ensinamentos da Reforma, faz uma útil distinção entre a
Igreja invisível e visível. O correto entendimento desta distinção é de grande ajuda.

102
A Igreja universal (católica significa universal, mundial )(25:I) a qual consiste de todos os
eleitos de todas as idades, desde o tempo de Adão até o fim dos tempos é invisível. Isto é
claro, pois nenhum ser humano jamais viu toda a Igreja ou jamais conheceu infalivelmente
quem pertence à verdadeira Igreja.
Uma pessoa pertence à verdadeira Igreja pelo fato de estar “em Cristo”, isto é, devido
à sua união com Cristo. Ela foi justificada, adotada e regenerada. Ela é um membro do
corpo de Cristo, está submisso a Cristo, tendo, pela graça, deixado o domínio do primeiro
Adão e passando a estar sob a autoridade do último Adão, Jesus Cristo. Nós podemos
discernir a evidência da verdadeira conversão mas erraremos em muitas ocasiões. Pense
como hipócritas que apresentam vários disfarces, freqüentemente aparentam ser genuínos.
A Igreja visível é a Igreja que nós observamos, vemos, esta é a Igreja dos que
professam, e deste modo, invisível, se manifesta. Nunca devemos pensar que a Igreja
invisível está completamente escondida, na totalidade sim, mas se expressa na Igreja
visível.
Os membros da Igreja visível vem de todas as nações. No Antigo Testamento era
restrita principalmente a Israel, mas desde a vinda de Cristo a Igreja se tornou internacional.
O dia do Pentecostes testemunha este fato (Atos 2).
Se tornar membro da Igreja visível vem de professar a verdadeira religião, que é a Profissão
de Fé em Cristo. Isto não pode ser compreendido como uma mera afirmação de qualquer
credo, mas como a profissão da fé salvadora.
Esta profissão deve ser sincera, isto é, ser crida de fato. Os falsos podem enganar com
sua profissão falsa. Mas os não devem Ter nada na vida, do ponto de vista bíblico, que
possa levantar sérios questionamentos contra sua realidade.
Quando uma pessoa pode se filiar em uma igreja local. Isto é tudo o que é requerido.
Nós não temos o direito de negar filiação a ninguém que pode fazer uma profissão digna de
crédito. Nós não podemos acrescentar condições à filiação da Igreja professante o que Deus
não requer para salvação. Nenhuma mera regra humana deve ser acrescentada. Se mais
tarde uma pessoa negar a profissão por palavra ou vida esta poderá ser disciplinada e isto
pode envolver separação da comunhão (excomunhão). Nenhum homem pode julgar o
coração, desta forma Deus fez a filiação à Igreja professante/visível dependente naquilo que
caridosamente possa ser julgado pelos homens.
A Igreja é o reinado do Senhor Jesus Cristo, no sentido de que Ele mostra pela Igreja
seu verdadeiro reino. De fato, Cristo também reina sobre todas as coisas para o bem da
Igreja (Efésios 1:22). E é devido ao fato de que Ele governa a Igreja que seus membros
devem se submeter à Sua Palavra, as Sagradas Escrituras. A Igreja é também descrita aqui
como a casa e a família de Deus.
A afirmação fora da qual não há possibilidade ordinária de salvação tem sido
questionada por algumas pessoas. Não se refere à Igreja invisível (fora da qual uma pessoa
não poderia ser salva), mas à visível. Não diz que “não pode ser salva” mas possibilidade
ordinária de salvação se acha somente pela ou na Igreja. No curso normal dos eventos
aqueles que são convertidos fazem uma pública profissão e identificam-se com a igreja
local. A recusa em fazer isso é ser desobediência às Escrituras é ignorar o meio o qual Deus
apontou para a salvação e o crescimento do cristão.
A confissão questiona a sinceridade daqueles que se recusam a se unir à uma igreja
local quando existir uma disponível. é possível ser um crente isolado, e não pertencer a uma
congregação local onde não existe nenhuma. Um exemplo moderno seria alguém
convertido em uma parte remota do mundo pela mensagem que este tenha ouvido de um

103
programa de rádio. Isto é contudo, se constitui numa exceção. Por isso ordinariamente, pela
ordem clara de Deus, onde houver uma Igreja, é impossível ser crente sem ser batizado.

REFLEXÃO:

1. Mostre as características da Igreja visível e invisível, católica (Universal) e local.


_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
2. Pode uma pessoa ser salva sem se filiar à Igreja? Em que caso isto seria possível?
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
3. Em que texto Jesus afirma que o que se arrola na terra terá sido arrolado no céu?
_________________________________________________________________________
4. Quantos nomes você acha para a Igreja de Cristo, neste estudo?
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

CAPÍTULO XXV

A TAREFA DA IGREJA

Efésios 4.1-16. Mateus 28.18-20

“III. A esta Igreja Católica Visível Cristo deu o ministério, os oráculos e as ordenanças
de Deus, para congregar e aperfeiçoar os santos nesta vida, até o fim do mundo, e pela
sua própria presença e pelo seu Espírito, os torna eficazes para esse fim, segundo a sua
promessa.”

Deus tem dado à Igreja uma tarefa a executar e ao fazê-lo a tem equipado. Assim o
Senhor lhe doou o ministério. Isto deve ser entendido como um ministério especial da
Palavra e oração ao qual Deus chama pessoas. Não se refere ao ministério/serviço de cada
membro, que é também verdade, mas não é ensinado aqui. As escrituras ensinam que existe
um ministério especial (Atos 6:4; I Tim. 1:12, Paulo é indicado para o serviço ou ministério
cf. II Tim. 4:11). Este consiste em manter a fiel a pregação, a qual chamamos ministério
do evangelho. Ao darmos ênfase no fato de que na Igreja tem um ministério ou trabalho a
fazer, nós não podemos negligenciar ou negar que exista “O MINISTÉRIO”.
Deus também deu à Igreja as Escrituras (oráculos) e ordenanças (pregação, oração e
sacramentos). Muitos sentem dificuldades em aceitar o ministério ordenado como sendo
um meio efetivo de estender o reino e edificar a Igreja. A Confissão pela Bíblia ensina que
Deus prometeu estes meios efetivos. É claro que a Confissão não está apoiando uma igreja
hierárquica, mas nós devemos dar devida ênfase ao ensinamento através dos oficiais
instituídos, presbíteros. Em Atos dos Apóstolos capitulo 6 isto é muito claro: os apóstolos e
presbíteros evidenciam que seu oficio é um e o dos diáconos, por exemplo, é outro.

104
Nunca esqueçamos que é dever da Igreja anunciar como corpo de Cristo as virtudes
daquele que nos chamou das trevas para sua maravilhosa luz. E isto a Igreja faz através de
seus membros, todos eles, falando, testemunhando com a vida santa e obediente a Cristo. E
não há maior poder evangelístico do que o testemunho de uma vida santa e obediente.
O mundo está olhando para nós. Se somos mesmo o que anunciamos. E se não somos,
ele não dará credito a nossa pregação. (Atos 3 evidencia tudo isto).

REFLEXÃO:
1. De acordo com Efésios 4, no texto acima, como a Igreja deve ver o trabalho dos
ministros do
Evangelho?________________________________________________________________
2. Em 1 Timóteo 3 o apóstolo Paulo também especifica as funções dos oficiais. Veja lá
como são divididos.
_______________________________________________________________________
3. E o trabalho do Evangelho só para os pastores, os presbíteros e os diáconos? Em Atos
8.4 mostra algo interessante sobre isto. Veja.
_________________________________________________________________________
4. O dever de evangelizar é, porém só do pastor ou dos oficiais consagrados à
Palavra?__________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

CAPÍTULO XXV
A PUREZA DA IGREJA

Apocalipse 3.1-13

O texto de Apocalipse fala de duas Igrejas, Sardes e Filadélfia. Se você compara as


duas verifica quanta diferença há entre elas. Uma é comprometida em sua pureza, embora
ainda seja Igreja do Senhor, e é advertida seriamente. A outra é fiel, perseguida e procura
responder aos seus desafios. Assim vamos ver agora acerca da pureza da Igreja de Cristo.

“IV . Esta Igreja Católica tem sido ora mais, ora menos visível. As igrejas particulares,
que são membros dela, são mais ou menos puras conforme neles é, com mais ou menos
pureza, ensinado e abraçado o Evangelho, administradas as ordenanças e celebrado o
culto público.”
“V. As igrejas mais puras debaixo do céu estão sujeitas à mistura e ao erro; algumas têm
degenerado ao ponto de não serem mais igrejas de Cristo, mas sinagogas de Satanás;
não obstante, haverá sempre sobre a terra uma igreja para adorar a Deus segundo a
vontade dele mesmo.”

105
Sempre existiram aqueles que procuram pela igreja perfeita. Isto é impossível
quando a Igreja é composta por pessoas falíveis.
A Confissão nos lembra que às vezes a Igreja não tem sido tão visível devido à
apostasia, por exemplo no tempo de Elias (I Reis 17-21) e precedendo a Reforma. A
Confissão lista três fatores os quais caracterizam a pureza da Igreja:

(1) A doutrina ensinada e abraçada. É possível para uma doutrina correta ser pregada
mas rejeitada pelas pessoas. Se este é o caso não existe igreja. As pessoas, por outro lado,
podem crer e viver o evangelho embora o mesmo não seja pregado em pureza. Se este é o
caso a igreja não é pura.
(2 ) A maneira pela qual os sacramentos são ministrados é uma indicação da pureza
da igreja. Se engano é ensinado com respeito ao batismo ou a Ceia do Senhor então o grau
deste erro é um indicativo da pureza da igreja. Por exemplo, acreditar que uma pessoa é
salva pelo batismo com água é maior engano do que apoiar que todos bebês devem ser
batizados. Ambos estão errados, o primeiro interpreta erroneamente o caminho da salvação
enquanto o segundo erra quanto à extensão da aliança de Deus com os homens.
(3) A maneira pela qual é realizado o culto. Se quaisquer elementos não bíblicos são
introduzidos os quais enfatizam o sensual ao invés do espiritual, então a igreja está se
distanciando muito da pureza. Quando falamos em sensual, estamos ecoando o ensino do
Espírito Santo quando em Romanos diz que o culto deve ser lógico, racional. O que
significa que ele deve ser supra-sensual. Nisto ele se põe acima do perigo das imagens que
atendem ao visual, sensual, bem como a todas as coisas que forçam sua expressão quer nos
ritmos, quer nos gestos, etc. Exemplos incluem a ênfase em aparatos e músicas ao invés do
estado de espírito do adorador.
No quinto parágrafo um aviso necessário é dado, que nenhuma igreja é perfeita,
todas tem uma mistura da verdade e erros (sim, até mesmo a nossa!) desta forma não há
como exigir uma perfeição absoluta na Igreja. Entretanto, o erro pode se tornar tão grande
que a igreja cessa de ser uma igreja e se torna sinagoga de Satanás. Isso deve fazer todos,
mas especialmente os anciãos, vigilantes para assegurar a pureza em suas próprias
congregações e na denominação como um todo.
A Confissão afirma que não importa quão sombrias e corruptas as coisas podem se
tornar, haverá sempre uma Igreja na Terra para adorar a Deus de acordo com a vontade dele
revelada na Escritura. Os ímpios continuarão enganados, adorando a si mesmo ou
procurando fazer seu culto para seu próprio gosto. (Amos 4.5).

REFLEXÃO:
1. Porque não haverá uma Igreja completamente pura neste mundo?
_________________________________________________________________________
2. De que modo uma Igreja é verdadeira, ou mais pura? Ou seja, que sinais ela mostrará
neste sentido?
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
3. A seu ver, onde começa a deterioração na Igreja?
_________________________________________________________________________
4. A verdadeira Igreja se extinguira da terra completamente?
_________________________________________________________________________

106
CAPÍTULO XXV

O CABEÇA DA IGREJA

Efésios 5. 22-33

“VI. Não há outro Cabeça da Igreja senão o Senhor Jesus Cristo; em sentido algum
pode ser o Papa de Roma o cabeça dela, mas ele é aquele anticristo, aquele homem do
pecado e filho da perdição que se exalta na Igreja contra Cristo e contra tudo o que se
chama Deus”

A IMPORTÂNCIA DESTE ASSUNTO.


Não temos dúvida que o assunto de que trata este parágrafo foi a gota d’água que
entornou o copo da maior divisão do cristianismo, na Reforma. O fato de o vigário de
Roma assumir política e eclesiasticamente o principado na Igreja, foi um sacrilégio à luz da
Santa Escritura. Até o nome da Igreja se tornou uma contradição: Igreja Católica
Apostólica Romana. Como pode ser Romana, e é católica? Mas a deterioração da Igreja foi
inevitável: do papado no século VI onde as coisas já estavam se corrompendo, os desvios
foram se fazendo mais e mais incontroláveis. O poder papal assumiu proporções risíveis:
ele pela doutrina Romana além de terem criado um lugar falso, chamado Purgatório o papa
tem poder até de tirar de lá a alma que quiser.
A Confissão, em comum com todos os cristãos, ensina que o cabeça da Igreja é
Jesus Cristo. Ele somente é o Cabeça da Igreja (Efésios 4:16).
O problema é maior quando a pergunta é feita: “Quem é o cabeça visível da Igreja
de Cristo na terra?” A isto o Catolicismo Romano responderia, “A Igreja tem um cabeça
visível na terra – o bispo de Roma, que é o vigário de Cristo.” (Q. 86 no “Um Catecismo da
Doutrina Cristã” revisado em 1985). Os Trinta e Nove Artigos da Igreja da Inglaterra
reconheceria que o poder civil tem certa autoridade sobre a Igreja (Artigo 37).
A Confissão não somente apresenta Cristo como Cabeça da Igreja invisível, como
também da Igreja na terra; Não pode existir nem um outro Cabeça da Igreja se não o
Senhor Jesus Cristo. Ele designou governo para aquela Igreja na terra o qual é escolhida a
partir dos membros e não permite que qualquer pessoa seja um líder. Este é o sistema dos
presbíteros na congregação local e do presbitério para grupos de congregações.
O texto da Confissão de Fé acima tem sido um pomo de discórdia, no meio
evangélico. Mas se considerarmos o Catolicismo Romano na maior expressão numérica do
Cristianismo, não poderemos fugir do fato de que é o Papa o representante mor do
Anticristo, por ocupar o lugar de Cristo e ao desviar-se da doutrina de Cristo para as
doutrinas da salvação por obras, se põe contra o Senhor, recebendo com justiça o epítome.
Imagina esta situação quando foi feita a Confissão de Fé? Em 1.643-49 a situação era para
os nossos irmãos muito mais séria. A falsidade doutrinária de Roma campeava e, naquela
conjuntura, o verdadeiro Anticristo era o bispo de Roma. Ainda hoje, não temos outro
representante mundial religioso com expressão que o substitua nesta avaliação.

107
“O termo Anticristo usado na confissão ocorre no Novo Testamento em 1 João 2.18,22;
4.3; 2 João 7. A vinda do “homem do pecado”, o “filho da perdição” é predita em 2 Ts
2.3,4. Os interpretes tem se diferenciado quando a se essas expressões pretendiam designar
uma pessoa que se oporia ou assentaria no lugar de Jesus, ou se isto se referia a sistemas
antagônicos a causa de Cristo. Os autores de nossa Confissão dificilmente teriam
pretendido declarar que cada Papa individual da longa sucessão seja o anticristo pessoal, e
provavelmente pretendesse dizer que o sistema papal é em espírito , forma e efeito
totalmente anticristão que caracterizou um desvio do Cristianismo original previsto na
Escritura. Tudo isso foi verdadeiro em seus dias e é verdadeiro no nossos. Contudo
precisamos recordar que, como as formas do mal mudam, e as complicações do reino de
Cristo com o de Satanás variam com o progresso dos eventos , “ainda agora já há muitos
anticristos...” I João 2.18.” (Confissão de Fé comentada por A A Hodge., Ed. Os
Puritanos, pg 432)
Sempre que um sistema seja ele político, econômico, religioso se põe contra Cristo ou
no lugar dele e contradiz sua Palavra ai está, seja que denominação for, manifesto um
Anticristo. Por isso há muitos... Devemos vigiar como lideres e membros da Igreja para
que não corramos esta trilha terrível da apostasia.

REFLEXÕES.
1. Na Inglaterra a Rainha é considerada o Cabeça da Igreja Anglicana desde Henrique
VIII. Como o grupo avalia este fato?
________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
2. Nossa Igreja tem um presidente do Supremo Concílio, ou seja, alguém que preside o
concílio mor de nossa denominação. Ele corre o risco de se tornar um anticristo? Ou o
pastor de sua Igreja também corre?
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
3. Quando lemos o termo anticristo nos dá algum direito de pensar que pode ser também
um sistema de doutrina, seja político, religioso ou econômico. Mas de que modo se
configuraria esta avaliação?
_________________________________________________________________________
4. Se uma Igreja verdadeira é conhecida como a que Prega e ensina fielmente as
Escrituras, Celebra com firmeza os sacramentos e aplica com santidade a disciplina,
de que modo uma Igreja pode se desviar ao ponto de se tornar um sistema anticristão?
Orar a fim de que sejamos guardados dos desvios doutrinários que podem tornar uma
Igreja fiel em sinagoga de Satanás.

108
CAPÍTULO XXVI
A COMUNHÃO DOS SANTOS
João 15.

1. Todos crentes verdadeiros estão unidos a Cristo.


2. Crentes são unidos uns aos outros e existem para ajudar uns ao outros.
3. A união com Cristo e uns aos outros não pode ser mal-interpretada

“I. Todos os santos que pelo seu Espírito e pela fé estão unidos a Cristo, seu Cabeça, têm
com Ele comunhão nas suas graças, nos seus sofrimentos, na sua morte, na sua
ressurreição e na sua glória, e, estando unidos uns aos outros no amor, participam dos
mesmos dons e graças e estão obrigados ao cumprimento dos deveres públicos e
particulares que contribuem para o seu mútuo proveito, tanto no homem interior como
no exterior.”

CAPÍTULO XXVIII
DO BATISMO -

Mateus 28.19,20
1. O que é o batismo.
2. A quem e como o batismo é ministrado.
3. O que o batismo faz.
Entre os cristãos achamos grupos que freqüentemente se distanciam quando se fala dos
sacramentos. Há os que superestimam os sacramentos como: católicos, luteranos, e alguns matizes
dos anglicanos e presbiterianos; e também os que subestimam como: os batistas, e a maior parte do
grupo carismático.
Contudo, os que querem ser fiéis à Palavra de Deus, hão de reconhecer o justo valor dos
sacramentos, de sorte que nem por eles somente se asseguram de sua salvação como também não
os menosprezam pensando que podem ser salvos sem eles.
Quem instituiu os sacramentos, como vimos nas lições passadas, foi o Senhor Jesus.
Vamos, pois conhecer, de perto, ou mais profundamente seu significado e valor.
Devemos lembrar ao líder do grupo, que não precisam ser consultadas todas as referências
bíblicas, consultem apenas as que se fizerem necessárias, ou que ajudem o grupo.

109
O QUE É O BATISMO E SEU SIGNIFICADO

“I. O batismo é um sacramento do Novo Testamento, instituído por Jesus Cristo, não só para
solenemente admitir na Igreja a pessoa batizada, mas também para servir-lhe de sinal e selo do
pacto da graça, de sua união com Cristo, da regeneração, da remissão dos pecados e também da
sua consagração a Deus por Jesus Cristo a fim de andar em novidade de vida. Este sacramento,
segundo a ordenação de Cristo, há de continuar em sua Igreja até ao fim do mundo.”

REFLEXÃO:
1. O que é o Batismo?____________________________________________________________
2. O que ele representa?__________________________________________________________
3. O que deve lembrar aos que o recebem?___________________________________________

ELEMENTOS DO BATISMO
“II. O elemento exterior usado neste sacramento, é água com a qual um ministro do Evangelho,
legalmente ordenado, deve batizar o candidato em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.”

“III. Não é necessário imergir na água o candidato, mas o batismo é devidamente administrado
por efusão ou aspersão.”

A QUEM DEVE SER ADIMINISTRADO


“IV. Não só os que professam a sua fé em Cristo e obediência a Ele, mas os filhos de pais
crentes (embora só um deles o seja) devem ser batizados.”

BATISMO, PECADO EM NEGLIGENCIAR E PERIGO EM DEPENDER SÓ DELE.


“V. Posto que seja grande pecado desprezar ou negligenciar esta ordenança, contudo, a graça e
a salvação não se acham tão inseparavelmente ligadas com ela, que sem ela ninguém possa ser
regenerado e salvo os que sejam indubitavelmente regenerados todos os que são batizados.”

“VI. A eficácia do batismo não se limita ao momento em que é administrado; contudo, pelo
devido uso desta ordenança, a graça prometida é não somente oferecida, mas realmente
manifestada e conferida pelo Espírito Santo àqueles a quem ele pertence, adultos ou crianças,
segundo o conselho da vontade de Deus, em seu tempo apropriado.”

“VII. O sacramento do batismo deve ser administrado uma só vez a uma mesma pessoa”.

REFLEXÕES:
1. Como o grupo vê a possibilidade de alguém ser salvo sem batizar-se?
_______________________________________________________________________________
2. Uma pessoa que se diz salva pode recusar o batismo?
_______________________________________________________________________________
3. O que, de fato, faz a pessoa recusar-se de ser batizada? (Item V).

4. Uma pessoa pode ser batizada hoje e somente vir a conhecer suas graças mais tarde?
______________________________________________________________________________
5. Uma pessoa deve ser batizada mais de uma vez?

110
CAPÍTULO XXIX
A CEIA DO SENHOR -

Existem duas maneiras de Cristo nos alcançar: pela Palavra e pelo Sacramento. Não
podemos esquecer, todavia que o Sacramento é apenas a Palavra visível. Este não pode ser
administrado sem a base e o conteúdo da Palavra Escrita.
Pelo Sacramento da Ceia do Senhor nosso coração é alimentado com a graça da mais
excelente comunhão. Cristo é nosso alimento e somos o seu corpo alimentado na comunhão do seu
povo.
Assim como sem alimento não podemos viver, visto que força nos faltaria, do mesmo
modo é impossível vida espiritual sem participar das graças dos sacramentos. Eles nos são o
nutrimento para a vida eterna. Para a santificação. Estudemos estas graças na Santa Ceia.

COMO FOI INSTITUÍDA:


“I. Na noite em que foi traído, nosso Senhor Jesus instituiu o sacramento do seu corpo e
sangue, chamado Ceia do Senhor, para ser observado em sua Igreja até ao Fim do mundo, a
fim de lembrar perpetuamente o sacrifício que em sua morte Ele fez de si mesmo; selar aos
verdadeiros crentes os benefícios provenientes desse sacrifício para o seu nutrimento espiritual e
crescimento nele e a sua obrigação de cumprir todos os seus deveres para com Ele; e ser um
vínculo e penhor da sua comunhão com Ele e de uns com os outros, como membros do seu
corpo místico.”

A SANTA CEIA E A MISSA EUCARÍSTICA


“II. Neste sacramento não se oferece Cristo a seu Pai, nem de modo algum se faz um sacrifício
pela remissão dos pecados dos vivos ou dos mortos, mas se faz uma comemoração daquele único
sacrifício que Ele fez de si mesmo na cruz, uma só vez, e por meio dele uma oblação de todo o
louvor a Deus; assim o chamado sacrifício papal da missa é sobremodo ofensivo ao único
sacrifício de Cristo, o qual é a única propiciação por todos os pecados dos eleitos.”

QUEM O ADMINISTRA E ONDE


“III. Nesta ordenança o Senhor Jesus constituiu seus ministros para declarar ao povo a sua
palavra de instituição, orar, abençoar os elementos, pão e vinho, e assim separá-los do comum
para um uso sagrado, tomar e partir o pão, tomar o cálice dele participando também e dar
ambos os elementos aos comungantes e tão somente aos que se acharem presentes na
congregação.”
REFLEXÕES:
Em que consiste a Santa Ceia e o que ela representa para nós?_________________________
_______________________________________________________________________________
A Missa católica tem o nome de Santo Sacrifício da Missa, ou seja, Jesus é de novo oferecido ao
Pai em Sacrifício incruento. A luz do item II e dos textos Bíblicos como podemos combater
isto?
_______________________________________________________________________________
Porque será que se recomenda que somente os que estão presentes na congregação devem
participar naquela hora?
_______________________________________________________________________________

111
CAPÍTULO XXIX
A CEIA DO SENHOR -

Muitos crentes participam de missas quer em casamentos, ou festas de formatura, ou ainda


em ocasiões diversas. Quando entendemos o que de fato é uma missa, nossa posição deveria ser
um pouco mais cautelosa quanto a isto, pois poderemos com nossa presença contribuir para a
realização de um culto blasfemo, uma vez que ali ocorre uma magia enganosa.
Por, pelo menos, dois motivos não deveríamos participar:
O que ocorre na Missa é uma mentira, pois o sacrifício de Cristo não pode ser repetido. Isto
diminui sua perfeição e glória.
Se na Igreja católica fossem tiradas todas as imagens, mas continuasse a hóstia, na verdade,
a pior das imagens ainda estaria ali: a encarnação crística na hóstia. Quando ao tocar a campainha
o povo se ajoelha diante do sacrário, isto é uma idolatria condenável. Nós como crentes não
podemos jamais contribuir para esta falsa adoração.
Devemos ter compaixão daqueles que muitas vezes são obrigados a participar de tais
cultos, mas tudo fazer para que sejam livres desta desdita. Orar pelos que cegos ainda se submetem
a participar de um rito condenado por Deus.

MISSA E HÓSTIA, IDOLATRIAS PERIGOSAS

“IV. A missa ou recepção do sacramento por um só sacerdote ou por uma só pessoa, bem como
a negação do cálice ao povo, a adoração dos elementos, a elevação ou procissão deles para
serem adorados e a sua conservação para qualquer uso religioso, são coisas contrárias à
natureza deste sacramento e à instituição de Cristo.”

TRANSUBSTANCIAÇÃO OU PRESENÇA ESPIRITUAL?

“V. Os elementos exteriores deste sacramento, devidamente consagrados aos usos ordenados por
Cristo, têm tal relação com Cristo Crucificado, que verdadeira, mas só sacramentalmente, são às
vezes chamados pelos nomes das coisas que representam, a saber, o corpo e o sangue de Cristo;
porém em substância e natureza conservam-se verdadeira e somente pão e vinho, como eram
antes.”

“VI. A doutrina geralmente chamada transubstanciação, que ensina a mudança da substância


do pão e do vinho na substância do corpo e do sangue de Cristo, mediante a consagração de um
sacerdote ou por qualquer outro meio, é contrária, não só às Escrituras, mas também ao senso
comum e à razão, destrói a natureza do sacramento e tem sido a causa de muitas superstições e
até de crassa idolatria.”

COMO PARTICIPAR

“VII. Os que comungam dignamente, participando exteriormente dos elementos visíveis deste
sacramento, também recebem intimamente, pela fé, a Cristo Crucificado e todos os benefícios
da sua morte, e nele se alimentam, não carnal ou corporalmente, mas real, verdadeira e
espiritualmente, não estando o corpo e o sangue de Cristo, corporal ou carnalmente nos
elementos pão e vinho, nem com eles ou sob eles, mas espiritual e realmente presentes à fé dos
crentes nessa ordenança, como estão os próprios elementos aos seus sentidos corporais.”

112
“VIII. Ainda que os ignorantes e os ímpios recebam os elementos visíveis deste sacramento, não
recebem a coisa por eles significada, mas, pela sua indigna participação, tornam-se réus do
corpo e do sangue do Senhor para a sua própria condenação; portanto eles como são indignos
de gozar comunhão com o Senhor, são também indignos da sua mesa, e não podem, sem grande
pecado contra Cristo, participar destes santos mistérios nem a eles ser admitidos, enquanto
permanecerem nesse estado.”

REFLEXÃO:
1. O que o grupo entendeu ser a missa?
____________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
2. Os católicos crêem que na Missa ocorre a transubstanciação, os luteranos crêem que ocorre a
consubstanciação (em parte ocorre a mudança). O que crêem os presbiterianos?
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
3. Que cuidados teremos em relação à participação da Ceia à luz dos itens VII e VIII?
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________

CAPÍTULO XXX

EXPOSIÇÃO NA CONFISSÃO DE FÉ 20
DISCIPLINA DA IGREJA

DAS CENSURAS ECLESIÁSTICAS -

A igreja de Tiatira (Apoc. 3)

Um dos problemas que enfrentamos hoje na Igreja de Deus é o desaparecimento da


disciplina. A Bíblia diz que devemos ter muito cuidado nesta área, já que a falta de disciplina torna
a Igreja Sinagoga de Satanás.
O exagerado humanismo desperta nas pessoas uma atitude muito estranha em virtude do
“politicamente correto” , prefere-se que uma Igreja inteira sofra com o mau procedimento de uma
pessoa a presenciar sua disciplina. Isto sem contar que existe um mecanismo criado no homem por
Deus, que quando o mesmo não é disciplinado, ele poderá se autodisciplinar, o que pode levá-lo a
riscos pessoais danosos.
A disciplina é uma benção quando aplicada com amor. Ela funciona como uma cirurgia
corretiva. Se não for aplicada o mal crescerá, e conseqüentemente, acarretará em danos terríveis a
pessoa que não for corrigida e ao grupo que permite a corrupção.
Vejamos a razão da disciplina.

113
DAS CENSURAS ECLESIÁSTICAS

“I. O Senhor Jesus, como Rei e Cabeça da sua Igreja, nela instituiu um governo nas mãos dos
oficiais dela; governo distinto da magistratura civil.

II. A esses oficiais estão entregues as chaves do Reino do Céu. Em virtude disso eles têm
respectivamente o poder de reter ou remitir pecados; fechar esse reino a impenitentes, tanto pela
palavra como pelas censuras; abri-lo aos pecadores penitentes, pelo ministério do Evangelho e
pela absolvição das censuras, quando as circunstâncias o exigirem.

III. As censuras eclesiásticas são necessárias para chamar e ganhar para Cristo os irmãos
ofensores para impedir que outros pratiquem ofensas semelhantes, para purgar o velho
fermento que poderia corromper a massa inteira, para vindicar a honra de Cristo e a santa
profissão do Evangelho e para evitar a ira de Deus, a qual com justiça poderia cair sobre a
Igreja, se ela permitisse que o pacto divino e os selos dele fossem profanados por ofensores
notórios e obstinados.

IV. Para melhor conseguir estes fins, os oficiais da Igreja devem proceder na seguinte ordem,
segundo a natureza do crime e demérito da pessoa: repreensão, suspensão do sacramento da
Ceia do Senhor e exclusão da Igreja

REFLEXÕES:
1. A quem Deus atribui o exercício da disciplina?
_______________________________________________________________________________
2. Por que a disciplina é necessária?
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
3. Que tipos de disciplina existem, conforme o texto do item IV?
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
4. O processo regular de disciplina se conduz deste modo: 1º) O “faltoso” é aconselhado pelo
pastor ou por um irmão; 2º) Quando reincide na falta é chamado mais uma vez. Na 3ª Vez é
chamado ao Conselho da Igreja onde deve, ou confessar a falta ou mostrar arrependimento;
após isto, será então penalizado de acordo com a Bíblia. O que você acha de dizer o nome do
“faltoso” (aquele que errou), após o processo regular de disciplina?
Paulo diz: Quando se é oficial da Igreja deve ser chamado publicamente a sua atenção, para que
os demais temam. Também o Santo apóstolo citou nominalmente pessoas e grupos que estavam
errados: I Tim. 1.20; 5.20; 2 Tim. 1.15; Tito 1.10-16.

114
CAPÍTULO XXXI
OS CONCÍLIOS DA IGREJA
DOS SÍNODOS E CONCÍLIOS

Atos 15

O governo da Igreja sendo bíblico é uma forma de identificação de sua veracidade


como corpo de Cristo. Em algumas oportunidades menosprezamos o tipo de governo da Igreja
como se ele não fosse tão importante. Mas com o crescimento do individualismo vemos como o
governo Bíblico é importante.
A orientação das Escrituras, mormente no Novo Testamento aponta para o governo
presbiteral, ou seja, de anciãos eleitos pela comunidade. Isto guarda a Igreja de perigos, apesar de
também entendermos que mesmo os concílios estão sujeitos a erros. Todavia, podemos dizer que
sob oração e estudos da Palavra, os membros dos concílios estão mais assegurados em suas
decisões do que uma pessoa sozinha dirigindo tudo.
A confusão reina quando alguém acha que sabe tudo e quer tudo dirigir sem ouvir
conselhos. Analisemos o assunto à Luz da Escritura.

DOS SÍNODOS E CONCÍLIOS

“I. Para melhor governo e maior edificação da Igreja, deverá haver as assembléias comumente
chamadas sínodos ou concílios. Em virtude do seu cargo e do poder que Cristo lhes deu para
edificação e não para destruição, pertence aos pastores e outros presbíteros das igrejas
particulares criar tais assembléias e reunir-se nelas quantas vezes julgarem útil para o bem da
Igreja.

II. Aos sínodos e concílios compete decidir ministerialmente controvérsias quanto à fé e casos de
consciência, determinar regras e disposições para a melhor direção do culto público de Deus e
governo da sua Igreja, receber queixas em caso de má administração e autoritativamente decidi-
las. Os seus decretos e decisões, sendo consoantes com a palavra de Deus, devem ser recebidas
com reverência e submissão, não só pelo seu acordo com a palavra, mas também pela
autoridade pela qual são feitos, visto que essa autoridade é uma ordenação de Deus, designada
para isso em sua palavra.

III. Todos os sínodos e concílios, desde os tempos dos apóstolos, quer gerais quer particulares,
podem errar, e muitos têm errado; eles, portanto, não devem constituir regra de fé e prática, mas
podem ser usados como auxílio em uma e outra coisa.

IV. Os sínodos e concílios não devem discutir, nem determinar coisa alguma que não seja
eclesiástica; não devem imiscuir-se nos negócios civis do Estado, a não ser por humilde petição
em casos extraordinários ou por conselhos em satisfação de consciência, se o magistrado civil os
convidar a fazê-lo.”

REFLEXÕES:
1. Que tipos de concílios têm a IPB?
________________________________________________

115
______________________________________________________________________________

2. Que atitudes devemos ter para com as decisões conciliares?


_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________

3. Os concílios podem errar? Como posso saber que estarão errados ou que parâmetro usaria
para constatar seus erros?
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
4. Que relação deve ter a Igreja com o Estado?
_______________________________________________________________________________

CAPÍTULO XXXII

EXPOSIÇÃO DA CONFISSÃO DE FÉ
DO ESTADO DO HOMEM DEPOIS DA MORTE
E DA RESSURREIÇÃO DOS MORTOS.

LUCAS 16.25-34

Tem o homem uma alma? E morrendo o que lhe sucede? Que lugares ha que receba suas
almas? Que diz a Escritura sobre o assunto da ressurreição dos mortos. Quando será? Onde?
Vamos ao estudo!

DO ESTADO DO HOMEM DEPOIS DA MORTE E DA RESSURREIÇÃO DOS MORTOS

“I. Os corpos dos homens, depois da morte, convertem-se em pó e vêm a corrupção; mas as
suas almas (que nem morrem nem dormem), tendo uma substância imortal, voltam
imediatamente para Deus que as deu. As almas dos justos, sendo então aperfeiçoadas na
santidade, são recebidas no mais alto dos céus onde vêm a face de Deus em luz e glória,
esperando a plena redenção dos seus corpos; e as almas dos ímpios são lançadas no inferno,
onde ficarão, em tormentos e em trevas espessas, reservadas para o juízo do grande dia final.
Além destes dois lugares destinados às almas separadas de seus respectivos corpos as Escrituras
não reconhecem nenhum outro lugar.

II. No último dia, os que estiverem vivos não morrerão, mas serão mudados; todos os mortos
serão ressuscitados com os seus mesmos corpos e não outros, posto que com qualidades
diferentes, e ficarão reunidos às suas almas para sempre.

116
III. Os corpos dos injustos serão pelo poder de Cristo ressuscitados para a desonra, os corpos
dos justos serão pelo seu Espírito ressuscitados para a honra e para serem semelhantes ao
próprio corpo glorioso dele.”

REFLEXÕES:
Que acontece ao crente quando morre?
_______________________________________________________________________________
Que acontece ao ímpio?
_______________________________________________________________________________

Como será a ressurreição e quando?


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Como você pode comparar a ressurreição com a reencarnação?
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CAPÍTULO XXXIII
DO JUÍZO FINAL –

O conhecimento do juízo final e um poderoso antídoto a impiedade. Deus julgara todos os


homens em todas as suas obras. Os anjos também serão julgados. Ha juízo para Salvação e para
condenação. Os crentes sofrerão algum tipo de julgamento também.
O juízo final tem um propósito absolutamente santo. Vejamos o que nos diz a Escritura a
luz deste estudo.

“I. Deus já determinou um dia em que, segundo a justiça, há de julgar o mundo por Jesus
Cristo, a quem foram pelo Pai entregues o poder e o juízo. Nesse dia não somente serão
julgados os anjos apóstatas, mas também todas as pessoas que tiverem vivido sobre a terra
comparecerão ante o tribunal de Cristo, a fim de darem conta dos seus pensamentos, palavras e
obras, e receberem o galardão segundo o que tiverem feito, bom ou mau, estando no corpo.

II. O fim que Deus tem em vista, determinando esse dia, é manifestar a sua glória - a glória da
sua misericórdia na salvação dos eleitos e a glória da sua justiça na condenação dos réprobos,
que são injustos e desobedientes. Os justos irão então para a vida eterna e receberão aquela
plenitude de gozo e alegria procedente da presença do Senhor; mas os ímpios, que não
conhecem a Deus nem obedecem ao Evangelho de Jesus Cristo, serão lançados nos eternos
tormentos e punidos com a destruição eterna proveniente da presença do Senhor e da glória do
seu poder.

117
III. Assim como Cristo, para afastar os homens do pecado e para maior consolação dos justos
nas suas adversidades, quer que estejamos firmemente convencidos de que haverá um dia de
juízo, assim também quer que esse dia não seja conhecido dos homens, a fim de que eles se
despojem de toda confiança carnal, sejam sempre vigilantes, não sabendo a que hora virá o
Senhor, e estejam prontos para dizer - "Vem logo, Senhor Jesus". Amém.

REFLEXÕES:
Quem há de julgar, quem há de ser julgado, o que se julgará no dia final?
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Qual é o propósito final de Deus no juízo? (Item II)
_______________________________________________________________________________
Por que Jesus revelou que haverá o juízo, mas não deixou para nos a data?
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PREFÁCIO AOS NOVOS CAPÍTULOS

Considerando a conveniência de exprimir claramente a doutrina da Igreja a respeito do


Espírito Santo, das Missões e do amor de Deus para com todos os homens, foram acrescentados os
seguintes capítulos:

CAPÍTULO XXXIV

O ESPÍRITO SANTO

Atos dos Apóstolos 2.1-8

Embora creiamos que na Confissão de Fé o tema do Espírito Santo seja esparzido, bem
como o da Santíssima Trindade, conhecendo-se o Deus Pai, Filho e Espírito Santo em suas obras
em todo o estudo, achou-se por bem adicionar mais este capítulo tratando especificamente desta
Pessoa Gloriosa. Claro que estando de acordo com A Escritura e podendo nos enriquecer mais com
o conhecimento de Deus, estudemos.

“I. O Espírito Santo é a terceira pessoa da Trindade, procedente do Pai e do Filho, da mesma
substância e igual em poder e glória, e deve-se crer nele, amá-lo, obedecê-lo e adorá-lo,
juntamente com o Pai e o Filho, por todos os séculos.

II. É Ele o Senhor e Doador da vida, presente em toda parte na natureza, e é a fonte de todos os
pensamentos bons, desejos puros e conselhos santos que se encontram nos homens. Por Ele os
Profetas foram levados a falar a Palavra de Deus, e todos os autores da Sagrada Escritura
foram inspirados a registrar de um modo infalível a disposição e a vontade de Deus. A
dispensação do Evangelho foi-lhe entregue de um modo especial. O Espírito Santo prepara o
caminho para o Evangelho, acompanhado com seu poder persuasivo e recomenda a sua
mensagem à razão e à consciência dos homens, de maneira que os que rejeitam a oferta

118
misericordiosa, ficam não somente sem desculpa, mas também culpados de terem resistido ao
Espírito Santo.

III. “O Espírito Santo, o qual o Pai prontamente dá a todos os que Lho pedirem, é o único
agente eficaz na aplicação da redenção. Ele convence os homens do pecado, leva-os ao
arrependimento, regenera-os pela sua graça e persuade-os e habilita-os a abraçar a Jesus Cristo
pela fé. Ele une todos os crentes a Cristo, habita neles como seu Consolador e Santificador, dá-
lhes o espírito de adoção e de oração, e cumpre neles todos os graciosos ofícios pelos quais eles
são santificados e selados até o dia da redenção”.

IV. “Pela presença do Espírito Santo nos seus corações, todos os crentes, estando intimamente
unidos a Cristo, a Cabeça, estão assim unidos uns aos outros na Igreja, que é o seu corpo. Ele
chama e unge os ministros para o seu santo ofício, prepara todos os outros oficiais na Igreja
para o seu trabalho especial e concede vários dons e graças aos demais membros. Ele torna
eficazes a Palavra e as ordenanças do Evangelho. Por Ele a Igreja será preservada e aumentada
até cobrir a face da terra, será purificada e, afinal, tornada perfeitamente santa na presença de
Deus.”

TRABALHO PARA O GRUPO:


1. Uma pessoa do grupo poderá fazer um gráfico onde mostre a relação do Espírito Santo com a
Divindade. (É bom lembrar que a 2a e a 3a pessoa da trindade não ocupam lugares
seqüenciais em poder ou importância, mas este modo de falar é apenas para nos ajudar a
distinguir. Eles são eternamente iguais em poder, glória e essência, embora um não seja o
outro, os três são o mesmo Deus Glorioso. Isto é um mistério absolutamente ininteligível, ou
inatingível à nossa pobre mente finita.
2. Um outro irmão apresentará outro gráfico mostrando a obra do Espírito na Igreja; e, ou em
nossas vidas.

CAPÍTULO XXXV

DO AMOR DE DEUS E DAS MISSÕES

Creio que este capítulo veio onde deveria: conhecendo toda a Doutrina de Deus e sendo
fortalecido pelo maravilhoso combustível do Evangelho na Palavra e na doutrina, que resta ao
cristão senão constrangido por tão grande amor e graça revelados na escolha, na eleição gratuita,
sair ao mundo e anunciar as maravilhas de seu conhecimento?
Vamos, pois conhecer portanto seu maravilhoso amor na busca do perdido na
evangelização e nas missões.

“I. Em seu amor infinito e perfeito - e tendo provido no pacto da graça, pela mediação e
sacrifício do Senhor Jesus Cristo, um caminho de vida e salvação suficiente e adaptado a toda a
raça humana decaída como está - Deus determinou que a todos os homens esta salvação de
graça seja anunciada no Evangelho.

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II. No Evangelho Deus proclama o seu amor ao mundo, revela clara e plenamente o único
caminho da salvação, assegura vida eterna a todos quantos verdadeiramente se arrependem e
crêem em Cristo, e ordena que esta salvação seja anunciada a todos os homens, a fim de que
conheçam a misericórdia oferecida e, pela ação do Seu Espírito, a aceitem como dádiva da
graça.

III. As Escrituras nos asseguram que os que ouvem o Evangelho e aceitam imediatamente os
seus misericordiosos oferecimentos, gozam os eternos benefícios da salvação: porém, os que
continuam impenitentes e incrédulos agravam a sua falta e são os únicos culpados pela sua
perdição.

IV. Visto não haver outro caminho de salvação a não ser o revelado no Evangelho e visto que,
conforme o usual método de graça divinamente estabelecido, a fé vem pelo ouvido que atende à
Palavra de Deus, Cristo comissionou a sua Igreja para ir por todo o mundo e ensinar a todas as
nações. Todos os crentes, portanto, têm por obrigação sustentar as ordenanças religiosas onde
já estiverem estabelecidas e contribuir, por meio de suas orações e ofertas e por seus esforços,
para a dilatação do Reino de Cristo por todo o mundo.”

REFLEXÕES:
1. Onde você descobre no texto desta lição uma verdade que pode ser associada a esta doutrina
da eleição?
_______________________________________________________________________________
2. Quem rejeita o evangelho tem culpa e deve ser condenado?
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_______________________________________________________________________________
3. Poderia alguém se salvar por outro meio, ou a salvação pode ser achada em outra religião do
mesmo jeito que e achada no Cristianismo?
_______________________________________________________________________________

BIBLIOGRAFIA

1.Biblia – Ed. Revista Atualizada. SBB.

2. Hodge, A.A. Confissão de Fé de Westiminster Comentada. Ed. Os Puritanos.


São Paulo – 1999.

4. Kaller, Donald W. Um estudo Programado da Confissão de Fé. CEIBEL,


Patrocinio, 1981

5. Ferguson, Sinclair B. & Joel R. Beeke. Harmonia das Confissões Reformadas.


Ed. Cultura Cristã. São Paulo, 2006.

6. Vos, Johannes Geerhardus. Catecismo Maior de Westminster Comentado.


Ed. Os Puritanos. São Paulo. 2007.

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7. Simões, Ulisses H. A Subscrição Confessional. Edição Propria. Belo -
Horizonte, 2002.

8. Catecismo Maior de Westminster, Ed. Cultura Cristã. São Paulo, 2005

9. Firm Fundations. A Faith for Today’s Church. Ed. Presbyterian Church in


Ireland. 1994.

10 Livro das Confissões. A Constituição da Igreja Presbiteriana Unida dos


Estados Unidos. Ed. Missão Presbiteriana do Brasil Central – S. Paulo.1969

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