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História do Ensino de História no Brasil

FICHAMENTO:
“As armadilhas do quadripartismo histórico”
Jean Chesneaux

Docente: Germano Esteves


Discente: João Pedro Vargas Frandsen
História – Matutino - 1̊ ano
23/06/2018

Bibliografia:
CHESNEAUX, Jean. Devemos fazer tábula rasa do passado? Sobre
história e os historiadores. Editora Ática. Série fundamentos. As armadilhas
do quadripartismos histórico. (p.92-99).

A História, tal como é conhecida geralmente pelas pessoas, utiliza-se de uma


organização tradicional francesa, isto é, estuda-se Antiguidade, Idade Média,
Idade Moderna e por fim Idade Contemporânea. Assim, esse “quadripartismo
francês” torna-se objeto de estudo para Jean Chesneaux, na medida que se
entende nesse modelo de ensino certas funções. Jean, não só identifica essas
funções, sendo elas: pedagógica, institucional, intelectual, ideológica e política;
como ainda aponta para a “intenção” de se abordar o conteúdo histórico desta
maneira. Neste sentido, o autor conclui sobre como a teoria histórica do
marxismo se apresenta frente ao quadripartismo francês.
A história por si só é muito extensa. Com isso, as propostas de organização
de um conteúdo histórico são vastas, sempre tendo em vista uma mentalidade a
ser formada. Mas dentre tantas, a francesa é a que se mostra mais “(...) rígida,
quadripartite, é a mais extremada, mais acabada” (p.93). Por esse motivo, é
identificável uma nítida delimitação das quatro partes históricas que trazem
consigo características específicas. À Antiguidade fala-se muito de gregos e
romanos, sobrando um curto espaço para a parte oriental (Egito, Babilônia, etc.).
Seu fim, consta na queda do império romano do Ocidente. À Idade Média trata-
se de ilustrar a parte da Europa, principalmente, com uma curta parte Oriental
romana, que aparece, sobretudo como marco do fim do período medieval. A
aparição do mercantilismo ultramar, dá forma a Modernidade que se estende até
a Revolução Francesa. E à última parte, tida como contemporânea, encontram-
se as guerras mundiais e a aparição efetiva, na história francesa, de um lado
asiático, africano e americano.
Sob esta perspectiva, Jean debruça-se a identificar qual a proposta de
sistematizar a história desta forma, quais as funções, o que há de implícito.
Assim a primeira função exaltada diz respeito a questão pedagógica, pois esse
modelo, de certa forma, implicaria um padrão base não só para o ensino, como
ainda para livros e materiais didáticos. Esta função pode se unir ao caráter
constitucional e intelectual, uma vez que se percebe dentro de universidades, e
dentro da própria área acadêmica este quadripartismo em forma de áreas
independentes de trabalho e atuação. Percebe-se esta divisão tanto na questão
trabalhista, como ainda, na questão da produção acadêmica. O próprio trabalho
de investigação dos historiadores, por mais que existam outros modos de divisão
do conteúdo, pautam-se nesse roteiro com suas consequentes subdivisões,
voltadas em geral para a história econômica. Em outras palavras, percebe-se no
modelo francês um sistema que tem por funções para além do campo apenas
do conteúdo para adentrar a todo um sistema de ensino e de formação de
historiadores.
Contudo, por mais importantes que sejam essas funções, a de maior símbolo
para o quadripartismo corresponde a ideologia e a política. A História francesa é
essencialmente europeia, onde povos não europeus são reduzidos a pequenas
partes. Porém, mais do que isso, é uma História voltada para a fundamentação
de mentalidades em acordo com o grupo dirigente: a burguesia. Assim,
facilmente se explica a periodização em favor desse grupo. Por que o enfoque
para a cultura greco-latina na Antiguidade? Porque é dessa cultura que se
pautará o renascimento dos burgueses. O Latim e umas das línguas chave do
mundo acadêmico até hoje. Da mesma forma, encara-se a Idade Média como
era de transição, período de passagem para ascensão burguesa. Apesar da
aparição deste grupo nesse período, a eles não foi atribuído espaço no âmbito
social. Espaço esse que seria atingido na era Moderna, afinal a modernidade
seria reflexo da ascensão deste grupo que levou a civilização Ocidental ao
moderno. Assim, a época contemporânea chegaria ao último estágio de uma
história que superaria a visão europeia para o domínio de todo mundo. Entram
em cena civilizações africanas, asiáticas. No entanto é nesse período que essa
História começar a se tornar insuficiente para as demandas.
Toda essa sistematização, com intuito de não só favorecer a classe dirigente,
como de, por meio desta trazer valores implícitos que remontem uma sociedade
em compasso com o sistema, aos poucos torna-se escassa. Sendo o motivo,
justamente, a expansão para a conquista do mundo não europeu. Pois faltam-
se pedaços, a História francesa separa aquilo que seriam elos entre os períodos,
é arbitrária deixando de lado os “marginais”. Assim a contemporaneidade exige
uma complexidade maior dos fatos históricos, e uma maior abrangência no tratar
da sociedade. Com isso aparece a micro história de grupos a margem que
buscam espaço e representatividade.
A partir daí Jean levanta uma dúvida: O marxismo histórico seria a possível
resposta de renovação do modelo francês? A História sob a perspectiva marxista
adquire o caráter econômico. Falar da transgressão das sociedades pelos meios
de produção, tende para um olhar mais temático, contudo, ainda sim, é uma
história muito generalista frente as linhas que sucederam. Neste sentido, a
renovação do quadripartismo francês pelo marxismo, sob o olhar de Jean seria
insuficiente para falar de uma história universal.

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