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Código de ética:

Normas fundamentais para a prática da psicoteologia clínica


Gilson de Almeida Pinho (2012, 2019)

Seja o seu ‘sim’, ‘sim’, e o seu ‘não’, ‘não’... (Mateus 5.37a NVI)

O que se segue é um conjunto de normas fundamentais para a prática da psicoteologia


clínica. É um modelo de código de ética para o psicoteólogo, em especial para o psicoteólogo
clínico, até que haja um código formal associado ao reconhecimento oficial da psicoteologia
como prática profissional.

Sumário

Quanto ao psicoteólogo e seu serviço ................................................................. 2


Código de ética para o psicoteólogo ................................................................... 3
Apresentação ................................................................................................................ 3
1. Princípios fundamentais do procedimento do psicoteólogo clínico............................. 4
1.1. Com relação à atividade de psicoteologia clínica ..............................................................4
1.2. Com relação às pessoas a quem o psicoteólogo presta seus serviços ..............................5
1.3. Com relação aos seus pares e profissionais correlatos .....................................................6
2. Direitos e responsabilidades do psicoteólogo ............................................................ 6
2.1. Quanto aos direitos do psicoteólogo .................................................................................6
2.2. Quanto aos deveres fundamentais dos psicoteólogos: .....................................................7
2.3. Quanto ao sigilo das informações prestadas pela pessoa em atendimento .....................9
2.4. Quanto ao relacionamento com outros terapeutas no tratamento de alguma pessoa 11
2.5. Quanto à participação de pessoas em pesquisas ........................................................... 11
3. Procedimentos técnicos quanto aos atendimentos terapêuticos psicoteológicos...... 12
3.1. Quanto aos procedimentos técnicos do processo terapêutico ...................................... 12
3.2. Alguns cuidados éticos quanto à psicoterapia................................................................ 13
4. Das disposições finais .............................................................................................. 14
Modelo de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido ..................................15
Referências .......................................................................................................16

Gilson A. Pinho “Informar, Formar, Transformar” 1


Código de ética: Normas fundamentais para a prática da psicoteologia clínica

Quanto ao psicoteólogo e seu serviço

Considerando o disposto na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, Art.


5º, item XIII “é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualifica-
ções profissionais que a lei estabelecer”. Isto no caso de haver alguma lei específica que regula-
mente uma determinada profissão. O fato de não haver uma lei não significa que a profissão não
exista, significa apenas que ela não é oficialmente regulamentada. Exemplo disso no Brasil é a
profissão de psicanalista (CBO 2515-50) e o filósofo clínico (CBO 2514-05).
Embora a profissão de teólogo só tenha sido reconhecida em 2015, ela já era reconhecida
na CBO – Classificação Brasileira de Ocupações, do Ministério do Trabalho e Emprego, código
2631: Ministros de culto, missionários, teólogo e profissionais assemelhados; código 2631-15:
Teólogo; Descrição Sumária:

Realizam liturgias, celebrações, cultos e ritos; dirigem e administram comunidades; formam


pessoas segundo preceitos religiosos das diferentes tradições; orientam pessoas; realizam
ação social junto à comunidade; pesquisam a doutrina religiosa; transmitem ensinamentos
religiosos; praticam vida contemplativa e meditativa; preservam a tradição e, para isso, é es-
sencial o exercício contínuo de competências pessoais específicas.

O termo “orientam pessoas”, empregado na CBO, é muito amplo e pode contemplar a


prática de alguma forma de psicoterapia teológica (psicoteologia clínica), que vá além do acon-
selhamento pastoral, pois nem todo teólogo é pastor e nem todo pastor é teólogo; aliás, o fato
de ser teólogo não significa nem ao menos que a pessoa deva ser cristã, de acordo com o CBO.
Em função disso, todo psicoteólogo é livre para exercer sua profissão até que haja uma lei espe-
cífica que regulamente a profissão de psicoteólogo clínico, estando ou não vinculada à teologia.
Ainda na CBO; código 2515-10: Psicólogo clínico, psicólogo da saúde, psicoterapeuta e
terapeuta; Descrição Sumária:

Estudam, pesquisam e avaliam o desenvolvimento emocional e os processos mentais e soci-


ais de indivíduos, grupos e instituições, com a finalidade de análise, tratamento, orientação
e educação; diagnosticam e avaliam distúrbios emocionais e mentais e de adaptação social,
elucidando conflitos e questões e acompanhando o(s) paciente(s) durante o processo de tra-
tamento ou cura; investigam os fatores inconscientes do comportamento individual e grupal,
tornando-os conscientes; desenvolvem pesquisas experimentais, teóricas e clínicas e coor-
denam equipes e atividades de área e afins.

A CBO não limita a prática da psicoterapia somente a psicólogos, nem tampouco a Lei
4.119, de 27 de agosto de 1962, que criou a profissão de psicólogo. A única atividade que é de
uso exclusivo dos psicólogos é a aplicação de testes psicológicos devidamente reconhecidos e
homologados pelo CFP – Conselho Federal de Psicologia. Assim qualquer pessoa com formação
específica pode praticar alguma forma de psicoterapia, sendo tal profissional classificado como
terapeuta holístico1 ou terapeuta alternativo, CBO, código 3221-25; Descrição Sumária:

[...] Os procedimentos terapêuticos visam a tratamentos de moléstias psico-neuro-funcio-


nais, músculo-esqueléticas e energéticas; além de patologias e deformidades podais [...] Ava-
liam as disfunções fisiológicas, sistêmicas, energéticas, vibracionais e inestéticas dos

1
Holístico, do grego hólos = todo, inteiro, completo, integral, totalidade; realidade.
2 “Informar, Formar, Transformar” Gilson A. Pinho
Código de ética: Normas fundamentais para a prática da psicoteologia clínica
pacientes/clientes [...]

Diante do exposto, conclui-se que o psicoteólogo pode exercer sua atividade profissional
e, embora não precise ser necessariamente um teólogo, a vinculação à teologia pode fazer dele
um teólogo clínico.
O que se segue é um conjunto de normas fundamentais para a prática da psicoteologia
clínica. É um modelo de código de ética para o psicoteólogo, em especial para o psicoteólogo
clínico, até que haja um código formal associado ao reconhecimento oficial da psicoteologia
como prática profissional.
1) Cabe aos psicoteólogos docentes ou supervisores esclarecer, informar, orientar e exigir
dos estudantes de psicoteologia a observância de princípios éticos e normas de procedimentos.
2) Doravante o termo psicoteólogo será utilizado para designar um profissional específico,
enquanto o termo terapeuta e psicoterapeuta será utilizado de maneira mais ampla, incluindo aí
o psicoteólogo clínico.

Código de ética para o psicoteólogo

Apresentação

I. Uma profissão é definida em função:


1) De um conjunto de práticas norteadas por padrões técnicos que lhe são inerentes.
2) Pelas atividades específicas do profissional identificado com tal profissão.
3) Por normas éticas de conduta que:
a) Dirijam os procedimentos do profissional em relação a si mesmo, à sua profissão, ao
seu público alvo, e as relações com seus pares e com outros profissionais de atividades
correlatas.
b) Esclareçam a relevância social da profissão em questão.

II. Um código de ética profissional não é um manual técnico, pois não visa normatizar a
natureza técnica da profissão, mas sim:
1) Esclarecer a prática da profissão.
2) Mostrar ao profissional as responsabilidades e as consequências por suas ações no de-
sempenho de sua profissão.

III. Todo código de ética deve expressar:


1) Os valores universais constantes na Declaração Universal dos Direitos Humanos, apro-
vada em 10/12/1948 pela Assembleia Geral das Nações Unidas.
2) Os valores socioculturais do país onde tal profissão é exercida, a fim de promover a
cidadania.

IV. Como os valores socioculturais variam com o tempo e lugar, e os procedimentos téc-
nicos se aperfeiçoam a cada dia, consequentemente o código de ética não pode ser um conjunto
imutável de regras, e precisa de verificações periódicas, a fim de manter sua atualização contex-
tual.

Gilson A. Pinho “Informar, Formar, Transformar” 3


Código de ética: Normas fundamentais para a prática da psicoteologia clínica
1. Princípios fundamentais do procedimento do psicoteólogo clínico

1.1. Com relação à atividade de psicoteologia clínica

Art. 1º. Considera-se psicoteólogo clínico, com direito ao exercício profissional, todo
aquele que:
1) Tenha formação teórica psicoteológica ministrada por alguma instituição de ensino que
ofereça formação ou pós-graduação em psicoteologia.
2) Tenha passado por atendimento clínico psicoteológico durante sua formação psicote-
ológica.
3) Tenha realizado atendimento clínico supervisionado durante sua formação psicoteoló-
gica.
4) Esteja credenciado em alguma entidade de classe ou órgão disciplinador, se isso existir.

Art. 2º. O psicoteólogo deve ter formação teológica ou correspondente ministrada por
alguma instituição teológica de ensino:
1) O psicoteólogo clínico deve considerar que antes de terapeuta, ele é teólogo, e como
tal, precisa dirigir sua vida pessoal e profissional nos valores do evangelho do Senhor Jesus Cristo,
que se traduz em uma vida:
a) Simples e despojada de ostentação, que corresponda ao decoro cristão.
b) De dedicação a Deus e à sua obra.
c) Dedicada a servir o próximo, em especial aos menos favorecidos.
2) Pessoa com formação acadêmica diferente de teologia pode cursar psicoteologia, mas
não será reconhecida como psicoteólogo clínico até que tenha concluído o curso formal de teo-
logia.

Art. 3º. O psicoteólogo clínico não precisa ter formação acadêmica prévia em psicologia,
sendo por isso considerado um terapeuta livre ou terapeuta holístico, segundo o CBO.
1) Por força do “Código de ética profissional do psicólogo”, do CFP – Conselho Federal de
Psicologia, o psicólogo em seus atendimentos clínicos geralmente se sente limitado ao tratar de
problemas de natureza espiritual, religiosa e moral, sendo obrigado a assumir uma postura de
neutralidade quanto a tais assuntos ou, o que é pior, assumir uma postura determinada pelo CFP,
mesmo que tal postura vá contra seus pontos de vista pessoais. Por outro lado, pelo fato de o
psicoteólogo não ser necessariamente um psicólogo, tais assuntos não são e nem devem ser evi-
tados por ele. De qualquer modo, o psicoteólogo deve abordá-los:
a) Com isenção de ânimo e sem o viés doutrinário religioso; e
b) Sem discriminação e preconceitos de qualquer natureza.
2) As pessoas que procuram atendimento psicoteológico geralmente são cristãs, e nor-
malmente não são pessoas que procurariam o atendimento de um psicoterapeuta secular, por
acharem que eles não entenderiam seus problemas de ordem espiritual.
a) Caso ocorra de o terapeuta psicoteológico se ver na condição de espiritualizar os pro-
blemas apresentados pela pessoa atendida, ele precisa direcionar suas atividades para
o procedimento terapêutico, e não para impasses espirituais que possam se tornar es-
téreis.

4 “Informar, Formar, Transformar” Gilson A. Pinho


Código de ética: Normas fundamentais para a prática da psicoteologia clínica
Art. 4º. O psicoteólogo clínico realiza atendimentos terapêuticos a pessoas, casais, famí-
lias, grupos e entidades:
1) O atendimento terapêutico do psicoteólogo não deve ser confundido com aconselha-
mento pastoral, pois excede a isso pelas peculiaridades de sua atividade, embora o psicoteólogo
também possa exercer a atividade de aconselhamento pastoral.
2) O atendimento terapêutico do psicoteólogo não deve ser confundido com evangeliza-
ção ou proselitismo religioso, pois seu objetivo é tratar pessoas com problemas pessoais, de re-
lacionamentos, espirituais, existenciais etc.
3) Normalmente o público alvo do psicoteólogo clínico é constituído por pessoas cristãs,
e mesmo não cristãs, as quais dificilmente procurariam um terapeuta secular (psicólogo, psica-
nalista, terapeuta sistêmico etc.).
4) Independentemente do fato da pessoa em atendimento ser ou não cristã, o psicoteó-
logo, como qualquer psicoterapeuta, deverá atendê-la sem discriminação de religião, raça, nível
socioeconômico e cultural, sexo ou opção sexual etc.

Art. 5º. Com relação à sua atividade técnica e profissional, o psicoteólogo, como qualquer
psicoterapeuta, deve:
1) Prestar serviço de qualidade, sem discriminação de pessoa, e independentemente do
valor monetário envolvido.
2) Prover um ambiente adequado ao seu serviço, que inclua conforto e segurança física,
psicológica, social e espiritual necessárias para as pessoas em atendimento.
a) Só faça seus atendimentos em local especialmente preparado para isso, como clínica,
consultório, igreja, centro comunitário etc.
b) Em hipótese alguma faça atendimentos em sua própria residência, a não ser que haja
ali um lugar especificamente preparado para isso e isolado da sua área de habitação.
Essa restrição é necessária para que o psicoteólogo possa manter a privacidade de sua
residência.
3) Buscar o contínuo aprimoramento profissional, bem como contribuir para o desenvol-
vimento da Psicoteologia como ciência e como prática clínica.

Art. 6º. Quando em exposição pública, o psicoteólogo deve:


1) Apresentar-se de modo compatível com a dignidade profissional, em especial com a
dignidade de um teólogo, se for o caso.
2) Quando participar de atividade em veículos públicos de comunicação, deve zelar para
que as informações prestadas disseminem o conhecimento a respeito das suas atribuições, da
base científica e do papel social da Psicoteologia.
3) Abster-se de pronunciamentos tendenciosos ou discussões estéreis sobre assuntos te-
ológicos, psicoterapêuticos e outros.

1.2. Com relação às pessoas a quem o psicoteólogo presta seus serviços

Art. 7º. Com relação às pessoas, casais, famílias, grupos e entidades a quem presta seu
serviço, e com a sociedade em geral, o psicoteólogo, como qualquer psicoterapeuta, deve:
1) Promover a qualidade de vida a quem presta seu serviço, visando à saúde integral do
ser humano, isto é, nos seus aspectos físico (orgânico), psicológico (mental e emocional), social
e espiritual.
Gilson A. Pinho “Informar, Formar, Transformar” 5
Código de ética: Normas fundamentais para a prática da psicoteologia clínica
2) Promover o respeito, a dignidade, a liberdade, a igualdade e a integridade do ser hu-
mano, e para isso o psicoteólogo deve se postar contra qualquer forma de discriminação, pre-
conceito, exploração, violência, crueldade e opressão.
3) Respeitar a dignidade, o valor e os direitos de cada pessoa que o procurar para um
atendimento psicoterapêutico, aconselhamento pastoral etc.
4) Respeitar a autodeterminação de cada ser humano.

Art. 8º. Com relação à pessoa em atendimento:


1) Se a pessoa atendida for cristã, o psicoteólogo deve confortá-la como Jesus faria: “Ve-
nham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem
sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês en-
contrarão descanso para as suas almas” (Mateus 11.28-29 NVI).
2) Se a pessoa atendida não for cristã, o psicoteólogo deve ser prudente no modo como
a acolhe, pois ela poderá entender essa acolhida como uma forma de pressão pela sua conversão
e, de imediato, tomar uma atitude de bloqueio, fechando-se para a continuidade do processo
terapêutico.

1.3. Com relação aos seus pares e profissionais correlatos

Art. 9º. Com relação aos seus pares (psicoteólogos e teólogos) e outros profissionais cor-
relatos (psicólogos, psicanalistas, conselheiros, psicoterapeutas, terapeutas sistêmicos etc.), o
psicoteólogo deve:
1) Demonstrar respeito, cordialidade, consideração e solidariedade para com os mesmos
e para com os trabalhos por eles realizados.
2) Saber seus limites pessoais e profissionais, e estabelecer limites para os colegas. Nunca
ingerir nos trabalhos deles, e nem permitir a ingerência dos mesmos em seu trabalho.
3) Colaborar, sempre que solicitado, com o trabalho deles, a não ser que haja algum im-
pedimento por motivo realmente relevante, bem como solicitar a colaboração deles, se sentir
necessidade disso.

2. Direitos e responsabilidades do psicoteólogo

2.1. Quanto aos direitos do psicoteólogo


Art. 10º. O psicoteólogo, como qualquer outro psicoterapeuta livre, tem o direito de exer-
cer sua atividade com liberdade, e com responsabilidade perante a sociedade.
Art. 11. O psicoteólogo, como qualquer outro psicoterapeuta livre, tem o direito, se for o
caso, de receber remuneração pelo serviço que executa e que constitui o seu meio normal de
subsistência.

Art. 12. Quanto à remuneração pelo seu trabalho, o psicoteólogo, como qualquer psico-
terapeuta livre, deve:
1) Considerar-se merecedor de uma retribuição que seja justa pelo seu trabalho, de
acordo com as características do serviço prestado.
2) Considerar as condições financeiras das pessoas a quem prestará seu serviço.
3) Comunicar às pessoas que receberão o serviço o valor antes do início ou logo no início
6 “Informar, Formar, Transformar” Gilson A. Pinho
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do serviço prestado.
4) Uma vez combinado um valor, ele não mais será majorado enquanto durar a prestação
do serviço previamente acordado. Só se aceita majoração do valor acertado:
a) Caso haja alteração do tipo de serviço prestado.
b) Se houver a inserção de algum elemento extra que não faz parte do acordo inicial.
c) Depois de decorrido um ano de atendimento ou mudança de ano como forma de cor-
reção monetária, mas isso precisa ser conversado antes ou logo no início do atendi-
mento.
5) Independentemente do valor financeiro, todo terapeuta deve prestar um serviço de
qualidade, que dignifique sua atividade e a sua categoria profissional.
6) Em caso de calamidade pública ou emergência, deve prestar seus serviços sem visar
qualquer forma de benefício pessoal, e até mesmo abrir mão de remuneração, se for o caso.

Art. 13. É vedado a todo psicoterapeuta:


1) Pleitear ou receber pagamentos, empréstimos, doações ou outras vantagens, além dos
valores monetários previamente acordados.
2) Receber ou pagar remuneração ou comissão por encaminhamentos de serviços.
3) Prolongar, desnecessariamente, a prestação do seu serviço como forma de obter mais
dividendos.
4) Receber presentes das pessoas a quem atende, pois isso pode comprometer a quali-
dade do atendimento.

2.2. Quanto aos deveres fundamentais dos psicoteólogos:

Art. 14. Manter a sua saúde física, emocional, social e espiritual. Praticar atividades físicas
regulares, bons hábitos de alimentação e o devido cuidado de seu corpo, pois como cuidará da
saúde dos outros se não souber cuidar de sua própria saúde?

Art. 15. São deveres e responsabilidades fundamentais do psicoteólogo:


1) Somente assumir responsabilidades por atividades que lhe sejam pertinentes, e para
as quais esteja capacitado pessoal, teórica e tecnicamente.
2) Informar à pessoa a quem presta serviço psicoteológico, ou ao seu responsável legal,
os resultados do serviço, mas transmitindo somente o que for útil e necessário para a tomada de
decisões e/ou edificação das pessoas envolvidas.
3) Orientar as pessoas em atendimento sobre possíveis encaminhamentos a outro profis-
sional, e fornecer, quando solicitado, os documentos necessários para a continuação do atendi-
mento por ele:
a) Tais documentos devem ser enviados, se possível, diretamente ao outro profissional.
b) A própria pessoa atendida pode solicitar acesso aos documentos referentes a ela, os
quais tenham sido produzidos pelo seu terapeuta, portanto cabe a este o devido cui-
dado em tudo quanto vier a registrar em tais documentos.
4) Sugerir serviços de outros psicoteólogos ou profissionais correlatos sempre que por
algum motivo relevante não puder dar continuidade ao serviço inicialmente acordado.
5) Caso precise interromper momentaneamente ou permanentemente a prestação de
seu serviço deverá comunicar com antecedência às pessoas envolvidas, e buscar alguma
Gilson A. Pinho “Informar, Formar, Transformar” 7
Código de ética: Normas fundamentais para a prática da psicoteologia clínica
alternativa de continuar o atendimento ou direcioná-las para um encaminhamento a outro tera-
peuta.

Art. 16. É vedado especificamente ao psicoteólogo:


1) Apresentar-se como psicólogo ou teólogo, salvo se tiver formação legal para isso.
2) Fazer uso de sua posição para forçar convicções religiosas, filosóficas, ideológicas, po-
líticas etc.
3) Usar sua posição profissional para divulgar produtos, marcas, empresas etc., que não
sejam diretamente relacionados à sua atividade particular como psicoteólogo.
4) Praticar proselitismo junto aos usuários de seus serviços psicoteológicos.
5) Praticar ou ser conivente com ações que caracterizem negligência, discriminação, pre-
conceito, exploração, violência, crueldade ou opressão.
6) Utilizar de maneira direta ou indireta o uso de seus conhecimentos como instrumento
de castigo, punição, coação, abuso, tortura ou qualquer forma de violência física, psicológica,
moral, social, espiritual etc.
7) Ser conivente com erros, faltas éticas, violação de direitos, crimes ou contravenções
penais praticadas por outros psicoteólogos na prestação de serviços profissionais.
8) Prescrever qualquer tipo de medicamento, bem como orientar o paciente a abandoar
uso de medicamento devidamente prescrito por um médico. Por força de lei, somente o médico
ou dentista têm autoridade para prescrever, substituir, alterar ou retirar medicamentos de seus
pacientes.
9) Atender parentes, amigos, colegas de trabalho, vizinhos, pessoas com que tenha acer-
tos financeiros, pois:
a) O relacionamento prévio com essas pessoas poderá comprometer a neutralidade dos
atendimentos.
b) O conhecimento prévio dos assuntos que elas trarão fará com que o terapeuta já tenha
pré-conceitos, preconceitos e pré-julgamentos.
c) Lembrar que o próprio terapeuta pode fazer parte, ou até mesmo ser a causa, dos pro-
blemas dessas pessoas, portanto o terapeuta não conseguirá agir com isenção plena.
10) Concorrência com outros colegas profissionais e disputa por pessoas para atendi-
mento.
11) Desviar para si pessoas em atendimento por outro colega.
12) Direcionar para si ou para seu consultório particular, pessoas que tenha atendido em
virtude de suas funções em alguma instituição pública, provada ou eclesiástica. Se isso, por falta
de opção, tiver de acontecer, então deve explicar à pessoa em atendimento a implicação ética
de tal atendimento e deixe por conta dela a decisão de começar ou continuar com a sequència
do atendimento.
13) Fazer uso de questionários, testes e quaisquer outros materiais avaliativos de uso ex-
clusivo dos psicólogos:
a) O psicoteólogo não é psicólogo, portanto está vedado a ele, por força de lei, o uso de
material exclusivo de psicólogo, a não ser que ele seja realmente um psicólogo.
b) O psicoteólogo pode fazer uso de qualquer material psicológico que não seja de uso
exclusivo de psicólogo, bem como de material de uso liberado, mesmo que seja em
literatura específica para psicólogos.

8 “Informar, Formar, Transformar” Gilson A. Pinho


Código de ética: Normas fundamentais para a prática da psicoteologia clínica
Art. 17. Se o psicoteólogo, como qualquer terapeuta, tiver preconceito ou discriminação
com algum grupo específico, como: homossexuais, prostitutas, usuários de drogas, pessoas de
grupos religiosos considerados aberrantes etc., não pode aceitar fazer o atendimento dessas pes-
soas, pois seus julgamentos já estarão comprometidos.
1) O psicoteólogo deve encaminhar tais pessoas para um psicoteólogo ou psicoterapeuta
mais experiente e isento de tais preconceitos.
2) O psicoteólogo deve procurar ajuda para tratar seu preconceito, ou seja, consultar um
terapeuta para o próprio terapeuta, pois o fato de ser terapeuta não significa que seja isento da
necessidade de também fazer terapia.
3) Leve o problema ao seu supervisor, se for o caso, e lhe peça orientação de como pro-
ceder.

Art. 18. Uma vez começado um atendimento, se o psicoterapeuta constatar que enfrenta
problemas iguais ao da pessoa em atendimento, e se sentir incomodado para lidar com isso; ou
durante os atendimentos, se sentir que está criando bloqueios contratransferenciais com relação
à pessoa atendida, o que compromete o andamento da terapia2, então o terapeuta deve seguir
os mesmos procedimentos listados no Art. 17.

Art. 19. Todo psicoterapeuta deve aprender a não assumir os problemas dos outros como
se fossem seus. Se achar que está sendo afetado pelo problema dos outros, então o terapeuta
deve seguir os mesmos procedimentos listados no Art. 17.

Art. 20. Qualquer psicoterapeuta só deve concordar em realizar atendimento a crianças,


adolescentes ou pessoas intérditas3 com a autorização de pelo menos um de seus responsáveis
legais:
1) No caso de não haver um responsável legal de imediato, uma vez feito o atendimento
em caso excepcional, o mesmo deverá ser comunicado ao responsável tão logo seja possível.
2) No caso de não se conseguir a autorização do responsável, uma vez feito o atendimento
em caso excepcional, o mesmo deverá ser comunicado a alguma autoridade legal competente, a
fim de se salvaguardar o profissional de algum questionamento futuro.
3) No caso de não ter a quem reportar, então registre o atendimento bem como o motivo
da situação excepcional e peça a duas pessoas que assinem o registro como testemunhas.

2.3. Quanto ao sigilo das informações prestadas pela pessoa em atendimento

Art. 21. O psicoteólogo, como qualquer psicoterapeuta, deve garantir à pessoa em aten-
dimento o direito ao anonimato, privacidade, confidencialidade e sigilo:
1) O psicoteólogo deve considerar que as pessoas que procuram por seus serviços são
aquelas que, pelo fato de normalmente serem cristãs, dificilmente procurariam atendimento
com um profissional secular.
2) Anonimato significa que em função do que a pessoa disser em atendimento, ela tem o
direito de não ser identificada por parentes, amigos, colegas, conhecidos etc., que está ou esteve

2
Contratransferência é uma identificação do analista (do profissional) no analisado (na pessoa
atendida), ou seja, uma transferência em sentido oposto – do analista para o analisado, ou uma reação
(resposta) do analista à transferência do analisado.
3
Sem capacidade mental ou legal.
Gilson A. Pinho “Informar, Formar, Transformar” 9
Código de ética: Normas fundamentais para a prática da psicoteologia clínica
em atendimento, a não ser que ela se permita ou deseja ser identificada por eles, mas ainda
assim procure evitar essa quebra de anonimato.
3) Privacidade significa que se for possível e se a pessoa assim o desejar, ninguém conhe-
cido da mesma poderá saber o momento em que ela está ou esteve em atendimento, a não ser
que a agenda de atendimento seja pública.
a) Os atendimentos não poderão ser interrompidos por terceiros entrando no local das
sessões sem o prévio consentimento do terapeuta e da pessoa em atendimento.
4) Confidencialidade significa que tudo que a pessoa vier a falar a respeito de terceiros
deve ser considerada informação de caráter confidencial.
5) Sigilo significa que tudo que a pessoa vier a falar não poderá ser divulgado a terceiros
ou cair em domínio público:
a) Se o que a pessoa falou em atendimento cair em domínio público, de tal maneira que
ela se sinta prejudicada ou exposta, o terapeuta poderá ser interpelado legalmente
sobre isso.
6) O que a pessoa falar em atendimento só pode ser comentado pelo psicoteólogo em:
a) Atendimento de supervisão do profissional.
b) Em trabalho acadêmico.
c) Em atendimento multidisciplinar.
d) Mesmo nos três casos mencionados acima deve permanecer o direito ao anonimato,
confidencialidade e sigilo da pessoa em atendimento.

Art. 22. Caso o terapeuta queira gravar ou filmar a sessão de atendimento, deverá comu-
nicar previamente à pessoa atendida, e se possível solicitar-lhe uma autorização por escrito, para
evitar futuramente qualquer tipo de questionamento legal.
1) Lembre-se que mesmo com uma autorização por escrito, a pessoa em atendimento
continua com direito ao anonimato, à confidencialidade e ao sigilo.
2) A pessoa em atendimento tem pleno direito de retirar essa autorização no momento
em que bem desejar, mas para os atendimentos e trabalhos já realizados fica valendo até a data
em que isso ocorrer a autorização anteriormente firmada.

Art. 23. O sigilo do que foi falado em atendimento psicoterapêutico só poderá ser que-
brado:
1) Em situações previstas em lei ou por determinação judicial.
2) Caso o terapeuta seja convocado a depor em juízo.
a) Caso o terapeuta seja convocado em juízo como testemunha contra a pessoa em aten-
dimento pode pleitear o direito ético de manter o sigilo das informações prestadas
pela pessoa atendida.
b) Caso o terapeuta seja intimado a depor perante alguma autoridade legal, será obrigado
a comparecer, mas quanto ao que vai falar poderá alegar que está preso ao sigilo ético
profissional, de acordo com a Constituição da república Federativa do Brasil, de 1988,
Art. 5º, item XIV.
3) Caso o terapeuta, por foro íntimo, sinta-se pressionado a quebrar o sigilo ético profis-
sional deve sempre considerar sua decisão na busca do menor prejuízo.
a) Nos casos de (1) confissão de crime pessoal, (2) crime contra a nação ou contra a

10 “Informar, Formar, Transformar” Gilson A. Pinho


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sociedade, (3) no caso de pedofilia ou (4) perigo iminente contra a vida da própria pes-
soa ou de terceiros.
b) Uma vez que tais suspeitas sejam devidamente comprovadas, o terapeuta deve consi-
derar se vale a pena manter o sigilo profissional, e talvez até denunciar a pessoa aos
órgãos competentes, se for o caso.
4) No caso de quebra do sigilo, o terapeuta deve se comprometer a expor somente o que
for absolutamente necessário para a resolução do impasse.

Art. 24. Todo psicoterapeuta deve manter em local seguro e de acesso restrito todo o
material e prontuário de atendimento, mesmo após a interrupção do serviço, por pelo menos
dez anos.
1) Mesmo em caso de encaminhamento para outro profissional, se for o caso, o terapeuta
lhe fornecerá os dados e informações necessárias para a continuidade do atendimento, mas con-
servará em seu poder os materiais que compilou durante o tempo de seu serviço.
2) O descarte do prontuário e outros materiais do atendimento deve ser feito por meio
seguro de tal modo que a pessoa em atendimento jamais venha a ser identificada ou exposta.

2.4. Quanto ao relacionamento com outros terapeutas no tratamento de alguma pessoa

Art. 25. O psicoteólogo, como qualquer psicoterapeuta, não deve intervir em serviço pres-
tado por outro psicoteólogo ou profissional correlato. A intervenção só pode ocorrer:
1) Quando o outro profissional responsável pelo serviço solicitar formalmente sua inter-
venção.
2) Quando for informado pelo colega profissional ou pela própria pessoa a ser atendida
que houve a interrupção formal e definitiva do serviço prestado pelo profissional anterior.
3) Em situação de emergência ou urgência quando há risco imediato para o usuário; mas
nesse caso, tão logo seja possível, o psicoteólogo deverá comunicar ao profissional sua interven-
ção, e esclarecer quais foram suas providências e ações.
4) Quando se tratar de um serviço multidisciplinar e sua intervenção fizer parte da meto-
dologia adotada.

Art. 26. Ao encaminhar alguém para ser atendido por outro terapeuta, o psicoteólogo
deve:
1) Compartilhar com o outro profissional somente aquelas informações relevantes para o
serviço que ele prestará.
2) Destacar o caráter confidencial das informações prestadas, bem como a responsabili-
dade quanto ao sigilo, confidencialidade e anonimato com relação às informações prestadas pela
pessoa a quem prestava seu serviço.

2.5. Quanto à participação de pessoas em pesquisas

Art. 27. No caso de estudos, pesquisas e outras atividades voltadas à produção de conhe-
cimento, o psicoteólogo, como qualquer psicoterapeuta, deve:
1) Garantir à pessoa participante o caráter de voluntariedade na pesquisa, bem como seu
direito de deixar a pesquisa no momento que assim o desejar.
a) Para evitar questionamentos futuros, o terapeuta deve solicitar à pessoa uma
Gilson A. Pinho “Informar, Formar, Transformar” 11
Código de ética: Normas fundamentais para a prática da psicoteologia clínica
autorização por escrito de sua participação. É um “Termo de consentimento livre e
esclarecido” (ver anexo).
b) Se o participante da pesquisa quiser sair, declarará terminada a validade do “Termo de
consentimento livre e esclarecido”, mas o mesmo permanecerá em poder do pesqui-
sador para garantir seu direito de que até aquela data sua pesquisa contava com a
participação voluntária de tal participante.
2) Garantir o anonimato, privacidade, confidencialidade e sigilo da pessoa participante.
a) Avaliar os possíveis riscos envolvidos nos procedimentos da pesquisa e na divulgação
dos resultados, a fim de proteger a pessoa envolvida.
3) Após o encerramento da pesquisa, o terapeuta deve facultar o acesso do participante
aos resultados da pesquisa se este assim o desejar.

3. Procedimentos técnicos quanto aos atendimentos terapêuticos


psicoteológicos

3.1. Quanto aos procedimentos técnicos do processo terapêutico

Art. 28. O terapeuta não deve se apressar nos seus atendimentos:


1) Dê à pessoa atendida o tempo que ela precisar para o processo terapêutico.
2) Somente se ela começar a se tornar evasiva ou resistente, então procure direcioná-la
passo a passo no processo.
3) Lembre-se que a pessoa atendida determina a velocidade do atendimento, e o tera-
peuta determina a sequência do mesmo.

Art. 29. Com relação aos resultados, conclusões e decisões:


1) Nunca prometa resultados milagrosos ou instantâneos e nem dê a certeza de “cura”
para a pessoa em atendimento. Existem situações que só através de um milagre seria possível
alguma solução, e infelizmente os milagres nem sempre acontecem com frequência desejada, e
nenhum psicoterapeuta é realizador de milagres, e sim de trabalho terapêutico com rigor técnico
e ético.
a) Algumas vezes, o terapeuta deve se esforçar para ajudar a pessoa a conviver com seus
problemas.
b) Outras vezes, o terapeuta deve preparar a pessoa para conviver com o pior resultado
da sua queixa.
2) O psicoteólogo, como qualquer terapeuta, deve evitar apresentar as conclusões de sua
análise para a pessoa em atendimento. Deve, sim, ajudá-la a construir essas conclusões, como se
ela as estivesse deduzindo por conta própria, assim se sentirá participante ativa de seu processo
terapêutico e se sentirá dona de sua própria vida.
3) Resista à tentação de dizer à pessoa o que fazer e nem tome decisões por ela. Somente
ela é responsável por suas escolhas e atos.
a) Apenas a ajude a refletir melhor sobre isso, pois a solução, se houver, está dentro da
própria pessoa.
b) Toda terapia visa ajudar a pessoa a desenvolver o melhor de si mesma, e não necessa-
riamente resolver algum problema pontual.

12 “Informar, Formar, Transformar” Gilson A. Pinho


Código de ética: Normas fundamentais para a prática da psicoteologia clínica
Art. 30. Com relação à alta terapêutica:
1) O terapeuta deve entender que a alta é importante para o processo terapêutico, e
jamais deve procurar alongar o atendimento por tempo indefinido, pois isso é prejudicial tanto
para a pessoa atendida como para o terapeuta, que poderá cair em descrédito.
2) O terapeuta jamais deve utilizar a alta como uma forma de se livrar de uma pessoa que
lhe seja desagradável.
a) Se estiver sentindo aversão contra a pessoa a quem atende, procure encaminhá-la para
outro terapeuta, ao invés de apenas descartá-la.
b) Busque atendimento para si mesmo a fim de tratar essa aversão contratransferencial
que sente pela pessoa a quem atende ou atendeu.
3) O conselheiro jamais deve apressar o momento da alta e jamais forçar a pessoa aten-
dida a decidir por isso de maneira precipitada.
a) Procure analisar por que a pessoa atendida está protelando em decidir pela alta e con-
sidere isso como algo também a ser tratado.

3.2. Alguns cuidados éticos quanto à psicoterapia


Art. 31. Existem cuidados que devem ser observados para qualquer tipo de psicoterapia,
independentemente de ser psicoteológica ou não:
1) A relação terapêutica
a) Ao atender alguém, antes de fechar sua porta, deixe do lado de fora suas memórias,
seus preconceitos e seus pré-julgamentos; mas também deixe do lado de fora seus
desejos, suas intenções e suas motivações. Concentre-se apenas na sua ação como
profissional psicoterapeuta.
b) Tenha sempre uma postura de neutralidade, mas lembre-se que neutralidade não quer
dizer frieza. Seja empático e acolhedor.
c) Respeite sempre a pessoa em atendimento para ser respeitado por ela.
2) Cuidado quando...
a) As sessões se estendem por tempo excessivo ou quando quiser começar a marcar ses-
sões extras para determinada pessoa.
b) Permitir sessões de terapia fora dos lugares apropriados para isso.
c) Telefonar ou fizer contatos além das sessões com a pessoa em atendimento.
d) Começar a sentir ansiedade prazerosa pelas sessões com determinada pessoa.
e) Começar a criar fantasias de qualquer natureza envolvendo a pessoa atendida.
f) Houver qualquer tipo de contato físico, inclusive com os cumprimentos mais íntimos ou
expressivos.
g) As sessões se concentram “apenas” em assuntos relacionados a sexo e outras intimi-
dades afetivas.
h) Ficar sozinho com pessoa do sexo oposto ou de tendência homossexual, principal-
mente se você já teve tais tipos de envolvimentos anteriormente.
i) As sessões se concentrarem em assuntos nos quais você sofre frustrações e carências,
principalmente na área conjugal e/ou sexual.
j) A pessoa atendida se diz apaixonada por você. Lembre-se que ela está apaixonada pela
imagem que tem de você, e não por você propriamente dito.
Gilson A. Pinho “Informar, Formar, Transformar” 13
Código de ética: Normas fundamentais para a prática da psicoteologia clínica
k) O contato com a pessoa atendida passar a afetar seu próprio relacionamento familiar.
3) Cuidado especial...
a) Para jamais se envolver emocionalmente com a pessoa atendida.
b) Se a pessoa atendida estiver criando uma relação de dependência psicológica para com
você.
c) Com seu ímpeto. Saiba aceitar críticas. Nunca responda a um insulto, e muito menos
deve responder com outro insulto.
d) Com os elogios que recebe e veja se eles não trazem junto alguma intenção por parte
da pessoa atendida.
e) Com a propaganda que as pessoas fazem a seu respeito, mesmo que a propaganda seja
positiva.
f) Ao falar de seus sentimentos com relação à pessoa atendida para a própria. Cuidado
com a contratransferência.
g) Evite falar de si nas sessões, lembre-se sempre quem é a pessoa atendida e quem é o
terapeuta. Não é errado o terapeuta falar de si para a pessoa em atendimento, mas
veja se o que vai falar realmente é necessário e se será útil para a pessoa.
4) Cuidados finais
a) Cuide de sempre manter suas emoções sob controle e de buscar sempre sua maturi-
dade pessoal, profissional e espiritual.
b) Nunca ignore ou menospreze suas reações contratransferenciais, sejam elas positivas
ou negativas.
c) Cuide de sua terapia pessoal, de sua supervisão e não hesite em buscar ajuda sempre
que necessário.
d) Cuide sempre de sua postura pessoal, técnica e ética.
e) Saiba reconhecer seus erros técnicos e éticos. Lembre-se que não existe pessoa infalí-
vel, nem mesmo o profissional mais experiente do mundo.

4. Das disposições finais

Art. 32. Como todo psicoterapeuta, aja sempre com muita responsabilidade para com a
pessoa atendida, para com a sociedade em geral, para com seus pares, para com a instituição
que representa, para com sua profissão, para consigo mesmo e com Deus.
Art. 33. Nunca se esqueça da regra de ouro da psicoteologia clínica, na transformação dos
pensamentos e na transformação de vida:

Tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro,
tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de
louvor, pensem nessas coisas. Ponham em prática tudo o que vocês aprenderam, receberam,
ouviram e viram em mim. E o Deus de paz estará com vocês (Filipenses 4.8-9 NVI).

14 “Informar, Formar, Transformar” Gilson A. Pinho


Modelo de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

1. Fui informado da pesquisa (especifique o nome da pesquisa), cujo objetivo é (especifi-


que o objetivo da pesquisa). A pesquisa será realizada (especifique o número de atendimentos
ou o período da pesquisa) na modalidade (especifique como será feita a pesquisa), onde serão
empregados (especifique os questionários de pesquisa ou qualquer outro elemento de levanta-
mento de dados). O responsável pela pesquisa será (nome do pesquisador, qualificação profissi-
onal e registro profissional, se for o caso, telefone de contato e e-mail).
2. Fui informado que na pesquisa será preservado o anonimato da minha identidade, tam-
bém das identidades de todas as pessoas que porventura eu venha a me referir, bem como dos
resultados dos instrumentos de avaliação utilizados.
3. Fui informado ainda que não haverá qualquer tipo de custo sobre mim, nem tampouco
qualquer forma de compensação financeira me será paga, uma vez que essa pesquisa é voluntá-
ria e sem caráter comercial.
4. Fui informado que tenho a liberdade de retirar esse consentimento a qualquer mo-
mento, deixando de participar dessa pesquisa, sem nenhum tipo de prejuízo ou penalização, mas
até que isso aconteça assumo que o pesquisador terá o direito de uso dos dados colhidos na
pesquisa.
5. Fui informado que o resultado dessa pesquisa poderá ser publicado somente para fins
acadêmicos, científicos ou estatísticos, e concordo com isso, uma vez que me seja garantido o
anonimato.
Eu, (nome completo do participante da pesquisa, sem abreviaturas), portador do RG (nú-
mero e órgão expedidor), acredito ter sido suficientemente informado a respeito do que li acima
e/ou do que foi lido para mim.

Cidade, data completa.

Assinatura do participante

Declaro que obtive de forma apropriada e voluntária o Consentimento Livre e Esclarecido


do participante acima para a participação nessa pesquisa.

Cidade, data completa.

Assinatura do pesquisador

Gilson A. Pinho “Informar, Formar, Transformar” 15


Referências

Conselho Federal de Psicologia (CFP). Código de Ética Profissional do Psicólogo. Brasília, 2005.
Disponível em http://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/codigo_etica.pdf. Acessado
em 15/10/2014.
CRIVELLA, Marcelo. PLS 114/05 Dispõe sobre o exercício da profissão de Teólogo, e dá outras
providências. Disponível em http://www.senado.gov.br/atividades/materia/deta-
lhes.asp?p_cod_mate=73133. Acessado em 15/10/2014.
GALLI, Victório. Projeto de Lei 4293/12 Dispõe sobre a regulamentação da profissão de Teólogo.
Disponível em http://lexml.gov.br/urn/urn:lex:br:camara.deputados:projeto.lei;pl2012-08-08;
4293. Acessado em 15/10/2014.
KOTZENT, João Paulo; RIOS, Carlos Eduardo; OKASAKI, Eiko. Ética na Psicanálise. São José dos
Campos: APVP, 2010.
Ministério do Trabalho e Emprego. Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). Brasília, 2014.
Disponível em http://www.mtecbo.gov.br/cbosite/pages/pesquisas/BuscaPorTitulo.jsf. Aces-
sado em 15/10/2014.
Presidência da República, Casa Civil, Subchefia para Assuntos Jurídicos. Constituição da Repú-
blica Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Biblioteca Digital da Câmara dos Deputados, 2014.
Disponível em http://bd.camara.gov. br/bd/handle/bdcamara/17519. Acessado em 15/10/2014.
SILVA Filho, Walter da. Regimento Interno do CFT – Conselho Federal de Teólogos. Disponível
em http://www.escolaapostolica.com.br /teologos.html. Acessado em 15/10/2014.

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