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CARTA

Ano LIX • agosto • 2019 • no 527


Entrega total a Deus
Ser padre é ser abençoado e verdadeiramente escolhido por Deus
Um pai espiritual dado pelo Senhor para nos
PATERNIDADE
guiar no caminho da salvação. é uma bênção,
Ser padre não é uma tarefa fácil! um presente da vida
Deixar tudo é entregar-se completamente
nas mãos do Senhor. Isso pede vocação, força e fé. e uma missão
O padre é um ser humano sujeito a dada por Deus
tentações, fraquezas e também emoções e sentimentos,
mas somente quem se esvazia de si mesmo
numa entrega total a Deus
Feliz Dia dos Pais!
é capaz de realizar tantos feitos
como celebrar a Eucaristia,
pregar o Evangelho, acolher os pecadores,
orientar e acompanhar como somente sacerdote sabe fazer.
Sabemos que essa missão é árdua, mas sabemos também que
a alegria do servir é maior do que todos os desafios!
Obrigado querido padre por seus ensinamentos,
por seu amor e sua proteção.
4/8/2019 – Dia do Padre

Assunção Transfiguração
de Maria do Senhor
Av. Paulista, 352 - cj. 36 • 01310-905 • São Paulo-SP
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ÍNDICE MEDITANDO EM EQUIPE
Editorial........................................................... 01 Província Centro-Oeste................................. 21 Encontrar o Amor de Deus em tudo,
Super-Região
Província Leste.............................................. 22
Província Sul I............................................... 22
mesmo em meio aos tormentos causados
Obrigado!...................................................... 02 Província Sul II.............................................. 23 pelos meus próprios pecados
Pais e Padres: Província Sul III............................................. 24
Paternidade Social, Espiritual e Pastoral........ 03
A dor de nossas faltas................................... 04 Raízes do Movimento A Palavra de Deus
“Reunidos em Meu Nome”........................... 25 -- “Se o meu povo, sobre quem foi invocado o meu Nome, se humilhar,
Transfiguração do Senhor.................................. 06
Testemunho orar, buscar a minha presença e se arrepender de sua má conduta, eu, do
A família e a infância de Henri Caffarel..........08 céu, escutarei, perdoarei seus pecados e restaurarei seu país.” 2 Cro 7, 14
A vida cristã é fundamentada no batismo..... 09 Massabielle, a Casa das Equipes................... 26
-- “Abandone o ímpio seu caminho, e o homem mau seus pensamentos, e volte ao
Trissomia do Amor......................................... 28
Encontro Mundial das Famílias Senhor, pois terá compaixão dele, ao nosso Deus, porque é rico em perdão.” Is 55, 7
Papa Francisco e o evangelho da família: O “Milagre das Trufas”.................................. 30 -- “Rasgai os vossos corações, e não as vossas roupas, retornai ao Senhor, vosso Deus, porque
o que Jesus Cristo está dizendo (Amoris Laetitia).... 10 Monsenhor Paulo Daher, ele é bondoso e misericordioso, lento para a ira e cheio de amor, e se compadece da desgraça.” Jl 2,13
não sei por onde começar............................. 32
Ecos de Fátima Reflexão
O pai viu-o e encheu-se de compaixão........... 12 Início de Caminhada..................................... 33
-- O ensinamento teológico da Santa Igreja nos ensina que nós fomos criados para Deus, para vivermos na in-
Igreja Católica Reflexão timidade do Seu Amor – nossa liberdade está em escolher a Deus. O distanciamento do homem em relação
Sexualidade Cristã..........................................14 O impacto do SCE em nossas vidas............... 34 a Deus, gerado pelo pecado, o faz perder sua identidade no seu sentido mais profundo. O pecado, cedo ou
Ano Missionário Onde encontrar um santo?............................ 35 tarde, trará dores e sofrimentos ao homem. Relutar contra Deus é desconhecer nossa origem e nosso fim.
Uma Igreja convertida e em saída................. 15 Partilha e PCE -- O pecado, isto é, as faltas contra o Amor de Deus, antes de causar a morte, gera dor, angústia, sofri-
Ó Maria, há cem anos coroada, te louvamos! Por que devemos elaborar uma Regra de Vida?..... 37 mento, espanto, remorso, tristeza, vazio... sempre a voz da consciência nos diz: “Se eu pudesse fazer de
Pernambuco e Recife sob a tua proteção!.......26 novo, faria diferente”. A dor moral é causada porque temos consciência da gravidade da ofensa contra
Formação
A Solenidade da Assunção de Maria: Deus e contra o próximo. Como você tem vivido seus momentos de dor diante das faltas cometidas? O
Correção fraterna - Uma opção ou um dever?...... 39
assumida por Deus, modelo para que vem à sua mente quando você experimenta a mesma dor vivida pelo filho pródigo?
os discípulos de Jesus.....................................17 Serviço nas ENS -- Como é evidente, as faltas geram dores, dores físicas e, principalmente, dores espirituais. Esta dor não
Vida no Movimento CRS – Casal Responsável de Setor................ 41 pode ter um caráter estritamente humano, como peso de consciência ou sensação do orgulho pessoal
Encontro Nacional de Sacerdotes e CRS – Um serviço na graça do Senhor!......... 42 ferido. A dor, ou seja, o arrependimento verdadeiro tem como fonte a certeza da ofensa cometida
Acompanhantes Espirituais 2019...........................19 Datas do Movimento contra Deus. Quando o cristão tem a consciência do Amor de Deus em sua vida, a dor pela falta
Província Norte............................................. 20 cometida é mais intensa, pois dói muito ferir a Quem nos ama. Diante das faltas cometidas, sua dor
Província Nordeste I...................................... 20 A espiritualidade de um casal protagonista........ 43
tem se limitado à sensação de que “eu não deveria ter cometido tal falta porque infringi uma lei” ou
Província Nordeste II..................................... 21 Notícias............................................................ 45
“estou sofrendo muito porque feri a Quem me ama e deu a vida por mim”? Qual tem sido a raiz do
seu arrependimento? Não se esqueça... apenas o orgulho ferido não gera arrependimento.
Oração espontânea
-- Infelizmente, temos um dado real: muitas pessoas não sentem mais a dor pela falta/pecado cometido;
é como se nada errado tivesse praticado, pois não se tem consciência sobrenatural das suas atitudes.
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Carta Mensal
Peça hoje, fervorosamente, a Jesus a graça de sentir a dor pelas suas faltas/pecados e de viver um
arrependimento verdadeiro.
n o 527 • agosto • 2019 Sonora! -- Sugiro, principalmente àqueles que há muito tempo não se confessam, a procurarem um sacerdote e
fazerem uma profunda confissão. Não há verdadeiro arrependimento e dor na vida de um equipista
sem a busca do sacramento da reconciliação. Não perca tempo, vá hoje mesmo.
Carta Mensal é uma publicação periódica das Equipes de Nossa Senhora, com Registro “Lei de Imprensa”
Nº 219.336 livro B de 09/10/2002. Responsabilidade: Super-Região Brasil - Lú e Nelson - Equipe Editorial:
Oração litúrgica
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Responsáveis: Débora e Marcos - Cons. Espiritual: Pe. Franciel Lopes - Membros: Lázara e Edison - Salmo 142 Estendo para vós as mãos,
Jornalista Responsável: Vanderlei Testa (Mtb. 17622), para distribuição interna aos seus membros. Escutai, Senhor, minha oração, de Vós minha alma está sedenta como a terra seca.
Edição e Produção: Nova Bandeira Produções Editoriais - R. Turiassu, 390, Cj. 115, Perdizes - 05005-000 - prestai ouvido à minha súplica, Apressai-Vos, Senhor, em responder-me,
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28, 29); Google (pp. 7, 9, 15, 17, 18) - Tiragem desta edição: 30.000 exs. porque, diante de Vós, nenhum ser vivo é justo! pois confio em Vós. Mostrai-me o caminho que
Cartas, colaborações, notícias, testemunhos, ilustrações/imagens devem ser enviados para ENS O inimigo persegue minha alma, eu devo seguir,
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ções para envio de material para a Carta Mensal no site ENS (www.ens.org.br) acesso Carta Mensal. relega-me às trevas, como os que há muito já morreram.
SCE Carta Mensal
editorial
Caros Equipistas!
Iniciamos esta edição agradecendo ao querido Pe. Paulo Renato, SCE da SRB du-
rante os últimos cinco anos... Como foi bom tê-lo por perto e sentir o amor e o
cuidado que tem para com as ENS. Somos testemunhas de que não mediu esfor-
ços. Percorreu o Brasil de Norte a Sul, Leste e Oeste, orientou e cuidou! Em cada
oportunidade, deixava explícito o seu amor e zelo! Somos muito agradecidos por
tudo que fez e desejamos que Deus continue a conduzir seus passos, dando-lhe
discernimento para ajudar as pessoas onde estiver. Saiba, foi um enorme prazer
conhecer e trabalhar com o senhor.
Só amamos o que conhecemos, por isso apresentamos alguns artigos sobre o
Pe. Caffarel: “A família e a infância do Pe. Caffarel”, “Reunidos em nome de Cristo” e
a reflexão “Onde encontrar um santo”... Assim, poderemos nos aprofundar mais
e mais, em sua espiritualidade e pensamento sobre a vida matrimonial como ca-
minho de santidade.
Nesta edição, trazemos também três textos que expressam as preocupações do
Papa Francisco. O primeiro foi apresentado no Encontro Mundial das Famílias,
e versa sobre a importância das virtudes, que nos levam a aprender as regras e
vivê-las, a fim de nos tornarmos livres. No segundo, tratou da sexualidade cristã,
onde “o amor entre um homem e uma mulher, quando é apaixonado, leva-te a
dar a vida para sempre”, e o último, sobre o Ano Missionário e a Igreja em saída.
A bandeira Vida no Movimento, como sempre, nos mostra alguns dos mui-
tos eventos formativos que aconteceram no nosso imenso Brasil equipista!
Dentre os quais, ressaltamos a riqueza do Encontro Nacional de Conselheiros
Espirituais, que reuniu em Itaici-SP 245 conselheiros de todas as Províncias, sendo
3 bispos. Uma maravilha!
Agosto é um mês de muitas comemorações! Transfiguração do Senhor, Assun-
ção de Nossa Senhora, dia dos Padres, dia dos Pais, e também a volta ao pai de
D. Nancy e Pedro Moncau. Aproveitem as matérias sobre esses assuntos que se-
lecionamos para vocês!
Como homenagem aos pais, recomendamos a leitura do testemunho “Trissomia
do Amor”, que por amor e com amor, a partir do nascimento da filha, é levado a
ver a vida por outra ótica, aquela que a fragilidade
requer... e assim, como disse o pai, “agora vê a
perfeição no imperfeito”.
Amigos, que o Espírito Santo os ilumine a fazerem
uma leitura venturosa.
Com carinho,

Débora e Marquinho
CR Carta Mensal

CM 527 1
super-região

Obrigado!
Prezados amigos e amigas, na Carta 484
de outubro de 2014 escrevia meu pri-
meiro artigo como Sacerdote Conselheiro
Espiritual da Super-Região Brasil. Já se vão
quase cinco anos! Naquela ocasião escre-
vi pedindo licença para entrar nos lares de
vocês e “palpitar” em suas vidas matrimo-
niais através dos artigos que escreveria. Es-
pero que tenha recebido a licença porque en-
trei assim mesmo.
Aqui estou eu novamente! Só que diferente daquela ocasião agora quero agrade-
cer a bênção de ter podido me comunicar com vocês através de mais de quarenta
pequenos artigos escritos durante os últimos anos. Andando por esse nosso querido
“Brasil Equipista”, pude perceber o quanto bem faz a Carta Mensal.
Permitam-me contar uma história. Numa dessas andanças experimentei algo muito
emocionante. Visitando as fronteiras do nosso Movimento para uma formação “Ser
Movimento”, na época Nível III, encontrei uma senhora que pediu para tirar uma fo-
tografia comigo e depois me confidenciou que esperava ansiosa, todo mês, a Car-
ta para poder ler os meus artigos. Meio desconcertado agradeci e ela completou, di-
zendo que não sabia ler e que procurou a alfabetização para adultos com intuito de
poder ler a Carta Mensal. Me senti muito pequeno naquele momento, pois, tenho
certeza que poderia ter dado mais do que dei no momento de escrever os artigos
durante esses anos. Por isso, aproveito também para pedir desculpas por não ter me
dedicado mais do que me dediquei.
Quero agradecer, de maneira especial, dois casais pela paciência comigo, Fernanda
e Martini e também Débora e Marquinhos, casais responsáveis pela Carta Mensal
durante esse período. Não poucas vezes, na maioria delas por culpa da minha tu-
multuada agenda, deixei para entregar o artigo na última hora e sempre fui por eles
compreendido. Muito obrigado pela paciência e tolerância!
Caríssimos, na próxima Carta vocês serão apresentados a um
novo amigo quando lerem o artigo do Sacerdote Conselheiro Es-
piritual da Super-Região Brasil. Que a presença dele nas suas vi-
das através dos artigos mensais, aumente a qualidade de suas vi-
das de santidade – espiritualidade conjugal.
Um grande abraço e minha bênção!

Pe. Paulo Renato F. G. Campos


SCE Super-Região

2 CM 527
Pais e Padres:
Paternidade Social, Espiritual e Pastoral
Olá, queridos irmãos equipistas.
Neste mês de agosto queremos homenagear os nossos queridos Sacerdotes Con-
selheiros Espirituais pelo Dia dos Padres e, é claro, os papais pelo dia dos Pais.
Aos queridos sacerdotes nosso abraço, nossa admiração e nossas orações para
que continuem firmes nesta bonita missão que escolheram e que de tabela lhes
trouxe muitos filhos.
Hoje, não nos resta a menor dúvida que para os pais não está sendo fácil trans-
mitir aos filhos uma educação saudável e uma personalidade segura. E se falta
religião na família, a situação se torna ainda mais preocupante. Para ser bom pai
são necessários bons princípios, pois o pai não existe apenas para colaborar na
geração dos filhos. Sua missão vai muito além disso.
Essa missão precisa ser iluminada pela fé, alimentada pelo amor e construída na
esperança de ver nos filhos o prolongamento da sua honra e da sua dignidade.
Essa é também a missão de cada cidadão que queira se orgulhar de ser pai. E é
a esse cidadão que queremos alertar para que não se deixe seduzir pelas vaida-
des do mundo, mas se faça revestir dos valores cristãos e testemunhe com seus
gestos a riqueza e a grandeza da sua paternidade.
Esses valores são fundamentais para conseguir fazer-se luzeiro iluminando
as mentes e os corações de seus filhos, transmitindo segurança, alegria, fé e oti-
mismo. Esses valores são insubstituíveis e necessitam de um cultivo permanen-
te. Esses valores perpetuam o nome e a honra de quem aceita buscar em Deus a
força e a sabedoria de bem conduzir uma família.
Essa homenagem vai para aquele homem que humildemente se põe de joelhos
diante do Senhor pedindo bênçãos e luzes. Aquele homem que confiantemente
reserva tempo para sentar aos pés do Senhor para escutar sua palavra, ouvir seus
ensinamentos e partilhar suas emoções. Essa homenagem é dirigida aos pais que
cultivam a alegria da paternidade distribuindo amor,
lealdade, serenidade e segurança. Homens humildes e
sábios, que não se apoiam em diplomas ou títulos e não
se aproveitam de sua posição política ou social, e que
sabem vivenciar a fé e espiritualidade transmitindo aos
filhos os valores adquiridos com o verdadeiro pai: Deus.
Parabéns e que Deus os ajude sempre.
Fraterno abraço,
Lu e Nelson
CR Super-Região

CM 527 3
A dor de nossas faltas
Passamos pelo quinto capítulo de nosso livro tema, “A dor de nossas
faltas”, cujo objetivo é levar-nos a meditar sobre o remorso, o arre-
pendimento, o caminho de conversão e penitência. Perguntemo-nos
então: o que nos impossibilita de reconhecer nossas faltas?
E através do fio condutor da parábola do Pai Misericordioso, em Lc 15,
18-19, percebemos a fragilidade do filho pródigo, ao sentir a dor de
suas faltas: “Pai, pequei contra o céu e contra Ti. Não mereço mais ser
chamado teu filho; trata-me como a um de teus empregados”.
E quantas vezes nos vemos em crise e recorremos à misericórdia de Deus,
a seu amor paternal? Pois em nosso íntimo, sabemos que Ele tudo per-
doa, que seus braços sempre abertos estão a nos acolher, mesmo nos
momentos mais difíceis, em que não vemos saída, em que somos cons-
cientes de nossos erros, de nossas faltas e nos pomos humildes a pedir
perdão e a entendermos a importância do sacramento da reconciliação,
pois Deus é o nosso refúgio e a nossa fortaleza, que nos faz tomar a
consciência de nossas limitações e da necessidade de conversão.
O Catecismo da Igreja Católica, número 1439, fala que é um processo,
um caminho de conversão, causado por deci-
sões precipitadas, que conta com o ge-
neroso acolhimento do pai como
o amor do Pai que está no céu.
Porém, não basta somente o
reconhecimento e a deter-
minação em mudar, mas
de pôr em prática esta
mudança. O processo de
conversão, o caminho da
penitência, irá depender
muito de nossa oração
à luz do Espírito Santo.
E na relação conjugal
nossa atenção deverá
ser sempre redobra-
da, pois um desacerto
às vezes sem impor-
tância para um pode
converter a um dano
4 CM 527
enorme ao outro cônjuge, portanto devemos estar atentos às nossas
atitudes, deixar de lado nosso egoísmo, que poderá advir a uma dor
imensa e a causa de doenças a longo prazo e por vezes até sem retorno.

“Se o remédio contra a dor e a tristeza é o amor,


por que não combatê-los desta forma?”
Neste capítulo, acompanhamos a dor de um pai e de uma mãe, ao
verem o filho enveredar por caminhos indesejáveis, que o afastam
de casa à procura de novas alegrias, novas amizades e se entrega à
vida mundana, diferente da que imaginaram para sua vida! O acei-
tar destes pais e terem os olhos compassivos os fazem questionarem-
-se... Porque isto aconteceu em nossas vidas? O repensar... por vezes
a oração constante, pode ser a única atitude a alimentar a esperança.
E quantas vezes dizemos isto? Mas por vezes, não enxergamos que é
necessária a dor de nossas faltas, para superarmos o mal em nossas vi-
das. É necessário ir ao fundo do poço para compreender e recomeçar
a consertar os erros cometidos, é um processo de conversão, que pode
levar tempo e exigir um grande esforço de nossa parte.
...que nossas palavras sejam como as dos discípulos que, repetin-
do as próprias expressões de Jesus, dizem a Bartimeu: “Coragem,
levanta-te! Ele te chama” (Mc 10, 49).
Acompanhamos também a dor imensa de uma família, cujo pai sai
de casa, deixa esposa e duas filhas, mas que com o passar do tem-
po se arrepende, reconhece seus erros, pede perdão e, mesmo ain-
da sendo amado, só é aceito sob a condição de recuperar o amor e
a confiança das filhas.
Quando somos chamados, somos enviados a dar coragem, a am-
parar aqueles que precisam e levar Jesus através de nossa vivência,
através de nosso matrimônio e de nossa vida de Equipe. Mas onde
está o matrimônio? - O matrimônio, um Sacramento a caminho de
Deus, que deixa de lado a soberba, aceita
as fraquezas do outro, os erros cometidos,
não permitindo que nada abale o relacio-
namento, se em Jesus estivermos convictos.

Leila e Fernando
CRP Leste

CM 527 5
Transfiguração do Senhor
A Transfiguração do Senhor é celebrada na Igreja oriental desde o sé-
culo V, sempre no dia 6 de agosto. É uma das grandes solenidades do
calendário oriental. Os orientais têm grande devoção à luz que aparece
sobre Cristo e a relacionam com a obra de divinização do homem, fei-
ta ao longo da História. É uma festa de origem palestina, porém logo
se estendeu às Igrejas da Armênia e da Síria. Foi introduzida no calen-
dário católico ocidental por volta do ano de 1457, pelo Papa Calisto II.
Essa festa é celebrada no dia 6 de agosto provavelmente devido à fes-
ta da dedicação da Igreja sobre o Monte Tabor, realizada naquele dia.
Também é o dia “do grande meio-dia”, ou seja, o dia mais longo do ve-
rão. Essa data está também quarenta dias antes da Festa da Exaltação
da Santa Cruz e, segundo uma antiga tradição, a Transfiguração teria
ocorrido quarenta dias antes da crucifixão.
A Transfiguração está relatada nos Evangelhos Sinóticos, em Mt 17,1-9,
Mc 9,2-10 e Lc 9,28-36. Há uma alusão a ela na Segunda Carta de São
Pedro Apóstolo (1,16-18); a liturgia a relaciona com uma leitura do li-
vro do profeta Daniel (7-9-10.13-14), que é lida quando a festa é cele-
brada em dia de semana.
O Catecismo da Igreja Católica (n. 554) relaciona esse episódio com o
anúncio da Paixão feita por Jesus a Pedro, logo após que este o confes-
sara como Cristo: o Mestre “começou a explicar aos seus discípulos que
tinha de ir a Jerusalém e lá sofrer [...], que tinha de ser morto e ressus-
citar ao terceiro dia” (Mt 16, 21). Pedro rejeita este anúncio e os outros
não o entendem. Neste contexto ocorre a transfiguração de Jesus, no
alto de uma alta montanha, diante de três testemunhas escolhidas: Pe-
dro, Tiago e João. O rosto e as vestes de Jesus tornaram-se fulgurantes
de luz, Moisés e Elias aparecem, “e falam da sua morte, que ia consu-
mar-se em Jerusalém” (Lc 9, 31). Uma nuvem então os envolve e uma
voz do céu diz: “Este é o meu Filho predileto: escutai-o” (Lc 9, 35).
Santo Tomás se perguntou na Suma Teológica se era conveniente Cristo
transfigurar e respondeu que sim, pois o Senhor, depois de haver anun-
ciado a sua paixão, convidou-os a que imitassem o seu exemplo. Mas
para chegarmos a uma meta, é necessário trilhar bem um caminho pre-
viamente conhecido. É mais necessário conhecer o fim quando o cami-
nho é difícil e áspero. Ora, o fim de Cristo, na sua paixão, era alcançar
não somente a glória da alma que tinha desde o início, mas também a
do corpo, conforme diz o Evangelho: “Era necessário que o Cristo so-

6 CM 527
“Transfiguraste-Te sobre a montanha e, na medida em que disso eram capazes,
os teus discípulos contemplaram a tua glória, ó Cristo Deus; para que, quando
Te vissem crucificado, compreendessem que a tua paixão era voluntária,
e anunciassem ao mundo que Tu és verdadeiramente a irradiação do Pai”

fresse estas coisas para assim entrar na sua glória” (Lc 24). A essa mes-
ma glória Cristo conduz os que imitam o exemplo da sua paixão. Por
isso era conveniente que manifestasse aos seus discípulos a sua clarida-
de luminosa, ou seja, a sua transfiguração, que também concederá aos
seus no final de suas vidas, conforme disse São Paulo: “Ele vivificará o
nosso corpo humilhado para o fazer conforme ao seu corpo glo-
rioso” (Fil 21). De forma que foi altamente conveniente os apóstolos
poderem ter gozado por um breve tempo da contemplação da felicida-
de eterna para assim poderem tolerar com mais forças as adversidades
que teriam diante de si.
O Catecismo cita uma oração da Liturgia oriental: “Transfiguraste-Te so-
bre a montanha e, na medida em que disso eram capazes, os teus dis-
cípulos contemplaram a tua glória, ó Cristo Deus; para que, quando Te
vissem crucificado, compreendessem que a tua paixão era voluntária, e
anunciassem ao mundo que Tu és verdadeiramente a irradiação do Pai”.

Pe. Rogério Días da Silva


SCE Província Leste

CM 527 7
A família e a infância de Henri Caffarel
Henri Caffarel nasceu em Lyon no dia 30 de julho de 1903. Pou-
co se sabe dos antepassados e dos primeiros anos dele. Porém, du-
rante o 1º Colóquio sobre o Padre Caffarel, realizado em Paris nos
dias 3 e 4 de dezembro de 2010, seu primo Michel Dealberti traçou
um quadro preciso de todo um ambiente coerente e bem tipificado da
família Caffarel. Os pais de Henri Caffarel, Ferdinand Caffarel e Élise Voisin,
nasceram ambos em Lyon, onde trabalhavam no comércio de feltros e artigos de lã.
Nas famílias de origem, alguns ocupavam cargos no judiciário, em cartórios ou no
mundo financeiro. As famílias Caffarel e mais ainda os Voisin, a família da mãe do
Padre Caffarel, eram próximas dos Arcebispos de Lyon. Vários tiveram cargos impor-
tantes em associações profissionais, nas Conferências de São Vicente de Paulo, na
Fundação da Fourvière e no Instituto Católico de Lyon. Além disto, alguns ajudaram
na manutenção de um hospital através de contribuições financeiras regulares.
Pode-se afirmar que foi marcante o meio cristão em que o menino Henri crescera.
Demonstração disto é o fato de que em um século a família dele fornecera nada me-
nos do que 14 sacerdotes e várias religiosas à Igreja, todos provenientes das diver-
sas famílias aparentadas aos Voisin e aos Caffarel, como os Tomasset e os Venard.
Foi seu tio, o padre Louis Venard, que o batizou no dia 2 de agosto de 1903 com os
nomes Henri Auguste Marie. Sob o aspecto religioso, eram fiéis, rigorosos e de um
certo jansenismo então difundido no meio da burguesia católica. Ao mesmo tem-
po, o meio familiar era unido, todos gostavam de encontrar-se, faziam música juntos.
Os avós acompanhavam os netos, os primos não se perdiam de vista.
Henri Caffarel fez o curso primário na Escola Clerical de São Francisco de Sales em
Lyon e em 22 de maio de 1911, na paróquia do mesmo nome, recebeu a primeira
comunhão. Em seguida, começou o curso secundário. Ele frequentou o Externat
Sainte-Marie dos Irmãos Maristas e em 1921 consegue o seu baccalauréat (exame
final do curso) em matemática. Desde pequeno, desenvolvia também uma vasta cul-
tura literária, engajando-se, ao mesmo tempo, na vida eclesial e especialmente na
experiência da Ação Católica dos anos 30, onde participava regularmente de círcu-
los de estudo e de reuniões. E é durante um retiro pregado por um marista, o Padre
Plazenet, que surge nele a vontade de seguir o caminho do sacerdócio.
Padre Caffarel muito recebeu de sua família e lhe foi fiel. Mas aos poucos, ele vai
emancipando-se desse ambiente quando finalmente vai terminar a sua formação reli-
giosa em Paris e tornar-se sacerdote naquela diocese.
(Dados extraídos do Boletim de Ligação, n° 9 julho-agosto 2011
da Associação Os Amigos do Padre Caffarel e do livro Henri
Caffarel, um homem arrebatado por Deus de Jean Allemand)
Afra e Beto
CR Causa de Canonização do
Padre Caffarel no Brasil

8 CM 527
A vida cristã é
fundamentada no batismo
O batismo é um sinal visível de uma graça invisível.
Todos os sacramentos foram criados por Jesus Cristo.
O batismo é a iniciação na vida cristã e consequen-
temente participamos da vida de Cristo. Pelo batismo,
passamos a fazer parte da comunidade dos seguidores de
Jesus, participantes da vida de Deus, que é Pai, Filho e Espírito
Santo. João batizava com água e não era um sacramento!
Apenas quando Jesus santificou as águas do Jordão com Sua presença e que a voz
do Pai se faz ouvir “Eis meu Filho muito amado em quem ponho minha afeição (Mt
3,17), e que o Espírito Santo aparece sob a forma de uma pomba” (foi então uma
visão da Santíssima Trindade), é que fica instituído o batismo como sacramento.
Essa instituição é confirmada por Jesus quando Ele diz a Seus apóstolos: “Ide e en-
sinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito San-
to” (Mt 28,19). Os apóstolos seguiram o que disse Jesus e Pedro diz aos que o
escutavam: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus
Cristo, para perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2, 38).
O batismo é ordinariamente válido quando o ministro (bispo, presbítero ou diácono)
– ou, em caso de necessidade, qualquer pessoa – derrama água sobre o batizando e
diz: “Nome, eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Isso supõe a
fé em Jesus Cristo, pois sem a fé o batismo não passa de uma encenação.
Jesus instituiu, então, o batismo e determinou que seria usada a água como ma-
téria desse sacramento. Foi também Jesus quem determinou a forma: “Eu o bati-
zo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém”. Mas só isso não basta.
É preciso ainda que o ministro tenha a intenção de fazer o que faz a Igreja Cató-
lica no sacramento do batismo. O batismo nos dá, pela primeira vez, a graça san-
tificante, que é a amizade e a presença de Deus no nosso coração. Junto com a
graça recebemos o dom da fé, da esperança e da caridade, assim como todas as
demais virtudes que devemos procurar proteger no nosso coração.
O batismo apaga o pecado original, apaga os pecados atuais e todas as penas liga-
das aos pecados, ele imprime na nossa alma o caráter de cristão, fazendo de nós,
filhos de Deus, membros da Santa Igreja Católica e herdeiros do Paraíso, tornan-
do-os capazes de receber os outros sacramentos.
Por isso tudo, vemos que ser batizado é absoluta-
mente necessário para a nossa salvação.
Inspirado no Catecismo da Igreja Católica e na Ca-
tequese sobre Batismo no site da Canção Nova.
Sônia e Eiyti
CR Intercessores
Super-Região Brasil
CM 527 9
encontro mundial das famílias
Papa Francisco e o evangelho da família:
o que Jesus Cristo está dizendo (Amoris Laetitia)

Existem muitas regras na vida, em to- da nossa convivência, não há uma di-
das as partes da vida, mas nem todas reção correta a seguir. Muitas crianças
são justas, como a escravidão! crescem sabendo os seus direitos, mas
não suas responsabilidades. As crian-
A Amoris Laetitia propõe uma aborda-
ças devem ter bons exemplos como os
gem para nos aproximarmos de Deus.
santos, mas às vezes os santos estão
Como? Pela oração e ascese das virtu-
distantes! Então, os heróis da história
des. A família é o lugar de formar as
são os pais, mesmo que imperfeitos.
virtudes pela comparação da vida com
A família é a primeira escola dos va-
ideias, incentivos, esforço, exemplos,
lores humanos onde se aprende o va-
reflexões e também lugar de oração.
lor da liberdade. Se a família quebrar,
Não é um simples fato de aprender as
a escola das virtudes também quebra,
regras, mas de vivê-las. As virtudes nos
e assim a sociedade.
levam a aprender as regras, e vivê-las
nos faz livres. Quando as virtudes es- A tecnologia nos dá uma ilusão de su-
tão em nós podemos tomar nossas de- perioridade e de sermos autossuficien-
cisões sozinhos, sem elas não estamos tes, tudo podemos conseguir com um
preparados para viver o mundo. A vir- smartphone conectado, de uma recei-
tude nos conforma e constrói para ser- ta, um mapa, um encontro com minha
mos livres. Não se trata de tomar de- futura esposa que ainda nem conheço.
cisões ou ser como quer, faço o que Para as famílias, o mais importante é
quero. Isso é a escravidão do ter, do dar uma educação em casa, no mundo
querer e do poder. Quando digo que real e não virtual. A capacidade de se
Cristo vive em mim, é porque eu que- relacionar, de compartilhar, de respei-
ro, isso é liberdade. As virtudes devem tar e de amar, se aprende na família e
ser passadas aos filhos, pelos pais, no mundo real. Antes, toda autoridade
na família. Essa é a escola de virtu- na família passava pelos pais, mas ago-
des. Aprender qualquer coisa envol- ra a tecnologia deixa as crianças mais
ve uma série de correções... crianças independentes. Os pais deveriam estar
que são amavelmente corrigidas, se preocupados com o mundo virtual dos
sentem acolhidas pelo amor dos pais. filhos, conhecer quem entra silenciosa-
Não corrigir não produz virtudes nas mente em suas casas na madrugada
crianças. Meu desejo se torna a base enquanto todos dormem.

10 CM 527
A educação sexual é importante e temos educação dos filhos. A família tam-
que nos apoiar nos avanços da tecnolo- bém é uma escola de santidade. O po-
gia e medicina para aprender mais sobre der pode estar nas armas, ou estar no
isso. Mas deve ser ensinada primeiro no amor. O poder de Jesus está no amor!
amor. Amar é desejar o melhor para o pró- O que você faz quando alguém não
ximo, não é sentimento pelo outro e não vive isso, excluir... ? Temos que ter a
por si mesmo. Amar é uma atitude, é uma sensibilidade pastoral. A geração de
expressão para o próximo, doação do seu Francisco tem a misericórdia. O tem-
corpo para o prazer e felicidade do com- plo pode ser pensado como o local de
panheiro, isso se aprende na família. Não adoração, mas o templo é o local onde
se deve permitir que alguém seja objeto Deus trabalha e se faz presente, no ca-
de atração sexual e nem use isso para ti- samento, nas pessoas. Uma família é
rar vantagem. Não se deve aprisionar nin- forte quando junta, procura o amor de
guém com o intuito de proteção, as pes- Deus que fortalece o interpessoal. Isso
soas são feitas para o mundo, aí entra não permite que haja o instinto de po-
novamente a vida das virtudes, inclusive cessão no amor, pois sabemos que
na vida sexual. Aprender a entender a lin- pertencemos a Deus. Não somos do-
guagem do corpo é doar-se, a linguagem nos de ninguém, nem de nossos filhos,
do amor é a mais antiga do mundo. Nós mas temos a responsabilidade de pre-
somos inteiramente livres, essa é uma cul- pará-los para a vida.
tura comum hoje. Se todos pensarem as-
Adaptado da conferência do Bispo
sim o mundo se tornará, como está, uma
Robert Barron, Auxiliar da Arquidioce-
grande bagunça. Nós temos o absoluto
se de Los Angeles no Encontro Mundial
poder sobre o nosso corpo, mas não po-
das Famílias 2018 por
demos colocá-lo acima do poder da cria-
ção. Outro desafio é a diferença de gêne-
ros de homens e mulheres na sociedade.
Somos criaturas e temos a vida como pre-
sente, não podemos ser reinventados
sempre. Meu pequeno projeto de liber-
dade não pode estar acima do bem-estar
de todos, existe um poder maior acima de
tudo que não pode ser desrespeitado.
O casamento cristão é realizado na Cristiane e Brito
doação do amor entre um homem e Eq. N. S. Auxiliadora
mulher abertos para a procriação e São José dos Campos-SP

CM 527 11
ecos de fátima

O pai viu-o e encheu-se de compaixão

No seguimento do Encontro de Fátima, deparamos com a meditação


de Pe. Tolentino Mendonça, focando na parábola contada por Jesus, o
contraste de dois excessos: o da desmedida extravagância do filho e o
do extremo amor do pai. Este, sendo progenitor de dois filhos, vê que
precisa tratá-los de forma diferente, dedicando para ambos autêntica
misericórdia. Não indaga por que motivos o filho mais novo volta para
casa, pois também jamais questionou as razões que o levaram a sair do
lar. Igualmente, não o inquietam as reações que possa ter o filho mais
velho. O pai ama-os simplesmente.
É visível que o caçula, mesmo quando regressa, é movido por impul-
sos egoístas, seguindo o instinto da sobrevivência, não o amor. À bei-
ra de morrer de fome, lembra-se da abundância de alimentos da mesa
dos empregados de seu pai. O pai não é inconsciente, o pai sabe tudo.
Entretanto, aos olhos do pai, aquele menino é apenas o filho, seu fi-
lho. Por isso, quando o avista, ao longe, com olhos cansados de espe-
rar, toma a iniciativa de correr ao seu encontro, considerando que mais
importante do que a ruptura do filho com a família é o seu regresso.
Em família experimentamos isso em tantas ocasiões! Um filho trôpego
de desilusões não consegue voltar para casa por seus próprios pés, pre-
cisa ser buscado no colo, reconduzido nos ombros da esperança.
Com o coração transbordante de compaixão, o que o pai quer é abra-
çar o filho e reintroduzi-lo à intimidade familiar da casa. É uma acolhida
plena, inquestionável e inesperada pelo próprio filho.
Diante de tamanha bondade, é comum refletir que este pai se excedeu.
Foi, ele sim, um pai pródigo de amor excessivo? Devia ter aplicado, ao
menos, uma lição moralizante, forçando o filho a pensar nos erros co-
metidos? Este excesso do pai, o excesso de misericórdia, tem, porém,
o propósito de anunciar-nos como Deus age conosco. Jesus nos reve-
la como é o amor do Pai. “A misericórdia é a arte necessária para sal-
var a vida, é o caminho que todos precisamos percorrer”. E não há mi-
sericórdia sem excesso!
Esta é uma das fundamentais lições da parábola. Não há misericórdia sem
dádiva, sem abundância na doação. Aquele filho desajustado trazia consi-
go tantas feridas, manifestas e escondidas, que precisava ser curado logo
com um bálsamo generoso e abrangente, o bálsamo da misericórdia.

12 CM 527
A parábola nos diz que misericórdia não cabe numa definição. É sem-
pre mais ampla que o conceito que se possa fazer. Compreende com-
paixão, bondade, perdão, reconciliação. É tudo isso e ainda mais. É dar
a mais, ir mais longe. Não é dar ao outro o que ele merece, mas é jus-
tamente oferecer o que ele não merece. Fazer uma festa pela volta da
pessoa decaída; vesti-la com os símbolos do regozijo; o anel no dedo, a
túnica mais bonita... É este excesso de amor que retrata a misericórdia.
A misericórdia não se deixa capturar pelo senso de justiça: “Fizeste isto,
mereces aquilo”. Enquanto não há um excesso de amor, não há solu-
ção, muitas vezes, para quem está depauperado.
Se quisermos ser apenas justos, poderemos ser até boas pessoas, mas
não experimentaremos o estonteante abraço da misericórdia, fascinan-
te gesto capaz de curar uma vida ferida. Rezemos para que nossa fa-
mília se torne uma escola de misericórdia.

Graça e Eduardo
Eq. N. S. do Bom Conselho
Porto Alegre-RS

CM 527 13
igreja católica
Sexualidade Cristã
Escrevendo para “os jovens e a todo sa para o casal, pois a perfeita castidade
povo de Deus”, na Exortação Apostólica das almas consagradas é um constan-
Pós-Sinodal Christus Vivit, de 25/03/2019, te lembrete do ideal de amor de Deus
o Santo Padre Francisco cita a importân- que, no matrimônio, deve também ani-
cia da sexualidade para o ser humano: mar e apoiar a prática da castidade pró-
“Lembro que Deus nos criou sexuados. Ele pria deste estado.”
próprio criou a sexuali- Obviamente o chamado a um re-
dade, que é um presen- lacionamento sexual casto e
te maravilhoso para reciprocamente respeitoso,
as suas criaturas. prevalece. O Papa Francis-
Dentro da vocação co, nesta mesma Christus
para o matrimônio, Vivit, recomenda “educar
devemos reconhecer, a própria sexualidade, para
agradecidos, que a se- que seja sempre menos um
xualidade, o sexo são instrumento para usar os outros,
um dom de Deus. Sem tabus. São um dom e cada vez mais uma capacidade de se
de Deus, um dom que o Senhor nos dá. E doar plenamente a uma pessoa, de ma-
fá-lo com dois propósitos: amar-se e gerar neira exclusiva e generosa”.
vida. É uma paixão, é o amor apaixonado. O Servo de Deus Henri Caffarel, no discur-
O verdadeiro amor é apaixonado. O amor so em Chantilly (3/5/1987), nos diz que
entre um homem e uma mulher, quando é “com as Equipes de Nossa Senhora, afir-
apaixonado, leva-te a dar a vida para sem- ma-se na Igreja que a sexualidade é um
pre. Sempre. E a dá-la com corpo e alma”. fator de santificação, desde que seja assu-
Sua Santidade destaca a importância da mida e evangelizada; e que o prazer é uma
vida sexual dos casados, como dom de realidade santa, que faz parte do plano de
Deus, “sem tabus”, e coloca dois pontos Deus e não deve ser posto sob suspeita”.1
de referência para o matrimônio: “amar- A inspiração Divina e a ação do Pe. Caffa-
-se e gerar a vida”. rel, inclusive no Vaticano II, ajudaram mui-
No passado, pré-Vaticano II, não era as- to a mudar a visão da Igreja sobre a sexua-
sim. A virgindade era um “estado” supe- lidade. A nós cabe esse testemunho.
rior ao dos casados. O Papa S. João XXIII
disse “aos pais e mães de família das
Equipes de Notre-Dame”, em 3/5/1959:
“Se é verdade que o estado de virgin-
dade é, por natureza, superior ao esta-
do de matrimônio, esta afirmação não
é de modo algum oposta ao convite di-
rigido a todos os fiéis a serem ‘perfei-
tos como o Pai celeste é perfeito’ (Mt Rita e Fernando
5,48). A própria honra, que é prestada Eq. N. S. de Guadalupe
pela Igreja à virgindade cristã, é precio- Belém-PA
14 CM 527
ANO MISSIONÁRIO
UMA IGREJA CONVERTIDA E EM SAÍDA

O Papa Francisco está convicto, e nós deve-


mos concordar com ele, que a missão renova a
Igreja, revigora a sua fé e identidade, dá-lhe
novo entusiasmo e novas motivações. Não
devemos descuidar também que a ativida-
de missionária sempre representou e ain-
da representa o grande desafio da Igreja.
Outros aspectos apresentados na carta do
Papa Francisco foram a conversão pasto-
ral e o estado permanente de missão, que
já estão bem presentes em nossas ativida-
des e planos pastorais, desde o Documento de
Aparecida. Precisamos redobrar os esforços para
que esta conversão de fato aconteça e seus efeitos nos façam mergu-
lhar neste desejado e indispensável estado permanente de missão, nas
palavras e desejo do Papa, “em todas as regiões da terra”, de manei-
ra que a Igreja se revista de missionariedade em todos os seus aspectos
e atividades: costumes, estilos, horários, linguagem, e, sobretudo, a re-
forma das estruturas eclesiais. Como sempre, o fervor, a empolgação, o
ardor e o profetismo do nosso Papa o levaram a falar de maneira forte,
convincente e renovada:
“Com confiança em Deus e muita coragem,
não temamos empreender uma opção missionária
capaz de transformar tudo...
toda a estrutura eclesial se torne um canal proporcionado
mais à evangelização do mundo atual que à auto-preservação.”
De fato, para que isso aconteça, nossas Pastorais, Grupos, Serviços e
Movimentos devem ser mais acolhedores, abertos e comunicativos.
Seus agentes sejam impulsionados para um movimento novo; não de
fechamento, mas de abertura, de saída. O Papa Bento XV convocava
os católicos para uma saída relacionada às fronteiras das nações, exor-
tando para a missão universal da Igreja. O Papa Francisco convoca para
uma saída ao encontro do irmão, do vizinho, do colega de trabalho, do
parente distante ou próximo, dos pobres, dos empresários, das perife-
rias existenciais, quer estejam além-fronteiras ou na “biqueira de casa”.
Pe. Aerton Sales da Cunha
SCE da Eq. N. S. de Fátima – Setor E
Natal-RN
CM 527 15
Ó Maria, há cem anos coroada,
te louvamos!
Pernambuco e Recife
sob a tua proteção!
No dia 16 de julho a Igre- ra coroada como rainha, nas palavras
ja Católica rendeu seus de Santa Teresinha do Menino Jesus,
louvores a Nossa Senho- “é mais mãe do que rainha”. Ao venerar
ra com o título de Senhora sua imagem recordamos a pobre e hu-
do Carmo, a Flor do Carmelo. milde serva do Senhor, a mãe da nova
Na cidade do Recife e na Província humanidade.
Eclesiástica de Pernambuco, neste ano Na tradição do Carmelo, Maria é a peque-
de 2019 a festa tem um brilho especial, na nuvem que sobe do mar após gran-
pois festejamos os cem anos da coroa- de tempo de seca, sinal de que a mão de
ção canônica da imagem da Virgem Ma- Deus toca nossa trajetória humana res-
ria, a Senhora do Lugar. sequida e sofrida para fazê-la mudar em
Em 1580 chegaram os primeiros fra- chuva, em água que fecunda a terra e faz
des carmelitas às terras brasileiras, eles dela brotar a vida. Aqui está demonstra-
faziam parte da expedição de Frutuo- da a fecundidade de Deus que prepara a
so Barbosa e iriam à Paraíba, mas, por humanidade para renová-la, resgatá-la e
questões de mau tempo, aportaram em redimí-la, fazendo a partir da abertura e
Olinda e ali iniciaram o trabalho de “es- disponibilidade de uma jovem virgem (cf.
tender o manto de Nossa Senhora so- Is 7,14; Lc 1,27) simples e humilde como
bre as novas terras”. Mais tarde, em aquela nuvenzinha, mas disposta a abra-
1685 foi iniciada a construção da Igre- çar em tudo a suma vontade, disposta a
ja de Nossa Senhora do Carmo em Reci- fazer-se escrava do Altíssimo para que por
fe, sendo esta posteriormente elevada à meio d’Ela, Aquele que salva viesse fixar
categoria de Basílica Menor (1922). Em a sua tenda entre os homens (cf. Lc 1, 38;
1919, após forte movimentação dos fra- Jo 1,14).
des encabeçados por Fr. André Prat e da Para nós que fazemos parte das Equipes
população pernambucana, a imagem de Nossa Senhora, especialmente da Re-
que fica no altar-mor foi coroada ca- gião Pernambuco com os seus setores,
nonicamente sob os auspícios do Papa celebrar estes 100 anos ao mesmo tem-
Bento XV, fato que ocorreu no dia 21 de po em que estamos no ano jubilar dos
setembro de 1919. 80 anos de fundação da primeira Equipe
O símbolo da coroa que foi fabricada é uma recordação feliz de que a Virgem
para esta ocasião e que recolhe em si os Maria continua intercedendo por nós e
donativos de tantas pessoas, ricas e po- nossas famílias, ensinando-nos a sermos
bres, grandes e pequenas, retrata o amor servos do Senhor, membros da família de
que temos à Virgem Maria que, embo- mãe terna e amável!
Fr. Rafael Dorgival A. Fonsêca Neto
Eq. 10 - N. S. Mãe dos Homens
Recife-PE
16 CM 527
A Solenidade da Assunção de Maria:
assumida por Deus, modelo para os discípulos de Jesus
No dia 15 de agosto a Igreja Católica con- soa da mãe de seu Filho e a engrandeceu
vida todos os seus fiéis a refletirem com para sempre. E isso ajuda a entender a
solenidade um dos quatro dogmas maria- verdade de fé da Assunção de Maria. Este
nos: recorda-se, nesta ocasião, a Assunção é um mistério que revela a perfeição sin-
da Virgem Maria, aquela que, dentre to- gular da maternidade espiritual de Ma-
das as mulheres deste mundo, foi conside- ria. Ao mesmo tempo em que ela é toda
rada digna por Deus para assumir um pa- de Deus e pertence definitivamente à co-
pel determinante na história de salvação. munhão de vida trinitária, Maria continua
A jovem de Nazaré recebeu de Deus o pri- perto da humanidade, dentro do mundo,
vilégio de ser escolhida como a mãe de Je- com sua presença viva, íntima e envol-
sus Cristo. De seu ventre virginal nasceu o vente de Mãe Ressuscitada.
Salvador da humanidade, aquele que defi- As Sagradas Escrituras não mostram os
nidamente revelaria em sua vida e em seu detalhes finais da vida da Virgem Ma-
ministério o grande amor de Deus por to- ria: não há relatos dizendo onde ela viveu
dos. Por isso, terminada a sua jornada ter- os últimos dias de sua vida, nem mesmo
restre, Deus também lhe reservou a me- quando, nem onde tenha ela morrido. A
lhor das recompensas. Ao final de sua Bíblia somente mostra que, na Igreja nas-
existência neste mundo, Maria foi eleva- cente, a mãe de Jesus estava a serviço da
da por Ele aos céus para participar de sua comunidade cristã, como se pode ler na
glória. Na devoção popular Maria da As- narrativa de Pentecostes, tal como Lucas
sunção é invocada sob diferentes títulos: apresenta no início do livro dos Atos dos
Nossa Senhora da Glória, Nossa Senho- Apóstolos (At 1,13ss). Quem ajuda a en-
ra da Abadia ou ainda Nossa Senhora da tender um pouco sobre os acontecimen-
Boa Viagem. Todos estes títulos fazem re- tos derradeiros da vida de Maria e a ori-
ferência à Mãe de Jesus, que teve o privi- gem desta solenidade é a Tradição da
légio de ser por Deus elevada aos céus. Igreja, que, juntamente com as Sagradas
Por meio da proclamação do dogma da Escrituras e o Sagrado Magistério, com-
Assunção de Nossa Senhora, a Igreja ten- põe as fontes da Revelação da Fé Cristã.
ta balbuciar um mistério de fé que ul- A solenidade da Assunção de Maria, em-
trapassa completamente a compreen- bora só tenha sido definida como um dog-
são humana: o da glorificação eterna de ma mariano da Igreja na segunda metade
Maria em Deus, que se revela ao mesmo do século XX, existe desde os primórdios
tempo Deus Uno e Trino. Terminologica- do cristianismo. Em um primeiro momen-
mente a palavra “assunção” encontra to, era celebrada a “dormição de Nossa
as suas raízes no verbo “assumir”, que, Senhora” pelos cristãos orientais. Poste-
grosso modo, significa “tomar para si”, riormente, também passou a ser celebra-
ou ainda, “tomar consigo”. Sendo as- da pelos cristãos da Igreja do Ocidente.
sim, na compreensão deste dogma ma- Mas somente no século VIII é que o termo
riano, entende-se que Deus assumiu, ou “dormição” cedeu lugar ao termo “as-
seja, tomou para junto de si toda a pes- sunção”, usado até os presentes dias.
CM 527 17
No ano de 1950, finalmente, foi solene- os tomará consigo na Ressurreição. O que
mente definido este dogma de Maria, Maria fez ao longo de toda a sua existência
pelo Papa da época Pio XII. Na formula- terrena, ao assumir o projeto de Deus para
ção deste dogma definiu-se que, termi- a sua vida, tornando-se totalmente dispo-
nado seu tempo de vida terrestre, Nos- nível a vontade dele, se tornou protótipo,
sa Senhora foi “assunta”, ou seja, levada ou seja, se tornou modelo para o que deve
ao céu em corpo e alma. Pela singular im- ser vivido por cada ser humano que plena-
portância de sua missão como a Mãe de mente crê em Deus. Pelo sim bendito dado
Jesus, ela não só foi proclamada como a à revelação de Deus em sua vida, Maria,
Rainha dos Céus, quando fora levada para em primeiro lugar, assumiu a vida de Deus
viver ao lado de Deus, mas também foi em sua própria vida e assim permitiu que a
proclamada Mãe da Igreja e mãe de toda graça de Deus, mostrada aos homens em
humanidade redimida em Cristo Jesus. Jesus, fosse levada a termo. Ele deu o seu
Na solenidade da Assunção da Virgem sim a Deus, e Deus deu o seu sim a Ma-
Mãe de Deus, a esperança de ressurrei- ria ao elevá-la aos céus pela sua Assunção.
ção dos homens já se vê realizada nes- Deste dogma mariano da Assunção o
ta bendita mulher. Em Maria a Igreja atin- cristão católico é convidado a repensar
ge a plenitude do triunfo final, a vitória a sua existência neste mundo, sabendo
definitiva de todos os homens remidos que se quiser trilhar os caminhos rumo
em Cristo sobre a morte e o mal. Por isto, aos céus, para também um dia assentar-
esta festa é uma das solenidades mais -se junto de Deus, nada melhor do que
comemoradas pelos católicos. Depois da se inspirar na vida da primeira e mais
Assunção, Nossa Senhora, de uma forma perfeita discípula de Jesus: a sua virgem
muito particular, com maternal benevo- Mãe. A vivência de Maria neste mundo
lência, participa com sua oração e inter- é verdadeira presença santificante, que
cessão na obra de seu Filho: a salvação faz com que aqueles que nela se espe-
por ele oferecida por meio de sua paixão, lham, mais facilmente e com mais cer-
morte e ressurreição. Compreende-se que teza, cheguem à comunhão com o seu
Maria é a mediadora das graças de Deus amado Filho. Na esperança de ser toma-
em nossas vidas, e de certa forma é parti- do por Deus no final de sua caminha-
cipante da redenção da humanidade. da neste mundo, o cristão aprende com
A exemplo de Maria, todos os crentes são Maria a colocar-se a caminho fazendo
convocados pela Santa Igreja a serem fi- da própria vida dom de amor ao próprio
éis a Deus, na espera do dia em que Deus Deus e aos irmãos.

Pe. Philipe Fernandes Nogueira


SCE Região Minas V
Cláudio-MG
18 CM 527
vida no movimento
ENCONTRO NACIONAL DE
SACERDOTES E ACOMPANHANTES ESPIRITUAIS 2019
O Encontro Nacional de Sacerdotes e nião de equipe: Ecclesia”); Pe. Paulo Re-
Acompanhantes Espirituais das Equipes nato (“O Conselheiro/Acompanhante Es-
de Nossa Senhora, que aconteceu de 13 piritual nas Equipes de Nossa Senhora”);
a 16 de maio, em Itaici/Indaiatuba-SP, casal Silvia e Chico (“Os sacramentos da
contou com a presença de aproximada- ordem e do matrimônio nas Equipes de
mente 245 participantes: 212 sacerdo- Nossa Senhora”); casal Hermelinda e Ar-
tes, 3 bispos (Dom Henrique Aparecido turo (Casal Ligação da ERI para a Zona
de Lima – Bispo Diocesano de Dourados, América mostrando a internacionalidade
Dom José Albuquerque de Araújo – Bis- das Equipes de Nossa Senhora). Por fim,
po Auxiliar de Manaus e Dom Moacir Sil- o Casal Responsável pela SRB, Lú e Nel-
va Arantes – Bispo Auxiliar de Goiânia), son, deram a Mensagem Final ressaltan-
30 Acompanhantes Espirituais (diáconos do a importância dos Conselheiros para
permanentes, religiosos e religiosas e lei- os casais e para o Movimento das ENS.
gos consagrados), e os casais que com- Durante a tarde aconteceram os grupos
põem a Equipe da Super-Região Brasil. de reflexão, com partilha e aprofunda-
O objetivo foi refletir a missão, a respon- mento dos temas estudados. Tais traba-
sabilidade e a importância dos Conse- lhos eram finalizados com as apresenta-
lheiros e Acompanhantes Espirituais, sua ções em plenário. Nos plenários houve
missão dentro das Equipes de Nossa Se- abertura para questionamentos e eluci-
nhora e a ligação íntima e misteriosa que dação das dúvidas suscitadas nas refle-
existe entre os sacramentos da Ordem e xões e outras que os SCE/AE trouxeram.
do Matrimônio. Foram dias de formação
Na noite do dia 15 de maio houve a confra-
com Celebrações Eucarísticas, palestras,
ternização, para que os Conselheiros, com
testemunhos, partilhas, momentos de
alegria e fraternidade, pudessem aproveitar
oração diária e de confraternização.
melhor a hospitalidade da casa de retiros e
As atividades eram iniciadas, diariamen- descontraírem um pouco, descansando do
te, com a Celebração Eucarística segui- ritmo formativo dos dias de encontro. Esse
da pelo desjejum. Durante as manhãs momento permitiu um maior exercício do
aconteceram as formações conduzidas encontro com o próximo, da vivência da
pelos palestrantes: Prof. Carlos Marten- hospitalidade e do estreitamento dos laços
dal (“A importância da Oração”); Pe. Dr. de amizade entre todos.
Geraldo Luiz Borges Hackmann (“As in- Pe. Ricardo Mota
fluências e o pensamento teológico de SCE Região Rio IV
Pe. Caffarel”); Pe. Miguel Batista (“A reu- Província Leste

CM 527 19
PROVÍ NCI A NO RTE

No dia 4 de maio de 2019, foi reali- vivem a alegria de serem equipistas


zada a Formação Específica para ca- e que estão motivados para realiza-
sal informador em Capitão Poço-PA, rem a expansão. Saímos felizes e con-
uma expansão do Setor São Miguel victos de que as ENS em Capitão Poço
do Guamá-PA, onde existem 4 equi- têm um campo fértil e que vai dar
pes e 1 experiência comunitária. muitos frutos, que Deus seja louvado.
Foi um momento de muita fraternida- Magnificat.
de, de troca de experiência, com ca- Marilena e Jesus
sais que têm amor ao Movimento, e CRP Norte 

PROVÍN CI A NO RDE S TE I

Região Ceará II
Aconteceu nos dias 13 e 14 de abril de cerca. “Jesus anda conosco pelos cami-
2019 o Encontro de Equipes em Cami- nhos do mundo”, assim como os discípu-
nho, promovido pela Região Ceará II. O los de Emaús, cansados e fatigados fomos
evento aconteceu em Fortaleza, com a para o encontro de equipes em caminho.
participação de 25 casais. Certamente, conseguimos nos abastecer
Foi um final de semana abençoado. Em nesse caminho que fortificou nosso “De-
alguns momentos que precisamos enten- ver de Sentar-se”, abriu nossos olhos e o
der que temos necessidades de nos en- coração para nos entregar a essa graça
contrar com Jesus diariamente, ou melhor, em nossa vida de casal e familiar.
reconhecer Jesus através das graças que João Paulo e Tatiana
ocorrem no caminho de nossa vida, mes- Eq. 13 - Setor G - Região CE II
mo diante da correria do mundo que nos Província NE I
20 CM 527
PROVÍNCI A NO RD ES TE I I

Encontro Novo Fôlego


Aconteceu nos dias 4 e 5 de maio, no suas casas e em seus corações os casais
Centro de Orientação Vocacional, o do setor vizinho, a Equipe Formadora, o
Encontro Novo Fôlego no Setor Feira Casal Regional e o Casal Provincial.
de Santana, Região Bahia. Verdadeiramente, cada casal, cada
Participaram deste importante momen- equipe assumiu o compromisso de
to 42 casais e dois sacerdotes, Pe. Ro- “tomar a tua cama e andar” e seguir
mero e Pe. Jorge, dos Setores de Feira e na direção de muitas outras famílias, e
de Cruz das Almas. ACOLHIMENTO foi de tantos casais, mostrando a riqueza
a palavra que verdadeiramente mar- de ser equipista e pertencer ao Movi-
cou essa formação! Acolher no senti- mento das Equipes de Nossa Senhora.
do mais amplo da palavra, pois os ca- Deniz e Jorge
sais de Feira de Santana receberam em CRR Bahia

PROVÍNCIA CENTR O-OES TE

EEN - Encontro de Equipes Novas


O Senhor mais uma vez fez em nós se sentissem parte dessa grandeza,
maravilhas! que vai muito além da equipe de base.
Nos dias 25 e 26 de maio, realizou-se o Enfim, sentir o amor e o perfume que
Encontro de Equipes Novas em Campo exala em nossas vidas de equipistas.
Grande-MS. Os casais ficaram maravi- Contamos com o apoio dos Setores,
lhados ao verem a grandeza e a rique- CRR e CRP, que não mediram esforços
za do nosso movimento. Fez-se pre- para estarem conosco, nos orientando
sente também uma equipe inteira de e ajudando. Deus abençoe a todos.
Cuiabá/MT, acompanhada do seu SCE.
O encontro, além de esclarecer os ca- Márcia e João Carlos
sais em suas dúvidas, fez com que eles Campo Grande-MS
CM 527 21
PRO VÍ NCI A L ES TE
FORMAÇÃO SER MOVIMENTO
Nos dias 13 e 14 de abril fomos convida- como equipistas, em estar disponíveis
dos a participar da Formação Ser Movi- para atender o chamado para servir
mento, cuidadosamente organizada pela nas inúmeras funções que a estrutura
Província Leste e com a participação de necessita, para garantir essa linda uni-
várias regiões de Minas Gerais. Os facili- dade que mantém as ENS trilhando o
tadores deste momento foram muito es- caminho de nosso Carisma fundador,
peciais: Padre Paulo Renato (SCE Super alcançando todos os continentes.
Região-Brasil) e o CRP Leila e Fernando, Como casal jovem de caminhada, nos
também com apoio de nosso CRR Adria- sentimos muito agradecidos pela opor-
na e Francisco (Minas II). Bem prepara- tunidade de aprender mais para estar-
dos e carismáticos, souberam transmitir mos preparados para servir. As ENS nos
as mensagens com leveza e amor, fa- engrandecem como casal e como família.
zendo com que saíssemos de lá ainda Acreditamos que levar esse presente a
mais encantados com este Movimento. outros casais é a melhor forma de re-
A dinâmica da formação foi interessante, tribuir. Também entendemos que tere-
com trabalhos motivadores em grupos. mos uma sociedade mais próxima do
Conhecemos lá vários casais de toda Mi- sonho de Deus quando mais casais ti-
nas Gerais pertencentes à nossa Provín- verem a oportunidade de participar do
cia igualmente bem-dispostos e disponí- movimento, transbordando seus valo-
veis para colocar os dons recebidos de res para os familiares e amigos.
Deus a serviço não só do movimento,
mas também da nossa igreja: “NÃO TE- É um privilégio fazer parte das equipes
NHAMOS MEDO, SAIAMOS!” e ter, à disposição, tantas ferramentas
de crescimento espiritual.
Quanto mais conhecemos o “nosso” Aline e Dudu
Movimento, mais ficamos apaixonados Eq. N. S. de Lourdes - Setor B
e vemos a responsabilidade que temos, Belo Horizonte-MG

PROV ÍNCIA SU L I
EEN - Encontro de Equipes Novas
Participar de um EEN é poder experi- o Carisma do Movimento, a partir dos
mentar a ação de Deus na nossa comu- acontecimentos de 1938, quando se
nidade de casais enquanto equipistas. deu a primeira partilha da vida conju-
Ao escutar a partilha sobre a Mística e gal junto ao Padre Caffarel, ressoavam
22 CM 527
em nossos corações os estudos que fi- palavra de Deus para o mundo, sobre
zemos durante nossa Pilotagem. Quanto nos colocarmos a Serviço do amor e da
mais conhecemos mais amamos esse felicidade em nossa relação conjugal
movimento de espiritualidade conju- e sobre o chamado ao Testemunho de
gal que trouxe o novo ao nosso ma- acreditar no casamento e encontrar no
trimônio e nos chamou a viver assidu- matrimônio a felicidade e a salvação.
amente o nosso batismo, a nossa vida A Santa Missa de encerramento foi o
de cristãos, testemunhando o Reino de momento mais esperado em todo o
Deus nos dias atuais. encontro. Não pelo fim do evento, mas
O que nos fascina na história do Movi- pelo desejo de assumir o Compromisso
mento é perceber a ação do Espírito Santo com Cristo e para Cristo a fim de cami-
em cada fato e reconhecer que o chama- nharmos em busca da santidade e in-
do à vivência da espiritualidade conjugal cendiarmos o mundo com o novo jeito
e à santidade é Dom de Deus para o bem de viver o matrimônio.
da Igreja, para o bem do mundo. Bia e Juninho
Tivemos a oportunidade de refletir so- Eq. 12B - N. S. Grávida
bre a nossa Missão, de fazer ecoar a Taubaté-SP

PROV Í NCI A SU L I I
SESSÃO FORMAÇÃO – “SER MOVIMENTO”
Nos dias 4 e 5 de maio realizou-se em a oportunidade de beber na fonte des-
Catanduva-SP a Formação Ser Movi- te conhecimento, ficamos agradecidos a
mento, com a participação de 34 casais Deus por ter suscitado no Servo de Deus
da Região São Paulo Norte I (Votuporan- Henri Caffarel este caminho para a san-
ga, José Bonifácio e Catanduva). A for- tidade conjugal. A atualidade do pensa-
mação foi dada pelo Casal Responsável mento do Pe. Caffarel é impressionante!
da Província e o Casal Responsável da Toda a coerência e cuidado na elabora-
Super-Região Brasil. Durante o final de ção da Mística, Carisma, Espiritualida-
semana pudemos recordar todos os pon- de, na dimensão da Ecclesia que temos
tos fundamentais que norteiam as ENS e na nossa reunião de equipe, o cuidado
compreender uma vez mais a riqueza do com os Sacerdotes e Acompanhantes Es-
nosso Movimento. Cada vez que temos pirituais... Tenho a alegria de ter crescido
CM 527 23
num lar equipista (meus pais são equi- a vivência de uma formação que nos faz
pistas há 36 anos), participei das EJNS repassar por toda a história e fundamen-
durante minha juventude, e tão logo me to do Movimento nos ajuda a compreen-
casei, meu marido e eu fomos convida- der o projeto de Deus para nossa vida,
dos a ingressar nas ENS onde estamos que sem dúvida nenhuma passa pelas
há 6 anos. Sempre amei o Movimento, e Equipes de Nossa Senhora!
junto com meu marido temos dia a dia Patricia e Rafael
descoberto a riqueza do Matrimônio, e CRS/A - Catanduva-SP

PROVÍNCIA SUL I I I
ENCONTRO NOVO FÔLEGO
Nos dias 30 e 31 de março foi realizada mais uma Formação Permanente na Provín-
cia Sul III, com o Encontro Novo Fôlego na Região SC I em Criciúma-SC.
“Em contrapartida, no dia em que, por fadiga do coração, se diz ‘não’ à tensão inte-
rior – que certamente não é cômoda –, no dia em que se decide não fazer mais nada
pela felicidade do outro, julgando já se ter feito o suficiente por ele, nesse dia o amor
está condenado, e talvez mesmo se possa dizer que ele está morrendo.” Pe. Henri
Caffarel, - Nas encruzilhadas do amor”, p. 112-114.
Neste encontro, em que toda a equipe é convidada a participar, 32 casais puderam
aprofundar as orientações do Movimento, e pela troca de experiência nos trabalhos
de grupos perceberam que a renovação é possível e necessária. Entre tantos belos mo-
mentos vividos destaca-se a reflexão sobre o caminho percorrido pelo “Dever de Sen-
tar-se”; o convite ao retorno às origens; o tema de atualidade da Igreja através do
capítulo IV do Amoris Laetitia. Sem dúvida, pela graça de Deus foi um chamado ao des-
pertar da equipe para o Espírito Santo deixando-se interpelar pela sua missão e voca-
ção como casal e equipe. “Levanta-te, toma a tua cama e anda.” Jo 5,2-9.
Adriana e Hudson Pe. Antônio Júnior
CRP Sul III SCE - Província Sul III

24 CM 527
raízes do movimento

“Reunidos em Meu Nome”*


Durante a nossa peregrinação a Lour- não podem ter outra interpretação.
des, no dia 6 de junho de 1954, con- Não será essa espécie de amor que ex-
versava com um membro das equipes, plica a atração exercida pelas primeiras
enquanto me dirigia para a gruta. Meu comunidades cristãs à sua volta? “Vede
interlocutor falava-me entusiasmado como se amam”, admiravam-se os que
da extraordinária qualidade das rela- delas se aproximavam. A sua irradiação
ções estabelecidas no trem, desde a ainda nos atinge, passados vinte séculos.
primeira hora, entre os diversos mem-
A ambição do nosso Movimento é instau-
bros da sua “equipe de peregrinação”,
rar, no seio de cada equipe e em cada ca-
ainda na véspera desconhecidos uns
sal, esta qualidade de relações humanas.
dos outros. Sentia-se entusiasmado,
mas não sabia explicar esse fenôme- Oração em comum, “partilha”, pôr em
no. A explicação que dei então é a que comum, troca de impressões: tudo são
lhes dou agora: talvez os ajude a com- meios postos à nossa disposição para
preender melhor um aspecto essencial nos facilitar o encontro das almas, “em
da vida de equipe. nome de Cristo”, em Cristo.
As relações humanas são de tipos mui- Muitas vezes surge a tentação de ficar
to diferentes, conforme se fundamen- apenas no plano da amizade humana,
tam no parentesco, na camaradagem, e é preciso reagir constantemente: a
na amizade, no esporte... Cada uma amizade cristã é uma conquista.
tem sua nota característica, sua qua- O “Dever de Sentar-se”, a preparação
lidade própria. Há outro tipo de rela- do tema de estudo, são meios ofereci-
ções, estas especificamente cristãs. O dos, neste caso aos esposos, para os
que lhes dá qualidade excepcional é o ajudar também a encontrarem-se em
valor do que é posto em comum: não Cristo. Ajudas muito úteis. O respeito
já apenas pensamentos, gostos, sen- humano, a timidez, a avareza de cora-
timentos humanos, mas a vida espiri- ção, o dia a dia, as exigências carnais
tual. Cristãos que amam Cristo e que, são obstáculos a essa união espiritu-
com prodigiosa confiança, deixam que al dos esposos. Quantos, mesmos en-
os outros percebam neles a própria tre os melhores, passam toda a vida
vida desse amor, as alegrias, as penas, sem experimentar essa intimidade em
as aspirações que desperta. E é tão im- Cristo; põem tudo em comum, exceto
pressionante ver nos outros as vibra- o mais precioso: a sua vida com Cristo.
ções da graça, os debates e os consen- Henri Caffarel
timentos de uma alma tocada por ela! (*) Editorial Carta Mensal de Equipes Novas
Há mais ainda. A promessa de Cristo re- nº 9, maio de 1965.
aliza-se: “Onde estão dois ou três reuni-
dos em Meu nome, aí estou Eu no meio Colaboração
deles”. Acontece por vezes que essa mis- Maria Regina e Carlos Eduardo
teriosa presença se manifesta: a paz, a Eq. N. S. do Rosário
alegria, a luminosidade da comunicação Piracicaba-SP
CM 527 25
testemunho

Massabielle,
a Casa das Equipes
Aos equipistas que porventura passarem uma temporada na França
recomenda-se conhecer a Casa de Massabielle, situada a 15 km de
Paris – a “Casa das Equipes”, fundada em 1996, e hoje denomina-
da “A Casa do Casal - Centro de Retiros e de Reabastecimento Espi-
ritual”, com o lema “Minha casa será uma Casa de Oração para to-
dos os povos” (Is.56,7), que lembra o da casa de Troussures onde o
Padre Caffarel ministrava suas “Semanas de Oração”.
Situada num lugar tranquilo, em meio a um parque de 3 hectares,
a Casa destina-se a acolher os casais das Equipes de Nossa Senhora,
mas está aberta a quaisquer casais, sacerdotes, religiosos e pessoas
sós, ou seja, “a todos os que procuram um lugar e um tempo para
reabastecer-se espiritualmente, rezar, aumentar a sua formação e
avançar no caminho da fé”(1). Na fidelidade ao carisma fundador
das Equipes de Nossa Senhora, tem por objetivo ajudar os casais
a caminhar rumo à santidade, colocando à sua disposição não só
Retiros como também Sessões de Formação, segundo os mode-
los ensinados pelo Padre Caffarel.
Os Retiros, normalmente de 2 dias, sábado e domingo, com pos-
sibilidade de chegar-se na sexta à tardinha, desenrolam-se em si-
lêncio absoluto, respondendo ao pedido do Movimento para que
cada equipista participe todo ano de um retiro fechado, colocando-
-se diante de Deus para ouví-Lo e procurar entender melhor o que
o Espírito Santo lhe sugere para progredir no caminho da santida-
de. São anunciados com meses de antecedência, há grande oferta
de datas, de pregadores, entre os quais alguns casais, e de temas,
que independem do tema sugerido às equipes para o ano. O retiro
26 CM 527
pode ser feito pelo casal, ou, como
reza a nossa Carta fundadora, se-
paradamente por cada um dos côn-
juges quando o casal não tem com
quem deixar os filhos, e por casais
de uma mesma equipe juntos, embo-
ra isso não seja obrigatório nem re-
comendado. Os retiros são abertos a
todos, independentemente de Setor,
Região ou País, ou mesmo de pertencer às ENS; há retiros para noi-
vos e também retiros com crianças. Os temas variam de espiritu-
alidade conjugal nos seus vários aspectos a problemas concretos,
como “Quando os filhos deixam o ninho”, “A aposentadoria, nova
oportunidade para nossa vida de casados”, e à espiritualidade pro-
priamente dita: “Ouça, Deus te fala”, e retiros de 4 dias especia-
mente dedicados à oração interior, coordenados por uma das ex-
-auxiliares do Pe.Caffarel em Troussures.
As Sessões, que se realizam também num fim de semana, mas
sem o silêncio, são na maioria direcionadas a uma das Formações
das ENS, embora acolham também programação de movimentos
afins, principalmente os que se dirigem a casais em dificuldade. A
Casa também recebe os Encontros de Regionais, de Responsáveis
de Setor, de Conselheiros e Acompanhantes Espirituais. São uma
oportunidade para, além de aprofundar o conhecimento do Movi-
mento e da doutrina da Igreja, conhecer casais ou pessoas de ou-
tras regiões interessados na mesma problemática.
A Casa do Casal ainda tem uma característica especial: é cuida-
da, além do casal encarregado da direção, por equipistas voluntá-
rios que assumem uma ou várias vezes por ano desde a animação
espiritual (“casal Maria”) ao andamento prático da casa, como o
serviço das mesas (“casal Marta”), e a manutenção do parque (os
“José”), sem contar a animação das crianças quando das sessões
em que acompanham os pais.
Enquanto esse sonho de casa de retiros não se torna realidade
aqui entre nós, procuremos participar de retiros que se pareçam o
mais possível com o modelo de Massabielle, seguindo a tradição
iniciada pelo Pe. Caffarel.
Monique e Gerard Duchêne
Eq. 01B - N. S. do Sim
São Paulo-SP
(1) Massabielle – END Paris, 2019

CM 527 27
Somos uma família linda, marido, esposa e dois filhos maravilhosos, mas
Deus queria que tivéssemos mais filhos e nós também. Então minha es-
posa engravidou mais uma vez. Que imensa alegria! Contudo, começa-
ram as preocupações e no ultrassom de 12 semanas houve a primeira
suspeita de Down. A preocupação era enorme e havia outro exame (NIPT)
que daria uma estimativa mais precisa. Fizemos e foi confirmada grande
probabilidade da síndrome. Apesar de tudo não havia certeza, rezamos
e pedimos muito a Deus que a criança viesse saudável. Foi uma gestação
carregada de preocupação. Com 35 semanas, em mais um ultrassom, foi
constatada uma redução do fluxo sanguíneo da placenta para o bebê e a
médica resolveu antecipar o parto. Nasceu então a Giovanna!
Não havíamos falado a quase ninguém, inclusive aos avós da Giovan-
na, da suspeita de Down. Estávamos numa tensão gigante, que nos ti-
rou em parte a alegria do nascimento. Duas semanas depois veio enfim
a confirmação de que Giovanna de fato tinha a trissomia do 21, síndro-
me de Down. Mil coisas passaram pela cabeça. Foi uma angústia quase
insuportável. Quando nasce um filho saudável, os pais anunciam a to-
dos com o maior orgulho, mas quando o filho não é “perfeito e saudá-
vel” é o oposto. Questionei o próprio Deus, por que comigo? Não havia
nada que pudesse reverter a situação de minha filha tão desejada, tão
amada e tão indefesa. Então, começamos a cuidar de nossa pequenina
e conhecer o universo da síndrome de Down.

28 CM 527
“Todos temos muitos dons e é nosso dever descobri-los e aperfeiçoá-los.
Também temos muitos chamados de Deus e é nosso dever atendê-los.
Afinal, quantas coisas boas recebemos do Senhor todos os dias!
Vejo agora a perfeição no imperfeito...”

Como católicos e equipistas apreciamos as coisas perfeitas criadas por


Deus e confesso muitas vezes afastar o olhar de certas anomalias. Todos
temos muitos dons e é nosso dever descobri-los e aperfeiçoá-los. Tam-
bém temos muitos chamados de Deus e é nosso dever atendê-los. Afi-
nal, quantas coisas boas recebemos do Senhor todos os dias! Vejo ago-
ra a perfeição no imperfeito, vibro com as pequenas grandes vitórias,
como com cada exame dela em que não há diagnóstico de alguma ano-
malia mais séria como cardiopatias ou a suspeita de possível leucemia.
Hoje, não sabemos como será o amanhã, assim como não sabíamos an-
tes dela nascer. Muitos preconceitos e obstáculos enfrentaremos ao lon-
go desta caminhada.
Precisaremos de muita
ajuda e Deus tem aber-
to muitas portas para
amparar essa pequeni-
na. Contudo, sabemos
que essa jornada será
dolorosa, tanto física
como emocionalmen-
te, e esperamos che-
gar ao final dela firmes
na fé e convictos de
nossa missão na Terra.
Ivanilson (da Líneke)
Eq. 59 - N. S. Rainha da Paz
Setor A - Região Brasília II

CM 527 29
O “Milagre das Trufas”
Ao iniciar o ano equipista em 2018, começava também nossa missão de
Casal Responsável de Equipe e ser responsável é cuidar sem se apossar
daqueles que nos foram confiados!
Durante a realização do Pré-EACRE, o CRS orientou que nenhum casal
deveria faltar às programações do Movimento por falta de recursos finan-
ceiros. Se acaso tivéssemos esta situação, deveríamos contatar o Setor,
para tentar ajudar a resolver o problema. Ficamos aliviados, pois nossa
equipe encontrava-se em situação delicada, com casais desempregados
e aperto financeiro. Inicialmente, pensamos em nos mobilizar para tentar
levantar os recursos e proporcionar a participação de todos nos eventos
do ano. Só depois, se necessário, recorreríamos à ajuda do Setor.
Nossa meta era a participação de todos no Retiro Anual, tendo em vista
que no ano anterior nenhum casal pôde participar e compreendíamos o
bem que traria aos casais, além de ser um PCE. Foi aí que tivemos uma
ideia, fabricarmos artesanalmente trufas de chocolate recheadas para
vendermos! A primeira tentativa foi a missa da unidade que seria rea-
lizada em nossa paróquia. Com o consentimento do pároco, informa-
mos aos casais das outras equipes e de outro Setor sobre nossa cam-
panha. Ao término da missa, estávamos lá os casais da nossa equipe e
os filhos com o slogan: Ajudem-nos! Equipe Nossa Senhora Aparecida
rumo ao Retiro Anual.
Ficamos emocionados com a adesão dos presentes, que além de compra-
rem as trufas alguns casais davam valores mais altos em forma de doação,

30 CM 527
dando-nos o sentido exato do que é auxílio mútuo. Sensibilizamos toda
a equipe de que seria necessário ultrapassarmos as 1.000 trufas para que
assim todos os casais pudessem participar do Retiro sem custos. A adesão
foi quase total. Interessante ressaltar que, no processo de produção das
trufas, pudemos envolver a maioria dos casais e, inclusive, nossa Acom-
panhante Espiritual, que fez questão de também dar sua contribuição.
Assim, aquilo que era uma atitude de cooperação e auxílio mútuo no
plano material tornou-se uma oportunidade de aproximação e estreita-
mento dos laços entre os casais da equipe. Foram vendidas quase três mil
trufas, portanto já tínhamos o valor total para participação de todos os
casais no Retiro Anual, inclusive com sobra para as necessidades futuras.
Nosso modesto, mas significativo gesto de auxílio mútuo faz lembrar, res-
peitando as devidas proporções, o testemunho do casal Nancy e Pedro
Moncau sobre a participação deles na Primeira Peregrinação Internacional
das Equipes a Roma no ano de 1959. Segundo Dr. Pedro, esta participação
teria sido uma grande vitória do auxílio mútuo. Conforme relato, ao rece-
berem o convite, os mesmos viram que a ida a Roma e a estadia de 42 dias
seriam inviáveis pela falta de condições financeiras e pelos cuidados com
seus cinco filhos e dois de sua prima. Mas tudo foi providenciado pelo au-
xílio mútuo, inclusive relata com surpresa a atitude de um jovem casal equi-
pista, que juntou seus pertences, fechou sua casa e, com a filhinha de dois
anos e um bebê de meses, mudou-se para casa de D. Nancy e lá ficou du-
rante todo o tempo da peregrinação (O Sentido de uma Vida. Pedro Mon-
cau Jr., o homem, o médico, o cristão, Nancy Cajado Moncau.).
E assim, em nossa ainda breve caminhada nas equipes, apenas três anos,
vamos compreendendo o que Pe. Henri Caffarel pede que nos lembremos
bem: “Uma Equipe de Nossa Senhora não é só um grupo de casais onde
se pratica o amor fraterno, mas onde, em primeiro lugar, as pessoas se ini-
ciam no amor fraterno. (...). À medida que, na equipe, nós tivermos inicia-
do nas exigências da caridade fraterna, seremos capazes, fora dela, de vi-
vê-la, sempre com maior perfeição: primeiro entre esposos e também entre
pais e filhos” (A Missão do Casal Cristão, Pe. Henri Caffarel, p. 77).
A contribuição de cada equipista da Região proporcionou a graça de par-
ticiparmos do Retiro. Como foi gratificante ver estampada no rosto a fe-
licidade e o transbordar de espiritualidade que cada casal participante
externou ao chegar do Retiro. O pouco de cada um transformou-se em
muitas graças nas vidas dos equipistas da Equipe Nossa Senhora Apareci-
da, Setor D, Aracaju, Região Sergipe, Província Nordeste II.
“Uma só Alma, um só Coração!”
Alessandra e Marcelo
Eq. 06 - N. S. Aparecida
Aracaju-SE
Província Nordeste II 
CM 527 31
Monsenhor Paulo Daher,
não sei por onde começar

“Simples, comece pelo começo”, ele nos orientaria, conjugan-


do um carinho paternal com a exigência daquele professor
que nos quer bem e por isso exige.
Eu me lembro do dia que nossa equipe o conheceu: entrou
sorridente e calado, como quem se alegra por ver o rebanho
de seu Pai crescendo. E assim, desde então, encheu nossas vi-
das com sua presença, dando-nos a certeza de que tínhamos
uma direção: nosso encontro em casal com Cristo.
Nesses mais de 14 anos de convívio fraternal, ouvimos mui-
tas histórias suas: a presença carinhosa de sua mãe, toda noi-
te rezando com ele e os irmãos, seu tempo de seminarista no Rio
Comprido-RJ e sua admiração pelo professor Dom Eduardo Koaik
e sua amizade com Pe. Abílio; sua experiência ainda jovem na Itália,
para os estudos e a posterior visita a sua família no Líbano.
No retorno, à frente do seminário, se dedicou ao apoio e busca por vo-
cações. Mais tarde, seu trabalho foi com a educação em toda a Diocese,
desde a Baixada Fluminense, passando por Teresópolis até as dezenas de es-
colas paroquiais de Petrópolis, suas décadas como SCE de Setor e também de vá-
rias ENS em Petrópolis. Foram 47 anos no Movimento das ENS.
Aos 85 anos não se furtou de enfrentar 6 horas de viagem de carro, para estar em
dois encontros provinciais e um Encontro dos SCE da Província em BH. E o mínimo
que podíamos fazer era acompanhá-lo como ovelhas que seguem o pastor, com a
certeza de que durante o dia teríamos pasto, e à noite, segurança para o descanso.
Muito ele nos ensinou diariamente, sobre o fortalecimento da fé, o cultivo da
esperança e a prática da caridade como caminho para nos aproximarmos de
Deus, nosso Pai.
E depois de todo esse tempo de caminhada juntos, o que fica é a certeza de que
nossa maior prova de agradecimento a sua amizade infalível é o nosso testemu-
nho diário de que Cristo é o Filho de Deus que está sempre presente em nosso ir-
mão ao lado: devemos amá-lo como a nós mesmos!
Monsenhor Paulo Daher, ainda não sei por onde começar... mas obrigado por nos
ensinar a termos fé em como tudo vai terminar!
(Monsenhor Paulo Daher - 25/jul/1931 – 30/mar/2019)
Celina e Wilson
Eq. N. S. das Vitórias
Setor Petrópolis Oeste
32 CM 527
Início de Caminhada

Queridos Equipistas,

Somos a Equipe 15-A, da Região Norte I, Manaus. Gostaríamos de com-


partilhar nossa (ainda curta) caminhada nesse Movimento maravilhoso,
que só temos a agradecer por fazermos parte.
A equipe é composta por jovens casais, com não mais de 8 anos de ca-
sados, sendo alguns já pais e outros ainda nessa expectativa.
No início, para a maioria, era o começar de uma jornada de dúvidas sobre
o que seriam as ENS, contudo era visível que todos os casais compartilha-
vam um desejo em especial: fundar seus casamentos nos ensinamentos
cristãos e criar uma família com bases sólidas, com Jesus no meio.
A Equipe de Base foi iniciada em 2015 com a Experiência Comunitária,
ocasião na qual fomos conduzidos pelo casal Adla e Francisco, que nos
cativou com experiências de vida e amor pelas ENS.
Na sequência, fomos pilotados pelo casal Gorette e Sérgio, que reforçou
a dedicação e o compromisso que devemos ter com as ENS.
Posteriormente, fomos presenteados com a vinda do nosso querido
SCE, Frei John, que nos encanta com tanta disponibilidade, carinho e
ensinamentos.
Durante nossa caminhada, alguns casais precisaram, por variados moti-
vos, sair da equipe, mas outros entraram para fortalecer e motivar nos-
sa busca pela santificação conjugal.
Ainda que estejamos no começo, é nítido o bem que nos faz ser equi-
pistas, pois a vivência dos PCEs, aliada ao carisma do Movimento, faz
brotar em nossos corações o desejo de sermos casais diferentes, que
tentam colocar Deus nas suas atitudes, seja na rotina conjugal como na
social, o que faz toda a diferença em nossas vidas.
Sabemos que nem sempre será fácil e que vamos nos deparar com as
mais variadas dificuldades, mas o importante é sempre termos em men-
te que todo casal da equipe deve querer viver por, com e para Cristo,
pois, apenas assim poderemos dar real sentido à nossa caminhada cristã.
Rogamos a Nossa Senhora para que nos inspire no aprofundamento de
nossa fé e para que possamos, apoiados uns nos outros e guiados pelo
Espírito Santo, caminhar juntos rumo à santificação conjugal.

Érica e Fred
Eq. 15 - N. S. de Fátima
Manaus-AM
CM 527 33
reflexão

O impacto do SCE em nossas vidas


As Equipes de Nossa Senhora são um que são comumente atribuídos aos nos-
tesouro para nós e ocupam um lugar sos pais? Sabem quanta falta fazem os
essencial em nossas vidas. A vida em pais ausentes, ou melhor o impacto po-
comunidade como o movimento pro- sitivo da presença dos pais na vida de
põe é um desafio para nós, nos faz seus filhos? Comparo tudo isso à pro-
crescer e exercitar os verdadeiros valo- ximidade com os sacerdotes, como pais
res cristãos. Os PCEs são cristificantes da nossa fé e esposos da Igreja, com-
para nós na medida em que nos apro- preendem e nos transmitem a exigên-
ximam do Nosso Senhor e vão trans- cia do amor total e exclusivo! Com o
formando nossos corações para que SCE por perto nos sentimos ampara-
sejamos capazes de lutar para fazer o dos, seguros, esperançosos, sentimos
que Ele faria se estivesse em nosso lu- o amor de Deus por nós e temos, aci-
gar. Além disso, a proximidade com os ma de tudo, muito respeito e admiração
SCEs é um dos pontos fortes do Movi- por vocês. Cada gesto e palavra do nos-
mento para nós. A Palavra de Deus nos so SCE são valiosos testemunhos para
ensina que sempre que nos reunimos nós. Ter um padre por perto é ter Cristo
em nome de Cristo, Ele está em nos- em casa, comendo conosco, conhecen-
so meio. Acreditamos plenamente nis- do nossas filhas, trocando e-mail, liga-
so. Agora, os SCEs dão ainda mais va- ção ou mensagem... É sentir Cristo per-
lor aos nossos encontros porque dão to de nós. Vocês nos dão Deus por meio
visibilidade à presença de Cristo entre dos sacramentos, da Palavra e da pre-
nós. Eles são Cristo em nosso meio, e sença! Nos motivam quando demons-
isso é uma riqueza imensurável! tram confiança em nós e nos impulsio-
Quando perguntaram a Santa Tereza nam ao serviço e ao amor ao próximo.
D’Ávila quem ela cumprimentaria pri- Os SCEs limitam nossos traços negativos
meiro se encontrasse pelo caminho um e nos ajudam a controlar nossos impul-
sacerdote e um anjo, ela sabiamente sos porque sabemos que têm as melho-
respondeu que cumprimentaria primei- res expectativas a nosso respeito e nós
ro o Sacerdote, já que Ele age in perso- queremos satisfazê-las. Assim, como o fi-
na Christie, é Cristo! lho quer dar orgulho aos seus pais, que-
remos que os SCEs nos olhem e sintam
Crescer em um lar cristão nos faz pensar
orgulho, queremos que digam que so-
na Igreja como uma extensão de nossas
mos seus porque assim nos sentimos.
casas, e isso é uma graça, já pensaram
no que é sentir a casa de Deus como Gabriela e Fernando
sua própria casa? Sabem o sentido de Eq. 05 - N. S. de Fátima
proteção, amor, respeito e educação Alfenas-MG
34 CM 527
Onde encontrar
um santo?
Onde estaria um santo enterrado? Imagi-
nava eu que em um grande santuário ou
numa bela abadia medieval ao lado de
reis e nobres. No mais modesto dos meus
pensamentos admitiria um conhecido ce-
mitério com um túmulo tão suntuoso que
de longe já avistaria.
Seria tarefa fácil encontrar o túmulo do
Padre Henri Caffarel.
Seria... seria se ele não morresse da
mesma forma que viveu: na imensidão
do silêncio daqueles que contemplam a
face de Cristo.
Seria... se ele não partisse da mesma for-
ma que chegava a todos os lugares que
ia: com a simplicidade de quem ensinava e cobrava o apelo ao essencial.
Seria... se no fim da sua vida ele não desejasse se distanciar para orar e deixar o
movimento crescer pela própria “engrenagem”.
O resultado da busca pelas belas planícies do interior da França foi uma peque-
na lápide, a última, aliás, de um cemitério pequenino à beira de uma estrada bu-
cólica. Num ermo profundo. Num silêncio ensurdecedor. Somente três datas, seu
nome e a frase “Vem e Segue-me”.
Ahhh, essa frase gritou, iluminou, esquentou... era o Cristo a falar, era um esco-
lhido de Cristo a descansar... não dava mais para conter a emoção. Padre Caffa-
rel estava ali!
E o que fomos fazer ali, afinal? Por que ir à cova de um padre que nem santifi-
cado foi ainda?
Fomos lá para dizer de perto ao padre, de modo que ele pudesse nos ouvir de voz
baixa, o que inquieta o nosso coração: “Ah, se todos conhecessem o amor do Pai”.
Fomos porque acreditamos que a ele incomodava a mesma indagação. Ele iria
nos ajudar.
No túmulo encontramos presença, mas não encontramos respostas.
Mas seguimos, e ao virar a esquina encontramos o seu último refúgio antes da
lápide.
No pequeno castelo do século XV, ladeado por uma singela capela da Sagrada
Família, com um lago ao fundo, o silêncio era ainda mais profundo. Não víamos

CM 527 35
nem encontrávamos nem um vivente, aliás foi assim quase todos os 80 quilôme-
tros que ligavam Paris a Troussures. Era uma imensidão de ausência.
Depois de muitos passos e algumas portas abertas encontramos um sorridente
frei que nos perguntou quem éramos e o que queríamos. Queríamos tanto, mas
só pedimos um pouco do que se passou ali.
Com muita alegria e o bom humor daqueles que vivem com Deus, o Frei Juan Lo-
renzo nos conduziu a uma experiência mística rumo à intimidade do Padre Caffarel.
A Casa de Oração , hoje Centro de Espiritualidade de Troussures, foi o terreno fér-
til onde Padre Caffarel semeou seu terceiro estágio de vida: o aprofundamento
(1973-1996). Esse Centro teve uma irradiação imensa para milhares de pessoas
que desejavam aprender a orar.
Passeamos pela sala, quartos, refeitório... por todos os cômodos onde o Profeta do
Matrimônio passou longas horas de oração e adoração silenciosas...acontecesse
o que fosse na sua vida transbordante de atividade, era possível estar com Deus.
Frei Juan contou-nos que o barulho incomodava extremamente padre Caffarel, es-
bravejava ao ruído dos talheres durante as refeições. Impressionante para um ho-
mem tão espiritualizado? Talvez se não conhecêssemos a lógica de seu encontro
com Cristo em 1923, encontro que determinou toda a sua vida. Dizia Henri: “Quan-
do se ama e se sente amado, aspira-se tão somente ficar a sós com o Ser amado”.
E no silêncio ficamos a sós com Deus. E no silêncio ouvimos a voz de Deus.
Ahhhh... Encontramos as respostas que buscávamos... Padre Caffarel enfim sussurrou:
“Silenciem, meus filhinhos do Brasil, a alegria de vocês é maravilhosa, mas o ba-
rulho que ela traz, muitas vezes, não os deixa ouvir a voz de Deus. O silêncio in-
terior é possível, exercite-o com paciência e suavidade. E lembrem-se, para al-
cançar esse recolhimento sagrado, os esforços de vocês não são suficientes...
contem com a Graça Divina. Esse Deus que está dentro de vocês não é um Deus
silencioso, Ele fala e Ele há de falar-vos”.
Liliane e Hugo
Eq. N. S. Aparecida
Brasília-DF 

36 CM 527
partilha e PCE

REGRA DE VIDA
POR QUE DEVEMOS ELABORAR UMA REGRA DE VIDA?
Porque através de um programa de metas a ser cumprido nós podemos
assumir um esforço pessoal para sermos melhores e mais santos. Para
alcançarmos esse objetivo é necessária muita disciplina. Para não que-
brar essa disciplina precisamos ter em mente uma MOTIVAÇÃO que su-
pere qualquer sacrifício. Se não houver essa motivação o fracasso virá
com certeza.

REGRA DE VIDA
A Regra de Vida é a coluna que sustenta
o arcabouço moral que a nossa vida alimenta
para ter fé a gente não arreda pé
é com este PCE que a luta a gente enfrenta.
Uma boa Regra de Vida pra nós é essencial,
pois a disciplina trucida as fraquezas do casal,
vamos, então, discernir como devemos agir
e com Deus interagir
na luta do bem contra o mal.
Ter boa Regra de Vida é vitória garantida
nessa batalha renhida dos pecados capitais,
peçamos que Deus ajude, com uma firme atitude,
usando bem as virtudes teologais e morais.
Começando pela FÉ que alimenta a ESPERANÇA,
fortalece a CARIDADE, dá PRUDÊNCIA e TEMPERANÇA
com retidão da JUSTIÇA, a FORTALEZA é premissa
de um tempo que não enguiça
de uma vida em segurança.
A FÉ dá ao equipista a certeza da conquista
é uma força altruísta contra a negatividade.
Se tropeça nunca cai, nunca fica, sempre vai
coloca nas mãos do Pai qualquer adversidade.
Se a FÉ nos fortalece, a ESPERANÇA aparece
como força que engrandece a certeza da vitória.
Quem aceita a provação, caminha com os pés no chão,
confia em Deus e, então, pode mudar sua história.
CM 527 37
Outra virtude fantástica pra nós é a CARIDADE
que transforma o nosso orgulho numa sublime humildade.
Nos prepara para amar, nos ensina a perdoar
e nos leva a praticar atos de boa vontade.
Quem pratica a CARIDADE, perdoa uma falsidade,
convive com a maldade em busca da comunhão.
Fica mais compreensivo, muito menos agressivo
e o efeito positivo ninguém pode medir, não.
Vem a JUSTIÇA, em seguida, mostrando o nosso dever,
nos dando um comportamento com regras do bem viver.
Ser reto, honesto e leal é a missão do casal,
é dedicação total, é isso que deve ser.
Temos, também, a PRUDÊNCIA, que ativa a consciência
e nos conduz à essência de toda a ponderação.
Nos ensina a decidir se há erros, corrigir
e nos mostra como agir em qualquer situação.
A virtude TEMPERANÇA trata da moderação
que leva o homem sensato ao controle da emoção.
Para o casal equipista é uma grande conquista,
é dever ser pacifista que fortalece a união.
Para uma boa Regra de Vida, perseverança é exigida,
paciência é requerida, face às contrariedades.
Fidelidade e firmeza contra a nossa tibieza,
somente com FORTALEZA se vencem as dificuldades.
Que o Divino Espírito Santo nos ensine a planejar,
nos faça perseverar em nossa REGRA DE VIDA,
Que a Virgem Mãe Maria, dia e noite, noite e dia
seja a nossa estrela Guia nos dando sempre guarida.

Edmilson Graciano da Silveira, da Ana Maria


Eq. 01 - N. S. do Perpétuo Socorro
Caucaia-CE

38 CM 527
formação

CORREÇÃO FRATERNA
Uma opção ou um dever?
Diria ser a correção fraterna uma exigência da vida
cristã uma vez que é lição do Evangelho: “Se teu ir-
mão pecar contra ti, vai corrigi-lo, tu e ele a
sós! Se ele te ouvir, terás ganhado o teu irmão”
(Mt 18,15).
Fato que a correção fraterna não é algo tão simples;
tal qual perdoar, são as lições mais desafiadoras da
vida cristã.
Há que se partir do referencial único que é Deus, fon-
te de misericórdia e compaixão que tudo fez e faz por
amor e bondade; nós existimos por isso e existimos
em nossa natureza humana, frágil e limitada, mas em
nós há um chamado de vivermos e sermos no AMOR.
Tomando a parábola do Pai misericordioso contempla-
mos o amor de Deus que vem ao nosso encontro com
misericórdia e compaixão: “Encheu-se de compai-
xão e, correndo, lançou-se ao pescoço dele e o
beijou com ternura” (Lc 15,20).
Meditemos este versículo à luz do mistério da Encar-
nação quando a Palavra (Jesus) se esvazia, abaixa-se
até nossa condição humana para nos amar e salvar;
é o Pai que se enche de compaixão, corre ao nosso
encontro e nos abraça amando, corrigindo, perdoan-
do e salvando.

CM 527 39
Este esvaziamento na Encarnação é a Reconciliação a
nós seres humanos, é a forma de “correção” no amor
que Deus nos faz pelo Filho Jesus, pois seu Evange-
lho sempre será correção, ensinamento de misericór-
dia e compaixão.
Portanto toda correção fraterna entre nós deverá par-
tir da atitude do esvaziamento, esvaziar-se de quê? Do
nosso EGO, pois ele é o grande obstáculo e entrave
em toda situação de vida, em todo relacionamento.
Não havendo esvaziamento do ego não haverá corre-
ção fraterna alguma, e isto vale para quem corrige e
para quem é corrigido.
A que corrige para que não se encha de orgulho, pre-
sunção em achar-se perfeito, melhor que o semelhan-
te, há que se ter humildade; a que é corrigida para
que não se torne rígida em seu orgulho ferido negan-
do aceitar a correção e armazenando raiva, mágoa, há
que se ter humildade.
Somos seres complexos, trazemos uma estrutura biop-
sicossocial e como lidar com toda esta estrutura dian-
te das possíveis e necessárias correções fraternas? Não
tenho dúvidas que a espiritualidade será o caminho
para se conseguir e esta espiritualidade deverá ser cul-
tivada pela Oração, de forma primordial a Eucaristia.
O batismo nos fez mergulhar na vida em Cristo e
por isso a necessidade de vivermos a máxima de
seus ensinamentos: “Este é o meu mandamento:
Amem-se uns aos outros, assim como eu vos
amei” (Jo 15, 12).
Nesta vida de amor-comunhão, a correção fraterna
terá seu papel de ajuda, cuidado, zelo, onde manifes-
te a presença de Deus no meio de nós. Não tem como
não fazer menção aqui à virtude da CARIDADE conce-
dida por Deus no batismo. Juntamente com a FÉ e a
ESPERANÇA, a CARIDADE será pois o vínculo e força
para se estabelecer um fraterno e eficaz momento de
correção fraterna.
Padre Ademir Zanarelli
SCE Setor Americana - Região Centro II
Americana-SP 
40 CM 527
serviços nas ENS
CRS – Casal Responsável de Setor

Definição
“Toda a responsabilidade nas Equipes é um serviço. Fomos chamados
não pelos nossos próprios méritos, mas pelo olhar que o senhor colo-
ca sobre nós.”
(O Chamado para o Serviço nas ENS, ERI, 2004)

O Setor é uma comunidade de equipes que querem ajudar-se mutua-


mente e percorrer juntas este caminho e por isso é considerado o pri-
meiro nível da comunidade maior das ENS – a vida cristã é sempre vivida
em comunidade, que é formada por uma unidade geográfica de aproxi-
madamente cinco a vinte equipes.
O Setor é o CORAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO E DA ANIMAÇÃO; por isso
é indispensável ao Movimento. O papel principal do Setor é estabele-
cer uma ligação dupla: horizontal entre as equipes constituindo o Setor;
vertical entre as mesmas equipes e todo o Movimento. Esta é conside-
rada a mais importante responsabilidade dentro do Movimento para to-
das as equipes de base.
O Responsável de Setor exerce seu serviço com o apoio de uma “Equipe de
Setor” constituída de alguns casais que fazem a ligação com as equipes de
base (Casal Ligação), e com um padre (Sacerdote Conselheiro Espiritual do
Setor). Outros casais podem ser ligados à equipe do setor para outras fun-
ções de apoio que se fizerem necessárias.
O CRS com sua equipe devem se preocupar com o desenvolvimento e o
progresso das equipes do seu Setor e verificar se os membros das equipes
estão se beneficiando ao máximo do Movimento no qual depositaram
sua confiança. Com isso, dará testemunho de Cristo. Ele é encarregado
de fazer circular a seiva do Movimento nas equipes do seu Setor e de ga-
rantir que a VIDA DAS EQUIPES SEJA FIEL AO CARISMA FUNDADOR. Esse
serviço (CRS) tem uma duração de três anos.
A responsabilidade assumida em um Setor é de ordem humana e espi-
ritual, se é necessário ser competente, é igualmente importante estar
próximo do Senhor. A oração diária, a Eucaristia e a escuta frequente
da Palavra são maneiras privilegiadas para estar atento à Sua vontade.
Qual o segredo para bem desenvolvermos esta missão? O AMOR.
Rogamos a intercessão de Nossa Senhora da Assunção para que todos
os CRS de nosso país tenham sempre um olhar amoroso e misericordio-
so como o Pai.
Leila e Fernando
CRP Leste
CM 527 41
CRS – Um serviço na graça do Senhor!
Estamos em tempo de discernimento para a escolha dos novos CRS.
Há três anos participamos deste processo em nosso Setor... Ao recebermos a lista
com os nomes dos casais que poderiam ser convidados para este serviço, constava
o nosso nome. Assustados com esta possibilidade pensamos: tem casais com mais
experiência, com mais formações, com mais disponibilidade, com mais tempo, com
maior espiritualidade, com mais fé; não seremos nós!
Eis que foi para nós o chamado de Deus para mais esta missão! Sentimentos diver-
sos nos arrebataram: medo, insegurança, incapacidade, alegria, expectativas, eufo-
ria, dúvidas, uma sensação de não conseguir corresponder às necessidades e desa-
fios desta tão grandiosa e responsável missão.
O SCE da nossa região teve papel fundamental em nossas incertezas. De forma mui-
to carinhosa nos orientou a fazermos a Escuta e Meditação da Palavra: Mt 14, 22-36.
Nos versículos 30 e 31 encontramos: “Mas, quando reparou no vento, Pedro ficou com
medo e, começando a afundar, gritou: Senhor, salva-me! Imediatamente Jesus esten-
deu a mão e o segurou. E disse: Homem de pequena fé, por que você duvidou?”. Dian-
te destas palavras de Jesus foi impossível não assumir a missão! Tivemos certeza que
nas tribulações e dificuldades, quando os ventos soprassem ao contrário e o mar esti-
vesse revolto, Jesus estaria sempre com as mãos estendidas a nos segurar.
Hoje nos preparamos para passar a missão a outro casal, pois transitoriedade é fun-
damental para que todos tenham a oportunidade de servir a Deus e aos irmãos, nos
sentimos imensamente felizes e realizados.
Foi um tempo na graça do Senhor! Conhecemos mais e melhor o Movimento, o Se-
tor, a Região, a Província. Participamos de formações que nos levaram a entender
a vontade de Deus para nós, nossa equipe e nossa família. Vivenciamos encontros
maravilhosos de oração e fé. Ouvimos testemunhos emocionantes de equipistas do
mundo inteiro. Exercemos a colegialidade com respeito e carinho à diversidade de
opiniões. Fizemos amizades com tantos e tantas até então desconhecidos por nós.
Criamos laços fraternos com todas as equipes do Setor. Sentimos o carinho de cada
casal que se prontificou a nos ajudar ou a ser ajudado pelos casais ligação. Sobretu-
do sentimos a graça de Deus e a presença carinhosa de Jesus e Maria a nos condu-
zir a cada dia, a cada etapa, a cada serviço realizado.
Jesus em sua infinita misericórdia nos deu a oportunidade de “amar com um amor
maior a Deus e aos irmãos” nos chamando para servir como CRS. Um tempo mara-
vilhoso de desafios e de alegrias como casal e como filhos amados de Deus.
Hoje temos uma certeza: o serviço como CRS nos tornou pessoas melhores, um casal me-
lhor, pais melhores, equipistas melhores e, com certeza, cristãos melhores. Gratidão a
Deus e aos irmãos de caminhada é o sentimento que toma conta dos nossos corações!
Cláudia e Fernando
CRS - Itaúna
Região Minas V - Província Leste
42 CM 527
datas do movimento

Como a mulher Samaritana encontrou de beber no poço a água


que saciaria a sua sede para sempre, Palavra viva e presente, as-
sim fomos nós para o 1º Encontro Nacional do Brasil, em Bra-
sília, sedentos de beber dos conhecimentos e cercados de uma
grande expectativa do convívio com os irmãos de todo o país e
a oportunidade do intercâmbio das culturas, da religiosidade e
espiritualidade. Como se não bastasse, nos deparamos com li-
deranças do Movimento que conhecíamos pela Carta Mensal,
nas palestras, nos grupos e pelos corredores, e foi num destes
momentos que encontramos dona Nancy, que com sua singe-
leza nos atendeu com humildade e toda atenção que lhe era
peculiar, e assim tivemos a oportunidade de beber da sua sa-
bedoria, um tesouro vivo de espiritualidade e riqueza de conhe-
cimento, que nos contagiou pela sua altivez e amor ao Movi-
mento e ainda nos brindou com uma foto que guardamos com
todo o carinho.

CM 527 43
Graças à busca de um Movimento que contemplasse a partici-
pação em casal, Dr. Pedro escreveu para o Pe. Caffarel e este
prontamente respondeu com interesse e entusiasmo recípro-
cos e teve início em 13 de maio de 1950 a primeira EQUIPE no
Brasil e o terceiro país no mundo a receber o Movimento das
ENS. Como em todo princípio, precisou superar as dificulda-
des e crises em prol da unidade do Movimento com um traba-
lho abnegado. Por isso mesmo, somos eternamente gratos ao
Casal Moncau pela coragem e PROTAGONISMO que nos pro-
porcionaram o LEGADO deste rico Movimento, nos possibili-
tando viver o cotidiano com esforço, através da Espiritualidade
Conjugal, fortalecida na Oração e alimentados pela Eucaristia,
num processo de conversão, rumo à santidade. Em fevereiro de
2003, Dona Nancy iniciou em nosso país a Comunidade Nos-
sa Senhora da Esperança, destinada não somente a viúvos, mas
também às pessoas sós.

Aproveitamos o ensejo e queremos fazer memória nos dias


15 e 18 de agosto pelos falecimentos de dona Nancy e Dr. Pedro,
que eles continuem intercedendo por todos nós junto do Pai.

E ainda nos deixou esta mensagem no encontro de Brasília:


“Deus foi amado e louvado por milhares de pessoas neste En-
contro, que já está dando muitos frutos”. E concluía: “Quando
fizerem o próximo Encontro, estarei com 100 anos. Mas, se es-
tiver viva e puder andar, já estou inscrita”.¹
Olímpia e Luiz Gonzaga
Eq. N. S. da Glória
Juiz de de Fora-MG

1 - NANCY MONCAU. Carta Mensal nº 384, pág. 4, § 2, setembro de 2003

Esclarecimento
Concurso Logomarca IV Encontro Nacional
das Equipes de Nossa Senhora
Sobre a premiação
O ganhador do concurso receberá além do certificado da comissão organiza-
dora a inscrição para participar do Encontro, sendo 2 inscrições no caso de
casal ou 1 inscrição no caso de SCE ou AE.
44 CM 527
notícias
ANIVERSÁRIO DE EQUIPE
25 ANOS

Eq. 2 - N. S.
Perpétuo Socorro
8/4/2019
Anápolis-GO

Eq. 9B
N. S. dasGraças
20/4/2019
Belém-PA

Eq. 7
N. S. de Fátima
16/5/2019
Louveira-SP

Eq. 3
N. S. de Fátima
19/4/2019
Anápolis-GO

50 ANOS

Eq. 2
N. S. Aparecida
9/8/2019
Garça-SP

CM 527 45
BODAS DE PRATA

18 4
dez abr
2018 2019

Josefa e Edilson Rosiany e Júnior


N. S. Rainha da Paz N. S. de Lourdes
Aracaju-SE Capitão Poço-PA

27 6
abr mai
2019 2019

Neia e Canela Maria Zélia e Flávio


N. S. de Nazaré N. S. Divina Pastora
São Miguel do Guamá-PA Brasília-DF

14 14
mai abr
2019 2019

Edith e Jairo Ilda e Gelson


N. S. das Graças N. S. de Lourdes
Ituiutaba-MG Água Boa-MT

11 16
jun jul
2019 2019

Micheline e Sergio Tania e Ramon


N. S. da Alegria N. S. do Rosário
Belém-PA Goiânia-GO
46 CM 527
BODAS DE OURO

29 12
jun dez
2019 2018

Heloisa e Adilson Lila e Antônio


N. S. Mãe do Belo Amor N. S. dos Navegantes
Blumenau-SC Três Corações-MG

28 19
dez abr
2018 2019

Helena e Pedro Inês e Bernardo Tasso


N. S. das Graças N. S. da Alegria
Caruaru-PB Florianópolis-SC

26 15
abr mai
2019 2019

Fátima e Airton Rita e Sérgio


N. S. Rainha do Céu N. S. Aparecida
Belém-PA Belém-PA

21 17
jun mai
2019 2019

Sidneia e Edilson Eva e Edy


N. S. da Boa Esperança N. S. Medianeira de Todas as Graças
Belém-PA Sorocaba-SP
CM 527 47
BODAS DE DIAMANTE

6
jun Lourdes e Ivens
2019 N. S. Desatadora de Nós
Belém-PA

JUBILEU DE OURO - SCE


14
dez Pe. Alvino Milani
2018 N. S. do Caravaggio
Brusque/Itajaí-SC

VOLTA AO PAI

Antônio Roberto de Olga Aparecida Michie Omomo de Alair Orlando


20/2/2019 2/5/2019
Eq. 02 - N. S. Mather Salvatoris Eq. 3b - N. S. Mãe de Deus
São Carlos-SP Araçatuba-SP

Moacir Bueno de Alzira Divina Benedito Aparecido de Irlei Aparecida


25/4/2019 5/4/2019
Eq. N. S. do Rosário Eq. 3 - N. S. Imaculada Conceição
Ituiutaba-MG Guarulhos- SP
Edwards Paiva de Vera Lúcia Gil de Lúcia
25/4/2019 9/4/2019
Eq. 35 - N. S. da Estrada Eq. 05 - N. S. do Perpétuo Socorro
Juiz de Fora-MG S. Miguel do Guamá-PA

Pe. Arlindo de Gaspari


10/5/2019
Eq. 03 - N. S. do Rosário
Limeira-SP

48 CM 527
ÍNDICE MEDITANDO EM EQUIPE
Editorial........................................................... 01 Província Centro-Oeste................................. 21 Encontrar o Amor de Deus em tudo,
Super-Região
Província Leste.............................................. 22
Província Sul I............................................... 22
mesmo em meio aos tormentos causados
Obrigado!...................................................... 02 Província Sul II.............................................. 23 pelos meus próprios pecados
Pais e Padres: Província Sul III............................................. 24
Paternidade Social, Espiritual e Pastoral........ 03
A dor de nossas faltas................................... 04 Raízes do Movimento A Palavra de Deus
“Reunidos em Meu Nome”........................... 25 -- “Se o meu povo, sobre quem foi invocado o meu Nome, se humilhar,
Transfiguração do Senhor.................................. 06
Testemunho orar, buscar a minha presença e se arrepender de sua má conduta, eu, do
A família e a infância de Henri Caffarel..........08 céu, escutarei, perdoarei seus pecados e restaurarei seu país.” 2 Cro 7, 14
A vida cristã é fundamentada no batismo..... 09 Massabielle, a Casa das Equipes................... 26
-- “Abandone o ímpio seu caminho, e o homem mau seus pensamentos, e volte ao
Trissomia do Amor......................................... 28
Encontro Mundial das Famílias Senhor, pois terá compaixão dele, ao nosso Deus, porque é rico em perdão.” Is 55, 7
Papa Francisco e o evangelho da família: O “Milagre das Trufas”.................................. 30 -- “Rasgai os vossos corações, e não as vossas roupas, retornai ao Senhor, vosso Deus, porque
o que Jesus Cristo está dizendo (Amoris Laetitia).... 10 Monsenhor Paulo Daher, ele é bondoso e misericordioso, lento para a ira e cheio de amor, e se compadece da desgraça.” Jl 2,13
não sei por onde começar............................. 32
Ecos de Fátima Reflexão
O pai viu-o e encheu-se de compaixão........... 12 Início de Caminhada..................................... 33
-- O ensinamento teológico da Santa Igreja nos ensina que nós fomos criados para Deus, para vivermos na in-
Igreja Católica Reflexão timidade do Seu Amor – nossa liberdade está em escolher a Deus. O distanciamento do homem em relação
Sexualidade Cristã..........................................14 O impacto do SCE em nossas vidas............... 34 a Deus, gerado pelo pecado, o faz perder sua identidade no seu sentido mais profundo. O pecado, cedo ou
Ano Missionário Onde encontrar um santo?............................ 35 tarde, trará dores e sofrimentos ao homem. Relutar contra Deus é desconhecer nossa origem e nosso fim.
Uma Igreja convertida e em saída................. 15 Partilha e PCE -- O pecado, isto é, as faltas contra o Amor de Deus, antes de causar a morte, gera dor, angústia, sofri-
Ó Maria, há cem anos coroada, te louvamos! Por que devemos elaborar uma Regra de Vida?..... 37 mento, espanto, remorso, tristeza, vazio... sempre a voz da consciência nos diz: “Se eu pudesse fazer de
Pernambuco e Recife sob a tua proteção!.......26 novo, faria diferente”. A dor moral é causada porque temos consciência da gravidade da ofensa contra
Formação
A Solenidade da Assunção de Maria: Deus e contra o próximo. Como você tem vivido seus momentos de dor diante das faltas cometidas? O
Correção fraterna - Uma opção ou um dever?...... 39
assumida por Deus, modelo para que vem à sua mente quando você experimenta a mesma dor vivida pelo filho pródigo?
os discípulos de Jesus.....................................17 Serviço nas ENS -- Como é evidente, as faltas geram dores, dores físicas e, principalmente, dores espirituais. Esta dor não
Vida no Movimento CRS – Casal Responsável de Setor................ 41 pode ter um caráter estritamente humano, como peso de consciência ou sensação do orgulho pessoal
Encontro Nacional de Sacerdotes e CRS – Um serviço na graça do Senhor!......... 42 ferido. A dor, ou seja, o arrependimento verdadeiro tem como fonte a certeza da ofensa cometida
Acompanhantes Espirituais 2019...........................19 Datas do Movimento contra Deus. Quando o cristão tem a consciência do Amor de Deus em sua vida, a dor pela falta
Província Norte............................................. 20 cometida é mais intensa, pois dói muito ferir a Quem nos ama. Diante das faltas cometidas, sua dor
Província Nordeste I...................................... 20 A espiritualidade de um casal protagonista........ 43
tem se limitado à sensação de que “eu não deveria ter cometido tal falta porque infringi uma lei” ou
Província Nordeste II..................................... 21 Notícias............................................................ 45
“estou sofrendo muito porque feri a Quem me ama e deu a vida por mim”? Qual tem sido a raiz do
seu arrependimento? Não se esqueça... apenas o orgulho ferido não gera arrependimento.
Oração espontânea
-- Infelizmente, temos um dado real: muitas pessoas não sentem mais a dor pela falta/pecado cometido;
é como se nada errado tivesse praticado, pois não se tem consciência sobrenatural das suas atitudes.
Carta Mensal Acesse
Carta Mensal
Peça hoje, fervorosamente, a Jesus a graça de sentir a dor pelas suas faltas/pecados e de viver um
arrependimento verdadeiro.
n o 527 • agosto • 2019 Sonora! -- Sugiro, principalmente àqueles que há muito tempo não se confessam, a procurarem um sacerdote e
fazerem uma profunda confissão. Não há verdadeiro arrependimento e dor na vida de um equipista
sem a busca do sacramento da reconciliação. Não perca tempo, vá hoje mesmo.
Carta Mensal é uma publicação periódica das Equipes de Nossa Senhora, com Registro “Lei de Imprensa”
Nº 219.336 livro B de 09/10/2002. Responsabilidade: Super-Região Brasil - Lú e Nelson - Equipe Editorial:
Oração litúrgica
ENS_CM527_miolo-capa_NB_Arag

Responsáveis: Débora e Marcos - Cons. Espiritual: Pe. Franciel Lopes - Membros: Lázara e Edison - Salmo 142 Estendo para vós as mãos,
Jornalista Responsável: Vanderlei Testa (Mtb. 17622), para distribuição interna aos seus membros. Escutai, Senhor, minha oração, de Vós minha alma está sedenta como a terra seca.
Edição e Produção: Nova Bandeira Produções Editoriais - R. Turiassu, 390, Cj. 115, Perdizes - 05005-000 - prestai ouvido à minha súplica, Apressai-Vos, Senhor, em responder-me,
São Paulo SP - Fone: 11 3473-1282 - Fax: 11 3473-1284 - email: novabandeira@novabandeira.com - Res- por vossa fidelidade e justiça, respondei-me! pois meu alento se extingue!
ponsável: Ivahy Barcellos - Revisão: Jussara Lopes - Diagramação, preparação e tratamento de imagem:
Nádia Tabuchi - Imagens: Pixabay (pp. 2, 3, 29, 30, 33, 37, 38); Can Stock Photo (1a capa, 4a capa, pp. 14, Não citeis perante o tribunal vosso servo, Fazei-me sentir, pela manhã, vossa misericórdia,
28, 29); Google (pp. 7, 9, 15, 17, 18) - Tiragem desta edição: 30.000 exs. porque, diante de Vós, nenhum ser vivo é justo! pois confio em Vós. Mostrai-me o caminho que
Cartas, colaborações, notícias, testemunhos, ilustrações/imagens devem ser enviados para ENS O inimigo persegue minha alma, eu devo seguir,
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ções para envio de material para a Carta Mensal no site ENS (www.ens.org.br) acesso Carta Mensal. relega-me às trevas, como os que há muito já morreram.
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CARTA

Ano LIX • agosto • 2019 • no 527


Entrega total a Deus
Ser padre é ser abençoado e verdadeiramente escolhido por Deus
Um pai espiritual dado pelo Senhor para nos
PATERNIDADE
guiar no caminho da salvação. é uma bênção,
Ser padre não é uma tarefa fácil! um presente da vida
Deixar tudo é entregar-se completamente
nas mãos do Senhor. Isso pede vocação, força e fé. e uma missão
O padre é um ser humano sujeito a dada por Deus
tentações, fraquezas e também emoções e sentimentos,
mas somente quem se esvazia de si mesmo
numa entrega total a Deus
Feliz Dia dos Pais!
é capaz de realizar tantos feitos
como celebrar a Eucaristia,
pregar o Evangelho, acolher os pecadores,
orientar e acompanhar como somente sacerdote sabe fazer.
Sabemos que essa missão é árdua, mas sabemos também que
a alegria do servir é maior do que todos os desafios!
Obrigado querido padre por seus ensinamentos,
por seu amor e sua proteção.
4/8/2019 – Dia do Padre

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