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ESTUDO DE VIGA DE CONCRETO ARMADO

VIGAS DE CONCRETO ARMADO:

1- Conceito: São elementos estruturais que tem como função principal receber as cargas provenientes:

- Das alvenarias e reações de lajes.

- Além dessas cargas podem também receber cargas:

• De reações de escadas;

• De pilares que nascem sobre a mesma, onde recebe o nome de viga de transição.

- De outras vigas:

• Onde a viga principal é a viga suporte (de apoio) e as vigas secundárias são as vigas apoiadas.

Na figura abaixo: Temo a viga com duas de suas funções, recebendo carga da alvenaria e reação de lajes.

Reação da laje nas vigas se dá pelas áreas de influência, formada pelas linhas de ruptura ou charneiras
plásticas.
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Pela definição da NBR 6118/03 (item 14.4.1.1), vigas “são elementos lineares em que a flexão é
preponderante, também podem surgir esforços de torção, esforços cisalhantes, tração e compressão,
isoladamente ou combinados”.

2- PRINCÍPIOS DO ESFORÇO DA FLEXÃO NAS VIGAS DE CONCRETO

Vigas e lajes quando submetido a um carregamento sofre deformações vindo da flexão variando ao longo
de sua espessura.

Consequência dessa deformação:

- Regiões com fibras comprimidas.

- Regiões com fibras tracionadas.

Regiões tracionadas e comprimidas nas vigas.

- viga simplesmente apoiada: -viga em balanço - Viga contínua


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Concreto armado: Combinação do concreto simples + Aço

A combinação desses dois materiais veio revolucionar a construção civil.

Pois:

• Coeficientes de dilatação aproximadamente iguais

• Tira-se partido de resistência a compressão do concreto

• Tira-se partido de resistência a tração do aço.

O concreto registe muito bem a compressão, porém sua resistência à tração é muito baixa, cerca de 10%
da resistência a compressão.

Se o concreto registe uma força de compressão de 200 kg/cm², sua resistência à tração é de apenas 20
kg/cm², ou 10% da compressão.

Quando uma viga está sujeita a um esforço de flexão em determinada posição da sua altura surgi uma
linha divisório que chamamos de linha neutra, que divide a zona comprimida da zona tracionada na peça.

Quando a parte superior está comprimida a armadura para combater a tração está localizada na parte
inferior, abaixo de linha neutra.

• Chamamos: armadura positiva

Quando a parte inferior está comprimida a armadura para combater a tração está localizada na parte
superior, acima de linha neutra.

• Chamamos: armadura negativa


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Na viga contínua abaixo temos nos vãos, armaduras positivam na região inferior e na região superiores
sobre os apoios armaduras negativas.
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Numa viga em forma de T, pode ter a linha neutra passando e três posiçoes o que vai determinar
como a mesma será dimensionada.

A linha neutra em vigas em formato de T, pode passar dentro da mesa, no limite da mesa e de
alma ou passando numa posição que engloba a mesa e a alma.

3- PRINCÍPIOS DO ESFORÇO DE TORÇÃO NAS VIGAS DE CONCRETO

Uma viga submetida a um esforço de torção nas suas faces surge tensões cisalhantes, cujas tensões
principais a 45° são de tração e compressão.

As tensões de tração são absorvidas pelos estribos e armaduras longitudinais e as tensões de


compressão devem serem absovidas pelo concreto comprimido.
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Uma viga de concreto armado submetida a um esforço de torção, quando fissurada surge diagonais
comprimidas que deve ser equilibrada por forças de trações nas armaduras longitudinais e nos estribos.

Algumas situações onde temos vigas submetidas à torção

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4.
4.

6
13

V
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V5
20x50

P3
P1 20x60
V5
V5

20x60
V1 25x50 V1 V1 V1

P2
20x60
561.1 20 560.8
20x40

20x40
427.5
V3

V4

P4 P5 P6
20x60 P7
20x60 20x60 20x60

V2 V2 20x40 V2
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3- PRINCÍPIO DO ESFORÇO CORTANTE NAS VIGAS DE CONCRETO.

Uma viga submetida à flexão simples, ou seja, agindo esforço de flexão e cortante ao mesmo tempo,
surgem linhas isostáticas que é o lugar geométrico cuja tangente, indica a direção das tensões principais
de tração e compressão.

• Estado biaxial de tensões e tensões principais

Umas vigas submetidas à flexão e ao esforço cortante acima da linha neutra têm tensões normais vindo da
flexão e tensões tangenciais vindo do esforço cortante, logo temos um estado biaxial de tensões e abaixo
da linha neutra temos apenas tensões tangenciais vinda do esforço cortante. As tensões principais em um
elemento infinitesimal surgem a 45°
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Uma viga de concreto armado estiver submetida ao um esforço cortante excessivo que leva a mesma a se
romper, surgem fissuras inclinadas e regiões entre as fissuras bielas de concreto comprimidas.

A figura abaixo mostra de uma maneira simplificada como os estribos numa viga combate ao esforço
cortante, à força resultante é equilibrada pela força resistente do aço que compões os estribos.
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Note no ensaio abaixo que uma viga esta sendo submetida a um aumento gradativo do esforço cortante,
como consequência, temos o surgimento e aumento das fissuras inclinadas.

Conclusão: Quando começar a surgir fissuras inclinadas próximas aos apoios é sinal que o esforço de
tração já superou a resistência à tração do concreto, se forem muito pronunciadas, devem-se tomar
providências, como reforçar os estribos na região.

Seções típicas de vigas de concreto armado.


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Nas fotos a seguir temos ensaio de duas vigas que atingiram seu estádio limite último ou de
colapso, por esmagamento do comcreto na região comprimida e abertura pronunciada das
fissuras na região inferior pelo fato da armadura já ter atingindo sua tensão de escoamento.

Na primeira situação temos muito aço, onde dizemos que a viga está superarmada,o concreto já
entrou em escoamento alem do limite máximo permitido que é de 3,5°/°°, sendo esmagado e o aço
ainda não entrou em escoamento. Situação perigosa de dimensionamento, pois o colapso se dá sem
aviso.
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4- APOIOS DAS VIGAS

As vigas podem se apoiar em:

a) Pilares

ou

b) Em outras vigas

A posição mais comum das vigas nas estruturas de concreto armado é sob as lajes. Todavia pode-se
construir a viga sobre a laje ou com a laje passando por seu intermédio.

Nesses casos têm-se as chamadas:

• Vigas normais : (Fig-a)

• Semi-invertidas: (Fig-b)

• Vigas invertidas: (Fig-c)

AS VIGAS INVERTIDAS: São utilizadas em situações nas quais se deseja que a viga não apareça na face
inferior da laje, geralmente por questões de estética.

AS SEMI-INVERTIDAS: São empregadas em situações nas quais o pé-direito ou as esquadrias limitem a


altura útil da viga e o projeto estrutural exija uma viga alta.
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Na figura abaixo, temos um exemplo de uma viga de transição, pois temos pilar nascendo sobre a mesma.
Muitas vezes se usa quando não se tenha outra solução, pois geralmente são de grandes dimensões,
onerando a obra, logo deve ser evitada.
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Observe na foto abaixo a grande dimensão de uma viga transição, pois além da carga da laje, temos
pilares nascendo na mesma.

5- FÔRMAS DE VIGAS

As fôrmas das vigas são formadas por:

1-Dois painéis das faces laterais da viga e pelo painel de fundo, escorado por pontaletes (Escoras)
verticais.
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2- A ligação entre os painéis das faces da viga e o painel de fundo é feita por gravatas, Onde temos três
travessas, duas verticais e uma horizontal.

3-As fôrmas das vigas estão ligadas diretamente às fôrmas das lajes, onde temos dois modos.

a) primeira prega-se as borda da laje sobre a borda superior da viga. Está ligação dificulta a retirada das
tábuas, poderá causar fendas no concreto.

b) Outra forma de ligação usada, melhor que a anterior, temos a forma da laje nivelada com o topo da
forma da viga, isso facilita a execução e a retirada do painel de laje.
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Estas fôrmas podem ser lançadas após a concretagem dos pilares ou no conjunto de fôrmas: pilares, vigas
e lajes, para serem concretadas ao mesmo tempo.

6- EXECUÇAO DA FORMA

A - Depois da limpeza dos painéis das vigas (tábuas), deve-se:

• Passar desmoldante com rolo ou broxa, para facilitar a desforma.

• Logo depois da desmoldagem o armazenando dos painéis deve ser de forma adequada para
impedir empenamento.

B - Lançar os painéis de fundo da viga sobre a borda das fôrmas dos pilares, depois os painéis laterais.
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C) Nivelar os painéis de fundo

D) Lançar e fixar os painéis laterais;

Os painéis laterais deverão ser contraventadas no mínimo a cada 55cm, através de gravatas, mãos
francesas etc., par evitar, no momento de vibração, a sua abertura e vazamento da pasta de cimento.
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E) Conferir e liberar para colocação e montagem da armadura.

Veja na figura abaixo o procedimento para confecção da forma das vigas onde:

1º - Colocar os painéis do fundo sobre as formas dos pilares.

2º - Colocar os painéis laterais com gravatas, atentando à tabela de espaçamento.

Na figura abaixo, temos o pavimento com todos os pilares e vigas já concretados e faltando só a
colocação das formas das lajes e para isso deixamos a parte superior da viga sem concretar com uma
altura da espessura da laje que servira de nível para colocação das formas das mesmas.
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F) Depois de colocada a armadura dentro da forma posiciona-se os espaçadores a fim de garantir as


dimensões internas e o recobrimento da armadura.

G) Por fim: Conferir o conjunto, as partes e liberar para concretagem, verificando principalmente:

1)- Alinhamento lateral.

2)- Prumo.

3)- Nível.

4)- Imobilidade e travejamento.


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5)- Estanqueidade. Se não há como vazar a água de amassamento do concreto

6)- Armaduras: Se estão bem posicionada e espaçamento dos estribos conforme o projeto.

7)- Espaçadores: Se estão colocados e com espaçamento adequado de modo a evitar que a armadura
encostar na forma.

8)- Esquadro e limpeza do fundo da forma.

7- ITENS A SEREM OBSERVADOS NA EXECUÇÃO DE VIGAS

1-Os painéis laterais deverão ser contraventadas no mínimo a cada 50 cm, através de gravatas, mãos
francesas etc., par evitar, no momento de vibração, a sua abertura e vazamento da pasta de cimento.

2-Verificar a estanqueidade das fôrmas, Limpar as fôrmas e molhá-las antes de concretar, evitando assim
absorção da água de amassamento do concreto.

Estanqueidade das juntas com; mata junta nos cantos e fitas adesivas nas emendas laterais, evitar uso de
sacos de cimento ou jornal amassados.

3-As vigas deverão ser concretadas de uma só vez, caso não seja possível, fazer as emendas à 45º.
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4-As emendas de concretagem devem ser feitas de acordo com a orientação do Engenheiro calculista.
Caso contrário, a emenda deve ser feita a 1/4 do apoio, onde geralmente os esforços são menores.

5-Devemos evitar as emendas nos apoios e no centro dos vãos, pois os momentos negativos e
positivos, respectivamente, são máximos.

6- Dependendo do tipo de viga (intermediária ou periférica) executar o travejamento da fôrma por meio de
escoras inclinadas, chapuz, tirantes ou travamento com arame recozido n° 10 ou 18 nas vigas periféricas.

8- ESPAÇADORES PARA DAR O COBRIMENTO DA ARMADURA

Função: Garantir o cobrimento adequado das armaduras pelo concreto, assim evitando oxidação precoce
das mesmas.

Dentre os tipos de espaçadores

a) Feitos de argamassas: De fácil produção, porém quebradiço. Está em desuso.

b) Plásticos: Proporcionam grande aderência ao concreto devido aos seus formatos, além de manter a
estrutura uniforme, porém tem um custo maior.

Ilustração das pastilhas e espaçadores mais comumente empregados na produção do concreto armado.
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Consequências de cobrimentos insuficientes.

9- ARMADURAS DE AÇO USADAS NAS ESTRUTURAS DE CONCRETO

As armaduras podem ser divididas segundo sua laminação em Barras e Fios e de acordo com suas
propriedades mecânicas de acordo com sua tensão de escoamento.

Barras- São produzidas por laminação a quentes e comercializadas em barras de 12m e diâmetro mínimo
de 6,3mm

-De acordo com as suas propriedades mecânicas são classificadas em:

CA 25: Tensão de escoamento de 25MPA

CA 50: Tensão de escoamento de 50MPA


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Bancada para confecção das armaduras:


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10- DISPOSIÇÃO DAS ARMADURAS DENTRO DA FORMA NAS VIGAS.


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As armaduras das vigas são geralmente compostas por estribos, chamados “armadura transversal”, e por
barras longitudinais, chamadas “armadura longitudinal”, de combate à tração e armadura de pele ao longo
da lateral de vigas com altura superior a 60 cm, para evitar fissuras laterais, como indicadas na figura
abaixo.
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Quando o cimento não for de alta resistência inicial ou não for colocado aditivos que acelerem o
endurecimento e a temperatura local for adequada, a retirada das fôrmas e do escoramento não deverá
ser feito antes dos seguintes prazos:

1- Faces laterais: 3 dias

2- Retirada de algumas escoras: 7 dias

3- Faces inferiores, deixando-se algumas escoras bem encunha-

das: 14 dias

4- Desforma total, exceto as do item abaixo: 21 dias.

5- vigas e arcos com vão maior do que 10 m: 28 dias

A desforma de estruturas mais esbeltas deve ser feita com muito cuidado, evitando-se desformas ou
retiradas de escoras bruscas ou choques fortes.
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11- VIGA BALDRAME

DEFINIÇÃO: São as vigas do pavimento térreo que serve de ligações entre os elementos de fundação,
blocos, sapatas, proporcionando travamento entre os mesmo, podendo receber cargas de paredes como
as demais vigas do pavimento.

Impermeabilização de vigas baldrame:

A umidade ascendente (de solo) percola através dos minúsculos vasos existentes na maioria dos materiais
de construção (tijolos cerâmicos, concretos, rebocos, pedras naturais, etc.) devido ao fenômeno designado
por absorção por capilaridade e exerce pressão hidrostática negativa sobre a alvenaria, comprometendo
visualmente e estruturalmente as estruturas em contato com solo.

Por isso, devemos impermeabilizar as vigas no topo e laterais, a 1° fiada de tijolos também é
impermeabilizado. O ideal é assentar as duas primeiras fiadas, misturando um aditivo impermeabilizante
na argamassa assentamento. Duas demãos bem aplicadas são suficientes para um bom isolamento do
baldrame a penetração da unidade.
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Impermeabilização de vigas baldrame:

Após a viga baldrame ter sido concretada e curada, aplica-se asfalto quente derretido no topo e nos lados,
para uma proteção extra contra a umidade. Com isso evitar-se que a umidade suba por capilaridade para
o rodapé das paredes é um dos pontos essenciais em uma construção.
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Todas as vigas baldrames, e principalmente os blocos de estacas, sapatas, não devem, suas armaduras,
serem apoiadas diretamente sobre o solo. Porque as armaduras poderão ficar descobertas pelo concreto o
que ocasionará a corrosão.

Para que isso não ocorra recomendamos que seja colocado no fundo das valas uma camada de concreto
magro (lastro de concreto não estrutural) traço 1: 3:5 Fa/c= 0.88 (44 L)

A brita poderia ser utilizada como lastro, mas os vazios formados pela elevada granulometria faz com que
a pasta de cimento escoe, formando vazios no concreto “ninhos de concretagens”, podendo deixar as
armaduras expostas. Veja figura a seguir.

Prof. Maxwell Marques Carvalho.