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GUIA DE PLANEJAMENTO DE

SOLUÇÕES EDUCACIONAIS
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Presidente do Conselho Deliberativo


Adelmir Araujo Santana

Diretor Presidente do Sebrae Nacional


Paulo Tarciso Okamotto

Diretor Técnico do Sebrae Nacional


Luiz Carlos Barboza

Diretor de Administração e Finanças do Sebrae Nacional


Carlos Alberto dos Santos

Gerente da Unidade de Capacitação Empresarial


Mirela Malvestiti

Coordenação
Daniela Cristina Mendes Batista

Versão original
Maria Lucia Scarpini Wickert

Atualização
Eliana Pessoa

Editoração Eletrônica
i-Comunicação Integrada
SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO ........................................................................................................5

1. CONTEXTUALIZAÇÃO ............................................................................................7

2. DIRETRIZES PARA PLANEJAMENTO DAS AÇÕES EDUCACIONAIS .................9

2.1 DEFINIÇÃO E SEQUENCIAMENTO DOS TEMAS E CONTEÚDOS ...............10

2.2 DESCRIÇÃO DAS COMPETÊNCIAS ..........................................................10

2.2.1 DESCRIÇÃO DAS COMPETÊNCIAS DE NATUREZA COGNITIVA .........12

2.2.2. DESCRIÇÃO DAS COMPETÊNCIAS DE NATUREZA ATITUDINAL .......15

2.2.3. DESCRIÇÃO DAS COMPETÊNCIAS DE NATUREZA OPERACIONAL ........19

2.3 DEFINIÇÃO DAS ESTRATÉGIAS DIDÁTICAS ...............................................27

2.3.1 ESTRATÉGIAS DE ORIENTAÇÃO DE ESTUDO .............................................27

2.3.2 ESTRATÉGIAS DE CONTEXTUALIZAÇÃO ......................................................28

2.3.3 ESTRATÉGIAS DE CONEXÃO ..........................................................................28

2.3.4 ESTRATÉGIAS DE COMPREENSÃO E SIGNIFICÂNCIA ...............................29

2.3.5 ESTRATÉGIAS DE INTERAÇÃO E MOTIVAÇÃO ............................................30

2.3.6 ESTRATÉGIAS METACOGNITIVAS ..................................................................30

2.3.7 ESTRATÉGIAS MATEMAGÊNICAS OU AUTÊNTICAS ...................................31

2.3.8 ESTRATÉGIAS DE ENSAIO – CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO .........31

2.3.9 ESTRATÉGIAS PARA CONSOLIDAÇÃO DA APRENDIZAGEM .....................32

2.3.10 ESTRATÉGIAS DE AVALIAÇÃO E MONITORAMENTO DO


DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS ........................................................32

2.3.11 DICAS PARA A ELABORAÇÃO DAS ESTRATÉGIAS ....................................33

SUGESTÕES PARA LEITURA COMPLEMENTAR ...................................................35

ANEXOS .....................................................................................................................36
ANEXO A: EXEMPLO DE APLICAÇÃO DO MAPA MENTAL ...................................37

ANEXO B: ORIENTAÇÕES PARA UTILIZAÇÃO DO BRAINSTORMING ................44

ANEXO C: ORIENTAÇÕES SOBRE O CICLO DE APRENDIZAGEM


VIVENCIAL – CAV .......................................................................................................45
APRESENTAÇÃO

Os Referenciais Educacionais do SEBRAE apresentam as diretrizes orientadoras de


sua ação educacional direcionada para o desenvolvimento humano mais harmonioso
e contemplando as múltiplas dimensões do ser humano: saber conhecer, saber fazer
e saber ser/conviver, com ênfase no desenvolvimento das competências necessárias
ao sucesso dos empreendedores do século XXI.

Para que a concepção educacional integrada, presente nos Referenciais Educacionais


do SEBRAE, seja mais do que uma leitura que conduza à reflexão e possa constituir-
se em diretriz para mudanças na práxis da instituição, procedeu-se à explicação dos
fundamentos operacionais que permitem a sua aplicação. Como as idéias somente
apresentam seu máximo valor ao se concretizarem, espera-se que esse documento
contribua para dar expressividade à teoria e, assim, facilite a ação dos educadores,
colaboradores e consultores no planejamento da elaboração, atualização, transposição
ou customização de uma solução educacional, fundamentada nos Referenciais
Educacionais do SEBRAE.

Este GUIA DE PLANEJAMENTO DE SOLUÇÕES EDUCACIONAIS contém as


diretrizes gerais consideradas adequadas para o planejamento e elaboração de
soluções educacionais da Matriz de Soluções Educacionais, tanto no que se refere
à modalidade presencial e semipresencial, como no planejamento e elaboração de
materiais de estudo para a educação a distância, viabilizada por meios radiofônicos,
impressos, vídeos, Internet ou por um mix destes meios.

A atitude transformadora dos elaboradores, por meio de sua expressão criativa,


promoverá o enriquecimento dos materiais educacionais, pois as diretrizes didáticas
operacionais apenas mostram o caminho, e este será tanto mais motivador, fácil e
agradável de ser percorrido quanto mais se observar a complementaridade entre a
competência prática e a criatividade.

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1. CONTEXTUALIZAÇÃO

Existe uma relação direta entre saber como a pessoa aprende e como devem ser
desenvolvidos os materiais didáticos para facilitar esta aprendizagem. Desse modo,
uma das regras essenciais para os elaboradores é favorecer o maior protagonismo
dos participantes nas soluções educacionais do SEBRAE e nos materiais para estudo,
quer seja para o presencial, semipresencial ou à distância.

Todos os materiais de estudo para as soluções educacionais do SEBRAE devem ser


estruturados em consonância com os seguintes princípios:

Foco no desenvolvimento de competências: preparar atividades e estratégias


educacionais que promovam a integração do pensar crítico, do pensar criativo e
da aplicação de conhecimentos pelo empreendedor.

Intencionalidade da ação educacional: considerar o empreendedor como


o propósito central da capacitação, considerando suas características,
necessidades, ambiente sociocultural, modos e condições de estudo, níveis
de motivação, habilidades e conhecimentos, atitudes e competências já
desenvolvidas.

Aplicabilidade dos temas abordados: conceber estratégias de aprendizagens


que propiciem a aplicação prática dos temas abordados no dia-a-dia da gestão
dos pequenos negócios de forma que a ação educacional possa ser um guia
prático ou manual de orientação para o empreendedor.

Concentração no essencial: selecionar e agrupar de forma efetiva os temas


fundamentais na gestão de pequenas empresas, que sejam referências para
consulta permanente do empreendedor.

Reconhecimento da influência da cultura na aprendizagem: considerar as


condições culturais locais e comunitárias, o modo de vida, práticas e saberes
construídos na dinâmica social dos empreendedores.

Efetividade da ação educacional: produzir ganhos e benefícios concretos para


o negócio e as necessidades dos empreendedores.

A eficácia mede a relação entre os resultados obtidos e os objetivos pretendidos,


ou seja, ser eficaz é conseguir atingir um dado objetivo. Enquanto que a eficiência
refere-se a relação entre os resultados obtidos e os recursos empregados. Para
alcançar a eficiência e a eficácia desejadas, os materiais de estudo para as soluções
educacionais precisam ser muito bem planejados e estruturados. É um trabalho para
ser desenvolvido por uma equipe multidisciplinar. Os membros da equipe – cada qual
com suas atribuições – planejam, executam, implementam e avaliam o produto final.

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Cada etapa de elaboração do material de estudo é acompanhada e avaliada por
todos os membros da equipe multidisciplinar e, somente após aprovação, inicia-se
a produção da etapa subseqüente.

Quando a equipe de profissionais do SEBRAE se dispõe a criar um material de estudo,


já tem uma temática, fruto de expectativas e necessidades identificada pelas Unidades
do SEBRAE, que lidam diretamente com empresários de diversos setores, e, portanto,
dimensionam o impacto desejado com a solução educacional a ser desenvolvida.
Ao iniciar o planejamento, já se conhece o perfil das pessoas que constituirão o público-
alvo do tema selecionado, seus valores, atitudes e as competências que possuem.

Este Guia possui como propósito desdobrar os REFERENCIAIS EDUCACIONAIS


em procedimentos didáticos essenciais no planejamento das soluções educacionais
do SEBRAE. As orientações e procedimentos metodológicos e operacionais para a
elaboração de materiais de aprendizagem das ações educacionais são detalhados
nas metodologias de soluções educacionais, as quais devem ser utilizadas de forma
conjunta com este Guia para que possamos ter uma Educação Empreendedora de
Qualidade.

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2. DIRETRIZES PARA PLANEJAMENTO DAS AÇÕES
EDUCACIONAIS

A ação da equipe multidisciplinar envolvida no planejamento e elaboração da ação


educacional deve ser realizada de forma integrada e harmônica. O planejamento das
soluções educacionais possui como ponto de partida as expectativas e necessidades
do público alvo sintetizadas no diagnóstico da demanda, que devem ser conhecidas e
discutidas pela equipe elaboradora.

Na produção de material de estudo, seja ele autônomo, semipresencial ou presencial,


o passos a serem trilhados pela equipe são:

1. Definição e seqüenciamento lógico dos temas/conteúdos a serem abordadas


em função das competências a serem desenvolvidas.

2. Descrição das competências a serem desenvolvidas na capacitação e nos


encontros em relação às necessidades identificadas de capacitação.

3. Definição das estratégias didáticas mais adequadas para o desenvolvimento


das competências.

4. Desenvolvimento dos materiais de aprendizagem, o qual é tratado de forma


detalhada nos seguintes documentos:

METODOLOGIA DE CUSTOMIZAÇÃO DE SOLUÇÕES


EDUCACIONAIS PARA SETORES ESPECÍFICOS

METODOLOGIAS DE DESENVOLVIMENTO DE SOLUÇÕES


EDUCACIONAIS PRESENCIAIS

METODOLOGIA DE TRANSPOSIÇÃO DE SOLUÇÕES


EDUCACIONAIS PARA INTERNET

METODOLOGIA DE PALESTRAS GERENCIAIS

METODOLOGIA DE DESENVOLVIMENTO DE KITS EDUCATIVOS.

Neste Guia serão tratados os três primeiros passos, tendo em vista que o quarto passo
depende do tipo da solução a ser desenvolvida e, portanto envolve procedimentos
distintos em sua elaboração.

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2.1 DEFINIÇÃO E SEQUENCIAMENTO DOS TEMAS E
CONTEÚDOS

Envolve a decisão pela equipe multidisciplinar sobre os conhecimentos, idéias, conceitos


e princípios a serem explorados na solução educacional, de forma contextualizada com
a realidade do público alvo, numa relação intrínseca entre teoria e prática.

Para selecionar e seqüenciar os temas e conteúdos adequados ao tema e contexto da


solução educacional, deve-se levar em consideração o perfil do público alvo e a carga
horária.

A técnica de planejamento considerada mais adequada é a do mapeamento mental,


a qual permite uma visão do conjunto de temas/conteúdos nas quais os participantes
devem desenvolver competências, além de possibilitar a visualização dos temas
correlatos a serem estudados e as conexões e inter-relações possíveis entre os temas e
competências. Um exemplo de aplicação da técnica pode ser visualizado no Anexo A.

2.2 DESCRIÇÃO DAS COMPETÊNCIAS

O processo de educação empreendedora, por meio do desenvolvimento de


competências, é centrado na aprendizagem dos participantes, visando a sua atuação
enquanto pessoas, profissionais e como cidadãos.

O modelo de competências na educação empreendedora no SEBRAE possui como eixo


articulador a integração da teoria e prática que possibilite a aplicação e compreensão
dos diferentes saberes no contexto real dos participantes. A formação de competências
implica a contextualização do saber e a utilização de situações-problemas reais.

A competência resulta da mobilização, por parte do indivíduo, de uma combinação de


recursos ou insumos. E a pessoa expressa a competência quando gera um resultado no
trabalho, decorrente da aplicação conjunta de conhecimentos, habilidades e atitudes,
consideradas como as dimensões da competência. Como pode ser visualizado na
figura 1, o conhecimento está relacionado àquilo que se sabe; as habilidades, àquilo
que se sabe fazer e as atitudes, àquilo que se quer fazer.

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DIMENSÕES DA COMPETÊNCIA

Conhecimento SABER

Tomar conhecimento de uma realidade

Habilidade SABER FAZER

Aprender a exercer uma atividade

Atitude QUERER FAZER

Exercer a atividade de forma plena

Figura 1: As dimensões da competência

No SEBRAE, conceituou-se “competência” como a faculdade de mobilizar


conhecimentos/saberes, atitudes e habilidades/procedimentos levando em conta
um desempenho satisfatório em diferentes situações de vida: pessoais, profissionais
ou sociais.

COMPETÊNCIA

Capacidade de mobilizar

conhecimentos/ atitudes habilidades


saberes

Dimensão de natureza

cognitiva atitudinal operacional

Desempenho satisfatório

Diferentes situações de vida: pessoais, profissionais


ou sociais.

Figura 2: Conceito de competência para o SEBRAE

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O desenvolvimento das competências envolve a mobilização de esquemas cognitivos,
atitudinais e operacionais, diante de um determinado contexto. Razão pela qual
o detalhamento das competências que serão trabalhadas depende do tema a ser
abordado na solução educacional e da realidade do participante, os quais podem
determinar a necessidade de dar maior ênfase a uma das dimensões (cognitiva,
atitudinal e operacional), embora todas devam ser contempladas na solução
educacional. As dimensões são interdependentes e podem ser abordadas de acordo
com as características específicas de cada tema.

2.2.1 DESCRIÇÃO DAS COMPETÊNCIAS DE NATUREZA


COGNITIVA

Aprender a conhecer refere-se à interpretação e representação da realidade por


meio da aprendizagem de conceitos, princípios, fatos, proposição e teorias, cultivando
simultaneamente a visão global e contextualizada e o domínio de assuntos específicos
da área de atuação do participante.

O objetivo da dimensão: aprender a conhecer é estimular o desenvolvimento do


pensamento superior reflexivo e crítico, mediante a investigação e organização do
conhecimento, ou seja, aprender a conhecer e a pensar, mobilizando os próprios
instrumentos do conhecimento. Ao trabalhar com as informações, o sujeito ativa a
geração de esquemas estruturais mentais, aperfeiçoando o uso da dimensão cognitiva,
para lidar com as situações profissionais ou pessoais de estudo e pesquisa.

DIMENSÃO DE NATUREZA COGNITIVA


Aprender a conhecer - pensar crítico
Capacidade de mobilizar

Conhecimentos gerais, específicos e tecnológicos


Esquemas estruturais cognitivos de: análise, argumentação,
julgamento, discernimento, formulação de hipóteses
Raciocínio analítico, raciocínio conceitual e raciocínio Lógico

Para
Resolver/abordar situações complexas

Desempenho profissional

Figura 3: Dimensão de natureza cognitiva

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O estímulo ao desenvolvimento da competência de aprender a conhecer é
propiciado pela construção de conhecimentos gerais, específicos e tecnológicos,
mediante atividades lógico-racionais que mobilizam esquemas mentais.

Verbos a serem utilizados na descrição de competência de


natureza cognitiva
Analisar Descrever Justificar
Argumentar Destacar Observar
Associar Distinguir Ordenar
Analisar Dimensionar Organizar
Avaliar Deduzir Posicionar-se
Caracterizar Discernir Questionar
Categorizar Estabelecer correlações Reconstruir
Classificar Exemplificar Relacionar
Codificar Explicar Resumir
Comparar Expressar conhecimentos Representar
Compreender Formular hipóteses Revisar
Comunicar Fundamentar Selecionar
Conhecer Identificar Sistematizar
Contextualizar Interpretar Tomar decisões
Criticar Julgar

Muito mais importante do que a simples utilização dos verbos sugeridos na descrição
das competências cognitivas é a compreensão pela equipe multidisciplinar da essência
da competência de natureza cognitiva, que pode ser visualizada na figura 3. Desta
forma, ao se descrever competências cognitivas deve-se ter como pressuposto
ações que efetivamente mobilizem o pensamento critico e reflexivo dos participantes,
em relação ao tema e contexto da solução educacional.

Portanto, a descrição de competências envolve muito mais do que simplesmente


registrar um verbo. Os profissionais responsáveis pela elaboração da solução
educacional precisam focar em ações lógico-racionais a serem mobilizadas pelos
participantes para abordar ou resolver uma determinada situação em seu desempenho
profissional.

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Exemplos de descrição de competências:

Dimensão de natureza cognitiva

Analisar a influência dos outros setores da empresa nos resultados financeiros.

Analisar o visual da loja, com base nos conceitos e técnicas, para melhorar a
exposição dos seus produtos, tornando a empresa mais competitiva.

Analisar os fatores que influenciam no processo de decisão de compra do cliente,


para auxiliá-lo no momento mais adequado.

Avaliar a sua empresa em relação aos indicadores empresariais de inovação.

Caracterizar os riscos financeiros e as alternativas para solucionar eventuais


dificuldades financeiras.

Compreender como o cuidado na preparação do ambiente da sua loja influencia na


decisão de compra do cliente.

Compreender os conceitos relativos à inovação e os processos de gestão da


inovação no contexto da pequena empresa.

Compreender os valores, princípios e instrumentos indispensáveis ao sucesso de


um empreendimento coletivo.

Conhecer a ferramenta básica que facilita o diálogo com o cliente na identificação


de suas necessidades.

Estabelecer correlações entre a forma de atuação da empresa no mercado e os


aspectos que o cliente mais valoriza, para se manter competitiva no mercado.

Identificar possíveis perdas e gargalos de produção.

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2.2.2 DESCRIÇÃO DAS COMPETÊNCIAS DE NATUREZA
ATITUDINAL

O objetivo é estimular o conhecimento e o desenvolvimento das potencialidades


individuais – de ser pessoa, de conviver e de perceber a realidade. Desenvolver a
consciência individual e social é mais que um objetivo parcial, trata-se de fortalecer a
reflexão, o autoconhecimento, a criatividade, e, ao mesmo tempo, buscar sentido nas
metas sociais e de auto-realização.

DIMENSÃO DE NATUREZA COGNITIVA


Aprender a Conhecer - Pensar Crítico

Capacidade de mobilizar

Crenças, sentimentos, emoções e comportamentos positivos.


Pensamento inovador, criativo, sistêmico e projetivo.
Comportamentos empreendedores.
Atitudes de autoconfiança, autodesenvolvimento,
compromentimento, iniciativa, proatividade, objetividade,
flexibilidade, parceria, cooperação, diálogo, comunicação,
persuasão, negociação, respeito à individualidade e diversidade,
relacionamento interpessoal, autonomia, liderança, integridade,
responsabilidade, honestidade.
Princípios éticos e valores da equipe e da organização.

Para
Resolver/abordar situações complexas
Desempenho profissional

Figura 4: Dimensão de natureza atitudinal

A dimensão atitudinal trabalha com conceitos de interdependência e inter-relacionamento


entre os seres. Abrange o estudo sobre a teia de relações ecológicas, sociais, políticas,
profissionais, mercadológicas, de comunicação, culturais e afetivas que caracterizam a
profunda interdependência entre os seres vivos entre si e com o meio ambiente.

As competências de natureza atitudinal, que correspondem à dimensão: saber ser/


conviver, incluem habilidades e atitudes pessoais necessárias para ser, tanto no que se
refere à perspectiva ontológica, quanto desenvolver potencialidades e conviver, isto é,
interagir com as pessoas, criar e melhorar processos organizacionais. Estas habilidades

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permeiam as relações internas e externas de uma organização e representam o seu
capital relacional – que é o valor do conhecimento que cria, mantém e aprimora os
relacionamentos.

Vivemos em um mundo onde, cada vez mais, as pessoas dependem umas das outras.
O que torna indispensável aprender a conviver e a agir em sinergia, em um ambiente
de contínua aprendizagem que prepara as pessoas para a resolução de conflitos,
o autoconhecimento, a descoberta progressiva do outro e para o cultivo da harmonia.

As competências relacionadas à dimensão atitudinal referem-se à disposição interna e


envolvem o desenvolvimento de:

Atitudes voltadas para a eficiência e eficácia pessoal: envolvendo auto-


estima, objetividade, prioridade, comunicação, desafio, autonomia, liderança,
integridade, cidadania, capacidade crítica, responsabilidade, honestidade,
proatividade, autocrítica, autoconhecimento, autoconfiança, orientação para
mudanças e avaliação das próprias competências.

Atitudes de inovação e criatividade: predispondo a elaborar novas idéias,


a ter autonomia para definir estratégias de trabalho, a manter intercâmbio de
idéias, experiências e conhecimentos. É importante potencializar a flexibilidade,
a fluidez, a originalidade, a espontaneidade e a sensibilidade que são condições
essenciais ao pensamento criativo. Predisposição para aprender a conhecer,
aprender a ser, a conviver e a fazer.

Atitudes empreendedoras: independência, autoconfiança, iniciativa,


persistência, comprometimento, exigência de qualidade e eficiência e
predisposição para planejar e estabelecer metas, buscar oportunidades e
informações e estabelecer redes de contatos.

Atitudes no contato com o outro: relacionamento interpessoal, flexibilidade,


simplicidade, tolerância, coerência, convivência, participação, interação,
colaboração (o mesmo que prestatividade, palavra que não encontramos nos
dicionários), envolvimento, compartilhamento, imparcialidade, solidariedade,
fraternidade, respeito à diversidade, gentileza, lealdade, amizade, receptividade
e estabelecimento de parcerias.

Atitudes orientadas para o público externo: orientação segundo o ponto de vista


do outro, busca de soluções inovadoras, sustentação de parcerias, negociação,
estabelecimento de laços, sinergização, responsabilidade social, tolerância a
posicionamentos contrários, predisposição para ouvir o outro e estímulo ao
diálogo.

Atitudes orientadas para a ética: que envolvam realização espiritual, justiça,


paz, harmonia consigo e com os outros e responsabilidade com o meio
ambiente.

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Verbos a serem utilizados na descrição de
competência de natureza atitudinal
Aceitar como importante ou valoroso... Identificar-se com valores...
Acreditar na importância.... Influenciar pessoas a adotarem...
Adotar comportamentos... Interagir
Adotar postura... Julgar a importância de
Adotar postura favorável às mudanças... Julgar como relevante
Apreciar... Participar...
Apoiar... Perceber a importância de
Assumir postura... Persuadir
Atender as pessoas com.... Posicionar-se favorável a...
Buscar o autoconhecimento para.... Predispor-se a...
Buscar solução inovadora para... Reconhecer a importância de...
Concordar em rever posicionamentos
Refletir sobre as atitudes...
sobre...
Descobrir alternativas (criar) Responder de forma favorável a...
Defender aplicação de... Rever padrões...
Defender atitudes... Revisar costumes e hábitos...
Defender de forma favorável... Selecionar atitudes e postura de...
Desenvolver atitudes de.... Sensibilizar-se com...
Envolver-se... Tomar consciência...
Escolher de forma consciente... Usar de flexibilidade na...
Escutar de forma ativa... Usar a criatividade como...
Favorecer o desenvolvimento de...

Muito mais importante do que a simples utilização dos verbos sugeridos na descrição
das competências atitudinais é a compreensão pela equipe multidisciplinar da essência
da competência de natureza atitudinal, que pode ser visualizada na figura 4. Desta
forma, ao se descrever competências atitudinais deve-se ter como pressuposto ações
que efetivamente mobilizem o pensamento criativo dos participantes, em relação ao
tema e contexto da solução educacional.

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Portanto, a descrição de competências envolve muito mais do que simplesmente registrar
um verbo. Os profissionais responsáveis pela elaboração da solução educacional
precisam focar em ações que envolvam a reflexão, o autoconhecimento e a criatividade
a serem mobilizadas pelos participantes para abordar ou resolver uma determinada
situação em seu desempenho profissional.

Exemplos de descrição de competências:

Dimensão de natureza atitudinal

Adotar atitude proativa no desenvolvimento da equipe de vendas.

Adotar atitudes que favoreçam a implementação de estratégias e práticas da gestão


da produção, visando melhoria do resultado operacional do seu negócio.

Adotar atitudes que favoreçam o compartilhamento de idéias, experiências e


conhecimentos em sua equipe.

Desenvolver a criatividade e a autonomia para definir estratégias de trabalho


adequadas ao seu negócio.

Desenvolver atitudes proativas para solução de problemas levantados nas análises


financeiras.

Envolver-se na busca de possíveis ações para implantação de gestão da inovação


em sua empresa.

Envolver-se nas decisões do grupo, de forma flexível e assertiva.

Estar receptivo às novas idéias e paradigmas de negócio.

Identificar-se com questões relativas à responsabilidade social e ambiental.

Influenciar pessoas a adotarem atitudes de sinergia e parceria.

Julgar como importante o planejamento de forma estruturada e sistemática da


produção da sua empresa.

Julgar como relevante a avaliação das próprias competências.

Organizar-se para escutar de forma ativa as pessoas.

Predispor-se a aceitar e adotar práticas de estímulo à inovação na empresa.

Predispor-se a elaborar novas idéias.

Predispor-se a participar das decisões do grupo.

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Reconhecer a importância da gestão do visual da sua loja como uma estratégia
para incrementar as suas vendas.

Refletir sobre a responsabilidade de sua participação no processo de constituição


do empreendimento coletivo.

Refletir sobre suas atitudes diante de comportamentos emocionais e/ou racionais


do cliente para manter um relacionamento produtivo.

Responder de forma favorável aos posicionamentos das demais pessoas que sejam
contrários ao seu.

Rever padrões pré-estabelecidos que não estejam em consonância com o trabalho


em parceria.

Rever posições que favoreçam o trabalho em parceria.

Tomar consciência da importância da inovação para a competitividade da sua


empresa.

Usar o diálogo como forma de sustentação das relações em sua equipe.

2.2.3 DESCRIÇÃO DAS COMPETÊNCIAS DE NATUREZA


OPERACIONAL

Aprender a fazer é de capital importância para o desempenho do indivíduo em seu


meio social e profissional, principalmente na área empresarial, quando aprende algo
para em seguida desenvolver competências importantes em sua empresa.

Cada pessoa dispõe de um conjunto individualizado de competências técnicas, acionadas


para atuar com sucesso nos negócios, ou em sua área específica na organização,
mas, junto a essas competências é necessário, continuamente, desenvolver outras,
de acordo com a diversidade das situações que se apresentam no trabalho.

O desenvolvimento de competências operacionais articula fatores de ordem cognitiva,


atitudinal e psicofísica – relações funcionais entre a mente e a representação física.
Essas habilidades definem o que e como fazer e, na empresa, é o valor da aplicação
prática responsável pelo funcionamento adequado da organização.

Na aprendizagem envolvendo o desenvolvimento de competências, a aplicação pode


ser exercitada em atividades vivenciais, simulações, situações-problema, estudos de
caso, resolução de problemas, testagem de hipóteses, desenvolvimento de projetos
ou realização de planejamentos, em que o participante contextualiza o conhecimento e
acrescenta seus saberes pessoais.

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A competência do ‘Saber fazer’ é demonstrada pelo participante ao mobilizar,
em situações específicas, seus conhecimentos, que tanto podem ser da área
operacional (técnicos), da área atitudinal (relacionados a ser/conviver) ou relacionados
à área cognitiva (saber conhecer). Como a mente funciona de forma integrada, o mais
comum é que na aplicação, a pessoa mobilize de maneira integrada os conhecimentos
de natureza cognitiva e atitudinal.

DIMENSÃO DE NATUREZA COGNITIVA


Saber fazer – pensar operacional

Capacidade de mobilizar

Aplicação de conhecimentos de natureza cognitiva,


atitudinal e operacionais.
Capacidades, habilidades e destrezas de orientação para
resultados, orientação para a qualidade, gerenciamento de
equipes, liderança, autogerenciamento, aplicação de estratégias,
processo decisório, eficiência técnica, prática dos valores
organizacionais, concretização.
Raciocínio pragmático e raciocínio de resolução de problemas.

Para
Resolver/abordar situações complexas
Desempenho profissional

Figura 5: Dimensão de natureza operacional

O desenvolvimento das competências na dimensão operacional refere-se à


internalização, à transferência e à aplicação do conhecimento na realidade,
por meio de capacidades, habilidades e destrezas.

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Verbos a serem utilizados na descrição de
competência de Natureza Operacional
Administrar Elaborar Operar
Agir Empregar Organizar
Ampliar Escolher Orientar
Aplicar Estimar Persuadir
Articular Executar Pesquisar
Atuar Exemplificar Planejar
Checar Experimentar Posicionar-se
Coletar dados Explicar Praticar
Combinar Explorar Preparar
Conceber Formular Processar
Concretizar Gerar Produzir
Construir Incorporar Projetar
Controlar Incorporar Propor
Coordenar Inspecionar Realizar
Criar Inventariar Registrar
Decidir Inverter Relacionar
Demonstrar Investigar Resolver problemas
Descobrir Medir Selecionar
Desenvolver estratégias Mobilizar Substituir
Diagnosticar Modificar Testar hipóteses
Dirigir Montar Transformar
Efetuar Negociar Utilizar

Muito mais importante do que a simples utilização dos verbos sugeridos na descrição
das competências operacionais é a compreensão pela equipe multidisciplinar da
essência da competência de natureza operacional, que pode ser visualizada na figura 5.
Desta forma, ao se descrever competências operacionais deve-se ter como pressuposto
ações que efetivamente mobilizem o pensamento operacional: “o que e como fazer”
dos participantes, em relação ao tema e contexto da solução educacional.

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Portanto, a descrição de competências envolve muito mais do que simplesmente
registrar um verbo. Os profissionais responsáveis pela elaboração da solução
educacional precisam focar em ações práticas a serem mobilizadas pelos participantes
para abordar ou resolver uma determinada situação em seu desempenho profissional.

Exemplos de descrição de competências:

Dimensão de natureza operacional

Calcular os indicadores básicos de processo: produtividade e qualidade.

Decidir os indicadores adequados para controlar os resultados operacionais do


sistema produtivo da sua empresa.

Desenvolver estratégias para a apresentação de produtos e serviços que atendam


a expectativa do cliente.

Elaborar ações para auxiliar no processo decisório de compra do cliente.

Elaborar a planilha de fluxo de caixa adequada às necessidades da empresa.

Elaborar práticas de estímulo à inovação mais adequadas para a empresa.

Elaborar um plano de ação para melhorar o visual da sua loja visando o incremento
das vendas.

Explorar soluções para diminuir o impacto dos fatores externos à empresa e que
interferem em seus resultados.

Implantar estratégias para estímulo à inovação na sua empresa.

Organizar formas de exposição e/ou apresentação de produtos em seu negócio,


com foco no cliente.

Planejar ações de venda no varejo para estimular e incrementar o fluxo de clientes


em sua loja, com o objetivo de maximizar os seus resultados.

Propor oportunidades para inovação na sua empresa.

Realizar ações para aumentar o grau de fidelização de seus clientes.

Realizar simulações de fluxo de caixa contemplando as várias possibilidades.

Rever o posicionamento estratégico da sua empresa, de forma a envolver e


comprometer a sua equipe com as metas a serem atingidas.

Selecionar as informações necessárias para projetar o fluxo de caixa de sua


empresa.

Utilizar, de forma estratégica, as técnicas de vendas no seu negócio, buscando


maximizar os seus resultados.

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Lembre-se de que:

As ações para as quais os participantes podem desenvolver competências são


sempre descritas sob a forma de verbos no infinitivo.

Alguns verbos, dependendo do contexto a que se referem, podem estar presentes


nas competências relativas às três dimensões: cognitiva, atitudinal e operacional.

Na educação empreendedora focada no desenvolvimento de competências,


é importante lembrar da dimensão integral do ser humano no processo de construção
do conhecimento.

Embora sejam descritas ações para as quais os participantes devem desenvolver


competências relacionadas à natureza das dimensões cognitiva, atitudinal e
de aplicação, a mente é integrada e funciona como uma unidade do desenvolvimento
de todas as atividades intelectivas. As representações das dimensões mentais (cognitiva,
atitudinal e de aplicação), cada uma com sua singularidade – e que se complementam – ,
são necessárias para maior compreensão do contexto e da totalidade.

Sugere-se fazer um quadro, descrevendo, de um lado, as competências, e, de outro,


a listagem dos temas ou conteúdos necessários para que isso aconteça.

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23
Exemplo:
Curso de Gestão da Inovação
Público-alvo: MPE com mais de dois anos nos setores de
indústria, serviços, comércio e agronegócios.
Empresários com, no mínimo, o ensino
médio.
Carga-horária: Capacitação – 15 horas distribuídos em
5 encontros de 3 horas.
Consultoria – 3 horas por empresa, após o
curso.
Competências gerais
DIMENSÃO COGNITIVA
Compreender os conceitos relativos à inovação e os processos de gestão da inovação no
contexto da MPE.

DIMENSÃO ATITUDINAL
Tomar consciência da importância da inovação para a competitividade da sua empresa.

DIMENSÃO OPERACIONAL
Implantar estratégias para estímulo à inovação na sua empresa.
Competências dos encontros
Encontro 1 – Inovação e competitividade

COMPETÊNCIAS CONTEÚDOS

COGNITIVAS Inovação e seus impactos na


• Conhecer os conceitos e aspectos competitividade.
relativos à inovação e competitividade na
MPE. A importância da inovação.

ATITUDINAIS Exemplos de inovações e de empresas


• Reconhecer o potencial e a possibilidade inovadoras. Conceitos e tipos de inovação.
da utilização da inovação como estratégia
de competitividade na sua empresa. Abrangência da inovação.

OPERACIONAIS Exemplos de inovações (de produto, de


• Propor oportunidades para inovação na processo, de marketing e organizacionais).
sua empresa.

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24
Encontro 2 – Processo de gestão da inovação

COMPETÊNCIAS CONTEÚDOS

COGNITIVAS Processo de inovação como um todo


• Conhecer as estratégias e as formas de
implantar a gestão da inovação na MPE. Estratégias de inovação.

ATITUDINAIS Formas de acesso à inovação.


• Predispor-se a buscar soluções para
implantação de gestão da inovação Gestão da inovação e sua implantação na
adequadas ao perfil da sua empresa. MPE.

OPERACIONAIS
• Propor soluções adequadas para o incentivo
à inovação na sua empresa.

Encontro 3 – Boas práticas de inovação

COMPETÊNCIAS CONTEÚDOS

COGNITIVAS Boas práticas de estímulo à inovação nas


• Conhecer as boas práticas para estímulo MPE:
à inovação na sua empresa.
• Criatividade
ATITUDINAIS • Processo de comunicação
• Predispor-se a aceitar e adotar práticas
• Capacitação de RH
de estímulo à inovação na sua empresa.
• Reconhecimento e recompensas
OPERACIONAIS
• Processo de decisão
• Elaborar práticas de estímulo à inovação
mais adequadas para a sua empresa. • Comprometimento
• Atitude

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25
Encontro 4 – Avaliação da inovação nas MPE

COMPETÊNCIAS CONTEÚDOS

COGNITIVAS Avaliação da empresa em termos de


• Conhecer os indicadores empresariais de inovação.
inovação.
Indicadores empresariais de inovação:
• Avaliar a sua empresa em relação aos • Indicadores de esforços para inovar
indicadores empresariais de inovação.
• Indicadores de resultados
ATITUDINAIS
• Reconhecer a importância de avaliar o grau
de inovação de sua empresa.

OPERACIONAIS
• Realizar um diagnóstico de sua empresa
com base nos indicadores empresariais de
inovação.
Encontro 5 – Implantação da inovação nas MPE

COMPETÊNCIAS CONTEÚDOS

COGNITIVAS Recursos para implantação da gestão


• Conhecer as fontes disponíveis de recursos favorável à inovação
materiais, humanos e financeiros para a
• Recursos Materiais
implantação da inovação na empresa.
• Recursos Humanos
• Conhecer as organizações que promovem
• Recursos Financeiros
apoio gerencial à inovação.
Organizações para apoio gerencial
ATITUDINAIS Proposta de um conjunto básico de ações
• Predispor-se a buscar orientações e para incentivar a inovação.
recursos (materiais, humanos e financeiros)
para a implantação da inovação na sua
empresa.

OPERACIONAIS
• Elaborar um conjunto de ações práticas para
incentivar a inovação na sua empresa.

Observe que:

Para cada competência pode-se selecionar um ou mais temas.

Um determinado tema pode servir, ao mesmo tempo, para o desenvolvimento de


competências de natureza cognitiva, atitudinal ou operacional.

26
26
2.3 DEFINIÇÃO DAS ESTRATÉGIAS DIDÁTICAS

O terceiro passo é estabelecer as condições propícias para a aprendizagem, mediante


a organização do material de estudo, com estratégias didáticas que geram, estimulam
e facilitam a aprendizagem.

Este é momento de selecionar as estratégias didáticas mais adequadas aos temas/


conteúdos da ação educacional e que propiciem o desenvolvimento das competências
propostas, de acordo com o perfil do público-alvo.

Estratégia didática pode ser definida como um conjunto de técnicas e instrumentos


planejados e conduzidos pelo educador com a finalidade de promover o envolvimento
e comprometimento dos participantes com a aprendizagem.

Nesse contexto, as estratégias didáticas devem possibilitar que o aluno se envolva


nas atividades e se torne, de certa maneira, responsável por seu processo de
aprendizagem.

Para desenvolver competências, é preciso, antes de tudo, trabalhar por resolução


de problemas e por projetos, propor tarefas complexas e desafios que incitem os
participantes a mobilizar seus conhecimentos, habilidades e valores.

Recomenda-se que as ações educacionais do SEBRAE contemplem a maioria das


estratégias didáticas indicadas a seguir.

2.3.1 ESTRATÉGIAS DE ORIENTAÇÃO DE ESTUDO

Apresentação de informações e dicas úteis com o propósito de apoiar o processo de


aprendizagem e potencializar o desenvolvimento de competências dos participantes
das soluções educacionais do SEBRAE. Um Guia de Estudos pode conter:

Recomendações sobre planejamento de estudo e condições que favorecem


a aprendizagem.

Sugestões para utilização do material de aprendizagem de forma a apoiar o


desenvolvimento de competências.

Dicas para que o processo de aprendizagem seja eficiente, dinâmico,


construtivo e interativo.

27
27
Apresentação das competências que se espera que os participantes possam
desenvolver com a sua participação ativa na solução educacional.

O Guia ou Roteiro de Estudo nem sempre tem essa denominação. Pode, inclusive,
ser inserido na apresentação da solução educacional presencial.

Em se tratando de estudo autônomo, o Guia de Estudo deve ser mais preciso e


detalhado, contendo inclusive dicas específicas sobre como estudar e interagir com
os materiais de aprendizagem e/ou com o ambiente virtual.

2.3.2 ESTRATÉGIAS DE CONTEXTUALIZAÇÃO

Contextualizar os temas que servem como meios para o desenvolvimento de


competências, conferindo significado a cada ação e possibilitando a verificação das
interelações entre as várias atividades envolvidas. A contextualização deverá possibilitar
a localização, generalização e inter-relações existentes no tema em estudo.

Exemplos: apresentação do tema da capacitação e do encontro, de acordo com o


contexto do participante; prover o Guia do Educador de dicas para conexão do tema
com a realidade do participante na descrição das atividades; introduzir as atividades no
Manual do Participante de forma problematizadora e significativa etc.

2.3.3 ESTRATÉGIAS DE CONEXÃO

Estabelecer conexão entre a nova aprendizagem e a antiga, por meio de


organizadores prévios – procedimentos que servem de elos, facilitando a aprendizagem
subseqüente.

Este procedimento pode ser feito mediante um texto introdutório, apresentado de


forma significativa, em que se estabelece uma relação entre as novas idéias e as
idéias preexistentes à estrutura de conhecimento do participante. Para que o novo
conhecimento apresente significado, a construção necessita estar embasada em
conhecimentos anteriores.

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28
2.3.4 ESTRATÉGIAS DE COMPREENSÃO E SIGNIFICÂNCIA

A estrutura do material pode ser organizada mediante encontros, módulos ou capítulos,


agrupados por eixos temáticos. Cada encontro, módulo ou capítulo se subdividirá em
partes. Cada parte conterá texto e atividades que propiciam o desenvolvimento das
competências. Na elaboração dos materiais, deve-se prever que:

A apresentação dos conteúdos facilite o desenvolvimento das competências.

Os conteúdos sejam apresentados com clareza e objetividade.

Exista uma seqüenciação e graduação dos conteúdos.

Os exemplos e atividades sejam relacionados à realidade do público-alvo e


pertinentes e adequados aos conteúdos.

As gravuras e ilustrações utilizadas sejam adequadas ao conteúdo e ao


público-alvo.

Sejam incluídos desafios, problematização, situações provocadoras que


estimulem o participante a buscar alternativas de solução.

Haja padronização dos elementos que compõem o material: introdução ou


apresentação, texto, atividades de estudo, atividades de aplicação, atividades
de desenvolvimento de atitudes, conceitos, glossário.

Os conceitos, informações, atitudes e formas de aplicação mais importantes


tenham destaque.

Os termos novos utilizados constem de um glossário no final da publicação.

Sejam utilizados recursos de diagramação e empregados símbolos ou ícones


indicadores da atividade proposta.

Sejam utilizados recursos simples e fáceis de encontrar nos materiais da


modalidade presencial. Evita-se o uso de vídeos que envolvem questões
jurídicas e financeiras em sua aquisição.

Sejam utilizadas dicas, ou seja, orientações pontuais, que possam ser de


aplicabilidade imediata nos pequenos negócios.

Sejam determinadas a extensão e a complexidade dos conteúdos, de modo a


facilitar o desenvolvimento das competências.

29
29
2.3.5 ESTRATÉGIAS DE INTERAÇÃO E MOTIVAÇÃO

Na elaboração dos materiais de aprendizagem, devem ser previstos recursos didáticos,


dicas e atividades que estimulem e motivem os participantes no desenvolvimento das
competências. Exemplos:

Apresentar um eixo condutor da solução educacional, de forma a manter a


unidade, dar significado e propiciar o interesse pelo estudo.

Utilizar comunicação empática, isto é, saber quem é o interlocutor e como


ele se sentiria fazendo as atividades indicadas.

Utilizar linguagem coloquial e atividades que propiciam a interação e


interatividade do participante com o material e com os colegas de grupo no
presencial ou pela Internet.

Valorizar a linguagem e a cultura regional.

Apresentar harmonia na articulação dos meios e/ou equipamentos


utilizados.

Utilizar humor inteligente para dar vida e interesse à aprendizagem (sem


nunca incluir chistes preconceituosos, de baixo calão ou ofensivos).

Utilizar atividades diversificadas.

Utilizar recursos gráficos ou textuais com o objetivo de manter a motivação,


a atenção, a concentração etc.

2.3.6 ESTRATÉGIAS METACOGNITIVAS

Estratégias metacognitivas podem ser consideradas, como a tomada de consciência,


por parte de quem aprende, dos próprios processos e estados cognitivos. O participante
deve ser incentivado a construir e reconstruir seu próprio conhecimento. Essa construção
deverá ser baseada numa prática reflexiva sobre a ação-reflexão-ação. Tal processo
requer que o participante reflita sobre a sua aprendizagem e como irá aplicar os saberes,
habilidades e atitudes adquiridos. Com isso espera-se que ele desenvolva seu próprio
processo de metacognição, ou seja, a capacidade de aprender a aprender.

Um exemplo de estratégia metacognitiva é propiciar momentos para que os


participantes possam refletir sobre o que aprenderam e, principalmente, sobre como
foi o processo de aprendizagem.

30
30
Algumas questões que podem ser elaboradas ao final de cada unidade/encontro em
todas as modalidades educacionais:

O que você apreendeu de novo durante o módulo?

Porque o que você apreendeu foi significativo para você?

Que associações você fez para aprender e construir um conhecimento seu:


conhecimentos prévios? Relação teoria-prática? Experiência colaborativa?

Como você administrou seu processo de estudo durante essa unidade/


encontro/módulo?

2.3.7 ESTRATÉGIAS MATEMAGÊNICAS OU AUTÊNTICAS

Estratégias matemagênicas, ou autênticas, são aquelas que dão origem a uma


aprendizagem eficaz e significativa, que favorecem, nos alunos, o desenvolvimento
de capacidades cognitivas que decorrem de ações analíticas e investigativas,
pensamento crítico e criativo, resolução de problemas, além de organização e
reorganização de informações. Considera-se que aprender fazendo, ou aprendizagem
autêntica, é a mais eficaz forma de desenvolvimento de competências.

Assim, apresente situações que propiciem a reflexão e privilegiem a formação de


conceitos e a aplicação dos conhecimentos por parte do usuário. Por exemplo, estudo
de casos, resolução de problemas, simulação de situações, realização de exercícios,
demonstração, mapas, modelos analógicos.

2.3.8 ESTRATÉGIAS DE ENSAIO – CONSTRUÇÃO DO


CONHECIMENTO

O estímulo ao desenvolvimento das competências de natureza cognitiva é propiciado pela


mobilização de operações mentais, como análise, crítica, comparação, classificação,
argumentação, tomada de decisões, identificação de prioridades e relevâncias,
interpretação e solução de problemas etc.

A forma de apresentação das estratégias também é importante, pois elas devem


promover desafios, dilemas ou controvérsias.

O desenvolvimento de competências que envolvem atitudes e valores (essenciais para


as dimensões ser/conviver) é possibilitado pela estimulação da comunicação simbólica

31
31
não linear ou racional, com o auxílio de lendas, mitos, jogos, fábulas, parábolas,
imagens, músicas, poemas, imaginação prospectiva, paradoxos, dinâmicas vivenciais,
pensamento analógico e metafórico.

As metáforas e seus similares, as analogias, os paralelismos, as alegorias, os símbolos,


as alusões são muito mais que figuras retóricas, são artifícios do sistema conceitual,
que constroem andaimes de idéias.

O objetivo dessas estratégias é desencadear de modo fácil e operativo os diversos


processos e atividades divergentes, inovadoras e inventivas, as quais, de um modo
original, fomentam a utilização de todo o cérebro.

O desenvolvimento de competências que envolvem a aplicação do conhecimento


pode ser proporcionado por estratégias, como dinâmicas vivenciais, estudo de caso,
simulação de situações, jogos de representação de papéis, simulações no computador,
problemas que envolvam a tomada de decisões e a utilização de metodologias
participativas.

2.3.9 ESTRATÉGIAS PARA CONSOLIDAÇÃO DA


APRENDIZAGEM

Utilizar atividades de fechamento, com esquemas, gráficos etc.; recapitular pontos


principais, ao final dos encontros, módulos ou capítulos – estes últimos podem
estabelecer ligação com a aprendizagem futura.

2.3.10 ESTRATÉGIAS DE AVALIAÇÃO E MONITORAMENTO


DO DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS

As estratégias de avaliação devem estar previstas em cada solução educacional, pois


a aprendizagem é um processo que se concretiza ao produzir mudanças, que podem
ser de conhecimento, de atitudes, de aplicação. Estas podem ser acompanhadas pelos
participantes e pelos educadores.

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32
Os participantes contam com um referencial de modo que possam acompanhar
seu próprio progresso, quando lêem a descrição das competências e/ou as
questões de problematização que são descritas como metas a serem alcançadas. A
autoavaliação também é um instrumento para monitorar o próprio desenvolvimento das
competências.

Para o educador, que atua na modalidade presencial, na semipresencial, ou na Internet,


a observação intencional e sistemática da verbalização (da ação, no presencial) dos
participantes é uma forma de acompanhar o desenvolvimento das competências.

As situações de avaliação da aprendizagem que utilizam dinâmicas vivenciais,


estudo de caso, resolução de problemas, desenvolvimento de projetos ou realização
de planejamentos devem estar focadas nas competências a serem desenvolvidas
e podem possibilitar a interação de conhecimentos em diversas áreas, promovendo
o estabelecimento das inter-relações entre elas. Nas situações de avaliação, é
fundamental a mobilização de conhecimentos, atitudes e habilidades de forma integrada.

2.3.11 DICAS PARA A ELABORAÇÃO DAS ESTRATÉGIAS

De maneira geral, os materiais de estudo devem apresentar todas as estratégias


de aprendizagem descritas, independentemente de se destinarem à modalidade
presencial, semipresencial ou a distância. Entretanto, há variações na sua seqüenciação
e ordenação, pois cada material apresenta especificidades que o diferenciam dos
demais e muitas estratégias podem ser desenvolvidas de modo simultâneo.
Os elaboradores precisam ter discernimento para verificar quais das estratégias
apresentadas se aplicam, com mais propriedade, àquele material que está sendo
produzido, de acordo com a modalidade, a finalidade, o meio utilizado e o estilo.

Lembre-se de que, em alguns casos, é possível estimular o desenvolvimento de


competências de naturezas diversas (cognitiva, atitudinal e operacional) com a utilização
de determinada estratégia.

As estratégias devem estar focadas no desenvolvimento das competências e o


conteúdo deve ser utilizado como meio para a aprendizagem.

A utilização dos diversos tipos de atividades vivenciais deve sempre ser acompanhada
de um processamento que focalize a competência a ser desenvolvida. No material,
deve-se indicar claramente a forma de processamento da atividade.

33
33
As atividades vivenciais devem ser descritas contemplando todas as etapas do Ciclo
de Aprendizagem Vivencial (CAV), de acordo com as competências a serem
desenvolvidas. Detalhes sobre o planejamento e descrição de atividades utilizando o
CAV encontram-se no Anexo C.

A leitura dos REFERENCIAIS EDUCACIONAIS DO SEBRAE propiciará a


fundamentação teórica relacionada às proposições deste Guia de planejamento de
Soluções Educacionais.

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34
SUGESTÕES PARA LEITURA COMPLEMENTAR

ALMEIDA, Marcus Garcia de. Pedagogia Empresarial: Saberes, práticas e referências.


Rio de Janeiro: Brasport, 2006. 224 p.

BEHRENS, Marilda Aparecida. Paradigma da Complexidade: Metodologia de projetos,


contratos didáticos e portfolios. Petropólis: Vozes, 2006. 135 p.

BORDENAVE, Juan Diaz; PEREIRA, Adair Martins. Estratégias de ensino


aprendizagem. 25. ed. Petrópolis: Vozes, 2004. 316 p.

DAVEL, Eduardo; VERGARA, Sylvia Constant; GHADIRI, Djahanchah Philip (Org.).


Administração com Arte: Experiências vividas de ensino-aprendizagem. São Paulo:
Atlas, 2007. 290 p

GIL, Antonio Carlos. Didática do Ensino Superior. São Paulo: Atlas, 2006. 283 p

MASETTO, Marcos Tarciso. Competência pedagógica do professor universitário.


São Paulo: Summus Editorial, 2003. 195 p.

MORETTO, Vasco Pedro. Planejamento: Planejando a educação para o


desenvolvimento de competências. Petrópolis: Vozes, 2007. 134 p.

PERRENOUD, Philippe. Construir competências desde a escola. Tradução: Bruno


Charles Magne. Porto Alegre: Artmed Editora, 1999. 90 p.

RANGEL, Mary. Métodos de ensino para a aprendizagem e a dinamização das


aulas. 2. ed. Campinas: Papirus, 2005. 93 p. Coleção Magistério: Formação e Trabalho
Pedagógico.

35 35
ANEXOS

Anexo A: exemplo de aplicação do mapa mental

Anexo B: orientações para utilização do brainstorming

Anexo C: orientações sobre o Cav – Ciclo de


Aprendizagem Vivencial

36
36
ANEXO A: EXEMPLO DE APLICAÇÃO DO MAPA MENTAL

A seguir, descreve-se sinteticamente o planejamento inicial de uma solução


educacional, utilizando como exemplo a construção de um Mapa Mental , por meio de
uma situação hipotética com a finalidade de exemplificar a aplicação da técnica.

É importante assinalar que as competências e conteúdos apresentados não estão


necessariamente atualizados. Na tarefa de organizar os temas/conteúdos na qual
os participantes devem desenvolver as competências numerosos fatores devem
ser considerados como finalidade do material, estrutura do assunto, interesses dos
participantes etc.

No exemplo apresentado, não constam todas as estratégias descritas neste Guia,


somente as que se aplicavam mais a essa finalidade. As etapas descritas não são
rígidas e alguns itens das estratégias são desenvolvidos de modo simultâneo.

Procedimentos:

O primeiro passo consiste em planejar as competências necessárias para a solução de


aprendizagem a ser concebida ou transposta. A técnica considerada mais adequada é
o mapeamento mental, que permite uma visão de conjunto das competências e temas
(conteúdos) a serem estudados e das conexões e inter-relações possíveis.

O mapeamento mental ou conceitual é uma técnica de planejamento ou registro de


informações em molde não linear, não serial, deixando-se guiar por conexões, porque
é assim que o cérebro faz suas associações e estabelece relações.

A atividade começa com o registro do tema central para a qual o participante deve
desenvolver a competência, a qual é colocada no meio da página. Em seguida, são
descritas as demais temáticas de natureza cognitiva, atitudinal e aplicativa, para as
quais serão desenvolvidas competências. Pode-se utilizar a técnica do brainstorming,
para registro das palavras-chave e anotação das idéias que vão surgindo. As palavras
vão sendo colocadas como componentes isolados e a ramificação, sendo estabelecida
a partir da inter-relação que se estabelece entre elas. Exemplo:

37
37
MAPA CONCEITUAL

MERCADO

TEDÊNCIAS
CONDICIONANTES
ATUAIS COMPETÊNCIA
ESTRATÉGICA/
VALORIZAÇÃO CONTEXTUAL
DO SER NOVAS
OPORTUNIDADES

RELAÇÕES/
VALORIZAÇÃO ATITUDES
AMBIENTAL
COMPETÊNCIA
ADMINISTRATIVA

COMPETÊNCIA GERENCIAR
TÁTICA SISTEMA DE
MARKETING PLANEJA- AVALIAÇÃO/
MENTO MIX CONTROLE
CRIAÇÃO/
VALOR FIDELIDADE/
CLIENTE ORGANIZAÇÃO

O passo seguinte consiste em categorizar, reunindo temas comuns sobre o mesmo


tópico. Por exemplo: atitudes empreendedoras, atitudes gerenciais, visão de futuro; as
operações mentais que necessitam ser mobilizadas, os resultados, a metodologia, ou
seja, cada tema apresenta sua própria estrutura.

O mapeamento mental realizado com a equipe multiprofissional fica enriquecido com


outras possibilidades e visões.

A visão global que o mapeamento mental oferece após a categorização permite agrupar
os conteúdos por encontros. Exemplo:

1
Este exemplo foi extraído de um curso de Marketing elaborado pela consultora educacional Maria Lucia
Scarpini Wickert, na primeira versão do Guia de Planejamento, em 2006.

38
38
MAPA MENTAL

COMPETÊNCIA
COGNITIVA

ESTRATÉGICA/
COMPETÊNCIA
CONTEXTUAL
ATITUDINAL

COMPETÊNCIA
DE APLICAÇÃO
COMPETÊNCIA
COGNITIVA

GERENCIAR
COMPETÊNCIA COMPETÊNCIA
SISTEMA DE
DE APLICAÇÃO COGNITIVA
MARKETING

ADMINISTRATIVA
TÁTICA

COMPETÊNCIA
DE APLICAÇÃO
COMPETÊNCIA
ATITUDINAL
COMPETÊNCIA
ATITUDINAL

A partir da formulação da descrição do quadro geral da capacitação, é possível


descrever as competências e selecionar os temas/conteúdos necessários e estruturá-
los por encontros, estabelecendo uma seqüência lógica na capacitação.

Competências gerais do curso:

Cognitiva

Contextualizar marketing, a partir de uma visão estratégica, tática e


administrativa, de forma a melhorar a qualidade e a eficácia da atuação de
seu empreendimento no mercado.

Atitudinal

Adotar atitudes que favoreçam a implementação de estratégias e práticas da


gestão de marketing, visando melhoria do resultado do seu negócio.

Operacional

Planejar um sistema de marketing para colocar em prática processos e


instrumentos que melhorem a qualidade e a eficácia da atuação de seu
empreendimento no mercado.

39
39
Exemplo de quadro de competências e temas/conteúdos:

Encontro I – Visão estratégica de marketing


Dimensão cognitiva MARKETING: VISÃO ESTRATÉGICA
CONDICIONANTE E TENDÊNCIAS NA
• Analisar tendências no cotidiano das
ECONOMIA
pessoas (lazer, alimentação, negócios,
atividades profissionais). (Complementar com os temas a serem
abordados.)
• Dimensionar a influência que as
transformações promovem no estilo
de vida das pessoas, de forma a prever
novas oportunidades e antecipar-se às
mudanças, criando um futuro para seus
negócios.
Dimensão atitudinal
• Envolver-se na busca de informações de
seu cliente e do mercado, de forma a criar
e antecipar mudanças em sua empresa
• Refletir sobre formas de preservar o meio
ambiente em que está inserido e valorizar
o cliente interno e externo.
Dimensão operacional
• Diagnosticar os reflexos dessas tendências
nos seus produtos/serviços.
• Fazer uma previsão de novas
oportunidades (produtos/serviços) que o
mercado oferece para sua empresa.
• Conceber estratégias para valorizar o
cliente interno e externo e preservar o
meio ambiente em que está inserido.

40
40
Encontro 2 – Desenvolvimento de um sistema tático de marketing
Dimensão cognitiva SISTEMA TÁTICO DE MARKETING:
PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS,
• Analisar as tendências gerais no mercado,
PROCESSOS E INSTRUMENTOS
como valorização do ser humano, do
conhecimento e do ambiente. (complementar com os temas a serem
abordados)
• Argumentar sobre a importância da empresa
manter relacionamento com o público.
• Relacionar a marca de um produto à
lucratividade do negócio.
Dimensão atitudinal
• Refletir sobre a postura pessoal e da
empresa, quanto à auto e hetero imagem e
aos relacionamentos que estabelece interna
e externamente.
• Desenvolver atitudes de valorização do
ser humano (capital humano e intelectual,
clientes); de organização e de acesso ao
conhecimento; de liderança, de iniciativa,
de cooperação e de parcerias.
Dimensão operacional
• Tomar decisões estratégicas referentes à
criação de produtos e serviços de valor para
o público-alvo.
• Selecionar processos para monitorar e
aperfeiçoar a prática de estabelecer e
manter relacionamento entre a empresa e
os clientes.
• Articular procedimentos para a criação e
construção da marca da empresa.
• Diagnosticar necessidade de investir no
capital intelectual da empresa e no uso de
tecnologia de informática.

41
41
Encontro 3 – Planejamento de um sistema de marketing
Dimensão cognitiva MARKETING: VISÃO ADMINISTRATIVA:
PLANEJAMENTO DE MARKETING
• Conhecer a essência do marketing, (4Ps)
seus processos e instrumentos. (Complementar com os temas a serem
abordados.)
• Sistematizar processos e ferramentas para
compreender o mercado e planejar um
sistema de marketing, estabelecendo formas
eficientes de ação e avaliar o desempenho.
Dimensão atitudinal
• Predispor-se a atitudes de concretização,
de iniciativa, de negociação e diálogo, de
proatividade, flexibilidade, de inovação,
de integração, de busca de soluções
inovadoras.
Dimensão operacional
• Planejar um mix de marketing,
que considere as interdependências e inter-
relações existentes entre os elementos
essenciais (4 Ps).
• Planejar a avaliação e o controle de
desempenho em marketing.

Próxima etapa: selecionar estratégias didáticas


O ambiente de aprendizagem pode estar estruturado para aprendizagem presencial,
semipresencial ou a distância. Em qualquer das modalidades educativas, é importante
que sejam previstas as estratégias para estimular a aprendizagem.

Estratégias de contextualização

Pode-se apresentar o tema da capacitação mediante um mapeamento mental, o que


ajuda os participantes a entenderem a contextualização do assunto (situação, importância,
tendências, valores, relação com outros fatores etc.), no mercado, na sociedade,
nos empreendimentos. Outros recursos que favorecem a compreensão dos participantes:
São eles: esquemas, gráficos, diagramação que destaca idéias, títulos, subtítulos.

Estratégias de conexão

Pode-se utilizar organizadores prévios, que evocam conhecimentos anteriores sobre o


assunto e funcionam com o âncora para a nova aprendizagem. Muitos recursos podem
ser usados para funcionar como organizadores prévios e para despertar curiosidade
pelo assunto em pauta, como analogias, metáforas, imagens, vídeos, estudo de casos,
exemplificações, tempestade de idéias (brainstorming) etc.

42
42
Estratégias para a interação e motivação

São muitos os recursos e as técnicas que favorecem a interatividade e a motivação dos


participantes:

• Formulação de perguntas divergentes, levantamento de hipóteses,


possibilidade de o participante apresentar posicionamentos próprios.

• Material de aprendizagem em estímulos e utilização de atividades


diversificadas, o que possibilita atender aos vários estilos de aprendizagem.

• Proposição de atividade em grupo, com estratégias para possibilitar a


participação ativa de cada componente.

• Atividades vivenciais que incluam jogos, psicodramas, simulações, e que


possibilitam o desenvolvimento das competências atitudinais.

Estratégias para a metacognição

São as estratégias que habilitam o participante a aprender a aprender. Exemplos:


apresentação do significado de cada estratégia cognitiva a ser desenvolvida (pode
ser por escrito, grupo a grupo); observação e descrição dos cenários, interpretação,
comparação, levantamento de hipóteses, aplicação.

Estratégias para reflexão criativa e desenvolvimento de atitudes (ser/conviver)

Incluir sempre atividades que favoreçam o autoconhecimento, a imaginação,


o desenvolvimento do potencial criativo etc.

Estratégias de aplicação (saber fazer)

Toda aprendizagem deve favorecer o desenvolvimento de competências de aplicação.


Exemplo: solicitar que os participantes estabeleçam os reflexos em sua empresa em
relação às tendências futuras estudadas.

Foi visto um exemplo de apenas uma das formas de se trabalhar este tema. Entretanto,
na abordagem da Concepção Integrada, cada equipe de elaboração, dependendo
das particularidades do material de estudo e do assunto a ser trabalhado, utilizará a
criatividade para dar o tom adequado à sua produção.

43
43
ANEXO B: ORIENTAÇÕES PARA UTILIZAÇÃO DO
BRAINSTORMING

Técnica que permite a produção de um grande número de idéias criativas e exploração


das melhores alternativas. Passos:

1. Esclareça que o foco da atividade é identificar as competências que o


empreendedor precisa desenvolver em relação ao tema principal da
capacitação. Exemplifique. Deixe visível o tema do brainstorming.

2. Conceder alguns minutos para reflexão individual.

3. Solicitar que escrevam as suas idéias, na forma de verbos no infinitivo.

4. Pedir a cada participante que expresse numa primeira rodada somente uma
competência. Assim que cada um do grupo tiver contribuído, solicite novas
idéias. Desta forma evita-se a preponderância dos mais falantes. Quando
nenhum participante tiver mais idéias, encerra-se a rodada.

5. Anote as idéias, de forma visível, sem críticas, conforme enunciado pelo


participante.

6. Promova junto com os participantes a fusão de competências com redações


semelhantes. Caso seja necessário, solicite esclarecimentos sobre alguma
dúvida de entendimento sobre a competência apresentada.

7. Inicie o debate das competências elencadas em relação às necessidades e


expectativas de capacitação dos empreendedores.

8. Selecione as competências mais abrangentes e relevantes principalmente


em relação às necessidades do público alvo e à carga horária determinada
para capacitação.

9. Especifique de forma participativa pelo menos uma competência de natureza


cognitiva, atitudinal e operacional para cada encontro.

44
44
ANEXO C: ORIENTAÇÕES SOBRE O CICLO DE
APRENDIZAGEM VIVENCIAL – CAV

A vivência de jogos dramáticos e os exercícios estruturados permitem a observação das


modalidades de interação na vida grupal, a melhoria da percepção dos fenômenos grupais
e da condução de grupos.

A aprendizagem vivencial é a conseqüência do envolvimento das pessoas numa atividade


onde, além de vivenciá-la, elas têm a oportunidade de analisar o processo de forma crítica,
extrair algum “insight” útil desta análise e aplicar o aprendido em seu cotidiano.

O – CAV Ciclo de Aprendizagem Vivencial é a base para sua aplicação, de forma que
os participantes têm a oportunidade de trabalhar de forma harmônica as três dimensões
cerebrais.

Vantagens dos jogos vivenciais:

• Possui caráter experimental: a aprendizagem é baseada na ação do grupo, que


coloca em prática suas habilidades, sem risco de conseqüências realmente
danosas, pois se trata de uma simulação.

• Permite flexibilidade ao facilitador: um jogo pode ser adaptado, de acordo com


a leitura que o educador faz das necessidades e perfil do grupo.

• Possibilita a participação de todos: esta é a regra essencial, exceto


em casos especiais (ex.: saúde). Se alguém se recusa a participar,
por constrangimento ou timidez, o facilitador deve deixar o participante à
vontade, e o grupo, de forma natural, proporciona a inclusão ou exclusão desse
participante.

• Cria maior responsabilidade para o grupo: o grupo estabelece seus critérios de


trabalho, em cima das instruções e regras fornecidas pelo educador.

• Propicia aos participantes planejar ações, distribuir tarefas, definir metas, tomar
decisões, resolver problemas e avaliar resultados de acordo com o objetivo do
jogo.

• Proporciona aprendizado: como se trata de uma vivência, viabiliza o ciclo de


aprendizado – ação, reflexão, teorização e prática.

• Gera motivação: é uma atividade que diverte, e que, por isso, envolve os
participantes.

• Assegura ganhos para todos: todos saem ganhando com a experiência vivida,
mesmo que ocorram competições ou perdas, pois aprender com o processo é
o objetivo principal.

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AS FASES DE UM JOGO: O ciclo de aprendizagem vivencial

GENERALIZAÇÃO APLICAÇÃO
(comparar jogo (Atingir alvos
X empresa) mudar rumos)

PROCESSAMENTO
(Analisar padrões PROCESSAMENTO
de desempenho) (Jogar)

FASE 1 – VIVÊNCIA: Fazer algo, construir

É a fase do jogo propriamente dito. A atividade de fazer algo. As vivências podem


ser individuais, em subgrupos ou coletivas. É importante que a atividade do jogo seja
adequada ao tema central da ação educacional e, ainda, atrativa, lúdica, surpreendente
e fascinante. Estas características facilitam o envolvimento do grupo na vivência e
estimulam a motivação.

O uso de cores, música, objetos concretos dos mais variados pode ajudar no efeito-
impacto e servir de objeto intermediário de expressão.

Dicas para elaboração de vivências:

• Varie os jogos existentes, adaptando-os às competências a serem


desenvolvidas e ao perfil do público-alvo.

• Cuide para que reproduzam a realidade a ser trabalhada.

• Certifique-se de que o tempo é suficiente para seu processamento.

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Sugestões de atividades
• Fabricar produtos
• Resolver problemas
• Reproduzir modelos
• Montar quebra-cabeças
• Planejar produtos novos
• Confrontar, negociar, persuadir
• Montar estratégias
• Simular o cotidiano
• Criar cenários, produtos etc.

FASE 2 – RELATO: Expressar sentimentos e emoções

Após a vivência, o facilitador deve deixar espaços para demonstrações de sentimentos.


É o momento onde o educador sonda o clima de trabalho em que ocorreu o jogo,
oferecendo espaços para as pessoas falarem sobre seus sentimentos

Dicas:

• Planeje formas diferentes, ou seja, crie o efeito surpresa, para facilitar a


expressão de sentimentos pelos participantes. Sugestões: carinhas de
expressão, figuras, palavras-chave, baralho de sentimentos, cores, símbolos,
verbalizações.

• Cuide para que este momento ocorra no tempo certo, na medida exata:
nem muito breve, nem muito longo.

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Sugestões de atividades
• Registrar por escrito para posterior relato
(subgrupos)
• Roda de repentismos
• Mural de desabafos
• Muro das “lamentações”
• Escolher a cor do sentimento
• Comunicação cênica
• Mural do sentimento grupal
• Cartazes de símbolos (coração dos sentimentos,
carrossel dos sentimentos, casa das emoções, trem
das emoções, etc...)
• Cartas de sentimento para escolha
• Mural de símbolos (recortados de revistas e colados
em papel de flip-chart)

FASE 3 – PROCESSAMENTO: Avaliar o processo grupal

Nesta fase é feita a análise de desempenho pelo grupo no que se refere ao seu processo
de liderança, organização, planejamento, comunicação, administração de conflitos,
dentre outros fatores. A ênfase reside na expressão das dificuldades e facilidades,
falhas e acertos durante a vivência.

Dicas:

A aprendizagem vivencial prevê que cada pessoa passe pela experiência e forme seus
conceitos. O educador não é o astro. Permita que o grupo brilhe e evite incluir-se com
falas, palestras ou exposição de suas percepções. Este é o momento onde o educador
fica “à margem” das discussões.

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Sugestões de atividades
• Roteiros com itens do tema central para relato
posterior
• Discussão de questionários individuais ou
em subgrupos e posterior relato aos demais
participantes
• Painel de apresentações, utilizando recursos visuais
(símbolos, cartazes, figuras...)
• Completar sentenças
• Brainstorming simples
• Cartazes simbólicos (dificuldades e facilidades)
• Uso de perguntas

USO DE PERGUNTAS

A formulação de perguntas é uma das estratégias para desenvolver e avaliar o


pensamento crítico. Existem dois tipos de perguntas:

CONVERGENTE: são aquelas que envolvem somente memorização ou simples


reconhecimento de um fato.

DIVERGENTE: além de envolver memorização, as perguntas divergentes exigem que


as pessoas explorem fatos, conceitos e generalizem. Solicitam respostas elaboradas
que requer em compreensão, aplicação, análise, síntese e/ou avaliação.

Princípios para se formular perguntas divergentes:

• Relevância: formular perguntas sobre o fator principal da vivência. Dar


oportunidade de desenvolver processos mentais diferenciados, utilizando
perguntas como recurso para integrar o grupo ao que foi vivenciado,
enriquecendo o conteúdo abordado no jogo.

• Adequação: ajustar as perguntas ao nível de compreensão do grupo e


elaborar perguntas de acordo com os momentos da aprendizagem.

• Abertura: dar chances para que o grupo faça perguntas. Valorizar as


perguntas do grupo.

Evite formular perguntas com:

• Margem para respostas somente do tipo SIM e NÃO.

• Mais de uma indagação: Quem? Onde? Quando?

• Termos muito difíceis ou fora da realidade do grupo.

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FASE 4 – GENERALIZAÇÃO: Estabelecer analogias e comparações com a
realidade

Neste momento o facilitador oferece ao grupo a oportunidade de estabelecer ligação


do jogo com sua realidade na empresa. Para tal, oferece atividades que propiciem
margem ao estabelecimento de analogias e comparações.

Esta fase é a mais importante no CAV, pois faz com que as pessoas entendam os
motivos daquela atividade lúdica e que, aparentemente, não tinha nada a ver com o
trabalho ou a função de cada um. Somente se esta fase for bem trabalhada, é que o
facilitador obterá um diagnóstico da realidade do grupo. Para trazer as pessoas para
sua realidade, estimule o uso de analogias e peça que os participantes estabeleçam
“semelhanças e divergências” do que ocorreu no jogo com o que ocorre no cotidiano.

Dicas:

Neste estágio, o facilitador acrescenta alguma informação técnica ou referencial


teórico sobre o tema explorado no jogo. É necessário que a exposição seja planejada
antecipadamente e tenha como características:

• Clareza e objetividade.

• Atratividade.

• Tempo breve (o grupo apresenta uma certa resistência por exposições muito
prolongadas após um jogo).

Sugestões de atividades
• Processo fantasia (o que eu faço no meu dia-a-dia
diferente do jogo?)
• Analogias (estabelecimento de semelhanças e
divergências do jogo e a empresa)
• Generalizações
• Uso do cartaz anterior para análise de semelhanças
e divergências

FASE 5 – APLICAÇÃO: Momento de planejar novos rumos

Esta é a fase que fecha o ciclo da aprendizagem vivencial. De nada adianta investir
tempo e recursos em uma atividade, se não obtemos do grupo o COMPROMETIMENTO
COM MUDANÇAS. Este é o momento em que cada participante estabelece sua
responsabilidade futura na busca de melhorias.

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Sugestões de atividades
• Planos de metas individuais
• Carta de intenções, carta de compromisso
• Contrato psicológico (onde o participante se
compromete, por escrito, com mudanças pessoais)
• Plano de melhoria setorial
• Plano de estudo
• Propostas de mudança atitudinal
• “Projeto anjo-da-guarda” (ao final do encontro,
os planos de mudança são trocados entre os
participantes e cada um elege um anjo-da-guarda
que irá enviar mensalmente uma cópia ao colega com
palavras de incentivo, durante alguns meses)
• Seqüência de interação (repetir o jogo)

Qualquer atividade vivencial poderá ser explorada tendo como referencial este ciclo.

Dicas para aplicação de técnicas vivenciais:

• Mantenha-se tranqüilo durante as exposições dos participantes.

• Ouça com qualidade.

• Siga as etapas do CAV, com flexibilidade.

• Evite concluir pelo grupo, deixe que todos falem e somente, ao final, faça
comentários breves sobre algum ponto relevante.

• Prepare roteiros e cartazes com antecedência, de forma a permitir a sua


total atenção voltada para o grupo.

• Realize os painéis sempre em círculo ou semicírculo.

• Sente-se no círculo junto com os participantes.

• Prepare fechamentos sobre o tema central da vivência; se possível, utilize


slides ou flip-chart para melhor fixação do conteúdo.

• Lembre-se de que os fechamentos devem ser breves (máximo de 15 minutos)


e marcantes.

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Exemplo de um jogo estruturado:

(Não está no modelo do Guia do Educador utilizado pelo SEBRAE. Possui como objetivo
somente exemplificar as fases do CAV)

ESCRAVOS DE JÓ

OBJETIVO:

Permitir ao grupo a vivência de um trabalho onde é necessário: tomar decisões em


grupo; negociar; planejar; treinar; ouvir; dar e receber feedback; comunicar-se e exercer
liderança efetiva.

RECURSOS NECESSÁRIOS:

Objeto que tenha consistência para, ao bater no chão, fazer barulho (cada
participante recebe 1).

DESENVOLVIMENTO:

1 – VIVÊNCIA:

Solicitar que todos fiquem sentados em círculos, preferencialmente no chão.

O educador deve introduzir o tema relembrando alguns jogos infantis.

Pede a colaboração do grupo para relembrá-los.

A seguir dá um desafio: “Todos devem, em cinco minutos, jogar o “Escravos de Jó”


buscando sinergia e rítmo.

Enquanto o grupo joga, o facilitador observa o movimento.

Após cinco minutos o grupo avalia seu desempenho, apontando falhas e dificuldades.

O facilitador propicia uma segunda chance para correção das falhas (mais cinco
minutos).

Avalia-se a perfomance na segunda etapa, comparando o resultado com a primeira.

OPÇÃO PARA DESAFIOS EM RODADAS POSTERIORES

* devagar

* rum-rum-rum

* rápido

* mudo

* mão-esquerda

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2 – RELATO: Em forma de PAINEL CIRCULAR.

3 – PROCESSAMENTO: O facilitador faz perguntas ao grupo, tais como:

O QUE MELHOROU NA SEGUNDA RODADA?

QUAIS AS MUDANÇAS EFETUADAS PELO GRUPO QUE LEVARAM A ESTA


MELHORIA?

4 – GENERALIZAÇÃO: Solicitar que os subgrupos identifiquem semelhanças do jogo


com o dia-a-dia da empresa. Questiona: “Como deve ser um trabalho em equipe?”

O facilitador enfatiza os aspectos que diferenciam um grupo de uma equipe,


utilizando-se de alguns slides para ilustrar o tema.

5 – APLICAÇÃO: Plano de metas individuais com ações a serem desenvolvidas pelo


participante para melhoria do trabalho em equipe.

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