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A teoria dos estágios cognitivos de Piaget teve início através de suas observações de crianças, inclusive seus filhos, e principalmente ao analisar seus erros de raciocínio em testes de inteligência. (Hélio Teixeira) Ao se questionar por que as crianças faziam as perguntas da maneira como o faziam, ele percebeu que crianças da mesma idade cometiam erros de lógica semelhantes. (Papalia, Diane E. Desenvolvimento Humano)

Baseado em suas análises, Piaget propôs que o desenvolvimento cognitivo começa com uma capacidade inata que as crianças têm de se adaptar ao ambiente, por exemplo, ao procurar o seio da mãe. Esse crescimento cognitivo acontece através de três processos inter-relacionados: organização, adaptação e equilibração. (Papalia, Diane E. Desenvolvimento Humano)

Organização é a capacidade para criar categorias ou sistemas de conhecimento através da observação de suas características individuais. Segundo Piaget, as pessoas criam estruturas cognitivas cada vez mais complexas chamadas de esquemas, que são padrões de organização de pensamentos e informações sobre o mundo, que controlam a maneira como a criança pensa e de comporta em determinadas situações. Ao analisar o ato de sugar da criança, percebe-se que na medida em que ela adquire mais informações, seus esquemas se tornam mais complexos, pois o recém nascido tem um esquema simples de sugar, mas logo desenvolve outros esquemas, como sugar a mamadeira ou o dedo. (Papalia, Diane E. Desenvolvimento Humano)

Adaptação é o modo como a criança lida com novas informações, à luz do que ela já sabe. A adaptação acontece por meio de dois processos: Assimilação, que é o ato de absorver uma nova informação e incorporá-la em uma estrutura cognitiva já existente (Papalia, Diane E. Desenvolvimento Humano). Por exemplo, uma criança de 2 anos de idade que nomeia de “au au” todos os animais peludos e de quatro patas que se assemelhem com o cachorro que ela tem em casa. Suponhamos que o cachorro dessa criança é um grande labrador e quando vai ao parque ela vê um poodle. Segundo Piaget, ela vai assimilar essa nova informação em seus esquemas já existentes sobre esses animais. Entretanto, digamos que essa criança visite um zoológico e veja um leão e um urso. Ela tenta fazer uma assimilação com informações antigas, mas não consegue, o que a deixa um tanto inquieta, e cada vez que sua mãe diz qual animal é aquele, ela modifica seus esquemas. (Hélio Teixeira) Piaget sugere que isso ocorra pela acomodação, que é o ato de ajustar as próprias estruturas cognitivas para incluir novas informações. (Papalia, Diane E. Desenvolvimento Humano)

Equilibração é a tendência de procurar um equilíbrio estável entre os elementos cognitivos, que estabelece a passagem da assimilação para a acomodação. Quando a criança não consegue lidar com as novas experiências

dentro das estruturas cognitivas já existentes, ela experimenta um estado emocional chamado desequilíbrio. Por exemplo, a primeira vez que uma criança vê um avião ela ocasionalmente acredita ser um pássaro (assimilação). Com o passar do tempo ela nota diferenças entre os dois elementos, o que a deixa inquieta (desequilíbrio) e a motiva a mudar sua compreensão (acomodação), dando um novo rótulo ao avião. Ao organizar novos padrões mentais e comportamentais que integram a experiência nova, a criança restaura o equilíbrio. (Papalia, Diane E. Desenvolvimento Humano)

Os processos de assimilação e de acomodação resultam no restabelecimento do equilíbrio, além de um nível mais avançado de pensamento e de adaptabilidade. (Hélio Teixeira)

Para Piaget, durante toda a vida, a busca pelo equilíbrio é a força motivadora por trás do desenvolvimento cognitivo. (Papalia, Diane E. Desenvolvimento Humano)

Referências

TEIXEIRA,Hélio.Teoria do desenvolvimento cognitivo de Jean Piaget.2015.Disponível em<http://www.helioteixeira.org/ciencias-da- aprendizagem/teoria-do-desenvolvimento-cognitivo-de-jean-piaget/>.Acesso em:22 de ago.de 2019

PAPALIA,Diane E; FELDMAN,Ruth Duskin; MARTORELLI,Gabriela. Desenvolvimento Humano / tradução: Carla Filomena Marques Pinto

Vercesi

al.]. 12. ed. Dados eletrônicos. Porto Alegre: AMGH, 2013.

[et

al.]; [revisão eletrônica: Maria Cecília de Vilhena Moraes Silva

et