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Faculdade Reges de Osvaldo Cruz

DISCIPLINA: PSICOPATOLOGIA E AS
DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM
AULA 08/11/2014

Profa Dra Eni de Fátima Martins

Osvaldo Cruz/SP - 2014


PSICOPATOLOGIA E AS DIFICULDADES DE
APRENDIZAGEM

Saúde X Doença

Ensino –
Aprendizagem -
Desenvolvimento
“Saúde é o estado de
completo bem estar
físico, mental e social
e não apenas a
ausência de doença”
(OMS, 1948, apud MEC,
1998)
PSICOPATOLOGIA
DEFINIÇÃO DE PSICOPATOLOGIA (ORIGEM GREGA)

Psico = psykhé (alma) intelecto


Patologia = páthos (doença) + lógos (estudo)

Patologia:

1) especialidade médica que estuda as


doenças (...)
2) qualquer desvio anatômico e/ou fisiológico,
em relação à normalidade, que constitua
uma doença (...) (Dicionário Houaiss)
Psicopatologia: ramo da medicina que
tem como objetivo fornecer a referência,
a classificação e a explicação para as
modificações do modo de vida, do
comportamento e da personalidade de
um indivíduo, que se desviam da norma
e/ou ocasionam sofrimento e são tidas
como expressão de doenças mentais
(Dicionário Houaiss, 2008)
APRENDIZAGEM
Aprendizagem = aprendizado = ato,
processo ou efeito de aprender;

Aprender
1) adquirir conhecimento (de), a partir de
estudo; instruir-se
2) adquirir habilidade prática (em)
3) vir a ter melhor compreensão (de algo),
esp. pela intuição, sensibilidade, vivência,
exemplo (Dicionário Houaiss)
ENSINO
ENSINO

Ensino: ato, processo ou efeito de


ensinar; ensinamento.
1) transferência de conhecimento, de
informação, especialmente de caráter
geral; instrução
2) o sistema (e os métodos) adequado a
essa transferência (Dicionário Houaiss)
PROCESSO
ENSINO APRENDIZAGEM
Processo dialético

Ensino e aprendizagem como totalidade;


processos interdependentes e em
constante movimento.
A perpectiva da psicologia histórico
cultural

Compreende a patologia como processo


multiderminado
Considera a relação Saúde / Doença
Defende a superação da patologização/
medicalização da vida e da vida escolar.
Proposta do módulo “Psicopatologia
e as dificuldades de aprendizagem”

Reflexão Crítica sobre a relação


Psicopatologias e as dificuldades de
aprendizagem

Importância do ensino aprendizagem para o


desenvovimento de pessoas com alguma
psicopatologia.
CLASSIFICAÇÕES
INTERNACIONAIS DE DOENÇAS
CID -10 (Classificação Internacional de
Doenças)

Transtornos relativos a escolarização

Transtornos das habilidades escolares


Transtornos invasivos do desenvolvimento.
Transtornos de atenção e hiperatividade
CLASSIFICAÇÕES INTERNACIONAIS
DE DOENÇAS

DSM.IV (Manual Diagnóstico e Estatístico


de Transtornos Mentais)

TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM
1 - Transtorno da Leitura,
2 - Transtorno da Matemática,
3 - Transtorno da Expressão Escrita e
4 - Transtorno da Aprendizagem Sem
Outra Especificação.
TRANSTORNOS ESPECÍFICOS DO
DESENVOLVIMENTO DAS HABILIDADES ESCOLARES
(…) os padrões de aquisição das habilidades
estão perturbados desde os estágios iniciais
do desenvolvimento. (CID10, p.236)

Importante pensar:

Se entendermos as habilidades como


desenvolvidas no processo apropriação de
conhecimentos como definir essa
perturbação desde o início do
desenvolvimento?
TRANSTORNOS ESPECÍFICOS DO
DESENVOLVIMENTO DAS HABILIDADES ESCOLARES
(…) não são simplesmente uma
consequência de uma falta de
oportunidade de aprender nem são
decorrentes de qualquer forma de
traumatismo ou doença cerebral
adquirida. (CID10, p.236)
Importante pensar:

Qual seria a origem desse transtorno,


então? O que entendemos como
oportunidade para aprender?
TRANSTORNOS ESPECÍFICOS DO
DESENVOLVIMENTO DAS HABILIDADES ESCOLARES
TRANSTORNOS ESPECÍFICOS DO
DESENVOLVIMENTO DAS HABILIDADES ESCOLARES
(…) originam-se de anormalidades no
processo cognitivo, que derivam de (…)
algum tipo de disfunção biológica. (CID10,
p.236)
Importante pensar:

Se é de origem biológica, então seria uma


deficiência? Mas uma deficiência que só
aparece no que se refere a aprendizagem
de conteúdos escolares?
TRANSTORNOS ESPECÍFICOS DO DESENVOLVIMENTO DAS
HABILIDADES ESCOLARES
TRANSTORNOS ESPECÍFICOS DO DESENVOLVIMENTO DAS
HABILIDADES ESCOLARES

1) Transtorno Específico de leitura:

Comprometimento significativo no
desenvolvimento das habilidades de
leitura (compreensão, reconhecimento de
palavras, leitura oral e desempenho em
atividades que requerem leitura)

Omissões, substituições, distorções ou


adições de palavras ou partes de palavras
Baixa velocidade de leitura “perda do
lugar” no texto
Inversões de palavras dentro da sentença
ou de letras dentro das palavras
Incapacidade de lembrar fatos já lidos
Incapacidade de inferir ou tirar
conclusões a partir da leitura.

(Cid 10, p. 240/241)

Inclui dislexia do desenvolvimento


Importante pensar:
Esses itens não seriam elementos
observados em uma boa avaliação
pedagógica?

O que fazer com quando se observa essas


circunstâncias? Deixar de buscar
alternativas para ensinar a criança?

Se não sabemos como ensinar, não seria


um problema para o campo pedagógico e
não para o campo da saúde?
DISLEXIAS, DISGRAFIAS E
DISORTOGRAFIAS.

Dislexias: dificuldade em adquirir a


leitura na idade habitual, exceto
quando existe deficiência sensorial
ou debilidade. (Marcelli, 1998, p.
95)
DISGRAFIAS E DISORTOGRAFIAS.

Disgrafias: escrita com qualidade deficiente


mesmo que não exista deficit neurológico ou
intelectual. (Marcelli, 1998, p. 80)

Disortografias: dificuldades na ortografia.


(...) confusão, inversão, omissão (...)
(Marcelli, 1998, p. 96)
3) Transtorno específico do soletrar
Comprometimento das capacidades de soletrar
oralmente e de escrever corretamente as
palavras por extenso.

4) Transtorno específico das habilidades


aritméticas
Comprometimento das habilidades básicas de
adição subtração, multiplicação e divisão.
TRANSTORNOS DA APRENDIZAGEM

Os transtornos da aprendizagem são


diagnosticados quando os resultados do
indivíduo em testes padronizados e
individualmente administrados de leitura,
matemática ou expressão escrita estão
substancialmente abaixo do esperado para
sua idade, escolarização e nível de
inteligência. (DSM-IV)
IMPORTANTE PENSAR:

COMO DIFERENCIAR UMA


CRIANÇA

DISLÉXICA DE UMA MAL-


ALFABETIZADA?
Esse é um dos pontos centrais da
discussão. Para esse grupo de pretensas
patologias, a única coisa precisa é a
necessidade de longos e caros tratamentos
em clínicas de distúrbios de aprendizagem.
A proliferação dessas clínicas é um ótimo
indicador da freqüência crescente com que
esse "diagnóstico" tem sido feito.
(Moyses e Colares)
TRANSTORNO DE DEFICIT DE ATENÇÃO E
HIPERATIVIDADE

(...) padrão persistente de desatenção e/ou


hiperatividade, mais freqüente e severo do que
aquele tipicamente observado em indivíduos
em nível equivalente de desenvolvimento
(Critério A).
(...) devem ter estado presentes antes dos 7
anos (Critério B).
(...) ocorre em pelo menos dois contextos (por
ex., em casa e na escola ou trabalho) (Critério
C).
A VISÃO BIOLOGICISTA DAS
CLASSIFICAÇÕES INTERNACIONAIS

DE DOENÇAS.
TRANSTORNO DE DEFICIT DE ATENÇÃO E
HIPERATIVIDADE
TRANSTORNO DE DEFICIT DE ATENÇÃO E
HIPERATIVIDADE

(...) padrão persistente de desatenção


e/ou interferência no funcionamento
social, acadêmico ou ocupacional
apropriado em termos evolutivos
(Critério D).
A perturbação não ocorre
exclusivamente durante o curso de um
outro Transtorno. (Critério E).
ALGUMAS CONDIÇÕES ESPECIAIS
DE SAÚDE E DESENVOLVIMENTO

QUE INTEFEREM NA APRENDIZAGEM


Autismo: comprometimento no desenvolvimento
das três áreas interação social, comunicação e
comportamento restrito e repetitivo que se
manifesta antes dos 3 anos .(Cid 10)

Psicoses infantis:
isolamento autístico, condutas motoras alteradas,
linguagem prejudicada ( às vezes apenas ruídos
bizarros, às vezes após se desenvolver com
atraso, se apresenta de maneira anárquica,
pouca articulação), alterações nas funções
intelectuais , nos aspectos afetivos, por exemplo.
( Marcelli, 1998)
Lesões cerebrais: doença ou lesão
cerebral pode produzir transtornos
cognitivos, emocionais, de personalidade
ou de comportamentos. (CID 10, p. 67)

Paralisia cerebral: alteração dos


movimentos controlados ou posturais dos
pacientes, aparecendo cedo, sendo
secundária a uma lesão, danificação ou
disfunção do sistema nervoso central
(SNC) e não é reconhecido como resultado
de uma doença cerebral progressiva ou
degenerativa.. (Leite e Prado, 2004)
Os transtornos incluídos em F80 – F 89
têm os seguintes aspectos comuns
(a) início invariavelmente durante a
infância;
(b) comprometimento ou atraso no
desenvolvimento de funções relacionadas
a maturação biológica do Sistema
Nervoso Central
(c) curso estável que não envolve as
remissões e recaídas como em
transtornos mentais. (CID 10, p.228)
VISÃO DAS CLASSIFICAÇÕES PRIMAM
PELOS ASPECTOS BIOLÓGICOS

A etiologia dos transtornos específicos do


desenvolvimento das habilidades
escolares não é conhecida, mas há a
suposição da primazia dos fatores
biológicos, os quais interagem com os
fatores não biológicos (tais como
oportunidade para aprender e qualidade
do ensino) para produzir as
manifestações.(idem, p.238)
PRINCIPAL QUESTIONAMENTO A
RESPEITO DOS TRANSTORNOS DO
DESENVOLVIMENTO DAS HABILIDADES

ESCOLARES
“Pensa-se que os transtornos originam-se de
anormalidades do processo cognitivo, que
derivam em grande parte de algum tipo de
disfunção biológica. (...) infelizmente, não
há meios diretos e exatos de diferenciar
dificuldades escolares decorrentes de falta
de experiências adequadas daquelas que
transcorrem de algum transtorno
individual.” (Cid 10, p.236/237)
REFERENCIAS
Brasil. Documento Subsidiário a política de inclusão. Secretaria
Especial de Educação. 2005.
Collares, C. A; Moysés, M. A. A. A Transformação
do Espaço Pedagógico em Espaço Clínico (A Patologização da
Educação) Disponível in :
www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_06_p029-031_c.pdf
Jornal Psi. CRP/SP. Dislexia: quem procura acha.
Leite, J. M. R. S. e Prado, G. F. Paralisia cerebral Aspectos
Fisioterapêuticos e Clínicos. Revista Neurociências. 2004.

Marcelli, D. Manual de psicopatologia da infância de


Ajuriaguerra. 5ed. Porto Alegre: Artmed, 1998.

OMS. Classificação Internacional das doenças-CID10. Coord.


Orgaz. Mund. Da saúde. Artes Médicas, 1993.
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro092.pdf

Tuleski, S.C.; Eidt, N.M. Repensando os distúrbios de


aprendizagem a partir da psicologia histórico-cultural. Psicol.
Estud. vol.12 no.3 Maringá Set./Dec. 2007.