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- O Leviatã é criado: República, Estado (Civitas); um homem artificial, com maior força

do que o homem natural, para cuja proteção e defesa foi projetado


- A soberania é uma alma artificial, que dá movimento e vida ao corpo inteiro
- A segurança do povo é sua tarefa
- A guerra civil é sua morte
- Os pactos e convenções mediante os quais as partes deste corpo político foram
criadas, reunidas e unificadas assemelham-se àquele fiat, ao Façamos o homem
proferido por Deus na Criação
- Semelhança de pensamentos e paixões de um homem para com outro. Igualdade
restrita de tudo o que os homens sentem mediante as mesmas circunstâncias
- Aquele que vai governar uma nação inteira deve ler, em si mesmo, não este ou
aquele indivíduo em particular, mas o gênero humano; Igualdade como massificação

DO HOMEM
- Pensamentos do homem: representações ou aparências de alguma qualidade, ou
outro acidente de um corpo exterior a nós, o que se chama objeto
- A origem é aquilo que denominanos sensação. O resto deriva dessa origem
- A causa da sensação é o corpo exterior, ou objeto, que pressiona o órgão próprio de
cada sentido
- O objeto é, ainda assim, uma coisa, e a imagem ou ilusão, uma outra
- Imaginação: depois da desaparição do objeto, convervamos ainda a imagem da coisa
vista, embora mais obscura do quando a vemos. A imaginação é uma sensação em
declínio
- A imaginação e a memória são uma e a mesma coisa, que, por várias razões, tem
nomes diferentes
- Muita memória, ou a memória de muitas coisas, chama-se experiência
- A imaginação dos adormecidos chama-se sonho
- Religião dos gentios: fruto da ignorância em distinguir sonhos das visões e sensações
- A imaginação que é suscitada no homem pelas palavras ou quaisquer outros sinais
voluntários é o que chamamos de entendimento
- Discurso mental: sequência ou cadeia de pensamentos. Não é qualquer pensamento
que se segue indiferentemente a um pensamento
- Todo pensamento vem da experiência. Sem uma sensação anterior não há pensar ou
imaginar
- Prudência: prever com base nos acontecimentos experimentados aquilo que pode
advir de uma situação idêntica ou semelhante. Às vezes chamado de “sabedoria”
- Só o presente tem existência na natureza. As coisas passadas só têm existência na
memória. As coisas que estão por vir não têm existência alguma
- Um signo é o evento antecedente do consequente e, contrariamente, o consequente
do antecedente, quando consequências semelhantes foram anteriormente observadas
- Aquele que tiver visto por que graus e fases um Estado florescente primeiro entra em
guerra civil e depois chega à ruína, à vista das ruínas de qualquer outro Estado suporá
uma guerra semelhante e fases semelhantes ali também; racionalização da política
- Tudo o que imaginamos é finito. Portanto, não existe nenhuma ideia, ou concepção
de algo que denominamos infinito. O nome de Deus é usado não para nos fazer
concebê-lo, mas para que o possamos honrar
- O homem não pode ter nenhum pensamento representando uma coisa que não
esteja sujeita à sensação
- Linguagem: nomes e designações e suas conexões, pela qual os homens registram
seus pensamentos. Se manifestam uns aos outros para utilidade e convivência
recíprocas. Sem linguagem não haveria república, nem sociedade, nem contrato, nem
paz
- A necessidade é a mãe de todas as invenções
- O uso geral da linguagem consiste em passar o nosso discurso mental para o discurso
verbal
- Transformamos o cálculo de sequência de coisas imaginadas no espírito num cálculo
de consequências das designações
- O verdadeiro e o falso são atributos da linguagem, e não das coisas. E se não existir
linguagem, não há nem verdade nem falsidade
- Um homem que procurar a verdade rigorosa deve lembrar o que significa cada
palavra de que se serve, e não empregá-la de acordo
- Na correta definição de nomes reside o primeiro uso da linguagem, o qual consiste na
aquisição de ciência. O contrário gera as doutrinas falsas
- A natureza em si não pode errar
- Sujeito aos nomes é tudo aquilo que pode entrar, ou ser considerado, num cálculo, e
ser acrescentado um ao outro para fazer uma soma, ou subtraído um do outro e deixar
um resto
- Lógos, para os gregos: significava linguagem e razão
- Não havia raciocínio sem linguagem. Ao ato de raciocinar chamaram silogismo, o que
significa somar as consequências de uma proposição a outra
- Quando alguém raciocina, nada mais faz do que conceber uma soma total pela adição
de parcelas, ou conceber um resto pela subtração de uma soma por outra
- Seja em que matéria for que houver lugar para a adição e para a subtração, também
haverá lugar para a razão, e, se não houver lugar para elas, também a razão nada terá
a fazer
- Razão nada mais é do que cálculo das consequências de nomes gerais estabelecidos
para marcar e significar os nossos pensamentos
- Erro: apenas um engano. Havia a possibilidade da consequência
- Absurdo: o insignificante e sem sentido
- O homem, ao conceber qualquer coisa, é capaz de inquirir as consequências disso e
que efeitos pode obter com isso
- Todos os homens por natureza raciocinam de maneira semelhante, e bem, quando
têm bons princípios
- A Ciência é o conhecimento das consequências, e a dependência de um fato em
relação a outro
- A luz dos espíriros humanos são as palavras, mas primeiro limpas por meio de exatas
definições e purgadas de toda a ambiguidade
- Aquilo que os homens desejam se diz também que AMAM, e que ODEIAM aquelas
coisas pelas quais sentem aversão
- Seja qual for o objetod de apetite ou desejo de qualquer homem, esse objeto é
aquele a que cada um chama bom; ao objeto do seu ódio e aversão chama mau. O
bom e o mau é sempre relacionado à pessoa que os usa
- O medo dos poderes invisíveis, inventados pelo espírito ou imaginados com base em
histórias publicamente permitidas, chama-se religião. Quando essas histórias não são
permitidas, chama-se superstição. Quando o poder imaginado é realmente como o
imaginamos, chama-se verdadeira religião
- As ações voluntárias não são apenas as que têm origem na cobiça, na ambição, na
lascívia e em outros apetites em relação à coisa proposta, mas também aquelas que
têm origem na aversão ou no medo das consequências decorrentes da omissão da
ação
- Felicidade: sucesso contínuo na obtenção daquelas coisas que de tempos em tempos
os homens desejam. O prosperar constante
- Escrituras: obediência e sujeição a Deus Todo-Poderoso
- O Poder de um homem consiste nos meios de que presentemente dispõe para obter
qualquer manifesto bem futuro. Pode ser original ou instrumental
- A natureza do poder é neste ponto idêntica à da fama, dado que cresce à medida que
progride; ter poder e permanecer mantendo o poder
- O maior dos poderes humanos é aquele que é composto pelos poderes da maioria
dos homens, unidos por consentimento numa só pessoa, natural ou civil, que tem o
uso de todos os poderes deles na dependência da sua vontade. É o caso do poder de
uma república
- Ter servidores é poder. E ter amigos é poder. Porque são forças unidas
- O Valor, ou a IMPORTÂNCIA de um homem, tal como de todas as outras coisas, é o
seu preço. Isto é, tanto quanto seria dado pelo uso do seu poder. Portanto, não é
absoluto, mas algo que depende da necessidade e julgamento de outrem
- O verdadeiro valor de um homem não será superior ao que for estimado por outros
- Obedecer é honrar, porque ninguém obedece a quem julga não ter nenhum poder
para o ajudar ou prejudicar. Consequentemente, desobedecer é desonrar
- Portanto, a fonte de toda e qualquer honra civil reside na pessoa da república, e
depende da vontade do soberano
- A honra consiste apenas na opinião de poder
- Merecimento: merece algo quem demonstra possuir as habilidades necessárias e
adequadas àquilo que exerce ou exercerá
- A felicidade é uma contínua marcha do desejo, de um objeto para outro, não sendo a
obtenção do primeiro outra coisa senão o caminho para conseguir o segundo
- Tendência geral de todos os homens: um perpétuo e irrequieto desejo de poder e
mais poder, que cessa apenas com a morte
- Daqui se segue que os reis, cujo poder é o maior, se esforçam
por garanti-lo no interior de seus reinos por meio de leis e no
exterior por meio de guerras
- Competição: o caminho seguido pelo competidor para realizar o seu desejo consiste
em matar, subjugar, suplantar ou repelir o outro
- O desejo de conforto e deleite sensual predispõe os homens a
obedecer a um poder comum
- “Só na guerra há honra militar”
- O medo da opressão predispõe os homens à antecipação ou a buscar ajuda na
associação, pois não há outra maneira de assegurar a vida e a liberdade
- Os homens desconfiam
- Quando aprovam uma opinião particular, chamam-lhe opinião, e quando não gostam
dela chamam-lhe heresia
- A ignorância das causas remotas predispõe os homens para atribuir todos os eventos
a causas imediatas e instrumentais, pois são estas causas que percebem
- Tão fácil é os homens serem levados a acreditar em qualquer coisa por aqueles que
gozam de crédito junto deles, que podem com cuidado e destreza tirar partido do seu
medo e ignorância; o homem é um ser capaz de “acreditar”
- Aquilo que faz perder a reputação de sinceridade é fazer ou dizer coisas que pareçam
ser sinais de que não se acredita nas coisas em que se exige que os outros acreditem
- A natureza fez os homens iguais
- Igualdade quanto à capacidade; igualdade quanto à esperança de atingirmos os
nossos fins. Portanto, se dois homens desejam a mesma coisa, ao mesmo tempo que é
impossível ela ser gozada por ambos, eles tornam-se inimigos
- No caminho para seu fim (que é principalmente sua própria conservação) esforçam-
se por se destruir ou subjugar um ao outro
- Desconfiança de uns em relação aos outros; a melhor maneira de garantir sua
antecipação é se antecipar aos outros
- Deve-se conceder a todos esse aumento do domínio sobre os homens pois é
necessário para a conservação de cada um
- Os homens não tiram prazer algum da companhia uns dos outros; ruptura com
Aristóteles
- Três causas principais de discórdia na natureza do homem:
competição, desconfiança e glória. A primeira leva os homens a
atacar os outros tendo em vista o lucro, a segunda, a
segurança, e a terceira, a reputação
- Sem um poder comum capaz de mantê-los em temor respeitoso, os homens vivem
num estado de guerra de todos contra todos
- A guerra não consiste apenas na batalha ou no ato de lutar, mas naquele lapso de
tempo durante o qual a vontade de travar batalha é suficientemente conhecida
- A natureza da guerra não consiste na luta real, mas na conhecida disposição para tal
- Medo contínuo e perigo de morte violenta
- “Que opinião tem ele dos seus compatriotas, ao viajar
armado. Dos seus concidadãos, ao fechar as suas portas. E dos
seus filhos e criados, quando tranca os seus cofres?”
- Onde não há poder comum não há lei, e onde não há lei não há injustiça; tudo é
permitido
- Justiça e injustiça são qualidades que pertecem aos homens em sociedade, não na
solidão
- As paixões que fazem os homens tenderem para a paz são o medo da morte, o desejo
daquelas coisas que são necessárias para uma vida confortável e a esperança de as
conseguir por meio do trabalho
- Direito de Natureza: direito que cada homem tem de usar o seu próprio poder, da
maneira que quiser, para a preservação da sua própria vida
- Estado de absoluta liberdade
- Direito consiste na liberdade de fazer ou de omitir, ao passo que a Lei determina ou
obriga a uma dessas duas coisas
- No estado de natureza todos os homens têm direito a tudo e todas as coisas
- Resignar ao direito a todas as coisas para viver em paz
- Lei de natureza; é esta a lei do Evangelho: Faz aos outros o que queres que te façam a
ti
- Transferência do direito através de declaração ou expressão
- Vínculos mediante os quais os homens ficam atados e
obrigados, vínculos que não recebem a sua força da sua própria
natureza, mas do medo de alguma má consequência resultante
da ruptura
- É um ato voluntário, e o objetivo de todos os atos voluntários dos homens é algum
bem para si mesmo
- A transferência múta de direitos é aquilo a que se chama contrato
- Numa república civil, em que foi instituído um poder para coagir aqueles que do
contrário violariam a sua fé, esse temor deixa de ser razoável
- Sem mútua aceitação não há pacto possível
- Os homens ficam liberados de seus pactos de duas maneiras: ou cumprindo ou sendo
perdoados
- Um pacto em que eu me comprometa a não me defender da força pela força é
sempre nulo. Porque ninguém pode transferir ou renunciar ao seu direito de evitar a
morte, os ferimentos ou o cárcere
- Dado que a força das palavras é demasiado fraca para obrigar
os homens a cumprirem os seus pactos, só é possível conceber,
na natureza do homem, duas maneiras de a reforçar. Estas são
o medo das consequências de faltar à palavra dada, ou a glória
ou o orgulho de aparentar não precisar falar a ela
- A paixão com que se pode contar é o MEDO
- Outra lei de natureza: Que os homens cumpram os pactos que celebram
- Nessa lei reside a fonte e a origem da Justiça; sem um pacto anterior não há
transferência de direitos, logo todos os homens têm direito a tudo; portanto, nada
pode ser injusto; contudo, depois de celebrado o pacto, rompê-lo é injusto
- Para que as palavras “justo” e “injusto” possam ter lugar, é necessária alguma
espécie de poder coercitivo, capaz de obrigar igualmente os homens ao cumprimento
dos seus pactos
- Justiça é a vontade constante de dar a cada um o que é seu.
Onde não há o seu, isto é, não há propriedade, não pode haver
injustiça, e onde não foi estabelecido um poder coercitivo, isto
é, onde não há república, não há propriedade, pois todos os
homens têm direito a todas as coisas
- Todas as ações voluntárias dos homens tendem para seu benefício próprio
- Lei de natureza: COMPLACÊNCIA; cada homem deve se
esforçar por se acomodar com os outros. Cada homem deve ser
adequado à sociedade como as pedras a serem utilizadas na
construção de um edifício. As pedras distoantes, diferentes e
imperfeitas, se não puderem ser corrigidas, devem ser
abandonadas
- Lei fundamental de natureza que ordena procurar a paz. Aos que respeitam esta lei
pode chamar-se sociáveis
- Resumo das leis de natureza: não faças aos outros o que não gostarias que te
fizessem a ti
- As leis de natureza são imutáveis e eternas
- Enquanto os homens se encontram na condição de simples natureza, o apetite
pessoal é a medida do bem e do mal
- Uma PESSOA é aquele cujas palavras ou ações são consideradas quer como as suas
próprias, quer como representando as palavras ou ações de outro homem, ou de
qualquer outra coisa a que sejam atribuídas, seja verdade ou ficção
- Noção de PERSONA
- O direito de fazer qualquer ação se chama autoridade
- Autoridade: o direito de praticar qualquer ação, e feito por autoridade significa
sempre feito por comissão ou licença daquele a quem pertence o direito
- Uma multidão de homens se torna uma pessoa quando é representada por um só
homem ou pessoa, de maneira que tal seja feito com o consentimento de cada um dos
que constituem essa multidão
- Tudo o que o representante diz ou faz tem autoria dos muitos da multidão. A cada
um pertencem todas as ações praticadas pelo representante
DA REPÚBLICA
- Finalidade dos homens para com a criação da república: precaução com a sua própria
conservação e com uma vida mais satisfeita
- Um poder visível capaz de os manter em respeito e os forçar, por medo do castigo, ao
cumprimento dos seus pactos e à observância das leis de natureza
- Resumo das leis de natureza: fazer aos outros o que queremos que nos façam
- Os pactos sem a espada não passam de palavras, sem a força para dar segurança a
ninguém
- A multidão que pode ser considerada suficiente para garantir a nossa segurança não
pode ser definida por um número exato, mas apenas por comparação com o inimigo
que tememos
- Conferir toda a sua força e poder a um só homem ou assembleia de homens para
proteger a todos das invasões dos estrangeiros e dos danos causados de um homem a
outro; reduzir todas as vontades a uma só vontade
- Todos submetendo suas vontades à vontade do soberano, e suas decisões a ele.
- Isto é mais do que consentimento ou concórdia, é uma verdadeira unidade de todos
eles, numa só e mesma pessoa
- É esta a geração daquele grande Leviatã
- Àquele que é portador dessa persona chama-se soberano, e dele se diz que possui
poder soberano. Todos os demais são súditos
- República por INSTITUIÇÃO ou por AQUISIÇÃO
- Como o direito de portar a pessoa de todos é conferido ao que é tornado soberano
mediante um pacto celebrado apenas entre cada um e cada um, e não entre o
soberano e cada um dos outros, não pode haver quebra do pacto da parte do
soberano; consequentemente nenhum dos súditos pode libertar-se da sujeição, sob
qualquer pretexto de que o soberano transgrediu seus direitos
- Se a maioria, por voto de consentimento, escolher um soberano, os que tiverem
discordado devem passar a consentir juntamente com os restantes
- Dado que todo súdito é por instituição autor de todos os atos e decisões do soberano
instituído, segue-se que nada do que este faça pode ser considerado dano a nenhum
dos seus súditos
- Por meio dessa instituição da república, cada indivíduo é autor de tudo quanto o
soberano fizer
- Pertence à soberania ser juiz de quais as opiniões e doutrinas são contrárias à paz, e
quais as que lhe são propícias
- As regras da PROPRIEDADE (ou meum e tuum), tal como o bom e o mau, ou o lícito e
o ilícito nas ações dos súditos, são as leis civis
- Está anexado à soberania o direito de fazer a guerra e a paz com outras nações e
repúblicas
- Dado que o soberano está encarregado dos fins que são a paz e a defesa comuns,
entende-se que ele possui o poder de usar aqueles meios que considerar mais
adequados para o seu propósito
- A autoridade é indivisível e inseparavelmente anexada à soberania
- Soberania: poder ilimitado
- O poder é sempre o mesmo (monarquia, assembleia...), sob todas as formas, se estas
forem suficientemente perfeitas para proteger os súditos
- Monarquia: representante é um só homem; Democracia: representates são vários
homens; Aristocracia: assembleia apenas de uma parte de homens. A diferença entre
essas três reside não no poder, mas na conveniência
- Para haver a paz, só deve e sempre existir um soberano, jamais dois. Apenas um
poder
- Quanto mais intimamente unidos estiverem o interesse público e o interesse
pessoal, mais se beneficiará o interesse público
- Por natureza o homem procura o seu próprio interesse e benefício
- O rei cujo poder é limitado não é superior àquele ou àqueles que têm o direito de o
limitar. E aquele que não é superior não é supremo, isto é, não é soberano
- Eternidade artificial para a vida do poder. O soberano como simples homem ou
homens pode ser finito, mas a soberania em si nasce para ser eterna; direito de
sucessão
- Tudo quanto o representante faz, como ator, cada um dos súditos faz também como
autor
- Tanto na república por instituição quanto na república por aquisição, os homens
assim “se anexam” à soberania por MEDO. Na primeira, por medo uns dos outros. Na
segunda, por medo do soberano que conquista através da força. Mas os direitos e
consequências da soberania são os mesmos em ambos os casos
- O domínio pode ser adquirido de duas maneiras: por geração e por conquista
- Como a preservação da vida é o fim em vista do qual um homem fica sujeito a outro,
supõe-se que todo homem prometa obediência àquele que tem o poder de o salvar ou
de o destruir
- O soberano de cada país tem o direito de domínio sobre todos quantos lá residem
- Há obediência simples naqueles que estão sujeitos ao domínio paterno ou despótico
- Embora seja possível imaginar muitas más consequências de um poder tão ilimitado,
ainda assim as consequências da falta dele, isto é, a guerra perpétua de todos os
homens com os seus semelhantes, são muito piores
- Naquelas nações cujas repúblicas tiveram vida longa e só foram destruídas pela
guerra exterior, os súditos jamais discutiram o poder soberano
- A habilidade de fazer e conservar repúblicas consiste em certas regras, tal como a
aritmética e a geometria
- LIBERDADE ou independência significa, em sentido próprio, a ausência de oposição
(entendendo por oposição os impedimentos externos do movimento), e não se aplica
menos às criaturas irracionais e inanimadas do que às racionais
- Um homem livre é aquele que, naquelas coisas que graças à sua força e engenho é
capaz de fazer, não é impedido de fazer o que tem vontade de fazer
- O medo e a liberdade são compatíveis: quando alguém atira os seus bens ao mar por
medo de fazer afundar o seu barco, apesar disso o faz por vontade própria, podendo
recusar fazê-lo se quiser
- Todos os atos praticados pelos homens no interior de repúblicas, por medo da lei, são
ações que os seus autores têm a liberdade de não praticar
- A liberdade dos súditos está apenas naquelas coisas que, ao regular as suas ações, o
soberano preteriu
- O soberano é obrigado apenas a respeitar as leis de natureza, porque vêm de Deus
- Cada república (não cada indivíduo) tem absoluta liberdade de fazer tudo o que
considerar (isto é, aquilo que o homem ou assembleia que os representa considerar)
mais favorável a seu benefício
- Quando a nossa recusa de obedecer prejudica o fim em vista do qual foi criada a
soberania, não há liberdade de recusar. Caso contrário, há essa liberdade
- Ninguém tem a liberdade de resistir à espada da república em defesa de outrem, seja
culpado ou inocente. Porque essa liberdade priva a soberania dos meios para nos
proteger, sendo portanto destrutiva da própria essência do governo
- O poder ilimitado é soberania absoluta
- Tudo o que é ordenado pelo poder soberano é perante o súdito justificado pela
própria ordem, pois de tal ordem cada um dos súditos é autor
- Toda a união das forças de indivíduos particulares é, se a intenção for malévola,
injusta; e se a intenção for desconhecida é perigosa para o poder público e
injustamente escondida
- O ajuntamento de pessoas é um sistema irregular, cuja legitimidade ou ilegitimidade
depende das circunstâncias e do número dos que se reúnem
- Os protetores, vice-reis e governadores só têm como direitos aqueles que dependem
da vontade do soberano
- Também são ministros públicos os que têm autoridade para ensinar, ou para permitir
a outros que ensinem ao povo os seus deveres para com o poder soberano, instruindo-
o no conhecimento do que é justo ou injusto, a fim de tornar o povo mais apto a viver
em paz e harmonia e a resistir ao inimigo comum
- A Nutrição de uma república consiste na abundância e na distribuição das matérias-
primas necessárias à vida. No seu acondicionamento e preparação e, uma vez
acondicionados, na sua entrega para uso público, atráves de canais adequados
- A abundância depende simplesmente do trabalho e do esforço dos homens
- Porque o trabalho de um homem também é um bem que pode ser trocado por
benefícios, tal como qualquer outra coisa
- A distribuição das matérias-primas dessa nutrição é a constituição do meu, do teu e
do seu. Isto é, uma palavra, da PROPRIEDADE
- É tarefa do poder soberano manter o “meu, teu e seu”, ou seja, a propriedade
- Uma Ordem é quando alguém diz: Faz isto ou Não faças isto, e não se pode esperar
outra razão a não ser a vontade de quem o diz
- Quem ordena visa com isso o seu próprio benefício. Pois o objeto próprio da vontade
de todo homem é sempre algum benefício para si mesmo
- Um Conselho é quando alguém diz: Faz isto ou Não faças isto, mas como benefício
para aquele a quem o diz.
- Na ordem há benefício próprio. No conselho há benefício para outrem
- A ignorância da lei não é desculpa suficiente, já que todos são obrigados a se
informar das leis a que estão sujeitos
- Será que um homem pode agir de tal modo que não seja em benefício próprio?
- Deve portanto estabelecer-se como primeira condição de um bom conselheiro que os
seus fins e interesses são sejam incompatíveis com os fins e interesses daquele a quem
aconselha
- Nunca uma grande república popular se conservou, a não ser
graças a um inimigo exterior que uniu o seu povo, ou graças à
reputação de algum homem eminente em seu seio, ou ao
conselho secreto de uns poucos, ou ao medo recíproco de duas
facções equivalentes, mas nunca graças à consulta aberta da
assembleia
- O conhecimento da lei civil é de caráter geral e compete a todos os homens
- A Lei Civil é para todo súdito constituída por aquelas regras que a república lhe
impõe, oralmente ou por escrito, ou por outro sinal suficiente da sua vontade, para
usar como critério de distinção entre o bem e o mal, isto é, do que é contrário à regra
- As leis são as regras do justo e do injusto
- Ninguém pode fazer leis a não ser o Estado, pois a nossa sujeição é unicamente para
com a república
- Em todas as repúblicas o legislador é unicamente o soberano, seja este um homem,
como numa monarquia, ou uma assembleia, como numa democracia ou numa
aristocracia
- O Soberano é o único legislador
- O Soberano de uma república, quer seja uma assembleia ou
um homem, não se encontra sujeito às leis civis. Como tem o
poder de fazer e revogar as leis, pode, quando lhe aprouver,
libertar-se dessa sujeição, revogando as leis que o estorvam e
fazendo outras novas: por consequência, já antes era livre
- Porque é livre quem pode ser livre quando quiser
- Quem pode obrigar pode libertar. Logo, quem está obrigado perante si mesmo não
está obrigado
- O poder soberano que obriga os homens a obedecer-lhes; Mas quem pode obrigar o
homem a obedecer senão o próprio homem que obedece?
- Dar a cada um o que é seu: ditame da lei de natureza
- Não foi outra a razão pela qual a lei surgiu no mundo senão para limitar a liberdade
natural dos indivíduos, de maneira tal que eles sejam impedidos de causar dano uns
aos outros, e em vez disse se ajudem e se unam contra um inimigo comum
- O legislador não é aquele por cuja autoridade as leis pela primeira vez foram feitas,
mas aquele por cuja autoridade elas continuam a ser leis
- A lei é uma ordem
- As leis de natureza não precisam ser públicadas nem proclamadas, pois estão
contidas nesta única sentença, aprovada por toda gente: Não faças aos outros o que
não consideras razoável que seja feito por outrem a ti mesmo
- Todas as leis, escritas ou não, têm necessidade de uma interpretação. Cabe ao
soberano ou àqueles designados por ele essa interpretação
- De modo que nenhuma lei escrita, quer seja expressa em poucas ou em muitas
palavras, pode ser bem compreendida sem uma perfeita compreensão das causas
finais para as quais a lei foi feita, e o conhecimento dessas causas finais está com o
legislador
- Entende-se que todas as leis obrigatórias são leis em virtude da autoridade de quem
tem poder para as revogar
- No monte Sinai, só Moisés subiu até Deus. O povo foi proibido
de se aproximar sob pena de morte, e mesmo assim foi
obrigado a obedecer a tudo quanto Moisés lhe apresentasse
como lei de Deus
- Em cada república, lei fundamental é aquela que, se eliminada, a república é
destruída e irremediavelmente dissolvida, como um edifício cujos alicerces se
arruínam
- Poder do soberano de fazer o que considerar necessário para o bem público. Poder
da guerra e da paz...
- A lei civil é uma obrigação que nos priva da liberdade que a lei de natureza nos deu
- Todo crime é um pecado, mas nem todo pecado é um crime
- Onde acaba a lei civil acaba também o crime
- A ignorância da lei de natureza não pode se desculpa para ninguém, pois deve supor-
se que todo o homem capaz de usar a razão sabe que não deve fazer aos outros o que
jamais faria a si mesmo. Portanto, seja onde for que alguém se encontre, tudo o que
fizer contra esta lei será um crime
- De todas as paixões, a que menos faz os homens tender a violar as leis é o MEDO
- A lei não olha ao particular, e sim às inclinações gerais da espécie humana
- Uma Punição é um dano infligido pela autoridade pública, a quem fez ou omitiu o que
pela mesma autoridade é considerado transgressão da lei, a fim de que assim a
vontade dos homens fique mais disposta à obediência
- É da natureza da punição ter por fim predispor os homens a obedecer às leis, fim esse
que não será atingido se forem menores do que o benefício da transgressão,
redundando a punição no efeito contrário
- TERROR: uma vez que a finalidade da punição não é a vingança, mas o terror, e uma
vez que se tira o terror de uma pena mais pesada com a declaração de uma que o é
menos, a inesperada adição não faz parte da punição
- Todos os homens que não são súditos ou são inimigos ou deixaram de sê-lo em
virtude de algum pacto anterior
- Todas as repúblicas que têm o seu poder limitado, mesmo que seja pouco, são
levadas a estragos ou mudanças
- Uma opinião incompatível com a natureza da república, é a de que o detentor do
poder soberano está sujeito às leis civis
- É certo que todos os soberanos estão sujeitos às leis de
natureza, porque tais leis são divinas e não podem ser
revogadas por nenhum homem ou república. Mas o soberano
não está sujeito àquelas leis que ele próprio, ou melhor, que a
república fez
- O poder soberano não pode ser dividido, o que significaria dissolvê-lo. Poderes
divididos destroem-se mutuamente
- O cargo do soberano consiste no fim para o qual lhe foi confiado o poder soberano: a
segurança do povo
- A prosperidade de um povo governado por uma assembleia
aristocrática ou democrática não vem da aristocracia nem da
democracia, mas da OBEDIÊNCIA e concórdia dos súditos.
Assim como também o povo não floresce numa monarquia
porque um homem tem o direito de o governar, mas porque
lhe obedece
- Retirem de qualquer espécie de Estado a obediência (e consequentemente a
concódia do povo) e ele não só não florescerá, como a curto prazo será dissolvido
- Também todo soberano deve fazer que a justiça seja ensinada, o que (consistindo eta
em não tirar a nenhum homem aquilo que é dele) equivale a dizer que deve fazer os
homens serem ensinados a não despojar, por violência ou fraude, os seus vizinhos de
nada que seja deles pela autoridade do soberano
- A segurança do povo exige que a justiça seja administrada com igualdade a todas as
categorias do povo, isto é, que tanto aos ricos e poderosos como às pessoas pobres e
obscuras se faça justiça das ofensas contra eles praticadas
- A impunidade faz a insolência. A insolência, o ódio e o ódio, a tentativa de derrubar
toda a grandeza opressora e insolente, ainda que com a ruína da república
- As necessidades de um homem que não puder se sustentar por conta própria devem
ser supridas pela república. Palavras de Hobbes
- Uma boa lei é aquela que é necessária para o bem do povo e além disso clara
- O bem do soberano e do povo não podem ser separados
- Faz parte da segurança do povo que aqueles a quem o soberano entrega os seus
exércitos sejam ao mesmo tempo bons chefes e súditos fiéis. Caso, por exemplo, do
exército e militares
- As condições de simples natureza e absoluta liberdade, com suas consequências de
guerra constante e iminente, são evitadas pelos preceitos das leis de natureza
- Quer os homens queiram, quer não, têm de estar sempre sujeitos ao poder divino
- O direito de natureza, pelo qual Deus reina sobre os homens e pune aqueles que
violam as suas leis, deve ser derivado, não do fato de os ter criado, como se exigisse
obediência por gratidão pelos seus benefícios, mas sim do seu poder irresistível
- Dado que todos os homens por natureza têm direito a todas as coisas, cada um deles
tem direito a reinar sobre todos os outros
- A obediência às suas leis (de Deus, isto é, neste caso, às leis de natureza) é o maior de
todos os cultos

DA REPÚBLICA CRISTÃ
- Fundamento da república cristã: não apenas a palavra de Deus, mas também a sua
palavra profética
- Os sentidos, a memória, o entendimento, a razão e a opinião não podem por nós ser
mudados à vontade, pois são sempre necessariamente tais como no-los sugerem as
coisas que vemos, ouvimos e consideramos. Não são portanto efeitos da nossa
vontade, é a nossa vontade que é efeito deles
- Quando Deus fala ao homem, tem que ser ou imediatamente ou pela mediação de
outro homem, ao qual ele próprio haja antes falado imediatamente
- Livros das Sagradas Escrituras: aqueles que devem ser o Cânone, quer dizer, as regras
da vida cristã
- Como as regras da vida, que os homens são em consciência obrigados a respeitar, o
problema das Escrituras é o problema de saber o que é lei, tanto natural como civil,
para toda a cristandade
- Como já provei que nos seus domínios os soberanos são os únicos legisladores, só são
canônicos, isto é, só constituem lei em cada nação os livros estabelecidos como tais
pela autoridade soberana
- Tanto as histórias e profecias do Antigo Testamento como os Evangelhos e Epístolas
do Novo Testamento tiveram um só e único objetivo, a conversão dos homens à
obediência de Deus
- Como sabemos que elas são a palavra de Deus? Por que acreditamos que elas o são?
A formulação correta da questão é “por que autoridade elas são tornadas lei?”
- Na medida em que não diferem das leis de natureza, não há dúvida de que são a lei
de Deus, e são portadoras de uma autoridade legível por todos os homens que têm o
uso da razão natural, Mas esta autoridade não é outra senão a de toda outra doutrina
moral conforme à razão, cujos ditames são leis, não feitas, mas eternas
- Julgar a autoridade de interpretar as Escrituras
- Quem tiver o poder de tornar lei a qualquer escrito terá também o poder de aprovar
os desaprovar sua interpretação
- O nome de Profeta significa nas Escrituras às vezes prolocutor, quer dizer, aquele que
fala de Deus ao homem, ou do homem a Deus, outras vezes praedictor, aquele que
prediz as coisas futuras, e outras vezes aquele que fala incoerentemente, como os
homens que estão confusos
- Milagres: obras admiráveis de Deus. São feitos para exprimir seus mandamentos,
para que os homens não tenham dúvidas deles (seguindo seu raciocínio natural
privado)
- Coisa minha: interessante a concepção de milagre de Deus em paralelo ao próprio
conceito de soberania em Hobbes. Se o soberano é aquele que pode tudo, que não
está sujeito nem às leis civis que emanam de si, e tudo o que faz é em nome das leis de
natureza, então Deus é seu reflexo escatológico e divino através dos Milagres. Deus
cria, aqui, as leis naturais e a razão natural porque ele mesmo é Causa de tudo.
Contudo, ele mesmo tem o poder de alterá-las desafiando suas próprias leis através do
Milagre. A matéria orgânica com propriedades inafastáveis torna-se imediatamente
outra por meio do poder de Deus. A água tornou-se vinho. Ele mostra, assim, o quanto
é soberano
- Milagre: obra de Deus (além da sua operação por meio da natureza, determinada na
criação) feita para tornar manifesta aos seus eleitos a missão de um ministro
extraordinário enviado para a sua salvação
- Porque as questões de doutrina relativas ao Reino de Deus têm tamanha influência
sobre o reino dos homens que só podem ser decididas por quem abaixo de Deus
detém o poder soberano
- Aqueles a quem Deus não falou imediatamente devem receber do seu soberano as
ordens positivas de Deus, como a família e os descendentes de Abrãao as recebeu do
seu pai, senhor e soberano civil
- Assim como ninguém, exceto Abrãao na sua família, também ninguém, exceto o
soberano numa república cristã, pode conhecer o que é ou o que não é a palavra de
Deus
- Indubitável e eterna lei de Deus: não faças aos outros o que não queres que te façam
a ti
- BATISMO: O que é o batismo? É mergulhar na água. Aquele que é batizado é
mergulhado ou lavado como sinal da sua transformação num novo homem e num
súdito leal daquele Deus cuja pessoa era representada nos tempos antigos por Moisés
e os Sumos Sacerdotes
- O batismo é o sacramento de submissão dos que serão recebidos no Reino de Deus,
quer dizer, na vida eterna, quer dizer, da remissão dos pecados
- O poder de excomunhão não pode ultrapassar os limites que correspondem aos fins
em razão dos quais os apóstolos e pastores da Igreja receberam a sua missão do nosso
Salvador – missão que não consiste em governar pelo mando e pela coação, mas em
ensinar e orientar os homens no caminho da salvação do mundo vindouro
- Canônico: significa regra, e uma regra é o preceito pelo qual se é guiado e dirigido em
qualquer espécie de ação. Mas quando são dados por alguém a quem o que os recebe
é obrigado a obedecer, esses cânones não são apenas regras, mas leis. Portanto, aqui a
questão diz respeito ao poder de transformar em leis as Escrituras
- As Escrituras do Novo Testamento só se tornam leis quando o poder civil legítimo
assim quis
- Quem não tem reino não pode fazer leis
- Embora Deus seja o soberano do mundo inteiro, não somos obrigados a aceitar como
sua lei tudo o que qualquer homem nos possa propor em seu nome, nem nenhuma
coisa contrária à lei civil, à qual Deus nos ordenou expressamente que odedecêssemos
- Os homens que se deixam possuir pela opinião de que a sua odediência ao poder
soberano lhes serão mais prejudicial do que a sua desobediência desobedecerão às
leis, contribuindo assim para destruir a república e introduzir a confusão e a guerra
civil; contra as quais todo o governo civil foi instituído
- Deus não aceita uma obediência forçada, mas apenas voluntária
- Os homens não podem servir a dois senhores
- Essa distinção entre poder temporal e poder espiritual não passa de palavras
- O pretexto de sedição e de guerra civil mais frequente nas repúblicas cristãs teve
durante muito tempo a sua origem numa dificuldade, ainda não suficientemente
resolvida, de obedecer ao mesmo tempo a Deus e aos homens quando as suas ordens
se contradizem
- Quando alguém recebe duas ordens contrárias e sabe que uma vem de Deus, tem de
obedecer a esta e não à outra, embora seja a ordem de seu legítimo soberano
- Coisa minha: Quando o soberano não segue a lei de Deus (isto é, a lei de natureza),
deixou de cumprir sua própria razão-de-ser
- Servos, obedecei a vossos senhores em tudo e Crianças, obedecei a vossos pais em
todas as coisas
- Tudo o que é necessário para a salvação está contido em duas virtudes, fé em Cristo e
obediência às leis
- As leis de Deus portanto nada mais são do que as leis de natureza, a principal das
quais é que não devemos violar a nossa fé, isto é, uma ordem para obedecer aos
nossos soberanos civis, que constituímos acima de nós por um pacto mútuo
- Crença de que as Escrituras são a palavra de Deus: escutar aqueles que estão por lei
autorizados e designados para nos ensinar
- Tendo assim mostrado o que é necessário para a salvação, não é difícil reconciliar a
nossa obediência a Deus com a nossa obediência ao soberano civil, que ou é cristão ou
infiel

DO REINO DAS TREVAS


- Reino das trevas: uma confederação de impostores que, para obterem o domínio
sobre os homens neste mundo presente, tentam, por meio de escuras e errôneas
doutrinas, extinguir neles a luz, quer da natureza, quer do Evangelho, e deste modo
deprepará-los para a vinda do Reino de Deus
- O inimigo tem estado aqui na noite da nossa natural ignorância, e espalhou as taras
dos erros espirituais. Isso fez, primeiro, abusando e apagando as luzes das Escrituras,
pois erramos quando não conhecemos as Escrituras
- Todas as singularidades, quando boas, eram atribuídas ao Espírito de Deus, e as más
a algum demônio. Portanto chamavam demoníacos, possuídos pelo diabo, aqueles que
denominamos loucos ou lunáticos, ou os que tinham epilepsia, ou que diziam qualquer
coisa que eles, por não a compreenderem, consideravam absurda
- O ócio é o pai da filosofia, e a república, a mãe da paz e do ócio
- São os homens e as armas, não as palavras e as promessas, que fazem a força e o
poder das leis

REVISÃO E CONCLUSÃO
- Não há essa incompatibilidade entre a natureza humana e os deveres civis que alguns
supõem
- Outra lei de natureza: cada homem é obrigado pela natureza, na medida em que isso
lhe é possível, a proteger na guerra a autoridade pela qual é protegido em tempo de
paz
- A conquista não é a própria vitória, mas a aquisição pela vitória de um direito sobre
as pessoas dos homens. Portanto aquele que é morto é vencido, porém não
conquistado; aquele que é aprisionado e levado para o cárcere, ou acorrentado, não é
conquistado, muito embora seja vencido, pois é ainda um inimigo e pode fugir, se
conseguir
- A conquista é a aquisição do direito de soberania por vitória. Esse direito é adquirido
com a submissão do povo, pela qual este faz um contrato com o vencedor,
prometendo obediência em troca da vida e liberdade
- A verdade que não se opõe aos interesses ou aos prazeres de ninguém é bem
recebida por todos os homens

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