Você está na página 1de 74

Um pouco de História...............................................................................................................

3
O Samurai de 100 Trades Vitoriosos......................................................................................4
A Sabedoria de Jesse Livermore ............................................................................................5
Candlesticks ..............................................................................................................................6
O Martelo (Hammer): Construindo o Padrão .........................................................................7
O Martelo (Hammer): Realizando Trades ..............................................................................9
Padrões de Continuação: Rising and Falling Three Methods ..............................................11
O Padrão Engolfo .................................................................................................................13
O Padrão Shooting Star ........................................................................................................15
O Padrão Piercing ................................................................................................................18
Indicadores & Estudos ...........................................................................................................20
O Indicador MACD ..............................................................................................................21
Descobrindo Suportes e Resistências com Andrew's Pitchfork ...........................................24
IFR - Índice de Força Relativa .............................................................................................25
Usando Fibonacci Fan ..........................................................................................................27
No Mundo das Médias Móveis.............................................................................................29
Conheça o Estocástico..........................................................................................................33
O Indicador OBV .................................................................................................................37
O Indicador Force Index.......................................................................................................39
Bandas de Bollinger .............................................................................................................42
Parabólico SAR ....................................................................................................................45
Movimento Direcional: ADX, DI+ e DI- .............................................................................47
O Indicador Market Facilitation Index (MFI) ......................................................................50
Trading ....................................................................................................................................52
Regras de Proteção ...............................................................................................................53
Realizando Trades com Triângulos ......................................................................................54
Os Fatores Psicológicos por Trás de Suportes e Resistências ..............................................56
10 Atitudes para Perder Muito Dinheiro na Bolsa ...............................................................58
Técnicas de Utilização do Volume.......................................................................................59
Realizando Trades com Canais.............................................................................................61
Gaps ......................................................................................................................................64
A Física do Mercado ............................................................................................................67
Planejamento de Trades .......................................................................................................69
Tipos de Divergências ..........................................................................................................71
Topos e Fundos Arredondados .............................................................................................73
Um pouco de História

Traders que fizeram e fazem a história do mercado. Conheça mais sobre a trajetória de
grandes investidores, suas técnicas, vitórias e fracassos.

Personalidades
A Sabedoria de Jesse Livermore
Jesse Livermore foi um dos maiores traders da história e ganhou muito dinheiro no famoso crash
de 1929. Neste artigo você encontra uma compilação dos princípios de negociação utilizados por
ele no início deste século e que permanecem importantes nos dias de hoje.
O Samurai de 100 trades vitoriosos
A fascinante história de Munehisa Homma, o samurai que conseguiu realizar 100 trades vitoriosos
consecutivos nos antigos mercados de arroz do Japão.

3
O Samurai de 100 Trades Vitoriosos
A cultura do oriente nos fascina por sua riqueza, suas tradições e sua história. A análise técnica também
faz parte desse contexto, os gráficos de candles possuem mais de duzentos anos de uso e suas origens
estão no Japão feudal. Nessa época, o país vivia um clima militarista, os conflitos eram tantos que os
japoneses referem-se a esse período da história como Sengoku Jidai (tempo do país em guerra). Esse
momento se reflete na nomenclatura de alguns padrões de candles, como counterattack lines (linhas
de contra-ataque) ou three advancing white soldiers (três soldados brancos que avançam).

O Surgimento da Bolsa de Arroz

O centro comercial do Japão estabeleceu-se na cidade de Osaka. Osaka era uma cidade portuária, o que
favorecia em muito o comércio em uma época na qual as viagens por terra eram demoradas e, muitas
vezes, bastante perigosas. O comércio do arroz era a base da economia, sendo, efetivamente, a moeda
nacional. Não é surpresa alguma, portanto, o fato de alguns mercadores de arroz terem se tornado
extremamante ricos. Um desses homens era Yodoya Keian, reconhecido por sua incrível capacidade de
transportar e distribuir o arroz. Seu poder cresceu de tal maneira que o primeiro local (bolsa) de
comércio de arroz formou-se em seu jardim.

O Japão era extremamante segmentado em classes, e o governo militar chamado de Bakufu, acabou por
ficar preocupado com a riqueza e poder dos mercadores. Yodoya teve seus bens confiscados pelo
governo por viver um "estilo de vida" acima de sua condição social. Apesar da intervenção
governamental, o embrião da bolsa japonesa de comércio de arroz estava lançado e o mercado que
existia nos jardins de Yodoya foi, mais tarde, oficializado como bolsa de arroz Dojima (Dojima Rice
Exchange).

Surge Munehisa Homma

O comércio do arroz representava a riqueza de Osaka. Fazendeiros de todo o Japão podiam mandar
sacas de arroz que eram mantidas em armazéns de Osaka. Em troca, recebiam um cupom
representativo do valor, o qual poderia ser vendido a qualquer momento. Começava assim, a formação
de um dois primeiros mercados de futuros do mundo. Apenas na bolsa Dojima operavam cerca de 1300
traders de arroz.

Havia no Japão nesse perído uma rica família de fazendeiros de arroz, chamada Homma. Sua base de
negociação era a cidade de Sakata, uma área onde o comércio de arroz também era bastante forte. Em
torno de 1750 o patriarca da família Homma morreu e o controle dos negócios passou para Munehisa
Homma. Um primeiro aspecto que torna evidente as capacidades de Munehisa é o fato de que tratava-se
do filho mais novo. Na forte tradição hierárquica japonesa quem deveria assumir o posto seria o filho
mais velho, mas a família já conhecia os talentos de Munehisa.

Munehisa foi um verdadeiro cientista do mercado. Ele desenvolveu teorias e passou a guardar
informações detalhadas (registros históricos) sobre condições de clima, preços do arroz e negociações
realizadas. Para compreender a fundo a psicologia dos investidores, analizou os movimentos de preços
do arroz até de negociações ocorridas na época em que os trades eram realizados no jardim de Yodoya.

Não demorou muito para Munehisa passar a atuar e também dominar a grande bolsa Dojima, onde
acumulou uma fortuna gigantesca. Suas técnicas eram tão precisas que ele não via a necessidade de se
fazer presente em Osaka. Desenvolveu um sistema de troca de informações, no qual homens eram
posicionados sobre telhados de casas no caminho entre Sakata e Osaka, e através de bandeiras
comunicavam as intruções de compra e venda geradas por Munehisa.

Conta a história que Munehisa conseguiu fazer cerca de 100 trades consecutivos vitoriosos. Diante
de tamanho poder e conhecimento o governo contratou Homma como consultor financeiro e concedeu a
ele o título de Samurai. Das teorias deste guerreiro dos mercados evoluiram as técnicas de candlestick,
que hoje são utilizadas e pesquisadas em todo o mundo.

4
A Sabedoria de Jesse Livermore
Muito poucos traders fizeram (e perderam) fortunas no mercado financeiro como Jesse Livermore.
Cerca de um século atrás, ele se tornou um dos mais celebrados especuladores de todos os
tempos.

Reminiscences of a Stock Operator, é um livro que conta a trajetória de Livermore no mercado


financeiro. Através de um texto de fácil leitura, oferece ao leitor uma rápida visita à mente de um dos
grandes traders de todos os tempos. É possível aprender junto com Livermore enquanto ele ganhava
e perdia milhões no mercado de ações americano.

Abaixo estão algumas citações de Jesse Livermore. Esses conselhos representam a experiência de um
trader que enfrentou diversas situações, inclusive o famoso crash de 1929:

• Nunca opere baseado em dicas;


• Use um sistema e não saia dele;
• Nunca compre uma ação porque ela teve uma grande queda da sua última alta;
• Se uma ação não agir corretamente não toque-a; porque, não podendo dizer precisamente
o que está errado, você não pode dizer para que lado ela irá;
• Não culpe o mercado pelas suas perdas
• Nunca aumente uma posição perdedora. Uma posição perdedora siginifica que você está
errado;
• Ações nunca estão muito altas para começar a comprar nem muito baixas para começar a
vender. Mas depois da primeira transação, não faça uma segunda a não ser que a primeira
mostre lucro;
• Sempre venda o que mostra um prejuízo e mantenha o que está dando lucro;
• Não discuta com o mercado. Não procure recuperar o prejuízo. Saia enquanto a saída é boa -
e barata;
• Existe somente um lado no mercado financeiro. E não é o lado bull (alta) e nem o lado bear
(baixa) mas o lado certo;
• O maior inimigo de um especulador é sempre o tédio.
• Um homem deve sempre confiar em si mesmo e no seu julgamento se ele espera ganhar a
vida com essa profissão;
• Sempre use gerenciamento de capital;
• Estabeleça o seu plano de trade antes que o mercado abra;
• Detalhe o seu plano para cada trade;
• Estabeleça pontos de entrada e saída e entenda a relação entre risco e recompensa;
• Aceite pequenas perdas como parte do jogo se você quiser vencer;
• Desenvolva um plano de trade para cada situação que você pode vir a enfrentar;
• Não concentre-se no valor em que você empata quando estiver perdendo
• Não liquide uma posição vencedora para manter uma perdedora;
• Desenvolva e mantenha um plano de saída. Siga esse plano com rígida disciplina;
• Tenha paciência. Grandes movimentos demoram para se desenrolar;
• Não fique curioso demais sobre a lógica por trás de um movimento. A chave para a fortuna no
mercado é a simplicidade.

A trajetória e o conhecimento dos grandes traders são uma ótima fonte de aprendizado. Podemos
entender melhor o mercado através da sabedoria que eles adquiriram durante crises assustadoras e altas
espetaculares.

5
Candlesticks

Artigos sobre a arte oriental de análise de mercado utilizando gráficos de candlesticks. Os


candles não se popularizaram tanto por acaso, seu forte e informativo apelo visual em
conjunto com seu dinamismo na geração de sinais constituem uma grande ferramenta
para o investidor.

Entendendo cada Candle


O Padrão Piercing
O piercing é um padrão altista de candles. Neste artigo conheça suas principais características e
os fatores que aumentam sua confiabilidade.
O Padrão Shooting Star
A Shooting Star ou estrela cadente é um padrão que nos fornece sinais sobre o final de um
movimento de alta. Saiba mais sobre esta formação de candle e entenda os critérios que
aumentam sua confiabilidade em conjunto com elementos da análise técnica ocidental.

O Samurai de 100 trades vitoriosos


A fascinante história de Munehisa Homma, o samurai que conseguiu realizar 100 trades vitoriosos
consecutivos nos antigos mercados de arroz do Japão.
O Padrão Engolfo
O padrão engolfo é um dos mais importantes na teoria de candlesticks. É um padrão de reversão
que também forma suportes e resistências.

O Martelo: Realizando Trades


Além de identificar um padrão de candles é preciso saber usá-lo. Leia algumas regras que nos
auxiliam a realizar bons trades com martelos.
Padrões de Continuação: Rising e Falling Three Methods
Os padrões de continuação nos ajudam a aproveitar a tendência. Conheça os padrões Rising e
Falling Three Methods.

O Martelo: Construindo o Padrão


O Martelo é um sinalizador de fundos. Conheça suas características e testemunhe a força do
padrão no acompanhamento diário do mercado.

6
O Martelo (Hammer): Construindo o Padrão
Os padrões de candles são muito bons em dar sinais rápidos sobre o movimento do mercado. Neste
artigo vamos conhecer a fundo o padrão martelo e, em seguida, ver como podemos utilizá-lo em nossos
trades.

O Martelo

O martelo é um dos padrões mais confiáveis de reversão, entretanto, para usá-lo de maneira efetiva
é preciso conhecer suas características. Vamos a elas:

• O martelo possui uma longa sombra inferior e o corpo situado na parte superior do padrão. O
tamanho da sombra deve ser pelo menos duas vezes o tamanho do corpo.
• Para ser um martelo deve surgir após uma baixa. Se a figura aparecer após uma alta ela
provavelmente será um outro padrão chamado o enforcado. Este padrão é idêntico ao martelo,
mas indica reversão para baixa e possui suas próprias particularidades. Será tema de outro
artigo.
• O pequeno corpo do martelo pode ser de qualquer cor, ou seja, o candle pode ser de alta ou de
baixa.
• Se houver sombra superior ela deve ser muito pequena, o ideal é que seja inexistente.

A Força dos Martelos

Como já foi dito os martelos são excelentes indicativos de que a queda que acontecia está por acabar. É
importante lembrar que na teoria de candles um padrão de reversão não quer dizer que começará uma
nova tendência na direção contrária. Ao invés disso, padrões como o martelo sinalizam que a tendência
provavelmente acabou, mas o lado para o qual o mercado irá seguir depende da figura técnica total.

Sejamos práticos, nem sempre o mercado vai parar em um martelo (embora seja um sinal muito bom).
Muitas vezes a queda continuará, portanto, é importante saber os fatores que aumentam a confiabilidade
do martelo:

• Tamanho da sombra: Quanto maior o tamanho da sombra em relação ao corpo melhor. Muitos
analistas, classificam como martelo clássico apenas se a sombra for cerca de 2,5 vezes o corpo.
• É preferível, mas não uma exigência que o candle tenha um fechamento positivo (corpo
"branco"). Esse tipo de martelo também recebe a denominação de linha de força (power line).
• Proximidade com uma região de pressão compradora: A formação do padrão sobre uma zona na
qual existe um suporte, ou um nível de fibonacci, por exemplo, aumenta bastante a chance de
acontecer a reversão.
• Velocidade do movimento de queda: Se a queda foi muito rápida, o mercado pode tornar-se
vulnerável ao acontecimento de uma correção técnica para cima e o martelo pode ser um bom
indício de que esse processo está em andamento.

Observemos agora um gráfico intraday do índice Bovespa:

7
Neste gráfico de 30 minutos o mercado vinha caindo mais de 300 pontos. Surgiu então o padrão
martelo. Após a formação do martelo, a tendência de queda foi interrompida e pelos 120 minutos
seguintes o mercado acumulou antes de começar, efetivamente, um movimento de alta.

Neste artigo, vimos como identificar o padrão e fatores que influenciam em sua confiabilidade. Na parte
2 deste estudo veremos algumas estratégias de utilização do martelo em nossos trades.

Um Pouco de Curiosidade

Para aqueles que gostam de curiosidades um fato interessante é a maneira como os japoneses chamam
o martelo. Segundo Steven Nison em seu livro "Japanese Candlestick Charting Techinques" o termo
utilizado é takuri. O significado da palavra soa como "tentando saber a profundidade da água sentindo o
seu fundo".

8
O Martelo (Hammer): Realizando Trades
Identificar um padrão de candle, como vimos no artigo introdutório sobre o martelo, é o primeiro passo.
Contudo, saber como lucrar usando o padrão é tão fundamental como reconhecê-lo.

Neste artigo vamos ver, de forma direta, algumas regras que podemos utilizar para fazer trades com
martelos.

Princípio 1: O Fundo do Martelo é Região de Suporte

O mercado está confuso e você não sabe exatamente a região de suporte? Se existe um martelo por
perto existem chances gigantescas de que suas dúvidas tenham acabado. O fundo de um martelo (seu
valor mínimo), normalmente, identifica um ótimo suporte.

Vamos ver alguns exemplos:

Neste gráfico diário do índice Bovespa o mercado formou um martelo que colocou fim a uma queda. A
partir daí o mercado reagiu e passou a se movimentar de lado acima dos 14000 pontos. Em meados de
Junho iniciou-se um novo movimento baixista, o qual encontrou suporte na região do martelo que havia
sido formado há cerca de dois meses e meio atrás.

Então, o fundo do martelo é região de suporte. Ótimo. A prática comum em suportes é, obviamente,
comprar. Uma estratégia, portanto, é posicionar as ordens de compra no suporte com um stop abaixo
dessa linha.

Princípio 2: Administrando Risco e Recompensa com o Martelo

Um ponto que nunca deve ser esquecido quando analisamos oportunidades de negócios com a técnica de
candles é a análise de risco/recompensa. Muitos padrões, quando são formados, embora sinalizem
compra, não apresentam uma boa oportunidade de investimento.

Imagine, por exemplo, um martelo com uma sombra muito grande. No momento em que a figura acaba
de ser formado talvez a atratividade de compra seja muito pequena, pois o papel já percorreu um longo
caminho desde seu fundo (a cotação mínima do candle).

Candles sinalizam antes de outros sinais da análise técnica ocidental as possibilidades de reversão.
Entretanto, não carregam com si informações sobre alvos de preços. Dessa maneira, é interessante
antes de fazer investimentos com o martelo analisar o risco/recompensa em conjunto com outras
técnicas.

9
Veja o gráfico acima da Gerdau (GGBR4). O mercado vinha em queda até que um martelo foi formado.
Esse martelo praticamente não tem corpo, sendo também um doji (mais especificamente um dragonfly
doji, mas isso é tema de outro artigo).

Vale a pena comprar neste martelo? Observe que existe uma linha de tendência descendente logo em
cima. Essa linha tem grande potencial de ser uma resistência, logo, talvez a recompensa seja pequena
não justificando a entrada neste trade.

Esse tipo de análise não deve ser negligenciada quando nos preparamos para arriscar nosso dinheiro.

10
Padrões de Continuação: Rising and Falling Three
Methods
Embora sejam conhecidos pelo seu poder de sinalizar reversões, nem só de viradas de tendência vivem
os candles. Existem sim padrões de continuação e eles podem ajudar bastante. Neste artigo vamos
analisar um padrão de continuação de tendência altista chamado rising three methods, como não
poderia deixar de ser, vamos dar uma olhada também em seu análogo baixista o falling three
methods.

Identificando o Padrão

O rising three methods surge em uma tendência de alta, é formado por:

• Um candle branco longo


• Na sequência surge um grupo de candles de corpo pequeno. Esses candles fazem uma
configuração de queda ou de movimento lateral.
• O ideal do padrão é que o grupo de candles seja composto por três. Mas, dois ou mais do que
três não invalidam o padrão desde que as outras "regras" sejam cumpridas.
• Os corpos dos candles pequenos devem estar dentro do espaço entre a máxima e mínima
do candle longo inicial. Note que no intervalo de máximo e mínimo estão incluídas as sombras
do candle longo.
• As cor dos corpos dos candles pequenos pode ser branca ou preta. É preferível que seja preta,
mas o contrário não invalida o padrão.
• O último dia do padrão deve ser uma figura de alta forte com um fechamento acima do
fechamento do primeiro dia do padrão.

Como você já deve estar imaginando, as regras de formação do falling são similares, mas contrárias.
Vejamos as diferenças:

• A tendência deve ser de baixa.


• O primeiro dia é um candle negro longo.
• O último dia deve ser forte, fechando bem abaixo do candle inicial.

A figura abaixo mostra o rising e o falling three methods.

Realizando Trades

Estamos diante de um padrão de continuação. Se você está posicionado (a favor da tendência eu espero)
não há muito a fazer. Posicione seu stop e observe o comportamento do mercado depois da formação do
padrão.

Se você não estiver posicionado é hora da sempre importante análise risco/recompensa. Note que
conforme dito, o último candle do padrão tende a ser intenso, ou seja, o mercado pode já ter subido
bastante e não ser mais atrativo do ponto de vista de compras. Obviamente, entrar ou não depende de
cada situação. Existem resistências por perto? Linhas de tendência? Um lugar em que os traders,
normalmente, posicionam seu stop em relação a este padrão é abaixo da mínima do primeiro candle.
Você, portanto, conhece seu risco, basta avaliar se a provável recompensa vale a pena.

Vamos ver agora um exemplo no índice Bovespa.

11
O mercado vem em sua tendência altista. Após um dia longo de alta surgem em sequência três candles
de corpos pequenos com um claro aspecto corretivo. A psicologia por trás dos three methods é de um
mercado "tomando fôlego" antes de um novo movimento. Após esses três dias, um candle altista forte
fecha bem acima do primeiro candle do padrão. O mercado seguiu, assim, a tendência de alta, conforme
reforçado pelo padrão rising three methods.

Os padrões de continuação ajudam o trader a seguir com a tendência (lembre-se ela é sua melhor
amiga).

12
O Padrão Engolfo
Os padrões de engolfo de alta e de baixa são padrões de reversão de tendência que possuem uma
confiabilidade significativa. Estão entre os padrões de candles mais "famosos". Como reconhecer um
engolfo? Vamos lá, as características do engolfo de alta são:

• Surge em uma tendência de baixa.


• O primeiro dia do padrão é formado por um candle de baixa.
• No segundo dia surge um candle de alta cuja abertura está abaixo da abertura do dia anterior e
o fechamento acima do fechamento do dia anterior. O que acontece é que o corpo do segundo
candle envolve (engolfa) o corpo do primeiro.

O engolfo de baixa é similar com as diferenças esperadas:

• Surge em uma tendência de alta.


• O primeiro dia é um candle de alta.
• O corpo do segundo dia (de baixa) engolfa o do primeiro dia.

Fatores que Fortalecem o Padrão

O engolfo é um padrão de confiabilidade considerável, mas claro que, como todos os padrões de candles,
a confiabilidade sofre influências do momento técnico total. Existem, no entanto, aspectos que sugerem
um engolfo de maior força:

• Surgir após movimento rápido (que pode ter deixado o mercado vulnerável a correções) ou após
uma tendência longa (mercado sobrecomprado/sobrevendido).
• O primeiro dia do padrão ser composto por um candle de corpo pequeno, o que pode indicar a
existência de um balanço entre as forças de oferta e demanda e, portanto, o controle não é mais
tanto dos vendedores/compradores quanto anteriormente.
• Volume forte no segundo dia do padrão.

Vejamos o gráfico abaixo do Bradesco (BBDC4):

13
O papel vinha em uma forte tendência baixista, mesmo surgindo alguns candles de indecisão (como
alguns doji) o mercado continuava em "queda livre". Mas, surgiu no início de julho um grande candle de
alta que juntamente com o candle de baixa anterior mudou a cena técnica formando um padrão engolfo
de alta. Note que após a formação do padrão o papel realizou, por vários pregões, um movimento
consistente de alta.

Formação de Resistência ou Suporte

Um engolfo de alta é um excelente formador de suportes, enquanto que um engolfo de baixa é um ótimo
formador de resistências. Quando surgir o padrão selecione a mínima dos dois dias em caso de engolfo
de baixa, ou a máxima no caso de alta e trace ali uma linha reta. Pronto, você acaba de indentificar uma
provável zona de suporte ou resistência.

Caso você tenha comprado (no engolfo de alta) ou vendido (no engolfo de baixa), essa é uma boa região
para o posicionamento de seu Stop. Nunca se esqueça de realizar a análise de risco/recompensa,
dependendo da situação (mercado corrigiu demais em um único dia, aproximou-se muito de uma
resistência, etc.) o trade pode deixar de ser atrativo, especialmente em curtíssimo prazo.

14
O Padrão Shooting Star
Análise técnica trata de probabilidades. O analista desenvolve uma estratégia com base em um certo
número de ferramentas que são aplicadas aos gráficos, quando 2 ou mais dessas técnicas indicam a
mesma direção as chances de sucesso aumentam. A maioria dos analistas que utilizam candles acaba
sempre prestando atenção dobrada quando o padrão Shooting Star aparece, especialmente se ele
surgir em conjunto com um sinal de topo da análise técnica ocidental.

Características do Padrão

A Shooting Star é um padrão de candle de 1 barra, ou seja, não é um dos chamados padrões compostos,
os quais desenvolvem-se ao longo de 2, 3 ou até mais barras. A Shooting Star, ou estrela cadente,
recebe esse nome porque ela lembra a estrela no horizonte com a cauda para cima. Ela é formada por
um pequeno corpo localizado na parte inferior do candle com uma grande sombra na parte superior.

Não existe regra definida para o tamanho da sombra, mas espera-se que seja de pelo menos 2 vezes o
tamanho do corpo. Como outros padrões do tipo estrela, a cor do corpo não é um fator muito
importante, por isso está representado em cinza na figura abaixo:

Como a maioria das formaçoes de candles, a Shooting é válida em qualquer tempo gráfico desde uma
periodicidade Intraday até mensal, semanal, etc. Sendo um padrão que sinaliza topos (ou seja uma
possível queda) ela deve surgir necessariamente após um movimento de alta.

Assim, resumindo as característiscas do padrão:

• Deve necessariamente vir após um movimento altista.


• O corpo deve ser pequeno e na parte inferior, contrastando com uma grande sombra na parte
superior.
• É válida em qualquer tempo gráfico. Uma observação a ser feita, no entanto, é que em
intervalos muito curtos como 5 minutos a efetividade tende a ser um pouco menor.

Utilização e Confluência

No gráfico abaixo do índice Bovespa (IBOVESPA) está destacada uma Shooting Star:

15
O mercado reage após chegar na região dos 20 mil pontos. O movimento de alta estabelecido começa a
ser posto em dúvida com o surgimento da Shooting Star, indicando através de sua sombra que o
mercado tentou, mas rejeitou novamente o nível de preços de aproximadamente 23.370, confirmando a
última resistência alcançada.

Esse, inclusive, é um ponto importante. O máximo da Shooting estabelece uma nova resistência e
quando o padrão se forma perto de uma resistência já conhecida (como no exemplo mostrado) a técnica
de candles oriental está sendo confirmada por uma técnica da escola gráfica clássica, gerando uma
confluência de sinais que aumentam em muito as probabilidades de uma reversão.

Na figura abaixo um novo exemplo com a Telemar (TNLP4) próximo a uma Banda de Bollinger. Note que
a Shooting possui uma pequena sombra inferior, por ser bastante reduzida em relação ao restante do
candle ela não invalida o padrão.

16
Procure sempre observar se a formação surge junto com resistências, linhas de tendência de baixa,
limites de envelopes, bandas de bollinger e também em conjunto com osciladores em estado de
sobrecompra como IFR, Estocástico, etc. Essas coincidências aumentam muito a confiabilidade. O
artigo que trata de trades com canais mostra uma Shooting Star confirmando o limite superior do
canal, os exemplos existem em grande quantidade e o mercado vai continuar criando novos
continuamente.

Siga sempre trabalhando, pesquisando e aperfeiçoando sua metodologia. Se você gosta de candles
preste atenção nos interessantes sinais de reversão gerados pelas figuras, em especial, quando as
técnicas ocidentais e orientais indicam a mesma direção.

17
O Padrão Piercing
Candles estão entre as ferramentas de preços mais ágeis em gerar sinais importantes, tanto de reversão
quanto de continuação de movimento. Quando prestamos atenção ao contexto no qual um determinado
candle surge e combinamos suas informações com outras técnicas ocidentais os resultados são muito
bons.

Neste artigo vamos conhecer um padrão de reversão chamado piercing. Trata-se de um padrão
altista que surge com alguma frequência e possui características importantes que devemos conhecer
para medir (pelo menos subjetivamente) sua confiabilidade. Como convenção neste artigo usaremos o
período diário para explicar o padrão, mas ele é perfeitamente válido para intervalos de tempo maiores e
também intraday.

Identificando o Padrão

O padrão piercing surge em um movimento baixista, necessitando de dois candles para sua formação:

1. O primeiro é um candle de queda, normalmente com um corpo de tamanho grande em relação a


suas sombras.
2. O segundo é um candle de alta cujo valor de abertura é inferior ao fechamento do dia anterior
(idealmente menor que a mínima). Apesar da abertura ruim para os compradores, durante o dia
existe uma recuperação que resulta em um fechamento que avança bastante para "dentro" do
corpo do candle do primeiro dia.

A figura abaixo ilustra o piercing.

Fatores de Reforço

Existem alguns itens que intensificam a força do padrão:

1. Quanto maior o grau de avanço melhor. Um piercing no qual o candle de alta passa de 80% do
corpo do candle de queda é mais relevante do que outro em que essa penetração é de 50%. Se
esse avanço for de 100% ou mais estaremos diante de um engolfo de alta.
2. Se o segundo dia abre sob ou próximo de um suporte e o candle de alta faz com que o suporte
não seja perdido. Isso mostra que os vendedores não tiveram força de vencer a pressão de
compra daquela região e reforça a indicação de reversão do padrão.
3. Volume considerável no segundo dia.

Esses fatores são importantes, mas os dois últimos não são fundamentais. Existe, contudo, menos
liberdade em relação ao primeiro (grau de avanço), sendo realmente desejável que essa penetração seja
significativa. Se não houver um avanço de pelo menos 50% o padrão passa a ser classificado como um
dos variantes (mais fracas) do piercing chamados de on-neck, in-neck e thrusting. Não vamos abordar
esses padrões neste artigo.

Observe o gráfico da Embratel abaixo (EBTP4):

18
O mercado vem em queda com uma sucessão de candles baixistas (pretos na figura) e no dia 20 de
fevereiro, para satisfação dos vendedores, o mercado abre abaixo da mínima do pregão anterior. No
entanto, ao longo do dia os preços iniciam uma recuperação que leva a um fechamento bem acima,
penetrando fortemente no último candle de queda. Está formado o piercing, o qual foi o ponto de
reversão para um bello rally na EBTP4.

Lembre-se sempre de observar os candles no contexto em que surgem. O piercing, por exemplo, só
possui validade após um movimento de queda. Os candles são uma linguagem de preços rica que pode
contribuir bastante em suas estratégias. O piercing como outros padrões de candles possui o seu padrão
oposto baixista, o dark- cloud (nuvem escura) que será tema de outro artigo.

19
Indicadores & Estudos
Artigos sobre o uso de indicadores e estudos gráficos na análise do mercado financeiro.
Uma grande variedade de informações descrevendo e exemplificando a aplicação de
diferentes técnicas de análise.

Entendendo cada Indicador


O Indicador Market Facilitation index (MFI)
O MFI é uma medida da facilidade ou da eficiência com a qual o preço de um ativo se move para
cada unidade de volume. Com sua análise, podemos classificar o mercado em 4 estados possíveis.
Movimento Direcional: ADX, DI+ e DI-
O estudo do movimento direcional visa responder uma questão fundamental: estamos em uma
tendência ou não?

Parabólico SAR
Poucos conhecem profundamente este interessante indicador, considerado exótico pela maneira
como é plotado. O parabólico é muito útil, sendo bastante usado na composição de sistemas de
trade (trading systems), uma vez que seu uso define regras claras e objetivas de stop tanto na
ponta de compra quanto na de venda.
Bandas de Bollinger
As bandas de Bollinger possuem um relacionamento direto com a volatilidade. Suas características
ajudam a antecipar a ocorrência de movimentos fortes, além de serem excelentes alvos de
preços.

O Indicador Force Index


O Force Index foi desenvolvido pelo Dr. Alexander Elder e pode ser utilizado de diversas maneiras,
sendo especialmente útil quando combinado com um seguidor de tendência. Conheça o Force
Index mais a fundo neste artigo e descubra um oscilador que produz bons sinais de entrada.
O Indicador OBV
O OBV é um indicador versátil criado por Joe Granville. Este indicador utiliza o volume em sua
composição e alterações em sua direção tendem a preceder mudanças nos preços.

Conheça o Estocástico
O estocástico é um importante e versátil indicador. Neste artigo são apresentadas as
características desse oscilador, além de 3 diferentes técnicas de operação que podem ser
aplicadas pelo trader.
No Mundo das Médias Móveis
As médias móveis estão entre as ferramentas mais utilizadas na análise técnica. Conheça neste
artigo os tipos de médias móveis existentes, os fatores importantes na escolha do período de
cálculo e suas técnicas de utilização.

Usando Fibonacci Fan


Os números de Fibonacci aparecem em diversos fenômenos naturais. No mercado financeiro eles
mostram sua força em diversas situações, uma das técnicas que utilizam os números é o
Fibonacci Fan.
IFR - Índice de Força Relativa
O IFR (Índice de Força Relativa) é um indicador versátil e poderoso. Aprenda a reconhecer e
interpretar seus sinais.

Descobrindo Suporte e Resistência com Andrew's Pitchfork


Conheça essa ferramenta para descoberta de zonas ocultas de suporte e resistência.
MACD
Um dos principais indicadores técnicos. O MACD é um ótimo auxiliar para o acompanhamento de
tendências.

20
O Indicador MACD
O MACD é um indicador popular desenvolvido por Gerald Appel. Embora sua utilização seja bastante
difundida, nem todos conhecem suas verdadeiras características e assim desperdiçam uma ótima
ferramenta técnica. Neste artigo você vai entender como o MACD é formado e, principalmente, como
utilizá-lo como um fiel ajudante no acompanhamento de tendências.

Entendendo o MACD

A primeira coisa a observar sobre o indicador são as informações fornecidas pelo seu nome, MACD
(Moving Average Convergence/Divergence) é uma sigla para convergência/divergência de médias
móveis, já indicando que outros indicadores (médias móveis) são usados em sua composição.

A construção do MACD utiliza, portanto, três elementos principais:

• Média móvel exponencial de 26 dias do preço (média longa)


• Média móvel exponencial de 12 dias do preços (média curta)
• Média móvel exponencial de 9 dias do próprio MACD (chamada de linha de sinalização)

Agora que temos os elementos, vamos calcular a linha do MACD. Para isso, basta subtraírmos a média
móvel longa (26 dias) da média móvel curta (12 dias). O resultado será um número que irá oscilar em
torno de zero, vamos analisar os possíveis resultados:

• MACD maior que zero: Neste caso a média móvel de 12 dias é maior que a média de 26, isso
significa que as expectativas mais recentes são mais favoráveis para alta que as anteriores.
• MACD menor que zero: Neste cenário a média de 12 dias é menor que a de 26, mostrando um
panorama mais relacionado a uma situação de baixa.

No gráfico acima, vemos na parte superior os preços e na parte inferior o MACD. O zero no MACD
representa uma região na qual a oferta e demanda estão em equilíbrio. Entretanto, ainda não utilizamos
um dos elementos que formam o MACD que é a linha de sinalização. Através dela iremos identificar
melhor as oportunidades de compra e venda.

Sinais de Compra e Venda

A figura abaixo mostra um exemplo do MACD com sua linha de sinalização traçada na Telemar.

21
A linha de sinalização nos ajuda a identificar pontos de entrada e saída do mercado, o procedimento é o
seguinte:

• Sinal de compra: Um sinal de compra é gerado sempre que o MACD cruza para cima sua linha
de sinalização.
• Sinal de venda: É gerado sempre que o MACD cruza para baixo sua linha de sinalização.

No gráfico, a linha vertical vermelha mostra o ponto no qual o MACD gerou um sinal de venda. Apesar de
não ter sido no topo, a tendência de queda prosseguiu ainda por cerca de 20 pregões. A linha verde
mostra um sinal de compra, note que o sinal não surge no fundo exato (embora próximo), neste caso ele
demorou dois pregões. Enquanto o MACD permanecer sobre/sob sua linha de sinalização a posição de
compra/venda deve ser mantida.

Confiabilidade dos Sinais

Existem diversas ferramentas de análise técnica que podem (e devem !) ser utilizadas para reforçar uma
sinalização de compra ou venda gerada pelo MACD. Uma dessas maneiras é observar a condição de
compra ou venda excessiva do MACD.

Conforme dito anteriormente, a região da linha zero do MACD representa uma área de equilíbrio entre
oferta e demanda. À medida que o indicador se afasta dessa região (seja para cima ou para baixo) maior
é a quantidade de compras ou vendas sobre o ativo ou índice. Ao realizarmos uma inspeção histórica dos
pontos máximos e mínimos que o MACD atingiu ao longo do tempo, podemos ter uma boa idéia se
estamos alcançando uma posição de compra ou venda excessiva, o que facilita a ocorrência de
movimentos corretivos. Assim, se um sinal de compra (venda) surgir próximo a uma região de venda
(compra) excessiva, temos um indicativo mais confiável do que se manifestado em áreas próximas ao
nível zero.

Outras Características Importantes do MACD

Estudamos as principais questões relacionadas ao MACD , como ele indica o momento do mercado e
como podemos utilizá-lo em conjunto com sua linha de sinalização para identificar pontos de compra e
venda. Contudo, para a melhor utilização da ferramenta existem fatores extras que temos de levar em
consideração e assim garantir o uso adequado da técnica.

Lembre-se sempre que o MACD é bastante eficiente para acompanhar tendências. Isso significa que
ele demora para mostrar reversões nos preços ou oportunidades de compra e venda próximas aos
fundos e topos, sua função primordial é simplesmente indicar o que está acontecendo, possibilitando que
você fique junto com a tendência atual do mercado e por consequência minimize os riscos dos seus
investimentos.

22
23
Descobrindo Suportes e Resistências com Andrew's
Pitchfork
Andrew's Pitchfork? Que é isso? Muitas vezes essa é a reação que escuto em conversas sobre níveis
ocultos de suportes e resistências. Isso é plenamente justificável, pois Andrew´s Pitchfork não é uma das
ferramentas técnicas mais populares, especialmente no Brasil.

Entretanto, esse método desenvolvido pelo Dr. Alan Andrews é uma ferramenta útil para detectar zonas
"escondidas" de pressão compradora e vendedora.

Criando o Pitchfork

De maneira simples, o Pitchfork é formado por três pontos. Em nosso exemplo, os três pontos serão um
fundo (ponto 1), um topo (ponto 2) e novamente um fundo (ponto 3). A partir do ponto 1 traça-se uma
linha até o ponto 2 e do ponto 2 até o 3. Linhas retas projetadas a partir desses locais geram o pitchfork.
O ProfitChart possui uma ferramenta específica que gera pitchforks.

Utilização

Conforme dito, o pitchfork mostra suportes e resistências potenciais. No gráfico abaixo intraday da
Bovespa um "R" mostra cada ponto no qual o pitchfork traçado foi resistência e o "S" locais onde foi
suporte.

Assim, na realização de trades temos regiões nas quais a possibilidade de reversão de tendência é maior.
Também possuimos melhores condições de avaliar os valores para colocação de ordens stop.

24
IFR - Índice de Força Relativa
O IFR é um dos indicadores mais utilizados, sendo extremamente útil em diversas situações. Ele pode
ser usado sozinho ou em conjunto com outras técnicas de análise (o que é sempre recomendado).

Criado em 1978 por Welles Wilder, o IFR mede a "força" de um ativo. Ele oscila entre 0 e 100 e pode ser
utilizado em seus trades de 4 maneiras principais, vamos a elas.

Topos e Fundos

Também conhecida como condição de compra ou venda excessiva. O IFR, normalmente, faz um topo
acima do valor 70 e um fundo abaixo de 30. Esses topos/fundos formados no IFR, muitas vezes, são
muito mais claros de serem visualizados do que no próprio gráfico de preços do ativo.

A interpretação feita é que acima de 70 o ativo está em uma condição de compra excessiva, ou seja, os
preços estão altos, levando a pressão compradora a tornar-se fraca e abrindo espaço par uma correção.
De maneira semelhante, abaixo de 30 aconteceram muitas vendas e o ativo está barato, sugerindo
oportunidades de compra que podem dar origem a um movimento altista. Alguns autores acreditam que
em uma tendência grande de alta o valor de 80 é mais adequado para sinalizar a condição de compra
excessiva, enquanto que em um mercado de baixa o limite inferior pode ser ajustado para 20.

Formações Gráficas

O IFR forma padrões como OCO ou triângulos que, muitas vezes, não aparecem no gráfico dos preços,
mas que são perfeitamente válidos, podendo indicar continuação ou reversão de tendência. O exemplo
abaixo, mostra destacado um OCO anunciando queda no IFR que não aparece no gráfico de preços.

Suporte e Resistências

Linhas de suporte e resistência são perfeitamente válidas no IFR, sugerindo, respectivamente, região de
pressão compradora e vendedora.

Divergências

A procura por divergências é um dos principais usos do IFR. A divergência acontece quando o movimento
do IFR "discorda" do que está acontecendo com o preço. Como um exemplo, algumas vezes o gráfico dos
preços faz um novo topo mais alto que o anterior, enquanto que o IFR não acompanha este movimento
ficando abaixo de seu último topo. O que está acontecendo? O IFR está apresentando a você um sinal de

25
fraqueza do mercado de alta e talvez seja uma boa chance de vender. Não é preciso dizer que o
contrário também é válido, se os preços fazem um novo fundo e o IFR não, pode estar surgindo força
compradora.

Acima podemos ver que o índice Bovespa fez um fundo mais baixo, sugerindo a continuação da queda, o
IFR, entretanto, divergiu apresentando nas mesmas posições fundos sucessivamente mais altos. Logo
em seguida, aconteceu a reversão de tendência e os preços acompanharam o IFR.

Outras Características

O IFR pode ser calculado sobre diferentes períodos de tempo, os mais comuns são 9, 14 e 25. Não existe
uma regra formal para o número de dias a ser usado, alguns funcionam melhor para certos mercados,
deve-se então testar e encontrar o que se adapta melhor para os papéis e índices que você analisa.

O cálculo do IFR é feito da seguinte maneira:

Na fórmula, "A" representa a média dos preços de fechamento dos dias de alta do período, enquanto que
"B" a média dos preços de fechamento dos dias de baixa. Como já foi dito, não existe regra bem
determinada para o período de cálculo das médias, mas quanto menor o período maior a volatilidade do
indicador, ou seja, o IFR irá oscilar mais.

O IFR é bastante versátil e pode ajudar muito em seus trades. Muitos analistas concordam que o IFR é
muito eficiente auxiliando na confirmação de uma idéia ou hipótese sobre o mercado. É possível realizar
negócios baseando-se unicamente nesse indicador, mas essa prática não é a ideal. O importante é
possuir uma metodologia que combine algumas técnicas de análise, podendo ser o IFR mais uma
importante arma em seu arsenal.

26
Usando Fibonacci Fan
A maioria dos traders têm entre seus "truques para ganhar dinheiro" a aplicação de técnicas de
Fibonacci.

Na realidade, é surpreendente a maneira como esses números aparecem na natureza. As relações de


Fibonacci manifetam-se em inúmeros fenômenos como na geometria de conchas, forma geral de
furacões e galáxias, etc. O mercado financeiro é decorrência do comportamento humano e, portanto, tais
forças matemáticas possuem uma grande influência. Vamos ver agora um dos usos mais interessantes
do poder desses números: Fibonacci Fan.

Traçando o Fibonacci Fan

A receita para desenhar o Fibonacci Fan começa com a escolha de dois pontos significativos. Um fundo
(ponto 1) e o próximo topo (ponto 2) é um bom exemplo. O passo seguinte é calcular a diferença de
"altura" entre os pontos 1 e 2. Na figura abaixo, a altura aparece ilustrada por uma linha vertical
vermelha. Essa linha, na verdade, não faz parte da técnica, ela está no desenho apenas para mostrar
como acontece a "mágica". O passo final para a criação do Fibo Fan é traçar a partir da origem (ponto
1), linhas que cruzam a linha da altura nos pontos de 38,1%, 50% e 61,8%.

Mas, você não precisa se preocupar com tudo isso, o ProfitChart da Nelogica inclui uma ferramenta de
Fibonacci Fan automática, basta clicar nos dois pontos desejados.

O que o Fibonacci Fan tem a nos dizer?

O Fibonacci Fan é uma ferramenta que une preço e tempo, pode ser um ótimo conselheiro, mostrando
onde escondem-se possíveis suportes e resistências. Vejamos o gráfico do IBOVESPA abaixo:

Foi traçado um Fibo Fan entre o ponto 1 (fundo) e o ponto 2 (topo). A partir da aplicação da técnica
nessa perna de alta, surgiram três linhas de tendência. A primeira foi suporte durante diversas vezes,
como no final de setembro e novamente no final de outubro.

Alguns pregões após o ponto 2 o mercado sofreu uma correção parando na região da linha de 38,2% do
Fibo Fan (final de setembro). A partir daí tivemos uma nova alta, a qual mais tarde veio a retornar para
a linha que tinhamos desenhado há cerca de 1 mês atrás e por um bom tempo não se separaram (os
preços voltavam insistentemente para o Fibo Fan).

27
Com certeza muitos traders fizeram boas compras com as indicações do Fibonacci Fan. Essa é uma das
situações em que as oportunidades de negócios aparecem para os olhos daqueles que praticam a arte da
análise técnica. Bons negócios!

28
No Mundo das Médias Móveis
O uso de médias móveis na análise técnica é como jogar futebol ou ir ao cinema, nunca sai de moda.
Mas, isso tem um motivo e ele é bastante simples: médias móveis são úteis. Existem diversos tipos de
médias como aritmética (ou simples), exponencial, ponderada, Welles Wilder, etc. Nosso foco neste
artigo estará nos dois primeiros tipos, visto que são os mais utilizados e produzem ótimos resultados.

Uma média, como o nome diz, mostra o valor médio de uma amostra de determinado dado. Uma média
móvel aritmética (MMA) é uma extensão desse conceito, representando o valor médio, normalmente
dos preços de fechamento, em um período de tempo.

Na fórmula acima, V representa os diferentes preços, enquanto que N é a janela de tempo sobre a qual
se constrói a média. O parâmetro N é muito importante quando trabalhamos com médias móveis na
análise gráfica, pois é a variável que iremos ajustar para obter melhores resultados. Modificando seu
valor, a média irá responder mais ou menos rapidamente às variações de preços.

Mas, por que média móvel? A palavra móvel está presente pelo fato de que quando uma cotação entra
no cálculo outra cotação sai. Por exemplo, se estamos usando uma média de 20 barras e surge uma
nova cotação a última dessas 20 cotações é excluída do cálculo, enquanto que a mais recente entra.
Assim, a média "movimenta-se" através do gráfico.

Abaixo temos a fórmula da média móvel exponencial (MME). Preço representa o fechamento do dia de
hoje e MMEontem é o valor anterior da média móvel exponencial e K é uma variável dependente do
período N como pode ser visto.

Ao contrário da média simples, na exponencial os dados mais novos possuem uma importância superior.
Além disso, os valores mais antigos não são diretamente descartados quando passam a constar fora da
janela de cálculo. Eles mantém uma participação no valor da média exponencial que vai ficando cada vez
menor com o tempo.

Que Tipo de Média Utilizar?

A resposta para esta pergunta não é simples. Em seu livro "Techical Analysis Explained" Martin Pring
apresenta dados estatísticos que mostram uma maior efetividade das médias aritméticas sobre as
exponenciais no mercado acionário americano entre 1968 e 1987. Os critérios utilizados para esse
estudo estão além do escopo deste artigo. Alexander Elder, em seus clássicos "Trading for a Living" e
"Come Into My Trading Room" defende o uso preferencial de médias exponenciais.

O principal argumento apresentado por Elder é que a média simples é muito sensível às variações do
mercado, pois seu valor recebe uma influência dupla quando um novo dado chega: a inclusão do novo
preço e o descarte do mais antigo. Em uma média exponencial o efeito dos preços antigos permanece e
vai desparecendo com o tempo, além disso o dado mais recente possui um peso maior, fazendo com que
a média reflita de maneira mais adequada o humor atual do mercado.

Usando Médias Móveis

Existem indicadores chamados seguidores de tendências e as médias móveis pertencem a esta classe.
Esses indicadores possuem uma inércia natural, ou seja, não foram projetados para apontar reversões

29
rapidamente. Para sinalizar mudanças rápidas é aconselhável o uso de osciladores como IFR, estocástico
e outros.

A primeira informação importante fornecida por uma média móvel é sua inclinação. Uma média móvel
ascendente mostra um mercado comprador, enquanto que uma média descendente indica um mercado
vendedor. Posicione-se de acordo com o que a média indica, pois ela tende a refletir de maneira
adequada o comportamento dos investidores.

Por ser um indicador seguidor de tendência existe um momento no qual não devemos usar as médias
móveis. Que momento é esse? O mercado seguidamente se coloca em acumulação, movendo-se
lateralmente entre limites de preço. Nesses movimentos, a aplicação das médias só é possível em
períodos muito curtos e mesmo assim existe uma chance considerável de obtenção de sinais errados,
pois não há uma tendência definida a ser seguida.

Médias Móveis Como Suporte e Resistência

A média móvel é uma representação suave da tendência, uma vez que ela filtra oscilações menores.
A média é uma região de suporte/resistência natural e uma de suas principais técnicas de utilização
é formação de posição nas proximidades da média em uma tendência de alta. Nessa região o mercado
tende a buscar forças para uma nova subida.

Observe o gráfico da Telemar (TNLP4) acima entre março e junho de 2003. Uma média exponencial de
22 dias nos sinalizou 5 oportunidades de compra até perder a inclinação ascendente. Não é preciso dizer
que essa técnica de operação é válida também para mercados em queda, nos quais devemos vender
quando acontece o repique até a média móvel descendente.

Para a aplicação dessa técnica o analista pode utilizar-se de outros recursos como comprar na vizinhança
da média apenas quando aparecer um candle de reversão. Note no gráfico que no quinto toque na média
aparece também a figura de um martelo. Qual mecanismo auxiliar utilizar em conjunto com a média fica
a critério de cada trader, de acordo com sua metodologia e ferramentas.

30
Cruzamentos (Crossovers)

Uma outra classe de métodos de utilização das médias móveis é através de cruzamentos. Quando os
preços cruzam a média móvel de baixo para cima é dado um sinal de compra e quando cruzam de cima
para baixo uma venda é sinalizada. Veja o gráfico abaixo da Gerdau (GGBR4). Os preços partem para a
parte superior da média em uma nova tendência de alta.

Uma importante questão é saber quando o cruzamento é verdadeiro. Algumas vezes, os preços
rompem a média e em seguida retornam de volta ao lado original, gerando um sinal falso. Novamente,
não existe regra fixa para identificar a validade dos cruzamentos. Alguns traders definem que o
rompimento é verdadeiro quando os preços superam por um percentual a média (por exemplo, 3%).
Outros preferem aguardar 1 ou mais fechamentos na nova região, se o mercado consegue manter-se
acima/abaixo após o cruzamento o sinal ganha força.

Além do cruzamento dos preços outra técnica usada é o cruzamento entre duas médias, uma longa e
uma curta. Suponha que a média longa seja de 22 barras e a curta de 11. Quando a média de 11
superar a de 22 cruzando para cima, tem-se um sinal de compra, de maneira semelhante, cruzando para
baixo um sinal de venda é caracterizado. Nesta variação, é importante que ambas estejam inclinadas na
mesma direção.

Adaptando a Janela de Tempo

Conforme dito anteriormente, a janela de tempo do cálculo da média móvel é o parâmetro a ser ajustado
em busca de melhores resultados. Como na maior parte das ferramentas da análise técnica não existe
regra exata para dimensionar a média, mas é preciso buscar o equilíbrio para o mercado, o ativo e
tempo de operação visados. Esse equilíbrio é importante pois:

• Quanto maior o período mais suave é o comportamento da média e mais imune a ruídos e
movimentos curtos ela estará. No entanto, se for grande demais pode responder de maneira
muito lenta à mudanças significativas no mercado.

• Quanto menor o período de maneira mais próxima a média seguirá os preços. Contudo, se o
período for pequeno demais a média estará excesssivamente exposta às variações de preços,
perdendo sua utilidade como seguidora de tendências.

31
Como descobrir então com qual média operar? Trabalhando e utilizando a técnica de tentativa e erro.
Comece, por exemplo, com um período como 22 (aproximadamente o número de pregões em um mês)
ou 30 para um gráfico diário. Varie o valor e veja se a resposta do indicador foi superior ou inferior do
que no teste anterior. O processo é semelhante a sintonizar um rádio com aqueles antigos sistemas
analógicos nos quais era preciso girar um botão.

32
Conheça o Estocástico
O estocástico é um importante indicador do tipo oscilador criado por George Lane. Ele mede a
capacidade das forças compradoras de realizar o fechamento próximo ao valor máximo atingido
dentro de um determinado intervalo de tempo e a capacidade das forças vendedoras em trazer esse
fechamento para as proximidades do valor mínimo da janela de tempo.

Existem algumas variações do estocástico. A fórmula do estocástico rápido pode ser vista a seguir:

Onde %K é a chamada linha rápida e %D a linha mais suave. Fech representa o valor de fechamento de
hoje, Min(n) e Max(n) são os valores máximo e mínimo atingidos pelos preços nas últimas n barras.

O parâmetro de tempo, como em outros indicadores pode ser otimizado para nossas necessidades.
Uma janela grande analisa um período de tempo que compreende mais barras, filtrando acontecimentos
menores. Um tempo pequeno, por sua vez, volta sua atenção para os últimos preços oferecendo sinais
de curto prazo.

Ao contrário de seguidores de tendência como MACD e médias móveis (entre outros) os osciladores,
normalmente, são usados em períodos menores, uma vez que são sinalizadores de reversões. Uma
dica é, portanto, começar a realizar seus testes com um período menor do que 10.

Técnicas de Utilização do Estocástico

Vamos ver agora diferentes situações em que podemos usar este ótimo indicador.

Níveis Extremos

O estocástico ajuda a mostrar se um ativo está sobrecomprado ou sobrevendido. Os níveis de


referência utilizados, normalmente, são 85 para limite superior e 15 para limite inferior.

Acima do patamar de 85 o ativo está mais vulnerável à correções, pois houve um impulso forte para
atingir esse nível. Abaixo de 15, houve um movimento de venda acentuado, o qual pode dar lugar a boas
oportunidades de compras.

Uma metodologia possível e seguida no exemplo a seguir para a Acesita (ACES4) é a geração de um
ponto de compra quando o estocástico retorna de baixo de 15 para cima desse patamar. De maneira
análoga, um ponto de venda surge quando o estocástico cruza de cima para baixo o patamar de 85. As
linhas vermelhas horizontais no estocástico representam os níveis de 15 e 85. As linhas verticais azuis no
gráfico de preços mostram as sinalizações de compras, enquanto que as linhas verticais vermelhas
mostram as sinalizações de venda segundo os critérios descritos.

33
Alexander Elder no clássico Trading for a Living faz uma colocação interessante. Talvez mais importante
do que comprar abaixo de 15 ou vender acima de 85 seja não comprar acima de 85 e não vender em
um valor menor do que 15. Isso porque, apesar da vontade de aproveitar o momento forte de um dos
lados, as chances de reversão são bastante grandes.

Entretanto, existe uma técnica que justamente visa explorar um movimento amplo do estocástico. Se a
linha %K atingir o valor 100 (ou 0 em uma queda), e após um pull-back o valor 100 (ou 0) for
novamente alcançado um ponto de compra (venda) é gerado. A teoria consiste em explorar o momento
forte, pois o preço está fechando continuamente próximo do valor máximo (ou mínimo).

Movimento Atenuado

Outra técnica que merece ser descrita explora a indicação de reversão gerada pelo estocástico quando
seu traçado perde a inclinação e fica achatado.

34
Observe a figura acima. Na primeira situação o estocástico vinha em trajetória ascendente. Contudo, o
movimento começa a desacelerar e a angulação é perdida. Nesse momento o mercado está propício a
uma reversão. Esse método pode ser empregado principalmente para operações de curto prazo. A linha
descendente na figura acima ilustra a mesma situação com a diferença que está sendo gerada uma
possibilidade de compra.

Divergências

Como em outros osciladores, divergências no estocástico são uma ótima maneira de observar o
comportamento do mercado.

Quando o gráfico de preços do ativo sucessivamente alcança topos mais altos e o estocástico não
acompanha esse movimento entre em estado de alerta. O mesmos e aplica para quando os preços
fazem fundos mais baixos, mas o estocástico falha em fazer um fundo mais baixo que o anterior criando
a divergência.

No exemplo abaixo da Aracruz (ARCZ6), os preços estavam em movimento baixista acentuado, mas o
estocástico parou de acompanhar o movimento possibilitando que se traçasse uma linha altista unindo
dois fundos. Não demorou para o gráfico mudar o sentido e iniciar uma trajetória altista.

35
Como em todas as outras situações procure otimizar os parâmetros para sua metodologia. Antes de
aplicar na prática realize testes e conheça bem o indicador, estar familiarizado com a ferramenta é
fundamental.

36
O Indicador OBV
O OBV (On Balance Volume) é um indicador momentum que relaciona mudanças no preço com as
variações de volume. Ele foi criado por Joe Granville e a idéia é detectar a direção do fluxo do volume,
ou seja, se está entrando ou saindo volume do ativo.

Trata-se de um indicador bastante utilizado. Sua fórmula de cálculo é simples. Se o fechamento do dia
for superior ao do dia anterior todo o volume é considerado volume de alta. Se o fechamento for
inferior ao do dia anterior, todo o volume é considerado volume de baixa. Assim:

Dia de alta:

• OBV = OBV (ontem) + Volume (hoje)

Dia de baixa:

• OBV = OBV (ontem) - Volume (hoje)

O OBV pode, naturalmente, ser aplicado também para gráficos Intraday. Neste caso, o cálculo não é feito
em termos de dias, mas sim em relação à periodicidade de cada barra.

A interpretação do indicador pode ser feita segundo diferentes técnicas como divergência, quebra de
tendência, padrões, cruzamentos de médias, etc. Veremos alguns desses mecanismos a seguir.

Divergência

Como muitos outros indicadores o OBV permite a análise por divergências. Quando o preço atinge
patamares mais elevados (ou mais baixos) e o OBV não acompanha trata-se de um indicativo extra de
que está faltando força ao movimento e existe probabilidade razoável de reversão. Em um situação como
essa os Stops devem ser encurtados para preservar o lucro da operação ou a entrada no novo
movimento deve ser planejada.

O gráfico acima do Bradesco (BBDC4) mostra que os preços realizaram uma perna de alta, enquanto que
o OBV gerou um topo inferior. O sinal de divergência gerado transformou-se em seguida em um
movimento baixista mais amplo.

37
Elementos da Análise Técnica

Uma das grandes forças do OBV é permitir que os elementos na análise técnica como canais, suportes e
resistências sejam aplicados diretamente em seu gráfico. Utilize essas técnicas da mesma maneira
como faria no gráfico de preços.

O gráfico abaixo mostra o OBV da Cemig (CMIG4). Note como os fundos do OBV formam uma linha de
tendência de alta, a qual após seu rompimento foi testada novamente, servindo agora como resistência
(princípio da inversão).

É claro que seriam necessárias diversas páginas para analisar a fundo todas as características deste
indicador. Entretanto, observando-o constantemente você irá familiarizar-se e logo perceberá as
divergências e as formações mais confiáveis.

Existem indicadores semelhantes ao OBV, contudo mais sofisticados que serão analisados em novos
artigos.

38
O Indicador Force Index
Neste artigo vamos analisar o indicador Force Index desenvolvido pelo Dr. Alexander Elder e
apresentado pela primeira vez no clássico livro Trading for a Living. Em seus livros, Elder refere-se ao
Force Index como uma de suas principais armas e de fato, trata-se de um indicador que possui grandes
qualidades.

Forma de Cálculo

O Force Index relaciona preço e volume. A fórmula utiliza a amplitude do preço entre dois dias (ou
entre duas unidades de tempo da periodicidade sendo usada) e procura medir o tamanho da
movimentação e sua força. Assim:

Force Index = (Fechamento (hoje) - Fechamento (ontem)) x Volume (hoje)

Se a variação for maior que zero o Force Index será positivo. De maneira semelhante, se o fechamento
for inferior ao do dia anterior o Force Index será negativo. O volume entra como um fator que amplifica
ou atenua a importância do dia, ou seja, ajuda a qualificar a relevância da variação.

O Force Index normalmente recebe mais um nível de tratamento, no qual aplica-se uma média móvel
aos seus resultados, sendo mostrado como uma linha ao invés de um histograma. Essa, aliás, é uma das
recomendações do criador do indicador. Dessa forma, ao longo do restante deste texto a notação Force
Index [14], por exemplo, refere-se ao indicador atenuado por uma média móvel de 14 unidades de
tempo.

Entrando em um Trade

Uma das técnicas de utilização emprega um Force Index [2] em combinação com um indicador de
acompanhamento de tendência. No gráfico mostrado a seguir, estamos usando para acompanhar o
movimento uma média móvel exponencial de 22 períodos. Os pontos de entrada podem ser gerados de
acordo com 2 critérios:

• O indicador de acompanhamento de tendência aponta para cima.


• O Force Index [2] está abaixo de zero.

A idéia por trás desse mecanismo é identificar um pequeno momento dos vendedores dentro de uma
tendência de alta e, assim, conseguir comprar por um preço barato. Claro que os Stops devem estar
posicionados, pois o momento dos vendedores pode não ser tão breve como achamos inicialmente.

Entretanto, esta técnica pode gerar melhores resultados se adicionarmos um pequeno recurso extra.
Além dos itens citados acima, o ponto de compra é gerado quando os preços estão próximos da média
móvel. Este item a mais vai diminuir o número de sinais, mas, de acordo com nossos testes, os
resultados são superiores, de modo que recomendamos sua utilização.

O gráfico abaixo mostra a técnica sendo aplicada ao IBOVESPA. As linhas verticais identificam
claramente os pontos de entrada gerados.

39
Os mesmos conceitos podem ser usados para uma operação de venda, basta para isso, inverter as
afirmações. O Force Index [2] deve estar acima de zero e o indicador de acompanhamento de tendência
apontando para baixo.

Exaustão

Muitas vezes um movimento de alta ou de baixa dá um último e forte "suspiro" antes de finalizar sua
trajetória. Esse acontecimento chama-se exaustão e pode ser identificado de algumas maneiras, uma
delas utilizando-se o Force Index [2].

Observe o gráfico abaixo da Petrobrás (PETR4). O indicador realiza um pico muito maior do que o
normal. Essa sinalização mostra uma exaustão no movimento de alta, de modo que nos dias seguintes o
papel iniciou um processo de correção.

40
Divergências

Como muitos outros osciladores procure sempre prestar atenção às divergências entre o Force Index e o
preço. Uma distinção que se faz é que para a observação de divergências é muito melhor trabalhar com
um Force Index maior como [13] ou [22].

Assim, quando o Force Index falha ao fazer um topo mais alto, enquanto o gráfico dos preços consegue,
temos um indicativo de possíveis problemas pela frente. O análogo também é verdadeiro, ou seja, se o
Force Index falha ao fazer um fundo mais baixo, mas os preços conseguem atingir um nível inferior,
temos a indicação de que uma reação altista pode estar surgindo.

O Force Index é um indicador sobre o qual vale a pena dar uma boa estudada. Não existem regras fixas
para os parâmetos e com certeza cada investidor pode encontrar uma configuração ideal para seus
ativos.

41
Bandas de Bollinger
As bandas são uma ferramenta bastante interessante. Como veremos, elas mantém uma relação intensa
com a volatilidade, podendo nos ajudar a antecipar movimentos fortes e identificar pontos de compra e
venda.

Observando o gráfico de um ativo ao longo do tempo é possível perceber períodos de alta volatilidade
e outros nos quais parece que compradores e vendedores fizeram um trato em favor da tranquilidade e
da paz de espirito. A análise detalhada do gráfico, no entanto, nos mostra mais. O preço de um ativo
dificilmente foge de uma determinada região, sendo constantemente atraído para uma zona de
equilíbrio. Essa zona pode ser identificada com a utilização de médias móveis.

A partir dessas observações, o analista técnico John Bollinger criou as bandas de Bollinger. Elas
consistem em duas linhas, uma superior e outra inferior, traçadas a partir de uma determinada distância
de uma média móvel.

Esse conceito é, basicamente, o mesmo de envelopes. Nos envelopes, temos também duas linhas as
quais são calculadas a partir de um determinado percentual de distância da média. A diferença
introduzida por Bollinger está na utilização do desvio padrão. Vamos, então, ver de maneira rápida
alguns conceitos de estatística.

Um Pouco de Estatística

Uma única medida de tendência central nem sempre é adequada para descrever, de modo satisfatório,
um conjunto de dados. Não basta saber o valor em torno do qual os dados se concentram. É preciso
saber o grau de agregação, ou seja, definir e usar mecanismos para quantificar o nível de dispersão dos
dados. O desvio padrão é justamente uma medida da dispersão de um conjunto de dados em relação
a sua média.

Aplicando esse conceito no contexto da análise técnica de um ativo, tem-se que o desvio padrão é uma
medida da volatilidade, ou seja, quanto maior a volatilidade de um ativo maior seu desvio padrão. As
bandas são, portanto, traçadas a um determinado número de desvios padrão de uma média.

O analista sabe que na maior parte do tempo os preços estarão reclusos dentro desse limite. Como é
possível constatar, existe uma relação direta entre as bandas de Bollinger e a volatilidade. Essa
integração é muito interessante e pode ser facilmente percebida graficamente durante acumulações e
quando ocorrem acelerações dos movimentos de preços.

Regras de Interpretação

Existem diversas maneiras de se observar e interpretar as bandas, vamos ver algumas delas.

Estreitamento

Muitas vezes ocorre uma diminuição na volatilidade de um ativo em razão de um certo equilíbrio entre
demanda e oferta. Essa diminuição tem reflexo direto nas bandas, uma vez que elas se aproximam
deixando um canal muito mais estreito. A melhor analogia para o que essa formação representa é a
calmaria que antecede uma tempestade, uma vez que trata-se de um considerável sinal de que um forte
movimento está vindo.

42
Observe o gráfico acima da Ambev (AMBV4). Em final de maio e início de junho de 2003 as bandas
estreitaram-se, permanecendo assim até final de agosto quando um significativo movimento altista teve
início. Ao mesmo tempo em que o rally iniciou-se as bandas começaram novamente a se afastar
refletindo o aumento de volatilidade.

Dessa maneira, as bandas nos fornecem com antecedência o sinal de que existe uma oportunidade de
trade se aproximando, mas para qual lado o mercado vai? Podemos tentar descobrir essa resposta com a
ajuda de alguns indicadores. Uma técnica é procurar divergências ou avaliar a
sobrecompra/sobrevenda através de um oscilador como o IFR, entretanto, não podemos esquecer das
valiosas informações fornecidas pelos indicadores baseados em volume.

Nessas situações, esses indicadores desempenham um papel importante, afinal o volume avalia o grau
de comprometimento financeiro dos investidores. No gráfico acima, vemos uma linha vermelha
descendente nos preços, enquanto que o OBV desenvolve uma trajetória ascendente (divergência
altista). Com essas informações reunidas podemos preparar o trade e fazer uma ótima entrada.

Alcançando as Bandas

Um dos aspectos fascinantes da análise técnica é que mesmo sob as mesmas condições, muitas vezes,
dois analistas enxergam o cenário de maneira completamente diferente. A seguir, analisaremos duas
regras de uso das bandas que parecem antagônicas em um primeiro momento.

Uma dessas regras diz que quando o preço supera uma das bandas espera-se a continuação do
movimento. Essa afirmação é plenamente razoável, visto que o preço superar a banda constitui, sem
sombra de dúvida, uma manifestação de força.

43
Neste gráfico da Telemar (TNLP4) do final de 2003 e início de 2004 vemos os preços superando as
bandas algumas vezes em um contínuo movimento altista. Esta é uma boa maneira de operar e
aproveitar a tendência, principalmente se você gosta de administrar posições por algum tempo.

Entretanto, seguidamente, ao alcançar uma das bandas o mercado reverte para a outra direção, nem
que seja uma rápida pausa para "tomar ar" antes de continuar a escalada ou a queda. Isso acontece
porque ao atingir a linha superior ou inferior, os preços já se distanciaram bastante de sua média e
estão vulneráveis a correções. Sob essa visão, a superação de uma banda é na verdade um alerta que
sugere a liquidação de posições.

A conclusão é que a estratégia de uso das bandas depende do plano de trade. O objetivo é manter a
posição por algum tempo ou realizar trades curtos? Serão trades curtos ou curtíssimos como day-trade?
Sob quais condições técnicas acontecerá a saída? Onde estarão os stops? Essas perguntas devem estar
respondidas.

Outras Dicas de Uso

Entre outros usos, ainda podemos destacar o fato de as bandas serem bons alvos de preços. Assim,
um movimento que se inicia sobre uma banda tende a percorrer todo o caminho até a outra. Outro
mecanismo interessante, sugere que topos ou fundos feitos fora das bandas seguidos por topos ou
fundos feitos dentro são uma boa sinalização de mudança de tendência.

Maiores informações sobre essa interessante ferramenta você encontra no livro de John Bollinger,
Bollinger on Bollinger Bands.

44
Parabólico SAR
Poucos conhecem profundamente este interessante indicador, considerado exótico pela maneira como é
plotado. O parabólico é muito útil, sendo bastante usado na composição de sistemas de trade
(trading systems), uma vez que seu uso define regras claras e objetivas de stop tanto na ponta de
compra quanto na de venda.

Criado por J. Welles Wilder e apresentado em detalhes em seu livro New Concepts in Technical Trading
Systems, o nome parabólico vem do fato de que o conjunto de pontos do indicador apresenta
frequentemente a forma de uma parábola. SAR, por sua vez, significa em inglês Stop And Reverse, ou
seja, pára e reverte. Trata-se de uma menção à maneira como o indicador é empregado, a qual
estaremos estudando a seguir.

Tendência é Fundamental

O primeiro ponto fundamental sobre o parabólico é que ele só deve ser usado em ativos com tendência
definida. Acumulações e movimentos laterais fazem com que o indicador gere diversos sinais não
confiáveis. Lembre-se sempre disso quando estiver observando o parabólico junto a um gráfico.

No gráfico abaixo vemos o parabólico (pontilhado) gerando diversos sinais na Eletropaulo (ELPL4).
Observe o uso conjunto de um seguidor de tendências, no caso uma média móvel exponencial de 26
períodos, cuja forma achatada (flat) torna mais evidente ainda o movimento lateral.

Stops, Entradas e Saídas

O grande mérito do parabólico está na sinalização de saídas. Como dito no artigo sobre
planejamento de trades, a maior parte dos investidores passa 95% do tempo pensando em suas
entradas e praticamente desprezam as condições de liquidação de suas posições. O resultado é a
devolução do lucro obtido ou um prejuízo maior do que o esperado.

A regra de utilização do parabólico nessas condições é simples:

• Deve-se fechar posições de compra quando o preço cai para baixo do parabólico e cobrir
posições de venda quando o preço sobe acima do parabólico.

45
O parabólico é um grande sinal de alerta. Suponha um ativo em tendência de alta, a cada dia o
parabólico subirá de acordo com o tamanho da movimentação dos preços, mas não importando a direção
dessa movimentação. Eventualmente, haverá a intersecção e a superação dos preços pelo parabólico
esse é o sinal de stop-and-reverse.

O indicador pode ser usado também para gerar pontos de compra e venda de maneira independente.
Entretanto é aconselhável que se utilize em conjunto um seguidor de tendência. Assim, um sinal de
compra é gerado quando os preços superam o parabólico e o seguidor de tendência (média móvel,
macd, etc.) indica uma situação altista. No caso de uma média móvel, ela deverá estar com uma
inclinação para cima. Para situações de venda, as condições são similares, mas ao contrário.

No gráfico da Gerdau (GGBR4) acima, vemos que o parabólico sinaliza todas as reações à tendência de
baixa. Se o trader estiver em uma operação de venda ele conta com um aviso claro para cobrir sua
posição ou encurtar os seus stops.

46
Movimento Direcional: ADX, DI+ e DI-
O conceito de movimento direcional é estudado na análise técnica através de seus componentes ADX,
DI+ e DI- que analisaremos em breve. Trata-se de uma informação muito importante, pois visa
responder uma questão fundamental: estamos em uma tendência ou não?

A resposta dessa pergunta influi diretamente na estratégia de operação. Vamos pensar em um mercado
com uma tendência ativa, não importa se para cima ou para baixo, nesta situação temos as seguintes
características:

• Trades mais longos, nos posicionamos “a favor da correnteza” e realizamos a administração


da operação (acompanhamento do stop, liquidação parcial, aumento de posição, etc.).
• As ferramentas usadas são seguidores de tendência, como médias móveis, parabólico SAR
e outros.
• O movimento, em geral, não finaliza bruscamente, o mercado sinaliza que a força está acabando
de diversas maneiras como divergências baixistas, sucessivos candles do tipo doji e outras
formações.

Na condição oposta, tendo a consciência de estarmos em um mercado sem tendência, iremos nos valer
de outros fatores:

• Trades teoricamente mais curtos observando-se os limites de suporte e resistência do


movimento lateral.
• Utilização mais intensa de osciladores (IFR, Estocástico, etc).
• Linhas de volatilidade como bandas de Bollinger estreitam-se.
• O início de uma nova tendência ocorre, muitas vezes, de maneira rápida e forte com um gap de
rompimento e entrada de volume, deixando para trás a acumulação.

Estudando esses aspectos o analista Welles Wilder concebeu a idéia do movimento direcional. A base
de cálculo utiliza-se da comparação dos extremos alcançados pelos preços hoje em relação a períodos
anteriores. Para mais detalhes sobre as particularidades matemáticas, recomendamos o livro New
Concepts in Technical Trading do próprio Wilder.

Componentes do Movimento Direcional: ADX, DI+ e DI-

O ADX (Average Directional Index) consiste em uma média do DI+ e DI- em determinado período. Ele
é calculado de maneira que oscila entre 0 e 100 e indica se o mercado está em tendência ou não.
Embora, como quase tudo na análise técnica, não exista uma regra definitiva, considera-se que o ADX
informa sobre a não existência de uma tendência quando ocorre pelo menos uma das seguintes
situações:

• Apresenta leituras inferiores a 25.


• O ADX aparece sob as linhas DI+ e DI- simultaneamente.

No gráfico abaixo do índice Bovespa temos plotado na parte inferior, para simplicidade do exemplo,
apenas o ADX sem os componentes DI+ e DI-. Observe que no período que estende-se das primeiras
semanas de Junho até os primeiros dias de Agosto temos o ADX sob a linha de 25 (linha azul).
Analisando os preços, confirmamos visualmente um mercado lateral, no qual sistemas baseados em
seguidores de tendência apresentarão um maior número de sinais falsos.

47
O ADX pode ser utilizado também como um sinalizador de final ou de interrupção temporária de uma
tendência. Quando o ADX começa a afastar-se de seu ponto mais alto, deve-se observar cuidadosamente
o cenário técnico para avaliar se chegamos, efetivamente, em um momento de transição. Um sinal
desses sugere, pelo menos, que repensemos o volume de nossas posições compradas ou vendidas.

Conforme dito anteriormente, o sistema direcional conta ainda com os componentes DI+ e DI-. Esses
indicadores geram sinais objetivos:

• Compra: DI+ cruza para cima o DI-.


• Venda: DI- cruza para cima o DI+.

No gráfico a seguir vemos três situações em que houve o cruzamento. Cada um dos cruzamentos está
marcado por um círculo, sendo que o primeiro e o último são sinais de venda, enquanto que o central
indica compra.

48
O sistema direcional possui um mérito fundamental, ele nos deixa no lado certo do mercado. Como
todo o seguidor de tendência existe um “atraso” no indicador, mas em análise técnica muito mais
importante do que topos e fundos exatos é não posicionar-se contra o mercado. Utilize as ferramentas
certas dentro de cada panorama técnico que os gráficos nos mostram.

49
O Indicador Market Facilitation Index (MFI)
Ao analisar o panorama técnico o trader reúne uma série de informações para formar sua opinião e
projetar suas operações. Ao longo dos anos, como não poderia deixar de ser, muitos trabalhos vêm
chamando a atenção sobre a grande importância de se observar o volume no contexto dos movimentos
de preços. Bill Williams em seu livro Trading Chaos, apresenta o Market Facilitation Index (MFI) um
interessante indicador que utiliza as variações de preço e volume para classificar o momento de mercado
em 4 estados possíveis.

O Market Facilitation index e as Situações de Mercado

O MFI é uma medida da facilidade ou da eficiência com a qual o preço de um ativo se move para cada
unidade de volume. A direção do movimento dos preços não importa, apenas sua intensidade. No MFI,
o valor absoluto do indicador também não tem significado, o que importa é seu comportamento
relativo (se está subindo ou caindo). Vale lembrar que existem indicadores nos quais os valores
absolutos possuem uma interpretação. No Índice de Força Relativa (IFR), por exemplo, convenciona-
se que abaixo de um determinado valor, tipicamente 30, o mercado está excessivamente vendido e
vulnerável a correções altistas, no MFI não existem interpretações semelhantes.

O Market Facilitation Index é analisado em conjunto com o volume, levando a quatro situações possíveis:

• MFI crescente e volume crescente: representa um bom momento para estar no mercado, a favor
da tendência atual. O número de participantes do mercado está aumentando e novas posições estão
sendo abertas na direção da tendência.

• MFI descrescente e volume decrescente: mercado desinteressante, muitas vezes essa situação
ocorre ao final de uma tendência.

• MFI crescente e volume descrescente: segundo Bill Williams esta é uma fase chamada Fake
(falso). O mercado continua a mover-se em uma direção principal, mas não há volume gerado pela
entrada de novos participantes, ou seja, o menor volume pode estar representando as atividades
especulativas de poucos participantes, mascarando o sentimento geral do mercado.

• MFI descrescente e volume crescente: mostra um forte confronto entre as forças de compra e
venda. O volume está aumentando, mas os preços não se movem com força. Um dos lados,
inevitavelmente, irá vencer e o movimento tende a ser forte. A estratégia aqui é monitorar até que
ocorra a definição do lado vencedor e se posicionar de acordo. Muitas vezes teremos um gap de
rompimento, a superação dos limites de uma congestão e outros fortes indicativos.

O mercado, frequentemente, torna-se confuso, sendo difícil fomar uma opinião satisfatória. O Market
Facilitation Index nos fornece elementos adicionais na construção de um ponto de partida mais sólido
para a definição de nossas estratégias de operação.

50
51
Trading
Estratégias e metodologias que irão ajudá-lo a aplicar de maneira mais eficiente suas
técnicas de análise. Além de conhecer os métodos, é importante que o investidor esteja
atento para as diferentes maneiras de alavancar ganhos e também preservar o capital.

Fazendo um Trade
Topos e Fundos Arredondados
Topos e fundos arredondados são padrões de reversão da análise técnica. Apresentam
características interessantes de preço e volume e, em muitas situações, antecedem movimentos
de grande amplitude.
Tipos de Divergências
Divergências entre o preço e indicadores momentum são sinais valiosos para o trader. No
entanto, isso é só a ponta do iceberg, conheça neste artigo os diferentes tipos de diverência e as
características que aumentam a sua confiabilidade.

Planejamento de Trades
Este artigo apresenta uma série de guias para estruturar um bom planejamento de operações.
Através da definição de ações objetivas, auto-avaliação, geração de registros e outras atitudes
importantes, é possível aperfeiçoar a metodologia de operação e atingir grandes resultados.
A Física do Mercado
Neste artigo, apresentamos algumas situações do cotidiano da análise técnica sob o ponto de
vista da física do mercado financeiro. Inércia, força gravitacional e retroalimentação são alguns
dos fenômenos naturais que podem explicar o comportamento de certos padrões gráficos.

Gaps
Gaps não são apenas espaços vazios nos gráficos. Eles trazem uma série de informações
importantes que podem influenciar diretamente a percepção do trader sobre o movimento. Neste
artigo conheça mais sobre os gaps, os tipos existentes e os apectos emocionais por trás dessas
formações.
Realizando Trades com Canais
O conhecimento do comportamento dos canais oferece diversas oportunidades de operação.
Muitas vezes com o alvo de preços (target) previamente definido.

Técnicas de Utilização do Volume


O volume é um componente da análise muitas vezes esquecido. Neste artigo conheça algumas
maneiras de aproveitar as informações fornecidas pelo volume e sua relação com os preços.
10 Atitudes para Perder Muito Dinheiro na Bolsa
Com a experiência vem a sabedoria. Entretanto, aprender com os tropeços alheios pode
economizar tempo e dinheiro. Veja neste artigo 10 atitudes a serem evitadas para não perder
dinheiro na bolsa.

Os Fatores Psicológicos por Trás de Suportes e Resistências


Suportes e resistências são ferramentas técnicas de importância fundamental. Conheça os
aspectos psicológicos que tornam esses níveis de preços tão interessantes e fantásticos.
Realizando Trades com Triângulos
Existem algumas maneiras de realizar operações com os diferentes padrões. Com triângulos não é
diferente, existem estratégias que visam uma maior lucratividade e outras um menor risco inicial.

Regras de Proteção
Os investidores bem-sucedidos não se cansam de falar sobre a importância da preservação do
capital. Conheça a regra do 2% e 6%.

52
Regras de Proteção
Todo investidor sabe que, eventualmente, terá prejuízo com um trade. Perder dinheiro é sempre
desagradável, entretanto o trader disciplinado sabe que é uma ótima oportunidade para aprender.
Algumas perguntas que devem ser feitas nesse momento são:

• Será que fui levado pela emoção?


• Fui influenciado por opiniões de outras pessoas (e com as quais eu não concordava)?
• A técnica de investimento utilizada foi mal aplicada?

O importante é melhorar sempre detectando os pontos falhos. Mas, para continuar investindo é preciso
tomar cuidado para não comprometer todo ou a maior parte do capital em um trade perdedor. Para isso,
existem algumas técnicas de limitação de perdas que podem ser utilizadas.

Sistema de Proteção

Um sistema de proteção simples, mas funcional é definir, antes da realização dos trades, um máximo
valor de perda aceitável em determinado período de tempo. Assim, ao atingir esse valor a pessoa deve
de maneira mecânica, sem hesitações, encerrar suas posições perdedoras. Os usuários de ordens Stop,
normalmente, têm mais facilidade em aplicar esse tipo de estratégia do que os investidores que utilizam
apenas ordens de mercado.

A regra de 2%

Muitos livros e artigos referem-se à regra de 2%. Essa regra diz que 2% da sua conta de investimentos
em renda variável é o máximo que deve ser arriscado em cada trade individual. Seguindo essa
estratégia, quando a diferença entre os valores de compra e venda no trade perdedor atingirem 2% do
montante da carteira o melhor a fazer é zerar a posição. Dependendo do perfil, alguns investidores
podem achar esse valor pequeno, uma vez que excluiria oportunidades de trades com uma recompensa
potencial alta e consequentemente com um risco maior. Cada investidor deve analisar sua situação, de
seu mercado e taxas de corretagem antes de determinar um número com o qual se sinta confortável. Os
defensores da regra de 2%, no entanto, lembram que muitos profissionais acham 2% um valor muito
elevado e utilizam percentuais bastante inferiores como 0,5%.

A regra de 6%

Uma vez tendo determinado o percentual máximo de prejuízo por trade, é necessário identificar o total
de perdas admitido dentro de um período de tempo. O intervalo normalmente utilizado é de um mês.
Isso é necessário, pois mesmo sabendo qual o limite de perdas aceitável por investimento, é preciso
considerar que as perdas podem ocorrer em sequência e ter uma ação devastadora no capital de
investimentos. Dessa maneira, uma regra utilizada é a regra de 6%. Se as perdas de um mês atingirem
6% da carteira de investimentos as posições devem ser zeradas e novos trades não devem ser
realizados (no mês inteiro). Não importa se estamos na primeira ou última semana.

Regras de limitação de perdas são muito importantes. Os traders que possuem um alto envolvimento
emocional com suas carteiras devem, especialmente, determinar claramente quais são os valores
aceitáveis. É também importante que uma vez criada a política de proteção ela seja, efetivamente,
cumprida. Deve-se evitar pensamentos e atitudes do tipo: "Tudo bem, aceito uma perda de 15%, mas só
este mês".

53
Realizando Trades com Triângulos
Triângulos são bastante utilizados na análise técnica. Eles refletem um momento de indecisão do
mercado, possuindo um caráter corretivo.

Uma observação que tenho feito é que muitos analistas e investidores que acompanham o mercado
conseguem com sucesso identificar esse padrão. Entretanto, existem muitas dúvidas sobre como realizar
trades com triângulos. Para ver mais sobre a identificação dessas figuras e suas variações consulte o
capítulo sobre triângulos no tutorial de análise técnica.

Estratégia de Trade 1: Compra/Venda Sem Pullback

Durante a formação do padrão, normalmente, vemos que o volume decresce. No rompimento,


entretanto, o volume tende a aumentar bastante. A primeira estratégia, portanto, é aproveitar essa nova
força compradora (ou vendedora caso o triângulo rompa para baixo e você deseje operar na ponta de
venda) e entrar no movimento. O stop inicial, por sua vez, pode ser colocado sob (sobre no caso
descendente), uma vez que tende a ser zona de suporte (resistência).

A figura abaixo mostra um triângulo simétrico, um triângulo ascendente e um descendente. Nos dois
primeiros casos, uma compra deve ser realizada na ruptura ou próximo dela. No caso do triângulo
descendente efetuamos uma venda nesse ponto.

O triângulo é um padrão de continuação de tendência, mas é importante lembrar que não


necessariamente um triângulo simétrico ou ascendente vai romper para cima e um descendente para
baixo. O rompimento pode ser para qualquer direção, mas a estratégia de operação é a mesma.

Estratégia de Trade 2: Compra/Venda com Pullback

Muitas vezes o mercado após romper um nível de suporte/resistência realiza um retorno e testa o nível
rompido (ou a região próxima) novamente antes de prosseguir na direção do movimento inicial. Esse
retorno chama-se pullback.

Uma das estratégias com triângulos é, portanto, aproveitar o pullback que acontece muitas vezes. Após
o rompimento o mercado volta ao nível do triângulo e, a partir desse ponto, recomeça a subir/descer. A
compra/venda neste caso deve ser realizada no rompimento do novo topo/fundo formado no pullback.
Esse modo de operação está ilustrado na figura abaixo, a linha vermelha indica o nível no qual a
compra/venda deve ser realizada.

O stop inicial é colocado abaixo/acima do fundo/topo formado pelo pullback.

54
Comparativo Entre as Estratégias

Considerando um mesmo triângulo, a lucratividade potencial tende a ser maior no caso 1, uma vez
que entramos mais cedo no trade. Além disso, podemos realizar esse trade sempre que houver o
rompimento, enquanto que no caso 2 podemos esperar um pullback que pode nunca vir a acontecer e
assim perdermos uma boa oportunidade.

O caso 2, contudo, pode ser considerado um pouco mais seguro, pois temos, normalmente, condições
de colocar um stop menor e sabemos que estamos próximos a uma zona de suporte , por exemplo.
Podemos estimar também o alvo de preços com maior precisão agregando as projeções do próprio
triângulo com extensões de fibonacci, o que nos fornece uma idéia melhor sobre a recompensa do trade.

Triângulos: Projetando Alvos para os Preços

Utilizando triângulos é possível projetar o valor futuro dos preços. Existem duas técnicas principais para
isso. A primeira delas (técnica 1), consiste em tomar a medida do maior lado do triângulo e projetá-la no
ponto de rompimento.

A segunda maneira (técnica 2) é traçar uma linha paralela à linha do lado oposto do rompimento.

Essas duas maneiras estão ilustradas na figura abaixo com um triângulo simétrico (técnica 1) e um
triângulo ascendente (técnica 2), a linha vermelha representa a projeção do alvo dos preços.

55
Os Fatores Psicológicos por Trás de Suportes e
Resistências
Suportes e resistências estão entre os primeiros conceitos que aprendemos quando começamos a
estudar análise técnica. Eles refletem, diretamente, a idéia de "comprar barato e vender caro" que habita
os sonhos e intenções de qualquer investidor. Mas, como se formam esses níveis? O que faz com que
determinado papel não consiga romper uma resistência antiga? A resposta para essas questões é ao
mesmo tempo simples e complexa, assim como são os seres humanos.

Comprometimento, envolvimento e orgulho

Uma das frases mais notórias e felizes usadas para diferenciar envolvimento e comprometimento diz que
a galinha está envolvida com a omelete enquanto que o porco está comprometido com a feijoada. A
distinção possui esse nível de grandeza mesmo, quando estamos verdadeiramente comprometidos nos
esforçamos, torcemos, enfim, fazemos tudo ao nosso alcance para que as coisas aconteçam conforme o
planejado.

Quando olhamos os gráficos na tela do computador e formulamos uma estratégia de trade passamos a
ter um envolvimento com nossa hipótese. Quando decidimos dar o passo seguinte e a ordem é enviada,
querendo ou não, passamos a possuir um compromisso financeiro com a operação. A partir desse
momento, o trader precisa saber gerenciar suas emoções, caso contrário uma série de pensamentos
destrutivos podem por tudo a perder.

Quando o investidor está comprometido, muitas vezes o orgulho o impede de admitir que está errado.
Quanto dinheiro já foi perdido com a idéia de que "o mercado vai virar a qualquer momento". O primeiro
fator, portanto, que torna tão poderosas as zonas de suporte e resistência é o comprometimento comum.
Vendo os gráficos, o analista sabe que muitos investidores estão dipostos a se comprometer, comprando
ou vendendo, em determinado nível, o que aumenta muito a confiança no trade . Se, por acaso, o
suporte ou resistência falhar ele sabe que muitos outros analistas erraram também o que leva a um
impacto menor em sua auto-estima. Assim, mais do que zonas de pressão compradoras ou vendedoras,
suporte e resistências são níveis de maior segurança psicológica. Abaixo algumas zonas de suporte e
resistência no índice Bovespa durante o movimento lateral de fevereiro/março de 2004.

Alívio e arrependimento

Suponha que você acompanha em sua carteira o papel X. Por um bom tempo ele vem oscilando em
torno de R$ 30,00. Repentinamente, uma alta rápida acontece e, por uma razão qualquer, você acaba
não entrando no trade. O papel hoje está valendo R$56,00 e você fica imaginando o bem que esse lucro
faria para sua carteira de investimentos. Se você permitir, o arrependimento irá assombrá-lo por
alguns dias.

56
Entretanto, uma série de correções acontece. Conforme os pregões vão se sucedendo, X vai caindo até
chegar bem próximo do nível de R$ 30,00. Neste momento, na sua cabeça e na de muitos outros
investidores uma voz irá repetir "de novo não". Dessa vez, você sente que tem uma segunda chance e
compra no valor de R$ 30,00, o qual tende a se perpetuar como um ótimo nível de suporte.

Imagine agora que o papel Y, está valendo R$ 40,00. Ele faz parte de sua carteira e você já ganhou
algum dinheiro com ele. Contudo, dessa vez ele está com um desempenho ruim, de 40 já passou para
38.. 36...32 e agora está em 16! Todo o dia você se faz as mesmas perguntas: por que não vendi antes?
E agora seguro ou liquído de uma vez?

O mercado, no entanto, começa a subir. O papel Y volta para perto de R$ 40,00. Você sente que
vendendo agora será dado fim ao doloroso trade . Você coloca sua ordem de venda e sente todo o alívio
que o momento traz. Você e o mercado estão quites e o valor de R$ 40,00 torna-se uma resistência
forte.

O mercado é o encontro de uma série de emoções. Medo, angústia, orgulho, arrependimento, alívio,
ganância e muito mais. O trader metódico e com um bom gerenciamento emocional possui uma grande
vantagem. Lembre-se que existem níveis nos quais as pessoas irão comprar sem pensar e em outros nos
quais elas irão derramar ordens de vendas. Olhe o volume e indicadores que utilizam o volume para
medir a força de compradores e vendedores. Suportes e resistências sempre existirão, aprender a
trabalhar com eles traz ótimos resultados.

57
10 Atitudes para Perder Muito Dinheiro na Bolsa
Aprender com os erros é uma virtude. Se forem os erros dos outros melhor ainda. Assim, abaixo estão
10 conselhos sobre o que não se deve fazer quando o assunto é investir em bolsa de valores:

1. Seja completamente emocional. Comemore ao extremo cada centavo de alta e entre em


depressão profunda com cada centavo de baixa.
2. Não utilize Stops travas ou qualquer estratégia de proteção.
3. Siga todos os conselhos que ouvir e não forme a sua própria opinião.
4. Opere baseando-se unicamente em notícias (bem, se você for um insider isso talvez funcione).
5. Compre papéis de baixíssima liquidez. O volume deve ser suficientemente pequeno para você
não conseguir vender quando precisar.
6. Se o mercado estiver indo contra você faça preço médio.
7. Se você estiver passando por um mau momento pessoal, aumente o número de trades ,
especialmente com opções.
8. Nunca admita que errou, se o mercado estiver se movimentando para o "outro lado", tenha a
confiança de que logo ele perceberá o equívoco.
9. Não registre seus trades vitoriosos e muitos menos os perdedores. Afinal, quem quer ficar
revendo as condições sob as quais errou?
10. Pare de gastar tempo aprendendo. Tudo o que você precisa é antecipar se vai subir, cair ou
andar horizontalmente.

Seguindo cuidadosamente esses 10 conselhos tenha certeza de que o seu cardiologista ganhará bastante
dinheiro, isso se você ainda puder pagar um. Mercado é metodologia e gerenciamento. Estude as
ferramentas, e aja objetivamente. Se o seu sistema falhar, registre bem as condições sob as quais o erro
aconteceu e tente refiná-lo.

O trader consicente aumenta de maneira exponencial suas chances de sucesso.

58
Técnicas de Utilização do Volume
O volume, muitas vezes, é uma informação negligenciada pelo analista, contudo, ele pode fornecer
muitos dados importantes sobre a evolução de uma tendência. Primeiramente, deve-se ressaltar que
existem duas maneiras principais de quantificar o volume:

• Volume Financeiro: É o volume expresso em reais, dólares ou qualquer moeda. Mostra o valor
financeiro total gerado pela compra e venda de um determinado ativo.
• Volume por Quantidade: Nesta situação temos duas subcategorias mais comuns, pode ser a
quantidade de títulos negociados de um determinado ativo ou o número de negócios realizados.

O tipo escolhido para acompanhamento não tem grande importância, pois a única informação que o
volume nos fornece de maneira absoluta é a indicação sobre a liquidez do papel. O principal e mais
relevante para a análise é a comparação relativa do comportamento do volume de um ativo ao longo do
tempo.

O volume reflete o grau de comprometimento financeiro e emocional dos investidores e, portanto, torna-
se um fator muito interessante de análise. O primeiro princípio sobre a evolução do volume nos diz que
ele deve estar de acordo com a tendência.

Existem diversos fenômenos observados em relação ao comportamento dos preços e sua relação com o
comprometimento financeiro dos participantes do mercado. Vamos analisar alguns conceitos que servem
como regras de operação auxiliares quando consideramos uma análise conjunta preço-volume:

1. Volume alto e volume baixo são conceitos relativos . Eles referem-se principalmente à
performance do passado recente do ativo.
2. Volume confirma a tendência . Considere que um movimento de alta acontece e leva o
mercado até um novo topo. Durante essa alta o volume também atinge um novo patamar mais
alto. O esperado, então, é que os preços retestem ou excedam o pico formado, uma vez que o
aumento de volume significa a entrada de novos traders reforçando a força compradora. De
maneira semelhante, se o mercado constrói um novo fundo e o volume atinge um patamar mais
alto, provavelmente, o fundo criado será atingido novamente e até superado.
3. Se dentro de uma tendência de alta ocorre uma nova elevação e o volume não acompanha esse
acontecimento, um sinal de alerta é gerado. A tendência pode estar próxima de seu final. Esse
conceito é mais relevante para movimentos altistas, uma vez que o mercado pode manter uma
tendência de queda com baixo volume.
4. Se o mercado está em negociação lateral dentro de um retângulo (Box range) é esperado que a
direção do próximo movimento defina-se a partir de um rompimento com alto volume. Um
rompimento com baixo volume indica que existem grandes chances de os preços retornarem aos
limites de movimentação lateral. Existem diversas formas de operar rompimentos (breakouts)
de formações de acumulação e elas serão abordadas em outros artigos sobre Swing Trading e
técnicas de Wyckoff.

59
No gráfico acima da Avipal ON (AVPL3) note como o volume aumenta de maneira considerável
no candle branco ainda dentro da congestão. Esse comportamento é um primeiro indício de que
o teste da extremidade superior do canal pode levar ao rompimento. Na sessão seguinte o
rompimento é confirmado também com alto volume, a força do impulso levou à formação de um
gap.

5. Muitas vezes preço e volume expandem-se lentamente e em concordância, culminando com um


ou mais dias de altíssimo volume (blowoff). Essa grande manifestação final gera a exaustão do
movimento e, na sequência, preço e volume tendem a cair rapidamente.

Esses cinco comportamentos descritos são apenas a ponta do iceberg de informações que a análise de
volume oferece. Obtém-se ainda muitos resultados de qualidade quando estudamos e incluímos na
metodologia os indicadores baseados em volume como OBV, Chaikin Money Flow, Force Index, etc.

Esses indicadores fornecem indicações de fraqueza ou força através de divergências e frequentemente


sinalizam com antecedência a vinda de uma reversão. Cada um deles será analisado de maneira
individual em artigos futuros.

60
Realizando Trades com Canais
Canais oferecem ótimas oportunidades de negócios aos traders que sabem aproveitar seus sinais. A
maioria das situações descritas neste artigo utilizará como exemplo um mercado em tendência de alta.
Entretanto, todos os conceitos são também perfeitamente válidos para um mercado em queda.

Um canal é formado por duas linhas. Uma primeira linha conecta uma série de fundos, enquanto que
uma segunda linha, paralela à primeira, conecta uma sequência de topos. A inclinação do canal pode ser
acendente, descendente ou mesmo horizontal. Canais são formações mais completas do que linhas de
tendência. Uma primeira vantagem dos canais é que eles definem limites bastante objetivos de preços,
tanto para entrada quanto para saída.

Conforme esperado, a técnica de canais pode ser aplicada em qualquer tempo gráfico, utilizando-se da
característica fractal dos mercados. Assim, um canal traçado é tão válido em gráfico semanal quanto em
em um gráfico de 15 minutos. Um ponto interessante, contudo, é que quanto maior a duração do canal
mais significativo ele é. Um canal ativo por um tempo considerável e conectando diversos topos e
fundos, tem uma importância grande e tanto o teste de um dos seus extremos quanto seu eventual
rompimento representam eventos consideráveis na análise do índice/ativo.

No gráfico abaixo temos Gerdau PN (GGBR4) em um canal ascendente iniciado em maio de 2004.
Observe como a linha inferior serviu diversas vezes como suporte, enquanto que a linha superior foi
resistência em várias oportunidades.

Técnicas de Operação

Existem diversas estratégias de operação de canais e com certeza um analista que estude essas
formações perceberá outras maneiras e variações para explorar a tendência. A seguir alguns
mecanismos operacionais são apresentados. Lembre-se, no entanto, de sempre utilizar Stop e adotar
uma política de gerenciamento de seu capital.

Suporte e Resistência em Canais

Conforme mencionado, a linha inferior em um canal tende a ser uma zona de pressão compradora e a
linha superior uma região de pressão vendedora. Dessa observação, uma das maneiras mais diretas de
operar canais é comprar próximo ao suporte (linha inferior) e vender quando nos aproximamos da
resistência (linha superior).

61
Analisando esses topos e fundos dentro de um canal com o auxílio de outros indicadores, em especial
osciladores, como IFR e estocástico você perceberá que, muitas vezes, os indicadores sinalizarão um
estado de sobrecompra ou sobrevenda. Essa indicação reforça as chances de reverão na extremidade do
canal.

Uma outra técnica interessante é a conjunção de candles com canais. Note no gráfico acima que na
última vez em que a GGBR4 testou a parte superior do canal, ela o fez através da sombra de uma
Shooting Star, um padrão de reversão de candles. Dessa forma, encontrar um padrão de reversão nas
proximidades de uma extremidade reforça a chance de que o suporte/resistência se manterá.

Falsos Rompimentos

As vezes durante a evolução de um canal acontece um falso rompimento, ou seja, um dos extremos é
perdido temporariamente, apenas para em seguida os preços retornarem para o interior do canal. Um
exemplo pode ser visto também no canal mostrado e reproduzido abaixo, veja o falso rompimento
circulado em vermelho.

Esses falsos rompimentos, muitas vezes fazem com que o Stop do trader seja acionado. Mas, de forma
alguma isso deve servir de desculpa para o não posicionamento da ordem. Um rompimento verdadeiro
de um canal, frequentemente, acontece com rapidez e com grande volume, ou seja, a não utilização do
Stop pode significar um prejuízo considerável para a carteira.

Contudo, vamos analisar o significado de um falso rompimento com o exemplo acima. Os compradores
conseguiram levar o preço até a zona de resistência. Para vencer essa zona é necessário, normalmente,
uma nova leva de compradores para combater a força vendedora existente naquele nível. Os bulls
conseguem vencer a barreira em um primeiro momento e contam com a ajuda de alguns Stops
acionados de investidores que estavam na venda e agora estão cobrindo posições, entretanto, a força
vendedora mostra-se mais consistente e empurra os preços de volta. O raciocínio aplicado aqui é
simples, mas eficiente: se os compradores não conseguem passar deste ponto a alta não tem como
continuar, a força dos vendedores foi superior. O mercado então realiza um recuo e acumula até o outro
extremo do canal.

Um falso rompimento, portanto, demonstra que a força de um dos lados chegou ao seu limite, o que
indica uma boa possibilidade de realizar bons negócios agindo pela ponta vencedora, pelo menos em um
prazo curto. Quando acontece um falso rompimento o alvo de preços (target) é o lado oposto do canal.

62
Aproveitando o Rompimento Verdadeiro

O canal oferece oportunidades de trades também quando ele é efetivamente rompido. Observe o gráfico
abaixo, 60 minutos, da Brasil telecom (BRTO4).

Durante o percurso do canal de baixa acontece um falso rompimento que leva, na sequência, ao teste da
região de suporte. Entretanto, quando os preços voltam a testar a linha superior, os compradores
conseguem levar os preços para além da linha de fronteira. Acontece a reação de volta à linha (pull-
back) para, finalmente em seguida, superar o topo formado no candle de rompimento com um forte
candle branco e pôr um final definitivo no canal de baixa.

Uma boa estratégia para operar rompimentos de canais é, portanto, esperar o acontecimento de retorno
à linha rompida. Se a linha segurar, a ordem pode ser posicionada ligeiramente acima do topo gerado no
rompimento inicial.

Essas são algumas técnicas para explorar os canais. Você os encontrará com frequência nas suas
análises. Teste as técnicas e defina a estratégia ideal para seus ativos, seus mercados e seu perfil. O
sucesso e a recompensa virão para aqueles que unirem estudo, metodologia e disciplina.

63
Gaps
Gaps não são apenas espaços vazios nos gráficos. Eles trazem uma série de informações importantes
que podem influenciar diretamente a percepção do trader sobre o movimento. A sua interpretação pode
variar de um claro indicativo de força até uma expectativa de reversão dependendo do contexto no qual
o gap se manifesta.

Quando surge um gap?

Assumindo um período de tempo diário, um gap acontece quando o máximo do dia atual é inferior ao
mínimo do dia anterior (gap de baixa) ou quando o mínimo do dia atual é superior ao máximo anterior
(gap de alta). Observando um gap no gráfico ele é um espaço vazio entre barras consecutivas.

Obviamente, um gap pode surgir em outras periodicidades além de em nível diário, como intraday,
semanal, mensal, anual, etc. Contudo, conforme o intervalo de tempo aumenta os gaps são cada vez
mais raros. Para que ocorra, por exemplo, um gap no gráfico semanal não pode haver intersecção dos
preços dos 5 dias de uma semana com os preços de nenhum dos 5 dias da semana seguinte.

O Fechamento de um Gap

Existe a idéia de que um gap será sempre fechado. Entretanto, na análise técnica, não há espaço para
certezas e, por consequência, não podemos confiar que determinado gap será prontamente preenchido.
Mesmo porque o fechamento pode ocorrer semanas, meses e até anos depois. De qualquer maneira é
inegável a observação de que a maioria dos gaps são fechados de maneira relativamente rápida.

Mas, o que significa fechar um gap? O fechamento ou preenchimento acontece quando os preços passam
novamente e cobrem o espaço vazio, veja a figura abaixo.

A principal causa do fechamento é o aspecto fortemente emocional dos gaps. Eles mostram força para
um dos lados, muitas vezes são gerados a partir de notícias surgidas durante a noite. Muitos traders
possuem um relacionamento extremamente emocional com seus ativos e operações e tomam decisões
pouco racionais.

Entretanto, quando a situação começa a normalizar e os fatos são analisados de maneira mais racional,
muitos percebem que a decisão foi incorreta e começam a desfazer a posição equívocada. Esse
comportamento inicia a reação que muitas vezes culmina com o fechamento total ou parcial do gap.

64
Tipos de Gap

A análise técnica classificou os gaps em três tipos básicos: gaps de rompimento, gaps de continuação e
gaps de exaustão. Vamos conhecer as diferenças entre cada um deles.

Gaps de Rompimento

Este tipo de gap é formado quando o preço rompe um padrão de preços ou acumulação. Ele enfatiza a
força compradora ou vendedora do novo momento.

No gráfico acima o gap de rompimento confirma a superação de uma resistência. É desejável que o gap
seja acompanhado por um aumento de volume no caso de gap de alta, condição não necessária para
rompimentos de baixa.

Gaps de Continuação

Os gaps de continuação surgem quando os preços estão fazendo um movimento claro em uma direção e
com rapidez. Dessa maneira, este é um tipo de gap bastante emocional que encontramos,
normalmente, em rallys ou em quedas bruscas.

65
Neste gráfico da ELET6 vemos dois gaps de continuação. Um cuidado a ser tomado é que o surgimento
do segundo ou terceiro gap sinaliza perigo, pois o movimento pode estar usando de suas últimas forças.
A seguir discutimos o gap de exustão.

Gaps de Exaustão

O gap de exaustão está associado ao final do movimento. Conforme dito, o segundo ou terceiro gap de
continuação pode ser na verdade um sinal de exaustão.

Cuidado especial deve ser tomado caso o gap seja grande em relação a outros gaps ou caso ocorra um
gap de queda no dia seguinte deixando uma barra de preços isolada. Neste caso, tem-se uma ilha de
reversão. Para os japoneses trata-se de uma padrão de candles de reversão tipo estrela bastante forte
chamado de bebê abandonado.

Suporte/Resistência

Vale ressaltar também que um gap tende a tornar-se uma zona de suporte/resistência. Para os
japoneses um gap é uma janela (Window) um padrão de continuação e toda a área da janela é
considerada um nível potencial de pressão compradora ou vendedora.

Existem técnicas de exploração de gaps que serão analisadas em outros artigos. Observe os gaps e
também o contexto no qual eles aparecem. Eles têm muita informação para ajudar em seus trades.

66
A Física do Mercado
A física procura e tem conseguido ao longo dos séculos equacionar diversos aspectos naturais. Não é
surpresa, portanto, a existência de pesquisas que visam explicar a dinâmica do mercado financeiro
através de teorias matemáticas e com analogias às leis que regem os fenômenos do universo.

Neste artigo, apresentamos algumas situações do cotidiano da análise técnica sob o ponto de vista dos
preceitos da física do mercado. A intenção deste texto não é descrever detalhadamente todos os
conceitos, mas sim apresentar uma visão geral desta interessante maneira de explicar os padrões e
movimentos dos ativos.

A Inércia nos gráficos

Um corpo em movimento tende a manter-se em movimento. Imagine uma tendência de baixa, os preços
vêm oscilando e dia após dia fazendo fundos e topos mais baixos. Contudo, nada cai ou sobe para
sempre, eventualmente a força baixista de nosso exemplo começa a diminuir e força compradora surge
no sentido oposto.

Durante essa fase inicial da nova tendência a volatilidade aumenta, mas a inércia tende a desacelerar a
movimentação dos preços. O resultado é uma série de acumulações e movimentos laterais que se
manifestam enquanto o ativo tenta livrar-se da influência da tendência anterior. Quando o efeito da
inércia é finalmente vencido, o rally está pronto para acelerar.

O analista técnico conhece esse fenômeno. No gráfico abaixo (30 min do IBOVESPA), após a queda, os
preços lutam para vencer a inércia e testam diversas vezes a parte superior de uma zona de congestão.
Quando essa região de resistência é finalmente vencida os preços estão livres da inércia para finalmente
iniciar a alta. Muitos analistas posicionam uma ordem de entrada ligeiramente acima da zona de
congestão quando observam essa formação.

Retroalimentação

Muitas vezes um movimento de preços parece que não vai parar mais. Sob a ótica da física dos
mercados este é um processo de retroalimentação, uma vez que conforme os preços sobem ou
descem existe a entrada de energia nova, representada pelos compradores/vendedores que estavam
de fora e decidiram aproveitar o movimento.

67
Para que ocorra a reversão existe a necessidade de uma força oposta externa, maior do que a força que
movimenta a tendência.

Centro de Gravidade

Artigos e livros específicos sobre física dos mercados mencionam o centro de gravidade de cada ativo.
O centro de gravidade seria um intervalo de preços com a capacidade de exercer uma espécie de atração
gravitacional, ou seja, os preços teriam dificuldade de se afastar dele.

Os analistas técnicos podem medir e se aproveitar dessa força através de bandas de bollinger,
sabendo que quando os preços tocam em um das extremidades das bandas estão razoavelmente
afastados de sua zona de gravidade. Uma outra maneira é utilizando envelopes (determinado desvio
padrão ou percentual de distância de uma média móvel) como no exemplo abaixo.

Neste gráfico diário da Acesita (ACES4) vemos um envelope configurado para ser plotado a uma
distância de 16% de uma média móvel exponencial de 26 períodos. Note que conforme os preços se
afastam da média móvel e tocam no envelope eles tendem a retornar prontamente para a região da
média.

Uma outra ferramenta que visa identificar áreas de equilíbrio (centros de gravidade) é a regressão
linear, técnica que será discutida em outro artigo.

Os conceitos apresentados são apenas um pequeno exemplo de aspectos físicos cuja aplicabilidade está
sendo investigada em mais detalhes. Entretanto, é inegável a influência das leis naturais no sobe e desce
dos gráficos e fascinante a maneira como as novas descobertas interagem com a análise técnica.

68
Planejamento de Trades
A melhor maneira de se atingir um determinado objetivo é, antes de colocar qualquer estratégia em
ação, identificar os passos verdadeiramente necessários para a obtenção dos resultados desejados. É
dessa maneira que agem as empresas de sucesso e assim agiram os generais vitoriosos nas batalhas da
história.

A questão que fica é a seguinte: por qual razão a maioria dos traders não faz o mesmo para a guerra do
mercado financeiro? A razão passa por falta de disciplina, mas os principais motivos são desinformação e
também o fato de que muitos não encaram o ato de operar com a seriedade necessária.

Não podemos negar que existem aqueles que querem mais é se divertir com o sobe e desce das ações.
Para esses, bolsa de valores é um tipo sofisticado de brinquedo. No entanto, os demais participantes do
mercado que realmente desejam viver de renda variável ou alavancar seus ganhos mensais devem
adotar a postura adequada para alcançar o sucesso.

O planejamento é fundamental para evitar o repetimento de erros e para controlar o intenso fluxo de
emoções que surgem a cada momento. Um bom plano de trade deve evoluir com o tempo e ser
constantemente reavaliado. A seguir, estão relacionadas um conjunto de regras que visam ajudar na
construção de seu planejamento.

1. Considere os Aspectos Pessoais

O plano de trade é seu não de seu amigo ou vizinho. Ele deve refletir o seu estilo e seu perfil de
investidor. Não adianta utilizar o plano "testado" de um conhecido baseado em venda a descoberto e
day-trade se você prefere operações um pouco mais longas e não se sente confortável ou não domina os
conceitos envolvidos.

2. Preparação Mental

Como foi sua noite de sono? Existe alguma coisa perturbando você? Está se sentindo bem para o esforço
intelectual do dia? Somos seres humanos e para enfrentar o mercado temos de estar em boas
condições mentais. Caso contrário, é preferível deixar o computador de lado por um tempo. É melhor
deixar de operar um dia do que permitir que um mau momento cause um grande dano em sua conta de
investimentos.

3. Teste Seu Sistema

Antes de, efetivamente, lançar suas ordens no mercado simule suas operações. O teste virtual com
cotações reais recebe o nome de paper trading e pode ajudá-lo a identificar falhas graves. Nesse ponto é
comum descobrir que determinadas técnicas são muito mais eficientes em alguns ativos do que em
outros e assim acabamos refinando e aperfeiçoando nossas estratégias.

4. Gerenciamento de Risco e Objetivos

Quanto de seu capital estará sendo arriscado? Qual o percentual de perdas máximo aceitável de sua
conta de investimentos por mês? Essas questões dependem de sua tolerância ao risco e de seu perfil.
Existem regras que ajudam o trader a administrar esses fatores, como a regra do 2% e 6%.

Seus objetivos também devem estar na ponta da língua. Quando atingir um determinado percentual de
ganhos vai sair incodicionalmente? Vai esperar o mercado virar? Tenha de maneira clara essas
respostas e não se esqueça que quando entramos em um trade extamos em uma situação de
risco/recompensa. Qual relação está boa para você? 2:1? 3:1? Este tópico tem forte relação com o
próximo.

5. Defina Regras Claras de Saída

Muitos traders (a maioria) passam a maior parte do tempo procurando pontos de entrada, deixando o
estabelecimento de como e quando sair em um segundo nível de importância. Muitos, inclusive, não
aceitam uma posição perdedora e continuam comprados ou vendidos na esperança do mercado virar.
Não torne o trade algo pessoal, se seus stops foram atingidos você estava errado. Traders profissionais

69
bem sucedidos perdem muitas vezes, mas o gerenciamento de risco faz com que o saldo no final do mês
seja extremamente positivo.

Antes de entrar na operação saiba onde estão suas saídas. Uma delas é seu stop. Um stop mental não
tem a força de um stop escrito junto ao planejamento de trade, portanto, anote-o em seu caderno ou
computador. A outra saída pode ser seu alvo de lucro, quando chegar lá liquide uma parte e levante o
stop com o restante. Seja qual for sua estratégia o importante neste ponto é não devolver o que já
ganhou, você já venceu o trade, cuide para não entregar seu prêmio.

6. Defina Regras Claras de Entrada

Suas condições de entradas podem ser subjetivas, mas procure torná-las as mais objetivas possíveis. A
interpretação é parte importante, mas quando existem 20 condições diferentes e todas dependem de sua
avaliação as coisas ficam difíceis e pouco claras.

Um exemplo de regra de entrada é a seguinte: "Se o sinal X for disparado em uma região de suporte e o
alvo de preços for 3 vezes maior que meu stop, então comprar".

7. Auto-avaliação e Registros

Durante nossa vida escolar, acadêmica e profissional passamos por diversas avaliações. Elas permitem
que identifiquemos os pontos falhos a serem melhorados. No mercado, temos de ter uma maneira de
qualificar a nossa atuação em cada trade. Eventualmente, descobrimos que fazemos ótimas entradas e
péssimas saídas. Essa informação é muito preciosa, pois mostra, claramente, o ponto correto de
intervenção.

Para uma avaliação correta é preciso registrar cada passo tomado. Por qual motivo a entrada foi feita
dessa maneira? Qual era o cenário técnico? Bons traders mantém sempre bons registros de suas
operações. Escreva tudo que considerar importante e também alguns detalhes. Exemplos são: entrada e
saída do trade, padrão e/ou condição técnica utilizada, níveis de suporte e resistência, status psicológico,
descrição da abertura do mercado, etc.

O mercado financeiro como outras profissões e competições gera, diariamente, vencedores e perdedores.
O planejamento é fundamental para encarar as adversidades de maneira adequada e assim ter uma
grande vantagem. Uma última dica, mas tão importante quanto as outras é a seguinte: de nada
adianta fazer um planejamento e não segui-lo. Ele não pode ficar na gaveta, seu lugar é
necessariamente ao seu lado ou ocupando um espaço de destaque na sua tela. Como dito anteriormente,
ele pode e deve ser modificado, aprimorado e evoluído. Contudo, essas alterações devem acontecer após
o fechamento do mercado. Durante o pregão o planejamento é a lei.

70
Tipos de Divergências
Mesmo elementos bastante conhecidos dos analistas técnicos como as divergências possuem
propriedades pouco exploradas. As divergências entre indicadores e os preços têm um valor excepcional
para o trader, podendo avisar com antecendência uma reversão ou simplesmente gerar sinais claros
para encurtar os stops devido ao enfraquecimento da tendência atual. Neste artigo, vamos conhecer os
diferentes tipos de divergências e suas caracterísiticas.

Momentum e Divergências

A grande maioria dos analistas avalia durante seu trabalho o que podemos chamar de a "taxa de
aceleração" do preço ou do volume. Essa taxa de aceleração é chamada em análise técnica de
momentum e diversos indicadores, sejam eles seguidores de tendência ou osciladores, são também
indicadores de momentum. Como exemplo podemos citar ROC, IFR, MACD, entre muitos outros.

Uma das maneiras em que esses indicadores são mais utilizados é na procura por divergências. As
definições clássicas de divergências estão detalhadas abaixo:

• Divergência altista: uma divergência altista ocorre quando os preços fazem um novo fundo
mais baixo que o anterior, enquanto que o indicador falha ao fazer um fundo mais baixo.
• Divergência baixista: uma divergência baixista ocorre quando os preços fazem um novo topo
mais alto que o anterior, enquanto que o indicador falha ao fazer um topo mais alto.

Uma divergência é um sinal importante, ao qual devemos prestar muita atenção, pois uma boa
oportunidade de entrada ou de saída pode estar se aproximando.

Diferentes Tipos de Divergências

Uma informação a mais para decisões baseadas em divergências é o seu nível de força. Na verdade, as
divergências podem ser classificadas em três categorias diferentes chamadas de classes A, B e C.

Devergências Tipo A

Esta é a classe mais forte. As divergências altistas deste nível acontecem quando os preços fazem um
fundo ainda mais baixo, enquanto que o indicador realiza um fundo mais alto. As divergências baixistas
nível A, por sua vez, ocorrem quando os preços fazem um topo mais alto e o indicador analisado realiza
um topo mais baixo.

Os sinais deste tipo são muito importantes e possibilitam ao investidor realizar uma boa entrada em um
trade ou preparar uma ótima saída.

Divergências Tipo B

Esta classe possui um nível de relevância menor que a classe A. Entretanto, essas divergências não
podem ser desprezadas, até mesmo porque acontecem em conjunto com padrões de preços de reversão.
As características são:

• Divergência baixista classe B: Acontecem quando os preços fazem um topo duplo, ao


mesmo tempo o indicador realiza um topo inferior ao anterior.
• Divergência altista classe B: Surgem quando os preços fazem um fundo duplo e, no
entanto, o indicador relacionado falha ao fazer um fundo mais baixo.

No gráfico do índice Bovespa abaixo, temos um exemplo de divergência baixista classe B. Note como o
topo duplo é formado com os preços atingindo o mesmo patamar e, enquanto isso, o IFR de 9 períodos
traça uma clara trajetória desacendente.

71
Divergências Tipo C

Este é o nível menos significativo. Essas divergências indicam mais estagnação e falta temporária de
força do que propriamente uma reversão.

Uma divergência baixista C acontece quando os preços fazem um novo topo e o indicador faz um topo
que está no mesmo nível da perna de alta anterior (como se o indicador fizesse um topo duplo agora).
De maneira semelhante, a divergência altista nível C acontece quando um fundo mais baixo é construído
pelos preços e o indicador apenas alcança seu fundo anterior (como se fosse um fundo duplo).

As informações apresentadas neste artigo são ferramentas que você poderá aplicar em suas análises. O
departamento de pesquisa em análise técnica da Nelogica está realizando um estudo no qual iremos
quantificar o nível de confiabilidade de cada tipo de divergência ao longo dos últimos anos. Os resultados
serão posteriormente divulgados no portal.

72
Topos e Fundos Arredondados
Topos e fundos arredondados são interessantes padrões da análise técnica que anunciam, com alguma
antecedência, a virada dos preços. Formações que demoram um pouco mais de tempo para
concretização possuem algumas vantagens, podemos destacar principalmente:

• Maior facilidade de identificação por parte do analista.


• Tempo maior para o planejamento do trade (como a entrada e os stops).
• Possibilidade de lucros melhores. Geralmente uma formação mais longa precede um movimento
mais amplo.

Topos e fundos arredondados enquadram-se nessa categoria, uma vez que são construídos a partir de
diversas barras. Vamos conhecer mais a fundo suas características.

Forma dos Preços e Padrão de Volume

A figura abaixo ilustra, em sua parte esquerda, um fundo arredondado (saucer em inglês) e na parte
direita um topo arredondado (ou rounding top). No caso do fundo, a linha curva é traçada juntando os
pontos por baixo dos preços, ou seja, sob as mínimas. No topo, por sua vez, a linha circular é traçada
sobre os máximos atingidos.

No fundo arredondado, conforme os preços aproximam-se de seu valor mínimo o momentum de queda
sofre uma dissipação. Existe, nessa situação, uma certa falta de interesse em relação ao ativo o que
gera reflexos no volume que também vai diminuindo. Gradualmente, preço e volume começam um
processo de recuperação que acaba por resultar em um novo rally.

O topo arredondado é o inverso, mantendo-se apenas a característica de volume. Aliás, se analisarmos


a relação entre o volume e os preços veremos prontamente os sinais de queda, afinal, conforme
aproxima-se do máximo o volume decresce, expandindo-se novamente quando os preços mudam de
direção. Essa e outras características podem ser encontradas também no artigo sobre técnicas com
volume.

No gráfico abaixo vemos a Acesita (ACES4) definindo um fundo arredondado. O volume sofre uma
desaceleração para aumentar bastante conforme os preços iniciam a alta na sequência. Observe como
após o fundo arredondado a Acesita vai de aproximadamente R$ 8,00 até cerca de R$ 24,00.

73
Topos e fundos arredondados são padrões que mostram uma mudança gradual na relação
oferta/demanda de um ativo. Por serem movimentos lentos dificilmente vemos rompimentos
(breakouts) e também é complicado identificar níveis claros de suporte e resistência. Contudo, é possível
detectá-los com alguma facilidade e após sua conclusão, geralmente, tem início um movimento forte que
abre espaço para trades bastante lucrativos.

74