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À Ana Maria Dias Rodrigues e à todas as vítimas que a precederam

A ECONOMIZAÇÃO E A DESUMANIZAÇÃO DO DIREITO E DA LIBERDADE DE


APRENDER DAS MULHERES NA SOCIEDADE CABO-VERDIANA

Estamos, hoje, perante um modelo de sociedade em que é cada vez menor o número de
pessoas que participam na tomada de decisões sobre as formas de produção, distribuição
e consumo de bens sociais, económicos e culturais; assim como enfrentamos um défice
profundo de debate democrático sobre os conteúdos e os procedimentos das decisões
políticas, nomeadamente no sistema de ensino, segurança social e sustentabilidade
económica e social do país para o futuro (a questão da parceria com a União Europeia e o
secretismo de algumas decisões parlamentares são casos flagrantes).

Isso para além do necessário debate sobre os valores que devem enformar a sociedade
cabo-verdiana que, ao que se constata, ainda se encontra enformada de um mofo moral e
de um utilitarismo avalorativo que urge atentar – em particular pela sociedade civil.

Se não é mofo, é um novo conservadorismo – aliado a um pânico moral que a morte das
ideologias (ocorrida de facto em 1992, com a nova República cabo-verdiana) fez emergir
– sustentado na busca de uma redefinição da acção política, da sua função e da
dimensão e sentido das intervenções sociais.

Esta situação levou a que, sob a capa do «pragmatismo» emergente, os decisores


públicos atentem, prioritariamente – ao elegerem aquilo que é ou deveria ser a «escolha
pública» –, nos aspectos utilitaristas das decisões. É uma herança ocidental que sustenta
que a justeza das acções deve ser medida e julgada pela utilidade e/ou conveniência das
decisões.

Tem, nalguns aspectos, algumas razões válidas. Não há que saber muito: num Mundo em
crise a racionalidade económica e a sua utilidade é aferida pela medida dos benefícios
económicos que se adquirem; isso – não raras vezes – em detrimento do benefício social
e moral.

É por esta razão que o Estado tem tido o monopólio do ensino (que, segundo Ernest
Gellner, é o maior poder do Estado – em contraposição à «violência legítima» de Max
Weber –, o que concordo, pois tem uma dimensão «formatadora» da pessoa) e, agora, ao
passá-lo para o plano privado (mantendo o monopólio dos sentidos dos conteúdos), fá-lo
em prejuízo do serviço público mas em benefício da economia. É que, convenhamos,
Educação pública não é o mesmo que serviço público de educação; neste plano estamos
perante uma falha sistémica, numa deriva de modelo – do ensino básico à Universidade.

O que se procura, hoje, é formar pessoas para o emprego, para terem ferramentas para
poderem «ganhar mais dinheiro» e terem «uma vida melhor» (e assim ter dados
macroeconómicos e de desenvolvimento humano que satisfaçam as organizações
internacionais e alguns programa de «ajuda ao desenvolvimento») em vez de formar as
pessoas para serem pessoas melhores – em termos humanos e técnicos –, logo, mais
capazes.

Economiza-se a educação e desumaniza-se a formação das pessoas; pois as pessoas


formadas em consciência são um «perigo» social para os poderes instituídos e para os
grupos de poder instituídos. Sempre foi assim, mas não tem, necessariamente, de ser
assim.

Bastará ver os relatórios anuais das grandes instituições financeiras do Mundo, como o
FMI, a OCDE, o BAD e o Banco Mundial para verificarmos a sua preocupação com a
questão da Educação e percebermos a sua dimensão estruturante na economia global.
Daí o «brain drain» global e as políticas de imigração dos novos países de imigração que
dão prevalência às competências adquiridas pelos candidatos a migrantes,
nomeadamente ao nível formal e os demais, ao «menos competentes» em termos
formativos só servirem para o trabalho sazonal...

Há anos que o sistema monetário internacional – seja o FMI ou o Grameen Bank de


Muhammad Yunus (que empresta dinheiro, essencialmente, a mulheres) – e outras
organizações, como a ONU e a Unidade Africana (juízo que vem do tempo da OUA),
«descobriram» uma coisa: as mulheres são melhores gestoras de recursos económicos
que os homens e que educá-las é, na perspectiva económica, um investimento mais
seguro para o tecido social e a economia global que a aposta nos homens.

«Educar uma mulher é educar uma família; educar um homem, é educar apenas uma
pessoa», é lógica que impera entre a comunidade internacional na sua relação com o
terceiro mundo ou «países em vias de desenvolvimento» no âmbito dos programas de
desenvolvimento – sob o paradigma assistêncialista – para estes países.

Assim, incentivam as jovens mulheres a irem para as escolas e premeiam os países em


desenvolvimento que têm sistemas educativos com níveis elevados de escolarização
feminina; ainda que, em verdade e em termos práticos, se trave a ascensão social das
mulheres (degradando muitas vezes as suas competências de formas subliminares) em
todo o Mundo. Bastará ver os Relatórios de Desenvolvimento Humano do PNUD e cotejar
as mesmas com os relatórios das instituições referidas para se perceber essas
preocupações.

Deste modo – na perspectiva do utilitarismo económico da decisão política – se


compreende porque muitos decidem afastar as jovens grávidas das escolas, pois são, nas
palavras da Directora da Escola Januário Leite no Concelho do Paul, «um vírus»; «um
mau exemplo», dirão muitos, que afecta os objectivos económicos e sociais dos decisores
públicos: ter o maior número possível de mulheres escolarizadas. Não percebem é o
efeito «boomerang» de tal forma de agir e o confronto injusto que faz com a liberdade
individual das jovens mulheres vitimadas, nomeadamente do direito e da liberdade de
aprender.

Mas essa preocupação tem um «quid» de legitimidade – considerando a sua dimensão


económica e social com vista ao desenvolvimento –, só que falece, necessariamente,
perante a liberdade individual. Bastará lembrar o que no diz Sófocles na «Antigona»: a
liberdade individual prevalece sobre as razões de Estado.

Ninguém deve ser tratado de forma discriminatória e desigual, em razão de qualquer


critério irrazoável. O Tribunal Constitucional português, que avoca a ideia aristotélica de
igualdade e sustenta uma interpretação aberta do princípio da igualdade [Artº.13º. da
CRP], afirma no acórdão nº.186/90 de 06.06.1990 que:

«O princípio constitucional da igualdade do cidadão perante a lei é um


princípio estruturante do Estado de Direito Democrático e do sistema
constitucional global, que vincula directamente os poderes públicos e
privados, segundo o critério da sua desigualdade». [...] O princípio da
igualdade exige «[...] que aquilo que é igual seja tratado de forma igual [...]»
e proíbe a adopção de medidas que estabeleçam distinções discriminatórias,
ou seja, desigualdades de tratamento materialmente infundadas, sem
qualquer fundamento razoável ou sem qualquer justificação objectiva e
racional. Em suma, traduz-se na ideia geral de proibição do arbítrio».

Esta proibição é a proto-razão dos direitos fundamentais e postula o «status negativus»


de que fala JELLINEK (ZIPPELIUS, R., Teoria Geral do Estado, Gulbenkian, 2ª. Edição,
Lisboa, 1984, p.176; ALEXY, ROBERT, Teoria de los Derechos Fundamentales, Centro
de Estudios Constitucionales, Madrid, 1993, p.252 e segs.) ou o «negative sense of
liberty» como diz ISAIAH BERLIN: «Two Concept of Liberty», in Four Essays on Liberty,
Oxford University Press, Oxford, 1994, p.121. Para uma definição e compreensão
ontológica e política de liberdade vide, por todos, GILLES LEBRETON, Libertés Publiques
et Droits de L´Homme, Armand Colin, Paris, 1997, p.17 e segs. Nas palavras de
CALSAMIGLIA (CALSAMIGLIA, A., Prólogo da edição espanhola de Taking Rights
Seriously, de Ronald Dworkin: RONALD DWORKIN, Los Derechos en Serio, Ariel,
Barcelona, 1995, p.17):

«La garantia de los derechos individuales es la función más importante del


sistema jurídico. El derecho no es más que un dispositivo que tiene como
finalidade garantizar los derechos de los individuos frente a las agresiones
de la maioria y del gobierno.»

E assim é porque, como bem diz o Professor Santiago Nino, os direitos fundamentais ou
direitos humanos, constituem a «meta-discurso» do discurso democrático. Assentando,
assim, o Estado moderno e democrático na dignidade humana que fundamenta e confere
unidade aos direitos fundamentais (GOMES CANOTILHO/VITAL MOREIRA, Constituição
da República Portuguesa Anotada, 2ª. Edição revista e ampliada, 1º. Volume, Coimbra
editora, anotação ao Artº.1º., Coimbra, 1984, p.70). Sobre a dignidade humana e a sua
intangibilidade, vide, ainda e por todos, JÜRGEN MOLTMANN, La Dignidad Humana,
Ediciones Sigueme, Salamanca, 1983).

E essa dignidade, é um limite à acção do Estado mas também um ónus para os


governantes: promover o bem estar social, a igualdade e o livre desenvolvimento da
personalidade dos cidadãos. Nada como ler o que diz o primeiro artigo da Constituição da
República. Artigo 1º (República de Cabo Verde):
1. Cabo Verde é uma República soberana, unitária e democrática, que garante
o respeito pela dignidade da pessoa humana e reconhece a inviolabilidade e
inalienabilidade dos Direitos do Homem como fundamento de toda a comunidade
humana, da paz e da justiça.
2. A República de Cabo Verde reconhece a igualdade de todos os cidadãos perante a lei,
sem distinção de origem social ou situação económica, raça, sexo, religião, convicções
políticas ou ideológicas e condição social e assegura o pleno exercício por todos os
cidadãos das liberdades fundamentais.
3. A República de Cabo Verde assenta na vontade popular e tem como objectivo
fundamental a realização da democracia económica, política, social
e cultural e a construção de uma sociedade livre, justa e solidária.
4. A República de Cabo Verde criará progressivamente as condições indispensáveis à
remoção de todos os obstáculos que possam impedir o pleno desenvolvimento da pessoa
humana e limitar a igualdade dos cidadãos e a efectiva participação destes na
organização política, económica, social e cultural do Estado e da sociedade cabo-
verdiana.

E a garantia do pelo exercício dos direitos fundamentais e direitos humanos (que é


substancialmente diferente de «direitos do homem», mas adiante...) é garantida pelas
escolhas políticas certas. E, por essa razão, o cidadão e a sociedade civil em geral não
deveria divorciar-se das questões políticas e – para além das eleições – servir de guarda
dos seus direitos, liberdades e garantias.

Sobre esta matéria, ROBERT ALEXY diz-nos que «Se llega a una vinculación concreta
del legislador sólo si la formula “Hay que tratar igual a lo igual y desigual a lo desigual” no
es interpretada como exigencia dirigida a la formula lógica de las normas mas sino como
exigencia a su contenido, es decir, no en el sentido de un mandato de igualdad formal
sino material» (ibidem, p.386). [..] «La igualdad material conduce, pues, necessariamente
a la cuestión de la valoración correta y, con ello, a la cuestión de qué es una legislación
correcta, razonable o justa.» (ibidem, p.388).

Isto é, se o Estado tem as suas razões legítimas, ela devem ser prosseguidas com
racionalidade e justiça social, com respeito pelos direitos humanos dos cidadãos. O que
não é legítimo nem aceitável é o utilitarismo amoral que desconsidera a pessoa como fim
mas a vê como mero «objecto» de política social, como «exemplo» no âmbito de uma
política de prevenção geral (factor de exemplo para as colegas) e prevenção especial (em
relação à pessoa em concreta impedida de frequentar a Escola – o que funciona como
sanção e é análoga à uma pena feridora do direito à liberdade...) a fim de evitar mais
grávidas nas escolas.

Essa perspectiva, quando vista de um ponto de vista meramente utlitarista (os decisores
políticos deveriam reler Stuart Mill e Bentham com correcção civilizacional e humanismo),
constitui uma violação grosseira dos direitos fundamentais das mulheres e um atentado
profundo aos valores que enformam o Estado de Direito Democrático e plasmados na
Constituição de Cabo Verde.

E não seria preciso sair das fronteiras jurídicas de Cabo Verde para se perceber isso. A
Constituição da República é clara ao vedar quaisquer tipos de normas ou decisões
política e administrativas que afectem o conteúdo essencial do direito de aprender
(Artº.49º., nº.s 1 e 2 e Artº.17º. da Constituição da República de Cabo Verde).

Somente uma miopia aguda, social e jurídica, impede que se veja o «status negativus» –
o mandato constitucional de «non facere» – nesta matéria e o seu contraponto, o
mandado constitucional de optimização do direito e a liberdade fundamentais de
aprender.

A decisão de impedir as jovens grávidas de frequentarem o ensino por estarem nessa


condição é, manifestamente, uma escolha errada (o oposto da «escolha certa» que se
exige dos governantes), seja quem for que a tome. Nem mesmo a Assembleia Nacional
pode legislar com esse conteúdo e sentido pois a Constituição não permite a afectação do
«conteúdo essencial» desse direito, liberdade e garantia fundamental de aprender; ainda
que admita restrições, desde que se respeite o conteúdo essencial em consideração.

E, diga-se an passant, qualquer norma que a Assembleia nacional produzisse com esse
sentido seria materialmente inconstitucional, assim como qualquer regra criada pelo
executivo sofreria o mesmo vício – mas agora não somente material, mas também
orgânica e formal, pois é matéria reservada à competência legislativa da Assembleia
Nacional. Do mesmo modo que qualquer acto administrativo com tal conteúdo é
juridicamente inexistente, assim como – nos termos em que foi feito com a cidadã do
Concelho do Paul, Ana Rodrigues – constitui um crime de discriminação e de coação.

Por essa razão é que espectável que o Executivo cabo-verdiano se pronuncie


publicamente sobre esta matéria e corrija um erro grosseiro e permita a jovem Ana
Rodrigues prosseguir os seus estudos, de imediato, sem delongas e sem mais prejuízos.

Mais do que isso, o Governo deve(ria) proceder a um estudo adequado sobre esta
matéria e, a seu tempo, apresentar uma proposta de lei à Assembleia Nacional em que,
no âmbito de uma «escolha certa» (a decisão adequada), pondere e trate todas as
questões conexas com a gravidez precoce, nomeadamente no período de formação
escolar e de desenvolvimento da personalidade das jovens mulheres.

Estamos, quando falamos desta questão, a falar de direitos humanos e da sua violação
grosseira pelo Estado e seus agentes. O Artigo 49º da Constituição da República de Cabo
Verde (Liberdade de aprender, de educar e de ensinar) é claro no seu enunciado:

1.Todos têm a liberdade de aprender, de educar e de ensinar.


2. A liberdade de aprender, de educar e de ensinar compreende:
a) O direito de frequentar estabelecimentos de ensino e de educação e de neles ensinar
sem qualquer discriminação, nos termos da lei.

E nenhuma norma ou acto administrativo prevalece sobre esta liberdade (que é,


simultaneamente, um direito e uma garantia). E a mesma Constituição estatuiu que:

Artigo 16º (Responsabilidade das entidades públicas):


1.O Estado e as demais entidades públicas são civilmente responsáveis por acções ou
omissões dos seus agentes praticadas no exercício de funções públicas ou por causa
delas, e que, por qualquer forma, violem os direitos, liberdades e garantias com prejuízo
para o titular destes ou de terceiros.
2.Os agentes do Estado e das demais entidades públicas são, nos termos da lei, criminal
e disciplinarmente responsáveis por acções ou omissões de que resulte violação dos
direitos, liberdades e garantias.

Isto é, impedir alguém de estudar por estar grávida é, na perspectiva do legislador


constituinte, um facto tão gravoso que responsabiliza civil e criminalmente tais acção do
Estado e das entidades públicas.

Ora, colocada a questão nestes termos, claro resulta que uma legislação correcta,
razoável e justa só pode ter uma aplicação consentânea com ela. Se ela não for correcta,
razoável e justa não pode ser aplicada. E a prática de impedir as jovens mulheres
grávidas de exercerem a liberdade e o direito de estudar é, claramente, injusta.

E assim é porque o «mandado de optimização» da Constituição demanda que a


Administração (o Governo e seus agentes) trate, nos termos do princípio da igualdade
(Artº.23º. da CRCV) de forma igual e não discriminatória cidadãos que se encontram em
situações iguais a de outros concidadãos (ARISTOTLE, Nicomachean Ethics, Oxford
University Press, Oxford, 1998, p.152 e seg). A ter lugar qualquer tipo de discriminação, a
mesma teria de ser uma «discriminação justa» para igualar pessoas ou situações jurídicas
e não para desigualar o que é igual (RAWLS, J., A Theory of Justice, Harvard University
Press, Harvard, Cambridge, MA, 1971, p.109 e seg.). Mas, e não é que – neste plano –
existem soluções racionais e adequadas a estas situações?

É assim, mesmo para os conservadores e tradicionalistas. É neste sentido que afirmou o


Concílio Vaticano II, que «[...] embora haja desigualdades naturais entre os homens, a
igual dignidade das pessoas exige que se atinja uma condição de vida mais humana e
mais equitativa.» (Concílio Vaticano II – Constituição Pastoral «Gaudium et Spes»,
Vaticano, 1965).

Aos pais que dizem que «têm o direito» de não ver as filhas nas escolas ao lado de uma
jovem grávida, lembro-lhes o que diz João Paulo II: «Não é difícil verificar que no mundo
actual despertou em grande escala o sentido de justiça...» Será o despertar da justiça
desses pais.

Mas o Papa de cujus acrescenta que, em nome de uma pretensa justiça ou bem, se limita
a liberdade e impõe-se uma dependência total que contrasta com a essência de justiça.
«Este uso abusivo da ideia de justiça e da sua adulteração na prática demonstram que a
acção humana pode afastar-se da justiça, até mesmo quando empreendida em seu
nome» (Encíclica «Dives in Misericordia» de João Paulo II, Vaticano, 1980). Poderia
perguntar a esses pais: – «E onde fica o direito e a liberdade dos outros?» Bem, acho que
bastará pedir aos mesmos que leiam com atenção o que acabo de escrever e lembrá-los
do imperativo categórico (Kant) e da regra de ouro (Jesus Cristo)…

Ah, como dizia WILL ROGERS, It is great to be great, but it is greater to be human
(GREENBERG, SIDNEY (Editor), A Treasury of the Art of Living, Hartmore House,
Hartford, 1963). Podemos procurar «estar na moda», ter bons números para o ego e para
a comunidade internacional; mas nunca, nunca seremos uma grande nação, se não
formos humanos nas nossas decisões – percepcionarmos o «outro» – e não respeitarmos
as nossas normas fundamentais, a nossa gente e as suas necessidades.

Virgílio Rodrigues Brandão – vrbrandao@hotmail.com