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1 - GLOSSÁRIO DE TERMOS TÉCNICOS DA ÁREA DE

ARMAS E MUNIÇÕES

Ação Dupla: Sistema que permite que as armas de mão que possuem este
sistema possam ser acionadas sem antes ter que se engatilhar o cão. O gatilho
exerce duas funções, a saber: engatilha a arma e libera o cão; em inglês “Double
Action”;
Dupla ação – Sistema onde se faz possível a execução do tiro tanto em ação
simples, como em ação dupla.

Revolver: arma de ação simples e dupla.

Ação híbrida – A operação de armar o conjunto de disparo ocorre em duas


etapas, uma antes e outra depois do disparo.

Ação Simples: Tipo de ação, na qual é necessário que o cão seja armado para se efetuar o
primeiro disparo; Sistema de ação de revólver, que precisa que o cão seja armado manualmente a
cada tiro para poder disparar; em inglês “Single Action”;

COLT 1911, pistola em ação simples.

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Alma do cano: face interna do cano da arma, que pode ser liso, quando é
completamente polido, ou raiado, quando possui raiamento helicoidal.

Arma: artefato que tem por objetivo causar dano, permanente ou não, a seres
vivos e coisas.

Armas de alma lisa - são aquelas cuja superfície interna do cano é totalmente
lisa. Ex.: espingardas
Armas de alma raiada - são aquelas cujo cano possui 'estriamento que se
constitui de um número equivalentes de sulcos (raias) e de cristas (cheios) de
forma' helicoidal, alternada e paralelamente dispostos com regularidade. Ex.:
revólveres, pistolas: carabinas, metralhadoras, fuzis etc.

Arma de antecarga: armas cujo carregamento é feito pela frente do cano.


(bacamarte, garrucha)

Arma de antecarga.

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Arcabuz - nome derivado do alemão Hakenbuche – arma com gancho. Este tipo de arma foi usado
entre os séculos XIV e XV, sendo o nome usado nos séculos XVII e XVIII para indicar um tipo de
arma leve, que podia ser disparada sem o uso de uma forquilha;

Arcabuz.

Bacamarte “boca de sino”

Arma de retrocarga: arma cujo carregamento ocorre pela culatra. (todas as


armas modernas)

Escopeta Zanbala

Arma de fogo: arma que arremessa projétil empregando a força expansiva dos
gases gerados pela combustão de um propelente, confinado em uma câmara que,
normalmente, está solidária a um cano, que tem a função de propiciar
continuidade à combustão do propelente, além de direção e estabilidade na
trajetória do projétil;

Arma automática: arma em que o disparo, a ejeção da cápsula, o


recarregamento e o novo disparo, ocorrem continuamente enquanto o gatilho
estiver acionado, ou houver munição no carregador. (rajada); (Metralhadoras,
Submetralhadoras e canhões automático)

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Metralhadora FN M3M Submetralhadora Taurus MT 40

Arma semi-automática: arma que realiza automaticamente, todas as operações


de funcionamento com exceção do disparo, o qual, para ocorrer, requer um novo
acionamento do gatilho; (Ex: Pistola, Espingarda Benelli, Carabina CT 40)

Espingarda semi-automática
Benelli M3 Super 90
Carabina semi-automática
Taurus CT 30

Arma de repetição: arma em que o atirador, após a realização de cada disparo,


necessita empregar sua força física sobre um componente do mecanismo desta
(alavanca, bomba, ferrolho), para concretizar as operações prévias e necessárias
ao disparo seguinte. (Ex: Revólver, Carabinas com ação por alavanca,
Espingarda CBC, Fuzil com ação por ferrolho.)

Carabina Puma:
Repetição por ação de alavanca
Revólver: Clássico exemplo de arma de repetição

Arma de porte ou arma curta: arma de fogo de dimensões e peso reduzida, que
pode ser portada por um indivíduo em um coldre, e disparada, comodamente, com
somente uma das mãos. (Ex: pistolas, revólveres e garruchas).

Arma portátil ou arma longa: arma cujo peso e cujas dimensões permitem que
seja transportada por um único homem, mas não conduzida em um coldre,
exigindo, em situações normais, ambas as mãos para a realização eficiente do
disparo; (Ex: Espingarda, carabina, metralhadora, submetralhadora, fuzil)

Armamento pesado: armas cujo calibre é maior que 20 mm; (Canhões e


artilharia antiaérea)

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Oerlikon 20 mm para defesa de Canhão automático Rheinmetall 20 mm
ponto: Deste calibre para cima embarcado em aviões, helicópteros e tanques:
é armamento pesado. Outro exemplo de armamento pesado.

Armamento leve: toda e qualquer arma de porte ou portátil com calibre inferior a
20 mm, inclusive o .50 BMG (14,7 mm).

Metralhadora FN M2 HB cal. 50 BMG: Armamento leve

Ação dupla: Arma que, ao acionar o gatilho, o cão executa dois movimentos; vai a
retaguarda (engatilhar) e depois à frente atingindo o percussor.

Ação simples: arma que, ao acionar o gatilho, o cão ou martelo executa apenas
um movimento, indo à frente atingir o percussor. Sendo que, para realizar o
primeiro disparo, necessita que o atirador arme o cão manualmente (engatilhar),
ou manobre o ferrolho para alimentar a arma, no caso de pistolas. Em armas
portáteis é feito por uma ação mecânica através de alavanca, bomba, ferrolho ou
semi-automática.

AK 47: (Abrev.) Sigla da denominação russa Avtomat Kalashnikova odraztzia 1947 goda – Arma
Automática de Kalashnikov modelo do ano de 1947. É um Fuzil de assalto no calibre 7,62x39mm 9
mm criado em 1947 por Mikhai Kalashnikov, produzido na União Soviética pela empresa estatal
IZH.

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Fuzil de assalto AK 47.
Alça de Mira: Dispositivo situado na parte posterior de uma arma destinado a permitir a visada ou
pontaria num alvo pré-determinado. É Fixa quando não pode ser deslocada para correção
horizontal ou vertical e Regulável quando pode ser deslocada em ambos os sentidos, permitindo a
correção da visada em relação ao ponto de impacto no alvo; em inglês “Rear Sight”;
Alcance Máximo: Distância maior que determinado projétil pode alcançar ou em que perde sua
energia cinética. O alcance máximo depende das características balísticas de cada cartucho, do
comprimento do cano da arma e do ângulo em que o disparo foi efetuado;

Alcance Útil/Eficaz:Distância na qual um projétil ainda pode ter eficácia ou poder letal;
Alcance: Distância compreendida entre a origem do tiro e o ponto de queda do projétil;
Alimentar: é a colocação do carregador municiado na arma, ou do cartucho
diretamente em alojamento apropriado da arma sem, contudo, carregá-la.

Ambidestro (a): diz-se das armas e dispositivos de segurança que podem ser
operados indistintamente por destros e canhotos.

Alma Lisa: Cano de arma com alma ou interior sem raiamento; em inglês “Smoothbore”;

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COLT 1911 e seu aparelho de visada.

Calibre real: medida do diâmetro interno do cano de uma arma, medido entre os
cheios do raiamento;

NÚMERO PAR DE RAIAS


Medida entre cheios
diametralmente opostos.

NÚMERO IMPAR DE RAIAS


Medida entre um cheio e
a delimitação entre o
cheio e a raia oposta.

Calibre nominal: É uma convenção adotada pelos fabricantes com a finalidade de


identificar genericamente o tipo de arma e munição.
Tipo particular de munição e também de arma, na qual esta munição deva
ser usada corretamente (é a correlação perfeita entre arma e munição).

EXPRESSOS

S I S T E M A M É T R IC O D E C IM A L S IS T E M A I N G L Ê S D E P E S O S E M E D I D A S

m ilím e tr o e c e n té s im o d e m ilím e tr o fr a ç õ e s d a p o le g a d a

Ex: 7,65 mm 38/100 da polegada = 0,38


pol ou 0,38" = .38

Sistema inglês; expresso em centésimos ou milésimos de polegada (EUA, Grã-


Bretanha). Neste sistema, a designação pode ser acompanhada do indicativo da
empresa que desenvolveu o calibre, ou do peso do projétil e/ou da carga do
propelente em grains. Ex.: .223 Remington, .40 S&W, .38 Special, .45-70, .45 ACP,
.380 Auto.

Sistema métrico decimal também chamado Internacional (milímetros); no sistema


decimal, usa-se a combinação do diâmetro do projétil com o comprimento do

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estojo. Como no sistema inglês, pode haver indicação da empresa que o
patenteou, e outras informações específicas. Ex: 9 x 19mm, 9mm Luger, 5.56 x
45mm.

Similitude entre os calibres: Os calibres .380 ACP, 9mmP (9 x 19mm, 9mm Luger,
ou 9mm Parabellum), .380 auto, .38 super, .357 Magnum, .357 SIG, .38 S&W, .38
SPL, .38 SPL + P, são todos semelhantes quanto ao diâmetro do projétil, que gira
entre .355 e .357 (centésimos de polegada), diferindo quanto ao volume de
propelente, peso e tipo de projétil, forma e dimensões do estojo, e numérica e
nominalmente pela arma. Importante ressaltar que existem várias denominações
para um mesmo calibre, como, por exemplo, 9mm curto, kurtz ou short (Browning)
ou 9 x 17mm, que são outros nomes para o .380 ACP.

Outros exemplos:
.38 é equivalente a 0,38 polegadas, mas na realidade a medida é 0,357 polegadas
(9mm).

.380 idem (usado para pistola).

.38 Auto – para pistola; o auto é de semi-automática ou automática; também


chamado de .38 Super.

.380 ACP – Automatic Colt Pistol: nome que se refere ao fabricante das primeiras
armas no calibre. Na Europa, é comum denominar-se 9mm Browning (curto),
nome do projetista da munição.

.38 S&W – Smith & Wesson – projetista da munição.

.38 SPL – especial (estojo maior, com mais propelente).

.38 Spl + P – mais propelente, tendo mais pressão, potência, velocidade e


energia. Devem ser usados somente em armas de fabricação recente e de boa
procedência, projetadas para oferecerem resistência ao acréscimo de pressão
gerado.

.32, .320, 7,65mm, .32 auto, .32 S&W são semelhantes em designação, mas
variam em diâmetro real (entre 309 e 320) e peso de projétil, e no comprimento do
estojo.

Calibre 9mm Luger – o calibre Luger ou parabellum usa estojo de 19mm de


comprimento.

Parabellum - é, também, a denominação dada à pistola e munição Luger. Deriva


do endereço telegráfico da fábrica alemã DWM (Deutsche Waffen und Munitions
Fabrik). O vocábulo tem origem latina: “si vis pacem, para bellum” (se desejas a
paz, prepara-te para a guerra).

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Assim, para cada tipo de calibre real pode haver vários tipos de calibres
nominais. Logo, armas com o mesmo calibre real usarão munição diferente
por ter calibre nominal diferente, indicado pela arma.

NA PISTOLA NO REVÓLVER

Calibre da munição; medida do diâmetro externo de um projétil sem cinta;

Carabina: arma de fogo portátil, com alma raiada, com cano menor que 19
polegadas.

Carabina Taurus CT 40 Carabina Bushmaster XM 15 A3, calibre


Cano de 16 polegadas 5.56 mm e cano de 11,5 polegadas: Arma de
dotação da DOE / PCDF.

Carregador: artefato onde ficam alojados os cartuchos de uma arma de fogo;


pode ser parte integrante da estrutura da arma ou, o que é mais comum, ser
independente, permitindo que seja fixado ou retirado por ação sobre um
dispositivo de fixação. Os tipos mais comuns são: pente ou clip (absoleto), caixa
ou cofre (pistolas, fuzis, sub), tubular (espingardas, carabina puma), tambor, cinta
ou fita (metralhadoras).

Mauser C 96 com Ainda hoje muitos Carregador do tipo


seu carregador tipo policiais referen-se a cofre ou caixa, usado
pente. carregador como pente. nas pistolas atuais. 9
Cartucho: unidade de munição referente ao artefato completo, pronto para o
carregamento e disparo em arma de fogo de retrocarga, composto pelo estojo,
espoleta, propelente (pólvora) e projétil. Em cartuchos para armas de alma lisa,
temos ainda a bucha, e em alguns tipos, disco de papelão.

Projéteis (balins)
1- Projétil
Bucha
2- Estojo
Estojo
3- Propelente
Propelente
4- Espoleta
Espoleta

Cartucho para arma de alma raiada Cartucho para arma de alma lisa

Destrógira é quando o sentido do raiamento é para a direita

Espingarda: arma de fogo portátil, com alma lisa, e cano maior que 16 polegadas;

Espingarda CBC 586.2


Cano de 19 polegadas

Escopeta: arma de fogo portátil, com alma lisa, e cano menor que 16 polegadas;

Escopeta Aramburu
Cano de 14 polegadas

Fuzil: arma de fogo portátil, alma raiada, com cano maior que 19 polegadas;

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Springfield
Mauser GewM98:1903
calibre
calibre
7.92
30-06
x 57 mm
Equipou
Arma de odotação
exercitoamericana
alemão durante
na 2ª a
2ª grande
guerra mundial
guerra.
Fuzil de Assalto: arma de fogo portátil, alma raiada, com cano maior que 19
polegadas. Diferencia-se dos fuzis pela compaticidade, grande capacidade de
cartuchos, possibilidade de fogo automático e utilização de munição intermediária
(entre os calibres de fuzis e submetralhadora).

O Stg 44 cal. 7.92 x 33mm desenvolvido pelos


alemães no final da 2ª Guerra, foi o criador do
conceito de fuzil de assalto.
( “Stg.” de SturmGewehr – fuzil de assalto)

O ícone AK – 47 cal. 7.62 x 39 mm, o O AR-15 / M-16 americano nascido


americano M 14 e o belga FAL, são nos anos 60 é um exemplo de fuzis de
alguns exemplos de fuzil de assalto de 1ª assalto de 2º geração.
geração surgidos na década de 50.

Gauge (Ga): unidade de medida dos calibres de


armas que possui alma do cano liso, e suas
respectivas munições. Corresponde ao número
de esferas de chumbo, com o diâmetro igual ao
do cano da arma, que perfazem o peso de uma
libra.

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Calibre
Diâmetro (mm)
Gauge
10 19,3 - 19,7
12 18,2 - 18,6
16 16,8 - 17,2
20 15,6 - 16,0
24 14,7 - 15,1
28 14,0 - 14,4
32 12,75 - 13,15
36 (410) 10,414

Metralhadora: arma de fogo portátil, que


realiza tiro somente automático; (não possui seletor de tiro)

Metralhadora FN Minimi Paramodel

Pistola: arma de fogo de porte, geralmente semi-automática, cuja única câmara


faz parte do corpo do cano. Há pistolas de tiro singular (single shot), que não
dispõem de carregador e cujo carregamento é feito manualmente, tiro-a-tiro pelo
atirador.

Pistola Buckhunter P 16100 de tiro Colt 1911 Governamental: Uma clássica


singular; aparência de revólver, mas a semi-automática cultuada no mundo
falta do tambor a enquadra como pistola. inteiro.

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Pistola automática; pistolas que possuem seletor de tiro para modo automático
ou rajada curta (buster).

OTS 33 fabricada na Rússia: Glock G 18: rajada curta de 3


Note o seletor de 3 posições no ferrolho. disparos.

Projétil: 1 - Corpo arremessado por arma de fogo. 2 – Parte do cartucho que foi
ou que pode ser lançado através do cano da arma de fogo. São divididos em três
grupos: de chumbo, encamisados ou jaquetados (total ou parcialmente) e os
especiais. Entre os especiais o mais comumente encontrado é o expansivo.

ChumboEncamisado Encamisado Expansivo ponta oca Hydra shock


Parcial total
Soft point

Raias: sulcos feitos na parte interna (alma) do cano, geralmente de forma


helicoidal, que têm a finalidade de imprimir movimento de rotação nos projéteis,
que lhes garante melhor estabilidade na trajetória e maior precisão;

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ORIENTAÇÃO DESTROGIRA:
O R IE N T A Ç Ã O Sentido de giro horário ou para
a direita.

D E X T R O G IR O S IN IS T R O G IR O
ORIENTAÇÃO SINISTROGIRA:
Sentido de giro anti-horário ou
para a esquerda.
ORIENTAÇÃO: Sentido da rotação do projétil.

RAIAMENTO

PASSO: Distância necessária para que o


projétil realize uma volta completa em torno
de seu eixo.

PASSO SIMPLES: À
P AS S O
distância de todos os passos são iguais.

S IM P L E S M IS T O PASSO MISTO: Há
variação na distância de um passo
qualquer.

Revólver: arma de fogo de porte, de repetição, que possui tambor giratório, que
serve de câmera e onde se alojam as munições.

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Taurus 605 .357 Mag: o tambor é a Colt single action: desde os primórdios o
principal característica do revólver. tambor giratório está presente neste tipo de
arma.

Rifle: termo genérico para designar arma portátil com cano raiado (Fuzis e
Carabinas).

Sinistrógira é quando o sentido do raiamento é para esquerda.

Submetralhadora ou metralhadora de mão: Arma portátil, compacta, calça


munição de pistola e possui seletor de tiro.

Taurus MT 40: A principal


característica desse tipo de arma é Taurus MT 12 calibre 9 mm: A primeira sub
utilizar munição de pistola. da empresa a equipar a PCDF.

Classificações das armas de fogo

As armas do fogo são classificadas de diversas formas, quanto à sua


portabilidade, alma do cano, sistema de carregamento, sistema de funcionamento,
uso, mecanismo de disparo, calibre, mecanismo de ação do gatilho, mecanismo
de funcionamento, utilização, entre outras. A seguir são apresentadas algumas
dessas definições.

a) Quanto à portabilidade:

– arma portátil: arma cujo peso e cujas dimensões permitem que seja transportada
por um único homem, mas não conduzida em um coldre, exigindo, em situações
normais, ambas as mãos para a realização eficiente do disparo. São também
chamadas de armas de fogo longas e utilizadas geralmente com bandoleiras.
– arma de porte: arma de fogo de dimensões e peso reduzidos, que pode ser
portada por um indivíduo em um coldre e disparada, comodamente, com somente

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uma das mãos pelo atirador; enquadram-se, nesta definição, pistolas, revólveres e
garruchas. São também chamadas de armas de fogo curtas.

b) Quanto à alma (face interna) do cano:

– raiada: a face interna do cano possui raiamento. As raias são sulcos feitos na
parte interna (alma) dos canos ou tubos das armas de fogo, geralmente de forma
helicoidal, que têm a finalidade de propiciar o movimento de rotação dos projéteis,
que lhes garante estabilidade na trajetória.
– lisa: não há raiamento na face interna do cano, sendo totalmente polido.

c) Quanto ao sistema de carregamento:

– antecarga: o carregamento é realizado pela boca do cano, que é a parte anterior.


No idioma inglês são denominadas muzzleloaders.
– retrocarga: o carregamento é realizado pela culatra, que é a parte posterior do
cano. No idioma inglês são denominadas breech-loaders.

d) Quanto ao sistema de funcionamento:

– de repetição: é a arma em que o atirador, após a realização de cada disparo,


decorrente da sua ação sobre o gatilho, necessita empregar sua força física sobre
um componente do mecanismo desta para concretizar as operações prévias e
necessárias ao disparo seguinte, tornando-a pronta para realizá-lo;
– semi-automática: é a arma que realiza, automaticamente, todas as operações de
funcionamento com exceção do disparo, o qual, para ocorrer, requer, a cada
disparo, um novo acionamento do gatilho;
– automática: é a arma em que o carregamento, o disparo e todas as operações
de funcionamento ocorrem continuamente enquanto o gatilho estiver sendo
acionado (é aquela que dá rajadas);

e) Quanto ao uso:

– Armas de uso permitido: são as armas cuja utilização é permitida a pessoas


físicas em geral, bem como a pessoas jurídicas, de acordo com a legislação
normativa do Exército.
– Armas de uso restrito: são as armas que só podem ser utilizadas pelas Forças
Armadas, por algumas instituições de segurança, e por pessoas físicas e jurídicas
habilitadas, devidamente autorizadas pelo Exército, de acordo com legislação
específica. São definidas na R-105, como
– armas de fogo curtas, cuja munição comum tenha, na saída do cano, energia
superior a 300 lb-pé ou 407 J e suas munições, como por exemplo, os calibres .
357 Magnum, 9 Luger, .38 Super Auto, .40 S&W, . 44 SPL, .44 Magnum, .45 Colt e
.45 Auto;

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– armas de fogo longas raiadas, cuja munição comum tenha, na saída do cano,
energia superior a 1000 lb-pé ou 1355 J e suas munições, como por exemplo, .22-
250, .223 Remington, .243 Winchester, .270 Winchester, 7 Mauser, .30-06, .308
Winchester, 7,62 x 39, .357 Magnum, .375 Winchester e .44 Magnum;
– armas de fogo automáticas de qualquer calibre;
– há outras características que definem uma arma como de uso restrito.
Para a relação completa, vide art. 16 da R-105.

f) Quanto ao mecanismo de ação do gatilho:

– ação simples: nessas armas, ao acionar o gatilho, a única ação realizada é a


liberação do cão ou martelo, engatilhado, que irá, consequentemente, à frente
atingindo o percussor e realizando o disparo. Para o (primeiro) disparo, é
necessário que o operador arme o cão ou martelo manualmente ou manobre o
ferrolho.
– ação dupla: ao pressionar o gatilho, ocorrem duas ações, o cão ou martelo é
armado (engatilhado) e, ao final do curso do gatilho, é liberado para atingir o
percussor.

g) Quanto ao mecanismo de funcionamento:

– repetição
– blowback simples
– blowback com retardo
– recuo do cano
– a gás
– mola inercial
– retardo a gás

Tipos de armas de fogo

a) Revólver

Arma de fogo curta, portátil, de repetição, não automática, com um só cano e


várias câmaras de combustão que integram um cilindro denominado tambor. Único
tipo de arma de fogo em que a câmara de combustão não faz parte do cano.

 PARTES ESSENCIAIS: Armação, tambor, cano e mecanismo.

 Armação: corpo da arma, local onde estão os elementos de identificação


dos revólveres. Na armação se fixam, montam ou articulam as demais
peças do revólver. É composta (revólveres de tambor reversível) pela
mortagem (alojamento do tambor), ponte, entalhe ou alça de mira, consolo
(onde se fixa o cano e se encaixa o suporte do tambor), alojamento do eixo
do extrator, placa de obturação (que funciona como culatra), alojamento da
região posterior da haste do extrator (onde se dá a passagem da

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extremidade anterior do ferrolho), fenda do impulsor do tambor, alojamento
dos dentes de impulsão. Nos revólveres de extração simples ou unitária, a
placa de obturação apresenta uma janela de carregamento ou de ejeção e
há uma vareta sob o cano ou lateralmente para extração dos estojos.

 Tambor: externamente estão as caneluras e os fresados para encaixe do


retém. Internamente está o alojamento da vareta do extrator e as câmaras
(com um estrangulamento na região anterior e orlas rebaixadas na região
posterior para alojamento da coroa do extrator, onde estão os dentes de
impulsão).

 Cano: na maioria dos revólveres, o cano possui uma rosca para fixação na
armação. Internamente, na parte posterior, há o cone de forçamento, onde
não há raiamento e o diâmetro é levemente maior que a alma do cano. Há
canos com compensador de recuo, que serve para controlar a saída dos
gases, obtendo uma reação em sentido contrário ao do recuo, facilitando a
retomada da visada. Pode ser com ou sem câmara. Sem câmara: são
abertos furos na parte superior do cano, em geral nas laterais da maça de
mira ou ao longo do cano numa fila única.Com câmara: há uma câmara
junto à boca do cano com diâmetro maior que o do calibre real do cano e
furos na lateral da maça de mira. O compensador pode reduzir o recuo de
25% (.38 SPL) a 50% (.357 e .44 MAGNUM).

 Mecanismo: é composto pelo mecanismo de disparo, de repetição e de


segurança, que trabalham em conjunto.

 Mecanismo de disparo: composto principalmente pelo cão, gatilho e mola


real. O cão apresenta, em sua cabeça, o percussor ou percutor, a crista
serrilhada ou dedeira, alavanca de armar ou peça de articulação, ressalto
de segurança, entalhe dearmar. O gatilho apresenta cauda (articulada com
a alavanca de armar e encaixa noentalhe de armar), corpo (onde encaixam-
se o retém do tambor e o impulsor do tambor) e tecla.

 Mecanismo de repetição: composto pelo ferrolho, impulsor do tambor,


retém do tambor e dentes de impulsão. O ferrolho mantém o tambor fixo em
seu alojamento e é conectado ao botão do ferrolho ou botão da chave, que,
quando acionado,empurra a haste do extrator e permite a abertura do
tambor. O impulsor do tambor é articulado com o gatilho, assim como o
retém do tambor, que se encaixa nos fresados do tambor garantindo o
alinhamento das câmaras com o cano.

 Mecanismos de segurança: constituídos em geral por calços de


interposição. Em muitos revólveres, o tambor é aferrolhado na mortagem
pela haste do extrator, na extremidade anterior por meio de uma presilha
que há na região abaixo do cano e, na extremidade posterior, na placa de
obturação, pelo ferrolho, utilizando um mecanismo de aferrolhamento duplo.
Em muitos revólveres, o alojamento da vareta do extrator é uma região

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reforçada abaixo do cano, que pode acompanhar todo o comprimento do
cano. Na região acima do cano, encontra-se a maça de mira, que pode ser
integral ou com inserto colorido. Esta região pode apresentar recortes,
denominados banda ventilada, que é um aspecto estético, não
influenciando diretamente no tiro.

b) Pistola

Arma de fogo de porte, geralmente semi-automática, cuja única câmara faz parte
do corpo do cano e cujo carregador, quando em posição fixa, mantém os
cartuchos em fila e os apresenta seqüencialmente para o carregamento inicial e
após cada disparo. Há pistolas de repetição que não dispõem de carregador e
cujo carregamento é feito manualmente, tiro-a-tiro, pelo atirador.
Nas pistolas semi-automáticas, seu mecanismo aproveita os gases da combustão
para acionar o mecanismo de repetição, fazendo a substituição dos cartuchos na
câmara.

PARTES ESSENCIAIS: Armação, Cano, Ferrolho, Carregador e Mecanismo de


Disparo

 Armação: serve de suporte para as demais peças, como o ferrolho e parte


do mecanismo de disparo e, na região da coronha, está o alojamento ou
receptáculo do carregador.

 Cano: é raiado e possui a câmara de combustão, sem raiamento. Na face


posterior da câmara há um entalhe para alojamento do extrator e a rampa
de acesso dos cartuchos à câmara.

 Ferrolho: peça móvel que desliza extraindo e inserindo cartuchos. Pode


conter o bloco da culatra, que é escavada para alojar o culote do cartucho.
Nele fica montado o percussor e o extrator.

 Carregador: em geral é uma peça em separado, tipo cofre, que possui o


transportador (mesa elevadora), mola recuperadora e o fundo. Em alguns
modelos ele é parte integrante da coronha, apresentando uma janela de
admissão.
 Mecanismo de disparo: constituído pelo gatilho, percussor, cão (em
alguns modelos) e suas molas e travas. O gatilho fica distante do cão ou
percussor, sendo necessário utilizar um tirante para conectá-los.
As pistolas com menores calibre ou potência funcionam geralmente com
culatra desaferrolhada, de modo que a base do estojo empurra o bloco da culatra
fazendo o ciclo
de repetição. Nas pistolas de culatra aferrolhada, o movimento de abertura da
culatra é retardado após cada disparo por ação de um bloco de trancamento, de
um êmbolo ou pelo recuo curto do cano.

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Nas pistolas de percussão direta, que não possuem cão, o percussor possui uma
saliência ou noz em sua região ínfero-posterior, que é conectada ao gatilho pelo
tirante.

c) Espingarda

Arma de fogo portátil, com cano de alma lisa. É usado o termo escopeta para
espingardas de cano curto (menor que 16”). Há vários calibres e algumas
permitem a troca de canos de alma lisa por alma raiada.
Em vários modelos há, na boca do cano, a possibilidade de se colocar o choque
(choke) ou estrangulamento.

d) Slug Gun

Espingardas com o cano de alma raiada, criadas para dispararem balotes (projétil
único). Também podem ser utilizadas com cartuchos de múltiplos projéteis, mas a
tendência é gerar uma dispersão circular com o centro vazio.

e) Carabina

Arma de fogo portátil, com cano de alma raiada. Em alguns países o termo é
designado para armas com cano menor que 22 1/2” ou 20”, sendo aqui definido
como canos até 19”. Diferem dos fuzis por terem o cano mais curto.
O sistema de carregamento e alimentação pode ser tipo bomba ou alavanca, com
carregador tubular sob o cano, ou semi-automáticas, ou ainda de tiro unitário.

f) Rifle
Termo genérico para designar arma de fogo portátil, com cano de alma raiada.

g) Fuzil

Arma de fogo portátil, com cano longo de alma raiada. Considera-se o cano maior
que 19”, apesar dessa medida não ser adotada de forma unânime. Pode ser
automático, semi-automático ou de repetição.

h) Mosquetão

Arma de fogo longa, com cano de alma raiada, maior que uma carabina, de
repetição por ação de ferrolho montado no mecanismo da culatra, acionado pelo
atirador por meio da sua alavanca de manejo.

 Calibre

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Segundo a R-105, calibre é a medida do diâmetro interno do cano de uma arma,
medido entre os fundos do raiamento, ou a medida do diâmetro externo de um
projétil sem cinta, ou ainda a dimensão usada para definir ou caracterizar um tipo
de munição ou de arma.
Para este estudo, a definição de calibre pode ser subdivida em dois conceitos:
calibre real e calibre nominal.

 Calibre real

Calibre real é a medida do diâmetro interno de um cano, medindo-se entre os


cheios ou cristas do raiamento, ou ainda o diâmetro do projétil. No caso de canos
comnúmero ímpar de raias, será a medida entre o cheio e a delimitação entre o
cheio e a raia diametralmente oposta. É determinado em mm ou frações de
polegada.

 Calibre nominal

Calibre nominal é a nomenclatura adotada por fabricantes de munições e armas


de fogo que identifica o tipo de cartucho a ser utilizado. É uma convenção que
permite relacionar o armamento e o cartucho compatíveis.
São exemplos de calibre nominal: .40 S&W; 7.62 NATO; .380 ACP; .38 SPL; .223
Remington; .357 Magnum.
O calibre nominal pode ser estabelecido no sistema inglês, em frações de
polegadas, ou no sistema métrico, em mm. Em geral, há mais informação, como o
nome do fabricante que criou o calibre (.223 Remington), o comprimento do estojo
(em mm) (7.62x51 NATO), a velocidade do projétil (.250-3000 Savage) ou a carga
de propelente (.30-30 Winchester).
Podemos verificar que o calibre real pode ser o mesmo para diversos calibres
nominais, como acontece com .380 ACP, 9x19mm, .380 auto, .38 super, .357
Magnum,.357 SIG, .38 S&W, .38 SPL; ou com 7.62x51mm, 7.62x39mm, .308
Winchester, .30-06.

 Gauge

Nas armas com cano de alma lisa, como na espingarda “calibre 12”, o diâmetro
interno do cano é relacionado ao calibre nominal de outra maneira. Nesses casos,
o calibre é um número inteiro que indica a quantidade de esferas de chumbo de
diâmetro igual ao diâmetro interno do cano (calibre real) necessárias para somar a
massa de 1 libra (453,6 g).
Por exemplo, uma esfera de chumbo cuja massa seja igual a 1/12 de uma libra
terá o diâmetro igual ao diâmetro da alma de um cano de uma espingarda “calibre
12”. Ou ainda, 12 esferas de chumbo de diâmetro igual ao diâmetro da alma do
cano de uma espingarda “calibre 12” perfazem a massa de 1 libra de chumbo.
Tecnicamente o termo correto para estes calibres nominais é “gauge”, devendo
ser utilizada a expressão “calibre 12 gauge”, “12 gauge” ou “gauge 12”.
Os gauges mais utilizados atualmente são 12, 20, 36 (ou calibre .410), 10, 16 e
28.

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No entanto, ainda há fabricantes de espingardas calibre 4 e até mesmo 2
gauge,geralmente são armas artesanais (em inglês, utiliza-se o termo 2 bore ou 4
bore).
A medição do diâmetro da alma do cano de uma espingarda deve ser realizado
emsua porção mediana, pois essas armas possuem um cone de forçamento
próximo à câmara e podem possuir choque (do inglês choke) na boca do cano. O
choque é um estrangulamento na saída do cano que tem a função de agrupar
mais os projéteis para reduzir sua dispersão, aumentando o alcance e a precisão.
Muitas armas tem o choque cambiável para que diferentes estrangulamentos
possam ser utilizados.

 MECANISMOS DE FUNCIONAMENTO

Nesta seção são descritos os principais mecanismos que realizam o ciclo de


alimentação de armas curtas e longas, ou seja, a mecânica envolvida nas
operações de extração e ejeção da cápsula deflagrada e inserção de um novo
cartucho na câmara.

a) Repetição

As armas com mecanismo de repetição, como descrito anteriormente no item


são as armas em que o atirador, após a realização de cada disparo, decorrente da
sua ação sobre o gatilho, necessita empregar sua força física sobre um
componente do mecanismo desta para concretizar as operações de extração,
ejeção e alimentação ou alinhamento da próxima câmara com o cano.
Há diversos tipos de mecanismos desenvolvidos para estas tarefas. Os
principais são:
– ação de bomba (pump): o operador age na telha ou guarda-mão, movendo-o à
retaguarda e à frente, como em muitas espingardas
– alavanca: em geral o guarda-mato funciona como alavanca, como nas
carabinas puma
– ferrolho manual: o operador age diretamente no ferrolho, movendo-o à
retaguarda e à frente. Muito utilizado em fuzis de precisão.
– cilindro ou tambor: ao acionar a tecla do gatilho ou armar o cão, o operador faz
com que o mecanismo da arma rotacione o tambor onde estão as câmaras com os
cartuchos, alinhando a próxima câmara com o cano. No final do curso do gatilho, o
cão é liberado para realizar a percussão. São os revólveres.

b) Blowback simples

O termo blowback pode ser traduzido como “golpear à retaguarda”. Este


mecanismo realiza a auto-alimentação da arma utilizando a energia dos gases em
combustão na câmara e no cano para empurrar o estojo vazio em direção à
culatra. O cano é estacionário e o ferrolho será golpeado à retaguarda, extraindo e
ejetando a cápsula vazia e comprimindo a mola recuperadora. Ao chegar ao final
de seu curso, o ferrolho será empurrado à frente pela mola recuperadora e,

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durante seu percurso, irá extrair um cartucho do carregador e alojá-lo na câmara,
ficando a arma pronta para um novo disparo.
Neste sistema, não há trancamento do ferrolho, sendo que o mesmo
mantém-se fechado por sua inércia (massa) e pela resistência da mola
recuperadora, que irão manter a pressão na câmara até que o projétil deixe o
cano.
Este mecanismo é muito utilizado em pistolas de calibres até .380 ACP,
além de submetralhadoras e carabinas como a CT .40 e MT .40 da Taurus.

c) Blowback com retardo

Este mecanismo funciona da mesma forma que o blowback simples, mas com
o acréscimo de algum tipo de mecanismo para retardar a abertura do ferrolho, e
não apenas pela sua massa e carga da mola recuperadora.
Há vários mecanismos utilizados para retardar a abertura do ferrolho, entre
eles: por roletes, a gás, por roscas, por articulação, por desalinhamento angular do
ferrolho com o cano, por alavanca, por estrangulamento na base da câmara e por
bloco de trancamento.
Alguns exemplos de armamentos que utilizam este sistema são os fuzis
FAMAS, HK G3 (roletes) e HK PSG-1 (roletes), a submetralhadora HK MP5
(roletes), as pistolas HK P7 (gás) e Remington 51 (bloco de trancamento).

d) Recuo curto do cano

Diferentemente do sistema de blowback, nesse mecanismo há um efetivo


trancamento do ferrolho com o cano. Outra importante característica é a
mobilidade do cano, que a primeira vista parece apresentar uma folga se
empurrado para trás.
Seu princípio de funcionamento se baseia na conservação de momento, ou
seja,com a expansão dos gases, o projétil é empurrado para frente e,
consequentemente, a arma é empurrada para trás. Uma vez que o cano possui
certa mobilidade, ele irá recuar, empurrando o ferrolho, até ser bloqueado por um
batente, e então o ferrolho continua seu movimento sozinho, comprimindo a mola
recuperadora. Em seu curso, irá extrair a cápsula e ejetá-la, e no retorno irá inserir
um novo cartucho na câmara.
O pequeno curso de movimentação do cano é o que irá realizar o
destrancamento do cano com o ferrolho e, quando o ferrolho retorna à posição
fechada, novamente ocorre o trancamento. Há diferentes mecanismos de
trancamento, tais como bloco de trancamento, roletes e cano rotativo.
Este sistema é utilizado na maioria das pistolas semi-automáticas com calibres
9mm e acima, assim como em submetralhadoras, como a FN P90, e até mesmo
em fuzis de grande calibre, como o Barrett M82 cal. .50 BMG.

e) Recuo longo do cano

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Este mecanismo se assemelha ao recuo curto, por utilizar o mesmo princípio
de funcionamento, a conservação de momento. No entanto, aqui o cano possui
um curso maior, recuando e empurrando o ferrolho até o fim de seu curso,
mantendo o trancamento até aí. Quando o conjunto ferrolho e cano chegam ao
final do curso, há o destrancamento e o ferrolho é retido à retaguarda, enquanto o
cano é impulsionado à frente por uma mola.
Neste momento, há a extração, ejeção e alimentação e, em seguida, o ferrolho
é liberado à frente fechando a câmara e trancando novamente no cano.
É um sistema bem menos utilizado que o recuo curto. Algumas espingardas
utilizam este mecanismo, como a Browning Auto-5. Outro exemplar é o fuzil anti-
material Steyr AMR / IWS 2000 calibre 15.2mm Steyr APFSDS.

f) A gás

O mecanismo de operação a gás é largamente empregado em fuzis e


carabinas e começou a ser utilizado por volta de 1890.
Sua ação se baseia no aproveitamento da energia dos gases no interior do
cano. O projétil desloca-se pelo cano até que passa por um orifício próximo à boca
do cano. Este orifício canaliza os gases para uma câmara onde pode haver um
pistão conectado ao ferrolho. Esse pistão irá, com o aumento da pressão, mover-
se à retaguarda e realizar o destrancamento do ferrolho e movê-lo para trás,
extraindo e ejetando a cápsula e comprimindo a mola recuperadora. Em seguida,
a mola empurrará o ferrolho à frente, alimentando a arma.
Este mecanismo pode utilizar um pistão de curso longo, que é solidário ao
ferrolho, movendo-se junto em todo seu curso, ou de curso curto, no qual o pistão
golpeia o ferrolho e pára em um batente, enquanto o ferrolho continua seu
movimento à retaguarda em decorrência da energia cinética adquirida. Há ainda a
possibilidade de injeção direta dos gases, na qual não há pistão e os gases são
canalizados até o ferrolho e a pressão irá movê-lo à retaguarda.

g) Mola inercial ou operação por inércia


O sistema de mola inercial opera por ação do recuo da arma e sua
engenhosidade está no conjunto do ferrolho. Enquanto nos mecanismos de recuo
do cano, o cano se move e golpeia o ferrolho à retaguarda, no sistema de mola
inercial, o movimento da arma inteira à retaguarda, devido ao recuo, é utilizado
para a alimentação.
O conjunto do ferrolho é composto pelo corpo e pela cabeça móvel, que são
interligados por uma mola de alta rigidez. A cabeça realiza o trancamento no cano.
Com o recuo, decorrente do disparo, a inércia faz com que o corpo do ferrolho
permaneça estacionário enquanto a arma e a cabeça do ferrolho movem-se à
retaguarda, comprimindo a mola inercial contra o corpo do ferrolho. A força do
operador em resistir ao recuo irá frear a arma e a mola inercial irá descomprimir,
liberando sua energia potencial elástica acumulada na compressão, e empurrar o
corpo do ferrolho à retaguarda. Assim, o corpo do ferrolho move-se, realizando o
destrancamento da cabeça do ferrolho e levando o conjunto todo para trás,

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extraindo e ejetando o estojo e comprimindo a mola recuperadora, que irá,
posteriormente empurrar o ferrolho à frente, alimentando um cartucho na câmara e
trancando-se novamente.
Por basear-se no movimento da arma inteira decorrente do recuo, este
sistema só é utilizado em armamentos com grande recuo. Munições com pouca
carga e/ou projéteis muito leves têm a tendência de não funcionar, como as
munições não letais. Além disso, a operação só ocorre corretamente quando a
arma possui liberdade de movimento para mover-se um pouco à retaguarda.
Atualmente, espingardas da Benelli, dominam este sistema.

h) Sistema Gatling

O sistema Gatling foi criado em 1861 por Richard J. Gatling. Consiste em um


mecanismo rotativo com vários canos (em geral, 6 a 10 canos). Cada cano possui
sua própria câmara e percussor. Na verdade, não é um sistema utilizado em
armas portáteis, mas é mencionado aqui por sua engenhosidade.
Ao longo de uma revolução, cada cano recebe um cartucho, dispara e ejeta a
cápsula em pontos diferentes do ciclo, utilizando ressaltos e travas responsáveis
por cada operação. Isso permite maior facilidade em sincronizar a alimentação, o
disparo, a ejeção e a recarga, além de maior resfriamento dos canos,
possibilitando maiores taxas de disparo.As primeiras armas com sistema Gatling
utilizavam uma manivela operada manualmente para rotacionar o mecanismo,
gerando taxas de disparo entre 400 e 1200 tiros por minuto. Atualmente, estes
armamentos evoluíram e utilizam motores elétricos ou hidráulicos para rotacionar
o sistema e podem gerar taxas de até 6000 tiros por minuto em calibre 7.62mm,
como a M134 (minigun). Já a GAU-8/A Avenger, é capaz de disparar 4200 tiros por
minuto em calibre 30mm, sendo uma das armas mais poderosas a utilizar o
sistema Gatling.

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