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Dação em pagamento

No Direito das obrigações, ocorre a dação em pagamento (ou do latim: datio in solutum) quando o
credor aceita que o devedor dê fim à relação de obrigação existente entre eles pela substituição do
objecto da prestação, ou seja, o devedor realiza o pagamento na forma de algo que não estava
originalmente na obrigação estabelecida, mas que extingue-a da mesma forma.

A dação é, portanto, uma forma de extinção obrigacional, e sua principal característica é a natureza
diversa da nova prestação perante a anterior, podendo ocorrer, por exemplo, substituindo-se dinheiro
por coisa (rem pro pecuni), uma coisa por outra (rem pro re) ou mesmo uma coisa por uma obrigação
de fazer.

A dação em pagamento (datio in solutum) não deve ser confundida com a dação "pro solvendo", que
não extingue a obrigação, mas apenas facilita o seu cumprimento.

Requisitos
Para que a dação seja eficaz, é necessário que:

1. Exista uma dívida vencida, consequentemente uma obrigação criada previamente;


2. Seja firmado um acordo posterior, em que o credor concorda em receber pagamento diverso;
3. O pagamento diverso seja entregue (coisa) ou feito (obrigação da fazer) ao credor, extinguindo-
se a obrigação;Regulado pelo artigo 356, CC.
4. Haja o ânimo, a vontade de solver a obrigação principal. Esta que deverá ser de ambas as partes
na relação obrigacional, ou seja, credor e devedor. (animus solvendi).

Exemplos
 rem pro pecuni: o devedor não possui dinheiro suficiente para quitar sua dívida, então entrega
ao credor a sua moto, de valor equivalente ao débito, substituindo o objecto da obrigação;
 rem pro re: o vendedor (devedor) entrega ao comprador (credor), após este já ter efectuado o
pagamento, um produto semelhante ao que lhe havia prometido, visto que o produto original
estava em falta no estoque. Neste caso, é mais conveniente ao credor receber coisa diversa do
que ficar sem o produto ou recebê-lo com atraso. Por exemplo, o comprador A compra de B
500 unidades do ténis X, porém como este está em falta, o devedor oferece o ténis N, este que
aceito pelo devedor, mesmo sendo objecto diferente do originário da obrigação, irá a extinguir.

Em todas as hipóteses de dação, como nos exemplos expostos acima, ela só será executada mediante o
consentimento do credor.
Transação (direito)
A transacção é um negócio jurídico pelo qual, no Direito das obrigações, os sujeitos de uma obrigação
resolvem extingui-la mediante concessões recíprocas, para prevenir ou pôr fim ao pleito.

O sentido de transacção é, no Direito, o de "transigir", que significa condescender, ou seja, uma das
partes terá que abrir mão de uma parcela de seus direitos para que seja válida a transacção e se evite a
demanda judicial. O credor, por exemplo, opta por receber do devedor uma quantia menor do que a
obrigada para evitar a morosidade da demanda e o consequente inadimplemento do devedor por
período indeterminado, sabendo que este poderá nunca pagar a dívida. Nesse caso, opta o credor,
sabiamente, pelo certo ao duvidoso.

A transacção pode ser extrajudicial, quando ocorre antes da instauração de um litígio entre as partes,
ou judicial, se houve o instauramento. Feita a transacção são produzidos efeitos de coisa julgada para
os transactores.

Elementos
São necessários quatro elementos para dar carácter de validade a uma transacção:

1. Acordo bilateral entre as partes legitimadas, ou seja, convergência de vontades;


2. Controvérsia com respeito à relação jurídica, isto é, as dúvidas que as partes têm a respeito da
obrigação;
3. Ânimo de extinguir as dúvidas, para evitar ou terminar a demanda;
4. Concessões mútuas entre as partes.

Remissão (direito)
No Direito das obrigações, a remissão é uma forma de extinção da obrigação pela qual o credor
perdoa a dívida do devedor, não pretendendo mais exigi-la. Dá-se entre dois sujeitos obrigacionais
(inter partes), não sendo admitido que um terceiro seja prejudicado pela acção de remissão.

Requisitos
Para caracterizar-se como remissão, a relação obrigacional deve respeitar os seguintes requisitos:

1. Ânimo ou vontade do credor para perdoar;


2. Aceitação do perdão pelo devedor, caracterizando, assim, a remissão como de natureza
bilateral.

Espécies
O perdão, na remissão, pode ser:

1. Total: a dívida é integralmente perdoada;


2. Parcial: o credor só recebe parte da dívida, subsistindo o débito.

Com relação à forma, a remissão pode ser:


1. Expressa: a remissão ocorre na forma escrita ou verbal, e o credor declara não mais ter
interesse em receber a dívida;
2. Tácita: quando ocorre a devolução voluntária da obrigação, ou mesmo a própria destruição do
título desta, sem que seja averbado ou escrito o perdão.

Remissão no Direito Tributário


Remissão é o perdão da dívida. Se o credor perdoa a dívida, está extinto o crédito. No Direito Privado
basta uma decisão do credor para perdoar a dívida.

No Direito Tributário é um pouco diferente, uma vez que a remissão é possível apenas nos casos
previstos em lei e, ainda assim, apenas se estiver presente alguma das circunstâncias do art. 172 do
CTN.

A remissão será concedida pela autoridade administrativa, por despacho fundamentado, podendo ser
total ou parcial, conforme autorização legal. O artigo 172 do CTN determina que a lei instituidora da
remissão considerará:

I – a situação económica do sujeito passivo;

II – a ocorrência de erro ou ignorância escusáveis do sujeito passivo, quanto à matéria de fato;

III – a diminuta importância do crédito tributário;

IV – considerações de equidade, em relação com as características pessoais ou materiais do caso;

V – condições peculiares a determinada região do território da entidade tributante.

Remissão e remição da pena


A remissão, que significa perdão, não deve ser confundida com a remição, que no Direito Processual
significa resgate ou o ato de remir, livrar do poder alheio, adquirir de novo, ou, ainda, com a remissão
da pena, que, em Direito Penal, consiste em um instituto pelo qual dá-se como cumprida parte da pena
por meio do trabalho do condenado, que também não pode se confundir com renúncia, que é o ato pelo
qual o credor abre mão de receber a prestação devida.

Pagamento por consignação


No Direito das obrigações, o pagamento por consignação ou consignação em pagamento é o meio
pelo qual o devedor extinguirá a sua obrigação perante o credor, no caso de este recusar-se a receber o
pagamento, não tomar a iniciativa de recebê-lo ou ainda quando seu paradeiro for desconhecido.

O Código Civil Brasileiro (Lei 10.406 de 10 de Janeiro de 2002), em seu artigo 335, complementa esse
entendimento, ao afirmar que a consignação tem lugar: "I - se o credor não puder, ou, sem justa causa,
recusar receber o pagamento, ou dar quitação na devida forma; II - se o credor não for, nem mandar
receber a coisa no lugar, tempo e condição devidos; III - se o credor for incapaz de receber, for
desconhecido, declarado ausente, ou residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil; IV - se
ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objecto do pagamento; V - se pender litígio
sobre o objecto do pagamento VI Se houver concurso de preferência aberto contra o credor ou se este
for incapaz de receber o pagamento”.
A consignação é um direito do devedor, podendo este accioná-la judicialmente quando, por exemplo, o
credor locatário recusar-se a receber o aluguer no intuito de propor uma acção de despejo.

Requisitos necessários ou obrigatórios


Para que a consignação tenha força de pagamento, deverá obedecer aos seguintes requisitos:

1. Deverá ser feita pelo devedor ou terceiro interessado;


2. O pagamento deverá ser integral, visto que o credor não é obrigado a aceitar pagamento
parcial;
3. A obrigação não poderá ser modificada, mesmo antes de vencida a dívida, devendo ser
cumprida na sua forma originária.

O pagamento por consignação é o depósito judicial ou "bancário" (extrajudicial) feito em pagamento


de uma dívida.

Pagamento com sub-rogação


No Direito das obrigações, o pagamento com sub-rogação é um instrumento jurídico utilizado para
se efectuar o pagamento de uma dívida, substituindo-se o sujeito da obrigação, mas sem extingui-la,
visto que a dívida será considerada extinta somente em face do antigo credor, mas permanecendo os
direitos obrigacionais do novo titular do crédito.

O termo "sub-rogação" significa, no direito, substituição. Nessa modalidade de pagamento, um


terceiro, que não o próprio devedor, efectua o pagamento da obrigação. Nesse caso, a obrigação não se
extingue, mas somente tem o seu credor originário substituído, passando automaticamente a este
terceiro (sub-rogado) todas as garantias e direitos do primeiro. O devedor, que antes pagaria ao
originário, deverá realizar o pagamento ao sub-rogado, sem prejuízo algum para si.

No ordenamento brasileiro, existem duas modalidades de sub-rogação: a legal e a convencional. Na


primeira modalidade, existe a previsão legal, art. 346, incs I a III do CC, para que ocorra a sub-
rogação; o terceiro opera de pleno direito nos casos taxativamente previstos pelo Código, independente
da manifestação de vontade de terceiros, e adquire os direitos do credor. Apesar de ser prevista pela
Lei, autores sustentam que a vontade das partes permite a dispensa da sub-rogação legal. Enquanto
isso, na sub-rogação convencional, existe o acordo de vontade (ou entre o credor e terceiro, ou entre o
devedor e terceiro) contemporâneo ao pagamento e expressamente declarado, pois a sub-rogação não
se presume já que o pagamento é ato de liberatório.

Efeitos
Concisamente, são dois os efeitos da sub-rogação:

1. Efeito liberatório, ou seja, o débito que existia para com o credor original extingue-se;
2. Efeito translativo, o que significa que a relação obrigacional é transferida para o novo credor.
Exemplo
Na prática, é um instrumento muito utilizado quando, por exemplo, tem-se uma dívida com um credor
que deverá ser paga em até 6 meses, impreterivelmente. É feita a sub-rogação por um terceiro, que
paga a dívida e assume o papel de credor, oferecendo melhores condições de pagamento, como a
prorrogação do prazo de pagamento para até 12 meses.

Novação
A novação é uma operação jurídica do Direito das obrigações que consiste em criar uma nova
obrigação, substituindo e extinguindo a obrigação anterior e originária. O próprio termo "novar" já é
utilizado no vocabulário jurídico para se referir ao ato de se criar uma nova obrigação. Entretanto, na
novação não há a satisfação do crédito, pois a obrigação persiste, assumindo nova forma.

O efeito precípuo da novação é o liberatório, isto é, a extinção da obrigação anterior pela nova, que a
substitui.

Requisitos
Para que a operação caracterize-se como novação, os seguintes requisitos devem ser preenchidos:

1. Deve existir uma obrigação originária e válida;


2. A nova obrigação deverá possuir conteúdo essencialmente diverso da primeira;
3. Deve haver o ânimo, ou seja, a vontade de novação ou "animus novandi".

Espécies
Fundamentalmente, existem três espécies de novação:

1. Objectiva: a novação refere-se ao objecto da prestação, a nova obrigação que será criada em
detrimento da extinção da originária; se difere da dação em pagamento, pois esta extingue a
única obrigação de existir, mediante prestação diversa; a novação neste caso cria uma nova
obrigação com novo objecto.
2. Subjectiva activa: quando se substituem os sujeitos da obrigação, a saber o devedor, o credor
ou ambos; implica a extinção de uma obrigação visando criar uma nova com credor diferente.
3. Subjectiva passiva: contém 02 espécies, sendo elas por delegação e por expromissão
("expulsão"). Na primeira espécie, o devedor originário indica um novo devedor visando a
criação de uma nova obrigação com o credor que, por sua vez, aceita, gerando direito de
regresso ao novo devedor; esta modalidade implica participação do novo devedor, antigo
devedor e credor. Na segunda espécie, não existe direito de regresso, pois não depende de
anuência do primitivo devedor; portanto, o novo devedor combina com o credor a extinção da
obrigação original mediante a criação de uma nova obrigação, na qual ele figurará como
devedor.
4. Mista: quando ocorre, além da alteração do sujeito, a alteração do conteúdo ou objecto da
obrigação