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QUESTÃO 1

Não obstante a Psicologia tenha encontrado na Educação um terreno fértil para seu
desenvolvimento como ciência, e o diálogo entre os dois saberes tenha se tornado estreito ao
longo dos tempos, pode-se dizer que ainda há um longo caminho a percorrer, tendo-se
notado, na trajetória destas relações, mudanças frequentes que mostram que não há ainda
um consenso e que os maiores progressos ocorreram no campo teórico e não no prático, de
modo que há profundas discrepâncias na aplicação do saber psicológico ao exercício do ato
educativo. Discrepâncias estas que se manifestam sobretudo na utilização dos resultados
obtidos pelas pesquisas psicológicas no campo prático educativo, como por exemplo, se a
Educação seria meramente o campo da aplicação das teorias psicológicas ou se não se deveria
restringi-la somente a este papel, mas levando-se em conta também a sua experiência
histórica e teórica e a prática cotidiana na sala de aula, provocar uma reflexão crítica e um
diálogo a fim de encontrar soluções. A submissão da prática educativa sem esta crítica gerou o
surgimento de práticas tecnicistas com resultados insatisfatórios e graves de práticas
desvinculados das necessidades educacionais.

A partir da década de 50 do século passado, uma conscientização mais aguda das


contrariedades do processo de aproximação entre Psicologia e Educação faz surgir teorias
explicativas que questionam com mais ênfase e propriedade a validade dos métodos
explicativos no processo educativo, além do surgimento de outras disciplinas que estudam,
como a Psicologia da Educação, o fenômeno educativo (Educação Comparada, Sociologia da
Educação e outras) e colocaram em questão o papel de protagonista da Psicologia,
evidenciando seus limites para explicar o processo educativo.

QUESTÃO 2

Inatismo é uma doutrina filosófica que afirma a condição inata das ideias em estado latente.
O processo de conhecimento seria o acionamento e a recordação destas mesmas ideias, ou
seja, os traços de hereditariedade que trazemos são acionados, melhorados e reproduzidos.
Por exemplo, quando os pais dizem que seus filhos ou são inteligentes ou são “bagunceiros”
porque “puxaram” esse ou aquele membro da família, manifesta uma concepção inatista. Ou
quando dizemos que uma pessoa nasceu com o dom de escrever ou desenhar.

O inatismo teve origem em Platão.

O Método Experimental, criado por Claude Bernard surge da necessidade de, no tratamento
de pacientes, obter mais controle e precisão. Bernard não aceitava mais submeter os enfermos
ao método de tentativa e erro e, em vez de experiências com pouco critério, propunha
através da observação, análise e comparação de tratamentos e controles, a criação de regras
de experimentação. Assim nasce o Método Experimental, de caráter científico, adotado pelas
diversas áreas de tratamento, também pela Psicologia, que assim entra na fase
experimentalista, modelo hegemônico até o fim do século passado. Um exemplo de aplicação
do método experimental pode ser o estudo se o uso de determinados aplicativos de celular
ajudam ou não o processo de aprendizagem dos alunos.
Aprendizagem é o processo através do qual se adquire novos conhecimentos, se desenvolve
potenciais e competências e se modifica condutas e valores, pela experiência, estudo e
contemplação da realidade através das mais variadas formas. A aprendizagem caracteriza-se
por ser um processo contínuo e dinâmico, que não tende à estagnação . Nunca deixamos de
aprender, ainda que não estejamos em ambientes propriamente educativos ou executando
atividades específicas de aquirição de conhecimento. Um simples passeio por um parque
permite-nos aprender muitas coisas, apenas observando as árvores e os animais. E a
aprendizagem é contínua porque até mesmo nas experiências muitas vezes limitantes da idade
mais avançadas, os idosos seguem aprendendo. A aprendizagem e um processo gradativo e
cumulativo. Um exemplo de aprendizagem se dá quando um estudante passam um tempo em
intercâmbio em um país estrangeiro para, convivendo com a cultura, o cotidiano e a realidade
deste outro país, aprender a sua língua com mais facilidade.

QUESTÃO 3

John Locke usou o conceito de “tabula rasa” para demonstrar que todo conhecimento provém
da experiência e que nascemos sem ‘registros’ em nossa mente – somos seres passivos e é a
experiência que faz o registro da aprendizagem. Há nessa concepção de Locke uma espécie de
contradição: se por um lado aprendemos tudo pela aprendizagem, por outro lado o nosso
intelecto tem algo de ativo, porque recebe a estimulação empírica a transforma em
conhecimento. Para a produção do conhecimento há a necessidade uma resposta da mente à
experiência.

Influência importante do empirismo de Locke na Educação é a necessidade de, desde a tenra


idade, começar a “treinar as crianças” ao aprendizado, uma vez que elas são mais maleáveis e
o desempenho é melhor. Praticar, repetir as atividades desde cedo, melhora a aprendizagem.
Quanto mais cedo, mais repostas positivas. Hoje, percebe-se por, exemplo, na relação crianças
com a tecnologia, no uso de aplicativos e no manejo da internet ou no aprendizado de
idiomas, o quanto se aprende com rapidez e o quanto, nessa fase, a absorção é melhor.

Outro aspecto importante da influência do pensamento Locke é que, em meio à uma


mentalidade absolutista autoritária, própria de seu tempo, ele se contrapôs, opondo-se ao uso
do castigo no processo educacional. Locke opõe-se ao sistema de castigos e recompensas.
Castigos porque estes podem criar aversão e não prazer, na aprendizagem. E recompensas
porque podem desviar o afeto da criança, fazendo com ela se interesse, não pelo
conhecimento em si, mas para o seu substituto (um prêmio, um doce), que é a recompensa.

QUESTÃO 4

ABORDAGEM SÓCIO-HISTÓRICA

A concepção da abordagem histórico-social, diferente das abordagens anteriores, que diziam


que o homem nasce com ideias ou que é produto do meio, aqui se privilegia a importância da
interação social para o desenvolvimento do indivíduo. Não faz sentido o homem só possuir
uma bagagem hereditária ou só sofrer a influência do meio se ele não interage com a
sociedade. O homem é um sujeito que se constitui socialmente: seu desenvolvimento
compreende sua cultura, seus valores, o que recebe do ambiente familiar, em contraste com a
cultura dominante e as determinações do meio social. Toda essa teia de relações, conjugações
e contrastes constituem a formação do homem.

A abordagem sócio-histórico tem base marxista e perspectiva dialética. O comportamento


humano não é meramente reativo, mas fruto da interação social que se manifesta de
atividades que correspondem à cultura e ao momento histórico. Por exemplo, o ministro das
relações exteriores, Ernesto Araújo, escreveu em um texto, que o Brasil precisa descobrir o seu
lugar no Ocidente. Mas o que ele chama de Ocidente temi uma concepção de base europeia,
que não se conjuga com o Brasil atual. Um jovem europeu, por exemplo, não tem a mesma
concepção cultural que um jovem brasileiro. São valores e visões de mundo totalmente
diferentes. Ou quando comparamos a infância das gerações anteriores, que viveram em outro
contexto histórico, com a nossa. Era uma infância bem diferente, com outra noção de
liberdade, de segurança, e outros recursos tecnológicos. Essa abordagem é histórica e social. O
homem se constitui como indivíduo se relacionando com o mundo material e com a cultura
que recebeu dos antepassados em conexão com a sociedade atual.

A abordagem sócio-historica permite que se faça essas reflexões, contemplando a sociedade


enquanto interage com ela, atuando como sujeito a partir do próprio contexto familiar e
cultural.

QUESTÃO 5

O conjunto da teorização, e Jean Piaget, ficou conhecido como Epistemologia Genética. Ele
distingue três elementos ou conjuntos: o sujeito, o objeto e o conjunto de estruturas. Para
Penna (1978, p:299-302), o sujeito destacado pelo grande psicólogo é o sujeito epistêmico,
entidade teórica que responde pelo conjunto de aquisições cognitivas comuns a todos os
sujeitos numa mesma faixa etária e que difere do sujeito individual. O objeto não é construído
pelo sujeito, mas resultado tanto da condição de permanência quanto da de conservação,
respondendo pela entrada no estágio do pensamento concreto. Dele deriva o conhecimento,
expressão do esforço construtivo sobre os objetos, mas não de objetos, estes sempre
inalcançáveis. O conjunto de estruturas são as pertencentes a cada um dos períodos. As
estruturas são construídas através de processamentos, interações, daí o nome construtivista
atribuída à sua teoria.