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CURSO ONLINE

PORTUGUÊS - PROFESSORA MARILENE SILVA


Marilene Silva

SUMÁRIO DA APOSTILA DE LÍNGUA PORTUGUESA


Professora MARILENE SILVA
E-mail: marilenesilvaportugues@yahoo.com.br

Assunto Página

Definição de Morfologia, Semântica e Sintaxe................................. 02


Conjunção........................................................................................ 03

Aspectos ortográficos

Acentuação Gráfica.......................................................................... 06

Concordância Nominal..................................................................... 13
Concordância Verbal....................................................................... 19
Vozes verbais............................................................................... 27
Regência Verbal .. .......................................................................... 28
Regência nominal............................................................................ 37
Emprego do sinal indicativo de Crase.......................................... 39
Colocação dos pronomes Átonos................................................ .. 46
Funções do SE................................................................................. 51
Funções do QUE.............................................................................. 53
Uso dos Porquês.............................................................................. 56

Domínio da estrutura morfossintática do período.

Classificação do Sujeito................................................................... ..... 59


Estudo do Predicado............................................................................. 61
Complementos verbais.................................................................. ..... 63
complemento Nominal.................................................................... ..... 65
Agente da Passiva.............................................................................. 65
Adjunto Adnominal e aposto......................................................... ..... 66
Adjunto adverbial ................................................................................ 66
vocativo.............................................................................................. 67

Período composto

Relações de coordenação entre orações e entre termos da oração. ......67


Relações de subordinação entre orações e entre termos da oração........68
Orações Subordinadas Adverbiais....................................................... 69
Orações Subordinadas Substantivas.............................................. .... 69
Pontuação.......................................................................................... 74
Morfologia
Emprego das classes de palavras. ..........................................................76
Emprego de tempos e modos verbais. ....................................................93
Compreensão e interpretação de textos de gêneros variados.
Reconhecimento de tipos e gêneros textuais.
Reescrita de textos de diferentes gêneros e níveis de formalidade..... 100

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Marilene Silva

CURSO DE LÍNGUA PORTUGUESA


PROFª. MARILENE SILVA
e-mail: marilenesilvaportugues@yahoo.com.br

Segundo pesquisas, a maioria dos brasileiros tem problemas com a Língua


Portuguesa, faça parte do grupo que não tem.

Para começar o estudo da Língua Portuguesa é necessário conhecer a definição de


como se divide a Gramática:

MORFOLOGIA: estudo das classes gramaticais.

SUBSTANTIVO, ARTIGO, ADJETIVO (LOCUÇÃO ADJETIVA), ADVÉRBIO (LOCUÇÃO


ADVERBIAL) NUMERAL, PRONOME, PREPOSIÇÃO (LOCUÇÃO PREPOSITIVA),
CONJUNÇÃO (LOCUÇÃO CONJUNTIVA), INTERJEIÇÃO, VERBO.
ex.: As meninas compraram dois livros novos.
As= artigo, meninas= substantivo, compraram= verbo, dois=numeral, livros= substantivo,
novos= adjetivo.

SINTAXE: estudo das funções exercidas pelas palavras, ou seja, representantes de


diversas classes gramaticais exercendo funções diferentes a depender do contexto.
SUJEITO, TRANSITIVIDADE VERBAL (VERBO TRANSITIVO DIRETO,TRANSITIVO
INDIRETO, DE LIGAÇÃO, INTANSITIVO), PREDICAÇÃO VERBAL, COMPLEMENTOS
VERBAIS(OBJETO DIRETO, OBJETO INDIRETO) , COMPLEMENTO NOMINAL,
ADJUNTO ADNOMINAL, ADJUNTO ADVERBIAL, APOSTO, AGENTE DA PASSIVA,
VOCATIVO, PREDICATIVO DO SUJEITO E DO OBJETO.
ex.: As meninas compraram dois livros novos.
As meninas= sujeito, as= adjunto adnominal, meninas= núcleo do sujeito, compraram dois
livros novos= predicado verbal, compraram= verbo transitivo direto, dois livros novos =
objeto direto, dois e novos= adjuntos adnominais, livros= núcleo do objeto direto.

O termo sintaxe também é usado para avaliação dos aspectos gramaticais, ou seja, tudo
que diz respeito à correção gramatical, que envolve todos os assuntos da gramática, ex.:
concordância, crase, colocação pronominal, grafia etc.

SEMÂNTICA: estudo do significado das palavras, trabalha as idéias utilizadas no contexto.


PERÍFRASE: substituir uma palavra por outra mantendo o sentido (sinônimo).
Ex.: comprei bastantes coisas = comprei muitas coisas

PARÁFRASE: substituir o texto mantendo o sentido, ou seja, a mesma idéia e não


necessariamente as mesmas palavras.

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Conjunção
Conjunções Subordinativas Adverbiais

Conjunções subordinativas causais são as conjunções que, iniciando uma oração,


exprimem causa de outra oração.

As conjunções subordinativas Causais

porque / pois / que / uma vez que / já que / como /

• visto que / por isso que / porquanto

• Ex.: Os balões sobem porque são mais leves que o ar.


• Saímos rapidamente, visto que estava armando um tremendo temporal.

Conjunções Subordinativas Concessivas

Conjunções subordinativas concessivas são as conjunções que, iniciando uma oração


subordinada, expressam uma ocorrência oposta à ocorrência da oração principal.

• embora / mesmo que / ainda que / posto que / por mais que
• apesar de que / mesmo quando / conquanto / não obstante

• Acompanhou a multidão, embora o tenha feito contra sua vontade.


• A harmonia do ambiente daquela sala, de súbito,rompeu-se, ainda que houvesse
silêncio.

Conjunções Subordinativas Condicionais

Conjunções subordinativas condicionais são as conjunções que, iniciando uma oração


subordinada, exprimem uma condição.

• se / caso / contanto que / a não ser que /


• desde que / salvo se

• Se você não vier, a reunião não se realizará.


• Caso ocorra um imprevisto, a viagem será cancelada.
• Chegaremos a tempo, contanto que nos apressemos.

Conjunções Subordinativas Conformativas

Conjunções subordinativas conformativas são as conjunções que, iniciando uma oração


subordinada, expressam sua conformidade em relação ao fato da oração principal.

• conforme / segundo / consoante


• como (utilizada no mesmo sentido da conjunção conforme).

• O debate se desenrolou conforme foi planejado.


• Segundo o que disseram, não haverá aulas.

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Conjunções Subordinativas Comparativas

Conjunções subordinativas comparativas são as conjunções que expressam comparação


ou confronto de idéias.

• que /
• do que (quando iniciadas ou antecedidas por noções comparativas como menos,
mais, maior, menor, melhor, pior)
• qual (quando iniciada ou antecedida por tal)
• como (também apresentada nas formas assim como, bem como)

• Aquilo é pior que isso.


• Tudo passou como as nuvens do céu. Existem deveres mais urgentes que outro

Conjunções Subordinativas Finais

Conjunções subordinativas finais são as conjunções que, iniciando uma oração


subordinada , expressam a finalidade dos atos contidos na oração principal.

• a fim de que / para que


• porque (com mesmo sentido da conjunção para que) / que

• Tudo foi planejado para que não houvesse falhas.


• Fez sinal que todos se aproximassem em silêncio.

Conjunções Subordinativas Proporcionais

Conjunções subordinativas proporcionais são as conjunções que expressam a


simultaneidade e a proporcionalidade da evolução dos fatos.

• à proporção que / à medida que / quanto mais... (tanto) mais


• quanto mais... (tanto) menos / quanto menos... (tanto) menos
• quanto menos... (tanto) mais

• Seu espírito se elevava à medida que compunha o poema.


• Quanto mais correres, mais cansado ficarás. Quanto menos as pessoas nos
incomodam, tanto mais realizamos nossas tarefas.

Conjunções Subordinativas Temporais

Conjunções subordinativas temporais são as conjunções que, iniciando uma oração


subordinada, tornam essa oração um índice da circunstância do tempo em que o fato da
oração principal ocorre.

• quando / enquanto / logo que / agora que / tão logo


• apenas (com mesmo sentido da conjunção tão logo)
• toda vez que, / mal (equivalente a tão logo) / sempre que

• Quando chegar de viagem, me avise. Enquanto todos estavam fora, nada fez de útil.

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Conjunções Subordinativas Consecutivas

Conjunções subordinativas consecutivas são as conjunções que, iniciando uma oração


subordinada, expressam uma conseqüência da anterior.

• que (precedido dos termos intensivos tal, tão, tanto, tamanho, às vezes
subentendidos)
• de sorte que, de modo que, de forma que, de maneira que, sem que, que (não).

• Minha mão tremia tanto, que mal podia escrever


• Falou com uma calma, que todos ficaram atônitos
• Ontem estive doente, de sorte que (ou de modo que) não saí

Conjunções Coordenativas

Conjunções coordenativas são os vocábulos gramaticais que estabelecem relações entre


dois termos ou duas orações independentes entre si, que possuem as mesmas funções
gramaticais.

As conjunções coordenativas podem ser dos seguintes tipos

• aditivas / adversativas / alternativas / conclusivas / explicativas

Conjunções Coordenativas Aditivas

As conjunções coordenativas aditivas possuem a função de adicionar um termo a outro de


mesma função gramatical, ou ainda adicionar uma oração a outra de mesma função
gramatical. Estabelecem relação de soma, adição de idéias.

São elas: e, nem (= também não), mas também (geralmente antecedido de não só)

• Todos aqui estão contentes e despreocupados.


• João apeou e deu bons-dias a todos.
• O acontecimento não foi bom nem ruim.

Conjunções Coordenativas Adversativas

As conjunções coordenativas adversativas possuem a função de estabelecer uma relação


de contraste entre os sentidos de dois termos ou duas orações de mesma função
gramatical.

São elas: mas, porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto.

Conjunções Coordenativas Alternativas

Conjunções coordenativas alternativas são as conjunções coordenativas que unem


orações independentes, indicando sucessão de fatos que se negam entre si ou ainda
indicando que, com a ocorrência de um dos fatos de uma oração, a exclusão do fato da
outra oração. Estabelecem, então, relação de alternância, opção, escolha.

• ou...ou / ora...ora / quer...quer / já...já / seja...seja

• Tudo para ele era vencer ou perder.


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• Ou namoro a garota ou me vou para longe.
• Ora filosofava, ora contava piadas.

Conjunções Coordenativas Conclusivas

As conjunções coordenativas conclusivas são utilizadas para unir, a uma oração anterior,
outra oração que exprime conclusão o conseqüência.

• logo / portanto / por isso / por conseguinte / assim / então


• enfim / pois (após o verbo)

• Estudou muito, portanto irá bem no exame.


• O rapaz é bastante inteligente será, pois, um privilegiado na entrevista.

Conjunções Coordenativas Explicativas

Conjunções coordenativas explicativas são aquelas que unem duas orações, das quais
uma seja a explicação, justificativa do que está expresso em outra.

• São elas / que / porque / pois (antes do verbo) / na verdade


• ademais / de mais a mais...

• Vamos almoçar, que estou morrendo de fome.


• Entre, que está muito frio.
• Não chegue atrasado, pois sairemos no horário combinado.

Conjunções Subordinativas

Conjunções Subordinativas Integrantes

Conjunções subordinativas integrantes são as conjunções que, iniciando orações


subordinadas, introduzem essas orações como termos da oração principal (sujeitos,
objetos diretos ou indiretos, complementos nominais, predicativos ou apostos).

As conjunções integrantes são que e se (empregado esta última em caso de dúvida).

. Ele disse que você viria / Ele disse se você viria.

ASPECTOS ORTOGRÁFICOS

1.1. ACENTUAÇÃO GRÁFICA

Sílaba Tônica

Dica: para descobrir a sílaba tônica de uma palavra, basta pronunciá-la de forma correta e
perceber qual sílaba você pronuncia com mais intensidade, cada palavra só tem uma
sílaba tônica, as outras são chamadas de átonas.
Ex.: café - fé é a tônica, e ca é a átona.

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Oxítonas
Terminou – Falarão

Paroxítonas
Termino – Falaram

Proparoxítonas
Término – Faláramos

I. REGRAS GERAIS

Toda e qualquer palavra da língua portuguesa tem como sílaba tônica as 03(três)
posições: a última, a penúltima , ou a antepenúltima, mas as regras que justificam a falta
ou a presença dos acentos são 08 (oito): 1- Oxítonas, 2-Paroxítonas,3-Proparoxítonas, 4-
Monossílabos tônicos, 5- Hiatos, 6- Acentos diferenciais, 7-Trema e 8-Ditongos
decrescentes orais ou abertos.

1) OXÍTONAS

Acentuamos e justificamos o acento de uma palavra como oxítona, se a sílaba tônica da


palavra for a última e se terminar em: A , E, O, EM, ENS seguidas ou não de (s).

Ex.: sofá, café, bobó, parabéns, também.

Aquelas com outras terminações serão oxítonas não acentuadas.

Ex.: caju, pitu, Aracaju, saci, cateter.

2) PAROXÍTONAS

Acentuamos e justificamos o acento de uma palavra como paroxítona, se a sílaba tônica


for a penúltima e se terminar em: I, U, Ã (seguidas ou não de –s-), R, X, N, L, UM, UNS,
ON, ONS, DITONGO GRÁFICO CRESCENTE.

Ex.: júri, biquíni, órfã, órgão, médium, fórum, íons, história, trégua, pônei, jóquei, Flávia,
Sérgio, Sílvia, Antônio (substantivo próprio segue uma regra como qualquer palavra).

Aquelas com outras terminações serão paroxítonas não acentuadas.


Ex.: pudico, recorde, rubrica, bala, caneta, caneco.

Dica: para memorizar melhor a diferença entre oxítona e paroxítona, basta comparar as
regras já que são excludentes, o que se pode acentuar em um grupo é proibido no outro.

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Oxítonas: café, cipó, sofá, xerox, cocô, saci, vinténs, saci.

Paroxítonas: bule, bolo, casa, látex , coco, júri, hífen, hifens, pólen, polens.

3) PROPAROXÍTONAS

Todas as palavras que têm como sílaba tônica a antepenúltima serão acentuadas, seja
qual for a sua terminação.
Ex.: Gramática, vermífugo, tráfico, biótipo, lêvedo, arquétipo.

4) MONOSSÍLABOS TÔNICOS

Acentuam-se os monossílabos tônicos terminados em: A, E, O, seguidos ou não de (s).


Ex.: pá, nó, pé, sós, fé.

5) HIATOS

Coloca-se acento agudo nas vogais I e U tônicas dos hiatos, estiverem sozinhas na sílaba
ou juntas com a letra (s) e antecedidos de vogal.
Ex.: sa-í-da, sa-ú-de, ba-ú, a-í, ca-í, ba-la-ús-tre.

Obs.: Não se acentuam as letras I e U tônicas dos hiatos se elas vierem seguidas do
dígrafo (NH). Ex.: ra-i-nha, ba-i-nha, ven-to-i-nha, ta-i-nha.
Não se acentuam as letras I e U dos hiatos se elas vierem precedidas de vogal idêntica.
Ex.: xi-i-ta..
CUIDADO!
Sa-í Ju-iz
Sa-ís-te Ju-í-za
Sa-iu Ju-í-zo
Sa-í-mos Ju-í-zes
Sa-í-ram Flui-do
Sa-in-do Flu-í-do
Sa-ir-mos Sai-a X sa-í-a

Coloca-se acento circunflexo na primeira vogal dos hiatos ÔO e ÊE:

Ex.: vôo, enjôo, crêem, lêem, dêem, vêem.


1. Não se usará, após a reforma, mais o acento das palavras terminadas em
êem e ôo(s).
Como era Como fica
abençôo abençoo
crêem (verbo crer) creem
dêem (verbo dar) deem
dôo (verbo doar) doo
enjôo enjoo
lêem (verbo ler) leem
magôo (verbo magoar) magoo
perdôo (verbo perdoar) perdoo
povôo (verbo povoar) povoo
vêem (verbo ver) veem
vôos voos
zôo zoo

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2. Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o acento no i e no u tônicos
quando vierem depois de um ditongo.
Como era Como fica
baiúca baiuca
bocaiúva bocaiuva
cauíla cauila
feiúra feiura
Atenção: se a palavra for oxítona e o i ou o u estiverem em posição final (ou
seguidos de s), o acento permanece. Exemplos: tuiuiú, tuiuiús, Piauí.

CUIDADO!
1. ele lê – eles leem
ele dê – eles deem
ele vê – eles veem
ele crê – eles creem
2. ele tem – eles têm
ele vem – eles vêm
3. ele retém – eles retêm
ele convém – eles convêm

Obs.: ele contém – eles contêm


ele provém – eles provêm (provir= originar-se)
ele provê – eles provêem (prover= abastecer)
que ele prove – que eles provem (provar)

6) REGRA DOS ACENTOS DIFERENCIAIS ( ANTES E DEPOIS DA REFORMA)


(palavras homônimas homógrafas)
a) de TONICIDADE (acentuam-se as TÔNICAS):
tu côas, ele côa (verbo) x coas, coa (prep. + art.)
ele pára (verbo) x para (preposição)
pôr (verbo) x por (preposição)
b) de TONICIDADE e TIMBRE, pelo (verbo)
Como era: Como ficou:
1. pélo, pélas, péla (verbo) pelo, pelas , pelo (verbo)
péla (substantivo) pela (substantivo)
pêlo, pêlos (subst.) pelo, pêlos (subst.)
pelo, pela, pelos, pelas (prep. + art.)
2. pólo(s) (subst.) polo(s) (subst.)
pôlo(s), pôla(s) (subst.) polo(s), pola(s) (subst.)
polo(s), pola(s) (prep. arcaica)
pôlo(s), pôla(s) (prep. arcaica)
3. pera (preposição arcaica)
pêra (subst.) pera (subst.)
Pero (subst. próprio)
pero (conj. arcaica)
Pêro (subst. próprio)
pero (conj. arcaica)

c) de TIMBRE (acentua-se a de timbre FECHADO):


ele pôde (pret. perf. ind.) x ele pode (pres. ind.) continua acentuado.

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4. Não se usará, após a reforma, mais o acento que diferenciava os pares pára/para,
péla(s)/ pela(s), pêlo(s)/pelo(s), pólo(s)/polo(s) e pêra/pera.
Como era Como fica
Ele pára o carro. Ele para o carro.
Ele foi ao pólo. Ele foi ao polo
Norte. Norte.
Ele gosta de jogar pólo. Ele gosta de jogar pólo.
Esse gato tem pêlos brancos. Esse gato tem pelos brancos.
Comi uma pêra. Comi uma pera.

Atenção:
• Permanece o acento diferencial em pôde/pode. Pôde é a forma do passado
do verbo poder (pretérito perfeito do indicativo), na 3ª pessoa do singular.
Pode é a forma do presente do indicativo, na 3a pessoa do singular.
Exemplo: Ontem, ele não pôde sair mais cedo, mas hoje ele pode.
• Permanece o acento diferencial em pôr/por. Pôr é verbo. Por é preposição.
Exemplo: Vou pôr o livro na estante que foi feita por mim.
• Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural dos verbos
ter e vir, assim como de seus derivados (manter, deter, reter, conter, convir,
intervir, advir etc.). Exemplos: Ele tem dois carros. / Eles têm dois
carros.
Ele vem de Sorocaba. / Eles vêm de Sorocaba.
Ele mantém a palavra. / Eles mantêm a palavra.
Ele convém aos estudantes. / Eles convêm aos estudantes.
Ele detém o poder. / Eles detêm o poder.
Ele intervém em todas as aulas. / Eles intervêm em todas as aulas.
É facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as palavras forma/
fôrma. Em alguns casos, o uso do acento deixa a frase mais clara. Veja
este exemplo: Qual é a forma da fôrma do bolo?

5. Não se usa mais o acento agudo no u tônico das formas (tu) arguis, (ele) argui, (eles)
arguem, do presente do indicativo dos verbos arguir e redarguir.

6. Há uma variação na pronúncia dos verbos terminados em guar, quar e


quir, como aguar, averiguar, apaziguar, desaguar, enxaguar, obliquar,
delinquir etc. Esses verbos admitem duas pronúncias em algumas formas
do presente do indicativo, do presente do subjuntivo e também do imperativo.

Veja:
a) se forem pronunciadas com a ou i tônicos, essas formas devem ser acentuadas.
Exemplos:
• verbo enxaguar: enxáguo, enxáguas, enxágua, enxáguam; enxágue,
enxágues, enxáguem.
• verbo delinquir: delínquo, delínques, delínque, delínquem; delínqua,
delínquas, delínquam.
b) se forem pronunciadas com u tônico, essas formas deixam de ser acentuadas.
Exemplos (a vogal sublinhada é tônica, isto é, deve ser pronunciada
mais fortemente que as outras):
• verbo enxaguar: enxaguo, enxaguas, enxagua, enxaguam; enxague,
enxagues, enxaguem.
• verbo delinquir: delinquo, delinques, delinque, delinquem; delinqua,
delinquas, delinquam.
Atenção: no Brasil, a pronúncia mais corrente é a primeira, aquela com a e
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i tônicos.

7) EMPREGO DO TREMA DEIXOU DE SER USADO APÖS A REFORMA


Coloca-se o trema sobre o “U” quando:
1. é antecedido das consoantes Q ou G;
2. é seguido das vogais E ou I;
3. é pronunciado e átono.
Ex.: SEQÜESTRO, AVERIGÜEI, EQÜINO, PINGÜIM.

Como ficou : SEQUESTRO, AVERIGUEI, EQUINO, PIMGUIM


OBS.:
QUENTE – FREQUENTE
QUILO – TRANQUILO
GUERRA – AGUENTAR
GUITARRA – LINGUIÇA

Q E QÜE
QÜI
Ü GÜE
G I GÜI

PRONUNCIADO E ÁTONO

- EMPREGO DO ACENTO AGUDO SOBRE O “U”


Os verbos AVERIGUAR, APAZIGUAR, OBLIQUAR, ARGÜIR... apresentam o “U” tônico
nas formas rizotônicas.

Q E QÚE
QÚI
Ú GÚE
G I GÚI

PRONUNCIADO E TÔNICO
Ex.: AVERIGÚE, APAZIGÚEM, OBLIQÚES, ARGÚI, ARGÚEM...
VERBOS EM –GUAR E –QUAR.

1. Aguar, desaguar, enxaguar, minguar, apropinquar (u átono).

PRES. IND. PRES. SUBJ. PRET. PERF. IND.


Enxáguo Enxágue Enxaguei

*Depois da reforma, só permanece o trema nas palavras de origem estrangeira.


Sequestro. Pinguim, linguiça, quinquênio, cinquenta.
8) DITONGOS DECRESCENTES ORAIS OU ABERTOS

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Os ditongos de pronúncia aberta ÉI, OI, EU, seguidos ou não de (s), recebem acento
agudo quando formam a sílaba tônica, independentemente da posição em que aparecem.
Ex.: céu, troféu , assembléia, anzóis, anéis, constrói. Esses permanecem.
1. Não se usa mais o acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas
(palavras que têm acento tônico na penúltima sílaba).
Como era Como fica
alcalóide alcaloide
alcatéia alcateia
andróide androide
apóia (verbo apoiar) apoia
apóio (verbo apoiar) apoio
asteróide asteroide
bóia boia
celulóide celuloide
clarabóia claraboia
colméia colmeia
Coréia Coreia
debilóide debiloide
epopéia epopeia
estóico estoico
estréia estreia
estréio (verbo estrear) estreio
geléia geleia
heróico heroico
idéia ideia
jibóia jiboia
jóia joia
odisséia odisseia
paranóia paranoia
paranóico paranoico
platéia plateia
Atenção: essa regra é válida somente para palavras paroxítonas. Assim, continuam a ser
acentuadas as palavras oxítonas terminadas em éis, éu, éus,
ói, óis. Exemplos: papéis, herói, heróis, troféu, troféus.

Observações finais: as palavras separadas por hífen segue a mesma regra de qualquer
outra. Ex.: além-túmulo(além=oxítona, túmulo=proparoxítona) pô-la(pô=acento diferencial,
la=monossílabo átono não tem acento), parti-la(parti=oxítona não acentuada, la=
monossílabo átono).

1.Assinale, em cada seqüência, a única palavra que não recebe acento gráfico.

1. ( ) alcool ( ) arquetipo ( ) biotipo ( ) pantano ( ) pudico


2. ( ) omega ( ) caracteres ( ) vermifugo ( ) exodo ( ) aerolito
3. ( ) amavamos ( ) deviamos ( ) fossemos ( ) ponhamos ( ) iamos
4. ( ) amendoa ( ) frequencia ( ) espontaneo ( ) peculio ( ) coroa
5. ( ) averigua ( ) desagua ( ) enxagua ( ) mingua ( ) mobilio
6. ( ) açucar ( ) ambar ( ) abajur ( ) cancer ( ) femur
7. ( ) fluor ( ) impar ( ) sueter ( ) dolar ( ) impor
8. ( ) abdomen ( ) eletron ( ) liquen ( ) polens ( ) ions
9. ( ) climax ( ) xerox ( ) latex ( ) cortex ( ) onix
10. ( ) revel ( ) consul ( ) estencil ( ) dificil ( ) textil
11. ( ) faceis ( ) jogueis ( ) estenceis ( ) repteis ( ) texteis
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12. ( ) fosseis ( ) vendeis ( ) vendieis ( ) falaveis ( ) usarieis
13. ( ) biquini ( ) arco-iris ( ) cutis ( ) parati ( ) juri
14. ( ) bilingue ( ) especie ( ) pancreas ( ) necropsia ( ) autopsia
15. ( ) venus ( ) lotus ( ) bauru ( ) onus ( ) orfão

Gabarito: acentuação gráfica 1


1- álcool – arquétipo - biótipo – pântano- pudico .
2- ômega – caracteres – vermífugo – êxodo – aerólito.
3- amávamos – devíamos – fôssemos – ponhamos – íamos.
4- amêndoa – freqüência – espontâneo – pecúlio – coroa.
5- averigua – deságua – enxágua – míngua – mobílio.
6- açúcar – âmbar – abajur – câncer - fêmur .
7- flúor – ímpar – suéter – dólar – impor.
8- abdômen – elétron – líquen – polens – íons.
9- clímax – xerox – látex – córtex –
10- revel – cônsul – estêncil – difícil – têxtil.
11- fáceis – jogueis – estênceis – répteis – têxteis.
12- fossei- vendeis – vendíeis – faláveis – usaríeis.
13- biquíni – arco-íris – cútis – Parati – júri.
14– bilíngüe – espécie – pâncreas – necropsia – autópsia.
15-vênus – lótus – Bauru – ônus – órfão.

Concordância Nominal
Dica: o advérbio é uma palavra invariável, pode-se identificar uma palavra como advérbio
quando modifica- verbo, adjetivo e advérbio.
As palavras que modificam o substantivo ou pronome são variáveis- artigo, adjetivo,
numeral e pronome.
Ex.: Andamos bastante / Estamos bastante felizes / Compramos bastante devagar .
Bastante – advérbio de intensidade.

1.Comprei bastantes coisas / 2.As provas foram bastantes para inocentá-lo /3. Comi meia
maça /4. As crianças saíram. 1. Bastantes: pronome indefinido – 2.bastantes: adjetivo –3.
meia: numeral – 4. as- artigo.

É a concordância entre nomes. Ex.: vendo carros e motos usados; encontramo-nos em má


hora e lugar.
Estudaremos particularmente a concordância do adjetivo, que se diz nome, a exemplo do
pronome, do advérbio e do próprio substantivo.

1) É ainda obrigatória a concordância com o substantivo mais próximo, quando o sentido


exige ou quando os substantivos são ou podem ser considerados sinônimos. Ex.:
Relógio e mamão saboroso. (o sentido exige)
Idéia e pensamento fixo.
Ficar em fila bancária é vida e tempo perdido.

2) Se os substantivos forem antônimos, a concordância gramatical ou lógica é obrigatória.


Ex.:
Era capaz de num mesmo instante jurar amor e ódio eternos.
Passei dias e noites frios no Canadá.

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3) O adjetivo anteposto ao substantivo só aceita a concordância gramatical ou lógica se os
substantivos exprimirem nomes próprios ou de parentesco. Ex.:
Os esforçados Luís e Manuel nada conseguiram.
Queridos pai e mãe: (na invocação de carta)
Caros mãe e pai: (na invocação de carta)

4) Substantivos em gradação sinonímica exigem a concordância atrativa. Ex.:


Todos notaram a sua aversão, o seu pavor, a sua ojeriza corajosa pelo governador.

5) Uma série de substantivos no singular e o último no plural exigem a mesma


concordância atrativa. Ex.:
Encontramos no México vinho, café, camisa, jornal e revistas brasileiras.

- Nos adjetivos compostos, só há variação do último elemento. Ex.:


Olhos verde-claros
Amizade afro-luso-brasileira
Cabelos castanho-escuros
Revistas infanto-juvenis

- Se o adjetivo composto indicar alguma cor, não variará, desde que qualquer de seus
elementos seja um substantivo. Ex.:
Olhos azul-turquesa
Camisas vermelho-vinho

- Se a cor for indicada apenas pelo substantivo, este, da mesma forma, não sofrerá
variação. Ex.:
Olhos turquesa
Camisas vinho

- Azul-marinho, azul-celeste e furta-cor não variam: camisas azul-marinho, meias azul-


celeste, saias furta-cor.

- Surdo-mudo faz no plural surdos-mudos.

- Os adjetivos predicativos exigem, de preferência, a concordância lógica ou gramatical,


em qualquer circunstância. Ex.:
O rapaz e as garotas estavam tristonhos.
As garotas e o rapaz estavam tristonhos.

- Variam normalmente: mesmo, próprio, só, extra, junto, quite, leso, obrigado, anexo,
incluso e nenhum, como nestes exemplos:
A mulher mesma acusou o marido.
Elas vivem acusando-se a si mesmas.
A filha própria acusa o pai.
As filhas próprias acusam o pai.

Observações:
1) Mesmo só não varia quando equivale a de fato, realmente. Ex.:
A mulher acusou mesmo o marido?
Vocês estão mesmo falando a verdade?

2) Só não varia quando equivale a somente. Ex.:


As crianças comeram só feijão.
14
Marilene Silva
Só as autoridades não vêem isso.

3) Junto não varia quando faz parte da locução prepositiva (junto a, junto com ou junto
de). Ex.:
Elas estão junto do pai.
Ficamos junto ao muro.
As crianças estão junto com a mãe.

Às vezes só se usa junto, sem a preposição expressa, mas se nota facilmente que foi
omissa. Ex.:
A mãe e o pai desembarcaram; junto chegaram os filhos. (= Junto com eles, chegaram os
filhos.)

4) Embora muito vulgarizada, convém não usar a locução “em anexo”, criada pelos que
sentem insegurança no emprego do adjetivo anexo.
Não variam, quando advérbios: caro, barato, bastante e meio. Ex.:
A gasolina no Brasil custa caro.
Água mineral no Brasil não custa barato.
Trabalhamos bastante.
Hortênsia está meio nervosa.

Variam, quando adjetivos. Ex.:


A gasolina no Brasil é cara.
Água mineral no Brasil não é barata.

Variam, quando pronomes indefinidos. Ex.:


Saem do prédio bastantes pessoas, ao meio-dia e meia.
Comprei bastantes laranjas e duas meias melancias.
numeral fracionário
Convém lembrar que todos esses nomes, quando usados em função predicativa,

variam:

Quero deixar bem claras duas coisas:...


As crianças acharam difíceis as provas.

- As expressões é preciso, é necessário e é bom, além de outras assemelhadas,

ficam invariáveis, se acompanhadas de substantivos que exprimem idéia genérica,

indeterminada. Ex.:

É preciso muita paciência para lidar com crianças.


É necessário folga semanal remunerada.
Água é bom para matar a sede.
Maçã é ótimo para os dentes.
É proibido entrada de pessoas estranhas.
Não é permitido presença de estranhos aqui.

- Havendo determinação do substantivo, o adjetivo com ele concordará:


Esta água é boa para matar a sede.
A maçã nacional Fujy é ótima para os dentes.
15
Marilene Silva
É proibida a entrada de pessoas estranhas.
Não é permitida a entrada de estranhos aqui.

- Os particípios de orações reduzidas concordam normalmente com o sujeito. Só não


variam quando fazem parte de tempo composto da voz ativa; na voz passiva o particípio
varia normalmente. Ex.:
Feita a denúncia, regressamos a casa.
Dada a ordem, tratou-se de cumpri-la.
Dados os últimos retoques, partimos.

- Possível não varia, se faz parte de uma expressão superlativa com o elemento no
singular (o mais, o menos, o pior, o melhor, etc.) ou se está acompanhando quanto. Ex.:
Escreva bilhetes o mais legíveis possível.
Comprei produtos o menos caros possível.

- Dois ou mais adjetivos podem modificar um mesmo substantivo, caso em que só é


possível uma concordância, estando o substantivo no plural. Ex.:
As polícias civil e militar
As bandeiras brasileira e inglesa
Os setores público e privado

- Se, porém, repetirmos o artigo antes do segundo adjetivo, ou dos demais, será possível
ainda esta concordância, com o substantivo no singular:
A polícia civil e a militar
A bandeira brasileira e a inglesa
O setor público e o privado
O nível federal, o estadual e o municipal da administração pública

- A terceira concordância, com o substantivo no singular e a não-repetição do artigo, que


muitos advogam como correta, não é aconselhável, em virtude do duplo sentido que
acarreta:
“A polícia civil e militar”
“A bandeira brasileira e inglesa”
“O setor público e privado”
“O nível federal, estadual e municipal da administração pública.”

Não há polícia no mundo que seja “civil e militar”, nem muito menos bandeira que seja
“brasileira e inglesa”.

Observe, agora, as concordâncias possíveis, quando se trata de numerais ordinais +


substantivo:
A primeira e a segunda série (ou séries)
A primeira e segunda séries

Isto é: havendo repetição do elemento determinado (no caso, a), qualquer concordância é
possível; não havendo tal repetição, o plural será obrigatório.

Note: o artigo, no segundo exemplo, não varia:

a (e não “as”) primeira e segunda séries

Outros exemplos:
o primeiro e o segundo ano (ou anos)
16
Marilene Silva
o primeiro e segundo anos (e não: “os” primeiro e segundo anos)

O plural é obrigatório, se o substantivo vem antes dos numerais. Ex.:


as séries primeira e segunda
os anos primeiro e segundo

Outros casos:
1) As expressões um e outro e nem um nem outro exigem o substantivo posposto no
singular, mas o adjetivo no plural. Ex.:
Conheço um e outro rapaz argentinos; trata-se de bons rapazes.
Não conheço nem uma nem outra marca novas de uísque.

2) Se os substantivos estão ligados por ou, o adjetivo concorda com o substantivo mais
próximo, ou, então, vai ao plural. Ex.:
Só é permitido o uso de caneta ou lápis vermelho (ou vermelhos).
Só é permitido o uso de lápis ou caneta vermelha (ou vermelhos).

3) As expressões formadas de adjetivo + de variam normalmente. Ex.:


Coitados dos professores brasileiros! Ganham miséria!
Felizes dos banqueiros! Ganham fábulas!

4) O pronome demonstrativo o é invariável, quando funciona como vicário, ou seja,


quando substitui outro nome, expressão ou frase; equivale a isso. Ex.:
A moça é educada, e eu também o sou. (= sou isso)
Efigência era bonita ao natural; a irmã procurava sê-lo ao espelho. (= ser isso)
Se sabes de tudo e não o confessas, estás errado. (= confessas isso)

5) A presença da preposição de entre uma palavra de valor substantivo e um adjetivo faz


que este fique absolutamente invariável. Ex.:
Leonardo Pareja fez a polícia de bobo.
Vocês não me trouxeram nada de bom?
Você não sabe fazer nenhuma coisa de proveitoso?
Essas adolescentes não têm nada de puro.
As mulheres não têm nada de ingênuo.

6) A expressão um e outro, quando se refere a substantivos já enunciados, varia em


número apenas, ou em gênero e número, referindo-se um sempre ao último
substantivo. Ex.:
Tratamos de exportações e mercado, porque se fala muito hoje de um e outros. (ou de
um e outras)
Compramos cadeiras e mesa novas: não lhes vou dizer o preço de um e outros. (ou de
uma e outras)

Se a referência for a pessoa de sexos diferentes, exprimindo reciprocidade ou não,


ficará absolutamente invariável tal expressão ou semelhante. Ex.:
Adão e Eva pecaram e, depois, um e outro caíram nos pés do Senhor.
Luís e irmã se reconciliaram, depois, um com o outro.
A garota e o rapaz caminhavam juntos e, de vez em quando, dirigiam-se um ao outro.
Luís e Teresa chegaram: um com frio, outro com calor.

7) Qualquer pronome que se refira a dois ou mais substantivos de gêneros diferentes, vai
ao masculino plural. Ex.:
Homens e mulheres, cumprimentaste-os sem distinção.
17
Marilene Silva
Conheci garotas e rapazes, com os quais simpatizei bastante.
8) O substantivo candidatos rege, de preferência, nome no singular. Ex.:
Há muitos candidatos a vereador.
Havia inúmeros candidatos a deputado.

Nesse caso, é a idéia de cargo ou função que predomina. Ao se verificar promoção nos
quadros do Exército, os oficiais são promovidos a capitão, a major, a coronel, a general,
e não a “capitães”, a “majores”, etc., com predomínio da idéia de patente. Assim, é
legítimo construir-se:

Ana Paula de Sousa é o meu diretor adjunto.


Branca Gonçalves assumiu o cargo de desembargador.

9) As locuções não variam em hipótese nenhuma. Ex.:


Faça reclamações por escrito (e não “por escritas”).
Os salários estão sendo pagos em dia (e não “em dias”).

10) Quando se usam dois ou mais nomes sinônimos, de gêneros diferentes, a


concordância se faz com o primeiro nome. Ex.:
A casa ou lar do animal foi devastada.
O lar ou casa do animal foi devastado.
O lastro ou âncora cambial é necessário, porque, em economia com inflação crônica, o
processo de formação de expectativas geralmente é contaminado por componente
psicológico.

O adjetivo ou o particípio concorda, no entanto, com o último elemento quando está


diretamente ligado ao substantivo, ou seja, sem a presença verbal. Ex.:

O sangramento ou hemorragia nasal causada por pancada.


O corte ou intersecção feita em ângulo reto.
Composição poética ou poema caracterizado por uma única linha métrica se diz
monômetro.

Exercícios de Fixação

1) Marque a alternativa cuja seqüência preenche corretamente as lacunas dos seguintes


período:
“Nós......socorremos o rapaz e a moça........”
a) mesmos – bastante – machucados
b) mesmo – bastantes – machucados
c) mesmos – bastantes – machucados
d) mesmo – bastante – machucada
e) mesmos – bastantes – machucada

2) “Ainda......furiosa, mas com....... violência, proferia injúrias.........para escandalizar os


mais arrojados”
a) meia – menas – bastantes
b) meia – menos – bastante
c) meio – menos – bastante
d) meio – menos – bastantes
e) meio – menas - bastantes

18
Marilene Silva
3) “ Elas........ providenciaram os atestados, que enviaram............às procurações, como
instrumentos.....para os fins colimados. ”
a) mesmas – anexos – bastantes
b) mesmo – anexo – bastante
c) mesmas – anexo – bastante
d) mesmo – anexos – bastante
e) mesmas – anexos - bastante

4) “ Não foi........ a pesada suspensão que lhe deram, porque você foi o que.....falhas
apresentou; podiam ter pensado em outras penalidades mais.....”
a) justo – menos – cabível
b) justa – menos – cabível
c) justa – menos – cabíveis
d) justo – menas - cabível
e) justo – menos – cabíveis

5) Assinale as alternativas em que meio funciona como advérbio.


a) Achou um meio mais fácil de resolver o problema.
b) Quero meio quilo.
c) Está meio triste.
d) Achei o meio de encontrar-te.
e) Estamos meio cansados.

Gabarito: concordância nominal 1A / 2D / 3A / 4C / 5C e E

Concordância Verbal

Com sujeito simples


1) Concordância verbal é a concordância do verbo com o sujeito. Ex.:
A casa ruiu.
As casas ruíram.

Existe pessoa feliz.


Existem pessoas felizes.

2) Os verbos que não podem ter sujeito, chamados impessoais, são usados sempre na 3ª
pessoa do singular. Ex.:
Chove bastante. Venta muito.
Faz invernos rigorosos no Sul do Brasil.
Como havia muitas pessoas na fila, houve brigas e discussões.

Se vierem acompanhados de auxiliar, este fica, ainda na 3ª pessoa do singular. Ex.:


Deve chover bastante. Pode ventar muito.
Está fazendo invernos rigorosos no Sul do Brasil.
Como deve haver muitas pessoas na fila, pode haver brigas e discussões.

Observação:
Alguns verbos rigorosamente impessoais são, no mais das vezes, usados em sentido
figurado; nesse caso, sofrem variação normal. Ex.:
Chovem asneiras nas provas de Português.
Trovejam de raiva os chefes de seção.
19
Marilene Silva

3) Nome coletivo no singular deixa o verbo no singular, porém se vier seguido de nome no
plural, admite as duas formas, singular ou plural. Ex.:
O pessoal ainda não chegou; a turma não gostou disso.
Um bando depredou a casa. Um bando de cafajestes depredou/depredaram a casa.
Uma série de irregularidades aconteceu ali.

Observações
1) Um milhão, um bilhão, um trilhão, etc. exigem o verbo no singular, como nomes
coletivos que são. Ex.:
Um milhão de reais foi gasto à toa nessa obra.
Um bilhão de pessoas vive na China.
2) Quando um coletivo seguido de nome no plural antecede o pronome relativo que,
faculta-se a concordância (com o coletivo ou com o nome). Ex.:
O diretor fez referência à série de irregularidades que aconteceu (ou aconteceram)
ali.

4) O verbo viver, nas orações optativas, deve concordar normalmente com o sujeito, que
nesse caso aparece posposto. Ex.:
Viva a noiva! Vivam os noivos!
Viva eu! Vivamos nós! Vivam todos!

5) Nomes que terminam em s exigem o verbo no plural somente se estiverem


acompanhados de determinante no plural; caso contrário, o verbo fica no singular. Ex.:
Santos fica em São Paulo; Campos é cidade fluminense.
O Amazonas deságua no Oceano Atlântico.

6) Coletivos partitivos (a maioria de, grande parte de, bom número de, metade de, etc.)
seguidos de nome no plural, deixam o verbo no singular (concordando com eles), ou
vão ao plural (concordando com o nome posposto a eles.). Ex.:
A maioria dos homens pagou/pagaram ingresso.
Metade dos turistas já retornou/retornaram a seus países.

7) Números percentuais e fracionários exigem concordância normal. Ex.:


Trinta por cento da cidade estão inundados.
Um terço da cidade está inundado; dois terços estão sob as águas...

- Os percentuais também admitem a concordância irregular ou figurada, isto é, a


concordância com o nome que se lhes segue. Ex.:

Trinta por cento da cidade está inundada.


Sessenta por cento das mulheres ficaram feridas.

- Se o número percentual vem determinado por artigo ou por pronome adjetivo, faz-se
com eles a concordância. Ex.:
Os 30% da produção serão exportados.
Esses 2% do lucro já me bastam.

- Atente-se para estas concordâncias, com números inteiros e fracionários:


O 1,36kg de presunto que comprei estava estragado.
Meu 1,99kg de queijo desapareceu da geladeira.

20
Marilene Silva
8) O pronome que não interfere na concordância; o pronome quem, porém, exige o verbo
na 3ª pessoa do singular ou concorda com o sujeito. Ex.:
Sou eu que faço tudo aqui, mas são eles que ganham dinheiro.
Sou eu quem faz tudo aqui, mas são eles quem ganha dinheiro.
Sou eu quem faço tudo aqui, mas são eles quem ganham dinheiro.

9) Quando concorrem dois pronomes, o verbo concorda com o segundo pronome, se


ambos estão no plural, mas concordará com o primeiro pronome, se possuírem
números distintos. Ex.:
Ambos os pronomes no plural:
Quais de nós estaremos vivos amanhã?
Alguns de vós sabereis de toda a verdade?

Pronomes de números distintos:


Qual de nós estará vivo amanhã?
Cada um de vós saberá de toda a verdade.

10) Todos os pronomes de tratamento são da 3ª pessoa; portanto exigem o verbo nessa
pessoa. Ex.:
V. Exª acordou cedo hoje!
V. M. fique despreocupado, que nada lhe acontecerá.

11) Um + substantivo + que exigem o verbo na 3ª pessoa do singular, a exemplo de o


primeiro que, o último que, o único que. Ex.:
Sou um homem que acredita em Deus.
Sempre fui uma pessoa que cumpriu o seu dever.

12) O verbo concorda com o numeral que acompanha expressões tais como mais de,
menos de, cerca de, perto de, etc. ex.:
Mais de um aluno passou.
Menos de duas pessoas entraram no cinema.
Cerca de cem passageiros morreram no acidente.

Observações:
1) Mais de um exige o plural quando o verbo exprime reciprocidade de ação ou, então,
quando se lhe segue um coletivo com nome no plural. Ex.:
Mais de um jogador se cumprimentaram após o jogo.

13) A expressão um dos que exige, no português contemporâneo, o verbo obrigatoriamente


no plural. Ex.:
Manuel é UM DOS QUE mais reclamam, mas UM DOS QUE menos ajudam.
Serei eu UM DOS QUE votarão na oposição, porque sou UM DOS QUE não aceitam
este estado de coisas.

Com sujeito composto


1) Verbo depois do sujeito vai para o plural; verbo antes do sujeito concorda com o
elemento mais próximo. Ex.:
A gasolina e o álcool sobem hoje.
Sobe hoje a gasolina e o álcool.

- O verbo anteposto ao sujeito irá obrigatoriamente para o plural quando exprimir


reciprocidade de ação. Ex.:
21
Marilene Silva
Brigaram Ifigênia e Hortênsia.
Cumprimentaram-se o professor e o aluno.

- Longe está, porém, de constituir incorreção o uso do plural, quando não houver
reciprocidade de ação. Assim, podemos ainda construir:
Sobem hoje a gasolina e o álcool.
Morreram o motorista e todos os passageiros.

- A concordância com o elemento mais próximo, contudo, ocorre até mesmo em texto
bíblico:
“Passará o céu e a terra, mas minhas palavras ficarão.”

2) Sujeito formado de pessoas gramaticais diferentes = o verbo concorda com a pessoa


que tem primazia (a primeira tem primazia sobre as demais, e a segunda prevalece
sobre a terceira). Ex.:
Eu e ela chorávamos muito; tu e ele ríeis à beça.
Chorávamos eu e ela; ríeis à beça tu e ele.

3) Aparecem entre os sujeitos as palavras como, menos, inclusive, exceto ou as


expressões bem como, assim como, tanto quanto ou equivalentes = o verbo concorda
com o primeiro elemento. Ex.:
Vocês, como eu, gostam de praia.
Todos, menos tu, aplaudiram.

4) Um e outro, nem um nem outro, nem...nem = verbo no singular ou no plural,


indiferentemente. Ex.:
Veja a indiferença com que um e outro ouve/ouvem o discurso.
Os dois alunos foram avisados, mas nem um nem outro compareceu/compareceram à
escola.

5) Os sujeitos apresentam gradação de idéias = verbo no singular. Ex.:


Um prefeito, um governador, um presidente, precisa de no mínimo cinco anos de
mandato para poder realizar uma boa administração.

6) Os sujeitos são sinônimos ou tomados por sinônimos = verbo no singular. Ex.:


O rancor e o ódio não conduz a boa coisa.
A coragem e o destemor fez dele um herói.

7) Infinitivos antônimos ou determinados = verbo no plural. Ex.:


Discordar e apoiar são próprios da democracia.
O andar e o nadar fazem bem à saúde.

8) Um pronome indefinido resumo todos os sujeitos anteriores = verbo no singular. Ex.:


Vaias, protestos, risadas, ironias, palavrões, nada abalava o ânimo do ministro.
O burro, o asno e o preguiçoso, sem pancadas, nenhum se mexe.
Honrarias, glória, elogios, notoriedade, fama, cada um deles é apenas um eco, uma
sombra, um sonho, uma flor que qualquer vento leva e qualquer chuva danifica.

9) Vários sujeitos têm como adjunto o pronome cada ou nenhum = verbo no singular. Ex.:
Cada diretor, cada professor, cada aluno, naquela escola, fazia o que bem entendia.
Nenhum político, nenhum cidadão, nenhum ser humano, faria isso.

22
Marilene Silva
10) Sujeitos ligados por não só...mas também, tanto...como ou equivalentes = verbo no
plural. Ex.:
Não só a mãe, mas também a filha precisam de ajuda.
Tanto a mãe como a filha choraram.

11) Sujeitos ligados pela preposição com = verbo no plural. Ex.:


A mãe com a filha estiveram no baile.
Ela com as amigas saíram a passeio.

12) Entre os sujeitos aparece a conjunção ou = o verbo fica no singular se há idéia de


exclusão ou de sinonímia. Ex.:
Luís ou Manuel casará com Teresa.
A Fonêmica ou Fonologia estuda os fonemas de uma língua.

- Se o sujeito for constituído de pessoas gramaticais diferentes, o verbo concordará


com a pessoa mais próxima. Ex.:
Eu ou ele casará com Teresa.
Ele ou eu casarei com Teresa.

- Diz-se o mesmo de nem...nem. Ex.:


Nem Luís nem Manuel casará com Teresa.
Nem ele nem eu casarei com Teresa.

13) Um ou outro faz parte do sujeito = verbo no singular. Ex.:


Um ou outro acidente acontecia neste local.
Uma ou outra pessoa comparecia às festas ali realizadas.

14) Quando dois ou mais adjuntos modificam um único núcleo, o verbo, naturalmente, fica
no singular, concordando com o núcleo único. Ex.:
A imagem do Nosso Senhor do Bonfim e de Nossa Senhora da Conceição saiu para a
procissão na hora marcada.
O preço dos combustíveis e dos alimentos aumentou.

Concordância de SER e PARECER

Os verbos ser e parecer geralmente concordam com o elemento no plural mais próximo.
Ex.:
Agora são dez horas.
Hoje são dezoito de dezembro; ontem foram dezessete; amanhã serão dezenove.
Obs.: já é aceita a concordância ideológica: Hoje é dezoito. (dia)

Se, porém, o sujeito for pessoa, o verbo com ele concordará obrigatoriamente. Ex.:
Fernando Pessoa foi vários poetas, é vários poetas.
No circo, o palhaço é as delícias da garotada.

O verbo ser fica obrigatoriamente no singular quando se deseja fazer prevalecer a


importância do sujeito sobre a do predicativo. Ex.:
Justiça é tudo, justiça é as virtudes todas.
Minha vida é essas duas crianças.

Fica ainda no singular o verbo ser quando o sujeito é o pronome relativo que. Ex.:
23
Marilene Silva
Deixe-me estar mais alguns minutos nesta minha casa, que daqui a pouco será só
escombros.

Fica ainda no singular o verbo ser quando a ele se seguem termos como muito, pouco,
nada, tudo, bastante, mais, menos, etc. Ex.:
Seis dias de carnaval é muito, mas os salvadorenses acham que é pouco.
Duas surras será pouco para ele aprender.
Dez anos é nada na eternidade.

Quando se usam pronomes retos, o verbo sempre com eles concorda. Ex.:
O professor aqui sou eu; o aluno és tu; as personagens somos nós.
O responsável por isto aqui são vocês.

Quando, porém, concorrem dois pronomes retos, ou um pronome reto e um pronome de


tratamento, o verbo ser concorda com o primeiro. Ex.:
Você não é eu, nem eu sou você.
Elas não são nós; nós não somos elas.

O verbo ser fica no singular, em qualquer hipótese, sempre que o predicativo é constituído
pelo pronome demonstrativo O. Ex.:
Amigos é o que não me falta.
Eleições diretas era o que o povo mais queria.

Ainda no singular ficará o verbo ser quando o sujeito, no plural, for usado sem
determinantes (artigos, pronomes adjetivos, numerais, etc.), e o predicativo se encontrar
no singular. Ex.:
Lágrimas é coisa que não o comove.
Mentiras é sempre coisa detestável.

O verbo parecer, quando é auxiliar numa locução verbal, sobre flexão; quando não forma
locução verbal, é verbo intransitivo e, nesse caso, não varia. Ex.:
As crianças parecem gostar do filme.
As crianças parece gostarem do filme.

No último período há inversão da ordem dos termos, pois essa frase equivale a esta:
Parece gostarem do filme as crianças.

Observe, ainda, estes exemplos, em que parecer não varia.


As crianças parece que gostaram do filme.

Se, porém, o verbo parecer seguir-se infinitivo pronominal, somente varia o infinitivo. Ex.:
As crianças parece queixarem-se do colchão duro.

Concordância irregular ou figurada


É a que se faz com a idéia subentendida, e não com o que está escrito na frase.
Esse tipo de concordância recebe o nome de silepse, de que há três tipos: de gênero, de
número e de pessoa.

SILEPSE DE GÊNERO
Dá-se nestes principais casos:

24
Marilene Silva
a) Com os nomes de cidades, ruas, avenidas, rodovias, etc. Ex.:
Ribeirão Preto é muito desorganizada no trânsito. (cidade)
Passei pela Teodoro Sampaio para chegar à Dr. Arnaldo. (rua e avenida)
A Trabalhadores será prolongada. (rodovia)

b) Com as fórmulas de tratamento em geral. Ex.:


V. Sª é bom e justo, mas não é honesto.
V. Exª está enganado.

c) Com os pronomes indefinidos ou com palavra ou expressão de idéia indefinida. Ex.:


Alguém está nervosa, por acaso? Ninguém está nervosa.

d) Com o substantivo tomado em sentido genérico, ficando o adjetivo no gênero neutro,


representado em português pelo masculino. Ex.:
É preciso muita imaginação para viver no Brasil.
Limonada é ótimo para matar a sede.

e) Com um pronome, em referência a substantivo sobrecomum. Ex.:


Quem me atendeu foi aquele caixa, mas não sei o nome dela.
Era uma criança inteligente; com ele todos aprendiam algo.

f) Com os artigos o e um, quando usados com nome feminino aplicado a pessoa do sexo
masculino. Ex.:
O camisa dez da seleção brasileira era, nesse tempo, Pelé.
Seu marido, Ifigênia, é um banana.

SILEPSE DE NÚMERO
Dá-se nestes três casos:

a) Com os pronomes nós e vós substituindo eu e tu. Ex.:


Estamos muito motivados para esse trabalho.
Vós sereis bem recompensado por isso.

b) Com o coletivo no singular, porém, com verbo no plural, a concordar com a idéia de
plural contida no coletivo. Ex.:
O eleitorado não suportava mais aquela situação de miséria em que vivia, por isso
estavam ansiosos para a chegada da eleição.
A maioria dos homens ficaram resfriados.

c) Com as expressões numéricas, o verbo ser fica no singular por silepse. Ex.:
Alguns segundos de tortura é uma eternidade.
Dois metros é a distância mínima exigida aos repórteres.

SILEPSE DE PESSOA
A silepse de pessoa ocorre quando a pessoa que fala ou escreve também participa do
processo verbal; daí o verbo necessariamente na primeira pessoa do plural. Ex.:
Os brasileiros somos românticos.
Os três já íamos saindo.

Uso do SE na Concordância

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Marilene Silva
O pronome SE será classificado como PARTÍCULA APASSIVADORA acompanhado de
VERBO TRANSITIVO DIRETO OU BITRANSITIVO, o verbo concorda com o termo que
sofre a ação verbal, ou seja, o objeto direto da ativa vira sujeito paciente da passiva.
Ex.: Vendem-se carros. (carros = sujeito paciente do verbo vender)
Vende-se carro. ( carro = sujeito paciente)

O SE como ÍNDICE DE INDETERMINAÇÃO DO SUJEITO acompanha os verbos


TRANSITIVOS
INDIRETOS, DE LIGAÇÃO E INTRANSITIVOS, o verbo permanece na 3ª pessoa do
singular, não tem sujeito paciente, o sujeito é classificado como indeterminado.
Ex.: Precisa-se de atores./ Precisa-se de ator.( ator ou atores = objeto indireto)

Verbo transitivo direto + se + sujeito paciente = o verbo concorda normalmente com o


sujeito ( aquele que sofreu a ação, e não quem praticou). Ex.:
Aluga-se automóvel e vendem-se bicicletas.

Aqui não se cometem equívocos nem se praticam malabarismos.

Observações:
1) Se o verbo transitivo direto é acompanhado de verbo auxiliar, só este varia. Ex.:
DEVEM-se procurar outras soluções: não se PODEM dar aulas particulares por
preço tão vil.

2) Verbos transitivos diretos e indiretos também podem ter sujeito paciente. Ex.:
Aqui não se dão aulas a estrangeiros.

3) Verbo apenas transitivo indireto, como não pode ter sujeito paciente, fica sempre
invariável. Ex.:
Precisa-se de empregados.
Dica:

Transitividade Verbal

Qual a diferença na transitividade de um verbo, como identificá-la?

1. Verbo transitivo direto: quando no contexto você faz as seguintes perguntas:


O QUÊ? / QUE ? / QUEM ? Ex.: Ana vendeu a moto
O que?
2. Verbo transitivo indireto: DE QUE? / DE QUEM? / A QUE? / A QUEM? / COM
QUE? COM QUEM?( qualquer pergunta acompanhada de preposição). Ex.: Ele
precisa de você.
De quem?

3. Verbo transitivo direto e indireto(bitransitivo).


Ex.: Ela ensinou a lição
O quê?
ao filho.
A quem?

4. Verbos de ligação( expressam um estado)

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Marilene Silva
SER, ESTAR, PARECER, CONTINUAR, FICAR, ANDAR, PERMANECER. Ex.:
João está feliz.

5. Verbo intransitivo: normalmente não exigem complemento, mas quando há


necessidade será possível fazer as seguintes perguntas:
COMO? / QUANDO?/ QUANTO?/ ONDE?
Paulo saiu. Paulo foi ao circo.
Aonde?

VOZES VERBAIS
Voz Ativa:
nela, o sujeito e o agente , porque é quem pratica a ação verbal. Ex.: Ela penteou os
meus cabelos.
Voz Passiva Analítica: nela ,o sujeito é o paciente, aquele que sofre a ação verbal, o objeto
direto da ativa passa a sujeito paciente da passiva. Ex.: Os meus cabelos foram
penteados por ela.
A voz passiva analítica é formada com os verbos ser, estar e ficar, seguidos do
verbo principal no particípio, o verbo auxiliar representa a tempo verbal do verbo principal,
além da presença do agente da passiva que vem introduzido pela preposição (por) que
indica autoria. Ex.: As casas foram construídas pela construtora.
Voz Passiva Sintética: nela, o sujeito também é quem sofre a ação verbal, é formada
pelo(s) verbo(s) da voz ativa acompanhado(s) da partícula SE (pronome apassivador ou
partícula apassivadora).Ex.: Construíram-se as casas.
Voz reflexiva:
nela, o sujeito é agente e paciente da ação verbal. Ex.: Ana cortou-se com a faca.

Voz reflexiva recíproca: nela, existem no mínimo dois agentes e dois pacientes
praticando ações recíprocas, as ações vêm sempre acompanhadas do SE (pronome
reflexivo recíproco). Ex.: As pessoas beijaram-se bastante.

Exercícios

1. Transpondo para a voz ativa a frase:”O processo deve ser revisto pelos dois
funcionários”
a) deve-se rever b) será revisto c) devem rever
d) reverão e) rever-se-á

2. Em”... uns diziam isto; outros aquilo...” colocando-se o verbo na passiva temos:
a) tinham dito b) foi dito c) era dito
d) seria dito e) haviam dito

3. “O tempo aos poucos fora afastando da minha memória a sua imagem”


a) era afastada b) fora sendo afastada c) ia-se afastando
d) fora afastada e) estava-se afastando

4. “Daqui a cinqüenta anos já teremos avaliado os futurólogos de hoje”


a) se avaliaram b) se avaliarão c) serão avaliados
d) foram avaliados e) terão sido avaliados

5. (UF-UBERLÂNDIA) Assinale a frase que não está na voz passiva:

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Marilene Silva
a. "Esperavam-se manifestações de grupos radicais japoneses de esquerda e de
direita... ."
b. "Foram salvos pelo raciocínio rápido de um agente do serviço secreto... ."
c. "Vocês se dão pouca importância nessa tarefa."
d. "Documentos inúteis devem ser queimados em praça pública."
e. "Devem-se estudar estas questões."

Gabarito: vozes verbais 1C / 2C / 3B / 4E / 5 C

Exercícios de Fixação

1. assinale a alternativa que completa corretamente os períodos abaixo:


“.........de exigências! Ou será que não........os sacrifícios que .....por sua causa?”
a) Chega - bastam - foram feitos. d) Chegam - basta - foram feitos.
b) Chega - basta - foi feito. e) Chegam - bastam - foi feito.
c) Chega - basta - foi feito.

2. “Não.....meios de saber que já.....vinte anos que não se.....mais galochas.”


a) haviam , faz , usam. d) havia, fazem, usam.
b) havia , faz , usam. e) haviam, fazem, usa.
c) havia, fazem, usa.

3. Assinale o item correto quanto à concordância verbal.


a) Fazem quatro anos que não o vejo. d) Sobra-lhe motivos para considerar-se
feliz.
b) Batem quatro horas o relógio da matriz. e) Partirá amanhã tu, Ramiro e as
crianças.
c) Existem fatos que ainda não foram revelados.

4. A alternativa correta é:
a) No centro da cidade, viam-se os representantes dos grevistas.
b) Dá-se aulas gratuitas.
c) Durante a passeata, atirou-se muitos objetos nos falsos grevistas.
d) Responderam-se a todas as cartas.
e) Nesta cidade, assistiram-se aos melhores espetáculos circenses.

5. os novos modelos trazem novidades que não....., mas enfeites que todos... .
a) se vêem - vêm b) se vê - vêm c) se vêm – vêem
d) se vê – vêem e) se vêem – vêem

Gabarito: concordância verbal 1A / 2B / 3C / 4A / 5E

Regência Verbal

É a maneira de o verbo relacionar-se com seus complementos.


Eis a regência de alguns verbos importantes, segundo preceitua a norma culta:

AGRADAR
VTD = contentar, fazer carinhos, mimar, acariciar: agradar filhos, agradar fregueses,
agradar o chefe com presentes.
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Marilene Silva

VTI = satisfazer (agradar a):


O espetáculo não agradou ao público.
A anedota agradou inteiramente à platéia.

O antônimo desagradar é sempre TI: desagradar ao público, desagradar à platéia.

AGRADECER
VTDeI, sendo o objeto direto sempre coisa e o indireto sempre pessoa:
O comerciante agradeceu a preferência aos fregueses.
Agradeci o enorme favor à moça.

Na língua cotidiana se vê: agradecer os fregueses pela preferência, agradecer a moça pelo
enorme favor.

ASPIRAR
VTD = sorver, haurir, inalar, absorver: aspirar o ar do campo, aspirar um perfume, aspirar o
pó do tapete.

TI = almeja, ambicionar, desejar muito (aspira a):


Ele sempre aspirou a esse emprego.
Nunca aspirei a nenhum cargo público.

Não aceita lhe, lhes como complemento, mas apenas a ele, a ela, a eles, a elas:
Esse é um bom emprego. Quem não aspira a ele?
O cargo está vago. Muitos aspiram a ele.

ASSISTIR
VTD = prestar assistência, socorrer, ajudar: assistir um doente, assistir o réu, assistir o pai
na mercearia.

VTI = ser espectador (assistir a):


Não assisto a esse programa de televisão.
Quem assistiu ao jogo viu que o árbitro não se conduziu bem.

Não aceita lhe, lhes como complemento, mas apenas a ele, a ela, a eles, a elas:
O programa é bom, mas crianças não podem assistir a ele.
As cenas foram fortes, por isso não quero voltar a assistir a elas.

Na língua cotidiana se vê: assistir esse programa, assistir o jogo, assisti-lo. Isto é: ainda
nessa acepção é usado como transitivo direto.

Pode ser usado na voz passiva, embora transitivo indireto:


O filme foi assistido por muita gente.

VTI = caber (assistir a):


Esse é um direito que assiste ao diretor.
Esse é um direito que lhe assiste.
VI = MORAR (assistir em) Ele assiste em Salvador.

ATENDER
VTD ou TI, indiferentemente, quando o complemento é pessoa:

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Marilene Silva
O presidente atendeu o /ao banqueiro.
O diretor atenderá todos /a todos os pais de alunos.

Como complemento pronominal, só aceita o (ou variações):


O presidente não o atendeu. (E não: O presidente não lhe atendeu.)
O diretor os atenderá. (E não: O diretor não lhe atenderá.)

VTI quando o complemento é coisa (atender a):


A secretária atendeu ao telefone e me chamou.
Todos correram atender à campainha.

Não aceita lhe, lhes como complemento, mas apenas a ele, a ela, a eles, a elas:
O telefone tocou, mas ninguém atendeu a ele.
Os pedidos chegam aos montes, mas a empresa não tem condições de atender a eles.

ATINGIR
VTD, apenas V TD, no português contemporâneo:
Esse cantor atingiu o clímax da fama bastante jovem.
Lembro-lhes que amanhã não virei trabalhar.
Os alpinistas atingiram o pico da montanha.
Depois de atingir a glória na carreira, morreu.

CHAMAR
VTD ou VTI, indiferentemente, no sentido de considerar:
Chamei-o palhaço.
Chamei-lhe palhaço.

Em qualquer caso podemos usar a preposição de:


Chamei-o de palhaço.
Chamei-lhe de palhaço.

VTDel no sentido de repreender:


Chamei-o à atenção por ter feito isso.
O professor chamou o aluno à atenção várias vezes hoje.

VTD no sentido de fazer vir, convocar:


O professor chamou-me ao quadro-negro.
Estão chamando o professor ao telefone.

Nesse caso, o termo regido de preposição é adjunto adverbial; como o verbo indica
movimento, a preposição conveniente é a.

COMPARTILHAR
VTD, sempre VTD, por isso não se usa a preposição de:
Compartilho a dor do meu vizinho, que perdeu um filho.
Não compartilhamos essa opinião.
Queremos compartilhar a sua alegria.

COMUNICAR
VTDel, sendo o objeto direto sempre coisa e o indireto sempre pessoa:
Os vizinhos comunicaram o rouba à polícia.
O ministro comunicou a sua decisão ao presidente.

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Marilene Silva

Na língua cotidiana se vê usando assim:


Os vizinhos comunicaram a polícia sobre o roubo.
O ministro comunicou o presidente sobre a sua decisão.

Ninguém deve comunicar alguém sobre alguma coisa, mas comunicar alguma coisa a
alguém.

CUSTAR
VTI, sendo sempre oracional seu sujeito:
Custa-me acreditar nisso.
Custou-nos chegar aqui.
Não lhe custará entender isto.

Na língua cotidiana se vê usando assim:


Custei a acreditar nisso.
Custamos a chegar aqui.
Você não custará a entender isto.

Isto é: usa-se como verbo pessoal, e não como unipessoal.

ESQUECER
VTD ou VTI, mas neste caso é sempre pronominal (esquecer-se de):
Esqueci todos os meus documentos. (VTD)
Esqueci-me de todos os meus documentos. (VTI)

VTI quando se dá ao ser esquecido a função do sujeito:


Esqueceu-me o documento.
Esqueceram-me todos os documentos.

Nesse caso, são sujeitos, respectivamente: o documento e todos os documentos.


Essa é a construção clássica, que também ocorre com o verbo lembrar.

IMPLICAR
VTD = acarretar:
Toda ação implica uma reação igual e contrária.
Esse gesto implicou a sua demissão da firma.

VTI, mas sempre pronominal = envolver-se (implicar-se em):


Desde cedo o rapaz implicou-se em tráfico de drogas.
Nunca me impliquei em contrabando.

VTI = ter implicância (implicar com):


O velho implicava com todo o mundo.
Juçara implicou comigo.

IR
VI (a, em,de, por, com, para, ) muda o sentido a depender da preposição.
Vou ao banco pagar contas.
Vou no banco dianteiro do carro.
Vou de táxi.
Vou com Paulo ao baile.

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Marilene Silva
Vou para Rita ao banco.

LEMBRAR
VTD ou VTI, mas neste caso é sempre pronominal (lembrar-se de):
Não lembro o seu nome. (VTD)
Não me lembro do seu nome. (VTI)

VTD = fazer recordar:


Esse rapaz lembra o pai em tudo.
Nossa cozinheira lembra a vovó quando cozinhava.

VTDeI = advertir, recordar:


Lembrei a meus amigos o dia do meu aniversário.
Lembrei ao pessoal que já passava da meia-noite.

Na língua cotidiana:
Lembrei meus amigos do dia do meu aniversário.
Lembrei o pessoal de que já passava da meia-noite.
Lembro-os de que amanhã não virei trabalhar.

VTI quando se dá ao ser lembrado a função de sujeito:


Lembra-me tudo, lembram-me todos os acontecimentos de ontem.
Não lhe lembram os bons momentos de infância?

Essa é a construção clássica, que também ocorre com o verbo esquecer.

LEVANTAR – DEITAR
Os dois não prescindem do pronome oblíquo, quando usados em frases semelhantes às
que se vêem abaixo:
Levantei-me tarde.
Deitei-me tarde.
Levantamo-nos bem cedo e fomos à fazenda.
Deitamo-nos bem cedo por causa do frio.

MORAR – RESIDIR
Os dois se usam com a preposição em:
Moro em bairro pobre.
Resido em bairro pobre.
Moramos na Rua da Paz.
Residimos na Avenida da Alegria.

Na língua cotidiana se vê usando a preposição a:


Moramos à Rua da Paz.
Residimos à Avenida da Alegria.

Ninguém, contudo, ainda usou:


Moro a bairro pobre.
Resido a bairro pobre.

NAMORAR
VTD, sempre VTD:
Ainda não namorei Selma, mas um dia vou namorá-la.

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Marilene Silva
Você está namorando alguém?

Na língua cotidiana se vê usando com a preposição com, influência do italiano,mas está


errado em Português:
Ainda não namorei com Selma, mas um dia vou namorar com ela.
Você está namorando com alguém?

OBEDECER – DESOBEDECER
VTI, sempre VTI (obedecer a):
Aqui todos obedecem ao regulamento.
Aqui ninguém desobedece ao regulamento.
Bons filhos obedecem aos pais.
Bons filhos nunca desobedecem aos pais.

Quando o complemento é coisa, não aceitam lhe, lhes, mas a ele, a ela, a eles, a elas:
O regulamento é esse, e todos obedecem a ele.
As leis são essas, mas todos desobedecem a elas.

Mesmo sendo transitivos indiretos, admitem seu emprego na voz passiva:


O regulamento é obedecido por todos.
O regulamento é desobedecido por ninguém.
Os pais são obedecidos por bons filhos.
Os pais nunca são desobedecidos por bons filhos.

OLHAR
VTI = levar em conta (olhar a):
Quando vou a compras, não olho a preços.
Sempre amei sem olhar a defeitos do ser amado.
Não olhe para.

PAGAR – PERDOAR
VTDel, com objeto direto para coisa e objeto indireto para pessoa:
Paguei todas as minhas dívidas a meus credores.
Paguei-lhes todas as minhas dívidas.
Perdoei todas as dívidas a meus devedores.
Perdoei-lhe todas as dívidas.

No caso de pagar, podemos empregar a coisa pelo seu proprietário:


Nenhum aluno ainda pagou ao colégio.
Dei dinheiro a meu filho para que pagasse ao mercado.
Você está levando dinheiro para pagar à feira?

Há muita diferença entre pagar O colégio e pagar AO colégio: no primeiro caso, só o


proprietário, o dono dele pode exercer a ação verbal.
Ambos admitem o seu emprego na voz passiva:
Meus credores foram pagos ontem.
O colégio foi pago no dia 10.
Meus devedores foram perdoados por mim.
O filho não será perdoado pelo pai.

PEDIR
VTDel, mas com a preposição a:

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Marilene Silva
Pedi um presente a ela.
Pedi a ela que me telefonasse.
Peça ao governo que o indenize.

Na língua cotidiana se vê usando assim:


Pedi um presente para ela.
Pedi para ela me telefonar.
Peça para o governo o indenizar.

PA norma culta só admite pedir para quando há idéia de licença ou permissão


subentendida:
O aluno pediu para sair da sala. (= pediu licença para sair)
O rapaz pediu para dar um beijo na namorada. (= pediu permissão para dar um beijo)

PISAR
VTD, por isso não se usa a preposição em:
Não pise a grama!
A cantora pisou o palco duas horas atrasada.

Na língua cotidiana se vê usando assim,mas está errado:


Não pise na grama!
A cantora pisou no palco duas horas atrasada.

PRECISAR
VTD = indicar com exatidão, expor minuciosamente:
O piloto precisou o local do ataque e acionou o botão.
O piloto precisou o local do pouso e aterrou.

VTD = calcular, mensurar:


A moça precisou os gastos da festa.
Todos precisaram as despesas.

VTI = necessitar (precisar de):


Todos precisam de ajuda.
Aqui ninguém precisa de dinheiro, só precisa de reais...

Antigamente se usava o verbo precisar, assim como necessitar, como transitivo direto:
Todos precisamos ajuda.
Aqui ninguém precisa dinheiro, só reais...

O português contemporâneo só aceita a omissão da preposição quando o objeto é


oracional:
Preciso que todos me ajudem.
Precisamos que vocês venham logo.

PREFERIR
VTDel, usado com a preposição a, e não com do que:
Prefiro pêra a maçã.
Preferimos arroz a macarronada.
As crianças preferem comer jiló a comer camarão.
O suicida prefere morte à vida.

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Marilene Silva
No prefixo pre- já existe a idéia de anterioridade; daí não haver propriedade no uso de
modificadores tais como mil vezes, muito mais, antes, milhões de vezes, mais, etc.

PROCEDER
VTI usado com a preposição a (proceder a) (dar início, executar, realizar)
A Caixa Econômica procedeu ao sorteio dos números da loto.
O juiz procederá ao julgamento somente na semana que vem.
VI = Ter procedência (de); comportar-se. Este vinho procede da Itália./Ele procedeu bem.

PUXAR
VTI = sair semelhante (puxar a); coxear (puxar de):
O filho puxou ao pai, e não à mãe.
O rapaz puxava de uma perna.

QUERER
VTD = desejar:
O menino queria balas, muitas balas.
“Não o quero mais aqui”, disse o pai da garota ao rapaz.
VTI = estimar, amar (querer a):
O menino queria muito ao pai.
A garota queria muito ao namorado, por isso se reconciliaram.
“Nunca lhe quis nem lhe vou querer” , disse a ex-namorada ao rapaz, que sempre pensou
que ela o amava.

REPARAR
VTD = consertar:
O próprio marceneiro reparou a fechadura da porta.
Convém sempre reparar os erros cometidos, e não repeti-los.

VTI = observar (reparar em):


Você reparou no corpo dessa garota?
Repare no exemplo dos seus pais.

RESPONDER
VTD = dar respostas grosseiras, ser respondão com:
Gente educada não responde os mais velhos.
Quando o menino respondeu a mãe, levou um tapa na boca.

VTI = dar resposta, corresponder a uma pergunta (responder a):


Você já respondeu à carta que recebeu ontem?
Procurem responder a todas as questões da prova.

Não admitem lhe, lhes como complemento, mas apenas a ele, a ela, a eles, a elas:
As questões estão aí. Procurem responder a elas com calma.
Recebi ontem a carta, mas ainda não tive tempo de responder a ela.

Quando o objeto é oracional, a preposição fica elíptica:


Ao me perguntarem sobre o assunto, respondi que nada tinha a declarar.

É usado na voz passiva:


As questões foram respondidas em duas horas.
A carta foi respondida na mesma hora.

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Marilene Silva
SIMPATIZAR – ANTIPATIZAR
VTI, sem serem pronominais (simpatizar com, antipatizar com):
Simpatizei com vocês, mas não simpatizei com eles.
A garota antipatizou com o rapaz à primeira vista.

Na língua cotidiana se vê usando assim:


Simpatizei-me com vocês. (ERRADO)

SOBRESSAIR
VTI, também sem ser pronominal (sobressair com):
O jogador que mais sobressaiu nos jogos do Brasil foi Denílson.
Nunca sobressaímos em Matemática.

TORCER
VTI = desejar a vitória, fazer torcida (torcer por):
Torceu pelo Flamengo, pelo Vasco, pelo Fluminense, por quase todos os times.
Se você torce por um time ruim, torça por outro.
Estou torcendo muito por você, Denise.

Na língua cotidiana se vê usando assim:


Torceu para o Flamengo, para o Vasco, para o Fluminense, para quase todos os times.
Se você torce para um time ruim, torça para outro.
Estou torcendo muito por você, Denise.

Quando se constrói:
Eu torcia para que meu time ganhasse,
usa-se o verbo como intransitivo, e não como transitivo indireto; o que existe nessa
construção não é a preposição para pura e simples, mas a locução conjuntiva para que = a
fim de que:
Eu torcia a fim de que meu time ganhasse.

VISAR
VTD = pôr o visto, apontar para:
Já visei o cheque.
Visei o alvo e atirei.

VTI = desejar muito, almejar (visar a):


Todos os partidos políticos visam ao poder.
Os governadores deveriam somente visar ao bem-estar da população.

Não aceita lhe, lhes como complemento, mas apenas a ele, a ela, a eles, a elas:
O poder envaidece; por isso todos visam a ele.
Os diplomas são importantes, por isso muitos visam a eles.

Seguido de infinitivo, pode se omitir a preposição:


Todos os partidos políticos visam chegar ao poder.

Mas é preferível usá-la:


Todos os partidos políticos visam a chegar ao poder.

Pronomes Relativos na Regência

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Marilene Silva
Variáveis Invariáveis

O qual, a qual, os quais, Que (pessoa e coisa)

as quais.

(pessoa e coisa)

Cujo, cuja, cujos, cujas. Quem ( só para pessoa)

Quanto, quanta, quantos, Onde (lugar)

quantas. (pessoa e

coisa)

O pronome relativo substitui uma palavra para evitar sua substituição

desnecessária, porém se essa palavra estiver subordinada a um verbo ou um

nome que determine o uso de uma preposição, ela aparecerá antes do pronome

relativo.

Ex: A pessoa a que me refiro passou no concurso.

a quem

à qual

* Dividindo as orações para justificar o uso da preposição.

A pessoa passou no concurso, Refiro-me à pessoa. (referir-se A)

Ex.: A cidade de onde vim é muito bonita.

da qual

A cidade é muito bonita, vim da cidade. (vir DE)

Regência Nominal

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Marilene Silva
É a maneira de o nome se relacionar com seus complementos.
Eis alguns nomes interessantes quanto à regência:
São palavras da Língua Portuguesa que têm transitividade igual a verbo, ou seja, você fará
as mesmas perguntas que faria a um verbo e identificará qual a preposição que cabe a
essa palavra.
São substantivos abstratos, adjetivos e advérbios:

Acostumado a/ com (estar acostumado a/ com assaltos).


Adido a (ser adido a uma embaixada).
Adjunto a (ser adjunto a imprensa em palácio).
Assíduo em (ser assíduo em bailes; ser assíduo nas aulas). Não convém usar assíduo ª
Atenção a /para (prestar atenção a/ para tudo). Não convém usar atenção em.
Chuta a (treinar chutes a gol).
Consulta a (fazer consulta ao dicionário; fazer consulta a um médico).
Curioso de (estar curioso de saber notícias de lá).
Deputado por (ser deputado por Goiás; tornar-se deputado pela Bahia).
Desacostumado a/ com (estar desacostumado a/com eleições).
Equivalente a/ de (produto equivalente ao /do melhor do mundo).
Falta a (sua falta ao trabalho, nossa falta à aula de ontem).
Grudado a (a bala ficou grudada aos dentes).
Invasão de (a invasão da Checoslováquia pelos russos; a invasão norte-americana de
Granada). Quando aparece adjunto adnominal, rege em: a invasão dos russos (ou russa)
no Afeganistão.
Liderança sobre (exercer liderança sobre a classe trabalhadora).
Morador em (ser morador em bairro nobre; ser morador na Rua da Saudade).
Ódio a/ contra /por (não ter ódio a/ contra ninguém).
Palpite sobre (dar palpite sobre um jogo da loteria esportiva). Não convém usar palpite
para.
Passagem por (a passagem de aviões russos por território alemão oriental). Não convém
usar passagem sobre.
Preferência a/ por (manifestar preferência a/ por um filho).
Preferível a (a democracia é preferível a qualquer outro regime de governo).
Presente a (com nomes abstratos); presente em (com nomes concretos).
Ex.: estar presente a uma recepção; estar presente no estádio.
Pressão sobre (o vento faz pressão sobre a janela). Não convém usar pressão em.
Residente em (ser residente na Praça da Paz, na Rua da Alegria). Não convém usar
residente a
Senador por (ser senador por Goiás; tornar-se senador pela Bahia).
Sito em (o armazém, sito na Rua da Paz, fechou). Não convém usar sito ª
Situado em (estar situado em bairro distante; situado na Rua da Alegria). Não convém
usar situado a.

Exercícios

1. (ESAF) Aponte o trecho correto quanto à regência.


a) Quando se desativa uma linha de trem, está se isolando o único meio de transporte que
dispõem.
b) Em muitas cidades pequenas, no interior do país, prevalece a idéia, a qual se desconfia
o próprio Prefeito seja adepto, de que o trem é meio de transporte obsoleto.
c) Como é interesse do País de que o preço do frete diminua, são urgentes e
imprescindíveis investimentos em nosso sistema ferroviário.

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Marilene Silva
d) A partir dos anos 50, o baixo custo do petróleo justificou a opção do transporte de carga
por rodovias, com as quais foram ganhando cada vez mais preferência.
e) No Brasil, dadas as suas dimensões continentais, deve-se dar preferência às ferrovias
para a movimentação de cargas.

2. (C.Chagas) A única frase com a regência verbal incorreta é:


a) Trata-se do ideal a que me referi.
b) As leis que conhecemos são outras.
c) Encerrou-se o inquérito que se procedeu.
d) São justas as punições de que se queixam.
e) Empenhemo-nos em produzir mais.

3. (ESAF) Quanto a regência verbal, escreva (1) nas orações corretas e (2) nas incorretas.
( ) Logo que chegou, eu o ajudei como pude.
( ) Preferia remar do que voar de asa delta.
( ) Naquela época, eu não visava o cargo de diretor.
( ) Sem esperar, deparei com ela bem perto de mim.
( ) Nós tentamos convencê-lo que tudo era imaginação.

A seqüência correta dos números nos parênteses, é:


a) 1,1,1,2,2. c) 2,1,1,2,1. e) 1,2,1,2,1.
b) 2,2,2,1,1. d) 1,2,2,1,2.

4. (Bacen) Em apenas uma das alternativas, o pronome deveria vir antecedido de


preposição. Marque-a.
a) Há pessoa cuja presença nos passa despercebida.
b) O assunto que me refiro é extremamente complexo.
c) A peça que vi ontem foi ótima.
d) Não aceito a proposta que me fizeram.
e) Não comentaram o acontecimento que marcou essa data.

5. (Cesgranrio) Assinale a opção cuja lacuna não pode ser preenchida pela preposição
entre parênteses.
a) Uma grande mulher,...................cuja figura os velhos se comoviam (com).
b) Uma grande mulher,....................cuja figura já nos referimos antes (a).
c) Uma grande mulher,....................cuja figura havia um ar de decadência (em).
d) Uma grande mulher,...................cuja figura todos eram apaixonados (por).
e) Uma grande mulher,...................cuja figura as crianças se assustavam (de).

Gabarito: regência verbal : 1 E / 2C / 3 D / 4B / 5E

CRASE

Crase À = PREPOSIÇÃO + ARTIGO DEFINIDO FEMININO ou


PREPOSIÇÃO + PRONOME DEMONSTRATIVO
39
Marilene Silva

Vou à praia : à = preposição + artigo definido feminino


Vi a praia: a = artigo definido feminino
Refiro-me à que saiu: a= preposição + pronome demonstrativo
Olhei a que saiu: a = pronome demonstrativo
Prefiro estudar a trabalhar: a = preposição

É o nome que se dá à fusão, à contração de dois aa.


Crase e acento são conceitos distintos; entender essa distinção é fundamental para bem
compreender este assunto.
Acento grave (`) é o sinal que indica fusão de dois aa, ou seja, é o acento indicador da
crase, da contração de dois aa. Sendo assim, não há propriedade em perguntar:

Crase 1
Acentua-se o a quando, ao substituirmos um substantivo feminino por um masculino, o a
dá lugar a ao. Ex.:
Fui a escola.

Esse a tem ou não tem acento? É ou não é craseado? Façamos a substituição desse
substantivo feminino (escola) por outro, masculino (colégio, por exemplo):
Fui ao colégio.

Como o a inicial deu lugar agora a ao, aquele a é acentuado, é craseado. Portanto,
grafaremos:
Fui à escola.

Outros exemplos:

Não me refiro à secretária, mas ao secretário.


Entreguei o livro à professora, e não ao professor.

CUIDADO
Nem sempre essa substituição por uma palavra masculina é garantia absoluta.
1º observe a regência do verbo ou nome: ex.: Ele aspira à aprovação./
Ele freqüentou a escola.

Observações:
1) Os substantivos femininos terra (chão firme, oposto de bordo) e casa (lar) rejeitam o
artigo a e, por conseqüência, não pode haver crase. Não havendo crase, cabe-nos
grafarmos:
Depois de tantos dias no mar, chegamos a terra.
Fui a casa, mas regressei em poucos minutos.
Você ainda não retornou a casa desde aquele dia?

Vindo tais substantivos com modificador, o a passa a receber o acento:


Depois de tantos dias no mar, chegamos à terra procurada.
Fui à casa dela, mas regressei em poucos minutos.
Você ainda não voltou à casa paterna?

2) O pronome aquele (e variações) e também aquilo podem receber acento no a inicial,


desde que haja um verbo ou um nome relativo que peça a preposição a. ex.:
40
Marilene Silva
Não fui a aquela farmácia = Não fui àquela farmácia.
Não fiz referência a aquilo = Não fiz referência àquilo.

Às vezes o pronome aquela ou aquelas vem representado por a ou as, também


pronomes demonstrativos, principalmente quando vêm antes do pronome relativo que:
Essa revista é igual a (= aquela) que li = Esta revista é igual à que li.
3) Antes pronome possessivo é facultativo o uso do artigo; sendo assim, facultativo
também será o uso do acento grave no a que se antepõe a esse tipo de pronome. Ex.:
Refiro-me a/à sua colega, e não a/à minha.

4) Só acentuamos o a antes de nomes de pessoas quando se tratar de indivíduo que faça


parte do nosso círculo de amizades, indivíduos aos quais damos tratamento íntimo: a
Marisa, a Bete, a Rosa, etc. Ex.:
Refiro-me à Marisa, e não à Bete.
Faço referência à Rosa, e não à Hortênsia.

Quando se tratar de pessoas com as quais não temos nenhuma intimidade, o acento
não tem razão de ser, já que não usamos artigo antes de nomes de pessoas
desconhecidas ou não amigas.

Suponhamos, então, que haja alguém de nome Lurdes ou de nome Jeni, com as quais
não mantemos nenhum relacionamento íntimo ou amigo. Grafaremos, então:
Refiro-me a Lurdes, e não a Jeni.
Faço referência a Jeni, e não a Lurdes.

5) É facultativo o uso do artigo antes de todos estes nomes de lugar, quando vêm regidos
de preposição: Europa, Ásia, África, França, Inglaterra, Espanha, Holanda, Escócia E
Flandres. Conclui-se daí que também facultativo será o uso do acento grave no a que
antecede tais nomes:
Fui a/à Europa, e não a/à Ásia.
Iremos a/à Inglaterra, e não a/à Escócia.

6) Usa-se o acento no a antes de palavra masculina e ainda no plural, quando se abrevia


ou reduz uma expressão que, na verdade, tem início por palavra feminina. Ex.:
Vou à Homicídios. (= Vou à Delegacia de Homicídios.)
Cheguei à Costumes e não encontrei o delegado. (= Cheguei à Delegacia de
Costumes...)

Crase 2
Acentua-se o a que principia locuções com palavra feminina. Ex.: carro à gasolina, estudar
à noite, estar à cata de informações, à proporção que chove, mais preocupados ficamos.
A única locução que não deve trazer acento no a é a distância, quando não está
determinada. Ex.:
Os guardas ficaram a distância.
No zoológico, os animais ficam a distância.

Quando a distância é determinada, o a passa a ser acentuado:


Os guardas ficaram à distância de cem metros.
No zoológico, os animais ficam à distância de dez metros.

Nas construções:
Vestir-se à Momo.
41
Marilene Silva
Escrever uma redação à Rui Barbosa.
Vestir-se à 1930.
Jogar à Telê Santana.

Há uma destas locuções subentendidas: à semelhança de, à moda de ou à maneira de;


daí a necessidade do acento no a, obrigatoriamente.

Observações:
1) Algumas locuções adverbiais de tempo iniciadas pela preposição em podem ser
iniciadas pela preposição a. Nesse caso se usa o acento. Ex.:
Àquela época tudo era diferente = Naquela época...
À chegada do presidente ouviram-se aplausos = Na chegada...
Àquela hora tudo era silêncio = Naquela hora...

2) Usa-se o acento grave, ainda, em expressões semelhantes a locuções, nas quais o


elemento principal é uma palavra feminina. Ex.:
À entrada da casa havia um aviso: cão bravo.
Estão todos esses homens à disposição da justiça.

3) Não se dá o fenômeno da crase (prep. a + art. a) nas locuções adverbiais de


instrumento ou nas de modo, mas no a que as principia se usa o acento, por força da
tradição ou da clareza.
Ex.: bater à máquina, matar à bala, comprar à vista, atirar à queima-roupa, matar
alguém à fome.
Outras locuções do mesmo tipo: à mão, à vela, à tinta, à chave, à navalha, à pedrada, à
gasolina, à eletricidade, à pilha. Esse acento, por não indicar a ocorrência de crase,
recebe o nome de acento analógico.

Casos, portanto, que dispensam o uso do acento grave, indicador da crase.

Em vista do exposto nas duas regras fundamentais de crase, não devemos usar o
acento grave no a, em hipótese alguma, nos seguintes casos:
a) antes do substantivo masculino. Ex.:
Creusa gosta de andar a cavalo.
Esta loja não vende a prazo.
Sua camisa está cheirando a suor.

b) antes de qualquer nome feminino tomado em sentido genérico ou indeterminado,


isto é, é não precedido de artigo. Ex.:
Nunca fui a festa alguma, a reunião alguma, a recepção alguma.
Não me refiro a mulheres, refiro-me a crianças.

Por que não usamos o artigo antes dos substantivos aí vistos? Porque tais
substantivos são usados em sentido indeterminado, vago, impreciso.
c) antes de nome próprio de cidade. Ex.:
Vou a Piraçununga antes de ir a Moji-Mirim.
Nunca fui a Brasília nem a Goiânia.
d) antes de nome próprio de pessoas célebres. Ex.:
Somente hoje o professor se referiu a Maria Antonieta.
Ninguém ainda fez alusão a Joana D´Arc.
e) antes de pronomes que não admitem artigo. Ex.:
Não entregue isto a ninguém.
Darei a essa moça tudo o que ela quiser.
42
Marilene Silva
Obedeço a toda sinalização de trânsito.
Entreguei o documento a S. Exª.
Estou contando a V. Sª. o que de fato aconteceu.
A cena a que me refiro é bastante violenta.
Filipe e Virgílio, a cuja irmã devo mil obrigações, são anarquistas.
f) antes de verbo. Ex.:
Estamos dispostos a colaborar.
A partir de amanhã, novo congelamento de preços.
Prefiro morrer a ver isso acontecer.
g) antes da palavra Dona (que se abrevia D.). Ex.:
Entreguei a chave a Dona Teresa.
Não conte isso a D. Teresinha!
Se, porém, a palavra dona vem modificada por adjetivo, cabe o acento. Ex.:
Entreguei a chave à simpática Dona Teresa.
Não conte isso à querida D. Teresinha!
h) antes da palavra casa, quando significa lar (nesse caso vem sempre sozinha,
desacompanhada de modificador). Ex.:
Voltei a casa cedo.
Não vou a casa agora.
Observe que a palavra casa, usada assim, não exige artigo:
Estive em casa cedo.
Não fico em casa agora.
Aparecendo modificador, todavia, tudo se modifica:
Voltei à casa de minha namorada cedo.
Não vou à casa dela agora.
Por que tudo se modifica? Porque, agora, a palavra casa exige o artigo:
Estive na casa da minha namorada cedo.
Não fico na casa dela agora.
i) antes da palavra terra, antônima de bordo, também usada sozinha, sem
modificador. Ex.:
Chegamos a terra bem cedo.
Os marujos ainda não desceram a terra.
Observe que construímos:
Depois de meses no mar, vimos terra. (E não: vimos a terra.)
O timoneiro da embarcação avistou terra.
Os restos do foguete caíram em terra, e não no mar.
j) antes do artigo indefinido uma. Ex.:
Dirigi-me a uma pessoa que estava ao balcão.
Entreguei o documento a uma senhora que estava ali.
k) antes de substantivos repetidos, nas locuções adverbiais. Ex.: gota a gota, cara a
cara, frente a frente, de ponta a ponta, etc.
l) antes de numerais. Ex.:
O número de carros acidentados chega a duzentos.
O secretário de Estado norte-americano fará uma visita a nove países da América
Latina.
Nasci a 18 de dezembro, e não a 2 de fevereiro.
m) antes de locuções adverbiais de modo que trazem o substantivo no plural. Ex.:
As mulheres se atacaram a dentadas.
A reunião foi a portas fechadas.
A duras penas conseguimos chegar lá.
Usando-se toda a expressão no plural, aparece o acento:
Mandei-os às favas, às vezes.
Fiz tudo às avessas, às escondidas.
43
Marilene Silva
n) na locução a distância, quando a noção da distância não for bem definida,
delimitada. Ex.:
Tudo acontecia a distância, não poderíamos ser afetados.
As crianças observaram os animais, no zoológico, a distância.
Se a distância vem determinada, então, usa-se o acento:
Tudo acontecia à distância de mil metros, não poderíamos ser afetados.
As crianças observaram os animais, no zoológico, à distância de cem metros.
Ainda que a expressão venha com algum modificador, não se usará o acento. Ex.:
Carolina Ferraz ficou a boa distância de mim.
Ela ficou a uma distância de trinta metros.
Avistei-me a longa distância.
Observações:
1) Antes do numeral uma usa-se acento no a, visto que neste caso ocorre crase. Ex.:
Os guardas chegaram à uma hora.
Os guardas gritaram à uma: “Fora, todos!”

Casos facultativos do uso do acento grave, indicador da crase

Nos casos de faculdade do uso do artigo também há, por conseqüência, faculdade no
emprego do acento grave. São estes os principais casos:

a) antes do pronome possessivo. Ex.:


Dei isto a/à sua professora, e não a/à minha amiga.
Ofereceram ótimo salário a/à nossa funcionária, mas ela preferiu ficar conosco.

Como não se usa artigo antes de possessivo acompanhado de nome de parentesco,


também não se usa o acento grave no a que antecede tal possessivo. Ex.:
Dei isto a sua mãe, e não a minha prima.
Ofereça um brinde a sua mulher!

Observação:
Quando o possessivo funciona como pronome substantivo, o acento é obrigatório. Ex.:
Não me refiro às respostas de Luís, mas às tuas.

b) antes de nome próprio de pessoas, desde que íntima, familiar. Ex.:


Dei tudo à Ciça, que nem sequer me agradeceu.
Disse à Bete o que ela precisava ouvir.

Esse uso se justifica pela prática de, principalmente no Sul do Brasil, usar-se:
A Ciça acabou de chegar.
A Bete era a minha namorada.

Tal prática não é muito aconselhável, ainda que admitida.

c) antes destes nomes próprios de lugar: Europa, Ásia, África, França, Inglaterra,
Espanha, Holanda, Escócia e Flandres. Ex.:
Fui a/à Europa, mas não cheguei a ir a a/à África.
Levei a/à França todas as minhas ambições.

Essa faculdade se dá em virtude de podermos construir, sempre que regidos de


preposição:
Estive em/na Europa, e não em/na África.
44
Marilene Silva
Cheguei de/da França neste instante.

d) com a locução até a, antes de palavra feminina. Ex.:


fui até a/até à farmácia, mas não encontrei o remédio.
Iremos até a/até à Bahia, brevemente.

Tudo isso porque, com nomes masculinos, podemos usar facultativamente o artigo :
Vou até o/ao supermercado.
Iremos até o/ao Chile amanhã.

Principais locuções:
à noite, às vezes, às voltas, à tarde, às ocultas, à beira de , às avessas,
às intempéries, à toa, à revelia, à mercê de, à beça, à direita, à esquerda,
à espera de, à vista, à deriva, à moda de, à maneira de, às espreitas.

Locuções de palavras repetidas: não se usa o acento grave


cara a cara , frente a frente, dia a dia, lado a lado, passo a passo.

Locuções masculina:
a pretexto, a fim de, a contragosto, a princípio, a priore, a prazo, a cavalo, a cartão, a
contento.

Exercícios de Fixação

1. (CESPE- UnB) Assinale a alternativa em que deve ocorrer o acento grave indicador de
crase.

a) O dia 28 de outubro é consagrado a todas as pessoas que trabalham no serviço público.


b) O ponto era facultativo somente a funcionários do ING.
c) João Brandão foi a tarde ao ING.
d) Ele galgava a parede quando o vigia o encontrou.

e) Todos estarão sujeitos a muitas coisas.

2. (ESAF) Assinale a frase em que o acento indicador de crase foi usado incorretamente.

a) À noite, todos ficavam na porta de casa.


b) Sentavam-se nas pedras do caminho à espera da comitiva do peão.
c) Na imaginação, porém, ele voltava àquele mundo de sonho e fantasia.
d) Depois de refletir, dirigi-me, decididamente, à casa de meu amigo.
e) Tenho certeza de que os documentos não fazem referência à nada do que dizes.

3. (ESAF) Assinale a frase que apresenta erro no uso da crase.

a) Os missionários dão origem à uma cultura local que se inicia pelo contato.
b) É à curiosidade de entender a alma humana que devo meu amor aos índios.
c) Sendo necessária à concepção do discurso, a história é dele inseparável.
d) Este jogo de formações discursivas remete o texto à sua exterioridade.
e) Assim podemos demonstrar que à contribuição das línguas indígenas se associa uma
visão histórica.

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Marilene Silva
4. (UnB) Assinale a opção em que o acento indicativo da crase é obrigatório usado nas
duas frases.

a) Uma lei sempre está ligada a alguma outra.


As leis estão subordinadas a Lei Mãe.
b) Obedecer aqueles princípios é necessário.
É direito que assiste a autora o de rever a emenda.
c) Alguns parlamentares anuíram a proposta.
Agiram contra a lei.
d) Estamos sujeitos a muitas coisas.
São contrários a lei.
e) O presidente atendeu a reivindicações do ministro .
Procurou-se assistir as populações atingidas pela seca.

5. (ESAF) Indique a seqüência que completa corretamente as lacunas do texto abaixo.


“Devemos atribuir.............campanhas e...............medidas contra o fumo...............
importantes reclamações dos nossos profissionais de saúde que, corajosamente,
enfrentam..............críticas dos tabagistas e, humanamente, devotam-se.................causas
em favor da salubridade dos brasileiros”.

a) às – às – as – às – as; d) às – as – as- às – as;


b) as – as – as – às – às; e) as – as – às – as – às;
c) às – às – às – as – às;

Gabarito: crase 1C / 2E (à tarde= locução adverbial de tempo) / 3 A / 4B / 5E

Colocação de pronomes oblíquos átonos

Denomina-se colocação pronominal o conjunto de regras referentes à colocação dos


pronomes pessoais, oblíquos e átonos que funcionam como complementos: me, te, se, o,
lhe, a, nos, vos, se, os, as, lhes.
Relativamente ao verbo, do qual dependem colocar-se antes (próclise), no meio
(mesóclise) e depois (ênclise) dele.

Expressões que devem ser banidas:

“Não lhe entendi.” / “Há quanto tempo não lhe vejo.”

“Vamos se encontrar.” / “Entre ele e eu não há problema.”

“Exmo. Sr., em resposta à vossa carta...”

As formas corretas são:

Não o entendi. / Há quanto tempo não o vejo. / Vamos nos encontrar.

Entre ele e mim... / Exmo. sr., em resposta à sua carta...

46
Marilene Silva
Próclise: pronome oblíquo antes do verbo.

Próclise - é de regra com:

1. palavras de sentido negativo.


“Ninguém me ama, ninguém me quer...”

2. pronome indefinido.
Tudo me parece impossível

3. pronome relativo.
Tudo quanto me disseste é falso.

4.com certos advérbios.


Bem se vê que lá se vive melhor.
Obs.: se depois do advérbio vier vírgula, ocorre ênclise:
Aqui se fala muito.
Aqui, fala-se muito.

5. conjunções subordinadas.
“Quando meu bem-querer me vir, estou certo...”
Se você o encontrar,avise-o de que...

6. Gerúndio regido de preposição em.


Em se tratando de mulheres, prefiro as inteligentes.

7. infinitivo flexionado regido de preposição.


E, por se amarem muito, uniram seus destinos.

Nota: é facultativa quando o infinitivo não flexionado estiver precedido de preposição ou


palavra negativa:
“Estou aqui para servir-te.”.(ou: para te servir)
Meu desejo era não o incomodar”(ou: não incomodá-lo).

Mas, se o infinitivo vier antecedido da preposição a, recomenda-se a ênclise:


Estou inclinado a obedecer-lhe.
Comecei a compreendê-lo.

8. Nas orações optativas (aquelas que expressam desejo) de sujeito anteposto ao verbo.
Macacos me mordam.

9. Nas orações exclamativas.


“Quanto sangue se derramou inutilmente!”

10. Nas orações interrogativas.


Por que me abandonas?

Ênclise- pronome oblíquo depois do verbo.

É de regra:

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Marilene Silva
1. Nas orações iniciadas por verbo.
Falava-me suavemente.
Disseram-me que você me ama.

2. Com verbo no gerúndio, sem partícula atrativa


O velho criticava a juventude, dirigindo-se aos presentes.
Entendeu o segredo do tempo, olhando-se no espelho.

3. Com verbo no imperativo afirmativo.


Dê-me um copo d’água.
Faça-me um favor.

4. Com verbo no infinitivo, regido da preposição a.


Chegamos a abraçá-lo.
“Sabe-se ele se tornará a vê-los algum dia!” (José de Alencar)

5. Junto a infinitivo precedido de artigo.


O vender-se; o queixar-se.

6. Nas orações interrogativas, estando o verbo no infinitivo, embora antecedido de palavra


ou locução que obrigue a próclise.

“Como alistar-me, se o governo não tem inimigos?”


Por que arrepender-me?
Como apanhá-lo?

Colocação pronominal nas locuções verbais

1) Auxiliar + infinitivo - há quatro possibilidades:

a) ênclise ao auxiliar.
O amigo precisou lhe confiar o segredo.

b) ênclise ao infinitivo.
O amigo precisou confiar-lhe o segredo.

c) próclise ao auxiliar.
O amigo lhe precisou confiar o segredo.

d) próclise ou ênclise ao infinitivo precedido de preposição.


O amigo não deixou de lhe confiar o segredo.
O amigo não deixou de confiar-lhe o segredo.

2. Auxiliar + Gerúndio - há três possibilidades:

a) próclise ao auxiliar.
O amigo lhe estava confiando o segredo.

b) ênclise ao auxiliar.
O amigo estava-lhe confiando o segredo.

c) ênclise ao gerúndio.
O amigo estava confiando-lhe o segredo.
48
Marilene Silva
3) Auxiliar + particípio - há duas possibilidades:

a) próclise ao auxiliar.
Os amigos se tinham despedido.

b) ênclise ao auxiliar.
Os Amigos tinham se despedido.

Mesóclise – pronome oblíquo no meio do verbo.

É de regra

Com o futuro do presente e com o futuro do pretérito, desde que não ocorra condição para
a próclise.
“Dir-me-á o leitor que a beleza vive de si mesma!” (M.A.)
“Dar-me-iam água para lavar as mãos?” (G. Ramos)

Notas
1. Com palavra ou locução atrativas, o pronome não pode ficar no meio da locução.
Não lhe quero falar ou Não quero falar-lhe.

2) “A interposição do pronome átono nas locuções verbais sem se ligar por hífen ao
auxiliar, é sintaxe brasileira que se consagrou na língua literária, a partir (ao que parece)
do Romantismo.
“O morcego vem te chupar o sangue.” (Alencar)
“...estava se distanciando da outra.” (Taunay)
“Como teria se comportado aquela alma de passarinho diante do mistério da morte?”
(Raquel de Queirós)

Adaptações
1..Os pronomes o, a, os, as, enclíticos, sofrem adaptações quando o verbo termina em r, s
ou z. Eles passam a ter as formas: -lo, -la, -los, -las.
Vou amar-a por toda minha vida. (Sem adaptação.)
Vou amá-la por toda minha vida. (Com adaptação.)
Tu amas-o como a ti mesma.. (Sem adaptação.)
Tu ama-lo como a ti mesma. (Com adaptação.)
O jogo, fiz-o sozinho. (Sem adaptação.)
O jogo, fi-lo sozinho. (Com adaptação.)
Obs. Com a expressão eis acontece a mesma coisa:
Ei-la aqui, radiante e bela!

2. Os pronomes oblíquos o, a, os, as, quando precedidos de verbos terminados em -m, -


ão, -õe, assumem a forma -no, - na, -nos, -nas.
Entregaram- o ao professor. (Sem adaptação.)
Entregaram-no ao professor. (Com adaptação.)
O assunto, dão-o por encerrado. (Sem adaptação.)
O assunto, dão-no por encerrado. (Com adaptação.)

Exercícios de Fixação

1.( C. Chagas) Assinale a alternativa que exige correção.


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Marilene Silva
a) O comércio continua a atrair consumidores? Sim, continua a atraí-los.

b) Quem nos não ofende com calúnias e infâmias?

c) Os políticos teriam-nos prometido melhores condições de vida.

d) O mestre perdoou-nos as falhas? Sim, perdoou-no-las.

e) Se pudessem fariam as tarefas? Sim, fá-las-íamos.

2.(Cesgranrio) Assinale a alternativa que não se coaduna com a norma culta da

colocação pronominal.

a) Quem o trouxe sem convite que se encarregue de acompanhá-lo.

b) Os meninos corriam por todos os cômodos da casa, impedindo-me de pensar.

c) Quando meninote, eu devorava livros com este título: O que se não deve dizer.

d) Se nos procurarem arrependidas, daremos-lhes novas oportunidades.

e) Jamais te daria tanta atenção, se não te amasse como amo ainda.

3. (ESAF) Aponte em qual das frases abaixo não se colocou corretamente o pronome

átono.

a) Tudo me era completamente indiferente.

b) Ela não me deixou concluir a frase.

c) Este casamento não deve realizar-se.

d) Sentíamo-nos contentes como se nos tivéssemos presenteado.

e) Ninguém havia lembrado-me de fazer reservas antecipadamente.

4.(UnB) “Os economistas..............bem para o comportamento econômico deste final

de século; mas,............contra possíveis mudanças de diretrizes financeiras do

Governo, pediam que............investimentos de grande porte, comprometedores”.

a) o haviam preparado – se tentando precaver – se tentassem evitar;


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Marilene Silva
b) haviam preparado-o – se tentando precaver – tentassem evitar-se;

c) haviam preparado-o – tentando-se precaver – tentassem se evitar;

d) haviam-o preparado – se tentando precaver – se tentassem evitar;

e) haviam-no preparado – tentando precaver-se – se tentassem evitar.

5. (UFS-SE) “Os projetos que..........estão em ordem;.........ainda hoje,

conforme.............”.

a) enviaram-me – devolvê-los-ei – lhes prometi

b) enviaram-me- os devolverei – lhes prometi

c) enviaram-me – os devolverei – prometi-lhes

d) me enviaram – os devolverei – prometi-lhes

e) me enviaram – devolvê-los-ei – lhes prometi

Gabarito: pronomes e colocação pronominal: 1C / 2D / 3E / 4E / 5E

FUNÇÕES DO SE

A palavra SE pode exercer diversas funções dentro da língua portuguesa.


Tais funções são as seguintes:

1- Pronome apassivador ou Partícula apassivadora


Aparece na formação da voz passiva sintética com verbos transitivo direto, e transitivo
direto e indireto; com verbo transitivo apenas indireto, não há possibilidade. Na prática, a
frase pode ser transposta para a passiva analítica ( com dois verbos ).
Ex1: Reformam-se móveis velhos. (= Móveis velhos são reformados. )
Ex2: Entregou-se o prêmio ao aluno que obteve a melhor nota. (= O prêmio foi entregue ao
aluno que obteve a melhor nota. )
Índice de indeterminação do sujeito

2- Índice de indeterminação do sujeito, aparece junto a verbo intransitivo, de ligação ou


transitivo indireto.
Como o nome já diz, quando exerce essa função, a palavra SE indetermina o sujeito da
oração. Esse tipo de oração não admite a passagem para a voz passiva analítica e o verbo
estará sempre na 3º pessoa do singular.
Ex1: Vive-se bem naquele país.
Ex2: Precisava-se de novas fontes de riquezas.
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Marilene Silva
3- Pronome reflexivo
Usado para indicar que a ação praticada pelo sujeito recai sobre o próprio sujeito ( voz
reflexiva). É substituível por: a si mesmo, a si próprio etc.
Ex1: O lenhador machucou-se com a foice. (= machucou a si mesmo)
Ex2: Localize-se no mapa. (= localize a si próprio)

4- Pronome reflexivo recíproco


Usado para indicar que a ação praticada por um dos elementos do sujeito recai sobre o
outro elemento do sujeito e vice-versa. Na prática, é substituível por: um ao outro, uns aos
outros etc.
Ex1: Pai e filho abraçaram-se emocionados. (= abraçaram um ao outro )
Ex2: Amigo e amiga deram-se as mão afetuosamente. (= deram as mãos um ao outro)

5- Parte integrante do verbo


Há verbos que são essencialmente pronominais, isto é, são sempre apresentados e
conjugados com o pronome. Não se deve confundi-los com os verbos reflexivos, que são
acidentalmente pronominais. Os verbos essencialmente pronominais geralmente se
referem a sentimentos e fenômenos mentais: indignar-se, ufanar-se, atrever-se, admirar-
se, lembrar-se, esquecer-se, orgulhar-se arrepender-se, queixar-se etc.
Ex1: Os atletas queixaram-se do tratamento recebido.
Ex2: Ele não se dignou de entrar.

6- Partícula expletiva ou de realce


O SE é considerado partícula expletiva ou de realce quando ocorre, principalmente, ao
lado de verbos intransitivos, de movimento ou que exprimem atitudes da pessoa em
relação ao próprio corpo ( ir-se, partir-se, chegar-se, passar-se, rir-se, sentar-se, sorrir-se,
etc. ), em construções em que não apresenta nenhuma função essencial para a
compreensão da mensagem. Trata-se de um recurso estilístico, um reforço de expressão.
Ex1: Acabou-se a confiança no próximo.
Ex2: Lá se vai mais um caminhão de verduras.

A conjunção SE: Atuando como conjunção, o SE sempre introduz oração subordinada.

7- Conjunção subordinativa integrante


Inicia orações subordinada substantiva ( subjetiva, objetiva direta etc.).
Ex1: Ninguém sabe se ele venceu a partida.
Ex2: Não sei se tudo isso vale a pena.

8- Conjunção subordinativa condicional


Introduz as orações subordinadas adverbiais condicionais. Essas orações exprimem a
condição necessária para que se realize ou deixe de realizar o fato expresso na oração
principal. Essa relação também se pode dar num nível hipotético.
Ex1: Se não chover, partiremos à tarde.
Ex2: O material será devolvido se você quiser.

9- Sujeito de um infinitivo
Trata-se das estruturas formadas pelos auxiliares causativos (deixar, mandar e fazer) e
sensitivos ( ver, ouvir, sentir, etc.) quando seguidos de objeto direto na forma de oração
reduzida. Nesse casos, o pronome SE atuará sintaticamente como sujeito.
Ex1: Deixou-se ficar à janela a tarde toda.
Ex2: O jovem professor sentiu-se fraquejar.

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Marilene Silva
10- Objeto direto
Acompanha verbo transitivo direto que tenha sujeito animado.
Ex1: Ergueu-se, passou a toalha no rosto.
Ex2: Vestiu-se rapidamente, telefonou pedindo um táxi, saiu.
Objeto indireto
Aparece quando o verbo é transitivo direto e indireto.
Ex1: Ele arroga-se a liberdade de sair a qualquer hora.
Ex2: Ele impôs-se uma disciplina rigorosa.

Exercícios

Classifique o SE em cada uma das frases:


1. Muitos se consideram deuses.(........................................)
2. O criminoso se arrependeu rapidamente.(.....................................)
3. Vendeu-se muito peixe neste mês.(.........................................)
4. Eles não sabiam se haveria reunião.(.........................................)
5. Se você quiser, venha mais cedo.(.........................................)

Gabarito- funções do SE:


1- pronome reflexivo
2- parte integrante do verbo
3- partícula apassivadora
4- conjunção integrante
5- conjunção condicional

FUNÇÕES DO QUE
A palavra QUE pode pertencer a várias categorias gramaticais, exercendo as mais
diversas funções sintáticas. Veja abaixo quais são essas funções e classificações.

1- Advérbio
Intensifica adjetivos e advérbios, atuando sintaticamente como adjunto adverbial de
intensidade. Tem valor aproximado ao das palavras quão e quanto.
Ex1: Que longe está meu sonho!
Ex2: Os braços...;oh! Os braços! Que bem-feitos!

2- Substantivo
Como substantivo, tem o valor de qualquer coisa ou alguma coisa. Nesse caso, é
modificado por um artigo, pronome adjetivo ou numeral, tornando-se monossílabo tônico (
portanto, acentuado). Pode exercer qualquer função sintática substantiva.
Ex1: Um tentador quê de mistério torna-a cativante.
Ex2: "Meu bem querer
Tem um quê de pecado..."( Djavan)
Também quando indicamos a décima sexta letra do nosso alfabeto usamos o substantivo
quê.
Ex: Mesmo tendo como símbolo kg, a palavra quilo deve ser escrita com quê.

3- Preposição
Equivale à preposição de ou para, geralmente ligando uma locução verbal com os verbos
auxiliares ter e haver. Na realidade, esse QUE é um pronome relativo que o uso consagrou
como substituto da preposição de.
Ex1: Tem que combinar? (= de)

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Marilene Silva
Ex2: Amanhã, teremos pouco que fazer em nosso escritório. (= para)
Além disso, a partícula QUE atua como preposição quando possui sentido próximo ao de
exceto ou salvo.
Ex: Chegara sem outro aviso que seu silêncio inquietante.

4- Interjeição
Como interjeição, a palavra QUE (exclamativo) também se torna tônica, devendo ser
acentuada. Exprime um sentimento, uma emoção, um estado interior e, equivale a uma
frase, não desempenhando função sintática em oração alguma.
Ex1: Quê! Você por aqui!
Ex2: Quê! Nunca você fará isso!

5- Partícula expletiva ou de realce


Neste caso, a retirada da palavra QUE não prejudica a estrutura sintática da oração. Sua
presença, nestes contextos, é um recurso expressivo, enfático.
Ex1: Quase que ela desmaia!
Ex2: Então qual que é a verdade?
Obs.: Pode aparecer acompanhado do verbo ser, formando a locução é que.
Ex: Mas é que lá passava bonde.

6- Pronome relativo
O pronome relativo refere-se a um termo (por isso mesmo chamado de antecedente),
substantivo ou pronome, ao mesmo tempo que serve de conectivo subordinado entre
orações. Geralmente, o pronome relativo introduz uma oração subordinada adjetiva, nela
desempenhando uma função substantiva. Neste caso, pode ser substituído por qual, o
qual, a qual, os quais, as quais.
Ex1: João amava Teresa que amava Raimundo.
Ex2: Às pessoas que eu detesto diga sempre que eu detesto.

7- Pronome Indefinido Substantivo


Quando equivale a "que coisa".
Ex1: Que caiu?
Ex2: A fantasia era feita de quê?

8- Pronome Indefinido Adjetivo


Quando, funcionando com adjunto adnominal, acompanha um substantivo.
Ex1: Que tempo estranho, ora faz frio, ora faz calor.
Ex2: Que vista linda há aqui!

9- Pronome substantivo interrogativo


Substitui, nas frases da língua, o elemento sobre o qual se deseja resposta, exercendo
sempre uma das funções substantivas, significando que coisa.
Ex1: Que terá acontecido? (= que coisa)
Ex2: Que adiantaria a minha presença? (= que coisa)

10- Pronome adjetivo interrogativo


Acompanha os substantivos nas frases interrogativas, desempenhando função de adjunto
adnominal.
Ex1: Que livro você está lendo?
Ex2: "Por aquela que foi tua,
Que orvalho em teus olhos tomba?" ( Cecília Meireles)
Obs: Caso semelhante (o qual não figura entre os tipos de pronomes registrados pela
NGB) ocorre em frases exclamativas. Nesse caso, teríamos um pronome adjetivo
54
Marilene Silva
exclamativo, sintaticamente atuando como
adjunto adnominal.
Ex1: Que poema acabamos de declamar!
Ex2: Meu Deus! Que gelo, que frieza aquela!

A conjunção QUE: o QUE pode ser conjunção coordenativa ou subordinativa. Conjunção


coordenativa Como conjunção coordenativa, a palavra QUE liga orações coordenadas, ou
seja, orações sintaticamente equivalentes.

11- Aditiva
Liga orações independentes, estabelecendo uma seqüência de fatos. Neste caso, o QUE
não tem valor bastante próximo de conjunção e.
Ex1: Anda que anda e nunca chega a lugar algum.
Ex2: Fica lá o tempo com aquele chove que chove...!

12-Explicativa
A oração coordenada explicativa aponta a razão de se ter feito a declaração contida em
outra oração coordenada. Quando introduz esse tipo de oração, o QUE tem valor próximo
ao da conjunção pois.
Ex1: Mantenhamo-no unidos, que a união faz a força.
Ex2: Deixe, que os outros pegam.

13-Adversativa
Indica oposição, ressalva, apresentando valor equivalente a mas.
Ex1: Outro, que não eu, teria de fazer aquilo.
Ex2: Outro aluno, que não eu, deveria falar-lhe, professor!

Conjunção subordinativa A conjunção QUE é subordinativa quando introduz orações


subordinadas substantivas e adverbiais. Essas orações são subordinadas porque
desempenham, respectivamente, funções substantivas e adverbiais em outras orações (
chamadas principais ).

14- Integrante
O QUE é conjunção subordinativa integrante quando introduz oração subordinada
substantiva.
Ex1: "E ao lerem os meus versos pensem que eu sou qualquer coisa natural."( Alberto
Caeiro)
Ex2: Parecia-me que as paredes tinham vulto.

15- Causal
Introduz as orações adverbiais causais, possuindo valor próximo a porque.
Ex1: Fugimos todos, que a maré não estava pra peixe.
Ex2: Não esperaria mais, que elas podiam voar.

16- Final
Introduz orações subordinadas adverbiais finais, equivalendo a para que, a fim de que.
Ex1: "...Dizei que eu saiba." ( João Cabral de Melo Neto)
Ex2: Todos lhe fizeram sinal que se calasse.

17- Consecutiva
Introduz as orações subordinadas adverbiais consecutivas.
Ex1: A minha sensação de prazer foi tal que venceu a de espanto.
Ex2: "Apertados no balanço
55
Marilene Silva
Margarida e Serafim
Se beijam com tanto ardor
Que acabam ficando assim." ( Millôr Fernandes)

18- Comparativa
Introduz orações subordinadas adverbiais comparativas.
Ex1: Eu sou maior que os vermes e todos os animais.
Ex2: As poltronas eram muito mais frágeis que o divã.

19- Concessiva
Introduz orações subordinada adverbial concessiva, equivalente a embora.
Ex1: Que nos tirem o direito ao voto, continuaremos lutando.
Ex2: Estude, menino, um pouco que seja!

20- Temporal
Introduz oração subordinada adverbial temporal, tendo valor aproximado ao de desde que.
Ex1: "Porém já cinco sóis eram passados que dali nos partíramos." ( Camões)

Ex2: Agora que a lâmpada acendeu, podemos ver tudo.

Exercícios

Classifique a função do QUE nas frases abaixo:

1. Acostumou-se de tal modo que não voltou mais. (........................................).


2. Não me venha com estas desculpas, que eu já as conheço. (.........................................).
3. Ela canta muito melhor do que você. (.........................................).
4. Nós necessitamos de que você fale com o chefe. (.......................................).
5. Aqui estão as revistas de que te falei. (............................................).

Gabarito: funções do QUE


1- conjunção consecutiva
2- conjunção explicativa
3- conjunção comparativa
4- conjunção integrante
5- pronome relativo

USO DOS PORQUÊS


POR QUE (em duas palavras)

Usa-se em quatro casos, mas são três os principais:

1- Por que = pelo qual (ou variações)


Neste caso sempre há um substantivo anteposto (claro ou subentendido):
Esse é o motivo por que o demiti. (por que = pelo qual)
Eis por que o demiti. (= Eis a razão, a causa pela qual o demiti.)
Não há por que reclamar. (= Não há motivo pelo qual reclamar.)

56
Marilene Silva
2 – Por que = por que motivo ou por que razão
Não sei por que você fez isso. (por que = por que motivo)
Por que você fez isso? (Por que = Por que razão?)
“Por que construí Brasília” : esse é o título do livro (Por que = Por que motivo)
Por que você deve estudar português: isso é o que lhe vou explicar agora. (Por que =
Por que razão?)
Por que os aviões caem. (= Por que motivo)

Nesse caso, pode vir em final de frase ou, então, antes de pausa forte.
Sendo assim, o quê é tônico; por isso recebe acento:

Você fez isso, por quê?


Ah, você fez e agora não sabe por quê?
Ela me fez isso por quê, se eu a amo tanto?

Grafa-se ainda por quê quando se omite o verbo usado na oração antecedente.
Ex.:
O povo escreve “pichar” com “x” e “xarope” com “ch”. Explicar por quê é difícil. (= Explicar
por que escreve assim é difícil)
Dizer que há milhões de menores abandonados é simples; revelar por quê é que são elas.
(= revelar por que há é que são elas)

Observe a sua tonicidade nesse caso.

3 – Por que = por qual


Você sabe por que estrada eles foram? (por que = por qual?)
Virgílio optou por que carreira? (por que = por qual?)
Eles substituíram minha filha por que pessoa? (por que = por qual?)

Esclarecimento
O quarto caso de emprego do por que em duas palavras é raro, mas merece menção. Usa-
se ainda por que (em duas palavras) quando a preposição por é uma exigência de um
nome relativo; o que, nesse caso, é uma conjunção integrante.
Ex.:
Ela demonstrou simpatia por que eu ficasse ali com ela (Quem demonstra simpatia,
demonstra simpatia por alguma coisa; portanto, simpatia é um nome relativo.)

Estou ansioso por que ela chegue logo. (Quem está ansioso, está ansioso por alguma
coisa; logo, ansioso é um nome relativo.)

A oração que tem início com por que é denominada complemento nominal, justamente
porque inteira o significado de um nome relativo.

PORQUE (em uma só palavra)

Usa-se nos demais casos não mencionados; pode ser conjunção ou palavra denotativa de
realce:

Venha, porque fazemos questão de sua presença! (conjunção)


Não apóio esse governo porque desconfio dele. (conjunção)
Quer saber por que fiz isso? Porque eu quis. (conjunção)
57
Marilene Silva
Pretender manobras eleiçoeiras iguais àquelas do Plano Cruzado é temeroso. Porque não
se iludam: o povo não se deixará enganar novamente. (palavra denotativa de realce)

- Não pude ir à aula ontem.


- Porque estavas doente? (conjunção)
- Não, porque recebi visitas. (conjunção)

“Quando todos pensam da mesma forma, é porque nenhum pensa grande coisa.”
(fazendo parte de locução denotativa de realce)

Observe que o porque (em uma só palavra) pode ser usado em oração interrogativa.

Observações:
1) A conjunção aparece, às vezes, substantivada ou como sinônima de motivo, razão;
nesse caso recebe acento. Ex.:
Aprendendo um porquê, podemos aprender todos os porquês.
Ninguém sabe o porquê de ele ter feito isso.
2) Repare que não se acentua o porque a que se faz referência (como na frase iniciada
com Observe, acima).

Exercícios

1. ( DASP) Assinale a única alternativa que apresenta erro no emprego dos "porquês":

a) Por que insistes no assunto? / b) O carpinteiro não fez o serviço porque faltou
madeira.

c) Não revelou porque não quis contribuir. / d) Ele tentou explicar o porquê da briga.

e) Ele recusou a indicação não sei por quê.

2. (ESAP) Considerando o uso apropriado do termo sublinhado, identifique em que


sentença do diálogo abaixo há um erro de grafia:

a) Por que você não entregou o trabalho ao professor?

b) Você quer mesmo saber o porquê?

c) Claro. A verdade é o princípio por que me oriento.

d) Pois, acredite, eu não sei porque fiz isso.

e) Você está mentindo. Por quê?

3. (UE- PONTA GROSSA- PR)

- .......... me julgas indiferente? - .......... tenho meu ponto de vista.

- E não o revelas ..........? - Nem sei o .......... .

Assinale a alternativa que preenche adequadamente as lacunas:

a) Por que, Porque, por que, por quê. / b) Por que, Porque, por quê, porquê
58
Marilene Silva
c) Porque, Por que, porque, por quê. / d) Por quê, Porque, por que, porquê

e) Porque, Porque, por quê, por quê

4. (FUVEST) Assinale a frase gramaticalmente correta:

a) Não sei por que discutimos. / b) Ele não veio por que estava doente.

c) Mas porque não veio ontem? / d) Não respondi porquê não sabia.

e) Eis o porque da minha viagem.

5. (TRT) .......... você brinca? .......... ? Ora, .......... me agrada. A experiência .......... passei,
foi desagradável. Depois você saberá o .......... .

a) porque - porquê - porque - porque - por que

b) por que - porquê - porque - porque - porque

c) por que - porquê - porque - porque - por quê

d) porque - porque - por quê - porque - por que

e) por que - por quê - porque - por que - porquê

Gabarito: uso dos porquês 1C / 2D / 3B / 4A / 5E

ANÁLISE SINTÁTICA

Classificação do Sujeito:
TIPO CONCEITO E OCORRÊNCIAS EXEMPLOS
Aquele que tem um só núcleo. “que eu não colori”

Simples
Composto Aquele que tem dois ou mais “Atanásio e Isidoro
núcleos. cochichavam.”
Desinencial Aquele que é determinado pela “Sempre somos capazes
terminação do verbo. de dar algo mais.”
Indeterminado Aquele que, embora existindo, não 1. Quebraram a vidraça
se pode determinar. Ocorre em da escola.
dois casos: 2. Come-se bem neste
1. com o verbo na 3ª pessoa do restaurante.
plural; 3. Precisa-se de pedreiro.
2. com verbo intransitivo ou
transitivo indireto seguido do
pronome “se”.
Inexistente Ocorre quando o fato enunciado no “Chove lá fora e aqui...”
predicado não se refere a
elemento algum. Essas orações se “Não há ressentimento”
59
Marilene Silva
constroem com verbos impessoais,
isto é, usados sempre na 3ª Há mais de um mês...
pessoa do singular. Os casos são
os seguintes: Faz dois meses.../ Está
1. verbos que exprimem noite.
fenômenos da natureza;
2. verbo haver quando: Fez 28º ontem. / Está
- significar existir muito frio.
- indicar tempo decorrido
3. verbos fazer e estar indicando: É noite.
- tempo
- temperatura Eram três horas da
4. verbo ser indicando: manhã.
- período do dia
- horas Hoje é (são) 25 de
- datas dezembro.

Obs.: Sujeito Oracional: é quando o sujeito de uma oração é toda uma outra oração.
Ex.: É bom / que todos compareçam.

EXERCÍCIOS DE MÚLTIPLA ESCOLHA

Assinale, em cada questão, a opção em que o sujeito está mal classificado.


1. (a) Passeávamos pela cidade eu e minha família. (sujeito composto)
(b) Pode haver alguns reprovados este ano. (sujeito simples)
(c) É importante manter a atenção. (sujeito oracional)
(d) Saiu correndo o táxi. (sujeito simples)
(e) Necessita-se de alguns atletas. (sujeito indeterminado)

2. (a) Chamaram-no à sala do diretor. (sujeito indeterminado)


(b) Vendem-se automóveis. (sujeito indeterminado)
(c) Tocavam os sinos da catedral. (sujeito indeterminado ou simples)
(d) Consertam-se sapatos e bolsas. (sujeito composto)
(e) Devagar se vai ao longe. (sujeito indeterminado)

Assinale o que não é:


1. Sujeito Simples
(a) Ocorreu um crime.
(b) Chegou o dia.
(c) Houve um desastre.
(d) Deixei-o fugir.
(e) Fizeram-se os trabalhos.

2. Sujeito Composto
(a) Fomos ao cinema ela e eu.
(b) Saiu rapidamente a menina e a irmã.
(c) Precisaram-se a hora e o lugar.
(d) Na sala há rapazes e meninas.
(e) Existem rapazes e meninas neste colégio.

3. Oração sem sujeito:


(a) Naquela manhã, fazia um grande frio.
60
Marilene Silva
(b) Durante a guerra houve acordos e traições.
(c) Fazem anos amanhã as gêmeas de São Paulo.
(d) Chovia e trovejava com bastante intensidade.
(e) Não pode haver mais dúvidas.

4. O sujeito é simples e determinado em:


(a) Há somente um candidato ao novo cargo, doutor?
(b) Vive-se bem ao ar livre.
(c) Que calor, filho!
(d) Viam-se eleitores indecisos durante a pesquisa.
(e) Na reunião de alunos, só havia pais.

5. Assinale a oração sem sujeito.


(a) Convidaram-me para a festa.
(b) Diz-se muita coisa errada.
(c) O dia está quente.
(d) Alguém se enganou.
(e) Vai fazer bom tempo amanhã.

6. Em todas as questões o termo em destaque exerce a função de sujeito, exceto em:

(a) Quem sabe de que será capaz aquela mulher?


(b) Raramente se entrevê o céu nesse aglomerado de edifícios.
(c) Amanheceu um dia lindo, e por isso todos correram à piscina.
(d) Era somente uma velha, jogada num numa cama velha.
(e) É preciso que haja muita compreensão para com os amigos.

7. Assinale a alternativa em que o sujeito é indeterminado.


(a) Compraram-se jornais velhos
(b) Confia-se em suas palavras.
(c) Chama-se José o sacerdote.
(d) Choveu muito.
(e) É noite.

Gabarito: análise sintática- sujeito 1- B / 2- B(simples: automóveis) / 1-C /2-D /3- C


/ 4- A / 5- C / 6- E / 7- B

Estudo do Predicado
Para se classificar o predicado, deve-se conhecer predicação verbal.

CONCEITO
PREDICAÇÃO
Não tem significação própria, apenas liga o sujeito ao
seu predicativo.
Verbo de Ligação Ex.: O livro é este.
Intransitivo Tem significação completa, isto é, não precisa de
complemento.
Ex.: O avião aterrissou.
61
Marilene Silva
Transitivo Possui significação incompleta, isto é, necessita de
complemento. Pode ser:
Direto: é o verbo que traz seu complemento ligado
sem preposição obrigatória.
Ex.: Comprei várias roupas.
Indireto: é o verbo a cujo complemento vem ligado por
meio de preposição.
Ex.: Precisamos de você.
Direto e indireto: é aquele que necessita de dois
complementos: um sem preposição; outro com
preposição.
Ex.: Enviaram o dinheiro para os funcionários.
Observação: um mesmo verbo poder ter várias predicações a depender do contexto em
que está inserido.

Ele estava na biblioteca. Ele estava contente.


VI VL

Classificação do predicado
1. Nominal
- tem um nome (substantivo ou adjetivo) como núcleo;
- é formado por um verbo de ligação mais o predicativo do sujeito;
- indica estado ou qualidade.

Ex.: As crianças parecem felizes.


parecem felizes = predicativo nominal
parecem = v.l.
felizes = predicativo do sujeito

2. Verbal
- tem um verbo como núcleo;
- não tem predicativo;
- o verbo indica ação ou fenômeno.

Ex.: “As rosas não falam.”

predicado verbal

3. Verbo Nominal
- tem dois núcleos: um verbo e um nome;
- tem predicativo do sujeito ou do objeto;
- indica ação ou qualidade.

Ex.: As crianças dormiam tranqüilas.

predicativo do sujeito

Considero você culpado. (predicado verbo nominal)


você = objeto direto
culpado = predicativo do objeto

62
Marilene Silva
Exercícios

1- Em cada questão, assinale o item em que o predicado está mal classificado:


(PN) NOMINAL (PV) VERBAL (PVN) VERBO-NOMINAL

1. (a) Este livro parece um tijolo. (PN)


(b) A Terra gira no espaço. (PV)
(c) A Terra gira azul no espaço. (PVN)
(d) As crianças vieram arrumadas ao aniversário. (PV)
(e) A humanidade não pode permanecer cega. (PN)

2. (a) Este filme pode ser visto por qualquer um. (PN)
(b) O professor deve andar muito exausto. (PN)
(c) Os cronistas o consideram um mau jogador. (PVN)
(d) Ele é considerado um mau jogador pela crítica. (PVN)
(e) Eles não podiam mais continuar revoltados. (PN)

3. (a) Bastante tenso entrou o delegado na sala escura. (PV)


(b) O delegado entrou na sala escura. (PV)
(c) Meus pais encontram-se no Sul. (PV)
(d) Meus pais encontram-se bastante alegres. (PN)
(e) Meus pais encontram-se alegres no Sul. (PVN)

Gabarito: predicação verbal 1D / 2A / 3A /

Termos integrantes de oração:

Complementos verbais; complemento nominal; agente da passiva; objeto direto


preposicionado; objeto direto e objeto indireto pleonásticos; objeto direto interno ou
intrínseco; objeto indireto por extensão.

Complementos verbais:
São elementos substantivos que complementam o sentido de um verbo. Existem dois
tipos:

a) o objeto direto – é o complemento que se liga diretamente ao verbo, ou seja, sem


auxílio de preposição. Ex.:
Os velhos usam bengala.
Luisinho quebrou dois pratos.
Comprei todos os melões do supermercado.

O objeto direto é, enfim, o complemento do verbo transitivo direto.

b) o objeto indireto – é o complemento que se liga indiretamente ao verbo, isto é, por meio
de preposição. Ex.:
Edite desconfia de tudo.
Acredito em Deus.
O inimigo resistiu ao ataque.

O objeto indireto é, enfim, o complemento do verbo transitivo indireto.

63
Marilene Silva
Esclarecimentos:

1) Alguns verbos admitem dois objetos indiretos. Ex.:


A mulher se queixou do patrão / à polícia.
Émerson desculpou-se do ocorrido / à namorada.

2) O pronome oblíquo o (e variações) só exerce a função de objeto direto; o pronome lhe


(e variação) só exerce a função de objeto indireto. Os demais pronomes ora exercem a
função de objeto direto, ora a de objeto indireto, conforme a transitividade verbal.
Exemplos:
Ninguém me viu. (me = OD; viu = VTD)
Ninguém me obedece. (me = OI; obedece = VT)

3) Verbos transitivos diretos e indiretos, em virtude de trazerem dois complementos


distintos, podem estar na voz passiva, com objeto indireto. Ex.:
“A independência nunca é dada a um povo. Ela deve ser conquistada e, uma vez
conquistada, tem que ser defendida.”

Não se deve confundir esse complemento indireto com o complemento nominal, que
estudaremos a seguir.

Objeto direto preposicionado:


É o objeto direto antecedido de preposição, geralmente a, raramente de.
Esse tipo de complemento pode aparecer:
1) quando o objeto direto é representado por nome de pessoa. Ex.:
Venderam a Cristo por algum dinheiro.
Não roube a Pedro para dar a Paulo.

2) quando o objeto direto é representado por nome que indica alguma atividade. Ex.:
Quem rouba ladrão tem cem anos de perdão.

3) quando o objeto direto é pronome oblíquo tônico. Ex.:


Não entendo nem a ele nem a ti.
Essa medida prejudicou a nós, trabalhadores.

4) quando o objeto direto, por ênfase, aparece no rosto da oração. Ex.:


A ela você pode até não conhecer, mas a mim você conhece!

5) quando é preciso coordenar pronome oblíquo e substantivo. Ex.:


Conheço-o, sim, e aos seus amigos.
Visitamo-lo e a seus parentes.

6) com o nome Deus. Ex.:


Amar a Deus sobre todas as coisas.
Não vemos a Deus, mas Ele está em toda a parte.

7) com os pronomes de tratamento. Ex.:


Não se respeitaram a V. Exª. nem àquela senhora.

Objeto direto e objeto indireto pleonásticos:


São os objetos repetidos no meio da frase, usados por motivo de ênfase. Ex.:
“A vida leva-a o vento.” (ODPl)
“De que lhe vale ao homem conquistar o mundo, se perde a alma? (OIPl)
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Marilene Silva
A mim não me agrada esse cantor. (OIPl)
Dívidas, convém saldá-las. (ODPl)

O objeto pleonástico será sempre aquele que relembrar o outro. Isso quando ocorrem dois
pronomes; no caso de concorrer um pronome apenas, será sempre ele o objeto
pleonástico.

Objeto direto interno ou intrínseco:


É o objeto direto cujo núcleo possui radical idêntico ao do verbo da oração. Ex.:
Manuel sempre viveu vida de rei.
A anfitrioa vestia elegante vestido.

Complemento nominal:
É o complemento de um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio). Ex.:
Juçara tem certeza da vitória.

Da vitória completa o sentido de certeza, um substantivo (portanto, um nome), pois


quem certeza, tem certeza de alguma coisa. Diz-se, então, que certeza é um nome de
valor relativo.

Outros exemplos:
A sala está cheia de gente. (cheia = adjetivo de valor relativo)
Tenho saudades de Teresa. (saudades = substantivo de valor relativo)
Sua casa é longe da escola. (longe = advérbio de valor relativo)
A lembrança da namorada fê-lo chorar. (lembrança = subst. de valor relativo)

IMPORTANTE
Diferença entre objeto indireto e complemento nominal

O objeto indireto completa o sentido de verbo; o complemento nominal prende-se a um


nome (substantivo, adjetivo ou advérbio), ainda que ambos os termos venham
precedidos de preposição. Ex.:
Creio em Deus. (OI)
A crença em Deus é necessária. (CN)
Gosto de leituras. (OI)
O gosto às boas leituras tornou-se sábio. (CN)
Lembrou-se dela e chorou. (OI)
A lembrança dela fê-lo chorar. (CN)

Agente da passiva:
É o complemento de um verbo na voz passiva. Ex.:
O edifício foi destruído pelo fogo.

Termos acessórios da oração

Adjunto Adnominal
É o termo de valor nominal não exigido por nenhum outro da oração. Gravita em torno do
núcleo de uma função sintática (sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento
nominal, etc.). É representado na oração por adjetivos, locuções adjetivas, pronomes

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Marilene Silva
adjetivos, numerais e artigos. No período, a oração adjetiva também exerce essa função.
Exemplos de adjuntos adnominais:
“O mundo é filho da desobediência. Se Adão tivesse cumprido as ordens do Senhor, a
humanidade ficaria limitadas às personagens do Paraíso.”

IMPORTANTE

Diferença entre complemento nominal e adjunto adnominal


Sutil, muitas vezes, é a diferença entre um complemento nominal e um adjunto adnominal.
Se o termo regido de preposição estiver preso a adjetivo ou a advérbio, será sempre
complemento nominal. Ex.:
Ter certeza da vitória (certeza = substantivo abstrato)
A existência de Deus (existência = substantivo abstrato)
A crença na eternidade (crença = substantivo abstrato)

Aposto
É o termo que esclarece, explica, desenvolve ou resume outro. Ex.:

Aposto Explicativo: traz uma informação que não é fundamental ao texto>


ex.: O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, foi à São Paulo.
Aposto especificativo: traz uma informação que diferencia, restringe os fatos do texto. ex.:
O aluno Antônio saiu agora.
Aposto resumitivo ou recapitulativo: retoma uma idéia ou palavras do texto.
ex.: Cinema ,teatro, televisão, tudo me agrada.

Adjunto Adverbial
É o termo de valor adverbial que gravita quase sempre em torno de um verbo.

Tipos de adjunto adverbial:


Existem muitos tipos de adjunto adverbial, dentre os quais destacaremos estes:
1) de acréscimo ou adição. Ex.: Além dele, vim eu; com você, somos três.
2) de assunto. Ex.: falar sobre futebol; especializar-se em dermatologia.
3) de causa. Ex.: morrer de fome; espernear de raiva; as folhas caem com o vento, os
ramos vergam ao vento; discutir por ninharia.
4) de companhia. Ex.: vir com os pais; ficar com os avós.
5) de concessão. Ex.: em que pese ao mau tempo, viajaram; apesar da gripe, saiu; não
obstante sua má vontade, vencemos.
6) de condição. Ex.: sem recibo, não pago; sem você na festa, nada terá sentido; publicar
o livro mediante contrato.
7) de conformidade. Ex.: dançar conforme a música; segundo Freud, isso é grave.
8) de dúvida. Ex.: talvez chova; com certeza ela tenha ficado doente; ela tem entre 1,70 e
1,75m.
9) de efeito. Ex.: isso lhe redundou em prejuízos; nossos bens reverterão em benefício
dos filhos.
10) de intensidade. Ex.: falar pouco; trabalhar bastante; ficar meio envergonhada; curva tão
perigosa.
11) de limitação ou referência. Ex.: em esperteza, você não perde de ninguém; ninguém a
iguala em formosura; ser paulistas de nascimento, mas baiano de coração.
12) de lugar. Ex.: ir atrás; voltar na frente; postar-se ante o júri; tudo nos vem de Deus;
entrar direto no assunto (= adj. adv. virtual ou figurado).
13) de matéria. Ex.: vinho se faz com uva; este prato é feito de porcelana.

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Marilene Silva
14) de medida ou de peso. Ex.: o poço mede cinco metros de diâmetro; a Petrobrás
aprofundou o poço vinte metros (= até vinte metros); construir um edifício de dez metros
(= cerca de dez metros) mais alto que o vizinho; a mala pesa dez quilos.
15) de meio. Ex.: chegar de avião; mandar o recado por um boi.
16) de modo. Ex.: estar à toa na via; não se vive sem oxigênio; ir depressa; voltar devagar.
17) de substituição. Ex.: comparecer à solenidade por alguém; assinar o recibo pelo chefe;
jurar por Deus (= em nome de Deus).
18) de tempo. Ex.: raramente ele vem aqui; de pequenino é que se torce o pepino; viverei
muitos anos (= por muitos anos); nos momentos difíceis é que se conhece o verdadeiro
amigo (adj. adv. virtual ou figurado).
19) de escolha. Ex.: entre os vários tipos de música, prefiro a bossa nova.
20) de favor. Ex.: lutar pela liberdade; falar pelo réu (= em favor do réu).
21) se finalidade. Ex.: sair a passeio; estudar para engenheiro; amigos são para as
ocasiões difíceis; pedi-a em casamento.
22) de quantidade. Ex.: dizer três vezes (= por três vezes) a mesma coisa; o Palmeiras
venceu o Juventus de 3 a 0.

Vocativo
É o termo que na oração serve para pôr em evidência o ser a quem nos dirigimos, sem
manter relação sintática com outro. Ex.:
Amigos, peçam alegria a Deus.
Amai, rapazes!
Classificação de período composto

ORAÇÕES COORDENADAS E SUBORDINADAS

Coordenação: orações coordenadas assindéticas; orações coordenadas sindéticas.

Coordenação
É o relacionamento de termos de mesma função sintática dentro da oração, ou de
orações de funções equivalentes dentro de um período. A coordenação é conhecida
também, impropriamente, pelo nome de parataxe.
Na coordenação há nexo semântico, mas não nexo sintático entre as orações, porque
no plano sintático não há dependência entre uma e outra.
Quando o período traz duas ou mais orações de funções equivalentes, ou seja,
coordenadas, ele se diz composto por coordenação.
As orações coordenadas podem ser assindéticas e sindéticas.

Orações coordenadas assindéticas:


São aquelas cujo conetivo não vem expresso; em seu lugar aparece vírgula, ponto-e-
vírgula ou dois-pontos. Exemplos:
Cheguei, vi e venci.
“O tempo não pára no porto, não apita na curva, não espera ninguém.”
O amor é sempre criança: nunca tem preocupações.

Como se observa, não importa a posição da oração coordenada no período: ela pode estar
no início, no meio ou no final.

Orações Coordenadas Sindéticas:


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Marilene Silva
São aquelas em que há conetivo expresso. Existem cinco tipos:

1. Aditivas – iniciadas principalmente por e ou nem, exprimem adição, soma de


pensamentos.
“Os doidos inventam a moda, e o povo os segue.”

2. Adversativas – iniciadas principalmente por mas, porém, todavia, exprimem


contraste, ressalva de pensamentos.
“Não ter feito nada é uma estupenda vantagem; mas não se deve abusar.”
“A mulher culpada ainda pode amar a virtude, porém não pregá-la.”
“O conhecimento científico pôs a fé em xeque, todavia não tem respostas para
questões fundamentais.”

Observação:
O e pode ter valor adversativo, iniciando, assim, orações adversativas. Ex.:
Juçara fuma, e não traga.
“Toda mulher vale um beijo; algumas valem dois; e nenhuma vale três.” (Humberto de
Campos)
“A Felicidade é uma ilusão de distância. As estrelas estão no vazio, e nós vemo-las no
céu.” (Coelho Neto)

3. Alternativas – iniciadas principalmente por ou, ou...ou, ora...ora, exprimem escolha,


alternância, exclusão.
“Uma poesia deve ser excelente ou não existir por nada.”
“As mulheres em tudo vão ao extremo: ou são melhores, ou são piores do que os
homens.”
Na floresta, ao anoitecer, ora se ouvem pipilos estranhos, ora se vêem aves
misteriosas.”
4. Conclusivas – iniciadas principalmente por logo, portanto, exprimem conclusão.
“A formosura da carne costuma ser um véu para cegar nossos olhos, um laço para
prender os pés, um visgo para impedir as asas; logo não é verdadeira.”
“O zero, como desenho, é a perfeição; como número nada vale; portanto é o vazio
absoluto na perfeição.”
“Cada qual, livremente, faz o seu próprio preço, alta ou baixo, e ninguém vale senão o
que se faz valer; taxa-te, pois, livre ou escravo: isto depende de ti.”
O lago está na minha fazenda: por conseguinte me pertence.

5. Explicativas – iniciadas principalmente por que, porque, pois, exprimem motivo,


razão
“Não faças mal ao teu vizinho, que o tem vem pelo caminho.”
“Amemos, porque amar é um santo escudo.”
“Aquela que diz uma mentira não calcula a pesada carga que põe em cima de si, pois
terá de inventar uma infinidade delas para sustentar a primeira.”
Voltarei logo, que não posso demorar-me.
Choveu aqui, que as ruas estão todas molhadas.
O rapaz desapareceu, porque não o tenho visto por aqui.
Subordinação ou hipotaxe (1): orações adjetivas;
orações adverbiais; orações substantivas.
Subordinação ou Hipotaxe
É o relacionamento de termos dependentes e também de orações dependentes dentro
de um período.
68
Marilene Silva
Na subordinação sempre há um termo subordinante (também chamado regente ou
principal) e um termo subordinado (também chamado regido ou dependente).
Como exemplo de relacionamento de termos, podemos citar a subordinação:
1) do adjetivo ao substantivo: aluno estudioso;
2) do verbo ao sujeito: o aluno estuda;
3) dos complementos e adjuntos do verbo: estudar português, gostar do filme,
chegar à escola, etc.

Dentro de um período, na subordinação uma oração depende de outra. assim, também


há uma oração regente, chamada principal, e uma regida, de nome subordinada.
Quando o período traz duas ou mais orações de funções distintas, ou seja, uma
principal, outra subordinada, ele se diz composto por subordinação. Ex.: Espero que vocês
sejam felizes.
Observe que a oração iniciada pelo conetivo depende da outra: espero é verbo de
sentido incompleto. Assim, espero é a oração principal; que vocês sejam felizes é a oração
subordinada.
O período composto por subordinação é iniciado ou por conjunção subordinativa, ou por
pronome relativo. Assim, existem as orações.
a) substantivas (iniciadas por conjunção integrante);
b) adjetivas (iniciadas por pronome relativo);
c) adverbiais (iniciadas por qualquer tipo de conjunção subordinativa, exceto a
integrante).

O período que contém orações coordenadas e subordinadas chama-se período misto.


Ex.:
Susana telefonou-me e disse que iria ao cinema.
Susana telefonou-me = oração coordenada assindética;
e disse = oração coordenada sindética aditiva (e principal, em relação à posterior)
que iria ao cinema = oração subordinada substantiva objetiva direta.

Orações Subordinadas Adjetivas


São as que equivalem a um adjetivo. Ex.:
O jornal, que ainda ninguém leu, está ali.
Os jornal que você trouxe, é velho.

Ambas as orações modificam um termo de natureza substantiva (o jornal); trata-se,


portanto, de orações adjetivas, cuja função é de adjunto adnominal do termo que elas
modificam. Sempre são iniciadas por pronome relativo.
Há dois tipos de orações adjetivas:

1. Explicativas – modificam um termo de sentido amplo e genérico, enfatizando a sua


maior característica, ou uma de suas características.
Brasília, que é a Capital do Brasil, foi fundada em 1960.
O jornal, que ainda ninguém leu, está aqui.

Vêm sempre entre vírgulas, que marcam a necessária pausa respiratória entre o termo
modificado e o resto da oração principal.

2. Restritivas – apenas restringem o sentido do termo que elas modificam.


O jornal que você trouxe é velho.

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Marilene Silva
Não se trata de um jornal qualquer; portanto não é um termo tomado em seu sentido
amplo; trata-se apenas do jornal que você trouxe.

Em síntese: as orações adjetivas restritivas são indispensáveis ao sentido da frase, ao


contrário das orações adjetivas explicativas, cuja omissão não acarreta nenhum
prejuízo lógico ao enunciado, mas pode acarretar grave prejuízo estilístico.

Orações Subordinadas Adverbiais


São as que funcionam como adjunto adverbial da oração principal, sendo introduzidas por
conjunção subordinativa (exceto a integrante, que inicia oração substantiva). Existem nove
tipos:

1. Causais – iniciadas principalmente por porque, já que e visto que, exprimem a causa
do que se declara na oração principal.
Filipe julga que vale muito porque é rico.
Já que você quer pagar-me, aceito.
Como hoje é Natal, oremos!
2. Comparativas – iniciadas principalmente por que, do que e como, representam o
segundo termo de uma comparação.
“No elogio há sempre menos sinceridade que na censura.”
“Nada destrói mais completamente as superstições do que uma instrução sólida.”

Observação:
Nas orações comparativas, o verbo se encontra geralmente subentendido. Para

efeito de análises, não é preciso considerar, as ligadas por como se,

primeiramente a comparativa, depois a condicional. Moderadamente, toma-se a

expressão toda como comparativa. Por isso, esta análise é desnecessária e

obsoleta:

Trata o amigo cautelosamente como (tratarias) / se um dia tivesse de ser teu inimigo.

3. Concessivas – iniciadas principalmente por embora, se bem que e ainda que,


exprimem um fato contrário ao da oração principal, mas não suficiente para anulá-lo.
Não ficamos satisfeitos com o resultado do concurso, embora o tivéssemos vencido.
A notícia dada pelos jornais, se bem que mentirosa, causou impacto junto à opinião
pública.

4. Condicionais – iniciadas principalmente por se, caso, contanto que e desde que,
exprimem uma condição ou hipótese necessária para que se realize o fato expresso na
oração principal.
“Todas as virtudes estão encerradas na justiça; se és justo, és homem de bem.”

5. Conformativas – iniciadas principalmente por conforme, como, segundo e


consoante, expressam a conformidade de um pensamento com o outro, existente na
oração principal.
“Cada um colhe conforme semeia.”
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Marilene Silva
Como vocês todos sabem, o Brasil é o maior produtor mundial de mamona.

6. Consecutivas – iniciadas principalmente por que (depois de tão, tanto, tamanho, tal,
etc.), traduzem a conseqüência ou o resultado do que se afirma na oração principal.
Estou tão exausto, que mal posso ter-me em pé.
“A liberdade é um bem tão apreciado, que cada um quer ser dono até da alheia.”

7. Temporais – iniciadas principalmente por quando, enquanto e logo que, exprimem o


tempo em que ocorre o fato expresso na oração principal.
“Quando a gente conhece alguém, conhece-lhe o rosto, e não o coração.”
“A gente vive somente enquanto ama.”

8. Finais – iniciadas principalmente por para que e a fim de que, exprimem a finalidade
daquilo que se afirma na oração principal.
“Se alguém disser mal de ti, não o digas tu dele, para que a ele não te assemelhes.”
Levantei-me, a fim de que ela pudesse sentar-se.
Fiz-lhe um sinal que calasse.
9. Proporcionais – iniciadas principalmente por à medida que e à proporção que,
exprimem um fato simultâneo ao da oração principal.
“À medida que a civilização progride, a poesia decai quase necessariamente.”
“As solteironas, à proporção que envelhecem, tornam-se más, intrigantes,
maledicentes.”

Orações Substantivas
Normalmente, as orações subordinadas substantivas desenvolvidas são introduzidas pelas
conjunções integrantes que (nas afirmações certas) e se (nas afirmações incertas), mas
elas podem também ser iniciadas por pronomes e advérbios interrogativos, nas
interrogativas indiretas. Ex.:
Perguntei quem havia chegado.
Quero saber qual de vocês me caluniou.
Perguntei-lhe onde estava.
Não sei quando o pessoal chegou.

Orações Subordinadas Substantivas


são as que exercem função substantiva, ou seja, funcionam como sujeito, objeto direto,
objeto indireto, complemento nominal, predicativo e aposto. Por isso, são de seis tipos:

1. Subjetivas – funcionam como sujeito.


É importante que você aprenda português.
O que é importante? Que você aprenda português (suj.).
“É possível que os homens valham mais; é certo que as mulheres valem melhor.”
“Amigo que não presta e faca que não corta, que se perca, pouco importa.”
Diz-se que Homero era cego.
Parece que a inflação voltou com toda a força.
Está decidido que a dívida externa brasileira não será paga.

2. Objetivas Diretas – funcionam como objeto direto.


Espero que você aprenda português.
Quem espera, espera alguma coisa. Que você aprenda português. (obj. dir.)
Hortênsia julga quem tem o rei na barriga.
“Não sei se a alma existe, mas se ela existe, só pode ser eterna.”

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Marilene Silva
“Mão fria, coração quente. Também se diz assim em francês, também em russo,
também em árabe. Isso demonstra que a imbecilidade é universal.”

3. Objetivas Indiretas – funcionam como objeto indireto.


Aconselho-o a que aprenda português.
Quem aconselha, aconselha alguém a alguma coisa. A que aprenda português. (obj.
ind.)

4. Completivas Nominais – funcionam como complemento nominal


Tenho certeza de que você está aprendendo português.
Quem tem certeza tem de alguma coisa. De que você está
aprendendo português (compl. Nominal).
5. Predicativas – funcionam como predicativo
Minha vontade é que você aprenda português.
É, verbo de ligação, tem como complemento que você aprenda português.
(predicativo).

6. Apositivas - funcionam como aposto


Quero somente isto: que você aprenda português.
Que você aprenda português (aposto de isto).

Bêbado, Luiz apenas dizer isto: que estava morto!


“Só uma coisa sabemos: que não sabemos nada.”

IMPORTANTE

Diferença entre a oração causal e a oração explicativa


A grande diferença entre as orações causais e as orações explicativas está em que
aquelas indicam a causa de um efeito exposto na oração principal; estas não exprimem tal
relação, qual seja, a de causa e efeito. Ex.:
Todo homem morre porque Deus quer.
Todo homem morre, porque ninguém é imortal.

Orações Reduzidas
São as que têm o verbo numa das formas nominais (gerúndio, particípio ou infinitivo). Por
isso existem as:

1) orações reduzidas de gerúndio – serão quase sempre adverbiais; raramente


adjetivas, nunca substantivas. Ex.:
Temendo a reação do pai, não contou a verdade. (adv. causal)
Sendo ateus, rezaram. (adv. concessiva)
Nesta generosa terra, em se plantando, tudo dá. (adv. condicional)
Dizendo isto, saiu. (adv. temporal)
Encontrei um homem cavando a terra. (adjetiva)
Pagou ao dentista, ficando quite com ele. (coordenada aditiva)

2) orações reduzidas de particípio – serão sempre adverbiais ou adjetivas, nunca


substantivas. Ex.:
Preocupado com a chuva, o homem se esqueceu do pacote. (adv. causal)
Tomada a Inglaterra, estaria ganha a guerra. (adv. condicional ou temporal)

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Marilene Silva
Cansadas da correria da vida na cidade, inúmeras pessoas têm buscado o campo
como opção de lazer nos finais de semana. (adv. causal)
Chipre, tornada independente em 1960, pertencia à Inglaterra. (adjetiva)
A primeira impressão que se tem de uma pessoa é, sem dúvida nenhuma, a

causada pelo impacto visual. (adjetiva)

3) orações reduzidas de infinitivo – serão sempre adverbiais e substantivas;


raramente adjetivas. Ex.:
Quem gosta de mim sou eu mesmo: caranguejo, por ser camarada, ficou sem pescoço.
(adv. causal)
A prevalecer essa política, estaremos arruinados. (adv. condicional)
Elisabete é bastante inteligente para acreditar nisso. (adv. consecutiva)
Nada me deram de comer. (adv. final)
Não é preciso provocar uma revolução dentro de casa para ganhar um novo ambiente:
os revestimentos estão aí para facilitar sua vida. (subst. subjetiva; adj. final)
Ao sair, feche a porta. (adv. temporal)
Serás Flamengo até morreres? (adv. modal)
Ficou alguns minutos a pensar na vida. (adv. modal)
É preciso trabalhar muito. (subst. subjetiva)
Deixe-me pensar. (subst. objetiva direta)
A melhor política é ser honesto. (subst. predicativa)
Observações:
1) Orações reduzidas de infinitivo iniciadas pela preposição de podem classificar-se
ora como adjetivas, ora como consecutivas. Ex.:
Virgílio não era homem de trair a mulher.
Fazia um calor de matar.

Orações Reduzidas
Substantiva Adjetiva Adverbial
Forma Nominal
Infinitivo Todas Sim Causal, consecutiva,
condicional, final,
concessiva, temporal.
Gerúndio Não há Sim Causal, condicional,
concessiva, temporal.
Particípio Não há Sim Causal, condicional,
concessiva, temporal.

Exercícios

1- Coloque: (1) para Objeto Indireto e (2) para Complemento Nominal.

1. ( ) Dedicou-me todo o seu carinho.


2. ( ) Sempre teve dedicação a mim.
3. ( ) Não confiava no aluno.
4. ( ) Era um filme impróprio para menores.
5. ( ) Nero foi o responsável pela destruição de Roma.
6. ( ) Doaram-lhes muitos agasalhos e remédios.
7. ( ) Isto não lhe é nada favorável.
8. ( ) Foi bom o jogo a que assistimos.
9. ( ) Amanhã é a prova de que tenho receio.
73
Marilene Silva
10. ( ) Não tinha confiança no aluno.
11. ( ) Eu tenho medo de que ele não volte mais.
12. ( ) O sucesso depende de que ele não falte amanhã.
13. ( ) Ele me tem aversão.
14. ( ) Todos se referem à prova.
15. ( ) Maria lhe ofereceu ajuda.

2- Coloque: (1) Predicativo do Sujeito; (2) Predicativo do Objeto; (3) Adjunto


Adnominal; (4) Adjunto Adverbial; (5) Aposto; (6)Vocativo.

1. ( ) Intranqüilos estão vivendo todos naquele bairro.


2. ( ) Todos os presentes saíram rápido.
3. ( ) O aluno se encontra muito agitado.
4. ( ) A crítica o considera um craque.
5. ( ) Ele é considerado um craque pela crítica.
6.
Gabarito: períodos compostos 1. : 1 (1) 2 ( 2) 3 (1) 4 ( 2) 5 (2) 6(
1) 7 ( 2) 8 ( 1) 9 (2) 10 (2) 11 (2) 12 (1) 13 ( 2) 14 (1) 15 (1)
2. : 1 (1) 2 (4) 3( 1) 4 ( 2) 5 ( 1)

Pontuação

I) Usa-se a vírgula, para:

1. separar termos de mesma função sintática:


Pedro, João, Joaquim e Rosa estiveram aqui hoje pela manhã.

2. isolar o vocativo:
O fogo, meus amigos, destruiu toda a plantação.

3. isolar o aposto:
Paulo, meu primo, casou há dois meses.

4. separar o adjunto adverbial deslocado:


Ele vai, pouco a pouco, assumindo mais responsabilidades na empresa.

5. isolar o predicativo deslocado:


Satisfeita da vida, festejou seus noventa anos.

6. isolar conjunções conclusivas:


Isso, entretanto, não foi suficiente para agradar ao público.

7. separar o nome da localidade nas datas:


Salvador, 08 de agosto de 2001.

8. marcar elipse de termos em geral:


Às vezes, sente-se feliz; outras, entristecida.

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Marilene Silva
9. isolar expressões explicativas, conclusivas ou corretivas:
Ontem teve início a maior festa da cidade, isto é, a festa da padroeira.

10. separar orações coordenadas assindéticas e sindéticas:


Saltou, tropeçou, porém, não caiu.

11. separar orações intercaladas:


Antigamente, conta meu avô, as pessoas tinham mais tempo para viver.

12. separar orações adjetivas explicativas:


O rapaz, que é tio da menina de tranças, esperou você a tarde inteira.

13. separar orações adverbiais da principal:


“Quando acabou de corrigir as provas, ainda chovia.”

Erro grave é separar:

1. o sujeito do verbo;
2. o verbo do complemento;
3. o núcleo do adjunto adnominal;
4. o nome do complemento nominal;
5. o verbo de ligação do predicativo do sujeito;
6. a oração principal da substantiva.
II) Usa-se o ponto e vírgula para separar:

1. orações coordenadas extensas ou que já apresentem elementos separados por


vírgula;
2. enumerações;
3. os diversos itens de um decreto, portaria, lei, regulamento.

III) Usam-se os dois pontos:

1. antes de uma citação, de uma enumeração ou de uma explicação;


2. para anunciar a fala de uma personagem.

IV) Emprega-se o travessão para:

1. separar termos ou expressões intercaladas;


2. indicar, nos diálogos, a mudança de interlocutor;
3. substituir a vírgula, os dois pontos e os parênteses.

V) Usam-se os parênteses para:

1. isolar termos ou expressões intercaladas, geralmente explicações acessórias;


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Marilene Silva
2. substituir vírgulas.

VI) Usam-se as aspas:

1. nas citações ou transcrições;


2. para indicar que um vocábulo é tido como gíria, estrangeirismo, ou quando se
quer chamar atenção.

VII) As reticências são usadas para indicar:

1. a suspensão ou interrupção do pensamento;


2. supressão de palavras ou frases transcritas.

VIII) Emprega-se o ponto:

1. para encerrar períodos;


2. nas abreviaturas
a atenção sobre ele;

3. para destacar nomes, títulos.


IX) Emprega-se o ponto de exclamação:

1. após interjeições, vocativos, locuções ou frases exclamativas;


X) O ponto de interrogação é usado:

depois de palavras ou orações que indiquem um questionamento direto

MORFOLOGIA

Morfologia : é o estudo das classes gramaticais

• Substantivo – faz parte da classe de palavras variáveis da língua portuguesa. Isso


quer dizer que pode apresentar flexões de gênero, número e grau.
A definição de substantivo é: a palavra que dá nome aos seres, coisas, lugares, idéias,
sentimentos.

● Quanto à forma, os substantivos podem ser classificados em: simples, compostos,


primitivos e derivados. Vejamos:

Substantivo simples: Quando possui apenas uma palavra ou um termo: tempo, flor, sol,
chuva.

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Marilene Silva
Substantivo composto: Quando possui mais de uma palavra ou de um termo:
passatempo, couve-flor, girassol, guarda-chuva.

Substantivo primitivo: É a base de formação de outras palavras, ou seja, não deriva de


nenhuma outra palavra: pedra, carta, nobre.

Substantivo derivado: É formado a partir de outra palavra, a qual é um substantivo


primitivo: pedreiro, carteira, nobreza.

● Quanto à classificação, os substantivos podem ser classificados em: próprio, comum,


coletivo, concreto, abstrato.

Substantivo próprio: Nomeia um ser, especificando-o (nomes, sobrenomes, países,


cidades, rios, oceanos, etc.): Jesus, Cristo, Vitória, Nilo, Atlântico.

Substantivo comum: Nomeia um ser, generalizando-o: casa, rio, oceano, esperança,


caráter, paz.

Substantivo concreto: Nomeia pessoas, objetos, lugares que existem ao natural ou na


imaginação: saci, cadeira, fada, mesa.

Substantivo abstrato: Nomeia ações, qualidades, defeitos, estados, sentimentos que não
existem ao natural: pensamento, beleza, felicidade, calor, frio, vida.

Substantivo coletivo: Designa um conjunto de seres ou coisas de uma mesma espécie:


bando, congresso, alcatéia, povo, coro.

Observe os substantivos no trecho abaixo:


“São 64 figuras esculpidas em madeira, escondidas dentro de seis pequenas capelas – os
Passos da Paixão.”

Comum – cidade / Abstrato – alegria / Primitivo – pedra


Simples – chuva / Coletivo – manada / Próprio – Salvador
Concreto – casa / Derivado – pedreiro / Composto – guarda-chuva

Por ser palavras variáveis, os substantivos podem se flexionar em: gênero, número e grau.
Vejamos cada tipo de flexão, separadamente:

Flexão de gênero

Quanto ao gênero, os substantivos podem ser classificados em: masculinos e femininos.


Temos por regra que todo substantivo masculino é caracterizado pela desinência “o” e o
feminino pela desinência “a”. No entanto, nem todos os substantivos masculinos terminam
em “o” (líder, telefonema, amor). Então, podemos definir o substantivo como do gênero
masculino se vier anteposto pelo artigo “o”: o gato, o homem, o amor, o líder, o telefonema.

O gênero feminino irá seguir o mesmo raciocínio. São substantivos femininos as palavras
que tem anteposição do artigo “a”: a gata, a mulher, a pessoa, a criança.

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Marilene Silva
Há, contudo, uma distinção a ser feita entre: substantivos biformes e uniformes.
Substantivos biformes são os que apresentam uma forma para o masculino e outra para o
feminino: menino, menina. Já os substantivos uniformes apresentam uma única forma para
o masculino e para o feminino: criança, artista, testemunha.

No entanto, é por intermédio do artigo que classificamos se o substantivo de dois gêneros


é masculino ou feminino. Veja:

o estudante (masculino) / a estudante (feminino)

Além disso, é através do artigo que podemos definir o significado do substantivo. Observe:

o cabeça (líder) / a cabeça (parte do corpo)

Flexão de número

Quanto ao número, os substantivos podem ser flexionados em: singular ou plural. O


indicativo de um substantivo no plural é a terminação “s”:

Exemplo: o colega > os colegas / a menina > as meninas

Porém, há algumas particularidades no que diz respeito ao plural dos substantivos.


Vejamos algumas:

a) No geral, os substantivos terminados em al, el, ol, ul, troca-se o “l” por “is”:

Exemplos: jornal > jornais / papel > papéis


barril > barris / anzol > anzóis / azul > azuis

b) Os substantivos terminados em “r” e “z” são acrescidos de “es” para o plural:


Exemplos: amor > amores
luz > luzes

c) Caso o substantivo terminado em “s” for paroxítono, o plural será invariável. Caso seja
oxítono, acrescenta-se “es”:
Exemplos: ônibus > ônibus / país > países

d) Os substantivos terminados em “n” formam o plural em “es” ou “s”:


Exemplos: abdômen > abdômenes / pólen > polens

e) Os substantivos terminados em “m” formam o plural em “ens”:


Exemplo: homem > homens / viagem > viagens

f) Os substantivos terminados em “x” são invariáveis no plural:


Exemplo: tórax > tórax / xérox > xérox

g) Os substantivos terminados em “ão” têm três variações para o plural: “ões”, “ães” e
“ãos”:
Exemplos: eleição > eleições / pão > pães / cidadão > cidadãos

Flexão de grau
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Marilene Silva
Quanto ao grau, os substantivos podem variar entre aumentativo e diminutivo.
Os graus aumentativo e diminutivo podem ser formados através de dois processos:

a) sintético – acréscimo de sufixos ao grau normal.


Exemplo: amor: amorzinho; amorzão.

b) analítico – o substantivo será modificado por adjetivos que transmitem idéia de aumento
ou diminuição:
Exemplo: urso: urso grande; urso pequeno.

Plural dos Substantivos Compostos

Quando se trata do plural de alguns substantivos, quase sempre nos surgem algumas
indagações no que se refere à flexão dos mesmos. Para isto, existem algumas regras
específicas, nas quais devemos estar sempre atentos. São elas:

Norma Geral:

Nos substantivos compostos, vão para o plural os substantivos e as palavras adjetivas, as


demais ficam invariáveis, como por exemplo:

Abelha-mestra: abelhas-mestras (substantivo+substantivo)

Erva-doce: ervas-doces (substantivo+adjetivo)

Abaixo-assinado: abaixo-assinados (advérbio+adjetivo)

O bota-fora: os bota -fora (verbo+advérbio)

O guarda-noturno: os guardas-noturnos (substantivo+adjetivo)

O guarda-roupa: os guarda-roupas (verbo+substantivo)

Complementações à norma geral:

- Compostos de substantivo + substantivo

Ambos vão para o plural se a relação entre eles for coordenativa, ou seja, se é explicitável
pela conjunção “e”:

Cirurgião- dentista: cirurgiões-dentistas

Neste caso pressupõe-se que é cirurgião e dentista.

- Só o primeiro vai para o plural se a relação entre eles for subordinativa, isto é, não é
possível pressupor a conjunção “e”:

Salário-família: salários-família

- Compostos de verbo+verbo:

- verbo +verbo repetidos: ambos variam, ou só o segundo:

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Marilene Silva

Corre-corre, corres-corres ou corre-corres

-verbo+verbo de sentidos opostos: ambos ficam invariáveis:

O leva e traz - Os leva e traz

- Compostos de grão, grã, bel, recém + substantivo:

Só vai para o plural o substantivo: Grão-mestre: grão-mestres

Bel-prazer: bel-prazeres

Recém-nascido: recém-nascidos

- Compostos ligados por preposição:

Só o primeiro vai para o plural: Pé de moleque: pés de moleque

- Compostos ligados por onomatopeia:

Só o último vai para o plural: Reco-reco: reco-recos / Tico-tico: tico-ticos

- Compostos não separados por hífen:

Pluralizam como se fossem simples: Vaivém: vaivens

Adjetivo

Bolas coloridas Boneca de pano

O que você percebeu quanto aos termos “coloridas” e “de pano”?

Certamente foi que eles estão dando uma qualidade para os substantivos – bola e boneca,
não é mesmo?

Assim como as bolas também poderiam ser: brancas, grandes, murchas, pequenas, de
futebol, de vôlei, entre outros.

O mesmo aconteceria com a palavra boneca, pois ela poderia ser de plástico, amarela,
bonita, grande, pequena, e muitas outras.

Então, o adjetivo conceitua-se como o termo que modifica o substantivo, indicando-lhe


uma qualidade.

É importante também sabermos sobre os graus do adjetivo, fazendo uma comparação,


atribuindo uma qualidade superior ou até mesmo uma inferior.

Compreendendo de uma maneira bem simples, analisaremos as orações abaixo:

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Marilene Silva
Pedro é mais alto que seu amigo. / Pedro é tão alto quanto seu amigo.
Pedro é menos alto que seu amigo.

Podemos perceber que entre as orações se estabelece uma comparação entre Pedro e o
seu amigo. Dessa forma, o grau comparativo do adjetivo classifica-se em:

Comparativo de superioridade – É quando se atribui a expressão “mais que” ou “mais do


que”.

Igualdade – È quando há uma comparação entre os elementos: “tanto quanto”.

Inferioridade – É quando dizemos: “menos que” ou “menos do que”.

Há também o grau superlativo, que indica uma qualidade de um modo intenso, elevado.

Ampliando o sentido da expressão – “Minha mãe é muito linda”, dizemos que ela é
lindíssima.

Vamos conhecer alguns superlativos absolutos:

agradável – agradabilíssimo / feliz – felicíssimo / difícil – dificílimo


fraco – fraquíssimo / rico – riquíssimo / alto- altíssimo
amável – amabilíssimo / novo – novíssimo / pouco – pouquíssimo

Locuções adjetivas

Com o objetivo de compreendermos melhor sobre o assunto estudado, é importante


primeiramente sabermos o significado da palavra – “locução”.

Locução é a união de duas palavras exercendo a função de um termo somente. E


“adjetiva”, corresponde ao adjetivo, que, como você já sabe, é a palavra que dá qualidade
ao substantivo.

Ex: amor de mãe – amor materno

Então podemos dizer que: Locução adjetiva é a expressão formada por duas palavras,
mas que exercem a função de um adjetivo.

Vejamos a seguir uma relação com algumas locuções adjetivas:

Luz do sol – luz solar


Passeio da manhã – passeio matinal
Festa de junho – festa junina
Amor de irmão – amor fraterno
Faixa de idade – faixa etária
Problemas do estômago – problemas estomacais
Fores do campo – flores campestres
Turno da tarde – turno vespertino
Passeio da noite – passeio noturno
Carne de boi – carne bovina
Água da chuva – água pluvial
Imagem do lago – imagem lacustre
Rosto de anjo – rosto angelical
81
Marilene Silva
Indústria de tecidos – indústria têxtil
Globo do olho – globo ocular
Doença do coração – doença cardíaca
Ambiente sem cheiro – ambiente inodoro
Alegria da família – alegria familiar
Problemas da sociedade – problemas sociais
Ondas do mar – ondas marítimas
Linguagem do homem – linguagem humana
Cordão do umbigo – cordão umbilical
Material de guerra – material bélico

Preposição
Preposição é a palavra invariável que une termos de uma oração, estabelecendo
entre eles variadas relações.

Marilia de Dirceu (idéia de posse)

Poema de amor (idéia de assunto)

Classificação das preposições

As preposições podem ser:

» essenciais: palavras que só funcionam como preposição. São elas:

a / com / em / por / ante / contra / entre / sem

após / de / para / sob / trás / desde / perante / sobre

» acidentais: são palavras de classes diferentes que, eventualmente,


desempenham função prepositiva. São elas:

afora / como / conforme / consoante / durante / exceto / fora / mediante


/menos / salvo / segundo / visto

Combinação e contração da preposição

Combinação: a preposição não sofre perda de fonemas. Dá-se a combinação


com:

» preposição a + artigos definidos o, os:

Fomos ao médico.

» preposição a + advérbio onde: Aonde estamos indo?

Contração: quando a preposição sofre perda de fonemas. Dá-se a contração


com as preposições:

82
Marilene Silva
de + artigos de + pronome pessoal

de + o(s) = do(s) de + ele(s) = dele(s)

de + a(s) = da(s) de + ela(s) = dela(s)

de + um = dum

de + uma = duma

de + uns = duns

de + umas = dumas

de + pronomes demonstrativos de + advérbios

de + este(s) = deste(s) de + aqui = daqui

de + esta(s) = desta(s) de + aí = daí

de + esse(s) = desse(s) de + ali = dalí

de + essa(s) = dessa(s)

de + aquele(s) = daquele(s)

de + aquela(s) = daquela(s)

de + isto = disto

de + isso = disso

de + aquilo = daquilo

de + o(s) = do(s)

de + a(s) = da(s)

a + artigo feminino

a + a(s) = à(s)

Locuções prepositivas

É a união de duas ou mais palavras com função de preposição. Veja os


exemplos:

abaixo de / junto a / antes de / por cima de

a respeito de / a fim de / defronte de / a par de

em vez de / debaixo de / por baixo de / diante de

83
Marilene Silva
acima de / por detrás de / ao lado de / para com

depois de / além de / apesar de / por diante de

Interjeição
Interjeição é a palavra invariável usada para exprimir emoções e sentimentos.
Uma interjeição pode ser usada para expressar as mais diversas emoções, mas,
relacionemos as principais interjeições e seus estados emocionais correspondentes:

» advertência: Alerta! Atenção! Calma! Cuidado! Devagar! Fogo! Olha! Sentido!


Calma!

» afugentamento: Fora! Passa! Sai! Rua! Xô!

» alegria: Ah! Eh! Oh! Oba! Viva! Aleluia!

» animação: Avante! Eia! Vamos! Coragem! Força!

» aplauso: Apoiado! Bravo! Bis! Parabéns! Isso!

» chamamento: Oi! Ô! Olá! Alô! Psit!

» desejo: Que me dera! Se Deus quiser! Oxalá! Tomara!

» dor: Ah! Oh! Ai! Ui!

» espanto: Puxa! Oh! Xi! Uai! Ué!

» silêncio: Psiu! Pst! Silêncio! Quieto!

» concordância: Claro! Ótimo! Sim!

» desacordo: Ora! Barbaridade!

» pena: coitado!

» satisfação: Boa! Oba! Opa! Upa!

» saudação: Olá! Oi! Salve! Adeus!

Locução interjeitiva

São duas ou mais palavras com valor de interjeição. Veja alguns exemplos:

Meu Deus! Puxa vida! / Ora bolas! / Que pena!

84
Marilene Silva
Ora essa! Cruz-credo! / Santo Deus! / Pobre de mim!

• Artigo – é a palavra variável que antecede o substantivo para determiná-lo.


Veja os artigos do trecho abaixo:
“O homem é um ser fraco que, ao conhecer a própria fraqueza, transforma-se em um forte.
a força é uma virtude. É a superação da violência.” (Jean Lacroix)

Definidos – o, a, os, as
Indefinidos – um, uma, uns, umas

Pronomes
• Pronome – é a palavra variável que substitui ou acompanha um substantivo,
relacionando-o à pessoa do discurso.
Observe:
“Eu não estou com medo!” “Estou vendo você com essa bola de neve!”

pronome pessoal do caso reto pronome de tratamento

Pronomes Pessoais

NÚMERO PESSO RETOS OBLÍQUOS: ÁTONOS OBLÍQUOS:


A TÔNICOS
Singular 1ª Eu Me Mim, comigo
2ª Tu Te Ti, contigo
3ª Ele, ela O, a, lhe, se Si, ele, ela,
consigo
Plural 1ª Nós Nos Nós, conosco
2ª Vós Vos Vós, convosco
3ª Eles, elas Os, as, lhes, se Si, eles, elas,
consigo

Observações:
1. A forma consigo só se utiliza quando o sujeito da oração estivar na 3ª pessoa e o
pronome referir-se a esse mesmo sujeito. Ex.: Ele sempre trazia um guarda-chuva
consigo.
2. As formas conosco e convosco serão substituídas por com nós e com vós se vierem
seguidos de numeral ou de palavras como todos, mesmos, outros, próprios, ambos.
Ex.: Nas férias ele viaja conosco. // Nas férias ele viaja com nós todos.
3. Os pessoais oblíquos átonos podem ser usados com sentido possessivo: “Pouco a
pouco o sono começou a pesar-lhe nas pálpebras.” (Érico Veríssimo)
4. Os pronomes átonos podem contrair-se ou combinar-se entre si: “O Borba furtara-mo
no abraço.” (Machado de Assis)
mo = me (obj. indireto) + o (obj. direto)

85
Marilene Silva
5. Os pronomes me, te, se, si, consigo, nos, vos, são considerados reflexivos quando o
sujeito e seu objeto pronominal referem-se à mesma pessoa gramatical. “Nunca! Ela
jurou a si mesma.” (Machado de Assis)


pessoa
6. Os pronomes nos, vos, se são considerados pronomes recíprocos quando indicam que
a ação expressa pelo verbo é mútua. Ex.: As pessoas abraçavam-se após a
comemoração.

Emprego Abreviatura
Pronomes de Tratamento
Senhor, senhora, Respeito Sr., Srª., Srtª.
senhorita
Você Tratamento familiar V.
Vossa Alteza Príncipes, princesas V. A.
Vossa Eminência Cardeais V. Emª.
Vossa Excelência Autoridades V. Exª.
Vossa Magnificência Reitores V. Magª.
Vossa Majestade Reis, rainhas V. M.
Vossa Meritíssima Juízes Por extenso
Vossa Reverendíssima Sacerdotes, bispos V. Revma.
Vossa Santidade Papa V. S.
Vossa Senhoria Pessoas que exercem Vsª.
cargos importantes
Atenção:
Além do emprego no trato direto, os pronomes de tratamento podem aparecer no trato
indireto como pronomes de 3ª pessoa. Nesse caso, a forma SUA vem em lugar de
VOSSA.

Pronomes Possessivos

“O prêmio foi feito especialmente para você por suas conquistas.”

pronome possessivo

NÚMERO PESSOA PRONOMES


Singular 1ª Meu(s), minha(s)
2ª Teu(s), tua(s)
3ª Seu(s), sua(s)
Plural 1ª Nosso(s), nossa(s)
2ª Vosso(s), vossa(s)
3ª Seu(s), sua(s)

Pronomes Demonstrativos
“Esta camisa foi feita especialmente para você.”

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Marilene Silva
pronome demonstrativo

Variáveis Invariáveis
1. Este(s), esta(s) Isto
2. Esse(s), essa(s) Isso
3. Aquele(s), aquela(s) aquilo

Posição:
Espacial Temporal Contexto
Lingüístico
1. Próximo de quem fala Presente O que vai ser
expresso
2. Próximo de quem ouve Passado ou Anteriormente
futuro próximos expresso
3. Distante do falante e Tempo muito _______
do ouvinte distante

Atenção:
1. Ao retomar elementos já citados numa frase, usa-se aquele para o termo mencionado
em primeiro lugar e este para mencionado em último.
Ex.: “O pesquisador e o governo freqüentemente assumem posições distintas ante os
problemas nacionais, aquele se preocupa com a fundamentação científica, enquanto
este se guia mais pelos interesses políticos.”
2. As palavras o, a, os, as são pronomes demonstrativos quando equivalem a aquele(s),
aquela(s), aquilo, isso, isto.
Ex.: “Não sei o que ele disse ontem.” (o = aquilo)
3. As palavras próprio e mesmo (e variações) são pronomes demonstrativos quando
significam ‘idêntico’ ou ‘em pessoa’.
Ex.: “Eu mesma comprovei os fatos antes de denunciá-los.”
4. Tal e tais também são demonstrativos quando equivalem a esse, aquele (e variações).
Ex.: “Haverá greve de ônibus. Fico preocupado com tal situação, pois as pessoas não
chegarão no horário marcado.”

Pronomes Interrogativos

Esses pronomes são usados em formulação de um questionamento (interrogação)

direto.

Quem esteve aqui ontem à noite?

Eis os pronomes interrogativos:

Variáveis
Invariáveis
Qual, quais Que
Quanto(s), Quem
quanta(s)

Observação:

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Marilene Silva
Nas interrogações indiretas, em que não há ponto-de-interrogação, o pronome
interrogativo passa a ser conjunção integrante.

Diga-me quem esteve aqui ontem à noite.

Pronomes Indefinidos

Todo mundo foi ao passeio.

pronome substantivo

Ficou todo chateado quando toquei no assunto.

advérbio adjetivo

Variáveis Invariáveis

Algum(ns), alguma(s) Alguém

Nenhum(ns) Algo

Nenhuma(s) Ninguém

Certo(s), certa(s) Nada

Muito(a), muita(s) Tudo

Outro(s), outra(s) Cada

Pouco(s), pouca(s) Outrem

Quanto(s), quanta(s) Quem

Tanto(s), tanta(s)

Vário(s), vária(s)

Qualquer, quaisquer

Todo(s), toda(s)

Pronomes Relativos

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Marilene Silva
Variáveis Invariáveis

O qual, a qual, os quais, Que

as quais

Cujo, cuja, cujos, cujas Quem

Quanto, quanta, quantos, Onde

quantas

Advérbio
O advérbio é uma categoria gramatical invariável que modifica verbo, adjetivo ou outro
advérbio, atribuindo-lhes uma circunstância de tempo, modo, lugar, afirmação, negação,
dúvida ou intensidade. Por exemplo, a frase Ontem, ela não agiu muito bem. tem quatro
advérbios: ontem, de tempo; não, de negação; muito, de intensidade; bem, de modo.

As circunstância podem também ser expressas por uma locução adverbial - duas ou mais
palavras exercendo a função de um advérbio. Por exemplo, a frase Ele, às vezes, age às
escondidas. Tem duas locuções adverbiais: às vezes, de tempo; às escondidas, de modo.

Classificação dos Advérbios

01) Advérbios de Modo:

Assim, bem, mal, acinte (de propósito, deliberadamente), adrede (de caso pensado, de
propósito, para esse fim), debalde (inutilmente), depressa, devagar, melhor, pior,
bondosamente, generosamente e muitos outros terminados em mente.

Locuções Adverbiais de Modo:

às pressas, às claras, às cegas, à toa, à vontade, às escondidas, aos poucos, desse jeito,
desse modo, dessa maneira, em geral, frente a frente, lado a lado, a pé, de cor, em vão.

02) Advérbios de Lugar:

abaixo, acima, adentro, adiante, afora, aí, além, algures (em algum lugar), alhures (em
outro lugar), nenhures (em nenhum lugar), ali, aquém, atrás, cá, dentro, embaixo,
externamente, lá, longe, perto.

Locuções Adverbiais de Lugar:

a distância, à distância de, de longe, de perto, em cima, à direita, à esquerda, ao lado, em


volta.

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Marilene Silva

03) Advérbios de Tempo:

afinal, agora, amanhã, amiúde (de vez em quando), ontem, breve, cedo, constantemente,
depois, enfim, entrementes (enquanto isso), hoje, imediatamente, jamais, nunca, outrora,
primeiramente, tarde, provisoriamente, sempre, sucessivamente, já.

Locuções Adverbiais de Tempo:

às vezes, à tarde, à noite, de manhã, de repente, de vez em quando, de quando em


quando, a qualquer momento, de tempos em tempos, em breve, hoje em dia.

04) Advérbios de Negação:

não, tampouco (também não).

Locuções Adverbiais de Negação:

de modo algum, de jeito nenhum, de forma nenhuma.

05) Advérbios de Dúvida:

acaso, casualmente, porventura, possivelmente, provavelmente, talvez, quiçá.

Locuções Adverbiais de Dúvida:

por certo, quem sabe.

06) Advérbios de Intensidade:

assaz (bastante, suficientemente), bastante, demais, mais, menos, muito, quanto, quão,
quase, tanto, pouco.

Locuções Adverbiais de Intensidade:


em excesso, de todo, de muito, por completo.

07) Advérbios de Afirmação:

certamente, certo, decididamente, efetivamente, realmente, deveras (realmente), decerto,


indubitavelmente.

Locuções Adverbiais de Afirmação:

sem dúvida, de fato, por certo, com certeza.

08) Advérbios Interrogativos:

onde (lugar), quando (tempo), como (modo), por que (causa).

Flexão do advérbio

O advérbio pode flexionar-se nos graus comparativo e superlativo absoluto.


90
Marilene Silva

Comparativo de Superioridade

O advérbio flexiona-se no grau comparativo de superioridade por meio de mais ... (do) que.
Ex.

• Ele agiu mais generosamente que você.

Comparativo de Igualdade

O advérbio flexiona-se no grau comparativo de igualdade por meio de tão ... como, tanto ...
quanto. Ex.

• Ele agiu tão generosamente quanto você.

Comparativo de Inferioridade

O advérbio flexiona-se no grau comparativo de inferioridade por meio de menos ... (do)
que.

Ex. Ele agiu menos generosamente que você.

Superlativo Absoluto Sintético

O advérbio flexiona-se no grau superlativo absoluto sintético por meio dos sufixos -
issimamente, -íssimo ou -inho.

Ex.

• Ela agiu educadissimamente.


• Ele é muitíssimo educado.
• Acordo cedinho.

Superlativo Absoluto Analítico

O advérbio flexiona-se no grau superlativo absoluto analítico por meio de um advérbio de


intensidade como muito, pouco, demais, assaz, tão, tanto...

Exemplos: Ela agiu muito educadamente. / Acordo bastante cedo.

Melhor e pior são formas irregulares do grau comparativo dos advérbios bem e mal; no
entanto, junto a adjetivos ou particípios, usam-se as formas mais bem e mais mal. Ex.

• Estes alunos estão mais bem preparados que aqueles.

Havendo dois ou mais advérbios terminados em -mente, numa mesma frase, somente se
coloca o sufixo no último deles.

Exemplo : Ele agiu rápida, porém acertadamente.

Numeral

91
Marilene Silva
Palavra que indica quantidade, número de ordem, múltiplo ou fração.

Classifica-se como:

• Cardinal (1, 2, 3, ...)


• Ordinal (primeiro, segundo, terceiro, ...)
• Multiplicativo (dobro, duplo, triplo, ...)
• Fracionário (meio, metade, terço).

Além desses, ainda há os numerais coletivos (dúzia, par etc.)

Valor do Numeral

Podem apresentar valor adjetivo ou substantivo. Se estiverem acompanhando e


modificando um substantivo, terão valor adjetivo. Já se estiverem substituindo um
substantivo e designando seres, terão valor substantivo.

Ex.: Ele foi o primeiro jogador a chegar. (valor adjetivo) / Ele será o primeiro desta vez.
(valor substantivo)

Emprego

Ordinais como último, penúltimo, antepenúltimo, respectivos... não possuem cardinais


correspondentes

Os fracionários têm como forma própria meio, metade e terço, todas as outras
representações de divisão correspondem aos ordinais ou aos cardinais seguidos da
palavra avos (quarto, décimo, milésimo, quinze avos etc.)

Designando séculos, reis, papas e capítulos, utiliza-se na leitura ordinal até décimo; a partir
daí usam-se os cardinais. (Luís XIV - quatorze, Papa Paulo II - segundo)

Observação

• Se o numeral vier antes do substantivo, será obrigatório o ordinal (XX Bienal -


vigésima, IV Semana de Cultura - quarta)

• Zero e ambos /as (chamado dual) também são numerais cardinais. 14 apresenta
duas formas por extenso catorze e quatorze.

• A forma milhar é masculina, portanto não existe "algumas milhares de pessoas" e


sim alguns milhares de pessoas

Alguns numerais coletivos:

• grosa (doze dúzias)


• lustro (período de cinco anos)
• sesquicentenário (150 anos)

Um - numeral ou artigo?

Nestes casos, a distinção é feita pelo contexto. Numeral indicando quantidade e artigo
quando se opõe ao substantivo indicando-o de forma indefinida
92
Marilene Silva
Flexão

Varia em: gênero / número

Variam em gênero

Cardinais: um, dois e os duzentos a novecentos; todos os ordinais; os multiplicativos e


fracionários, quando expressam uma idéia adjetiva em relação ao substantivo

Variam em número

Cardinais terminados em -ão; todos os ordinais; os multiplicativos, quando têm função


adjetiva; os fracionários, dependendo do cardinal que os antecede

Os cardinais, quando substantivos, vão para o plural se terminarem por som vocálico (Tirei
dois dez e três quatros)

Verbo
• Verbo – é a palavra variável que expressa ação, estado, mudança de estado ou
fenômeno da natureza situando no tempo.

Os verbos do trecho abaixo são:


“Queixei-me de baratas. Uma senhora ouviu-me a queixa. Deu-me uma receita de como
matá-las.”
Variáveis na conjugação de alguns verbos

Algumas variáveis na conjugação de alguns verbos.

Verbo ver e derivados

Forma popular : se eu ver, se eu rever, se eu revesse.

Forma padrão : se eu vir, se eu revir, se eu revisse.

Verbo vir e derivados

Forma popular : se eu vir, seu eu intervir, eu intervi, ele interviu, eles proviram.

Forma padrão : seu eu vier, se eu intervier, eu intervim, ele interveio, eles provieram.

Ter e seus derivados

Forma popular : quando eu obter , se eu mantesse, ele deteu.

Forma padrão : quando eu obtiver, se eu mantivesse, ele deteve.

Pôr e seus derivados

Forma popular : quando eu compor , se eu disposse, eles disporam.

Forma padrão : quando eu compuser, se eu dispusesse, eles dispuseram.


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Marilene Silva
Reaver

Forma popular : eu reavi, eles reaveram, ela reavê.

Forma padrão : eu reouve, eles reouveram, ela reouve.

Verbo auxiliar

Verbos auxiliares, em gramática e em linguística, são uma classe de verbos que fornecem
informação semântica adicional ao verbo principal, ou seja, acrescem informações sobre
tempo, número, pessoa, etc. ao verbo principal.
Os verbos auxiliares podem classificar-se em:

Verbos auxiliares de tempo


Um verbo auxiliar de tempo forma tempos verbais com o verbo principal denominados
tempos compostos.
Na língua portuguesa, os verbos ter, haver, ser, estar, ir e andar são verbos auxiliares de
tempo.
Verbos ter e haver
Os verbos ter e haver no presente do indicativo, acompanhado de um verbo no particípio,
indica uma ação começado no passado que ainda continua.
Os verbos ter e haver no pretérito imperfeito do indicativo, acompanhado de um verbo no
particípio, indica pretérito mais-que-perfeito.
Verbo estar
O verbo estar, acompanhado de verbo no gerúndio, indica uma ação momentânea, que
pode ou não se estender ao futuro.
Verbo ir
O verbo ir no presente do indicativo, acompanhado de um verbo no infinitivo, indica futuro
do presente.
O verbo ir no pretérito imperfeito do indicativo, acompanhado de um verbo no infinitivo,
indica uma ação planejada no passado, mas não realizada.
Verbo andar
O verbo andar, acompanhado de verbo no gerúndio, indica uma ação passada que se
estende até o presente.

Verbos auxiliares modais


Um verbo auxiliar modal, também chamado simplesmente verbo modal, forma com o verbo
principal locuções verbais com valor modal (de desejo, probabilidade, dever, possibilidade,
necessidade etc.).
São exemplos os verbos dever, poder, necessitar, querer. Por ex., "o avião deve partir às 8
horas", "eu não quero pagar o jantar".

Verbos auxiliares aspectuais


Um verbo auxiliar aspectual ou aspectivo acrescenta ao significado do verbo principal
noções de como a ação se processa.
Os verbos começar, pôr, estar, continuar são verbos que podem ser usados como
aspectuais. P.ex., "eu não comecei a trabalhar", "ele está a comer/comendo".

Verbos regulares
Modo indicativo Pretérito perfeito Pretério imperfeito

Presente
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Marilene Silva
am - vend - part - ir am - vend - part - am - ar vend - part - ir
ar er ar er ir er
o o o ei i i ava ia ia
as es es aste este iste avas ias ias
a e e ou eu iu ava ia ia
amos emos imos amos emos imos ávamos íamos íamos
ais eis is astes estes istes áveis íeis íeis
am em em aram eram iram avam iam iam

Pretérito mais-que-perfeito Futuro do presente Futuro do pretérito


am - ar vend - par - irt am -ar vend - part - ir am - ar vend - part - ir
er er er
ara era ira arei erei irei aria eria iria
aras eras iras arás erás irás arias erias irias
ara era iras ará erá irá aria eria ira
áramos êramos íramos aremos eremos iremos aríamos eríamos íriamos
áreis êreis íreis areis ereis ireis aríeis erieis íreis
aram eram iram arão erão irão ariam eriam iriam

Modo subjuntivo

Presente Futuro Pretérito imperfeito


am - ar vend - part - ir am - ar vend - part - ir am - ar vend - er part - ir
er er
e a a ar er ir asse esse isse
es as as ares eres ires asses esses isses
e a a ar er ir asse esse isse
emos amos amos armos ermos irmos ássemos êssemos íssemos
eis ais ais ardes erdes irdes ásseis êsseis ísseis
em am am arem erem irem assem essem issem

Modo imperativo Formas nominais

Afirmativo Negativo Infinitivo pessoal


am - ar vend - part - ir am - ar vend - part - ir am - ar vend - part -
er er er ir
xxxx xxxx xxxx xxxx xxxx xxxx ar er ir

95
Marilene Silva
a e e es as as ares eres ires
e a a e a a ar er irem
emos amos amos emos amos amos armos ermos irmos
ai ei i eis ais ais ardes erdes irdes
em am am em am am arem erem irem

Formas nominais

Infinitivo impessoal Gerúndio Particípio


am - vend- part - ir am - vend part - ir am - vend- part -
ar er ar - er ar er ir
ar er ir ando endo indo ado ido ido

Tempos compostos

Indicativo

Pretérito perfeito: verbo auxiliar no presente do indicativo + verbo principal no particípio =


tenho amado

Pretérito mais-que-perfeito: verbo auxiliar no pretérito imperfeito do indicativo + verbo


principal no particípio = tinha amado

Futuro do presente: verbo auxiliar no futuro do presente do indicativo + particípio = terei


amado

Futuro do pretérito: verbo auxiliar no futuro do pretérito do indicativo + verbo principal no


particípio = teria amado

Subjuntivo

Pretérito perfeito: verbo auxiliar no presente do subjuntivo + verbo principal no particípio =


tenha amado

Pretérito mais-que-perfeito: verbo auxiliar no pretérito imperfeito do subjuntivo + verbo


principal no particípio = tivesse amado

Futuro: verbo auxiliar no futuro do subjuntivo + verbo principal no particípio = tiver amado

Formas nominais

Infinitivo pessoal: verbo auxiliar no infinitivo pessoal + verbo principal no particípio = ter
amado

Gerúndio: verbo auxiliar no gerúndio + verbo principal no particípio = tendo amado

Tempos primitivos e derivados

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Marilene Silva
Tempos primitivos são os que dão origem a outros tempos, chamados derivados. Existem
dois tempos e uma forma nominal ue dão origem a todos os tempos e formas nominais,
inclusive a um modo, o imperativo. Tomemos por exemplo o verbo caber.

Primitivos Derivados
a) futuro do presente do indicativo caberei, caberás, caberá, caberemos,
cabereis, caberão
Infinitivo b) futuro do pretérito do indicativo caberia, caberias, caberia,
impessoal caberíamos, caberíes, caberiam
(cab - er) c) pretérito imperfeito indicativo cabia, cabias, cabia, cabíamos, cabíeis,
cabiam
d) infinitivo pessoal: caber, caberes, caber, cabermos, caberdes, caberem
e) gerúndio: cabendo
f) particípio: cabido

Presente do a) presente do subjuntivo: caiba, caibas, caiba, caibamos, caibais, caibam


indicativo
1ª p. singular b) imperativo:
(caib-o) * afirmativo: cabe tu, caiba você, caibamos nós, cabei vós, caibam vocês
* negativo: não caibas tu, não caiba você, não caibamos nós, não caibais
vós, não caibam vocês

Pretérito perfeito a) pretérito mais-que-perfeito do indicativo: coubera, couberas, c oubera,


do coubéramos, coubéreis....
indicativo -2ª p. b) pretérito imperfeito do subjuntivo: coubesse, coubesses, coubesse,
singular coubéssemos, coubesseis, ....
(coub-este) c) futuro do subjuntivo: couber, couberes, couber, coubermos,couberdes,
couberem

Observações Não se enquadram no sistema estudado acima os verbos: dar, dizer,


estar, fazer, haver, pôr, querer, .
saber, ter, trazer, ir e vir.

Verbos abundantes

Verbos abundantes são os que têm duas ou mais formas equivalentes, geralmente de
particípio. Ex: havemos e hemos, haveis, heis, acendido, aceso, soltado, solto.

Dos particípios, o que termina em -do é regular; o outro é irregular.

Os particípios regulares são usados na voz ativa, ou seja, com ter e haver; os irregulares
são empregados na voz passiva, ou seja, com ser, estar, ficar. Nem sempre, porém, a
língua contemporânea segue tal norma.

Observações:

1) Estes verbos e seus derivados só possuem o particípio irregular: abrir/aberto, cobrir/


coberto, dizer/dito, escrever/escrito, fazer/feito, pôr/posto, ver/visto, vir/vindo.

2) Na língua contemporânea quase não se usa ganhado, gastado e pagado, prefere-se o


emprego de ganho, gasto e pago, tanto na voz ativa quanto passiva; o particípio pego ( ê )
97
Marilene Silva
é da língua popular, assim como chego (tinha chego), falo (tínhamos falo), empregue
(tenho empregue), trago (tínhamos trago).

3) O verbo imprimir, no sentido de produzir movimento, não é abundante. Exemplos:

O motorista havia imprimido grande velocidade ao veículo.

Foi imprimido grande velocidade ao veículo.

4) Corrigir é verbo abundante, mas o particípio irregular correto não conservou o


significado de corrigir, já que se usa como sinônimo de isento de erros, certo, apropriado:
frase correta, uso correto, conduta correta.

5) O verbo completar não é abundante; portanto, usa-se o particípio completado, tanto na


voz ativa quanto na voz passiva.

Tinha completado vinte anos naquele dia.

O dinheiro para a compra do televisor foi completado.

Verbo: Correlação Verbal

Dá-se o nome de correlação verbal à articulação temporal entre duas formas verbais.
Assim, ao construir um período, os verbos que ele possa apresentar estabelecem, entre si,
uma relação, uma correspondência, ajustando-se, convenientemente, um ao outro.

Veja exemplo de correlação adequada:

Se eu tivesse dinheiro, faria um curso de preparação para o concurso público.

Tivesse: tempo que indica hipótese.

Faria: tempo que expressa uma possibilidade (fazer o curso) que depende da
realização ou não, do fato contido em “tivesse”.

Se no lugar da forma verbal faria empregássemos outra forma, fazia, teríamos uma
correlação verbal inadequada.

Veja exemplo de correlação inadequada:

Se eu tivesse dinheiro, fazia um curso de preparação para o concurso público.

Tivesse: tempo que indica hipótese

Fazia: tempo que transmite uma idéia de processo não concluído. Indica o que no
passado era freqüente ou contínuo.

Alguns exemplos de correlações verbais, adequadas:

1.º verbo: pres. ind. – 2.º verbo: pres. subj.


Exemplo: Peço-lhe que me diga a verdade.

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Marilene Silva
1.º verbo: pret. perf. ind. – 2.º verbo: pret. imperf. subj.
Pedi-lhe que me dissesse a verdade.

1.º verbo: pres. ind. – 2.º verbo: pret. perf. comp. subj.
Desejo que ele tenha feito boa viagem.

1.º verbo: pret.imper. ind. – 2.º verbo: mais-que-perf. comp. subj.


Queria que ele tivesse feito boa viagem.

1.º verbo: fut, subj. – 2.º verbo: fut. pres. ind.


Se você me trouxer o livro, eu o lerei.

1.º verbo: pret. imperf. subj. – 2.º verbo: fut. pret. ind.
Se você me trouxesse o livro, eu o leria.

1.º verbo: pret. mais-que-perf. comp. subj.

2.º verbo: futuro do pret. simp. ou comp. ind.


Se os governantes tivessem se empenhado, teríamos, hoje, um país melhor.

1.º verbo: fut. pres. subj. – 2.º verbo: fut. pres. ind.
Quando eu puder, viajarei.

1.º verbo: fut. subj, - 2.º verbo: fut. pres. comp. ind.
Quando chegarmos lá, ele já terá saído.

Exercícios

1. (CARLOS CHAGAS) Conforme o médico nos .........., seu organismo agora já .......... o
cálcio.

a) prevenira - retem / b) previnira - retém / c) provenira - retém /

d) previnira - retem / e) prevenira - retém

2. (CARLOS CHAGAS) Sem que ninguém tivesse .........., o próprio menino ..........-se
contra os falsos amigos.

a) intervindo - precaviu / b) intervindo - precaveio / c) intervido – precaveu

d) intervido - precaveio / e) intervindo - precaveu

3. (CARLOS CHAGAS) Caso .......... realmente interessado, ele não .......... de faltar.

a) estiver – haja / b) esteja - houve / c) estivesse - houvesse /

d) estivesse - havia / e) estiver - houve

4. (CARLOS CHAGAS) Se algum dia a .......... chegar arrependida, .......... o teu ódio num
forte abraço de perdão.

a) veres - esqueça / b) vires – esquecei / c) veres - esquece /

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Marilene Silva
d) vires - esqueça / e) vires - esquece

5. (CARLOS CHAGAS) Quem .......... o Pedro, ou, pelo menos, .......... falar com ele,
..........-o em meu nome.

a) ver - poder - advirta / b) vir - puder – adverta /

c) vir - puder - advirta / d) ver puder - adverta / e) vir - poder - adverta

Gabarito: verbo 1E / 2E / 3D / 4E / 5C

Denotação e Conotação

A linguagem denotativa é muito usada na comunicação cotidiana. Nela as

palavras aparecem com sentido único, isto é, um sentido comum, usual, conhecido

por todos. Dessa forma, permite apenas um entendimento, interpretação única por

parte do leitor.

A linguagem conotativa é mais usada na linguagem literária. As palavras

assumem sentido outros, que não seguem o convencional. Assim, permite, ao leitor,

mais de um entendimento. É sentido figurado, representativo.

Tipologia Textual

Leia os textos: O caboclo, o padre e o estudante

Luís de Câmara Cascudo

Um estudante e um padre viajavam pelo sertão, tendo como bagageiro um

caboclo. Deram-lhe numa casa um pequeno queijo de cabra. Não sabendo dividi-lo,

mesmo porque chegaria um pequeno pedaço para cada um, o padre resolveu que

todos dormissem e o queijo seria daquele que tivesse, durante a noite, o sonho mais

bonito, pensando engabelar todos com os seus recursos oratórios. Todos aceitaram

e foram dormir. À noite, o caboclo acordou, foi ao queijo e comeu-o.

100
Marilene Silva
Pela manhã, os três sentaram à mesa para tomar café e cada qual teve de contar o

seu sonho. O frade disse ter sonhado com a escada de Jacob e descreveu-a

brilhantemente. Por ela, ele subia triunfalmente para o céu. O estudante, então,

narrou que sonhara já dentro do céu à espera do padre que subia. O caboclo sorriu e

falou:

- Eu sonhei que via seu padre subindo a escada e seu doutor lá dentro do céu,

rodeado de amigos. Eu ficava na terra e gritava:

- Seu doutor, seu padre, o queijo! Vosmincês respondiam de longe, do céu.

- Come o queijo, caboclo! Come o queijo, caboclo! Nós estamos no céu, não

queremos queijo.

O sonho era tão forte que eu pensei que era verdade, levantei-me enquanto

vosmincês dormiam e comi o queijo...

Paráfrase – Consiste em substituir uma palavra por outra mantendo o sentido, no

desenvolvimento explicativo ou interpretativo de um texto, de uma expressão e, até,

de outra palavra. Seria uma espécie de tradução dentro da própria língua, em que se

diz, de maneira mais clara, num texto X o que contém um texto Y, sem nada

acrescentar nem omitir.

Perífrase – Consiste em substituir uma palavra por uma série de outras, de modo

que estas se refiram àquela indiretamente. No geral, é uma questão de estilo,

utilizado para evitar a monotonia das expressões feitas e criar novas relações

metafóricas. Ao usar a perífrase, o escritor pressupõe conhecido o termo que se

elide ou se disfarça por seu intermediário.

“Tens de Netuno o reino e salva via.” (o mar) (Os Lusíadas)


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Marilene Silva

Jardim Morto

Frederico Garcia Lorca

Cai chuvosa a manhã sobre o jardim... No final de uma ladeira lamosa e junto de

uma cruz, verde e negra de umidade, está a porta de madeira carcomida que dá

entrada ao recinto abandonado. Mais além há uma ponte de pedra cinzenta e na

distância brumosa uma montanha nevada. No fundo do vale e entre penhas corre o

rio manso cantarolando sua velha canção.

Em um nicho negro que há junto da porta, dois velhos com capas rasgadas

aquecem-se ao lume de uns tições mal acesos... O interior do recinto é angustioso e

desolado. A chuva acentua mais esta impressão. Escorrega-se com facilidade. No

chão, há grandes troncos mortos... Os muros, altos e amarelos, estão cruzados de

gretas enormes, pelas quais saem um resto de claustro, com heras e flores secas,

com colunas inclinadas. Nas fendas das pedras desmoronadas há flores amarelas

cheias de gotas de chuva; nos chãos, há charcos de umidade entre as ervas...

Não restam mais do que as altas paredes onde houve claustros soberbos que

viram procissões com custódia de ouro entre a magnífica seriedade dos tapetes...

Uma coluna ruiu sobre a fonte e ao celebrar suas bodas de pedra o musgo

amoroso cobriu-as com seus finos mantos. Pelos vazios de um capitel jacente

assomam ervas miúdas de verde luminoso.

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Marilene Silva
Abrem-se as plantas umas com as outras, a hera cobre as velhas colunas que

ainda se têm de pé, a água que transborda da fonte lambe o solo de pedra que há em

seu redor e depois se entrega à terra, que a bebe com avidez.

(QUADRO COMPARATIVO)

NARRAÇÃO DESCRIÇÃO DISSERTAÇÃO

• relato de fatos • retrato de pessoas, • defesa de uma idéia ou

ambientes, objetos argumento


• elementos: enredo,

personagens, tempo, • predomínio de atributos a) apresentação de uma


tese a ser defendida
espaço, narrador – introdução
• uso farto de adjetivação
b) desenvolvimento
c) conclusão
• geralmente mesclada • parte de uma imagem • predomínio de
com descrições
• pode ser objetiva ou linguagem objetiva

• o discurso direto e o subjetiva


indireto são freqüentes

A televisão transforma, desfaz e cria hábitos. Os arquitetos já precisam prever, em

seus projetos, um espaço especial para os receptores de TV. A classe média se

orgulha de exibir seus aparelhos, a alta burguesia e a possível aristocracia os

escondem: a escolaridade é inversamente proporcional à televisualidade... Os

espetáculos e os eventos são montados tendo em vista o olho grande da TV; este foi

um dos ponderáveis motivos por que os imponentes espetáculos dos funerais dos

103
Marilene Silva
papas Paulo VI e João Paulo I e da sagração do último foram montados na Praça de

São Pedro e não no interior da basílica... E seria um não mais acabar de exemplos e

considerações, sendo suficiente que se diga, enfim, que a própria noção de cultura

não pode hoje ser debatida sem levar-se em conta a presença dos mass media – a

televisão, em especial. PIGNATARI, Décio. Signagem da Televisão. São Paulo,

Brasiliense, 1984.

 O texto 1 traz uma seqüência de fatos. Envolve três personagens em um


acontecimento e desenvolve a ação em um espaço num determinado lapso de
tempo. Trata-se, portanto, de um texto narrativo. Os textos narrativos desde os
mais simples, como, por exemplo, os contos de fábulas, até os mais complexos,
possuem uma estrutura comum, possível de ser estudada simultaneamente.
 No texto 2, o autor apresenta um retrato do local que parece visualizar, há vários
atributos que compõem a sua imagem física, por isso, pode-se afirmar ser ele um
texto descritivo. Descrever é um processo no qual se empregam os sentidos para
captar a realidade e a reprocessar num texto. Normalmente vem incorporado ao
texto narrativo.
 Já o texto 3, o autor traz idéias, argumentos sobre a influência da televisão na
vida das pessoas, ele mostra o seu ponto de vista acerca do tema. Tem-se aí um
texto dissertativo.

Resumo – Forma de condensar um texto, sem destruir o seu conteúdo e de reunir e

apresentar, de maneira concisa e coerente, as informações básicas contidas em um

texto ou em qualquer outra forma de comunicação. É reduzir o texto original ao seu

essencial, sem destruir o seu conteúdo.

Síntese – Refere-se à concentração de elementos à sua reunião num todo que os

unifique, um ensaio crítico ou interpretativo, necessariamente apoiado em

raciocínios analíticos. Difere do resumo por ser mais, desprezar os pormenores e

caminhar direto para o essencial.

Coesão Textual

 É a ligação, a relação, a conexão entre as palavras, expressões ou frases de um


texto.
 É manifestada por elementos formais que assinalam o vínculo entre os
componentes do texto.
 Há dois tipos básicos:
1. A retomada de termos, expressões ou frases já ditos ou sua antecipação;

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Marilene Silva
2. O encadeamento de segmentos do texto.

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