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MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

PROCURADORIA FEDERAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO


NÚCLEO DE APOIO OPERACIONAL NA PRR-3ªREGIÃO

VOTO Nº 3.369/2016/NAOP/PFDC/PRR3ªREGIÃO PRR3ª-00017391/2016


Referência: IC nº 1.21.001.000197/2012-33
Requerente: Ivanilde Barbosa dos Santos
Representado: Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA
Procurador da República: Dr. André Borges Uliano – PRM/Naviraí
Relatora: Dra. Inês Virgínia Prados Soares

REFORMA AGRÁRIA. VENDA DE LOTES. ADOÇÃO DE


PROVIDÊNCIAS PELO INCRA PARA A RETOMADA DOS LOTES
IRREGULARMENTE OCUPADOS. ARQUIVAMENTO. VOTO PELA
HOMOLOGAÇÃO.

1. Trata-se de Inquérito Civil instaurado inicialmente pela Procuradoria da


República no Município de Dourados/MS, para apurar notícia de comercialização
irregular de lotes de reforma agrária. A apuração teve início a partir do recebimento do
Ofício nº 174/2013/3ªPJ, da 3ª Promotoria de Justiça de Naviraí, o qual encaminhou
cópia do Termo de Declarações prestadas por IVANILDE BARBOSA DOS SANTOS, que
compareceu à sede do MPE/MS em Naviraí e relatou que é integrante do Movimento
Sem Terra (MST) e reside no Acampamento São João Batista, às margens do Córrego
Jenjuí. Afirmou que nos fundos do acampamento reside uma família indígena, a qual
vem tentando intimidar os acampados, por medo de que ocupem suas terras. Afirma que
os indígenas ameaçam os acampados e tem receio de venham a ocorrer agressões físicas.
Pede ao MP a adoção de providências (fls. 02/03).

2. Foi expedido o Ofício nº 936/2012/MADA/PRM-DRS/MS/MPF ao INCRA, por


meio do qual foi solicitada a adoção de providências para a retomada do lote 230 do PA
Foz do Rio Amambaí, que fora irregularmente vendido pela assentada IVANILDE BARBOSA
DOS SANTOS. Conforme apurado, essa assentada teria sido beneficiada com o lote 181 do
Projeto de Assentamento Foz do Rio Amambaí, situado no município de Itaquiraí,
posteriormente trocado pelo lote 230 do mesmo assentamento. Em seguida, foi
determinado o apensamento deste procedimento ao IC nº 1.21.001.000082/2008-62, que
apura, de forma mais abrangente, irregularidades nos assentamentos rurais do município
de Itaquiraí/MS (fls. 04/05).

3. O Ofício nº 936/2012/MADA/PRM-DRS/MS/MPF foi reiterado (fl. 06). Em


resposta, foi informado que foi ajuizada ação de reintegração de posse contra os
ocupantes do lote 181 do PA Foz do Rio Amambaí. Em relação ao lote 230, foi

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informado que IVANILDE não estava mais no local e que os atuais ocupantes foram
notificados a desocupá-lo no prazo de 15 dias (fl. 08).

4. No que se refere à apuração da notícia de possível conflito entre assentados e


grupos indígenas, foi instaurada a NF nº 1.21.003.000033/2016-10, vinculada à 2ª CCR
(fl. 09vº).

5. Em seguida, o Procurador oficiante, Dr. André Borges Uliano, promoveu o


arquivamento do feito com base nos seguintes fundamentos (fls. 10/12):

“Conforme se depreende do ofício de fl. 08 o INCRA já tomou


as providências cabíveis para retomar as parcelas irregularmente
ocupadas.
Logo, do ponto de vista extrapenal, tem-se por esgotada a
questão do lote específico. Quanto às irregularidades num plano
macro, com possível envolvimento de servidores e estruturais da
própria execução da reforma agrária na região, já são objeto do IC
1.21.001.000082/2008-62 e desdobramentos da Operação Tellus.
No tocante ao âmbito criminal, os elementos constantes dos
autos sequer indicativo algum de que o lote tenha sido conseguido
mediante prática criminosa, porquanto a simples alienação, após a
regular concessão do lote pelo INCRA, não se amolda ao tipo
previsto no art. 171 do Código Penal, seja na figura prevista em seu
“caput”, seja nos tipos descritos no § 2°, I e II.
(…)
Logo, a princípio, salvo no caso de surgirem novos elementos
que indiquem prática de ardil, violência ou concurso de servidores,
atípica a conduta, sendo que na hipótese de surgirem novos
elementos a Autarquia terá de comunicar a essa procuradoria, nos
termos do art. 20 da IN 71/2012/INCRA: “as ocupações decorrentes
de compra e venda de áreas de reforma agrária, não suscetíveis de
regularização, serão comunicadas ao Ministério Público Federal”.
Por ora, no entanto, não há medidas a serem tomadas na
esfera penal e já havendo iniciativa, no âmbito cível, no sentido de
retomar o lote, deve o presente ser arquivado.
Ante todo o exposto, promovo o arquivamento do presente
inquérito civil, nos termos da Lei n.º 7.347/1985, art. 9°, caput, e da
Resolução CSMPF n.º 87/2010, art. 17, caput.
Em decorrência, desapense-se o presente procedimento do IC
1.21.001.000082/2008-62 e, após, remetam-se os autos, no prazo de 3
dias, ao Núcleo de Apoio Operacional à PFDC na Procuradoria
Regional da República da 3ª Região, para o exercício de sua

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atividade revisional, nos termos do art. 4º, inc. V, da Resolução n.º


87/10 do Conselho Superior do Ministério Público Federal,
combinado com o art. 3º, inc. I, da Portaria n.º 653/12 do
Procurador-Geral da República.” (g.n.)

6. Correta a decisão, cujos fundamentos adoto, voto pela homologação do


arquivamento. À apreciação do colegiado.

São Paulo, 21 de julho de 2016.

Inês Virgínia Prado Soares


Procuradora Regional da República
Membro do NAOP/PFDC/PRR3R

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ATA DE JULGAMENTO

DECISÃO Nº 3.369/2016/NAOP/PFDC/PRR3ªREGIÃO
Referência: IC nº 1.21.001.000197/2012-33
Requerente: Ivanilde Barbosa dos Santos
Representado: Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA
Procurador da República: Dr. André Borges Uliano – PRM/Naviraí
Relatora: Dra. Inês Virgínia Prados Soares

REFORMA AGRÁRIA. VENDA DE LOTES. ADOÇÃO DE PROVIDÊNCIAS PELO


INCRA PARA A RETOMADA DOS LOTES IRREGULARMENTE OCUPADOS.
ARQUIVAMENTO. VOTO PELA HOMOLOGAÇÃO.

POR UNANIMIDADE, FOI HOMOLOGADO O ARQUIVAMENTO.

Participaram do julgamento a Dra. Inês Virgínia Prado Soares (relatora), Dra. Marcela
Moraes Peixoto e Dr. Walter Claudius Rothenburg.

São Paulo, 03 de agosto de 2016.

Inês Virgínia Prado Soares


Procuradora Regional da República
Membro do NAOP/PFDC/PRR3R