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28/07/2019 “Cedemos os dados sem receber nada em troca.

Deveria haver um mercado” | Tecnologia | EL PAÍS Brasil

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TECNOLOGIA
KRISTIN LAUTER | INVESTIGADORA PRINCIPAL DE CRIPTOLOGÍA E PRIVACIDADE DA MICROSOFT

“Cedemos os dados sem receber nada em troca. Deveria


haver um mercado”
Especialista em criptologia e dados da Microsoft, Kristin Lauter apresenta método de preservação da
privacidade na nuvem

Kristin Lauter em Valência, com sua fórmula de criptografia homomórfica. MÓNICA TORRES

FERRAN BONO ARA

Valência - 25 JUL 2019 - 10:15 BRT

Kristin Lauter é uma estrela da criptografia, da privacidade e da teoria dos números. Não em vão, esta matemática de
49 anos é a principal pesquisadora da Microsoft em Criptografia e Pesquisa em Privacidade. Questões de grande
atualidade. A segurança e o uso de dados pessoais na Internet e a espionagem por meio das novas tecnologias são os
protagonistas do debate sobre os limites da inteligência artificial, da sociedade digital interconectada e do poder das
empresas. Ela apresentou seu método de preservação da privacidade mantendo a possibilidade de enviar os dados à
nuvem no Congresso Internacional Quadrienal de Matemática Aplicada, que reuniu 4.000 cientistas na semana
passada em Valência.

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/07/24/tecnologia/1563979384_129217.html 1/6
28/07/2019 “Cedemos os dados sem receber nada em troca. Deveria haver um mercado” | Tecnologia | EL PAÍS Brasil

Diz que a comunidade científica está TECNOLOGIA


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ciente do risco do que alguns chamam de capitalismo da vigilância (surveillance
capitalism), que tem semelhanças com o Big Brother que George Orwell imaginou em seu romance 1984. “Não posso
falar por todos, é claro, mas o público em geral, os cientistas e as pessoas da indústria estão muito conscientes desses
problemas. Satya Nadella, CEO da Microsoft, diz que a privacidade deve ser um direito humano. A empresa gastou

muito para proteger a privacidade de seus usuários”, diz ao EL PAÍS esta especialista em criptografia de curvas
elípticas.

MAIS INFORMAÇÕES
“Sonho com um mundo em que cada um tenha seus dados criptografados antes de enviá-los à rede.
Neste momento, a situação é que todo mundo dá seus dados sem receber nada em troca. E nós os
damos para tudo. Perguntamos à Siri sobre a recomendação de um restaurante para comer, para
qualquer coisa. Acredito que deveria haver, e a Microsoft considerou isso algumas vezes, um mercado
de dados que as pessoas pudessem decidir se querem dar seus dados e, em troca, pudessem receber
Apple também
contrata pessoas um tipo de compensação”, explica. “Agora, na inteligência artificial, muitos algoritmos são usados com
para ouvir múltiplas finalidades, como reconhecimento facial, recomendações de livros, imagens médicas e
conversas
tratamentos... Mas há um problema de privacidade porque se você envia todos os seus dados
privadas
biológicos à nuvem não sabe quem e como podem utilizá-los”, acrescenta.

Professora da Universidade de Washington, Lauter se dedica há décadas “a criar e atacar problemas


muito difíceis de resolver e que sejam a base de algoritmos criptográficos”. “A fatoração de números
As conversas inteiros muito grandes é o exemplo prototípico de um problema muito difícil que tem sido usado em
que o Google criptografia nos últimos anos”, observa esta cientista sorridente, nascida em Wisconsin, que começa a
escuta:
“Desculpe, falar em espanhol para depois passar ao inglês assim que detalha algumas de suas complexas
querida. Não pesquisas.
posso falar mais
porque minha
mulher chegou” “Há 20 anos, quando passei a trabalhar na Microsoft, comecei a pesquisar em criptografia de curvas
elípticas e agora trabalho com novos problemas como os campos supersingulares exógenos. Muita
gente trabalha e escreve sobre isso”, comenta. Ela se interessou pela matemática na infância, quando
o pai, fã de matemática, lhe apresentava problemas durante as viagens de carro. Depois teve “muita
sorte” porque foi para a Universidade de Boston, que tinha um programa de matemática muito bom.
Google escuta
“Fiquei encantada com a beleza da matemática abstrata”, exclama. A disciplina a ajuda a “pensar de
conversas
privadas de maneira clara e inclusive a escrever corretamente, com um argumento lógico, convincente e conciso”.
usuários em
português e
espanhol Em sua conta no Twitter, Lauter cumprimentou a seleção de futebol feminino dos EUA pela vitória na
Copa do Mundo e reivindicou a equiparação salarial com os homens. Em matemática, sempre foi uma
ativista da igualdade. É fundadora da Women in Numbers, um grupo de sucesso para trabalhar em
rede que se estendeu a outros campos, como o da biomatemática. Lauter argumenta que a sociedade deveria apoiar
mais as mulheres. “Discriminação? Claro que existe. A capacidade de homens e mulheres é a mesma, mas a maioria
dos cientistas são homens. É difícil ter as mesmas oportunidades. Nos EUA existe um grupo com as 40 universidades
de maior prestígio e apenas 5% dos professores permanentes são mulheres. A situação melhorou, mas falta muito”.

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