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Eletromagnetismo I

Indutância

Prof. Dr. Hugo Vasconcelos


Fluxo Concatenado
O fluxo 𝜙1 que passa pela área 𝑆1 limitada pela espira é
Considere uma
espira de corrente 𝐼. 𝜙1 = 𝐵 ∙ 𝑑𝑆 Para 1 espira
𝑆1
Definimos o fluxo concatenado 𝜆 como o fluxo total
que passa através da superfície limitada pelo contorno
do circuito que conduz a corrente.
𝜆 = 𝜙1
Para um solenoide firmemente envolvido, o
fluxo concatenado é igual ao número de espiras
multiplicado pelo fluxo total que as concatena.
Solenoide com 𝑁 espiras 𝜆 = 𝑁𝜙𝑡𝑜𝑡 = 𝑁 2 𝜙1
Indutância

A indutância 𝐿 é a razão entre o fluxo concatenado pela corrente 𝐼 que gera o


fluxo.

𝜆 𝑁𝜙𝑡𝑜𝑡
𝐿= =
𝐼 𝐼

Essa grandeza tem a unidade de henrys (𝐻), igual a weber por ampère.

Os indutores são dispositivos utilizados para armazenar energia no campo


magnético.
Exemplo Vamos calcular a indutância para um solenoide com 𝑁 espiras
firmemente envolvidas em torno de um núcleo 𝜇𝑟 .
𝑁𝐼
𝐻= 𝑎𝑧 No interior de um solenoide

𝜇𝑁𝐼
No interior do núcleo 𝐵= 𝑎𝑧 𝜇 = 𝜇0 𝜇𝑟

𝜇𝑁𝐼𝜋𝑎2
𝜙𝑡𝑜𝑡 = 𝐵 ∙ 𝑑 𝑆 = 𝐵 𝜋𝑎2 =

𝜇𝑁 2 𝐼𝜋𝑎2
O fluxo concatenado é 𝜆 = 𝑁𝜙𝑡𝑜𝑡 =

𝜆 𝜇𝑁 2 𝜋𝑎2
A indutância é 𝐿= =
𝐼 ℎ
Exemplo Determine a indutância de um solenoide ideal com 300 espiras,
ℎ = 0,50 𝑚 e seção reta circular de raio 0,02 𝑚.
𝑁𝐼
𝐻= 𝑎𝑧 No interior de um solenoide

𝜇𝑁𝐼
No interior do núcleo 𝐵= 𝑎𝑧 𝜇 = 𝜇0 𝜇𝑟

𝜇𝑁𝐼𝜋𝑎2
𝜙𝑡𝑜𝑡 = 𝐵 ∙ 𝑑 𝑆 = 𝐵 𝜋𝑎2 =

𝜇𝑁 2 𝐼𝜋𝑎2
O fluxo concatenado é 𝜆 = 𝑁𝜙𝑡𝑜𝑡 =

𝜆 𝜇𝑁 2 𝜋𝑎2
A indutância é 𝐿= =
𝐼 ℎ
Indutância mútua
Tendo o circuito 1, com 𝑁1 espiras, como sendo nossa bobina excitadora, e o
circuito 2, com 𝑁2 espiras, como sendo nossa bobina receptora do efeito.
Quando a corrente 𝑰𝟏 se propaga pelo
circuito 1, esta produz fluxo.
Parte desse fluxo concatena as 𝑵𝟐 espiras
do circuito 2.

𝜙12 = 𝐵1 ∙ 𝑑𝑆2

Onde 𝜙12 é o fluxo de 𝐵1 que concatena o


circuito 2.
Indutância mútua
O fluxo concatenado 𝜆12 é então o número de vezes que 𝜙12 se concatena ao
circuito 2

𝜆12 = 𝑁2 𝜙12

A indutância mútua 𝑀12 é

𝜆12 𝑁2
𝑀12 = = 𝐵1 ∙ 𝑑 𝑆2
𝐼1 𝐼1
Exemplo Vamos calcular a indutância para um solenoide com 𝑁 espiras
firmemente envolvidas em torno de um núcleo 𝜇𝑟 .
𝜇𝑁1 𝐼1
𝐵1 = 𝑎𝑧

𝜇𝑁1 𝐼1 𝜋𝑎2
𝜙12 = 𝐵1 ∙ 𝑑𝑆2 =

𝜇𝑁1 𝑁2 𝐼1 𝜋𝑎2
𝜆12 = 𝑁2 𝜙12 =

𝜇𝑁1 𝑁2 𝜋𝑎2
𝑀12 =

Exemplo Um solenoide com 𝑁1 = 1000 espiras, 𝑟1 = 1,0 𝑐𝑚 e ℎ1 = 50 𝑐𝑚
está posicionado concentricamente no interior de um solenoide, com 𝑁2 =
2000 espiras, 𝑟2 = 2,0 𝑐𝑚 e ℎ2 = 50 cm. Calcule a indutância mútua entre os
solenoides, assumindo que o vácuo preenche o espaço entre eles.
𝜇𝑁1 𝐼1 𝜋𝑟12 𝜇𝑁1 𝐼1
𝜙1 = 𝐵1 ∙ 𝑑 𝑆1 = 𝐵1 = 𝑎𝑧
ℎ ℎ
𝜆12 𝜇𝑁1 𝑁2 𝐼1 𝜋𝑟12
𝑀12 = 𝜆12 = 𝑁2 𝜙1 =
𝐼1 ℎ
Pois o fluxo concatenado está somente
atuando na região interna!

𝜇𝑁1 𝑁2 𝜋𝑟12 𝜇0 𝜇𝑟 𝑁1 𝑁2 𝜋𝑟12 4𝜋 2 × 10−7 × 1000 × 2000 × 0,012


𝑀12 = = =
ℎ ℎ 0,50

𝑀12 = 1,58 × 10−3 𝐻


Energia Magnética
Sabemos que a energia armazenada no campo elétrico está relacionada por
1 2 1
𝑊𝐸 = 𝐶𝑉 = 𝐷 ∙ 𝐸𝑑𝑣
2 2

Para indutores, o trabalho é armazenado como energia no campo magnético.


𝑑𝐼(𝑡)
A tensão 𝑉(𝑡) em um indutor é 𝑉 𝑡 =𝐿
𝑑𝑡
Escrevendo o trabalho, como o produto entre a potência e o tempo

𝑑𝐼(𝑡) 1 2 1
𝑊= 𝑉 𝑡 𝐼 𝑡 𝑑𝑡 = 𝐿 𝐼 𝑡 𝑑𝑡 𝑊𝑀 = 𝐿𝐼 = 𝐵 ∙ 𝐻𝑑𝑣
𝑑𝑡 2 2
Demonstração
𝜇𝑁𝐼
O campo no interior do solenoide é dado por 𝐵= 𝑎𝑧 = 𝐵 𝑎𝑧

𝐵ℎ
Que podemos reescrever como, 𝐼=
𝜇𝑁
𝜇𝑁 2 𝜋𝑎2
A indutância do solenoide é 𝐿=

2
1 2 1 𝜇𝑁 2 𝜋𝑎2 𝐵ℎ 1
O trabalho será 𝑊𝑀 = 𝐿𝐼 = = BH 𝜋𝑎2 ℎ
2 2 ℎ 𝜇𝑁 2

1 2 1
Obtemos 𝑊𝑀 = 𝐿𝐼 = 𝐵 ∙ 𝐻𝑑𝑣
2 2
Lei de Faraday e Lei de Lenz
Faraday declarou sua crença de que se uma corrente podia produzir campo
magnético, então um campo magnético deveria ser capaz de produzir uma
corrente.
A figura ilustra uma espira condutora em
um plano normal a um campo magnético
que aumenta com o tempo.
Como o fluxo magnético através da área
limitada pela espira está variando, uma
corrente 𝐼𝑖𝑛𝑑 é induzida como indicado no
amperímetro.

O fluxo produzido pela corrente induzida


Lei de Lenz atua de modo a se opor à variação do fluxo.
Lei de Faraday e Lei de Lenz
Retirando o amperímetro da espira, deixando o terminal em aberto.
Força eletromotriz
A corrente induzida na espira estabelece
uma diferença de potencial entre os
terminais.
A força eletromotriz 𝑉𝑓𝑒𝑚 está relacionada à
taxa de variação do fluxo, concatenando um
circuito pela lei de Faraday:
𝑑𝜆
𝑉𝑓𝑒𝑚 =− O sinal negativo é uma consequência da lei de Lenz.
𝑑𝑡
𝑑𝜙 𝑑
Para uma espira 𝑉𝑓𝑒𝑚 =− =− 𝐵 ∙ 𝑑𝑆
𝑑𝑡 𝑑𝑡
Lei de Faraday e Lei de Lenz
A 𝑓𝑒𝑚 é medida em torno do caminho fechado que limita a área pela qual o
fluxo passa, podendo ser escrita como
𝑉𝑓𝑒𝑚 = 𝐸 ∙ 𝑑𝐿

Isso contrasta completamente com o caso do campo estático, para o qual a


circulação de 𝐸 em torno de um caminho fechado é zero.
Podemos reescrever a lei de Faraday como
𝑑
𝑉𝑓𝑒𝑚 = 𝐸 ∙ 𝑑𝐿 = − 𝐵 ∙ 𝑑𝑆
𝑑𝑡
Exemplo Suponha que o campo seja 𝐵 = 4𝑡 𝑎𝑧 𝑊𝑏/𝑚2 , onde 𝑡 é dado em
segundos e 𝑎𝑧 está saindo da pagina. Se a espira condutora possui 400 𝑐𝑚2 de
área. Determine a 𝑓𝑒𝑚 estabelecida entre os terminais.

𝑑𝜙 𝑑
𝑉𝑓𝑒𝑚 =− =− 𝐵 ∙ 𝑑𝑆
𝑑𝑡 𝑑𝑡
Exemplo Suponha que o campo seja 𝐵 = 4𝑡 𝑎𝑧 𝑊𝑏/𝑚2 , onde 𝑡 é dado em
segundos e 𝑎𝑧 está saindo da pagina. Se a espira condutora possui 400 𝑐𝑚2 de
área. Determine a corrente se o amperímetro for substituído por um resistor.
Bibliografia

HAYT JR, William H; BUCK, John A. Eletromagnetismo.


8.ed. Porto Alegre: AMGH, 2003.