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Alunas: Beatriz Gordo; Bianca Beltrão e Ruth Crestanello

Turma 10NMA
Processo do Trabalho II – Jaciel Papaleo

1- Qual a matéria a ser tratada em embargos de terceiro? Há necessidade em


garantir o juízo na totalidade? Existe alguma possibilidade em praticar tal ato
no exercício do jus postulandi? Terceiro pode interpor recurso de revista?
Os embargos de terceiro no Código de Processo Civil se constitui em uma ação
incidente, a qual tem por objetivo a exclusão de bens de terceiro de demanda alheia.
Não é admissível a discussão a respeito do título executório ou de nulidade da
execução, restringindo-se exclusivamente à apreciação do direito de terceiro sobre
os bens objeto de apreensão judicial.
O terceiro não é parte legítima no processo. Sua intervenção na lide tem como
finalidade única proteger o seu patrimônio que, em tese, teria sido indevidamente
atingido por ato judicial de constrição de bens.
O terceiro é aquele que, embora sendo parte no processo, defende bens que pelo
título de aquisição ou qualidade em que os possui não podem ser atingidos pela
ação.
Nesse sentido, estabelece o art. 674, do CPC que: “Quem, não sendo parte no
processo, sofrer constrição ou ameaça de constrição sobre bens que possua ou
sobre os quais tenha direito incompatível com o ato constritivo, poderá requerer seu
desfazimento ou sua inibição por meio de embargos de terceiro”.
Em seguida, o §2º, do referido artigo elenca quem é considerado terceiro: o
cônjuge ou companheiro, quando defende a posse de bens próprios ou de sua
meação, ressalvado o disposto no art. 843; o adquirente de bens cuja constrição
decorreu de decisão que declara a ineficácia da alienação realizada em fraude à
execução; quem sofre constrição judicial de seus bens por força de desconsideração
da personalidade jurídica, de cujo incidente não fez parte; o credor com garantia real
para obstar expropriação judicial do objeto de direito real de garantia, caso não
tenha sido intimado, nos termos legais dos atos expropriatórios respectivos.
No que tange à Consolidação das Leis Trabalhistas, apesar de o Juiz Aluysio
Sampaio, por exemplo, entender que os embargos de terceiro são incidentes da
execução, e não uma ação própria regulada pelo CPC, de acordo com o Decreto Lei
nº 960/38; e Genésio Vivanco Solano Sobrinho acompanhar o mesmo raciocínio,
conceituando os embargos como sendo um remédio legal, e não, uma ação; a
corrente majoritária entende ser aplicável às regras do CPC, uma vez ser a CLT
omissa quanto à oposição de embargos de terceiro no processo trabalhista.
O doutrinador Wagner Giglio assevera que, quando o terceiro tiver interesse em
defender bem que por seu título ou qualidade não possa ser objeto de apreensão
em um processo de execução, deverá opor embargos à execução, conforme o art.
884, da CLT.
A apresentação de embargos deve ser feita por advogado legalmente constituído,
e não, pelo próprio terceiro. Isto porque, a faculdade contida no art. 791, da CLT é
excepcional e somente se refere a empregados e empregadores, não abrangendo
terceiros não vinculados à relação de emprego.
Reza o art. 791, da CLT: “Os empregados e os empregadores poderão reclamar
pessoalmente perante a Justiça do Trabalho e acompanhar as suas reclamações até
o final”. Portanto, é inaplicável o princípio do jus postulandi ao terceiro interessado,
devendo este constituir defesa técnica nos autos.
O jus postulandi das partes, estabelecido no art. 791, da CLT, limita-se às Varas
do Trabalho e aos Tribunais Regionais do Trabalho, não alcançando a ação
rescisória, a ação cautelar, o mandado de segurança e os recursos de competência
do Tribunal Superior do Trabalho.
Nesse diapasão, as partes somente dispõem da faculdade de acompanhar
pessoalmente o processo no seu início e em recurso ordinário, agravo de petição ou
agravo de instrumento até o TRT, sendo possível concluir assim, que recursos
interpostos ao TST exigem, portanto, conhecimento técnico, que só o advogado
possui.
Quanto à hipótese do terceiro interpor recurso de revista, cumpre destacar que,
das decisões proferidas pelos Tribunais Regionais do Trabalho ou por suas Turmas,
em execução de sentença, inclusive em processo incidente de embargos de terceiro,
não é cabível recurso de revista, salvo na hipótese de ofensa direta e literal de
norma da Constituição Federal (art. 896, § 2º, da CLT).
No mesmo sentido, conforme a Súmula nº 266 do TST: “Recurso de revista.
Admissibilidade. Execução de sentença (mantida). Resolução nº 121/03, DJ 19, 20 e
21.11.03. A admissibilidade do recurso de revista interposto de acórdão proferido em
agravo de petição, na liquidação de sentença ou em processo incidente na
execução, inclusive os embargos de terceiro, depende de demonstração
inequívoca de violência direta à Constituição Federal”.
Entretanto, de forma mais ampla, cabe salientar que, nos termos do atual art. 896,
§ 10, da CLT, acrescentado pela Lei nº 13.015/2014, é cabível recurso de revista por
violação à lei federal, por divergência jurisprudencial e por ofensa à Constituição
Federal nas execuções fiscais e nas controvérsias da fase de execução que
envolvam a Certidão de Débitos Trabalhistas, criada pela Lei nº 12.440/2011.
Quanto à necessidade de garantir o juízo na totalidade, frise-se que a finalidade
dos embargos de terceiro não é a de desfazer a execução forçada, mas, de afastar
alegada turbação ou esbulho, proveniente de ato judicial, na posse de bens de
pessoa que defende não ser parte na execução que tramita nos autos do processo
originário.
Assim, para conhecimento de agravo de petição interposto nos autos dos
embargos de terceiro não se faz necessária à garantia do juízo.

REFERÊNCIAS

Jus postulandi das partes na Justiça do Trabalho implicações e ineficácia do direito.


Disponível em: https://jus.com.br/artigos/33880/jus-postulandi-das-partes-na-justica-
do-trabalho. Acesso em: 26 out. 2017.

O jus postulandi na Justiça do Trabalho. Disponivel em:


https://nathaliecapistrano.jusbrasil.com.br/artigos/178776369/o-jus-postulandi-na-
justica-do-trabalho-capitulo-01. Acesso em: 26 out. 2017.

A nova Súmula 425 do TST. Ensaio para o fim do jus postulandi?. Disponivel em:
http://www.egov.ufsc.br/portal/conteudo/nova-s%C3%BAmula-425-do-tst-ensaio-
para-o-fim-do-jus-postulandi. Acesso em: 26 out. 2017.
TRT-6 - AP: 43500182008506 PE 0043500-18.2008.5.06.0011, Relator: Acácio Júlio
Kezen Caldeira, Data de Publicação: 08/01/2010

2- Após prolação da sentença a parte vencida interpôs recurso ordinário. A


outra parte requereu execução provisória que foi deferida. No presente caso é
possível a execução ser definitiva?
Sim, é possível a execução ser definitiva, se houver uma fração da sentença que
não tenha sido objeto de recurso. Sendo assim, a execução provisória apenas se
converte em definitiva quando a sentença ou acordão é julgado e transita em
julgado.
De acordo com Leite (2014, p. 336) “provisória é execução quando a decisão
exequenda estiver sendo impugnada por recurso recebido apenas no efeito
devolutivo, que é a regra geral do processo do trabalho”. E mais, Schiavi afirma, “a
execução provisória caracteriza-se como procedimento destinado à satisfação da
obrigação consagrada num título executivo judicial que está sendo objeto de recurso
recebido apenas no efeito devolutivo.”
Desse modo, o art. 899 da CLT: “Os recursos serão interpostos por simples petição
e terão efeito meramente devolutivo, salvo as exceções previstas neste Título,
permitida a execução provisória até a penhora ”. Percebe-se, desse modo, que a
execução provisória no processo é permitida na situação em que a sentença
condenatória ainda não tenha transitado em julgado (LEITE, 2014).
Logo, não há possibilidade de execução provisória ex ofício, desse modo, deverá
a parte peticionar ao juiz requerendo o seu processamento. Entretanto, há autores
que se posicionam referente a possibilidade de o Juiz do Trabalho promover a
execução provisória de ofício, nesse sentido, a 1ª Jornada Nacional de Execução
Trabalhista aprovou o Enunciado n. 15, expressando que juiz do trabalho a
faculdade de iniciar a execução provisória de ofício. O enunciado dispõe:
Sob o argumento de Schiavi, em virtude das consequências que podem advir da
execução provisória para o reclamante, caso o título que lhe de suporte seja alterado
em grau de recurso, é necessário requerimento expresso, não havendo
possibilidade do magistrado laboral inicia-lo de ofício (SCHIAVI, 2015).
Já a execução definitiva, consoante Donizetti (2010, p. 893), pode se dizer que
ocorrerá “quando o direito estiver acertado, seja por meio de sentença transitada em
julgado ou de título extrajudicial”. Assim, o autor acrescenta que será definitiva
quando: I- estiver fundada em sentença transitada em julgado; II- fundada em título
extrajudicial, salvo se houve interposição de embargos do execução, recebidos com
efeito suspensivo e; os embargos do executado sejam julgados improcedentes e da
sentença ainda pende apelação
A decisão exequenda pode, concomitantemente, possuir execução provisória e a
execução definitiva. Assim, o art. 897, § 1º, segunda parte, da CLT, delineia que o
agravo de petição será recebido apenas quando o agravante delimitar, de maneira
justificada, as matérias e valores impugnados, permitida a execução imediata da
parte remanescente até o final, nos próprios autos ou por carta de sentença.
Esse dispositivo deve ser interpretado restritivamente, não estentendo-se a outros
recursos (revista, ordinários, etc), assim, “(...) havendo interposição desses recursos,
a execução somente poderá ser exclusivamente provisória, mesmo em relação às
partes da decisão exequenda que não forem impugnadas” (LEITE, 2014, p. 337).
Se analisada conforme a literalidade do art. 899 da CLT, a execução vai até a
penhora. Há doutrinadores que entendem, desse modo, que uma vez, realizada a
penhora, deve a execução provisória ficar suspensa até que ocorra o transito em
julgado da sentença exequenda. Outros, todavia, defendem que depois da penhora
a execução provisória persiste até a decisão dos embargos à execução.

REFERÊNCIAS
LEITE, Carlos Henrique. Manual de Processo do Trabalho. São Paulo: Atlas, 2014.
SHIAVI, Mauro. Execução no processo do Trabalho. 7 ed. São Paulo: Ltr, 2015.
DONIZETTI, Elpídio. Curso didático de direito processual. São Paulo: Atlas, 2010.

3- Após ser citado nos termos do art. 880 da CLT, o executado efetuou
pagamento no valor referente ao título executivo judicial. Com isso, comente
se o referido ato processual pode ter efeitos distintos, ou seja, dupla
conotação?
Sim, é possível interpretar tal ato processual a partir de uma dupla conotação,
uma vez que o executado após a citação nos termos do art. 880 da CLT, pode (1)
garantir a execução indicando bens à penhora ou (2) efetuar o pagamento do valor
referente ao título executivo, a sentença. Portanto, no caso em questão houve a
segunda hipótese, qual seja, o pagamento do título, acarretando o feito extintivo do
processo de execução.
A execução tem início com a citação do executado, afim de que cumpra a
decisão, o acordo judicial ou a obrigação constante do título executivo extrajudicial
no prazo, pelo modo e sob as cominações estabelecidas ou, quando se tratar de
pagamento em dinheiro, inclusive de contribuições previdenciários devidas a União,
para que o faça em 48 horas ou garanta a execução, sob pena de penhora.
Se o executado, procurado por duas vezes no espaço de 48 horas, não for
encontrado, far-se-á a citação por edital, publicado no jornal oficial ou, na sua falta,
afixado na sede da vara ou juízo, durante 5 dias (art. 880, § 3º da CLT). Não será
realizado no caso de não localização do devedor, o aresto de bens, como ocorre no
processo civil (art. 830 do CPC).
O devedor pode efetuar o pagamento da quantia que entender devida e garantir a
execução em relação ao saldo remanescente (arts. 878-A da CLT; 9º da Lei
6.830/80), sendo, neste caso, imediatamente liberado ao credo o valor depositado
em seu favor. O executado que não pagar a importância reclamada, poderá garantir
a execução ( art. 882 da CLT): i) mediante deposito do valor devido, atualizada e
acrescido de juros, custas processuais e honorários advocatícios e/ou periciais, caso
devidos. Por força do que dispões o art. 39 da Lei nº 8.177/91, a correão monetária e
juros são devidos até a data do efetivo pagamento; ii) pela nomeação de bens à
penhora, observado a ordem estabelecida no art. 835 do CPC.3

REFERÊNCIAS
LEITE, Carlos Henrique. Manual de Processo do Trabalho. São Paulo: Atlas, 2014.
DE ALMEIDA, Lúcio Rodrigues; DE EXECUÇÃO, Conceito. Execução trabalhista.
1997.

4- A reclamada é demandada em vários processos. Diante da presente situação


teve único bem penhorado. Com isso identifique o presente instituto e
comente sobre o posicionamento da jurisprudência trabalhista e CPC.
Trata-se de concurso de credores trabalhistas com a consequente preferência
na ordem de execução. Havendo omissão na CLT sobre o processo de execução,
deve ser aplicada a regra do artigo 889 da legislação trabalhista:
Art. 889 - Aos trâmites e incidentes do processo da execução são
aplicáveis, naquilo em que não contravierem ao presente Título, os
preceitos que regem o processo dos executivos fiscais para a cobrança
judicial da dívida ativa da Fazenda Pública Federal.

No entanto, é resguardada ainda a possibilidade de se recorrer ao processo


civil, conforme preceitua o artigo 769 da CLT:

Art. 769 - Nos casos omissos, o direito processual comum será fonte
subsidiária do direito processual do trabalho, exceto naquilo em que
for incompatível com as normas deste Título.

A própria CLT, em matéria de execução, faz essa remissão expressa, tal como
seu artigo 882 que remete ao 655 do CPC, por exemplo. Dessa forma, é
entendimento jurisprudencial1, inclusive, que a norma do artigo 711 do CPC deve ser
entendida como pertinente, tal como o é no caso em comento:

Art. 711. Concorrendo vários credores, o dinheiro ser-lhes-á distribuído e


entregue consoante a ordem das respectivas prelações; não havendo
título legal à preferência, receberá em primeiro lugar o credor que
promoveu a execução, cabendo aos demais concorrentes direito sobre a
importância restante, observada a anterioridade de cada penhora.

Assim, a preferência pode decorrer da ordem da penhora e pela ordem de


preferência dos credores de acordo com a LEF. No caso em questão, todos os
créditos satisfazem a mesma preferência por serem trabalhistas, isto é, possuem
natureza emergencial e alimentar, dessa forma, a preferência será definida pela
ordem de quem primeiro efetuou pedido de execução da penhora, ou seja, o
processo prevento.

1TRT-9 105431997651900 PR 10543-1997-651-9-0-0, Relator: LUIZ CELSO NAPP, SEÇÃO


ESPECIALIZADA, Data de Publicação: 15/01/2010)