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22/08/2019 C. S. Lewis, J. R. R.

Tolkien e a Grande Guerra – Senso Incomum


 

(http://sensoincomum.org)

(https://institutoborborema.com/loja/)

Literatura

C. S. Lewis, J. R. R. Tolkien e a Grande


Guerra
Na era das ideologias e da política total, escritores como C. S. Lewis e J. R. R. Tolkien
deram poder à imaginação para salvar a liberdade.
Alex Catharino (http://sensoincomum.org/author/alex-catharino/)  12/08/2016

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“A destruição do passado”, afirmou corretamente Eric Hobsbawm (1917-2012), “é um dos


fenômenos mais característicos e lúgubres do final do século XX”. Ainda no início do livro Age of
Extremes: The Short Twentieth Century, 1914-1991 [A Era dos Extremos: O Breve Século XX,
21 1914-1991 (https://www.amazon.com.br/gp/product/8571644683/ref=as_li_tl?
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20&linkId=COTY234SOYZNRFVY)], lançado originalmente em 1994, o famoso historiador
marxista britânico continua tal reflexão ao afirmar que “quase todos os jovens de hoje crescem
numa espécie de presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da
época em que vivem”.

De nossa parte, subscrevendo a constatação de Eric Hobsbawm,


acreditamos que a perda da memória histórica é um fenômeno
dramático que pode ter consequências extremamente desastrosas
para a sobrevivência de nossa civilização. A falta de conhecimento
por parte da maioria dos membros da sociedade acerca do processo
histórico que culmina na perda das liberdades individuais e na
implantação de regimes totalitários é característica partilhada em
várias distopias, como pode ser constatado nos clássicos Lord of the
World [O Senhor do Mundo
(https://www.amazon.com.br/gp/product/8563160362/ref=as_li_tl?
ie=UTF8&camp=1789&creative=9325&creativeASIN=8563160362&linkCode=as2&tag=flavmorgpag
20&linkId=KQXUMISB2IZRQYCU)] de Robert Hugh Benson (1871-1914), The Iron Heel
[O Tacão de Ferro (https://www.amazon.com.br/gp/product/8575590049/ref=as_li_tl?
ie=UTF8&camp=1789&creative=9325&creativeASIN=8575590049&linkCode=as2&tag=flavmorgpag
20&linkId=XGMRYYGDUQ5ZGG6C)] de Jack London (1876-1916), Brave New World
[Admirável Mundo Novo (https://www.amazon.com.br/gp/product/8525056006/ref=as_li_tl?
ie=UTF8&camp=1789&creative=9325&creativeASIN=8525056006&linkCode=as2&tag=flavmorgpag
20&linkId=NX2Y226RMISENA7S)] de Aldous Huxley (1894-1963), 1984
(https://www.amazon.com.br/gp/product/8535914846/ref=as_li_tl?
ie=UTF8&camp=1789&creative=9325&creativeASIN=8535914846&linkCode=as2&tag=flavmorgpag
20&linkId=BNEL3XQYWFHJF2DU) de George Orwell (1903-1950), Fahrenheit 451
(https://www.amazon.com.br/gp/product/8525052248/ref=as_li_tl?
ie=UTF8&camp=1789&creative=9325&creativeASIN=8525052248&linkCode=as2&tag=flavmorgpag
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Shares 20&linkId=H5TFGJOOGPK7LMJG) de Ray Bradbury (1920-2012) e A Clockwork Orange
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20&linkId=AEMUKWEUYATFUA6C) [A Laranja Mecânica] de Anthony Burgess (1917-
1993), assim como nas recentes e populares sagas distópicas The Hunger Games [Jogos Vorazes
(https://www.amazon.com.br/gp/product/B008A6K96G/ref=as_li_tl?
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20&linkId=MTNYCDYZGB3FXZFQ)] de Suzanne Collins, Divergent [Divergente
(https://www.amazon.com.br/gp/product/B01414NECG/ref=as_li_tl?
ie=UTF8&camp=1789&creative=9325&creativeASIN=B01414NECG&linkCode=as2&tag=flavmorgp
20&linkId=6TF675W4RDNMEBO7)] de Veronica Roth, Maze Runner
(https://www.amazon.com.br/gp/product/B017BKD2YM/ref=as_li_tl?
ie=UTF8&camp=1789&creative=9325&creativeASIN=B017BKD2YM&linkCode=as2&tag=flavmorgp
20&linkId=O7T5T7PWU46KOQYV) de James Dashner e Legend
(https://www.amazon.com.br/gp/product/B01414NEOY/ref=as_li_tl?
ie=UTF8&camp=1789&creative=9325&creativeASIN=B01414NEOY&linkCode=as2&tag=flavmorgp
20&linkId=QHVQ4PNRHDZRTJKI) de Marie Lu.

Os perigos que ameaçam o presente e o futuro em decorrência do esquecimento do passado não é


característica exclusiva das narrativas distópicas. Tal preocupação aparece também em diversos
outros gêneros literários, dentre os quais destaco as obras de fantasia mitopoética The Lord of the
Rings [O Senhor dos Anéis (https://www.amazon.com.br/gp/product/8533615671/ref=as_li_tl?
ie=UTF8&camp=1789&creative=9325&creativeASIN=8533615671&linkCode=as2&tag=flavmorgpag
20&linkId=JQ24T7Q6J35SH3QK)] de J. R. R. Tolkien (1892-1973) e The Chronicles of
Narnia [As Crônicas de Nárnia
(https://www.amazon.com.br/gp/product/857827069X/ref=as_li_tl?
ie=UTF8&camp=1789&creative=9325&creativeASIN=857827069X&linkCode=as2&tag=flavmorgpag
20&linkId=XP62ISR2ZNXPHSZ5)] de C. S. Lewis (1898-1963), tanto nos livros quanto nas
adaptações cinematográficas, bem como no universo ficcional criado pelo cineasta George Lucas
na popular saga de filmes Star Wars [Guerra nas Estrelas
(https://www.amazon.com.br/gp/product/8566636260/ref=as_li_tl?
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20&linkId=X4M6GOPSJQSI4QY7)].

Nas duas primeiras trilogias de Star Wars,


produzidas por George Lucas, e no recente filme
The Force Awakens [O Despertar da Força

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ie=UTF8&camp=1789&creative=9325&creativeASIN=8555460212&linkCode=as2&tag=flavmorgpag
20&linkId=EJ2DGNUNMN2VQ4DV)] de J. J. Abrams, lançado em 2015, o problema do
desconhecimento da história da própria vida e da vida da sociedade, por parte da maioria das
personagens, é temática secundária que perpassa toda a trama da narrativa, criando uma série de
questionamentos, muitos dos quais não respondidos ao longo das aventuras.

O mesmo ocorre em As Crônicas de Nárnia de C. S. Lewis, obra em que a ignorância acerca do


passado, em muitos casos, se torna o fio condutor dos acontecimentos, fazendo os protagonistas
empreenderem jornadas em busca da reconstrução da memória, tal como pode ser constatado,
especialmente, em The Horse and his Boy [O Cavalo e seu Menino
(https://www.amazon.com.br/gp/product/8578273583/ref=as_li_tl?
ie=UTF8&camp=1789&creative=9325&creativeASIN=8578273583&linkCode=as2&tag=flavmorgpag
20&linkId=VD5TTBMLDUQBMM7S)] e em The Voyage of the Dawn Treader [A Viagem do
Peregrino da Alvorada (https://www.amazon.com.br/gp/product/8578272668/ref=as_li_tl?
ie=UTF8&camp=1789&creative=9325&creativeASIN=8578272668&linkCode=as2&tag=flavmorgpag
20&linkId=SFUYB6F4B3ELKCU7)], estando presente, embora em menor grau, nas outras
cinco estórias.

Ao longo da narrativa do prólogo da montagem cinematográfica de [A Sociedade do Anel],


lançado em 2001 pelo cineasta Peter Jackson, a questão foi apresentada com brilhantismo em
uma sentença que não existe na versão original do livro, mas que resume com propriedade o
senso histórico presente em toda a obra de J. R. R. Tolkien. Na referida sequência a personagem
Galadriel, interpretada pela atriz Cate Blanchett, ao descrever em linhas gerais os eventos
anteriores ao início da estória, afirma que “algumas coisas que não deveriam ter sido esquecidas
foram perdidas. A história virou lenda, a lenda virou mito”.

Vale ressaltar que as criações de fantasia mitopoética elaboradas por J. R. R. Tolkien e C. S. Lewis
foram motivadas, em graus distintos, por um dos mais significativos eventos históricos de nossa
época: a Grande Guerra, mais conhecida em nossa geração pela denominação Primeira Guerra
Mundial. Os dois renomados literatos serviram durante este conflito ao exército britânico, com a
patente de segundo tenente. Ambos participaram da sangrenta Batalha do Somme, ocorrida entre
os dias 1º de julho e 17 de novembro de 1916, que foi tema de nosso artigo O sangue desses
jovens ainda mancha a nossa época (http://sensoincomum.org/2016/07/01/o-sangue-desses-
jovens-ainda-mancha-nossa-epoca/), publicado neste  Senso Incomum na mesma data que foi
celebrado o centenário do início dessa campanha militar.

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Em grande parte, a Primeira Guerra Mundial não ocupa espaço de maior proeminência na
mentalidade das pessoas, não apenas por conta do fenômeno de destruição do passado,
característico de nossa época e aqui narrado, mas também devido aos eventos que sucederam este
conflito como, por exemplo, a Segunda Guerra Mundial e as tensões entre os Estados Unidos e a
União Soviética, que marcaram a chamada Guerra Fria.

No capítulo “The Recovery of Freedom” [A Retomada da


Liberdade], acrescido na nova edição de 2001 do livro
Modern Times: The World from the Twenties to the
Nineties

(https://www.amazon.com.br/gp/product/0060935502/ref=as_li_tl?
ie=UTF8&camp=1789&creative=9325&creativeASIN=0060935502&linkCode=as2&tag=flavmorgpag
20&linkId=A2UNJB5ITEKRKQDW) [Tempos Modernos: O Mundo dos Anos 20 aos 80],
lançado originalmente em 1983, o historiador conservador britânico Paul Johnson reafirma de
modo mais incisivo a tese central da obra ao afirmar que desde a “tragédia inicial da Primeira
Guerra Mundial, entre 1914 e 1918, o século XX tinha parecido para muitos uma sucessão
incessante de desastres morais e físicos”.

Tanto o conservador Paul Johnson quanto o marxista Eric Hobsbawm concordam que o século
XX pode ser delimitado como um período relativamente breve entre a Primeira Guerra Mundial e
21 o fim da Guerra Fria, cujo término foi marcado pelo processo da queda do Muro de Berlim, em 9
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de novembro de 1989, até a dissolução
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da União Soviética, em 25 de dezembro de 1991. Nas
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palavras de Hobsbawm essa foi uma “era dos extremos”, iniciada com uma “era de catástrofe”,
sucedida por “era de ouro” e encerrada pelo “desmoronamento”, que deu origem à nossa atual
“era de incerteza”.

Lembrando os versos de T. S. Eliot (1888-1965) em The Hollow Men


(https://www.amazon.com.br/gp/product/3640627296/ref=as_li_tl?
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20&linkId=4QWXAURPX2LOKOW6) [Os Homens Ocos], nos quais o poeta afirma “é assim
que o mundo acaba – não com uma explosão, mas com uma lamúria”, o historiador marxista
ressalta que “o Breve Século XX acabou com os dois”. O novo mundo que emergiu após a
Grande Guerra e se manteve até a dissolução do bloco soviético foi marcado pelo relativismo
moral, pelas ideologias seculares e pela vontade de poder que, como destacou Johnson, criaram
“um novo tipo Messias, livre de qualquer sanção religiosa e com um insaciável apetite pelo
controle da humanidade”.

Em sua autobiografia The Sword of Imagination: Memoirs of a Half-Century of Literary Conflict


(https://www.amazon.com.br/gp/product/0802839541/ref=as_li_tl?
ie=UTF8&camp=1789&creative=9325&creativeASIN=0802839541&linkCode=as2&tag=flavmorgpag
20&linkId=T7V5MJDS6VZFISE3) [A Espada da Imaginação: Memórias de Meio Século de
Conflito Literário], lançada postumamente em 1995, o renomado conservador norte-americano
Russell Kirk (1918-1994) definiu a época em que nasceu como um “período de desordem”, em
que “a antiga casca da ordem moral e social havia sido rompida” em consequência da Primeira
Guerra Mundial, da Revolução Bolchevique e do colapso do Império dos Habsburgos.

No início do quarto capítulo de nosso livro Russell Kirk:


O Peregrino na Terra Desolada

(https://www.amazon.com.br/gp/product/8580332249/ref=as_li_tl?
ie=UTF8&camp=1789&creative=9325&creativeASIN=8580332249&linkCode=as2&tag=flavmorgpag
20&linkId=G5LBCB4JJUTZCSXD), defendemos que “o grande drama da mentalidade
21 moderna foi a substituição da disciplinada normatividade que o senso religioso oferece pela ilusão
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das promessas utópicas outorgadas
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pelas diferentes ideologias seculares”. A questão foi abordada
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de modo semelhante em Eliot and His Age [A Era de T. S. Eliot


(https://www.amazon.com.br/gp/product/8580330688/ref=as_li_tl?
ie=UTF8&camp=1789&creative=9325&creativeASIN=8580330688&linkCode=as2&tag=flavmorgpag
20&linkId=7AOPC2PQAIHKW25Q)], por Russell Kirk ao afirmar que “a negação da fé, por
muitos intelectuais racionalistas, causou a ‘Era da Aflição’ e provocou para a grande massa da
humanidade a ‘Era da Ideologia’”.

De acordo com Paul Johnson, “o fim da antiga ordem, com um mundo à deriva em um universo
relativista, era um apelo a que estadistas gângsteres emergissem”. Ainda no início do quarto
capítulo nosso livro sustentamos que:

“Os homens ocos que acreditaram ter se libertado totalmente dos grilhões da antiga fé ao
não mais louvar a Deus acabaram prestando honras aos tiranos ou demagogos,
representados pelas tenebrosas figuras de Vladimir Lenin (1870-1924), Benito Mussolini
(1883-1945), Franklin Delano Roosevelt (1882-1945), Adolf Hitler (1889-1945), Joseph
Stalin (1878-1953), Getúlio Vargas (1882-1954), Francisco Franco (1892-1975), Mao Tsé-
Tung (1893-1973) e tantos outros que povoaram o cenário político do século XX. As pilhas
de cadáveres ideológicos criados pelas guerras, campos de concentração ou políticas
econômicas desastrosas são os frutos da substituição da autoridade do Cristo pelo culto aos
césares da modernidade”.

O conflito espiritual que emerge após a Grande Guerra, na qual em uma era de extremos se torna
necessária a luta da consciência individual contra o poder político e as forças ideológicas, foi
apresentada de modo incisivo por T. S. Eliot no exemplo de resignação do bispo Santo Thomas
Becket (1118-1170) no drama histórico Murder in Cathedral
(https://www.amazon.com.br/gp/product/0156632772/ref=as_li_tl?
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20&linkId=WR4BXGOZRVEQFOCT) [Assassínio na Catedral] de 1935. De modo
semelhante, o teatro eliotiano também ilustra a libertação das tolices do tempo, em consequência
do testemunho do martírio no relato da morte da personagem Celia Coplestone na peça The
Cocktail Party (https://www.amazon.com.br/gp/product/0156182890/ref=as_li_tl?
ie=UTF8&camp=1789&creative=9325&creativeASIN=0156182890&linkCode=as2&tag=flavmorgpag
20&linkId=BUATYPB4EU5G74LS), de 1949.

Em nossa era de incerteza o risco de sofrermos martírio é uma realidade mais próxima para todos
que desejem se insurgir contra a ditadura branda das maiorias. Além da transformação do
relativismo em censura e em assassinato de reputação por intermédio dos mimados tiranos do
politicamente correto, enfrentamos novamente a ameaça física dos islâmicos, que proliferam no
vácuo espiritual criado pelo secularismo anticristão e pelo multiculturalismo. O grande desafio
21 que devemos enfrentar na luta pela consciência individual pode ser resumido nas palavras de
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Russell Kirk, quando em 1969, no livro
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Enemies of the Permanent Things:


Observations of Abnormity in Literature and
Politics

(https://www.amazon.com.br/gp/product/0893854530/ref=as_li_tl?
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20&linkId=ZJDZL4R7KYVIKYZF) [Inimigos das Coisas Permanentes: Observações sobre as
Aberrações em Literatura e Política], asseverou que:

“O escritor criativo, o crítico literário e o professor de literatura são herdeiros de uma antiga
ordem civilizada. Caso faltem com o dever normativo, ou traiam sua cultura com o ideólogo, não
saem impunes. Pagam com as vidas, às vezes, pela deserção; sempre pagam com a perda da
liberdade. Um controle social desumano, que trata literatos como propagandistas políticos servis
– ou como inimigos que devem ser extirpados – toma o lugar da ordem das coisas permanentes”.

Dois exemplos de literatos que souberam honrar tal vocação, além de T. S. Eliot, são os já
mencionados J. R. R. Tolkien e C. S. Lewis. Ambos utilizaram a fantasia mitopoética como um
instrumento pelo qual a ordem das coisas permanentes é discutida. Acentuamos que,
diferentemente da crença da maioria dos leitores ou dos analistas, tanto As Crônicas de Nárnia
quanto O Senhor dos Anéis não possuem como principal tema a guerra do bem contra o mal.

As montagens cinematográficas reforçaram uma visão errônea acerca do gênero literário das duas
sagas, que assumiram para o grande público a feição de aventuras permeadas de romances
quando, na verdade, são obras do gênero épico, cujo tema principal é a questão escatológica da
morte e do juízo final, onde a disposição de aceitar com resignação o sacrifico do martírio
permeia as duas narrativas. O próprio Tolkien, em carta datada
(https://www.amazon.com.br/gp/product/8589101088/ref=as_li_tl?
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20&linkId=2UADI76L7DE5G4B7)
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de 17 de novembro de 1957, afirmou que “a história não é
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realmente sobre Poder e Domínio: isso apenas mantém as rodas girando; ela é sobre a Morte e o
desejo pela imortalidade”.

Afirmamos no presente texto que, em graus distintos, tanto O Senhor dos Anéis quanto As
Crônicas de Nárnia foram motivadas pelas experiências pessoais de J. R. R. Tolkien e de C. S.
Lewis na Primeira Guerra Mundial. O tema é amplo demais para o discutirmos de modo
aprofundo no presente ensaio. No entanto, os interessados poderão encontrar análise detalhada
no livro A Hobbit, a Wardrobe, and a Great War: How J.R.R. Tolkien and C.S. Lewis
Rediscovered Faith, Friendship, and Heroism in the Cataclysm of 1914-18
(https://www.amazon.com.br/gp/product/B00PWOH1EM/ref=as_li_tl?
ie=UTF8&camp=1789&creative=9325&creativeASIN=B00PWOH1EM&linkCode=as2&tag=flavmorg
20&linkId=QW3I6BDPNGGORQAH) [Um Hobbit, um Guarda-roupas e uma Grande
Guerra: Como J. R. R. Tolkien e C. S. Lewis Redescobriram a Fé, a Amizade e o Heroísmo no
Cataclismo de 1914-18], lançado em 2015, pelo historiador Joseph Loconte. Outro trabalho que
destaca a influência da experiência pessoal na Primeira Guerra Mundial do autor de O Senhor dos
Anéis na criação desse universo ficcional é o livro Tolkien and The Great War: The Threshold of
Middle-earth (https://www.amazon.com.br/gp/product/B00D5FI7GG/ref=as_li_tl?
ie=UTF8&camp=1789&creative=9325&creativeASIN=B00D5FI7GG&linkCode=as2&tag=flavmorgp
20&linkId=WZ7HL5MR7HCBOVYE) [Tolkien e a Grande Guerra: O Limite da Terra Média]
de John Garth, lançado em 2003.

Foram os terrores da Primeira Guerra Mundial que forjaram algumas das percepções mais agudas
de J. R. R. Tolkien e de C. S. Lewis. O conflito envolveu quase todas as potencias europeias e
sepultou o otimismo progressista dos liberais clássicos, que animou o longo Século XIX, dando
lugar a uma nova era de barbárie. Determinados fatores que emergiram durante esse período
marcariam a fisionomia do Século XX. A utilização de novas máquinas de combate, como os
aviões, os tanques de guerra e os submarinos, ampliaram em muito as baixas, sendo fator que
criou a desconfiança de Tolkien e de Lewis em relação à crença iluminista segundo a qual os
progressos intelectuais da razão instrumental seriam necessariamente acompanhados de progresso
moral.

Em uma passagem do terceiro capítulo do livro The Abolition of Man [A Abolição do Homem
(https://www.amazon.com.br/gp/product/8578275411/ref=as_li_tl?
ie=UTF8&camp=1789&creative=9325&creativeASIN=8578275411&linkCode=as2&tag=flavmorgpag
20&linkId=N73T3X2MAH43PLZH)], lançado originalmente em 1943, ao apontar o processo
pelo qual a ciência no seu sentido mais puro, como busca do verdadeiro conhecimento e
sabedoria, foi prostituída e substituída pela busca do poder sobre a natureza, numa espécie de
“oferta do bruxo”, na qual o homem ao ceder, objeto após objeto, cede a si próprio e à natureza
em troca de poder, C. S. Lewis afirma que “é possível que o seu triunfo tenha vindo rápido
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demais e tenha sido comprado por um preço


excessivamente alto; talvez sejam necessários uma certa
reconsideração e algo como um ato de contrição”. De
modo semelhante, em uma carta datada de 29 de maio de
1945 para seu filho Christopher Tolkien, que durante a
Segunda Guerra Mundial estava servindo à Royal Air
Force (R.A.F.) na África do Sul, J. R. R. Tolkien lamenta
o fato com as seguintes palavras:

“Pelo menos seria um certo consolo para mim se você


escapasse da R.A.F. E eu espero, caso a transferência
[para a Armada Aérea Ligeira] seja efetuada, que isso
signifique uma transferência verdadeira e uma recomissão. Não seria fácil para mim
expressar a você o tamanho de minha aversão pelo Terceiro Serviço [Força Aérea] – que,
entretanto, pode ser, e é para mim, combinada com admiração, gratidão e, acima de tudo,
piedade pelos jovens pegos nele. Mas é o avião de guerra o verdadeiro vilão. E nada pode
realmente reparar meu pesar por você, meu mais amado, ter qualquer ligação com ele. Meus
sentimentos são mais ou menos aqueles que Frodo teria tido se descobrisse alguns Hobbits
aprendendo a montar aves Nazgûl ‘para libertar o Condado’. Embora neste caso, como nada
conheço do imperialismo britânico ou americano no Extremo Oriente que não me encha de
arrependimento e náusea, receio que eu não seja sequer apoiado por um vislumbre de
patriotismo no que resta desta guerra. Eu não daria um penny a ela, o que dirá um filho,
fosse eu um homem livre. Ela só pode beneficiar os Estados Unidos ou a Rússia,
provavelmente a última. Mas, pelo menos, a Guerra Russa-Americana ainda não eclodirá
por um ano”.

De modo diferente das visões simplistas de muitos progressistas, a tecnologia não é


necessariamente um meio de libertação do indivíduo, pois na maioria das vezes é utilizada pelos
governantes e pela burocracia governamental como meio de ampliar o controle estatal sobre a
sociedade. As novas máquinas e as armas químicas utilizadas na Primeira Guerra Mundial, além
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de terem causado a morte massiva da população civil,
C. S. Lewis, J. R. R. Tolkien e a Grande Guerra – Senso Incomum

com o objetivo deliberado de cortar as fontes de


recursos nas frentes de batalha, proporcionaram a
ampliação da esfera governamental por intermédio do
crescimento de todos os setores estatais,
principalmente ao forçar artificialmente o ritmo de
industrialização. Como acentuou Paul Johnson, “o
efeito da Grande Guerra foi o de aumentar
significativamente o tamanho do Estado e, em
consequência, a sua capacidade de destruição e a sua tendência à opressão”.

O agigantamento da esfera governamental por intermédio do intervencionismo das


regulamentações burocráticas em detrimento das liberdades individuais durante a Primeira Guerra
Mundial foi um fator que, no período entre guerras, levou, por um lado, à crença no
planejamento social e econômico nas sociedades democráticas e, por outro, possibilitou a
emergência de regimes totalitários. Ainda durante o período da Grande Guerra, os bolcheviques
implantaram uma ditadura comunista na Rússia em 1917 que duraria até 1991. Fundado logo
após o armistício, o movimento fascista italiano assumiu o poder em 1922. No ano de 1933
ocorre a ascensão dos nazistas na Alemanha.

Personagens como a Feiticeira Branca, a Dama do


Vestido Verde e o usurpador Miraz em As Crônicas de
Nárnia ou Morgoth, Sauron e Saruman no universo de
O Senhor dos Anéis podem ser comparados aos tiranos
ou demagogos que povoaram o cenário político do
século XX. O caso mais paradigmático dessa questão se
encontra no episódio denominado “O expurgo do
Condado”, narrado no oitavo capítulo do livro VI de O
Retorno do Rei [O Retorno do Rei] que, infelizmente,
não foi incluído na versão cinematográfica de Peter
Jackson. Esta passagem da obra relata a luta de Frodo,
Sam, Pippin e Merry, após retornarem da Guerra do
Anel, para libertar o Condado do “regime fascista”
implantado por Saruman e seus rufiões. De acordo com o próprio J. R. R. Tolkien, em uma carta
não datada de 1956, os acontecimentos do capítulo em questão servem, acima de tudo, para
ressaltar um aspecto fundamental da estrutura narrativa, “planejada pare ser ‘hobbitocêntrica’, isto
é, primeiramente um estudo do enobrecimento (ou santificação) dos humildes”.

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Adotando o título de “O Chefe”,
22/08/2019
Saruman dominou o Condado com o apoio de rufiões,
C. S. Lewis, J. R. R. Tolkien e a Grande Guerra – Senso Incomum

implantando uma forma autoritária de governo central que representou uma completa mudança
no modo de vida dos Hobbits. O “sarumanismo” se caracterizou pela adoção de longa lista de
regras arbitrárias contrárias aos costumes livres do Condado. Dentre tais regulações se destacam
as proibições da entrada no Condado entre o pôr-do-sol e a aurora, a de acolher pessoas de
improviso e a de consumir cerveja ou erva-de-fumo; a realização de coleta, estocagem e
redistribuição da produção de alimentos por funcionários públicos; o fechamento das estalagens e
tavernas; a criação de quotas de consumo diário de comida e de lenha; a ampliação maciça, contra
a vontade dos hobbits, do número de Condestáveis, que, por sua vez, não tinham mais
autorização para abandonar a função; a implantação da censura e o estimulo às delações; o
encarceramento arbitrário de hobbits; o confisco e a destruição de propriedades privadas; além do
corte das árvores e da poluição do rio e do ar por maquinarias.

A preservação do modo de vida da população do Condado só foi possível por meio de uma
violenta batalha contra o domínio dos rufiões e pela liberdade, que foi comandada por Merry,
Pippin e Sam, na qual Frodo participou, “mas sem sacar a espada”, exercendo apenas a tarefa de
“impedir que os hobbits, em sua ira pela perda dos entes queridos, matassem aqueles inimigos
que tinham deposto as armas”.

De modo semelhante à ditadura de Saruman no Condado, no livro The Lion, The Witch and the
Wardrobe [O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa
(https://www.amazon.com.br/gp/product/8578270886/ref=as_li_tl?
ie=UTF8&camp=1789&creative=9325&creativeASIN=8578270886&linkCode=as2&tag=flavmorgpag
20&linkId=JOOYVC3AN355DKR5)], Jadis, a Feiticeira Branca, dizia ser a rainha de Nárnia,
sendo odiada por todos que eram bons, mas temida por conta “de transformar as pessoas em
21 pedra e fazer mil coisas terríveis”, como ter submetido o reino ao inverno de cem anos, além de
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manter um regime ditatorial, controlado
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pelo medo. Assim como na narrativa de J. R. R. Tolkien,
C. S. Lewis, J. R. R. Tolkien e a Grande Guerra – Senso Incomum

na obra de C. S. Lewis a vitória contra a tirana usurpadora só é conquistada por intermédio do


sacrifício individual e de uma violenta guerra.

A percepção do autor de O Senhor dos Anéis sobre


o risco do planejamento central se tornar um meio
de reduzir a liberdade nas nações democráticas é
semelhante à tese apresentada em 1944 por F. A.
Hayek (1899-1945) no livro The Road to Serfdom
[O Caminho da Servidão

(https://www.amazon.com.br/gp/product/B004YFEDUA/ref=as_li_tl?
ie=UTF8&camp=1789&creative=9325&creativeASIN=B004YFEDUA&linkCode=as2&tag=flavmorgp
20&linkId=VBWCFMLA42AXGVVF)]. Em um rascunho não incluído em carta de 1954, J. R.
R. Tolkien afirmou que “os tiranos perdem de vista objetivos”, por conta de um fator moral ou
patológico, e “tornam-se cruéis e gostam de esmagar, ferir e macular”. Escrevendo para o filho
Christopher em 30 de janeiro de 1945, ressaltou o exemplo dos santos que nunca curvaram “seus
corações e vontades ao mundo ou ao espírito maligno”, mal esse encarnado na modernidade pelo
“socialismo em cada uma de suas facções em guerra atualmente”. Em uma carta de 1956, Tolkien
ressaltou sua aversão ao socialismo e ao planejamento estatal com as respectivas palavras:

“Não sou um ‘socialista’ em qualquer sentido, sendo avesso ao ‘planejamento’ (como deve
estar claro) principalmente porque os ‘planejadores’, quando adquirem poder, tornam-se tão
maus – mas eu não diria que temos que sofrer a malícia de Charcote [Saruman] e de seus
Rufiões aqui, apesar do espírito de ‘Isengard’, se não de Mordor, certamente estar
aparecendo”.

Mais de um século após o início da Grande Guerra, o planejamento estatal e a arrogância dos
planejadores são apenas parte dos inúmeros problemas legados pelo conflito mundial que ainda
devastam as sociedades democráticas. Nesse sentido, como enfatizou Russell Kirk “a trombeta de
Tolkien nos desperta para as verdades de que o mundo é, necessariamente, um lugar de esforço e
de que nenhum destino é pior do que uma débil segurança”. Nas divertidas Screwtape Letters
[Cartas de um Diabo a seu Aprendiz
(https://www.amazon.com.br/gp/product/8578271114/ref=as_li_tl?
ie=UTF8&camp=1789&creative=9325&creativeASIN=8578271114&linkCode=as2&tag=flavmorgpag
21 20&linkId=6YND3AXPD2L56BYM)], um livro de ficção satírico escrito em estilo epistolar,
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dedicado ao amigo J. R. R. Tolkien,
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e publicado em 1942, dentre os diversos conselhos dados
C. S. Lewis, J. R. R. Tolkien e a Grande Guerra – Senso Incomum

por um experiente tentador para um iniciante demônio que busca corromper uma alma, C. S.
Lewis elaborou a respectiva sentença narrando um dos desejos infernais:

“Nós, no entanto, queremos um homem atormentado pelo futuro […] e dependente por
sua fé no sucesso ou no fracasso de planos cujo objetivo ele não viverá o suficiente para
presenciar. Queremos uma raça inteira de seres perpetuamente em busca do fim do arco-íris,
jamais honestos, jamais gentis, jamais felizes agora, e sempre usando toda dádiva verdadeira
que lhes é concebida no Presente como mero combustível para poderem encher de dádivas o
altar do futuro”.

O encantador dragão dourado do secularismo, com suas promessas de progresso ilimitado da


humanidade, além de ter enfraquecido a identidade religiosa e cultural de nossa civilização por
intermédio das chamas brilhantes do relativismo, do hedonismo, do democratismo, do
multiculturalismo e do politicamente correto, não está se mostrando capaz de proteger os povos
livres das ameaças do moderno dragão vermelho socialista e do antigo dragão verde do islamismo.
A melhor defesa contra as chamas desses monstros é o escudo das virtudes, ao passo que a
principal arma que devemos utilizar no combate tanto contra essas duas bestas ameaçadoras
quanto contra a fera sedutora é a espada de imaginação, cuja lâmina deve ser constantemente
afiada pela imaginação moral e pela sabedoria histórica. Nesse sentido é importante recorrermos
tanto à normatividade oferecida pela fantasia mitopoética de C. S. Lewis e de J. R. R. Tolkien
quanto ao entendimento do contexto histórico da Grande Guerra, no qual essas obras foram
geradas. Os livros de Joseph Loconte e de John Garth podem ser os passos iniciais nessa jornada.

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otávio • 2 anos atrás


Que texto! Que análise profunda! Parabéns!
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Epaminondas • 3 anos atrás


Entendi que, por debaixo de uma espessa bibliografia, o ensaio dá a entender que as mazelas do Séc. XX decorreram do
afastamento da moral cristã, por parte de “regimes seculares”. Acho isto uma leitura errada. O cristianismo como
depositário da moral falhou miseralmente em todos os séculos anteriores, promovendo também conflitos armados — claro
que alguém aqui vai sacar a calculadora e comparar os mortos de um Regime Soviético versus Cruzadas. O ponto não é
numerário, mas questão de princípio do clero cristão, que imagino que tenha sido gente mais exposto à moral cristã do que
qualquer outro, sempre se coligou a regimes políticos e a sua doutrina expandiu não por uma “sede moral”, mas
acompanhando a expansão política destes regimes.

Tenho por mim que movimentos revolucionários não eram deliberamente antirreligioso. Meramente, se contrapuseram a
estreita ligação clerical com o poder vigente. Dizer que os movimentos revolucionários de esquerda eram indignos à
condição humana por ser antirreligiosos, é esquecer às vezes, no passado e no presente, que a religião tornou a condição
humana miserável.

O lapso cristão não ofereceu oportunidade para regimes totalitários crescerem. Foi só a troca de culto. Gente esclarecida não
vai encarar o cristianismo ou marxismo como dogmas, cujo os fins justificam o meio, o contrário do que se supõe ser
moralidade.
△ ▽ • Responder • Compartilhar ›

Aderbal Matias > Epaminondas • 2 anos atrás


Vc está usando como parâmetro as ações da Igreja Católica. Mas lembre-se de que ela é uma dissidente, o verdadeiro
cristianismo está descrito no livro de Atos dos Apóstolos. Se alguém se afastou desse contexto, se afastou também
daquilo que é a vontade de Deus para com o homem.

Portanto o cristianismo não falhou miseravelmente, como vc disse. Ele continua intacto, os homens é que rejeitaram
a palavra da verdade.
△ ▽ • Responder • Compartilhar ›

Epaminondas > Aderbal Matias • 2 anos atrás


“Deturparam Jesus”.

Aonde foi que já ouvi uma escusa parecida?


7△ ▽ • Responder • Compartilhar ›

Mr.Towel > Epaminondas • 3 anos atrás • edited


O seu pensamento de que qualquer sistema de crenças pode ser utilizado como ferramenta para cometer atrocidades
está correto.

Mas a questão não é somente isso. Num julgamento de sistemas morais, a principal chave do julgamento não está no
uso histórico de tal crença, esse valor quantitativo só oferece uma idéia geral do que a crença implica mas não revela
o princípio por trás dessa crença. Ele não pode revelar a sua essência. A sua essência só pode ser descoberta
analisando a crença em si mesma, para só então analisar os fatos históricos a partir dessa compreensão.

Nessa perspectiva, Cristianismo e Marxismo são tão próximos quanto Gelo e Fogo.
△ ▽ • Responder • Compartilhar ›

Luciano • 3 anos atrás


"The bedrock belief in the responsibility to resist evil is why their stories, so fantastical in style, seem to speak into our
present reality. The war against evil is the moral landscape of our mortal lives. Whatever form evil takes in our world, we are
called to resist it, with God’s grace." - Joseph Loconte
21 Obrigado pelo texto, dá vontade de ler tudo outra vez, pena que só tenho uma vida.
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Lucília Simões • 3 anos atrás


A arte que faz refletir sobre a existência vira mera rotina das dicotomias.
Lindo artigo. A dimensão da Grande Guerra e suas consequências são ocultadas, e seus artigos dão essa atualidade ao
passado. Queria trabalhar menos para poder ler os livros que vc cita.
△ ▽ • Responder • Compartilhar ›

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