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Processos Integrados de Distribuição e Logística

Unidade 1
 Na antiguidade, as funções logísticas básicas (estoque, armazenagem e transporte)
permitiram a sobrevivência da raça humana, enquanto que na atualidade, o
desenvolvimento econômico e tecnológico torna possível o gerenciamento eficiente e
eficaz de operações logísticas cada vez mais complexas e exigentes.
 Logística Direta: o fluxo da cadeia de suprimentos se inicia com a matéria-prima até a
produção, e prossegue com a distribuição até a entrega ao consumidor final. A parte da
entrega é vista como a mais importante pois chama a atenção de toda a organização, o
que exige um alto nível de integração entre os agentes da cadeia. Na logística direta, o
canal da rede de suprimentos é linear e unidirecional. Ele se inicia na extração e manejo da
matéria prima para o consumo, passando pela produção ou transformação desse insumo
para a criação de um produto. Depois de pronto, ele parte para a armazenagem, e por fim,
é distribuído conforme sua demanda.
 Logística Reversa: Na logística reversa, o fluxo de materiais passa a ser circula, fazendo
com que os materiais retornem as etapas anteriores da cadeia para o seu processamento
em uma nova utilização, por meio na reutilização ou reciclagem. A logística reversa
também exige um nível de integração entre os agentes da cadeia e, como o caminho é
inverso e os produtos ou seus resíduos, embalagens e afins são movimentados do
consumidor em direção ao produtor, possui duas estratégias operacionais que são a
logística de pós-venda e da pós-consumo.

Funções Logísticas na Organização


 Logística de Suprimentos (convergente): Identificação das necessidades materiais e
obtenção de matérias-primas e serviços – Função Obtenção.
 Logística de (Produção) e Armazenagem: Estocagem de matérias-primas (linhas de
produção) e estocagem de produtos acabados – Função Armazenagem.
 Logística de Distribuição (divergente): Entrega de produtos acabados ao destinatário –
Função Distribuição.

Supply Chain
Supply chain significa literalmente “cadeia de suprimentos” e se refere aos processos e aos
diversos caminhos por quais passam os produtos, desde a retirada da matéria-prima até a
entrega ao consumidor final. A ideia é interligar diversas empresas para que o consumidor seja
atendido de forma mais eficiente e eficaz, tendo suas demandas e necessidades atendias.

A Logística na História da Humanidade


 A sobrevivência sempre foi a maior preocupação do homem e assim desenvolveu
habilidades para produzir, armazenar e transportar bens. Além disso, logo percebeu que
trabalhar de forma cooperativa poderia reduzir dificuldades e alcançar melhores resultados.
 O desenvolvimento da logística está intimamente ligado ao progresso das atividades
militares e das necessidades resultantes das guerras, principalmente a Segunda Guerra
Mundial, onde o avanço tecnológico proporcionou a origem da logística moderna.

Logística Empresarial
Moura (1998): "A logística consiste em fazer chegar a quantidade certa das mercadorias certas
ao ponto certo, no tempo certo, nas condições e ao mínimo custo; a logística constitui-se num
sistema global, formado pelo inter-relacionamento dos diversos segmentos ou setores que a
compõem. Compreende a embalagem e a armazenagem, o manuseio, a movimentação e o
transporte de um modo geral, a estocagem em trânsito e todo o transporte necessário, a
recepção, o acondicionamento e a manipulação final, isto é, até o local de utilização do produto
pelo cliente.

Objetivos da Logística: os “8 R”
Segundo a SOLE – Society of Logistics Engineers:
 Right Material (materiais certos)
 Right Quantity (na quantidade certa)
 Right Quality (de qualidade certa)
 Right Place (no lugar certo)
 Right Time (no tempo certo)
 Right Method (com o método certo)
 Right Cost (segundo o custo certo)
 Right Impression (com uma boa impressão).

A Missão da Logística Atual


Dispor mercadorias ou serviços na hora certa, no local certo, na quantidade certa, na qualidade
certa, com custo adequado. O que abrange: os insumos, matérias primas e materiais; recursos
humanos; informações e dados; e meios de produção e transporte.
O foco principal das organizações é satisfazer as necessidades dos clientes e dos
consumidores e, ao mesmo tempo, maximizar tanto a participação de mercado quanto o lucro.
(Arbache, 2006)

A Importância da Informação no Processo Logístico


Na definição dos sistemas de informação estão incluídos: o serviço ao consumidor, tráfego e
transporte, armazenagem e estoque, seleção da localização das fábricas e armazéns, controle
de estoque, processamento de pedidos, comunicações de distribuição, obtenção, manuseio de
materiais, peças e serviços de apoio, seguros, embalagens, manuseio de bens retornáveis e
previsão da demanda.

Razões do Interesse Atual pela Logística


• Rápido e elevado crescimento dos custos, particularmente concentrado nos serviços de
transporte, armazenagem e infraestrutura;
• Desenvolvimento de técnicas matemáticas, de equipamentos e de software com sistemas
capazes de tratar eficientemente a massa de dados normalmente necessária para a análise de
um problema logístico;
• Complexidade crescente, em prazos, fornecedores e custos de administração de materiais e
da distribuição física, tornando necessários sistemas mais complexos;
• Disponibilidade de maior gama de serviços e provedores logísticos;
• Mudanças rápidas de mercado e de canais de distribuição, especialmente para bens de
consumo;
• Tendência de os varejistas e atacadistas transferirem as responsabilidades de gestão dos
estoques para os fabricantes.
(Dias, 2010)

Estratégia: Perspectiva Histórica


A essência do posicionamento estratégico consiste em escolher atividades diferentes daquelas
dos concorrentes. Em estratégia, o tudo é nada. O menos é mais. Ser diferente, focalizar uma
escolha e demarcar uma posição única no mercado fazem parte da excelência estratégica
empresarial.

Globalização e Competitividade
No mundo atual, com a globalização da economia, tornou-se crescente a necessidade das
empresas serem competitivas nos mercados interno e externo e essencial desenvolver
diferencial competitivo significativo e duradouro, frente aos concorrentes, de forma a garantir
sua sobrevivência.

Diferencial Competitivo
A diferenciação pode ser obtida pela prestação de um maior e mais completo pacote de
serviços, acompanhada pela manutenção ou, até mesmo, redução dos preços praticados.

Marketing e Logística
O objetivo de juntar ambas áreas é gerar vantagem competitiva e agregar valor ao produto, o
colocando nas mãos do consumidor no tempo e no local certos.

“O valor do produto para o comprador será o custo, a menos que ele seja diferenciado por
níveis de serviço especiais. Para que seus produtos sejam adquiridos, as empresas devem
esforçar-se para atingir uma posição de liderança no mercado, por produtividade (baixos
custos) ou por fornecer um nível de serviço sem competidores”. (Arbache, 2004)
A integração entre marketing e logística possibilita a geração de:
Níveis de serviços ótimos e competitivos
1. Níveis de serviços ótimos e competitivos
2. Vendas efetivas - com menor falta de estoque
3. Redução dos custos totais
4. Controles e gestão de estoques nos diversos escalões do processo de produção e
distribuição
5. Geração, difusão e controle dos fluxos de informações
6. Pesquisa e desenvolvimento de fornecedores (sourcing).

Serviço Logístico ao Cliente


Serviço logístico ao cliente pode ser entendido como todas as atividades envolvidas no aceite,
processamento, faturamento e entrega de pedidos aos clientes, nas condições, quantidades e
prazos acordados, de forma percebida como satisfatória pelo cliente, atingindo os objetivos da
organização.

Serviço ao Cliente X Custos


As empresas investem pesadamente em: contratação de pessoal qualificado; pesquisa e
desenvolvimento de novos produtos; modernos equipamentos de comunicação; seleção e
desenvolvimento de fornecedores; soluções de TI e capacitação gerencial.

Para proporcionar aos clientes serviços personalizados: disponibilidade de produtos no


estoque; atendimento de lotes variados; garantia de prazo de entrega; atendimentos de
pedidos não programados; customização de produtos e embalagens e qualidade dessas na
hora do transporte e armazenagem; auxílio à merchandising; rastreabilidade do pedido e etc.

Elementos do Serviço ao Cliente


 Pré-transacionais
o Política de serviço ao cliente formalizada e publicada
o Estrutura organizacional adequada
o Flexibilidade
o Acessibilidade
o Consultoria de serviços técnicos

 Transacionais
o Níveis de estoque adequados
o Clico de pedido confiável
o Atendimento padronizado de pedidos e esclarecimentos
o Informações sobre forma de atendimento de pedidos
o Disponibilidade de embalagens e transportes adequados

 Pós-transacionais
o Disponibilidade de reparos, reposição de produtos e peças
o Rastreamento da localização do produto
o Garantias e reparos tempestivos
o Acessibilidade e atendimento tempestivo de queixas e reclamações
o Sistema de atendimento de chamadas
o Reposição temporária do produto durante reparos

Razoes que justificam a manutenção de clientes não rentáveis


 Clientes novos, que ainda estão se adaptando ao modelo logístico oferecido.
 Clientes que dão prestigio servem de atração a novos clientes
 Clientes que proporcionam aprendizado organizacional (novos processos de fabricação e
logística e novas práticas gerencias).

Clientes Rentáveis
 Pedem produtos padronizados
 Pedem grandes quantidades
 Pedem de forma previsível
 Solicitam entregas padronizadas
 Não mudam as condições das entregas
 Utilizam ferramentas automáticas de comunicação
 Exigem pouco ou nenhum apoio prévio às vendas (preços e pedidos padrões)
 Exigem poucos serviços pós-venda
 Mantem estoques (utilizam abastecimento programado)
 Pagam pontualmente

Clientes Não Rentáveis


 Pedem produtos personalizados
 Pedem quantidades variáveis
 Pedem de forma imprevisível
 Solicitam entregas personalizadas
 Mudam constantemente as condições de entrega
 Fazem pedidos por processamento manual
 Exigem apoio prévio às vendas (visita de vendedores, técnicos, merchandising)
 Exigem constantemente serviços pós-venda
 Exigem que o fornecedor mantenha estoques para eles
 Pagam com atraso

Unidade 2- A Função Distribuição: Conceito, Importância e Abrangência

Função Distribuição
“É o conjunto de processos operacionais e de controle que permitem transferir os produtos
desde o ponto de fabricação, até o ponto em que a mercadoria é finalmente entregue ao
consumidor”.
Função Distribuição – Importância
A importância da Função Distribuição no processo organizacional baseia-se no fato de muitas
vezes é a única avaliação de serviço percebida pelos clientes da empresa distribuidora dos
bens. Com a gestão eficiente dos canais de distribuição, chamados também de canais de
marketing, a percepção do valor agregado pela empresa pode ser maior ou menor e contribuir
significativamente para a retenção de clientes da marca da empresa no mercado frente à
concorrência.

Função Distribuição – Objetivos


 Garantir rápida disponibilidade de produtos nos segmentos do mercado identificados como
prioritários;
 Intensificar ao máximo o potencial de disponibilização do produto em questão (usurário,
comerciante, etc.);
 Garantir nível de serviço preestabelecido pelos parceiros e clientes da cadeia de
suprimento;
 Garantir fluxo de informações rápido e preciso entre os elementos participantes;
 Buscar, de forma integrada e permanente, a redução de custos, analisando a cadeia de
valor no seu todo.

Valores Agregados pela Função Distribuição


A distribuição adequada agrega valor de posição (lugar), de tempo, de quantidade e de
qualidade, colocando os produtos em mercados onde ficam disponíveis para os clientes no
momento e no local em que desejarem, na quantidade e na qualidade requeridas, ao custo
mínimo.

Nível de serviço ao cliente: o triangulo das decisões na Função Distribuição


 Estratégia de Estoque: níveis de estoque; localização do estoque e métodos de controle.
 Estratégia de Localização das Instalações: número. Tamanho e localização das
instalações; designação dos pontos de estocagem para os pontos de fornecimento;
alocação de demanda para pontos de estocagem ou de fornecimento e armazenagem
pública/privada.
 Estratégia de Transporte: modais; roteirização e tamanho/consolidação do embarque.

Redução dos custos na Função Distribuição


Os custos na Função Distribuição têm sido reduzidos, principalmente, pela integração de
modais de transporte e pela utilização de operadores logísticos, que obtêm melhores
resultados pela possibilidade de economias de escala no compartilhamento de cargas.

Unidade 3 – O papel do transporte na estratégia logística

O Papel do Transporte na Estratégia Logística


O transporte de cargas é o principal componente dos sistemas logísticos das empresas. Sua
importância pode ser medida traves de, pelo menos, três indicadores financeiros: custo,
faturamento e lucro. Segundo Fleury e Wanke (2000), o transporte representa, em média, 64%
dos custos logísticos; 4,3% do faturamento e, em alguns casos, mais que o dobro do lucro.

Modais de transporte, suas características e principais ativos


Os meios de transporte se subdividem em três grandes grupos:
 Transporte hidroviário ou aquaviário: fluvial, lacustre, cabotagem e longo curso.
 Transporte aeroviário
 Transporte terrestre: rodoviário, ferroviário e dutoviário.

Transporte Hidroviário
 Fluvial ou lacustre
 Marítimo (costeiro ou cabotagem e interna
 Vantagens: elevada capacidade de transporte para todo tipo de mercadoria (através de
rebocadores e empurradores em rios e lagos); fretes mais baratos que nos modais
rodoviário e ferroviário; custos variáveis bem mais baixos; facilidade do uso da
multimodalidade; altíssima eficiência energética e elevada economia de escala para
grandes lotes a longa distância.
 Desvantagens: pressupõe a existência de portos e vias navegáveis; serviço de baixa
velocidade e com manuseio complexo; proporcionando a ocorrência de avarias;
capacidades de transporte variável em função do nível da aguas; rotas fixas e dependentes
de elevados investimentos para adequação de portos e calhas de rios e lagos.
 Vocação: ideal para transporte de grandes cargas para quaisquer distâncias onde haja vias
e terminais operacionais e pouca exigência com relação ao prazo de entrega. Utilizado
para transporte de graneis líquidos, produtos químicos, areia, carvão, cereais e bens de
alto valor agregado, normalmente em contêineres.

Transporte Aeroviário
 Vantagens: é o mais rápido, eficiente, seguro e confiável; manuseios altamente
mecanizados; atinge regiões inacessíveis para outros modais; normalmente os aeroportos
estão localizados próximos aos centros de produção.
 Desvantagens: menor capacidade em peso e volume das cargas; fortes restrições aos
graneis e às cargas perigosas; custos elevados de capital, fretes e uso de terminais
aeroportuários; muita dependência das condições atmosféricas.
 Vocação: ideal para cargas leves, produtos altamente perecíveis, animais e plantas vivos,
bens de alto valor agregado, objetos valiosos e entrega de emergência.

Transporte Ferroviário
 Vantagens: maior capacidade de transporte, em relação ao rodoviário e aéreo, de grandes
lotes de mercadorias, por vias exclusivas; baixo consumo energético; grande
compatibilidade com o modal rodoviário; menor impacto ambiental (eletricidade); e
possibilidade de estoques em transito.
 Desvantagens: baixa velocidade operacional; horários rígidos e custo elevado quando há
necessidade de transbordos (mudança de bitola, por exemplo); dependente da
disponibilidade de material rodante (vagões específicos para a carga); baixa flexibilidade de
rotas no Brasil; e alta exposição a furtos.
 Vocação: ideal para transportes de grandes volumes de carga a longas distancias e que
não necessitem prazo de entrega curto. Produtos típicos: minérios (de ferro, de manganês),
carvão mineral, derivados de petróleo e cereais em grão, transportados a granel.

Transporte Rodoviário
 Vantagens: grande disponibilidade de vias de acesso; possibilita o serviço porta-a-porta;
embarques, partidas e entregas mais rápidos; favorece os embarques de pequenos lotes;
facilita a substituição do cavalo mecânico em caso de quebra ou acidente.
 Desvantagem: maior custo operacional e menor capacidade de carga em relação ao
hidroviário e ferroviário; nas épocas de safras provoca congestionamentos nas estradas;
desgaste prematuro da infraestrutura da malha rodoviária e alta exposição a furtos.
Elevado impacto ambiental.
 Vocação: é o mais versátil e ideal para transporte de cargas pouco volumosas e leves para
quaisquer destinos onde haja vias de acesso. Desde a década de 50, com a implantação
da indústria automobilística e a pavimentação das rodovias, esse modal se tornou o mais
usado no Brasil.

Transporte Dutoviário
 Principais tipos existentes no Brasil:
(a) Oleodutos (petróleo, óleo combustível, gasolina, diesel, álcool, GLP, querosene e nafta);
(b) Gasodutos (gás natural);
(c) Minerodutos (sal-gema, minério de ferro e concentrado fosfático);
(d) Fareloduto (soja e farelo de soja – Sadia/Maggi – 200m em MT)
 Vantagens: é o mais confiável, opera ininterruptamente durante todo o tempo; não é
afetado por fatores meteorológicos e praticamente não tem perdas; e baixo custo
operacional.
 Desvantagens: baixa disponibilidade de rotas no Brasil; vazão e velocidade baixas; pode
provocar acidentes ambientais; elevado custo fixo e destina-se a produtos específicos.

Comparativo de algumas características dos modais de transporte


• Custo: aéreo > rodoviário > ferroviário > hidroviário > tubular
• Velocidade (ou transit time): aéreo > rodoviário > ferroviário > hidroviário > tubular
• Frequência (quantidade de movimentações programadas): tubular > rodoviário > ferrovia >
aéreo > hidroviário
• Regularidade (confiabilidade de cumprimento de prazos): tubular > rodoviário > ferroviário >
hidroviário > aéreo
• Capacidade (versatilidade para qualquer tipo de carga): hidroviário > ferroviário > rodoviário>
aéreo > tubular
• Disponibilidade (atendimento de qualquer origem e destino): rodoviário > ferroviário > aéreo>
hidroviário > tubular.

Matriz do transporte de cargas no Brasil


No Brasil, de acordo com as características da malha viária, é a seguinte a distribuição típica
de cargas por modalidade:
(1) 61,1% pela via rodoviária (485.625 milhões de TKU)
(2) 20,7% pela via férrea (164.809 milhões de TKU)
(3) 13,6% pela hidrovia ou cabotagem (108.000 milhões de TKU)
(4) 4,2% pela via tubular (33.300 milhões de TKU) e (5) 0,4% pela via aérea (3.169 milhões de
TKU).

Transporte Intermodal e Multimodal


 Intermodal: é a integração dos serviços de mais de um modal em que o embarcador
contrata cada transportador separadamente e assume a responsabilidade por seu
transporte.
 Multimodal: é a integração dos serviços de mais de um modal em que a responsabilidade
do transporte é do OTM – Operador de Transporte Multimodal.
 Vantagens do transporte multimodal: melhor utilização da capacidade disponível da
matriz de transporte; utilização de combinações de modais mais econômicos; ganhos de
escala e negociação do transporte; redução dos custos indiretos.
Unidade 4 – Panorama logístico brasileiro e o “Custo Brasil”

Logística no Brasil
Após os anos 90, a logística passa por um processo revolucionário, tanto em termos de
práticas gerenciais quanto da eficiência, qualidade e disponibilidade da infraestrutura de
transporte e comunicações. Os principais fatores que impulsionaram o processo de mudança
foram: a explosão do comercio internacional, a estabilização econômica (Plano Real) e as
privatizações da infraestrutura.

Líderes no processo de modernização: indústria automobilística e grande varejo (ECR-


Brasil)

Investimentos para aprimoramento das operações logísticas


– Processos de automação e comunicação
– Processos de interligação e cooperação
– Uso efetivo de código de barras
– Uso de roteirizadores, EDI e sistemas de rastreamento por satélite por parte das
transportadoras rodoviárias.

O que significa o Custo Brasil? O custo Brasil é um termo genérico, usado para descrever o
conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas que encarecem o investimento
e os negócios internacionais do Brasil, dificultando o desenvolvimento nacional, aumentando o
desemprego, o trabalho informal, a sonegação de impostos e a evasão de divisas.

Fatores de elevação dos custos logísticos e do custo Brasil: infraestrutura logística


deficitária; ineficiência de portos, rodovias, ferrovias e aeroportos; deficiência no planejamento
dos investimentos; mão-de-obra pouco qualificada; legislação fiscal e tributária complexa
(carga elevada de impostos e em cascata;)insegurança: roubo de cargas e mercadorias em
trânsito; corrupção / burocracia.

O contexto da logística brasileira: O crescimento da economia e a consequente pressão na


infraestrutura de transportes experimentados há alguns anos, além da recente paralização dos
caminhoneiros, demonstraram as fragilidades existentes na logística de transporte no Brasil,
fruto do insuficiente investimento realizado nos últimos 30 anos.

Desafios de Capital Humano: É necessário investir em recursos humanos porque, em um


mercado cada vez mais competitivo e exigente, a qualificação será o grande vetor para a
eficiência. A rápida expansão do setor logístico, no entanto, revela uma grande carência de
especialização na área.

Unidade 5 – A distribuição física de mercadorias. Políticas de distribuição na cadeira de


suprimentos. Definindo canais e formas de distribuição.

Definindo os canais de distribuição: Ao se montar um modelo de canal de distribuição, uma


das questões estratégicas é sobre o melhor canal, ou combinação de canais, que coloca o
produto no mercado da forma mais competitiva possível.

Definindo os canais de distribuição (fatores que devem ser considerados)


1. Características dos clientes (número, localização, padrões e volume de compra, reação);
2. Características do produto (tipo do produto, mercado do consumidor, volume de consumo);
3. Características dos intermediários (identificação e qualificação dos representantes,
atacadistas e varejistas e vendedor próprio);
4. Características dos concorrentes (tipos de canais utilizados e características desses);
5. Características da empresa (tamanho, posição financeira, produtos, políticas);
6. Características do meio ambiente (condições econômicas e regulamentos)

Distribuição escalonada: quando o canal de distribuição possui um ou mais armazéns


centrais e centros de distribuição avançados (depósitos mantidos pela organização próximos
aos mercados consumidores, contendo estoque dos seus produtos para distribuição imediata
quando demandados).

Distribuição direta (transbordo sem estocagem): quando os produtos são distribuídos de um


ou mais armazéns centrais diretamente para o cliente ou por meio de instalações
intermediárias

Instalações intermediárias (CDs de passagem)


a) Cross-docking – é uma instalação de passagem, onde cargas de diversos fornecedores
são reunidas (consolidadas) para entrega a clientes comuns ou são transportadas para
outra instalação intermediária.
b) Transit point – é uma instalação de passagem onde cargas consolidadas são separadas e
distribuídas a clientes individuais
c) Merge in transit - é uma extensão do conceito de cross-docking combinado com o sistema
just-in-time. Ele tem sido aplicado à distribuição de produtos de alto valor agregado,
formado por multicomponentes que têm suas partes produzidas em diferentes plantas
especializadas (estações de trabalho, formadas por CPUs, monitores e teclados). A
operação merge in transit procura coordenar o fluxo de componentes, gerenciando os
respectivos lead time de produção e transporte, para que estes sejam consolidados em
instalações próximas aos mercados consumidores, no momento de sua necessidade, sem
implicar estoques intermediários. As necessidades de coordenação são muito mais
rigorosas que nos sistemas cross-docking tradicionais, e por isso utilizam o estadoda-arte
em termos de sistemas de informação para rastreamento e controle de fluxos.

O ciclo de abastecimento na cadeia de suprimentos: Na Cadeia Logística tradicional, ou


“empurrada”, o ciclo do abastecimento inicia-se pelas previsões da área de vendas e
marketing. A partir delas, a produção "empurra" o produto para o estoque, em seguida a área
de vendas "empurra" o máximo possível de produtos ao canal de distribuição (atacadistas e
varejistas) utilizando promoções, descontos sobre volume, vendas casadas, etc. O
intermediário (atacadistas e varejistas) tentam "empurrar" adiante as mercadorias aos
consumidores, utilizando estratégias de preços, promoções conjuntas com fabricantes, ações
de marketing, etc. Normalmente os prazos de reposição são longos, os lotes de compras são
grandes e os estoques são elevados para fazer frente às incertezas do mercado. Todos esses
fatores são incompatíveis com requisitos de agilidade, flexibilidade e custos competitivos dos
novos tempos do comércio eletrônico.

Política de antecipação à demanda, tradicional ou distribuição “empurrada”:


Caracterizada pela descentralização de estoques - localizados próximos aos clientes potenciais
-, e pela utilização intensiva de carregamentos consolidados.

O ciclo de abastecimento na cadeia de suprimentos: Na Cadeia Logística “puxada”, o


abastecimento é feito diretamente a quem demandou o produto, por meio de pedidos junto à
vendedores ou sítios de e-commerce. Normalmente não há intermediários, os lotes de compras
são pequenos, chegando a ser unitários, e a entrega é expressa, permitindo agilidade,
flexibilidade e custos competitivos dos novos tempos do comércio eletrônico.

Política de resposta rápida ou distribuição “puxada”: Caracteriza-se por estoques


centralizados, utilização intensiva de transportes expressos e pequena dependência de
previsões de vendas.

Unidade 6: Posicionamento logístico

Um dos maiores investimentos de uma empresa e que tem um dos maiores períodos de
retorno são as instalações. A localização das instalações é um fator crítico, pois determina
custos fixos e variáveis durante a exploração do negócio.

Existem quatro principais métodos para resolver problemas de localização de instalações


(fábricas, armazéns, entrepostos e outras instalações):

1. Método do ponto de equilíbrio (break-even)


O método do ponto de equilíbrio baseia-se na identificação dos custos fixos e variáveis para
cada alternativa. Por meio da representação gráfica dos custos em função do volume de
produção, é possível determinar a localização de menor custo. Os passos necessários para a
análise de ponto de equilíbrio são:
1. Determinar os custos fixos e variáveis para cada localização;
2. Representar graficamente os custos para cada localização em função do volume de
produção/vendas; e
3. Selecionar a localização que tiver o custo total mínimo para o volume de produção/vendas
previsto.

2. Método do centro de gravidade


Técnica matemática utilizada para determinar a localização de uma instalação produtiva que
serve um conjunto de clientes, minimizando os custos de transporte.

L = SQi * CTi * Li / SQi * CTi

Onde: L = localização Q = quantidade (demanda média) CT = custo do transporte

Este método leva em consideração a localização dos mercados, o volume de entregas previsto
em cada mercado e os respectivos custos de transporte entre a instalação os pontos de
destino. A primeira fase consiste na utilização de um sistema de coordenadas onde se
identificam as localizações dos diferentes pontos de entrega. O mesmo se passa no início do
popular jogo de batalha naval, em que começamos por distribuir os diferentes barcos por uma
matriz com coordenadas de linha e coluna.

3. Método dos transportes


Um método de programação linear baseado nas técnicas estudadas através de Matemática
Aplicada. O objetivo do método dos transportes é determinar o melhor plano de expedição, a
partir de pontos de produção/armazenagem (fonte), para pontos de venda (destino), de forma a
minimizar os custos totais de produção e transporte.

4. Método baseado na ponderação de diversos fatores


Este método consiste em definir os atributos desejáveis, e sua escala de importância, à
localidade procurada e por meio da ponderação de tais fatores aplicada aos imóveis
disponíveis definir a melhor escolha.