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29/08/2019 Histórias de uma cidade (Tales of the City 01), Armistead Maupin – Literatura Gay

Literatura Gay
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.com.br/)
resenhando livros gays

Histórias de uma cidade (Tales of the


City 01), Armistead Maupin
9 de julho de 2017 (http://www.literaturagay.com.br/historias-de-uma-cidade-volume-01-
armistead-maupin/) / Rodrigo Weit Weg
(http://www.literaturagay.com.br/author/admin/) / clássico
(http://www.literaturagay.com.br/category/resenha/classico/), literatura americana
(http://www.literaturagay.com.br/category/literatura-americana/), livro 5 estrelas

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29/08/2019 Histórias de uma cidade (Tales of the City 01), Armistead Maupin – Literatura Gay

(http://www.literaturagay.com.br/category/livro-5-estrelas/), resenha
(http://www.literaturagay.com.br/category/resenha/), Série Tales of the City
(http://www.literaturagay.com.br/category/serie-tales-of-the-city/)

(http://www.literaturagay.com.br/wp-
content/uploads/2017/07/tales-of-the-city.jpg)Um dos mais
célebres livros da literatura gay, “Histórias de uma Cidade”
(Tales of the City) nos traz as histórias de um grupo de
personagens centrados na pensão de Anna Madrigal, nº 28
Barbary Lane, São Francisco, endereço fictício que acabou
ganhando o status de realidade na imaginação dos
milhares de fãs que vem conquistando desde seu
lançamento em 1978. Originalmente publicado em séries de
pequenos capítulos no San Francisco Chronicle, a
linguagem simples e familiar de Armistead Maupin nos
conquista prontamente e é o veículo perfeito para a criação
de personagens tão verdadeiros e espirituosos que logo
tornam-se parte da família.

O livro se passa em São Francisco, 1976 – o centro das novas filosofias New Age de
liberdade e amor livre. De fato, a cidade é muito bem caracterizada e vivida de maneira
extremamente natural pelos personagens, nos dando uma sensação autêntica da época e
do lugar e nos fazendo sentir em casa. Sobre esse pano de fundo, assistimos juntamente
com a recém-chegada Mary Ann, os mais diversos tipos circulando nesse ambiente
exótico. A história é leve e divertida, e ainda que foque nas aventuras e desventuras
cotidianas de cada personagem, exibe uma trama cheia de reviravoltas e coincidências
extraordinárias, típicas de folhetins. É como assistir a uma daquelas séries longas e
divertidas que amamos, um entretenimento descompromissado, mas de alta qualidade.

Histórias de uma cidade, Armistead Maupin


EUA, 1978
Ed. Brasileira: Record, 1998, 475pgs
Ed. Original: Tales of the City, Ed. Black Swan, 1978, 272 pgs.
Média Goodreads (https://www.goodreads.com/book/show/16255.Tales_of_the_City): 4.06/5
Média Skoob (https://www.skoob.com.br/livro/46115#_=_): 4.2/5
Minha Nota: 5/5

De fato, as descrições são curtas e a maior parte do desenvolvimento dos personagens fica
por conta dos diálogos, excelentes e muito bem construídos – soam naturais e bem
ritmados, uma aula na difícil arte de escrever conversas e interações verbais. Maupin
utiliza um formato de capítulos curtos e trama leve para recriar a cidade e seus mais
variados tipos de habitantes. Como o próprio autor já relatou, ele tinha como público os
leitores do jornal local e imaginava que seus personagens e histórias eram de interesse

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exclusivo dessa comunidade. Logo, no entanto, sua criação ganhou vida própria e, como
toda história bem contada, desperta interesse em todo mundo que gosta de ler,
independente da cultura ou extrato social.

Nesse sentido, Maupin se diferencia de outros autores da literatura gay – os que chamo de
autores do gueto, que escrevem exclusivamente sobre personagens gays centrados nas
comunidades que passaram a formar nos anos 60 e 70. Pelo contrário, Maupin escreve
sobre temas universais, ressaltando o que seus personagens têm em comum além da
orientação sexual, classe social, gênero… Sem entrar no mérito de cada abordagem – de
fato tanto a literatura de gueto como a universal não implicam na qualidade artística e
ambas têm sua importância cultural –, “Histórias de uma Cidade” é o livro gay que vem à
cabeça dos leitores hétero. De fato, livros como esse fizeram muito para inserir gays e
lésbicas no cenário cultural estabelecido, descrevendo de forma natural e digna pessoas
tratadas sempre com desprezo e marginalidade.

Certamente, a humanidade, sensibilidade e grande senso de humor que Maupin usa no


trato de seus personagens é o que estabelece nossa conexão com todos eles, nos
possibilitando encontrar as bases comuns que os fazem todos semelhantes. Como já disse
em outro lugar, é bastante raro encontrar bons personagens femininos na literatura gay.
Aqui encontramos mais uma exceção – Anna Madrigal é uma daquelas criações literárias
que amamos amar. A mulher de 56 anos dona da pensão é extremamente espirituosa e
inteligente e nos brinda com as melhores passagens. Ao lado dela, temos vários outros
personagens femininos, como Mary Ann, a jovem ingênua do interior, que nos dá o
contraponto excelente à urbanidade dos outros personagens e nos apresenta ao mundo
exótico da cidade.

Ainda assim, estamos falando de literatura gay, por mais que o autor não goste que seus
livros sejam classificados assim. De fato, vemos aqui uma ênfase na vida dos gays no
mundo maior da cidade, com menções esporádicas aos locais exclusivamente gays, ainda
que extremamente importantes para os personagens. É como se o autor focasse na vida
fora de “casa”, sem, contudo, despreza a importância que a casa tem como base e
referência para o indivíduo. Para os gays, a casa é o circuito gay, com seus bares, clubes e
amigos.

Com o mesmo cuidado reservado aos personagens femininos, temos toda uma variedade
nos masculinos. Michael Tolliver é um jovem gay na casa dos vinte anos, culturalmente
confiante e criativo, o típico produto daquela década especial dos anos 70. Ele é super
divertido em sua busca incessante por amor, nos dando toda sua sabedoria romântica
sobre relacionamentos e as diferenças entre hétero e gays. Um de seus pares é o médico
Jon, bem-sucedido, já na casa dos trinta, seu dilema está na falta parceiros românticos –
está entre os jovens bonitos, mas sem propósito e as velhas queens esnobes e monótonas,
estas apresentadas numa cena deliciosa de um jantar.

Brian, inquilino na pensão, é o hétero conquistador e meio cafajeste, que ao contrário do


que se poderia pensar sobre São Francisco, encontra dificuldades bem grandes em
encontrar mulheres disponíveis. Mais uma vez conseguimos entender as motivações de
cada personagem e com Brian, acabamos por nos solidarizar com suas angústias e
frustrações.

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No “núcleo” rico da história, temos Edgar, dono de uma agência de publicidade, sofrendo
uma crise existencial e encontrando em Anna Madrigal sua salvação – ambos criam as
melhores partes do livro. Beauchamp é o genro do publicitário, o playboy indolente e
lindo que vive do dinheiro da esposa, fingindo que trabalha na firma do sogro. Ele e
Deedee, sua esposa, formam um casal de aparências, cada um preso no casamento
indesejado e tentando buscar a seu modo a felicidade. A situação de Deedee contrasta
bastante com as outras mulheres do livro, pois ela ainda é a dona de casa que depende
inteiramente do casamento, o que torna seu destino ainda mais trágico. É ela que nos
apresenta o mundo fútil e vazio da classe rica da Califórnia, com seus chás beneficentes e
seus camarotes na Ópera, cuja finalidade é servir de desculpa para encontros sociais
enquanto matam os maridos de tédio.

Em meio a tantas diferenças, o que todos buscam é o amor e pessoas em que possam
confiar e compartilhar as agruras e alegrias da vida. E nessa base de igualdade, as
histórias de cada um vão se entrelaçar e criar uma trama complicada de encontros,
conflitos e amizades, cheias de tudo que gostamos em uma história boa e bem contada. É
um livro delicioso, divertido, leve – e excelente notícia, o primeiro de uma série de 9!

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A-FEELING-WERE-NOT-IN-KANSAS-ANYMORE- MORDDEN/)
THE-BUDDIES-CYCLE-1-ETHAN-MORDDEN/)

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