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FACULTAD DE POSTGRADO

MAESTRÍA EN CIENCIAS DE LA EDUCACION

DIEGO JUVINIANO DAMASCENO BRITO

INCIDÊNCIA DOS FATORES SÓCIO ACADÊMICOS NA EVASÃO


ESCOLAR NO CENTRO DE ENSINO GOVERNADOR LUÍS ROCHA,
NA CIDADE DE DOM PEDRO – MA, BRASIL

ASUNCIÓN, PARAGUAY
2016

DIEGO JUVINIANO DAMASCENO BRITO


INCIDÊNCIA DOS FATORES SÓCIO ACADÊMICOS NA EVASÃO
ESCOLAR NO CENTRO DE ENSINO GOVERNADOR LUÍS ROCHA,
NA CIDADE DE DOM PEDRO – MA, BRASIL

Dissertação apresentada à Universidad


Americana – UA, como requisito parcial
para obtenção de título Mestre em
Ciências da Educação.

Orientador: Dr. Diosnel Centurion, Ph.D.

ASUNCIÓN, PARAGUAY
2016
B862

BRITO, Diêgo Juviniano Damasceno

Incidência dos fatores sócio


acadêmicos na evasão escolar no
Centro de Ensino Governador Luís
Rocha, na cidade de Dom Pedro –
MA – Brasil / Diego Juviniano
Damasceno Brito, 2016.

Total de páginas: 125

Tutor: Dr. Diosnel Centurion,


Ph.D.
Dissertação acadêmica de
Maestria em Ciências de la
Educación. Universidad Americana,
Paraguay.
Áreas temáticas: Evasão.
Fatores sociais. Fatores
acadêmicos. Ensino médio.
Código de biblioteca:
DIEGO JUVINIANO DAMASCENO BRITO

INCIDÊNCIA DOS FATORES SÓCIO ACADÊMICOS NA EVASÃO ESCOLAR NO


CENTRO DE ENSINO GOVERNADOR LUÍS ROCHA, NA CIDADE DE DOM
PEDRO – MA, BRASIL
Nota: ___________ Aprobado ( ) Reprobado ( ) Reformular ( )

Localidad: __________ Fecha ________/______/_______

Nombre y Firma de los Examinadores

Observaciones:

ASUNCIÓN – PARAGUAY
2016
“Dedico esta dissertação ao meu pai (in
memória)”.

Agradecimentos
Quero agradecer a Deus primeiramente por ser uma fonte potencial de amor e
alegria para a minha vida. A minha família por ser meu porto seguro e por estarem
sempre me apoiando e dando forças para continuar em frente na luta pela
qualificação profissional. A minha esposa Aurieny Danielle que ao longo deste
mestrado realizado no Paraguai me ensinou de forma prática o que é o amor. Aos
meus filhos Fernanda Mickaelle, Kevin Daniel e Ana Sophia por serem tudo na
minha vida, obrigado por serem minha luz. E a minha mãe que ao longo de sua vida
sempre sonhou e planejou o melhor para mim, obrigado minha querida mãe, essa
vitória também é sua.
“O sucesso é ir de fracasso em fracasso
sem perder entusiasmo”
(Winston Churchill)
RESUMO

O objetivo desta pesquisa foi determinar os fatores sócios acadêmicos que


provocam a evasão escolar no 1º ano do ensino médio do turno noturno no Centro
de Ensino Governador Luiz Rocha na cidade de Dom Pedro-MA. No
desenvolvimento desta pesquisa foi utilizada a metodologia do tipo descritiva; o
modelo de desenho utilizado na pesquisa foi não experimental; enfoque Misto
(qualitativo e quantitativo). O universo estudado compreende alunos, professores,
equipe gestora e pais de alunos do Centro de Ensino Governador Luiz Rocha. Foi
verificado que os fatores sócios acadêmicos estão ligados a distorção idade-série,
ao fato de muitos alunos residirem na zona rural, a negligência por parte da gestão
escolar, a falta de formação continuada dos professores, o despreparo do discente,
falta de estímulo por ambas as partes, falta de material apropriado, falta de aulas
dinamizadas e inovadoras, falta de estrutura da escola, aos próprios alunos que por
estarem condicionados a necessidade de imergirem precocemente ao mercado de
trabalho e outras condições relacionadas à situação social a qual estão inseridos. A
pesquisa demonstrou que o papel da família como parte integrante da educação dos
discentes consiste na formação emocional

Palavras-chave: Evasão escolar, fatores sócios acadêmicos, ensino médio.


RESUMEN

El objetivo de este estudio fue determinar los factores asociados académicos que
provocan el absentismo escolar en el 1er año de la escuela secundaria del turno de
noche en el Centro de Educación gobernador Luiz Rocha en la ciudad y Dom Pedro-
MA. En el desarrollo de esta investigación se utilizó la metodología de la descriptiva;
el modelo de diseño utilizado en el estudio no era experimental; Enfoque mixto
(cualitativo y cuantitativo). El universo de estudio comprende los estudiantes ,
profesores, equipo directivo y padres de Centro de Enseñanza Governador Luiz
Rocha. Se encontró que los socios académicos factores están relacionados con la
edad de grado, el hecho de que muchos estudiantes residen en el campo, con vistas
a la gestión de las escuelas, la falta de formación continua de los profesores, la falta
de preparación de decente, falta de estímulo para los dos partes, la falta de equipo
adecuado, la falta de clases simplificados e innovadores, la falta de estructura de la
escuela, los propios estudiantes que están condicionados por la necesidad de
sumergirse temprana al mercado de trabajo y otras condiciones relacionadas con la
situación social en la que se insertan. La investigación ha demostrado que el papel
de la familia como una parte integral de la educación de los estudiantes es la base
emocional.

Palabras clave: evitación de la escuela, socios factores académicos, la escuela


secundaria
LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1: Sexo............................................................................................................87
Gráfico 2: Faixa etária.................................................................................................87
Gráfico 3: Estado civil..................................................................................................87
Gráfico 4: Alunos que trabalham.................................................................................88
Gráfico 5: Renda.........................................................................................................88
Gráfico 6: Mora com os pais.......................................................................................88
Gráfico 7: Ajuda do governo........................................................................................88
Gráfico 8: Repetente...................................................................................................89
Gráfico 9: Disciplina difícil...........................................................................................89
Gráfico 10: Dificuldades de aprender..........................................................................90
Gráfico 11: Tempo de estudo fora da escola...............................................................90
Gráfico 12: Desistência de estudo..............................................................................90
Gráfico 13: Motivos da evasão....................................................................................91
Gráfico 14: Tempo afastado da escola........................................................................91
Gráfico 15: Necessidades para evitar a evasão.........................................................91
LISTA DE QUADROS

Quadro nº 1: A evasão escolar em alguns países desenvolvidos..............................24


Quadro nº 2: Atitudes que os países em desenvolvimento podem aplicar................28
Quadro nº 3: Taxa de evasão escolar no Brasil..........................................................39
LISTA DE SIGLAS

CEGLUR - Centro Educacional Governador Luís Rocha

CF – Constituição Federal

LDB – Lei de diretrizes da educação

OCDE - Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico

UNESCO – Organização das Nações Unidas

PUC - Pontifícia Universidade Católica

USP – Universidade de São Paulo


LISTA DE FIGURAS

Figura nº 1: Localização do local de estudo...............................................................82


SUMÁRIO
INTRODUÇÃO 15
1. A EVASÃO ESCOLAR NO BRASIL 159
1. 1. Breve consideração 159
1.2. O mundo e a evasão escolar 215
1.3. Os países desenvolvidos e a evasão escolar 22
1. 4. Os países subdesenvolvidos e a evasão escolar 25
2. AS CONSEQUENCIAS DA EVASÃO ESCOLAR 31
2. 1. Para um país 315
2. 2. Para a sociedade 33
2. 3. Para o indivíduo 35
2. 4. Principais causas da evasão escolar no Brasil 38
3. A GESTÃO ESCOLAR FRENTE À EVASÃO 42
3. 1. O papel do gestor 42
3. 2. Histórico da formação de diretores escolares no Brasil 45
3. 3. O gestor e o processo de organização escolar 57
3. 4. Propostas para a gestão escolar diminuir o número de evasão 61
4. OS PROFESSORES E A EVASÃO ESCOLAR 66
4. 1. O papel do professor 66
4. 2. O professor criativo em sala de aula 69
4. 3. O professor de qualidade frente ao desempenho discente 71
4. 4. A família e a evasão escolar 75
5. METODOLOGIA 82
5. 1. Descrição do lugar do estudo 82
5. 2. Tipo e abordagem do estudo 83
5. 3. População e amostra 84
5. 4. Instrumentos e técnicas de coleta dos dados 85
5. 5. Técnicas de análise de dados 86
6. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS DA PESQUISA DE CAMPO
87
6. 1. Resultados obtidos com os alunos 87
6. 2. Resultados da entrevista com a Gestão escolar e os professores 92
6. 3. Análises das entrevistas com a Gestão escolar e os professores 96
6. 4. Resultados da observação 106
7. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 109
REFERENCIAS 112
APÊNDICE 120
15

INTRODUÇÃO

A evasão escolar é uma vicissitude que vem sendo debatido por diversos
pesquisadores e educadores há muito tempo. Porém, essa é uma questão que está
longínqua de ser resolvida e os índices de abandono da escola a cada ano tem
aumentado, bem como as altas taxas de reprovação que juntos sinalizam o fracasso
escolar no ensino médio noturno.
São muitos os pretextos que norteiam o estudante a abandonar seus estudos.
No meio deles, destacam-se os fatores internos, associados ao desenvolvimento
psíquico do aluno, bem como os fatores externos de natureza socioeconômica.
Muitas vezes, jovens veem-se obrigados a optar por trabalhar em lugar de estudar,
devido à necessidade de contribuir para o sustento da família. Além disso, o modelo
de escola da atualidade, já não desperta o interesse do aluno. Lara (2003) reforça
essa análise, ao afirmar que o fenômeno da evasão escolar associado ao fato da
escola estar pouco preocupada em possibilitar aos alunos e professores a
experiência do acontecer das ideias, na sua produção, em consonância aos desafios
concretos da vida, contribui consequentemente ao abandono da escola, caminho
que parece mais certo.
A Constituição Federal de 1988, em seu art. 205, diz que a educação é um
direito de todos e dever do Estado e da família, assim como estabelece os princípios
de igualdade de condições para acesso e permanência na escola (art. 206, inciso I).
Esse direito é ratificado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº
9.394/1996, a qual apresenta a organização do sistema educacional brasileiro.
A despeito do direito assegurado na CF de 1988, a realidade da educação
brasileira é permeada por problemas seculares, ainda não resolvidos na atualidade.
Esses problemas dizem respeito àqueles que foram configurados como fracasso
escolar, isto é, a repetência e a evasão escolar.
O problema da evasão escolar, no ensino médio noturno, objeto deste estudo,
pressupõe uma análise contextual que possa ser suscitada em sua estrutura
enquanto produção social e singular.
Para a contemplação teórica desse estudo, foi abordada a evasão escolar no
Brasil, causas e consequencias da evasão dentro do vies do país, sociedade e
individuo, a evação escolar na visão mundial, comparação da evasão brasileira as
16

de outros paises, aponta as principais causas da evasão escolar no Brasil, A evasão


escolar e a gestão e o professor e a evasão escolar.
Diante dessa concepção, este trabalho teve como sutentáculo os autores:
AQUINO, (1997), ANTUNES, (2013), BASTOS (1999), CARNEIRO, (2012), DIAZ,
(2012), FONSECA, (1995), FREIRE (1997), PÉREZ GÓMEZ, (2001), LIBANEO,
(2003), OLIVEIRA, (2005), PARO, (1993), SAVANI, (1999), TIBA, (2007), e entre
outros, como importantes diretrizes para o êxito na pesquisa, no que se refere à
leitura, análise e interpretação dos respectivos dados.
Para refutar as inquirições assercivas e atingir os objetivos deste trabalho foi
realizada uma pesquisa de campo no Centro de Ensino Governador Luís Rocha,
localizado no município de D. Pedro – MA, com entrevistas aos gestores, equipe
técnica e professores como um dos métodos de pesquisa a qualitativa e também
entrevistas fechados, em forma de questionários, destinados aos alunos, como
método quantitativo.
Estudo desta natureza propicia a mensuração de magnitude e mudará a
prática pedagógica, da referida escola, atrelada aos problemas e situações de
afastamento do alunado, para uma nova concepção, permitindo assim, a formulação
de políticas e adoção de medidas emergenciais acerca da temática estudada.

O Problema
O presente estudo foca no estudo na evasão escolar em turmas do ensino
médio noturno, precisamente, seu propósito é responder ao seguinte: Quais os
fatores sócios acadêmicos que provocam a evasão escolar no 1º ano do ensino
médio do turno noturno no Centro de Ensino Governador Luiz Rocha na cidade e
Dom Pedro-MA?

Objetivo Geral
Determinar os fatores sócios acadêmicos que provocam a evasão escolar no
1º ano do ensino médio do turno noturno no Centro de Ensino Governador Luiz
Rocha na cidade e Dom Pedro-MA.

Objetivos específicos
17

 Identificar os métodos adotados pela gestão para o controle da evasão


escolar;
 Verificar a relevância de aulas inovadoras para o comprometimento dos
estudantes;
 Constatar o papel da família na frequência dos alunos;

Hipóteses
 A falta de ação da gestão escolar diante da desistência dos alunos contribui
com as altas taxas de evasão
 Desatualização docente favorece a evasão escolar;
 Distanciamento entre família e escola contribui para a desistência do aluno.

Justificativa

A educação é de fundamental importância para o crescimento e a qualidade


de todos os setores de uma sociedade que pretende alcançar fins de excelência e
bem estar para a sua população. Vários são os casos dentro da história que
corroboram para tal afirmativa, pode ser citado, por exemplo, o caso do Japão e da
Alemanha pós Segunda Guerra Mundial, pois tanto um quanto o outro ficaram
completamente destruídos, sendo que, a primeira pedra do alicerce de reconstrução
desses países foi exatamente a educação, mas não uma educação qualquer e sim
um ensino onde houvesse vagas e significância para que os alunos não desistissem
dos estudos.
No Brasil, muitas são as dificuldades encontradas no ensino médio noturno
mesmo na modalidade regular, fruto de uma série de fatores conhecidos pelo senso
comum como: falta de tempo para estudo (devido ao trabalho), cansaço devido à
dupla jornada, infraestrutura administrativa precária (só funciona no expediente
normal), falta de conhecimentos básicos (fruto de uma formação deficitária no ensino
fundamental), dificuldades na aquisição de material bibliográfico (por carências
financeiras e/ou deficiências nas bibliotecas), deslocamentos demorados após o final
das aulas (depois das 22h00), insegurança, entre outros.
Partindo desse pressuposto, surgiu a necessidade de investigar esse tema,
por ter notado na escola pesquisada o crescimento significativo de alunos evadidos,
principalmente em turmas de 1º ano do ensino médio noturno. Logo este fato me fez
despertar para tentar entender os motivos que levam a tal comportamento e por que
ele ocorre principalmente no início da segunda fase da educação básica.
18

Esta pesquisa é viável, pois será realizada no próprio local de trabalho do


pesquisador, dando a possibilidade de questionar a todos os envolvidos no caso da
evasão escolar, ou seja, alunos, professores, gestão escolar, pais e comunidade.
É inegável a importância da descoberta dos motivos que levam os alunos do
Ensino Médio ao abandono dos estudos para a comunidade, para a escola, para o
Estado e para a sociedade como um todo, pois em mãos destes dados o governo
poderá aplicar os recursos financeiros para educação de maneira mais eficiente, a
escola terá a possibilidade de agir para conter tal mazela, os professores podem
atuar de maneira a controlar tal descompasso educacional e os pais de alunos
podem refletir sobre como se comportar para que isso não ocorra com seu filho.
No desenvolvimento desta pesquisa foi utilizada a metodologia do tipo
descritiva, o modelo utilizado é não experimental, ou seja, observar fenômenos tal
como se produzem em seu contexto natural, para depois analisá-los. A análise de
conteúdo e a discussão foram feitas mediantes o tipo de desenho misto.
A pesquisa é composta de cinco partes. A primeira apresenta a introdução, a
segunda trata-se do marco teórico da pesquisa, apresentando os conceitos
relevantes sobre a evasão escolar no Brasil, causas e consequencias da evasão
dentro do vies do país, sociedade e individuo, a evação escolar na visão mundial,
comparação da evasão brasileira as de outros paises, aponta as principais causas
da evasão escolar no Brasil, A evsão ecolar e a gestão e o professor e a evasão
escolar.
A terceira parte descreve a metodologia utilizada, Trata sobre as informações
coletadas durante o trabalho de campo, relata um breve histórico da
estrutura do lugar, tipo e abordagem de estudo, população, amostra,
instrumentos e técnica de coleta de dados da pesquisa.
A quarta parte apresenta os resultados obtidos na pesquisa de campo e a
quinta apresenta as conclusões e recomendações de estudo.

1. A EVASÃO ESCOLAR NO BRASIL

1.1 Breve consideração


19

A educação tem que ser prioridade, pois a mesma nunca se perde ao se dar.
O ensino e a educação são talvez as únicas riquezas que ao serem repartidas em
vez de diminuí-las ao contrário aumentam, proporcionando uma melhor condição
social a todos, perfazendo assim um círculo virtuoso que só traz benefícios para
toda a sociedade (FREIRE, 1967).
Logo é de suma importância, perceber os valores educacionais, entender que
são exatamente eles que irão melhorar, ou até mesmo perpetuar a sociedade na
maneira que se encontra, pois a arma mais eficaz para o combate contra as
ideologias dominantes, as diferentes formas de tortura, os preconceitos enraizados,
as desigualdades sociais, chama-se educação. Sendo necessário internalizar esta
convicção a todos os cidadãos brasileiros da forma mais íntima possível (GADOTTI,
2007).
No Brasil há muitos anos o ensino vem sofrendo com diversos fatores, como:
falta de comprometimento dos poderes público, falta de reconhecimento social ao
trabalho do professor, formação profissional dos educadores debilitante, alunos
agressivos, entre outros que dificultam a excelência de nossa educação em
comparação com outros países desenvolvidos ou em desenvolvimento. Estes
elementos favorecem a diversas mazelas educacionais, sendo algumas: distorção
idade série, número de reprovação elevado e evasão escolar.
A evasão escolar ocorre quando o aluno deixa de frequentar a aula,
caracterizando o abandono da escola durante o ano letivo. E em nosso país tem se
tornado um grande problema, pois segundo as pesquisas, são poucos os brasileiros
que concluem o ensino fundamental. Segundo os últimos dados do INEP (Instituto
Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira), de 100 alunos que ingressam na
escola no 1º ano, apenas 5 concluem o ensino fundamental, ou seja, apenas 5
terminam a 9º ano.
Não pode ser vista apenas uma ótica específica para se tratar a respeito da
evasão escolar, tem que se analisar a todos os fatores envolvidos e os motivos que
levam a este problema desde a escola por não ser atrativa, ou ser autoritária, com
seus professores desmotivados, prédios insuficientes, ausência de motivação pela
falta de valorização profissional; passando pelo o aluno com seu desinteresse,
indisciplinado, com problemas de saúde, gravidez em momentos inoportunos;
20

trabalho com incompatibilidade de horários para o estudo, violência; até chegar a


família por não cumprir com suas obrigações de pátrio poder, sem interesse pelo
futuro do filho.
Pode se perceber que o resultado que culmina na evasão escolar de grande
parte dos alunos, está centrado no produto de três fatores principais, sendo eles:
- psicológicos: referentes a fatores cognitivos e psicoemocionais dos alunos
(BRASIL, 2006);
- socioculturais: relativos ao contexto social do aluno e as características de
sua família. (OLIVEIRA, 2001);
- institucionais: baseadas na escola, tal como, métodos de ensino
inapropriados, currículo e as políticas públicas para a educação (AQUINO, 1997).
É pertinente notar que somado a esses três fatores, encontra-se também
aqueles ligados à economia e à política (BRASIL, 2006).
Em um país onde as regras são propostas por uma Constituição é de vital
importância conferir o que esta tem a dizer a respeito da educação, e em seu artigo
205 a mesma explicita que esta é um direito de todos e dever do Estado e da
família, assim como estabelece os princípios de igualdade de condições para acesso
e permanência na escola (art. 206, inciso I). Esse direito é ratificado pela Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394/1996, a qual apresenta a
organização do sistema educacional brasileiro.
Tomando como base os rigores da Lei, percebe-se que a responsabilidade
pela a educação é compartilhada tanto pelo Estado como pela família, fazendo se
necessário uma ação conjunta destas duas camadas sociais para que os resultados
educacionais sejam satisfatórios e se ocorrer algum tipo de problema com o ensino
e a aprendizagem dos alunos, tanto uma como a outra tem papel determinante para
conter tal malefício.
Percebe-se de maneira clara que a evasão escolar é um mal que atinge de
maneira contundente a todos, nação, sociedade, família e o próprio indivíduo em
uma corrente que vai apenas dando continuidade em forma de círculos a diferentes
mazelas sociais.
É importante procurar meios viáveis e satisfatórios para que o mal da evasão
escolar seja sanado, pois havendo um controle desta desordem na educação, isso
irá possibilitar a sociedade em geral pessoas mais preparadas para enfrentar os
21

desafios que este novo século coloca. Pois como anota Marchesi (2004): “ (...) o
fracasso escolar não apenas afeta negativamente o indivíduo como compromete a
competitividade das economias, fere a malha social, implica desperdício de recursos
escassos”.

1.2 O mundo e a evasão escolar

A educação é algo de fundamental importância em todas as culturas do


mundo, Carlos (2004) mostra que todos os países ocidentais, incluindo os
organismos internacionais como a OCDE (Organização para a Cooperação e o
Desenvolvimento Econômico), Nações Unidas e outros, demonstram o valor capital
que tem a educação no desenvolvimento das sociedades modernas.
A própria UNESCO, em um de seus informes sobre a educação destaca de
maneira categórica que:
Diante de numerosos desafios futuro, a educação constitui um instrumento
indispensável para que a humanidade possa progredir para os ideais de paz
e liberdade e justiça social. A educação tem uma função essencial no
desenvolvimento contínuo das pessoas e das sociedades e deve estar a
serviço de um desenvolvimento humano mais harmonioso, mais genuíno,
para fazer retroceder a pobreza, a exclusão, as incompreensões, as
opressões e as guerras. (CARLOS, 2004, p. 9).

O sistema educacional tem um papel de transformação, de melhorar o que


não vem correto, de servir a humanidade como forma de instrumento para diminuir
as desigualdades sociais, ideológicas, guerras, etc. Logo é vital perceber onde a
escola não esteja desempenhando seu papel de maneira eficiente, pois como
salienta Antunes (2013) a boa educação é anseio de toda a família e sonho de todo
aluno. Mas para que este sonho se realize, precisa-se passar por momentos e
etapas difíceis, não impossíveis. E ao buscar este sonho, é relevante a análise fria e
objetiva dos erros educacionais que se encontram atualmente.
Um dos erros mais comuns e degradantes em sociedades do ocidente e do
oriente é sem dúvida a evasão escolar. Esta acaba corroendo sistemas educacionais
nas variadas nações do globo, tanto no hemisfério norte quanto sul. Por tanto, sobre
evasão escolar, é salutar analisar como as diferentes nações de nosso planeta agem
diante deste mal, sendo o fracasso escolar percebido por Lugli (2012) quando
crianças ou jovens não leem ou escrevem com a fluência esperada para a etapa de
22

escolarização adequada, sendo a dissidência escolar um dos principais motivos para


tal falha.
O interessante é que a evasão escolar aparece em todos os países uns de
maneira mais acentuada outros menos, mas a observação desta falha educacional é
importante tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento pois:
Os países desenvolvidos, com suas populações cada vez mais idosas,
dependerão mais de uma força de trabalho cada vez menor que deverá
contar com um bom nível de escolaridade e estar tecnologicamente
preparados. Os países emergentes, que dependem do trabalho braçal,
sofrerão à medida que seus trabalhadores forem inicialmente desbancados
e, em última instância, substituídos por máquinas. (SCHARGEL, 2002, p.
259).

Tanto países de primeiro mundo quanto os demais dependem de uma


excelência em educação uns para manter o que já conquistaram outros para almejar
um futuro com condições mais dignas para seus cidadãos. Para isso, todos tem em
comum um mal que é necessário ser extirpado de seus sistemas educacionais, a
evasão escolar.

1.3 Os países desenvolvidos e a evasão escolar

O mundo contemporâneo é conhecido atualmente pela sua globalização, ou


seja, os países vivem hoje em uma interdependência onde todos estão ligados por
variados motivos, sendo eles econômicos, culturais, tecnológicos, políticos,
religiosos entre outros, claro que cada um fazendo e agindo de maneira
independente. Diante de tal independência é interessante notar como cada nação
atua frente à educação.
A educação é um direito que a cada ano vem ganhando destaque em todas
as nações, em umas há mais tempo e em outras ainda em fase de início devido
principalmente a democratização social. Relacionado à educação, nota-se que:
A universalização deste direito assume, de forma deslinear, o caráter de
selo dos avanços da democracia e de expressão comprobatória da
cidadania. Estes dois estatutos civilizatórios e de marcas culturais ganham
níveis de operacionalidade em escalas descompassadas. Nos demais
países, sobretudo aqueles que demarcam o mapa das nações em
desenvolvimento e, mais recentemente, das nações emergentes, os
contornos de política de Estado assestadas para uma intencionalidade
educativa escolar, universal e obrigatória, começam a se definir somente a
partir da década de 1950 (CARNEIRO, 2012, p. 21).

A partir da fala de Carneiro (2012) logo acima, se faz uma comparação do


bem estar social das variadas nações com o tempo em que as mesmas
23

democratizaram e legalizaram a educação como direito e nota-se que aqueles


países que consolidaram a educação como um direito constitucional a todos os seus
cidadãos há mais tempo, apresentam quadros sociais muitos melhores do que os
outros que ainda não o fizeram ou ainda estão por fazer.
É importante perceber que os problemas enfrentados pelos países
relacionados à evasão escolar são diferentes. Logo, a maioria dos países
desenvolvidos oferecem plenas oportunidades e condições para que seus alunos
tenham condições de estudo até os seus dezesseis anos diferentemente dos países
subdesenvolvidos.
Com isso, é interessante vê como os países desenvolvidos atuam diante
desta chaga educacional chamada evasão escolar, pois com um maior tempo de
experiência ofertando educação e consequentemente enfrentando os problemas
educacionais é provável que os mesmos tenham adquirido métodos para sanar tais
problemas. E algo que chama atenção para o controle da evasão escolar existente
dentro dos países desenvolvidos, são os programas chamados de vocacionais ou
aprendizado, pois nos países que adotam tal programa o número de evasão escolar
é inferior aos daqueles que não os adotam (SHARGEL 2012).
Estes programas foram pesquisados e se mostraram de grande eficácia para
o controle da evasão escolar, tendo como principais características: componentes
curriculares que enfatizavam o aspecto acadêmico, uma ampla variedade de
estudos ocupacionais, um conjunto variado, porém estruturado de habilidades de
empregabilidade, conjunto de habilidades de subsistência, destinadas a ajudar os
estudantes a lidar com questões pessoais e sociais da vida cotidiana, instrução
assistida por computador, tecnologia multimodal, instrução individualizada baseada
na competência, orientação, ensino, experiências práticas, atividades sociais,
incentivos, oradores externos e viagens de estudos, aprendizado cooperativo,
conhecimentos acadêmicos aplicados, e integração curricular (SHARGEL apud
HAMBY, 1992).
É importante destacar quê os países desenvolvidos devido a sua
estabilidade econômica, política e social acaba por atrair muitos imigrantes para o
seu território em busca de melhores condições de vida, sendo que estes países têm
que procurar meios para tentar integrar essa população aos sistemas escolares
24

existentes e abordar a questão do analfabetismo funcional de um povo “instruído”


(SHARGEL, 2012).
Irá se apresentar uma tabela que mostra os dados obtidos a partir de várias
fontes, dentre as quais, The Centre for Europe’s Children ( patrocinado por uma
parceria com a Glasgow University), Children 1 st, Council of Europe, Scottish,
UNICEF, Banco Mundial, Organizacion for Economic Cooperation and Development,
United Nations High Commissioner for HUman Rights, onde estes dados mostram o
quadro de evasão escolar em alguns países desenvolvidos com suas respectivas
taxas de conclusão de segundo grau do ano de 1996, para oferecer uma visão mais
nítida a respeito do assunto abordado:

QUADRO 1: A evasão escolar em alguns países desenvolvidos com suas respectivas


taxas de conclusão de segundo grau do ano de 1996.

TAXA percentual
PAÍSES de conclusão do ESTATÍSTICA DE DESISTÊNCIA
segundo grau

República 4% das crianças entre 7 e 16 anos não frequentam a


92
Tcheca escola
Dinamarca 74 Não há dissidência antes dos 15 anos.
Finlandia 83 Cerca de 100 crianças por ano.
10% abandonam a escola todos os anos, embora a
Alemanha 86 educação seja obrigatória, e os pais possam ser
processados judicialmente.
Polônia 88 2% nas áreas rurais.
Não há dissidência. As crianças que não são bem
sucedidas no programa regular (5%) são
Suécia 87
encaminhadas para programas educacionais
diferenciados.
No momento pouco menos de um terço dos jovens
Reino
87 abandonam ou não alcança sua meta de aprendizado
Unido
na educação ministrada em regime de tempo integral.
(ibidem, 2012)
25

A tabela acima apresenta oito países europeus com suas respectivas taxas
de conclusão de segundo grau e evasão escolar, sendo que, alguns dados são
interessantes como, por exemplo:
 A Alemanha, que tem uma taxa de conclusão de ensino médio de
86% da população, consta ainda com um quadro de dissidência
escolar de 10% um pouco elevado ainda mais se levar em
consideração que os pais desses estudantes podem responder
judicialmente pela falta de seus filhos dentro do ambiente escolar;
 A Dinamarca que conta com um número zero de evasão escolar até
os 15 anos de idade;
 Outro exemplo interessante é o caso da Suécia, que também não
possui dissidência escolar, isto por que, aquelas crianças que
desistem que é um número de 5%, são levadas para programas
educacionais diferenciadas, fazendo com isso que as mesmas
permaneçam sua instrução educacional;
 A Finlândia que apresenta um número de apenas 100 casos de
evasão escolar em seu território e situado principalmente concentrado
apenas em áreas rurais.
Com este quadro e valores percebe-se que o número de evasão escolar nos
países desenvolvidos é mínimo e que as atitudes tomadas por estas nações são
eficientes, desde programas diferenciados até intervenções judiciais aos pais que
deixam seus filhos abandonarem a escola, tudo feito e pensado para não permitir
que seus cidadãos deixem para trás seu bem mais precioso, a educação.

1.4 Os países subdesenvolvidos e a evasão escolar


A educação é um reflexo social é por meio do ensino que a sociedade passa
aos seus descendentes tudo aquilo que é importante: história, economia, política,
linguagem, erros e acertos acumulados durante os anos de sua existência. Por
tanto, através da ação educativa uma nação prepara seus cidadãos para conhecer,
observar, perceber, questionar e com isso buscar uma melhoria para esta própria
sociedade que estar se mostrando exatamente através da educação. O ensino é
como se fosse um espelho onde a sociedade se mostra para seus futuros cidadãos,
para que estes consigam vê os erros e com isso tentar melhorar a estética social
que lhe foi mostrada.
26

A prática educativa não é apenas uma exigência da vida em sociedade, mas


também o processo de prover os indivíduos dos conhecimentos e
experiências culturais que os tornam aptos a atuar no meio social e a
transformá-lo em função de necessidades econômicas, sociais e políticas da
coletividade. (LIBÂNEO, p. 17. 1994).

É dentro das instituições de ensino que são abrigados os adultos de amanhã


que tem o poder de modificar o que se encontra na atualidade. Mas para que isso
ocorra esses adultos necessitam de uma educação de qualidade, que lhes mostrem
a importância de um governo e da história de seu país. Para perceber o valor da
herança cultural de sua pátria, precisam conhecer e apreciar a arte, a música e a
literatura de sua região. Esses cidadãos, para prestar uma contribuição positiva a
sua sociedade, precisam aprender a resolver as divergências de maneira pacífica e
civilizada. Para serem úteis no trabalho para a sociedade, têm de dominar uma
variada gama de habilidades acadêmicas e técnicas, ou seja, para uma criança e
consequentemente um país se sobressair e prosperar no mundo de amanhã ela
precisa prosperar na escola de hoje (SHARGEL, p. 271. 2012).
Percebe-se que a educação reflete e mostra uma sociedade. Logo como os
países em desenvolvimento que apresentam variados problemas sociais, como:
desemprego, pobreza, desigualdade financeira, falta de saneamento básico etc. tem
sua educação? Qual atitude estes países tomam diante da evasão escolar que se
mostra uma mazela educacional terrível?
Já é sabido há muito tempo que a educação é de fundamental importância
para um país, como mostra (SHARGEL, 2012) que em “abril de 2000, em uma
conferência em Dakar, Senegal, delegados de 181 países reafirmaram que ‘a
educação é um direito humano fundamental e uma das chaves para a paz e o
desenvolvimento econômico’”. Como é de consenso mundial que a educação é o
combustível de transformação de uma sociedade, nota-se ainda muitos problemas
dentro dos países em desenvolvimento relacionados à educação, como mostra, por
exemplo as estatísticas retiradas do (Education Forum, 2000):
 A África subdesértica gastava três vezes mais com o pagamento de
dívidas do que em educação.
 A Índia gasta duas vezes mais em armas do que em educação.
 Desde 1990, as verbas públicas de auxílio a educação sofreram cortes
de aproximadamente 25%.
27

 O percentual de adultos analfabetos passou de 67% em 1970 para


80% em 2000; os números aumentaram mais do dobro, passando de 2,5 bilhões em
1970 para 3,4 bilhões em 2000.
 Em 1999, o número de mortes de professores vitimados pela AIDS na
Zâmbia superou o número de professores que concluíram seus cursos de magistério
no mesmo ano.
 Na Costa do Marfim, todos os dias um professor morre de AIDS.
 Em Uganda, 11% das crianças com menos de 15 anos ficaram órfãs
em decorrência da AIDS.
 Em muitos países africanos falta água na escola. As carteiras são
poucas; os livros são compartilhados. Muitas escolas possuem poucas – ou
nenhuma – instalação sanitária. Os professores são mal equipados e mal treinados.
 O tamanho médio das turmas em Mali é de 37 alunos. No Chad,
chegam a 70.
 Em Zâmbia, menos de 60% de todos os alunos em idade escolar
estavam matriculados; a maioria daqueles que estavam na escola, abandonavam os
estudos.
 Os E-9 (os nove países mais populosos do mundo, que representam
metade da população mundial – Bangladesh, Brasil, China, Egito, Índia, Indonésia,
México, Nigéria e Paquistão) continuam a representar mais de três quartos da
população analfabeta do mundo.
 O número de matrículas nas escolas de primeiro grau vem diminuindo
desde 1950 à razão de mais de 10 na África, mais de 5 na América Latina e no
Caribe, e mais de 4 na Ásia.
 Na Ásia Meridional, as meninas passam, em média, seis anos na
escola – três anos menos do que os meninos. Nas áreas rurais, a probabilidade de
dissidência escolar entre meninas é maior que entre os meninos.

A partir destes dados retirados da Education Forum de 2000 dá pra perceber


coisas terríveis ocorrendo na educação do mundo, como no caso da Zâmbia onde o
número de professores mortos pelo vírus da AIDS supera o número de professores
formados naquele ano, os países mais populosos do mundo conhecidos como E-9
comportam mais de três quartos da população analfabeta do mundo, sem contar que
28

o número de analfabetos em vez de diminuir no mundo vem é aumentando ao longo


dos anos. Estes dados e informações sobre como anda a educação nos países em
desenvolvimento, traz preocupação sobre o provável futuro destas nações que
passam por esta situação.
Ninguém pode comprovadamente prevê o futuro, mas pelos dados
apresentados dá para se traçar um esboço de como será o por vim destas nações
que tratam a educação com descaso, pois é nítida a relação existente entre
educação e oportunidades para seus cidadãos. Sendo assim, presume-se que tais
nações irão deixar de oferecer aos seus cidadãos as verdadeiras oportunidades que
os mesmos podem auferir. Logo, não é aceitável que um número cada vez maior de
alunos abandone a escola, havendo com isso um desperdiço de recursos humanos
necessários para a construção adequada de uma sociedade (SHARGEL, p. 271.
2012).
Lógico que não se pode de maneira alguma querer deslocar a educação do
meio social da qual estar inserida, pois como fala Libâneo:
A estrutura social e as formas sociais pelas quais a sociedade se organizam
uma decorrência do fato de que, desde o início da sua existência, os
homens vivem em grupos; sua vida está na dependência da vida de outros
membros do grupo social, a história de sua vida e a história da sociedade se
constituem e se desenvolvem na dinâmica das relações sociais. Este fato é
fundamental para se compreender que a organização da sociedade, a
existência das classes sociais, o papel da educação estão implicados nas
formas que as relações sociais vão assumindo pela ação prática concreta
dos homens (LIBÂNEO, p. 19. 1999).

Com tantas informações dá para se criar um quadro de atitudes que os


países em desenvolvimento podem aplicar em seus territórios para que assim possa
haver uma melhor qualidade da educação.

QUADRO 1: Atitudes que os países em desenvolvimento podem aplicar em seus


territórios para uma melhor qualidade da educação.

ESTRATÉGIAS INOVADORAS E CRIATIVAS PARA UMA REFORMA


ESCOLAR
Deve-se financiar totalmente programas pré-
EDUCAÇÃO PRECOCE
escolares e torná-los disponíveis a todos.
EDUCAÇÃO Deve-se implementar programas abertos a uma
ALTERNATIVA diversidade de estilos e aprendizagem.
29

Deve-se treinar nossos professores nas técnicas de que


DESENVOLVIMENTO
necessitam para promover o aproveitamento do aluno em
PROFISSIONAL
alto nível.
APRENDIZADO Deve-se oferecer oportunidades de aprendizado flexível
INDIVIDUALIZADO àqueles que aprendem em ritmo diferenciado.
TECNOLOGIA NA Deve-se encontrar formas de tornar a tecnologia parte
INSTRUÇÃO inerente do processo de ensino e aprendizagem.
COLABORAÇÃO Deve-se conectar as escolas a parceiros fora da sala de
COMUNITÁRIA aula que apoiem o processo de aprendizagem.
Deve-se oferecer um ambiente escolar seguro, solidário
RESOLUÇÃO DE e zeloso. Deve-se reconhecer que muitos estudantes
CONFLITO trazem problemas para a escola, e é importante ajudá-los
a lidar com esses problemas.
Fonte: Shargel (2012), Estratégias para auxiliar o problema da evasão escolar.
Neste quadro vem uma gama de sugestões para uma transformação
educacional dentro dos países em desenvolvimento e também dos desenvolvidos
que possam estar passar por situações complicadas na área educacional, onde
cada sugestão apresentada pode se enquadrar em um tipo de problema que o país
possa estar enfrentando na instrução de seus cidadãos. É exemplos destas variadas
ações uma educação precoce para que as crianças possam se adaptar o quanto
antes ao ensino aprendizagem e assim haver um desenvolvimento no tempo
esperado, outra atitude a ser tomada é proporcionar meios educativos alternativos
para que o estudante tenha variados caminhos a percorrer se este não se adaptar
ao ensino regular por diferentes questões ou problemas; outra ação seria procurar
desenvolver o ensino técnico para qualificação profissional destes estudantes e com
isso proporcionar ao mercado um maior número de trabalhadores, uma educação
individualizada para suprir as necessidades e anseios individuais de cada estudante
também é importante; como também inserir a tecnologia no ensino como forma de
enriquecer a aprendizagem e procurar meios para a participação da comunidade na
vida escolar e tentar resolver os problemas sociais como violência, drogas,
desigualdade social, saúde, saneamento básico e qualquer outro fator que afete a
vida dos estudantes fora da escola, pois não adianta a escola tentar conduzir o
aluno por um caminho se este não estiver disponível para que se possa prosseguir.
30

Falar em facilidade quando se trata em educação de qualidade é


praticamente impossível, mas o retorno que este esforço traz nem se compara com
as dificuldades enfrentadas, pois os benefícios colhidos de uma sociedade que
prioriza a educação como pilar principal de sua construção social só proporciona
benefícios a todos.

2. AS CONSEQUÊNCIAS DA EVASÃO ESCOLAR

2.1 Para um país

É indiscutível que a grandeza de um povo é medida por sua educação, sendo


assim, qual o tamanho da força do povo brasileiro, com números tão alarmantes de
evasão escolar? Como o nosso país pode se tornar a tão sonhada nação de
31

primeiro mundo, se os nossos cidadãos não conseguem por diferentes fatores


chegar a concluir seus estudos de maneira satisfatória e condizente com seu
adequado nível de aprendizagem?
Estas e outras perguntas são pertinentes, quando a questão é o crescimento
de um país, logo uma nação para conseguir figurar entre as mais poderosas, tem
que prover seu povo de educação, conhecimento teórico e prático dos meios tecno-
científicos para que os mesmos não sintam-se deslocados e possam assim interagir
de maneira satisfatória e globalizada com as últimas tendências tecnológicas, pois
conforme cita Schargel, Franklin P. apud Thurow (2002, p. 5): “No século XXI, a
educação e as habilidades da força de trabalho acabarão por ser a arma competitiva
predominante”.
O Brasil tem hoje em sua natureza um substancial número de matérias-
primas que provêm sua economia, mas o preocupante é que estes bens são
recursos finitos, o que traz certo temor em relação ao nosso país que prioriza a tais
recursos naturais esquecendo-se de qualificar os recursos humanos, pois como diz
Schargel, Franklin P. (2002, p. 5): “No futuro, a riqueza das nações estará mais
nitidamente vinculada ao conhecimento do que às suas matérias-primas”.
O Estado brasileiro, estar sempre atrelado ao slogan, Brasil o país do futuro,
só que o alcance deste, parece que se distancia cada vez mais em vez de se
aproximar. Outra questão, é como será esse tão alardeado porvir, pois o que se
percebe é a falta de compromisso com a qualidade educacional do povo brasileiro,
pois é notório dentro de nossas escolas problemas como falta de carteiras, merenda
e outras mazelas deixando assim a nação brasileira indefesa das armas corretas
para enfrentar os desafios que permeiam os dias vindouros. Ainda mais, com uma
evasão escolar que insistir em se fazer presente dentro de nossas escolas.
Logo a educação é fundamental para o desenvolvimento de um país, sendo a
base para a sua construção sólida e segura e a evasão escolar acaba sendo um
fator de impedimento para tal empreitada, tornando-se um alvo a ser atacado o
quanto antes para que o Estado não sofra com os efeitos colaterais de seus
cidadãos fora da escola.
Para um país o cidadão é um produto no meio capitalista e como tal o mesmo
tem que ser preparado para que alcance o mais alto valor de qualidade dentro desse
mercado trabalhista, proporcionando desta forma a sua nação poder de
32

competitividade em um mundo globalizado e com fronteiras comerciais cada vez


mais tênues. Por tanto se o Estado não prepara seu cidadão, este é desvalorizado e
não atingi os recursos que são esperados dele.
Logo, a forma mais rápida, prática e eficaz para tal preparo é sem dúvida
alguma a educação, esta que desde muito tempo é tão requisitada nos palanques
políticos, mais que infelizmente na prática ainda não se fez um choque de gestão
dentro do plano educacional para que este cenário de abandono e descaso com a
escola seja eliminado de vez. Pois:
A escola não pode mudar tudo e nem pode mudar a si mesma sozinha. Ela
está intimamente ligada à sociedade que a mantém. Ela é, ao mesmo
tempo, fator e produto da sociedade. Como instituição social, ela depende
da sociedade e, para se transformar, depende também da relação que
mantém com outras escolas, com as famílias, aprendendo em rede com
elas, estabelecendo alianças com a sociedade, com a população
(GADOTTI, 2007, P. 12).

Então é de fundamental importância as escolas contarem com um suporte de


toda a nação para que a mesma possa caminhar de maneira a oferecer a qualidade
que é tão almejada e que infelizmente existi somente nos discursos políticos, mas na
prática se distancia e muito daquilo que realmente é necessário para um ensino que
melhore a formação de nossos cidadãos proporcionando com isso algo realmente
atrativo e que tenha sentido para os estudantes, fazendo assim com que estes
desistam de desistir da escola diminuindo com isso o número de evasão escolar no
Brasil e favorecendo assim a um estoque nacional de mão de obra qualificada para
que não faltem profissionais preparados para os desafios futuros que nosso país
enfrentará.
Se um país tivesse possibilidade de vê seu reflexo em um espelho sem
sombras de dúvidas este seria a educação e o melhor é que além de mostrar o hoje
este espelho mostra claramente ainda onde um país tem que melhorar favorecendo
com isso a possibilidade de mudanças e melhorias para o amanhã. Infelizmente o
que aparenta é que os cidadãos de nosso país não querem nem sequer olhar por já
suspeitarem da imagem crítica que será refletida. Outra coisa negativa a se
constatar neta metáfora espelho e educação brasileira é perceber que o vidro tem
várias rachaduras de variados tamanho sendo um das mais visíveis a que se refere
exatamente à evasão escolar.

2.2 Para a sociedade


33

A evasão escolar é um problema grave para um país. Mais onde este


problema pode ser sentido de maneira mais nítida e clara, quanto a sua eficácia e
duração para os cidadãos brasileiros? Um promotor do Paraná nos traz a resposta,
revelando que:
As consequências da evasão escolar podem ser sentidas com mais
intensidade nas cadeias públicas, penitenciárias e centros de internação de
adolescentes em conflito com a lei, onde os percentuais de presos e
internos analfabetos, semialfabetizados e/ou fora do sistema de ensino
quando da prática da infração que os levou ao encarceramento margeia, e
em alguns casos supera, os 90% (noventa por cento). (Digiácomo, 2007).
Nota-se de maneira bem clara que, alunos evadidos da escola têm uma
probabilidade grande de se fazer presentes em outros departamentos do Estado
como os presídios e os centros de detenção para menores infratores, isso tudo
trazendo um impacto social de grandes proporções, sendo que, em vez do Brasil
estar preparando o jovem para o mercado de trabalho, o mesmo, ainda estará em
processo de regresso ao convívio social logo, se este cidadão estivesse
simplesmente em sala de aula, toda essa situação poderia ser evitada.
Infelizmente o problema da evasão escolar segundo Schargel, Franklin P.
(2002, p. 29) é muito mais profundo e complexo que somente os números de
discentes taxados nas pesquisas que comprometem cada vez mais nossa
educação, pois a evasão escolar pode estar localizada em três fatores distintos e
cada vez mais presentes dentro das escola, sendo eles: os alunos evadidos
literalmente que deixam de frequentar a escola, os desinteressados que são os
estudantes que ainda frequentam a escola mas, que não veem sentido e gosto pela
educação que estar sendo ministrada e os expulsos que são aqueles que não
seguem as normas da escola, e esta sem saber como trabalhar com tais estudantes
prefere se livrar deles expulsando-os e deixando o problema para a sociedade.
Tomando como base os alunos que evidentemente deixam de frequentar a
escola, esse fato traz consigo uma carga de problemas que irão desemborcar em
um lugar específico a sociedade, esta que irá sofrer as consequências de um fato
em si que é negligenciada por ela mesma, que não dar a devida importância para
aquele aluno evadido que invés de estar se preparando para a construção e a
melhoria social, estará fora da escola aprendendo exatamente tudo aquilo que a
sociedade tenta combater, como a criminalidade, prostituição, drogas entre outros.
Outro problema que pode ser relacionado ao fator evasão escolar encontra-se
até mesmo nos alunos que ainda frequentam a sala de aula, mas que não vê
34

interesse e motivação para o ensino que é ministrado nas escolas, estando lá por
estar, sem desenvolvimento de seu potencial para um aperfeiçoamento das suas
qualidades, tornando-se desta forma um aluno que não é aproveitado
adequadamente, causando assim um desperdício de tempo e dinheiro para a
sociedade, que não aproveitará tudo que se espera deste cidadão futuramente.
A sociedade em si, tem algumas expectativas relacionadas a alguns órgãos
do Estado, como por exemplo: que os hospitais ofereçam atendimento com
dignidade e respeito, que a segurança pública proteja seus cidadãos de eventuais
perigos e que a escola prepare seus filhos para um mundo de desafios. Agora pra
quem esta sociedade irá recorrer, quando a própria escola, por não saber como
corrigir um problema disciplinar de um determinado aluno o expulsa para ter sua
“paz” de volta, para onde este aluno rejeitado irá? Sendo que, o local de onde é
esperado exatamente este preparo, esta correção de conduta, se autoproclama
incapacitado para resolver este problema relegando este discente para o acaso.
O meio social só tem a perder com seus cidadãos fora da escola, só que a
escola, não estar conseguindo realizar sua tarefa que é atrair, motivar, ensinar,
inovar, conscientizar os estudantes que muitas vezes preferem se submeter ao
mercado de trabalho antes do tempo, tornando-se desta forma, mais um com
qualificação baixa, que não teve todo o seu potencial lapidado, por não vislumbrar
dentro do ensino um futuro próspero.
Todas as literaturas que abordam a temática a respeito da evasão escolar são
claras em enfatizar que as instituições escolares têm que estarem preparadas tanto
no aspecto quantitativo, quanto qualitativo para que seja repassado aos estudantes
de maneira eficaz tudo aquilo que estar previsto dentro do currículo escolar, fazendo
isso de maneira contínua e eficaz desenvolvendo no próprio aluno um extinto de
aprender a aprender, levando-o com isso a adquirir não somente conhecimentos
técnicos, mais também morais, sociais e culturais, colocando o indivíduo em papel
de destaque dentro da sociedade na qual estar inserido.
Para Bourdieu (1998), a escola é um segmento que conserva o ambiente
social vivo, faz com que na sociedade todos tenham os mesmos direitos e deveres,
ou seja, as oportunidades são para todos. Muitos são os motivos que podem ser
elencados para justificar o afastamento do aluno da escola, dentre estes pode servir
como o desencadeador desse processo o fato do aluno não ter o apoio necessário
35

dentro do ambiente familiar. Também pode acontecer de não encontrar na escola, o


ambiente tão sonhado, e também, e principalmente, o fato de não se sentir apto e
nem em condições de enfrentar a sala de aula. Em muitos casos, o aluno enfrenta
dificuldades financeiras na família e precisa contribuir trazendo recursos para dentro
de casa, por esse motivo acaba não conseguindo conciliar trabalho e estudo e opta
pelo primeiro. Isso ocorre porque, no momento do afastamento da escola, o aluno
ainda não tem maturidade suficiente para saber as futuras consequências desse ato.
Baseando-se nessa lógica, é pertinente a informação que segue, onde diz que:
O modo capitalista de produção é constituído pelo capital constante (meios
de produção) e capital variável (força de trabalho). Máquina parada não
produz capital. Portanto, entender o significado do trabalhador e sua força
de trabalho nessa ordem social parece ser de fundamental importância para
todos aqueles que querem explicar tal ordem social (COAN, 2006, p. 17).

Logo a sociedade tem que compreender o papel primordial da escola como


ferramenta fundamental para a construção social, dando todo o suporte necessário
para a gestão escolar, para os professores e aos funcionários para desempenharem
suas atividades com todo o suporte possível para realizarem seu trabalho com
respeito e dignidade, proporcionando com isso possibilidades viáveis para uma
transformação social.

2.3 Para o indivíduo


Evasão escolar e futuro do indivíduo, até onde estes dois termos irão de
encontro com uma realidade nada amistosa para o sujeito que faz a opção pelo
abandono dos estudos em sua vida. Será que existe dificuldade de perceber o mal
que este cidadão estará provavelmente fazendo há si próprio e para toda sua futura
família ao não mais buscar a qualificação profissional através da educação ou
realmente não há outro meio de sobrevivência que não seja fica fora da escola
devido alguma oscilação financeira nas contas da família na qual o aluno está
inserido? Logo:

Tudo na vida tem o tempo exato para acontecer e o aluno que se afastar do
ambiente escolar durante a idade em que nela deveria estar, vai sentir
necessidades no futuro. A evasão escolar é uma dificuldade e um problema
que engloba a sociedade como um todo, partindo do ambiente familiar,
repercutindo na escola e desencadeando problemas sociais. Ela é uma
questão gigantesca que vem ocupando relevante papel nas discussões e
pesquisas educacionais no cenário brasileiro. Devido a isto, educadores
brasileiros, cada vez mais, devem preocupar-se com crianças que chegam à
escola, mas, que nela não permanecem. (DUBET, 1997, p.12).
36

É importante haver um direcionamento para conscientizar o discente da


importância de sua permanência dentro da escola, logo além da conscientização dos
alunos esta mesma ação tem que respingar na família e no próprio educador, pois
havendo essa conscientização conjunta sobre o tamanho da relevância que é para a
sociedade um estudante permanecer em sala de aula, provavelmente os números
de alunos evadidos em nosso Estado tem possibilidade de diminuir de maneira
considerável. Só que o êxito só acontecerá, se realmente os cidadãos como um todo
parar com a hipocrisia de dizer que a educação é importante e passar a agir como
tal. É sabido que a sociedade é como um organismo vivo, se uma célula de tal
organismo não estiver cumprindo com suas funções adequadas esta anomalia irá se
refletir de maneira macro em toda a sociedade.
Outra problemática a ser analisada no campo político-ideológico em relação
ao indivíduo que faz a opção pelo mundo trabalhista em vez dos bancos escolares é
exatamente a censura subliminar que o próprio sistema capitalista brasileiro delegou
para os filhos dos trabalhadores pobres de nosso país, havendo sim uma
catalogação sobre quem realmente alcançara os níveis mais altos em educação,
daqueles que infelizmente ficarão relegados geralmente há um trabalho mecânico e
de remuneração mais baixa:
Desse modo, a formação de trabalhadores e cidadãos no Brasil constituiu-
se historicamente a partir da categoria dualidade estrutural, uma vez que
havia uma nítida demarcação da trajetória educacional dos que iriam
desempenhar as funções intelectuais ou instrumentais, em uma sociedade
cujo desenvolvimento das forças produtivas delimitava claramente a divisão
entre capital e trabalho traduzida no taylorismo-fordismo como ruptura entre
as atividades de planejamento e supervisão por um lado, e de execução por
outro. ( KUENZER, 2009, p. 27)

A afirmativa logo acima de Kuenzer aponta que o caminho do discente de


baixa renda parece já definida há muito tempo, sendo uma formação específica de
trabalhos de execução em vez de supervisão.
O quadro exposto apresenta uma armadilha para o jovem que faz a opção
por sair da escola antes do tempo, pois além de enfrentar uma segregação velada
sobre o que irá fazer se conseguir chegar ao final de seus estudos, o mesmo na
maioria das vezes é levado a acreditar que o dinheiro que ele está ganhando com a
opção feita pela troca da escola pelo trabalho é algo benéfico, não imaginando o
aluno o tamanho dos malefícios que a ausência da escola lhe fará na idade adulta.
37

Sendo assim, a maior parte dos alunos brasileiros além do esforço para se
manterem na escola, os mesmos tem que lutarem para alcançar um lugar de
destaque social, sendo que dificilmente este destaque será atingido fora dos bancos
escolares, fica o questionamento, quem ajudará estes jovens?
A escola que era pra ser a chave para a quebra de tais paradigmas continua
perpetuando os ideais dominantes da utopia capitalista. A resposta para a vitória
sobre esta ideologia elitizante pode estar centrada exatamente no próprio professor,
pois o mesmo pode esclarecer e diferenciar para os indivíduos as vantagens e os
males de um cidadão que faz a opção pelo o abandono da escola, mesmo com
todas as dificuldades momentâneas que o aluno possa estar passando, os
benefícios colhidos por ele se manter nos estudos irá valer a pena. Assim com a
ajuda providencial do professor, pode se pensar que no futuro os muros que
impedem a democratização do conhecimento possam ser finalmente substituídos
por pontes que liguem o saber.
Logo, como afirma (GIANCANTERINO 2007) o professor é hoje o principal
agente de mudança, onde o mesmo favorece ao educando a compreensão do
mundo capitalista, sendo que a participação dos docentes nunca foi tão patente no
processo de conscientização dos estudantes a respeito desta ideologia capitalista.
Assim, a responsabilidade dos professores é grande, a quem cabe formar o caráter
e o espírito das novas gerações.
O mal de toda esta situação é exatamente quem assumirá este
compromisso, pois o que se percebe muitas vezes é uma pessoa ou instituição
culpando um ou outro. Aluno põe a culpa no professor, professor põe a culpa na
família, família põe a culpa na escola, a escola põe a culpa no sistema e por aí vai,
sendo que não se percebe uma dedicação conjunta de todos por um bem comum,
ou seja, a erradicação da evasão escolar.
É importante o esforço conjunto de toda a sociedade, pois a evasão escolar
na vida de um indivíduo trará consequências desastrosas, como marginalização,
uma autoestima baixa, distorção idade/série, repetência, desemprego, desigualdade
social, entre muitos outros fatores que além de serem horríveis na vida de um
cidadão, acaba por prejudicar toda uma sociedade e não apenas um indivíduo em
questão.
38

É notório entender que o aluno que se afasta da escola, acaba por se afastar
também do conhecimento, logo o mesmo sofrerá em decorrência disso uma
exclusão do meio onde vive, tornando-se uma pessoa insatisfeita profissionalmente
com a pouca valorização que possui. Por tanto, hoje é impensável viver longe das
informações vigentes, imaginar que o mundo é constituído pelo o acaso, pois é
nítido que sem um conhecimento satisfatório dificilmente alguém conquistará seu
espaço individual na sociedade.

2.4 Principais causas da evasão escolar no Brasil


Ao fazer uma análise sobre as consequências da evasão escolar, fica
evidente que este problema é como um vírus, que não fica alojado somente em seu
hospedeiro, mas que espalha os distúrbios para todos aqueles que entram em
contado com o infectado, ou seja, a evasão escolar traz problemas não só para o
indivíduo que a ela recorre, mas a todos os cidadãos que convivem com o aluno
evadido. Isso mostra que a evasão escolar sobrepõe outros problemas relacionados
à educação, pois aluno fora da escola apresenta um tempo ocioso para tarefas nada
condizentes com sua faixa etária, além de comprometer os anos seguintes de sua
formação educacional e funcional dentro da sociedade, favorecendo sua
marginalização.
O quadro abaixo, permitir uma observação panorâmica dos últimos
resultados brasileiros acerca da evasão escolar, evidenciando nitidamente a
situação do país.

QUADRO 3: Taxa de evasão escolar no Brasil

TAXA DE EVASÃO ESCOLAR NO BRASIL

ENSINO
ANO ENSINO MÉDIO
FUNDAMENTAL

1999 11,3% 16,4%

2000 12% 16,6%


39

2001 9,6% 15%

2003 8,3% 14,7%

2004 8,3% 16%

2005 7,5% 15,3%


Fonte: MEC/INEP/Censo Escolar 1999-2005.

Os dados apresentados demonstram uma pequena melhoria na taxa de


alunos evadidos em nosso país no período de tempo de 1999 a 2005. Mas, percebe-
se que esta melhoria não é algo contínuo, havendo uma oscilação entre os anos.
Logo, este fator de instabilidade gera dúvidas a respeito das atitudes tomadas pelos
órgãos governamentais em relação às melhorias educacionais no país, pois o
quadro acima mostra uma pequena melhoria é verdade, mas não há uma constância
nesse crescimento, tornando claro que os erros encontrados ao longo dos anos não
estão sendo sanados em sua totalidade o que provavelmente fazem com que voltem
a se repetir em outros períodos.
Anos seguem e as atitudes diante dos males educacionais brasileiros não
passam de paliativos para sanar problemas superficiais, enquanto os pilares do mal
educacional vão se mantendo e consequentemente aparecendo no futuro, pois há
um sério problema político frente a derrota dos males da educação, pois as ações
mais eficientes, não geram uma visualização eleitoral mais imediata, quanto outras
de menor porte e complexidade.
Para levantar as principais causas da evasão escolar no Brasil, irá se propor
sete hipóteses que segundo (ANTUNES, 2013), favorece evidentemente este fato:
1 – Alto número de professores sem curso superior: No Brasil, mais de 40.000
professores ainda não possuem uma formação superior para lecionar nas escolar,
atuando na grande maioria de maneira leiga, sem conhecimento das variadas
metodologias de ensino e didática para a superação dos variados problemas
enfrentados dentro das salas de aulas, dificultando o seu trabalho e
consequentemente a aprendizagem de seus alunos.
2 - Cursos de pedagogia e licenciatura são em sua grande maioria de baixa
qualidade: Pelos dados acima, verificou-se que existem no Brasil mais de 40.000
40

professores sem formação superior em nosso país, o que já é exagerado em se


tratando em melhoria educacional. Agora para corrobora ainda mais de maneira
negativa com este dado, vem a segunda constatação de que além do grande
número de professores sem formação, aqueles que se formam acabam por fazer um
curso de pedagogia ou uma licenciatura em sua maioria de baixa qualidade, que
ocasiona em profissionais mal preparados para agir diante das dificuldades de
aprendizagem de seus alunos.
3 – Escolas com apenas 4 horas de aulas diárias e excessiva falta de
professores: Então o quadro de falecimento múltiplo dos órgãos educacionais do
Brasil estar bem diagnosticado agora em se tratando de evasão escolar. Grande
número de professores sem formação profissional para lecionar, os o que se formam
acabam por estudar em cursos sem qualidade, e para o aluno oferta-se apenas 4
horas de aulas diárias, onde todos sabem que no final não passam de 3 ou 2 horas,
com excessiva e constante falta de professores, troca de horários, intervalos,
chamadas intermináveis, entre outras que somente diminui a qualidade do tempo do
aluno dentro da escola.
4 – Predomínio de escolas com modelos únicos mesmo com alunos
revelando interesses diferentes: Em nosso país as aptidões dos discentes não são
levadas em conta na hora do ensino, logo muito do potencial que este aluno já
possui, perde-se ou não é trabalhado com a intensidade necessária para um
desenvolvimento satisfatório. Logo esta falta de flexibilização curricular, acaba por
gerar nos alunos desinteresse pela escola, o que na pior das hipóteses pode
acarretar na eventual evasão escolar.
5 – Currículos com muitas disciplinas inflados pelos interesses de grupos
corporativistas: No Brasil as disciplinas ministradas nas escolas de ensino médio
passam de 15, muitos educadores afirmam que este é um número exagerado, onde
em sua maioria tais disciplinas não irão influenciar de maneira produtiva na vida
social e/ou profissional do estudante, sendo quê uma diminuição do currículo escolar
uma saída provável para a diminuição do atual desinteresse estudantil e da evasão
escolar.
6 – Nível de apenas 23% dos alunos brasileiros com bom nível de leitura:
Como fazer para responder um problema matemático ou qualquer questão das
tarefas escolares se os alunos não entendem o que leem? Os conhecidos
41

analfabetos funcionais, que são aqueles que decodificam as letras, mas não
entendem o significado da leitura, é maioria no Brasil, atingindo um potencial de 77%
da população brasileira, o que é um número negativamente grande, que com certeza
influencia e muito para a desistência dos estudantes da sala de aula, pois ninguém é
capaz de se manter em um ambiente que não lhe é agradável ou que você não se
sinta sociável com aquilo que é desenvolvido.
7 – Sistema de ensino igual para todos, maçante e enciclopédico: O ensino
brasileiro não diferencia o nível de aprendizagem de seus alunos e nem o gosto ou a
afinidade dos estudantes sobre determinada matéria ou assunto, no Brasil as aulas
tem uma grade curricular para ser seguida por todos apesar de se permitir certas
peculiaridades regionais, este tipo de ensino não promove oportunidades para que
os alunos possam desenvolver ao máximo suas áreas de interesses. Nos países
onde a educação tem uma grade curricular aberta, os alunos escolhem entre uma
grande diversidade de escolas e disciplinas, aquelas que mais o interessam e aquilo
que realmente desejam cursar, dificultando com isso a evasão escolar.
Ao se fazer esse levantamento de sete casos que facilitam a evasão escolar
brasileira, fica evidente que ainda há muito trabalho pela frente, mas, que não é
impossível sonhar com a qualidade do ensino brasileiro, mesmo que isso demore,
deve haver uma concentração de esforços políticos e sociais, para a tão sonhada
transformação educacional no Brasil e com isso o número de alunos reprovados,
faltosos e desistentes das escolas irá diminuir de maneira considerável.
3. A GESTÃO ESCOLAR FRENTE À EVASÃO

3.1 O papel do gestor


A respeito da evasão escolar é importante realizar uma análise sobre todos
os aspectos dentro das instituições de ensino para se traçar um diagnóstico mais
próximo da dificuldade em se manter os estudantes dentro da sala de aula, sendo
assim observar o trabalho dos gestores escolares diante de tal adversidade é de
uma importância fundamental. Logo como afirma Marins (2009) o papel do diretor
implica sensibilizar, coordenar e dirigir a todos para efetivarem a ação necessária a
fim de que a mudança ocorra, tendo este um papel determinante para a motivação
de toda a comunidade escolar para a diminuição no número de alunos evadidos
dentro das escolas.
42

Antes o cargo de gestor escolar era conhecido como administrador escolar,


tanto na esfera particular quanto pública em um tempo não muito distante (anos
1960, 1970 e 1980), sendo o trabalho deste responder pelas funções
administrativas, de planejamento, organização, direção e controle, sendo visto como
o sujeito responsável de colocar em prática as questões legais previamente
estabelecidas pelas instâncias superiores políticas ou educacionais, colocando a
escola para funcionar, sendo a ação deste agente educacional caracterizada pela
forma mecânica e desarticulada dos sentimentos pessoais e do controle das
diversidades existentes dentro do universo escolar (MARINS, 2009).
Várias foram as legislações que trataram sobre a formação do gestor
escolar, sendo a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB)
preocupada com este assunto a Lei nº 4.024/61, passando pela nº 5.692/71 que
trazia a proposta de reforma do ensino de 1º e 2º graus até chegar a nossa atual
LDB que é a Lei de nº 9.394/96 que se concentra na formação dos professores,
todas elas desde o ano de 1961 tratam sobre a importância da formação do gestor
escolar, sendo que cada uma destas legislações são unânimes em afirmar que a má
formação destes atores educacionais, pode provocar indesejadas consequências a
sociedade. Verificou-se que a formação do diretor escolar era predominantemente
baseada na transmissão de forma tradicional de conteúdos relacionados a
administração de empresas e repassadas automaticamente para a administração
escolar, o conceito era de centralização das decisões, controle das atividades,
supervisão das ações tomadas pelos professores, sendo a participação dos outros
agentes educacionais mínima ou quase nula, os alunos apenas ouviam as decisões
tomadas pelo diretor da escola e consequentemente obedeciam rigorosamente as
regras estabelecidas, visualizando assim um cenário de quartel, havendo uma
hierarquia rígida e fechada (MARINS, 2009).
Atualmente muitos são saudosistas em dizer que aquele diretor de outrora é
que estar faltando nas escolas de hoje, pois alguns falam que em tempos passados
havia respeito, sendo que agora muitos alunos não têm um mínimo de consideração,
desacatando professores, diretor ou qualquer outro funcionário. Já para alguns
estudiosos como Alonso (1976):
(...) o diretor não pode ser visto como mero aplicador de leis ou provedor de
recursos materiais para a escola deve antes ser pensado como criador de
novas atitudes, o estimulador do progresso e o mediador na solução de
problemas e dificuldades dos vários problemas da escola.
43

Com a fala de Alonso (1976) fica evidente a importância do diretor dentro


das escolas para enfrentar os problemas que a mesma carrega, sendo um de difícil
solução exatamente a evasão escolar, logo o profissional que desempenha o papel
de direção escolar além de ter uma noção administrativa, tem que possui traços
fortes de liderança para conseguir direcionar todos em um mesmo caminho, tanto
professores, como alunos, corroborando com esta ideia Alonso apud James (1976),
onde o mesmo mostra que:
Liderança é aquele comportamento que garante a iniciação de uma “nova
estrutura” ou “procedimento” necessário ao alcance dos objetivos da
organização, ao passo que o comportamento do administrador pode ser
identificado com a “utilização de estruturas” e “processos” existentes em
direção aos objetivos estabelecidos. Portanto, a administração é vista como
uma forca de estabilização, enquanto a liderança, como força de inovação
ou renovação.

É fundamental que o diretor não seja visto como um fiscalizador ou mero


executor de ordens, mas como membro do grupo, participante das mesmas lutas e
em busca das mesmas metas, onde não esteja na escola somente para apontar
defeitos e sim para cooperar com sua experiência, ideias e força de vontade para a
transformação das anomalias existentes.
Esse diretor, deve se preocupar com os aspectos materiais da organização
e funcionamento dessa escola, com seus aspectos psicológicos e sociais,
que permitam uma condição de trabalho adequada aos professores e
melhor aproveitamento para os alunos. Enfatiza que esse clima de harmonia
e participação é essencial para a eficiência do trabalho educativo. No
entanto, esse papel do diretor só será realidade quando ele for “percebido”
como um “tomador de decisões”, e não como mero “executor” de ordens
superiores. Na verdade, quando assumir a efetiva liderança do trabalhador
escolar (ALONSO, 1976).

Portanto, é notório que o ambiente de trabalho escolar a ser desenvolvido


pelo diretor deve ser sempre o de cooperação, dedicação, percepção das falhas,
correções, reclamações, sendo que todas as ações tomadas pelo mesmo devem ser
vistas pela comunidade escolar como uma forma de comprometimento e esforço
mútuo para um mesmo fim, os profissionais que trabalham com o diretor, devem
perceber nele alguém que merece respeito não pelo seu autoritarismo, mas pela
autoridade construída nas bases do profissionalismo e respeito entre todas as partes
envolvidas, na construção das mesmas metas e objetivos previamente
estabelecidos.
44

No entanto, para que o gestor escolar desenvolva tais características


profissionais não é tão simples assim. O mesmo tem que estar sempre em busca de
novos conhecimentos, sendo eles científicos ou de convivência profissional, pois um
diretor tem que aprender com o outro, saber ouvir e falar nos momentos certos,
perceber as situações de confronto e atuar prontamente para que tudo fique sobre
controle, desenvolvendo ao máximo os potenciais estudantis e profissionais sob sua
direção. Alonso (1976) destaca algumas atitudes necessárias para a obtenção do
êxito na direção de uma escola, sendo eles:
 Comunicar-se de modo formal e informal com os membros do seu
grupo;
 Tomar decisões de acordo com critérios mais racionais;
 Manter o “moral” alto do grupo, atentando para as mudanças
necessárias:
 Liderar o grupo, levando os membros da organização a aceitar, e
mesmo desejar, a mudança.

Observando os critérios propostos por Alonso (1976), percebe-se a


importância do profissional encarregado da gestão escolar, saber tratar e como tratar
a todos, diferenciando os momentos corretos de profissionalismo para um momento
mais de desconcentração, observando sempre a forma e o momento de abordar os
colegas de trabalho, para que os mesmos já percebam em sua fala, quando o
assunto abordado não tem tanta importância assim, para assuntos onde requer a
atenção e o comprometimento de todos para o que estar sendo dito.
O diretor escolar tem que perceber que ele é como um juiz naquele
estabelecimento de ensino, ou seja, é ele que tem que tomar as mais variadas
decisões, desde as mais simples até as mais delicadas, sendo que o mesmo deve
estar sempre preparado para elogiar como também para corrigir, para incentivar
como também para reclamar, sabendo sempre medir e equalizar todas as variantes
envolvidas nos problemas para que a melhor decisão seja sempre a escolhida. É
difícil, mas o diretor da escola deve buscar ao máximo, tomar decisões racionais,
tentando se deslocar da emoção para que o bem coletivo da comunidade escolar
seja sempre preservado.
Um grupo de trabalho animado e confiante é tudo de bom, sendo que para
isso ocorra dentro das escolas o diretor tem um papel fundamental, pois é
exatamente este profissional que tem o papel de ascender à empolgação dentro do
ambiente escolar, pois é ele que deve conduzir a todos na escola para os objetivos
45

traçados, mas não somente levar por levar, a maneira como se conduz, diz muito
para a empolgação e o bom ambiente de trabalho dentro do grupo, sendo que o
gestor escolar nunca deve perder de vista as mudanças e correções necessárias
para o ânimo de todos os atores envolvidos.
Uma das maiores dificuldades enfrentadas por todos aqueles que exercem o
papel de liderança diz respeito às mudanças que por ventura sejam necessárias,
pois é notória a aversão que a maioria tem em relação ao diferente, ao novo. Agora
imagina o trabalho do diretor, que é exatamente o de perceber a necessidade de
alteração do sistema desenvolvido e além do mais, levar a todos não só a aceitar,
mas também abraçar a ideia da mudança, da inovação. Logo é imprescindível que o
gestor escolar saiba traçar os melhores caminhos para alcançar tais objetivos.
Por tanto fica evidenciado que o papel de direção da escola deve ser
desenvolvido por um profissional de múltiplas qualificações, ou seja, do
conhecimento pedagógico ao administrativo, da psicologia até a sociologia, de
conhecimento de grupo e ciências políticas até a educação em geral. Em outras
palavras é inaceitável que a formação do gestor escolar fique restrita apenas há uma
área de formação específica, pois o mesmo requer uma instrução interdisciplinar,
que apenas uma área do conhecimento não consegue suportar.

3.2 Histórico da formação de diretores escolares no Brasil


Olhar a direção escolar da forma mais profunda possível para estabelecer
parâmetros para os atos dos gestores da atualidade é uma das maneiras mais
claras para tentar se identificar o porquê dos mais variados comportamentos
adotados na contemporaneidade. Mas, para isso é importante refazer todo o
percurso histórico da formação dos gestores escolares.
O interesse pela a administração escolar no Brasil remonta ao fim do século
XX, tendo como base a administração escolar norte-americana, onde se buscou
inspiração nos métodos e formas adotadas nos Estados Unidos. Nesse período um
pensador que se dedicava ao estudo no Brasil desta área escolar, foi Ruy Barbosa,
como destaca Barroso (2007):
Vale registrar os pareceres e projetos de Ruy Barbosa que utilizou pela
primeira vez a expressão Administração Escolar, em 1883. Nesse período, o
grande interesse do Brasil pela administração era justificado pelo progresso
social desencadeado na passagem do século XIX para o século XX, quando
a vida em sociedade se tornou mais complexa.
46

É importante perceber na fala de Barroso (2007), o motivo pelo qual a


administração escolar, passa a ser uma preocupação do Estado brasileiro, ou seja,
antes o Brasil era dominado pelo poder político e financeiro dos cafeicultores até a
ascensão de uma nova camada social a burguesia industrial, logo esta necessita da
qualificação educacional brasileira, pois precisa de uma mão-de-obra capaz de
corresponder aos anseios de uma indústria cada vez mais forte e com crescimento
em vista, devido aos fatores externos e além do mais, esta nova camada social
precisa de poder político para aumentar o financeiro e para isso precisa de mais
eleitores, sendo que, para conseguir tal poder é necessário alfabetizar o povo, pois
só tinha direito ao voto aqueles que sabiam ler e escrever na época.
Com as repercussões da Primeira Guerra Mundial, incidindo no aumento de
produção industrial do Brasil, a expansão do ensino popular tornou-se
preocupação nacional. A burguesia industrial em ascensão buscava a
defesa e consolidação de seus interesses, em disputa com a elite
oligárquica no poder. Para mudar tal situação política, defendia a difusão da
instrução elementar para os trabalhadores apoiando-se, principalmente, em
duas necessidades essenciais. De um lado, situava-se a necessidade de
mão-de-obra para atender o setor industrial e de outro a necessidade de
aumentar a população votante. (BARROSO, 2007).

Com as novas preocupações educacionais, o Brasil precisa de uma


reestruturação no ensino, sendo que estas mudanças são vistas infelizmente não
para satisfazer a população que dela realmente necessita, mas para atender a
burguesia industrial emergente que tem sede de dinheiro e poder. Para isso a antiga
gestão escolar que recebia o nome de administração escolar tem que passar por
mudanças, para atender as necessidades do poder emergente brasileiro e não
propriamente as necessidades que a educação no Brasil tanto buscava.
A princípio a educação no Brasil, era organizada de forma descentralizada.
Segundo Barroso (2007), os estados ficavam encarregados pelo ensino primário,
enquanto o governo federal tinha a responsabilidade em comandar o ensino
secundário e o ensino superior. O grande problema discutido na época era a
possibilidade na intervenção do Estado no ensino primário, pois havia uma diferença
muito grande na forma e nas condições financeiras que as regiões brasileiras
possuíam. Sendo assim um ideário renovador marcou a década de 1920 a 1930, a
respeito da administração escolar no Brasil:
Este ideário foi difundido com a realização das primeiras conferências
nacionais de educação, promovidas pela Associação Brasileira de Educação
– ABE, cuja fundação ocorreu no ano de 1924. Registra-se a I Conferência
Nacional de Educação (1927) em Curitiba, a II Conferência Nacional de
Educação (1928) em Belo Horizonte, a III Conferência Nacional de
Educação em São Paulo (1929), a IV Conferência Nacional de Educação no
47

Rio de Janeiro (1931) e a V Conferência Nacional (1933) em Niterói


(BARROSO, 2007).

Essas reuniões formaram o alicerce de transformação da administração


escolar no Brasil, pois a partir destas a educação passou a ser pelo menos discutida
em nosso país, principalmente com o auxílio dos estudos de Durkheim, tendo como
princípios norteadores, pesquisas e estudos sociológicos que direcionavam as
atitudes que seriam tomadas em diante, como esclarece Lourenço Filho:

É de salientar que as questões de finalidades do ensino começam a


destacar-se das demais, salientando aspectos de rendimento ou
eficiência do ensino, embora não contivessem ainda tais conceitos de
modo expresso. As expressões “aspectos sociais da educação”,
função da educação nas dimensões da vida”, “escola ativa”, “escola
nova”, “escola experimental”, “dever constitucional de educar”,
“formação escolar e cultural”, e outras, similares, aparecem no título de
diferentes trabalhos, o que tudo evidenciava uma nova compreensão de
novas bases de pesquisa para a organização e administração escolar
(LOURENÇO FILHO, 1972, p. 287).

Mas, somente na década de 1930 que há uma verdadeira estruturação do


ensino no Brasil, com a chegada em nosso país de uma nova forma política que
ficou conhecida como Estado Novo (1930 – 1945).

A revolução de 30, resultado de uma crise que vinha de longe destruindo o


monopólio do poder, pelas velhas oligarquias, favorecendo a criação de
algumas condições básicas para a implantação definitiva do capitalismo
brasileiro[...]. É então que a demanda social da educação cresce e se
consubstancia numa pressão cada vez mais forte pela expansão do
ensino. (ROMANELLI, 1997, p.48).

Com a implantação do Estado Novo, o Brasil tenta abranger um número


maior de pessoas alfabetizadas, numa clara demonstração de respeito aos
interesses da nova camada social dominante. A partir de 1930, são criados
diversos ministérios como o Ministério de Educação e Saúde (1930) e a Diretoria de
Estatística e Informações do Ministério de Educação no mesmo ano. Com a prática
de resolução de problemas a partir de estudos científicos e estatísticos,
proporcionando uma avaliação mais correta a respeito dos problemas educacionais
do Brasil (Barroso, 2007).
A administração escolar passa por um período de profissionalização com
diversos mecanismos que auxiliam tal processo, pois a partir da criação de variados
órgãos de estatísticas oficiais, como o IBGE, por exemplo, o administrador escolar
tinha em mãos dados que proporcionava um planejamento a médio e longo prazo.
Como evidencia Barroso (2007):
48

A administração escolar foi reforçada pela contribuição de estudos


sistemáticos sobre problemas econômicos, sociais e políticos, realizados
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), criado em 1937.
Com esses estudos, os planos e programas da administração escolar
começaram a ser pensados para médio e longo prazos, contando com
informações de entidades de classe e instituições privadas, como a
Confederação da Nacional da Indústria, a Confederação Nacional do
Comércio e a Fundação Getúlio Vargas, as quais dedicaram trabalhos
sobre a relação entre fatores econômicos e educacionais.

Neste período a sociedade brasileira passa por uma eclosão de ideias que
acaba por desaguar no manifesto que ficou conhecido como Manifesto dos
Pioneiros da Educação Nova (1932), onde tal manifesto foi redigido por Fernando
de Azevedo e seus signatários foram, entre outros, Lourenço Filho, Sampaio Dória,
Anísio Teixeira, Cecília Meireles e Afrânio Peixoto (Barroso 2007). Este manifesto
abre espaço para que ocorra a organização das associações escolares, o debate e
o traçado das diretrizes e bases da educação, através de um Sistema Nacional de
Educação, que teve como objetivos maiores a organização e a fiscalização da
educação, em âmbito nacional, direcionando assim a responsabilidade pela
organização da educação ao Estado brasileiro.
O Manifesto postulava a universalização da escola pública, laica e gratuita.
Os pioneiros defenderam a educação popular em nível nacional e a
criação de um sistema educativo (Escola Nova) consoante às diretrizes
econômicas e sociais daquele período histórico. A proposta dos pioneiros
visava ao combate das desigualdades sociais por meio da educação,
considerada como um direito e condição de oportunidade de igualdade a
todos. Os pioneiros acreditavam que este ideal só seria alcançado com a
construção de um sistema (BARROSO, 2007).

Com todas estas transformações, claro que a gestão escolar acabaria por
receber incentivos, sendo assim disciplinas e cursos específicos a respeito da
administração escolar foram criados em universidades e no magistério. Tais
mudanças fizeram com que o cargo de administrador escolar passasse por uma
reformulação positiva dentro da academia brasileira, proporcionando com isso às
escolas do Brasil, profissionais mais preparados para assumir o desafio de conduzir
o ensino dentro de uma instituição educacional.
Com o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, a administração
escolar foi dotada de maior sentido e foi incluído no currículo do Curso
Pedagógico do Instituto de Educação do Rio de Janeiro em 1933, período
em que se empreendeu a reforma do ensino conduzida por Anísio Teixeira.
São Paulo incluiu a disciplina Administração e Legislação Escolar no
currículo do curso destinado a diretores escolares do ensino primário. Em
1934, a disciplina integrou o currículo do Curso Especializado de
Administradores Escolares do Instituto de Educação da USP, que
introduziu as ideias de Fayol nos estudos da Administração Escolar.
(BARROSO, 2007)
49

Entre as décadas de 1930 a 1940, Ribeiro (1978) destaca o estudo de


Lourenço Filho intitulado Administração dos Serviços de Educação, onde tal
trabalho apresenta o trabalho desenvolvido pelos administradores escolares nos
estados brasileiros e também faz um alerta sobre a escassez de estudos relativos
aos problemas da administração pública no país, principalmente referentes aos da
administração educacional.
Já nos anos de 1944, o Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (Inep),
faz um levantamento a cerca dos trabalhos referentes à administração escolar
desenvolvido nos estados do Brasil, onde o estudo apresenta algumas realizações
como: O desenvolvimento de cursos destinados a qualificação do pessoal envolvido
com a administração escolar; a publicação de uma revista muito importante na
época chamada de Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos; além da realização
de vários seminários, reuniões, conferências, pesquisas e distribuição de bolsas de
estudos no exterior para pesquisadores educacionais brasileiros (CARDOSO,
2007).
Cardoso (2007) ressalta ainda que a partir da Lei Orgânica do Ensino
Normal de 1946, foi estimulada a criação de diversos cursos de administradores
escolares de ensino primário em instituições de ensino em todo o território nacional,
favorecendo com isso o desenvolvimento de trabalhos, pesquisas e livros sobre o
tema administração escolar, sendo que, um dos livros de maior destaque na época
foi o Introdução à Administração Escolar de Carneiro Leão (1886 – 1966), nesta
obra o autor faz um estudo da administração escolar tanto dentro do país quanto
fora, comparando e analisando dados quantitativos e qualitativos entre os trabalhos
realizados, defendeu a ideia de renovação do sistema escolar em vista as
mudanças sociais, propôs o aperfeiçoamento técnico tanto da administração
pública quanto da particular, vislumbrando com isso reverter o teor empírico que
prevaleceu na administração das organizações, atribuindo-lhe um caráter científico,
mediante a exigência da capacidade e conhecimento da direção escolar.
A ideia foi sempre considerar a administração uma conquista empírica,
obtida no exercício funcional. Enquanto se exigia para a prática do
magistério diploma de professor e, por consequência, cultura geral,
científica e técnica, definida, para a administração de uma escola e,
principalmente, de um sistema escolar, nada se pedia concernente ao
conhecimento e à capacidade de direção. Esse mal não se limitou aos
negócios do ensino. No próprio mundo industrial e comercial a formação
dos educadores tem sido descurada (CARNEIRO LEÃO, 1953, p. 13).
50

Chegando a década de 1960 outros autores ganham destaque dentro do


cenário nacional no estudo da administração escolar, sendo os de maior alcance:
Lourenço Filho e Anísio Spínola Teixeira. Além do belo trabalho apresentado por
estes dois grandes escritores esta década foi recheada de eventos nacionais com
enfoque educacional, proporcionando um número considerável de seminários,
simpósios e reuniões que enriqueceram ainda mais o tema administração escolar
no Brasil, sendo que, o I Simpósio Brasileiro de Administração Escolar, realizado
em São Paulo tem um grande alcance, pois foi após sua realização que foram
criadas a Anpae – Associação Nacional de Professores de Administração Escolar e
o Centro de Estudos de Administração Escolar, logo estas duas iniciativas foram de
extrema importância para a sistematização, desenvolvimento e enriquecimento dos
estudos a respeito da administração escolar no Brasil (CARDOSO, 2007).
Nos anos de 1970, um trabalho que ganha destaque no meio acadêmico a
respeito da administração escolar é o livro O Papel do Diretor na Administração
Escolar de Myrtes Alonso, que foi publicado no ano de 1976, provocando muita
reflexão no meio pedagógico naquele período. Para a autora, o problema da
educação no Brasil, estar centrado em um problema de administração escolar,
acarretando assim em um ensino estático, inerte, sem sentido para os alunos que
deles deveriam se beneficiar, como a própria diz:

A problemática central da escola brasileira, possivelmente da escola em


geral parece situar-se em uma falha de natureza administrativa, qual
seja, a sua incapacidade de ajustar-se às exigências da vida
contemporânea, ajustamento esse que requer, necessariamente, ação
organizada e planejada, realizada por pessoas qualificadas, a fim de
que sejam atendidas as crescentes demandas quantitativas e
qualitativas da sociedade atual (ALONSO, p. 11, 1976).
Alonso (1976) destaca a mudança dos critérios qualitativos da educação
brasileira, segundo ela devido à alteração de parâmetros de exigências da
sociedade da época. Pois até bem pouco tempo o interesse da sociedade era
qualificação profissional melhorando a qualidade do trabalho, agora era a busca de
outros horizontes para o desbravamento de novos mercados consumidores,
buscando com isso um aumento nos lucros do mercado. Logo as novas tecnologias
apresentaram novas formas de trabalho e com isso uma atitude diferente no
comportamento da escola diante do ensino e da aprendizagem.
51

A função administrativa para Alonso (1976) é como um meio, um


instrumento para a realização dos objetivos educacionais propostos, sendo esta
função realizada pelo diretor, supervisor ou qualquer outro responsável ou qualquer
outro funcionário da administração escolar em variados níveis de hierarquia. Logo é
sabido que além das necessidades burocráticas da administração de uma escola, a
organização escolar também é responsável pelo ensino, sendo este papel
desempenhado pelos docentes, esta inter-relação é retratada pela autora a partir
da seguinte estrutura:
- Sistema operativo: onde se desenvolvem as atividades básicas ou
atividades-fim da organização escolar e do qual decorre um resultado
imediato ou ‘outputs’. Essas atividades são dependentes de determinações
do sistema administrativo.
- Sistema administrativo ou gerencial: corresponde às atividades de
direção, organização e controle das atividades básicas.
- Sistema institucional: traça as grandes diretrizes e objetivos a longo prazo
visando novas tendências do mercado consumidor e da sociedade em
geral. Os objetivos desenvolvidos pela escola dependem dos objetivos
educacionais “definidos previamente para os sistemas de ensino, através
de uma legislação básica coerente com as grandes diretrizes nacionais”
(ALONSO, 1976).

Chegando aos da década de 1980, o país já tinha passado por uma época
de domínio militar e estava começando a redemocratização brasileira depois de
décadas de ditadura a liberdade política estava sendo alcançada pela população
civil, sendo que, tamanha mudança no cenário do Brasil, tais alterações acabariam
por afetar também a educação brasileira e consequentemente a direção escolar.
Analisando este período os autores Félix (1984) e Paro (1986) acabam por
dividir a temática da administração escolar brasileira na década de 80, onde os
quais buscam fundamentar sua reflexão em matrizes, concepções e ideologias
inspiradas na visão marxista. Os dois autores desenvolveram a crítica à tendência
predominante durante as décadas anteriores e a aplicação do modelo
administrativo empresarial nos sistemas de ensino e nas escolas, coadunando,
neste aspecto, com Anísio Teixeira (BARRETO, 2007).

A autora Maria de Fátima Félix (1984) apresenta uma visão da administração


escolar totalmente desvinculada do modelo tecnicista, onde o que vale ser
ressaltado é a forma crítica como as coisas se desenvolvem dentro da escola,
tendo assim as ações da administração escolar baseada na política, na economia e
na sociedade que determinam o sistema educacional envolvido.
52

Félix (1984) defende a ideia de quê as teorias da administração de empresas


não podem ser completamente vinculadas a outras áreas administrativas como a
escolar, por exemplo, pois os teóricos educacionais estão buscando cada vez mais
por meio empírico, modelar as teorias administrativas para uma adequação
exclusiva com as características educacionais.

Nota-se, portanto, de um lado, o empenho dos teóricos da Administração


de Empresa em elaborar uma teoria que se aplique à situação de
administração de todas as organizações, garantindo, assim, a sua
generalização. Por outro lado, o desenvolvimento dos estudos teóricos
da Administração Escolar, a partir das teorias da Administração de
Empresa, na tentativa de validar as suas proposições teóricas em
“bases científicas” para nortear a prática administrativa na organização
escolar de tal forma que ela possa alcançar padrões de eficiência e
racionalização, já alcançados por outras organizações e, especialmente,
pelas empresas (FÉLIX, 1984, p. 73).
Com uma visão crítica Felix (1986), retratada a importância depositada na
administração escolar nos anteriores a fatores exclusivamente de desenvolvimento
financeiro, onde a dedicação e o esforço para uma qualidade exemplar do setor
administrativo de uma escola eram somente para suprir as vontades e
necessidades do capitalismo dominante, onde:

[...]Enquanto o imperativo do cumprimento da sua função deve provocar


mudanças internas na estrutura do sistema escolar, o seu parâmetro
externo deve ser o equilíbrio e a estabilidade. Noutras palavras, as
instituições devem ser adaptar ao modelo que lhe impõe a sociedade
capitalista e, ao atingirem o padrão de organização estabelecido,
deverão contribuir para a manutenção do equilíbrio externo (ibidem, p.
89).
Assim, Félix (1984) rompe com o paradigma técnico que predominava no
sistema político da administração escolar, favorecendo com isso o debate e abrindo
portas para uma análise crítica do conteúdo da direção escolar, propondo com isso
uma reflexão sobre a dimensão política do processo educacional, onde possa haver
uma compreensão da ligação histórica entre a estrutura da administração escolar e
processo de desenvolvimento capitalista no Brasil.
Mas, há dois fatores de semelhança entre administração de empresas e
administração escolar, sendo o primeiro, a organização, ou seja, apesar de cada
departamento possuir seus objetivos específicos, a estrutura, a organização, o
esquema de formação são os mesmos seguindo a padrão da administração
empresarial de eficiência e qualidade, bem pelo o menos é o que se tenta por parte
da organização escolar. O segundo ponto de semelhança entre os dois é
exatamente a necessidade de se afirmação por parte da administração escolar,
53

logo a mesma precisa responder as perspectivas sociais, sendo assim a direção


escolar busca padrões exatamente da administração empresarial, satisfazendo com
isso as vontades ocultas do sistema capitalista (FÉLIX, 1984).
Félix (1984), com isso retrata a submissão ao qual a administração escolar
vive aos pés da administração empresarial, sendo que a mesma não consegue
desenvolver suas próprias teorias e ações, pois vive a mercê da vontade técnica
capitalista de produção. Sendo assim, existe com isso, uma relação de submissão
da racionalidade técnica aos critérios econômicos.
A Administração Geral e a Administração Escolar, de modo específico,
cumprem dupla função: técnica e ideológica. Isto significa dizer que, na
operacionalização da função administrativa os parâmetros da eficiência e
da produtividade são utilizados para orientar o aperfeiçoamento da
estrutura burocrática como se o único critério que determinasse essa
ação fosse o da racionalidade técnica ( ibidem, p. 93).

Outro autor de destaque em relação à administração escolar é o professor


titular da PUC-SP e atualmente professor titular na Faculdade de Educação da
USP, Vítor Paro, onde o mesmo afirma quê à administração é entendida como
utilização racional de recursos para a realização de fins. (PARO, 2003, p.123).
Segundo ele a administração é inerente a todos os setores sociais, sendo que, a
organização social é vital para vida das pessoas. Logo, dependendo dos objetivos
educacionais, a administração escolar pode funcionar como um meio para a
manutenção ou transformação da sociedade.
Paro (2003), enfoca o caráter de conservação da administração capitalista,
pois a mesma serve como uma espécie de mediadora entre a perpetuação de uma
pequena classe dominante e outra maior dominada, contribuindo e muito para a
manutenção da situação social vigente. Sendo que, o mesmo método se verifica
nas escolas do Brasil, em adotar os mesmos métodos, princípios e técnicas
adotadas em empresas capitalistas. Com isso o autor considera a validade eterna e
universal dos conceitos da administração geral para ou outros tipos de organização,
como uma forma de manutenção do modelo capitalista vigente.
Na verdade, essa absolutização da administração capitalista –
considerada a administração por excelência, produto do progresso
humano, que se aplicam aos mais diversos tipos de situações – nada
mais é que um caso particular da absolutização da própria sociedade
capitalista, considerada, no nível da ideologia dominante, como
organização social perene e insuperável, pairando acima da própria
história como mais perfeito modelo de sociedade possível (PARO, 2003,
p. 125).
54

Segundo Paro (2003) os defensores da aplicação do modelo de


administração empresarial dentro da administração escolar, não discutem o porquê
das atuações serem idênticas, só querem equiparar ao máximo a atuação das duas
áreas, sem uma reflexão crítica específica a respeito. Neste ponto o autor concorda
com Félix (1984), pois o mesmo refuta a ideia da atuação puramente técnica,
totalmente desarticulada dos sistemas econômicos e sociais referentes às
necessidades da administração escolar. Ou seja, a crítica desse educador estar
centrada no modo do fazer administrativo dentro das instituições escolares,
totalmente desligado da realidade educacional e buscando uma administração
voltada quase que exclusivamente na maneira utilizada no meio empresarial.
A empresa capitalista é taxada como a regra a ser seguida, o exemplo de
qualidade e eficiência que todos os outros meios sociais tem que acompanhar,
mesmo este, como a escola, possuir suas peculiaridades próprias. Logo um dos
principais aspectos da administração capitalista transporta para o meio acadêmico
diz respeito a gerência, ou seja, de maneira mais clara ao controle do que estar
sendo realizado pelas pessoas. Por tanto, a figura do diretor dentro das unidades
escolares, ganha este aspecto de mantedor da ordem e da hierarquia padronizada
pelo Estado e que assim como a visão capitalista de manutenção das camadas
sociais, este serve como um instrumento para garantia da hierarquia política
estabelecida e controle das ações dentro das unidades escolares (PARO, 2013).
Mas, o autor retrata também o papel dúbio vivido pelo diretor da escola. Por
um lado ele deverá cumprir o papel de gerente, fazendo o papel de responsável
pela manutenção da lei, da ordem e da hierarquia política estabelecida, já pelo o
outro, atuar como educador, onde os problemas educacionais distam e muito do
alcance administrativo empresarial em geral, fazendo em muitos casos que os
problemas encontrados dentro da escola não possam ser sanados devido ao modo
operante de gestão, totalmente desligado do meio educacional, ou seja,
preocupado somente com metas e objetivos capitalistas (ibidem, 150).
Nas palavras de Paro, a escola só serve como transformadora social,
quando rompe com os padrões estabelecidos pelo sistema capitalista dominante e
se junta com os interesses da comunidade como um todo, proporcionando a
construção de um saber sólido e crítico da realidade social. Ou seja, a escola
cumpre com essa função social quando oferece à classe trabalhadora condições
55

para entrar em contato e participar de uma nova concepção de mundo,


revolucionária e articulada aos seus interesses de classe (BARROSO, 2007).
O que se percebe é notar que a classe trabalhadora da qual a escola
deveria realmente atender para a sua melhoria, fica de fora da tomada de decisões
a respeito dos objetivos escolares, sendo estas, tomadas por uma minoria que
estar no topo da pirâmide social do capitalismo, a elite dominante. Esta constatação
aponta para a necessidade de reverter esta situação, levando a comunidade a
participar da construção dos objetivos, do currículo, dos projetos e etc. Orientando
a escola desta maneira para uma nova caminha marcada pela real presença
daqueles que realmente precisam de um lapidar social oferecido pela educação.
Educação esta, não servidora, mas transformadora de uma realidade social. Logo,
observa-se que tal proposta de educação voltada para a construção de uma nova
realidade para a sociedade é antagônica àquela que a administração empresarial
quer.
Como a produção de mais-valia só se realiza a partir da exploração da
força de trabalho, instala-se, através da gerência, todo um sistema de
dominação e controle do trabalhador, [...] e que, por tudo, é
inteiramente antagônico à especificidade de uma ação educativa
revolucionária, já que esta quer pela transmissão de um saber objetivo,
quer pela promoção de uma consciência crítica da realidade social, visa
precisamente a servir de instrumento de superação da dominação e da
exploração vigentes na sociedade (PARO, 2003. p. 150 – 151).

O autor defende que a administração empresarial responde há interesses


totalmente diferentes aos defendidos por uma escola que planeja uma revolução
social. Embora o estudioso não descarte os conhecimentos técnicos
proporcionados pela administração de empresas à administração escolar. Logo
para que ocorra uma administração transformadora é necessária uma ruptura de
paradigmas da classe social dominadora, havendo com isso uma troca de métodos,
técnicas, objetivos e princípios de uma administração capitalistas por uma
administração democrática, sendo esta condizente com a ideia de transformação da
realidade social (BARROSO, 2007).
Por tanto é de fundamental importância que a administração escolar que
deseja ser transformadora, construa objetivos que direcionem para uma educação
que atenda as necessidades e interesses da classe trabalhadora e não somente da
classe dominante capitalista.
56

Isso implica a permanente reflexão e questionamento não apenas dos


objetivos mais amplos, mas também de todas as metas intermediárias
que levam a tais objetivos. A atitude dos responsáveis pela
Administração Escolar não pode ser a de aceitação incondicional de
tais determinações e de mera operacionalização das mesmas em nível
de escola, mas, pelo contrário, de desvelamento dos verdadeiros
propósitos mais identificados com a transformação social, o que quer
dizer, com os fins especificamente educacionais da escola (PARO, 2003, p.
153).

Com isso Paro (2003) evidencia que a mudança desejada pela sociedade
trabalhadora passa por uma nova atitude diante das pressões impostas pela classe
dominante que utiliza os moldes da administração de empresas para ter em suas
mãos os objetivos desejados.
Em suma, o autor admite que a construção de uma nova postura
administrativa, constituída pela introdução e consolidação de práticas
democráticas no interior da escola, esbarra em condicionantes sociais,
culturais e econômicos, os quais, muitas vezes, dificultam que as decisões
sobre a vida escolar sejam tomadas pelo grupo. Decerto, a administração
escolar, fundamentada na participação e na colaboração mútua, não é
tarefa simples, espontânea, nem ocorre abruptamente. Por um lado, requer
o convencimento entre os sujeitos sobre a necessidade de transformação
das relações que ocorrem. (BARROSO, 2007).

Fica claro que a transformação da sociedade passa por uma mudança na


forma como é conduzida a gestão escolar dentro da educação brasileira, pois esta
restrita apenas às regras e técnicas impostas pela administração empresarial a tão
sonhada reforma educacional torna-se mais difícil. Como afirma Paro (2003) para
que tal mudança ocorra, não depende exclusivamente da autoridade única e
exclusiva do diretor, mas principalmente do fator democrático para que as decisões
sejam tomadas em conjunto, com todas as opiniões sendo ouvidas e analisadas,
com base nas decisões coletivas para que o grupo se fortaleça, sendo resistente às
pressões externas para que assim seus interesses e reivindicações sejam
realmente respeitados. De tal forma que as vantagens da administração
democrática da escola não fiquem restrita somente aos muros da escola e sim que
esses benefícios extrapolem para o meio da sociedade como um todo.
Logo fica evidente que do século XIX até os dias atuais houve uma atuação
forte de teóricos brasileiros discutindo sobre administração escolar, tentando
construir bases teóricas e práticas a respeito do assunto, onde é evidente que o
ponto central da discussão entre estes teóricos era saber qual o formato ideal a ser
adotado pela gestão escolar? Onde uns apoiavam o modo de administração
baseado exclusivamente nas técnicas empresariais, enquanto outros discordavam
57

avaliando que o melhor seria aprofundar a administração escolar, tendo como meio
os padrões democráticos e anticapitalistas.
Em suma, fica claro que o trabalho dos teóricos brasileiros a respeito da
melhor forma de se administrar uma escola, construiu um importante acervo de
ótimos trabalhos, proporcionando com isso uma base sólida, sobre as diversas
maneiras de se gerir uma unidade educacional da melhor forma possível, com
variadas propostas para o gestor escolar enfrentar os desafios que dirigir uma
escola impõem, principalmente um dos piores deles, a temida evasão escolar.

3.3 O gestor e o processo de organização escolar


Vamos imaginar o processo de organização escolar, os vários setores que
um gestor educacional tem que se responsabilizar para que tudo funcione da
melhor maneira possível, desde os setores pedagógicos, passando pelos setores
administrativos e técnicos o tamanho do trabalho que este profissional enfrenta
para quê em uma unidade escolar tudo funcione da melhor maneira possível, todo
esse processo exige um enorme grau de preparação por parte do diretor da escola,
onde este, segundo Monteiro (2013) requer compreensão dos seguintes pontos
específicos: princípios – contextos de referência – ações de intervenção -
metodologia/instrumentos – modelo de gestão – processos – gestor.
Monteiro (2013) faz um destaque a respeito destes sete pontos que são
cruciais para o conhecimento do diretor, sendo cada um justificado da seguinte
maneira:
1 – Princípios: segundo o autor esta é a parte teórica, em que existem
diversos estudos a respeito do tema, onde o profissional escolar tem que conhecer
o básico para poder desenvolver o mínimo de seu trabalho dentro da unidade
educacional, sendo que, este deve estar ciente dos pressupostos epistemológicos e
ideológicos aos quais tais estudos são submetidos, ou seja, o primeiro retrata a
ciência em si, com suas variadas técnicas e métodos pragmáticos de agir, o
segundo aborda a questão ideológica, pois mesmo que exista um roteiro proposto,
tal roteiro não pode estar desconectado de nossa posição crítica da realidade
visando sempre proporcionar o melhor aos estudantes.
2 – Contextos de referência: este aspecto é a prática em si, ou seja, é
quando se enfrenta uma determinada situação e o gestor terá que definir quais
58

princípios, gerais ou específicos, terá que escolher diante de tal realidade. Sendo
que, serão seus pressupostos epistemológicos e ideológicos, que servirão como os
mecanismos que irão direcionar o diretor para a melhor tendência a ser adotada
diante de determinado problema.
3 – Ações de intervenção: são os instrumentos adotados pelo diretor
escolar para resolver determinado problema, sendo eles de ordem administrativa,
pedagógica ou pessoal diante de algum profissional escolar. Onde tal problema
requer uma ação interventiva na realidade prática e junto às pessoas ligadas a essa
realidade por parte do gestor educacional, sendo exatamente estas atitudes
conhecidas como ações de intervenção.
4 – Metodologia/instrumentos: para resolver qualquer tipo de problema que
nos alcança, devemos fazer escolhas tipo: o que é problema, como resolvê-lo,
quem está envolvido etc. E assumir as responsabilidades relacionadas a esses
desafios e suas tarefas põe o diretor escolar na posição de fazer gestão
escolhendo alguma metodologia adequada para aquele contexto em especial, para
a resolução do problema. Sendo a metodologia como uma grande caixa de
ferramentas, contendo variados (instrumentos) de gestão que assim as tornam
necessárias e funcionais.
5 – Modelo de gestão: tendo consciência dos princípios, do contexto
escolar, das intervenções, das metodologias e dos instrumentos isso dá ao
administrador escolar condições ótimas de formar um modelo de gestão. O gestor
escolar que consegue entender e visualizar o modelo de gestão tem em suas mãos
algo de fundamental importância, pois tanto o conhecimento, como as pessoas do
grupo de trabalho, como os problemas administrativos estão em constante
alteração fazendo-se necessário a utilização de princípios diferentes dependendo
das condições do contexto envolvido, sendo o gestor obrigado sempre adaptar as
melhores formas de intervenção. Logo, a visão em conjunto do todo é muito mais
poderosa da fracionada, pois dá a condição ao diretor de perceber as
movimentações ocorridas dentro do universo de sua unidade educacional e com
isso lhe possibilita uma ação antecipada ao problema.
6 - Processos: agora nessa etapa o gestor esquece a teoria e parte para a
prática, pois a partir de todo o conhecimento que detêm o administrador escolar,
agora é como um grande mestre de cozinha que tem uma receita mãos e tem que
59

preparar um delicioso jantar para a sociedade utilizando-se de toda a sua


intimidade com a cozinha e o manejo dos temperos, sendo que a diferença entre
um gestor escolar e outro, está exatamente no controle, na experiência, no
temperamento e na forma de agir entre outros fatores relacionados ao psicológico
do diretor escolar.
7 – Gestor: utilizando-se mais uma vez do exemplo culinário, mesmo que o
alimento esteja em uma daquelas cozinhas de TV, toda equipada com o que há de
mais moderno no mundo da culinária, o alimento em si não fica pronto sozinho, ou
seja, ele necessita da intervenção humana ‘cozinheiro’ para que fique pronto.
Sendo esta intervenção, exatamente os atos tomados pelo diretor da escola no
universo educacional, ou seja, mesmo que uma escola disponha dos mais
modernos equipamentos didáticos e multiculturais, com salas preparadas para
receber bem os alunos, se não houver uma pessoa para gerir bem a tudo isso, a
educação não irá ocorrer sozinha, de modo imprescindível vai necessitar da
intervenção do administrador escolar.
Percebe-se com estes dados que a escola é um organismo vivo e que
depende quase que exclusivamente da ação humana para sua organização, tendo
como cabeça desta transformação o diretor escolar, bem como afirma Lombardi
(2006) que destaca a escola como produto do homem. Assim como as outras
instâncias da vida se transformam, a escola se transforma constantemente. Logo,
partindo da escola que temos, pode-se ter a escola que se deseja construir. Como
diz em suas palavras:
[...] a escola que temos hoje não é eterna, abstrata, mas, sim, produto da
ação humana concreta e objetivamente determinada pela forma como se
articula e se relaciona as diversas forças políticas presentes em cada
período histórico; ela se transforma permanentemente, sendo nós, seres
humanos, os agentes dessa transformação; que, finalmente, partindo da
escola que temos, aprendemos com a história que é possível construir
outra ESCOLA, articulando-a mais coerentemente com um projeto político-
pedagógico que vise a fazer da instituição escolar um instrumento de
construção de uma sociedade justa, fraterna e solidária. (LOMBARDI,
2006, p. 18).

Mas, para que esta transformação ocorra, precisa-se organizar a escola,


algo que não é tão simples assim, pois:
A organização de uma escola é muito complexa: estruturas e
intervenientes como os gestores (administrativos e técnicos), o corpo
docente, os funcionários, o corpo discente, a comunidade, a gestão
educacional dos órgãos superiores, a legislação etc. Tudo isso acarreta
60

uma série de problemas, alguns já clássicos, como a deficiência de


recursos humanos, materiais e financeiros (SANTOS, 2013, p.31).

Agora é oportuno destacar devido às semelhanças didáticas entre Brasil e


Portugal, os principais problemas que são encontrados pelas escolas portuguesas,
esta lista é feita pelo autor Brito (1994, p.12), onde o mesmo destaca:

- falta de autonomia na resolução dos problemas;


- ausência de dignificação dos órgãos de gestão escolar;
- inexistência de incentivos e apoio na execução de acordos institucionais;
- normativos de regulamentação dos órgãos de gestão desajustados com a
realidade e com princípios de eficácia;
- excesso e repetição/sobreposição de pedidos externos sobre estatísticas
desligadas de interesse e das necessidades da “organização escolar”;
- desequilíbrio da rede escolar (distribuição de alunos/áreas pedagógicas/
edifícios escolares);
Falta de correspondência teórico-prática em determinada legislação por
impedimentos externos à escola. (BRITO, 1994, p.12).

Para Brito (1994, p.12) assim como no Brasil, em Portugal também ocorre
uma supervalorização da área administrativo-financeira em detrimento da
pedagógica-didática, sendo que, o mesmo divide a organização escolar em três
áreas fundamentais de gestão, sendo elas: a) pedagógico-didática; b) a funcional e
dos espaços; e c) a administrativo-burocrático-financeira. Onde, para ele nenhuma
destas pode ser priorizada em relação às demais, pois assim passa a existir um
desequilíbrio entre estes eixos o que acaba acarretando em problemas dentro da
escola.
Logo, pensando a escola em constante movimento e permeada por áreas
tão distintas, mas que precisam caminhar juntas Oliveira, Souza e Bahia (2005,
p.40) nos lembra de que: “Uma escola como modelo ideal e não flexível não existe,
uma vez que ela vai se construindo nas contradições do seu cotidiano, que envolve
situações diversas, correlações de força em torno de problemas, impasses,
soluções, vivenciados a cada momento”.

3.4 Propostas para a gestão escolar diminuir o número de evasão


O diretor de uma escola é o sujeito que possui o leme da embarcação, onde
os passageiros são alunos, professores, supervisores, secretários, auxiliares de
limpeza, vigias, cozinheiras, pais de alunos, ou seja, todo um grupo social que
almeja chegar ao seu destino de maneira rápida e eficiente. Logo, o diretor deve
organizar a escola como uma unidade social onde ocorram interações entre as
61

pessoas e sua ativa participação na definição de objetivos e no modo de definição


da mesma (MARINS 2009).
É importante que o diretor, segundo Libâneo, Oliveira e Toschi tenha “um
princípio e um atributo da gestão, por meio da qual é canalizado o trabalho conjunto
das pessoas, orientando-as e integrando-as no rumo dos objetivos”, e qual é um dos
objetivos do trabalho educacional na atualidade? Sem dúvida eliminar ou minimizar
ao máximo o número de alunos evadidos das escolas.
Para o trabalho fluir e o número de alunos evadidos diminuir, Schargel
(2002) propõe quinze (15) estratégias eficientes para prevenir a dissidência escolar,
auxiliando com isso o trabalho da gestão educacional, sendo elas:
1 - Envolvimento da Família – os pais acompanhando o dia-a-dia de seus
filhos na escola só tem a melhorar o desempenho e a confiança dos alunos, pois os
estudantes percebem que seus responsáveis notam e se preocupam com aquilo que
eles fazem, dando com isso maior valor a sua escola. Sendo que, o envolvimento da
família junto às escolas é o indicador mais precioso do sucesso de um aluno.
2 – Educação precoce de qualidade – quanto mais cedo o aluno for exposto
há meios diversificados, sendo testados e consequentemente qualificados de
maneira precoce, melhor. Pois com isso há tempo para um maior crescimento de
potencial deste aluno. Pois é nítido que um modo eficaz de reduzir o número de
crianças que poderão vir a abandonar os estudos é oferecendo-lhe a melhor
instrução possível em sala de aula, desde o início de sua experiência escolar. Com
isso o gestor tem que estar ciente quê, a partir do momento em que o aluno entra
em sua escola, o estudante deve receber a mais dedicada forma de educação
partindo da força de vontade de todos os envolvidos nas unidades de ensino desde
a direção até ao porteiro.
3 – Programas de leitura e redação – o aluno quando não consegue ler fica
deslocado do ambiente escolar, ou seja, sente-se fora do habitat de ensino como se
não pertencesse ao meio na qual estar inserido, por tanto é primordial habilitar os
estudantes o quanto antes com a arma mais valiosa que existi dentro do meio
educacional, a leitura e a escrita, pois com as mesmas o discente tem em mãos os
meios fundamentais para o seu desenvolvimento escolar. Pois como a leitura e a
redação são a base para um aprendizado eficaz em quase todas as disciplinas
lecionadas na escola, os programas de auxilio às habilidades de leitura e escrita
62

geram benefícios que respaldam todas as demais estratégias de prevenção de


dissidência escolar.
4 – Comprometimento de orientação e professor – a orientação é uma
relação individualizada e solidária, baseada na confiança entre o orientador e o
orientando, sendo que esta relação acaba funcionando como um apoio que o
educando necessita em uma sociedade complexa como a escola, por isso, quanto
mais receptivo for o orientador educacional melhor. A função de professor, também é
uma atividade individualizada, focaliza os assuntos relacionados ao ensino e é uma
forma eficaz de abordar necessidades específicas, como a competência dos alunos,
por tanto o professor tem que estar atento para as deficiências de seus alunos para
que o mesmo possa os corrigir o quanto antes, para que estes defeitos não
aumentem com o passar dos anos e o estudante assim possa prosseguir seus
estudos sem tamanhas dificuldades.
5 – Aprendizado de serviço – a educação formal não pode estar deslocada
da vida em sociedade, com isso o ideal do aprendizado de serviço é levar os alunos
a participarem de forma ativa dentro da comunidade, realizando trabalhos
comunitários, desempenhando algum serviço dentro da administração municipal,
empresa particular ou indústria, favorecendo assim a inserção no mundo do trabalho
de maneira paulatina, aliando prática social com estudos acadêmicos. Esse método
de ensino/aprendizagem promove o crescimento pessoal e social, o
desenvolvimento na carreira profissional e a responsabilidade civil, podendo ser um
poderoso veículo para uma reforma escolar eficaz em todos os níveis de ensino.
6 – Escola alternativa – nessa proposta para a contenção da evasão escolar,
a ideia é oferecer àqueles alunos com alto potencial para o abandono escolar,
alternativas de ensino que foquem no potencial desse tipo de estudante, para que o
mesmo possa dá continuidade em sua escola com uma probabilidade maior de
concluir seus estudos, pois a escola alternativa oferece aos discentes potenciais
várias opções capazes de levar a conclusão de seus cursos, com programas que
dispensam especial atenção as necessidades sociais individuais dos alunos e aos
requisitos de natureza acadêmica para a obtenção de um diploma.
7 – Enriquecimento extra-escolar – aqui a ideia é levar uma variada gama de
cursos, seminários, palestras, teatros, danças, esportes etc. para que o estudante
tenha algo a fazer de interesse cultural durante longos períodos de ociosidade,
63

proporcionando assim meios para um maior desenvolvimento cognitivo do. Com isso
programas pós-escolares ou de verão que eliminam a perda de informação e
despertam interesse em diversas áreas, são experiências importantes para
estudantes que correm risco de abandono ou reprovação.
8 – Formação continuada do professor – o professor é o ator principal para o
envolvimento do aluno e a sua permanência na escola. Com isso, o mesmo tem que
se sentir incentivado e prestigiado para continuar a desenvolver suas estratégias e
metodologias educacionais de maneira inovadora e eficiente, proporcionando com
isso um aluno mais preparado para os desafios futuros. Só que, para que isso
ocorra, é importante oferecer ao docente, cursos de capacitação constantes para o
enriquecimento de suas técnicas e metodologias de ensino, pois os professores que
trabalham com jovens que se encontram em situações de risco de reprovação
acadêmica precisam sentir-se apoiados e necessitam contar com um canal que lhes
permita continuar inteirando-se sobre estratégias inovadoras.
9 – Receptividade a diversos estilos de aprendizagem e inteligências
múltiplas – é notável quando o educador percebe as variadas formas de aprender do
aluno e as diferentes qualidades que se encontram dentro de uma sala de aula,
lapidando e proporcionando o crescimento de tais potenciais de maneira há não
desgastá-los ou perdê-los. Por tanto quando os educadores mostram aos
estudantes que existem diferentes maneiras de aprender, os alunos descobrem
formas novas e criativas de resolver problemas e conquistar o sucesso, tornando-se
com isso eternos aprendizes.
10 – Tecnologias instrucionais – na contemporaneidade é impossível tentar
conceber a educação sem utilizar métodos educacionais que andem desligados de
meios tecnológicos, como os usados em computadores, tabletes, smartphones entre
outros. Redes sociais, aplicativos variados e diversos outros meios virtuais que
favorecem as possibilidades de atuação do professor para fisgar o interesse do
aluno para os estudos. Logo a tecnologia oferece algumas das melhores
oportunidades para que seja ministrado aulas que envolvam o estudante em
autênticas atividades de aprendizado, aborde inteligências múltiplas e seja
adequada aos estilos de aprendizagem dos alunos.
11 – Aprendizado individualizado – desenvolver cursos personalizados com
as maiores carências dos estudantes é importante, pois assim o professor tem a
64

possibilidade de atuar focado nas deficiências dos alunos para que os mesmos
tenham uma possibilidade maior de superação de suas dificuldades, podendo com
isso acompanhar o ritmo de sua turma de estudo, não se atrasando e dando
continuidade nos estudos da forma mais igualitária possível com seus colegas.
12 – Renovação sistêmica – o melhor meio de averiguar se os objetivos
estão sendo ou não alcançados são avaliando-os. Logo é favorável ao
desenvolvimento de boas práticas educacionais a avaliação da mesma, para
esclarecer falhas para ser corrigidas e melhoradas, como também verificar aquilo
que realmente estar dando certo para sua manutenção futura. Ou seja, a renovação
sistêmica exige um processo contínuo de avaliação das metas e objetivos
relacionados às políticas, práticas e estruturas organizacionais da escola, à medida
que influenciam diversos grupos de aprendizes, melhorando de forma eficaz a
estrutura de ensino e aprendizagem dentro da escola.
13 – Cooperação comunitária – toda a sociedade junta direcionando força
para a educação faz uma diferença gigantesca no processo de ensino formal das
escolas, pois com o apoio da comunidade, a mesma percebe o que a escola precisa,
quais são suas falhas, o que a mesma está necessitando para um melhor
desempenho no ensino de seus filhos, ajudando à melhorar e a cobrar das
autoridades responsáveis aquilo que é essencial para o ensino. Por tanto, quando
todos os grupos de uma comunidade prestam apoio coletivo à escola, uma forte
infra-estrutura passa a sustentar um ambiente humanitário no qual o jovem possa
prosperar e alcançar o sucesso.
14 – Educação profissional e habilitação da força de trabalho – uma aliança
entre ensino e trabalho é importante, pois faz o aluno se inteirar do mercado de
trabalho, como também leva-o a perceber a importância dos estudos para sua
qualificação profissional, conscientizando-o na prática do valor do ensino em sua
vida, dificultando com isso sua saída da escola. Um programa de orientação de
qualidade é essencial para todos os estudantes. Os programas que permitem que o
jovem ingresse no mercado de trabalho assim que sai da escola reconhecem que os
jovens necessitam de habilidades específicas que os prepare para as maiores
exigências do mercado de trabalho hoje.
15 – Resolução de conflitos e prevenção da violência – a escola deve buscar
meios para contornar a violência vivida por seus alunos, desde orientação,
65

conselhos, auxílio judicial se for o caso, a instituições de ensino tem que se importar
sim com aquilo que seu discente passa em sua família ou em sua comunidade. Pois
um plano abrangente de prevenção da violência, que inclua a resolução de conflitos,
deve abordar tanto a questão da violência potencial quanto da administração da
crise. Prevenir a violência significa oferecer experiências diárias em todos os níveis
de ensino que despertem atitudes sociais positivas e habilidades interpessoais em
todos os estudantes.
Estas 15 (quinze) ações direcionadas a gestão escolar para tentar diminuir o
número de alunos evadidos é uma proposta de meios que comprovadamente tem
efeitos positivo nas instituições aos quais são aplicadas tais reformas, contando
sempre com a disponibilidade e boa vontade da direção escolar, em estar aplicando
tais medidas com a intenção de eliminar definitivamente a evasão escolar de seu
quadro.

4 OS PROFESSORES E A EVASÃO ESCOLAR

4.1 O papel do professor


Um dos agentes principais dentro de uma escola sem sombras de dúvidas é
o professor. Sendo assim, pensou-se sobre até que ponto o bom ou o mau trabalho
do professor nas escolas pode interferir ou infelizmente, até mesmo contribuir para o
aumento evasivo dos estudantes? Para tal reflexão irá se pensar o professor como
um todo, com seus problemas, dúvidas, anseios, expectativas e desilusões frente a
sala de aula e seus alunos, para com isso perceber até onde vai a relevância do
educador em intervir na saída ou permanência dos estudantes escola.
Logo, é importante notar de início que para o sucesso de qualquer professor
em manter seus alunos motivados e consequentemente assíduos na escola é
oportuno que o docente se questione sobre quatro perguntas fundamentais segundo
Ayres (2012), que são:
66

Por que eu ensino? O que eu ensinarei? Como ensinarei? A quem


ensinarei?
Primeira pergunta: Por que eu ensino?
Essa pergunta é primordial para todos os professores ou aspirantes ao
cargo, pois através dela o profissional terá a possibilidade de refletir sobre sua
intenção em estar em sala de aula, para desta forma o mesmo se vê de maneira
crítica e repensar com isso seu modo de atuação em sala de aula, favorecendo
assim uma melhor relação com seus alunos e um maior alcance de seus objetivos
de ensino.
É evidente que todo professor, como fala Ayres (2012): “(...) deve sempre
conservar em sua mente a noção maior de que ele é, mais do que tudo, um agente
promotor da educação e que é, portanto, um educador”. Sendo assim, o
questionamento sobre por que eu ensino? Pode levar o professor a uma reflexão
sobre o modo como vem desempenhando seu trabalho, favorecendo com isso a
possibilidade de uma verdadeira revolução dentro do ambiente de trabalho do
educador que é “a sala de aula” e consequentemente atingir de maneira positiva um
de seus principais objetivos profissionais que é o conhecimento de seus alunos.
O questionamento sobre as motivações pessoais aos quais um indivíduo se
sujeita para estar atuando como professor o leva a outros questionamentos, como:
“Ensino porque não tenho nada melhor para fazer?” “Ensino porque, embora
o salário não seja bom, o emprego é garantido?” “Ensino porque passei em
um concurso e não quero desperdiçá-lo?” “Ensino porque foi a única coisa
que me restou para fazer?” .“Ou será que ensino porque tenho convicção
que ensinar é minha paixão e essa paixão me impulsiona a realizar o meu
trabalho da melhor forma possível, contribuindo, assim, para o
desenvolvimento de cidadãos conscientes, mais bem preparados para
enfrentar a vida?” (AYRES, 2012, p. 18).

Tais questionamentos levam a uma desigualdade da classe docente


observada pelo escritor Rubem Alves, na qual o mesmo compara-os como duas
árvores distintas, o eucalipto e o jequitibá. Nesta comparação os eucaliptos são
como os professores ‘comuns’ que realizam seu trabalho de maneira automática,
saindo de maneira robótica de sala em sala a cada 50 ou 45 minutos,
assemelhando-se com isso com as árvores que os nomeiam, pois assim como estes
professores os eucaliptos são árvores previsíveis, plantadas em série, com o
objetivo de cobrir desmatamentos, sendo como verdadeiras cópias umas das outras,
com o mesmo tamanho de tronco, folhas, galhos etc. Já o educador é diferente, ele
67

é comparado ao jequitibá, uma árvore frondosa, de galhos grandes, fortes e


retorcidos de uma maneira única, e que nasce sozinho, sem ninguém precisar
plantá-lo, bem nomeio da mata. Espalhados, nenhum deles é igual aos outros mais
todos são bonitos, fortes e frondosos. Podemos dizer assim que aqueles educadores
conscientes, cuidadosos, eficientes e criativos é o professor que é comparado ao
jequitibá da comparação (ALVES, 1987).
Segunda pergunta: O que ensinarei?
Para esta pergunta, um professor imediatista poderia responder que eu
ensinarei história, ou eu ensinarei português, ou qualquer outra disciplina do
currículo escolar. Mas para uma resposta mais consciente e crítica a resposta pode
ser: Ensinarei aos meus alunos vida, ou ensinarei aos meus alunos uma consciência
crítica, ensinarei o respeito ao próximo, ou diferentes outras respostas equivalentes.
É sabido que a visão de mundo de um professor é importante para a forma
como ele irá lidar com o conhecimento a ser repassado aos seus alunos, pois um
mesmo assunto nas mãos de qualquer profissional da educação pode ser ministrado
aos discentes de forma mecânica desvinculada do mundo ao qual estão inseridos,
diferentemente daquele professor que é sensível à realidade ao qual se vive, pois o
mesmo faz uma associação do assunto com o meio social dos estudantes, levando-
os a refletirem e com isso entenderem porque se encontram em determinada
situação política, econômica ou financeira.
Note que, assim como da visão que um homem tem sobre a vida
depreende-se a estatura moral que esse homem tem na vida; assim
também, da visão que um ensinador tem de seu trabalho como professor,
depreende-se a sua “estatura” ou, se preferirem, o seu “calibre”, enquanto
educador! (AYRES, 2012, p. 20).

Um bom profissional entende o valor de sua função e o professor que tem


uma das missões mais nobre dentro de nossa sociedade tem que perceber a
importância de seu trabalho, pois ele é o responsável direto pelo desenvolvimento
de toda uma sociedade, se este realiza um bom trabalho as expectativas são ótimas,
agora o contrário só traz desânimo.
Terceira pergunta: Como ensinarei?
Esta é uma pergunta fundamental para todo professor que deseja
compreender e com isso melhorar sua prática. Logo um ponto fundamental para
este questionamento é entender que o aprendizado só ocorre quando há uma pré-
disposição do próprio aluno para aprender pois como relata Diaz Bordenave (2012):
68

(...) aprender é uma atividade que acontece no aluno e que é realizado pelo
aluno. Ninguém pode aprender por outro. O professore não pode obrigar o
aluno aprender. Ensinar não é o mesmo que aprender. Por isso, se o aluno
não aprender, todo o esforço feito para ensiná-lo estará perdido. (DIAZ
BORDENAVE, 2012, p. 41).

O aluno para aprender se utiliza de diferentes meios sensoriais, sendo eles:


visão, audição, tato, olfato e paladar. O professor que se questiona sobre como irá
ensinar, sabe qual dos aspectos naturais dos estudantes atingir diretamente, para
que ocorra a aprendizagem do assunto específico que estar sendo aplicado em sala
de aula. Infelizmente muitos professores não se preocupam com o ensino que irá
desempenha em classe, se tornando um verdadeiro robô à frente de seus alunos
passando conteúdos desconexos e de forma mecânica, causando desânimo nos
estudantes o que leva a sua inevitável saída daquele ambiente desmotivado e que
não o desafia (AYRES, 2012, p.21).
Para conseguir obter bons resultados no ensino é importante o professor
saber manejar todas as formas de aprendizagem que os estudantes possuem, para
assim, as mesmas serem utilizadas de maneira eficiente, atentando para que o
processo de ensino sirva para facilitar e incrementar a aprendizagem dos alunos.

4.2 O professor criativo em sala de aula


Até que ponto o modo de atuação dos professores pode influenciar na
permanência de um estudante em sala de aula? Será que as escolas brasileiras
necessitam de “inovação” para diminuir o número de alunos evadidos? Como se
defini uma aula inovadora? Será que um ensino cheio de recursos tecnológicos, mas
distante de um planejamento adequado pode ser considero como inovador? Como a
criatividade do docente pode gerar efeitos positivos na aprendizagem dos discentes?
Um professor criativo tem aulas mais atraentes quê um professor extremamente
técnico?
Diante de tantos questionamentos é pertinente primeiro refletir sobre os
fundamentos do magistério, que segundo Libâneo (1994):
(...) As relações entre professor, aluno e matéria não são estáticas, mas
dinâmicas; por isso, falamos da atividade de ensino como um processo
coordenado de ações docentes. A condução deste processo, como qualquer
atividade humana, requer uma estruturação dos vários momentos de
desenvolvimento da aula ou unidade didática. (LIBÂNEO, 1994, p. 77).
69

Na fala de Libâneo (1994) fica claro que diante do objetivo educacional que
é a aprendizagem do aluno o papel do professor é de uma importância fundamental,
pois é este profissional quem articula todo o sistema que viabiliza a aprendizagem
do discente de maneira eficiente, sendo que, o mesmo tem que coordenar todo o
processo combinando objetivos, conteúdos e métodos para que da melhor forma
ocorra à aprendizagem dos estudantes.
Na contemporaneidade o professor tem um arsenal de ferramentas
tecnológicas onde precisa saber fazer o uso das mesmas da melhor maneira
possível para que o objetivo a ele imposto seja atingido. Mas, para que isso ocorra o
educador necessita se atualizar para inserir em sala de aula estes meios com
eficiência e não apenas como algo para diferenciar seu ensino, mas que realmente
torne seus objetivos eficientes.
Logo, além de uma constante atualização outra qualidade importante para
que o educador proporcione inovação em sala de aula para motivar os seus
estudantes sem sombra de dúvidas é a criatividade, pois:
Considerar a criatividade como princípio funcional da aula significa que a
criatividade deve caracterizar as principais ações, as inter-relações e a
subjetividade social dominante nesse espaço social, ou seja, que a
criatividade esteja presente de forma significativa nos processos
sociorrelacionais e especialmente nos processos educativos que nesse
espaço acontecem. A criatividade, dessa perspectiva, implica um
funcionamento diferente daquilo que tem sido dominante nesse espaço
social. Um funcionamento no qual a produção de novas e diversas formas
de interação social incentiva formas mais criativas de ensinar e aprender,
que, por sua vez, podem incentivar novas e mais produtivas formas de
interação (MARTÍNEZ, 2011, p. 116-117).

É importante notar que a visão sobre o ato de ensinar geralmente é reduzida


a uma situação tradicional de um professor passando a disciplina e alunos tendo que
memorizá-la de forma automática para depois serem requisitados em provas, como
é notório na fala de Libâneo (1994), quando este diz que:
A atividade de ensinar é vista, comumente, como transmissão da matéria
aos alunos, realização de exercícios repetitivos, memorização de definições
e fórmulas. O professor “passa” a matéria, os alunos escutam, respondem o
“interrogatório” do professor para reproduzir o que está no livro didático,
praticam o que foi transmitido em exercícios de classe ou tarefas de casa e
decoram tudo para a prova. Este é o tipo de ensino existente na maioria de
nossas escolas, uma forma peculiar e empobrecida do que se costuma
chamar de ensino tradicional (LIBÂNEO, 1994, p. 78).

A criatividade em si acaba se tornando uma arma para enfrentar esta visão


negativa de um ensino exclusivamente tradicional, proporcionando assim métodos
70

inovadores para que aula não se limite a este ato mecanizado que se sabe estar
presente na maioria das escolas brasileiras.
Pensar na criatividade como princípio funcional da aula supõem uma
mudança paradigmática, uma verdadeira reviravolta na forma dominante de
ensinar e aprender. Pensar na criatividade destas formas nos coloca
perante um caminho difícil de ser percorrido, porém, não impossível,
sobretudo se pensarmos em aulas concretas, com alunos e professores
concretos dispostos a percorrê-lo, e não em uma reforma educativa de
grande poder, impossibilitada por razões econômicas, ideológicas, culturais
e históricas (MARTÍNEZ, 2011, p.115).

É claro que o ensino não pode ser visto como algo distante da realidade do
aluno, difícil de ser alcançado, que não produza resultados em sua vida. O ensino
precisa direcionar o indivíduo para uma vida de bem estar social, onde proporcione
benefícios tanto para ele, como para toda a sociedade da qual faz parte. Mas para
que isso ocorra o professor tem que conhecer um dos principais aspectos de sua
profissão que é o “ato de ensinar”. O educador tem que ter convicção que o ensino
não pode ser aleatório e nem produzido sem um planejamento adequado às
características da turma na qual irá lecionar, logo este deve sempre levar em
consideração o conhecimento prévio dos estudantes para dar continuidade ao
assunto.
Para esclarecer ainda mais a forma comportamental que o professor deve
estabelecer em sua área de atuação que é o ensino Libâneo (1994) apresenta
algumas características importantes do mesmo:
1 - Um meio pelo qual se desenvolve e transforma diferentes habilidades
dos estudantes para um local objetivado;
2 - Algo que visa alcançar uma revolução em todos os setores da vida do
aluno desde o cognitivo até o social;
3 - O mesmo tem como meio uma metodologia composta por conteúdos,
objetivos, recursos e avaliação e como fim a aprendizagem dos estudantes;
4 - Se não houve aprendizagem por parte dos alunos isso significa que não
houve ensino (LIBÂNEO, 1994)

Tais pontos levantados por Libâneo (1994) têm uma importância singular
para que o professor obtenha esclarecimento sobre os mesmos, pois com o domínio
técnico destas funções e o professor sendo criativo, as possibilidades para a
resolução de problemas que acabem surgindo em sala de aula são enormes,
possibilitando com isso o sucesso do educador garantido consequentemente a
aprendizagem dos estudantes. Interessante também é pensar que com muita
criatividade é possível até mesmo vê uma escola diferente da atual, logo:
( ...) Este modelo de escola, de aluno, de professores, de ensino – é
relativamente recente, se considerarmos a história da humanidade; e é,
71

também, extremamente antigo e conservador, se consideramos as


transformações ocorridas nos conhecimentos e na sociedade como um todo
no último século e, principalmente nas últimas décadas (KENSKI, 2012, p.
128).

O próprio professor tem que perceber que apesar da escola ainda ser a
mesma depois de muitos anos, a sociedade estar correndo para um rumo totalmente
distinto daquele trilhado pela instituição educacional, sendo que, um dos
responsáveis para o direcionamento de uma caminhada conjunta entre sociedade e
escola é o professor, este precisa procurar meios para que o ensino seja significativo
e faça sentido para os alunos, o educador precisa aliar ensino de qualidade com os
meios tecnológicos utilizados pelos estudantes, para que os mesmos não se sintam
distantes e alheios àquilo que estar sendo processado dentro da sala de aula e da
própria escola, proporcionando com isso um alinhamento daquilo que o aluno vive
fora da escola, com aquilo que o mesmo vê durante seus estudos, favorecendo uma
intimidade maior com os estudos e consequentemente se tornando uma ferramenta
para a diminuição no número de evasão escolar.

4.3 O professor de qualidade frente ao desempenho discente


A qualidade docente tem que ser trabalhada da forma mais profissional
possível para que estes estejam realmente preparados para assumir uma das
profissões mais importantes dentro da sociedade, que é a educação. Schargel
(2002) afirma que “(...) os estados e comunidades que optam por investir em
professores qualificados demonstram vantagem também em termos de
aproveitamento dos estudantes”, por tanto pela fala de Schargel (2002) aquele povo
que se preocupa em capacitar seus professores de maneira eficaz, tem como
resultados um melhor alcance no desempenho de seus alunos, consequentemente
proporcionando assim uma melhora nos índices educacionais.

Um professor deve estar atento as inovações contemporâneas ao qual ele


esteja exposto favorecendo com isso um trabalho adequado a realidade dos alunos
e aos seus anseios. Logo, um educador tem que ser hoje um:

(...) animador capaz de instigar os alunos, incitá-los à pesquisa, desafiar


suas aparentes certezas, para conduzi-los à procura, à busca, à
reconstituição do equilíbrio desestabilizado. É, assim, um ator, um
interrogador, um profissional que instiga pensamentos, desperta
inteligências, sugere linguagens e leva alunos a perceber os abismos que
separam a análise da crítica, a argumentação, da explanação, a descoberta
da assimilação inconsciente. (ANTUNES, 2013. p, 14).
72

Para o professor alcançar tamanho profissionalismo sugerido por Antunes


(2013), o mesmo deve ser preparado nas escolas de formação com eficiência,
submetido sempre há uma vasta teoria aliada com a prática de sala de aula para
que os futuros educadores tenham contato o quanto antes com a vida estudantil nos
estabelecimentos de ensino.

O trabalho docente é algo que tem ser cuidadosamente verificado, estudado,


planejado, da forma mais metódica para que se alcancem os objetivos desejados.
Todo esse esquema de produção, que culmina com a aprendizagem do aluno, se
estabelece em um palco conhecido como sala de aula. Por tanto:

A estruturação da aula é a organização, sequência e inter-relação dos


momentos do processo de ensino. Toda a atividade humana implica um
modo de ser realizada, uma sequência de atos sucessivos e inter-
relacionados para atingir seu objetivo. O trabalho docente é uma atividade
intencional planejada conscientemente visando atingir objetivos de
aprendizagem. Por isso precisa ser estruturado e ordenado. (LIBÂBEO,
1994. p, 96).
Libâneo (1994) mostra que uma aula precisa ser estruturada e ordenada
para obter o máximo de eficiência dos objetivos desejados para uma aula. Mas para
que isso ocorra, o professor deve ser um excelente profissional consciente e
conhecedor de suas práticas, tanto didáticas quanto de sua disciplina específica.
Sendo que, este profissional gabaritado faz uma grande diferença na vida dos
estudantes.

(...) estudos revelaram que o aproveitamento dos estudantes de baixo


desempenho aumentava de forma significativa – em 53% - quando eles
eram assistidos por professores altamente eficazes, em contraste com o
aumento máximo de 14% no caso de estudantes assistidos por professores
menos eficazes. Os estudantes da 5 série eram influenciados pela
qualidade do professor que haviam tido na 3 série. (SCHARGEL, 2002. p,
160).
O estudo apresentado por Schargel (2002) evidencia ainda mais a
importância de se ter um número cada vez maior de professores competentes, para
que o ensino seja levado com eficiência para os estudantes. Tornando com isso o
investimento na formação docente importante. Pois, se cria um ciclo virtuoso, com
profissionais em educação cada vez mais preparados, aumentando o conhecimento
cognitivo dos estudantes, possibilitado uma consequente diminuição das mazelas
educacionais.

Esse quadro de eficiência docente deve existir o quanto antes, pois o que se
observar é que:
73

Infelizmente, e isso não constitui qualquer segredo, a triste regra comum é a


de professores com péssima formação, que passaram por uma formação
alienante, muitas vezes nem mesmo presencial, sem jamais se
preocuparem em prepará-lo para encarar o fantástico mundo de uma sala
de aula, em sua incrível diversidade. Parte desses professores acredita que
uma aula nada mais significa que a repetição de uma informação vazia, ou
defende o programa e o planejamento pedagógico como receitas
burocráticas de conteúdos conceituais a serem memorizados, e ainda
assumem uma postura interrogativa e desafiadora como posição
pedagógica de alguns loucos. (ANTUNES, 2013. p, 74).
A péssima formação dos professores apresentada por Antunes (2013) traz
consigo um alto nível de preocupação, principalmente quando relacionada com os
estudos de Schargel (2002), onde o mesmo mostra que os estudantes:

(...) que tinham professores ineficazes não apresentavam nenhum


progresso em matemática e leitura; isto é, não houve nenhuma diferença
significativa nas pontuações no período de um ano. Em matemática, os
estudantes com professores considerados dos melhores obtiveram
pontuação superior à média nacional nos testes padronizados,
demonstrando significativa melhoria em matemática (SHARGEL apud
HAYCOCK, 2002. p, 160-161).
Os dados acima trazem um alento e uma preocupação. Alento porque
mostra de maneira clara como conseguir uma melhoria nos quadros educacionais,
ou seja, investimento na formação dos professores. E preocupa porque a atual
formação dos professores esta muito distante da ideal.

Os docentes devem ser preparados e levados a preparar os seus discentes


para que os mesmos sintam-se desafiados, sintam-se prestigiados, pois:

A aprendizagem do aluno se reveste de forma natural quando ele descobre


que senta na carteira para enfrentar problemas, buscar soluções que
exigem visão sistêmica dos fatos, saberes prévios que se transformam em
novos saberes, preparo de hipóteses, atividades diversas de pesquisa,
reflexão e experimentação para encaminhar transferências e provocar
análise. (ANTUNES, 2013. p, 14).
O professor não pode ser formado de qualquer maneira, ou seja, de forma
inadequada onde não alcance as habilidades específicas para ministrar com
eficiência sua profissão, o mesmo deve ser consciente que:

O processo de ensino, ao mesmo tempo que realiza as tarefas da instrução


de crianças e jovens, é um processo de educação. No desempenho de sua
profissão, o professor deve ter em mente a formação de personalidade dos
alunos, não somente no aspecto intelectual, como também nos aspectos
moral, afetivo e físico. (LIBÂNEO, 1994. p, 99).
E para o docente perceber as nuances desta tênue linha entre instrução e
ensino, o mesmo necessita ser preparado e bem para exercer com eficiência sua
profissão, pois além de todo o conhecimento técnico e específico necessários ao
74

educador tem outro problema que é situação do ambiente escolar que o futuro
docente encontrará principalmente nas escolas públicas, pois as mesmas
proporcionam:
(...) extrema precariedade das instalações, condições de trabalho
extenuantes para os professores, remunerações aviltante, clientela
provenientes sub-habitações como casas de habitações de um só cômodo
ou barracos de favelas super lotados, que traz para a escola todo tipo de
problemas de comportamento e conduta, crianças mal alimentadas e mal
asseadas provenientes de lares destroçados e por aí afora. (AYRES, 2012.
p, 13-14).
Esse panorama levantado por Ayres (2012) só enfatiza a importância de
uma preparação adequada para os futuros professores, porque além das técnicas
de ensino que os mesmo terão que conhecer de maneira profunda, os educadores
têm que saber trabalhar toda esta parte sociológica que inevitavelmente irão
enfrentar, principalmente nas entidades de ensino público, onde se o trabalho do
professor não causar um impacto na vida acadêmica dos estudantes, sabidamente
outras áreas da sociedade irão causar como as drogas, as vaidades, as redes
sociais entre outras.

Todo verdadeiro professor é sempre um propositor de problemas que,


através de questionamentos, conduz os alunos à solução do desafio,
fazendo-os verdadeiro protagonista do processo de aprendizagem.
Guardando as devidas proporções, uma aula expositiva medieval equivale a
uma aula de futebol sem a bola, ensinamento de pintura sem pincel, curso
de culinária longe do fogão ou do fogo. (ANTUNES, 2013. p, 14).
Um professor que não possui o conhecimento técnico necessário para o
desempenho com qualidade de sua profissão acarreta em uma estagnação dos
problemas já enfrentados pela sociedade. O que se espera da educação é mudança,
esta direcionada para uma melhoria de vida dos estudantes, e para isso quanto mais
preparado os professores maior a certeza de tal transformação. Schargel (2002)
mostra que quanto mais capacitado, escolarizado, gabaritado é o professor, melhor
o desempenho de seus alunos em teste de avaliação de conhecimentos,
demonstrando assim o tamanho da influência que um bom professor exerce sobre
seus discentes.

4.4 A família e a evasão escolar


Na atual sociedade o mundo capitalista exige cada vez mais das pessoas e
consequentemente das famílias, na qual a necessidade do trabalho tanto de homens
quanto de mulheres faz com que os pais releguem o trabalho de educar crianças e
75

jovens aos profissionais em educação, sendo estes envolvidos cada vez mais por
maiores responsabilidades. Tal processo corre na contramão da valorização dos
docentes, ou seja, até parece que quanto mais se precisa do professor, mais este se
sente desvalorizado tanto social quanto financeiramente.
Por outro lado, na busca de culpados pelo mau desempenho dos estudantes
nas escolas, os educadores culpam exatamente a família pela falta de participação
no contexto educacional do filho, gerando assim uma celeuma entre as duas
principais instituições que deveriam trabalhar em conjunto para a educação da
criança, família e escola. Como fala Tiba (1998) é inútil os pais exigirem da escola a
função de educar os filhos e nem a escola exigir dos pais tal processo, pois diante
desta situação de conflito o essencial é ir atrás de soluções possíveis para resolver
este problema educacional, de outra forma fica parecendo que ninguém quer se
responsabilizar por este processo, onde pais empurram o dever de educar os filhos
para a escola e a escola afirma que a princípio isto é responsabilidade dos pais. Na
qual:
Não raramente encontramos entre os educadores representações negativas
a propósito das famílias dos alunos que são consideradas ausentes,
desinteressadas ou pouco colaborativas com o processo de aprendizagem
da criança. Isso corresponde, muitas vezes, à dificuldade de certos
profissionais de lideram com a diferença cultural (LUGLI, 2012. p, 62).

O que se percebe na atualidade é uma mudança acentuada no modo de


vida e na composição das famílias em relação às de outrora, com uma variada gama
de transformações. Como por exemplo:
Homens e mulheres estão se casando mais tarde do que nunca; cada vez
mais, as mulheres optam pela carreira profissional, retardando o casamento
e a maternidade. Quase dois terços de todas as famílias hoje empregam
uma mãe na força de trabalho. E mesmo nas famílias em que pai e mãe
vivem juntos, é comum ambos terem dois ou mais empregos (DAY apud
SCHARGEL, 2002. p, 8).

A família apesar de ser algo coletivo tem o um caráter individual onde cada
personagem desta célula social tem suas características respeitadas em certos
momentos dependendo da situação familiar de cada grupo. Interessante notar que
apesar de ser aparentemente livre, cada família é extremamente influenciada pelos
rumos do Estado.
Famílias, ainda na dimensão da generalidade, são entidades onde ocorre a
vida privada e seus integrantes são pessoas, dotadas de atributos
singulares, entre os quais a sociabilidade é regida por normas informais (...).
Embora local de privacidade, famílias não são imunes a determinações
macroestruturais oriundas da esfera econômica e do Estado que mantêm
76

com elas vínculos específicos, não determinando de modo mecânico e


direto os arranjos domésticos (ROMANELLI, 2013. p, 34).

Importante perceber que atualmente o modo como as famílias se constituem


tem um caráter de transformação nos costumes, pois o modo de construção familiar
está cada vez mais heterogêneo, trazendo consequentemente mudanças no
comportamento de cada indivíduo dentro do meio social. Fazendo imprescindível
que os meios educacionais percebam esta revolução comportamental influenciada
principalmente pelas variadas formas de construção da família da
contemporaneidade.
Ao lado da família nuclear, composta pelo casal e pelos filhos, aumenta o
número de famílias chefiadas por mulheres; de famílias recompostas, em
que um, ou ambos os conjugues, têm filhos de união anterior e constituem
novo arranjo doméstico, e de famílias patrifocais, em que os pais têm a
guarda dos filhos e vive com eles. A expansão desses arranjos torna patente
que, no plano empírico, não há famílias organizadas de modos distintos e o
conhecimento de sua composição e de seu modo de vida é crucial para a
análise das relações entre elas e a escola (ROMANELLI, 2013. p, 34).

Romanelli (2013) evidencia a grande transformação que vem ocorrendo ao


longo dos anos no modelo daquilo que se conhece como família. Sendo que, tal
alteração no modo de constituição familiar reflete consequentemente em todos os
setores sociais, principalmente na escola. Pois se verifica que:
Essas mudanças de estrutura e estilo de vida das famílias estão mudando
as escolas também. As escolas hoje fornecem refeições e serviço de
creche, além de terem uma participação direta no ensino de habilidades até
então reservadas tradicionalmente à família ou à igreja – de aulas de
direção a educação sexual, de natação a higiene pessoal. Os professores
agem como adultos solidários, auxiliando a realização do aprendizado, mas
também – geralmente com certo constrangimento – como pais substitutos
para lidar com questões além de seu alcance tradicional ou especialidade.
(SCHARGEL, 2002. p. 8).

Essa grande variedade não tira o valor que a família tem como pilar para
inserção do individuo no meio social, sendo que, há a necessidade devido a essa
importância de se criar meios para definir tal instituição, não obstante tais alterações
trazem grande dificuldade em um estudo que mostre um conceito claro sobre o que
realmente pode se caracterizar como família, até mesmo dentro do âmbito na qual
este estudo é proposto que é o educacional.
Todavia, essa variedade de arranjos não elimina a generalidade da família
enquanto instituição e demanda um conceito para explicitar as
características comuns a todas as modalidades de configurações
domésticas. Nota-se, no entanto, a ausência de um conceito claro de família
em trabalhos sociológicos e antropológicos. Mesmo que não seja unívoco e
partilhado por campos de conhecimentos distintos, a carência desse
77

conceito dificulta a análise e penetra igualmente os estudos sobre família e


escola. (ROMANELLI, 2013. p, 35).

É preciso, mesmo com todas as dificuldades existentes conceituar as


famílias na atualidade, onde tal processo é de extrema importância, pois é dentro
desta instituição social que o indivíduo desenvolve a capacidade de convivência,
com regras e leis estabelecidas dentro do grupo familiar, cujo tal comportamento
acaba se estendendo para outros setores da sociedade, como por exemplo, a
escola.
Entende-se família como um núcleo ímpar, criador de uma cultura própria e
com leis, regras, mitos, ritos e crenças peculiares. Cada pessoa que
compõe uma família, além de compartilhar desses mesmos ideais e
compartimentos, tem suas próprias emoções e suas diferentes significações
do cotidiano doméstico. Esses diferentes universos se entrelaçam e vão
formando um jeito de viver e conviver que, ao mesmo tempo que conta,
omite seus dramas, suas dores e seus sabores. (PAROLIN, 2010. p, 27).

Como a família é a base para a sociedade, esta deve ser cuidada e


assistida, pois quanto mais protegida e resguardada for uma família, maiores as
chances desta colocar no meio social cidadãos que contribuam para o bem estar.
Pois como fala Minuchin (1990): “A estrutura familiar é um conjunto invisível de
exigências funcionais que organiza as maneiras pelas quais os membros das
famílias interagem”. E quanto mais organizado for o padrão e as regras definidas
dentro de um grupo familiar melhor, pois é neste núcleo social que se opera um
sistema através de padrões transacionais, sendo que a partir do momento que tais
transações são repetidas acabam estabelecendo padrões de como, quando e com
quem se relacionar, onde tal comportamento acaba reforçando o sistema
(MINUCHIN, 1990).
Sabendo da importância da família no meio social como um todo, a mesma
não poderia estar isenta de atuar dentro das instituições escolares desde cedo, pois
como apresenta Schargel (2002) “pesquisas verificam regularmente que o
envolvimento da família tem um efeito positivo direto no aproveitamento das
crianças, e é o indicador mais preciso do sucesso do aluno na escola”. Ou seja,
quanto mais cedo à família se faz presente na escola do filho, maiores serão as
chances desse aluno alcançar o sucesso desejado tanto pela escola quanto pela
própria família. Por tanto:
A família deve constituir num núcleo duradouro, mas que aceite mudanças;
um núcleo afetivo e funcional em que cada um cuide de si e do outro,
compreendendo o outro como um ser inteiro e dotado de inteligência e
desejos próprios; um núcleo que promova pertencimento, mas que, ao
78

mesmo tempo, possibilite individuação. Ser de determinada família é


compartilhar de um sobrenome e, por outro lado, ser reconhecido como
individualidade, diferente dela e estando nela. (PAROLIN, 2010. P, 27-28).

Parolin (2010) destaca a importância do coletivo na afirmação do indivíduo, a


família deve ser esse grupo social, onde seus membros lutem por um objetivo
comum, com regras estabelecidas de convivência, mas que não suprima a
individualidade característica de cada personagem dessa família. É um grupo
homogêneo que individualmente se mantêm livre para agir com suas próprias
responsabilidades, respeitando o acordo de convivência estabelecida anteriormente.
Essa ordem familiar de regras comuns, objetivos idem, com hierarquia estabelecida
se assemelha muito com a escola, pois esta:
(...) configura-se como espaços formais, com hierarquia definida, na qual o
exercício do poder e da autoridade são claramente delineados, envolvendo
não só a ação dos professores, mas dos agentes que atuam, direta ou
indiretamente na transmissão de conhecimento. Além disso, nos
estabelecimentos de ensino ocorrem formas de sociabilidade entre alunos,
formalmente igualados por esse atributo e simultaneamente distintos entre
si. (ROMANELLI, 2013. p, 35).

A escola também diante de tamanha transformação na constituição familiar


contemporânea necessita trabalhar para que tais alterações não prejudiquem seu
papel de melhoria do indivíduo dentro da sociedade, por isso mesmo:
(...) cabe à escola construir respostas e instrumentos que atendam aos
“novos tempos” com todas as suas peculiaridades e as diferentes
necessidades. Como todas as outras instituições sociais, a escola é um
sistema que tem uma pauta de desempenho socialmente definida e
historicamente situada. O desempenho adequado e competente dessa
tarefa é que estabelece e constitui sua importância e sua função social.
(PAROLIN, 2010. p, 28-29).

É importante perceber que a educação formal, é submetida às oscilações


pela qual o Estado passa, como também pelo tipo de escola geralmente
caracterizada como particular, pública, confessional, militar entre outras formas, que
direcionam o comportamento de seus estudantes, para um ideal determinado, logo:
Os estabelecimentos de ensino estão subordinados a influências
econômicas do Estado que delimitam sua organização e seu modo de
funcionamento, e também são distintos em suas formas de atuação
educacional. Escolas públicas, particulares, confessionais de ensino técnico
têm suas particularidades e, embora estejam ordenadas segundo
determinações estruturais, organizam-se de formas específicas.
(ROMANELLI, 2013. p, 36).

Assim como Romanelli (2013) destaca a importância da atuação da unidade


escolar em conjunto para a interferência em possíveis problemas causados pela
atual multiplicidade de composição familiar existente, Parolin (2010) faz referência
79

em particular ao entendimento do professor sobre esta questão, onde a mesma diz


que:
(...) as pessoas têm diferentes saberes, interesses, necessidades,
habilidades, competências, vivem em diferentes contextos soco emocionais
e que essas diferenças produzem, ao longo da vida, a singularidade de
cada uma. Compreender que existem diferenças entre as pessoas é
essencial ao papel do educador. (PAROLIN, 2010. p, 29).

Nesta problemática fica a pergunta, até que ponto a composição ou à


atenção das famílias juntos aos seus filhos favorecem na continuidade dos mesmos
nos estudos? Ou será que tal ingerência não influencia de maneira alguma na
estadia dos filhos na escola?
Diante desta problemática sobre as relações entre família e escola fica a
constatação de Romanelli (2013) que tais instituições “(...) não caminham em uma
única direção, seja da família em relação à escola, seja no sentido inverso. Ao
contrário, as inter-relações entre ambas são mútuas e realimentam-se
constantemente, algumas vezes em um círculo vicioso” o que se percebe é que:
No plano empírico, documentado e discutido em pesquisas, registram-se
lamúrias e lamentações quando esses estudos endossam tais posturas. De
um lado, os pais, ou a família, expressam queixas contra a escola e os
professores, e estes são avaliados como despreparados e omissos frente
aos alunos e a seus responsáveis; de outro lado, professores e outros
agentes escolares argumentam que os pais não se interessam pelos
estudos dos filhos, não comparecem a reuniões e lançam mão de uma
condenação, afirmando muitas vezes de modo categórico que o mau
desempenho dos alunos deve-se à negligência familiar. (ROMANELLI,
2013. p, 36).

Este conflito não é bom para nenhum dos lados, nem para os pais e muito
menos para a escola, neste caso o imprescindível é a necessidade do diálogo entre
ambos, pois:
O diálogo fenomeniza e historicista essencial intersubjetividade: ele é
relacional e, nele, ninguém tem iniciativa absoluta. Os dialogantes
“admiram” um mesmo mundo; afastam-se dele e com ele coincidem: nele
põem-se e opõem-se. Vimos que assim a consciência se existência e busca
perfazer-se. O diálogo é o movimento constitutivo da consciência que se
abrindo para a infinidade, vence intencionalmente as fronteiras da finitude
e , incessantemente, busca reencontrar-se além de si mesma. Consciência
do mundo busca-se ela a si mesma um mundo que é comum: porque é
comum esse mundo, busca-se a si mesma e comunicar-se com o outro.
(FREIRE, 1987. p, 16).

A escola, portanto, deverá respeitar os conhecimentos e valores que as


famílias possuem, promovendo a participação dos membros da instituição familiar
em diferentes situações, estimulando o diálogo com os pais e possibilitando-lhes
também obter ganhos enquanto sujeitos interessados em evoluir e aperfeiçoar como
80

pessoas e cidadãos que visam à transformação da realidade. Nesse sentido, é


importante propor aos pais, por meio de certas contradições e situações existentes,
problemas que desafiam e exigem resposta tanto no nível intelectual, como no nível
da ação. (FREIRE, 1987).
Como se percebe a aprendizagem é algo que se processa em movimentos
de construção e reconstrução de nós mesmo, do outro, da realidade que nos
circunda e do próprio conhecimento. Querer trabalhar qualquer uma dessas
instâncias de maneira separada é ineficaz, pois só iria tentar dividir algo que é
indivisível (PAROLIN, 2010).
Como fala Schargel (2002) o envolvimento das famílias com as escolas
requer uma ação de parceria. Sendo que, tais parcerias para se tornarem eficientes
veem o aproveitamento dos alunos como uma responsabilidade compartilhada, onde
todos os atores – pais, administradores, professores e líderes comunitários –
desempenham importantes papéis em atender às necessidades dos estudantes em
relação a sua aprendizagem.
Na fala de Di Santo (2014) o mesmo diz que tanto a escola quanto a família
com seus valores e objetivos específicos na educação dos alunos forma um
organismo com objetivos únicos, onde fica evidente que, quanto mais diferentes são
um do outro, mas os mesmos são co-dependentes.
Por tanto, apesar das diferenças existentes entre família e escola, vê a
necessidade das mesmas caminharem juntas para a obtenção de um ideal em
comum, que é o sucesso e a obtenção de uma carreira acadêmica de sucesso por
parte de seus filhos e/ou alunos.
Como esclarece Antunes (2013) o trabalho do educador na inserção social
do estudante é essencial, pois é este que com seu trabalho direciona o aluno a
utilizar suas melhores características, “como, por exemplo: reconhecer, analisar,
comparar, relacionar, classificar, deduzir, propor soluções, avaliar e compreender, e
muitas outras imprescindíveis ao saber fazer” privilegiando assim a comunidade a
comunidade ao qual o educando esteja inserido.
Não obstante, as escolas devem estar atentas para incentivar a participação
constante e perene das famílias junto à educação de seus filhos, não esperando que
tal comportamento parta de livre e espontânea vontade deste grupo, pois muitos
pais e mães de famílias não possuem a conscientização suficiente para entender o
81

tamanho da importância de sua participação junto às unidades estudantis. Devendo


partir sim das instituições de ensino o incentivo para que as famílias alcancem o
discernimento necessário para assim se tornarem mais atuantes na escola de seu
filho.

5. METODOLOGIA

5.1 Descrição do lugar do estudo

Figura 1 – Localização do lugar de estudo

Fonte: https://www.google.com.br/maps
82

Centro de Ensino Governador Luís Rocha – CEGLUR, situado na cidade de


Dom Pedro estado do Maranhão na Rua Oton de Mello Lima, bairro Ceasa S/N,
fundada em (1985). O prédio escolar atualmente tem uma boa estrutura física
contanto com 06 salas de aulas, 01 sala de informática, 01 biblioteca, 01 sala de
professores, 01 diretoria, 01 secretária com banheiro para os funcionários, 06
banheiros e 01 cozinha. Todas as salas de aula contam com ar condicionado e estão
devidamente forradas, o espaço das salas de aula é em bom tamanho e comporta
com qualidade o número de alunos, a escola também dispõem de carteiras em
número suficiente para todos os discentes, nas salas de aula possuem dois quadros
um branco e outro negro.

A escola conta ainda com um pátio coberto e uma boa área de socialização
para os estudantes, infelizmente a mesma possui um bebedouro que apresenta
condições visivelmente precárias. A cozinha é equipada com 01 armário de ferro, 01
congelador, 01 freezer, 01 fogão industrial, 01 pia e utensílios diversos para o
preparo do lanche dos discentes. A biblioteca escolar, tem um bom acervo
bibliográfico, 04 mesas e 16 carteiras para leitura e conta ainda com 02 ventiladores
de teto. A sala de computação é toda climatizada, disponibilizando 23 computadores
para o uso dos alunos, possui ainda uma TV de 55 polegadas que serve de apoio
didático pedagógico e uma grande mesa no centro com 50 cadeiras de plástico para
um melhor conforto do estudante.

O Centro de Ensino Governador Luís Rocha está funcionando com um total


de 354 alunos, divididos em 13 (treze) turmas, sendo que, 139 (cento e trinta e nove)
destes alunos fazem uso de transporte escolar. As aulas da escola CEGLUR são
ministradas nos turnos vespertino e noturno, atuando somente com o Ensino Médio,
no turno vespertino são trabalhadas as seguintes séries: dois 1º anos; dois 2º anos e
dois 3º anos enquanto no noturno a escola trabalha com dois 1º anos; um 2º e um
3º.

O sistema administrativo da escola, conta com 01 diretor geral, 01 supervisor,


03 apoios pedagógicos, 04 secretários e um total de 31 docentes trabalhando nos
dois turnos. Sendo que, o 1º ano noturno da escola CEGLUR no ano de 2015
contava com um total de 60 alunos na matrícula inicial, divididos em duas turmas, o
1º ano A com 30 alunos e o 1º ano B com 30 alunos. Onde, o total de professores
83

que lecionam especificamente nos 2 (dois) 1º anos são em um total de 06


profissionais.

O entorno onde está situada a escola CEGLUR é considerado como de


classe média alta com belas casas. Existe ainda uma praça a pouco metros com
dois bares que às vezes acabam incomodando as aulas por causa do som em alto
volume produzidas pelos carros automotivos.

5.2 Tipo e abordagem do estudo

No desenvolvimento desta pesquisa foi utilizada a metodologia do tipo


descritiva, pois segundo Sampieri et al. (2006, p. 101): “os estudos descritivos,
medem, avaliam ou coletam dados sobre diversos aspectos, dimensões ou
componentes do fenômeno a ser pesquisado”. O modelo utilizado na pesquisa é não
experimental que de acordo com Sampieri et al. (2006) é a investigação que se
realiza sem manipular deliberadamente as variáveis, ou seja, trata-se da pesquisa
em que não fazemos variar intencionalmente as variáveis independentes. O que
fazemos na investigação não experimental é observar fenômenos tal como se
produzem em seu contexto natural, para depois analisá-los.
A abordagem desta investigação é o método de abordagem mista. Segundo
Sampieri, Collado e Lucio (2013, p. 548) “a meta da pesquisa mista não é substituir
a pesquisa quantitativa nem a pesquisa qualitativa, mas utilizar os pontos fortes de
ambos os tipos, combinando-os...”
A análise de conteúdo e a discussão se deram mediante uma abordagem
mista, que para Greene (2006, in Johnson, 2007) pode incluir estratégias de
recolhimento de dados (questionários, entrevistas, observações), para uma
integração sistemática de métodos qualitativos e quantitativos num único estudo,
com o objetivo de obter uma visão mais abrangente e uma compreensão mais
profunda do fenômeno em estudo.
A abordagem desta investigação é o método de abordagem mista. Segundo
Sampieri, Collado e Lucio (2013, p. 548) “a meta da pesquisa mista não é substituir
a pesquisa quantitativa nem a pesquisa qualitativa, mas utilizar os pontos fortes de
ambos os tipos, combinando-os...”
84

5.3 População e amostra

A população é formada por 30 alunos devidamente matriculados no 1º ano do


ensino médio noturno, distribuído em uma única turma, com idade entre 15 a 23
anos, 06 professores da turma e 01 gestor.
A amostra compreende a 60% dos alunos, 100% dos professores e 100% da
equipe gestora. Ela está composta de 18 alunos e 06 professores e 01 gestor de
uma única escola.

Cálculo da Amostra:

n = N.p.q.z²/[p.q.z²+(N-1).e²]

onde:

n = tamanho da amostra

N = tamanho da população

p = probabilidade de sucesso (no caso 50% = 0,5)

q = probabilidade de não ocorrência (no caso 50% = 0,5)

z = nível de confiança (usaremos 95% = 1,96)

e = erro estatístico (no caso 5%= 0,05)

Daí: n = 30x0,5x0,5x1,96²/[0,5x0,5x1,96²+(30-1)x0,05²]

n = 18 sujeitos

O tipo de amostragem foi probabilístico, do tipo aleatório (também chamado


de aleatório simples, é aquele na qual todos os elementos da população têm a
mesma probabilidade de ser escolhido como elemento da amostra). O critério para a
definição da população foi o fato do pesquisador fazer parte do quadro da escola
pesquisada, como docente, perceber que esses professores estão envolvidos,
disponíveis e formam parte do sistema estudado.
5.4 Instrumentos e técnicas de coleta dos dados
85

Os dados foram coletados por intermédio da aplicação de um questionário


estruturado fechado para os alunos e entrevista com questões abertas destinadas
aos Professores e a gestão da escola. Sampieri et al. (2006, p. 310) define
Questionário como:

Um conjunto de perguntas sobre uma ou mais variáveis a serem


medidas. Assim, o conteúdo das perguntas de um questionário é tão
variado como os aspectos que o mesmo mede, de modo que a
presente pesquisa utilizou perguntas fechadas.

O tipo de entrevista utilizada foi a focalizada, pois conforme Gil (1999, p. 120):
[...] permite ao entrevistado falar livremente sobre o assunto,
mas sem se desviar do tema original, com o objetivo de explorar a
fundo alguma experiência vivida em condições precisas. [...] utilizada
para grupos de pessoas que passaram por uma experiência
específica, conferindo ao entrevistado ampla liberdade para
expressar-se sobre o assunto.

Em relação à validação do conteúdo do questionário e do roteiro de perguntas


da entrevista, estes foram validados por dois especialistas, doutores em educação.
A coleta de dados foi realizada a partir algumas etapas de trabalho, que
poderão ser semelhantes ou distintas no que diz respeito ao tempo determinado
para cada uma delas.
ETAPA I- primeiramente foi desenvolvido um levantamento bibliográfico para
verificar os autores que fundamentam a pesquisa, no eixo da questão da evasão
escolar.
ETAPA II- uma visita técnica foi realizada para as observações iniciais e
levantamento de dados sobre a organização estrutural da turma do 1º ano do ensino
médio noturno.
ETAPA III- após as visitas técnicas foram elaborados os instrumentos de
pesquisa para coleta de dados. Para essa atividade, foi feito um pedido de
autorização à gestão da escola, mediante a apresentação de um ofício em nome da
Universidad Americana, Asunción - PY. Para a coleta de dados foi construído um
roteiro de questionários e entrevistas compostas de questões abertas e fechadas
tendo como referências as observações feitas previamente in lócus.
ETAPA IV- o material coletado por meio dos questionários e nas entrevistas foi
apresentado na forma de gráfico, tabelas e relatório devidamente interpretado no
conjunto com os demais materiais obtidos.
86

5.5 Técnicas de análise de dados

Após a coleta dos dados, a partir dos instrumentos questionário e entrevistas,


foram feitas as avaliações dos materiais, utilizando-se a técnica de análise MISTA.
O material coletado foi lido e agrupado conforme o tema, os objetivos e as
finalidades da investigação que se pretende alcançar, buscando significado dentre
as respostas dos questionários e entrevistas, explorando-se também as diferenças
percebidas entre as falas.
Dessa forma, a análise visa encontrar relação entre as respostas dos
entrevistados e busca equipará-las com o referencial teórico da pesquisa.

6. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS DA PESQUISA DE CAMPO

6.1 Resultados obtidos com os alunos


Os resultados obtidos por meio da resposta dos alunos aos questionários
permitiram obter dados do perfil deles: sexo, idade e outros dados relevantes para
esta pesquisa.

No gráfico 1, observa-se que 56% dos entrevistados são do sexo masculino e 44%
são do sexo feminino. No gráfico 2, observou-se a faixa etária, 44% tem 17 a 19
anos, 39% tem entre 20 a 22 anos, 11% com mais de 23 anos e 6% com idade entre
14 a 16 anos. No Gráfico 3, a intenção foi verificar o estado civil dos entrevistados,
61% são casados e 39% solteiros.
87

Gráfico 1 – Sexo Gráfico 2 – Faixa etária

Gráfico 3 – Estado Civil

No gráfico 4, 78% afirmam trabalhar e 22% apenas estudam. No Gráfico 5,


buscou-se saber a renda dos entrevistados, 67% recebem apenas um salário
mínimo, 28% até dois salários e 5% mais de três salários mínimos. Já no gráfico 6,
verificou-se que 71% moram com os pais enquanto 29% deixaram a casa dos pais.
No gráfico 7, o proposito foi saber quais alunos recebem ajuda do governo
Federal,50% recebem Bolsa escola, 17% recebem bolsa família e 33% não recebem
nenhuma ajuda. Vejamos o que diz a lei nº 9394/96 (LDB):
Art. 37. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram
acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria.
§ 1º. Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos, que
não puderam efetuar os estudos na idade regular, oportunidades educacionais
apropriadas, consideradas as características do alunado, seus interesses, condições
de vida e de trabalho, mediante cursos e exames. § 2º. O Poder Público viabilizará e
estimulará o acesso e a permanência do trabalhador na escola, mediante ações
integradas e complementares entre si.

Gráfico 4 – Alunos que trabalham Gráfico 5 – Renda


88

Gráfico 6 – Mora com os pais Gráfico 7 – ajuda do Governo

No gráfico 8, 78% afirmam ter repetido de série e 22% afirmam nunca ter
repetido. No Gráfico 8, a intenção foi saber a disciplina que os entrevistados tem
mais dificuldades, 22% apontaram Português, 39% para Matemática, 7% para
Ciências naturais e Língua estrangeira e apenas 5% para ciências humanas.
Apesar da importância associada à Matemática, esta é considera uma
disciplina de difícil aprendizagem. Silveira (2002), explica que existe um sentido pré-
constituído evidenciado na fala dos alunos de que a matemática é difícil. A autora
realizou um levantamento junto a professores de Matemática, no qual verificou que
para estes essa disciplina precisa tornar-se fácil, o que pressupõe que ela seja
difícil. Estes identificam na voz do aluno que ela é considerada chata e misteriosa,
que assusta e causa pavor, e por consequência, o aluno sente medo da sua
dificuldade e vergonha por não aprendê-la. Como resultado de tantos sentimentos
ruins que esta disciplina proporciona ao aluno, somado ao bloqueio em não dominar
89

sua linguagem e não ter acesso ao seu conhecimento vem o sentimento de ódio
pela matemática.

Gráfico 8 – Repetente Gráfico 9 – Disciplina difícil

No gráfico 10, expõe as dificuldades em aprender segundo os entrevistados,


50% declararam que é em virtude da falta de material apropriado, 29% atribuem as
explicações dos professores e 21% a falta de estrutura na escola. No Gráfico 11,
procurou-se saber se os entrevistados reservam tempo para escolar fora da escola,
50% afirmam que não, 33% um pouco e 17% sim. No gráfico 12, Perguntou-se se os
entrevistados já desistiu de estudar alguma vez, 33% sim e 67¨% não.
De acordo com Weiss (1997): o problema da dificuldade do aluno em
aprender pode estar ligado a fatores tanto internos quanto externos:
Essa insuficiência na aprendizagem escolar pode estar ligada à ausência de
estrutura cognoscitiva, que permite a organização dos estímulos e favorece
a aquisição dos conhecimentos. Todavia, a dificuldade em aprender pode
estar relacionada a determinantes sociais, da escola e do Olhar de
professor, próprio aluno, ou seja, ligada a fatores internos (cognitivos e
emocionais) e a fatores externos (culturais, sociais e políticos) (Weiss. 1997,
p. 16)
90

Gráfico 10 – Dificuldades em aprender Gráfico 11 – Tempo de estudo fora da escola

Gráfico 12 – Desistência de estudar

No gráfico 13, observou-se os motivos da evasão escolar, 33% atribuem ao


trabalho, 28% as tarefas do lar, 22% as notas baixas, 6% não gostar de estudar e
doença e apenas 5% a renda familiar. No Gráfico 14, a intenção foi saber quanto
tempo os entrevistados ficaram afastados da escola, 47% 1 a 5 anos, 40% 6 a 10
anos e 13% mais de 11 anos. No gráfico 15, Perguntou-se se os entrevistados o que
seria necessário para melhorar a situação da evasão escolar, 50% Mais atenção do
governo com suas famílias mais carentes, 22% Melhorar as condições da escola,
17% Oferecer transporte escolar de qualidade para todos os alunos e 11% Ter
professores mais pacientes com os alunos.
Os alunos trabalhadores, às vezes, começam os estudos e depois se
cansam, acham que começam a gastar muito com transporte, às vezes mudam de
emprego, passam a trabalhar à noite. A diferença social interfere nos sonhos dos
alunos do Ensino Médio. Enquanto os estudantes da escola privada estão
91

preocupados com o vestibular, os da pública se ocupam em arrumar emprego ao


terminar o Ensino Médio.

Gráfico 13 – Motivos de evasão Gráfico 14 – Tempo afastado da escola

Gráfico 15 – Necessidade para evitar a evasão

6.2 Resultados da entrevista com a Gestão escolar e os professores

6.2.1 Gestão da escola

- A frequência dos estudantes na escola


“Sim, este controle é feito de forma burocrática, somente com uma
chamada paralela àquela feita pelos professores, realizada pela
secretaria, sem nenhuma ação concreta para o retorno do aluno ao
ser diagnosticado sua falta.” (G1)1

- Atitude da gestão em relação às faltas dos alunos

“A escola toma como única atitude o contato com a família para se


tomar as devidas providências em relação à evasão escolar” (G1)

1
Fala do Gestor 1
92

- A avaliação entre a gestão e os professores sobre os alunos evadidos

“Sim, há comunicação com os professores a respeito do problema


da evasão escolar na instituição de ensino.” (G1)

- A série com o maior número de alunos evadidos e a ocorrência

“1º ano do Ensino Médio noturno, o trabalho concomitante com os


estudos, a distorção idade série e o fato da maioria dos alunos
morarem na zona rural.” (G1)

- Acompanhamento dos alunos que vivem em situação de abandono escolar

“Sim, uma vez detectado, procuramos a família e alertamos.” (G1)

- O incomodo da evasão escolar

“Sim, a gestão realmente se incomoda com o alto numero de alunos


evadidos.” (G1).

- A culpa da evasão escolar

“Se há algum culpado, atribuo a todos, e, principalmente ao sistema


capitalista que influencia o aluno mais carente a buscar logo uma
colocação no mercado de trabalho para ganhar o tão almejado
dinheiro desvalorizando assim o conhecimento.” (G1)

- Participação dos pais e discussão do problema da evasão escolar

“Sim, a direção faz reuniões e sempre questionamos o problema da


evasão escolar.” (G1)

- As maiores dificuldades em manter os alunos assíduos em sala de aula

“Sim, existe dois fatores determinantes para manter os alunos em


sala de aula: a cultura local e a metodologia diferenciada adotada
pelos professores.” (G1)

- A influência dos docentes na evasão escolar

“Sim, os professores são responsáveis pela evasão escolar dos


estudantes.” (G1)

- Método para converter evasão escolar dos alunos

“Sim, a escola possui alguns métodos, a reunião com a família é um


deles, existe também reuniões com a equipe de professores.” (G1)
93

- As mudanças na evasão escolar dos alunos

“A mudança dos conteúdos, mudança na grade curricular e formação


constante e continua dos professores.” (G1)

- A culpabilidade da evasão escolar

“A responsabilidade é conjunta, onde cada setor tem sua parcela de


contribuição em relação ao problema apresentado.” (G1)

6.2.2 Professores
- Capacitação profissional

“Faz tempo que participei, não me lembro.” (P1) 2


“Nunca participei de formação continuada.” (P2) 3
“Não lembro.” (P3)4
“Não participo.” (P4)5
“Não há formação.” (P5)6
“Não lembro.” (P6)7

- As melhorias em sala de aula

“Didática.” (P1)
“Planejamento.” (P2)
“Motivação.” (P3)
“Motivação.” (P4)
“Didática.” (P5)
“Didática.” (P6)

- O trabalho docente em sala de aula

“Possibilitar ao educando qualidade nas aulas .” (P1)


“Sim, a motivação é importante para o aprendizado.” (P2)
“A partir do momento que motivamos nossos alunos temos respostas
positivas.” (P3)
“Sim, a motivação é muito importante para o aprendizado.” (P4)
“Sim, a motivação possibilita melhor aprendizado.” (P5)
“Sim, a motivação é essencial para o aprendizado.” (P6)

- O comportamento dos alunos em sala de aula

2
Professor 1
3
Professor 2
4
Professor 3
5
Professor 4
6
Professor 5
7
Professor 6
94

“Normal.” (P1)
“Não há ocorrência de anormalidade.” (P2)
“Não existe problema de indisciplina.” (P3)
“Tranquilo.” (P4)
“Nada de anormal.” (P5)
“Normal.” (P6)

- A metodologia diferenciada em sala de aula

“Sim, através de dinâmicas pedagógicas.” (P1)


“Sim, buscando a realidade do aluno.” (P2)
“Sim, ligando o cotidiano da vida dos alunos.” (P3)
“Sim, por meio de metodologias diferenciadas.” (P4)
“Sim, através de dinâmicas pedagógicas.” (P5)
“Acredito é possível, sim, por meio de dinâmicas relacionadas a
vivencia dos alunos.” (P6)

- A culpabilidade da evasão escolar

“Se há culpa, essa é atribuída ao sistema.” (P1)


“Não há culpa por parte dos professores.” (P2)
“Não me sinto culpado.” (P3)
“Quando a falha no sistema, culpam sempre os professores.” (P4)
“A culpa, se houver, não é por parte dos educadores.” (P5)
“O professor não pode ser culpado, a culpa é de todos.” (P6)

- O professor diante da evasão escolar

“A gestão deveria criar uma equipe para acompanhar.” (P1)


“A direção deve tomar providencia mais rigorosas.” (P2)
“Um trabalho mais permanente da direção da escola.” (P3)
“A direção deveria criar uma equipe para acompanhar.” (P4)
“Deveria haver conselho de classe.” (P5)
“Deveria ser criado uma equipe para acompanhar.” (P6)

- O professor em diálogo com os pais dos alunos

“Ouvir os pais e trocar ideias.” (P1)


“Reunião de pais e mestres.” (P2)
“Reunião periódica com os pais.” (P3)
“Ouvir os pais sempre.” (P4)
“Reunião para motivar os alunos.” (P5)
“O diálogo é importante para o bom aprendizado do aluno.” (P6)

- O que leva os alunos a evasão


95

“A culpa da evasão é dos próprios alunos.” (P1)


“A família tem participação predominante na desistência dos alunos.”
(P2)
“A iniciação ao trabalho.” (P3)
“O trabalho precoce.” (P4)
“A falta de estimulo.” (P5)
“A iniciação ao trabalho.” (P6)

- A cobrança da gestão aos professores sobre a evasão

“Sim, constantemente a gestão cobra dos professores.” (P1)


“A gestão alerta sobre o elevado numero de evasão.” (P2)
“Cobra, porem não faz sua parte.” (P3)
“A gestão cobra e exige muito do professor.” (P4)
“A cobrança é constante.” (P5)
“O diretor cobra porque também é cobrado.” (P6)

- A alteração da prática pedagógica do professor

“Sim, deve ser alterada.” (P1)


“Sim, condicionada a um melhor planejamento.” (P2)
“Sim, com formação continuada.” (P3)
“Sim, com a mudança no currículo.” (P4)
“Sim, deveria ser alterada.” (P5)
“Sim, muito importante haver alteração.” (P6)

6.3 Análises das entrevistas com a Gestão escolar e os professores


Sobre a análise qualitativa a respeito da evasão escolar realizada com o
diretor geral da escola, foram observados fatores importantes, que irão ser exposto
em formas de perguntas, com a posterior análise das mesmas.
Ao perguntar ao gestor se escola mantém de alguma forma o controle da
frequência dos estudantes, nesta pergunta o diretor respondeu que sim, mas não
descreveu qual seria tal atitude, porém pelo que foi observado, este controle é feito
de forma burocrática, somente com uma chamada paralela àquela feita pelos
professores, realizada pela secretaria, sem nenhuma ação concreta para o retorno
do aluno ao ser diagnosticado sua falta, pois tal fato é constatado na fala dos alunos
desistentes pesquisados, onde os mesmos, afirmaram que após sua saída da escola
nunca foram procurados por ninguém para que estes retornassem aos estudos.
Nesta perspectiva, Luck (2000), destaca a importância do diretor:
Um diretor de escola é gestor da dinâmica social, um viabilizador e
orquestrador de atores, um articulador da diversidade para dar-lhe unidade
e consistência na construção do ambiente educacional e promoção segura
96

da formação dos seus alunos. Suas ações têm em mente o conjunto todo da
escola e seu papel educacional. Não apenas imediato, mas de repercussão
no futuro, em acordo com a visão estratégica e com amplas políticas
educacionais. (LUCK, 2000, p.101)

A atitude tomada pela escola ao perceber as constantes faltas dos alunos foi
o contato com a família para se tomar as devidas providências em relação à evasão
escolar só que, o que foi apurado com os alunos desistentes e suas famílias não
confirma a fala da direção de ensino, pois os mesmo afirmaram que em nenhum
momento a escola entrou em contato para tentar resolver ou saber os motivos da
falta de aula dos estudantes.
A gestão da escola se comunica com os professores para avaliar o número
de alunos evadidos, porém há uma contradição na fala de um dos professores
entrevistados, que disse haver um alertar da direção escolar quanto a evasão e isto
teria ocorrido apenas uma vez e no final do ano letivo, onde o mesmo afirmou que
naquela época já não fazia tanto sentido assim, pois segundo ele, se for para ter
algum alertar sobre a evasão dos estudantes, este tem que ser feito o quanto antes
para que o problema não tome proporções tão grandes como as que estão
ocorrendo na escola.
Em seu artigo 14, incisos I e II, a LDB define os princípios da gestão
democrática, enfatizando a importância da participação das comunidades escolar e
local como forma de construir uma proposta eficaz que atenda aos anseios da
sociedade e as necessidades de aprendizagem dos alunos de forma autônoma.
Vejamos:
Art. 14- Os sistemas de ensino definirão as normas de gestão democrática
do ensino público na educação básica, de acordo com suas peculiaridades
e conforme os seguintes princípios: I- participação dos profissionais da
educação na elaboração do projeto pedagógico da escola; II- participação
das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes;

A visão da desistência dos alunos no 1º ano do Ensino Médio noturno é


clara, logo o diretor foi categórico em afirmar que o problema se situa exatamente
nesta série da escola. Agora o que é importante se analisar é a opinião do gestor
sobre quais as causas que proporcionam determinado, quanto a isto o gestor
afirmou que os fatores são muitos, porém os que mais se destacam segundo a sua
opinião são: o trabalho concomitante com os estudos, a distorção idade série e o
fato da maioria dos alunos morarem na zona rural.
97

Quando questionado se há algum tipo de acompanhamento especial aos


alunos que vivem em situação de risco de abandonar a escola, como trabalhadores,
moradores de áreas críticas da cidade, o gestor afirmou que a escola desenvolve
algum tipo de trabalho para resgatar os alunos evadidos da escola. Onde mais uma
vez a resposta da gestão escolar foi que o único trabalho efetuado pela mesma é
tentar entrar em contato com a família, infelizmente não foi esclarecido como ocorre
este contato, e qual a finalidade do mesmo, se é para tentar criar uma solução para
o problema ou se é apenas para alertar os pais sobre a desistência do filho dos
estudos.
O diretor de escola é, antes de tudo, um educador. Enquanto tal possui uma
função primordialmente pedagógica e social, que lhe exige o
desenvolvimento de competência técnica, política e pedagógica. Em sua
gestão, deve ser um articulador dos diferentes segmentos escolares em
torno do Projeto Político Pedagógico. (GADOTTI; ROMÃO, 2004, p.102).

Sobre o problema da evasão escolar, foi questionado sobre o íntimo da


gestão, onde o intuito desta pergunta foi saber se de alguma forma a direção sentia-
se fracassada por tantas pessoas estarem abandonando sua escola dando a
entender que esta não tem importância na vida dos estudantes. A resposta foi
afirmar que realmente incomoda o alto número de alunos evadidos, causando nela
um sentimento de impotência diante dos problemas sociais, ou seja, de alguma
forma a direção da escola se diz vítima dos problemas da sociedade e que por isso
não há muito que fazer diante do problema exposto.
Na questão se a gestão escolar tem culpa no fato dos alunos abandonarem
a escola a direção da escola afirmou haver uma culpa conjunta de todos, onde
segundo a mesma o principal culpado é o sistema capitalista que influencia o aluno
mais carente a buscar logo uma colocação no mercado de trabalho para ganhar o
tão almejado dinheiro desvalorizando assim o conhecimento.
Na maioria das causas da evasão escolar a escola tem a responsabilidade
de atribuir à desestruturação familiar, e o professor e o aluno não tem
responsabilidade para aprender, tornando-se um jogo de empurra.
(ARROYO, 1997, p.23)

A respeito da participação dos pais junto à escola, foi questionado se havia


reuniões com os mesmos para relatar sobre o problema da evasão escolar, ao que
foi respondido de forma curta que sim, que existia tais reuniões. Mas ao investigar
junto aos pais dos alunos evadidos se estes já haviam sido convocados para alguma
reunião na escola, os mesmos afirmaram nunca terem sido convidados para
98

participar de reuniões na escola do filho e muito menos haverem sido alertados


sobre problemas de falta dos mesmos.
O caminho certo é que escola e família construam juntas metas de forma
sincrônica, favorecendo ao aluno uma segurança na aprendizagem de modo
que produza cidadãos analíticos capazes de enfrentar a heterogeneidade de
situações que advêm do convívio em sociedade. (MELO, 2016, p. 59)

A visão da gestão escolar sobre os problemas dominantes em seu meio,


suas dificuldades e se estes realmente são os fatores que determinam a evasão
escolar. Sendo que, a opinião do diretor da escola foi que existem dois fatores
determinantes para se manter os alunos em sala de aula: Em primeiro lugar,
segundo o gestor é o que ele chamou de “cultura local”, ou seja, para o
administrador educacional a população onde a escola está inserida não dá o devido
valor para a educação deixando que seus filhos façam opções diferentes que o
caminho do estudo, como trabalhar em algumas fábricas que existem na cidade. Em
segundo lugar, o diretor afirma que a forma como os conteúdos são trabalhados
pela escola favorece para uma maior desistência dos estudos por parte dos alunos
que não se sentem atraídos por aquilo que é ofertado, pois os mesmos se sentem
deslocados e longe daquilo que é ensinado.
Quando indagado se os professores de alguma forma influenciam na evasão
escolar dos alunos, ele respondeu em um curto e abreviado sim, os professores são
responsáveis pela evasão escolar dos estudantes, infelizmente o profissional
pesquisado não quis entrar em outros detalhes de sua opinião, mas investigando a
percepção dos professores da escola, os mesmos ficaram divididos, uns disseram
que não se sentiam culpados pelo fato dos alunos estarem abandonando a escola,
pois acreditam estarem fazendo o melhor trabalho possível; outros disseram que
tinham sim sua responsabilidade no caso, mas a maior culpa seria da gestão escolar
que não proporcionava nenhum meio para sanar o problema.
A escola possui métodos para conter a evasão escolar dos alunos, devido à
resposta dos professores em dizer que a gestão escolar não proporcionava meios
para tentar diminuir o problema da evasão escolar, questionei ao diretor se a mesma
tinha algum método para conter o problema, só que mais uma vez o administrador
escolar foi sucinto e respondeu que a escola possuía alguns métodos só que
relativamente. Mas pelo que foi visto tal relatividade se resume em dizer que a
escola não possui nenhum método para conter a evasão escolar.
99

Intrigado com a opinião do gestor sobre os métodos utilizados quis saber o


que a escola poderia mudar para diminuir o número de evasão dos estudantes, onde
o mesmo respondeu que 3 (três) mudanças seriam fundamentais: Na fala do diretor
em primeiro lugar uma mudança dos conteúdos, pois os mesmos encontram-se
defasados e longes da realidade dos discentes favorecendo para o alto número de
desistência escolar, pois os alunos se sentem alheios aquilo que está sendo
ministrado na escola; outra mudança que deveria ocorrer na escola segundo o
gestor seria a grade curricular, pois da mesma forma que os conteúdos estão
distantes do meio onde o estudante está inserido, algumas disciplinas infelizmente
não fazem o menor sentido para eles, aumentando o desinteresse pelos estudos; e
a terceira mudança seria uma constante e contínua formação aos professores para
que assim os mesmos possam estar preparados para os desafios enfrentados em
sala de aula.
Devemos compreender a instituição escolar a partir de uma perspectiva
múltipla, na qual, a escola cumpre basicamente três funções básicas, sendo
a primeira de integração que procede do modelo clássico da socialização
pela internalização; a segunda de distribuição que considera a escola como
um mercado; e a terceira de subjetivação a qual é ligada à relação particular
que os indivíduos constroem com a cultura escolar. (DUBET E
MARTUCCELLI,1997, p. 261)

Para encerrar a entrevista com o gestor escolar, procurou entender sua


percepção a respeito de quem seria a culpa em relação à desistência? Dos
estudantes, da direção, dos professores ou dos pais? Sendo que, para esta
interrogativa o administrador escolar foi enfático em afirmar que a culpa não seria de
uma classe em particular, porém a responsabilidade seria conjunta, onde cada setor
teria sua parcela de contribuição em relação ao problema apresentado.
No primeiro questionamento aos professores da escola CEGLUR 8 o objetivo
foi observar como anda a formação continuada dos docentes, ao que foi constatado
que os mesmos nem ao menos se recordam do título da última formação
pedagógica que tiveram, dando a entender que neste quesito os professores da
escola andam mal preparados, pois há tempos não passam por uma formação
pedagógica continuada, prejudicando assim o trabalho dos professores, pois se
houvesse uma formação continuada o trabalho pedagógico seria mais exitoso.
É preciso insistir que tudo quanto fazemos em aula, por menor que seja,
incide em maior ou menor grau na formação de nossos alunos. A maneira
de organizar a aula, o tipo de incentivos, as expectativas que depositamos,

8
CEGLUR – Centro de Ensino Governador Luís Rocha
100

os materiais que utilizamos, cada uma destas decisões veicula


determinadas experiências educativas, e é possível que nem sempre
estejam em consonância com o pensamento que temos a respeito do
sentido e do papel que hoje em dia tem a educação (ZABALA, 1998, p. 29).

A intenção ao perguntar como os docentes podem melhorar as suas aulas,


foi na verdade estigar a uma auto avaliação aos profissionais educacionais, para
tentar perceber o que eles acham que devem melhorar em sala de aula. Sendo que,
os 3 (três) fatores principais, elencados pelos professores, foram: Didática,
planejamento e motivação.
Para os docentes da escola CEGLUR, a didática que os mesmos
desenvolvem em sala de aula precisa de renovação, o que na real situação vivida
por estes profissionais se torna difícil, pois pelo o que foi diagnosticado os mesmos
há muito tempo não passam por cursos de aperfeiçoamento e capacitação
pedagógica, sendo que, para que isso ocorra os próprios educadores têm que
buscar tal renovação didática, com seus próprios recursos, dificultando assim
consideravelmente o seu processo de evolução didática pedagógica.
O planejamento foi outro que merece uma melhoria segundo os docentes,
pois os mesmos notam que há certa distância daquilo que é planejado e quando é
planejado, para como a aula realmente se desenvolve na prática, pois os
professores afirmam que os alunos com sua desmotivação para os estudos acabam
por desmotivar o trabalho do próprio educador que não vê interesse em passar
horas planejando e se dedicando a algo que quando proposto aos estudantes, estes
nem se quer fazem questão de assinar determinada atividade ou tarefa escolar, logo
tal descaso acaba trazendo sentimentos de revolta e tristeza ao profissional de
educação. Exatamente por isso que os professores do CEGLUR, falam que deve se
encontrar uma forma de planejar aulas que seja atrativa para os discentes da escola.
A proposta para a organização metodológica das práticas pedagógicas de
EJA deve levar em consideração os três eixos articuladores propostos para
as Diretrizes Curriculares: cultura, trabalho e tempo, os quais deverão estar
intrinsecamente, ligados. A cultura, eixo principal, norteará a ação
pedagógica, haja visto que dela emanam todas as manifestações humanas,
entre elas, o trabalho e o tempo. (DCE, 2005, p 45)

O último fator levantado pelos professores corrobora exatamente com o


anterior, pois através de um planejamento eficiente, existe a possibilidade de se
encontrar métodos motivacionais para que os discentes sintam-se atraídos pelo
estudo e com isso mostrem interesse pela escola e consequentemente pelas tarefas
101

propostas, aumentando nos professores seu ânimo em relação a profissão, criando


com isso um círculo virtuoso.
Na questão da motivação do trabalho docente em sala de aula da escola
CEGLUR, os entrevistados diversificaram nas respostas, uns disseram acreditar que
seu trabalho é sim motivador em sala de aula, pois possibilitam o máximo no ensino
para seus discentes, contudo alguns acreditam que esta pergunta depende dos
alunos, pois de acordo com o grau de interesse demonstrado pelos estudantes, esse
interesse vai influenciando em seu trabalho, ou seja, quanto mais o aluno se mostra
desmotivado aos estudos mais negativamente essa atitude reflete em seu trabalho
como educador.
Sobre o comportamento dos alunos nas aulas da escola CEGLUR os
professores foram quase unânimes afirmando que os mesmos possuem um
comportamento normal de alunos nesta etapa de ensino, sem muitos exageros ou
indisciplina que não possa ser controlada, não obstante a falta de compromisso por
melhores resultados nos estudos é o que acaba dificultando o trabalho dos
docentes, pois estes notam o estado de desânimo quase que geral dos alunos do 1º
ano noturno demonstrando pouco interesse aos estudos, pois os mesmos não veem
perspectiva de melhoria de vida através da escola.
Compreender o perfil do educando da EJA requer conhecer a sua história,
cultura e costumes, entendendo-o como um sujeito com diferentes
experiências de vida e que em algum momento afastou-se da escola devido
a fatores sociais econômicos políticos e ou culturais. (DCEs, 2005, p 33)

Em relação às dinâmicas pedagógicas realizadas em sala de aula, procurou


interrogar os docentes sobre a quantidade e a frequência que os mesmos faziam
tais atividades, onde alguns responderam que faziam sim, porém ao serem
questionados sobre quais dinâmicas eram feitas, os docentes se mostraram
inseguros e indecisos a respeito dos nomes e das atividades realizadas deixando
transparecer que na realidade os professores não realizam dinâmicas em sala de
aula, ou se realizam é em número reduzido. Porém outros professores foram mais
precisos na descrição das dinâmicas pedagógicas afirmando que em todos os
capítulos de estudo realizam experimentos variados utilizando materiais caseiros,
com a tentativa de ligar o cotidiano dos alunos com a sua vida escolar.
Sobre o sentimento de culpa dos docentes a cerca da desistência dos
alunos, os profissionais de educação se mostraram relativamente culpados por tal
ocorrência. Uns afirmaram que realmente sentem-se culpados por isso ocorrer, pois
acreditam que deveriam realizar um trabalho melhor para que assim despertasse
102

nos estudantes o gosto pelos livros e pelo ensino. Porém, outra parte do quadro de
professores da escola CEGLUR afirmou não sentir culpa, pois os mesmo têm a
consciência tranquila de que realizam o melhor trabalho possível dento de sala de
aula, e que se os discentes decidem parar os estudos os acreditam que essa culpa
não deve ser jogada aos professores, pois os mesmos já realizam um bom trabalho
na escola CEGLUR.
Os jovens e adultos pouco escolarizados trazem consigo um sentimento de
inferioridade, marcas de fracasso escolar, como resultado de reprovações,
do não - aprender. A não-aprendizagem, em muitos casos, decorreu de um
ato de violência, porque o aluno não atendeu às expectativas da escola.
Muitos foram excluídos da escola pela evasão (outro reflexo do poder da
escola, do poder social); outros a deixaram em razão do trabalho infantil
precoce, na luta pela sobrevivência (também vítimas do poder econômico).
(SANTOS, 2003, p. 74)

Como alguns professores afirmaram não se sentirem culpados pela evasão


escolar, ocorrida no CEGLUR. Pensou-se em extrair destes profissionais, ideias que
os mesmos poderiam citar para tentar diminuir o alto índice de evasão, sendo que,
os profissionais foram unânimes em responder que a melhor forma de diminuir o
número de desistência escolar é uma maior cobrança sobre a gestão escolar. Ou
seja, os professores afirmaram que se fossem mais presentes junto aos problemas
que envolvem a escola cobrando com mais rigor a direção da escola para uma
tomada de providências, acreditam que muitas coisas não chegariam a estágios tão
periclitantes como é o caso da evasão escolar em específico.
Os docentes disseram ainda que em relação a evasão dos estudantes a
gestão escolar deve criar uma equipe permanente para acompanhar a frequência
destes discentes que estão em risco eminente de desistir da escola, fazendo contato
por telefone com o próprio aluno e com seus pais para saber as causas de tamanho
número de faltas e depois proporcionar meios de recuperação concomitante às
atividades atuais para que este aluno volte e possa acompanhar o desenvolvimento
pedagógico de sua turma.
Aprendizagem é fenômeno do dia-a-dia que ocorre desde o início da vida. A
aprendizagem é um processo fundamental, pois todo indivíduo aprende e,
por meio deste aprendizado, desenvolve comportamentos que possibilitam
viver. Todas as atividades e realizações humanas exibem os resultados da
aprendizagem. (PORTO, 2009, p. 42).

A participação familiar é de extrema importância para o desenvolvimento do


aluno em sala de aula, sendo assim foi questionado aos professores se em algum
momento os mesmos já haviam conversado com algum pai de aluno sobre o
desenvolvimento escolar de seu filho, ao que foi respondido de forma unânime que
103

em nenhum momento estes profissionais tiveram a oportunidade de trocar ideias


com os pais dos alunos do 1º ano a respeito da vida escolar de seus filhos. Sendo
que, alguns professores afirmaram nunca terem participado de uma reunião de pais
e mestres no turno noturno o que dificultava ainda mais essa relação dos pais com
os profissionais de educação do filho. Os docentes foram ainda mais enfáticos,
dizendo que se a relação família e escola continuar na forma que se encontra a
tentativa em diminuir o número de evasão escolar serão muito mais difícil que se
ocorresse o contrário em relação à participação familiar na escola.
Na fala de muitos profissionais escolares do CEGLUR a maior culpa pelo
abandono escolar é dos próprios alunos. Percebendo isso, perguntou aos
professores a opinião dos mesmos a respeito da causa ou causas que levam estes
alunos a desistirem da escola. Foram elencadas como causas dessa desistência a
família, filosofia pedagógica diferente, trabalho e relacionamentos pessoais.
Tornando-se gente, o indivíduo qualifica-se como ser social, pronto a
contribuir para o seu país, para a sociedade: um ser livre e criativo que
busca, critica, renova, entende, pensa e possui as estruturas necessárias
para que possa integrar-se à sua família, ao seu Estado. Enfim, ele é um ser
que se relaciona em uma trama de desafios, cooperações e, principalmente,
competições. (SALTINI, 2008, p. 126).

A família, segundo os professores, tem participação predominante na


desistência dos alunos, pois esta não demonstra aos filhos o tamanho da
importância da escola para a sua vida, fator este muitas vezes causado pela perda
do controle da vida dos filhos pelos pais, que não conseguem mais impor diretrizes
aos filhos que acabam fazendo aquilo que bem desejam e geralmente o desejo dos
jovens do 1º ano noturno da escola CEGLUR está bem distante da sala de aula.
Os próprios alunos, na visão dos docentes, têm grande mérito na questão do
abandono escolar, pois estes possuem uma visão de escola que não reflete o
verdadeiro objetivo educacional que requer esforço, comprometimento e dedicação
aos estudos, estes alunos acreditam que somente o fato de virem a escola já é o
suficiente para o alcance de resultados satisfatórios e quando o professor exige
atitudes que requer dedicação aos estudos, estes discentes se revoltam e começam
os problemas de indisciplina, falta de atenção nas atividades extra escolares e
elevado número de faltas, o estudante do 1º ano noturno ao chegar na escola
CEGLUR percebe que o ensino é “diferente” de seus lugares de origem, geralmente
mais permissivo diante das atividades escolares, causando muitas vezes um choque
de realidade, que futuramente acaba culminando com a inevitável desistência desse
104

estudante por não se enquadrar em uma filosofia de ensino diferente daquele que
ele vivia anteriormente.
Outro fator que acarreta a desistência dos alunos na visão dos professores é
o início precoce na vida trabalhista, pois o aluno começa a ter acesso a uma
pequena quantidade financeira e passa a acreditar que aquele dinheiro é muito mais
proveitoso para a sua vida do que passar horas em uma carteira de escola que
financeiramente ele não percebe nenhum retorno, causando assim uma grande
dedicação do aluno durante o dia ao trabalho que geralmente é em funções manuais
e quando chega o horário da aula este aluno estar exaurido diminuindo e muito o
seu desenvolvimento em relação aos estudos.
À medida que a sociedade vai tornando-se cada vez mais dependente do
conhecimento, é necessário questionar a concepção de educação e de
aprendizagem. É importante entender a aprendizagem como uma atividade
contínua, que estende ao longo da vida. A educação tem de criar condições
para o aluno desenvolver a habilidade de aprender a aprender, de modo que
ele seja capaz de continuar sua aprendizagem mesmo depois de deixar a
escola (VALENTE, 2004, p. 13).

As relações pessoais dos estudantes nesta etapa de ensino é outro


agravante percebido pelos professores, pois os mesmos relatam que é nessa época
na vida do indivíduo que começa aquele namoro mais sério e que acaba muitas
vezes terminando em uma gravidez indesejada. Ao casal resta em muitos casos a
desistência, pois no caso dos garotos estes passam agora a ter uma
responsabilidade a mais que é sustentar uma família e isso atrapalha em sua
dedicação exclusiva aos estudos e as garotas por causa de ciúmes dos próprios
companheiros ou por vergonha de seu estado gestacional acabam abandonando os
estudos.
A fala dos professores em relação à direção foi uma constante, devido a este
fator foi questionado aos mesmos se em algum momento o diretor escolar os alertou
sobre o elevado número de alunos que vem desistindo do 1º ano noturno do ensino
médio da escola CEGLUR? Ao que os profissionais em sua grande maioria
responderam prontamente que em nenhum momento no decurso dos anos letivos
de 2014 e 2015 o diretor fez menção sobre este aspecto tão negativo dentro da
escola, apesar dos professores notarem o alto fluxo de estudantes nessa série.
Outros disseram que foram sim alertados pela gestão educacional, mas somente
nos últimos meses do ano e que por causa dessa demora acharam até mesmo meio
que desnecessário tal alerta, pois àquela altura era inútil tentar fazer qualquer tipo
de manobra para sanar a mazela da evasão escolar.
105

Pela fala dos profissionais de educação da escola CEGLUR é notória certa


decepção com a direção pelo fato desta, não agir de maneira incisiva na questão da
evasão escolar deixando a coisa ocorrer de maneira solta sem nenhuma providência
contundente em vista a ser tomada.
A aprendizagem realiza-se nas relações face a face, ou melhor, ouvido a
ouvido de alunos e professores postos à escuta das vozes que os
interpelam. Ao educando cabe a palavra da realidade nova interpelante; ao
educador, a palavra alicerçada na experiência de vida, na capacidade de
discernimento, no compromisso com a busca do saber, com a precisão;
cabe também a disciplina do estudo, com a interpelação ética da vontade
coletiva, na fidelidade ao projeto da emancipação humana. (FONTOURA,
1961, p. 160- 165).

A última pergunta feita aos professores foi para saber se os mesmos


acreditam que deve haver alguma alteração em seu modo de trabalho, ao que os
profissionais foram unânimes em afirmar que sua didática deve sim ser alterada, só
que esta mudança deve estar condicionada com um melhor planejamento e uma
formação continuada, aula esta apoiada por uma supervisão pedagógica que
proporcione todo o amparo necessário para sua melhoria, para assim haver uma
aproximação com a vida particular dos alunos dando maior sentido para os
estudantes do grande valor da escola, auxiliando com a diminuição no número de
evasão escolar.

6.4 Resultados da observação


As observações foram realizadas em lócus e documental (arquivos de 2010 a
2015) no período de 01/03/2016 a 01/04/2016, no Centro de Ensino Governador Luiz
Rocha, D. Pedro-MA, Brasil, em turmas de 1º ano do ensino Médio no turno noturno,
pelo pesquisador.

Com os dados da pesquisa documental em mãos é possível traça um


panorama do perfil dos alunos e das famílias dos educandos evadidos da escola
CEGLUR, no período dos cinco últimos anos:
A partir do resultado é possível perceber que em sua grande maioria são as
mães que a ficha de matricula dos filhos, e em sua maioria os próprios alunos,
maiores de 15 anos. Os pais dos alunos desistentes da escola CEGLUR são jovens,
pois uma maioria de 80% está entre a faixa etária de 36 a 40 anos, sendo que os
outros 20% restantes chegam a ser mais jovens ainda, estando entre uma faixa
etária de 30 a 35 anos, indicando certa inexperiência em relação ao trato com os
filhos, relacionada especificamente ao caso da evasão escolar.
106

Em relação ao trabalho dos pais 90% destes declararam na época estar


empregados e apenas 10% dos entrevistados desempregados o que poderia sugerir
algo empolgante, só que infelizmente este quadro se torna desanimador ao observar
os números relacionados à renda mensal dos pais dos alunos desistentes, ou seja,
70% recebem menos de 1 (um) salário mínimo por mês e apenas 30% recebem
mais de 1 (um) salário, dando a entender o estado de carência vivido por essas
famílias, situação econômica esta que provavelmente se torna um agravante para a
situação de abandono escolar do filho.
A formação acadêmica destes pais é outro fator preocupante em relação ao
possível apoio oferecido aos filhos, visto que apenas 30% das fichas declararam
possuir o ensino médio e 70% estudaram somente o fundamental o que
presumivelmente culminou a dificuldade destes pais em relação ao trato com os
trabalhos escolares dos filhos, criando um distanciamento entre aquilo que os filhos
desenvolvem na escola e aquilo que os pais sabem para poder os auxiliar.
Pelo quadro familiar que vai se formando o resultado não é nada animador,
já que a proporção não se equivale, ou seja, o salário das famílias é baixo, o nível de
formação acadêmica também, já o número da prole é alto, colocando assim entraves
para o desenvolvimento das famílias. Ainda mais examinando os números dos
outros dados da tabela que mostram a situação das famílias em relação à suas
moradas, onde um total de 70% das famílias mora de aluguel e apenas 30% destas
possui suas próprias moradias.
Em relação aos últimos dados, o mesmo destaca ainda mais a situação de
instabilidade vivida pelos familiares dos alunos evadidos, uma vez que 60% dos pais
entrevistados disseram estarem separados de seus cônjuges, número alto este, pois
uma família onde os pais estão divorciados acaba existindo sempre uma lacuna que
cria dificuldades na criação dos filhos. Do outro lado, apenas 40% dos familiares
afirmaram viver um casamento estável com seus respectivos parceiros.
Resumidamente o quadro com os valores quantitativos a respeito das
famílias dos filhos evadidos da escola CEGLUR é este, mães com maior
participação na vida escolar do filho, alto número de empregabilidade, baixo salário
e nível de estudo, alto número de dependentes, vivendo em casa de aluguel e pais
divorciados de seus respectivos cônjuges.
O estudo sobre os alunos evadidos nos últimos cinco anos se observou a
faixa etária dos mesmos, onde ficou constatado que estes tinham na época uma
idade relativa, pois os 80% dos alunos desistentes da escola que participaram da
107

pesquisa tem idade entre 15 a 25 anos e os outros 20% possuem entre 26 a 35 anos
de idade. Pelo percentual apresentado se expõem uma maioria jovem que acabam
por desistir da escola.
Outro dado apresentado que é relevante a uma possível desistência dos
alunos da escola CEGLUR é a questão trabalhista, pois foi constado que a grande
maioria, ou seja, um número de 90% dos educandos no período declarou na ficha
que realizava algum tipo de trabalho, onde apenas 10% não realizar nenhum tipo de
trabalho.
O relacionamento dos estudantes também foi estudado, onde ficou
constatado que 30% dos registraram na ficha de matricula estar em uma união
estável e a grande maioria 70% afirmaram não estar envolvidos em nenhum tipo de
relacionamento conjugal.
Observou-se também que 70% destes estudantes viviam na casa dos pais e
30% registraram não mais viver com seus pais e sim estarem morando com um
companheiro ou companheira em uma nova casa.
O interessante perceber que estes alunos desistentes em sua grande
maioria já tiveram algum fracasso escolar anteriormente, pois foram observados em
sua ficha e históricos de outras escolas que 90% foram reprovados em anos
anteriores e apenas 10% nunca foram reprovados.
Ao observar em lócus os alunos, verificou-se de maneira unânime que todos
os alunos gostam das aulas ministradas pelos docentes, porque as aulas são
explicadas de maneira didática e divertida causando sempre boa impressão aos
alunos.
A situação permitiu checar que parte dos docentes se esforça para oferecer
o melhor do ensino, pois dão conselhos, ensinam de maneira entusiasmada dando
dicas para uma vida de comprometimento com os estudos. Mas infelizmente não
são todos assim, pois existem alguns que não tem comprometimento com sua sala
de aula, pois os mesmos são muito repetitivos no ensino sem contar que no dia de
suas aulas as faltas de alguns professores são recorrentes.
Em relação às atividades desenvolvidas pelos professores observou-se que
os educadores motivavam os alunos a participarem das aulas, sendo respondido
que algumas atividades são extremamente interessantes e contagiantes, todavia
outras eram cansativas e repetitivas por demais o que segundo os discentes
pesquisados em vez de motivar para os estudos tinha um efeito contrário
proporcionando desinteresse o que acabava aumentando ainda mais a vontade de
desistir da escola.
108

Por fim, foi observado que os educadores buscavam sempre animar as


aulas com lições de vida para despertar dos estudantes aos estudos, responderam
também que os professores sempre alertavam em relação à maneira correta de se
comportar em sociedade.

7. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

Os objetivos propostos nesta pesquisa foram alcançados, uma vez que, foi
possíveis determinar que os fatores sócios acadêmicos que provocam a evasão
escolar no 1º ano do ensino médio do turno noturno no Centro de Ensino
Governador Luiz Rocha, estão ligados distorção idade-série, ao fato de muitos
alunos residirem na zona rural, a negligencia por parte da gestão escolar, a falta de
formação continuada dos professores, o despreparo do decente, falta de estimulo
por ambas as partes, falta de material apropriado, falta de aulas dinamizadas e
inovadoras, falta de estrutura da escola, aos próprios alunos que por estarem
condicionados a necessidade de imergirem precocemente ao mercado de trabalho e
outras condições relacionadas à situação social a qual estão inseridos.
No tocante aos os métodos adotados pela gestão para o controle da evasão
escolar, o estudo identificou que há uma contradição na fala do gestor entrevistado
ao que se foi apurado junto aos alunos e familiares, pois os mesmo afirmaram que
em nenhum momento a escola entrou em contato para tentar resolver ou saber os
motivos da falta de aula dos estudantes.
Quanto à relevância de aulas inovadoras para o comprometimento dos
estudantes, foi possível verificar que não existe motivação, embora alguns
entrevistados (docentes) afirmaram existir, contudo alguns acreditam que esta
pergunta depende dos alunos, pois de acordo com o grau de interesse demonstrado
pelos estudantes, esse interesse vai influenciando em seu trabalho, ou seja, quanto
mais o aluno se mostra desmotivado aos estudos mais negativamente essa atitude
reflete em seu trabalho como educador.
O papel da família como parte integrante da educação dos discentes consiste
na formação emocional. É através da relação estabelecida com o mundo, com a
ciência, com o meio social e com o conhecimento, portanto é tão essencial e
determinante no direcionamento da formação intelectual dos filhos.
Diante do exposto, ao averiguar o papel da família na frequência dos alunos
constatou-se que os pais não conseguem mais impor-se aos seus filhos, mesmo
109

sendo menor de idade, porém adolescentes, acabam fazendo aquilo que bem
desejam e geralmente o desejo dos jovens na escola pesquisada está bem distante
da sala de aula. Outro ponto verificado no tocante a família dos alunos, foi o fato
dos professores afirmarem nunca terem participado de uma reunião de pais e
mestres no turno noturno o que dificultava ainda mais essa relação dos pais com os
profissionais de educação do filho.
Ao decorrer do estudo, diante do que foi levantado junto à pesquisa de
campo, apurou-se que as hipóteses foram confirmadas, quando a gestão da escola
não esboça esforços para tentar minimizar a desistência dos alunos, torna-se
evidente a elevação das taxas de evasão. Outro ponto verificado e confirmado foi a
falta de formação continuada do docente e a falta de compromisso da família com a
escolaridade do filho.
Os pontos fortes descobertos e novidades da pesquisa foram primeiramente
o fato dos docentes não participarem de nenhuma capacitação profissional, não há
uma atenção por parte da gestão aos alunos em situação de abandonar a escola,
onde existe apenas um alerta aos pais sobre a desistência do filho dos estudos.
Os conteúdos estão distantes do meio onde o estudante está inserido,
algumas disciplinas infelizmente não fazem o menor sentido para eles, aumentando
o desinteresse pelos estudos.
Constatou-se também que existe estado de desânimo quase que geral dos
alunos do 1º ano noturno demonstrando pouco interesse aos estudos, pois os
mesmos não veem perspectiva de melhoria de vida através da escola.
Outro ponto culminante foi o estado de carência vivido pelas famílias,
situação econômica esta que provavelmente se torna um agravante para a situação
de abandono escolar do filho.
O presente trabalho torna-se relevante no sentido de coletar informações
que possam dar subsídios para minimizar o numero de alunos evadidos no Centro
de Ensino Governador Luís da Rocha.
110

RECOMENDAÇÕES

 A escola:

Criar um Programa de prevenção à evasão escolar com a participação de


todos os seguimentos da comunidade escolar, observando as condições
relacionadas à situação social a qual os educandos estão inseridos;

O acompanhamento eficiente da frequência - que também deve estar na


pauta das reuniões pedagógicas - ajuda a mapear o problema e identificar os
motivos das faltas. Dependendo da razão, é possível escolher a melhor forma
de reverter o quadro: conversas com pais e alunos, visitas às famílias, aulas
de reforço e campanhas internas e na comunidade.

 Aos Pais dos alunos

Dialogar com o filho sobre a forma de ocupar o tempo livre, sempre é possível
discutir alternativas que incorporem valores nos quais se acredite;

Participar mais ativamente da vida escolar dos filhos;

 Aos professores:

Ser um professor que saiba criar uma relação pessoal e de respeito, além de
demonstrar domínio do conteúdo é uma das razões importantes para reter os
alunos no espaço escolar;

Fazer com que o aluno goste da disciplina esse argumento pode ser
justificado pela grande variação entre as disciplinas que os alunos
demonstravam maior interesse.

Participar de formação continuada e manter um diálogo permanente com a


família dos jovens.

 As futuras investigações:

Compreender as causas que levam o jovem a abandonar a sala de aula


torna-se relevante e necessário a fim de que esforços do governo,
comunidade escolar, família e aluno, não sejam infrutíferos, evitando-se o
desperdício de investimentos e, acima de tudo, evita-se que tais experiências
aprofundem o fracasso e a decepção pessoal.
111

REFERENCIAS

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Paulo: Paulus, 2013. ( Coleção Didática; v. 5)

___________. 9 passos para uma escola pública de excelente qualidade/ Celso


Antunes. – Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.

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119

APÊNDICE

FACULTAD DE POSTGRADO
MAESTRÍA EM CIENCIAS DA EDUCAÇÃO

QUESTIONÁRIO A GESTÃO DA ESCOLA

Prezado gestor (a), venho, por meio desta entrevista, analisar os principais fatores sócios acadêmicos
que provocam um elevado número de evasão escolar no 1º ano do ensino médio do turno noturno na Escola
Estadual Getúlio Vargas. Esse é o estudo destina-se a Universidad AMERICANA, para fins de elaboração de
projeto de dissertação do curso de Mestrado em Ciencias da Educação.
Sua participação na presente pesquisa é voluntária e, portanto, o (a) senhor (a) não é obrigado (a) a fornecer as
informações e/ou colaborar com as atividades solicitadas pelo aluno. Caso decida não participar do estudo na
condição supracitada, ou resolver a qualquer momento desistir do mesmo, não sofrerá nenhum dano.
As informações aqui solicitadas deverão ser respondidas com total veracidade e de forma voluntária e
serão codificadas podendo ser apresentadas como artigo científico e poderão ser ainda apresentadas em eventos
científicos, mantendo-se o sigilo e a integridade física e moral do indivíduo participante do estudo. A coleta de
dados ocorrerá através da aplicação de questionário, mantendo a integridade física e moral dos participantes.
Para responder, não é necessário que se identifique, porém, pedimos que suas respostas sejam realmente
verdadeiras. Desde já, agradecemos. DIEGO JUVINIANO DAMASCENO BRITO (Pesquisador)

1. A escola mantém de alguma forma o controle da frequência dos estudantes? Qual?


2. Ao perceber as constantes faltas dos alunos qual atitude é tomada pela escola para que isso diminua?
3. A gestão escolar se comunica com os professores para avaliar o número de alunos evadidos?
4. Em qual série se concentra o maior número de evasão escolar? E em sua opinião por que isso ocorre?
5. Há algum tipo de acompanhamento especial aos alunos que vivem em situação de risco de abandonar a escola,
como trabalhadores, moradores de áreas críticas da cidade e etc.?
6. O número de alunos evadidos do 1º da escola incomoda de alguma forma a gestão escolar? Por quê?
7. Você acha que a gestão escolar tem culpa no fato dos alunos abandonarem a escola? Ou a maior culpa é dos
próprios alunos que não se interessam nos estudos?
8. Em algum momento é feita uma reunião com os pais para alertar sobre os problemas que a evasão escolar
pode causar a vida dos filhos?
9. Na opinião da gestão quais são as maiores dificuldades em se manter os alunos assíduos em sala de aula?
10. Em sua opinião os professores de alguma forma influenciam na evasão escolar dos alunos?
11. Você acredita que a escola possui métodos para conter a evasão escolar dos alunos, quais?
12. Atualmente o que deveria ser mudado na escola para que o número de evasão escolar não fosse tão grande?
13. A maior culpa pela evasão escolar é do aluno, do professor, da família ou da gestão? Justifique.
120

FACULTAD DE POSTGRADO
MAESTRÍA EM CIENCIAS DA EDUCAÇÃO

QUESTIONÁRIO AOS ALUNOS

Prezado aluno (a), venho, por meio desta entrevista, analisar os principais fatores sócios acadêmicos que
provocam um elevado número de evasão escolar no 1º ano do ensino médio do turno noturno na Escola Estadual
Getúlio Vargas. Esse é o estudo destina-se a Universidad AMERICANA, para fins de elaboração de projeto de
dissertação do curso de Mestrado em Ciencias da Educação.
Sua participação na presente pesquisa é voluntária e, portanto, o (a) senhor (a) não é obrigado (a) a fornecer as
informações e/ou colaborar com as atividades solicitadas pelo aluno. Caso decida não participar do estudo na
condição supracitada, ou resolver a qualquer momento desistir do mesmo, não sofrerá nenhum dano.
As informações aqui solicitadas deverão ser respondidas com total veracidade e de forma voluntária e
serão codificadas podendo ser apresentadas como artigo científico e poderão ser ainda apresentadas em eventos
científicos, mantendo-se o sigilo e a integridade física e moral do indivíduo participante do estudo. A coleta de
dados ocorrerá através da aplicação de questionário, mantendo a integridade física e moral dos participantes.
Para responder, não é necessário que se identifique, porém, pedimos que suas respostas sejam realmente
verdadeiras. Desde já, agradecemos. DIEGO JUVINIANO DAMASCENO BRITO (Pesquisador)

1. Sexo:

( ) Feminino ( ) Masculino

2 . Idade:

( ) 14 – 16
( ) 17 – 19
( ) 20 – 22
( ) mais de 23 anos

3 . Estado Civil

( ) solteiro(a) ( ) casado(a) ( ) Outro:__________

4. Trabalha? Renda?

( )Não, apenas estudo


( )Sim
( )1 salário mínimo
( ) 2 salários minimos
( ) mais de 3 salários minimos

5. Mora com os pais?

( )Sim ( )Não

6. Você participa de algum programa de ajuda de renda do governo?


( ) Bolsa escola
( ) Bolsa família
121

( ) Não participo
( ) Outro__________________________

7 .Você já repetiu alguma série?

( ) Sim ( ) Não

8. Qual disciplina você tem mais dificuldade?

( ) Português
( ) Matemática
( ) Língua estrangeira
( )Ciencias humanas
( ) Ciencias naturiais (Química, física, Biologia)

09 - Quais são as suas dificuldades em aprender?

( ) entender as explicações do professor ( ) falta de material apropriado ( ) Escola sem infraestrutura

( ) outros:_________________

10 - Você reserva tempo em casa para revisão do conteudo estudado na escola?

( ) Sim ( ) Não ( ) Um pouco

11 – Já desistiu alguma vez? Qual motivo o levou a afastar-se da escola?


( ) Não
( ) Sim, por qual motivo:
( ) Notas baixas
( ) Ajudar nas tarefas domésticas
( ) Falta de renda familiar
( ) Falta de vagas na escola
( ) Não gostava de estudar
( ) necessidade de trabalhar fora
( ) não gostava da disciplina e professor
( ) Falta de documentação
( ) Doença
( ) Outros_______________________

12 – Quantos anos você ficou afastado da escola?


( ) 1 a5 anos
( ) 6 a 10 anos
( ) mais de 11 anos

13- Em sua opinião, para melhorar a situação da evasão escolar atual, seria necessário:
( ) Mais atenção do governo com suas famílias mais carentes;
( ) Melhorar as condições da escola;
( ) Ter professores mais pacientes com os alunos;
( ) Oferecer transporte escolar de qualidade para todos os alunos;
( ) Tomar todas estas e outras medidas;
( ) Outras; Quais:____________________
122

FACULTAD DE POSTGRADO
MAESTRÍA EM CIENCIAS DA EDUCAÇÃO

QUESTIONÁRIO AOS PROFESSORES

Prezado professor (a), venho, por meio desta entrevista, analisar os principais fatores sócios acadêmicos
que provocam um elevado número de evasão escolar no 1º ano do ensino médio do turno noturno na Escola
Estadual Getúlio Vargas. Esse é o estudo destina-se a Universidad AMERICANA, para fins de elaboração de
projeto de dissertação do curso de Mestrado em Ciencias da Educação.
Sua participação na presente pesquisa é voluntária e, portanto, o (a) senhor (a) não é obrigado (a) a fornecer as
informações e/ou colaborar com as atividades solicitadas pelo aluno. Caso decida não participar do estudo na
condição supracitada, ou resolver a qualquer momento desistir do mesmo, não sofrerá nenhum dano.
As informações aqui solicitadas deverão ser respondidas com total veracidade e de forma voluntária e
serão codificadas podendo ser apresentadas como artigo científico e poderão ser ainda apresentadas em eventos
científicos, mantendo-se o sigilo e a integridade física e moral do indivíduo participante do estudo. A coleta de
dados ocorrerá através da aplicação de questionário, mantendo a integridade física e moral dos participantes.
Para responder, não é necessário que se identifique, porém, pedimos que suas respostas sejam realmente
verdadeiras. Desde já, agradecemos. DIEGO JUVINIANO DAMASCENO BRITO (Pesquisador)

1. Qual foi o ano de sua última capacitação profissional? Qual era o assunto?
2. Em que você acha que poderia melhorar em suas aulas?
3. Atualmente você acredita que seu trabalho em sala de aula é motivador para os alunos? Por
quê?
4. Como anda o comportamento dos alunos durante suas aulas?

5. Você realiza alguma dinâmica para enriquecer o ensino de sua disciplina? Por quê?

6. De alguma forma você se sente culpado por um aluno desistir dos estudos na escola em que
você leciona? Justifique.

7. Como professor, o que você poderia fazer para diminuir o número de alunos evadidos da
escola?

8. Em algum momento você já conversou com os pais de seus alunos durante o ano letivo
sobre o desempenho de seus filhos?

9. Em sua opinião o que leva o aluno a evadir da escola?

10. Como professor você já foi alertado de alguma forma pela gestão escolar sobre o elevado
número de evasão escolar?

11. Em sua opinião a sua didática deve ser alterada de alguma forma? Por quê?
123

FACULTAD DE POSTGRADO
MAESTRÍA EN CIENCIAS DE LA EDUCACION

RELATÓRIO DE OBSERVAÇÃO

Local: Centro de Ensino Governador Luiz Rocha

Período de Observação: 01/03 a 01/04/2016


Documentos: Arquivos dos anos letivos 2010 a 2015
Em locus / Série: 1º ano do Ensino Médio / 2016
Turma: A
Turno: Noite

I – Análise documental das fichas de alunos do ano de 2010 a 2015.

1- Levantamento das características sócio, econômicas e culturais dos pais dos alunos evadidos da
escola CEGLUR. No período de 2010 a 2015.

2- Levantamento das características sócio, econômicas e culturais dos alunos evadidos da escola
CEGLUR no período de 2010 a 2015.

II – Observação em lócus dos alunos do 1º ano do ensino médio /2016.

1. Os alunos gostam das aulas?

2. Os professores se esforçam para oferecer o melhor ensino para seus alunos?

3. As atividades escolares são motivadoras ou desmotivadoras para o estudo?

4. Quais atitudes positivas ou negativas dos docentes foram observadas em sala de aula?

5. Os professores mantem a ordem em sala de aula?


6. Quais as atividades realizadas pelos professores da escola que os alunos mais gostam?

7 – Qual o nível de interesse por parte dos alunos e professor (es) durante as aulas?

8 - Como você percebeu o envolvimento/interação da turma nas aulas?

9- Durante as aulas, em relação aos alunos observou-se:

Itens a Observar Sim Não Às Com intervenção do


vezes professor
Envolvimento
Motivação
Trabalho em equipe/interação
Capacidade de construir Conhecimento

10 – Como você percebe a ação dos fatores relacionados à construção do conhecimento?

( ) Falta de conhecimentos anteriores;


( ) Dificuldades em realizar as atividades;
( ) Os alunos conseguem acompanhar as aulas;
( ) Conseguem concluir as questões propostas;
124

( ) Demonstram ter adquirido os conhecimentos estabelecidos como objetivo.

III - Espaço reservado para registro de informações relevantes:


_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________