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Universidade Federal do Acre

Centro de Filosofia e Ciências Humanas


Curso de Psicologia
Psicologia Social II
Docente: Rômulo Gomes Zanon
Discentes: Mayara Carvalho de Lima

Relatório do filme “O garoto Selvagem” relacionado com


literatura

Rio Branco, Acre


2018
Relatório do filme “O garoto Selvagem”

O filme relata a história de um menino encontrado na floresta por


moradores próximos, onde surpreendente era incapaz de falar, andar, ler ou
escrever, isto é, não possuindo características de comportamentos sociais
humanos. Desse modo, o menino é encaminhado para cidade, onde gera
espanto por parte da população, sendo assim levado para Paris onde um
médico tenta trabalhar seus comportamentos selvagens para comportamentos
socialmente aprendidos. O professor Jean Itard (François Trufffaut) se encontra
fascinado pelo garoto, onde inicia seu trabalho em uma visão comportamental.

Prosseguindo, o garoto permanece morando com o professor Jean Itard,


onde aos poucos vai desenvolvendo comportamentos sociais e habilidades
cognitivas, principalmente uma fala gestual, onde até então não sabia se
comunicar. Por ser privado de educação, o menino se comportava
anteriormente como um animal, sem o discernimento do funcionamento da
sociedade. Os indivíduos ao serem inseridos em um contexto social, se
defrontam com diferentes normas e regras sociais que tecem o modo como a
organização da sociedade vai se estabelecer. De acordo com Silva Lane em
seu livro “O que é Psicologia Social?” (2006) afirma:

“Uma criança recém-nascida depende, para a sua


sobrevivência, de outras pessoas e é através desta
relação que ela vai apreendendo o mundo que a cerca; a
relação de dependência que existe entre ela e aqueles
que a cuidam [...] pois, no momento em que consegue se
perceber distinta do seu meio e dos outros, estas pessoas
se tornam os "outros significativos", ou seja, outros com
os quais ela se identifica emocionalmente e através dos
quais vai criando uma representação do mundo em que
vive [...]”

Essa reflexão a respeito do filme com a concepção do nosso


desenvolvimento ser influenciado demasiadamente pelo contato com outro,
deve nos levar a pensar que esse viver em comunidade cria a nossa
consciência de nós mesmos e por meio desta, cria nossa individualidade.
Observamos durante as cenas, que para Victor era extremamente difícil
seu processo de aprendizagem, pois o seu ambiente anterior era constituído
por uma liberdade na qual o mesmo expressava muito gosto. Ao entrar contato
com o professor e a governanta, ocorreu uma interiorização de
comportamentos expressados dentro daquele contexto histórico, apartando-se
do que sempre se fez acostumado.

Victor por ter sido criado em condições de isolamento social, teve como
consequência uma certa limitação na sua aprendizagem. As crianças criadas
dentro da sociedade desde o nascimento se têm um desenvolvimento
progressivo, desenvolvendo suas habilidades pouco a pouco em fases. Porém
o Victor não deve ser comparado a outras crianças, pois seu desenvolvimento
foi difícil e deve ser olhado como um todo, em suas possibilidades e
oportunidades oferecidas. Ou seja, o homem vai ser aquilo que formaram dele
através de influencias.

Vale ressaltar que a integração do ser humano na sociedade em termos


culturais e sociais, nos leva a concepção que o que vai nos tornar humano é
algo além do genético. Segundo Jaspers, um filósofo alemão: “são as nossas
aquisições, as nossas imitações e a nossa educação que nos transformam em
homens do ponto de vista psíquico”.

O filme nos possibilita na formação acadêmica refletir a respeito da


compreensão do ser humano, levando em conta, aspectos do desenvolvimento
social, biológico, cultural e principalmente nossa plasticidade, visto que
mudamos com nossas experiencias, percepções, ações de comportamento
humano vinculada a relação que estabelecemos com o mundo externo. É nesta
particularidade do ser humano, que estamos em constante aprendizado e
transformações por toda vida.
Referências Bibliográficas

Lane, Silvia T. M. O que é Psicologia Social?. Coleção Primeiros Passos. Nova


Cultural: Brasilience, 1985.

Marcel Berbert (Produtor); François Truffaut (Direção). 1970. O garoto


selvagem. França: Les Productions Artistes Associés.