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Introdução

Com o presente trabalho, pretendemos abordar os aspectos sobre a Evolução Política,


Económica, Social e Cultural do Sudão Central até Século XV. Segundo Adamu, os
Haussas se desenvolveram economicamente devido as suas jazidas de minério de ferro
que eram ricas e bem distribuídas. A qualidade do seu solo foi outro fator determinante,
pois na sua totalidade era rica e fértil. Dessa forma, a agricultura era a atividade
econômica mais importante dos Estados Haussas. O território era bastante povoado,
porém a população não se concentrava demograficamente em uma região do país. A
localização geográfica do território, entre o Sahel e o Saara ao norte, a savana e a
floresta tropical ao sul; podia, desta forma, ser intermédio de mercadorias entre estas
regiões. Devido a esses fatores, o território haussa logo desenvolveu o artesanato e o
comércio de longa distância.

Objectivo Geral

 Analisar a Evolução Política, Económica, Social e Cultural do Sudão Central até


Século XV.

Objectivos Específicos

 Debruçar sobre a origem dos Estados do Sudão central;


 Explicar a base económica do Estados do Sudão Central até Século XV;
 Compreender Evolução Política Estados do Sudão Central até Século XV.

Metodologia

E por tratar -se de um trabalho de natureza meramente investigativa e científica para a


sua produção recorremos a recolha e interpretação bibliográfica e também ao método
hermenêutico, o qual consistiu na leitura e interpretação de textos com matérias
inerentes ao tema em estudo.
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O borno

Segundo KI-ZERBO (1999:265), No fim do século XVI e no princípio do século XVI, a


potência dominante o é incontestavelmente o Borno, sobretudo a partir do grande
império de Idriss Alaoma (1581-1617). Este, a quem a mãe, Amsa, teve de proteger na
infância contra o seu primo tornado saltão, enviando-o ao Kanen, sucedeu, enfim, em
1580 a sua irmã, a famosa Aicha.

Idriss Alaoma foi um prosélito, do islão que estendeu e melhorou a construção de


mesquitas, substituindo o colmo tradicional pela arquitectura em tijolo. Foi também um
puritano que lutou contra o desregramento dos costumes, em particular contra o
adultério. Mandou construir em Meca um albergue para os peregrinos, dotado de uma
criadagem composta de escravos. Esforçou-se por substituir nos processos os chefes
militares por juízes religiosos (cádis).Ao contrário de M. Bello, que fara mais tarde a
apologia da guerra santa mesmo contra os maus Muçulmanos,repugnou sempre a Idriss
desencadear acções militares contra as etnias islamizadas e, em todo o caso, reduzir a
escravidão os prisioneiros de guerra muçulmanos (Ibid:366).

O borno contestado

Depois dele não tarda a ser contestado a preeminência do Bornu e, a partir do reinado de
Ali Omar (1645-1648), os Tuareguese os Jukuns vem sitiar a capital, Ngazargamu. Com
o efeito, o borno só se mantém porque não se encontra a sua volta qualquer vizinho
poderoso. Era um estado onde floresceu a escravatura e o tráfico negreiro orientado para
Magrebe e o Egipto. Mas a escravatura local conservava um carácter moderado, pois se
encontravam antigos escravos como governadores da província (KI-ZERBO, 1999:36).

Na segunda metade do século XVIII, os Jukuns do Kororofa constituem a potência mas


dinâmica. Estes povos, aparentados sem dúvida, com os Bolewas e Kanuris e centrado
no Benue, constituirão durante muito tempo uma reserva de escravos para os estados
Haúças. Contudo a partir do século XVI, submetem a Zaria, depois Cano e Katsina
toma,que no entanto resistem.

Clivagens dos estados do borno

No princípio do século XVIII, Katsina toma a ultima direcção comercial e militar do


Sudão central, enquanto o Borno exerce uma incomparável influência cultural e
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religiosa. Quanto a Gobir e a Zamfara, eles aliam-se de início contra Cano, que é
esmagado em 1731 e 1743 (Idem).

Mas Gobir volta-se em seguida contra o seu ex-aliado e arrase-lhe o capital, Bernin.
Zamfara vê-se então reduzida a mendigar o auxílio de Katsina para erigir uma nova
capital em Anka, enquanto Gobir levanta a sua nova Metrópole em Alkalawa. No final
século XVIII, por consequência, duas potências ocupam uma posição preponderante no
Sudão central: Gobir e Katsina. Katsina, tomando lugar de Tombuctu, brilha pela sua
irradiação intelectual e pelo refinamento nos usos e na língua haúça (Idem).

O comércio do Kanem-Bornu
O reino do Kanem-Bornu praticava a actividade comercial. Controlava as rotas do
Kawar e do Air que davam acesso às trocas com as ricas regiões salinas de Bilma
eAghram (Fachi), situadas a sul do seu território. Lange (1988, p. 265) afirma que
nenhuma outra salina do Sudão Central tinha valor económico comparável ao destas
regiões. O reino do Kanem-Bornu estava também envolvido no comércio transariano,
fornecendo para além do sal, também o cobre, o estanho e o bronze; produtos exóticos
como presas de elefantes, penas de avestruz e animais vivos; e os escravos, que eram
capturados principalmente entre os povos não-muçulmanos ao sul de Bornu
SENGULANE, 2007:223).

Os escravos eram comprados pelos árabes berberes a troco de cavalos, que tinham um
valor militar, e eram revendidos no Mághreb, principalmente em Zawila, capital do
Fezzan. O Kaném-Bornu importava também roupas, tecidos, e armas de ferro. O Kanem
e o Bornu dominaram, sobretudo a partir do século XIII, a rota leste direccionada para o
comércio com o Nilo. O Kanem-Bornu desenvolvia também a agricultura, a criação de
animais e um artesanato que fornecia produtos, tais como roupas bordadas e alume, que
eram exportados para os países vizinhos (Ibid:224).
Estados Haussas

Localização dos Estados Haussas

O povo Haussa habitava a área que ia desde os montes Air (norte), até o planalto de Jos
(sul), da fronteira do antigo reino de Bornu (leste), até o vale do Níger (oeste). Desde
tempos muito antigos, era a única língua indígena conhecida, o território era chamado
de Kasar hausa, que quer dizer, território de língua haussa. (ADAMU, 2010:299).
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Origem dos Haussa

Muitas são as teorias propostas para explicar as origens dos Haussa, quase sempre
contraditórias e aqui expostas resumidamente.
 A primeira delas, baseada em falsa interpretação da lenda de Bayajida (ou de
Daura), pretende que os ancestrais dos Haussa foram originariamente árabes de
Bagda, no Iraque2. André Salifou propôs recentemente outra versão desta lenda,
que W. K. R. Hallam interpretou como um relato sobre o surgimento de novas
dinastias em território haussa, no inicio do presente milenio3.
 A segunda teoria sustenta que os Haussa habitavam, originariamente, o sul do
Saara, antes que esta região se tornasse desértica, e que, posteriormente,
emigraram ainda mais para o sul.
A terceira teoria opõe-se as duas primeiras, afirmando que os ancestrais dos Haussa
eram os povos que viviam da caca, da pesca e da cultura de subsistência, as margens do
grande lago Chade. Quando o lago começou a diminuir ate alcançar seu tamanho actual,
decidiram continuar no local, e tornaram-se agricultores sedentários. Segundo esta
teoria, a civilização haussa se desenvolveu nos territórios que constituiriam os reinos de
Daura, Kano, Rano e Garun Gobas; dali estendeu-se para oeste e norte, ate incluir as
regiões de Katsina, Zazzau, Gobir, Zamfara e Kebbi (Ibdi:300-1).
Nascimento e evolução dos Estados haussa
A lenda popular sobre a origem dos Haussa evoca a partida do príncipe Bayajida de
Bagda para oeste, em direcção ao Kanem Bornu. Ali, o mai (rei) deu-lhe a mão da filha
em casamento, mas privou-o da escolta. Com medo do mai, Bayajida fugiu novamente
para oeste, chegando, algum tempo mais tarde, a uma cidade cujos habitantes eram
impedidos de alcançar a água por uma serpente chamada sarki (chefe). Com sua espada,
o príncipe matou a serpente; como recompensa, Daura, a rainha local, esposou-o e
também deu-lhe uma concubina gwari. Do casamento com Daura, nasceu-lhe um filho
chamado Bawogari; a concubina deu-lhe outro menino, que foi denominado Karbogari
ou Karafgari (conquistador de cidades). A cidade passou a se chamar Daura. Bawogari,
que sucedeu ao pai, teve seis filhos, três pares de gémeos, que se tornaram chefes de
Kano e Daura, Gobir e Zazzau (Zegzeg ou Zaria), Katsina e Rano; juntamente com
Biram, governado pelo filho que Bayajida teve com a princesa de Bornu, estes Estados
formaram os hawsa bakwai, os sete (Estados) haussa. Os filhos de Karbogari também
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fundaram sete Estados: Kebbi, Zamfara, Gwari, Jukun (Kwararafa ou Kororofa),


Yoruba, Nupe e Yawuri, chamados de banza bakwai, os sete bastardos ou os sete
imprestáveis.
Kano
O território que mais tarde constituiu o reino de Kano era, originariamente, dominado
por pequenas chefarias, lideradas por indivíduos cuja autoridade se baseava numa
jurisdição ritual. As chefarias mais importantes eram Sheme, Dala e Santolo. Em Dala,
seis gerações de chefes
Sucederam-se antes da chegada de Bagauda.
Bagauda viveu e morreu em Sheme, após ter obrigado os autóctones a reconhecerem
sua autoridade política. Seu neto Gijimasu (1095 – 1134) fundou Kano, aos pés do
monte Dala. Iniciou também a construção de fortificações que só seriam acabadas
durante o reinado do filho Tsaraki (1136 – 1194). Em 1200, os chefes de Kano já
haviam submetido praticamente todas as chefarias da região, excepto Santolo, que
continuou independente ainda por um século e meio. Durante o governo de Yaji (1349 –
1385), o processo de dominação da área e da população foi levado a bom termo, apesar
das revoltas esporádicas de muitos grupos, dentro e fora da cidade. A expansão para o
exterior foi marcada pela conquista de chefarias ainda independentes da região de
Zamnagaba, e pela ocupação de Rano por dois anos.
Katsina
O território, que seria mais tarde conhecido pelo nome de reino de Katsina, era ocupado,
nos séculos XIII e XIV, por chefarias independentes, de língua haussa. A mais
importante era Durbi-ta-Kusheyi, a partir da qual se desenvolveu, finalmente, a cidade-
Estado centralizada de Katsina. Com o sarki Muhammad Korau (1445 – 1495),
provável fundador de nova dinastia, entrou-se num período historicamente mais estável.
Ainda em Durbi, Korau descobriu um importante sítio no qual se cruzavam muitas rotas
comerciais, havendo também uma mina de ferro e um santuário chamado Bawada.
Neste local, o sarki construiu uma nova cidade fortificada (birni), denominada Katsina.
O novo povoamento logo atraiu habitantes e comerciantes em trânsito, que trouxeram,
assim, mais riqueza e poder a seu senhor. Paulatinamente, os chefes das redondezas
começaram a pagar-lhe um tributo em barras de ferro; era o começo do haraji
(capitação) em Katsina. Partindo desta sólida base económica e política, Korau passou a
mandar expedições para terras mais distantes, ate formar um vasto domínio, o reino de
Katsina. Muhammad Korau e considerado, tradicionalmente, o primeiro dirigente
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muçulmano de Katsina. As campanhas militares de Katsina fora do território haussa


concentraram-se assim como as de Kano, na região situada ao sul do reino.
Zazzau
Segundo Abdullahi Smith, o povo haussa “já vivia em Zazzau havia mais de um
milénio, antes do advento de um governo centralizado na região, com base, a princípio,
em Turunku”. Dali, os chefes estenderam seu território, anexando as pequenas chefarias
vizinhas e estabelecendo, mais tarde, sua nova sede, no sitio da actual cidade de Zaria.
Provavelmente, todos estes fatos se deram no fim do século XV. Recentemente, Murray
Last sugeriu um quadro completamente diferente para a origem da dominação haussa
em Zazzau: já em 1200, existia um reino neste território chamado Kankuma (Kangoma
ou Kwangoma, como se pronuncia actualmente); seus dirigentes eram kamuku e não
haussa. Esta federação kan goma era “herdeira da cultura nok, e sua economia baseava-
se no comércio de metais”. Quando esta federação se rompeu, “o reino de Kangoma
(surgido desta ruptura), com base em Turunku, foi conhecido, no século XVI, como
Zegzeg”. Foi somente em 1641 que o povo haussa começou a dominar Zegzeg ou
Zazzau, com Zaria como capital. Na planície de Zazzau, no extremo sul do território
haussa, foram fundados, pouco antes do século XV, alguns centros urbanos organizados
administrativamente como cidades-Estado.
Enquanto se desenvolviam politicamente, duas cidades, Turunku e Kufena, passaram a
exercer autoridade sobre as outras. Ambas eram, originariamente, independentes uma da
outra, e assim continuaram ate o fim do século XV, quando um dirigente de Turunku,
Bakwa, tomou o poder em Kufena. Mais tarde, os reis de Zazzau, que governavam os
antigos territórios de Kufena e Turunku, instalaram-se permanentemente na nova
capital, construída no extremo leste do birni de Kufena, e chamada Zaria, nome de uma
filha de Bakwa, irmã da célebre Amina. O reino de Zazzau teria nascido, de fato, da
fusão de Turunku e Kufena. A partir do inicio do século XVI, Zazzau começou a
expandir seu território para oeste e para o sul.
Estrutura político-administrativa

Os primeiros haussas viviam em pequenas aldeias ou comunidades onde cada linhagem


tinha seu chefe. Alguns poderiam desfrutar de certa superioridade aos demais por
considerarem-se descendentes do fundador. Assim alguns foram concentrando mais
poder que outros. Essas aldeias foram se expandindo, recebendo e fixando-se novas
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pessoas, com isso, foi se aumentando o poder e algum chefe ia assumindo um caráter de
príncipe enquanto os demais chefes da família iam constituindo uma nobreza (Idem)

Umas aldeias cresciam mais do que outras, foram tornando-se maiores e sobrepondo-se
às menores. Uma das características da ascensão de uma aldeia era a construção de
murros para se proteger de ataques. As aldeias tinham um chefe, as vilas, maiores,
tinham o chefe da vila. Havia também o chefe do território. O rei tinha poder absoluto e
caráter sagrado, estando à frente do país. Apesar de haverem diferenças regionais, a
organização política seguiu um padrão semelhante, “o sistema administrativo surgiu nos
Estados haussa, desde o século XIV, testemunha a influência do Kanem-Bornu, de onde
vieram os modelos de muitas instituições e funções” (ADAMU, 2010:329)
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Economia estados dos haussa

Segundo SENGULANE, 2007:220). A evolução política dos haussa trouxe com o


tempo centralização estatal. Esta, esteve ligada surgimento e consolidação de grandes
cidades designadas birane. Os Estados haussa, segundo a Cronica de Kano citada por
Adamu (1988, p. 310), assentavam o seu denvolviméto económico na exploração
jazidas de minério de ferro, que existiam bem distribuídas por todo território. A maior
parte destas jazidas, localizavam-se perto das regiões florestais, onde se produzia, em
abundância, madeira para o aquecimento e carvão para a fundição do minério. A
fundição do metal era feita derramando nos fornos grandes quantidades pedregulhos
ferruginosos. Do material derretido, fabricavam-se instrumentos agrícolas, facas,
machados, flechas, lanças e outros materiais. O trabalho de exploração do minério de
ferro e de sua fundição foi tão importante que esteve na origem concentrações
populacionais que acabaram originando algumas unidades políticas importantes como é
o caso de Kano.

A principal actividade praticada, entretanto, e atestada nos escritos de Ibn Battuta e


Hassan Ibn Muhammad al Wuzzan (Leão o africano), era a agricultura. O exercício
desta actividade foi favorecido por dois factores: a fertilidade dos solos em quase todo o
território e o elevado número de população que se encontrava distribuída de forma
regular. As ruínas das antigas cidades e vilas, nos vários Estados, evidenciam bem essa
distribuição (Ibdid:221).
A terra pertencia às comunidade aldeãs, vilas, ou cidades. Ela nunca podia ser vendida,
salvo em casos autorizados, e o seu usufruto cabia aos que a cultivavam.
A sua utilização era supervisionada por um chefe - o que podia admitir a venda de lotes
a indivíduos estranhos a comunidade. Mais tarde, o sarki passou a ter a possibilidade e o
direito de doar terras a qualquer indivíduo, autóctone ou estrangeiro (Idem).
Os agricultores eram dirigidos na sua actividade por um responsável designado sarkin
poma (chefe das culturas), que observava rigorosamente o início da estação das chuvas
e decidia sobre os sacrifícios a serem feitos aos deuses locais, para que estes
assegurassem boas colheitas. Com o decorrer do tempo, o regime de propriedade
alterou-se, e três tipos de fazendas emergiram: o gandum sarkin, campo dcj rei, muito
vasto e cultivado por escravos; o gandum gide, campo da família; e a ou gayamma,
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pequeno lote pertencente a um indivíduo. Cultivavam-se fundamentalmente diversas


variedades de milhete, sorgo, arroz, algodão e índigo (Idem).
O artesanato
O artesanato era, depois da agricultura, a actividade mais importante para a economia
haussa, principalmente a partir do século XIV. A produção artesanal era relativamente
alta, graças à divisão do trabalho e à especialização. A indústria têxtil de algodão
ocupava o primeiro lugar, depois vinha a indústria do couro e da sapataria que produzia
bolsas, calçado, selas, e almofadas, que eram exportados para Tombuctu, Gao, .e
Maghreb. A cerâmica era outro dos ofícios praticados. Fabricava recipientes usados
para a conservação de líquidos e de cereais. O artesanato era gerido por corporações,
cujos chefes eram nomeados pelo rei a conselho das corporações. As corporações
tinham como funções arrecadar as várias taxas que os artesãos deviam ao fisco, e
controlar os métodos de produção, os critérios de trabalho, os preços, bem como a
entrada de novos membros na actividade (SENGULANE, 2007:221).
O comércio
O comércio, outra actividade praticada, era feito nas cidades, nos mercados que também
funcionavam como pontos de encontros e locais de reuniões e decontactos. Cada
mercado tinha um responsável, designados ajudantes. A sua função era manter a ordem,
resolver disputas entre comerciantes e clientes, e arrecadar as taxas, em géneros ou em
dinheiro, para o rei. A classe dos comerciantes estava dividida em categorias:
 Os ciniki, pequenos comerciantes que trabalhavam em mercados locais de
pequena escala. Vendiam produtos agrícolas e artesanais da sua própria
produção;
 Os fatake, grandes comerciantes que desenvolviam a sua actividade em
mercados designados fatauci. Efetuavam um comércio por atacado e a longa
distância;
 Os yan koli, intermediários que se deslocavam de mercado em mercado
vendendo e comprando produtos, ou vendendo os produtos comprados aos
fatake.
Dentro destas categorias, havia sub-especialidades como as dos fornecedores de carne,
de cereais, de artesanato, e etc. O comércio haussa integrava também os dillalai,
corredores que conheciam os preços de cada mercado da região, que previam as suas
flutuações, isto é, as variações de oferta e de procura, conhecimento na base do qual
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especulavam no mercado. Os dillalai recebiam pelo seu serviço uma percentagem sobre
as vendas (Ibdi:222).
As transacções eram também feitas fora dos mercados. Os artesãos, por exemplo,
faziam trocas nas suas oficinas de trabalho, e certas mercadorias importadas, destinadas
às classes do poder eram entregues nos seus domicílios. No sistema comercial haussa
trabalhavam também as mulheres que vendiam | produtos de algodão e geriam bancas
de comestíveis. As principais unidades monetárias eram, numa primeira fase, as fitas de
algodão, o sal e os escravos e, depois, o cauris, chamado localmente por fírin kudi que
significa moeda branca.
Em virtude da sua centralização política lenta, o território haussa entrou tardiamente, em
relação ao Mali, ao Songhay e ao Kanem-Bornu, na rede do comércio a londa distancia.
No século XV, os haussa assumiram algumas rotas que levavam para o sul. O
desenvolvimento de Kano e de Katsina e as suas rivalidades estiveram estreitamente
ligados à ascensão do comércio a longa distância que foi conhecendo um crescimento
também para a direcção leste. Os produtos envolvidos no comércio eram, de acordo
com a sua origem:
1. Produtos locais - artigos de algodão e de couro, produtos agrícolas como
milhete, almíscar de algália, penas de avestruz e borracha;
2. Produtos da África do norte e, em parte, da Europa - objectos de metal armas,
cavalos, pérolas, artigos de vidro e roupa de luxo;
3. Produtos do Sahara - barras de estanho das minas de Takedda e sal de Bilma.
4. Produtos do sul - nozes-de-cola e escravos obtidos em incursões ou no
pagamento de tributos pelos Estados vizinhos.
Os escravos eram usados como moeda, mercadoria, domésticos, soldados, guardas, e
mão-de-obra agrícola ou artesanal. Uns ficavam no território haussa e outros eram
vendidos, principalmente no Maghreb.
Quanto ao comércio transariano, de acordo com Adamu (Ibid., p. 314), Kano e Katsina
envolveram-se directamente neste comércio ao servirem como terminais de algumas
rotas que convergiam para a região. No século XVI, após a queda do Império Songhay,
o comércio transariano, direccionado para os Estados Haussa intensificou-se,
principalmente depois que Katsina, uma das terminais das caravanas mencionada,
tornou-se na espinha dorsal não só da economia haussa, como também de todo o Sudão
central (Ibid:222-3).
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A prosperidade do comércio dos Estados Haussa beneficiou sobremaneira as classes


ligadas ao poder político. Era notável a opulência das cortes no século XV. Alguns
empreendimentos e projectos de construção, bem como reformas administrativas,
políticas e religiosas, foram levadas a cabo no contexto desta prosperidade.
No século XII, a maior parte da região do lago Tchadé era dominada pelo poderoso
reino do Kanem, situado a nordeste do lago Tchad. Nessa época, existiam outros reinos
na área, mas a maior parte dos habitantes ainda vivia organizada em clãs e grupos
étnicos independentes. O Kanem foi conhecido, em tempos remotos, por viajantes
geógrafos árabes, tendo passado a desfrutar de fama que outras entidades políticas da
região na época. O esclarecimento da História do Kanem foi proporcionado pelas
diferentes crónicas das cortes dos seus diferentes reinados. Dois factores contribuíram
para o crescimento do Kanem: o comércio transariano e a expansão e instalação das
suas etnias, tomaghra, tura, kay (ou koyam) e ngalma dukko, na região do Bornu, a
oeste do lago Tchad, durante o século XII. Estas etnias, encontraram a população
autóctone sao (ou so) na região. Foi depois do controlo do reino do Bornu pelo Kanem
que passou a ser conhecido como Kanem-Bornu.
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Conclusão
Os hauçás, haussás ou haúsas, também conhecidos pela grafia inglesa hausa, são um
povo do Sahel africano ocidental que se encontra principalmente no norte da Nigéria e
no sudeste do Níger. A língua dominante é o haussa. O povo nativo desse local teve
uma mescla de uma grande onda migratória vinda do norte e do leste. A tradição oral
refere-se à cidade-mãe Daura, que teria dado origem às “sete cidades” históricas: Kano,
Zaria, Gobir, Katsina, Rano, Biram e Daura. A organização política administrativa se
dava por pequenas comunidades locais que se formavam por grupos de famílias
dirigidos por um chefe, sendo que a economia se baseava na agricultura e no artesanato
seguido do comércio. A religião é na sua maioria o islamismo. Muitos Hauçás vieram
para o Brasil através do tráfico negreiro. Porém, muitos ainda permanecem em
pequenos vilarejos trabalhando com a agricultura e a pecuária.
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Referencias bibliográficas
ADAMU, Mahdi .Os Haussa e seus vizinhos do Sudão central. In BOAHEN, Albert
Adu. História Geral de África Vol. IV. África do seculo XII ao XVI. Brasília:
UNESCO. 2010.
KI-ZERBO, Joseph. História de Africa Negra. 3a Edição, Portugal, Publicações Europa
América, Volume I, 1999.

SENGULANE, Hipólito. Das Primeiras Economias ao Nascimento da Economia


Mundo. Maputo, Universidade Pedagógica. 2007.