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Faculdade Santa Maria da Glória

Curso de Pedagogia, Letras e História

ENCINARTE – 30/03/2019 – Filme: Pão e Tulipas


Acadêmico: Eduardo Henrique de Araújo
Curso: Licenciatura em Letras Português e Inglês
1º Semestre - 2019

Filme italiano Pão e Tulipas de gênero comédia romântica com direção de Silvio
Soldini, estrelado por Licia Maglietta, Giuseppe Battiston, Silvana Bosi, foi lançado em
1999 e recebeu o prêmio David di Donatello de Melhor Filme em 2000.
De forma descontraída, o filme conta a história de Rosalba, uma dona de casa
e mãe de família. Num passeio de costumeiras férias anual que a família fazia, ela é
esquecida num restaurante. Perdida e sem recursos aventura-se pegando carona com
desconhecidos rumo a Veneza, que desejava conhecer de longas datas e tira férias
por tempo indeterminado. O marido desconfiado contrata um “detetive” para descobrir
o paradeiro de sua esposa.
A película remonta à ideia de família tradicional, com o casal e dois filhos que
saem de férias na esperança de encontrar a descontração e o lazer que a viagem
pode proporcionar. Mas a própria Rosalba que se reconhece como dona de casa,
relata que desejaria sair de férias. Essa necessidade de retirar-se em férias é uma
fala controversa para uma família que saía de viagem anualmente. A personagem
sentia-se diminuída nas suas tarefas diárias e aprisionada a este contexto. Suas
viagens planejadas e dirigidas não lhe satisfaziam o anseio que nunca era consultado.
Este momento em que foi esquecida, apresenta-se como a oportunidade de que
necessitava para dar vazão aos seus desejos, de se sentir livre para escolher o seu
próprio roteiro de viagem e o destino - que no caso era Veneza – irrompendo com
aquela situação.
Para chegar ao destino anelado, se depara com muitas adversidades que ela
encara com leveza e criatividade, e nesta viagem não planejada ela descobre um
mundo totalmente diferente, quando começa também a descobrir uma outra Rosalba,
mais realizada e mais feliz, que se sente livre. Nesta jornada, ela conhece pessoas
com as quais na medida que se liberta daquela realidade de clausura, também auxilia
esses convivas, com quem ela tem oportunidade de conversar, expor suas ideias e
ser quem ela realmente desejava ser, resgatando alguém dentro de si que já havia se
perdido há muito tempo.
A realidade que agora vivia, trazia em determinados momentos uma nostalgia
familiar e ao mesmo tempo um duelo de ideias que se contrapunham em sua mente:
de um lado a nova vida e a liberdade tanto desejada, e de outro, a responsabilidade
de seu papel de mãe, esposa e mulher do lar. Quando se apresenta uma dificuldade
com o filho, ela não pensa muito e rapidamente faz o seu regresso à casa que era
sua, mas ao chegar lá, já não se identifica com o lugar. Pode-se comparar este
momento da obra com o mito da caverna de Platão, que ao relatar aquele que sai da
caverna em busca da verdade, se deslumbra e ao mesmo tempo se amedronta e com
o novo, podendo fazê-lo retornar para o reduto aconchegante, mas que
inexoravelmente, não reconhecerá mais a sua identidade neste local.
Agora o papel se inverteria. Bastou o incentivo daqueles que ela havia ensinado
a sair da caverna, para que retornasse ao seu mundo de verdade, que houvera
conquistado no resgate de sua própria identidade, de sua individualidade. Eis também,
o papel daquele que também retorna para caverna: resgatar e mostrar a luz da
verdade, para trazer à razão o ser, que pensa e obra por sua própria autonomia. Por
fim, o filme faz reflexionar sobre a vida e a forma como cada um a conduz: se vive-se
num ritmo automático, deixando-se levar pelas obrigações sociais ou se de fato vive
a vida na sua plenitude.
Esta obra pode ser apreciada por todos os públicos, pelo caráter leve de sua
proposta. Muitas interpretações são possíveis, sendo fator limitante o conhecimento
de cada telespectador, cuja leitura será direcionada pelo seu cotidiano e linha de
raciocínio que pretenda contextualizar. Nesta perspectiva, o pão representa o
essencial da vida e as tulipas são os encantos e o colorido que dão um sabor especial
à ela.
Silvio Soldini, nasceu em Milão, Itália em 1958, cineasta, diretor, roteirista e
produtor cinematográfico italiano, tem produzido diversos filmes como Giorni e nuvole
(2007) e Queimando ao Vento (2002). Ganhou o prêmio David di Donatello no ano
2000, como melhor diretor e melhor roteiro no Filme Pão e Tulipas.

Eduardo Henrique de Araújo, acadêmico do curso de Licenciatura Português e Inglês


da Faculdade Santa Maria da Glória.

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